Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ex-diretor da Petrobras vendeu ilha da Globo ? Como é que é ? Esse que é o “mega-corrupto” do PiG ?

Grave denúncia da UOL: camarotes da arena Vila Nova cheiram a tinta!
   
Datafolha em SP: Dilma, 23%; Aécio, 20%

Legado da Copa: capacidade de aeroportos cresceu 36%; a da rede hoteleira, 20% ; novas vias e meios de transporte foram agregados; parque esportivo foi renovado; transmissão de dados saltou 50% em várias capitais (Valor)



Metroviários negociam fim da greve, mas Alckmin quer tripudiar eleitoralmente e destila intransigência

MTST e governo federal fazem amplo acordo para erguer moradias populares e Guilherme Boulos anuncia fim das manifestações contra a Copa. 

A 48 horas da Copa, o grande desastre previsto pelo conservadorismo aconteceu em obra gerida pelo PSDB de SP: viga de monotrilho cai e mata operário

Do incansável Stanley Burburinho:



O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, negociou a venda de uma ilha das Organizações Globo, no Rio de Janeiro?

Hoje, a Globonews transmitiu o depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O ex-diretor contou que a consultoria que ele criou em agosto de 2012, a Costa Global, depois de ter saído da Petrobras, tinha como missão fazer o “casamento” de investidores com donos de projetos.

Segundo ele, a consultoria Costa Global chegou a fechar 81 contratos e chegou a ter cinco funcionários, entre eles a sua filha, Arianna Azevedo Costa Bachmann.

Entre esses contratos, disse, estaria a participação de um processo de venda de uma ilha das Organizações Globo, no Rio de Janeiro. Ele não deu mais detalhes sobre o contrato.

Imediatamente após ele ter dito isso, a Globonews cortou a transmissão da CPI e passou a transmitir a convenção do PMDB.


Link para o Valor: http://www.valor.com.br/politica/3580098/costa-aceitei-carro-de-youssef-porque-estava-precisando-trocar
/Dica @rnsouza27

Para Alckmin, greve no metrô é mel na chupeta


Deu na versão online do Correio Brasiliense: “Metrô aceitou readmissão de demitidos, mas governo vetou”.
É sintomático, na grande mídia, como o nome do governo some das manchetes quando esse governo é do PSDB e faz besteira ou safadeza. E o que faz o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao endurecer com os grevistas metroviários justamente quando há possibilidade de interromper o confronto, é as duas coisas – entre várias outras qualificações possíveis.
Diz a linha fina da reportagem do jornal supracitado que “A principal reivindicação dos trabalhadores, a readmissão de 42 metroviários demitidos, chegou a ser parcialmente aceita pelo Metrô, mas foi recusada pelo Palácio dos Bandeirantes”.
Por que Alckmin fez isso? Ora, porque essa greve não representa perigo à imagem do governo tucano, apesar de, em grande medida, decorrer de sua intransigência e das cada vez mais conhecidas más condições de trabalho dos funcionários do Metrô.
Muito pelo contrário. Alckmin, com a última pesquisa Datafolha – que o mostra com grande aprovação em SP, apesar de tudo –, acaba de receber dos paulistanos uma licença para deixar ocorrer corrupção em sua administração, para não investir nos transportes, para não investir até em distribuição de água.
E até para pagar mal a professores, pois os de São Paulo fazem greve contra o salário maior que Haddad lhes paga e não fazem greve contra o salário menor que paga Alckmin.
Mas por que diabos, então, os paulistanos iriam fazer mau juízo de seu angelical governador só por causa de uma greve que os está massacrando?
Vida de gado, povo feliz.
Enfim, se durante a abertura da Copa, por falta de transporte, ocorrer uma hecatombe, ainda melhor. Imune às responsabilidades do cargo, Alckmin seria poupado pelos paulistas. Não duvido de que ainda lucraria política e eleitoralmente. Até porque, diria que tudo teria sido “sabotagem do PT”, a explicação recorrente do PSDB para tudo que dá errado em seus governos.
Por incrível que pareça, em São Paulo – e, se procurarem bem, na internet e na própria mídia tucana – a conta de todo esse sofrimento da população recai sobre os grevistas e, de quebra – por óbvio –, nela, no alvo exclusivo de grande parte dos paulistanos: em Dilma.
Assim, se na quinta-feira, por conta de Alckmin querer “esmagar” o movimento paredista dos metroviários, não tiver metrô e a abertura da Copa for um fracasso, muito melhor. Ninguém lembrará que, com um pouco de bom senso do governador, tudo poderia ter sido superado.
Que reintegrasse os demitidos. Alckmin poderia abrir um canal de comunicação com os metroviários a fim de achar um meio de estabelecer um acordo, sem revanchismos. Mas ele quer esmagar o movimento. Se a população está no caminho, que se dane.
Claro que eventuais excessos têm que ser apurados e os culpados, responsabilizados. Mas não dessa forma, ao estilo atirar primeiro e perguntar depois. Poderia ser aberta uma sindicância, com amplo direito de defesa para os acusados e com representantes dos metroviários acompanhando o processo.
Que ninguém espere para quinta-feira, portanto, maior esforço do governador do Estado de São Paulo para colaborar com o sucesso do evento. Ele quer é ver o circo pegar fogo.
Por fim, a intransigência e a truculência de Alckmin devem ser muito bem anotadas pelos que acham que PT e PSDB são “iguais”. Que se lembrem do que é um governo tucano. Um governo Aécio Neves, por exemplo, não mandaria um “Gilberto Carvalho” tucano negociar com o movimento Não Vai Ter Copa; mandaria baixar o cacete e fim de papo.

GILMAR: MARCOLA, NUNCA ! DANTAS SÓ DUAS VEZES ! Se acabar com as doações de empresas, o PCC vai tomar conta do Brasil, como já toma de São Paulo.

Como se sabe, o Supremo Tribunal Federal aprovou no início de abril o fim das doações de empresas a campanhas eleitorais.

Com um único voto contra e provavelmente outro, de Gilmar Dantas (*), que pediu vistas.

No Congresso, a proibição de dinheiro de empresas em campanhas marcha vitoriosamente, apesar da oposição ferrenha do grande estadista Eduardo Cunha, que usa argumento do tipo “sem dinheiro das empresas, o PT vai ganhar todas as eleições”.

Raciocínio que parece inspirar o imparcialíssimo ministro Gilmar.

Nesta terça-feira, o Estadão, em estado comatoso, e, desde sempre, uma espécie de “house organ” de Gilmar, oferece a retumbante manchete:

“Eleição sem empresa abre brecha para facções”

“Para vice do TSE (Gilmar) e ministro do Supremo, se doação de pessoas jurídicas for barrada, crime organizado vai se infiltrar nos partidos”.

E o imaculado banqueiro, Daniel Dantas, amigo navegante ?

Como negar os vínculos dele com o falecido PFL de ACM, seu padrinho, com o PSDB (FHC o chama de “brilhante !”) e com o PT ?

(“Fala, Valerio, fala !”).

Sobre a matéria há vasta literatura, a começar pelo irretocável “Operação Banqueiro”, de Rubens Valente, que assegurou: “Sem Gilmar não haveria Dantas”.

Sem falar na heroica “Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Junior, onde Dantas também aparece, aí, no papel de coadjuvante do clã Cerra.

(Por falar nisso: de que vive o Cerra, amigo navegante ?)

E o RE 680967, aquele recurso extraordinário, que legitimará a Satiagraha e que o presidente Barbosa – que fala grosso com o Dirceu e fino com o Dantas – não leva a julgamento ?

O Marcola é uma ameaça às instituições da Democracia !

Sim !

Como diz o Mino, a São Paulo tucana é o único logradouro do mundo em que o crime se organiza dentro da cadeia…

O Dantas, não !

O Dantas purifica a Democracia !

Quando foi necessário preservá-lo, Gilmar estava lá, com dois providenciais HCs Canguru, em 48 horas, que garantiram os princípios da Probidade e da Justiça como nem a Constituição de 1988 foi capaz de fazer !

(Clique aqui para ver o que a Globo censurou: as provas que Gilmar ignorou para soltar Dantas; aqui para ir à aba “Não me Calarão” e contemplar quantas derrotas o ansioso blogueiro impôs a Dantas; e aqui para admirar a Galeria de Honra Daniel Dantas, inspirada na máxima “diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és”.)


Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver como notável colonista da Globo Overseas Investment BV se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra notável colonista da GloboNews e da CBN se referia a Ele. O Ataulfo Merval de Paiva preferiu inovar. Cansado do antigo apelido, o imortal colonista decidiu chamá-lo de Gilmar Mentes. Esse Ataulfo é um jenio. OLuiz Fucks que o diga.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

SP: o espírito de 32 em 2014

A alta finança hoje é a cafeicultura do século XXI. Vencê-la implica desmontar sua dominância sobre o desenvolvimento. E romper limites impostos à democracia.

por: Saul Leblon 
Arquivo
O PSDB  governa o Estado de São Paulo há 20 anos.

Mário Covas foi eleito governador em 1994, seis anos depois de criada a sigla que completa 26 anos de existência  neste 25 de junho.

Geraldo Alckmin, o plantonista atual do bunker concorre à reeleição em outubro, depois de ter participado diretamente de quatro das cinco gestões tucanas no estado.

Alckmin foi vice de Covas em 1994 e 1998.

Em 2001 assumiu o governo com a morte de Covas.

Emendou o terceiro ciclo à frente do estado em 2002, eleito governador.

Feito que repetiria em 2010.

Está na sua quarta passagem pelo poder, que  encerra pleiteando a reeleição para um 5º mandato em outubro.

No interregno de 2006 a 2010, quando não esteve diretamente no comando do governo, Alckmin assumiu a secretaria de Desenvolvimento do estado na gestão Serra.

Duas décadas no poder e 44% de intenções de voto para o pleito estadual de 2014, (a se dar crédito ao Datafolha do último sábado),  não é algo que se possa menosprezar.

O desconhecimento em relação aos demais candidatos  pesa significativamente a favor de Alckmin.

Padilha (PT) é um nome novo na política.

O fato de estar há tanto tempo no rodízio dá ao tucano uma aura de ‘normalidade’ em tempos de sobressalto e inquietação.

O sentimento, porém, possivelmente  fosse o oposto, se o dispositivo midiático conservador não tornasse difuso aquilo que é estrutural.

Ou seja, as duas décadas de autodeclarada  proficiência administrativa  do PSDB em São Paulo não se traduziram em bem-estar social efetivo para o conjunto dos paulistas.

Na realidade, elas refletem mais a conveniência  da plutocracia brasileira,  que fez do estado sua  linha Maginot, do que a consagração de uma obra democrática.

Em parte, é o que explica a renitente presença desse insípido, mas fiel gerente do comodato do dinheiro grosso no poder estadual.

Nenhum outro quadro dirigente do PSDB de São Paulo esteve tão presente  no ciclo de escândalos da Alstom, marca registrada do caixa 2 tucano na gestão do metrô paulista, quanto Geraldo Alckmin.

A julgar pelos relatos do próprio oligopólio associado às encomendas do metrô, o intercurso entre o cofre das empresas e o caixa pessoal e coletivo do tucanato começou em 1998, quando ele era vice de Covas.

E não parou mais de fluir.

Entre 1998 e 2001 sabe-se, graças às investigações realizadas pelo Ministério Público da Suíça, que pelo menos 34 milhões de francos franceses foram pagos em subornos  a autoridades  tucanas, na lubrificação de contratos do metrô.

Com a morte de Covas, em 2001, Alckmin assumiu o comando desse comodato. E se manteve à frente dele até 2006.

Seria injusto atribuir-lhe a exclusiva liderança do processo.

No  período de negociação de alguns dos grandes  contratos de transporte e energia o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn, dirigia  a pasta de energia da gestão Covas e Alckmin (deixou o cargo em janeiro de 1998 para assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo).
 
O serrista Mauro Arce comandava a de Transportes. Andrea Matarazzo bordejava o circuito.

Assim por diante.

Nada disso  retira de  Alckmin o que é de Alckmin.

Um contrato de R$ 223,5 milhões com a Alston, para a compra de 12 trens, foi assinado em 28 de dezembro de 2005.

Sem licitação.

Alckmin era o governador.

Um total de 139 contratos assinados entre a Alstom e o Governo do Estado de São Paulo nos últimos anos (governos  Serra e Alckmin) ,no valor  de  US$ 4,6 bilhões, está sob suspeita.

As investigações na justiça paulista se arrastam, em que pese o esforço solitário do ministério público suíço.

Sempre discreto, semi-invisível  tanto quanto a obra, Alckmin é um dente da engrenagem que move os interesses comuns do dinheiro e do PSDB no grande diretório do capitalismo brasileiro em que se transformou  o aparato estatal bandeirante.

A dissociação entre esse aparato  e o interesse público pode ser medida pelo hiato entre as promessas do tucano na campanha vitoriosa de 2010 e o saldo efetivo deste final de mandato.

Alckmin entregou então aos paulistas um compromisso sortido, cravejado de números suculentos.

Entre eles, o de construir 150 mil moradias, promover um salto no transporte público e na saúde, construir  12 piscinões em São Paulo etc.

Quatro anos depois, sobrou o quê?

Em janeiro de 2014 Alckmin comunicou que mudara de ideia em relação aos piscinões.

Desistiu, alega,  a partir  de cálculos hidrológicos que indicariam a suficiência de uma ‘otimização’ das instalações existentes.

Dos 12 piscinões prometidos, três foram feitos, outros dois estão em obras.

A meta de oferecer 150 mil moradias às faixas de renda mais pobres ostenta frustração igualmente grave.

Em 2013, a construção de unidades populares pelo governo estadual registrou queda de 80% na capital.

Isso num ano em que explodiram as ocupações de edificações públicas e privadas pelos sem-teto na cidade.

Das 150 mil unidades previstas,  seu governo entregou até agora  55.483 moradias.

Estamos falando da prioridade habitacional do PSDB no estado mais rico da federação, que tem um déficit de 1,11 milhão de moradias  --o maior do Brasil em termos absolutos.

Mesmo no confronto com seus pares, o desempenho  de Alckmin  é derrisório.

Em 1998, por exemplo, o então governador  Covas (PSDB) construiu, no ano, o equivalente próximo da marca que Alckmin atingirá ao longo de toda a sua quarta passagem pelo Estado (52.167 unidades).

Na área da saúde é sugestivo dizer que São Paulo receberá um dos maiores contingentes do Programa Mais Médicos: 1.279 profissionais vão atender a 7,2 milhões de moradores desassistidos do estado.

O corolário do modo Alckmin de governar  é o atual uso do ‘volume morto’ do sistema Cantareira –último recurso antes do racionamento oficial , presente na vida cotidiana de vários bairros da capital.

São Paulo vive a estiagem mais severa desde 1930. Ademais da exacerbação climática, porém, há o efeito cumulativo da contradição estrutural entre a lógica do poder bandeirante e as questões do interesse coletivo.

O abastecimento de São Paulo se apoia no mesmo fluxo de mananciais interligados ao final da década de 70, meados dos anos 80.

A população de São Paulo dobrou no período.

Nas últimas duas décadas, a curva demográfica conviveu com administrações que não se anteciparam  ao colapso implantando a infraestrutura capaz de evitá-lo.

O flanco do abastecimento de água foi escancarado pela estiagem.

Outros, de gravidade equivalente, caso da mobilidade urbana simbolizada na expansão de um metrô que se arrasta como uma lesma, ou do déficit habitacional, para não citar o desempenho constrangedor da rede estadual de ensino, inscrevem  as marcas da ineficiência no cotidiano sofrido da sociedade.

São Paulo tem 3% do território brasileiro, 22% da população e 33% do PIB nacional.

Há 84 anos, no bojo de uma crise mundial capitalista , que esfarelou os preços das matérias-primas e destroçou a inserção brasileira no mercado mundial, o poder da oligarquia  paulista foi afrontado  por Vargas.

A política centralizadora e industrializante de Getúlio  sacudiu o chão das oligarquias estaduais, especialmente o da mais sólida delas, em São Paulo.

O governo Vargas reconheceria oficialmente os sindicatos dos operários, legalizaria o Partido Comunista e adotaria uma política de direitos e valorização do salário dos trabalhadores.

O amparo de Getúlio à cafeicultura, com a política de compra e queima de estoques, combinou-se com um manejava  do  câmbio, de forma a capturar um pedaço da receita exportadora, como se fora um imposto sobre as vendas do setor.

O circuito do dinheiro, o quanto, como e onde aplicar deixou de ser prerrogativa exclusiva das elites paulistas e assemelhadas.

A sublevação de São Paulo em 1932 refletia esse desacordo travestido de ideais liberais democráticos.

A tentativa derrotada de 1932 iria se repetir ao longo da história.

Sempre que um governante tentou sobrepor os interesses gerais do país à lógica do dinheiro graúdo concentrado em São Paulo, a elite local reagiu. 

São Paulo perdeu importância produtiva desde então, mas se mantém como o bunker financeiro do capitalismo  brasileiro.

A alta finança é o café atual.

O que significa, paradoxalmente, deter um poder de fogo em relação à esfera  federal e ao resto da economia muito superior ao disponível no ciclo da cafeicultura e mesmo  no seu auge como ‘a fábrica’ do país.

Para a plutocracia paulista e parte da classe média ter um governante do PSDB à frente do aparelho de Estado não é uma questão da democracia, mas  de fortificação de uma trincheira desse privilégio.

O governo Vargas, apesar do levante de 1932 – esmagado em três meses--  sustentou uma política de compromisso com os grupos cafeicultores, garantindo-lhes uma taxa de retorno em plena crise mundial.

Mutatis mutandis, os governos do PT fizeram o mesmo ao garantir ao setor industrial paulista, e à banca aqui centralizada,  uma demanda aquecida por bens de consumo e crédito, em pleno colapso da ordem neoliberal no mundo.

A exemplo do que ocorre hoje, nem por isso a oligarquia de São Paulo deixou de conspirar contra Vargas e contra a lógica de desenvolvimento que ele personificou.

Trinta e dois anos depois  de 1932, ela conseguiria finalmente, em março de 1964, atingir seu objetivo:  abortar as fundações de uma democracia social no país que subtrairia o seu mando o sobre o dinheiro e a nação.

Em 1964, os vapores constitucionalistas  de 32 revelariam sua frágil densidade liberal.

Sobreveio em seu lugar uma ditadura feroz, que derrubou um governo legitimamente exercido por um Presidente reformista e democrático.

Essa mesma lógica explica por que  –mesmo menosprezando Alckmin—essa mesma elite hoje cerra fileiras na sua reeleição. 

Poupando-o  do que efetivamente significa em termos de mediocridade administrativa.

E esbanjando complacência diante de seus vínculos incontornáveis  com a malversação tucana dos fundos públicos em São Paulo.

Quem já sobrepôs a  baioneta ao voto para defender seus interesses de classe não vê dificuldade alguma em dar a esse  rebaixado  funcionário um quinto ciclo à frente do comodato de negócios que se incrustou no poder público estadual.

Vencer esse arranjo de forças encastoado em São Paulo vai além das urnas.
 
Requer, simultaneamente, desmonta-lo na dimensão superior do seu poder.

Vale dizer,  na dominância financeira sobre o desenvolvimento brasileiro.

E nos limites estreitos impostos ao exercício da democracia e ao fluxo da informação no país.

Essa dimensão do poder paulista será enfrentada no escrutínio presidencial de outubro. 

Não imagine na Copa, porque ela é uma realidade

holandesa
Tomei um avião, hoje de manhã, do Rio para Brasilia.
Duas cidades-sede da Copa.
Tranquilidade completa.
O avião era da Azul, destes que tem TV a bordo.
Assisti, portanto, o esforço da Globo em tentar mostrar algum problema na estrutura de recepção aos estrangeiros.
Nada, a não ser a greve do metrô de São Paulo, que espantou uma turista canadense.
Mas que rapidamente ficou satisfeitíssima com uma senhora, brasileira, que lhe ofereceu carona.
Durante anos você ouviu o “imagina na Copa” para figurar o desastre que seria o desempenho do Brasil como anfitrião.
Conversa fiada.
Claro que pode ocorrer um problema aqui, outro ali, um assalto, coisas que se passam em qualquer parte do mundo.
Nosso país sofreu, por parte de uma mídia e uma elitezinha subdesenvolvida mentalmente, uma campanha indescritível de desmoralização.
A história dos gastos públicos é igual.
Recomendo a leitura do post de Rodrigo Vianna, onde um colunista esportivo dizia que não se justificava combater a ideia de uma Copa no Brasil com “o velho argumento de que é melhor construir escolas e hospitais é falso”.
Dizia isso, claro, nos anos 80.
A melhor história  do dia, para mim, é a da “desorganização padrão Fifa” da Seleção Inglesa, que esqueceu um jogador no hotel.
E a melhor imagem é a da torcedora holandesa, feliz da vida diante de sua barraca do “acampotel” montado para torcedores de seu país num clube de funcionários da Eletropaulo, perto da Represa de Guarapiranga, uma tradição da torcida laranja.
Barracas de plástico e camas de pinho!
Imagina na Copa!
Depois reclamam do Lula ter falado em babaquice…

Eric Nepomuceno: No ar, um movimento desestabilizador; estaria o mercado financeiro por trás dessa jogada?





Coisas estranhas no Brasil
Existe um inegável mal-estar generalizado, palpável no ar. Há um crescente pessimismo com a economia. E aí começam a aparecer estranhezas.

por Eric Nepomuceno, na Carta Maior

As eleições acontecerão em outubro, a campanha oficial começa no rádio e na televisão em agosto, mas as pesquisas saltitam a cada quinzena, ou quase. Se o eleitorado parece desinteressado, o empresariado parece, mais que interessado, ansioso, inquieto.

As pesquisas mais recentes, do Datafolha, indicam que Dilma Rousseff retomou seu viés de queda. Isso, claro, é destacado no noticiário. O que ninguém parece lembrar é que seus dois principais adversários, o tucano Aécio Neves e Eduardo Campos, do PSB, também caíram.

Dilma havia recuperado terreno em pesquisas anteriores, e agora tornou a cair. Uma questão nebulosa: se ela retrocede e os outros não avançam – pior: também recuam –, onde foram parar os votos perdidos? Por que nenhum dos dois netos, cujos avôs são a principal garantia de suas trajetórias, é beneficiado?
Tudo indica que a maior surpresa foi o forte aumento dos que declaram que seu voto será nulo ou em branco, e também dos que se declaram indecisos. Nesses quesitos, houve uma reviravolta em comparação às pesquisas anteriores.

Existe um inegável mal-estar generalizado, palpável no ar. Há um crescente pessimismo com a economia. E aí começam a aparecer estranhezas.

Por exemplo: muito se martela a nota de que vivemos debaixo de forte pressão inflacionária. Essa campanha persiste e se alastra, apesar de os índices mostrarem o contrário (desde meados de março a taxa de inflação vem baixando de maneira constante). Ao mesmo tempo, fala-se que aumentou o temor a perder o emprego, apesar dos índices de desemprego continuar baixos.

Há contradições e incongruências entre os próprios entrevistados, tanto nos resultados do Ibope como nos do Datafolha: a aprovação do governo de Dilma equivale à desaprovação. A imensa maioria (na média dos institutos, mais de 70% dos entrevistados) pede mudanças na forma de governar, mas um índice similar diz que sua vida melhorou e que estão satisfeitos. Há uma espécie de batalhão desnorteado, que se queixa de tudo e de qualquer coisa sem dizer exatamente de que se trata. De onde vem esse mal-estar, essa tensa irritação que impregna a atmosfera das grandes cidades brasileiras?

Não são poucos – nem necessariamente paranoicos – os brasileiros que sentem que, a cada semana, aumenta a sensação de que está em marcha um nebuloso, melífluo movimento desestabilizador. O que ninguém consegue é detectar quem está por trás, quem organiza, a que interesses esse movimento responde.
E no entanto, existe um dado que, se não dá resposta a essas questões, certamente dá o que pensar: a influência direta entre a divulgação dos resultados das pesquisas e as oscilações do mercado financeiro, que tem nos grandes meios de comunicação seu esforçado e eficaz porta-voz.

Desde 2002, quando Lula derrotou José Serra, essa sacrossanta entidade chamada mercado não padecia tamanhos ataques de ansiedade pré-eleitoral. A reeleição de Lula, em 2006, e a eleição de Dilma, em 2010, foram engolidas sem maiores esforços. Agora, o clima é outro, bem outro.

Não é sem razão que bancos, agentes, corretores e investidores gastam um bom dinheiro contratando pesquisas eleitorais para uso restrito. São pesquisas paralelas, e o sistema funciona assim: cada vez que um instituto anuncia que estará em campo fazendo entrevistas, instituições financeiras encomendam outra, sigilosa. Desta forma ficam sabendo, com um ou dois ou três dias de antecipação, qual será o resultado a ser anunciado. Como a cada queda (ou avanço) de Dilma ocorre invariavelmente uma alteração na Bolsa de Valores, uma oscilação no câmbio e outra na taxa de juros a futuro, ter uma indicação fiável desses dados significa uma boa oportunidade de especular e ganhar.

O empresariado brasileiro não gosta nem um pouco da política econômica de Dilma Rousseff. Os donos do dinheiro, menos ainda. Mas gostam de ganhar. E adoram especular.

Há algo estranho quando tantas greves se repetem e persistem, e mais ainda quando levadas adiante por minorias sindicais, como aconteceu no transporte público do Rio de Janeiro. A profusão de paralisações não faz mais do que ampliar o mal-estar e a irritação popular. Nota-se claramente que, insuflada pelos grandes meios de comunicação, em especial a televisão, essa irritação popular é direcionada aos políticos em geral e aos governos em particular. E, uma vez mais, Dilma é o alvo preferencial.

Nesse clima estranho, nessa atmosfera um tanto rarefeita, começa a Copa do Mundo. Haverá mobilizações de protesto, greves selvagens e sem norte, haverá de tudo um pouco, até mesmo futebol.
Serão tempos estranhos, e estranha será a caminhada daqui até as urnas de outubro.

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domingo, 8 de junho de 2014

O porteiro “petista” e seu filho “tucano”


Mais uma vez, o Brasil irá às urnas dividido entre os que avaliam e os que não podem, não querem ou não sabem avaliar quanto o país atual melhorou em relação ao de 2002. Em eleições anteriores, porém, essa divisão se deu entre classes sociais, econômicas e regionais, mas, neste ano, há uma outra divisão, a divisão geracional, que opõe jovens e maduros.
Os governos Lula e Dilma foram marcados por ampla rejeição da classe média-média e média alta, freguesas de carteirinha dos grandes meios de comunicação, do Jornal Nacional ou daquele indefectível exemplar da revista Veja no consultório do dentista. Mas, do ano passado para cá, jovens de diversas classes sociais se juntaram àquele contingente maduro e mais rico.
O ambiente essencialmente jovem das “jornadas de junho” promoveu uma espécie de rave político-ideológica em que jovens da nova classe média (baixa, da periferia) finalmente se encontraram com os mauricinhos e patricinhas das classes médias tradicionais em manifestações gigantescas que acabaram se voltando essencialmente contra o PT.
Note-se que, enquanto Dilma e o PT amargam até hoje os efeitos políticos negativos das “jornadas de junho”, um Geraldo Alckmin, que pôs sua polícia para “descer o cacete” na garotada hipnotizada, recuperou aprovação e musculatura político-eleitoral inclusive entre aqueles que o tucano mandou seu aparato repressor massacrar.
Como costuma ocorrer quando jovens se encontram em ambientes descontraídos, o comportamento e as ideias se padronizam. Como Dilma e o PT se tornaram o “grande satã” dos protestos que se abatem sobre o país desde meados de 2013 enquanto que Alckmin e o PSDB foram alvo de uma pequena fração desses protestos, os tucanos acabaram lucrando.
Ironicamente, porém, as manifestações que vêm ocorrendo no país – mas, sobretudo, em São Paulo e no Rio de Janeiro – têm sido essencialmente de esquerda. Aliás, de uma esquerda mais “autêntica”, presa a dogmas pré-queda do Muro de Berlim que envolvem, entre outros, estatização do sistema bancário, calote na dívida externa etc., etc., etc.
Um dos exemplos mais eloquentes desse fato é o professor da UFRJ Lauro Luís Iasi, 54 anos, candidato a presidente pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) – não confundir com o PC do B, aliado do governo Dilma. Iasi deu entrevista recente ao UOL defendendo os black blocs e pregando ideias condizentes com as da extinta União Soviética.
A ironia, pois, reside em que quem ajudou a vitaminar politicamente um conservador tão fidedigno quanto Alckmin foram partidos como PCB, PSOL e PSTU – ou, se preferirem, como a esquerda que a direita ama de paixão, pois, ao longo do século anterior e deste, prestou-lhe, e ainda lhe presta, inestimáveis serviços ao colocar a população contra si promovendo ações como essas manifestações que torturam a população ao privá-la do direito – e da necessidade cotidiana e extrema – de ir e vir.
Seja como for, o fenômeno sob escrutínio é o novo antipetismo, o antipetismo jovem e sem classe social definida do Sul e do Sudeste, basicamente. Vamos a ele, pois.
Recentemente, este que escreve pôde verificar como a divisão política entre jovens e maduros da “nova classe média” ocorre inclusive no seio das famílias. Para tanto, vale o relato de um “causo” que não se pretende prova científica, mas que, por seu simbolismo, parece ilustrar perfeitamente o fenômeno que se quer apontar neste texto.
No fim de maio, a segunda neta do autor desta página cumpriu seu primeiro ano sobre a Terra e a festinha familiar em sua homenagem acabou ocorrendo no salão de festas do prédio em que residem seus avós paternos. Devido ao tabagismo do blogueiro, ele deixava a festinha seguidamente para ir aplacar o vício na portaria e, assim, entabulou conversas com o porteiro e o zelador.
O assunto descambou para a política. Apesar de o autor deste texto saber que na região em que vive (bairro de classe média de São Paulo) não é recomendável um simpatizante do PT discutir tal assunto, havia desconfiança de que os funcionários de condomínios e do comércio da região acabam se calando sobre política para não confrontar patrões e clientes.
Até aí, nada demais. Como se sabe, o PT tem maior votação entre os mais pobres. Porém, esse fenômeno se aprofundou entre as pessoas mais humildes e maduras e diminuiu drasticamente entre as igualmente humildes, porém jovens. E a conversa com o zelador e o porteiro sinalizou nesse sentido.
O porteiro é um cinquentão baiano e o zelador, da mesma faixa etária, é pernambucano de nascimento, apesar de ter vindo para São Paulo muito jovem, fugindo das agruras nordestinas de meados do século passado. Politicamente, não querem nem ouvir falar de trocar o governo do PT pelo do PSDB. Relatam, entre uma vinda e outra do blogueiro à portaria para fumar, como suas vidas melhoraram depois que Lula virou presidente.
O zelador se deu bem sob Lula e Dilma. O salário subiu muito e, tendo moradia de graça, sobrou-lhe dinheiro para investir no estudo do filho e em carros. Há poucos meses, comprou uma camionete Ford EcoSport zero quilômetro. Quanto ao filho, matriculou-o no caríssimo e tradicional colégio São Luís, colégio católico de classe média alta incrustado na avenida Paulista.
Já o porteiro conseguiu comprar seu primeiro carro ao longo dos governos petistas – um Gol 2010. Antes de Lula e Dilma, amargava três dias de ônibus para ir visitar a família na Bahia anualmente; hoje, faz a viagem em poucas horas. De avião.
Naquele dia, um sábado, fora trabalhar de carro para levar para casa a tevê de 46 polegadas, com internet, que comprara nas Casas Bahia para ver a Copa.
O porteiro, porém, em conversa sobre política reclama do filho. O rapaz, de 19 anos, filho de um baiano que suportou toda sorte de privações quando veio para São Paulo nos anos 1970 em busca de uma vida melhor, veste-se e fala como os mauricinhos dos bairros nobres. Seu pai, inclusive, acha que ele tem “vergonha” da profissão do homem que o criou a duras penas.
O filho do porteiro nutre um ódio visceral pelo PT e, particularmente, por Dilma. Poucos dias antes da conversa política de seu pai com o blogueiro, este encontrou o rapaz visitando o pai no trabalho, ou seja, na portaria do prédio. Junto aos dois, o síndico e uma moradora do prédio – ambos de ascendência europeia.
A cena chocou. O filho pós-adolescente de um baiano pobre e negro, ele mesmo igualmente pobre e negro, entoava com o síndico e a moradora do prédio um virulento ataque à presidente da República e ao seu partido. Juntos, os três ainda declararam voto em Aécio Neves na próxima eleição.
De volta ao dia da festinha de aniversário da neta do blogueiro, este pergunta ao porteiro como é possível que seu filho queira votar no candidato da classe social e da região do país que oprime e discrimina a sua classe social e região desde que se conhece por gente.
O porteiro coça a cabeça. Diz que não fala de política com o filho para “não se irritar”, sobretudo quando está no trabalho ouvindo a pregação antipetista dos moradores do prédio, os quais ouve mudo como uma porta para “não arrumar encrenca”, ou seja, para não colocar o próprio emprego em risco. Mas apresentou sua teoria sobre o comportamento do filho.
A análise intuitiva do porteiro se coaduna com a de dez entre dez analistas políticos: seu filho só conhece a realidade do país sob Lula e Dilma. Quando Lula chegou ao poder, o rapaz tinha seis anos de idade. Não tem memória do que era o Brasil quando o PSDB governava. Não sabe quanto o pai sofreu até 2003, quando sua vida começou a melhorar.
O filho do porteiro está na universidade, via Prouni. Por conta de seu nível cultural e educacional muito melhor do que o do pai, julga que este não sabe nada sobre nada. Principalmente sobre política.
O filho do porteiro prefere ouvir a turma de amigos que estuda na USP, universidade à qual não conseguiu acesso por conta da política do PSDB para aquela instituição. Os “amigos” que cita, porém, não convivem com ele fora das manifestações contra a Copa, que abraçou com fervor. Mas ter “amigos” endinheirados que só vê nessas ocasiões parece tê-lo embriagado.
O filho do porteiro parece acreditar que pertence a um mundo distinto do mundinho do pai, quem atravessou tantas noites insones em portarias para que o filho pudesse um dia ingressar numa universidade, mas só após o apoio das políticas públicas dos governos do PT para a educação universitária dos pobres.
Mas apesar da “vergonha” que o porteiro acha que o filho sente de si, orgulha-se dele. Os olhos brilham quando fala do rapaz, que estuda Tecnologia da Informação em uma universidade privada, sendo o primeiro universitário da família. Contudo, o porteiro teme a volta do PSDB ao poder, pois acha que destruiria seu sonho de ter um filho “doutor”.

AÉCIO É TUDO E NADA. E O TESTE DA COCAÍNA ? Aécio não tem uma ideia, um projeto, um discurso, um sonho.

A repórter Malu Delgado traça em nove páginas da revista piauí (com caixa baixa, de propósito …) o perfil de Aécio Neves, também conhecido como Arrocho, aquele que vai tomar “as medidas impopulares” que estão na cabeça do Armínio Naufraga e do Príncipe da Privataria.

“O público e o privado – o dilema que acompanha Aécio Neves, o presidenciável tucano”.

É um bom título.

O “privado” do Aécio é um problema.

E a reportagem trata dele com minúcias inesperadas.

O bon-vivant, “a leveza”, “a alegria”, o surfista, o mulherengo, o mitômano – amigo de Ronaldo Nazario, Cicarelli, Miss Minas, Luciano Huck – , o estudante medíocre e o administrador suspeito de fabricar um “choque de gestão”.

Quanto ao “choque de gestão”, há um processo, por exemplo, sobre a possibilidade de ter “desviado”, diz a revista, a ninharia de R$ 4,3 bilhões da Saúde de Minas.

Como governador, ele e a irmã Andrea – seu Golbery, seu Goebels -  exercem sobre a imprensa de Minas um controle de Medici.

Vários são os depoimentos de jornalistas perseguidos.

(A revista não menciona que o best seller “Privataria Tucana” nasceu de uma “encomenda” de Aécio ao “jornal” O Estado de Minas para enfrentar os dossiês do Cerra.)

(A revista também não trata de Aécio fazer de Minas o que fez de Brasília, quando parlamentar: uma escala de meio de semana, para preservar, sempre, os fins de semana no Rio.)

O mais interessante da reportagem é o que ela não traz.

Não há uma única ideia, um único projeto, um único discurso, um único sonho a ser realizado como presidente.

Diz ele: “… se eu não ganhar as eleições, e pode ser que isso aconteça, vai ser muito bom para mim, do ponto de vista pessoal”.

É o “privado” do título.

Homem público não tem “privado”.

E, por isso, Aécio tem a obrigação de se submeter a quantos testes forem necessários, e testes públicos, para determinar se ele foi usuário de cocaína – uma questão, sim, central em sua campanha.

E a revista trata da cocaína, como tratou Fernando Barros e Silva – diretor da piaui -, no “Roda Morta”.

Conta a revista: “… em 2008, no jogo Brasil e Argentina, no Mineirão, Aécio foi surpreendido por um canto inusitado da torcida: ‘Ô Maradona/ Vai se f…/ O Aécio cheira mais do que você!”

Esse foi tema, também, de artigo na Folha de seu grande amigo, o Padim Pade Cerra, como lembra a revista:

“O debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e deve ser uma pauta em 2014”.

(Assim como deve ser, ainda em 2014, a resposta à pergunta “de que vive o Cerra?”)

É muito grave um candidato a Presidente da Republica que se recusa a fazer o teste do bafômetro, dirige com carteira de motorista vencida – e é suspeito, suspeito, sim, de consumir droga.

Aécio tem que responder a essa dúvida, inequivocamente, cientificamente, publicamente: além da maconha, o senhor já consumiu cocaína ?

E as ideias do Aécio presidente ?

Nada.

A reportagem indica que ele fala com o Armínio NauFraga pelo menos uma vez por dia.

Isso quer dizer muito.

Mas pode não dizer nada.

Aécio é uma folha de papel em branco.

Ali se pode escrever o que for preciso.

Porque Aécio não tem passado.

Tem mais folha-corrida – no Rio, bem entendido – do que currículo.

É um garotão alegre, leve.

Pode ser tudo.

E nada.

O primeiro presidente que vai viver no Rio, depois de inaugurada Brasília.

Porque, como diz a revista, ele acha a política muito chato.

Aliás, trata-se da mesma revista que mostrou o Príncipe da Privataria nu e cru.

Aécio é um perigo !

Ou um bom companheiro de noitadas no Cervantes, do Lido.

Tanto faz.


Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 6 de junho de 2014

"NEM NA DITADURA, COPA SE MISTUROU COM POLÍTICA"