Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"O CORVO", ALIÁS "O GLOBO", PREVÊ FIM DA ENERGIA BARATA


CARAVANAS: HÁ UMA PEDRA NO CAMINHO



Antes que o PT esboçasse o roteiro das caravanas que Lula planeja realizar este ano o dispositivo midiático iniciou a sua.Reportagens publicadas nos últimos dias revisitam marcos do governo petista. Emerge dos textos a ordem unida que deve afinar  a desconstrução de um ciclo incômodo às elites.Dezesseis anos e três governos petistas depois das Caravanas originais dos anos 90, chega a ser desconcertante que o gargalo da comunicação permaneça intacto. No partido e no país (leia a análise irretocável de Venício de Lima; nesta pág).  A  caravana preventiva da mídia mostra o quanto a batalha da comunicação continua atual, decisiva e mal resolvida pelo PT. Fortuitamente, o partido está prestes a renovar um cargo cujo ocupante pode  --deve--  ter uma participação significativa na tarefa de afastar a pedra do caminho. Ao novo secretário de comunicação caberá em alguma medida a tarefa de sacudir a letargia histórica do partido numa questão que ameaça devorá-lo. (LEIA MAIS AQUI)




Por que o governo deve apoiar a mídia alternativa

A mídia alternativa, por óbvio, não tem condições de competir com a grande mídia se aplicados apenas os chamados “critérios técnicos” de audiência e CPM (custo por mil). A prevalecerem esses critérios, ela estará sufocada financeiramente, no curto prazo. Trata-se, na verdade, da observância (ou não) dos princípios liberais da pluralidade da diversidade implícitos na Constituição por intermédio do direito universal à liberdade de expressão, condição para a existência de uma opinião pública republicana e democrática. O artigo é de Venício A. de Lima.

(*) Artigo publicado originalmente pelo Observatório da Imprensa.

Em audiência pública na Comissão de Ciência & Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, realizada em 12 de dezembro último, o presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), Renato Rovai, defendeu que 30% das verbas publicitárias do governo federal sejam destinadas às pequenas empresas de mídia.

Dirigentes da Altercom também estiveram em audiência com a ministra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), Helena Chagas, para tratar da questão da publicidade governamental.

Eles argumentam que o investimento publicitário em veículos de pequenas empresas aquece toda a cadeia produtiva do setor. Quem contrata a pequena empresa de assessoria de imprensa, a pequena agência publicitária, a pequena produtora de vídeo, são os veículos que não estão vinculados aos oligopólios de mídia.

Além disso, ao reivindicar que 30% das verbas publicitárias sejam dirigidas às pequenas empresas de mídia, a Altercom lembra que o tratamento diferenciado já existe para outras atividades, inclusive está previsto na própria lei de licitações (Lei nº 8.666/1993).

Dois exemplos:

1. Na compra de alimentos para a merenda escolar, desde a Lei nº 11.947/2009, no mínimo 30% do valor destinado por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar, do Fundo de Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação, gestor dessa política, deve ser utilizado na aquisição “de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações, priorizando-se os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas”.

2. No Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), destinado ao desenvolvimento da atividade audiovisual, criado pela Lei nº 11.437/2006 e regulamentado pelo Decreto nº 6.299/2007, a distribuição de recursos prevê cota de participação para as regiões onde o setor é mais frágil. Do total de recursos do FSA, 30% precisam ser destinados ao Norte, Nordeste e Centro Oeste. Vale dizer, não se podem destinar todos os recursos apenas aos estados que já estão mais bem estruturados (ver aqui, acesso em 11/1/2013).

A regionalização das verbas oficiais

A reivindicação da Altercom é consequência da aparente alteração do comportamento da Secom-PR em relação à chamada mídia alternativa.

A regionalização constitui diretriz de comunicação da Secom-PR, instituída pelo Decreto n° 4.799/2003 e reiterada pelo Decreto n° 6.555/ 2008, conforme seu art. 2°, X:

“Art. 2º – No desenvolvimento e na execução das ações de comunicação previstas neste Decreto, serão observadas as seguintes diretrizes, de acordo com as características da ação:

“X – Valorização de estratégias de comunicação regionalizada.”

Dentre outros, a regionalização tem como objetivos “diversificar e desconcentrar os investimentos em mídia”.


De fato, seguindo essa orientação a Secom-PR tem ampliado continuamente o número de veículos e de municípios aptos a serem incluídos nos seus planos de mídia. Os quadros abaixo mostram essa evolução.





(Fonte: Núcleo de Mídia da Secom, acesso em 11/1/2013)

Trata-se certamente de uma importante reorientação histórica na alocação dos recursos publicitários oficiais, de vez que o número de municípios potencialmente cobertos pulou de 182, em 2003, para 3.450, em 2011, e o número de veículos de comunicação que podem ser programados subiu de 499 para 8.519, no mesmo período.

Duas observações, todavia, precisam ser feitas.

Primeiro, há de se lembrar que “estar cadastrado” não é a mesma coisa que “ser programado”. Em apresentação que fez na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), São Paulo, em 16 de julho de 2009, o ex-secretário executivo da Secom-PR Ottoni Fernandes Júnior, recentemente falecido, citou como exemplo de regionalização campanha publicitária em que chegaram a ser programados 1.220 jornais e 2.593 emissoras de rádio – 64% e 92%, respectivamente, dos veículos cadastrados.

Segundo e, mais importante, levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo, a partir de dados da própria Secom-PR, publicado em setembro de 2012, revela que nos primeiros 18 meses de governo Dilma Rousseff (entre janeiro de 2011 e julho de 2012), apesar da distribuição dos investimentos de mídia ter sido feita para mais de 3.000 veículos, 70% do total dos recursos foram destinados a apenas dez grupos empresariais (ver “Globo concentra verba publicitária federal”, CartaCapital, 13/9/2012, acesso em 12/1/2013).

Vale dizer, o aumento no número de veículos programados não corresponde, pelo menos neste período, a uma real descentralização dos recursos. Ao contrário, os investimentos oficiais fortalecem e consolidam os oligopólios do setor em afronta direta ao parágrafo 5º do artigo 220 da Constituição Federal de 1988, que reza:

“Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de oligopólio ou monopólio”.

Democracia em jogo

A mídia alternativa, por óbvio, não tem condições de competir com a grande mídia se aplicados apenas os chamados “critérios técnicos” de audiência e CPM (custo por mil). A prevalecerem esses critérios, ela estará sufocada financeiramente, no curto prazo.

Trata-se, na verdade, da observância (ou não) dos princípios liberais da pluralidade da diversidade implícitos na Constituição por intermédio do direito universal à liberdade de expressão, condição para a existência de uma opinião pública republicana e democrática.

Se cumpridos esses princípios (muitos ainda não regulamentados), o critério de investimentos publicitários por parte da Secom-PR deve ser “a máxima dispersão da propriedade” (Edwin Baker), isto é, a garantia de que mais vozes sejam ouvidas e participem ativamente do espaço público.

Como diz a Altercom, há justiça em tratar os desiguais de forma desigual e há de se aplicar, nas comunicações, práticas que já vêm sendo adotadas com sucesso em outros setores. Considerada a centralidade social e política da mídia, todavia, o que está em jogo é a própria democracia na qual vivemos.

Não seria essa uma razão suficiente para o governo federal apoiar a mídia alternativa?

(*) Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012-2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros]


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Complô de Aécio Neves e Marcos Valério contra Lula?


Por: Helena Stephanowitz


Complô de Aécio Neves e Marcos Valério contra Lula?
Valério teria feito o acordo de poupar o PSDB e atacar Lula em troca de benefícios no cumprimento da pena (Foto: Antônio Cruz. Arquivo Agência Brasil)
Uma reportagem publicada no Novo Jornal de Minas na segunda feira (14)  reúne fatos que, analisados em conjunto e pela cronologia, criam um conjunto de circunstâncias que colocam o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes no domínio do fato (à brasileira, culpados, mesmo sem provas irrefutáveis) sobre a suposta "delação premiada" do publicitário Marcos Valério ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
A história de "Como e porque Gilmar Mendes e o PSDB mantêm Marcos Valério refém" começa com o Habeas Corpus 97.416, julgado pelo então presidente do STF, Gilmar Mendes, para tirar da cadeia Marcos Valério e Rogério Tolentino em 14 de janeiro de 2009. Eles estavam em prisão provisória desde outubro de 2008 devido à “Operação Avalanche” da Polícia Federal, que nada teve a ver com "mensalão". Eram acusados de participar de suposto grupo criminoso, formado por empresários de uma grande cervejaria e policiais, que praticavam extorsão, fraudes fiscais e corrupção.
Gilmar Mendes concedeu a liberdade em caráter liminar, por decisão monocrática (decidiu sozinho), durante o recesso do STF. Desde janeiro de 2009 este habeas corpus tramita no STF à espera de um julgamento definitivo pela turma de ministros. 
A relatora deste HC, após o recesso de janeiro de 2009, passou a ser a ministra Cármen Lúcia. Segundo o Novo Jornal, seu parecer, assim como o do PGR, é por restabelecer a prisão provisória, em decisão oposta à de Gilmar Mendes. 
Em 8 de junho de 2010, o HC foi apresentado para julgamento. Passados mais de dois anos e meio, nada de ser julgado. 
As coisas ficam mais estranhas quando, em 6 de setembro de 2012 (em pleno julgamento do mensalão), o HC é "retirado de mesa [para julgamento]". Duas semanas depois, no dia 24 de setembro, Marcos Valério prestou depoimento ao procurador-geral da República tentando envolver o nome de Lula – porém não apresentou provas, e sequer foi convincente.
Tudo isso até aqui é fato incontestável, registrado no andamento do habeas corpus de Marcos Valério dentro do STF.
Mas a reportagem continua, dizendo que em junho de 2012, às vésperas do julgamento do mensalão, Marcos Valério se sentia traído por Aécio, pois o PSDB estava pressionando por sua condenação. Por isso escreveu um depoimento que pretendia fazer perante a Procuradoria Geral da República (PGR), entregando documentos que comprovavam como funcionou o esquema no governo Aécio, após 2002. Ainda segundo a reportagem, o dono da R&C Propaganda, Álvaro Rezende, seria o interlocutor de Marcos Valério responsável por levar o depoimento até Aécio. O resultado seria um acordo no qual Valério pouparia o PSDB e atacaria Lula, em troca de benefícios, incluindo regalias no cumprimento da pena de prisão em Minas Gerais.
A R&C Propaganda acompanha Aécio desde o início de sua carreira política e, segundo a reportagem, recebeu um aditivo em um contrato com a Copasa (empresa do governo de Minas) em novembro de 2012, que teria sido repassados a Marcos Valério, como parte do acordo, segundo a reportagem. 
O jornal afirma ainda que a fonte é um ex-ministro do STF, que teria recebido, junto com os outros ministros, um "Relatório Reservado" narrando tal acordo. A parte fraca da reportagem é dizer que o relatório é de autoria anônima, mas seria fruto de investigações da Agência Brasileira de Inteligência, que inclusive teria agentes requisitados por Joaquim Barbosa para segurança. 
Há pontos da reportagem que carecem de melhor apuração, mas só de levantar a cronologia dos fatos documentados no habeas corpus já tem seu valor. 
E, quanto ao suposto acordo, a reportagem parece que só captou a ponta do iceberg até o momento. Nós já antecipamos aqui que Aécio deu sinais de acordo para indultar Valério.

Harakiri midiático



Harakiri (腹切り) foi um ritual suicida japonês do período medieval que consistia em pessoas que queriam pôr fim à própria vida estriparem-se com uma espada samurai. A frieza e a metodologia daquela forma de suicídio a torna perfeita, como analogia, para caracterizar o que a mídia vem fazendo consigo mesma na questão da geração de energia hidrelétrica.
Na última segunda-feira, cumpriu-se uma semana da veiculação de manchete de primeira página do jornal Folha de São Paulo que alarmou a sociedade induzindo-a à crença de que estaria à beira de um racionamento de energia nos moldes daquele que o país experimentou entre o penúltimo e o último anos do governo Fernando Henrique Cardoso (2001/2002).
Nos sete dias seguintes, o Brasil foi de um pânico que fez ações das empresas geradoras de energia perderem gorda fatia de seu valor para a literal demolição daquele alarma social, com a conseqüente tranquilização e até euforia do setor empresarial com uma medida do governo Dilma que deve produzir efeitos altamente benfazejos à sociedade.
Na noite da última segunda-feira, o principal autor do pânico econômico e social que fustigou o Brasil (leia-se Rede Globo) teve que anunciar, em seu principal telejornal, que, contrariando as suas teses catastrofistas sobre “racionamento” de energia e “aumento nas contas de luz”, a partir de março o preço da energia elétrica deve cair, em média, 20%.
As empresas irão pagar 28% a menos pela energia e os consumidores residenciais, 16%. E, devido ao verdadeiro dilúvio que cai sobre o país, a tal ameaça de “racionamento”, que nunca passou de empulhação, teve que ser literalmente extirpada do noticiário.
Eis que beira a perfeição a analogia entre essa estratégia de ataque da mídia partidarizada (atucanada) ao governo federal e o método suicida japonês, pois tal “estratégia” se torna verdadeiro harakiri de imagem pública.
É ou não suicídio martelar, sob razão pífia, uma suposta incompetência gerencial do governo e uma desgraça como a que seria o Brasil, além de ter que racionar energia elétrica, pagar mais por ela?
Afinal, era enorme a fragilidade da “razão” mídiática para aquele alarde, pois escassez de chuvas e reservatórios de hidrelétricas baixos, após uma década inteira de fortes investimentos do governo Lula em geração de energia, não produziriam racionamento nem se não chovesse.
Além disso, nota-se que a mídia subestimou, de forma inexplicável, uma presidente que, antes de se eleger, ganhou notoriedade e importância justamente pelo desempenho que teve na área energética quando integrou o governo do Rio Grande do Sul e o governo Lula.
Há poucos meses, Dilma Rousseff foi à televisão anunciar queda no preço da energia elétrica. Seus adversários destro-midiáticos, porém, acreditaram que ela seria uma estúpida que anunciaria medida de tal importância para o país sem ter certeza de que poderia implementá-la.
Mesmo quem se informa mal (só pela “grande imprensa”) e não viu os telejornais noticiarem o barateamento da energia, a partir de março, quando as contas de luz tiverem sensível queda de valor, seguramente haverão de se lembrar do noticiário e, mais uma vez, aprofundarão o conceito de que a mídia promove alarmismo sob razões politiqueiras.
A própria reportagem do Jornal Nacional que noticiou a iminente redução das contas de luz após dizer exatamente o contrário poucos dias antes, deu um exemplo do potencial de beneficiamento da economia com a queda do preço da energia elétrica. Mostrou o caso de uma pequena lavanderia que gasta R$ 1,3 mil com a conta de luz e que irá economizar R$ 200.
A reportagem ainda mostrou que alguns setores da economia terão um benefício altíssimo. No setor de produção de alumínio, por exemplo, 30% dos custos são com energia elétrica. Ora, um desconto de quase 30% nessa energia tornará mais competitivas não só as empresas que produzem essa matéria-prima, mas, também, aquelas que a consomem.
O potencial econômico e social da medida do governo Dilma, assim, será sentido fortemente pela sociedade, pois o famigerado “custo Brasil” será consideravelmente reduzido para as empresas e para os setores mais pobres da sociedade, para os quais a conta de luz pesa muito.
Foi suicídio, portanto, promover alarmismo subestimando não apenas a capacidade da presidente, mas a inteligência dos brasileiros. Desse modo, o termo “harakiri” só não é perfeito porque o ritual suicida japonês era intencional e constituía pedido de desculpas por erros cometidos, enquanto que o harakiri midiático foi praticado sem querer.

Mídia: Secom simula democracia e reforça o monopólio (leia o artigo definitivo  de Venício Lima sobre o tema; nesta pág) 

IMPÉRIO: HEMORRAGIA INTERNA

Suicídios de militares causaram mais baixas às tropas norte-americanas em 2012 do que os combates no Afeganistão. A matança da guerra produziu 295 cadáveres no ano que passou; a do desespero fardado,  349 mortes. A epidemia de suicídios atinge sobretudo as forças do Exército: 182 soldados tiraram a própria vida em 2012. Os dados surpreendem na medida em que os EUA já deixaram o Iraque e apressam a saída do Afeganistão. A hemorragia é interna. Segundo o Departamento de Estado, aproximadamente um veterano de guerra se mata a cada 80 minutos nos EUA. Esta semana Obama deve anunciar medidas para controlar a venda de armas em resposta a outra epidemia dos tempos de paz: a dos serial killers. (Carta Maior; com agências)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Indígena dá um pito em repórter da Globo News





A opinião econômica particular vendida como de interesse geral

 
O jornalismo econômico brasileiro, a exemplo do norte-americano, está dominado pela opinião de economistas de bancos e de grandes corporações. Eventualmente, aparece um professor ou um especialista independente para fazer algum comentário, mas em tempo ou espaço suficientemente curtos para não permitir mais do que legitimar a presença dominante dos primeiros nos noticiários de jornal e televisão. Com isso a sociedade acaba com uma visão distorcida da economia política, mascarada que fica pelo viés dos negócios de curto prazo.
Galbraith, com sua fina ironia, costumava dizer que, em matéria econômica, não se devia levar muito a sério a opinião de quem tem interesse próprio em jogo. Ainda há pouco assisti no Jornal da Globo a uma “especialista” culpando o intervencionismo do Governo pela queda das ações das empresas do setor elétrico: ela estava visivelmente indignada com a decisão governamental de reduzir as tarifas elétricas, afetando a rentabilidade das empresas do setor, e não fez qualquer menção ao que isso representava de positivo para a sociedade e a economia. Claro, ela ou sua empresa certamente tem ações das elétricas!
Sou de um tempo em que, no jornalismo econômico, se separava claramente negócios de economia política. Fui subeditor de economia do Jornal do Brasil na segunda metade dos anos 70, e, depois, repórter de economia da Folha na primeira metade dos anos 80: não me lembro de uma única vez, nesses dois jornais, em que, por iniciativa própria ou por instrução da direção, tenha entrevistado um economista de banco. É verdade que, na cobertura de bolsa, havia repórteres que se referiam a “fontes” não identificadas para empurrar ações para cima ou para baixo. Mas isso não era economia política. Era corrupção mesmo.
Em 1978, meu editor no JB era Paulo Henrique Amorim. Ele tirou as greves do ABC das páginas de Polícia e as trouxe para a Economia. Fui encarregado de editá-las. Foram 40 dias e 40 noites de greve, o tempo das chuvas de Noé, em plena ditadura. A gente sentia que era algo importante, mas não podíamos adivinhar que ali estava o início do fim do autoritarismo. Quais eram os nossos entrevistados na época? Empresários com liderança no setor, líderes trabalhistas, economistas independentes, professores, ex-ministros, autoridades etc etc. Não se ouvia economista de banco que viesse a defender como se fosse de interesse geral assunto de seu interesse.
Na imprensa norte-americana, quando alguém que tem interesses específicos trata de assuntos econômicos de interesse geral, é costume identificá-lo como interessado imediato. Há um certo escrúpulo em misturar as duas coisas. Claro, ninguém põe em dúvida que um jornal de direita, como Wall Street Journal, ou liberal, como The New York Times, defendam no essencial os interesses capitalistas. Mas isso é feito abertamente, nas páginas editoriais, e não de forma camuflada numa entrevista ou num artigo vendido como de interesse geral. Nesse último caso, prevalece a opinião dos ideólogos, não dos economistas de mercado.
Há uma diferença sutil entre as duas formas de jornalismo: uma coisa é deduzir o interesse específico do interesse geral, e outra, bem diferente, é inferir o interesse geral a partir do interesse específico. No primeiro caso, há uma justificação ideológica de princípio do interesse particular no contexto mais amplo do capitalismo. É a forma padrão americana. Noutro, há uma racionalização do interesse geral a partir do particular. Trata-se de um jornalismo econômico mais primitivo que se traduz por uma manipulação ideológica disfarçada já que evita apresentar-se como defesa pura e simples do sistema capitalista.
Há um nível de manipulação ideológica menos disfarçado, sobretudo em televisão, quando âncoras de noticiário assumem, eles próprios, a “interpretação” das notícias dando-lhes maior ou menor ênfase de acordo com seu juízo subjetivo. Sabemos que aquilo é um teatro, pois tudo foi preparado e escrito previamente, mas da forma como aparece na tela o teatro sugere o mundo real.
Aqui, de novo, é o Jornal da Globo (tardio, portanto mais dedicado às elites) que me vem à mente: ao noticiar a inflação do ano passado, William Waack, que pessoalmente não parece entender nada de economia (sei disso porque trabalhamos um curto espaço de tempo juntos, no passado), fez um editorial agressivo contra o Governo, como se tivesse havido total descontrole dos preços. No entanto, como se sabe, a inflação esteve perfeitamente dentro da normalidade em função das margens da meta. A diatribe não passou de uma agressividade gratuita em relação a uma política econômica que, se não está totalmente correta, pode ser consertada numa direção que, por certo, não é a direção que William Waack quer.
J. Carlos de Assis, Economista, professor de Economia Internacional da UEPB, autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus”, editado pela Civilização Brasileira.

UMA DIREITA À PROCURA DE UM PAÍS



A  direita brasileira está à procura de um país em que faça sentido restaurar a ortodoxia e pedir votos; escalpelar a sociedade e obter o seu apoio, ao mesmo tempo e com igual intensidade. Desqualificar moralmente o PT e suas lideranças históricas foi a primeira tentativa de reconciliar a corda e o pescoço. O diretório midiático rapidamente entendeu:  sem fuzilar Dilma naquilo que a distingue, a reordenação do investimento em plena crise mundial, seria quase operar como cabo eleitoral da reeleiçao .O 'caos econômico'  instalou-se então no generoso espaço das manchetes antes reservado à AP 470. A crise mundial de fato produz o enfraquecimento fiscal do Estado, que arrecada menos e gasta mais. Mas também adiciona notável transparência aos conflitos de interesses.O conjunto  torna inteligível e pertinente para toda a sociedade discutir a questão básica do desenvolvimento: produzir o quê, para quem, a que custo e como? Essa é a agenda que pode devolver ao governo a limpidez de um discurso mobilizador, que não apenas legitima suas iniciativas, como abre espaço para ir além, subtraindo terreno ao alarmismo fiscalista e regressivo. (LEIA MAIS AQUI)


O suicídio da imprensa brasileira


A imprensa brasileira está sob risco de desaparição e, de imediato, da sua redução à intranscendência, como caminho para sua desaparição.

Mas, ao contrário do que ela costuma afirmar, os riscos não vem de fora – de governos “autoritários” e/ou da concorrência da internet. Este segundo aspecto concorre para sua decadência, mas a razão fundamental é o desprestígio da imprensa, pelos caminhos que ela foi tomando nas ultimas décadas.

No caso do Brasil, depois de ter pregado o golpe militar e apoiado a ditadura, a imprensa desembocou na campanha por Collor e no apoio a seu governo, até que foi levada a aderir ao movimento popular de sua derrubada.

O partido da imprensa – como ela mesma se definiu na boca de uma executiva da FSP – encontrou em FHC o dirigente politico que casava com os valores da mídia: supostamente preparado pela sua formação – reforçando a ideia de que o governo deve ser exercido pela elite -, assumiu no Brasil o programa neoliberal que já se propagava na América Latina e no mundo.

Venderam esse pacote importado, da centralidade do mercado, como a “modernização”, contra o supostamente superado papel do Estado. Era a chegada por aqui do “modo de vida norteamericano”, que nos chegaria sob os efeitos do “choque de capitalismo”, que o país necessitaria.

O governo FHC, que viria para instaurar uma nova era no país, fracassou e foi derrotado, sem pena, nem glória, abrindo caminho para o que a velha imprensa mais temia: um governo popular, dirigido por um ex-líder sindical, em nome da esquerda.

A partir desse momento se produziu o desencontro mais profundo entre a velha imprensa e o país real. Tiveram esperança no fracasso do Lula, via suposta incapacidade para governar, se lançaram a um ataque frontal em 2005, quando viram que o governo se afirmava, e finalmente tiveram que se render ao sucesso de Lula, sua reeleição, a eleição de Dilma e, resignadamente, aceitar a reeleição desta.

Ao invés de tentar entender as razoes desse novo fenômeno, que mudou a face social do pais, o rejeitou, primeiro como se fosse falso, depois como se se assentasse na ação indevida e corruptora do Estado. A velha mídia se associou diretamente com o bloco tucano-demista até que, se dando conta, angustiada, da fragilidade desse bloco, assumiu diretamente o papel de partido opositor, de que aqueles partidos passaram a ser agregados.

A velha mídia brasileira passou a trilhar o caminho do seu suicídio. Decidiu não apenas não entender as transformações que o Brasil passou a viver, como se opor a elas de maneira frontal, movida por um instinto de classe que a identificou com o de mais retrogrado o pais tem: racismo, discriminação, calunia, elitismo.

Não há mais nenhuma diferença entre as posições da mídia – a mesma nos principais órgãos – e os partidos opositores. A mídia fez campanha aberta para os candidatos à presidência do bloco tucano-demista e faz oposição cerrada, cotidiana, sistemática, aos governos do Lula e da Dilma.

Tem sido a condutora das campanhas de denúncia de supostos casos de corrupção, tem como pauta diária a suposta ineficiência do Estado – como os dois eixos da campanha partidária da mídia.

Certamente a internet é um fator que acelera a crise terminal da velha mídia. Sua lentidão, o fato de que os jovens não leem mais a imprensa escrita, favorece essa decadência.

Mas a razão principal é o suicídio politico da velha mídia, tornando-se a liderança opositora no pais, editorializando suas publicações do começo ao final, sendo totalmente antidemocráticas na falta de pluralismo sequer nas paginas de opinião, assumindo um tom golpista histórico na direita brasileira.

Caminha assim inexoravelmente para sua intranscendência definitiva. Faz campanha, em coro, contra o governo da Dilma e contra o Lula, mas estes tem apoio próximo aos 80%, enquanto irrisórias cifras expressam os setores que assimilam as posições da mídia.

Uma pena, porque a imprensa chegou a ter, em certos momentos, papel democrático, com certo grau de pluralidade na história do pais. Agora, reduzida a um simulacro de “imprensa livre”, ancorada no monopólio de algumas famílias decadentes, caminha para seu final como imprensa, sob o impacto da falta de credibilidade total. Uma morte anunciada e merecida.
Postado por Emir Sader

O fiasco do ato contra Lula em SP e a ojeriza do brasileiro à política


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Claro que foi risível o fiasco dos 20 gatos pingados que foram à avenida Paulista no domingo para insultar o ex-presidente Lula e o PT. A quantidade de piadas possíveis sobre essa iniciativa ridícula é imensurável e está fazendo a festa de quem se indignou com aquela cretinice.
Todavia, à luz de recente ato público de apoio ao adiamento da posse do presidente Hugo Chávez, na Venezuela, o qual levou centenas de milhares, se não milhões às ruas, há que refletir sobre um fenômeno tipicamente brasileiro.
É mentira que o brasileiro não vai à rua. Vai, sim, só que apenas se for em causa própria.
Recentemente, perguntei a lideranças da CUT e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por que ainda não se mobilizaram pela causa da regulação da mídia, que defendem. Afinal, ao menos a central sindical já conseguiu pôr dezenas de milhares na rua.
Os movimentos sociais e os sindicatos que entendem quão prejudiciais são os oligopólios de comunicação me responderam que não existe “massa crítica” para gerar manifestações de rua por esse tema.
O próprio Movimento dos Sem Mídia, fundado aqui neste blog, já conseguiu pôr centenas de pessoas na rua contra o engajamento político da imprensa dita “isenta”, como no caso da manifestação da ONG em 2009 contra editorial da Folha de São Paulo que disse que a ditadura militar brasileira teria sido “branda”.
Contudo, manifestações de 500 pessoas ou mesmo de 20, 30 mil como as que a CUT já logrou organizar para reivindicar salários etc. seriam vistas como piadas em países como Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e outros países politizados.
Os raros exemplos de sucesso de manifestações públicas de massas no Brasil residem entre os homossexuais e os evangélicos, que arrastam milhões de pessoas para tais iniciativas.
Aliás, verdade seja dita, nos países politizados desta região até a direita consegue pôr gente na rua, haja vista recente manifestação contra o governo na Argentina ou as marchas da oposição venezuelana menores do que as do chavismo, sim, mas, ainda assim, gigantescas.
O que acontece com o nosso povo? Por que somos tão engajados em causas de interesse de todos apenas na internet, mas sempre arrumamos um “compromisso de última hora” quando somos convocados a ir à rua defender aquilo em que acreditamos?
Os retardados que convocaram a manifestação contra Lula somaram quase duas mil pessoas no Facebook, mas a desculpa deles para não terem ido à avenida Paulista dizerem seus insultos contra o ex-presidente foi a de que “estava chovendo”…
No mesmo dia do ato dos “cansados” paulistanos, entre 300 mil (segundo a polícia) e 800 mil (segundo os manifestantes) foram à rua em Paris para protestar contra o “casamento” gay. A França, aliás, a exemplo de vários outros países europeus é palco constante de manifestações enormes.
Ir à rua protestar ou reivindicar, portanto, não é coisa de país subdesenvolvido. Muito pelo contrário, denota a preocupação dos povos em transformar retórica em ações.
Seja contra Lula, seja contra mídia, seja pelo que for – até mesmo por reivindicações que beneficiem os manifestantes –, o brasileiro demonstra comodismo e covardia.
Em 2011, a grande mídia tentou pôr gente na rua para protestar contra Lula, o PT e o governo Dilma. Impérios de comunicação martelaram convocações diuturnamente e colheram mais fiascos.
Os poucos que os grandes meios de comunicação conseguiram mobilizar, mobilizaram-se porque tais meios financiaram transporte, lanches e até pagamentos em dinheiro. Fui a algumas dessas manifestações e descobri que muitos nem sabiam por que estavam lá.
Já tentaram explicar essa apatia do brasileiro devido à ditadura, que teria atemorizado o nosso povo em relação a se mobilizar por causas políticas. É bobagem. A Argentina viveu uma ditadura mais sangrenta do que a brasileira e aquele povo se mobiliza o tempo todo.
A explicação me parece ser ojeriza do nosso povo à política. As manifestações se tornam ainda mais inviáveis quando convocadas sob tal mote.
A direita midiática, ao longo da segunda metade do século XX, trabalhou duro para gerar essa visão deturpada do povo sobre política. Nesse processo, porém, não atingiu somente a esquerda, mas a ela mesma. Hoje, aliás, a direita consegue mobilizar ainda menos gente do que a esquerda.
Esta, porém, tem instrumentos para sobrepujar a direita em mobilizações populares. Os movimentos sociais e os sindicatos estão quase que cem por cento no lado esquerdo do espectro político. Nesse ponto, surge o segundo grande inimigo da mobilização cidadã.
O comodismo explica por que pessoas politizadas e conscientes resistem a ir à rua expor suas demandas, apoios e repúdios. Esse, portanto, é o grande inimigo que é preciso combater a fim de pôr na agenda do país causa tão urgente quanto a democratização da comunicação.
Venho dizendo isso desde 2007, quando, neste blog, propus o primeiro ato público do Movimento dos Sem Mídia diante da Folha de São Paulo, que, surpreendentemente, reuniu quase 300 pessoas: ninguém muda um país sentado diante de um computador.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A SEMANA DOS GRANDES ERROS NA GRANDE IMPRENSA

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Chávez conhece a Rede Globo


Milhares de venezuelanos tomam as ruas para apoiar Chávez: “Não voltarão”

“Não voltarão”: milhares de venezuelanos tomam centro de Caracas para apoiar Chávez. Apoiadores do presidente atenderam em massa a convocatória do governo para defender decisão do Supremo venezuelano
“Não voltarão!”, grita Haydée Reyers, de 54 anos, durante ato multitudinário realizado na tarde desta quinta-feira (10/01) nos arredores do Palácio de Miraflores. A garçonete, a exemplo de outros milhares de venezuelanos que atenderam ao chamado do governo venezuelano, compareceu ao ato para “defender o mandato do presidente Hugo Chávez” e “impedir que a oposição retorne ao poder no país”. “O povo está jurando a posse do presidente”, continuou a venezuelana.
Desde a internação do líder venezuelano em Havana para uma quarta cirurgia contra um câncer, em 11 de dezembro de 2012, oposição e governo apresentaram visões diferentes sobre o 10 de janeiro, data em que Chávez deveria tomar posse frente à Assembleia Nacional. O preceito está previsto no artigo 231 da Constituição, porém, para os chavistas, o trecho menciona que, se por “motivo de força maior” o presidente não puder estar na posse, a mesma será feita frente ao Supremo Tribunal de Justiça.
A leitura do governo foi acatada tanto pela maioria dos deputados do parlamento como pelo TSJ venezuelano. No entanto, partidos opositores defenderam que o presidente da assembleia, Diosdado Cabello, deveria assumir as rédeas do país, devido à ausência do presidente. Com os protestos da oposição, que chegou a mencionar que o chavismo estaria dando um “golpe de Estado”, o governo convocou a população às ruas para defender Chávez. “É um dia histórico, porque começa o mandato do presidente Chávez 2013-2019″, afirmou o vice-presidente Nicolás Maduro.



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