Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Começa tentativa de golpe via contas de campanha de Dilma

golpe capa
O dia 3 de dezembro de 2014 será lembrado como o dia 1 da principal aposta do golpismo dos derrotados na eleição presidencial desse ano, a de instrumentalizar a “devassa” que o ministro do TSE e do STF Gilmar Mendes está fazendo nas contas de campanha de Dilma Rousseff.
Conforme explicado anteriormente nesta página e em outros blogs, como o de Luis Nassif ou, mais recentemente, o de Teresa Cruvinel, no site Brasil 247, haverá tentativa de vincular doações oficiais à campanha de Dilma à Operação Lava Jato.
Mais uma vez, o Blog repete a explicação do roteiro.
1 – Gilmar Mendes promove uma análise das contas de Dilma que nenhum outro candidato ao mesmo cargo que ela está sofrendo e esse fato é amplamente divulgado, gerando a sensação de que há algo errado.
2 – Constatada a higidez das contas de campanha da presidente, a rota golpista é alterada (lá pelo meio do mês de novembro). Agora, haverá tentativa de vincular as doações legais de empresas envolvidas na operação Lava Jato aos crimes que essas empresas cometeram.
3 – No dia 1 da colocação em prática do plano golpista, surge um “providencial” denunciante que verbaliza publicamente a tese que se quer vender, ou seja, de que doações legais que Dilma recebeu seriam parte de pagamento de propina ao PT.
4 – Com base nesses fatos, as contas de campanha de Dilma são rejeitadas por Gilmar Mendes – parcial ou totalmente. O valor impugnado é alto. Nesse momento, o PSDB pede ao TSE a impugnação da chapa de Dilma e Michel Temer e propõe o impeachment da presidente no Congresso.
5 – O último passo depende de fatos desconhecidos, mas a ideia dos golpistas é que o valor doado por empreiteiras a Dilma seja considerado pelo TSE determinante para a reeleição dela, levando a Corte eleitoral a impugnar a chapa Dilma-Temer, atendendo ao PSDB.
O primeiro aviso nesse sentido foi dado por este Blog no dia 21 do mês passado, paralelamente a outros alertas, como o de Luis Nassif. E a figura central nesse processo é o presidente do TSE, José Antonio Dias Toffoli, e a entrega que fez das contas de campanha a Gilmar Mendes.
De forma praticamente inacreditável, o “sorteio” no TSE da análise das contas de campanha de Dilma fez um raio cair no mesmo lugar duas vezes. Ou seja: a análise das contas de campanha de Dilma e a dos gastos do PT com a campanha de Dilma caíram, ambas, nas mãos de Mendes.
Leia, abaixo, matéria do UOL que, entre outras, faz vinculação entre doações legais à campanha reeleitoral da presidente  e a operação Lava Jato. Essa será a base do que ocorrerá nas próximas semanas. A intenção é “constranger” o TSE a encampar a rejeição das contas.

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PSDB e DEM levaram sicários para empastelar Congresso

Blogcidadania 

fascistas capa

O contrato sócio-político vigente no país acaba de sofrer mais um golpe que pode lhe vir a ser fatal. Agora, além de psicopatas ligados ao PSDB e ao DEM agredirem nas ruas quem meramente ouse vestir uma peça de roupa vermelha, estão sendo usados pelos partidos para coagir parlamentares e impedir votações no Congresso.
Abaixo, vídeo curto do tipo de fascismo que se espalha pelo país e que, na última terça-feira (2),passou a novo patamar, como será mostrado mais adiante.






Os meios de comunicação que vêm estimulando comportamentos assustadores como o desse bando de fascistas que você viu no vídeo acima, chamaram de “manobra fiscal” o projetos o de mudança da meta fiscal do governo de 2014. Sob essa caracterização de “ilegalidade” do que não passa de uma prerrogativa do Congresso, este se viu literalmente empastelado pela extrema-direita no momento da votação.

Parlamentares do PSDB e do DEM formaram um escudo humano para facilitar a ação dos manifestantes que esses partidos levaram de ônibus a Brasília para constrangerem, das galerias do Congresso, os parlamentares da base aliada, tumultuando a sessão no Plenário da Câmara, na noite de terça-feira (2).
Aos berros de “Vai pra Cuba” e “Fora PT”, os manifestantes tentavam impedir a sessão legislativa.




O que é mais grave nisso tudo é que esses manifestantes foram contratados pelos partidos de oposição. PSDB e DEM alugaram ônibus para levar de São Paulo e Pernambuco um grupo de 200 manifestantes pagos que, em plena terça-feira, deixaram suas vidas, seus empregos em seus Estados de origem para promover o empastelamento do Legislativo federal.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, denunciou esse atentado à democracia praticado pelo PSDB e pelo DEM, em sua marcha golpista, iniciada após serem derrotados nas urnas. Dos 200 sicários contratados pelos partidos de oposição, 50 conseguiram entrar. Dali em diante, passaram a insultar parlamentares, atirar objetos no Plenário etc.

Os parlamentares da oposição queriam que o senador Renan Calheiros mantivesse nas galerias mercenários contratados por PSDB e DEM enquanto xingavam parlamentares e tumultuavam a sessão, com vaias a governistas e aplausos a opositores.

Uma mulher, identificada como Ruth Gomes de Sá, ligada ao PSDB, estava incontrolável. Tentava chutar os agentes da Polícia Legislativa que tentavam controlar cerca de duas dezenas de manifestantes. Teve que ser

contida. A mídia, porém, acusa só o momento em que foi imobilizada por um agente, sem explicar a causa.

fascistas 1


Ao tentar facilitar a ação dos mercenários contratados, os parlamentares de oposição e da situação partiram para a troca de socos e empurrões.

O que ocorreu no Congresso, em uma tentativa de partidos políticos de impedirem o funcionamento do Poder Legislativo, constitui uma mudança de patamar na crise política que vem sendo inoculada no país após a derrota de Aécio Neves no processo eleitoral de 2014, que ele e seus partidários se recusam a aceitar.

Levar 200 pessoas para promover baderna no Congresso é muito simples. Qualquer partido consegue. Até um garoto com um computador pode instigar duas centenas de pessoas a fazerem o mesmo. As pessoas que foram pagas pelo PSDB e pelo DEM para promoverem a confusão em tela não têm qualquer representatividade.

Apesar de haver quem se recuse a enxergar os fatos, o que está em curso no país é prenúncio de uma tentativa de golpe, de anulação do contrato sócio-político, de recusa dos derrotados em uma eleição a aceitarem as regras do jogo.

Denunciar esse processo é vital para interrompê-lo. É preciso constranger o golpismo com denúncias reiteradas. Quando partidos políticos contratam pessoas para agredir verbal e fisicamente quem não concorda com eles, o que se tem é a instalação de uma ditadura virtual no país. Quem não enxergar isso agora, enxergará depois. E será tarde.
 
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O pedeuta:


 
 SANTINHA DO PAU OCO

Dona Ruth Gomes de Sá, a mais nova heroína forjada pela escória do Congresso e pela mídia golpista, posa de pobre senhora de 79 anos aposentada, uma coitadinha que foi agredida pela polícia legislativa.
Bem, pode até ser verdade, mas em seu perfil no Facebook, essa senhora se apresenta como 


"Administradora no Governo do DF", aparece em inúmeras fotos com o senador tucano Aécio Neves e participa ativamente do grupo Vem pra Rua.

Confiram o perfil da idosa: https://www.facebook.com/ruth.gomesdesa.9?fref=ts

Costa isenta Dilma e Lula, mas os jornais escondem

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Só com lupa, um leitor encontraria uma informação crucial: a de que tanto o ex-presidente Lula quanto a presidente Dilma Rousseff jamais foram informados por Paulo Roberto Costa sobre os desvios na Petrobras; "nunca", disse o ex-diretor da estatal, ao ser questionado pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-SP); ele também negou que Lula o chamasse de "Paulinho", como tem sido escrito por diversos colunistas; "é folclore"; para a imprensa familiar, no entanto, nada disso era notícia 

247 - A informação está no décimo-sétimo parágrafo da reportagem da Folha de S. Paulo sobre o depoimento de Paulo Roberto Costa. Uma reportagem, diga-se de passagem, com 19 parágrafos. Ou seja: no antepenúltimo.

É lá que surge um dado interessantíssimo. Segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o ex-presidente Lula jamais foi informado sobre qualquer esquema de desvios na Petrobras. O mesmo se aplica à presidente Dilma Rousseff.

"Nunca", pontuou Paulo Roberto Costa, ao ser questionado pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).
O ex-diretor da Petrobras também negou que Lula o tratasse como "Paulinho", algo que vem sendo repetido à exaustão por colunistas renomados, como Elio Gaspari. "Isso é folclore".

Nada disso, no entanto, pareceu relevante para os jornais da imprensa familiar. A notícia, escondida pela Folha, foi ignorada pelo Estado de S. Paulo. O Globo também noticiou a declaração de Costa no décimo-sétimo parágrafo de uma reportagem de página inteira, com 18 parágrafos – o penúltimo. "Costa negou que seja tratado pelo ex-presidente Lula como 'Paulinho', dizendo que isso é folclore", informa a reportagem de André de Souza e Evandro Éboli.

Eles sabiam de tudo?

As informações prestadas por Costa ganham relevância diante dos crimes de imprensa cometidos durante a campanha eleitoral. Veja, por exemplo, antecipou sua capa e rodou com os dizeres "Eles sabiam de tudo", entre as imagens de Lula e Dilma.

Mais do que simplesmente antecipar uma edição, Veja rodou milhões de exemplares só da capa, que foram transformados em planfletos de campanha, às vésperas e no dia da eleição.

Por isso mesmo, foi condenada a conceder direito de resposta à presidente Dilma no dia das eleições, na maior humilhação já sofrida por um meio de comunicação no Brasil.

PSDB bancou baderna no Congresso? Aécio nega

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"Se amanhã você abrir as portas da galeria, você vai ter centenas de pessoas querendo participar. A população brasileira acordou", disse ele; ontem sessão que votaria o novo cálculo fiscal foi adiada depois que manifestantes insultaram parlamentares; "Esse caso é único na história do Congresso Nacional, 26 pessoas presumivelmente assalariadas obstruíram os trabalhos", afirmou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), dizendo ainda que a convocação foi feita pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) 

Brasília 247 - Ao determinar o adiamento da votação sobre a meta fiscal, que deveria ter ocorrido ontem, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou diretamente o PSDB.
"Esse caso é único na história do Congresso Nacional, 26 pessoas presumivelmente assalariadas obstruíram os trabalhos do Congresso Nacional", afirmou Renan a jornalistas ao sair do plenário, dizendo ainda que a convocação dos manifestantes foi feita pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).

Na tumultuada sessão, parlamentares foram insultados por manifestantes que invadiram as galerias. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) foi uma das mais agredidas, tendo sido chamada de "vagabunda".

Em entrevista, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do PSDB, negou que os tucanos estivessem por trás da baderna.

"Não tenho nenhuma noção em relação a isso. Se amanhã você abrir as portas da galeria, você vai ter centenas e centenas de pessoas querendo participar dessa sessão. Isso é uma bobagem. É mais um equívoco. A população brasileira acordou. A verdade é que existe um Brasil diferente hoje e o PT e seus aliados ainda não perceberam", disse ele, em texto distribuído por sua assessoria.

"As pessoas estão participando do que está acontecendo no Brasil. Elas querem saber e algumas querem vir aqui no Congresso Nacional. Vamos fechar as galerias para atender a uma base que quer votar escondido uma proposta desta gravidade com estas consequências para o país? Não, esta é a casa da democracia. O fato inédito aqui hoje foi não permitirmos que o povo brasileiro que aqui veio, que aqui ontem ficou em vigília e outros que gostariam de vir pudessem participar desta sessão. Eu defendo inclusive que participe como determina o regimento. Ao não permitir isso, radicalizou-se o clima e ninguém segurou mais."


Kotscho: dinheiro privado banca eleição de Cunha

 
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Jornalista Ricardo Kotscho revela que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deverá se tornar presidente da Câmara dos Deputados graças às generosas doações obtidas junto a grandes grupos empresariais, que lhe permitiram ajudar dezenas de deputados; "Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de campanhas", diz Kotscho. 

247 - O jornalista Ricardo Kotscho revela os bastidores por trás da eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados.

Eis um trecho de sua coluna publicada no Balaio do Kotscho:
"Eduardo Cunha não esconde os métodos empregados para montar sua bancada particular, que reúne mais de 50 parlamentares fiéis, de diferentes partidos, um número que não para de crescer nestes dias de campanha pela presidência. "Este ano não tive dificuldade para captar. Até sobrou dinheiro na minha campanha", disse candidamente aos repórteres David Friedlander e Catia Seabra, da Folha de S. Paulo, após a campanha eleitoral de 2014. "Na maioria das vezes, são as empresas que me procuram. Até porque, tenho a mesma visão delas".

E não são empresas pequenas: Bradesco, BTG Pactual, Safra, Santander, Vale, Ambev e Coca-Cola estão na lista dos doadores que deram ao peemedebista um total declarado de R$ 6,8 milhões. Se sobrou dinheiro, como ele afirma, não é difícil imaginar como Cunha fez para ajudar nas campanhas de sua base suprapartidária, além de dar conselhos, é claro.

Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de campanhas.

Sem estas doações desinteressadas, como Eduardo Cunha poderia montar sua bancada particular e surgir como franco favorito para assumir a presidência da Câmara nos próximos dois anos, desafiando os caciques do seu próprio partido? O deputado Gastão Vieira, do Maranhão, que já foi seu rival e recebeu a módica ajuda de R$ 300 mil para fazer campanha, só tem elogios a fazer à generosidade de Cunha: "Ele ajudou todo mundo", admitiu aos repórteres da Folha. Um dos doadores, executivo de grande empresa, revelou que Cunha lhe pediu ajuda para um grupo de 20 a 30 candidatos a deputado, em sua maioria do Nordeste, de Minas Gerais e do Rio.

Claro que esta turma toda de eleitores cativos de Cunha não pode nem ouvir falar em reforma política. Se está bom demais assim, para que mudar as regras do jogo?"


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Como e quando Marcos Valério inocentou Lula e Zé Dirceu.

FHC sem limite: 'Fiz (um ajuste) sem que o povo pagasse a conta'. Perguntas: e quem pagou o desemprego de 12,6% em 2002? E a inflação de 12,5% no mesmo ano? Quem pagou a entrega das estatais? Quem pagou a fatura das tres idas ao FMI? Quem pagou o juro de 45% em 1998?


Brasil aos cacos? Mortalidade infantil recua mais uma vez em 2013 para 15 por mil; era de quase 20 por mil (19,7 por mil) no final do governo FHC; brasileiro ganha quase quatro anos à mais de expectatva de vida desde 2002 (de 71 anos para 74,9)


'As maiorias não se equivocam, as maiorias dirigem uma nação. Os resultados das urnas são para ser acatados e defendidos'. Com essas palavras,Luis Lacalle, candidato derrotado no Uruguai, felicitou Tabaré Vázquez e deu uma lição aos paladinos do terceiro turno no Brasil


Com 53,6% dos votos, uma vantagem de cerca de 12 pontos sobre o conservador Lacalle, Tabaré Vázquez é o novo Presidente do Uruguai; Frente Ampla emenda seu terceiro mandato no país com maioria na Câmara e no Senado


 Resolução do Diretório Nacional, instância máxima do PT, reunida em Fortaleza: 'todo filiado comprovadamente envolvido em prática de corrupção será expulso do partido'

Carta Maior.


Como e quando Marcos Valério inocentou Lula e Zé Dirceu


Valério capa

Blog Cidadania
O Blog recebeu, de fonte que não quer ser identificada, um calhamaço de documentos contendo informações bombásticas – algumas, já conhecidas. Há acusações pesadíssimas contra figuras importantes da república. Algumas dessas acusações são de caráter pessoal e não envolvem condutas lesivas ao interesse público.
Esse material consta do inquérito físico do mensalão tucano e já houve vazamentos seletivos em 2012, quando reportagem da revista Veja afirmou que o dito operador do “mensalão do PT”, Marcos Valério, em entrevista da qual ninguém jamais ouviu a gravação além da revista, teria acusado o ex-presidente Lula de ter se encontrado consigo e de ser o “chefe” do mensalão.
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Abaixo, trecho da matéria de capa da edição 2287 da revista Veja, datada de 19 de setembro de 2012
“(…) Feita com base em revelações de parentes, amigos e associados, a reportagem de capa de VEJA desta semana reabre de forma incontornável a questão da participação do ex-presidente Lula no mensalão. “Lula era o chefe”, vem repetindo Valério com mais frequência e amargura agora que já foi condenado pelo STF (…)”
O material enviado ao Blog contém reprodução de gravações do inquérito 3530 da PF que mostram que dificilmente Marcos Valério poderia ter feito acusações a Lula na entrevista à Veja, porque, naquele momento, já sabia que fora grampeado em reunião com vários envolvidos no mensalão tucano, reunião na qual inocentou Lula e José Dirceu de qualquer participação no esquema do mensalão.
Para entender a origem do material, reproduzo, abaixo, trecho do manual que o acompanha.
“(…) Aí estão os principais arquivos do Inquérito 3530 da Polícia Federal, que gerou a Ação Penal 536 (Mensalão Tucano), com base na qual o Procurador Geral da República – Rodrigo Janot –, pediu quase 23 anos de prisão para Eduardo Azeredo (…)”
Este Blog acredita ter razões para divulgar, neste momento, trecho de material que circulou parcialmente na internet em 2012. Refere-se a trecho de gravações clandestinas feitas por Joaquim Engler, advogado de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro de campanha do ex-senador e ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo, pivô do mensalão tucano.
No trecho em questão, Valério inocenta Lula e José Dirceu de qualquer responsabilidade pelo mensalão do PT.

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A degravação foi feita por Engler em 19 de outubro de 2011

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

RADICALISMO ISOLA AÉCIO NAS RUAS E NO PSDB

O PT vai levar Aécio à Justiça ou se acovardar?

aecioodio

Aécio Neves, qualquer dia, vai acabar expulso pelo Lobão das minguantes manifestações anti-Dilma da Paulista.

O derrotado nas eleições, ao que parece, perdeu todos os pudores democráticos.
Sua afirmação, transcrita em O Globo, de que perdeu “a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está” passa de todos os limites do debate democrático e até da “dor de cotovelo” de quem perdeu, no voto, até em seus próprios supostos “domínios mineiros”.

Se o PT tiver algum brio, ingressa hoje mesmo no STF com um processo por crime contra a honra no STF.
Aliás, mesmo antes de preparar o processo, já devia notificar extra-judicialmente Aécio para que confirme ou desminta a afirmação, preparando o terreno jurídico sem ter de esperar o trâmite judicial.

Há crime de difamação, porque o Supremo Tribunal Federal, várias vezes, já afirmou que é cabível o direito à honra pela pessoa jurídica, o partido político sob o qual dá-se a candidatura.

Aécio pode conferir isso facilmente com um telefonema para Gilmar Mendes, o jurista de renome internacional, segundo a jurisconsulta Kátia Abreu.

E vai ter de contar com muita boa-vontade para que achem que o comentário criminoso do candidato derrotado seja entendido como algo pertinente a seu mandato de senador por Minas Gerais, o que lhe daria a impunidade.

Se for assim, que se mostre que Aécio esconde-se sob o mandato para difamar como um irresponsável.

Porque a reação do PT, até agora, de dizer que Aécio está em “desequilíbrio emocional” é pífia.

Desequilíbrio emocional não dá a ninguém o direito de dizer que seus adversários são “uma organização criminosa”.

Já a falta de reação dá margem a que se diga que são uma organização covarde.

domingo, 30 de novembro de 2014

Crônica do golpe: o cerco a Tóffoli e a tática do “Tira bom, tira mau”

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Na sexta-feira, o blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo publicou um texto incomum. O atual guru da direita brasileira saiu em defesa do ministro do STF José Antonio Dias Tóffoli (!) por conta de matéria do Blog do repórter Fausto Macedo no portal do Estadão que relatou denúncia do Ministério Público contra o irmão mais velho daquele ministro.
Abaixo, trecho do post de Azevedo.
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Uau! Azevedo dizendo que “denúncia ainda não é condenação”? Daria para encher a Biblioteca da Alexandria tudo que o blogueiro da Veja escreveu condenando pessoas na mesma situação do irmão de Tóffoli. Um exemplo recente é o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
É óbvio que o neo “garantismo” de Azevedo tem uma razão (cínica) de ser.
Não, eu não leio Reinaldo Azevedo – a menos que tenha um motivo que valha pena tão dura. E esse motivo que me levou a tal empreitada foi um fenômeno que não ocorre sempre no jornalismo: fonte importante procurar o jornalista em vez de ser procurada por ele.
A fonte (mais do que fidedigna) me procura para ironizar o texto de Azevedo:
Estão ‘seduzindo’ o Tóffoli por conta das contas de campanha no TSE
A sedução não começou agora; começou logo após a escandalosa “distribuição por sorteio” das contas de campanha de Dilma Rousseff no TSE, que colegas de blogosfera dizem que não teve nada demais por – com todo respeito – estarem desinformados.
Senão, vejamos: no dia 14 último, a jornalista Vera Magalhães, da Folha, publicou matéria dando conta de que duas prestações de conta da campanha de Dilma Rousseff caíram na mão de Gilmar Mendes por “sorteio”.
Confira, abaixo, a matéria
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O que aconteceu no TSE foi um fenômeno impressionante. Se foi coincidência, deveria entrar no Guinness Book. No mesmo dia, na mesma Corte, dois processos de Dilma foram entregues ao mesmo juiz – as contas da campanha de Dilma e as contas dos gastos do PT para a campanha de Dilma.
Os dois sorteios, ocorridos um após o outro, no mesmo dia, hora e local, deram Gilmar Mendes na cabeça. Coincidência é isso aí, o resto é fichinha.
Mais engraçado ainda é que dias antes Toffoli participou de um almoço em Brasília no qual brincou com uma possível fatalidade para Dilma, ou seja, as contas de campanha dela caírem nas mãos de Gilmar.
“Já pensou se isso acontece?”, provocou o ministro do STF.
Tóffoli, a partir daquele sorteio esquisito, passa a ser submetido à uma tática de investigação policial que Hollywood celebrizou: a tática do “Tira bom, tira mau”. Um é feroz, faz ameaças o tempo todo. O outro é bonzinho. Diz ao interrogado que seu colega está muito bravo é que não sabe se vai conseguir contê-lo.
Aquele que até há pouco era considerado por Reinaldo Azevedo como um títere do PT no STF, o que fez o ministro ser alvo de muita baixaria do blogueiro da Veja, começou a ser seduzido logo após esse episódio do sorteio das contas de campanha de Dilma.
Logo em seguida ao sorteio tabajara, Tóffoli foi convidado a participar do programa Jô Soares, onde defendeu a dita “PEC da Bengala”, que pretende tirar de Dilma Rousseff as nomeações de ministros do STF que ela poderá fazer até 2018.
Mas por que estão seduzindo Tóffoli se, mesmo que Gilmar Mendes rejeite as contas de campanha de Dilma, o processo será julgado por sete ministros do STF?
Explico: entre os sete ministros, três são vistos como “legalistas” e quatro são considerados como “partidários”.
Os ministros “legalistas” seriam Maria Thereza de Assis Moura [que relata as contas de Aécio Neves], Henrique Neves da Silva [que Dilma não reconduziu ao cargo após seu mandato vencer, mas que deve reconduzir] e Luciana Lóssio.
Três dos quatro ministros “partidários” são Gilmar Mendes e Luiz Fux (que dispensam apresentações) e João Otávio de Noronha (nomeado para o STJ pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que é amigo do peito de Aécio Neves).
O sétimo membro “partidário” do TSE é José Antonio Dias Tóffoli, presidente daquela Corte. Inicialmente, era visto como “partidário” por ter trabalhado para o PT e ter sido advogado-geral da União de Lula.
O “novo” Toffoli seria o fiel da balança se uma eventual rejeição das contas de campanha de Dilma fosse julgada pelo plenário do TSE. Por conta disso, está sendo seduzido e ameaçado ao mesmo tempo.
Diante de Tóffoli está sendo colocada uma “escolha de Sofia”. Ele pode escolher entre o céu e o inferno, ou seja, entre não endossar uma artimanha qualquer de Gilmar para rejeitar (total ou parcialmente) as contas de campanha de Dilma e virar alvo da mídia ou endossar e virar um novo Joaquim Barbosa, sendo aplaudido em aeroportos e restaurantes chiques.
A boa notícia é que, segundo essa e outras fontes, as contas de campanha de Dilma apresentam uma higidez muito grande. Gilmar correrá um grande risco tentando distorcer alguma coisa.
Contudo, não vamos nos esquecer de que estamos no país do julgamento do mensalão, no qual ocorreram condenações sem provas e o qual um ministro do STF considerou “ponto fora da curva”. Está provado que, em se tratando do PT e havendo maioria, o golpismo não se deixa constranger e rasga a camisa. Sem pudor.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Os intocáveis

grandis
Gilmar Mendes – sempre ele! – determinou a suspensão do processo administrativo disciplinar aberto no final de outubro pela Corregedoria Nacional do Ministério Público para investigar o procurador da República Rodrigo de Grandis por ter “esquecido” numa “pasta errada” o pedido de investigação feito pela Justiça da Suíça sobre a roubalheira do caso Alstom-Siemens no Metrô-SP e na Compnhia Paulista de Trens Metropolitanos.
Segundo o Estadão, Gilmar baseou a decisão no fato de que os colegas de De Grandis em São Paulo não viram “maldade” no “esquecimento”.
Embora isso tenha levado, inclusive, ao arquivamento de parte dos processos naquele país, por falta do envio de documentação durante tanto tempo.
Note-se que o Conselho Nacional não estava punindo De Grandis, apenas investigando De Grandis.
Não pode, diz Gilmar.
Afinal, ele é um procurador da república e o caso envolve a alta nata do tucanato paulista.
O que estamos criando, uma casta de “intocáveis”, que não têm de prestar contas de seus atos nem mesmo funcionalmente?
Basta que a “corporação” decida e está encerrado?
É melhor, então, acabar com os conselhos que fazem – ou deveriam fazer – o controle externo das instituições.
Se basta o “tribunal dos manos” decidir que está tudo bem, para quê?

Globo ataca o Google. Uma Ley de Medios, por favor ! A audiência do jn não desabou. Vinha desabando e o Ibope segurando …​

Um número cada vez menor de leitores perde tempo com a edição impressa de o Globo Overseas.

Entre eles o ansioso blogueiro, para contar as páginas publicitárias e acompanhar a inelutável trajetória à falência.

(Clique aqui para ler sobre o fim da imprensa escrita).

Nessa sexta-feira (28/11), o Globo dedica três “reportagens” a atacar o Google.

Na pág 35, invoca o testemunho do Prêmio Nobel de Economia, Jean Tirole, que combate “os monopólios em tecnologia” e ”diz que pode ser necessário intervir, se houver abuso”.

A “reportagem” se refere ao Google.

Porém, omite que essa mesma tese do Tirole serve para condenar o monopólio da Globo e seus malefícios à sociedade brasileira.

(Escolher o Ministro da Fazenda é fácil. Quero ver o das Comunicações …)

Isso, o Globo ignora …

Na mesma página, o Globo informa que o “parlamento europeu pede a divisão do Google”, para separar a função de busca da de outros serviços.

E, na página 39, “deixe-me em paz globalmente”; “Europa agora manda buscador apagar de servidores mundiais links  ‘inadequados’ sobre seus cidadãos”.

De novo, o buscador Google é o alvo.

Como se sabe, o Google vai googlar a Globo.

O Google já é hoje o segundo maior destino de publicidade no Brasil, depois da Globo.

Não são a Record nem o Silvio.

O amigo navegante já deve ter visto pelo Brasil afora os outdoors de programas de televisão no Youtube (que pertence ao Google).

O “Porta dos Fundos”, por exemplo, é um “programa” no Youtube.

O “Porta dos Fundos” agora foi para o cabo também, mas sempre se sustentou com a receita no Youtube.

O Google está googlando a Globo no terreno dela.

Na programação de tevê.

Breve, as agências de publicidade e seus mídias serão compelidos pelos anunciantes a gastar na Globo – com BV e tudo – o que a Globo entrega, de fato, de audiência.

(Menos a publicidade oficial, o Bolsa PiG, que parece mais sólido que o Pão de Açúcar – o morro …)

E vão dirigir à internet uma parcela crescente de suas verbas.

Assim caminha a humanidade, Urubóloga.

Sorry, periferia …

É claro que é preciso vigiar o Google.

A Europa está preocupada, e com razão.

Mas, o Brasil aprovou um Marco Civil da Internet que dá muito poder ao Google.

E aos blogueiros sujos !

E isso não é mau.

O problema é que o Google ganha dinheiro no Brasil e não paga imposto no Brasil.

E para mudar isso tem que passar por cima do Congresso.

E aí a vaca vai pro brejo.

A quem o Eduardo Cunha será fiel: à Globo ou ao Google ?

Quem pode contribuir mais – no futuro – com sua esquálida campanha ?

Mas, Eduardo Cunha – nem ele ! – conseguirá interromper a marcha da tecnologia.

A tecnologia que vai dar uma surra no Globope !

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/197521-grupo-wpp-e-o-novo-dono-das-pesquisas-de-audiencia-no-pais.shtml

O grupo multinacional WPP, da agência de publicidade Ogilvy, comprou o IBOPE.

O IBOPE não poderá mais ser generoso com a audiência da Globo.

Primeiro, porque o IBOPE vai ser cotejado – pelos anunciantes – com o alemão GfK, contratado pela Record e o SBT.

Na verdade, não é que a audiência do jn e do Fintástico tenha desabado de uma hora para outra.

É possível que o IBOPE tenha feito, aos poucos, uma espécie de rede de proteção para receber o GfK: um hedge.

Foi “derrubando” aos poucos o que estava derrubado, diante de uma possível desmoralização retumbante.

Além disso, o Globope não vai poder trabalhar tanto na “margem de acerto” com que opera de mano com o jn, nas eleições.

Os atuais donos do IBOPE ainda mantêm uma participação no Globope eleitoral, muito lucrativo, por certo.

Sobretudo no início das campanhas …

Mas, os ingleses da WPP não vão querer que sua marca, IBOPE, de sua respeitada marca internacional, WPP, com ações na Bolsa de Nova York, se meta nas lambanças do Globo.

Por exemplo, os estrondoso fracasso na Bahia e no Rio Grande do Sul.

E essa lorota de “empate técnico”.

Já imaginou, amigo navegante, se a Bolsa de NY descobre o que o Globope faz no jornal nacional” em ano de eleição ?

A WPP vai ter que rebolar !

(Embora seja possível que o Congresso brasileiro venha a tomar a saudável providência de limitar a divulgação dessas gazuas eleitorais, as chamadas pesquisas de intenção de voto.)

Pois é, amigo navegante, sabe o que os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – vão fazer, agora que estão cercados pela GfK, o Google e a WPP ?

Vão pedir uma Ley de Medios !

Quá, quá, quá !

E agora ela sai !

Quá, quá, quá !


Paulo Henrique Amorim

Escolha da nova equipe econômica visou destravar investimentos



  FHC volta a flertar com o golpismo e sugere a 'judicialização das decisões' diante do que chama de 'quase ilegitimidade' de Dilma; tucano que comprou a emenda da reeleição divide o país entre 'o Brasil dinâmico' que votou em Aécio' e o 'dependente', que apoiou Dilma.
 
 Dilma define Joaquim Levy no comando na economia e promete maior diálogo com movimentos sociais.

 A teimosia do Brasil aos cacos: vendas dos supermercados sobem 2% até outubro

 Recuperação sem poder aquisitivo: consumidor dos EUA aumenta em apenas 0,2% seu gasto em outubro; demanda fraca espalha anemia nas encomendas de máquinas industriais; setor rasteja em outubro pelo 2º mês seguido.
 
 Alemanha estabelece déficit fiscal zero e lava as mãos para o futuro de uma Europa assombrada pelo espectro da deflação recessiva.

Site Carta Maior



levy
 Blog Cidadania.

A escolha da presidente Dilma Rousseff para o principal cargo da equipe econômica, o de ministro da Fazenda, gerou aflição em muita gente. O Blog tem recebido mensagens via e-mail e comentários privados nesta página e nas redes sociais. Leitores perguntam se devem temer por seus empregos diante do que vem sendo pintado como a adoção pela presidente do programa econômico que ela dizia, durante a campanha eleitoral, que provocaria desemprego no país: o programa econômico de Aécio Neves.

Para começar a explicar, vale propor uma reflexão: por que a presidente faria tal maldade com o povo brasileiro? Estaria finalmente revelando uma perversidade latente que ocultou ao longo dos quase quatro anos de seu primeiro mandato ou é apenas covardia imotivada?

A revolta com a escolha do engenheiro naval Joaquim Levy para comandar a principal pasta econômica do governo federal levou muitos dos que votaram em Dilma há um mês a, agora, dizerem-se arrependidos da escolha. Um dos mais decepcionados chegou a sugerir que, diante da escolha deste ou daquele nome para o novo ministério da presidente, nada haveria a estranhar se ela colocasse o assustador deputado fluminense Jair Bolsonaro na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o que dá uma ideia do climão que se instalou entre os setores progressistas da opinião pública ante a escolha de Levy.

A materialização da escolha maldita no penúltimo dia útil da semana torna inoportunas maiores considerações sobre o que esta página vem julgando um exagero e um equívoco. Passemos, assim, às questões práticas.

A nova equipe econômica não fará algo que a anterior não faria, apesar de o agora ex-ministro da Fazenda Guido Mantega dificilmente poder ser considerado um bicho-papão como Levy. Diante disso, este Blog dará sua opinião sobre o que aconteceu na economia brasileira durante o primeiro mandato de Dilma e o que acha que deverá acontecer daqui para frente. E, ainda, irá explicar a razão da escolha de Levy e de outros ministros polêmicos do segundo mandato.

Entre 2008 e 2013, o mundo passou pela maior crise econômica da história recente da humanidade. Foi considerada mais grave do que a que quebrou a bolsa de valores americana em 1929. Sessenta milhões de empregos foram extintos em todo o planeta. Países como os Estados Unidos, o mais rico do mundo e o terceiro em qualidade de vida (segundo o IDH 2013), viram surgir favelas em seus territórios.

No Brasil, poderia ter sido feita uma política econômica que contivesse a inflação no centro da meta de 2014 (4,5%). Essa política, apesar de recessiva, segundo os economistas de linha liberal teria resultado em maior crescimento. Os investimentos do Estado em programas gigantescos de obras, a renúncia fiscal para incontáveis setores da economia, os aportes em bancos públicos para conter os juros ao consumidor e propiciar financiamento farto e crescente a esse consumidor, porém, geraram inflação mais alta.

As políticas anticíclicas (ou antirrecessivas) do governo Dilma fizeram a inflação bater no teto da meta, mas, em contrapartida, impediram o desemprego e o arrocho salarial. Com isso, o brasileiro, apesar de pagar mais caro a compra do mês no supermercado, teve dinheiro para fazê-la – e quanto mais baixa a classe social, menos os hábitos de consumo ora gastadores foram afetados pela crise devido aos salários virem subindo acima da inflação.

Houve, porém, um preço a pagar por essa proteção que Dilma deu ao emprego e ao salário: além da inflação um pouco mais alta (2 pontos percentuais a mais do que o centro da meta), houve certo desarranjo nas contas públicas. Por exemplo, o país reduziu drasticamente o superávit primário, economia que o governo faz para pagar suas dívidas.

O superávit primário, porém, é uma tara neoliberal. Sobretudo em um país que tem quase 400 bilhões de dólares de reservas cambiais e, portanto, mesmo sem economizar um centavo via superávit primário por certo tem como pagar suas dívidas. Porém, esse superávit demonstra a disposição do governo de não confrontar o investidor.

Por isso, apesar de tudo o que se falou de Levy ele deu uma declaração na edição do Jornal Nacional da data em que foi anunciado como novo ministro da Fazenda que contraria tudo o que disse a oposição durante a recente campanha eleitoral e que indica que o bicho-papão neoliberal, visto como uma espécie de genérico de Armínio Fraga, talvez venha a se mostrar muito menos malvado do que parece – ao menos por ter que se reportar a uma Dilma Rousseff.

Para ver um Levy menos carrasco do que o previsto, leia, abaixo, trecho de matéria do JN de quinta-feira 27 sobre a nova equipe econômica.

“(…)Os ministros indicados para a Fazenda e para o Planejamento anunciaram o compromisso de fazer um ajuste nas contas do governo nos próximos três anos. Descartaram a adoção de um pacote econômico e medidas drásticas para acertar as contas do país. Segundo Joaquim Levy, os ajustes serão graduais, porque o Brasil não vive uma crise (…)”

Epa! Como assim? Se Levy implementará o modelo de gestão que o ministro da Fazenda que Aécio Neves disse que nomearia, caso fosse eleito, prometeu adotar, então deveria ter, como Armínio Fraga, dito que o Brasil vive uma grave crise que requer justamente ao contrário, ou seja, “medidas drásticas para acertar as contas do país”.

Não foi o que ele disse. Ele e os outros membros da equipe econômica. Ah, ele está fazendo média com Dilma? Bem, se está fazendo média ou não, tanto faz. Sua declaração não é a que daria Fraga ou o possível ministro da Fazenda de Marina Silva, Eduardo Gianetti. Sem uma declaração catastrofista não se pode dizer que a nova política econômica será draconiana como a que prometiam o PSDB e o PSB durante a última campanha eleitoral.

Além disso – agora no campo dos fatos efetivos e não do que eles parecem ser –, a proposta da nova equipe econômica para o maldito superávit primário está longe de ser “draconiana”. Outro trecho do Jornal Nacional revela que o ajuste será mesmo gradual, de forma a não gerar desemprego e arrocho salarial.

Ele [Levy] anunciou que o governo pretende fazer, em 2015, um superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 1,2% do PIB –  que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país num determinado período. Esse número é menor do que a previsão feita pelo governo em agosto, de 2%, mas é maior que a economia esperada para 2014. Para 2016 e 2017, a meta é de um superávit primário 2% do PIB

Para quem não sabe, no tempo de FHC/Armínio Fraga (2002) o Brasil chegou a fazer superávit primário de 4,06% do PIB, o que fez o desemprego explodir para cerca de 12% no país. E, em 2003, primeiro ano do primeiro governo Lula, o superávit primário teve a maior meta da história, de 4,25%.

Detalhe: quem fez aquele superávit primário do primeiro ano de Lula foi Antonio Palocci, do PT.
Porém, como o mundo vai saindo da crise – sobretudo porque os EUA estão saindo, após mais de 5 anos de uma quase depressão econômica –, agora é hora de se preocupar com a higidez das contas públicas.
Tivemos recursos para bancar a preservação do povo brasileiro dos horrores da crise internacional. Foi como se tivéssemos uma gorda poupança da qual retiramos uma pequena parcela para atravessar um período difícil e, agora que a situação começa a melhorar, trataremos de repor o que usamos daquela reserva.

Por conta da boa situação de caixa do país, pode-se adotar, paulatinamente, uma fórmula que, mais do que as contas públicas, terá o condão de melhorar um componente da economia que, devido à política, contribuiu para manter o país estagnado durante o período em que o governo Dilma foi mais “heterodoxo”, por assim dizer: a taxa de investimento privado, que foi brecada por aquelas injunções políticas e pelo temor dos investidores que se estabeleceu.

Aliás, convenhamos, muito empresário segurou investimentos visando criar uma situação-limite para a política econômica, em uma espécie de chantagem política do capital contra o Estado.

Não adiantaria Mantega tocar a mesma política econômica dura que tocou Palocci durante o primeiro governo Lula porque antecessor de Levy perdeu a confiança do mercado ao cumprir a determinação de Dilma Rousseff de afrouxar o garrote das finanças públicas de modo a que o país não mergulhasse no desemprego e no arrocho salarial. Assim, Levy e outros ministros conservadores pretendem, agora que a direita midiática perdeu a eleição, fazer com que os empresários parem de pirraça e voltem a investir, o que é vital para o país.

É simples assim, leitor. Por conta disso, a opinião deste Blog é a de que você não precisa se preocupar com seu emprego. Mas é claro que aqui tampouco se recomenda que continue comprando o último modelo de carro ou de celular, viajando toda hora de férias com a família etc. É hora de poupar para ajudar o país a atravessar um par de anos menos duros do que foram os primeiros anos do primeiro governo Lula, mas, ainda assim, mais duros, do ponto de vista fiscal e monetário, do que entre 2006 e 2014.
PS: a nova equipe econômica também irá produzir um outro efeito benfazejo. Qual seja, o de reduzir o custo-benefício do golpe “paraguaio” que vem sendo articulado pela direita midiática praticamente à luz do dia.