E viva a Imparcialidade! (Créditos: Antonio Cruz/ABr)
No Globo:
BRASÍLIA - O presidente interino Michel Temer
se reuniu ontem à noite em jantar com senadores, o ministro da
Agricultura, Blairo Maggi, e pecuaristas na residência do presidente do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes (aqui conhecido como Ministro (sic) Gilmar (PSDB-MT)).
Segundo
senadores que participaram do encontro, Temer disse que vai conversar
nesta terça-feira com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
e com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre a possibilidade de mudança
no calendário definido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), ministro Ricardo Lewandowski, que marcou para dia 29 de agosto o
julgamento final da presidente afastada Dilma Rousseff. Temer, segundo
senadores, pretende que a votação ocorra dia 24 ou 25 de agosto.
247--Presidente interino jantou na casa do ministro do STF e presidente do
TSE, Gilmar Mendes, na noite desta segunda-feira, junto com senadores, o
ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e pecuaristas; de acordo com
parlamentares que participaram do encontro, Temer disse que irá
conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para
tentar mudar a data final da votação do impeachment, que foi marcada
pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, para o dia 29 de
agosto; Temer quer antecipar a decisão para 24 ou 25; articulação
envolve também o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para
evitar que Eduardo Cunha seja cassado antes do impeachment; Temer teme
que, uma vez cassado, Cunha fale o que sabe e imploda seu governo
provisório
Foi um fim de domingo divertido. Nem sabia que havia protesto na
avenida Paulista. Mas como aos domingos, por residir lá perto, costumo
ir com minha mulher, minha filha Victoria, minha cunhada e sobrinha
passear na avenida fechada, dei de cara com ato convocado pelo grupo
fascista “Vem Pra Rua”. vem rp Minha cunhada, que não gosta de política, não acompanha, prefere
manter distância, quase caiu sentada quando viu as faixas pedindo a
volta da ditadura militar.
“Eles estão querendo a volta do militarismo?!! Que loucuuura!!”
Enfim, fomos andando e apreciando as cenas de sempre, aquele bando de
doidos fantasiados de verde-amarelo. Muitos idosos, alguns mais jovens,
porém igualmente esquisitões. Discursos virulentos, aos berros,
denunciando como o Brasil é “comunista”.
A manifestação deles foi um rotundo fracasso. A avenida só não estava
mais vazia porque o público que a frequenta no domingo caminhava por
ali, porém tratando de passar bem longe dos malucos. Confesso, porém, que fiquei surpreso com o grupo de umas duas dezenas
de senhores idosos e com sotaque que não pude identificar que
denunciavam a “islamização do Brasil”. Porém, haveria surpresa maior
logo ali na frente.
O grupo musical vestido com roupas camufladas que militares usam na
selva cantava, em cima de um trio elétrico, um “rock” em que pedia
“independência ou morte” e “intervenção militar”. Como caí na
gargalhada, o vocalista meu olhou tão feio que pensei que desceria do
caminhão pra brigar. Abaixo, o vídeo do show que aqueles palhaços deram na avenida
Paulista no domingo. Ria muito. E depois chore, pois há quem leve esses
imbecis a sério. Inclusive no Congresso Nacional, no Judiciário, na
mídia etc.
Os mais jovens não sabem disso mas os que chegaram a ditadura sabem o
que significa a sigla DSI: Divisão de Segurança e Informação, uma
unidade de dedurismo que havia em cada ministério para entregar ao SNI
nomes de funcionários suspeitos de serem subversivos ou criticarem o
regime. Era o maccarthismo institucionalizado.
Agora, na ditadura civil de Temer, as DSIs estão de volta, embora
informalmente. Em todos os ministérios funciona uma máquina de delação
de colegas suspeitos de ligações com o PT e de serem contra o governo
interino. Se o denunciado tem cargo comissionado, é sumariamente
dispensado.
As delações funcionaram na EBC, no Minc e no Ministério da Saúde para
ajudar os superiores na montagem das listas de demitidos. O próprio
embaixador Fernando Igreja foi destituído da chefia do Cerimonial do
Itamaraty esta semana, nas vésperas das Olimpíadas, por ter feito
postagens em tom crítico ao processo de impeachment. E ainda que não
tivesse feito, era conhecida sua identificação com a política externa
anterior.
Triste o país que nada aprende com a História. A ditadura passou e o
SNI ficou para a História como uma de suas faces mais perversas. Temer
passará carregando na biografia a marca do golpe, do desmonte de
políticas sociais e do retorno das práticas autoritárias como o expurgo e
perseguição dos que exercitam o sagrado direito de divergir.
Júlia Rocha chamou a
atenção para a questão do preconceito linguístico e, em resposta, foi
vítima de uma enxurrada de ofensas racistas lideradas por outro médico, o
gaúcho Milton Pires, que ficou conhecido por xingar a presidente Dilma
Rousseff após ter sofrido queda de pressão durante uma entrevista; pelo
Facebook, Pires disse que Júlia faz parte de um grupo de “bandidos
petistas” e de blogueiros pagos pelo partido; outros usuários tiraram
sarro de sua cor e de seu cabelo
Após criticar a questão do preconceito linguístico, Júlia recebeu
apoio de internautas e amigos na rede social. Mas com a viralização do
post – compartilhado mais de 67 mil vezes –, a cantora acabou sendo
vítima de uma onda de ataques racistas.
Um deles, inclusive, liderado por uma figura conhecida por xingar a presidenta Dilma Rousseffapós
queda de pressão durante uma entrevista, o gaúcho Milton
Pires. Ele também já foi acusado de agredir uma colega de trabalho. O
médico mantém um blog intitulado ‘Ataque Aberto’, onde costuma
publicar textos misóginos, com discursos de ódio e, recentemente, de
cunho racista.
Na página, Pires fez diversas ofensas à médica Júlia Rocha, sugerindo
que a profissional faz parte de um grupo de “bandidos petistas” e de
blogueiros pagos pelo partido. “Conheço o tipo… Esse é o tipo de gente
que sai escrevendo que ‘agora é a vez da senzala’ e ‘a casa grande não
admite’. Essa aberração NÃO é medica, nem preceptora, nem cantora, nem
p… nenhuma”, escreveu.
Além dele, outros internautas se expressaram de forma racista contra a
médica nos comentários da publicação. “Com vergonha da cor, essa
tribufu oxigena a juba para parecer menos negra. Típico de esquerdista e
mal-amada”, disse um. “Muito top esse cabelo ecológico, deve ter até
mico leão dourado”, provocou outro.
Júlia postou uma cópia das ofensas e disse estar em choque: “Meu
coração chega a doer só de pensar que esse é o mundo que minha filha ou
meu filho viverá”.
"A decisão de Lula de denunciar o juiz Sergio Moro à ONU não
teve o apoio consensual de advogados e juristas que são ouvidos pelo
ex-presidente. Uma parte deles acha a iniciativa inútil e arriscada, por
provocar o corporativismo dos magistrados brasileiros. O resultado
seria acirrar os ânimos de integrantes do Judiciário contra o petista",
escreve a colunista; decisão da Justiça Federal do DF de tornar Lula réu
na Lava Jato é do mesmo dia em que os advogados do ex-presidente
anunciaram a ação em Genebra
Jornal GGN
- O ex-presidente Lula praticamente pediu para ser alvo de uma nova
ofensiva do judiciário brasileiro quando decidiu recorrer à ONU contra o
juiz Sergio Moro, expondo ao mundo os "abusos" da Operação Lava Jato.
Na visão da colunista Mônica Bergamo, da Folha, prova dessa retaliação
contra o petista foi a decisão da Justiça Federal do DF de tornar Lula
réu na Lava Jato exatamente no mesmo dia em que os advogados de Lula
anunciaram a ação em Genebra.
A notícia de que Lula virou réu só foi divulgada na sexta, mas o
despacho foi assinado na mesma quinta-feira em que os advogados do
ex-presidente concederam uma coletiva de imprensa explicando a petição
apresentada à Comissão de Direitos Humanos da ONU. No dia seguinte, os
jornais também noticiaram que a Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB) emitiu um nota "repudiando" a decisão de Lula.
"A decisão de Lula de denunciar o juiz Sergio Moro à ONU não teve o
apoio consensual de advogados e juristas que são ouvidos pelo
ex-presidente. Uma parte deles acha a iniciativa inútil e arriscada, por
provocar o corporativismo dos magistrados brasileiros. O resultado
seria acirrar os ânimos de integrantes do Judiciário contra o petista",
descreveu Bergamo.
"Um dos advogados próximos de Lula chega a chamar a opção do
ex-presidente de 'maluquice'. Notas de associações de juízes criticando o
petista e o fato de um magistrado do Distrito Federal ter decidido
transformá-lo em réu na sexta (29), um dia depois do anúncio de que ele
iria à ONU, comprovariam a tese de que a iniciativa pode ter sido um
erro político", acrescentou.
"Defensores do petista dizem que a reação era esperada e que a
decisão de recorrer à ONU é acertada: a Constituição não estaria sendo
cumprida nas investigações contra Lula e "o mundo" precisaria saber
disso. Levantamento dos advogados de Lula mostra que a notícia
repercutiu em veículos de 48 países."
Lula virou réu na Lava Jato com base na delação de Delcídio do
Amaral. O senador cassado admitiu à Lava Jato que ele enviou R$ 250 mil à
família de Nestor Cerveró, um dos principais delatores da operação,
para tentar comprar seu silêncio. Delcídio teria contado com a ajuda
operacional de um advogado e assessor parlamentar. Ele afirmou que os
recursos sairam do bolso do filho do pecuarista José Carlos Bumlai. Para
obter o benefício de sair da prisão e ir para o regime domiciliar,
Delcídio disse que foi Lula quem pediu para dar dinheiro à famílai de
Cerveró.
A defesa de Lula diz que a denúncia é frágil, por ter sido feita com
base na palavra de um réu confesso que não apresentou provas.
A abertura da Olimpíada só acontecerá na sexta-feira 5, mas os
ensaios acontecem a todo vapor, incluindo o da vaia esperada contra o
presidente interino e contra o golpe; na semana passada, em um dos
ensaios do evento de abertura, no estádio do Maracanã, assim que o nome
de Michel Temer foi citado pelo locutor, os participantes do ensaio
entoaram uma sonora vaia ao peemedebista; abertura dos Jogos Olimpícos
promete colocar o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff mais
uma vez em evidência na mídia mundial
247 - A abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 só acontecerá na sexta-feira 5, mas os ensaios acontecem a todo vapor.
Apesar do clima festivo, o presidente interino, Michel Temer, já teve
uma amostra do que o espera quando for abrir oficialmente a competição.
Segundo o colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, na semana
passada, em um dos ensaios do evento de abertura, no Maracanã, assim que
o locutor anunciou o nome de Temer, os participantes do ensaio entoaram
uma sonora vaia ao peemedebista.
Temer já avisou, dias atrás, que está "preparadíssimo" para as vaias.
Nenhum ex-presidente estará presente na cerimônia de abertura, assim
como a presidente eleita Dilma Rousseff.
Medido pelo
comportamento da mídia, autointitulada porta-voz da sociedade, mesmo
assim é inacreditável o silêncio dos autointitulados democratas diante
do golpe dissimulado de impeachment. Sem crime ao rasgar a Constituição.
A presidenta eleita e afastada parece confiar no seu retorno ao Palácio
do Planalto. Apesar da sua esperança, ou convicção, do outro lado
manifesta-se a força do engodo. Se o golpe for consumado, terá
inevitáveis consequências, e mesmo conflitos perigosos.
O risco é
percebido por Dilma. Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada,
publicada no domingo 24, a presidenta afastada mostrou preocupação com o
desenrolar da história: “Esses processos golpistas podem trazer
consequências imprevisíveis”.
Segundo ela, “não se pode
sustentar indefinidamente a ocultação da realidade e a realidade é o
golpe (...) processos típicos golpistas querem silenciar os protestos,
os governos que não têm votos são intolerantes. Os líderes do golpe
querem sempre o silêncio”.
Há um discurso predominante. Nasce da
reação conservadora longe do poder por 13 anos e vinga nas reportagens,
análises editoriais, colunas de jornais, rádios, televisões e nas
semanais alinhadas.
Mais de 50 anos separam um golpe do outro.
Hoje há, e não havia em 64, uma diversificação tão pronunciada entre os
agrupamentos sociais. Além disso, ontem havia e hoje não há a ação
direta dos militares.
Uma repulsa ao golpe existe, traduzida no
lema “Fora Temer”. Trata-se, potencialmente, de uma fonte de
fermentação, bem como outra, capaz de atingir cruelmente a população
mais pobre.
É o resultado de um compromisso, sem-vergonha e sem
virtude, assumido pelo presidente interino. Nesse sentido, há
proposições e decisões já em curso no governo Temer.
Existe a
promessa de fazer, a ferro e fogo, a reforma da Previdência e da
Consolidação das Leis do Trabalho. Obviamente, não serão favoráveis aos
beneficiários de hoje. Com o mesmo propósito, há de se criar um teto
financeiro para os programas de Saúde e Educação.
Pretendem
mandar para o espaço o programa Ciência sem Fronteiras. Registre-se
ainda o esboço da intenção de dar um fim às universidades públicas.
Estamos diante do desmanche radical dos programas dos governos
petistas, Lula e Dilma, alcançando ainda as políticas populares de
Getúlio Vargas.
Fica-se com a impressão de que os tradicionais donos do poder extravasam todo o seu ódio de classe.
Nesse domingo 31 de julho, na Avenida Paulista (sugestão do amigo navegante Pedro Vieira)
Nota Opedeuta: Ao ver a imagem acima, creio de um senhor já sexagenário ou mais, fico com uma sensação muito ruim como se fosse um pesadelo ou filme de péssima qualidade reprisado muitas vezes. Lembro-me em algumas momentos na vida já ter visto e até conversado com alguns destes senhores. Há algo em comum entre todos eles, creio, pelo que notei. A maioria oriundos de uma família classe média ,classe média baixa, católica , conservadora. Não leem muito, a maioria ficam nos jornalões ou tabloides populares, pouco acesso a livros , quando muito de auto ajuda. Sempre com os mesmos discursos e frases quase padronizadas, " Entra governo e saia governo....e nada muda..... bom mesmo era na época de fulano. O fulano a que ele se referia , era sempre um politiqueiro de família tradicional de politiqueiro que defendia justamente os interesses totalmente contrário das classes trabalhadoras. Sindicatos ...um bando de vagabundos. Ou , "Se não fosse a "revolução " de 64...os comunistas teriam tomado tudo...... Dava a impressão que eram produzidos em série com uma programação de discursos uniformes.... Programados para não verem nem saberem das causas mas apenas suportar o efeito ajudando a engordar o pato. Uma característica que me chama sempre a atenção, a mesma mídia , a mesma informação , os mesmos discursos, geração após geração sempre fora criado para passar a diante a mesma ignorância do que lhe ocorre sem questionar uma vez se quer .....as causas. Amestrados a não questionar. Adorar justamente aquele que lhe aperta o laço ao pescoço. Parece que o grande propósito em criar este tipo de ignorância foi atingido, fazendo-o descrer naquilo que para ele é o grande mal, a democracia. Para estes o estado de exceção, é a regra.
Um grupo de intolerantes agrediu a atriz Letícia Sabatella hoje à tarde, em Curitiba. Se você conhecer algum dos protagonistas ajude a identificá-los. Está na hora de dizer basta à intolerância.
Publicado em 31 de jul de 2016
31/07/2016 – Letícia Sabatella disse: “Não fui provocar ninguém,
passava pela praça antes de começar a manifestação e parei pra conversar
com uma senhora. Meu erro. Preocupa esta falta de democracia no nosso
Brasil. Eles não sabem o que fazem.”
Batalhas pelo "Fora Temer" retomam atos que unem os movimentos
pelo resgate democrático. Do lado dos golpistas, frustração com Temer e
governo de fichas sujas dificultaram o retorno às ruas neste domingo;
confira a programação
O presidente do Supremo Tribunal Federal prevê para 29 de agosto a
sessão do Senado que julgará o impeachment da presidenta afastada Dilma
Rousseff. Até lá intensificam-se de uma lado as operações de bastidor em
busca dos votos dos senadores. E de outro, as batalhas nas ruas.
Hoje (31), a Frente Povo sem Medo concentra forças para a
realização de atos em todo o Brasil e em várias cidades do exterior. Em
São Paulo, a concentração está programada para iniciar às 14h no Largo
da Batata, próximo à estação Pinheiros do metrô, na zona oeste. Em
algumas capitais, como Distrito Federal e Belo Horizonte, a concentração
já começou, na Feira Central de Planaltina e na Praça Sete,
respectivamente. No Rio de Janeiro, os movimentos optaram por concentrar
esforços para um grande ato no próximo dia 5, dia em que o mundo estará
de olho na Abertura dos Jogos Olímpicos.
“Chamamos as manifestações para o dia 31 precisamente como
uma maneira de dar continuidade ao processo de mobilização pelo 'Fora
Temer', pela defesa dos direitos sociais, diante do risco real de
ataque. E também, nesse caso, pela defesa de um plebiscito (sobre antecipação das eleições)
pelo qual o povo possa decidir, não apenas o Senado”, diz Guilherme
Boulos, coordenador da frente. “Não é aceitável que o destino político
do país fique na mão dos senadores. É importante que o povo seja chamado
a decidir. Estão anunciando uma série de projetos que visam, na
verdade, fazer o Brasil andar 30 anos para atrás”, diz o líder do
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
A UNE, que igualmente defende o plebiscito sobre
convocação de eleições, faz também convocações para o dia de hoje. A
Frente Brasil Popular, que reúne dezenas entidades, não chegou a um
consenso sobre novas eleições. Mas parte de sua militância deve
participar dos atos deste domingo.
Do outro, o das organizações que patrocinaram as
manifestações pelo impeachment, e que desde o processo não faz ações de
ruas, o dia é de esvaziamento. Os protestos marcados para hoje foram
esvaziados. Com a alegação de que a agenda de votação estaria ainda
indefinida, Movimento Brasil Livre e Revoltados On-Line optaram por não
se arriscar a um fiasco.
A menos que os setores do Judiciário e da imprensa, que
vêm atuando de maneira sincronizada, consigam mais uma vez inflar as
ruas, está difícil de convencer as pessoas a vestir novamente sua camisa
da CBF para pedir, no lugar de uma presidenta afastada sem crime, um
governo formado por corruptos e que não passa uma semana, nos últimos
dois meses, sem uma trapalhada ou escândalo.
Para Boulos, os golpistas não têm o que dizer. "Foi
cometido um estelionato. Venderam que o impeachment seria uma maneira de
acabar com a corrupção. Mas, com o impeachment, se colocou no poder uma
autêntica quadrilha”, afirmou. “Então, não sei com que cara essa gente
tem condição de sair na rua.”
Centrais
As centrais sindicais definiram a data de 16 de agosto
como um dia de mobilização nacional por manutenção de direitos sociais,
criação de empregos, retomada do crescimento e contra a agenda de
retrocessos e ameaças aos direitos trabalhistas pelo governo interino de
Michel Temer. A programação marca a retomada de ações promovidas
conjuntamente pelas centrais.
Depois do afastamento de Dilma Rousseff, em 12 de maio,
Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central chegaram a realizar reuniões com
o governo interino, que pretende levar adiante mudanças na Previdência
Social, como ampliação da idade mínima e equiparação da idade de homens e
mulheres para acesso a aposentadoria. CUT e CTB se recusaram a dialogar
com o governo, considerado ilegítimo.
No dia 16, estão previstas manifestações em frente a sedes
de organizações empresariais em todo o país. Em São Paulo, está
previsto um grande ato no estádio do Pacaembu. Segundo o
secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. “As manifestações do dia 16 serão
para dizer que não aceitaremos retiradas de direitos e nenhuma mexida
na Previdência e na legislação trabalhista que precarize as relações de
trabalho.”
Para a CUT, afirma Nobre, a Frente Povo sem Medo “é
parceira na luta contra o golpe”. Por isso, o fato de a central não
estar na organização das manifestações deste domingo não significa que
não apoie. “É importante que as organizações de base, que têm trabalhado
unitariamente com a Povo sem Medo, ajudem a organizar. As entidades
filiadas à CUT têm plena liberdade para participar e ajudar.”
Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo devem estar
juntas novamente no ato do dia 5 de agosto, no Rio de Janeiro. No dia 9
serão programadas manifestações descentralizadas pelo país, segundo
Raimundo Bonfim, coordenador da FBP e da Central de Movimentos
Populares.
Manifestações programadas para domingo (31) no Brasil e na Europa
Juiz Ricardo
Augusto Soares Leite, que segundo o próprio Ministério Público Federal,
dificultou a punição dos fraudadores da Receita (Reprodução: Diário do Nordeste) Dois pesos e duas medidas
O juiz que assina a decisão de transformar o ex-presidente Luiz
Inacio Lula da Silva em réu é Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara
Federal de Brasília. Leite é conhecidíssimo, mas não por sua eficiência.
Bem ao contrário.
Juiz da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf
(Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por
julgar os autos de infração da Receita, o juiz que transformou Lula em
réu teve a capacidade de ser denunciado pelo próprio Ministério Público
Federal. Reportagem publicada pela Folha, em 20 de junho de 2015,
mostrava o Ministério Público reclamando de várias decisões judiciais de
Ricardo Augusto Soares Leite que dificultaram a obtenção de provas
contra os fraudadores da Receita.
“O juiz Ricardo Leite negou todos os pedidos de prisão dos
investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e
apreensões.”
“A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF
(Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em abril. Segundo a Folha
apurou, se nenhuma medida for adotada pela corregedoria do Tribunal, a
Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao Conselho
Nacional de Justiça.”
10 vara federal , brasilia, “Segundo a polícia, multas contra empresas somando R$ 19 bilhões
tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava
junto ao órgão.”
Pois não é que exatamente esse juiz da 10º Vara Federal, que, segundo
o próprio Ministério Público Federal, dificultou a punição dos
fraudadores da Receita, é exatamente esse o homem que transformou Lula
em réu?
A Justiça é cega mesmo?
E a imprensa golpista? Não percebeu também que esse nome já era dela conhecido? Aqui a reportagem da Folha, publicada há pouco mais de um ano:
Procuradoria quer afastar juiz que apura corrupção em conselho
LEONARDO SOUZA DO RIO – 20/06/2015 02h00
O Ministério Público Federal quer o afastamento do juiz Ricardo
Augusto Soares Leite da 10ª Vara Federal de Brasília. Leite é o juiz da
Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os
autos de infração da Receita.
Segundo a polícia, multas contra empresas somando R$ 19 bilhões
tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava
junto ao órgão.
O Ministério Público, no entanto, disse que não conseguirá anular
a maioria dos casos, porque várias decisões judiciais dificultaram a
obtenção de provas.
O juiz Ricardo Leite negou todos os pedidos de prisão dos
investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e
apreensões.
A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF
(Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em abril. Segundo a Folha
apurou, se nenhuma medida for adotada pela corregedoria do Tribunal, a
Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao Conselho
Nacional de Justiça.
Juiz substituto, o magistrado está há aproximadamente dez anos no
comando da 10ª Vara, especializada em julgamentos de crimes de lavagem
de dinheiro.
VAMPIROS
Nesse período, passaram pelas mãos de Leite casos como o da máfia
dos Vampiros, o de Maurício Marinho (Correios), Waldomiro Diniz (Casa
Civil) e o da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo (veja
quadro ao lado).
Na representação à corregedoria do TRF, à qual a Folha teve
acesso, os procuradores relatam o que classificam como “a existência de
um crônico e grave quadro de ineficiência” na atuação do juiz Ricardo
Leite.
Procurado por uma semana na Justiça Federal no DF, ele não quis dar declarações (leia texto ao lado).
De acordo com o documento, o magistrado prejudicou o andamento
dos processos por demorar para tomar decisões simples e por empregar
expedientes jurídicos vetados pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e
pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Os procuradores dão exemplos de como “a extrema morosidade” no
trâmite dos processos na 10ª Vara gera “substanciais prejuízos” ao país.
Na Operação Vampiro, deflagrada em 2004, o STJ negou um recurso
impetrado pelos réus e autorizou, em 2010, o andamento regular do
processo. A ação penal só foi retomada pela 10ª Vara, porém, em
fevereiro de 2012.
A Justiça suíça bloqueou recursos nos nomes de alguns dos réus. O
dinheiro não foi repatriado para o Brasil porque até hoje não há uma
decisão definitiva sobre o caso.
Na representação ao TRF, o MPF pede que a corregedoria instaure
procedimento avulso contra o juiz e uma correição extraordinária na 10ª
Vara Federal. Entre as punições previstas que podem ser aplicadas ao
juiz, estão advertência, remoção para outra vara e até mesmo
aposentadoria compulsória.
Na correição extraordinária, seria feito diagnóstico completo da
Vara para acelerar o andamento dos processos. Nos próximos dias, o
deputado Paulo Pimenta (PT-RS) vai na mesma direção: solicitará ao CNJ a
instauração de sindicância e processo administrativo disciplinar contra
o juiz. Segundo Pimenta, relator da subcomissão da Câmara criada para
acompanhar a Zelotes, a atitude do juiz Ricardo Leite tem “prejudicado
sobremaneira a apuração dos fatos”.
OUTRO LADO
A Folha fez diversos contatos com a assessoria de imprensa da
Justiça Federal em Brasília, por mais de uma semana, pedindo uma
entrevista com o juiz Ricardo Augusto Soares Leite para que ele
comentasse as reclamações da Procuradoria.
Ele não ligou de volta.
A reportagem também mandou e-mails para a assessoria, mas as mensagens não foram respondidas.
Em audiências realizadas na Câmara pelo relator da subcomissão
para acompanhar a Operação Zelotes, deputado Paulo Pimenta (PT-RS),
delegados da Polícia Federal e procuradores da República encarregados do
caso reclamaram publicamente do comportamento do juiz Soares Leite.
Frederico Paiva, procurador que coordena as investigações de
fraude em julgamentos do Carf, disse que os pedidos de prisão negados
por Leite eram importantes para impedir que os investigados combinassem
os depoimentos.
“Ele [o juiz] tem um histórico de acúmulo de processos, um
comportamento que chama atenção e deveria ser examinado de perto”, disse
Paiva numa das audiências públicas.
Lideranças dos movimentos favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff
mudaram o discurso contra partidos políticos e se filiaram a siglas de
oposição para buscar neste ano mandatos de vereadores. O Movimento
Brasil Livre lançará 123 candidatos em 23 estados por PSDB, Partido
Novo, DEM, PSD, PSC e PPS.
O líder do movimento, o colunista da Folha de S. Paulo Kim Kataguiri,
viajará o país apoiando as candidaturas do MBL. ““Estamos nos filiando a
esses partidos para disputar a eleição, mas a ideia é que, como existe a
bancada evangélica, formemos uma bancada liberal independente”. O movimento Vem Pra Rua irá seguir a mesma linha liberal do MBL. O
coordenador de Goiás, Johnny Santos, diz que, atendendo a manifesto
feito nas redes sociais, lançou-se candidato a vereador de Goiânia pelo
PPS.
Uma das principais apostas do DEM para a eleição para a Câmara de São
Paulo é o autoproclamado “estudante” Fernando Holiday, do MBL
(Movimento Brasil Livre). Ele ganhou espaço nas inserções do partido no
horário gratuito destinado às siglas.
Em junho, o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino
(AM), deslocou-se para São Paulo apenas para participar da festa junina
do MBL e prestigiar o pré-candidato a vereador (vide foto no alto da
página).
Oriundo do movimento ruralista — presidiu a União Democrática
Ruralista (UDR) durante a Constituinte —, o senador Ronaldo Caiado
(DEM-GO) é um dos parlamentares mais próximos dos movimentos de rua e
diz que os incentiva a participar da política representativa.
“Devemos a eles essa mobilização da população contra a corrupção, a
favor do impeachment. Mas não adianta só ir para a rua, tem que buscar
dar consequência aos pleitos com um mandato eletivo”, diz Caiado. Muitos ainda não se deram conta de que, neste ano, as campanhas
eleitorais serão muito diferentes do que foram nas últimas décadas. A
proibição de financiamento empresarial a campanhas e a Lava Jato mudaram
diametralmente o jogo.
Em tese, as campanhas ficarão mais baratas sem o aporte dos recursos
das empresas. Mas se para a esquerda isso é verdade, para a direita não
será bem assim.
Esses movimentos golpistas que deverão conseguir muitos mandatos
eletivos em todo país são conhecidos por, até hoje, ninguém saber de
onde vieram os fartos recursos que obtiveram para organizar
manifestações gigantescas pelo golpe contra Dilma Rousseff.
É neste ponto que o Blog faz uma denúncia.
Movimentos como Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On
Line, entre outros, planejariam obter recursos eleitorais via doações de
pessoas físicas, como agora a lei determina, mas ocultando ilegalidades
como uso generalizado de laranjas para doarem recursos em seus nomes
para esses candidatos. Funcionaria assim: grandes empresários abasteceriam um grande número
de laranjas e estes fariam “doações de pessoas físicas”, como agora quer
a lei sobre financiamento de campanhas eleitorais.
Será impossível partidos de esquerda enfrentarem essa estratégia.
Além estarem enfraquecidos eleitoralmente pela conjuntura
político-econômica e até pelo golpe contra Dilma, ainda por cima seus
candidatos terão imensas dificuldades para obter recursos.
Matéria recente da revista Carta Capital que deu conta de que a
esquerda está sendo superada com força pela direita na internet mostra
que candidatos de partidos progressistas deverão ter forte dificuldade
para obter financiamentos eleitorais.
A matéria informa, por exemplo, que sites de esquerda estão tendo
dificuldade de obter curtidas no Facebook por conta de desmobilização do
público de esquerda. Ora, se há dificuldade de obter uma mera curtida
ou compartilhamento, que dirá obter doações eleitorais para candidatos –
e, neste ano, se cada cidadão não colocar a mão no bolso para doar aos
seus candidatos, eles não terão chance na disputa. Nesse contexto, urge que as pessoas comecem a pensar na eleição deste
ano, pois será a base para a eleição de 2018. O Brasil elegerá
prefeitos e vereadores em mais de cinco mil municípios pelo país afora e
será dessa eleição que se formará o caldo de cultura para daqui a dois
anos.
Enquanto a direita está partindo para o pleito deste ano com
novidades como os fascistinhas da foto no alto da página, a esquerda
está desmobilizada e sem ter o que oferecer de novo em um momento em que
a sociedade está a exigir renovação.
É preciso refletir muito profundamente sobre essa situação. Do
contrário, o impeachment de Dilma pode ter sido só o começo da
construção de um espectro político esmagadoramente conservador que
primará por retirada de direitos e concessão de privilégios a poucos.
Você, cidadão progressista, de esquerda, militante de direitos
humanos, pelo direito de mulheres, negros, homossexuais, trabalhadores,
não pode se omitir, não pode deixar sua obrigação para o vizinho.
O eleitor de esquerda precisa se preparar para se tornar doador de
campanhas eleitorais e até para se candidatar a vereador, sobretudo, que
é onde a direita mais aposta suas fichas. Do contrário, vamos entregar
este país a adoradores da ditadura militar e outros bichos.
"Lula denuncia ao mundo a perseguição que lhe é movida por
Moro e no mesmo dia a imprensa é abastecida com mais um vazamento
requentado sobre um tema batidíssimo: o sítio de Atabaia. Veja o nível a
que chegamos: agora é uma reforma na cozinha que vem à cena", escreve
Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo; ele compara valores de
denúncias recentes - 250 mil reais que teriam sido gastos na tal reforma
da cozinha e 90 milhões de imóveis do filho de Sérgio Machado - para
denunciar a "brutal irrelevância da pseudodescoberta" da Lava Jato
247 – A resposta "miserável" do juiz Sérgio Moro à
denúncia do ex-presidente Lula à ONU foi uma "pseudodenúncia" da Lava
Jato sobre uma reforma avaliada em R$ 250 mil na cozinha do fatídico
sítio em Atibaia (SP), escreve Paulo Nogueira, do Diário do Centro do
Mundo.
"Lula denuncia ao mundo a perseguição que lhe é movida por Moro e no
mesmo dia a imprensa é abastecida com mais um vazamento requentado sobre
um tema batidíssimo: o sítio de Atibaia. Veja o nível a que chegamos:
agora é uma reforma na cozinha que vem à cena", diz o jornalista.
Ele compara valores de denúncias recentes – 250 mil reais que teriam
sido gastos na tal reforma da cozinha e 90 milhões de reais de imóveis
do filho de Sérgio Machado no Reino Unido – para denunciar a "brutal
irrelevância da pseudodescoberta" da Lava Jato.
"Numa matemática que não mente, uma coisa é 360 vezes maior que a
outra. Mas Moro, a Lava Jato e a mídia brasileira se concentram na
migalha para artificialmente criar notícias contra Lula", critica. "A
resposta miserável de Moro aos imóveis de luxo comprados pelo filho de
Machado em Londres com dinheiro sujo foi a cozinha do sítio de Atibaia. É
uma resposta que conta tudo sobre Moro e sobre a mídia brasileira",
conclui.
Uma horda tomou de assalto o poder
no Brasil. Corruptos, misóginos, antidemocratas, ricos, brancos (e
cristãos) se associaram numa extensa coalizão, passando por cima da
Constituição e do Estado de direito.
Políticos com extensa ficha
criminal associados com perdedores das eleições, entorpecidos pelo
ressentimento e cujas delações os colocam próximos à prática do
banditismo, e o Parlamento mais pífio e conservador da história
republicana promoveram uma “congressada” em dois tempos: primeiro na
Câmara, que além de baixa é repugnantemente fétida; agora, na Senado,
sob a batuta de políticos que envergonham qualquer parlamento no mundo
democrático, salvo exceções em ambas as casas legislativas. Sem crime de
responsabilidade caracterizado, os inquisidores, impávidos, julgam a
presidenta impunes; uma ação iliberal, porque sequer as leis são
respeitadas.
Uma mídia venal, partidária,
antidemocrática e antinacional tratou de “vitaminar” a sanha golpista.
Manipulações de todas as ordens, mentiras e ódio passaram a pautar o
cotidiano de um jornalismo que se transformou ora em entretenimento para
esconder ou escamotear os fatos; ora em espetáculo inquisitorial.
A justiça, eterna servidora da
casa grande, tão corrupta e elitista quanto os demais poderes, tratou de
pavimentar os caminhos para a empreitada golpista. A corte mais alta
assistiu impávida um bandido comandar a abertura do processo de impeachment;
e qual tribunal de ninfas castas, acovardou-se quando um juiz - cujas
ações seletivas e discricionárias expôs as vísceras de togados que agem
seletivamente e são verdadeiros sepulcros caiados -, violentou a
constituição permitindo a exibição, em rede nacional, de um grampo
ilegal, a motivar a condenação tácita e pública da presidenta.
Empresários do pato amarelo e seus
patinhos associados, patrocinadores de golpes no passado e no presente,
injetaram dinheiro sujo para todo o tipo de financiamento dos
aventureiros golpistas. Sempre beneficiados pelo modelo econômico
(especulação concentradora de riqueza e renda) e tributário (que
penaliza o consumidor e isenta os ricos) e pelas benesses dos subsídios
governamentais, resolveram que, a partir de agora, o assalto à Nação
será escancarado e sem pudor.
Segmentos perversos da classe
média, que não aceitam uma sociedade justa e igualitária, se agregaram a
lideranças religiosas, intelectuais e subcelebridades para contaminar
as redes sociais de ódio e espírito de vingança. Criaram heróis
nacionais que fazem Hitler retorcer no túmulo de inveja e construíram
uma narrativa quase hegemônica a justificar o injustificável.
Rezando na cartilha dos interesses
norteamericanos, que não aceitam a autonomia dos povos
latino-americanos, os usurpadores de plantão estão prontos a entregarem
nossas riquezas minerais, como o pré-sal; nossos recursos da
biodiversidade e nosso patrimônio imaterial: potências que podem
transformar esse país numa grande nação.
Os partidos políticos, em sua
maioria, se transformaram em gangues ávidas pelo poder a qualquer custo.
Fins passaram a justificar quaisquer meios nas relações
político-partidárias. Dispensam-se comentários sobre os caminhos
trilhados pelos partidos de direita, aqui incluso o PSDB. Em síntese,
flertam com o fascismo. Mas, é preciso registar que o PT foi dominado
por grupos pragmáticos, políticos de péssima estirpe, interesseiros de
todas as espécies que embarcaram quando o partido estava no poder e lá
convivem se temor, nem pudor. Mostrou em reiteradas vezes que os ideais
de seus fundadores na década de 1980 se transformaram em letra (quase)
morta. Aqueles petistas coerentes, pouquíssimos e minoritários, que
defendem uma refundação do partido, são vozes que clamam no deserto. O
lema “o povo não é bobo, abaixo a rede globo” também poderá ser cantado
para expurgar outros atores políticos. As eleições se avizinham...
Enquanto isso, o discurso e a
prática fascistas vão tomando forma e vigor. O grupo usurpador tem uma
agenda violentamente perversa contra os pobres, os trabalhadores, as
minorias, o patrimônio público. Enfim, contra o Brasil e os brasileiros.
Só aguardam a consolidação do golpe, do jogo jogado, para, de forma
avassaladora, colocar em prática a política do desmantelamento do estado
e da opressão social. Não medirão esforços para passar por cima
daqueles que se colocarem no caminho, porque têm pressa em destruir o
pouco que foi conquistado com duríssimo sacrifício pelo povo brasileiro
desde a Constituição de 1988.
A maioria dos brasileiros ainda
não entendeu o que ocorre. Não percebeu que o golpe não é contra uma
presidenta, nem contra um partido. Apesar de desejarem destruir Dilma e o
PT, os golpistas querem inviabilizar, definitivamente, a possibilidade
real da construção de uma nação justa e solidária. Por isso, tanta
pressa, tanta sanha, tanta violência, tanta cobiça, tanto ódio.
Independentemente de Dilma voltar
ao poder, um número cada vez maior de brasileiros já entende: os
golpistas escrevem o presente da nossa história. Têm nome e identidade.
Mas não têm, como outrora, o controle total da informação. Portanto, não
poderão sufocar a verdade. Não passarão!
Há muitos sinais de resistência.
Os movimentos sociais estão se reativando. Os grupos historicamente
oprimidos, como as mulheres, dão sinais de extraordinária vitalidade e
engajamento cívico. E, certamente, quando os trabalhadores e os pobres
perceberem que o pouquíssimo que conquistaram poderá ser perdido, aí
teremos construído o caminho do retorno à democracia.
Os golpistas não entenderam que o
acesso ao consumo nos últimos anos injetou nos trabalhadores desse país o
vírus (ainda inativo) do inconformismo com a pobreza e a miséria. Uma
pessoa que acostumou a ter um smartphone e uma TV de LCD, a comer carne,
viajar de avião, frequentar shopping e universidade não aceitará nunca
mais ser chicoteada pelos capatazes da casa grande. Isso explica o medo
dos golpistas em relação a Paulo Freire e tanto desejo pela
implementação da malfadada “escola sem partido”. Mas, a escassez (de
trabalho, de possibilidades de consumo, etc.) e a miséria ativarão, mais
cedo ou mais tarde, esse vírus (até agora) adormecido. A consciência
coletiva produzirá distintos níveis de indignação. E a indignação será o
instrumento das transformações. Esse é o grande temor dos golpistas.
Infelizmente, o pouco de
consciência de pertencimento efetivo à Nação, ou seja, de sentimento e
vivência da cidadania, veio pelos caminhos tortuosos do acesso ao
consumo individualista; muito pouco contribuiu a educação e outras
políticas públicas. Mas, seja como for, superaremos essa profunda
violência a que fomos submetidos à medida que as pessoas se
conscientizarem que a pobreza, a miséria e a desigualdade não são
vontade de Deus; são imposições injustas de grupos de elite,
inaceitáveis sob o ponto de vista ético, social, político e moral.
O precipício momentâneo será de suor e lágrimas. Mas, o Brasil reencontrará a planície da democracia.
Há muita marola no tal laudo da Polícia Federal sobre a participação
de um engenheiro da Odebrecht no sítio frequentado por Lula, em Atibaia
(SP).
Como, até agora, Lula não foi acusado de ter facilitado a vida da
empresa e recebido as obras do sítio como contrapartida, o máximo que se
pode ver aí é um problema ético, não penal.
E, convenhamos, num ambiente de corrupção em que se pagava milhões de
reais a figuras de terceiro escalão (Paulo Roberto Costa, Nestor
Cerveró, Pedro Barusco etc…) soa completamente torto que o Presidente da
República, com todo o seu poder, vá cometer um ato de corrupção para
receber uma obra de reforma numa casa de sítio.
Tudo isso só se explica pela onda de histeria que adubou – a palavra
mais precisa – uma perseguição sem tréguas, durante vários anos e que
não achou mais que uns farelos para alimentar-se.
E com que métodos. A esta altura, alguém pode confiar no equilíbrio e
exação de qualquer dos três pólos acusadores de Lula: a Polícia
Federal, a Força Tarefa do Ministério Público e o juiz Sérgio Moro. Até o meio-fio da minha rua sabe que eles perseguem, obsessivamente, o
grânde prêmio de “prender o Lula” e torná-lo inelegível em 2018 por um
ódio político-ideológico que, antes, raríssimas vezes era visto nas
instituições judiciais e parajudiciais.
Hoje, Lula tomou duas providências importantes.
A primeira, de comunicação, ao lançar o site lula.com.br destinado à
dua defesa política, separando essa tarefa das do Instituto Lula,
essencialmente um centro de debates e formulação político-social.
A segunda, indispensável, foi representar ao Comitê de Direitos
Humanos da ONU em Genebra, contra o juiz Sérgio Moro e osprocuradores
federais da Operação Lava-Jato abuso de poder e por violação da
Convenção Internacional de Direitos Políticos e Civis das Nações Unidas,
da qual o Brasil é signatário e se obriga a seguir.
O ex-presidente deixa claro que não se opõe a ser
investigado, mas exige que isso se faça com imparcialidade, e que as
autoridades brasileiras obedeçam o curso legal das investigações e
processos.
Quem vai, em nome de Lula, conduzir o caso em Genebra
é o ex-juiz inglês Geoffrey Robertson, hoje um destacado advogado
especializado em direitos humanos em cortes internacionais. Foi advogado
de Julian Assange, fundador do Wikileaks, do escritor
indiano/britânico Salman Rushdie, que ficou famoso por ser sentenciado à
morte por suposta ofensa ao Islã e da ONG Human Rihgts Watch no caso dos assassinatos autorizados pelo general chileno Augusto Pinochet.
Robertson atuou como juiz de apelações da ONU, foi
membro do Conselho de Justiça das Nações Unidas entre 2008 e 2012e flou
ao siete de Lula, sobre o caso, no vídeo que reproduzo abaixo.
O assunto não é a mais nova iniciativa patética de Michel Temer para
chamar atenção, até porque a falta de noção do presidente interino já se
tornou proverbial graças a iniciativas ridículas dele como a de vazar
para a imprensa textos lamurientos com vistas a gerar comiseração do
eleitorado, como no caso do “vice decorativo”, que fez a festa da
internet.
Porém, a nova iniciativa marqueteira de Temer – que esteve mais para
auto “trolagem” – quase rivaliza com a do “vice decorativo”.
Até a imprensa amiga sentiu vergonha alheia. Os veículos menos
temerários chegaram a publicar matérias em tom de espanto com o ridículo
de o presidente da República torrar dinheiro público para ir buscar o
filho na escola e, o que é pior, avisar a imprensa para ir lá registrar.
http://www.valor.com.br/politica/4648107/temer-convoca-imprensa-para-ve-lo-buscar-filho-na-escola
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2016-07-26/michel-temer-vai-buscar-filho-na-escola-e-irrita-pais-com-movimentacao.html
Para ler as matérias acima, clique nas imagens.
Contudo, seria desnecessário abordar o comportamento histriônico
peculiar aos reacionários. Este post, pois, deve-se ao comportamento de
uma imprensa que não pouparia Dilma ou Lula de um enorme bombardeio se
gastassem dinheiro com cerimonial para o presidente da República
infernizar a cidade e o colégio em que seu filho estuda fechando ruas e
espalhando agentes de segurança para uma medida tão prosaica quanto ir
buscar o filho na escola.
Todos já sabem que, mais uma vez, o tiro marqueteiro do mordomo de
filme de terror saiu pela culatra. Tanto que até seu congênere de
aparência de mordomo, o colunista Merval Pereira, criticou o interino
por encenar essa idiotice de ir buscar o filho na escola.
Merval disse que se Temer não pretende ir buscar o filho todo dia na
escola, não havia por que chamar a imprensa para registrar, o que não é a
crítica correta.
O que chama atenção nesse episódio todo é a falta de noção de certa
imprensa. Além de aliviar para Temer após atitude tão ridícula, um
grande jornal teve a falta de senso de ridículo de criticar a presidente
afastada, Dilma, pela escolha de escola que o mordomo de filme de
Terror fez para seu filho.
Concordo com o jornal que Temer matricular o filho em uma escola
“bilíngue”, e que tão pouco tem que ver com o Brasil – pois é uma escola
voltada para filhos de estrangeiros –, depõe contra aquele que, com
essa escolha, manda um recado tão claro à sociedade que dispensa
explicações. O jornal está certo ao destacar esse fato.
Contudo, o que, diabos, a “Chapa Dilma Temer” tem que ver com a
escolha de Temer? Ele consultou Dilma Rousseff antes de escolher a
escola do filho?
O que esse jornal faz é uma pilantragem. Ele se aproveita do baixo
quociente de inteligência da direita brasileira para tentar
responsabilizar Dilma por um comportamento de Temer que preocupa os país
daqueles que estudam em escola pública e que chega a ser escandaloso.