Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

domingo, 15 de abril de 2012

CPI do Cachoeira pode “melar” o julgamento do “mensalão”

 



Em 24 de novembro de 2010, estive no Palácio do Planalto com mais nove blogueiros para participar de um evento histórico: Luiz Inácio Lula da Silva daria, naquele dia, a primeira coletiva de imprensa de um presidente da República à blogosfera – até porque, os antecessores dele não conviveram com ela, pois não existia quando governaram.
O fato de serem blogueiros assumidamente simpáticos ao governo trabalhista foi explorado pela grande mídia, que os tachou de “chapas-brancas”, insinuando que seriam beneficiados por aquele governo. O jornal O Globo, despido de senso de ridículo, usou uma página inteira para nos atacar e ilustrou o ataque com a foto acima, tirada pelo Planalto.
Ao fim da entrevista, os blogueiros se reuniram em torno do presidente para alguns minutos de conversa informal. Nela, ele nos confidenciou que, ao “desencarnar” do cargo, iria descobrir o que esteve por trás daquilo que a grande mídia chama, de forma absurda, de “O maior escândalo de corrupção da história”.
Não se sabe de onde Globo, Folha de São Paulo, Estadão e Veja (grupos de comunicação que a presidência da Associação Nacional de Jornais chama de “imprensa oposicionista”) tiraram isso, mas uma horda de colunistas, editorialistas e articulistas pagos a peso de ouro inventaram a teoria e a difundem sem jamais explicar quem ou o que a sustenta.
*
Tudo começou com a operação da Polícia Federal sugestivamente batizada como “Monte Carlo”, nome de um dos 11 bairros do principado de Mônaco, uma cidade-estado situada ao sul da França que se notabilizou por abrigar os mais glamorosos e famosos cassinos do mundo, tendo sido cenário freqüente para as aventuras do espião cinematográfico James Bond, o imaginário agente 007 da inteligência britânica
O nome dessa operação da PF não poderia ser mais apropriado. O que informações prévias sobre a investigação insinuam é digno de qualquer filme de espionagem, com direito a vários clichês hollywoodianos.
Escutas feitas durante alguns anos surpreenderam o país ao flagrarem, com as calças na mão, aquele que se pretendia o acusador-mor da República, o senador oposicionista Demóstenes Torres, que se descobriu que não passava de um funcionário graduado do chefão criminoso Carlinhos Cachoeira, o qual, por sua vez, ofereceu a essa grande imprensa, segundo a quadrilha, “todas” as denúncias contra os governos Lula e Dilma feitas desde 2003.
Se Cachoeira proveu à mídia “todas” as suas denúncias contra o governo federal durante a última década e no limiar desta, não se sabe. Mas, certamente, proveu grande parte delas, podendo ser a mais importante aquela que desencadeou o que essa mesma mídia diz ser “O maior escândalo de corrupção da história”.
Previamente, já se sabe que ao menos o primeiro capítulo do “mensalão” foi obra de Carlinhos Cachoeira. Ele filmou pedido de propina que lhe fizera em 2002 o personagem Waldomiro Diniz.
À época em que o vídeo clandestino foi gravado por Cachoeira, Diniz integrava a administração do então governador Antony Garotinho como presidente da Loterj, autarquia do governo do Rio de Janeiro. Era o responsável pela administração, gerenciamento e fiscalização do jogo no Estado, área de interesse do contraventor.
Diniz chegou ao governo Lula sob influência de Garotinho, que apoiou a primeira eleição do petista no segundo turno, em 2002, ganhando influência na formação do novo governo. Foi, assim, nomeado subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, subordinado ao então ministro da Casa Civil, José Dirceu.
O pedido de propina gravado pelo bandido Carlinhos Cachoeira – que, à época, era apresentado pela grande mídia como um simples empresário indignado com a “corrupção do governo Lula” – foi o pontapé inicial do escândalo do “mensalão”, como gosta de dizer a mídia.
Ou seja: essa mídia usou as informações de um bandido para supostamente desbaratar um esquema de corrupção, ainda que pareça óbvio que o pedido de Diniz a Cachoeira de comissão de 1% da negociata que tentava entabular não passou de uma ação isolada de alguém que tentava se valer do próprio cargo para se locupletar.
*
O potencial das escutas da PF sobre o esquema Cachoeira, portanto, é o de revelar aquilo de que já há indícios, de que o criminoso teria continuado a prover à mídia as informações, vídeos, escutas etc. que aprofundaram denúncia do então presidente do PTB em 2005, Roberto Jefferson, que criou o termo “mensalão” para acusar o governo Lula de subornar parlamentares aliados para defenderem seus interesses no Congresso… (?)
O grande interesse na CPI do Cachoeira que fica claro que têm o PT, boa parte da base aliada do governo Dilma no Congresso e o próprio governo, portanto, é desvendar até que ponto houve conluio entre a mídia oposicionista e o crime organizado, que se supõe que fizeram o seguinte acordo: em troca de oferecer subsídios contra o governo Lula e, depois, contra o governo Dilma, o esquema Cachoeira seria acobertado por esses meios de comunicação.
Entre o governismo circula teoria de que veículos como a Veja teriam usado informações do esquema Cachoeira contra o governo Lula durante anos e, em troca, o esquema teria recebido proteção midiática às suas atividades criminosas. Por essa teoria, haveria provas disso que teriam transparecido das escutas da PF.
Ao tentar intimidar os governistas com ameaça de inverter no noticiário sobre a CPI do Cachoeira a responsabilidade pelas atividades dele, transferindo-a da oposição demo-tucana e da mídia para o PT e aliados, essa mídia permite supor que acredita no potencial dessa CPI para “melar” o julgamento do “mensalão”.
Claro que nada disso elide o fato de que, no mínimo, houve financiamentos ilegais de campanhas eleitorais de petistas e aliados. Todavia, essa acusação não serve para criminalizar todo o governo Lula, sobretudo o seu ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, que, se não tivesse sido abatido, certamente seria hoje o presidente da República.
Não é preciso pensar muito para imaginar o que acontecerá se durante o julgamento do inquérito do “mensalão” pelo STF surgirem provas documentais de que Cachoeira e a mídia com a qual se acumpliciou fabricaram a tese de que houve compra de apoio de parlamentares organizada por Dirceu. E de que o que houve foi, “apenas”, caixa 2.

TITANIC 3D

Dantas, CPI da Veja, HCs, mensalão – está tudo na roda !


 



O ansioso blogueiro ficou muito impressionado com lição do Oráculo de Delfos  – o que está em crise, em jogo, é o todo.

É tudo.

A CPI da Veja e o julgamento da Satiagraha no Supremo são os momentos que definem “a crise do todo”.

O está tudo na roda.

Subsidiariamente, está também o mensalão, porque, se for julgado por Peluzo ainda no STF – e essa é a batalha do Merval -  ainda está por provar-se.

E este ansioso blogueiro quer ver o Supremo condenar o Dirceu.

Do regime militar (o ansioso blogueiro evita a palavra “ditadura” porque até ela, no Brasil, foi desmoralizada) à nossa mitigada Democracia, o Brasil se permitiu:

– uma Privataria, a Tucana, que foi a maior roubalheira de todas da América Latina, em que os Super-Heróis são o Padim Pade Cerra e sua clã, e o Daniel Dantas (depois perdoada por dois HCs do tipo Canguru);

– a consolidação de uma indústria de equipamento militar – a Rede Globo -, que se transformou no QG de um Partido Golpista, o PiG (*), que amplia e dramatiza qualquer denúncia – como fez invariavelmente com as que nasceram do ventro do Cachoeira e seus cúmplices na Veja;

– cadê o grampo do áudio, que uniu para sempre Demóstenes, Gilmar, Policarpo e o jornal nacional?

– para se ter ideia do poder da Globo, basta ver o estrago que provocou uma reportagem de seis minutos no Domingo Espetacular, às 23h: “TV Record mela o mensalão”.

Ela demonstrou que o vídeo da corrupção nos Correios, que acelerou a crise do mensalão, foi obra do Cachoeira e da Veja, para detonar o Lula, via Dirceu.

Tanto os seis minutos melaram o mensalão, que a Globo tratou de denunciar: a CPI da Veja é para detonar o mensalão.

E é.

Porque vai detonar o mensalão.

Agora, amigo navegante imagine o poder da Globo e de seu poderoso Diretor-de-Jornalismo, o Ali Kamel: há nove anos, durante 30 minutos no jornal nacional, todo santo dia, eles trabalham para derrubar um Presidente trabalhista eleito pelo povo.

Nove  anos !

E os governos trabalhistas, com maioria no Congresso, quietos, amedrontados, sem baixar uma Ley de Meios.

– a CPI da Veja, enfim, obrigou o PT a pedir a Ley de Medios, porque a impunidade da Veja e da Globo é uma ameaça à frágil Democracia brasileira (que, diria o Mino, ainda está por provar-se).

Quando o Supremo convalidar a Satiagraha (e a Castelo de Areia do Aloysio 300 mil).

Quando o Supremo julgar o Dirceu – com ou sem Peluzo.

Quando o corajoso Senador Humberto Costa relatar a expulsão de Demostenes do Senado.

Quando o corajoso deputado Fernando Ferro chamar o Robert(o) Civita para depor.

Quando a CPI examinar detidamente o comportamento da Justiça em relação ao Demóstenes e seu empregador, o Cachoeira, aí, vai ser massa !

Vai voar toga pra todo lado.

Pena de tucano pra todo lado.

E o Robert(o) Civita não poderá mais aplicar seu “business plan”- abrir portas com a gazua do Policarpo.

O Brasil vive momento sublime da História de uma Democracia: é quando as vísceras mais escuras saem à luz do sol.

Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

DILMA PASSA UM SABÃO NO TIO SAM

 
A intervenção brasileira foi ovacionada com risos e palmas pelos demais chefes de Estado presentes. Caberia a Dilma, ainda, contrapor ao caquético catecismo da subordinação comercial o ponto de vista estratégico de uma América Latina cada vez mais encorajada a buscar seu próprio caminho e, mais que isso, definitivamente convencida de que esse caminho de soberania e desenvolvimento não cabe no acostamento estreito destinado historicamente à região pela Casa Branca. Em um improviso mais de uma vez aplaudido, ela despertou o orgulho latino-americano diante de um Obama entre sonolento, ausente e blasé. (LEIA MAIS AQUI)


“É inaceitável outra Cúpula das Américas sem Cuba”

Na abertura da Cúpula das Américas, realizada na cidade de Cartagena, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu que fosse deixada para trás a teimosia ideológica na questão cubana e que fosse superado um “anacronismo da guerra fria”. Além disso, afirmou que uma nova reunião de cúpula da região sem a presença de Cuba seria inaceitável. Os governos dos EUA e do Canadá, que se opuseram à presença de Cuba na reunião, acabaram isolados.

Cartagena - Após inaugurar a sexta Cúpula das Américas, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu que fosse deixada para trás a teimosia ideológica na questão cubana e que fosse superado um “anacronismo da guerra fria”. Além disso, afirmou que uma nova reunião de cúpula da região sem a presença de Cuba seria inaceitável. E, da mesma forma, seria inaceitável uma nova cúpula com um Haiti prostrado na pobreza extrema.

Diante da maioria dos mandatários da região, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro ministro canadense Stephe Harper, que se opuseram à presença de Cuba neste encontro continental, Santos ecoou, assim, a controvérsia surgida na véspera entre os chanceleres, que não chegaram a um acordo sobre o documento final da cúpula. Os dois países da América do Norte rejeitaram incluir no texto a necessidade de incorporar Cuba em futuras reuniões.

Sem nunca citar os Estados Unidos, o presidente anfitrião pediu aos países do continente para que deixassem para trás os paradigmas do passado, criassem pontes e fossem criativos para superar as dificuldades do hemisfério, entre elas a situação de Cuba. O isolamento, o embargo, a indiferença, o olhar para outro lado, já demonstraram sua ineficácia, acrescentou.

Santos sustentou ainda que no mundo de hoje não se justifica esse caminho, que não passa de um “anacronismo que nos mantém presos à era de uma guerra fria superada há várias décadas”. É hora, defendeu, de superar a paralisia provocada pela teimosia ideológica e de buscar consensos mínimos para que esse processo de mudança que também está ocorrendo na ilha chegue a um bom termo, pelo bem do povo cubano.

Para o presidente colombiano, é inaceitável que Cuba não participe da próxima Cúpula das Américas. Não podemos também chegar à próxima cúpula invocando um espírito hemisférico se antes não somos capazes de contribuir, coletivamente, para que o Haiti entre com vigor na senda do crescimento e da superação da pobreza extrema, acrescentou. Ele pediu ainda que em vez de impulsionar agendas próprias, os países do hemisfério, que queiram ajudar, façam sua a agenda do próprio governo haitiano, que conhece melhor do que ninguém as necessidades de seu povo. “Tem faltado o mais importante nos gestos de boa vontade para ajudar o Haiti: conhecer o que quer e o que realmente precisa o povo haitiano”.

A cúpula continente iniciou com a cantora colombiana Shakira, que cantou o hino nacional de seu país diante de um auditório repleto, onde estavam os 31 presidentes da região, no centro de convenções desta histórica cidade cercada de muralhas. Além do de Cuba, somente os presidentes da Venezuela,
Nicarágua e Equador, por diferentes motivos, não participaram do encontro.

Também participaram da sessão de abertura o secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e a secretária executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, que fizeram um balanço da situação na região e concordaram que não deve haver mais países excluídos.

Insulza, sem mencionar expressamente o caso cubano, defendeu o fim das exclusões e destacou os avanços democráticos que a região vive hoje, além dos aportes e da vitalidade que está transformando os países latino-americanos em uma fortaleza econômica desconhecida até agora. Para o secretário geral da OEA, existem grandes diferenças regionais, mas assinalou que essas diferenças devem ser reconhecidas de modo solidário. A melhor solução, defendeu, é ter diálogo, cooperação e tolerância. Enquanto isso, a funcionária da Cepal afirmou que o progresso e o bem estar dos povos do continente americano constituem uma responsabilidade entre Canadá, Estados Unidos, América latina e Caribe. Ela insistiu que a cooperação é essencial para cumprir uma agenda de desenvolvimento econômico com igualdade, daí a importância da constituição da comunidade dos estados americanos e do Caribe, porque isso mudou a forma de nos relacionarmos.

Tradução: Katarina Peixoto

O único meio de enfrentar o tsunami monetário

A Presidenta Dilma Rousseff tem dado um show nas suas relações internacionais. E está dando um show ainda maior na relação com os banqueiros internos. Pela primeira vez na história, um presidente da República que entende do riscado, contornando as ambigüidades de seu próprio Ministro da Fazenda, decidiu enfrentar a máfia bancária tocando no ponto essencial dos spreads exorbitantes, sem paralelo no mundo. O artigo é de J. Carlos de Assis.

Quando a presidenta Dilma acusa os bancos centrais dos EUA e da Europa de provocarem um tsunami monetário que afoga em dinheiro barato os países emergentes, o que ela tem em vista, no fundo, é o efeito cambial que isso causa, levando à valorização de nossa moeda, ao aumento de importações e queda de exportações, tendo por conseqüência última a expansão do desemprego. Ela está cheia de razão, portanto. Contudo, é uma ilusão achar que a solução para isso está na mudança da política monetária de EUA e da Europa. Está no nosso próprio quintal.

Tanto o presidente Obama como os líderes da área do euro se impuseram fortes restrições em matéria de política fiscal: Obama, com menos gosto (condicionado pelo Partido Republicano), e a Europa, sob o tacão alemão, francês e inglês, de extremo conservadorismo e ortodoxia fiscal. Portanto, se é para usarem a política macroeconômica para estimular a economia, só têm como alternativa a política monetária, que por sinal não é de governo (é dos BCs) e nem está direcionada para a retomada do crescimento, mas para a salvação do sistema financeiro.

Na medida em que os países industrializados avançados insistem na política de arrocho fiscal, com a única expectativa de aumentar as exportações, a desvalorização do câmbio se manterá como arma voltada contra o resto do mundo num esquema de protecionismo disfarçado pelo câmbio. Não adianta a Presidenta protestar contra isso. Ela tem que tomar medidas concretas para barrar o tsunami na fronteira de nosso quintal. Basicamente, tem que adotar controles de movimentos de capitais mais fortes que os adotados até aqui com o modesto aumento do IOF.

Isso não depende de banco central estrangeiro nem de outros governos. Está na órbita de nossa soberania. Até mesmo o FMI passou a admitir controles de capitais em situações excepcionais, e esta, indubitavelmente, é uma situação excepcional. Não é que seja necessário bloquear todo o dinheiro que tenta entrar. Basta bloquear o dinheiro especulativo. Ou adotar uma espécie de filtro para deixar passar apenas os recursos externos destinados a investimentos produtivos, que certamente ajudam na geração de emprego e renda internos.

Claro que a Bolsa sentirá um baque pois o dinheiro especulativo alimenta a valorização de ações no mercado. Contudo, deveremos hipotecar a saúde da economia brasileira ao conforto de meia dúzia de especuladores no mercado acionário? Há quanto tempo não se ouve falar sobre colocação primaria de ações em nosso mercado, no único momento em que a Bolsa efetivamente contribui para o financiamento de atividade produtiva? Também o acesso de dinheiro externo a aplicações em títulos de liquidez diária, sobretudo públicos, deve ser totalmente eliminado.

A Presidenta tem dado um show nas suas relações internacionais. E está dando um show ainda maior na relação com os banqueiros internos. Pela primeira vez na história, um presidente da República que entende do riscado, contornando as ambigüidades de seu próprio Ministro da Fazenda, decidiu enfrentar a máfia bancária tocando no ponto essencial dos spreads exorbitantes, sem paralelo no mundo. Isso nos anima a esperar medidas igualmente efetivas no campo das relações financeiras internacionais, no qual a questão do controle de capitais tornou-se simplesmente vital.

(*) Economista e professor, presidente do Intersul, autor, com o matemático Francisco Antonio Doria, do recém-lançado “O universo neoliberal em desencanto”, pela Civilização Brasileira. Esta coluna sai também no site Rumos do Brasil e, às terças, no jornal carioca Monitor Mercantil.

sábado, 14 de abril de 2012

Repórter da Globo também teria se envolvido com Cachoeira

Chega a este blog informação que não surpreende porque explica fato que muitos podem estar notando, o de que a Globo, acima da Veja ou de qualquer outro tentáculo da mídia demo-tucana, lidera a difusão de distorções das investigações da Operação Monte Carlo que se traduz em tentativa de voltar a CPI do Cachoeira contra o PT e o governo Dilma.
A fonte que envia tal informação é a mesma que alertara este blog para os fatos de que não foram 15 e, sim, ao menos 18 celulares (no inquérito aparecem 16, fora um 17º que não aparece e foi dado a Demóstenes Torres) que o bicheiro distribuiu a comparsas, e de que a mídia começaria a tocar no assunto Veja/Cachoeira porque o volume de conversas comprometedoras tornaria inevitável a convocação, se não de Roberto Civita, ao menos de Policarpo Jr. pela CPI.
Ainda que a edição da Veja desta semana volte ao ataque e tente vender a teoria de que tudo o que envolve a revista não passaria de “cortina de fumaça” com a qual o PT estaria tentando desviar atenções do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, a revista está apenas se defendendo, haja vista que sua relação com o crime organizado explodiu na sexta-feira na grande imprensa através da Folha de São Paulo.
Segundo a fonte do blog, Folha e Estadão não teriam aparecido nas escutas da Polícia Federal, mas o forte empenho da Globo em inverter o foco da investigação e intimidar parlamentares que possam integrar a CPI que deve ser instalada na semana que entra se deve ao fato de que ao menos um de seus repórteres teria mantido vários contatos sugestivos com Cachoeira que estariam gravados.
Analisando o que os jornais, telejornais e blogs das Organizações Globo têm feito – o que inclui uso político de uma concessão pública de televisão, sem falar em rádios – logo se percebe que não mantêm o mesmo distanciamento que os dois jornais paulistas estão mantendo, ainda que suas preferências políticas estejam levando-os a encampar parte dos ataques ao PT e a aliados.
Na última sexta-feira, por exemplo, no Jornal Nacional, Willian Bonner faz um ar grave para anunciar escutas comprometedoras contra Agnelo Queiroz que mostrariam que ele ou um “segundo” no comando do governo do Estado teriam se encontrado secretamente com Cachoeira. O diálogo, no entanto, não mostra nada, absolutamente nada irrefutável.
Ainda assim, o blogueiro da Globo Ricardo Noblat anuncia, como se estivesse falando do clima, que Agnelo Queiroz já estaria cogitando renunciar. Isso logo em seguida a manifestação pública e veemente de apoio ao governador que 19 dos 24 deputados distritais do Distrito Federal fizeram na última quinta-feira.
Detalhe: não existe, até aqui, a menor razão para que o governador de Brasília pense em renúncia. Até o momento, nem mesmo seus assessores sofreram revelação de algo sequer parecido com o que o Jornal Nacional de sexta-feira mostraria em seguida às gravações que mostrou contra Queiróz.
Ao noticiar que foi negada pela Justiça o pedido de Demóstenes Torres de interrupção do inquérito da Operação Monte Carlo, o JN mostra gravação em que membros da quadrilha de Cachoeira falam em mandar dinheiro para festa da mulher do senador. Assim, na lata. Que alguém mostre algo parecido contra Queiróz ou qualquer outro governista.
Há, claro, a exceção do deputado do PT de Goiás Rubens Otoni, que aparece em vídeo concordando em não declarar doação de dinheiro oferecida por Cachoeira. Mas é um caso antigo, de 2004, que nada tem que ver com os fatos recentíssimos. De resto, até contra a empreiteira Delta o que se tem são apenas diálogos inconclusivos, ainda que sugestivos.
Eis, portanto, a explicação para a Globo estar liderando a tentativa midiática de ludibriar a opinião pública e de intimidar os membros da CPI para que não tentem trazer à luz escutas que envolvem a grande imprensa.  A cabeça do Partido da Imprensa Golpista, pelo visto, também se banhou nas águas dessa Cachoeira de corrupção midiática.

Cachoeira pode afogar a Editora Abril: Deputado quer Civita interrogado pela CPI

no R 7: o deputado Fernando Ferro (PT/PE) vai pedir que Roberto Civita (dono da Abril) seja convocado para depor na CPI do Cachoeira.
A CPI deve mesmo ser instalada. Houve acordo entre os presidentes da Câmara e do Senado, para que seja criada Comissão Mista – com representantes das duas casas.
Importante: a CPI tem força legal para pedir ao Supremo todos os autos do processo. O STF decretou sigilo do caso. Correm em Brasília boatos de que, além do diretor da Veja, haveria outros jornalistas da chamada grande imprensa citados nos autos. Ou seja: mais gente se banhou na cachoeira. Estranhamente, a Globo tinha solicitado acesso aos autos. Interesse jornalístico? Ou medo? No mesmo dia, o site Carta Maior também pediu acesso à íntegra do processo. O que fez o Supremo? Fechou tudo.
Agora, a CPI pode lançar luz sobre tudo que está lá. A situação mais complicada, não resta dúvida, é a da editora Abril. Há oito anos, a Veja abre espaço para todo tipo de “operação” jornalística. Colunistas fanfarrões e irresponsáveis (um deles até fugiu do Brasil) chafurdam na lama, repórteres são “obrigados” (!) a provar teses malucas (como a de que o PT trouxe dinheiro de Cuba em caixas de uísque, para ajudar na campanha de Lula), e a revista abre espaço para capas lamentáveis – como aquela em que Lula levava um chute no traseiro, ou aquela outra (“barriga” monumental) em que a Veja comemorava a queda de Chavez em 2002, no momento exato em que o presidente da Venezuela debelava o golpe e voltava ao poder nos braços do povo.
Essa foi a “obra” dos comandados de Bob Civita. A cereja no bolo é a relação promíscua com Cachoeira. Bob Civita corre o risco de virar um Murdoch. A Veja se banhou na Cachoeira, com mais de 200 telefonemas. A Veja também teria-se abastecido com arapongas de Cachoeira para criar o “mensalão”? Foi o que disse o ex-prefeito de Anápolis a PH Amorim, na Record.
Hoje [10/4], Hildegard Angel lembra o que Bob Jefferson disse, em sua defesa ao STF: o “mensalão” não era bem um mensalão. Era o quê? “Força de expressão”?
E agora?
Eu diria que, dos dois Bobs, Jefferson está em melhor situação. Bob Civita é quem corre risco de se afogar na cachoeira de lama para onde a Veja tentou arrastar o Brasil.
Confiram abaixo a notícia do R7.
Filippo Cecilio, do R7
O deputado federal Fernando Ferro (PT/PE) defendeu nesta terça-feira (10) que o empresário Roberto Civita, proprietário da Editora Abril, seja convocado para depor na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que será instalada no Congresso para investigar as ligações entre parlamentares, integrantes do judiciário e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro pela operação Monte Carlo da Polícia Federal.
– A revista [Veja] teria de ser ouvida para prestar esclarecimentos sobre essa ligação estreita entre ela e esse elemento. Pretendo ser um dos membros dessa CPMI, e essa é a minha manifestação. É natural que se coloque para falar alguém representando uma revista que teve 200 ligações com esse elemento para que se explique.
Nos grampos efetuados pela PF, aparecem telefonemas de Cachoeira para o diretor da revista em Brasília, Policarpo Jr. As gravações levantam suspeitas de que o bicheiro encomendava matérias de seu interesse para lhe favorecer os negócios ou então prejudicar seus inimigos.
Ferro afirmou que a convocação atenderia a um sentimento de diversos parlamentares:
– Várias pessoas de empresas, órgãos do governo e membros do judiciário deverão ser chamadas pra esclarecer esse tipo de convivência com esse elemento.
Nesta terça, os presidentes da Câmara, Marco Maia (PT/SP), e do Senado, José Sarney (PMDB/AP), selaram um acordo para a instalação da CPMI. De acordo com Marco Maia, os dois presidentes vão conversar com os líderes das duas casas para chegar a uma redação única para o requerimento de criação da CPMI. As assinaturas devem ser coletadas até o final desta semana.
Para que a comissão seja instaurada, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. Para evitar que os trabalhos da CPMI sejam interrompidos durante o período eleitoral, Maia já afirmou que terão prioridade na composição da comissão os parlamentares que não sejam candidatos a prefeito ou vereador nas eleições do segundo semestre.
A assessoria de imprensa do Grupo Abril foi procurada, mas a reportagem não conseguiu o contato.
 

Desde que os filhos da Casa Grande perderam a chave do palácio do Planalto, há dez anos, os factóides desta quadrilha e seus cúmplices, transformados em eventos midiáticos com a ajuda dos distraídos, converteram a política brasileira num trem fantasma, um desfile de monstrengos moralistas, uma opereta burlesco-udenista onde brilharam Demóstenes Torres, Agripino Maia, Álvaro Dias e ACM Neto.

Cúmplices e distraídos

por Jorge Furtado em 05 de abril de 2012

Pessoas medianamente bem informadas (1) sabiam muito bem quem era o senador Demóstenes Torres, o ex-Democrata e ex-moralista de Goiás. Para estas pessoas (2) fica difícil aceitar os panegíricos ao senador, elogios rasgados feitos por seus pares, que se revezaram na tribuna, em loas ao seu caráter ilibado e seu alto espírito público. Isso enquanto Demóstenes, senador da República, recebia, pelo telefone e de maneira bastante ríspida, ordens expressas de criminosos, ordens para aprovar leis ou contratar funcionários fantasmas.

Só os muito distraídos ou seus cúmplices na maracutaia - há dúvidas sobre em qual categoria inclui-se o então presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes - acreditaram no grampo sem áudio (3), a pantomima transformada em crise institucional pelo braço midiático da quadrilha de Carlinhos Cachoeira ou, como gostam de lhe chamar, do empresário Carlos Ramos.

Pois o ramo do Ramos é, segundo a Polícia Federal e seus grampos com áudio, o crime, em várias modalidades. Sobre a turma dos cúmplices, diz a decisão da Justiça, na página 3: "Detectou-se ainda, nas investigações, os estreitos contatos da quadrilha com alguns jornalistas para a divulgação de conteúdo capaz de favorecer os interesses do crime".

Quando, em 2004, a empresa de Carlos Ramos resolveu tomar seus pontos no butim de Brasília, seu braço na mídia providenciou o vídeo que, estrelado por um corrupto de 3 mil reais, deflagrou a "crise do mensalão". A palavra é uma brilhante criação de Roberto Jefferson, advogado, tenor e réu confesso, e passou a ser, com a ampla participação da turma dos distraídos, a senha anti-petista, parece haver quem ganhe por citação, em bônus de final de ano, com um panetone.

Com a crise do mensalão (que, como lembra o Mino Carta, ainda está por provar-se), Cachoeira e amigos tomaram conta dos Correios, mas só por algum tempo. Se bem me lembro, levou dois anos para que seus afilhados por lá fossem descobertos e presos. Na época, e eu falo do período e não da revista, o democrata FHC, ao invés de derrubar o governo Lula, preferiu "sangrá-lo até a derrota".

Só que ela não veio. Veio mais Lula e, agora, Dilma.

Na Veja, e eu falo da revista, uma longa série de factóides, muitos deles criados pela quadrilha de Cachoeira, foram parar na capa. Quem afirma isto é o próprio empresário Carlos Ramos, num dos grampos:

Cachoeira: Porque os grande furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos. (...) Ele pediu uma coisa? Você pega uma fita dessa aí e ao invés de entregar pra ele fala: "Tá aqui, ó, ele tá pedindo, como é que a gente faz?". Entendeu?

Poliocarpo, no caso, é o Júnior, editor-chefe da revista em Brasília, um bom camarada de conversas do empresário Carlos Ramos, trocaram mais de 200 telefonemas. Com as fitas na mão e o acesso à capa da revista de maior circulação do país, a quadrilha tinha alto poder de persuasão.

Desde que os filhos da Casa Grande perderam a chave do palácio do Planalto, há dez anos, os factóides desta quadrilha e seus cúmplices, transformados em eventos midiáticos com a ajuda dos distraídos, converteram a política brasileira num trem fantasma, um desfile de monstrengos moralistas, uma opereta burlesco-udenista onde brilharam Demóstenes Torres, Agripino Maia, Álvaro Dias e ACM Neto.

É bom lembrar que o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, tinha como chefe de gabinete uma simpática senhora que, decerto entre entre outras atividades, avisava os bandidos quando e como fugir da polícia. Também é bom lembrar que Perillo era o vice presidente do Senado quando a imprensa e a oposição tentaram derrubar José Sarney. Foram impedidas por Lula. A imprensa - os cúmplices e os distraídos - e a oposição queriam colocar Perillo na presidência do Senado, quem sabe na Presidência da República.

Nos últimos dez anos, pelo menos, a quadrilha de Cachoeira, que inclui senadores, deputados, governadores, prefeitos, promotores, juízes e policiais, pautou a vida política do país, criando ou turbinando escândalos, transformando tapiocas em crises nacionais, inventando dossiês, dinheiros de Cuba e do Tamiflu, rebaixando o debate politico e espantando pessoas decentes da vida pública. Fizeram um mal terrível ao pais, com a cumplicidade criminosa de alguns jornalistas.

Segundo a decisão da justiça que mandou essa turma temporariemante para a cadeia, o braço midiático da quadrilha era responsável pela "divulgação de conteúdo capaz de favorecer os interesses do crime". Hoje, muitos se dizem chocados com o comportamento de Demóstenes. Resta saber quais os cúmplices e quais os distraídos.

Em qualquer das hipóteses, não parece fazer muito sentido pagar para ler ou ouvir o que dizem.


Mote: Demóstenes

Não lembrar é uma armadilha
que, ao futuro, bem não traz.
A capital é uma ilha.
Por todo lado, Goiás.


Notas:

(1) Eu, por exemplo.
(2) Já me citei como exemplo? Adiante, então.
(3) Sem bons jornalistas não há democracia possível. Escute o comentário de Bob
Fernandes sobre as relações entre Demóstenes Torres e Gilmar Mendes e
descubra porquê.

http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado/c%C3%BAmplices-e-distra%C3%ADdos
 

Emiliano: o crime organizado se organiza no PiG (*)


    Publicado em 09/04/2012

              Emiliano José: O partido mídia e o crime organizado


              O partido mídia e o crime organizado


              por Emiliano José, deputado federal do PT-Bahia, via e-mail


              Algumas análises sobre a velha mídia brasileira, aquela concentrada em poucas famílias, de natureza monopolista, e que se pretende dona do discurso e da interpretação sobre o Brasil, pecam por ingenuidade. Pretendem conhecer sua atuação orientando-se pelos cânones e técnicas do jornalismo, como se ela se guiasse por isso, como se olhasse os fatos com honestidade, como se adotasse os critérios de noticiabilidade, como se recusasse relações promíscuas com suas fontes, como se olhasse os fatos pelos vários lados, como se recusasse uma visão partidarizada da cobertura.


              Essa velha mídia não pode ser entendida pelos caminhos da teoria do jornalismo, sequer por aquela trilha dos manuais de redação que ela própria edita, e que se seguida possibilitaria uma cobertura minimamente honesta. Ela abandonou o jornalismo há muito tempo, e se dedica a uma atividade partidária incessante. Por partidária se entenda, aqui, no sentido largo da palavra, uma instância que defende uma política, uma noção de Brasil, sempre ao lado dos privilégios das classes mais abastadas. Nisso, ela nunca vacilou ao longo da história e nem cabe recapitular. Portanto, as clássicas teorias do jornalismo não podem dar conta da atividade de nossa velha mídia.


              Volto ao assunto para tratar da pauta que envolveu o senador Demóstenes Torres e o chefe de quadrilha Carlinhos Cachoeira. É possível adotar uma atitude de surpresa diante do acontecido? Ao menos, no mínimo, pode a revista VEJA declarar-se estupefata diante do que foi revelado nas últimas horas? Tudo, absolutamente tudo, quanto ao envolvimento de Carlinhos Cachoeira no mundo do crime era de conhecimento de VEJA. Melhor: era desse mundo que ela desfrutava ao montar o que lhe interessava para atacar um projeto político. Quando caiu o senador Demóstenes Torres, caiu a galinha dos ovos de ouro.


              “Esqueçam o Policarpo”. Está certo, certíssimo, o jornalista Luis Nassif quando propõe que se esqueça o jornalista Policarpo Júnior que, com os mais de duzentos telefonemas trocados com Cachoeira, evidenciou uma relação profunda, vá lá, com sua fonte, e se ponha na frente da cena o, vá lá, editor Roberto Civita.


              Este, como se sabe, constitui o principal dirigente do partido midiático contrário ao projeto político que se iniciou em 2003, quando Lula assume. Policarpo Júnior apenas e tão somente, embora sem nenhuma inocência, cumpria ordens de seu chefe. Agora, que será importante conhecer o conteúdo desses 200 e tantos telefonemas do Policarpo Júnior com Cachoeira, isso será. Até para saber que grampos foram encomendados por VEJA ao crime organizado.


              Nassif dá uma grande contribuição à história recente do jornalismo ao fornecer um impressionante elenco de matérias publicadas por VEJA nos últimos anos, eivadas de suposições, sem qualquer consistência, trabalhadas em associação com o crime. Civita nunca escondeu a sua posição contra o PT e seus aliados. É um militante aplicado da extrema-direita no Brasil, e que se dedica, também, subsidiariamente, a combater os demais governos reformistas, progressistas e de esquerda da América Latina.


              Importante, como análise política, é que o resto da mídia sempre embarcou – e com gosto – no roteiro, na pauta, que a revista VEJA construía. Portava-se, não me canso de dizer, como partido político. Não adianta escamotear essa realidade da mídia no Brasil. O restante da velha mídia não queria checar, olhar os fatos com alguma honestidade. Não. Era só fazer a suíte daquilo que VEJA indicava. Esse era um procedimento usual dos jornalões e das grandes redes de tevê.


              Barack Obama, ao se referir à rede Fox News, ligada a Rupert Murdoch, chamou-a também de partido político, e tirou-a de sua agenda de entrevistas. Não é novidade que se conceitue a mídia, ou grande parte dela, como partido político conservador. Pode lembrar Gramsci como precursor dessa noção, ou, mais recentemente, Octavio Ianni que a chamava de Príncipe Eletrônico. No Brasil, inegavelmente, essa condição se escancara. A velha mídia brasileira sequer disfarça. Despreza, como já se disse, os mais elementares procedimentos e técnicas do bom jornalismo.


              Na decisão da Justiça Federal em Goiás, ressalta-se, quase que com assombro, os “estreitos contatos da quadrilha com alguns jornalistas para a divulgação de conteúdo capaz de favorecer os interesses do crime”. Esses contatos, insista-se, não podem pressupor inocência por parte da mídia, muito menos da revista VEJA que, como comprovado, privava da mais absoluta intimidade com o crime organizado por Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres dada à identidade de propósitos.


              Esse episódio, ainda em andamento, deve muito, do ponto de vista jornalístico, a tantos blogs progressistas, como o de Luis Nassif (vejam “Esqueçam Policarpo: o chefe é Roberto Civita”); o de Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania (vejam “Leia a espantosa decisão judicial sobre a Operação Monte Carlo”); o Portal Carta Maior (leiam artigo de Maria Inês Nassif, “O caso Demóstenes Torres e as raposas no galinheiro”); o Blog do Jorge Furtado (“Demóstenes, ora veja”), o Vi o Mundo, do Azenha, entre os que acessei.


              Resta, ainda, destacar a revista CartaCapital que, com matéria de Leandro Fortes, na semana que se iniciou no dia 2 de abril, furou todas as demais revistas ao evidenciar a captura do governo de Marconi Perillo pelo crime organizado de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Em Goiânia, toda a edição da revista foi comprada aos lotes por estranhos clientes, ninguém sabe a mando de quem – será que dá para desconfiar?


              A VEJA enfiou a viola no saco. Veio de “O mistério renovado do Santo Sudário”, tão aplicada no conhecimento dos caminhos do cristianismo, preferindo dar apenas uma chamadinha na primeira página sobre “Os áudios que complicam Demóstenes” e, internamente, mostrar uma matéria insossa, sem nenhuma novidade, com a tentativa, também, de fazer uma vacina para inocentar o editor de Brasília, Policarpo Júnior. Como podia ela aprofundar o assunto se está metida até o pescoço com Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira?


              Impunidade do crime jornalístico


              Há algumas perguntas que pairam no ar. O jornalismo pode ser praticado dessa maneira, em associação explícita com o crime organizado, sem que nada aconteça aos que assim procedem? Por menos do que isso, a rede de Rupert Murdoch, na Inglaterra, enfrenta problemas sérios com a Justiça, houve prisões, e seu mais importante semanário, o News of the World, que tinha 168 anos, e era tão popular quanto desacreditado, fechou.


              E aqui? O que se fará? A lei não prevê nada para uma revista associada havia anos com criminosos de alto coturno? Creio que se reclamam providências do Ministério Público e, também, das associações profissionais e sindicais do jornalismo. Conivência com isso, não dá. Assim, o crime compensaria, como compensou nesse caso durante anos.


              Há, ainda, outra questão, e de grande importância e que a velha mídia ignorou solenemente, e este foi um trabalho realizado primeiro pelo jornalista Marco Damiani, do Portal 247, e completado, de modo brilhante, pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, evidenciando a atuação do crime organizado de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira na construção do que ficou conhecido como Mensalão.


              A entrevista com Ernani de Paula (ex-prefeito de Anápolis) feita por Paulo Henrique Amorim é impressionante. Ele fora derrubado da Prefeitura numa articulação que envolveu a dupla criminosa, e agora revela o que sabe, e diz que tudo o que se armou contra o ex-chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula, José Dirceu, e contra o governo Lula, decorreu da ação consciente e criminosa de Carlinhos Cachoeira, que se insurgia contra um veto de José Dirceu à assunção de Demóstenes Torres ao cargo de Secretário Nacional de Justiça do governo, depois que ele se passasse para o PMDB.


              Em qualquer país do mundo que tivesse um jornalismo minimamente comprometido com critérios de noticiabilidade, ainda mais diante do possível julgamento do processo denominado Mensalão, ele entraria fundo no assunto para que as coisas se esclarecessem. Mas, nada. Silêncio.


              É como se a velha mídia tivesse medo de que a construção da cena midiática em torno do assunto, construção que tem muito de fantasiosa e é obviamente contaminada por objetivos políticos, pudesse ser profundamente alterada com tais revelações e, inclusive, ter reflexos no julgamento que se avizinha. Melhor deixar isso confinado aos “blogs sujos” e às poucas publicações que se dedicam ao jornalismo. A verdade, no entanto, começa a surgir. Nós não precisamos mais do que dela, como dizia Gramsci. Insistamos nela. Se persistirmos, ela se imporá. Apesar do velho partido midiático.


              A omissão da mídia nativa é um clássico, precipitado pela peculiar convicção de que fato não noticiado simplesmente não se deu. Não há somente algo de podre nas redações, mas também de tresloucado.



               
               
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              Sequestrada. Em Goiânia, domingo dia 1º
              O caso do senador Demóstenes Torres é representativo de uma crise moral que, a bem da sacrossanta verdade, transcende a política, envolve tendências, hábitos, tradições até, da sociedade nativa. No quadro, cabe à mídia um papel de extrema relevância. Qual é no momento seu transparente objetivo? Fazer com que o escândalo goiano fique circunscrito à figura do senador, o qual, aliás, prestimoso se imola ao se despedir do DEM. DEM, é de pasmar, de democratas.
              Ora, ora. Por que a mídia silencia a respeito de um ponto importante das passagens conhecidas do relatório da Polícia Federal? Aludo ao relacionamento entre o bicheiro Cachoeira e o chefe da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior. E por que com tanto atraso se refere ao envolvimento do governador Marconi Perillo? E por que se fecha em copas diante do sequestro sofrido por CartaCapital em Goiânia no dia da chegada às bancas da sua última edição? Lembrei-me dos tempos da ditadura em que a Veja dirigida por mim era apreendida pela PM.
              A omissão da mídia nativa é um clássico, precipitado pela peculiar convicção de que fato não noticiado simplesmente não se deu. Não há somente algo de podre nas redações, mas também de tresloucado. Este aspecto patológico da atuação do jornalismo pátrio acentua-se na perspectiva de novas e candentes revelações contidas no relatório da PF. Para nos esclarecer, mais e mais, a respeito da influência de Cachoeira junto ao governo tucano de Goiás e da parceria entre o bicheiro e o jornalista Policarpo. E em geral a dilatar o alcance da investigação policial.
              Quanto à jornalística, vale uma súbita, desagradável suspeita. Como se deu que os trechos do documento relativos às conversas entre Cachoeira e Policarpo tenham chegado à redação de Veja? Sim, a revista os publica, quem sabe apenas em parte, para demonstrar que o chefe da sucursal cumpria dignamente sua tarefa profissional. Ou seria missão? No entanto, à luz de um princípio ético elementar, o crédito conferido pelo jornalista às informações do criminoso configura, por si, a traição aos valores da profissão. Quanto à suspeita formulada no início deste parágrafo, ela se justifica plenamente: é simples supor vazamento originado nos próprios gabinetes da PF. E vamos assim de traição em traição.
              A receita não a dispensa, a traição, antes a exige nas mais diversas tonalidades e sabores. A ser misturada, para a perfeição do guisado, com hipocrisia, prepotência, desfaçatez, demagogia, arrogância etc. etc. E a contribuição inestimável da mídia, empenhada em liquidar rapidamente o caso Demóstenes, para voltar, de mãos livres, à inesgotável tentativa de criar problemas para o governo. Os resultados são decepcionantes, permito-me observar. A popularidade da presidenta Dilma acaba de crescer de 72% para 77%.
              E aqui constato haver quem tenha CartaCapital como praticante de um certo, ou incerto, “jornalismo ideológico”. Confesso, contristado, minha ignorância quanto ao exato significado da expressão. Se ideológico significa fidelidade canina à verdade factual, exercício desabrido do espírito crítico, fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste, então a definição é correta. E é se significa que, no nosso entendimento, a liberdade é apanágio de poucos, pouquíssimos, se não houver igualdade. A qual, como sabemos, no Brasil por ora não passa de miragem.
              E é se a prova for buscada na nossa convicção de que Adam Smith não imaginava, como fim último do capitalismo, fabricantes de dinheiro em lugar de produtores de bens e serviços. Ou buscada em outra convicção, a da irresponsabilidade secular da elite nativa, pródiga no desperdício sistemático do patrimônio Brasil e hoje admiravelmente representada por uma minoria privilegiada exibicionista, pretensiosa, ignorante, instalada no derradeiro degrau do provincianismo. Ou buscada no nosso apreço por toda iniciativa governista propícia à distribuição da renda e à realização de uma política exterior independente.
              Sim, enxergamos no tucanato a última flor do udenismo velho de guerra e em Fernando Henrique Cardoso um mestre em hipocrisia. Quid demonstrandum est pela leitura do seu mais recente artigo domingueiro na página 2 do Estadão. O presidente da privataria tucana, comprador dos votos parlamentares para conseguir a reeleição e autor do maior engodo eleitoral da história do Brasil, afirma, com expressão de Catão, o censor, que se não houver reação, a corrupção ainda será “condição de governabilidade”.
              Achamos demagógica e apressada a decisão de realizar a Copa no Brasil e tememos o fracasso da organização do evento, com efeitos negativos sobre o prestígio conquistado pelo País mundo afora nos últimos dez anos. Ah, sim, estivéssemos de volta ao passado, a 2002, 2006 e 2010, confirmaríamos nosso apoio às candidaturas de Lula e Dilma Rousseff. Se isso nos torna ideológicos, também o são os jornais que nos Estados Unidos apoiaram e apoiarão Obama, ou que na Itália se colocaram contra Silvio Berlusconi. Ou o Estadão, quando em 2006 deu seu voto a Geraldo Alckmin e em 2010 a José Serra.
              Não acreditamos, positivamente, que de 1964 a 1985 o Brasil tenha sido entregue a uma “ditabranda”, muito pelo contrário, embora os ditadores, e seus verdugos e torturadores, tenham se excedido sem necessidade em violência, por terem de enfrentar uma resistência pífia e contarem com o apoio maciço da minoria privilegiada, ou seja, a dos marchadores da família, com Deus e pela liberdade. Hoje estamos impavidamente decepcionados com o comportamento de muitos que se apresentavam como esquerdistas e despencaram do lado oposto, enquanto gostaríamos que a chamada Comissão da Verdade atingisse suas últimas consequências.
              Agora me pergunto como haveria de ser definido o jornalismo dos demais órgãos da mídia nativa, patrões, jagunços, sabujos e fâmulos, com algumas exceções, tanto mais notáveis porque raras. Ideologias são construídas pelas ideias. De verdade, alimentamos ideias opostas. Nós acreditamos que algum dia o Brasil será justo e feliz. Eles querem que nada mude, se possível que regrida.


               

              Mas o Policarpo é o dono da Veja?

               


              O site Brasil 247 diz que a Veja cogita lançar seu editor Policarpo Júnior à  cachoeira. Ou ao Cachoeira, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, com quem Policarpo mantina intensas relações.
              “Acostumada a provocar CPIs, a revista Veja está prestes a se tornar protagonista de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Tudo em função das estreitas ligações entre o redator-chefe da revista, Policarpo Júnior, e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Os dois trocaram mais de 200 telefonemas no último ano. Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Cachoeira se vangloriou de ter repassado diversos furos de reportagem ao jornalista – muitos deles, fruto de grampos ilegais. Num outro diálogo, o bicheiro deu ordens a um assessor para que buscasse Policarpo no “aeroporto pequeno”, num indício de que talvez tenha mandado um avião particular buscá-lo.
              Por essas e, possivelmente, outras contidas nas duas centenas de diálogos gravados entre Policarpo e Cachoeira,segundo o 247, ” nesta sexta-feira, discutiu-se na Abril se a melhor saída não seria o afastamento de Policarpo – ainda que temporário – para tentar estancar o problema.”
              É duvidoso que tome este caminho, ao menos por enquanto. A Veja deste final de semana é a prova de que, embora pouco sustentável, o caminho da revista será o mesmo que seus comandados da mídia já vinha experimentando ao longo da semana.
              Como não dava para, como na edição anterior, escapar de novo pela tangente, a conversa da cortina de fumaça foi a saída.
              Ainda não tive acesso ao conteúdo, mas já sei que a revista “culpa” Lula – como também se adiantou aqui – pelo escândalo, como se o ex-presidente fosse o mentor de uma investigação que – não é, Dr. Gurgel? – está parada há tento tempo.
              E o Estadão “psicografa” o conteúdo de uma conversa privada entre Lula e Dilma, na qual, claro, a presidente pediria ao “malvado” Lula que não fizesse isso, não…
              Dá para compreender o ridículo da estratégia da mídia conservadora?
              Se não há nenhuma ligação entre Cachoeira, Demóstenes, seus agentes na imprensa e o dito “mensalão”, em que este poderia ser “cortina de fumaça”?
              Em que um homem recém saído de uma dolorosa e massacrante terapia de câncer, cujos passos e encontros têm sido públicos e fartamente divulgados, poderia estar conspirando contra os fatos? Sim, porque nem com uma Polícia Federal tucana e com os radinhos Nextel fajutos que o Cachoeira achava serem à prova de grampo, isso poderia estar acontecendo…
              Mas Veja tem lá sua razão. Há mesmo uma cortina de fumaça.
              É a dos que não querem que se investigue – ou já antecipam uma desqualificação da CPI – os subterrâneos das conspirações da oposição contra os dois governos Lula e, agora, o governo Dilma.
              E essa vai aparecer, porque é impossível separar a atuação de Cachoeira e suas pressões da sua ligação, da sua associação íntima com a Veja – que é uma espécie de quartel-general do “Comando Marrom” .
              Nela, Policarpo Júnior era apenas o elo, porque por mais poder interno que tivesse, não tem autonomia para conduzir, por anos a fio, a linha assumida pela revista, embora a ela se prestasse a servir com indizível prazer.
              A cortina de fumaça está mesmo lá.
              O elo Policarpo conduz ao comando deste sistema de mídia que domina o país.
              Talvez aí, de verdade, esteja a verdade da profecia de Carlinhos Cachoeira, na frase em que disse que, com o material que por oito anos “plantou” na Veja, estava limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil”.
              Sim,o bicheiro talvez termine por fazer isso.
              Cachoeira pode mesmo levar a Veja de roldão.

              Demóstenes continua a editar a Veja

               

              Pig na mira da CPI

              VEJA: QUEM ESTÁ ALIMENTANDO O PIG.


              Nos últimos dias, o grande alimentador das matérias jornalísticas é o senador Demóstenes Torres. Ele, na condição de réu, passou a ter acesso às peças do inquérito Monte Carlo e, agora, vem vazando as informações que interessam a ele e a Cachoeira serem veiculadas pela imprensa amiga, do jeito que é conveniente a esta veicular. Todo circo montado pela Globo em torno dos telefonemas de Protógenes e em torno da Delta, visam unicamente a tirar Cachoeira, Demóstenes e Perillo do centro das discussões e chantagear os integrantes da CPI. Como na Itália, antes da operação Mãos Limpas, a imprensa brasileira tornou-se hoje um monstrengo em que o partidarismo político casou-se com a criminalidade. Ajudou a sepultar a Operação Satiagraha e a operação Castelo de Areia; fez de conta que não viu o livro Privataria tucana e, agora, quer sepultar a Operação Monte Carlo. Assim, protege os seus aliados políticos e seus aliados criminosos, que, são ao mesmo tempo suas fontes e seus patrocinadores.

              Desembargador ataca bandoleiros da mídia.Presidente do TRF3 propõe ‘habeas mídia’

               

              Desembargador critica o que chama de 'bandoleiros de plantão'

              Saiu no Estadão.


               

              SÃO PAULO – Sob a incrível montanha de ações que desafiam sua corte, o desembargador Newton De Lucca, presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), também poeta e escritor, entregou-se a uma cruzada: defende “irrestritamente” a criação de um “habeas mídia”, segundo sua definição um mecanismo que seria usado para “impor limites ao poder de uma certa imprensa”.


              “O habeas mídia seria um instrumento para a proteção individual, coletiva ou difusa, das pessoas físicas e jurídicas, que sofrerem ameaça ou lesão ao seu patrimônio jurídico indisponível, por intermédio da mídia”, propõe.


              De Lucca sugeriu pela primeira vez o habeas mídia no discurso de sua posse, em 2 de abril, perante plateia de magistrados, advogados, juristas, três ministros do Supremo Tribunal Federal – entre eles o novo presidente da corte máxima, Ayres Britto -, o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, e o vice-presidente da República, Michel Temer, que o aplaudiram.


              Ao revelar sua meta, jogou sobre a mídia expressão de autoria da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, que apontou a existência de “bandidos de toga” e abriu crise sem igual na magistratura.


              Servirá o habeas, prevê De Lucca, “não apenas em favor dos magistrados que estão sendo injustamente atacados, mas de todo o povo brasileiro, que se encontra a mercê de alguns bandoleiros de plantão, alojados sorrateiramente nos meandros de certos poderes midiáticos no Brasil e organizados por retórica hegemônica, de caráter indisfarçavelmente nazofascista”.


              Autor de Pintando o Sete e Odes e Pagodes, coletâneas de poesias, De Lucca afirma que já foi “injustamente atacado, em passado não muito distante”. Aponta para “jornalismo trapeiro que impede a criação de uma opinião pública livre e legítima”.


              O desembargador declarou, ainda na posse: “Continuarei a nutrir minha aversão congênita pelas pirotecnias enganosas do establishment atual, que não distingue a liberdade da libertinagem, as prerrogativas dos privilégios, a qualidade da quantidade, e ainda faz do embuste e do patrulhamento ideológico o apogeu da tirania”. “Almejamos e preconizamos uma imprensa livre”, afirmou De Lucca. “Enquanto investigativa e criteriosa há de merecer todo nosso respeito e loas. Por outro lado, há de ser solenemente repudiado aquele jornalismo trapeiro.”


              Ao Estado, por escrito, De Lucca recorreu à veia poética. “Por jornalismo trapeiro quis me referir àqueles que não estão preocupados em divulgar a verdade dos fatos, a eles absolutamente despicienda, mas em propalar algo que possa despertar uma atitude de suspicácia naqueles que leem a notícia. Claro que trapeiros vem de trapos, e por mim a palavra foi usada como figura de retórica, denotativa de algo desqualificado e rastaquera.”


              O desembargador revela confusão quando instado a definir como iria operar o habeas mídia. “É uma expressão cunhada pelo professor gaúcho Sérgio Borja numa conferência por ele proferida na Universidade de Lomas de Zamora.” Segundo De Lucca, também o professor Paulo Lopo Saraiva defende o mesmo modelo. “Trata-se de impor limites ao poder de uma certa imprensa, ou exatamente ao jornalismo trapeiro a que me referi.”


              Sobre os “bandoleiros de plantão”, refugiou-se no silêncio. “Prefiro não nominá-los, quer porque preciso ter paz para trabalhar, não podendo perder meu tempo com niquices, quer porque prefiro que cada um vista o seu próprio capuz.”

              O DISPOSITIVO ENTRA EM CENA

              LEIA MAIS AQUI) **FRANÇA: a uma semana do pleito, o candidato socialista François Hollande volta a liderar todas as pesquisas de intenção de voto e Mélenchon está perto dos 15%**

               CÓDIGO FLORESTAL: Dilma veta anistia a desmatamento de grandes proprietários; manchete da Folha, em letras garrafais: "Planalto cede aos ruralistas"

              ** FOLHA, uma credibilidade em ruína **DEMÓSTENES: " o importante é a causa e a causa em SP é Serra ganhar a eleição contra esse projeto maluco do PT " (Valor 26-02)
               


              Passado o primeiro momento de perplexidade e catatonia, depois que  savonarolas, bicheiros e jornalistas  foram flambados nas próprias chamas, o dispositivo midiático demotucano se recompõe. A pasmaceira aos poucos recupera a afinação cúmplice de um coral de igreja: o importante no primeiro momento  é confundir. A desempenadeira torta da suspeição entra em campo para nivelar partidos  e reputações. A mensagem é martelada: a política é uma confederação de quadrilhas; todos os gatos são pardos. Instalada a neblina, a hierarquia se inverte: o secundário se sobrepõe ao principal. Demóstenes & Cia são vítimas de uma estratégia do PT para encobrir o 'mensalão que Gilmar Mendes quer julgar antes das eleições municipais (leia-se: antes que Serra naufrague em SP). Sombra e luz, tudo a mesma coisa. Agora é fixar a versão: não há mais fatos A versão diz que a verdadeira origem e destino da corrupção é o governo e o PT. A mídia vocifera e o judiciário togado de conservadorismo insolente pontua. Nivelado o terreno, borbulha a cachoeira de recados. A chantagem se amolda ao veículo e ao grau de cinismo do emissor. Oscila da sutileza ao ranger descarado dos blindados golpistas. Mas a ameaça velada a Lula é uma só: 'E aí, vai encarar?'. Deveria. Dificilmente haverá outro momemto tão pedagógico para desnudar o condomínio midiático-conservador que tem feito gato e sapato da democracia brasileira. Sempre em nome da ética.

              sexta-feira, 13 de abril de 2012

              O contador e as fitas que estão por aí

              Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

              A Globo pediu acesso a todos os documentos da Operação Monte Carlo, que resultaram num processo que corre em segredo de Justiça, no STF. A Carta Maior também pediu. O acesso foi negado a ambos.

              Demóstenes Torres, como parte envolvida, teve acesso.

              Curiosamente, por pura coincidência, depois que isso aconteceu sobrou para Protógenes Queiroz, Agnelo Queiroz e a construtura Delta — a construtora do PAC, grita O Globo –, que também seria a favorita de Sergio Cabral.



              O objetivo que precede a CPI é jogar a rede o mais amplamente possível, suscitar medos e, ainda que não impeça a Comissão, domá-la desde o início.

              Al Capone não faria melhor.

              Faz sentido a notícia de que a tática dos acusados seria a de não falar absolutamente nada durante os depoimentos, deixando a bomba explodir no colo dos políticos e agentes públicos convocados.

              Não digo que a tática vá funcionar, mas que faz sentido divulgar a suposta tática agora, colocando minhoca na cabeça dos deputados e senadores antes que eles criem a CPI.

              Mas será que eu assino esta CPI, que pode se voltar contra quem a criou?

              O movimento inclui jogar Lula — que apóia a CPI — contra Dilma que, segundo a Folha de S. Paulo, teme a investigação. Mas, será que teme mesmo?

              O movimento inclui dizer que o PT pretende usar politicamente a CPI para cercear a liberdade de imprensa.

              Compreendam: a mídia corporativa tem muito a perder com a CPI do Cachoeira. Pela primeira vez na história da República, o grande público terá acesso aos métodos aplicados em nome do “jornalismo investigativo” e à relação entre arapongas e redações. São estes métodos que garantem à mídia ascendência sobre políticos e agentes públicos e, portanto, atendimento a importantes interesses econômicos. Ou vocês acreditam que os tucanos alimentam a mídia paulista por achá-la boazinha?

              Além disso, as capas bomba da revista Veja eram repercutidas automaticamente, sem qualquer questionamento. A bola rolava na revista, era impulsionada pelo JN de sábado e ganhava as páginas de O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo já no domingo. A ordem era repercutir, repercutir, repercutir. Se possível, com novos ângulos e novas investigações. O mar de lama, curiosamente, só banhava uma praia.

              Não foi por acaso que nada menos que quatro senadores se negaram a relatar as acusações contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética do Senado, Lobão Filho (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI), Gim Argello (PTB-DF) e Renan Calheiros (PMDB-AL). O que Demóstenes teria guardado contra eles?

              Sobrou para o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE).

              Costa, lembrem-se, foi acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, que atuou no Ministério da Saúde desde “o governo anterior”, como em priscas eras o JN se referia ao governo de FHC. Em 2006, na semana que antecedia o primeiro turno das eleições, o Jornal Nacional noticiou com destaque o indiciamento dele — que era candidato a governador de Pernambuco — no inquérito, ao lado do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Mas a lista de indiciados era muito mais longa e incluía gente próxima do ex-ministro José Serra, como Platão Fischer-Pühler — Serra concorria ao governo paulista. A lista completa dos indiciados, disse Fátima Bernardes naquela ocasião, você vê no site do Jornal Nacional.

              Posteriormente, Costa foi inocentado de todas as acusações. Mas, em 2006, nem chegou ao segundo turno.

              Se a CPI sair — só acredito vendo –, vai nascer amedrontada. Tem muita gente com muito a perder. Ou será que teremos um acordão no fim-de-semana? É esperar e ver…

              PS do Viomundo: Fonte bem informada, que nunca nos decepcionou, diz que o homem-chave continua foragido, o contador de Carlinhos Cachoeira, Giovani Pereira da Silva. Giovani, diz a fonte, guardava num cofre as fitas produzidas pela arapongagem a serviço de Cachoeira. Nos próximos dias podem vazar fitas, que serão atribuídas ao inquérito mas na verdade são do arquivo de Cachoeira. A própria fonte, no entanto, disse que às vezes é impossível discernir quem está a serviço de quem, no submundo de Brasília. Há, segundo ele, brincando, “agentes duplos, triplos e quadrúpedes”.

              Diálogos no JN desmentem o JN (de novo)

              O jornal Nacional ignorou a informação de que, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski cobrou explicações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), sobre as recorrentes citações nas conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal (PF) para a Operação Monte Carlo.
              Segundo uma nota publicada no jornal Correio Braziliense, na última segunda-feira, dia 9, Lewandowski expediu os ofícios para o governador e para o prefeito, que ainda não elaboraram as respostas ao ministro. Os pedidos de explicação foram feitos dentro do inquérito aberto pelo STF para investigar os indícios de crime na relação de amizade entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO).
              O procedimento corre em segredo de Justiça, mas o jornal diz que apurou as razões para as citações oficiais de Perillo no inquérito. Nos grampos telefônicos remetidos ao STF, com o envolvimento de parlamentares do esquema de Cachoeira, os nomes do governador e do prefeito são frequentemente citados.
              Em razão desse envolvimento, o STF poderá investigar os dois, caso haja solicitação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Por enquanto, o inquérito foi aberto apenas para investigar Demóstenes. Outros três parlamentares deverão ser investigados – Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO), Sandes Júnior (PP/GO) e Stepan Nercessian (PPS/RJ) – em razão dos indícios de crime deduzidos a partir dos diálogos telefônicos trocados com Cachoeira.
              Mas o jornal nacional da Globo preferiu a trama do novelão anti-Agnelo Queirós, que continuou ne edição de quinta-feira. Só que a análise dos diálogos divulgados não batem com a narrativa de William Bonner.
              Eis um trecho do JN:
              No dia 30 de março, Idalberto Matias, o Dadá, um dos principais auxiliares de Cachoeira, conversa com o então diretor da empresa Delta, Cláudio Abreu. Abreu reclama que os pedidos da empresa não estão sendo atendidos e diz que vai procurar o governador:
              “Não dá mais rapaz, nós ‘tamos’ sem receber, não cai dinheiro. Nós temos uma audiência, pode falar que o governador mandou me chamar, quer conversar comigo. Então, eu vou ter que tratar direto é com governador, como é que eu faço?”.
              O JN, de novo, manipula o telespectador para esconder informação, e transforma o diálogo em monólogo. Mesmo assim, pelo diálogo seguinte dá para entender que Dadá estava pedindo dinheiro para pagar gente que estava na 'folha de pagamento' de Cachoeira.
              Cláudio Abreu diz que não tem o dinheiro porque o governo Agnelo não está atendendo os pleitos dele. Ou seja, se ele queria fazer maracutaia, não estava conseguindo. Parece até pior para a Delta: o contexto dá a entender que o governo Agnelo estaria até congelando pagamentos.
              Aí Cláudio Abreu diz que tem uma audiência (coisa normal entre fornecedores que tem contratos e estão com pagamentos atrasados), sem especificar se é com a presença do governador .
              Então ele manda Dadá dizer para os outros "pode falar que o governador mandou me chamar, quer conversar comigo. Então, eu vou ter que tratar direto é com o governador, como é que eu faço?" - Ora, o "pode falar..." significa que ele está inventando para se valorizar. Ele tinha uma audiência marcada sabe-se lá com quem, e diz uma bravata para não perder a imagem de ter prestígio e ser influente.
              Aí o Jornal Nacional continua seu roteiro de novela:
              Dadá repassa o descontentamento da Delta para Marcelo Lopes, ex-assessor de Agnelo, e diz que a direção da empresa no Rio de Janeiro vai cobrar a fatura da campanha.
              DADÁ - A chefia do Rio entendeu. É que mexeu com... Ele ficou fora da negociação de campanha, que as autoridades lá do Rio de Janeiro que vieram. Então as autoridades do Rio que se mexeram, né? Cobraram a fatura aí, né?
              MARCELÃO - Entendi, beleza. Quando eu sair daqui, te dou uma ligada.
              DADÁ - O Cláudio Abreu, ele tem chefe, cara. Ele é simplesmente diretor regional. Em cima dele tem muita gente e a diretoria lá em cima. O Cláudio não participou da negociação da campanha. Os caras dizem assim “Pô o Cláudio não ‘tá’ resolvendo”. O pagamento não sai, entendeu? Então eu vou em cima do zero-um, meu irmão.
              Mas o roteirista da novela do JN entrou em contradição e perdeu o nexo:
              O Dadá doura a pílula ao repassar sua versão da desculpa que Claudio havia mandado dizer para atrasar o pagamento de Marcelão. Logo, Marcelão não sabe bulhufas do que se passa no gabinete de Agnelo, para precisar ser informado através de Dadá.
              O JN havia dito no capítulo do dia anterior que Marcelão seria um assessor direto de Agnelo, insinuando que teria poder para traficar influência junto à Agnelo, coisa que os diálogos acima desmentem categoricamente.
              De novo, se isolar os fatos, ou seja, os diálogos e as pessoas, eles dementem a "explicação" que Bonner quer passar ao telespectador. Em vez de incriminar o governador, os diálogos o inocentam.
              E tal qual uma novela, no JN teve repetição das cenas do capítulo anterior. Aguardamos os próximos capítulos, porque até que está divertido desmantelar as mentiras do telejornal.

              A tranquilidade dos petistas

              Quem conhece o modus operandi de Cachoeira sabe que se ele tivesse algo concreto contra Agnelo, já estaria na capa da revista Veja há muito tempo (e esse diálogo aí em cima tem mais de um ano). Basta lembrar o que aconteceu com Waldomiro Diniz, quando não atendeu os interesses do bicheiro.
              Além disso, o deputado Fernando Ferro (PT/PE) disse “não estar nem aí” para a imprensa querer intimidar através de ataques à Agnelo:
              “Não, de forma alguma, é motivo para investigar e esclarecer. E nós não podemos aceitar acusações simplesmente como tentativa de desviar o foco, uma vez que o centro desta corrupção está no DEM, está aí nos setores da mídia que participou desse esquema de escândalo e faz parte da articulação do Cachoeira. Se tiver alguém do PT envolvido nisso, na investigação vai aparecer. E aí não tem motivo para ter medo. Se tiver culpa eu sinto muito, a nossa posição tem de ser esclarecer, isso é em benefício da democracia, do próprio partido e da política limpa. Eu me recuso a aceitar acusações sem ter investigação, me recuso a não fazer a investigação, que aí é o pior dos mundos”.
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              sexta-feira, 13 de abril de 2012

              Diálogos no JN desmentem o JN (de novo)

              O jornal Nacional ignorou a informação de que, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski cobrou explicações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), sobre as recorrentes citações nas conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal (PF) para a Operação Monte Carlo.
              Segundo uma nota publicada no jornal Correio Braziliense, na última segunda-feira, dia 9, Lewandowski expediu os ofícios para o governador e para o prefeito, que ainda não elaboraram as respostas ao ministro. Os pedidos de explicação foram feitos dentro do inquérito aberto pelo STF para investigar os indícios de crime na relação de amizade entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO).
              O procedimento corre em segredo de Justiça, mas o jornal diz que apurou as razões para as citações oficiais de Perillo no inquérito. Nos grampos telefônicos remetidos ao STF, com o envolvimento de parlamentares do esquema de Cachoeira, os nomes do governador e do prefeito são frequentemente citados.
              Em razão desse envolvimento, o STF poderá investigar os dois, caso haja solicitação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Por enquanto, o inquérito foi aberto apenas para investigar Demóstenes. Outros três parlamentares deverão ser investigados – Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO), Sandes Júnior (PP/GO) e Stepan Nercessian (PPS/RJ) – em razão dos indícios de crime deduzidos a partir dos diálogos telefônicos trocados com Cachoeira.
              Mas o jornal nacional da Globo preferiu a trama do novelão anti-Agnelo Queirós, que continuou ne edição de quinta-feira. Só que a análise dos diálogos divulgados não batem com a narrativa de William Bonner.
              Eis um trecho do JN:
              No dia 30 de março, Idalberto Matias, o Dadá, um dos principais auxiliares de Cachoeira, conversa com o então diretor da empresa Delta, Cláudio Abreu. Abreu reclama que os pedidos da empresa não estão sendo atendidos e diz que vai procurar o governador:
              “Não dá mais rapaz, nós ‘tamos’ sem receber, não cai dinheiro. Nós temos uma audiência, pode falar que o governador mandou me chamar, quer conversar comigo. Então, eu vou ter que tratar direto é com governador, como é que eu faço?”.
              O JN, de novo, manipula o telespectador para esconder informação, e transforma o diálogo em monólogo. Mesmo assim, pelo diálogo seguinte dá para entender que Dadá estava pedindo dinheiro para pagar gente que estava na 'folha de pagamento' de Cachoeira.
              Cláudio Abreu diz que não tem o dinheiro porque o governo Agnelo não está atendendo os pleitos dele. Ou seja, se ele queria fazer maracutaia, não estava conseguindo. Parece até pior para a Delta: o contexto dá a entender que o governo Agnelo estaria até congelando pagamentos.
              Aí Cláudio Abreu diz que tem uma audiência (coisa normal entre fornecedores que tem contratos e estão com pagamentos atrasados), sem especificar se é com a presença do governador .
              Então ele manda Dadá dizer para os outros "pode falar que o governador mandou me chamar, quer conversar comigo. Então, eu vou ter que tratar direto é com o governador, como é que eu faço?" - Ora, o "pode falar..." significa que ele está inventando para se valorizar. Ele tinha uma audiência marcada sabe-se lá com quem, e diz uma bravata para não perder a imagem de ter prestígio e ser influente.
              Aí o Jornal Nacional continua seu roteiro de novela:
              Dadá repassa o descontentamento da Delta para Marcelo Lopes, ex-assessor de Agnelo, e diz que a direção da empresa no Rio de Janeiro vai cobrar a fatura da campanha.
              DADÁ - A chefia do Rio entendeu. É que mexeu com... Ele ficou fora da negociação de campanha, que as autoridades lá do Rio de Janeiro que vieram. Então as autoridades do Rio que se mexeram, né? Cobraram a fatura aí, né?
              MARCELÃO - Entendi, beleza. Quando eu sair daqui, te dou uma ligada.
              DADÁ - O Cláudio Abreu, ele tem chefe, cara. Ele é simplesmente diretor regional. Em cima dele tem muita gente e a diretoria lá em cima. O Cláudio não participou da negociação da campanha. Os caras dizem assim “Pô o Cláudio não ‘tá’ resolvendo”. O pagamento não sai, entendeu? Então eu vou em cima do zero-um, meu irmão.
              Mas o roteirista da novela do JN entrou em contradição e perdeu o nexo:
              O Dadá doura a pílula ao repassar sua versão da desculpa que Claudio havia mandado dizer para atrasar o pagamento de Marcelão. Logo, Marcelão não sabe bulhufas do que se passa no gabinete de Agnelo, para precisar ser informado através de Dadá.
              O JN havia dito no capítulo do dia anterior que Marcelão seria um assessor direto de Agnelo, insinuando que teria poder para traficar influência junto à Agnelo, coisa que os diálogos acima desmentem categoricamente.
              De novo, se isolar os fatos, ou seja, os diálogos e as pessoas, eles dementem a "explicação" que Bonner quer passar ao telespectador. Em vez de incriminar o governador, os diálogos o inocentam.
              E tal qual uma novela, no JN teve repetição das cenas do capítulo anterior. Aguardamos os próximos capítulos, porque até que está divertido desmantelar as mentiras do telejornal.

              A tranquilidade dos petistas

              Quem conhece o modus operandi de Cachoeira sabe que se ele tivesse algo concreto contra Agnelo, já estaria na capa da revista Veja há muito tempo (e esse diálogo aí em cima tem mais de um ano). Basta lembrar o que aconteceu com Waldomiro Diniz, quando não atendeu os interesses do bicheiro.
              Além disso, o deputado Fernando Ferro (PT/PE) disse “não estar nem aí” para a imprensa querer intimidar através de ataques à Agnelo:
              “Não, de forma alguma, é motivo para investigar e esclarecer. E nós não podemos aceitar acusações simplesmente como tentativa de desviar o foco, uma vez que o centro desta corrupção está no DEM, está aí nos setores da mídia que participou desse esquema de escândalo e faz parte da articulação do Cachoeira. Se tiver alguém do PT envolvido nisso, na investigação vai aparecer. E aí não tem motivo para ter medo. Se tiver culpa eu sinto muito, a nossa posição tem de ser esclarecer, isso é em benefício da democracia, do próprio partido e da política limpa. Eu me recuso a aceitar acusações sem ter investigação, me recuso a não fazer a investigação, que aí é o pior dos mundos”.