Com 40,2% de intenções de voto neste momento, a presidente Dilma Rousseff venceria em primeiro turno as eleições presidenciais; esta é a principal conclusão de pesquisa contratada por uma fonte, no caso, insuspeita: o PSDB; de acordo com levantamento do Instituto Sensus, o tucano Aécio Neves tem 18% de intenções e o presidenciável do PSB, Eduardo Campos, 10,6%; foram duas mil entrevistas realizadas entre 17 e 21 de outubro; deu Dilma em primeiro turno em todos os cenários; num deles, José Serra levaria a melhor sobre Marina Silva
Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Redução da pobreza: é esse o modelo que dizem estar esgotado?
29 de outubro de 2013 | 08:39
Elaborei o gráfico acima com base em estudos do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, com dados do IBGE, divulgados em matérias de O Globo.
Repare: na década neoliberal, a pobreza extrema (extremíssima, eu diria ) caiu 28%, baixando de 15,5 em cada 100 brasileiros para 11,1 por cem.
Já em nove anos de mudança de modelo (ou até menos, porque o primeiro mandato de Lula ainda foi marcado por certo arrocho) essa queda foi de 74%, daqueles 11,1 por cento para quatro em cada cem brasileiros.
(Como a turma “do contra” anda ruim de matemática, explico que é procedente esta comparação de percentagens: afinal, quando a inflação passa de um para 2%, diz-se que ela dobrou, certo?)
Já a parcela de brasileiros ganhando razoavelmente bem – R$ 10 mil numa família de quatro pessoas – cresceu 48% no primeiro período e 68% no segundo.
Mesmo que a gente considere os limites muito baixos, seja para a pobreza – melhor chamar de míséria, repito – e para a “riqueza”, é um avanço impressionante.
E, ainda mais importante é o que diz o economista Manuel Thedim, que elaborou o estudo:
- É uma tendência, um pouco resultado das políticas que estão fazendo com que a pobreza vá desaparecendo do país. No grupo da pobreza extrema, o Bolsa Família foi fundamental. Porém, o que mais contribuiu para a migração das pessoas da renda baixa-baixa para baixa-média ou baixa-alta foi a melhora do mercado de trabalho.
A diferença entre as duas faixas de renda é abissal – 175 vezes – mas está se reduzindo: entre 2011 e 2012, o grupo dos mais ricos ficou 8,3% maior e sua fatia na renda total cresceu um pouco menos: 5,23%. Já o grupo dos mais pobres encolheu 14% e sua fatia na renda.
O problema é que aos mais bem aquinhoados no país incomoda muito que os pobres avancem, mesmo que um pouquinho. Já pensou se essa turma começar a pensar que é gente, com os mesmo direitos, inclusive a sonhar com igualdade de oportunidades?
Por: Fernando Britosegunda-feira, 28 de outubro de 2013
COMO FHC VENDEU A SEGURANÇA NACIONAL Só um bobo dá a telefonia a estrangeiros. Ele deu.
Amigo navegante carnavalesco enviou o seguinte e-mail:
PH,
Muito, mas muito boa mesmo a matéria sobre o livro branco da defesa.
Cedo ou tarde a questão do poder militar brasileiro como política econômica e garantia defensiva das próprias políticas sociais (que vão depender muito do pré-sal, do xisto do Amapá e por aí vai) tem que ser recuperada pelos progressistas.
A matéria foi estigmatizada pela associação de capacidade atômica e nuclear ao imperialismo americano (década de 50, campanha pelo desarmamento mundial etc).
O FHC assinou o Tratado de Não—Proliferação Atômica.
Para mim, traição nacional, traição mesmo, convicta, essa foi, seguramente.
O resto foi entreguismo barato.
Quero ver como os socialistas históricos do PSB vão se ver com o Atlântico às escuras da Marina que o Miguel do Rosário sublinhou.
A leitura do CAf pela manhã foi um banho de leite de cabra enquanto aguardo realizar uns exames médicos. Sem preocupação, sairei no carnaval fantasiado de Pré-Sal.
Grande abraço
O Príncipe da Privataria cometeu alguns atos de traição.
Pode-se dizer que ele vendeu, deliberadamente, a Segurança Nacional.
Em junho de 1993, ele vendeu à estrangeira Bunge a Ultrafértil, que produzia 42% dos fertilizantes do país.
Junto foi a Petrofértil, que produzia – e só ela – o combustível pesado para acionar os foguetes que saem de Alcântara.
Foguetes demandam combustíveis líquidos e sólidos.
Os sólidos são os mais complicados, porque, altamente poluentes, exigem um transporte complexo.
A Petrofértil foi fechada e o Brasil perdeu o fornecedor doméstico – e estatal – de combustível para foguetes.
(Depois a Petrobras recomprou a Ultrafértil.)
Outra traição à Segurança Nacional se deu em 1º de julho de 1998, no fim do primeiro mandato – para que não houvesse o risco de não conseguir fazê-lo mais tarde.
Foi quando ele assinou o Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares.
E jogou no lixo décadas de luta da diplomacia brasileira, de JK aos militares, que resistiu à furiosa pressão dos americanos, que, claro, querem o monopólio da energia nuclear.
Assinar o TNP foi a traição MAIOR, na opinião do amigo navegante.
Tem mais traição.
No dia 29 de julho, ele vendeu a Embratel à americana MCI.
Depois comprada pelo mexicano Slim.
Com a Embratel ele vendeu um satélite de comunicações com banda militar e a base terrestre para operá-la.
O Brasil tem que alugá-los ao Slim.
Enquanto não chega, ano que vem, o mega-satélite geoestacionário que a Dilma mandou comprar.
Como diria o então tucano Bresser Pereira, “só um bobo dá a telefonia para estrangeiros”.
O FHC deu.
Mas, de bobo não tem nada.
A outra traição à Segurança Nacional foi deixar de herança ao Lula uma licitação quase pronta de compra de caças.
A pedido dos americanos, ele tirou da licitação os Sukhoi-35 russos.
E deixou os americanos, os suecos – um clone dos americanos e da preferência da Tacanhêde -, e os franceses.
Agora, provavelmente, a Dilma vai ter que incluir os Sukhoi-35 de volta à competição.
O Príncipe da Privataria entregou a mercadoria.
Como lhe encomendaram.
Ele se elegeu para vender e entregar o Brasil aos americanos.
E foi o que ele fez.
Tirou o sapato !
Porque sempre acreditou em tirar o sapato.
Sua famosa “teoria da dependência” não passa disso: o Brasil não tem futuro, mesmo, então, é melhor ser dependente dos americanos.
Qual a surpresa, amigo navegante ?
Quem disse que “o 7 de setembro é uma palhaçada”?
Em tempo do amigo navegante missivista: lembrei: o primeiro ato do Nunca Dantes foi criar o Fome Zero… Essa é a diferença entre um governo que tem a preocupação com a população como inabalável prioridade máxima e seus opositores, qualquer um deles.
Paulo Henrique Amorim
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LOBISTAS DERAM TUDO QUE ALSTOM QUIS EM SÃO PAULO
Negócios considerados estratégicos pela multinacional francesa foram fechados com o Metrô e a CPTM, em São Paulo, levando a empresa a atingir 100% de suas metas e alcançar um rendimento de R$ 1,5 bilhão, valor ainda maior do que previu o ex-presidente José Luiz Alquéres; tudo graças ao lobista Arthur Teixeira, apontado como mediador do pagamento de propinas nos governos tucanos de Mário Covas e Geraldo Alckmin; ele fechou quatro grandes contratos para reforma e entrega de novos trens e sinalização para o metrô; e a Alstom, que ia mal das pernas na divisão de transporte, pôde se recuperar
28 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 10:33
247 – Graças ao conluio entre empresas, ao pagamento de propinas a funcionários públicos e políticos do PSDB e, principalmente, ao trabalho de um lobista, a Alstom conseguiu fechar todos os negócios considerados por ela estratégicos com o governo de São Paulo. De quatro grandes contratos, dois foram combinados entre empresas e deram à multinacional francesa um rendimento de R$ 1,5 bilhão, mais alto do que o esperado.
Um email citado pela reportagem da Folha de S.Paulo nesta segunda-feira 28 descreve uma mensagem do ex-presidente da Alstom José Luiz Alquéres, ressaltando a importância de quatro negócios específicos em São Paulo, referentes à reforma e o fornecimento de novos trens para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e o sistema de sinalização para a linha 2 do Metrô. A expectativa de Alquéres era conseguir um faturamento de R$ 900 milhões (em valores da época, hoje R$ 750 milhões).
Acusado de ser o intermediador do pagamento de propinas, o lobista Arthur Teixeira, que atuou junto com o então diretor de transportes Paulo Borges, foi responsável pelo alcance de 100% das metas da empresa, que ia mal das pernas na divisão de transporte. O email de Alquéres, escrito em 2004, revelava que a companhia só havia atingido 11% das metas nos últimos oito meses. As propinas e o conluio com os governos da época – Mário Covas e Geraldo Alckmin, do PSDB – garantiram essa recuperação.
Os métodos usados para conseguir os serviços solicitados pelas empresas do governo paulista foram: combinação de preços entre os concorrentes antes da licitação, divisão de lotes e o acordo de que as companhias derrotadas seriam subcontratadas pelas vencedoras. O resultado das concorrências eram conhecidos pela diretoria dos participantes antes mesmo que o Metrô e a CPTM os tornassem públicos. A Alstom esclareceu à Folha que os contratos foram fechados por meio de licitação em que "são sempre respeitados os marcos legais aplicáveis".
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domingo, 27 de outubro de 2013
Candidatos a feitor?
A entrevista de Eduardo Campos à Folha – que Paulo Henrique Amorim desmontou, devidamente – as manifestações de Marina Silva em favor do reforço do “tripé macroeconômico”, começam a parecer mais que repetições vazias do discursinho do “dever de casa” que o mundo do capital cobra aos países em desenvolvimento, embora em suas próprias casas acumulem déficits imensos irrigando suas economias com juros negativos.
Vai se tornando claro, evidente a qualquer olhar mais experiente, que está em curso uma manobra não apenas de ser aceito pela mídia, mas tornar-se seu parceiro e do poder econômico para vender a ideia de que o arrocho econômico é o que nunca foi: o remédio para o subdesenvolvimento e para sanear as carências sociais da vida brasileira.
Vivemos, os mais velhos, décadas sob este discurso: o do apertar o cinto. E, quanto mais apertávamos, mais magros ficávamos e mais aperto vinha para ajustar o modelo de economia à nossa subnutrição.
Os governos Lula e Dilma, com todos os erros que tiveram e têm, têm um conteúdo que é o que os torna, apesar de todas as concessões, intragáveis para a direita brasileira e para as classes médias elitistas que a gravitam: a natureza nacional e popular.
Aliás, diga-se de passagem, foi o popular que empurrou Lula para o nacionalismo, à medida em que percebeu – e antes é mérito do que crítica – que a ideia de país é a mais eficiente armadura de proteção de um povo, o seu castelo e sua fortaleza.
Os cabelos com gel de Eduardo Campos e seu ar ascético cobrem algo bem diferente das ideias de renovação política que sua neoaliada Marina Silva – ou devo dizer tutora? – diz lhe terem sido objeto de uma “conversão” ao seu toque mágico.
O que de fato está ali dentro e na busca, ao lado de Marina, de se tornarem disponíveis como candidatos da direita é a velhíssima ideia de aderir aos grupos dominantes é o melhor caminho para o poder.
Não é à toa que, como registra a própria Folha, seu vocabulário está cada vez mais próximo do dos tucanos.
A ideia de um “inevitável choque fiscal” que apregoa Campos, o que é? Não há meio-termo, é aumento de receita ou corte de despesas.
É o nome bonito para dizer: “ou tiro mais de vocês ou não dou a quem tem menos e corto os investimentos públicos”.
Como nossa imprensa não é boa em perguntar aos “amigos”, Campos só tem a oportunidade de falar de um corte: o da Petrobras, justo o que dá receita ao Estado e impulsiona a indústria e os serviços.
Não lhe dá a oportunidade de expandir seus comentários sobre onde e como seria feito este ajuste, exceto numa “construtiva” reclamação sobre a lei – meu Deus, finalmente temos uma lei! – de reajuste do salário mínimo, este perigo inflacionário.
Ou se vamos cortar os financiamentos habitacionais com recursos do Tesouro, ou se vamos bloquear os investimentos do BNDES em setores essenciais ao nosso desenvolvimento ou no equilíbrio regional com que, finalmente, estamos amortizando nossa dívida com o Nordeste do Brasil.
Ou ainda: de como não podemos transitar da condição de feitoria moderna, tangida ao látego do capital financeiro, para um país livre porque desenvolvido e desenvolvido porque vai se libertando pacientemente dos grilhões de um aprisionamento que começa por assumir o pensamento de vassalo.
Por: Fernando BritoSUÍÇA INDICIOU LOBISTA TUCANO.
BRASIL ARQUIVOU
José Amaro Pinto Ramos (alto à esq.), que era próximo a Sergio Motta, homem forte do governo FHC, foi indiciado pela justiça suíça pelo pagamento de propinas do caso Alstom; informação acaba de ser publicada pelo jornalista Fausto Macedo, um dos mais tarimbados profissionais da imprensa brasileira; “eles foram indiciados por lavagem de dinheiro agravado assim como por corrupção de funcionários estrangeiros”, destaca o dossiê que a Suíça enviou ao Brasil em fevereiro de 2011 e que, durante anos, ficou engavetado no gabinete do procurador Rodrigo de Grandis; como nenhuma providência concreta foi tomada, a denúncia contra o lobista foi arquivada e as autoridades suíças reclamaram do "pouco caso" daqui
27 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 18:00
247 - Já não se pode mais dizer que o caso Alstom bate à porta do PSDB. Invadiu a casa. O fato novo é a informação que acaba de ser publicada pelo jornalista Fausto Macedo, repórter do Estado de S. Paulo e um dos mais tarimbados profissionais da imprensa brasileira. A justiça suíça decidiu indiciar por corrupção o lobista tucano José Amaro Pinto Ramos, que era muito próximo ao ex-ministro Sergio Motta, homem forte do governo FHC. Mas a história terminou de forma vergonhosa: como nenhuma providência foi tomada no Brasil, a acusação, que dependia da colaboração do procurador Rodrigo de Grandis, acabou sendo arquivada.
Segundo a reportagem de Fausto Macedo (leia aqui a íntegra), José Amaro Pinto Ramos era um dos principais responsáveis pelo pagamento de propinas nas compras do metrô de São Paulo e da CPTM, bem como na área de energia. Eis alguns trechos:
José Amaro Pinto Ramos, famoso lobista amigo de empreiteiros e políticos do PSDB, foi indiciado na Suíça por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos no caso Alstom. A informação consta de relatório do Ministério Público da Confederação Helvética (MPC), datado de 21 de fevereiro de 2011, que agora municia investigação no Brasil sobre a Alstom e suposto esquema de pagamento de propinas. (...) Amaro Ramos é citado no dossiê dos procuradores da Suíça no mesmo processo de investigação de polícia criminal aberto contra outros dois empresários e engenheiros brasileiros, igualmente rotulados de lobistas: Arthur Gomes Teixeira e Sérgio Meira Teixeira – este já falecido.
Rastreamento bancário mostra que Arthur Teixeira fez depósitos na conta Milmar, alojada no Credit Suisse de Zurique, de titularidade do engenheiro João Roberto Zaniboni, ex-diretor de operações e manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entre 1998 e 2003.
A investigação mostra que Zaniboni recebeu US$ 836 mil, parte desse montante repassado por Arthur Teixeira. Os investigadores brasileiros suspeitam que Arthur Teixeira era o pagador de propinas do esquema Alstom. Sua defesa nega enfaticamente tal prática.
O processo SV 10.0173-LEN, da Suíça, foi aberto em 7 de outubro de 2008. “Um processo de investigação de polícia criminal contra Arthur Gomes Teixeira que foi estendido, em base aos resultados obtidos na investigação até essa altura, a José Amaro Pinto Ramos, assim como a Sérgio Meira Teixeira”.
“Eles foram indiciados por lavagem de dinheiro agravado assim como por corrupção de funcionários estrangeiros”, destaca o dossiê que a Suíça enviou ao Brasil em fevereiro de 2011.
O relatório da Procuradoria da Suíça é taxativo. “Acusa-se as pessoas mencionadas de terem assistido companhias da Alstom na obtenção de projetos de grande porte no Brasil, particularmente no âmbito dos transportes, em qualidade de tais consultorias e terem transmitido no âmbito dessas atividades propinas por conta da Alstom.”
Amaro Ramos é citado como controlador da EPCINT Assessoria Técnica S/C Ltda, sediada em São Paulo. O lobista preferido dos tucanos teria usado a EPCINT para repassar valores a agentes públicos, suspeitam os investigadores.
“Consta dos resultados obtidos até agora no âmbito do presente processo que há uma suspeita que companhias do grupo francês Alstom em São Paulo, Brasil, teria corrompido, com a cumplicidade de cidadãos brasileiros, funcionários públicos no contexto da atribuição de contratos efetuados pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos”, assinala a Procuradoria da Suíça.
O dossiê da Suíça foi encaminhado em 21 de fevereiro de 2011 para o Ministério Público Federal em São Paulo junto com “pedido de auxílio judiciário”, subscrito pelo procurador federal suíço Stefan Lenz.
(...)
Além de uma inspeção na residência de João Roberto Zaniboni, a Suíça pediu outras medidas, como o interrogatório de Arthur Gomes Teixeira e José Amaro Pinto Ramos. (...) Mas nenhuma diligência foi realizada, frustrando as autoridades suíças. O pouco caso do Brasil teria provocado o arquivamento de parte das investigações na Suíça.
Neste sábado, reportagem da Folha de S. Paulo apontou que a investigação não foi adiante porque o procurador Rodrigo de Grandis teria engavetado o caso, alegando "falha administrativa" e que o pedido de cooperação e de diligências foi arquivado numa pasta equivocada (saiba mais aqui).
Leia, ainda, reportagem anterior do 247 sobre José Amaro Pinto Ramos:
LOBISTA É O ELO PERDIDO ENTRE ALSTOM E PSDB-SP
Antigo personagem das sombras da política paulista, José Amaro Pinto Ramos está sendo investigado pela Polícia Federal e ministérios públicos federal e estadual; por meio do ex-ministro Sergio Motta, ele se aproximou do governo de Fernando Henrique em 1994; nesta órbita, apresentou marqueteiros e executivos dos setores de transportes e energia aos tucanos; remunerado pela Alstom, como ele próprio admitiu em entrevista, lobista brasileiro que vive nos EUA aparece na origem do escândalo que pode ter envolvido até R$ 1 bilhão em propinas para executivos estaduais paulistas nas gestões do PSDB em São Paulo nos últimos 18 anos
8 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 18:10
247 – Um velho personagem das sombras da política paulista está de volta à cena aberta. Sob suspeita de ser o primeiro elo de ligação entre os chefes tucanos e a multinacional francesa Alstom, o lobista global brasileiro José Amaro Pinto Ramos está sendo investigado pela Polícia Federal e promotores dos ministérios públicos estadual e federal.
Desconfia-se que Pinto Ramos, homem de fino trato, amante das artes e dos bons modos, com residência permanente nos EUA, possa ter atuado na criação da parceria entre a Alstom e caciques do partido, o que valeu à companhia gordos contratos no sistema de transportes operado pelos governos estaduais tucanos em São Paulo desde 1994.
Aos executivos das administrações tucanas no Palácio dos Bandeirantes, a parceria com a Alstom teria valido até R$ 1 bilhão em propinas. A também multinacional Siemens teria colaborado com somas vultuosas para o esquema. A partir de denúncias formais feitas por integrantes da cúpula da Siemens, o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) está concluíndo uma longa investigação sobre corrupção em torno do sistema de metrô e trens da região metropolitana de São Paulo.
20 ANOS DE PODER - O ponto de contato inicial entre Pinto Ramos e os tucanos teria sido o ex-ministro das Comunicações Sergio Motta. Verdadeiro ídolo entre os tucanos, Motta gostava de dizer que pilotava um esquema político capaz de levar o PSDB a permanecer 20 anos no poder no Brasil. A Alstom esteve entre as empresas que colaboraram para a reeleição de FHC, em 1998 (aqui).
No Estados Unidos, após a vitória de Fernando Henrique nas eleições presidenciais de 1994, Pinto Ramos apresentou Motta a um dos principais marqueteiros do então presidente americano Bill Clinton, James Carville. Em seguida, numa festa que ele próprio deu em homenagem a FHC, Pinto Ramos teria aproximado Motta do então diretor da Siemens Jack Cizain. A partir daí, as investigações apuram como passaram a se desenvolver as relações entre a Alstom e os governos paulistas.
Com trânsito livre entre todos os escalões dos tucano, Motta tanto era ligado a Fernando Henrique como era próximo dos ex-governadores Mario Covas e José Serra. Especializado em viabilizar grandes projetos industriais nas áreas de energia e transportes, Pinto Ramos teria atuado para tornar mais fácil o caminho da Alstom dentro da máquina adminitrativa paulista. O que se sabe é que os principais contratos para a construção de vias férreas e metrô na Grande São Paulo foram conquistados pela Alstom.
As informações sobre as investigações da PF e do Ministério Público sobre Pinto Ramos foram reveladas pelas jornalista Vaconcelo Quadros, do portal G1.
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Os Últimos Párias da Terra

Mauro Santayanna
Há alguns dias, o mundo acompanha, com atenção, o drama de duas meninas. Uma, chama-se Leonarda. A outra, Maria. Leonarda, de quinze anos, foi tirada à força de dentro de um ônibus, em uma excursão escolar, e expulsa da França, junto com sua família.
Maria, de quatro, foi encontrada, há alguns dias, em uma cidade no interior da Grécia, e retirada do casal com que estava por suspeita de rapto.
Leonarda é morena. Maria é loira.
A primeira nasceu na Itália, e foi criada na França. Mas está em Kosovo, país em que nunca viveu, porque seu pai é originário dali, da antiga Iugoslávia. Seu irmão, Daniel, nasceu em, Nápoles, mas mora na Ucrânia. Sua irmã, Erina, mora na França, mas nasceu também na Itália, assim como Maria, que tem 17, Rocky, de 12, Ronaldo, de 8, e Hassan, de 5 anos. Só a caçula, Medina, nasceu na França.
Maria, encontrada com uma família em Farsala, na Grécia, pode ser filha – descobriu-se agora, de um casal de búlgaros que vive em um gueto da cidade de Nikolaevo. O nome deles, curiosamente, é Rusev, quase como o da Presidente Dilma.
O casal Dibrani, pais de Leonarda, têm oito filhos. Os Rusev, pais de Maria, tem dez, e a mãe alega que teria cedido a filha a um casal na Grécia, quando morou no país, porque não tinha como dar-lhe de comer.
Mas como é isso, em que tempo estamos? De que continente falamos? Da Europa do Século XXI, que manda sondas ao espaço, e se orgulha de sua alta renda per capita e do seu Desenvolvimento Humano? Ou da Europa do passado, com suas enormes famílias, seus guetos, sua fome, e os milhões de miseráveis dos séculos XVIII e XIX?
Falamos, infelizmente, de agora. Na Europa de hoje, Leonarda e Maria não são duas meninas normais. Não têm passaporte, nem pátria, nem futuro. São ciganas. E em seu sangue carregam o destino dos últimos párias da terra.
É certo que há outros deserdados, perseguidos por questões políticas ou religiosas, ou por serem minorias em seu próprio território. Mas todos têm sua terra. A lembrança do país onde nasceram, a esperança de um dia ter um documento, de voltar a ser alguém.
Em uma Europa racista, cada vez mais xenófoba, e que não reconhece o direito de jus soli, mas, na maioria dos países, apenas o de jus sanguinis (quando não basta nascer em um determinado país para adquirir a nacionalidade), os ciganos vagam, como fizeram nos últimos mil anos, sem eira nem beira, ao sabor do estado de espírito de quem manda no país em que estejam, e não podem criar raízes, nem quando deixam de agir como nômades.
Até o final da Segunda Guerra Mundial, os ciganos compartilhavam seu destino com os judeus.
Com eles, eram expulsos, de um país para o outro. Com eles, foram espancados e roubados, desde que deixaram a índia, rumo ao Ocidente, há cerca de mil anos.
Em 1925, os roms passaram a sofrer, como os judeus, as restrições das Leis de Nuremberg para a Proteção Proteção do Sangue, que proibia o casamento entre alemães e "não-arianos".
Em 1937, a Lei de Cidadania Nacional relegou os ciganos e os judeus à condição de cidadãos de segunda classe. E Himmler emitiu decreto que chamou de "A luta contra a praga cigana", que solicitava que toda informação sobre ciganos fossem mandadas para o Escritório Central do Reich.
Se os judeus tiveram a Kristallnacht, com a quebra de centenas de negócios e a queima de Sinagogas, os roms tiveram a “semana de limpeza cigana” de 12 de junho e 18 de junho de 1938.
Se os judeus foram sistematicamente perseguidos e mortos, aos milhões, calcula-se que, nos campos de extermínio e nas mãos dos “einzatsgruppen”, principalmente na Europa do leste, morreram um milhão e quinhentos mil roms.
O primeiro teste do gás Zyklon B, usado pelos alemães nas câmaras de gás, foi feito com 250 crianças ciganas, em janeiro de 1940, no campo de concentração de Buchenwald.
Ao contrário dos hebreus, os ciganos, no entanto, nunca tiveram um Deus que lhes desse terra prometida.
Os judeus fundaram Israel.
Os roms continuam, sem pátria e sem destino, a ser discriminados, perseguidos e mortos – por doença e inanição.
O leitor preste atenção. Os meninos e as meninas ciganas são os únicas, na Europa, que vivem em guetos exclusivamente étnicos. Os dez irmãos de Maria Rusev dormem todas em um cômodo de chão batido em Nikolaev.
Nos subúrbios de Bucarest, de Sofia, de Budapest, ou nas fotos e vídeos da internet, é fácil reconhecer as crianças ciganas. São as únicas (como mostra a foto que mostra dois dos irmãos de Maria) que trazem a barriga inchada por causa dos vermes, e sempre, na mão – devido à fome – um pedaço de pão.
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DUDU DESMONTA A PARTILHA. E PREGA “PAU NOS JUROS !” Ele diz que quer a partilha. Desde que a Petrobras seja sufocada.
Saiu na Folha (*), que a Cynara se recusa a ler:
PARA CAMPOS, SERÁ INEVITÁVEL DURO AJUSTE FISCAL PÓS-ELEIÇÃO
NATUZA NERY – DE BRASÍLIA
Independentemente do resultado da eleição do ano que vem, quem quiser governar o Brasil a partir de 2015 terá de fazer um duro ajuste fiscal. A avaliação é do governador Eduardo Campos (PSB-PE), reproduzida por diversos de seus interlocutores.
(…) ele tem defendido em diálogos recentes o que chama de “choque de responsabilidade”
(…)
“Qualquer que seja o resultado da eleição, será um ano difícil. Vai ter de ser duro para resgatar a confiança. O que conta é a previsibilidade, sem maquiagens”, disse o governador durante conversa com auxiliares na semana passada relatada à Folha.
(…)
O presidente do PSB se mostra contrário ao método de reajuste do salário mínimo automático, com base na inflação do período e no crescimento do PIB de dois anos antes. Concorda em garantir ganho real ao trabalhador, sem indexação.
(…)
Campos respeita as ideias de Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real, …
O mais importante, porém, está num ”infográfico”:
“Petrobras – É a favor (?) do sistema de partilha, mas defende que a regra que obriga a Petrobras a ser sócia em ao menos 30% dos consórcios seja opcional no percentual”.
Como previsto, nesse ansioso blog, Dudu se encaminha, consistentemente, para se tornar o nosso Campriles.
Como se sabe, Dudu acabou de receber em Recife a “alta cúpula” da Folha.
Otavinho não chegou a levar seus 102 colonistas (**), porque não haveria suco de cajá que desse conta.
Portanto, suspeita-se que essa “conversa com auxiliares”, “relatada” à Folha, seja, na verdade, a transformação dos colonistas da Folha em “auxiliares” do Dudu …
Porque da Big House sempre foram, em sua esmagadora maioria, não é isso, Cynara ?
(O Otavinho até hoje não se recuperou da decepção de ter perdido o Paulo Francis. Se arrependimento matasse …)
Portanto, pode-se tomar o relato de Natuza Nery – essa moça vai longe … – como palavras do próprio Dudu.
Por aí, se percebe que ele retoma a ideia original do “tripé” da Bláblárina.
Que, na verdade, é do Persio Arida, que ele respeita tanto.
Porque o outro da dupla “Larida”, o André Lara Resende – que o Nassif imortalizou no livro “Cabeças de Planilha” (leia a entrevista com o Nassif) – parece ter influência sobre as ideias do “crescimento sustentável” da Bláblárina.
(“Crescimento sustentável”, como se sabe, é uma das falácias que escondem os neolibelês (***).)
O choque fiscal, ou de “responsabilidade” (o que pressupõe a “irresponsabilidade” da Dilma !) significa:
– arrocho salarial (daí ele rasgar a lei de correção do salário mínimo, aprovada pelo Congresso no Governo do Nunca Dantes);
– redução drástica do investimento publico;
– e, last but not least, como deseja o Itaú, pau nos juros !
Algo assim, como nos bons tempos do jenio neolibeles (***), o Armínio Fraga: 40% ao ano.
Será muito interessante aplicar um choque de “responsabilidade” em contas que exibem uma taxa de inflação seguidamente dentro da meta (quem não ficava na meta era o FHC) e uma relação dívida/PIB que é uma das menores do mundo.
Mas, como se sabe, aí o Dudu e a Bláblárina tentam encantar os teólogos que seguem a cartilha do FMI – clique aqui para ver o que a Dilma disse ao tucano Alckmin sobre os bons tempos do FMI.
“Choque de responsabilidade” numa economia com pleno emprego !
Quero ver o Dudu explicar isso lá num boteco de Brasília Teimosa:
“Meu querido, Severino (pode ser Inocêncio, também.) Desculpa, mas precisamos tirar o teu emprego. Vamos aumentar os juros… Casa própria, meu filho ? Minha Casa Minha Vida, Minha Casa Melhor ? Bye-bye ! Vamos ter que cortar o teu consumo, Severino, para ajustar as contas do jeito que o FMI e a Urubóloga gostam !”
O Dudu e a Bláblárina dançam o pas de deux que agrada a plateia cheirosa da Big House.
Mas, eles, finalmente, foram convidados para um o garden party na Big House por causa do desmonte que o Dudu quer aplicar no regime de partilha.
(O ansioso blogueiro dizia que a eleição de 2010 era sobre o pré-sal.
De 2014 será também !)
Dudu disse à Folha que é a favor da partilha.
Mesmo, amigo navegante ?
Ele é a favor da partilha SEM a Petrobras !
Logo, a partilha perde a razão de ser.
Porque essa lorota de a Petrobras continuar na partilha, mas num “percentual opcional” é desmontar a partilha – e a Petrobras.
E, aos ouvidos da Big House, quando ele assume essa posição, o naipe de violinos se ouve a fundo…
Vamos supor o impensável: o Dudu, a Bláblárina, o Aécio e o Cerra, num consórcio com o Itaú, assumem o Governo.
(O Jorge Bornhausen seria o presidente para privatizar o Banco do Brasil …)
O presidente da Petrobras será o genro do FHC.
O diretor de exploração da Petrobras, o Adriano Pires – quando eu crescer quero ser o Adriano Pires.
Aí, o Presidente Campriles pergunta ao genro: meu querido, quanto você quer explorar do campo ?
O genro consulta o Pires, e o Pires diz que a Petrobras não tem condições de ir além de 0,1% !
Perfeito !
A Petrobras terá, com o direito à “opção”, a “responsabilidade” de explorar 0,1% dos próximos campos partilhados …
Daí a se retirar da Petrobras – sempre tão incapaz, frágil, com a “defasagem” dos preços dos combustíveis, obsessão da Urubóloga … – coitadinha, a Petrobras, nesse cenário de opções, desiste também de ser a operadora única.
Além disso, como se sabe, a indústria nacional não tem como cumprir a sua parte de “conteúdo nacional”.
Tem que trazer tudo de Cingapura, mesmo !
Sai mais barato !, não é Reichstul ?
E estará aberto o caminho para a volta triunfal da Chevron.
A Chevron tomará conta da partilha: com a redução da Petrobras a 0,1% da exploração, e a perda do caráter de “operadora única”.
E a PPSA, amigo navegante ?
Bem, como é um cabide de empregos, mais uma invenção dos trabalhistas para empregar desocupados, fecha-se a PPSA em nome da redução dos gastos do Estado.
E o Gustavo Franco, de novo, presidente do Banco Central, consegue, enfim, realizar o sonho: vender a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa.
(Por um precinho um pouco maior do que o genro e o Adriano venderam um pedaço de Libra e o Cerra torrou a Vale, segundo o insuspeito testemunho do Príncipe.)
É nisso que dá o Dudu receber os colonistas da Folha.
Abre-se a caixa de Pandora do Palácio das Princesas.
Como diria o Oráculo de Delfos, ultimamente visto em Olinda, no restaurante Oficina do Sabor: o Dudu saiu da toca.
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.
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