Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mau jornalismo e mal escrito


Blog Cidadania - Eduardo Guimarães
Decidi transportar para o blog algumas notas que postei no Twitter, complementando-as, porque desnudam o fato de que os leões-de-chácara da imprensa golpista se acham verdadeiros pensadores, mas não passam de profissionais medíocres que conseguiram empregos bem-remunerados porque se dispuseram a vender a alma aos patrões.
Quero mostrar como esses tais “colunistas” que passaram décadas escrevendo toneladas de laudas sobre a suposta “ignorância” de Lula não têm nem o mínimo que se requer de um jornalista, que é saber escrever. Para tanto, há que fazer uma introdução ao assunto.
Não costumo corrigir o português de ninguém porque o nosso idioma é extremamente complexo e, assim, encerra armadilhas que podem pegar qualquer um. Mas tais armadilhas não podem pegar quem escreve em órgãos de imprensa. Até porque, jornalistas profissionais têm como revisar o que escrevem, antes de publicar.
E mais: o jornalista profissional tem obrigação de saber escrever. Não é como este blogueiro, que não é jornalista e faz um trabalho jornalístico apenas como serviço de cidadania voluntário. Ainda assim, cuido dos meus textos dentro do que minha formação e capacidade permitem. E, segundo dizem, com algum sucesso.
Tomemos como exemplo Merval Pereira, colunista de O Globo que, ao lado do colunista e blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo – que gosta de apontar erros no que escrevem pessoas que não são jornalistas, apesar de ele também cometer alguns –, está entre os que mais criticaram e continuam criticando a falta de instrução formal de Lula.
Artigo de Pereira em O Globo, que li hoje, dá vontade de chorar, de tão mal escrito. A mediocridade já começa no primeiro parágrafo do texto:
Na galeria de retratos de presidentes no Palácio do Planalto, a foto de Dilma Rousseff é a única colorida, contrastando com as demais, todas de homens em preto e branco”.
É uma ambigüidade só. A galeria é de “retratos de presidentes no Palácio do Planalto” ou é uma galeria do Palácio que contém retratos de presidentes? Ora, os retratos podem não ter sido tirados ali, onde está a galeria. E é uma foto só de homens em preto e branco ou é uma foto em preto e branco só de homens? Poderia ser uma foto de homens vestidos de preto e branco…
Nem tratarei da pontuação mambembe. Pulo outros exemplos da má qualidade do texto para ir direto ao exemplo principal. Analisem o trecho abaixo.
A maioria desses gastos aconteceram antes de a crise de 2008 estourar
Como é que é, senhor colunista que chama Lula de analfabeto? “A maioria aconteceram”?!!
O que não entendo mesmo nem é que alguém que vive debochando da cultura alheia tenha texto tão ruim. Minha dúvida é sobre como alguém que vive de escrever pode ganhar dezenas de milhares de reais cometendo erros tão primários e volumosos em um único artigo.
Cometo erros como qualquer jornalista – mesmo sem ser jornalista e sem ter obrigação de não errar –, mas são erros menores e episódicos. Ontem mesmo escrevi o verbo grassar com cedilha, ao que uma zelosa leitura me alertou. Apesar disso, foi apenas um descuido ao usar um substantivo como se fosse verbo.
Corrijo os outros quando vejo que precisam de alerta, pois escrever publicamente com certo nível de erros pode servir para alguém ridicularizar aquela pessoa, sobretudo em um blog político. Mas faço isso de forma privada. E quando os erros são muitos e mais graves, edito o comentário para o leitor não passar por constrangimento. Já corrigi erros até de críticos, aqui.
E olhem que nem critiquei a postura jornalística desse homem, apesar de que suas críticas exclusivas só ao governo federal e ao PT mostram que é partidarizado quando deveria ser equilibrado.
Não gosto de fazer este tipo de crítica, até porque também erro – só que dificilmente erro tão feio. Não me lembro de ter criticado o português de alguém antes, em quase seis anos como blogueiro. Mas com gente como Merval Pereira ou Reinaldo Azevedo, que adora criticar o português de quem não tem obrigação de escrever direito, faço com gosto.
Como se vê, o Partido da Imprensa Golpista (PIG), além de mentir, mente em mau português.
—–
PS: o leitor Marco Aurélio informa que os retratos de ex-presidentes na galeria do Planalto são sempre em preto e branco, e que a foto do presidente que está exercendo o cargo é sempre colorida

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

De sonhos e pesadelos



Circulou muito o editorial do Brasil de Fato, que desemboca no diagnóstico: Dilma não é o governo dos nossos sonhos. Serra é o governo dos nossos pesadelos.

A esquerda, em todas suas variantes, tem que entender que uma continuidade do governo Lula significará o prolongamento das condições de luta atuais, em situação melhor, porque a direita terá sofrido uma grande derrota.

Uma eventual vitória do Serra será, inquestionavelmente, uma vitória da direita. E uma derrota para todos os setores da esquerda. Porque todos pagarão o preço disso.

Não por acaso todos os movimentos sociais – a começar pelo MST – têm clareza absoluta disso, até porque em um triunfo da direita, os movimentos populares e a esquerda no seu conjunto, sem poupar ninguém, serão as principais vitimas de uma direita fortalecida.

Em 2006 alguns setores diagnosticaram que seria igual um governo Lula ou um governo Alckmin. Podemos imaginar como estaria o Brasil se tivesse que ter enfrentado a crise com Alckmin presidente, pelo que é o México hoje. Não eram similares as alternativas.

Como não são hoje. Só pelo tom obscurantista, retrógrado, entreguista – veja-se as referências dos tucanos sobre o Pré-Sal, sobre a política externa – da campanha do Serra, dá para se saber o que nos aguardaria, caso os tucanos voltassem a governar. Não seria apenas a derrota de um setor da esquerda, de um setor do campo popular, mas de toda a esquerda e de todo o campo popular. O que apareceria como um fracasso do PT, não beneficiaria a nenhum outro setor da esquerda. Beneficiaria à direita e todos seríamos reprimidos por igual.

Neste momento ninguém de esquerda pode ficar alheio à disputa do segundo turno. Se no primeiro se apresentavam todas as alternativas na esquerda, agora se trata de votar contra a direita, contra o Serra. A esquerda se caracteriza não somente pelos projetos de transformação do mundo, mas também pelo combate, unificado à direita. Disso se trata neste segundo turno.
Postado por Emir Sader às 10:39

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Próximo passo de Serra será caça aos gays?


07.10.10 às 02h38

Vice diz que Serra vai ser contra direitos dos gays
POR FERNANDO MOLICA
Rio – Candidatos a presidente e a vice, José Serra e Indio da Costa decidiram atender a pedidos de lideranças evangélicas e, durante a campanha do segundo turno, irão condenar o Projeto de Lei 122/2006, que transforma em crime a discriminação a homossexuais.
Indio disse ao Informe que a proposta atenta contra a liberdade de expressão ao prever penas de prisão para manifestações consideradas homofóbicas. Segundo ele, se o projeto virar lei, um dono de restaurante será preso caso impeça um casal gay de fazer sexo em seu estabelecimento.
No armário
Apresentado em 2001 pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP), o projeto foi aprovado na Câmara em 2006 e aguarda para ser votado no Senado. A proposta tem sido atacada por lideranças evangélicas e católicas, que o acusam de excesso de rigor.
‘Mordaça gay’
Defendido por grupos de homossexuais, o PLC 122 foi apelidado de “mordaça gay” por evangélicos. Indio afirmou que, nos últimos dias, tem sido procurado por religiosos interessados em manifestar apoio à chapa liderada por Serra.
CATÓLICOS CONTRA DILMA
Já movimentos católicos prometem não dar sossego a Dilma Rousseff no Rio. Grupos que atuaram contra a candidata do PT no primeiro turno vão redobrar seus esforços a partir da semana que vem. O trabalho inclui a colocação de cartazes e a distribuição de panfletos em paróquias do Estado. Todos abordarão a suposta defesa, por Dilma, da legalização do aborto. A candidata nega ter esta posição, mas católicos citam documentos do governo e do PT para contradizê-la.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Marina está numa sinuca de bico,

 
Dirigentes petistas recomendam a insistência nas comparações entre os governos de Lula e de FHC, quando a comparação é outra: entre um projeto político esquerdista e outro direitista"
Celso Lungaretti*

O   day after  foi melancólico.
De um lado, os demotucanos estão sendo bem persuasivos nas tentativas para convencer Marina Silva a se suicidar politicamente.
Tomara que ela não ouça o canto dessas sereias - como as mitológicas, carnívoras.
Se fizer uma composição com os representantes da ganância capitalista exacerbada e sem limites, ajudará a devolver o poder à pior direita brasileira.
Em termos ambientais, será um desastre.
E, claro, isso lhe seria cobrado adiante: sua responsabilidade pessoal num grave retrocesso histórico.
Iria virar uma morta sem sepultura, como o ex-Gabeira.
Voltar à esfera de influência do PT para receber um ministério mais importante desta vez? É pouco para a dimensão que ela atingiu. Só se lhe oferecerem bem mais.
O pior é que seu partido já não é mais verde: amadureceu e apodreceu. Está traindo o compromisso assumido de combater as práticas ambientais predatórias, ao aliar-se com quem as encarna.
Então, Marina está numa sinuca de bico.
Como a decisão de a quem apoiar no 2º turno é impostergável, a sabedoria política manda que fique neutra, liberando o voto do seu eleitorado.
Assim, conservará intacto o patrimônio político que acumulou como terceira via, preservando-se para passos mais ambiciosos no futuro.
Depois, com mais vagar, vai ter de escolher um partido para o  projeto 2014, já que o PV virou mera linha auxiliar da direitona.
Aliás, a única afirmação reveladora de Marina nesta 2ª feira, desconsiderado o blablablá convencional sobre as consultas que fará antes de anunciar sua decisão, foi esta:
"O resultado que tivemos de aprovação ao projeto meu e do [vice] Guilherme [Leal] é muito maior que o nosso partido".
Corretíssimo. Ela precisará de um partido mais adequado para suas pretensões vindouras, nem que tenha de criar um, como Fernando Collor fez (PRN).
Suas próximas decisões determinarão se ela é uma estrela que veio para ficar ou uma supernova que logo irá perdendo o brilho, como Heloísa Helena.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Datafolha, tracking e a teoria da pedra no lago


Posted by eduguim on 22/09/10 • Categorized as Opinião do blog

Tudo bem que a queda de Dilma e a subida de Serra e de Marina na pesquisa Datafolha divulgada pelo Jornal Nacional ficaram dentro da margem de erro. E que, pelo histórico recente do instituto e de seus controladores, não seria heresia nenhuma dizer que podem ter usado essa margem para inflar o tucano e a sua laranja verde e deprimirem a petista de forma a ver se o eleitorado pega no tranco. Contudo, vejo indícios de que pode não ser bem isso.

Antes que alguém se desespere ou fique nervoso comigo, um alerta: o segundo pior inimigo de alguém numa disputa eleitoral é se recusar a enxergar os fatos, e o primeiro é ter medo. Em uma campanha como esta, se a artilharia de um lado funciona, mesmo que ainda dentro do suportável, a reação tem que ser, pelo menos, tão pesada quanto o ataque.

Dito isso, vamos a uma hipótese que ninguém considerará agradável, mas que é mais do que possível de se materializar. E se ao menos os adversários de Dilma tiverem crescido de fato?

Ora, convenhamos que o tracking IG/Band/Vox Populi (modalidade de sondagem da opinião do eleitorado que, pelo que dizem, é capaz de antecipar movimentos nas pesquisas de campo) mostrou, sim, queda de Dilma depois da eclosão do caso Erenice. Ela chegou a ter 32 pontos de vantagem sobre Serra e 21 sobre os adversários. Hoje, tem 27 pontos sobre o tucano e 17 sobre a soma dele com Marina.

A última pesquisa Vox Populi, se não detectou queda de Dilma (51% a 24%), revelou que, entre a classe média, houve reação às pesquisas; reação essa então compensada pelos setores mais pobres e menos instruídos, que aumentaram suas intenções de voto na petista. Todavia, a pesquisa foi fechada no dia 14. E outras pesquisas também detectaram tênue movimento na classe média de abandono da candidatura do governo.

A dar como bom o tracking e seu poder de prever o futuro, descobriremos que o que houve foi uma oscilação. A linha do gráfico da pesquisa diária faz movimentos suaves e chegou, até, a mostrar oscilação favorável a Dilma, nesta semana. Daí a hipótese de que o Datafolha tenha realmente captado alguma coisa na linha do que acaba de divulgar.

Como, a esta altura, haverá entusiastas da candidatura do PT preocupados, vamos nos lembrar de dois fatos que poderão lhes atenuar o temor e conter um pouco a euforia dos entusiastas assumidos e enrustidos das candidaturas de oposição, sobretudo na imprensa golpista.

O primeiro fato pró-Dilma é o de que a diferença de 7 pontos que o Datafolha diz que ela tem agora sobre a soma dos adversários decai de um patamar de 12 pontos e essa diferença, pelo menos antes da suposta queda da petista, era a menor entre todos os institutos. Os números reais, portanto, podem ser muito mais folgados para ela, o que lhe renderia muita gordura para queimar em um tempo extremamente curto que falta para 3 de outubro.

O segundo fator de alento aos petistas e de frustração para tucanos é o de que o Datafolha tem uma metodologia marcadamente ineficiente para apurar o voto dos setores mais humildes e residentes em regiões mais afastadas, fato esse que me foi reconhecido pelo próprio diretor do instituto quando conversei com ele em evento de sua empresa há alguns dias – e que noticiei aqui.

Vale explicar, ainda, que o Datafolha colhe as suas entrevistas no que chama de “ponto de fluxo”, ou seja, em locais de maior movimento nas microrregiões em que faz seu campo, contando com que nesses locais eventualmente encontrará os oriundos de regiões mais afastadas que fatalmente têm que vir aos “centros” mais próximos.

A qualquer momento deveremos ter uma pesquisa Vox Populi que servirá de tira-teima, sempre lembrando que esse instituto é o que tem acertado mais neste ano, tendo antecipado o que veio a ocorrer com as intenções de voto bem antes dos outros três grandes concorrentes – Datafolha, Ibope e Sensus.

Mas e se Dilma realmente andou perdendo votos em nível mais expressivo? O Datafolha exibido na edição do Jornal Nacional que foi ao ar antes de este blogueiro começar a escrever combina à perfeição com a boa e velha teoria da pedra no lago, segundo a qual campanhas denuncistas pela mídia atingem primeiro os mais informados e depois vão se propagando para as margens desse lago opinativo da sociedade, onde, por essa tese, chafurdariam os ditos “incultos” e “desinformados”.

Nesse caso, penso que está mais do que na hora de o PT começar a estudar uma reação consistente, na qual seriam dados ao público argumentos que têm sido sonegados pela mídia e que o partido de Dilma e a sua campanha não têm dado porque envergam a estratégia de não fazerem marola tão perto de liquidarem a fatura.

Faltou combinar com os russos, que têm meios inesgotáveis de fazer a marola que o PT não quer ver ocorrer. Fatos como o de que não há prova nenhuma das acusações tucano-midiáticas, de que a mídia tem uma aliança ferrenha com Serra e que está trabalhando para ele e a indução de recall mais profundo no eleitorado do que foi a era FHC podem ter que ser colocados no horário eleitoral.

Para ser sincero, diante da possibilidade, para mim tremendamente nefasta, de Serra se eleger, e da vontade que tenho de ver a verdade ser dita com grande destaque na cara de gente que considero que está ultrapassando todos os limites aceitáveis e inaceitáveis que logro conceber, surpreendo-me dividido. Se liquidar logo a fatura seria bom para o país, não desmascarar essa imprensa golpista irá me deixar um travo na boca.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

DISPOSITIVO MIDIÁTICO LANÇA ORDEM UNIDA: 'O POVO NÃO SABE VOTAR'



Arnaldo Jabor: "preparemo-nos para a guerra"

EDITORIAL Estadão, 21-09: "... sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução - seu público-alvo prioritário - o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do "outro lado", nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa...."

ARNALDO Jabor; 21-09: "...Lula não é um político - é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores.(...)A única oposição que teremos é o da imprensa livre, que será o inimigo principal dos soviéticos ascendentes. O Brasil está evoluindo em marcha à ré! Só nos resta a praga: malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma. Os soviéticos que sobem já avisaram que revistas e jornais são o inimigo deles.Por isso, "si vis pacem, para bellum", colegas jornalistas. Se quisermos a paz, preparemo-nos para a guerra..."

CAETANO Veloso, 20-09: "É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza..."

MERVAL Pereira, Globo, 21-09: " ... popularidade de Lula hoje lhe dá essa sensação de poder absoluto. Daí a desqualificar a grande imprensa e querer influenciar diretamente o eleitorado, sobretudo o das regiões mais pobres do país, através dos programas assistencialistas, e a tentativa de controle da mídia regional através de verbas de publicidade.[...] Para os que não se submetem a essa política, fica cada vez mais evidente que um eventual governo Dilma vai tentar aprovar no Congresso uma legislação especial que permita o controle dos meios de comunicação através dos mais diversos conselhos, o chamado controle social da mídia, a exemplo do que já acontece na Venezuela de Chávez e a Argentina dos Kirchner está tentando.A reação desmesurada da candidata oficial a uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo que mostrou problemas em sua gestão à frente de uma secretaria no governo do Rio Grande do Sul dá bem a medida de sua tolerância à livre circulação de notícias críticas.."
(Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe; 22-09)

sábado, 18 de setembro de 2010

O fim um ciclo em que a velha mídia foi soberana

Enviado por luisnassif
Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.
O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.
Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.
Fim de um período odioso
Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.
As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um esgoto a céu aberto.
Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.
A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.
O general que traiu seu exército
Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.
Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.
Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.
Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.
A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.
Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.
Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.
Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.
A marcha da história
Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.
Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.
Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.
Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.
Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.
Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.
Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.
E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.
Os novos tempos
A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.
De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.
A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.
Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.
As ameaças à liberdade de opinião
Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.