Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Lava Jato: demissões, que, no Globo, viram detalhe

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Os efeitos práticos da Operação Lava Jato começam a ser sentidos na economia e na vida real da população brasileira; ontem, trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que estão com os salários atrasados, fecharam a ponte Rio-Niterói, e protestaram diante da Petrobras; na cobertura do jornal 'O Globo', a ponte se tornou 'refém de um protesto', que não teria sido devidamente reprimido; tom adotado pelo Globo é previsível; irmãos Marinho defendem o fim da política de conteúdo nacional e até a quebra das empreiteiras brasileiras; em artigo publicado na revista Fórum, o jornalista Renato Rovai defende a urgência de que a Petrobras trave a batalha da comunicação em defesa dos empregos; "Optar pelo não enfrentamento e deixar a Petrobras ao bel prazer da narrativa da mídia tradicional, que bate na companhia há um ano, é abrir mão não apenas da disputa política, mas deixar que se desconstrua toda uma estratégia de Estado erguida há anos", diz ele 

Rio 247 - A população do Rio de Janeiro sentiu, ontem, os efeitos práticos da Operação Lava Jato. Funcionários que trabalham nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, fecharam a ponte Rio-Niterói, em protesto contra os salários atrasados. O motivo: uma das empreiteiras envolvidas, a Alumini, foi atingida pela Lava Jato, perdeu o crédito na praça e entrou em recuperação judicial.
Assim como a Alumini, diversas outras empreiteiras, em especial as que tiveram executivos presos (de forma preventiva há três meses), como a OAS, entraram em grave crise financeira e estão demitindo seus funcionários. Estimativas do setor privado apontam que a Lava Jato poderá retirar um ponto percentual do PIB brasileiro em 2015, num ano já tomado por perspectivas sombrias.

Diante do quadro, a narrativa da mídia tradicional tem fechado os olhos para a crise que se avizinha – ou melhor, em alguns casos, até a estimula.

O exemplo mais emblemático é o do Grupo Globo. No fim de semana, os procuradores que conduzem a Lava Jato ao lado do juiz Sergio Moro foram tratados como heróis, em Época (leia aqui). Nesta quarta-feira, a ponte Rio-Niterói, no jornal 'O Globo', se tornou 'refém de um protesto', que, segundo o jornal, deveria ter sido duramente reprimido pela polícia. Eis a chamada de primeira página:

"Sem repressão de agendas da Polícia Rodoviária Federal, cerca de 200 funcionários do Comperj, sem salários desde dezembro, fecharam por duas horas a ponte Rio-Niterói. Milhares de pessoas ficaram presas em engarrafamentos e até ambulâncias não puderam passar na via. Para especialistas, direito de ir e vir foi ignorado."

Para o Globo, o direito dos trabalhadores ao salário, ou dos executivos presos às garantias individuais que garantem a possibilidade de se defender em liberdade, é menos relevante do que o de transitar na ponte. Por trás disso, há também uma batalha ideológica. Os irmãos Marinho, que controlam o Grupo Globo, defendem o fim da política de conteúdo nacional nas encomendas da Petrobras, a abertura do pré-sal a empresas estrangeiras, a substituição de empreiteiras nacionais por firmas internacionais e até a privatização da estatal – objetivos que podem vir a ser alcançados, a depender dos desdobramentos da Lava Jato.

Nesse contexto, é natural que o emprego e o salário do trabalhador brasileiro se transforme em apenas um detalhe. Um incômodo que atrapalha o trânsito.

Batalha da comunicação

Diante de um ano com perspectivas já sombrias para a economia brasileira, o que de pior poderia aconteceria seria a contaminação das expectativas empresariais por demissões em massa no setor empresarial, em especial na indústria naval e do setor de óleo e gás. Em razão disso, 247 republica artigo de Renato Rovai, da revista Fórum, que defende a batalha da comunicação em defesa dos empregos e do interesse nacional:

A Petrobras perde na comunicação. E o Brasil pode perder empregos

Por Renato Rovai

Fórum participou na noite desta segunda-feira (9) de um bate-papo informal promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé com o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Da conversa, que teve pouco mais de duas horas, foi possível colher informações sobre a atual situação da maior empresa brasileira e também uma certeza: a Petrobras está perdendo feio a batalha da comunicação.
Não, o ex-mandatário da companhia não disse isso, mas observando seus argumentos a respeito da crise que ronda a empresa e que é alvo principal da batalha político-midiática que ameaça o governo Dilma, é fácil chegar a essa constatação. Gabrielli discorre com facilidade a respeito de boa parte da pauta repisada por parte da mídia desde o ano passado contra a Petrobras. Não nega que haja problemas, e muitos, mas reivindica que sejam reconhecidos os avanços obtidos nos últimos anos, e pede que não se confunda a instituição com os malfeitores.

Invocou a lembrança da reorientação na direção da companhia no primeiro governo Lula, quando não só houve uma mudança na tendência ao fatiamento da empresa, que rumava em um norte privatista, como também um direcionamento para que a petrolífera passasse a fazer parte integrante das políticas públicas estratégicas do governo, fomentando, por exemplo, o renascimento da indústria naval brasileira.

O renascimento se deu com a instituição da política de conteúdo nacional. Ao invés de encomendar plataformas e outros equipamentos fora do país, a empresa passou a fazer encomendas dentro do país. Política que, agora, se encontra em risco em função da ameaça aos contratos firmados que envolvem a geração de empregos como o que estabelece a construção de 29 sondas com a Sete Brasil, empresa responsável por um programa de 25,7 bilhões de dólares. Como em três dos cinco principais estaleiros e em cinco das oito operadoras de sondas as sócias são empreiteiras envolvidas na Lava Jato, a execução do programa, que teve uma proposta de financiamento adiada pelo BNDES na última sexta-feira (6), está em risco. Estima-se em 149 mil os empregos diretos e indiretos envolvidos na construção das sondas (ver mais detalhes em matéria aqui).

O fato, reforçado por Gabrielli, mas não só por ele, é que o impacto da redução dos investimentos da Petrobras sobre a economia em 2015 pode ser um aumento do desemprego e a redução do PIB brasileiro. A médio prazo, a política de conteúdo nacional fica comprometida. Combinando-se uma política de contenção fiscal e elevação de taxa de juros, o resultado certo é uma recessão durante o ano.

E um dos grandes problemas, e isso é conclusão de quem escreve, é que o governo não tem a clareza para se expressar a respeito da Petrobras e do que ela representa com a limpidez que faz o ex-presidente da companhia em um bate-papo. Ele, aliás, foi o responsável pela montagem do Fatos e Dados, blogue da Petrobras que, no passado, desmoralizou parte da mídia tradicional ao fazer o enfrentamento não só na área da comunicação, mas também o embate político para desmentir o que revistas e jornais costumavam falar sem a devida contra-argumentação. No ano passado, em entrevista a blogueiros, o ex-presidente Lula chegou a questionar: onde está o blogue da Petrobras? Até hoje a pergunta está no ar.

Optar pelo não enfrentamento e deixar a Petrobras ao bel prazer da narrativa da mídia tradicional, que bate na companhia há um ano, é abrir mão não apenas da disputa política, mas deixar que se desconstrua toda uma estratégia de Estado erguida há anos. Ainda há tempo para reagir, mas, hoje, mais um 7 a 1 se desenha.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Petrobras: Maior prêmio da indústria de petróleo e gás offshore mundial

 Se o PT quer ir às ruas contra o golpismo, chegou a hora: trabalhadores da Comperj foram à luta e ocuparam a ponte Rio-Niterói; a Lava Jato está paralisando obras ligadas ao pre-sal; salários não estão sendo pagos. Esse é só um caso. Virão outros. Quem vai dar aos protestos o foco de uma virada em defesa da Petrobras e do Brasil?

 Escárnio: Eduardo Cunha dá a presidência da comissão de reforma política ao Demo

  O duelo entre a democracia e os mercados: acontece nesta 5ª feira o encontro entre o líder grego, Alexis Tsipras, e a guardiã da plutocrracia financeira, Angela Merkel; a alemã comanda o cerco de desgaste e inflexibilidade contra a reivindcação grega de renegociar valores e indexações da dívida de 170% do PIB

 Dar nome aos bois: sem nunca se intimidar pelo cerco conservador interno e internacional, nem deixar sem resposta o jogral do jornalismo isento, Cristina Kirchner mantem popularidade entre 30% e 35%, mais recentemente chegou à casa dos 40%; mesmo seus críticos admitem que a presidenta argentina terá influencia decisiva na sucessão presidencial de dezembro próximo país

Petrobras: Maior prêmio da indústria de petróleo e gás offshore mundial

Pelas tecnologias desenvolvidas para produção no pré-sal, Petrobras receberá em Houston (EUA) o prêmio que é considerado o 'Oscar' das empresas de petróleo

 
Petrobras: Blog Fatos e Dados
 
pac / Flickr (montagem)

















Em maio de 2015, em Houston (EUA), a Petrobras receberá pela terceira vez o prêmio OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré-Sal. Esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore.

Em 1992, a Petrobras recebeu o prêmio por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim e, em 2001, por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.

Em carta comunicando a premiação à Petrobras, o Presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destacou: “Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”

Desde 1969, a OTC promove anualmente o maior evento de negócios do mundo na área de produção offshore de óleo e gás. É frequentado por praticamente todas as operadoras de óleo e gás offshore, além de seus fornecedores. Atualmente tem uma frequência de 100 mil congressistas de 130 países.

Nele é discutido o estado da arte da tecnologia offshore de exploração, perfuração, produção e proteção ao meio ambiente e também são exibidas as mais recentes inovações em produtos e serviços da atividade de exploração e produção.

Produção no Pré-Sal

O recente recorde de produção de óleo na camada Pré-Sal, de 713 mil barris diários de petróleo, obtido em 21/12/2014, demonstra a robustez das tecnologias aplicadas.

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Créditos da foto: pac / Flickr (montagem)
 
 

Dez principais feitos tecnológicos do pré-sal

Conheça as novas tecnologias desenvolvidas pela Petrobras para a exploração do pré-sal e que lhe renderam o 'Oscar' das empresas de petróleo mundiais.

 
Blog Fatos e Dados - Petrobras
 
1-boia-sustentacao-risers.jpgPrimeira boia de sustentação de risers (BSR) - Tem como objetivo sustentar, na superfície do mar, as tubulações que conduzem o petróleo ou o gás do poço até a plataforma.

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Primeiro riser rígido desacoplado e em catenária livre, chamado de steel catenary riser (SCR) - Tubulação rígida, geralmente de aço, que leva o petróleo ou gás do poço às plataformas.

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Mais profundo steel lazy wave riser (SLWR) - Outro tipo especial de tubulação de aço, por onde passa produção de petróleo e gás dos poços até a plataforma, também instalada em águas mais profundas.

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Mais profundo riser flexível, a 2.140m - Tubulação que transfere o petróleo ou gás dos poços no fundo do mar para as plataformas de produção. Esta é a tubulação flexível em maior profundidade de água já instalada.

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Primeira aplicação de risers flexíveis com monitoramento integrado - Utilização pela primeira vez de uma tubulação flexível para transferir petróleo e gás do poço até plataforma, com controle integrado.

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Recorde de profundidade de lâmina d´água (2.103 m) para perfuração de um poço submarino com a técnica de pressurized mud cap drilling (PMCD) com sonda de posicionamento dinâmico - Poço em águas mais profundas já perfurado com a utilização de lama pressurizada. A lama é uma mistura utilizada para manter a pressão do poço durante a perfuração e evitar que suas paredes desmoronem.

7-primeiro-uso-intensivo-completacao.jpgPrimeiro uso intensivo de completação inteligente em águas ultra-profundas, em poços satélites - Poços satélites são poços produtores ou de injeção, perfurados distante da plataforma de produção.

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Primeira separação de CO2 associado ao gás natural em águas ultra-profundas - 2.220 m - com injeção de CO2 em reservatórios de produção - CO2 é um gás inodoro, incolor, não inflamavél, mais pesado que o ar, também produzido em alguns reservatórios junto com o petróleo, água e gás natural. Essa tecnologia permite separá-lo do petróleo e do gás natural para reinjeção nos reservatórios através de poços especiais, chamados poços de injeção, visando aumentar a produtividade dos poços.

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Mais profundo poço submarino de injeção de gás com CO2 - 2.220 m de lâmina d’água - Com esse poço a Petrobras bateu o recorde de profundidade de poço para injeção de CO2, visando elevar a produção de petróleo e gás natural.

10-primeiro-uso-alternado.jpgPrimeiro uso do método alternado de injeção de água e gás em água ultra-profunda - 2.200 m - A injeção de água e gás é utilizada para aumentar a produtividade dos reservatórios de petróleo e gás.



Créditos da foto: reprodução
 

JN “esqueceu” de dizer que Petrobrás se valorizou 7 vezes desde 2002



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A edição do Jornal Nacional de segunda-feira, 9 de fevereiro, gastou 4 minutos e 49 segundos para dizer que, de 2008 a 2015, a Petrobrás, devido ao que os famigerados “especialistas” da Globo chamaram de “erros de gestão”, perdeu cerca de ¾ de seu valor de mercado, passando de 510 bilhões de dólares há 7 anos para 116 bilhões de dólares hoje.
Uma dessas especialistas também se deu ao desfrute de falar que a empresa teria a maior dívida do mundo, estimada em 261 bilhões de dólares.
Abaixo, a reportagem em questão.




A primeira malandragem dessa matéria está na avaliação de 510 bilhões de dólares da Petrobrás em 2008. Ao longo daquele ano, o barril do petróleo chegou a ser cotado a 135 dólares, caindo para 48 nos últimos meses. A avaliação de que a empresa custava 510 bilhões de dólares foi feita durante a alta.
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Caso a Globo tivesse usado o preço do barril de petróleo do período de outubro a dezembro, o valor de mercado atribuído à empresa seria muito menor.
Mas a coisa não para por aí. Os “especialistas” globais comentaram o alto endividamento da empresa, de 261 bilhões de dólares, mas esqueceram de dizer que as reservas estimadas do pré-sal chegam a 27 bilhões de barris de petróleo, de modo que podem valer, ao preço atual do barril, cerca de 1,5 trilhão de reais.
Nota do editor: estimativa de volume de reservas do pré-sal é do jornal O Estado de São Paulo.
Mas o mais peculiar é que o Jornal Nacional, ao falar do valor da empresa, “esqueceu” de contar ao seu público que essa queda de valor de mercado da Petrobrás se deve muito à expressiva queda do preço do petróleo, que passou de mais de 100 dólares para cerca de 50, atualmente.
E já que o telejornal abordou o valor de mercado da Petrobrás, poderia ter tido a honestidade de contar ao seu público que, em 2002, a empresa valia apenas 15 bilhões de dólares, de modo que, se hoje vale 116 bilhões, sob os governos do PT valorizou-se mais de SETE VEZES.
Confira, abaixo, matéria de O Globo que reconhece que, no último ano do governo FHC, a Petrobrás valia, apenas, 15 bilhões de dólares.
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Claro que os flagrantes de corrupção provocaram perda de valor da empresa, mas, com tudo isso – queda do preço do petróleo e corrupção – a Petrobrás é, hoje, muito mais forte e promissora do que há 12 anos. Assim, atribuir apenas deméritos a ela não passa de politicagem barata, “esporte” que a toda-poderosa Globo não se cansa de praticar.

Os imorais da “moralidade”

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Num editorial que só pode ser crível para a famosa e crédula Velhinha de Taubaté,do Luís Fernando Veríssimo,  O Globo sai hoje, outra vez, em defesa da institucionalização da corrupção nas campanhas eleitorais.
Diz o jornal que “entorta-se a discussão, partindo de episódios pontuais, para generalizar a questão” sobre o fato de empresas irrigarem, a seu gosto, com milhões de reais, a campanha eleitoral de candidatos a deputado, senador, prefeito, governador e Presidente da República.
“O problema não é a presença de empresas nas listas legais de doações. O que se deve combater é a falta de transparência, a tibieza dos mecanismos de controle, fiscalização e normatização, de modo a conter abusos”.
Mecanismos tíbios? A burocracia das comprovações de despesas eleitorais dos candidatos já se tornaram calhamaços contábeis impossíveis de examinar.
Se não houver um pilantra que faça, tirando o seu, a intermediação de recursos para candidaturas, como é que se vai provar que a empreiteira A ou o banco B “doou” aquilo que ganhou indevidamente em uma obra pública ou porque empresas a eles ligadas receberam concessões?
Basta “doar legalmente” e a propina estará absolutamente lavada, a menos que os tribunais analisem, uma a uma, as planilhas de custos de obras federais, estaduais ou municipais?
Ou serão os ladrões apanhados na roubalheira e a imprensa conservadora que decidirão quais serão as doações formais que são “espontâneas” e as que são produto de sobrepreços e  contratos marotos.
Ou o critério é “o que é do PT é manchete, o que é do PSDB não sai”, como pontificou o jornalismo da Rede Globo, estes dias?
O jornal chega a defender o “caixa-2″, que seria, embora deletério, ” um elemento da política”.
Bloquear as doações empresariais iria trazer  “o consequente incremento dos canais subterrâneos de irrigação de candidaturas”, argumenta candidamente o texto, como se o problema não fosse o dinheiro, mas a forma com que ele chega.
E, depois, como iria aumentar se, além do mais, isso exigirá uma operação criminosa complexa, para dar baixa em dezenas, centenas de milhões de reais de forma clandestina.
O editorial de O Globo só se presta para enganar os muito trouxas, aplaudir – envergonhadamente – a chicana jurpidica do “pedido de vista” feito por Gilmar Mendes que impede a aplicação já tomada pelo Supremo Tribunal Federal de proibir as doações empresarias e, acima de tudo, saudar a ação de Eduardo Cunha em colocar em votação uma reforma legal que torne inócua a decisão  judicial.
O importante, confessa O Globo , é barrar “uma ampla reforma política, agenda oportunista do PT, que abriga a proposta de financiamento público de campanhas como complemento da proibição a pessoas jurídicas.”
Assim, as empresas poderão continuar  a exercer sua “cidadania” (só aqui no Brasil empresa tem cidadania!) e a despejar recursos em quem quiserem, certamente em troca apenas de um sorriso e um “muito obrigado”.
Francamente, nem a Velhinha de Taubaté.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Guerra política contra Dilma prejudicará a todos “democraticamente”

dilma

Em 29 de junho de 2013, após três semanas seguidas de protestos diários pelo país, com centenas de milhares de pessoas indo à rua e promovendo o caos, o Datafolha divulgou pesquisa de opinião mostrando expressiva queda da aprovação a Dilma Rousseff, bem maior do que a verificada em pesquisa do mesmo instituto divulgada no último sábado.
Há cerca de um ano e meio, dos 57% de bom e ótimo que a presidente tinha antes de aqueles protestoseclodirem, o percentual caiu para 30%. Desta vez foi pior: Dilma perdeu 19 pontos percentuais, caindo de 42% para 23%, enquanto a taxa de ruim e péssimo explodiu, indo de 24% em dezembro para 44% agora.
O que é mais preocupante para a presidente é que, na pesquisa de junho de 2013, sua taxa de ruim e péssimo subiu de 9% para 25% e, agora, subiu de 24% em dezembro último para 44%. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso que um presidente não tinha rejeição tão alta.
Apesar desse quadro tétrico, Dilma tem motivos para ter esperança de melhora. Assim como ela se recuperou do baque de junho de 2013 e acabou se reelegendo, ainda que por margem apertada, o mesmo pode acontecer ao longo do ano. Isso porque alguns dos motivos que estão presentes no novo desmoronamento de popularidade também estavam no anterior.
Análise ponderada dos fatos mostra que, assim como em 2013, desta vez também foi a esquerda que desencadeou a queda de popularidade acentuada da presidente. Mas não é só. Desta vez também está presente uma percepção popular sobre a economia que contribuiu para a queda de popularidade do ano retrasado.
Na pesquisa de junho de 2013, disparou para 44% a taxa dos que acreditavam que o desemprego iria aumentar; na pesquisa divulgada no sábado, o pânico com a economia foi ainda maior, com 60% temendo pelo emprego.
Em 2013, o medo da inflação também revelou uma das principais razões para a queda de popularidade da presidente. Em junho daquele ano, 54% acreditavam em disparada da inflação; hoje, o percentual, espantoso, é de 80%.
A grande semelhança entre os dois momentos é que em junho de 2013 tampouco havia razão material para o descontentamento da população com o governo federal. A população não se revoltava com o que estava acontecendo, mas com o que a induziram a crer que iria acontecer.
Hoje, como em 2013, o desemprego é baixíssimo, o salário subiu ainda mais e a inflação está controlada – terminamos 2014 com a inflação de novo dentro da meta.
Porém, assim como em 2013, de novo a esquerda (incluindo setores do PT) fomentou a revolta da população; essa esquerda (incluindo, de novo, setores do PT) desencadeou uma enorme ofensiva nas redes sociais contra nomeações de ministros considerados de direita – Katia Abreu, na Agricultura, e Joaquim Levy, na Fazenda.
A casa de Dilma começou a cair em novembro do ano passado, com manifesto de intelectuais que apoiaram a sua reeleição. Cerca de 30 dias após a presidente se reeleger, esses intelectuais fizeram uma acusação tácita a ela ao pedirem que cumprisse o programa de governo com o qual se apresentara nas urnas. Ou seja, acusaram-na de estelionato eleitoral.
Chega janeiro e Dilma nomeia os ministros Abreu e Levy, desencadeando uma onda de críticas à esquerda que foi aumentando mesmo após semanas das nomeações. Esperta, a mídia antipetista tratou de divulgar fartamente que o próprio PT e sua militância estavam acusando Dilma de estelionato eleitoral, enquanto Aécio dizia a mesma coisa.
A tese do estelionato eleitoral, agora coonestada por boa parte dos próprios correligionários de Dilma e por ex-simpatizantes da candidatura presidencial do PT, tornou-se uma tsunami que engolfou a opinião pública.
Além disso, a mídia tratou de ludibriar a população inventando uma crise de energia elétrica  – que não existe – e, tacitamente, culpou o governo federal pela crise hídrica em São Paulo, onde, segundo o Datafolha, 53% acreditam que Dilma e o prefeito Fernando Haddad são responsáveis pelo racionamento velado de água que a população vem sofrendo.
Por fim, alguns formadores de opinião conseguiram “viralizar” a teoria de que Dilma deveria usar rede nacional de rádio e televisão para se defender das críticas, o que não poderia fazer sob pena de ser acusada judicialmente de usar um equipamento público para fins políticos, já que rede nacional, por lei, só pode ser usada para comunicar assuntos de interesse da população, nunca para fazer política – e Dilma se defender em rede seria fazer política.
A boa notícia é a de que, se o governo conseguir impedir que os vaticínios catastrofistas sobre a economia se materializem, sua popularidade irá se recuperar. Se não houver aumento do desemprego e da inflação, a parcela da opinião pública que foi colocada em pânico tende a reverter sua posição política.
A má notícia é a de que tudo o que está acontecendo na política está influindo drasticamente na economia. O tratamento escandaloso que a mídia vem dando à Operação Lava Jato pode obrigar a Justiça a impedir que as empreiteiras acusadas operem as grandes obras em curso no país, o que irá fazer o desemprego explodir. Além disso, investidores, assustados com o quadro político, tendem a se retrair.
O bombardeio político de Dilma e seu enfraquecimento em sua base de apoio, portanto, podem causar um desastre econômico, fazendo explodir o desemprego e a inflação. Nesse contexto, o país seria tomado pelo caos. Ressurgimento de novas manifestações de rua seria mais do que provável.
Na grande mídia, vários analistas vinham dizendo que tudo de que o PSDB e a mídia precisam para propor o impeachment de Dilma ao Congresso é perda de apoio popular. Com o último Datafolha, a direita ganhou o instrumento de que precisava. Porém, a expectativa é que espere a situação se agravar mais um pouco.
O que Dilma pode fazer é tentar dialogar com o país e, sobretudo, com os movimentos sindical e sociais e com setores do PT e da militância partidarizada ou independente que, até aqui, dizem aos quatro ventos que se arrependeram do voto na presidente por conta das nomeações daqueles dois ministros e de algumas medidas de austeridade no seguro-desemprego e em mais alguns outros benefícios trabalhistas,
Outra possibilidade que pode melhorar a perspectiva do país é o instinto de sobrevivência do empresariado. Inclusive do grande empresariado. A política está destruindo a economia brasileira e, com isso, eles amargarão prejuízos astronômicos enquanto os trabalhadores mergulharão no desemprego e no arrocho salarial.
Ou seja: a qualquer um que tenha cérebro não interessa continuar pondo lenha na fogueira contra Dilma, seja essa pessoa de direita, de centro, de esquerda, do que for. Contudo, o país vive uma catarse. A política está sabotando a economia e até quem não quer o caos cedeu ao canto da sereia da mídia ou de formadores de opinião independentes.
Na atual situação, só um pacto pela governabilidade e pela defesa dos interesses de TODOS – trabalhadores e empresários, esquerdistas e direitistas – pode evitar uma tragédia econômica que jamais aconteceria sem essa maldita guerra política que vem prejudicando tanto um país que tem tudo para continuar melhorando como vinha fazendo há mais de uma década.
Uma distensão política permitiria que terminássemos 2015 sem ganhos econômicos, mas sem desastre. Se prevalecerem os interesses políticos dos derrotados na eleição de 2014, porém, aí todos terão motivos de sobra para se preocupar. E a queda de Dilma não resolveria nada, só agravaria, pois quem a sucederia seria bem mais duro nos ajustes econômicos.

Levy, a Merkel é o maior monstro da Europa​ Uma política de austeridade que não produziu nada, a não ser a ruína social em toda a Europa.



Amigo navegante sugeriu republicar essa traduçao de um artigo no Guardian inglês:


Merkel é o maiormonstro da Europa



Owen Jones, no The Guardian

Angela Merkel é a líder mais monstruosa da Europa Ocidental desta geração. Políticos que infligem  crueldade econômica em larga escala e destróem a vida de milhões de pessoas acabam não tendo que enfrentar a Justiça.

Mas, Merkel, sem dúvida, permanece sob julgamento e foi condenada no banco dos réus da História.

Sumos sacerdotes da austeridade da União Européia  evocam as palavras do inflamado discurso de Charlie Chaplin, no fim de “O Grande Ditador”: “Homens máquinas, com mentes máquinas e corações máquinas”.

Os gregos se rebelaram contra os homens e mulheres -máquina -  e estão clamando para que outros os sigam.

Aliviar a dívida da Grécia faz sentido econômica e moralmente

Merkel, os burocratas da União Européia e financistas internacionais são cruéis, mas não estúpidos: eles sabem que a esperança é um contágio, e farão tudo o que puderem para que o movimento Syriza pare de inspirar outros.

Merkel já exigiu que Alexis Tsipras, o novo primeiro-ministro grego, ignore o seu mandato democrático e apoie as medidas de austeridade impostas do exterior.

No período de preparação para a eleição, vazamentos de informação do governo alemão sugeriam  a saída da Grécia da Zona do Euro: uma mensagem clara para que o povo grego não votasse da maneira errada.

Para aqueles que querem que a Europa tenha um futuro que não seja o da queda do padrão de vida, aumento da insegurança e retirada da provisão social, é a política de Merkel e das elites podres que ela representa que deve se submeter a um ajuste de contas.

Considere a espetada que o ganhador do Premio Nobel, o economista Paul Krugman está dando na política que destruiu um quarto da economia grega.

Como observa Krugman, a troika – FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia – promoveram “uma fantasia econômica”, pela qual os gregos pagaram.

Eles projetaram que o desemprego atingiria o pico de 15% em 2012 e, em lugar disso, a projeção foi arremessada para mais de 25%.

Krugman despiu a mentira de que os gregos não se impuseram austeridade suficiente: os gregos, na verdade, cortaram ainda mais do que foi planejado e, como a economia entrou em colapso, também as receitas fiscais sofreram mais do que o planejado.

Os gregos têm que viver dentro de suas posses; eles estão sofrendo, agora, pelos  anos de libertinagem, ao contrário do austero Estado alemão – e assim segue o mantra.

A Grécia foi mais atingida pela fraude e a evasão fiscal do que a maioria das nações, e o Syriza promete uma repressão radical a ambos.

Porém, os mitos que sustentam a mal velada punição coletiva seriam destruídos.

Como um editorial da Bloomberg postou: “Cada devedor  irresponsável é legitimado por um banqueiro  irresponsável.”

A Alemanha mamou dinheiro em países como a Grécia e Espanha – essa é a “magia” dos mercados desregulados – e, dessa forma,  “emprestou mais do que os devedores  podiam pagar “.

Os bancos alemães e os políticos alemaes  deveriam saber que isso acabaria em desastre.

Então, por que não agiram? Simples: a ganância.

Como Kevin Drum, um analista norte-americano, explica: concederam “aos poupadores alemães um lugar para investir dinheiro” e “forneceram à periferia – Grecia, Espanha, Portugal … -   dinheiro barato o suficiente para construir um próspero mercado para as exportações alemãs”.

Quais foram os primeiros países da UE a desrespeitar os tetos do Orçamento ?

A Alemanha e França? Poderosas como eram, elas não enfrentaram qualquer represália.

Isso absolve as elites gregas – atenção, não o povo grego – de seu papel na calamidade ? Claro que não.

Mas, Merkel deveria estar pedindo perdão também.

Tudo o que os dirigentes europeus têm a oferecer são sociedades falidas e pessoas falidas.

Mais da metade dos jovens na Espanha e na Grécia estão sem trabalho, o que deixa marcas: além da angústia, eles enfrentam a possibilidade de desemprego e salários mais baixos pelo resto de suas vidas.

Direitos dos trabalhadores, serviços públicos, um Estado de Bem-Estar: o que foi conquistado com alto custo por pessoas fortes e de visão é agora destruido.

(…)

É por isso que a Grécia tem de ser defendida com urgência – não apenas para apoiar um governo democraticamente eleito e as pessoas que o colocaram lá. E

As elites europeias sabem que, se as exigências do Syriza forem cumpridas, então, outras forças de mesma opinião serão  encorajadas.

Na Espanha, o Podemos, um movimento anti-austeridade,  que está em alta, e deverá triunfar nas eleições deste ano.

O Syriza já conquistou mudanças: a limitada flexibilização quantitativa do Banco Central Europeu  é, em parte, uma resposta à sua ascensão.

Mesmo o conhecido radical Reza Moghadam,  Vice-Presidente do banco Morgan Stanley para mercados de capitais globais, e ex-chefe do Departamento Europeu do FMI, considera que o Syriza tem uma forte posicao de negociaçao.

O precedente de uma saída da Zona do Euro levaria o mercado a punir outros membros e, em consequencia, provocaria outros pedidos de perdão da dívida da Grécia.

A vitória da Grécia é possível, mas depende de pressão popular por toda a Europa.

Se o Syriza vencer,  será uma vitória impressionante para todas as forças anti-austeridade, e ajudará a mexer no equilíbrio de poder na Europa.

Mas, se a Grécia perder, os governos e os bancos  tentarão sufocar o Syriza  logo no inicio do Governo.

Será o triunfo da austeridade sobre a Democracia.

O futuro de milhões de europeus – gregos, franceses, espanhóis e também britânicos – será desolador.

Por isso, é importante um movimento para defender a Grécia em ruínas.

A  Alemanha derrotada se beneficiou do alívio da dívida em 1953, e temos de exigir o mesmo  para a Grécia hoje.

Devemos apoiar o pedido do Syriza para encerrar uma política de austeridade que não produziu nada, a não ser a ruína social em toda a Europa.
Posters do Syriza proclamavam:

“A esperança está a caminho”.

(…)

É um jogo de apostas altas: a derrota significará mais incontáveis anos de pesadelo econômico.

Esta reprise da década de 1930 pode ser encerrada – desta vez, pela Esquerda democrática, ao invés da Direita fascista e genocida.

A era de Merkel e os homens-máquina pode estar no fim.

Cabe a todos nós agir, e agir rapido.



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Os pobres que se lixem. Piketty e o ajuste do Levy


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Globo mandou remover todas citações a FHC em reportagens sobre Lava Jato

Globo mandou remover todas citações a FHC em reportagens sobre Lava Jato.

 Miguel do Rosário

O PIG - globo logo golpe golpista cópia

Trecho de post do Nassif, publicado hoje em seu blog:

O jogo da informação

É por aí que se entende a campanha da mídia em busca do impeachment.
Os vícios do modelo político brasileiro afetam todos os partidos. Mais ainda o governo FHC com a compra de votos e as operações ligadas ao câmbio e à privatização. A gestão Joel Rennó foi das mais controvertidas da história da empresa.

Ao tornar o noticiário seletivo, os grupos de mídia conspiram contra o direito à informação, centrando todo o fogo em uma das partes e blindando todos os malfeitos dos aliados.
Ontem, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou um e-mail a todos os chefes de núcleo com o seguinte conteúdo:

“Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato
Atenção para a orientação

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

O recado se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula.

No Jornal Nacional, o realismo foi maior. Não se divulgou a acusação de Barusco, mas deu-se todo destaque à resposta de FHC (http://migre.me/oyiwP) assegurando que, no seu governo, as propinas eram fruto de negociação individual de Barusco com seus fornecedores; e no governo Lula, de acertos políticos.

Proibiu-se também a divulgação da denúncia da revista Época (do próprio grupo) contra Gilmar Mendes.
*
Que primor de “isenção”!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Eduardo Cunha é a chave da privataria na Petrobrás

Eduardo Cunha

No primeiro domingo de fevereiro, estará em jogo o destino do Brasil nos próximos quatro anos. O homem que ocupará o terceiro posto na linha sucessória da Presidência da República começa a ser definido. Eduardo Cunha, do PMDB (RJ), Júlio Delgado, do PSB (MG), e Arlindo Chinaglia, do PT (SP), disputarão a Presidência da Câmara dos Deputados.
A intensidade da disputa pelo cargo vem surpreendendo o país. Com foco em apenas 513 eleitores, a campanha eleitoral para definir o novo presidente da Câmara vem mobilizando recursos dignos – se é que cabe o termo – de uma eleição para o poder Executivo. Fortunas estão sendo gastas com jatinhos, salões de convenção em hotéis e mimos de toda sorte aos eleitores.
O que mais impressiona é que até o candidato governista vem alardeando “independência” do Planalto. O que antes chegou a ser um ativo, proximidade com o Planalto agora virou demérito.
O favorito para presidir a Casa continua sendo o candidato do PMDB. Desafeto declarado do Planalto, está sendo apoiado (veladamente) pela maioria do PSDB, que, pró-forma, diz apoiar o candidato socialista de Minas. Mas como a eleição do presidente da Câmara deve ir para o segundo turno, Cunha será o beneficiário dos votos tucanos.
Mas o que tem a ver a eleição na Câmara com o processo de sabotagem que está esfacelando a maior empresa brasileira?
Ao longo de 2014, as ações da Petrobrás perderam cerca de 37% do valor em relação a 2013. A empresa perdeu R$ 87,182 bilhões em valor de mercado, caindo de R$ 214,688 bilhões em 2013 para R$ 127,506 bilhões em 2014. E, só em janeiro deste ano, a empresa perdeu mais 20% de seu valor de mercado.
Esse esfacelamento da Petrobrás, porém, não irá matá-la. Apenas irá tornar baratíssima uma empresa que, atualmente, controla uma das maiores reservas de Petróleo do mundo.
O petróleo pode oscilar de valor – no momento, o preço despencou –, mas, por ser um recurso finito, quem controla grandes reservas dessa commoditie sabe que cedo ou tarde irá auferir lucros estratosféricos.
Neste ponto, as lentes deste texto se voltam para a dita “grande imprensa” brasileira, a famigerada “mídia”. Meia dúzia de mega empresários controlam praticamente toda a comunicação de massa no Brasil e estão prestando um serviço inestimável àqueles que salivam diante da possibilidade de privatização da Petrobrás, pois, como deve ser, veem a empresa com os olhos postos no futuro.
A “grande imprensa brasileira” já se beneficiou de privatizações antes. Ao longo da famigerada “privataria tucana”, levada ao cabo no fim do século passado pelo governo Fernando Henrique Cardoso, veículos de comunicação que divulgavam editoriais furiosos em favor das privatizações foram os primeiros a comprar o que estava sendo vendido a preço de banana.
Quem quiser conferir melhor essa divisão do saque ao patrimônio público pode acessar o estudo “INVESTIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL: DOIS VETORES DA MESMA ESTRATÉGIA”. Esse estudo não contém opiniões, contém fatos – quem comprou o quê durante o processo de privatização do governo FHC.
Entre esses, esteve o jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, que, durante a privataria do Sistema Telebrás, comprou parte da cobiçada Área 1, que incluía a região metropolitana de São Paulo.
A Bell South (operadora americana líder absoluta na telefonia celular da América Latina nos anos 1990) participou do consórcio BCP, que adquiriu a área 1 (região metropolitana de São Paulo), pagando um valor de R$ 2,647 bilhões pela concessão – isso mesmo, 2 bilhões e pouco de reais, acredite quem quiser.
O consórcio BCP virou operadora de telefonia com esse mesmo nome. O grupo que comprou o filé da telefonia brasileira a preço de banana foi formado pelo Banco Safra e pela OESP (grupo formado pelo jornal O Estado de São Paulo) e pela Splice (fabricante de telequipamentos sediado no estado de São Paulo).
Talvez por conta de justiça divina, porém, o negócio foi um mico e a difícil situação econômica do Estadão, hoje, deriva da negociata em que se meteu ao vender aos brasileiros que a privataria tucana lhes seria favorável só para que pudesse participar da pilhagem do Sistema Telebrás.
Todos os outros grandes grupos de mídia, de uma forma ou de outra, participaram da pilhagem do patrimônio público brasileiro pelo governo FHC. E, agora, esses mesmos grupos de mídia salivam diante das incomensuráveis reservas do pré-sal, controladas pela… Petrobrás!
Contudo, Dilma Rousseff tem um mandato de quatro anos pela frente – uma eternidade, por certos critérios. Um desses critérios é o prazo de maturação do pré-sal. Daqui a quatro anos, o Brasil estará sob uma chuva de dinheiro oriunda da exportação de Petróleo. Se a empresa continuar sendo patrimônio público, o petróleo financiará educação de boa qualidade para uma geração inteira e mudará o Brasil para sempre.
Porém, com Dilma no cargo não vai rolar. Podem atacar a Petrobrás de tudo quanto for jeito que não vai adiantar. O regime de exploração do pré-sal continuará sendo o de partilha (o Estado contrata empresas privadas para retirar o petróleo do mar e lhes paga comissão) e privatizar a empresa, nem pensar.
A “solução” para que a mídia e uma meia dúzia de expoentes do PSDB possam enriquecer de forma inimaginável com uma eventual privataria também na Petrobrás, é uma só: há que derrubar Dilma Rousseff e estraçalhar politicamente o PT. Aí estará aberto o caminho para o maior saque ao patrimônio público da história do Brasil.
É aí que entra Eduardo Cunha. Desafeto declarado de Dilma e do PT, lobista de empresas de telefonia e tantas outras, metido em transações obscuras, para se viabilizar como candidato à Presidência da Câmara ele teve que chegar ao ponto de, há poucos dias, negar que, vencendo a eleição, irá aceitar pedido de impeachment de Dilma – receber ou não um processo como esse é atribuição do presidente da Câmara.
Por outro lado, o ex-vice-governador de São Paulo Alberto Goldman, ao longo deste janeiro de 2015 declarou, mais de uma vez, que o seu partido está disposto a embarcar na aventura do impeachment da presidente da República.
Como não poderia deixar de ser, ninguém acredita em Cunha quando ele nega que irá patrocinar um processo de impeachment da presidente da República.
O jornal Folha de São Paulo deste sábado (31/01), por exemplo, publicou editorial em que reconhece que o peemedebista, presidente da Câmara, simboliza a instalação do processo contra Dilma.
cunha 1
No mesmo jornal, no mesmo dia, o ex-porta-voz do governo Lula André Singer, filho do economista Paul Singer, concorda com o editorial em sua coluna sabática.
cunha 2
Se o impeachment pode vingar caso Cunha seja eleito? Difícil dizer. Se persistir a atual situação de fragilidade política de Dilma, a dúvida de que essa aventura terá sucesso é pequena. O apoio político do novo governo, no momento, é relativo até em seu próprio partido. E com o juiz Sergio Moro tratando de tentar envolver a presidente e Lula, tudo se complica ainda mais.
Cunha, portanto, é a chave para que Globo, Folha, Veja e Estadão, entre outros menos favorecidos, lucrem fortunas imensuráveis com a privatização da Petrobrás e adquiram um poder quase de Estado em um eventual governo ultraconservador que pode advir da derrubada do atual governo e do esfacelamento do PT.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Entrevista de Rossetto a blogueiros valeu pelo que ele não disse

rosseto capa

A entrevista que o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rosseto, concedeu a blogueiros na última quinta-feira (29/01) deveria ser comemorada por todo aquele que vem reclamando do silêncio do governo diante de uma onda de ataques que vem sofrendo que congrega esquerda e direita, incluindo parcela significativa do PT.

Na primeira reunião da presidente Dilma Rousseff com o novo ministério, na semana que finda, ela quebrou o silêncio de algumas semanas – derivado da intensa agenda de trabalho gerada pela reorganização do governo, que formar esse novo ministério demandou – e deixou ver que o silêncio desse início de ano foi meramente estratégico e episódico.

Agora, o convite de Rossetto a blogueiros sinaliza a estratégia política do segundo mandato de Dilma. Aliado ao chamamento da presidente para que seus ministros “travem a batalha da comunicação”, o convite denota entendimento dela de que, sem priorizar essa comunicação, eventuais bons resultados de seu
governo poderão ser anulados e até revertidos.

Infelizmente, alguns que possam ter esperado demais da entrevista de Rossetto a blogueiros, acabaram se decepcionando. A repercussão da entrevista nas redes sociais não chegou a ser negativa, mas tampouco foi positiva devido à expectativa de que o ministro mais próximo da presidente da República desse esclarecimentos que sua posição não lhe permite.

Confira, abaixo, algumas opiniões sobre a entrevista que se viu nas redes sociais.
rosseto 1

A amostragem acima resume a forma como as respostas do ministro aos blogueiros foram recebidas. Até porque, o tom das perguntas foi de cobrança mesmo, inclusive por parte deste que escreve.

Este blogueiro tinha a obrigação de apresentar ao ministro os questionamentos que têm sido feitos não só à comunicação do governo, mas, também, à formação do novo ministério e às medidas da área econômica que, segundo a mídia tucana, a oposição e até setores do PT e dos movimentos sociais ligados ao partido têm feito em uníssono, como as mudanças no seguro-desemprego.

Além disso, questionei o tão alardeado desmonte de políticas anticíclicas que surgiram ao fim do governo Lula devido à crise econômica internacional, e que permearam os quatro primeiros anos do governo Dilma.
Para quem não sabe o que são políticas anticíclicas, para simplificar explico que são medidas destinadas a estimular a economia através de gasto público. Por exemplo, os juros subsidiados pelo BNDES, a grande oferta de crédito pelos bancos públicos, os programas de infraestrutura do PAC etc.

O ministro Rossetto, até pelo cargo que ocupa, não poderia avançar tanto no debate quanto seria esperável porque o que ele diz é imediatamente identificado com o que pensa a presidente, de modo que suas respostas foram mais protocolares do que se esperava – ainda que esperar mais não fosse correto.

Obviamente que ele negou desmonte das políticas anticíclicas que, aliás, chegou a ser anunciado pelo então ministro da Fazenda Guido Mantega durante a campanha eleitoral do ano passado. Além disso, Rossetto negou supressão de direitos trabalhistas e adoção de políticas neoliberais pelo segundo governo Dilma.

Apesar disso, as medidas de austeridade estão sendo tomadas. Os cortes no orçamento estão ocorrendo, os juros estão subindo.

A situação que leva o governo a adotar tais medidas não é tão difícil de entender. E, para entender, temos que analisar dados recentes da economia brasileira divulgados ao longo da semana que finda.

A inadimplência segue baixíssima no país, ao redor de 3%; o desemprego despencou em 2014, em relação a 2013, ficando em 4,8%; o salário médio do trabalhador continua subindo sem parar, atingindo, em 2014, mais de 2,1 mil reais. O crescimento da massa salarial em 2014 foi de quase 3% em relação a 2013.

Ora, são dados positivos, pois não? Mais ou menos. Para que a situação dos brasileiros continue melhorando de forma tão impressionante, a economia precisa crescer. Como pode o salário médio ter uma valorização de 3% se a economia não deve crescer nem 0,5% neste ano? Como podemos continuar gerando tantos empregos se as empresas não estão tendo crescimento de faturamento?

O que acontece é que ao longo da crise econômica internacional os cofres públicos vêm financiando a boa situação do emprego e do salário, preservando os brasileiros da crise. Porém, tudo tem um limite.

Para que o leitor entenda o que está acontecendo, usemos uma metáfora. O seu salário está estagnado. Há sete anos você não recebe aumento. Porém, como tudo sobe – até porque, há inflação –, a cada ano você gasta mais para pagar suas contas. Chega um momento em que você começa a ter que tirar dinheiro da poupança para complementar o seu salário.

É isso que o Brasil tem feito. Tem descapitalizado os cofres públicos para impedir queda no padrão de vida da população.

O Brasil não precisaria estar nessa situação. Se não fosse a política, já poderíamos estar crescendo e financiando de forma mais sadia a manutenção da progressiva melhora de vida que os brasileiros vêm experimentando. Porém, o país vem sendo sabotado pelos mesmos que reclamam do governo.

A partir de meados de 2013, o Brasil foi tomado por uma convulsão social. As (mal)ditas “jornadas de junho” assustaram o capital, os investidores, que paralisaram projetos diante da incerteza política. Os escândalos de corrupção e o terrorismo o econômico aprofundaram essa afasia investidora dos grandes capitalistas.

Sem investimento, não há crescimento. E a necessidade política de financiar o bem-estar da população, a despeito da anemia econômica, ajudou a desestimular os investidores.

A indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda constituiu-se em uma senha aos investidores, no sentido de que o Brasil irá diminuir o uso da “poupança” ou do “cheque especial” para impedir que a população sinta a crise.

As centrais sindicais, os movimentos sociais e até setores do próprio partido do governo esperneiam com certa razão . Se formos olhar o quadro única e exclusivamente pela ótica do trabalhador, os cortes de gastos irão impedir que sua situação continue melhorando de forma tão veloz quanto indicaram os números recentes sobre emprego e salário.

A retomada do investimento, porém, não depende apenas da política econômica. Na semana que chega ao fim, um colunista do jornal Folha de São Paulo comparou a presidente Dilma à Geni da célebre canção do compositor e cantor Chico Buarque.

Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!

Falar mal de Dilma Rousseff virou “cool”, coisa dos moderninhos, descolados. Até petistas aderiram. Enxovalhar a presidente virou uma espécie de “senha social”. Quem não malha é tido e havido como “adesista”, “governista”, “chapa-branca” etc.

Este blogueiro, nos últimos dias, chegou a ser chamado de “blogueiro governista” por ninguém mais, ninguém menos do que militantes do PT. É impressionante o linchamento que Dilma vem sofrendo.

Com essa situação política o investidor tem dúvidas sobre as condições do governo de implementar suas políticas de austeridade e investidor com dúvidas significa investidor que não investe, e sem investimento o país vai quebrar se continuar financiando melhora de salário e aumento do emprego.

Se a gritaria anti-Dilma ficar restrita à mídia oposicionista e à oposição, não é tão ruim. Há cerca de 12 anos que esse grupo político ataca de forma sistemática. É esperável. Mas quando supostos aliados do governo e até o partido da presidente atacam, a fraqueza desse governo torna proibitivo o investimento – há dúvida até sobre se Dilma conseguiria terminar seu mandato.

O fuzilamento público de Dilma, pois, é ruim para o país. Não estamos falando de críticas ponderadas, estamos falando do linchamento pessoal que ela vem sofrendo.

Nesse aspecto, a iniciativa do governo de entabular diálogo com setores que vêm se indispondo consigo revela que Dilma entende que precisa conseguir boa vontade onde é possível – não entre a oposição, não entre a grande mídia, mas entre a esquerda, entre os movimentos sociais etc.

Rossetto convidou um grupo plural de blogueiros. Entre os que estiveram consigo na última quinta-feira, alguns representam setores mais tolerantes e outros mais radicais da esquerda. Quem assistiu à entrevista, viu blogueiros que costumam ser chamados de “chapa-branca” criticando duramente as últimas medidas de austeridade.

A recente aproximação do governo com setores da esquerda que estão coonestando as críticas da direita busca fazer esses setores entenderem que aumentar o tom da gritaria anti-Dilma prejudica o país e não muda uma realidade: há que reativar os investimentos ou, do contrário, além de quebrar, o Brasil terá outro governo, que adotará medidas exponencialmente mais duras.

Rosseto não poderia fazer milagres em sua entrevista além de garantir que o governo fará tudo para que os ajustes sejam os menos duros que for possível. E, ao buscar o diálogo e admitir que algumas das medidas de austeridade poderão ser rediscutidas com a esquerda, abriu a porta para um entendimento de que o Brasil precisa desesperadamente.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Grécia suspende privatizações Tsipras avisa à Alemanha: a recusa em negociar poderá conduzir “a uma ruptura desastrosa recíproca”.

 Grécia suspende privatizações.
 
Tsipras avisa à Alemanha: a recusa em negociar poderá conduzir “a uma ruptura desastrosa recíproca”.
  


Os neolibelês queriam vender o porto do Pireu, com a Melina Mercouri junto...
Saiu no Publico, de Portugal:
 


Novo Governo grego anuncia suspensão de privatizações e promete resposta à crise social.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, iniciou o primeiro Conselho de Ministros assegurando que o novo Governo está pronto a “derramar o seu sangue” para “restabelecer a dignidade dos gregos”. Em cima da mesa desta reunião inaugural estão algumas medidas emblemáticas do programa eleitoral do Syriza, a começar por uma imediata suspensão de privatizações.

“Entre as nossas prioridades figura uma nova renegociação [da dívida pública] com os nossos parceiros para encontrarmos uma solução justa, viável e mutuamente benéfica, para que o nosso país saia do círculo vicioso de dívida e recessão”, declarou o chefe de Governo, na fase inicial da reunião, aberta à comunicação social. Numa resposta à torrente de avisos que chega de outros países da União Europeia, Tsipras avisou que a recusa em negociar poderá conduzir “a uma ruptura desastrosa recíproca”.

Com a bolsa de Atenas a cair e os juros da dívida a dez anos acima dos 11%, o novo executivo não parece querer perder tempo. À entrada para a reunião, Panayiotis Lafazanis, o novo ministro da Produção, Ambiente e Energia, anunciou que o Governo vai suspender “imediatamente” o processo de privatização das operadoras de electricidade. Já o vice-ministro da Economia, Jrístis Spirtzis, assegurou que serão travadas todas as privatizações que “sejam contrárias aos objectivos sociais” do Syriza, a começar pela “imediata suspensão” da venda de 67% do histórico porto de Pireu.

São igualmente esperados anúncios de medidas para melhorar a qualidade de vida dos gregos, incluindo a promessa de distribuição gratuita de energia às famílias em maior dificuldade, para as quais estão igualmente prometidas bolsas de alimentos. O executivo quer também pôr em marcha a lei para repor o salário mínimo nos 751 euros (contra os 580 actualmente em vigor), suspender o programa de avaliações e mobilidade na Função Pública e criar mecanismos que facilitem o pagamento de impostos em atraso, adianta a AFP.

Boa parte destas medidas invertem as reformas impostas à Grécia pela troika de credores (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) em troca dos dois empréstimos concedidos ao país. A última tranche do empréstimo – estimada em sete mil milhões de euros – deveria ser entregue a Atenas até ao final de Fevereiro, mas os credores tinham avisado que só seria paga mediante a continuação das reformas em curso.

“Somos um Governo de salvação nacional, o nosso objectivo é restabelecer a segurança e a dignidade dos gregos”, sublinhou Tsipras, assegurando que Atenas está totalmente disponível para negociar, mas “não para continuar a política de submissão” que marcou os executivos anteriores.

A reunião do Conselho de Ministros antecede a chegada a Atenas de dois dirigentes europeus: já na quinta-feira é esperado na capital grega o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata alemão Martin Schulz, e no dia seguinte é a vez de Jeroen Dijsselbloem, ministros das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo.

Com a renegociação do programa de assistência financeira em cima da mesa – e sobretudo a exigência de Atenas para uma reestruturação da dívida –, Tsipras acredita que a reunião com Dijsselbloem será “crucial e produtiva”, mesmo que, de Bruxelas, de Berlim e de várias outras capitais europeias continuem a chegar avisos de que só haverá negociações se a Grécia “respeitar os seus compromissos”.



Em tempo: o Conversa Afiada aguarda ansioso o pronunciamento da Urubóloga sobre a nova Grécia … – PHA







O “mercado” vai punir a Petrobras por não fazer “chutes” contábeis

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O “mercado” está frustrado com a falta de uma baixa contábil no balanço da Petrobras.
Baixa que não podia ser feita porque, afinal, ninguém sabe o valor correto do que Paulo Roberto Costa et caterva roubaram ou fizeram a Petrobras perder em sobrepreços.

Qualquer fixação de valor ou mesmo provisão para este fim seria, afinal, um “chute”.
Mas o mercado ansia por que “aconteça” esta baixa, ainda que sem consistência com os fatos reais.
Ainda mais no quadro de turbilhão causado pela desvalorização em mais de 50% nos preços do petróleo, que altera todas as expectativas de precificação dos ativos.

Quem tiver dúvidas, leia os artigos da imprensa sobre as perspectivas da industria do petróleo frente à baixa de preço, com expressões que vão do “crua realidade” ao “chocante”.

Hoje veremos outra forte queda das ações da empresa.

Porque o mercado não quer uma Petrobras transparente, quer uma Petrobras fraca.
O funcionamento e a lucratividade presentes da empresa não estão, em hipótese alguma, comprometidos, tanto que as previsões de geração de receita subiram.

Embora seja muito grave, gravíssimo, o que se fez com a Petrobras, mais grave ainda é o que se quer fazer com ela.

Destruí-la.

JN amordaça oposição a Alckmin ao noticiar crise hídrica em SP

Eduardo Guimarães

oposição capa

Quando o Jornal Nacional noticia alguma suposta deficiência do governo federal, certas figurinhas carimbadas da oposição a esse governo têm espaço garantido para criticá-lo. Álvaro Dias (PSDB-PR) ou Agripino Maia (DEM-RN) já se tornaram figuras familiares para boa parte dos brasileiros devido à grande exposição que têm naquele telejornal cotidianamente.

O assunto pode ser o escândalo na Petrobrás, a suposta crise de energia elétrica no país, o baixo crescimento da economia, a inflação, seja lá o que for que o JN – e congêneres – noticiar sobre problemas de responsabilidade do governo federal, lá estará algum oposicionista – de preferência, os dois supracitados – para acusar Dilma, hoje, assim como fazia com Lula, ontem.

Nesta terça-feira 27, porém, a matéria do Jornal Nacional sobre a crise hídrica em SP mais do que justificaria que a oposição ao governo do Estado fosse chamada a opinar sobre o assunto, assim como a oposição a Dilma é chamada a comentar problemas que dizem respeito ao governo dela, como os citados no parágrafo anterior. Porém, como de costume, não rolou.

O vídeo abaixo mostra a gravidade do que foi anunciado pelo governo paulista em relação ao racionamento de água que deve começar a viger em São Paulo em mais algumas semanas. Poucos suspeitaram de que o problema fosse tão grave. Os paulistanos terão água na torneira apenas 2 dias por semana.





Já se tornou ocioso repetir que responsabilidade o governo Geraldo Alckmin tem sobre o problema. Além da imensa responsabilidade do PSDB por governar SP desde 1995 (VINTE ANOS ATRÁS) com o mesmo Alckmin e com José Serra, o atual governador agravou sua responsabilidade ao esperar passar o período eleitoral e as festas de fim de ano para tomar medidas mais drásticas para poupar água.

Alguns dirão que Dilma também não tomou as medidas econômicas que está tomando agora e que são impopulares. Pode-se discutir essa questão. Durante o processo eleitoral, porém, tanto o programa de governo de Dilma quanto seus principais expoentes disseram várias vezes que seria necessário desmontar a política anticíclica que ao longo dos últimos 5 anos impediu que o país sentisse o auge da crise econômica internacional.

Em 2 de janeiro de 2014, por exemplo, a três semanas da eleição presidencial em segundo turno, em entrevista ao portal G1, da Globo, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, com todas as letras, que seria preciso “(…) desmontar a política anticíclica, de expansão de gastos públicos para combater a desaceleração da economia (…)”.

Quem não prestou atenção na campanha de Dilma, paciência. Quem se informou direito sabia que as medidas de austeridade tomadas recentemente viriam, ainda que não tenham sido detalhadas na época, mas que eram imagináveis.

Seja como for, verdadeira ou não, a suposta contradição entre o que Dilma disse na campanha e o que fez após se reeleger foi apontada no Jornal Nacional, entre outros, por membros da oposição. Por que o mesmo Jornal Nacional não chama a oposição a Alckmin para comentar medidas como as que o governo dele acaba de noticiar, em relação à crise hídrica?

Então ficamos assim: o governo Alckmin adiou medidas urgentes por conta das eleições e, com isso, aumentou a dramaticidade do racionamento de água recém-anunciado pelo governo paulista. Os cinco dias sem água por semana poderiam ser três, talvez dois se, em meados do ano passado, o governo paulista tivesse feito o que era preciso.

Aliás, à oposição ao governo paulista caberia, também, dizer na Globo que a crise hídrica em SP é uma crise anunciada há mais de uma década, como mostram matérias da imprensa, à época.

O mais grave em tudo isso é que o amordaçamento da oposição a governos tucanos é regra na Globo. Só fala a oposição a governos petistas, sobretudo ao governo Dilma.

Nesse aspecto, em meados do ano passado o deputado estadual pelo PT de São Paulo Antonio Mentor deu entrevista a este Blog em que relatou a dificuldade da oposição ao governo Alckmin de se fazer ouvir pela mídia, sobretudo pela Globo, por falta de interesse desses veículos no que acontece em SP e, mais do que isso, no que tem a dizer essa oposição.

mentor

Dessa forma, como foi possível ver no vídeo acima, o Jornal Nacional – e congêneres – deixa em branco o espaço para que o seu telespectador questione os governantes, já que, sem a crítica que o telejornal permite à oposição ao governo Dilma fazer, o governo tucano de SP acaba blindado.

Contudo, uma coisa é certa: se os paulistas não aprendemos pelo amor quem é que controla a distribuição de água em São Paulo – e, por isso, mais da metade de nós pensa que a responsabilidade é do governo federal –, aprenderemos pela dor durante o longo e penoso racionamento de água que temos pela frente. Cedo ou tarde, os paulistas vão se revoltar.