Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Globo perde 35% da audiência. Esse Kamel … Sub-do-sub da FIFA vira o Dragão da Maldade !




Saiu na seção “Outro canal”, de Keila Jimenez, na Folha (*):

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/162514-record-aposenta-o-slogan-a-caminho-da-lideranca.shtml

(…)

Em 2004, a média diária da Globo (das 7h à meia-noite) era de 21,7 pontos em São Paulo. O SBT tinha a vice-liderança, com 8,4 pontos, e a Record registrava 4,2 pontos. Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande SP.

Em 2014, os números parciais, dos primeiros meses do ano, trazem a Globo com média diária de 13,8 pontos, uma perda de 35% de público. A Record registra 6 pontos, e o SBT, 5.



O infeliz que tiver assistido ao jornal nacional dessa terça-feira, 22, entenderá perfeitamente o que se passa na Globo.
É o desespero.
Só no Brasil, um serviço público, entregue a título precário a um concessionário, tem o direito de impor ao cidadão concedente seus interesses materiais e ideológicos de uma forma deliberadamente viciada.
Foi um espetáculo de desconstrução do Brasil.
Da primeira à última notícia.
O jornal nacional conseguiu transformar uma vitória de 100 milhões de internautas e do Governo – “Dilma aprova por unanimidade o Marco Civil” e “Aécio podia ir dormir sem essa” – num retumbante fracasso.
A Copa do Mundo, onde a Globo salva o faturamento que deixará de ter, daqui para a frente, é a glorificação de um tal de Volcke, sub-do-sub da FIFA, que encarna o Dragão da Maldade.
Ficará tudo para a ultima hora !
Como fica tudo para a ultima hora, em todos os eventos dessa natureza, no mundo inteiro.
Se o sub-do-sub tivesse ido ao estádio da abertura das Olimpíadas de Londres, na véspera da abertura, diria a mesma coisa: que horror, esses ingleses ineptos ! Tudo para a ultima hora.
Mas, aqui, os provincianos que não saem do circuito Barra-Projac pensam que o espectador é idiota.
Que já não viu jogo ser jogado no Itaquerão.
Que o Mané Garrincha não é um elefante branco.
Não vai ter Copa !, brada o jornal nacional.
Mas, o faturamento da Globo com a Copa, no Brasil ou na Malásia, este está garantido.
O jornal nacional dessa terça-feira embalou uma barriga da Folha – aqui desmascarada pelo Fernando Brito no Tijolaço – numa “matéria” essencialmente anti-televisiva: era uma leitura de jornal na tevê.
Ou seja, um editorial.
(É a corrente de elos Golpistas: jornais de audiência decrescente pautam o jornal nacional de audiência decrescente, que pauta o Congresso, de representatividade decrescente, que pauta o jornal nacional do “i”… )
É por isso que a Globo desaba.
Porque trocou informação por opinião – Golpista.
A Globo precisa eleger Aécio ou o Dudu.
Desesperadamente.
É a única forma de impedir o avanço do progresso – e a sua obsolescência.
De impedir a fuga em massa de espectadores para a internet, ainda mais com o Marco Civil.
Aos domingos, onde a audiência do Fantástico se iguala ao nível das aguas do Alckmin, o pessoal subiu de vida e foi à pizzaria, foi visitar a sogra com o carro que comprou a prazo – e paga em dia, para desespero da Urubóloga …
Do 4G e o apagão do analógico: a Globo não sabe quantos espectadores perderá, porque não tem como controlar quantos substituirão o analógico por digital
Do fim da tevê a cabo, com a inevitável introdução da tecnologia da Aero.
Uma maquininha infernal que, por dúzia de dólares por mês, leva à sua tevê, em casa, qualquer imagem que tenha sido exibida em rede aberta.
Isso vai fechar o cabo e cortar o faturamento das emissoras abertas – como a Globo – que ganham dinheiro para fornecer conteúdo ao cabo.
Mesmo que a Suprema Corte americana vote com as Globos de lá, qualquer dia desses um menino do Pavão-Pavãozinho, com um computador comprado nas Casas Bahia, “oferece” o Aero ao distinto público.
Só Aécio e Dudu podem impedir a introdução da tecnologia do 4G no Brasil.
A audiência da tevê aberta não justificará a tabela de preços da Globo.
Vai ter Copa no Brasil.
O que não vai ter é a Globo, depois da Copa.
Se o Dudu e o Aécio não se elegerem.



Em tempo: o jornal nacional se transformou, também, num veículo da ideologia do “não, não somos racistas” do Ali Kamel, aqui chamado de Gilberto Freire com “i” (*).

Ele deu destaque excepcional a uma decisão – reacionária, segundo o New York Times – do presidente da Suprema Corte americana (nomeado por George Bush, filho, aquele herói do Iraque), que conferiu aos Estados o direito de, por plebiscito, decidir sobre as cotas nas universidades.

Como se sabe, a Suprema Corte brasileira – por UNANIMIDADE e com a relatoria brilhante de Ricardo Lewandowski – aprovou as cotas nas universidades.

Mas, o “i” não se conforma.

Porque, segundo ele, quase não há negros no Brasil.

Portanto, não há necessidade de beneficiá-los.

Um jenio.

Mas, como onde há muita opinião não há opinião, seria interessante o dr Roberto saber que um empregado usa seu produto para defender ideia tão popular – e só dele.

Quem sabe o “i” não sobe o Pavão-Pavaozinho para defender um plebiscito sobre as cotas ?

Depois não entendem por que a Globo perde 35% da audiência em 10 anos.

Se a Globo não fosse uma para-estatal, que vive de BV que os petistas não podem usar, ia todo mundo pra rua.

Os filhos do Roberto Marinho – que não têm nome próprio – inclusive.


Paulo Henrique Amorim


(*) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Barbosa emitiu “resolução” para se tornar carcereiro eterno de Dirceu

No mesmo feriado prolongado em que foi expedida a ordem de prisão de José Dirceu ele se entregou na sede da Polícia Federal em São Paulo. Em 17 de novembro de 2013, por volta das 19 horas, o ex-ministro cruzou os umbrais de uma época de sofrimentos que lhe passariam a ser impostos por alguém que se converteria em uma combinação de carcereiro e verdugo: o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.
Sem razões pessoais conhecidas para odiar Dirceu, só há uma explicação para a conduta que o presidente do STF tem adotado ao fazer o possível, o improvável e até o impossível para manter esse condenado pela Justiça atrás das grades a despeito de sua condenação lhe facultar o regime semiaberto: Barbosa segue um plano minuciosamente urdido para não apenas gerar efeitos políticos com essas execuções penais,  mas para torturar, acima de qualquer outro, um político que talvez tenha os inimigos mais poderosos que qualquer outro político brasileiro já teve na história recente.
O plano contra os alvos principais da Ação Penal 470, vulgo Julgamento do mensalão, começa a ganhar forma quando se analisa a execução das penas dos condenados do mensalão. O ex-presidente do PT José Genoino figura na documentação como número 1, a execução de Dirceu é a número 2 e a de Delúbio Soares, número 3. Os demais condenados foram identificados em seguida.
Mas a evidência mais clara de que Barbosa planejou cuidar pessoalmente para que as penas desses três fossem o mais duras possível reside em um casuísmo inédito na história da Justiça brasileira. Um dia antes de decretar a prisão de Dirceu e Genoino, entre outros, Barbosa criou uma nova classe processual para executar suas penas.
A norma 514 não estava prevista no Regimento Interno do Supremo um dia antes de Barbosa expedir ordens de prisão de 12 condenados do mensalão. A classe processual inédita foi denominada Execução Penal (EP). Segundo a nova norma, processos penais julgados no STF devem ser distribuídos ao seu relator, que ficará responsável pela execução penal dos condenados até o fim de suas penas.
Confira, abaixo, a resolução casuística determinada por Barbosa exclusivamente para os réus do mensalão e, agora se sabe, mais do que para qualquer outro, para José Dirceu.
Por conta desse impressionante plano de Barbosa de se tornar carcereiro dos três principais alvos do julgamento do mensalão – que, cada vez fica mais claro, foi urdido para gerar efeitos políticos, além de promover uma vendeta –, os advogados dos condenados pretendem esperar que o presidente do Supremo deixe a Corte antes de fazerem qualquer pedido de cumprimento de pena em regime aberto para seus clientes.
Aliás, todas as outras medidas que os advogados deverão interpor em favor de seus clientes estão congeladas, à espera de que Barbosa cumpra a promessa de deixar a Corte, o que pode acontecer já no segundo semestre deste ano.
Entre as medidas que estão sendo postergadas figuram a revisão criminal do processo, agora amparada, por exemplo, pela absolvição de José Dirceu do crime de formação de quadrilha, o que torna praticamente insustentáveis as outras acusações que lhe foram feitas, obviamente desde que respeitado o bom Direito.
Outra medida que os advogados dos condenados pretendem adotar também depende da saída de Barbosa porque depende, também, do julgamento da revisão criminal da Ação Penal 470. Qual seja, a medida de recurso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, pois só é possível apelar àquela Corte após todos os recursos à Justiça brasileira terem sido esgotados.
O mais impressionante em tudo isso é que o foco de Barbosa, ao assinar a resolução 514 às vésperas de prender os primeiros 12 condenados do mensalão, parece ser exclusivamente José Dirceu.
Delúbio e Genoino conseguiram desfrutar dos benefícios que a lei lhes concede, de uma forma ou de outra. Delúbio, há muito já desfruta do semiaberto apesar de um contratempo que o interrompeu, mas que foi rapidamente solucionado, o que lhe permitiu voltar a trabalhar fora da prisão. Genoino, ou bem ou mal ainda está em prisão domiciliar.
Outros condenados, além dos alvos 1, 2 e 3 de Barbosa, não estão sendo diretamente monitorados pelo presidente do STF e têm tido menos dificuldades para obter benefícios, como o ex-deputado federal Pedro Henry (PP-MT). Desde janeiro, ele faz dupla jornada de trabalho.
Repetindo: Barbosa arrogou para si a execução das penas dos réus do núcleo político do processo do mensalão, exclusivamente. Se ficar no STF até o fim das penas desses condenados, provavelmente fará tudo que puder para que cumpram em regime fechado suas penas, dando relevância a qualquer acusação que lhes for feita.
Dirceu, porém, permanece como objeto principal de um assustador sadismo do presidente do Judiciário brasileiro, quem, para mantê-lo preso e/ou até agravar sua pena, não tem poupado esforços.
Barbosa chegou a mudar o juiz da execução penal dos condenados do mensalão. Trocou por um substituto com histórico de antipetismo explícito. Deu asa a boatos sobre “regalias” para os condenados petistas que após meses de investigação não foram comprovadas e, agora, chegou ao cúmulo de fazer tramitar até um pedido de escutas ilegais envolvendo um outro Poder.
A má notícia para Dirceu, pois, é a de que, com a resolução 514, Barbosa ficará responsável pela execução de sua pena mesmo após deixar de ser presidente do STF, no fim do ano, quando será substituído por Ricardo Lewandowski. Isso porque o atual presidente do STF foi o relator do processo do mensalão e, pela resolução em tela, o relator de uma ação penal cuida até o final da execução das penas que tal ação gere.
Todavia, há uma boa notícia não só para Dirceu, mas para os condenados 1 e 3 da lista negra do presidente do STF (Genoino e Delúbio).
Corre no STF, a boca pequena, que Barbosa não concordaria em ser comandado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que assume a presidência do STF em novembro. Portanto, estaria para deixar aquela Corte. Se não para se candidatar nas próximas eleições (o que talvez não faça porque poderá prejudicar sua aposentadoria), para fundar uma ONG que iria “combater a corrupção”.
Sem Barbosa no STF, a execução das penas caberia a Lewandowski. Conhecido por sua postura equilibrada e impessoal, provavelmente delegaria a execução das sentenças dos condenados do mensalão aos juízes comuns. E sem interesses pessoais envolvidos, os advogados dos condenados já dão como certo que seria fácil obter benefícios como a progressão para o regime aberto, do qual Dirceu poderia desfrutar já no começo do ano que vem.

terça-feira, 15 de abril de 2014

MÃE DE DUDU NÃO PODE JULGAR DILMA Viva a “nova política” ! Né, Blá, Blá ?




Conversa Afiada reproduz texto de Fernando Brito, extraído do Tijolaço:

MÃE DE CANDIDATO DE OPOSIÇÃO PODE JULGAR CONTAS DE ADVERSÁRIA DO FILHO?





A nota publicada hoje por Ilimar Franco, em O Globo (e destacada por Paulo Henrique Amorim), dando conta de que Ana Arruda, ministra do TCU e mãe do candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, mora indevidamente há quase dois anos, embora seja em si algo inconcebível – não são dois ou três meses, que poderiam justificar-se por uma dificuldade de mudar para outro imóvel – traz à tona uma questão extremamente séria.

A mãe de um candidato a Presidente pode funcionar como fiscal e juíza das contas da adversária do seu próprio filho?

Se ao  ministro do Tribunal de Contas se aplicar, por analogia, o que a lei prevê para o juiz, é evidente que não.

O Artigo 134 do Código de Processo Civil diz que é defeso (proibido) ao magistrado atuar “quando nele estiver postulando, como advogado da parte, o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta; ou na linha colateral até o segundo grau”.

Pode-se argumentar que Eduardo Campos não é parte, embora seja interessado (e muito) em qualquer decisão que lhe permita agredir, politicamente, o governo Dilma.

Ainda que se possa aceitar este argumento, o artigo 135 vai mais além, dizendo que se deve declarar suspeito aquele que juga quando for “amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes” ou “alguma das partes for credora ou devedora do juiz, de seu cônjuge ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau”.
Ora, a interpretação literal da lei não exime o julgador de compreendê-la na extensão da vontade que a levou a ser editada.

É evidente que Eduardo Campos pode e, seguramente, vai tirar proveito eleitoral das decisões do TCU conduzidas ou formuladas por sua mãe.

O mínimo ético que se poderia esperar é que Ana Arruda  se licencia ou, ao menos, se declarasse impedida nos assuntos de maior repercussão.

Mas não é o que está acontecendo.

Ela está cuidando do “filé mignon” da oposição, a Petrobras.

Inclusive inovando, com a decisão inédita de inquirir, no próprio TCU, dirigentes da empresa pública.

Imaginem se fosse o contrário,  uma tia de Dilma Rousseff  julgando os processos de contas da Petrobras?

Pior, Ana Arruda será a relatora das contas da própria Presidenta da República, a menos que se declare impedida.

Não é preciso dizer mais, não é?

Mas não precisa haver ética ou moralidade em quem faz oposição.

A mãe, tal como o filho, pode seguir o caminho de quem tudo recebe de um Governo e, no dia seguinte, se volta contra ele.

Viva a nova política!




Clique aqui para ler
 “Dudu Traíra: ‘estarei com Dilma em 2014′”

E aqui para
 “Mãe do Dudu mora de graça. Dá pra fazer mais !”

Nós nunca perdoamos a ditadura, senhores Marinho


Segundo o dicionário Houaiss, editorial é um “Artigo em que se discute uma questão, apresentando o ponto de vista (…) da empresa jornalística (…)”. Nesse contexto, o editorial “Desserviço ao país”, publicado no jornal O Globo em 14 de abril de 2014, contém, tão-somente, a palavra dos donos daquele veículo.
Os atuais donos de O Globo pertencem a uma dinastia de barões da mídia fundada em 1925 e sobre a qual vale fazer alguns comentários antes de prosseguir no tema central do texto.
Naquele ano da graça de 1925, um mês após a morte de Irineu Marinho, que acabara de fundar o jornal O Globo, seu filho Roberto Pisani Marinho herdou a empresa. Em 1957, o Presidente da República, Juscelino Kubitschek, deu uma concessão de TV à Rádio Globo, o segundo braço do império Marinho, fundada em 1944.
Contudo, era uma época conturbada política e economicamente. Roberto Marinho não tinha recursos suficientes para pôr a TV Globo para funcionar e, portanto, ela só seria inaugurada em 1965, graças ao apoio financeiro que a ditadura militar deu ao segundo membro da dinastia Marinho.
Como se vê, apoiar o golpe de 1964, para alguns, acabou sendo um grande negócio.
Eis que Roberto Marinho procriou e deu curso à dinastia midiática. Teve 4 filhos com Stella Goulart, sua primeira esposa. Dessa união nasceram Roberto Irineu Marinho (1947), Paulo Roberto Marinho (1950), João Roberto Marinho (1953) e José Roberto Marinho (955). Paulo Roberto, porém, faleceu em 1970 em um desastre de automóvel.
Dirijo-me, pois, a Roberto Irineu Marinho, a João Roberto Marinho e a José Roberto Marinho meramente porque esses três barões da mídia escreveram, em seu jornal, o editorial supracitado.
O editorial dos Marinho em questão qualifica a luta para anular a Lei da Anistia como “Expressão de um revisionismo em si (…) destituído de representatividade” e movido por “Sentimentos menos nobres, como interesses políticos, vendetas etc”.
Segue, abaixo, trecho do editorial que motiva este texto.
“(…) É nesse terreno que vicejam as tentativas de rever, e até mesmo anular, a Lei de Anistia. Instrumento jurídico que resultou de delicada costura política entre os generais e uma oposição fortalecida nas ruas e nas urnas, já nos estertores de um regime que, não obstante, ainda dispunha de considerável poder dissuasório, a anistia de 1979 tem um pressuposto inegociável — o perdão recíproco, tanto a agentes públicos envolvidos em atos reprováveis quanto a militantes de organizações da esquerda armada, num leque que também incluía opositores de todos os matizes ao regime militar. E válido somente para crimes cometidos até a data de promulgação da lei (…)”
Não tenho outra forma de dizer: é mentira.
Em 1979, quando foi promulgada a Lei da Anistia, de fato a oposição já começava a se fortalecer “nas ruas e nas urnas”, como diz o editorial, apesar de os generais-presidentes terem criado a figura do parlamentar biônico… O que seja, por exemplo um senador que o governo podia indicar para atuar no Congresso Nacional sem ter sido eleito.
Esse absurdo também valia para governadores e prefeitos.
Dessa forma, o regime assegurava a sua maioria ilegal, ditatorial e abusiva. Porém, o regime estava fortalecido pela força das armas e do amplo arcabouço “jurídico” que lhe permitia decidir e impor o que decidia.
Esse poder que a ditadura usou para impor a Lei da Anistia é chamado pelo editorial, eufemisticamente, de “poder dissuasório”, quando, em verdade, era um poder impositivo.
Contudo, a mentira que cito acima reside na tese de “Perdão recíproco tanto a agentes públicos envolvidos em atos reprováveis quanto a militantes de organizações da esquerda armada, num leque que também incluía opositores de todos os matizes ao regime militar”.
Perdão? Quem foi que perdoou?
Em primeiro lugar, note-se que a Lei da Anistia não perdoou os que cometeram crimes de lesa-humanidade, ou seja, os ditadores. Foi um “perdão” aos exilados que, havia 15 anos, viviam longe de suas famílias e amigos.
Os “beneficiados” pela Lei da Anistia, conforme a redação do texto legal, foram os que a ditadura prendeu, torturou e/ou exilou, mas não os que praticaram as atrocidades contra os “anistiados”.
Para comprovar, basta ver a redação da Lei da Anistia.
Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares (…)”
Preste atenção, leitor. Os “anistiados” foram os que “cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, os que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da administração direta e indireta, de fundações vinculadas ao poder, aos servidores dos poderes Legislativo e Judiciário, aos militares e aos dirigentes e representantes sindicais” que foram “punidos com fundamentos em Atos Institucionais e complementares”.
Ora, os agentes da ditadura que torturaram e/ou mataram pessoas detidas pelo regime já sem condições de reação, esses não foram “punidos com fundamentos em Atos Institucionais e complementares”, como diz o editorial. Por isso é que incontáveis juristas, bem como a Corte Interamericana de Direitos Humanos, dizem que não foram contemplados pela Lei da Anistia.
A absolvição de torturadores é uma leitura da Lei da Anistia absolutamente incompatível com os acordos e com a jurisprudência internacional. Dizer que os torturadores foram anistiados é a interpretação que tem sido feita no Brasil, mas é só uma interpretação.
Seja como for, a afirmação de O Globo de que teria havido “Perdão recíproco tanto a agentes públicos envolvidos em atos reprováveis quanto a militantes de organizações da esquerda armada, num leque que também incluía opositores de todos os matizes ao regime militar”, não é verdadeira.
Conheço dezenas de pessoas que foram vitimadas pela ditadura e que jamais deram seu aval à “anistia” proposta. E os que padeceram sob a mão de ferro dos militares, naquele período da história, chegam aos milhares.
Em 1978, no Rio de Janeiro, criaram um Comitê Brasileiro pela Anistia que reuniu algumas entidades da sociedade civil. Esse comitê tinha como sede a Associação Brasileira de Imprensa. Porém, a representatividade desses que aceitaram a imposição do regime militar era – e continua sendo – absolutamente insuficiente.
Não por outra razão, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por não punir os culpados pelos crimes de desaparecimento forçado, mortes, tortura e prisões ilegais dos guerrilheiros do PC do B na Guerrilha do Araguaia.
Afinal, grande parte das ditaduras que já vicejaram pelo mundo terminou com “leis de anistia” como a que foi arrancada deste país sob a chantagem de que só com a aceitação dessa vergonha haveria permissão para volta dos exilados. Mas todas as cortes internacionais condenam e não reconhecem leis de anistia autoconcedidas por ditadores.
O que preocupa O Globo é que, na semana passada, houve aprovação, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, de um projeto que propõe tornar nulo o perdão a militares, policiais e civis envolvidos em atos como tortura, morte e desaparecimento de guerrilheiros, os quais o jornal, no editorial em tela, chama de “terroristas”.
Essa preocupação de O Globo se deve ao fato de que, com a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos à qual o país se submeteu em acordo firmado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o projeto de anulação do “perdão” a torturadores – um “perdão” que não consta em lugar nenhum da Lei da Anistia – acabe sendo aprovado, apesar de o jornal afirmar ser “pouco provável”.
Afinal, se houver, no Brasil, uma investigação de “militares, policiais e civis envolvidos em atos como tortura”, não se pode descartar a hipótese de que seja descoberta a participação ativa de vários órgãos de imprensa nos crimes cometidos. Órgãos entre os quais figuram as Organizações Globo, por óbvio.

O politicídio contra o PT

 Ao lançar novos petroleiros em Pernambuco, Dilma defende Petrobras e diz que denúncias serão apuradas e punidas com rigor.

Dilma: em 2003, a Petrobras valia apenas US$ 15,5 bilhões e hoje, mesmo com toda a crise internacional, o valor de mercado chega a US$ 98 bilhões.

 Contrato de US$ 49,7 milhões entre a Alstom e a Petrobras no governo FHC: multi do cartel do metrô era isenta de multa por atrasos e só teria que devolver 15% do valor de equipamentos defeituosos.


O escritor e jornalista Bernardo Kucinski, autor do premiado 'K', enxerga uma mobilização em marcha para erradicar o PT da sociedade brasileira.

por: Saul Leblon 


Arquivo
A ideia de que só existe uma coisa a fazer em termos de política econômica– ‘a coisa certa’—é um daqueles  mantras com os quais o conservadorismo  elide as escolhas e conflitos inerentes à luta pelo desenvolvimento.

O ardil para desautorizar  a discussão do que importa –desenvolvimento para quem, desenvolvimento para o quê e desenvolvimento como?-- passa pela desqualificação moral do adversário.

A criminalização do agente contamina  sua agenda.

O escritor e jornalista Bernardo Kucinski –autor do premiado ‘K’, romance apontado como uma das grandes vozes do ciclo ditatorial brasileiro-- resgata o termo ‘politicídio’ para expressar o espanto com o que se passa no país.

Politicídio, grosso modo, é o extermínio de uma comunidade política.

Kucinski enxerga uma mobilização  em marcha  para exterminar o PT da sociedade brasileira, a começar pela sua presença no imaginário da população.

A aspiração  não é nova nas fileiras conservadoras. Em  2005, já se preconizava livrar  o país ‘ dessa raça pelos próximos trinta anos’.

Jorge Bornhausen, autor da frase, reúne credenciais  e determinação para  levar adiante seu intento. Hoje ele os exercita na articulação da campanha de Eduardo Campos e Marina Silva.

A verdadeira novidade  é a forma passiva como  um pedaço da própria intelectualidade progressista passou a reagir diante  dessa renovada determinação de exterminar o PT da vida política nacional.

Doze anos de presença do partido no aparelho de Estado, sem maioria no Congresso, por conta do estilhaçamento  intrínseco ao sistema político , explicam um pedaço do desencanto.

O ex-ministro Franklin Martins, em entrevista nesta página, resumiu  em uma frase  a raiz da desilusão: ‘o PT elege o presidente da República há três eleições e não elege 20% dos deputados federais (...) Se não se resolver isso, teremos uma crise permanente e o discurso de que o Brasil não tem mesmo jeito só se fortalecerá’.

Coube a Maria Inês Nassif, em coluna também  nesta página (leia: ‘Como um parlamentar adquire poder de chantagem?) debulhar o mecanismo através do qual o sistema de financiamento de campanha alimenta a chantagem do Congresso contra o Executivo e delega a  “pessoas com tão pouco senso público  credenciais para nomear ministros ou diretores de estatais”.

O politicídio contra o PT  faz o resto ao  descarregar nos erros do partido  –que não são poucos--  a tragédia da democracia brasileira.
  
Uma  inestimável contribuição à chacina foi providenciada pelas togas do STF ao sancionarem uma  leitura rasa, indigente, das distorções  implícitas à  construção de maiorias parlamentares na esfera federal.

Espetar  no coração do ex-ministro José Dirceu a indevida paternidade  --‘chefe de quadrilha’--  pela teia que  restringe a soberania do voto  é o ponto alto da asfixia do esclarecimento pelo  politicídio contra o PT.

O passo seguinte do roteiro conservador é estender a desqualificação do partido aos resultados do governo Dilma na economia.

A transfusão é indispensável  para emprestar  aromas de pertinência –‘fazer a coisa certa’--  ao lacto purga que o PSDB  tem para oferecer  às urnas de outubro: retomar aquilo que iniciou nos anos 90, o desmonte completo do Estado brasileiro.
A prostração de uma parte da intelectualidade progressista diante dessa manobra subtrai da sociedade uma de suas importantes sirenes de alerta quando a tempestade  congestiona o horizonte.

Por trás das ideias,  melhor dizendo, à frente delas, caminham os interesses.
Cortar a  ‘gastança’, por exemplo, é a marca-fantasia  que reveste a intenção de destroçar o pouco da capacidade de fazer política pública restaurada na última década.

Subjacente à panacéia  do contracionismo-expansionista (destruir o Estado para a abrir espaço ao crescimento privado) existe um peculato histórico.

É justamente ele que está na origem de boa parte dos impasses enfrentados pelo desenvolvimento brasileiro nos dias que correm.

O principal déficit do país  não é propriamente de natureza  fiscal, como querem os contracionistas, mas um  déficit de capacidade de coordenação do Estado sobre os mercados.

As empresas estatais, cujos projetos e orçamentos, permitiram durante décadas manter a taxa de investimento nacional acima dos 22%, em media, contra algo em torno de 18% atualmente, perderam o papel que desempenharam  até a crise da dívida externa nos anos 80, como ferramenta indutora da economia.

Nos anos 90, o governo do PSDB promoveu sua liquidação.

Sem elas não há política keynesiana capaz de tanger  o mercado a sair da morbidez rentista  para o campo aberto do investimento produtivo.

Sobretudo, não há estabilidade de horizonte econômico que garanta a continuidade dos investimentos  de longo prazo, aqueles que atravessam e modulam os picos de bonança e os ciclos de baixa.

O  que sobra são espasmos  e apelos bem intencionados, fornidos de concessões de crédito e renúncias fiscais, frequentemente respondidos de forma decepcionante por uma classe dominante que se comporta, toda ela, como capital estrangeiro dissociado do  país.

Não há contradição em se ter equilíbrio em gastos correntes e uma carteira pesada de investimentos públicos, como  faz a Petrobrás, que deve investir quase US$ 237 bilhões até 2017.

A cota de contribuição da estatal para mitigar as pressões inflacionárias decorrentes de choques externos  --vender gasolina e diesel 20% abaixo do preço importado—não a  impediu de fechar 2013 como a petroleira que mais investe no mundo: mais de US$ 40 bilhões/ano, o dobro da média mundial do setor, o que a tornou  campeã mundial no decisivo quesito da prospecção de novas reservas.

O conjunto explica o interesse conservador em destruir esse  incomodo paradigma de eficiência estatal, antes que ele faça do pré-sal uma alavanca industrializante  demolidora  das teses dos livres mercados.

À falta de novas Petrobras –elas não nascem em gabinetes, mas nas ruas--   a coerência macroeconômica do desenvolvimento  terá que ser buscada em um aprofundamento da democracia participativa no país.

A chegada do PT ao governo em plena era da supremacia das finanças desreguladas, deixou ao partido a tarefa de fazer da justiça social a nova fronteira da soberania no século XXI.

Essa compreensão renovada da âncora do desenvolvimento  orientou prioridades,  destinou crédito, criou demandas, gerou  aspirações e alimenta as expectativas de uma fatia da população que  compõe  53%  do mercado de consumo do país.

Ficou muito difícil  governar o Brasil em confronto com esse novo protagonista.

Daí o empenho em desqualificar seu criador.

E em desacreditar suas políticas e lideranças diante da criatura.

É o politicídio em marcha.

Se a construção de uma democracia  social for entendida pelo PT  –e pelos intelectuais progressistas que ora se dissociam de sua sorte--  como a derradeira chance de renovar o desenvolvimento  e a sociedade, ficará muito difícil para o  conservadorismo  levar a cabo o politicídio.

A menos que queira transformá-lo em um democídio: um governo contra toda a nação.

Como O Globo pode ajudar a manter o Tijolaço. Ou uma aula de como responder a corja de canalhas golpista.

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Soube que o jornal O Globo está procurando uma associação entre este blog e publicidade oficial ou financiamento por algum órgão público, empresa ou político.
Então, vou facilitar a vida do colega escalado para fazer o “serviço”.
O Tijolaço  sempre foi registrado em meu nome.
Já tentei fazer algumas parcerias para editá-lo, infelizmente, mal-sucedidas.
Ele é uma microempresa – Blog Tijolaço Comunicação Ltda ME , CNPJ 19.438.674/0001-09 – que recebe e paga exclusivamente através da conta corrente 50629-X, agência 1578-4, do Banco do Brasil.
Dela, somos sócios eu e Miguel do Rosário. Apenas, ninguém mais.
Disponho aqui, e usarei, do extrato bancário da conta que foi, finalmente, aberta em fevereiro, depois de muita burocracia, onde se verá que as únicas entradas de dinheiro em nossa conta são provenientes de depósitos modestos de nossos leitores (à exceção de dois,  feitos por pessoas que tiveram a generosidade de depositar R$ 500 e R$ 1 mil). Todos entre R$ 10 e R$ 200, além de transferências doPay Pal (assinatura por cartão de crédito) e R$ 4.600 provenientes de anúncios do Google, além de um único frila que fiz para uma empresa privada, referente à pesquisa de dados na Internet.
Nunca houve qualquer outra conta bancária, pagamento ou recebimento do Tijolaço.
Teria todo o direito, de, com quase quatro milhões de pageviews no mês passado, receber publicidade. Mas anunciantes, públicos ou privados, se retraem e tem medo de veicular nos blogs e ficarem “mal-vistos”.
Também usarei, se necessário, meu  próprio extrato bancário, demonstrando que “comi”, no ano passado, o que havia economizado nos tempos em que tive cargo público e, muito embora engravatado, vivi modestamente, almoçando no “a quilo” Sertão e Mar, ali na Vila Planalto, em Brasília, que talvez algum de seus repórteres em Brasília possa conhecer dos tempos de vida dura.
Se o jornal estiver interessado em documentos comprometedores ou em alguma relação profissional que tive no passado, terei prazer em exibir os contracheques de pagamento feitos a mim por O Globo em 1978 – a data é esta, mesmo.
Basta me mandar um e-mail e marco dia e hora, em local público, para mostrar todos os documentos, desde que o jornal os publique.
E eu também os publicarei aqui.
Não apenas não recebi para participar da entrevista com Lula como ainda paguei a passagem do meu bolso, que anda apertadíssimo.
Se for uma matéria simplesmente jornalística, ótimo, a casa agradece.
Sobre minhas posições políticas, estão no blog, públicas, publicadas e assinadas.
Sobre  quem financia o blog, agora também estão.
Não há nada o que esconder.
Mas  não vou ser ingênuo de não entender que, mais importante do que a intenção do repórter é o desejo do jornal.
Agora, se O Globol pensa em se vingar do Tijolaço porque eu revelei – depois de 20 anos – ter redigido o texto do direito de resposta de Leonel Brizola na Rede Globo, meu desejo ardente é o  que publique qualquer insinuação sobre nós.
Será, afinal, uma forma de ajudar a financiar este blog, porque será movido, imediatamente, um processo contra a empresa.
Aqui não tem ninguém medroso, que dobre os joelhos quando ouve o nome da Globo.
Tive vinte e dois anos de escola com Leonel Brizola, não vou desaprender agora.
Se algum repórter me procurar, será muito bem atendido, mas as informações já estão públicas.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

PIMENTA DA VEIGA MUDOU IR PARA JUSTIFICAR R$ 300 MIL DE VALÉRIO

DILMA: “NOSSOS GOVERNOS REERGUERAM A PETROBRAS”

Merval e Sardemberg caluniam Blogueiros que entrevistaram Lula



Qualquer pessoa que a natureza tenha dotado de um mísero neurônio ficará intrigada com os textos e comentários que a grande mídia publicou sobre a entrevista que o ex-presidente Lula concedeu a blogueiros na última terça-feira (8/4). Quem são os blogueiros que essa mídia critica sem dar nomes? Por que não diz quem são? Qual é a razão desse mistério todo?
Além de distorcer as palavras de Lula ou até de inventar coisas que ele não disse, a mídia ainda vem caluniando esses blogueiros. Que calúnias? As de sempre, de que eu, por exemplo, digo aquilo que digo porque sou “financiado” pelo governo federal.
Não há grande jornal ou telejornal que não tenha divulgado algum texto atacando os blogueiros. Em geral, com ironias, dizendo-nos “amigos” de Lula, como no caso da colunista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde, casada com um marqueteiro com extensa folha de serviços prestados ao PSDB e que, há anos, dedica-se a atacar o PT todo dia.
Antes de prosseguir, um esclarecimento: infelizmente, não sou “amigo” de Lula; sou, apenas, um admirador e eleitor. Defendo o ex-presidente desde 1989. Neste blog, defendo desde 2005, quando criei a página. Nunca escondi isso de ninguém. Mas ser amigo é outra coisa.
Não frequento a casa de Lula, não tomo uma cachacinha ou fumo um havana com ele. Não tenho nem mesmo seu telefone pessoal. Gostaria, mas não tenho esses privilégios.
Aliás, posso garantir que, na entrevista que Lula concedeu a blogueiros, nenhum deles pode se dizer seu “amigo” no sentido literal.
Mais grave, porém, é quando a mídia calunia. A mesma Eliane Cantanhêde e a mesma Folha de São Paulo distorceram a fala de Lula sobre a situação do país.
Ao responder a uma pergunta sobre a razão dos protestos de rua, Lula disse que ainda não foi possível fazer tudo que precisa ser feito, mas que Dilma vai ter que ver como melhorar ainda mais o país. A mídia distorce tudo e diz que Lula criticou o governo Dilma ao dizer que “poderíamos estar melhor”.
A Folha escreveu essa distorção em editorial e a colunista em sua coluna, contígua aos editoriais do patrão.
Poderia ficar citando, um a um, essa extensa fila de colunistas e editoriais da grande mídia que atacaram os blogueiros com ironias ou até com calúnias, mas devido à repercussão da entrevista acho ocioso.
Enfim, direito de criticar todo mundo tem. Até distorcer a fala de Lula aos blogueiros, como fizeram tantos veículos, não requer muito gasto de tempo porque a entrevista pode ser assistida por quem tiver interesse na verdade e, assim, essas distorções terão sido inúteis. Já para quem não se preocupa com os fatos, mas sim com as versões, não adianta dizer nada porque vai acreditar só no que quer.
Mais grave, porém, é o que fizeram os comentaristas da Globo Merval Pereira e Carlos Alberto Sardemberg na rádio CBN. Ambos acusaram os blogueiros que entrevistaram Lula de terem as opiniões que têm por serem financiados pelo governo federal.
Ouça, abaixo, a calúnia sobretudo de Sardemberg.


Epa! Que história é essa? Não posso falar pelos outros companheiros que estiveram comigo na entrevista. Porém, que eu saiba nenhum dos que estavam ali recebe financiamento do governo federal para dizer o que pensa.
Sim, talvez algum dos entrevistadores tenha publicidade oficial em seu site assim como a Globo ou a Folha têm… Mas e daí? A Secom federal tem normas muito claras para anunciar em qualquer veículo. Ter um anúncio do Banco do Brasil ou da Petrobrás quer dizer que aquele blogueiro diz o que diz por causa dessa publicidade?
Ora, o governo de São Paulo gasta uma montanha de dinheiro com a Folha de São Paulo ou com a Globo ou com a Abril ou com o Estadão. E daí? Está comprando esses veículos para que ataquem tão obsessivamente o PT?
Sardemberg e Merval foram longe demais. Mesmo que algum dos blogueiros que entrevistaram Lula receba alguma publicidade oficial, como afirmar que é por isso que tem a opinião que tem sobre o governo federal, sobre Lula, sobre o PT?
Eu, por exemplo, nunca recebi um tostão do governo federal. Nem publicidade. Nadinha. E se recebesse seria legítimo. Ninguém teria o direito de me acusar de dizer o que digo devido àquele contrato de publicidade.
Sei que a grande maioria dos blogueiros que entrevistaram Lula está na mesma situação que eu. Mas, repito, mesmo que alguém daquele grupo tenha alguma publicidade oficial em seu site isso não autoriza ninguém a dizer que essa publicidade é que manda no que diz. Essa acusação é crime de calúnia, de difamação, de injúria. Causa danos morais e materiais.
Não conversei com os amigos blogueiros, mas essa conversinha entre Merval e Sardemberg me parece criminosa.
A mídia sempre toma cuidado ao acusar blogueiros. Não lhes dá nomes. Desta vez, porém, dois de seus caluniadores foram imprudentes ao darem nomes, ainda que indiretamente. Só quero ver como irão provar que o Eduardo Guimarães, por exemplo, foi subornado para ter as opiniões políticas que repete todo dia neste blog há quase uma década.

Caluniador de filho de Lula na internet é ‘executivo do instituto FHC’


Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, pediu a abertura de um inquérito no 78º. DP, na capital paulista, para a identificação dos responsáveis por boatos na internet de que seria dono de grandes áreas de terra e supostas mansões e aviões, além de empresas. Uma das áreas mostradas é, na verdade, da Escola Superior de Agricultura (Elsalq), de Piracicaba.

Seis internautas já foram chamados a depor. Apenas um, Daniel Graziano, ainda não compareceu. Daniel é gerente administrativo e financeiro do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), ligado ao ex-presidente tucano.

É filho de Xico Graziano, coordenador da área de internet do pré-candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves. Procurado no iFHC, ele não retornou. Os outros intimados – Roger Lapan, Adrito Dutra Maciel, Silvio Neves, Paulo Cesar Andrade Prado e Sueli Vicente Ortega – disseram acreditar que os comentários sobre compra de fazendas e aviões fossem verdadeiros e não teriam “pensado na hora de fazer as postagens”.

O advogado de Lulinha, Cristiano Zanin Martins, diz aguardar o resultado das investigações para definir se entrará ou não com processo contra as pessoas que “macularam a imagem” de seu cliente.
Lulinha mora no Paraíso, na capital paulista, numa área de classe média. No seu prédio, diz ele, nenhum morador conversa com ele. Por outro lado, diz ser abordado o tempo todo pelos porteiros, faxineiros, garçons e frentistas que querem bater papo e perguntar sobre seu pai.

Saiba Mais: brasil econômico

Pimenta é só para os olhos dos outros







FMI e agência Ficht desautorizam jogral midiático do Brasil aos cacos e afastam alarmismo com o país

Ditadura disfarçada de lei: promotora do DF determina espionagem clandestina em rede telefônica do Planalto para investigar Dirceu

Contrato de US$ 49,7 milhões entre a Alstom e a Petrobras no governo FHC: multi do cartel do metrô era isenta de multa por atrasos e só teria que devolver 15% do valor de equipamentos defeituosos

Coalizão de seis partidos (PT, PCdoB, PTB, PPL, PR e PRB) lança pré-candidatura de Tarso Genro à reeleição no Rio Grande do Sul

O candidato do PSDB ao Governo de Minas, Pimenta da Veiga, escolhido a dedo por Aécio Neves, foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro. 

 

 

por: Saul Leblon

ArquivoAntes tarde do que nunca, a Polícia Federal indiciou o tucano Pimenta da Veiga por envolvimento no mensalão tucano. Pimenta é, ou era, o candidato oficial do PSDB ao Governo de Minas Gerais - escolhido a dedo por Aécio Neves.

Pimenta foi ministro das Comunicações de FHC. Seu nome está nos anais da privataria tucana. Está também no caderninho da Polícia Federal, e já faz muito, muito tempo. Pimenta é acusado do crime de lavagem de dinheiro.

A imprensa amiga, de bico longo e grossa plumagem, não o chama de mensaleiro - isso não se faz com os amigos. Tampouco traduz lavagem de dinheiro por “corrupção” - não existe pecado no reino dos privatistas, apenas negócios.

Essa imprensa que presta bons serviços a Pimenta, a Aécio e seu partido “informa” que o candidato tucano é “suspeito” de receber R$ 300 mil das agências de publicidade de Marcos Valério. Quanta condescendência. Suspeito? Pimenta embolsou R$300 mil. Nem mesmo ele nega que tenha agasalhado a bufunfa.

Pimenta reconhece ter recebido tal valor e defende que mereceu, por tudo que fez às empresas de Marcos Valério, a quem prestava serviços advocatícios. O último advogado que alegou prestar serviços a empresas de Marcos Valério,  Rogério Tolentino, foi condenado e já cumpre pena.

Se a defesa de Pimenta se resume a dizer que prestava serviços a Marcos Valério, não é preciso dizer mais nada. Sabedores que somos de qual era o negócio de Marcos Valério, se alguém assume que prestava serviços em prol de seus negócios, o que a Justiça está esperando pra tomar providências? Por que a Polícia Federal esperou mais de uma década para fazer o indiciamento?

Graças à demora, Pimenta está próximo de completar a idade de ouro, os 70 anos. Nessa fase, qualquer um passa a gozar do benefício da idade da inocência.

Aécio Neves, ao invés de agradecer a demora, reagiu indignado. Defendeu aquele que, ontem, era seu cabo eleitoral de luxo; hoje, é seu fardo, sua mala sem alça.

Aécio queria a ajuda de Pimenta para, juntos, de mãos dadas,  garantirem, em outubro, alguns milhões a mais em Minas. Milhões de votos, bem entendido.

Inconformado com o tropeço, o presidenciável tucano pergunta por que a denúncia foi ressuscitada justo depois de Pimenta ter sido escolhido candidato.

Não ficou bem claro qual é o problema. A indignação é com a acusação ou com o fato de que, agora, Aécio já não sabe o que fazer com aquele que cuidaria de seu quintal? Como explicar que sua ajuda não é mais bem vinda?

O filme que roda na bobina é previsível. O outrora ministro, transformado em candidato, agora é indiciado. Mais algumas voltas do rolo e será réu.

Alguém provavelmente avisará a Pimenta da Veiga que o gato subiu no telhado. Alguém, forçosamente, sugerirá que saia de fininho, para não atrapalhar o presidenciável, assim como se fez com Eduardo Azeredo, que, ao renunciar ao mandato, fugiu do STF e vê seu processo transferido para as calendas gregas.

Pimenta, assim como Eduardo Azeredo, esbarrou em Marcos Valério e caiu na teia de denúncias daquele mensalão. Pimenta é provavelmente tão inocente quanto Azeredo em sua relação altruísta com Marcos Valério.

Para a sorte de ambos, o cordão dos tucanos mineiros engarranchados com Valério é desfiado lentamente, a passos de tartaruga. Pimenta, mesmo, só nos olhos dos outros.