Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 14 de junho de 2016

Dinheiro da OAS por debaixo dos panos, Marina? Pra posar de santa?







anjinho

 Por

Se Marina Silva recebeu dinheiro não contabilizado regularmente para sua campanha nem é, para mim, o fato mais grave.
Pode até ter sido contabilizado como doação ao diretório do PV do Rio de Janeiro, como admite seu  companheiro Alfredo Sirkis.
O grave é a hipocrisia de disfarçar uma doação de empreiteira, ainda que tenha sido legal, para conservar uma falsa imagem de “pureza” e acusar os outros de serem financiados por estas empresas.
Isso, Marina, é iludir as pessoas.
Mentir, em português mais claro, para levar vantagem.
Não duvido que a contribuição tenha sido regular: se não foi, cabe ao empresário da OAS, Léo Pinheiro, apontar como foram os descaminhos do dinheiro.
Mas é incrível o silêncio de Marina diante de situações que estão evidentes, como a maracutaia do jatinho que matou Eduardo Campos, seu companheiro de chapa

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

2014 será um ano histórico para o Brasil

O ano que o Brasil deixa para trás transcorreu sob o signo da convulsão social e da revolução política, mas, apesar dos eventos de expressiva importância que vimos eclodir ao longo desses 365 dias, 2013 não se compara ao que espera este país em 2014.
Dois fatos marcaram para sempre esta grande nação no ano que ora deixa nossas vidas para entrar para a história: a onda de protestos e o inédito encarceramento de políticos importantes.
Sobre os protestos de junho, o que impressiona é terem ocorrido em um momento em que a qualidade de vida nunca foi tão boa e tão promissora no país. Com salários crescendo e emprego farto, com distribuição de renda e com a pobreza despencando ano a ano, centenas de milhares de brasileiros foram as ruas protestar sem uma causa definida.
Não que todos os nossos problemas tenham sido solucionados. Muito pelo contrário. O nível de pobreza, de injustiça social, de violência urbana e rural e a péssima qualidade dos serviços públicos são, sim, razão muito mais do que suficiente para qualquer povo protestar.
Todavia, o que impressiona é que tais protestos tenham ocorrido em um momento em que a vida de todos melhorou tanto, ao passo que, há uma década, este país estava falido, todo mundo estava desempregado, os salários estavam cada vez mais aviltados e o povo não protestava.
Claro que não foi propriamente o povo que foi às ruas, mas um setor da sociedade que melhorou menos de vida do que a maioria empobrecida. Com efeito, a classe média viu os mais pobres avançarem bem mais do que si e esse foi o mote dos protestos.
Os brasileiros que foram às ruas em junho de 2013, pela primeira vez na história contemporânea não clamaram por mais empregos e por salários melhores, o que mostra que esses dramas o país deixou para trás; clamaram por melhores serviços públicos, como transporte.
Esse fenômeno é histórico, inédito e revelador de quanto a última década melhorou este país. Até a aurora do século XXI, as demandas dos brasileiros eram por empregos suficientes e salários decentes; o Brasil superou essas deficiências e poucos perceberam.
Já no campo estritamente político, o julgamento e o encarceramento relâmpago de políticos importantes em um país em que políticos de tal estatura só eram penalizados tão duramente pela lei durante ditaduras têm sido vistos como avanço, mas também como retrocesso.
É lícito dizer que a causa primeira da corrupção no Brasil – que, reconheçamos, é maior do que em nações em estágio civilizatório mais avançado – se deve à impunidade. Contudo, ao menos até o momento o encarceramento de políticos petistas soa muito mais como um golpe político do que como reversão da histórica impunidade que vige para os mais abastados neste país.
O que parece ter acontecido em 2013 não foram prisões de políticos, mas prisões políticas. Afinal, políticos envolvidos em processos análogos ao do mensalão do PT, só que da corrente política adversária – do PSDB –, foram beneficiados pelas rotas de fuga que o Judiciário sempre propiciou às elites.
O dito “mensalão do PSDB” ter sido tratado pela Justiça de forma tão diferente da que foi usada para o do PT, com o desmembramento do primeiro processo – que foi negado ao segundo – e com a demora muito maior para julgar o caso envolvendo tucanos desmonta a tese do “fim da impunidade”.
Não há perspectiva, pois, de ver políticos-símbolo da corrupção como um Paulo Maluf, um Demóstenes Torres, um Marconi Perillo, um Eduardo Azeredo e tantos outros serem penalizados como foram os petistas.
Qual é a novidade, então, na forma como a Justiça trata a classe política? Não é, infelizmente, a nossa Justiça tratar os membros das elites como trata o povão. A novidade é – durante suposta vigência da democracia – pessoas serem penalizadas por razões políticas.
É lícito dizer, pois, que 2013 não foi um bom ano para a democracia brasileira. Protestos políticos ocorrendo quando as razões para protestar diminuíram tanto e pessoas sendo encarceradas por razões políticas são fatos que desautorizam otimismo com 2014.
O pior é que os grupos políticos que engendraram e fizeram vingar protestos de rua e critérios políticos em um julgamento que, em respeito à democracia, deveria deixar a política de fora, prometem fazer tudo isso de novo em 2014, só que, agora, em ano eleitoral…
O que tornará 2014 um ano histórico para o país também tem relação com a Copa do Mundo. Passaram-se décadas e décadas desde que o Brasil sediou evento internacional de tal importância. Os olhos do mundo estarão voltados para nós no ano que entra.
Os protestos terão, reconhecidamente, potencial para apear do poder o grupo político que fez o Brasil avançar socialmente como nunca ocorrera em toda a sua história em período tão curto. E de desmoralizar o país perante o mundo.
Não é pouco.
A derrota imensurável que ameaça o país em 2014, porém, pode não ocorrer. O brasileiro poderá dar uma demonstração de maturidade premiando um governo – ou uma série de governos – que lhe melhorou a vida e poderá, assim, dizer não aos que pretendem sabotar a imagem do país e sua economia com fins eleitorais.
O caráter histórico de 2014, portanto, poderá decorrer não só da rendição do país aos interesses inconfessáveis que querem desmoralizá-lo internacionalmente e recolocar no poder os que tanto pioraram a vida do povo como poderá decorrer da recusa desse povo a se render.
A volta ao poder dos que fizeram o Brasil chegar ao século XXI de joelhos e que não se cansam de prometer o desmonte do Estado de Bem Estar Social que vai sendo construído a duras penas pode gerar, na segunda metade desta década, uma convulsão social.
A destruição da imagem do Brasil perante o mundo – via transformá-lo em um campo de guerra durante evento que deveria ser uma festa de reafirmação do país como potência emergente – aprofundaria o caos social e econômico que pode eclodir a partir de 2015.
O caráter histórico de 2014, portanto, estará em que este povo terá o próprio destino nas mãos como nunca terá tido antes. Teremos, no ano que entra, o poder de melhorar muito as nossas vidas, mas também teremos o poder piorá-las de forma dramática.
A decisão será nossa e só nossa. Assim sendo, o que de melhor se pode desejar para o povo brasileiro em 2014, além de “Muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender”, é, pura e simplesmente, muito, muito, mas muito juízo mesmo.
Um feliz e ajuizado 2014 para todos, pois.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

The Economist, Ibope, o Brasil e o autoengano da oposição


Durante os últimos quatro meses, o Brasil passou por um vaivém político que constituiu a primeira grande novidade desde 2002, quando Lula destronou os grupos políticos que governaram o país desde sempre, inclusive durante a ditadura e em outros períodos em que viveu sem democracia. A novidade? O governo petista sofreu imensa perda de popularidade.
Antes de prosseguir, uma longa, mas necessária, digressão.
O grande feito político da era Lula – que prossegue sob Dilma Roussef – tem sido manter no poder por já quase uma década um grupo político ideológico com um projeto político-administrativo bem definido, voltado para o objetivo maior de resgatar a quase inacreditável – de tão grande – dívida social brasileira, sobretudo no que diz respeito à desigualdade.
Claro que, para chegar ao poder e operar tais mudanças, o PT “teve” que aderir a práticas tradicionais da política.
Em 2006, o ator-militante Paulo Betti definiu bem a mudança de estratégia adotada pelo partido em 2002, quando dobrou resistências e chegou ao poder com o outrora “temido” Lula, que a elite, a mídia e o capital diziam que transformaria o Brasil em uma espécie de super Cuba.
Não dá para fazer política sem botar a mão na merda”, disse Betti após uma reunião de apoio de artistas à candidatura de Lula, na casa do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, no Rio. Criticado à exaustão pelos hipócritas de plantão, ele se referia justamente ao que foi o mensalão: caixa-dois.
O PT não comprou voto algum. Só um vigarista intelectual pode afirmar que o partido compraria seus próprios deputados, que receberam a grande maioria do dinheiro “não-contabilizado”. Mas usou, sim, caixa-dois porque, no Brasil, sem esse expediente ninguém vencia eleição, em 2002. Hoje, após o escândalo do mensalão, ficou mais difícil, mas todos sabem que continua sendo usado.
Voltando ao tema central do texto. Sob essa premissa de que os fins justificam os meios – execrada, mas que é usada inclusive pelos seus maiores críticos, muitas vezes sem que os fins sejam tão nobres quanto o de resgatar dívida social –, o PT logrou operar um avanço social inédito na história do país e o tornou resistente a crises externas.
A queda de popularidade de Dilma após os protestos cataclísmicos de junho, porém, animou a oposição de uma classe social, empresarial, financeira, étnica e, sobretudo, midiática.
No Congresso, os ratos de sempre se prepararam para abandonar o navio. A mídia, triunfante, passou a incentivar os protestos sob a premissa de que “agora, vai” – conseguiria, enfim, desmoralizar o governo petista e pavimentar o caminho, de preferência, para o PSDB, mas, na pior das hipóteses, para aquela que vem se oferecendo como a nova anti-Lula: Marina Silva.
Entre as traições que a queda episódica de popularidade de Dilma fez surgir, a de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, que vem se dispondo a atrapalhar a reeleição de Dilma em troca de se cacifar para voos futuros, porque não se elege presidente em 2014 nem que a vaca tussa.
Pesquisa Ibope divulgada na última quinta-feira, porém, mostra que a “morte” de Dilma foi comemorada cedo demais. Todos os prováveis adversários – Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos – caíram. Só ela subiu. E bem.
Contudo, os números do Ibope só confirmam o que outras pesquisas já vinham mostrando. Mas a oposição e a mídia, animadas com a queda estrondosa da popularidade e das intenções de voto de Dilma entre junho e julho, continua se autoenganando. Aécio, Marina, Eduardo Campos e a mídia vêm afirmando que está chegando ao fim a era petista, ou lulista.
Este analista político discorda. E muito. Por uma simples razão: o brasileiro, como já ficou provado, não dá bola a moralismo sobre corrupção, ao votar – sabe que os críticos do PT não têm moral pra acusar ninguém. Por isso, o brasileiro vota com o bolso. Ponto.
E quem diz isso não sou eu, mas o marqueteiro Renato Pereira – coordenador da campanha eleitoral derrotada de Herique Capriles na recente eleição presidencial na Venezuela. Ele irá coordenar a campanha tucana a presidente, ano que vem, e, em entrevista à Folha de São Paulo na semana que finda, afiançou que o “mensalão” não irá ajudar seu cliente.
O que derrubou a popularidade de Dilma, em junho e julho, foi a expectativa forjada pela mídia e referendada pelos protestos de rua de que o país estava indo para o buraco econômico. Inflação, emprego, salários e renda das famílias não sofreram nenhum grande baque, mas ver gente na rua quebrando tudo estimulou parte da sociedade a crer que o barco estaria afundando.
A 114ª rodada da pesquisa CNT/MDA, por exemplo, foi a campo entre 7 e 10 de julho e contrastou fortemente com a 113ª, levada a campo entre 1 e 5 de junho. Entre as datas de conclusão das duas pesquisas, passaram-se 35 dias. Nesse período, no cenário mais provável para a eleição de 2014, Dilma Rousseff perdera 19,4 pontos percentuais, Marina Silva ganhara 8,2 pontos, Aécio Neves perdera 1,8 pontos e Eduardo Campos ganhara 3,7 pontos.
A aprovação do desempenho pessoal de Dilma caiu 24,4 pontos, indo de 73,7% na pesquisa anterior para 49,3%, e a desaprovação ao seu governo subira de 20,4% para 47,3%, uma alta de 26,9 pontos, ou 131,8% de aumento.
Já a aprovação ao governo caíra de 54,2% para 31,3%, perda de 22,9 pontos devido, sobretudo, ao aumento dos percentuais de ruim (que foi de 5,5% para 13,9%) e péssimo (que foi de 3,5% para 15,6%).
A própria pesquisa explicou a razão de piora tão acentuada no capital político de Dilma Rousseff e de seu governo. Pioraram, então, pontos altamente sensíveis das expectativas do brasileiro em relação ao futuro, sobretudo na percepção do que ocorreria com o mercado de trabalho, no qual a expectativa de aumento do desemprego saltara de 11,5% em junho para 20,4% em julho.
Nada disso se confirmou. Na última quinta-feira, a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 5,3% em agosto, o que é considerado pelos analistas “pleno emprego”. Como se não bastasse, o rendimento médio dos salários voltou a subir, segundo o IBGE, indo a R$ 1.883.
Alguém com mais de 20 ou 25 anos de idade se lembra de semelhante situação em algum outro momento de sua vida?
Nem todos, obviamente, estão contentes com o governo Dilma. Segundo o pesquisador Renato Meirelles, do instituto Data Popular, informou em entrevista ao Portal IG, os serviços mais caros e o enriquecimento das classes C e D geraram desconforto entre os endinheirados.
O primeiro parágrafo da matéria resume por que as classes sociais mais abastadas sentem tanta ojeriza ao governo Dilma:
Na última semana, o lançamento do iPhone 5C levantou uma polêmica entre usuários nas redes sociais. Com a Apple dedicando esforços à popularização de seus produtos, houve quem reclamasse que os smartphones da marca, antes restritos a uma minoria privilegiada, virariam ‘coisa de pobre’ (…)”.
Mas não são apenas os endinheirados avulsos que odeiam Lula e Dilma por terem colocado pobres em aeroportos, shoppings e até em universidades que, antes, eram “coisa de rico”.
Os banqueiros, por sua vez, estão babando de raiva com a queda dos juros comandada pelo governo, que pôs bancos oficiais para reduzirem suas taxas, obrigando a concorrência a segui-los – e, mesmo com as altas recentes da Selic, o brasileiro, hoje, ainda paga juros muito menores graças à iniciativa do governo.
Os grandes grupos empresariais de geração de energia ou as multinacionais do setor petrolífero estão a reclamar do “intervencionismo” do governo, que reduziu a lucratividade das geradoras de energia elétrica e estabeleceu condições duras para os interessados em explorar nossas imensas reservas de petróleo”.
Empresas de planos de saúde, empreiteiras que querem explorar concessões de estradas e tantas outras. Enfim, o capital não anda nada satisfeito com Dilma.  Com um tucano no poder seria tudo tão mais fácil para essa gente…
Nesse aspecto, a recente capa da revista inglesa The Economist reflete justamente o descontentamento do grande capital nacional e transnacional com o governo “intervencionista” de Dilma. Não passa, pois, de politicagem, em parceria com o grande capital brasileiro.
A oposição e a mídia que lhe faz coro e que a mantém viva, assim, continuam entregues ao autoengano que as levou às eleições de 2006, de 2010 e até de 2012. Seguem apostando no moralismo contra a corrupção e em vender a um povo que está ganhando salários cada vez maiores, pondo filhos na faculdade e encontrando emprego com facilidade crescente que o Brasil estaria indo a pique, economicamente.
Não vai ser fácil. Sobretudo em época de campanha, quando os alvos da campanha oposicionista-empresarial-midiática terão horário na tevê para convencer as pessoas a refletirem se vale a pena arriscar a bonança econômica vigente em troca de moralismo de quinta e terrorismo econômico infundado.
A oposição tucano-marinista-midiático-empresarial continua apostando em que somos um país com 200 milhões de débeis mentais que não conseguem enxergar como as suas vidas melhoraram. E que viram muito bem quem é quem na polêmica sobre o programa Mais Médicos, quando a elite com plano de saúde tentou convencer um povo que sofre com falta de médicos de que não são médicos que faltam, mas “estrutura”, quando tantos estão cansados de ver hospitais montadinhos nas periferias e nas cidades dos grotões que não funcionam porque não têm… médicos.
Na mesma quinta-feira de tantas boas notícias na economia, inclusive no Jornal Nacional, vai o PPS à TV dizer que estamos no fundo do poço e, apesar de o mesmo PPS ser um partido cheio de denúncias de corrupção (vide o escândalo do Cachoeira), derramando-se em moralismo fajuto “contra a corrupção”.
Ao que tudo indica, a oposição irá à campanha de 2014, mais uma vez, para tentar enganar o país e falar mal de um governo que, queiram ou não, tem mostrado resultados que todos sentem em seu cotidiano, sobretudo no bolso.
O mais irônico é que foi um conservador do campo da mídia, dos grandes empresários, dos banqueiros e das multinacionais que melhor teorizou sobre o autoengano. Eduardo Giannetti da Fonseca é autor de Autoengano, livro sobre “as mentiras que contamos a nós mesmos”. A oposição destro-tucano-marinista-empresarial-midiática deveria lê-lo.

domingo, 9 de junho de 2013

DILMA E LULA VENCERIAM. ELE, COM MAIS FACILIDADE

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

VELHAS CONTAS A PAGAR


* Violência avança em SP e PSDB resiste ao envio de tropas federais, como no RJ* 6 assassinatos por dia nos últimos 10 dias**65 civis mortos** 37 policiais executados desde janeiro** periferias sob toque de recolher** Truculência e incompetência:reportagem de Fábio Nassif  sobre ação policial na favela de Paraisópolis (nesta pág)

 
Quase a metade da população brasileira não tem acesso a serviços de água  esgoto. Mas no Norte e Nordeste do país, onde as urnas foram desfavoráveis ao PT, a situação é pior. Apenas 26% da população urbana do Nordeste dispõe de coleta e tratamento de esgoto, por exemplo. A carência de saneamento, associada a aglomerados precários, está na origem de doenças que atingem sobretudo a infância pobre. Entre 1999 e 2002, o governo tucano não assentou um metro de tubulação de esgoto no país. Em 2008 o governo Lula já havia investido 14 vezes mais que todo a rede criada pelo governo FHC. Com o PAC e a nova regulação do setor  a meta é investir R$ 10 bi ao ano, o que  efetivamente tem ocorrido desde 2007. Mas as obras e projetos são lentos. E há paradoxos desconcertantes. Para zerar o déficit de saneamento no país seriam necessários R$ 420 bilhões (no ritmo atual, uns 20 anos). O custo é alto,todavia  representa apenas dois anos de gastos com o pagamento de juro da dívida pública. Mesmo com a firme redução da Selic,  essa despesa já consumiu este ano, entre janeiro e setembro, R$ 161 bi. Quase 5% do PIB.  Dois anos de gastos com juro seriam suficientes para quase zerar o déficit de esgoto e água potável no Brasil.

Oposição tenta postergar CPI do Cachoeira para salvar Perillo

A oposição e a mídia não queriam a CPI do Cachoeira. Se empilharem tudo o que disseram sobre a proposta de investigação não passar de tentativa de Lula de se vingar do governador de Goiás, Marconi Perillo, e da revista Veja – apesar de operações da Polícia Federal mostrarem que a investigação era imperiosa –, a pilha alcançará vários metros.
No intento de evitar a CPI, a oposição conseguiu plantar na mídia denúncias fajutas contra os governadores de Brasília, Agnelo Queiróz, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de forma a intimidar o PT e outros partidos da base aliada do governo Dilma.
Não rolou. O PT e aliados votaram rapidamente o requerimento de CPI, obrigando a oposição a assiná-lo para não passar recibo. E, ao aceitarem convocar Agnelo, os governistas deixaram a mesma oposição sem alternativa que não fosse aceitar a convocação de Perillo.
As denúncias contra Agnelo e Cabral não passavam de vento. Os trabalhos da CPI mostraram que quem se envolveu mesmo com Cachoeira foram Demóstenes Torres e Perillo, além de figuras menores como o deputado tucano por Goiás Carlos Alberto Leréia.  Tudo isso ficou claro nos grampos da PF, que, sem a CPI, não teriam vindo a público.
Vai daí que o senador, o governador e o deputado oposicionistas serão acusados pelo relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que, em seguida, será remetido ao Ministério Público Federal, de forma que este formule denúncia ao Supremo Tribunal Federal, o qual, segundo diz a mídia, passou a ser “duro com políticos”.
Ainda que seja pouco crível que o STF, se o procurador-geral da República não engavetar o caso, venha a tratar uma eventual denúncia ao governador, ao senador e ao deputado oposicionistas, entre outros, da mesma forma que tratou o inquérito do mensalão do PT, essa possibilidade existe.
Isso porque a CPI tornou público o envolvimento dos demos e tucanos de “alto coturno”, o que não aconteceria sem a investigação parlamentar. Dessa forma, Roberto Gurgel – ou o seu sucessor, que deverá ascender ao seu cargo no ano que vem – terá dificuldade de escapar de fazer a denúncia ao STF.
A situação de Perillo, pois, é gravíssima. Há contra ele tudo o que não há contra o “núcleo político” da Ação Penal 470: uma montanha de provas materiais absolutamente inquestionáveis, tais como gravações comprometedoras, transações comerciais registradas, enfim, “atos de ofício” que não acabam mais.
É nesse momento que a mídia tucana começa a espalhar que os governistas da CPI querem encerrá-la em 48 dias para não investigarem centenas de requerimentos feitos pela oposição. São cerca de 500 requerimentos para ouvir pessoas que não seriam apreciados nem em seis anos, quanto mais nos seis meses pretendidos pela oposição.
É conversa, pois, que os governistas estejam querendo fazer a CPI “terminar em pizza” por quererem que os trabalhos sejam estendidos por mais 48 dias, tempo necessário para fazer um relatório final conclusivo. O que a oposição tenta é jogar para as calendas relatório que colocará Perillo no mesmo banco dos réus que os petistas ora ocupam.

ABSTENÇÃO: 
CAI OUTRO MITO CONTRA O PT

Baixa participação popular, alta votação para o partido de Lula. Nós sabemos aonde essa turma quer chegar, certo?

Saiu no Blog do Paulo Moreira Leite: 

MITO DESFEITO



PAULO MOREIRA LEITE
O mais novo mito das eleições municipais de 2012 informa que tivemos um alto número de brancos, nulos e abstenções. Até a presidente do TSE, Carmen Lucia, se disse preocupada com isso.
Como também tivemos um alto número de votos a favor dos candidatos do PT — partido que mais cresceu entre os grandes, tornou-se lider nacional de votos, além de levar o troféu maior que é São Paulo —  é fácil imaginar que há muita gente associando uma coisa a outra. Assim: baixa participação popular, alta votação para o partido de Lula. Nós sabemos aonde essa turma quer chegar, certo?
Querem dizer que a população está se cansando de votar.
Ainda bem que existem repórteres interessados em descobrir a verdade por baixo das aparências e do senso comum. Roldão Arruda revela, no Estado de hoje, que o problema não está na vontade de votar — mas no registro eleitoral. Em cidades onde o cadastro eleitoral não é atualizado, a contabilidade das  ausências produz números maiores. Uma consulta a votação nas capitais mostra isso. Em cidades como São Paulo e São Luiz, onde o cadastro não é atualizado há mais de 20 anos, a abstenção bateu em 20% entre os paulistanos e chegou a 22% entre os moradores da capital do Maranhão. Já em Curitiba, onde o cadastro foi feito há um ano, a abstenção fica em 10%. Os cadastros velhos mantém como eleitores aqueles cidadãos que já morreram, que se mudaram, que já não tem obrigação de votar. “Se todos os eleitores forem recadastrados, a abstenção tende a cair para 10%, soma razoável de pessoas doentes, que viajaram ou que tem mais de 70 anos e não querem mais votar,”afirma Jairo Nicolau, um dos mais respeitados estudiosos do comportamento do eleitor.
A má interpretação dos abstenções animou a turma que combate o voto obrigatório e prentende instituir o voto facultativo. Há bons argumentos a favor de uma coisa ou de outra mas é bom lembrar que a distribuição renda favorece o voto facultativo. Ou seja: nos países onde o voto é facultativo, há uma proporção maior de ricos que comparecem às urnas, por motivos fáceis de explicar. A  pessoa tem  mais recursos, mais tempo livre, mais facilidades de locomoção, mais facilidade para deixar o trabalho e exercer o direito de escolher o governante. Imagine o voto facultativo no interior de um estado pobre, dominado por nossos coronéis. Bastaria suspender o transporte nos bairros adversários para se ganhar uma eleicão, não é mesmo?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CERRA E O ENEM. A CULPA É DA FOLHA



Essa insistência do Cerra em falar do vazamento na gráfica da Folha deve entristecer o Otavinho

 Saiu no blog do Miro:


Por Altamiro Borges

José Serra ainda vai criar constrangimentos para o seu grande amigo Otávio Frias, chefão da Folha. No seu programa na rádio e tevê, o eterno candidato tucano tem insistido em retomar a discussão sobre as fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de fustigar Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e seu rival na disputa pela prefeitura paulistana. Ocorre que este assunto é um trauma para os donos do Grupo Folha. Afinal, a fraude ocorreu na gráfica da empresa, que já foi multada pelo crime.


Na semana passada, a Justiça Federal determinou que o consórcio formado pela Gráfica Plural, do Grupo Folha, pague ao governo R$ 73,4 milhões em função do vazamento das provas do Enem em 2009. O valor deverá ser encaminhado ao INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e o ressarcimento servirá para indenizar o órgão que na época precisou contratar emergencialmente outra instituição para repetir a aplicação da prova.

A Justiça Federal de Brasília concluiu que a Gráfica Plural, sediada em Santana do Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, foi a principal culpada pelo vazamento. Na época, inclusive, correu o boato de que o crime teria motivação política, como forma de desgastar o governo federal – mas nada foi comprovado. A Justiça deu um prazo de cinco dias para que a empresa pague a multa. Se a decisão não for cumprida, o consórcio poderá sofrer pena de penhora de bens para garantir que a dívida seja paga.

A Folha evita tratar do assunto por motivos óbvios. E os seus concorrentes são solidários na desgraça. O silêncio sobre a decisão da Justiça Federal é impressionante. Ninguém fala da condenação e da multa de R$ 73,4 milhões. Exatamente nesta hora, quando o pacto dos mafiosos da mídia é tão forte, José Serra decide explorar o tema no horário eleitoral de rádio e tevê. Otavinho deve estar uma fera!

Extrema-direita se une contra Haddad


terça-feira, 24 de abril de 2012

Germinal, século 21

Matthieu, um trabalhador da construção civil de 31 anos que vive de contratos temporários, tenta entender porque os líderes europeus parecem estar mais concentrados em proteger as instituições financeiras do que em ajudar pessoas como ele.
A França tem uma imagem linda, afirmou em uma noite recente no estacionamento do Chateau de Vincennes. “Mas não é como nos países anglo-saxões. Lá, se você sabe fazer algo quando chega, você pode progredir. Esse é o sonho americano”, afirmou.
“Você nunca vai ouvir ninguém em nenhum lugar do mundo falando sobre o sonho francês”, acrescentou, observando uma fileira de motorhomes. “Não existem sonhos na França.”

Não leio nada sobre a França parecido a essa matéria do The New York Times desde que  devorei com os olhos o livro  Germinal de Émile Zola.
A ferocidade das minas de carvão é um nada diante da monstruosidade dos mercados financeiros.
O sonho americano demoliu, de fato, o sonho francês.
O liberté, fraternité, egalité foi devorado pela lógica do mercado e a França fraca e uma Inglaterra decrépita entregam a Europa à hegemonia alemã, como descreve o jornalista português Pedro Guerreiro:
A crise financeira reposicionou o poder no chamado eixo franco-alemão. E esse eixo pode agora passar a germano-francês. Pode? Pode. É isso que está escrito nas estrelas. Que a Alemanha mande na Europa pela primeira vez desde a segunda Guerra Mundial. Isso significará a transferência de riqueza dos países prósperos para os aflitos, uma política económica integrada, provavelmente mutualização da dívida: federalismo. É o que andamos a pedir, não é? É. Mas é preciso que os alemães estejam para isso. Que o ressentimento entre povos europeus o permita. E que os demais povos aceitem as regras dos alemães.
Estamos assistindo, 20 anos depois, o resultado da capitulação do pensamento de esquerda europeu à ditadura mental do neoliberalismo que o avassalou.
Os “Estados Unidos da Europa”, como o sonharam, desde o século XIX, os mais humanistas dos pensadores europeus – Victor Hugo à frente – converteram-se na União Europeia, em grande parte, pela ascensão ao poder de uma camada de dirigentes social-democratas (Soares, Mitterrand, González e os precursores Olof Palme e  Willy Brandt).
Mas a União Europeia, hoje, tornou-se um pastiche do que a sonhavam aqueles homens.
Tornou-se uma imperial ditadurado capital, aprisionando os países mais que numa moeda, numa política econômica única. E, como única, um irremovível obstáculo para soluções próprias, nacionais e, sobretudo, populares.
A receita é sempre a mesma e dificimente dela qualquer governo escapará: cortar centenas de milhares de empregos  públicos, aumentar  impostos, abaixar salários para recuperar a competitividade, reduzir aposentadorias, abolir a proteção contra demissões e – ah! – drenar dos países em desenvolvimento – via capital e via empresas – o sangue econômico que já não flui num continente exangue.
É verdade que Nicolas Sarckozy teve uma grande derrota, o primeiro presidente que, no poder, não vence o primeiro turno da reeleição.
Mas nada assegura a vitória de François Hollande, do PS, no segundo turno, ainda mais porque o resultado da extrema-direita vai intimidar o seu enfrentamento em questões como a imigração.
Sobretudo, nada assegura que seja uma vitória para mudar.
Porque não é possível mudar dentro de um contexto onde as imposições do mercado – travestidas de políticas continentais – obriga governantes a serem sempre iguais.
E nada indica que aEuropa, tão cedo, vá deixar a estagnação econômica e a crise social.
Ela é uma panela de pressão, onde as eleições funcionam como uma válvula, apenas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vice de Serra trai Serra



do Conversa Afiada

Nem o vice ...


Saiu no 
Estadão:

Alvaro Dias, que ia ser o vice do Serra,  decidiu trair o Serra.
Vai apoiar o irmão, Osmar, no Paraná, que é da chapa da Dilma.

O Serra vai acabar sozinho, como o Gonzalez e a filha.

Alvaro Dias declara voto no irmão, que apoia Dilma no PR

EVANDRO FADEL – Agência Estado

O senador Alvaro Dias (PSDB) declarou hoje, em entrevista coletiva realizada em Maringá, no norte do Paraná, que votará em seu irmão Osmar Dias (PDT) para o governo do Estado, apesar de ele ser adversário de Beto Richa (PSDB) e estar engajado na campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). O senador tem sido um dos maiores críticos de Dilma e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Meu voto para governador não será o voto do político que já exerceu vários mandatos no País. Será o voto do irmão”, afirmou. “Meus companheiros do PSDB haverão de entender a minha posição, porque não é um voto do político, é um voto do irmão”, completou.

(…)

MARINA CUSPIU NO PRATO QUE COMEU

Marina-SilvaMARIANA SILVA é parecida com HELOISA HELENA. MARINA ficou frustrada por não ter recebido o convite do presidente LULA para ser a candidata do PT nessas eleições.
Hoje, MARINA ao lado do tucano JOSÉ SERRA e do PIG é a grande inimiga do presidente LULA.
MARINA não tem respaldo para criticar o Governo Lula, pois ela há pouco tempo era Ministra do Meio Ambiente.
O presidente LULA até hoje reconhece o valor de MARINA SILVA.
MARINA é uma INGRATA.
Os adeptos da candidatura de MARINA SILVA que é EVANGÉLICA, vem espalhando pela INTERNET e pelas Igrejas Evangélicas uma BOATO, que nunca foi dita por DILMA ROUSSEFF, que nem CRISTO impediria sua vitória. Uma blasfêmia.
MARINA SILVA quer ganhar as eleições através da MENTIRA???
MARINA SILVA terá o mesmo final de HELOISA HELENA, o ostracismo.
Matéria publicada por Leda Ribeiro (Colaboradora do Blog)
Daniel: Assino embaixo deste post, pequeno, porém, verdadeiro. Ingrata, sim, é o que ela é. Pior: consciente do que está fazendo. Vai ter o mesmo destino dos que traíram Lula, por nada entenderem de Política e respeito à Democracia. Grandeza não é pra qualquer um. (Leda Ribeiro)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Um Candidato De Programa

O programa que Serra esconde porque não pode apresentar

A mídia faz seu costumeiro carnaval sobre o programa de Dilma Rousseff e da frente avançada, nacionalista e patriótica que apoia sua candidatura. Mas o problema mesmo está do outro lado, com o oposicionista José Serra. Ele repetiu, no registro de seu programa no TSE a mesma síndrome de improvisação vista na escolha do vice de sua chapa: como não tinha um programa a apresentar, registrou em seu lugar os discursos que pronunciou no lançamento de sua pré-candidatura (dia 10/4) e na oficialização de seu nome pelo PSDB (dia 12/6).

Naqueles discursos o tucano falou em ter "prioridades claras" e fez promessas genéricas de acabar com a miséria absoluta e criar vagas em escolas técnicas. Muita conversa sobre "eficiência", gerenciamento, ética, preparo para governar, etc. Mas propostas efetivas, zero.

Não é por incompetência que os tucanos deixaram de registrar um programa de governo de verdade, mas por conveniência. O registro de alguns discursos genéricos no lugar de um programa definido revela um segredo de Polichinelo: José Serra não pode expor publicamente o verdadeiro programa que pretende aplicar na remota e improvável hipótese de que seja eleito presidente da República.

É um programa que ele precisa esconder (e por isso não o apresentou ao TSE) pelo mesmo motivo que levou ao afastamento do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso das solenidades públicas envolvendo o principal candidato da direita. O mesmo programa que agora José Serra escamoteia foi aplicado durante o longo período de FHC à frente do governo, lançando a economia na estagnação; colocando o país de joelhos perante as potências imperialistas; jogando os trabalhadores no desemprego e os brasileiros na pobreza. E que Serra pretende voltar a aplicar, com os mesmos efeitos nefastos para o país.

No discurso de abril o tucano José Serra falou em “coerência”, palavra que teve o significado claro de indicar, para os setores retrógrados que o apoiam, a intenção de retomar o mesmo projeto neoliberal de FHC: “estado mínimo” e redução dos gastos do governo, com privatizações, garantia aos interesses do grande capital. Defendeu a privatização do pré-sal, acusou o programa Bolsa Família de “demagógico” (agora, fala em incluir colocar mais 15 milhões de famílias. Há sinceridade nisso?) e pregou a volta da política externa subordinada aos interesses dos EUA e dos países ricos, abandonando os esforços para fortalecer o Mercosul (que Serra já qualificou como “uma farsa”) e a integração da América do Sul. Em outro discurso reforçou este último ponto acusando o presidente boliviano Evo Morales de fazer “corpo mole” com o narcotráfico.

A dificuldade que José Serra encontra para revelar o verdadeiro, e oculto, programa de sua candidatura explica também a razão pela qual tucanos e neoliberais insistem na comparação das pessoas de Dilma e de José Serra, evitando a avaliação dos governos de FHC e de Lula e dos diferentes programas de governo que eles aplicaram e representam. Eles são opostos e a comparação é desfavorável para a direita neoliberal e tucana. O deles foi aplicado no passado desafortunado por FHC, e condenado pelos eleitores em 2002, 2006 e que será rejeitado na eleição deste ano. O outro, que tirou o Brasil da estagnação, aumentou o emprego e melhorou a renda do trabalhador, aplicado por Lula.



VERMELHO