Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A saga dos lacerdinhas e o fim do monopólio do rótulo


Durante muito anos, ouvindo rádio, vendo televisão e lendo jornais, eu me espantava com uma unanimidade: todos os dias os mesmos rotulavam as mesmas pessoas.
Todos os dias os mesmos rotulavam pomposamente seus oponentes de:
– Radicais
– Xiitas
– Fundamentalistas
– Ecochatos
– Malas
– Ignorantes
– Retrógrados
– Intransigentes
– Fanáticos
– Raivosos
– Obcecados ideológicos
Faziam isso em vários registros: ataques diretos, tom de ironia, pretenso humor, etc.
Tinham o monopólio do insulto, da rotulação, da etiquetagem. Só eles falavam. Era tanta convicção que não parecia haver espaço para a dúvida ou para o questionamento. Quem ia ver de muito perto o que estava acontecendo, claro, descobria o óbvio:
– Radicais, xiitas, fundamentalistas, malas, ecochatos, ignorantes, retrógrados, intransigentes, raivosos, fanáticos e obcecados ideológicos era todos os que atrapalhavam os interesses daqueles que tinham o monopólio do rótulo na mídia amiga.
Curiosamente quase todos os rótulos aplicados por eles cabiam-lhes perfeitamente. Os lacerdinhas podem ser definidos, caracterizados e explicados aos marcianos como:
– Radicais
– Xiitas
– Fundamentalistas
– Agrochatos
– Malas
– Ignorantes
– Retrógrados
– Intransigentes
– Raivosos
– Fanáticos
– Obcecados ideológicos
Há uma diferença: um lacerdinha é fanático, um obcecado ideológico que se acha neutro, acima das ideologias, objetivo, imparcial, detentor da verdadeira verdade.
Cansei de ver pessoas de diferentes partidos, marxistas ou não, sendo rotulados com a maioria das etiquetas aqui apresentadas como sendo meras constatações.
– Leonel Brizola era radical
– Maria do Rosário era fanática, raivosa, intransigente, etc.
– Luciana Genro idem
– Henrique Fontana também
– Heloísa Helena nem se fala.
Toda a esquerda era fundamentalista, fanática, ideológica, intransigente, etc.
Que estranho, que curioso: Paulo Maluf nunca recebia esses rótulos. Podia ser chamado de ladrão, mas de fanático e obcecado ideológico, pelos rotuladores da mídia, não.
Aprendi que todos os fanáticos e radicais eram bem menos fanáticos e radicais que seus rotuladores, que chegavam, e chegam, a babar de raiva e fanatismo quando os rotulam.
Nos últimos anos, depois da morte do fanático principal da mídia fashion, Paulo Francis, que herdara a verve inescrupulosa de Carlos Lacerda, surgiu uma penca de lacerdas com menos brilho, mas com muita baba ideológica: Olavo de Carvalho, o autodenominado filósofo Pondé, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Ali Kamel, Demétrio Magnoli e outros lacerdões, campões de mediocridade obscena, que são os ídolos de lacerdinhas regionais e de lacerdinhas sem mídia, numa cadeia ideológica disseminada.
Falo tudo isso pelo seguinte: muitos lacerdinhas estão ofendidos. Não aceitam ser rotulados. Acham que rotulá-los é desqualificação inaceitável, agressiva e injusta.
Não admitem expressões como “cérebro de ervilha”.
Sentem-se saudades do tempo em que só eles podiam rotular.
Dez maneiras de identificar um lacerdinha:
1 – Um sujeito que, em nome da direita, diz que não há mais direita e esquerda, fazendo, em seguida, um discurso furioso, radical e fanático contra a esquerda que não existe.
2 – Um cara que, em defesa da sua ideologia, afirma que não existem mais ideologias e, na sequência, faz um discurso ideológico fanático contra o ideologismo de esquerda.
3 – Um sujeito que treme de fúria ideológica, chamando seus oponentes de burros, atrasados, imbecis, perigosos e radicais, em nome da neutralidade analítica.
4 – Um cara que, ao ouvir uma crítica a um ditador de direita, acha que haverá necessariamente a defesa de um ditador de esquerda.
5 – Uma figura que jamais criticou a Lei do Boi – cotas para filhos de fazendeiros em universidades públicas –, mas é contra cotas raciais e até sociais.
6 – Um tipo que defende a democracia, mas está disposto a apoiar ditaduras de direita se elas lhe trouxeram benefícios econômicos e silenciarem seus oponentes.
7 – Um “ponderado” analista, defensor do Estado mínimo, que exigirá um Estado máximo quando sua empresa estiver falindo ou precisando de um empréstimo a juros baixos.
8 – Um crítico ferrenho de políticas de compensação por falta de oportunidades equivalentes salvo quando, como produtor, exige compensações por se sentir sem condições equivalentes para competir, por exemplo, no mercado internacional.
9 – Um indivíduo que passa a vida classificando as pessoas em nós e eles, fanáticos e razoáveis, estúpidos e racionais, xiitas e ponderados, e, quando classificado de lacerdinha, faz longos discursos contra esse tipo de simplificação classificatória.
10 – O representante de grupos que sempre encontraram maneiras de obter benefícios a partir de casuísmos, leis de exceção, contingências mais ou menos justificadas, contextos sociais e históricos, mas que, quando seus oponentes se organizam para tirar-lhes privilégios ou reparar prejuízos históricos, transformam-se em defensores de princípios pretensamente racionais, abstratos e universais de concorrência.
Há outras maneiras de identificar um lacerdinha, mais práticas:
– Contra o golpismo de Chávez, mas a favor do golpe no Paraguai
– Contra cotas, aquecimento global, áreas de proteção permanente, pagamento de multas por destruição do meio ambiente, código florestal ambientalista, impostos sobre grandes fortunas, bolsa-família, Prouni e outras políticas ditas assistencialista.
– A favor de incentivos fiscais para empresas multinacionais.
– Contra comissão da verdade e qualquer investigação que possa deixar mal os torturadores do regime militar brasileiro implantado em 1964.
– Contra a corrupção, especialmente se envolver políticos de esquerda, sem a mesma verve quando se trata de alguma corrupto de direita.
– Sempre pronto a chamar de petista quem lhe pisar nos calcanhares.
– Estrategicamente convencido de que a corrupção no Brasil foi inventada pela esquerda.
– A favor da universidade pública para os melhores, desde que o sistema não se alterne e os melhores continuem sendo majoritariamente os filhos dos mais ricos e com melhores condições de preparação e de ganhar uma corrida pretensamente objetiva e neutra.
– A favor, quando se fala em cotas, de melhorar o nível do ensino básico e de ampliar as vagas para evitar políticas discriminatórias, esquecendo das tais melhorias assim que o assunto sai da pauta da mídia ou é superado por alguma final de campeonato.
– Defensor da ideia de que, na vida, é cada um por si, salvo se houver quebra de safra, redução nos lucros, crise econômica internacional ou qualquer prejuízo maior. Nesses casos, o Estado deixa de ser tentacular, abstrato e opressor para ser uma associação de pessoas em favor dos interesses da sociedade na sua totalidade.
Faça o teste: quem preencher 60% dessas características é um lacerdinha.
Teste definitivo: lacerdinha é todo cara que se ofende ao ser chamado de lacerdinha.
 
Juremir Machado

Nassif: Cerra é um psicopata

Para Nassif essa atitude é uma vingança do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo e também uma tentativa de intimidar as empresas que patrocinam os blogs.


Saiu no Brasil Atual:

“Serra é um psicopata”, diz Nassif


Ao comentar a representação que o PSDB apresentou à Procuradoria Geral Eleitoral, onde pede investigações sobre o patrocínio de empresas públicas a sites e blogs, o jornalista Luis Nassif lamenta que o partido tenha entrado no jogo de José Serra. Para Nassif essa atitude é uma vingança do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo e também uma tentativa de intimidar as empresas que patrocinam os blogs. O jornalista afirma que “Serra é um psicopata”. Entrevista à repórter Marilu Cabañas.
Clique aqui e ouça

Em tempo: também do Brasil Atual:

Usuários do Twitter fazem manifestação virtual contra censura de blogues


São Paulo – O termo #SerraCensor conquistou hoje (24) a preferência dos usuários do Twitter: falou-se tanto no desejo de José Serra em calar a voz dos blogues e das redes sociais durante a campanha eleitoral que o ‘apelido’ dado ao candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo alçou a lista dos trending topics, que é como são chamados os assuntos do momento no Twitter.

“#SerraCensor, pode me bloquear, pode me prender, mas eu não mudo de opinião: em você eu não voto não!”, comentou a usuária do Twitter Avelina Martinez, fazendo referência ao samba “Opinião”, de Zé Keti. “Com sua intolerância, #SerraCensor se torna uma vergonha para a democracia no Brasil conquistada com tanta luta, sangue, suor e lágrimas”, arrematou Enio Barroso Filho.

Diante da tentativa do PSDB de barrar páginas da internet críticos a José Serra, alguns usuários do Twitter organizaram o chamado tuitaço – ação organizada na rede social para fazer com que um tema específico entre para os trending topics e chame a atenção da sociedade e dos meios de comunicação. E conseguiram seu objetivo. Por volta das 19h, o deputado federal Paulo Teixeira (PT) anunciava que #SerraCensor havia chegado à terceira posição nos assuntos mais falados do Twitter.

O PSDB entregou ontem à Procuradoria Geral Eleitoral uma representação pedindo a investigação de blogues e sites que considera críticos ao candidato tucano. O partido acredita ser necessário apurar “a utilização de organizações, blogs e sites financiados com dinheiro público, oriundo de órgãos da administração direta e de estatais, como verdadeiras centrais de coação e difamação de instituições democráticas”.

Celso Russomano quer “construir e prevenir” sexualidade de jovens



O jornal O Estado de São Paulo relatou entrevista que lhe concedeu o candidato a prefeito de São Paulo pelo PRB, Celso Russomano, e pacto de apoio mútuo que este teria feito com José Serra para um eventual segundo turno da próxima eleição de forma que aquele, entre os dois, que não passasse do primeiro turno apoiasse aquele que passasse.
Detalhe: os dois candidatos negam o acordo.
Sobre o acordo, se existir, nada a espantar. Como se verá adiante, Russomano e Serra têm visões obscurantistas bastante similares. Em relação à entrevista, o candidato do PRB a prefeito de São Paulo atacou o adversário Fernando Haddad por conta do kit anti-homofobia proposto pelo MEC e posteriormente descartado por pressão de setores religiosos e da mídia.
Durante o ataque ao candidato do PT a prefeito de São Paulo, Russomano exprimiu sua visão espantosa sobre “a sexualidade das pessoas”, que, segundo as suas palavras, pode ser “construída” e precisa ser “prevenida”.
“Eu sou contra a forma como ele foi feito”, disse Russomanno em relação ao projeto para combater a homofobia nas escolas. A frase polêmica que proferiu em seguida é, textualmente, a seguinte: “Não é dessa forma que você vai construir a sexualidade das pessoas. Deveria haver uma aula nas escolas sobre a sexualidade das pessoas, para haver prevenção.”
Russomano, ao contrário do que diz a ciência, parece acreditar que a sexualidade do espécime humano pode ser “construída”, ou seja, formatada, direcionada, quando o que se sabe é que os mamíferos nascem com tendências sexuais intrínsecas que só se guiam pelo inconsciente, desprezando estímulos externos assim como uma pessoa gosta ou não de determinada comida.
Com efeito, não se pode fazer alguém gostar de jiló se a pessoa não gostar. Pode envolvê-lo na mais bela embalagem e todos no entorno devorarem o vegetal que quem não gosta continuará não gostando. Meu filho, por exemplo, odeia tomate. O resto da família adora, come muito, mas ele jamais conseguiu digerir tomate preparado de forma alguma.
Sobre “prevenir sexualidade” de crianças e adolescentes, essa é a parte mais preocupante do pensamento de mais esse esteta do obscurantismo. Prevenção se faz contra doenças. Não se previne orientação sexual porque ser heterossexual, homossexual ou bissexual é da natureza humana e nenhuma dessas formas pode ser dita doentia.
Eis, portanto, o que está em jogo na próxima campanha eleitoral. E não só para os sofridos paulistanos, mas para todo o Brasil, pois esses ideólogos do atraso, da burrice e do preconceito têm evidência nacional e, assim, podem espalhar seus graves problemas psicológicos e essa incapacidade doentia de lidar com a diferença.

                                                    @@@@
PQP, cada doido que aparece !!!!
O sistema educacional público paulista , como é do conhecimento geral , encontra-se na maior penúria porém encontramos pérolas de candidatos, como este senhor, que ao contrário de preocupar-se em melhorar o sistema de ensino, com foco na valorização dos profissionais de ensino, veem com esse tipo de pensamento arcaico fanático religioso de puro preconceito.
O que será que preocupa tanto esta gente em relação a sexualidade alheia? Caso seja por interpretação da leitura bíblica , esse pessoal anda interpretando a sua melhor conveniência. Ou será que esta leitura afeta o cérebro? Creio que não pois eu mesmo estaria lesado e com mesmo tipo de idiotia.

O apedeuta.

BESSINHA

Serra na beira da cachoeira

Veridiana Alimonti: Tabela mostra que brasileiro paga bem mais que estrangeiro por telefonia

por Luiz Carlos Azenha

A advogada Veridiana Alimonti, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), concorda que a recente decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), de suspender as vendas de novos serviços por operadoras de telefonia móvel enquanto elas não apresentarem planos de investimentos para melhoria dos serviços representa uma mudança significativa. Antes a Anatel optava por aplicar multas. Quando pagas, levava meses. Agora a pressão sob as operadoras aumentou, já que as perdas em vendas serão diárias.
Porém, isso não vai ter impacto direto em outra questão que preocupa os usuários: o preço.
O brasileiro paga uma das maiores tarifas de telefonia móvel do mundo, de acordo com estudo divulgado em 2011, com dados de 2010, da International Telecommunication Union. A ITU comparou uma cesta de serviços e ponderou o valor em relação à renda per capita do país. Dentre os 165 países pesquisados, o Brasil apareceu na posição 125 (na sétima coluna, a partir da esquerda, aparece o valor em dólares da cesta):

Segundo a advogada do IDEC, há problemas que vão muito além dos que levaram à suspensão das vendas de novos serviços, ou seja, os problemas na taxa de conexão das chamadas ou a má qualidade no atendimento dos call centers, que não resolvem as reclamações dos usuários.
Veridiana concorda que a legislação municipal brasileira dificulta a instalação de antenas para expansão da rede.
O Brasil tem hoje menos antenas de telefonia móvel que a Itália, por exemplo, um país muito menor.
Independentemente de as operadoras terem razão sobre as dificuldades burocráticas, isso “demonstra que as empresas sabem que estão operando acima de sua capacidade”.
Em outras palavras, Veridiana acredita que as próprias operadoras deveriam fazer uma expansão racional, sem atropelos que tornem ainda pior um serviço sofrível.
Além de novos investimentos, a advogada do IDEC acredita que deva haver um esforço conjunto para sanar o problema da instalação de antenas.
Também é preciso reduzir o custo das tarifas de interconexão, ou seja, os preços pagos por quem faz chamadas fora de sua operadora ou de telefone fixo para celular ou vice-versa.
Finalmente, na opinião de Veridiana Alimonti, as operadoras deveriam compartilhar infraestrutura, evitando triplicar ou quadruplicar equipamentos em determinadas regiões.
Com esse conjunto de medidas os preços de hoje poderiam cair.
Muito embora haja mais linhas de telefonia móvel habilitadas que brasileiros, de acordo com Veridiana ainda há muito usuário sem acesso à telefonia móvel, especialmente na zona rural e nas classes D e E: é que muitos usuários habilitam dois ou três chips diferentes, justamente para tirar proveito das vantagens oferecidas por um sistema “exclusivista”.
“Dá uma impressão muito grande de que avançamos muito na democratização do acesso — praticamente o Brasil inteiro tem telefone celular — mas não é verdade”, afirma.


Dra Cureau, o Conversa Afiada está à sua espera

Se eles pensam que vão calar na Justiça, é inútil.

O ansioso blogueiro está em Londres, onde participa da cobertura das Olimpíadas, na equipe da TV Record.

Nas horas vagas, poucas, dedica-se à leitura de “Dial M for Murdoch – News Corporation and the corruption of Britain”, de Tom Watson e Martin Hickman, que conta como Rupert Civita acabou nas barras da Lei – clique aqui para ler “Justiça inglesa pega Robert(o) Murdoch”.

Amigo navegante liga do Brasil para elogiar o apoio que Rui Falcão, presidente do PT, deu ao ansioso blogueiro e a Luis Nassif, que trata o Padim Pade Cerra pelo que ele é na vida real: o nosso Putin.

Até então o ansioso blogueiro não tinha se dado conta de que, provavelmente, o Padim e o Gigante dos Orçamentos, o Sergio Guerra, presidente do PSDB, recorreram ao Ministério brindeiro Público, e à dra Sandra Cureau para exercer o patético papel de censurar a blogosfera.

Um exercício em blogofobia, como diz o Leandro.

O que o Padim e o Gigante dos Orçamentos fizeram foi, talvez, cair na área porque o juiz dá pênalti.

A Dra Sandra Cureau reaparece do merecido anonimato em períodos eleitorais.

É quando ela tenta fechar a Carta Capital.

E o Conversa Afiadae perde.

O Conversa Afiada já tinha tratado dessa renovada tentativa do Cerra de censurar a blogosfera – como faz com os pobres repórteres do PiG (*) -, da mesma forma que a Folha e o Gilmar tinham antes ameaçado.

Isso não vai longe.

Se eles pensam que vão calar na Justiça, é inútil – comprove na aba “Não me calarão”.

A essa altura das Olimpíadas, quem está com medo da Justiça não são os blogueiros sujos, mas o Brindeiro Gurgel, sob suspeita de ser um prevaricador, e o Robert(o) Murdoch e seus Policarpos.

O competente advogado Cesar Marcos Klouri, que defende o ansioso blogueiro em causas cíveis, está preparado para terçar armas com a Dra Cureau.

Na verdade, deve estar também ansioso para travar essa batalha entre a Luz e a Treva.

Entre a Liberdade de Expressão e a Democracia Russa.

Em tempo: se necessário for, o ansioso blogueiro fará à Dra Cureau o favor de contar como é que funcionava o  Ministério da Comunicação Social, no Governo Cerra/FHC, sob a batuta do Embaixador Andrea Matarazzo. Para ela ter uma ideia de como a Globo nadava de braçada. E Cerra/FHC salvavam a Democracia ! Qualquer dúvida, basta perguntar ao Nizan, que entende muito dessa relação Globo/FHC.

Em tempo 2: para que o amigo navegante não pense que é dura a vida de um enviado especial às Olimpíadas, o ansioso blogueiro assistiu a inesquecível regência de Daniel Barenboim da Sétima de Beethoven, com a West-Eastern Divan Orchestra, num lotado Royal Albert Hall, memorável experiência em si própria. O ansioso blogueiro faz essa inútil observação só para se divertir com um merval global, que foi a uma temporada musical em Viena e registrou no Globo, como se fosse o primeiro a ir a Meca.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Leandro Fortes: a blogofobia de Cerra

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.


Saiu na Carta Capital:

A blogofobia de José Serra


A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.

A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.

Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do Tijolaço.com, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho.

Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo.

Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver.

Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos.

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.

PSDB: O ESTADO-ANUNCIANTE E A LIBERDADE SUJA


*Espanha na contagem regressiva: país decreta a moratória pelas beiradas** hoje foi a vez da comunidade ('estado') da Catalunha anunciar que não tem mais como se financiar;  Valencia e Múrcia fizeram o mesmo dias atrás** governos regionais pedem socorro a Madrid que já não tem onde se ancorar**mercados pressentem a quebra e exigem  juros recordes para emprestar ao Tesouro espanhol, independente do prazo. Difícil.
 
A representação do PSDB ao Procurador Geral Eleitoral contra blogs que criticam suas lideranças e agenda partidária é um pastel revelador. O recheio exala as prendas do quituteiro; a oleosidade da fritura qualifica o estado geral da cozinha. Na primeira mordida fica explícito que a referência de 'bom' jornalismo do PSDB é a revista VEJA, uma ferradura editorial adestrada  para escoicear três dimensões da sociedade: agendas progressistas;  lideranças que as representem; governos que lhes sejam receptivos. Curto e grosso, o poder tucano pleiteia a asfixia publicitária -- com supressão de publicidade estatal-- de qualquer outra forma de imprensa que não se encaixe no tripé que o espelha. A singular concepção de pluralidade afronta boa parte dos sites e blogs  que se reservam o direito de exercer a crítica da sociedade e do desenvolvimento de uma perspectiva não conservadora. 'São blogs sujos', fuzila a representação tucana, cuja coerência não pode ser subestimada. Há esférica sintonia entre a forma como o PSDB se exprime e o higienismo de uma prática que São Paulo, a 'cidade limpa', conhece bem. (LEIA MAIS AQUI )

terça-feira, 24 de julho de 2012

O ANALFABETO POLÍTICO

Cuba, o partido e a fé EM BUSCA DE UMA NOVA LITURGIA

l







por Janette Habe



 Le Monde Diplomatique

Destinado a “atualizar o socialismo”, o processo de reformas levado a cabo pelo presidente cubano Raúl Castro o conduziu a escolher um interlocutor completamente inesperado: a Igreja Católica
  
Em centenas de cartazes agitados pela multidão, uma mesma mensagem: “Boas-vindas à Sua Santidade, o papa Bento XVI”. Estamos em Santiago de Cuba, bastião histórico das guerras de independência, onde o papa celebra uma missa para 200 mil pessoas. Entre os dias 26 e 28 de março, pela segunda vez em catorze anos, o mais alto dignitário da Igreja esteve em visita a um país que outrora teve seu líder histórico excomungado.

Em Cuba, o clero, única instituição nacional independente do governo, não é um interlocutor como qualquer outro. Aquilo que o diplomata Philippe Létrilliart classifica de “concorrência de universalismos”1 – catolicismo e castrismo – tem pouco a pouco dado lugar a uma coexistência pacífica. O político e o religioso agora precisam entrar em acordo. Sentado na primeira fila, durante a cerimônia celebrada por Bento XVI em Santiago de Cuba, Raúl Castro – à frente de um delicado processo de reformas e liberalização econômica – fez da reaproximação com a Igreja um dos eixos de sua presidência. Política que provoca ranger de dentes não apenas nas fileiras do Partido Comunista de Cuba (PCC), mas também entre cristãos e dissidentes.

“Desde a mudança da presidência, há quatro anos”,2 observa o cardeal Jaime Ortega, líder da Igreja em Cuba, “novos ministros e funcionários foram empossados. Uma enorme reforma econômica está em andamento. Ela atinge a agricultura, a construção de moradia, a legalização do trabalho independente, o crédito, a compra e a venda de casas e automóveis e a criação de pequenas empresas privadas”.3 Justamente o que a Igreja pedia em suas preces: “Há muito tempo dizíamos que era preciso mudar o modelo social, econômico, jurídico e político”, observa um editorial da revista católica Espacio Laical (out. 2010), que está no centro dos debates ideológicos e políticos, inclusive os mais delicados. Diante das desigualdades acentuadas pelas atuais reformas e pelo agravamento da pobreza, a Igreja tem algumas armas a oferecer. Com uma rede humanitária nos bairros pobres, ela se encarrega da distribuição de medicamentos e da organização de restaurantes populares. E, favorável à abertura econômica, eis que oferece cursos de contabilidade e informática aos pequenos empreendedores que o Estado tanto sonha ver.

A aproximação entre o partido e a Igreja também resulta de um aggiornamento da hierarquia católica, iniciado em 1986 no Encontro Nacional Eclesiástico Cubano. Para Enrique López Oliva, católico e professor de História das Religiões, “o episcopado cubano está agora dominado pelos partidários da negociação: uma nova geração que não participou dos conflitos das décadas de 1960 e 1970”, e que se distanciou da dissidência e dos cristãos engajados no combate ao regime. Para o cardeal Ortega, “a Igreja não tem por vocação ser o partido de oposição que falta a Cuba”. Lenier Gonzalez, jovem editor da Espacio Laical, confirma: a credibilidade da Igreja “vem do fato de que ela soube manter-se longe do governo cubano, da oposição interna, dos cubanos exilados e do governo norte-americano”.



Idas e vindas

Mas o incômodo, e até desacordo, é evidente entre alguns fiéis. Oswaldo Payá, à frente do Projeto Varela (que coletou mais de 11 mil assinaturas para exigir a revisão da Constituição) e vencedor do Prêmio Sakharov em 2002, considera que a voz da Igreja foi confiscada pela Espacio Laical, que, direta ou indiretamente, apoia o governo. Posição que não é unânime entre o “povo de Deus”: “Jaime [o cardeal Ortega] é meu pastor, eu o respeito, mas ele tem uma orientação política da qual não compartilho. Para ele, é preciso confiar em Raúl e apoiar as mudanças em curso. Isso é uma posição política”.4 O episcopado realmente tem dado muitos sinais de moderação. As “Damas de Branco”, que protestam contra o regime brandindo gladíolos pelas ruas de Havana, aos gritos de “Liberdade, liberdade”, não tiveram direito ao “minuto de audiência” solicitado a Bento XVI, quando este se encontrou com Fidel Castro, o amaldiçoado dos dissidentes. E foi o cardeal quem pediu que a polícia interviesse para acabar com a ocupação de uma igreja em Havana pelos opositores que queriam pressionar o papa.

Mas o clero cubano enfrenta muitas dificuldades. A primeira é o baixo envolvimento dos fiéis: 1% da população da ilha frequenta regularmente a missa de domingo. A segunda é o crescimento de cultos afro-cubanos. A repercussão, por meses, da procissão da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira mestiça de Cuba, evidencia uma religiosidade sincrética. Os líderes católicos querem integrá-la, até anexá-la, mas sem aceitar seus ritos. Terceira dificuldade: o crescimento das Igrejas evangélicas. Nesse contexto, a Igreja “não aspira a recuperar privilégios passados”, garante Jorge Cela, ex-superior da Companhia de Jesus em Cuba, nomeado presidente da Conferência dos Jesuítas da América Latina. Além de provavelmente sonhar em engrossar suas fileiras, “ela deseja simplesmente que seus fiéis encontrem um lugar em uma sociedade plural”.

A Igreja já conseguiu muita coisa. O governo restituiu-lhe imóveis confiscados na revolução de 1959. Em novembro de 2010, o cardeal Ortega inaugurou, na presença do presidente Castro, as novas instalações do Seminário San Carlos, onde se formam futuros sacerdotes, cujo número tem aumentado. O seminário também abriga o Centro Félix Varela, local de debate no qual às vezes se encontram oponentes. Num país em que nem os militantes críticos do PCC podem publicar suas opiniões no jornal do partido, a Igreja dispõe de uma rede de publicações ligadas às dioceses e paróquias (com cerca de 250 mil leitores) e de duas dezenas de mídias digitais. Mas gostaria de ter acesso regular à televisão e ao rádio. E, para o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, “ainda falta resolver o importantíssimo problema da escola”.5 A integração da educação católica ao serviço público é uma prioridade para o episcopado, que sonha em poder ensinar teologia e humanidades nas universidades. “O Estado deve reconhecer à Igreja o papel que lhe cabe na sociedade”, avalia o padre Yosvani Carvajal, reitor do Centro Félix Varela. Castro anunciou: a Sexta-Feira Santa passará a ser feriado.

O lugar dado à Igreja não é unanimidade dentro do PCC, no qual alguns entendem que a estratégia de Castro os enfraquece. Ao transformar a Igreja em mediador legítimo, o presidente cubano levou seu governo a aceitar “concessões possíveis, porém difíceis, muito difíceis de assumir de maneira direta”, resume o sociólogo Aurelio Alonso.6 Um exemplo: em 2010, diante de uma campanha midiática internacional para obter a libertação de 75 presos após a morte do dissidente Orlando Zapata, ao fim de uma greve de fome de 85 dias, o aparelho do PCC viu-se ainda mais desamparado quando outro opositor também começou um perigoso jejum. A Igreja permitiu então que o governo saísse da confusão organizando “entre cubanos” a libertação dos referidos prisioneiros, chegando a participar das negociações com a diplomacia espanhola.



O lugar do Partido Comunista

Os quadros do PCC entenderam muito bem – e alguns temem isto: o lugar da Igreja a partir de agora exige que se reflita sobre o lugar do partido (único) no cenário político. A conferência do PCC realizada em janeiro de 2012 deveria modernizar suas operações e renovar sua direção, aumentar seu prestígio e colocá-lo em ordem de batalha para enfrentar os desafios das reformas econômicas anunciadas há um ano. Embora a reunião tenha confirmado a limitação dos mandatos políticos a dois exercícios de cinco anos e a composição do Comitê Central deva ser renovada em 20% até o próximo congresso (cuja data não foi definida), ela está longe das mudanças anunciadas. Ocorre que o presidente tem 81 anos, e seu sucessor, segundo a Constituição, o número dois do governo, Machado Ventura, logo terá 82... “Renovar a direção do partido” é uma tarefa delicada “na ausência da sucessão geracional”, comentou Castro durante o VI Congresso do PCC, em 2011, parecendo esquecer que ele mesmo afastou dois dos principais dirigentes quinquagenários que poderiam sucedê-lo, Carlos Lage e Felipe Perez Roque, em 2009. Estaria ele considerando uma “mudança” que não passe mais exclusivamente pelo partido?

Cresce o fosso entre o PCC e a população, especialmente nas gerações mais jovens: as questões que ele coloca em nome do povo que deveria representar como “Partido da Nação” não são aquelas que preocupam a maioria dos cubanos. O partido fala em “atualizar o socialismo”; a rua, nas mil e uma maneiras de sobreviver.7 As mídias oficiais praticam um jargão que não diz nada – o teque teque, como dizem os cubanos –, enquanto as discussões abundam em revistas e sites, embora de acesso limitado (apesar da instalação, no ano passado, de um cabo submarino entre a Venezuela e a ilha). Incapaz de promover uma democratização do sistema, a máquina do partido vê sua credibilidade enfraquecer, ainda que Castro tenha o cuidado de sempre relembrar seu lugar “central”.

Apesar de o católico Roberto Veiga criticar “a burocracia que reina sobre o Estado e a sociedade”, os membros mais prudentes do clero não questionam a existência do partido único. Para monsenhor Carlos Manuel de Céspedes, vigário-geral de Havana e conselheiro de redação da Espacio Laical,8 “o partido único não se aborrece com a democracia, assim como o pluripartidarismo não garante seu funcionamento adequado. Mas para que o partido único permita uma democracia real, ele deve funcionar de maneira transparente e aceitar a livre discussão de todos os problemas”. Um pluralismo que a Igreja já pratica em suas revistas.



Aliança para a transição?

Reformar o antigo sistema e “salvar a revolução” supõe assim uma refundação ideológica e espiritual: “A pátria e a fé”, título de um artigo do jornal da juventude comunista Juventud Rebeldede 17 de março de 2012, será o novo credo. Segundo o jornal, “a unidade entre o pensamento revolucionário, a fé e os crentes está enraizada nos próprios alicerces da nação. O amor à pátria e a luta por uma sociedade mais justa não são contraditórios com uma concepção da vida que acredita na transcendência”. Ex-dirigente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) e personalidade histórica da revolução, Alfredo Guevara acrescenta: “Nesta imensa catedral que é a pátria, é preciso inventar uma liturgia para mobilizar as consciências”. Para ele, “a Igreja é um centro de elaboração intelectual, [...] um parceiro maravilhoso para semear a diversidade necessária ao desenvolvimento do país”.9

A transição cubana também se faz do outro lado do estreito da Flórida. Tudo indica que o governo vê com bons olhos a participação dos emigrados na mudança. O cardeal Ortega visitou Washington para pedir a flexibilização das sanções contra Cuba. Comentário do Washington Post, em 25 de março de 2012: “O cardeal cubano transformou-se em real parceiro de Raúl Castro”. A anticastrista Rádio Martí, em Miami, o chamou de “lacaio” (5 maio 2012). “A oligarquia da diáspora sonha com o colapso do país e trabalha para isso”, analisa Veiga. Assim, qualquer coisa que possa facilitar uma mudança comandada por Havana exaspera os exilados. O Vaticano, por sua vez, apoia o clero cubano, que poderia, segundo ele, encarnar um renascimento religioso, símbolo da reconciliação, fraternidade e defesa da soberania nacional. De Roma, a Igreja cubana é vista como mais bem colocada do que outras para enfrentar a concorrência dos protestantes e pentecostais.

Ainda que a palavra “transição” não seja dita, é possível imaginar a Igreja trabalhando em acordo com as Forças Armadas – que administram os setores-chave da economia – para prepará-la, de maneira não violenta e numa perspectiva de normalização com a diáspora? Como escreveu Max Weber, “entre o poder político e o poder religioso, a relação adequada é a do compromisso e da aliança com vistas a uma dominação comum, por uma delimitação de suas respectivas esferas”.10


Janette Habel é professora-doutora na Universidade de Marne-la-Vallée e no Instituto de Altos Estudos da América Latina (Institut des hautes études d'Amérique latina - IHEAL), de Paris.

Ilustração: Gabriel K.


1 Philippe Létrilliart, Cuba, l’Église et la révolution [Cuba, a Igreja e a revolução], L’Harmattan, Paris, 2005.
2 Raúl Castro tornou-se oficialmente presidente no dia 24 de fevereiro de 2008, após ter sido nomeado presidente interino em 31 de julho de 2006, em razão dos problemas de saúde de seu irmão Fidel.
3 L’Osservatore Romano, Cidade do Vaticano, 25 mar. 2012.
4 Citado por Fernando Ravsberg em seu blog Cartas desde Cuba (www.cartasdesdecuba.com), 27 mar. 2012.
5 La Stampa, Roma, 22 mar. 2012.
6 Espacio Laical, Havana, out.-dez. 2010.
7 Ler Renaud Lambert, “Ainsi vivent les Cubains” [Assim vivem os cubanos], Le Monde Diplomatique, abr. 2011.
8 Trineto de seu avô epônimo, o Pai da Pátria, que proclamou a independência de Cuba e libertou os escravos para lutar contra o domínio espanhol.
9 Espacio Laical, out.-dez. 2011.
10 Max Weber, Sociologie des religions [Sociologia das religiões], Gallimard, Paris, 1996, citado por Philippe Létrilliart, op. cit.






 









Mensalão: Jefferson é o que o PiG tem de melhor


Levar o Jefferson a serio dá uma medida do que o PiG é capaz de fazer para Golpear o Dirceu, o Lula e a Dilma.

Saiu no Globo:

Defesa de Roberto Jefferson dirá que Lula sabia do mensalão


Advogado do ex-deputado dirá no STF que ex-presidente ordenou esquema

RIO – A defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos 38 réus do mensalão, vai centrar fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua sustentação oral no julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, dirá que Lula não só sabia da existência de todo o esquema como “ordenou” a sua execução:

— (Lula) Não só sabia (do mensalão) como ordenou toda essa lambança — revelou Barbosa ontem ao GLOBO. — Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.

A tese da defesa, no entanto, contraria as declarações do próprio Jefferson, em 2005, durante seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara. À época, antes de ter seu mandato cassado, o presidente nacional do PTB contou que foi ele quem avisou Lula sobre a existência do mensalão:

(…)




Jefferson é do tipo “diz qualquer coisa”.
Deu aquele FURO histórico à Folha (*), para denunciar o mensalão.
Depois disse que não existe mensalão.
Depois disse que o Lula não sabia.
Agora o advogado diz que ele sabia que o Lula sabia.
Agora, o que ele fez com os R$ 4 milhões que caíram no colo dele … isso ele nunca explicou.
Levar o Jefferson (e seu advogado) a serio dá uma medida do que o PiG (**) é capaz de fazer para Golpear o Dirceu, o Lula e a Dilma, num julgamento só.
Por que os mervistas globais não perguntam ao Jefferson (e a seu advogado) como funcionava a Lista de Furnas ?
Pergunta-se: que destino terá o PiG (**) e seu fanático mervismo, quando o Dirceu for absolvido ?




Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

ESPANHA : AGRURAS DO 'NOVO NORMAL'

*A liberdade é azul: PSDB quer  suprimir publicidade federal em blogs que criticam a agenda da coalizão demotucana; no caso dos veículos do dispositivo conservador, nada a obstar.




Uma aula com Samuel Pinheiro Guimarães

Para analisar a conjuntura da América Latina, um dos principais ideólogos da política internacional do governo Lula resgata a história da política estadunidense para a região antes de situar o golpe no Paraguai, a entrada da Venezuela no Mercosul e os desafios do Brasil em suas relações internacionais. Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que renunciou à a alta representação do Mercosul por uma limitação institucional do posto. "Eu fiz um relatório com um diagnóstico do Mercosul e propostas, mas não houve maior atenção", afirma.

Brasília - Convidado pela Comissão Brasileira Justiça e Paz, CBJP, organismo da CNBB, para falar sobre a conjuntura política da América Latina, especialmente da América do Sul pós-golpe no Paraguai, o embaixador e alto representante geral do Mercosul até junho deste ano, Samuel Pinheiro Guimarães, expandiu o recorte territorial e histórico para introduzir sua análise. “Para compreender essa situação é preciso compreender a política dos EUA para região e para o mundo”.

Segundo o embaixador, o objetivo estratégico permanente dos EUA é integrar todos os países da região numa única área econômica e uma de suas primeiras manifestações neste sentido aconteceu em 1889 na I Conferência Internacional Americana, em Washington, quando propuseram um acordo de livre comércio nas Américas e a adoção do dólar por todos os países. “Um projeto perfeito: de um lado a maior potência industrial do mundo, do outro um grupo de países agrícolas, mineradores, muito pobres, com grandes concentrações de renda”, ironizou.

Durante a conferência houve a proclamação da República no Brasil e a nova delegação brasileira aceitou a proposta estadunidense. “Isto porque uma das características da República era a idéia do panamericanismo e o Brasil queria afastar o estigma do Império, muito ligado à Europa, aos ingleses, uma ameaça aos países vizinhos independentes”, explicou, acrescentando que a área de livre comércio não foi criada por oposição da Argentina. “O antagonismo que existe nos EUA contra a Argentina já vem de longa data”, salientou.

É no pós-Segunda Guerra Mundial, entretanto, que as ações estadunidenses se intensificam rumo aos vizinhos do sul, ainda que antes disto os EUA já tivessem se apropriado de dois terços do território do México, se imiscuído na Nicarágua, República Dominicana, Haiti e Cuba e criado um país, ao separar o Panamá da Colômbia. “A América do Sul era mais distante”, brincou o diplomata, mas “aproximou-se” com as condições criadas após o triunfo em 1945: a Europa e os impérios coloniais destruídos abriram campo para a expansão de seu poderio e a União Soviética, o seu mais novo inimigo número 1, era o sinal de que a tarefa deveria ser cumprida rapidamente. Com a Revolução Cubana, em 1959, os EUA intensificaram a atuação em seu “quintal”.

De um lado, programas de cooperação com a Aliança para o Progresso, de outro, o apoio às violentas ditaduras civis-militares . “Enfatizo o termo civil. Hoje diz-se só militares, mas elas foram apoiadas em grande medida por elites de diferentes setores e meios de comunicação”, destacou. Ao passo em que estes regimes perdiam força – e Guimarães aponta o fato da repressão ter chegado aos setores médios e altos da sociedade como determinantes nesse processo – os EUA passaram a defender a sua substituição, emplacando uma nova plataforma política em prol dos direitos humanos, da democracia e do apoio a partidos políticos no contexto de início do neoliberalismo e de queda da União Soviética.

Dominação pelo mercado
Com a redemocratização da América do Sul a partir da década de 1970 e 1980 e com a ascensão da China no mercado mundial, o objetivo histórico dos EUA aponta cada vez mais para a celebração de acordos econômicos bilaterais, estratégia desenvolvida também em nível multilateral na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 1994, os planos dos EUA dão um salto com a incorporação do México, por iniciativa de seu então presidente Salinas de Gortari, no Tratado Norte Americano de Livre Comércio (Nafta), que contava também com o Canadá. “Causou certa perplexidade porque o México era um tradicional defensor das teses dos países em desenvolvimento, do tratamento preferencial. Aquilo teria um impacto muito grande sobre toda a política dos EUA de relacionamento com os países em desenvolvimento, porque o México era um grande líder com uma mudança de posição tão radical. No mesmo ano os EUA topou a negociação da Alca [Área de Livre Comércio das Américas]”, resgata Guimarães.

O projeto da Alca foi definitivamente arquivado em 2005, na Cúpula de Mar del Plata, Argentina, por atitude coordenada dos presidentes argentino, Nestor Kirchner, e brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, segundo Guimarães. Mas os EUA lograram acordos bilaterais com Chile, Peru e Colômbia depois disto. As negociações com o Equador avançaram bastante, mas foram interrompidas com a vitória de Rafael Correia, assim como Hugo Chávez havia feito em 1999 na Venezuela.

O problema desses acordos, aponta o embaixador, é “estabelecer as mesmas normas econômicas sob uma pretensão de reciprocidade, como se houvessem grandes investimentos de um país menor em outro maior”, impedindo assim o desenvolvimento autônomo das economias mais fracas e levando, quase que automaticamente, a um alinhamento político com os EUA nas grandes questões internacionais. “O Uruguai, que celebrou um acordo desses com os EUA, está sendo processado por uma empresa de cigarros que alega que legislação de controle do fumo do país prejudica seus lucros”, exemplificou.

O problema trágico para os estadunidenses, destaca Guimarães, é que com
regimes democrático na América do Sul, com liberdade de expressão e eleições razoáveis, os presidentes eleitos tendem a ter programas progressistas, ainda que alguns não pretendam executá-los, ressalta. Porém, as elites tradicionais seguem com muita força para eleger seus representantes aos poderes legislativos, formando uma forte barreira de contenção, ao lado de veículos de comunicação, às políticas sociais e de desenvolvimento alternativo. “No Paraguai o presidente progressista sem nenhum apoio no Congresso não conseguiu fazer a sua política, perdendo prestígio junto à população por não executar as promessas de campanha e o próprio Congresso montou um golpe”, elucidou. Quando há maioria legislativa pró-governo progressistas, como na Argentina, onde mesmo os partidos de oposição aprovaram a suspensão do Paraguai e a entrada da Venezuela no Mercosul, por exemplo, o discurso é de que “não há democracia, eles controlam o Congresso”.

O golpe no Paraguai

Samuel Pinheiro Guimarães não hesita em qualificar a destituição de Fernando Lugo como golpe grosseiro. “Se fosse mais longo [o processo de impeachment] seria mais difícil contestá-lo e acabariam condenando do mesmo jeito. Eles foram receosos da reação dos vizinhos”.

O diplomata considerou a postura brasileira no episódio firme e prudente, discordando daqueles que qualificaram a posição do Brasil como “branda” em comparação com o ocorrido durante o golpe no presidente Manoel Zelaya em Honduras. “Lá em Honduras foi um golpe praticamente militar, tiraram o presidente do poder, colocaram em um avião e mandaram embora, morreram muitos jornalistas, a repressão foi muito forte. Por outro lado, a admissão da Venezuela era tudo que os paraguaios não queriam. Foi de certa forma uma punição. De outro lado, nossos interesses no Paraguai são muito reais. Há um número muito grande de descendentes brasileiros que moram no Paraguai, há a represa de Itaipu”, disse.

Porém, Guimarães salienta que os interesses do Paraguai nos países do Mercosul é de tamanha magnitude que dificilmente serão compensados com qualquer outro acordo internacional, nem mesmo pelos EUA. E caso o regime paraguaio recrudesça, o diplomata sinaliza que uma série de medidas podem ser tomadas de maneira gradativa, como a não aprovações de projetos do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) que estão em análise e, numa etapa seguinte, a suspensão de projetos que já estão em curso. “O Brasil é o principal contribuinte deste fundo com 70%, Argentina com 27%, Paraguai com 1% e Uruguai com 2%. E há importantes projetos para o sistema de transporte deles”, afirmou.

Venezuela

Mais do que o Paraguai perdeu os EUA com a entrada da Venezuela no Mercosul. Por definição, um país membro do bloco está impedido de celebrar um acordo de livre comércio pretendidos por Washington. “Isso é grave pros EUA. Apesar de estarem mudando suas fontes de abastecimento, explorando suas reservas internas, continuam muito dependentes do petróleo importado, em grande parte, do Oriente, uma área delicada. E eles tem a Venezuela, a maior reserva do mundo, aqui pertinho deles”, detalha.

A entrada da Venezuela no bloco consolida um determinado tipo de visão econômica, também é importante por dificultar um golpe de Estado que não raro é sondado no país.

Em um país relativamente rico, de grande mercado, com 20 milhões de habitantes, com recursos naturais preciosos, que está procurando construir sua infraestrutura e se industrializar e cujo comércio com o Mercosul cresceu volumosamente na última década. “Além de ser um país altamente consumidor de produtos agrícolas, o que é uma oportunidade para outros países do bloco”, acrescenta o embaixador.

Imperialismo à brasileira?
Questionado sobre um crescente sentimento contra o Brasil devido à atuação do capital nacional em países vizinhos, levando até mesmo a formação de uma articulação dos Atingidos pelo BNDES, Guimarães ratificou que é este o grande desafio da diplomacia e do governo de um país tão assimétrico como o Brasil é em relação aos seus vizinhos. “O Brasil é mais da metade do PIB da América do Sul, é quatro ou cinco vezes o PIB da Argentina, que é o segundo maior.

Um PIB muito grande significa empresas muito grandes. Imagina se as empresas estrangeiras aqui fossem brasileiras, o que já teria acontecido?”, indaga para, em seguida, recordar que o problema da desnacionalização também afeta o Brasil, citando como emblemática a recente transferência do controle da maior rede varejista do país, o grupo Pão de Açúcar, ao capital estrangeiro.

Para o diplomata, o Brasil deveria ter uma política que em hipótese alguma financiasse a aquisição de empreendimentos estrangeiros por brasileiros e que estimulasse a associação dos capitais locais. Porém, ressaltou que há uma diferença entre a atuação independente das empresas e o financiamento do Estado. “O governo não pode impedir que as empresas façam investimento no exterior, a legislação não permite. Mas, a legislação daquele país pode, reservando setores para empresas nacionais”, esclareceu, acrescentando que o Brasil, em geral, financiou empreiteiras para participarem de licitações internacionais de obras de infraestrutura. “E essas empresas não ficam no país”.

Um caso qualificado por ele como grave está na Argentina, onde empresas brasileiras compraram um grande número de frigoríficos, atividade tradicional e importante daquele país. “Isso ainda não leva a grandes dificuldades, mas levará. As empresas estrangeiras, em geral tendem a recorrer aos seus países para fazer pressão ao governo local, o que cria grandes atritos”, alertou.

Exército no Haiti

No que tange a atuação militar brasileira no Haiti, Guimarães descarta que o Brasil tenha uma ação imperialista. “Se houvesse caso de morte, de agressão de brasileiros a haitianos sairia todo dia aqui no jornal”, retruca e completa: “Na questão dos refugiados haitianos a posição tem sido correta, apesar de não divulgada.”

O diplomata recorda que foi o Conselho de Segurança da ONU quem criou da força de paz para o Haiti, sem a participação do Brasil, que posteriormente foi convidado a integrá-la, tal como já fez em países como Congo, Timor Leste e Angola. “Antes de aceitar, foram mandadas duas missões aos países do Caribe próximos para saber o que eles achavam e eles aprovaram. O Brasil comandou as forças nos dois primeiros anos e deveria ter rodízio, mas a própria ONU pediu que o Brasil continuasse e tem pedido até hoje. Se não fosse o Brasil seria outro país”, defendeu.

Política externa alternativa
Se por um lado o papel crescente do Brasil no cenário internacional o leva a questionamentos quanto a reprodução de relações de tipo imperialista, Guimarães salienta que há iniciativas concretas visando um modelo de integração de novo tipo, para além dos posicionamentos políticos progressistas. Ele destaca os bancos de leite materno e os programas contra a febre aftosa impulsionados em vários países, o aumento da presença de entidades brasileiras no mundo visando a cooperação sul-sul, tais como a Embrapa - com unidades de pesquisa em Gana e na Venezuela, a Fiocruz – com uma unidade de produção de medicamentos retrovirais em Moçambique, a Caixa Econômica Federal – com projetos de habitação na Venezuela e o Ipea, que deverá abrir um escritório em cada país do Mercosul.

Também entram na lista a criação da Universidade Federal Latino Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), com dois câmpus no Ceará e a cooperação na área da educação com o Timor Leste. “É preciso de mais recursos para a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), mas houve corte de dotação orçamentária”, cobrou o diplomata.

Saída do Mercosul
Por fim, Samuel Pinheiro Guimarães afirmou que renunciou à a alta representação do Mercosul por uma limitação institucional do posto. O cargo foi criado no final do governo Lula com a ideia de iniciar uma gestão do Mercosul acima dos governos, uma vez que o bloco não possui uma estrutura supranacional, como a União Europeia, que dinamize seu funcionamento. Mas, Guimarães não se sentiu respaldado, talvez por ser brasileiro, sugeriu: “O Brasil é um país tão assimétrico que gera sempre uma idéia de que o cargo não podia fazer propostas. Eu fiz um relatório com um diagnóstico do Mercosul e propostas. Mas não houve maior atenção, se não tem atenção não tem apoio, se não tem apoio não vale a pena”.

A Espanha está sentenciada de morte pelos mercados.Sete meses depois de submeterem o país a uma terapia tóxica que esfarelou direitos trabalhistas, penalizou a infraestrutura, corroeu serviços públicos e abandonou 25% da população ao desemprego, obsequiosos ministros de Estado admitiam nesta 2ª feira: "A situação escapa à ação dos  governantes". O descontrole condensa-se em juros da ordem de 7,5% exigidos pelos investidores para financiar o Tesouro espanhol, refém de elevadas captações até o final do ano. A receita fiscal foi corroída pela endogamia entre recessão e 'austeridade', cujo objetivo era ganhar 'a confiança dos mercados', que agora deixam a despesa pública ao desamparo de taxas asfixiantes. A bola de neve joga a Espanha na sebosa ladeira da moratória, onde se encontram os despojos da Grécia, Portugal e Irlanda. Algo tardio, o ministro da Economia, Luis de Guindos, criticou a 'irracionalidade dos mercados', enquanto cedia -a exemplo da Itália-- ao pecado da regulação, proibindo operações especulativas em Bolsa. O velório espanhol confirma: não existe saída para a crise dentro do marco neoliberal; por tabela, fulmina quem equipara o suicídio ortodoxo ao 'novo normal' da história. (LEIA MAIS AQUI). 

Mídia tenta intimidar Lula e o PT para proteger Serra da CPI

Na semana passada, este blogueiro participou de um lauto almoço em que o prato principal foi a CPI do Cachoeira. O repasto veio com um ingrediente especial: picadinho de José Serra ensopado com molho de Paulo Preto e Delta.
O que posso relatar é que vai se tornando inevitável que a CPI se debruce sobre os maiores contratos da Delta em todo país, os contratos de São Paulo, os quais estão sob escrutínio do Ministério Público.
A ocultação do escândalo pela mídia, aliás, é criminosa.  Um escândalo dessas proporções não aparece em parte alguma devido ao envolvimento de alguns veículos que, inclusive, estão cada vez mais próximos de ser acusados.
A convocação de Serra seria, também, um desastre eleitoral para a sua cambaleante candidatura a prefeito de São Paulo, recentemente ferida de morte pela crescente desmoralização da administração Gilberto Kassab.
É nesse contexto que entra Roberto Jefferson, o golden boy da mídia tucana, o patrono de toda a sua cruzada contra o PT desencadeada em meados da década passada e que até hoje constitui a grande aposta da oposição para ao menos se manter viva.
Jefferson, que teve seu mandato de deputado cassado por não ter conseguido comprovar a existência do mensalão e que, à época de sua denúncia, inocentou Lula, agora muda a versão e tenta envolver o ex-presidente acusando-o de ser o mentor de tudo.
A acusação de Jefferson está sendo fermentada pela mídia apesar de ser um nada, inverossímil e descartável, pois, à época da denúncia do mensalão, a Polícia Federal e todos os órgãos de controle investigaram Lula exaustivamente e nada encontraram.
A denúncia contra Lula é tão débil que nem a peça delirante do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, construída exclusivamente sobre suposições, ousou sequer se aproximar do então presidente.
Todavia, como se sabe, o mundo midiático não precisa de fatos para construir suas campanhas difamatórias. É incontável o contingente de acusados pela mídia tucana que depois foram inocentados pela Justiça, mas que foram punidos antes do julgamento.
Um dos exemplos mais candentes é o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, literalmente chacinado pela mídia e contra quem a Justiça nada encontrou que justificasse a sua demissão além das opiniões de pistoleiros midiáticos.
Como de costume, portanto, não faltaram esses pistoleiros de Serra na mídia a saírem disparando contra Lula por conta de uma declaração mal-explicada e sem qualquer elemento probatório, amparada apenas nas palavras vazias de Jefferson.
Pelo que sabe este blogueiro, porém, o esforço midiático é vão. O envolvimento de Serra e de outros paulistas no escândalo do Cachoeira, serão inevitáveis. A própria oposição, diante de fatos que ainda vão se tornar públicos, não terá como sequer reclamar.
O mês de agosto de 2012, assim, ficará marcado como um dos períodos mais conturbados da história política recente do país. Globo, Folha, Estadão e Veja já posicionaram seus principais pistoleiros para abrirem guerra contra Lula e o PT a partir da semana que vem.
Apesar do noticiário massacrante, porém, o fato é que a direita midiática está às portas de descobrir que o que começará a fazer a partir de agosto já era esperado e que, por conta disso, seus alvos se prepararam muito bem.
Aguardem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Record denuncia negócios do dono do Globope

A reportagem do Domingo Espetacular mostrou como Montenegro ganhou bilhões de reais com negócios suspeitos com a exploração particular de um serviço público.

Montenegro: muitas explicações a dar à Globo


Saiu no R7:

Domingo Espetacular cai no Ibope em dia de denúncia contra dono do instituto


Reportagem mostrou negócios suspeitos do enriquecimento do presidente Montenegro

No dia em que o Domingo Espetacular apresentou reportagem com negócios suspeitos do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, o índice de audiência do jornalístico registrou, segundo o instituto, um dos piores índices dos últimos anos.

O programa fechou com oito pontos em média no Ibope segundo dados prévios. Ficou em terceiro lugar durante a apresentação, atrás de Globo e SBT. Há mais de dois anos – desde fevereiro de 2010 – o programa não registrava audiência tão baixa no Ibope.

Neste ano, o programa chegou a registrar o dobro de audiência segundo o Ibope, como em março, quando fechou com média de 16 pontos e picos de 20. Em junho e julho, registrou média acima de 10 pontos.

A reportagem do Domingo Espetacular mostrou como Montenegro ganhou bilhões de reais com negócios suspeitos com a exploração particular de um serviço público, a taxa de gravames para carros financiados em todo o Brasil, e as aplicações de remessas de dinheiro em operações suspeitas em paraísos fiscais.

Montenegro criou a empresa GRV, que administra o gravame no Brasil. O gravame é um mecanismo que visa a garantir que ninguém passe adiante um carro financiado, que ainda não foi pago. Na prática, é um número que identifica o carro. Todo carro comprado por financiamento tem gravame, e isso vale para cerca de 70% de todos os carros vendidos no País.

Ou seja: um serviço público está sob controle de uma empresa privada, e sem que tenha havido concorrência pública. Isso gerou enriquecimento meteórico e questionável de Carlos Augusto Montenegro e seus sócios, rendendo cerca de R$ 180 milhões por ano. Mesmo tendo vendido a GRV em 2005 para outra empresa, a Cetip, em transação que rendeu R$ 2 bilhões, Montenegro e seus sócios continuaram influindo no negócio, ao manterem cerca de 5% das ações da nova empresa.

Pouco depois de assumir o serviço de administração dos gravames pelo Brasil, Montenegro abriu empresas em paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Pelos papéis obtidos pela reportagem, constata-se que as empresas de Montenegro no exterior trazem dinheiro para suas empresas no Brasil.

Um detalhe chama a atenção: Solange Montenegro, irmã do dono do Ibope, aparece nas duas pontas das transações. Ela é procuradora de uma das empresas sediadas em paraíso fiscal, de onde o dinheiro sai, e sócia de uma das empresas no Brasil, onde o dinheiro entra. A procuração para que ela possa movimentar esse dinheiro todo foi emitida por outra empresa de Montenegro em paraíso fiscal.

Um esquema semelhante ao utilizado por Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, investigado pela Polícia Federal. A exemplo do esquema montado por Montenegro, quem assina os documentos nas duas pontas da operação é um irmão de Teixeira, Guilherme Terra Teixeira. As revelações desse esquema derrubaram Ricardo Teixeira do comando do futebol brasileiro.

Cada ponto no Ibope corresponde a cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

Assista à reportagem do Domingo Espetacular abaixo:


http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/domingo-espetacular-cai-no-ibope-em-dia-de-denuncia-contra-dono-do-instituto-20120723.html