Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Médicos no Facebook pregam 'holocausto' com eleitores de Dilma




   Nova política: a Rede de Marina está rachada e dificulta a baldeação da candidata que quer apoiar Aécio a qualquer custo; Marina já ameaça não acatar a orientação da maioria.


 Resistência de Luiza Erundina faz PSB rever apoio a Aécio: partido deve optar pela neutralidade e liberar o voto dos filiados.
 

Marcelo Freixo, do PSOL, o deputado federal mais votado do Rio, antecipa-se ao partido e declara apoio a Dilma no 2º turno: Não admito o retrocesso de uma volta a um governo tucano.


 Oito dos 13 governadores eleitos domingo apoiam Dilma


 Marina mantém a coerência e adere à candidatura que tem em Armínio Fraga um embaixador do juro alto


 Dilma venceu em 11 capitais; aliança petista manteve maioria na Câmara: 339 deputados x 181 de Aécio e Marina ; no Senado Dilma terá maioria de 52 cadeiras x 27 de Aécio e Marina


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Comunidade "Dignidade Médica", que conta com quase 100 mil internautas que se dizem médicos ou estudantes de medicina, defende 'castrações químicas' a eleitores do PT: "70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!", postou um usuário; Conselho Federal de Medicina (CFM), com sede em Brasília, afirmou ser “contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa” 

247 – A página "Dignidade Médica", no Facebook, que conta com quase 100 mil usuários que se declaram profissionais da classe médica brasileira coleciona postagens polêmicas contra eleitores da presidente Dilma Rousseff.
Segundo reportagem do IG, alguns internautas propõem "castrações químicas" contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras.

Outro usuário diz: "70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!".
Questionado, o Conselho Federal de Medicina (CFM), com sede em Brasília, afirmou ser “contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa”.

Leia abaixo a íntegra da nota CFM:
“O Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa praticada por qualquer pessoa por conta de aspectos como etnia, origem geográfica, gênero, religião, classe social, escolaridade, orientação sexual ou posicionamento ideológico, entre outros. Esse entendimento representa a percepção da classe médica brasileira.
Para a Autarquia, o Brasil é um país democrático, onde todos os cidadãos devem e podem manifestar suas opiniões, inclusive políticas. No entanto, esta expressão deve ter como parâmetros o comportamento ético e o respeito às leis. Casos que extrapolem esses limites devem ser investigados pelas autoridades competentes.”

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Ativista cearense responde a ataques a nordestinos por votarem em Dilma

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Braulio Bessa Uchoa é um sucesso na internet. Cearense, natural de Alto Santo, usa criatividade e humor para levantar a autoestima do povo nordestino. Para tanto, criou a página Nação Nordestina no Facebook, onde partilha sua história de vida e relata como se tornou um empreendedor de sucesso nas redes sociais.
A página “Nação Nordestina” tem mais de 1 milhão de seguidores.
Após a explosão de preconceito contra nordestinos nas redes sociais a partir do último domingo por conta de o Nordeste ter votado maciçamente em Dilma Rousseff, o ativista digital gravou novo vídeo-resposta às pessoas do Sul e Sudeste que vêm difundindo esse tipo de insulto e cometendo crime de injúria racial e xenofobia.
Abaixo, o vídeo.

Mídia festeja sem máscara candidatura Aécio









Marcelo Freixo, do PSOL, o deputado federal mais votado do Rio, antecipa-se ao partido e declara apoio a Dilma no 2º turno: 'Não admito um retrocesso com a volta de um governo tucano'
  
Oito dos 13 governadores eleitos domingo apoiam Dilma 

Marina mantém a coerência e adere à candidatura que tem em Armínio Fraga um embaixador do juro alto e em Agripino Maia o coordenador ético da campanha tucana

Epitáfio: 'Às vezes o reacionário serve de avanço' (palavras de Roberto Amaral, dirigente do Partido Socialista que um dia foi de Arraes)

Dilma venceu em 11 capitais; aliança petista manteve maioria na Câmara: 339 deputados x 181 de Aécio e Marina ; no Senado Dilma terá maioria de 52 cadeiras x 27 de Aécio e Marina



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Nas redes sociais, jornais Folha de S. Paulo e Estado comemoram passagem de Aécio Neves para segundo turno; “Ufa!”, suspira editorial do Estadão; concorrente da rua Barão de Limeira divulgou panfleto tucano sem nem dar tratamento de notícia, mas como adesão, em sua página no Facebook; Diários Associados convocaram jornalistas e funcionários para passeata pró-tucano; na semana anterior ao primeiro turno, Jornal Nacional e Folha aumentaram exposição negativa da presidente Dilma Rousseff, conforme apurou o manchetômetro, da Uerj; neutralidade dedicada apenas a Aécio e Marina Silva 

247 – A mídia rasgou a fantasia e se jogou de cabeça nas comemorações pela passagem de Aécio Neves para o segundo turno das eleições presidenciais. Na semana anterior ao domingo 5, as preferências já estavam claras com o noticiários crítico em peso contra a presidente Dilma Rousseff em veículos como o Jornal Nacional, Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Como mostrou o manchetômetro da Uerj, que apura o volume e a inclinação editorial dos veículos da mídia tradicional (tabelas abaixo), as notícias consideradas neutras foram reservadas para as candidaturas de Aécio e Marina Silva, do PSB. As negativas foram praticamente todas elas dedicadas à personagem Dilma Rousseff.

O que ainda não se conhecia era a maneira como a mídia tradicional iria comemorar a passagem de Aécio pra o segundo turno.

No domingo 5, às 20h, a Folha publicou em sua página no Facebook uma imagem compartilhada pelo PSDB, de comemoração pela ida do tucano ao segundo turno da disputa. "Show da virada. Graças ao seu voto é Aécio no segundo turno!", dizia o texto da imagem. Muitos leitores reagindo, escrevendo que a Folha nem sequer tratou de dar tratamento de notícia ao panfleto. Nele se veem braços jogando um bonequinho de Aécio Neves para o alto em sentido de comemoração.

Nos comentários da postagem, alguns usuários expressaram seu estranhamento: "Não seria melhor postar a foto de uma comemoração do que material de propaganda do candidato, Folha?", questionou um leitor. "Ainda bem que a Folha é imparcial", ironizou outra. "O candidato da Folha de São Paulo!", constatou uma terceira.

Sempre mais sisudo, o concorrente O Estado de S. Paulo fez um editorial nesta terça-feira 7 intitulado "Alívio e esperança". "Ufa", começa o texto que expressa a opinião da publicação. "A exclamação resume o sentimento de alívio com que a maioria dos brasileiros conheceu o resultado da votação de domingo".

O grupo Diários Associados, diante dessa concorrência, fez um movimento absolutamente original. Em comunicado postado na página da rede de jornais, anunciou-se uma manifestação de jornalistas e funcionários, em praça pública, em apoio à candidatura do tucano. Leia abaixo:

Entrevista de FHC estimulou ataques a nordestinos na internet






De domingo para cá, tal qual ocorreu em 2010 uma onda de racismo começou a se insinuar na internet. E, mais uma vez, o alvo foi o povo nordestino, responsável por parte expressiva dos votos que Dilma Rousseff recebeu na eleição de domingo passado.
Na manhã de segunda-feira, ocorreu um fato que pode explicar o aumento daquela onda racista: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma entrevista ao portal UOL na qual acusou os eleitores da presidente de serem “mal-informados” e residentes “nos grotões”.
Confira, abaixo, a entrevista. FHC começa a externar seu preconceito por volta de 4 minutos e 22 segundos.



Pouco após a entrevista do tucano ao portal de internet do Grupo Folha, colunista do jornal mineiro O Tempo posta no Twitter proposta de separar o Sul e o Sudeste do Norte e do Nordeste por conta de o povo destas duas últimas regiões ter votado maciçamente em Dilma.

Já no domingo, quando os votos começaram a ser apurados, aqui e ali já se viam manifestações de racismo no Twitter, mas esse fenômeno só começou a tomar corpo após a entrevista de FHC. Na tarde de segunda, a onda racista já se espalhara como uma praga.


Estranhamente, até agora nenhuma autoridade se pronunciou sobre o caso.
Seja como for, a presença crescente do ex-presidente tucano na campanha de Aécio Neves é uma boa notícia para Dilma. Segundo pesquisa Datafolha feita em junho, 57% do eleitorado não vota em candidatos apoiados por FHC, o que representa uma péssima notícia para Aécio.

clique aqui para acessar a notícia em sua fonte original
Aécio escondeu FHC de sua propaganda eleitoral no primeiro turno justamente por causa disso.
Como o PT, no primeiro turno, se concentrou quase que totalmente em Marina, o apoio de FHC e casos como o do aeroporto que Aécio mandou construir na fazenda de sua família com dinheiro público foram deixados de lado.
Esse racismo de boa parte do eleitorado tucano (basicamente, sediado em SP) que acaba de ser estimulado por FHC, aliado à péssima imagem do ex-presidente, podem fazer com que o segundo turno não comece muito bem para Aécio.
No caso do racismo, a notícia de que eleitores tucanos do Sul e do Sudeste estão insultando os eleitores petistas do Norte e Nordeste se espalhou como fogo pela imprensa destas duas regiões. No caso de FHC, o eleitorado ainda não lembra bem dele porque Aécio o escondeu em seus programas eleitorais.
Mas, agora, o PT vai lembrar os eleitores desse “detalhe”…
Resta, até aqui, uma inaceitável ausência de providências do Ministério Público contra essa onda de preconceito que esbofeteia o país e, mais do que isso, os brasileiros do Norte e do Nordeste. Vai ficar por isso mesmo?

Os que têm tudo não suportam que todos tenham um pouco

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista ao UOL, que o eleitorado de Dilma são os pobres, porque são mal-informados.
Os “coxinhas” vociferam contra os nordestinos porque deram taxas de  muito elevadas voto à Presidente – “” 36 pontos percentuais acima da média nacional de 42%”, registra a Folha – supostamente em troca do Bolsa-Família. Não importa que, movidos pelos mesmos interesses econômicos, 75% dos eleitores dos Jardins tenham dado o voto a Aécio, 40 pontos acima de sua média nacional de 33,5%.
Por toda a parte, ódio, ódio e ódio: aos pobres, aos negros, aos nordestinos, aos petistas ou não-petistas que votaram na continuidade do projeto de Brasil iniciado com Lula.
A pergunta que é obvia, mas não é feita é: que mal foi feito a essa gente?
Expropriaram-se suas terras ou seus bens? Suas aplicações, investimentos, remessas e movimentações financeiras foram dificultadas ou taxadas? Foram criadas alíquotas mais pesadas em seus impostos de renda – como aliás, existem na Europa e nos Estados Unidos, onde chegam a 50% – ou para as empresas?  Está mais difícil viajar para Miami ou para a Europa?  Os salários dos executivos, no Brasil, não estão entre os maiores do mundo?
Acaso seus bairros e as cidades mais ricas estão sendo invadidas por hordas de miseráveis migrantes do Nordeste? Como, se justamente as políticas de inclusão social e desenvolvimento regional   não  apenas estão reduzindo a migração como permitindo a volta dos “malditos nordestinos” à sua terra natal, suas famílias, numa volta da asa branca com que Luiz Gonzaga sonhou?
Será que os 20 centavos nos ônibus em que não entram é a razão? Já não são suas escolas e hospitais “padrão Fifa” e os cubanos que lhes são caros, os charutos, livremente importados?
Então o que faz com que essa gente odeie, com tanta força, o mísero direito dos pobres a não morrerem de fome?
Logo eles, que se consideram “pós-modernos”, ultra-liberais!
Eles, tão up to date, ainda não chegaram  sequer à Revolução Francesa, que lhes reconheceu os direitos legais, que dirá  ao século 19, quando a elite culta passou a entender que o reconhecimento da dos direitos sociais era algo essencial para a continuidade do progresso da civilização.
Os nossos “bem-informados” são, que pena, bem deformados por uma onda desumanista que com que a mídia brasileira lhes entupiu a cabeça preguiçosa e inculta que arruína a trajetória do pensamento brasileiro em tudo e lhes reconhece o “direito à selvageria” como liberdade.
É “compreensível” atra um negrinho ladrão ao poste, como o do Pastoreio, não é?
Afinal, não se queimam Galdinos há meio milênio neste país?
Cai-lhes bem, portanto, um candidato como Aécio Neves, a quem tudo veio por herança e para quem os privilégios são, como para eles, um direito de nascença.
A sub-nobreza brasileira está histérica, porque quer tudo.
E o nosso povão, tranquilo, porque sabe que, para ele, a vida é difícil e cada progresso é sofrido.
E não vai jogar fora o pouco que tem.

Moço, cuidado para não deixar o passado virar futuro

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Tirei as duas fotos aí de cima hoje, em dois pequenos supermercados próximos de onde moro – o Real e o Supermarket, em Niterói.
Parece bobo, não é? Mas para quem passou dos 50 anos não é não, porque somos de uma geração onde a placa que se via em mercados e obras de construção era, ao contrário, a de  ”não há vagas”.
Às vezes, até, com um peremptório e duro “não insista” para rematar.
Ok, não são ótimos empregos e certamente não são o sonho profissional de quase ninguém.
Mas certamente é melhor que não ter emprego nenhum.
E não é só para os mais pobres e com menos formação escolar, não.
Há vagas, embora com salários baixos, para todos os níveis.
Aliás, há tanta vaga aberta justamente porque paga-se pouco e muitos param por ali apenas o tempo necessário para sair do sufoco absoluto e buscar algo melhor.
Estas fotos daí de cima são do Brasil que não sai nos jornais.
O Brasil que sai no jornal está desmoronando, com os mercadinhos às moscas e o desemprego, não importa o que diga o IBGE, em alta.
Tudo está um desastre, tal índice é “o pior desde 2 mil e tanto”, tal taxa “é a mais grave desde tantos anos”.
Mas quer dizer que está tudo muito bem, tudo muito bom?
De jeito nenhum.
Que bom que a gente esteja insatisfeito com o Brasil, porque é mesmo para estar.
Este país ainda dá muito pouco a seus filhos, em matéria de educação, de saúde, de habitação, de oportunidades.
Mas cuidado, seu moço, porque moço eu também já fui.
E porque já fui e não sou mais, que este pais, sei que não faz uma geração, era muito, muito, muito mais avaro com seus cidadãos.
Avaro?
Não, a palavra exata  é cruel.
Porque só pode ser cruel que quer abaixar a inflação a base de  arrocho,  de corte nos gastos sociais, com a precarização do trabalho, com políticas recessivas.
Vão dizer que querem isso é apelar para o medo?
Pois eu não tenho problemas em dizer que se deve, sim, ter medo disso, porque sei muito bem como isso é terrível.
Eu sei e tenho obrigação de contar que existia um Brasil sem vagas para seu povo.
Mesmo as mais modestas, os “empreguinhos de dois salários” dos quais  a “turma da bufunfa” debocha, mas nem assim quer pagar e diz que os salários “altos demais” são responsáveis pelo desequilíbrio do tal “tripé macro-econômico”.
Talvez você, moço, não acredite em mim.
Ficamos assim: eu também prefiro que você duvide do que eu digo e até faça pouco caso.
É muito melhor  você me olhar desconfiado do que acontecer aquilo que faça você me dar razão.
Cuidado, porém, que o pior inimigo do bom é o que aquela turma diz que vai ser ótimo.
Acho que você tem toda a razão em querer mais, muito mais.
Só não esqueça que tivemos, não faz muito tempo, muito menos.
Onze anos atrás, a imagem do Brasil era aquela que divide a ilustração com as de hoje.
Eu não a quero de volta, você quer?

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

RACISMO PAULISTA DE FHC: DOS MARMITEIROS AOS 'GROTÕES MAL INFORMADOS'


Anteriormente, quando essa população nordestina, totalmente abandonada, inclusive pelo governo de FHC, votava na direita, não era considerada “mal informada”
Emir Sader
A elite brasileira – cujo setor mais significativo vive em São Paulo – nunca engoliu o Getúlio Vargas, nem o Lula, como expressões de amplos setores populares que saem do seu controle. Perderam sempre do Getúlio e perdem sempre do Lula.
Aí apelam para a discriminação e o racismo. Nos anos 1950, a UDN chegou a propor o voto qualitativo. Onde se viu o voto de um engenheiro valer o mesmo que o voto de um operário, oras? Um valeria 10, o outro valeria 1. Cansados de perder para a maioria trabalhadora, queriam mudar as regras do liberalismo que eles mesmo pregavam, para ver se tinham melhor sorte.
Quanto à linguagem, naquela época um político, Hugo Borghi, qualificou os trabalhadores que votavam no Getúlio como “marmiteiros”, de forma depreciativa para quem levava comida de casa para o trabalho. Era a forma de discriminar os trabalhadores vinda da parte de quem nem trabalhava, menos ainda conhecia o que era uma marmita.
O Getúlio assumiu a expressão, que passou a ser usada positivamente, identificando marmiteiro com trabalhador.
A relação dessa elite com o Lula reproduz, em termos cotidianos, o mesmo tipo de clichê e de discriminação. Por um lado, tenta passar a ideia de que os setores populares que votam no PT foram subornados pelo Bolsa Família e por outras políticas do governo, da mesma forma que se fazia em relação ao salário mínimo na época do Getúlio.
Agora FHC vem falar de gente “dos grotões, mal informados”, que por essa razão não se renderiam às denúncias e aos argumentos tucanos e seguiriam votando no PT. Aponta ele certamente para a população nordestina e as populações das periferias urbanas, beneficiárias de políticas sociais ou detentoras de um posto de trabalho assalariado e que votam concentradamente nos candidatos que sentem identificados com o efeito dessas políticas em suas vidas.
Anteriormente, quando essa população nordestina, totalmente abandonada, inclusive pelo governo de FHC, votava majoritariamente na direita – na Arena, no PFL e no seu sucessor, o DEM –, não era considerada “mal informada”. Quando começa a despertar sua consciência, aparecem essas formas discriminatórias.
Como não leem ainda os artigos do FHC, ficam mal informadas, se deixam enganar, subornar, ser instrumentalizadas pelo governo e pelos partidos de esquerda. Quando a informação chegar devidamente a esses grotões, eles reconhecerão que o melhor governo que o Brasil já teve foi o do FHC, os que o sucederam foram empulhações, que distribuíram migalhas, para enganar ao povo.
Reproduz-se assim o velho sentimento elitista da contrarrevolução de 1932, que tem como ícones, até hoje venerados pela elite paulista, os bandeirantes – caçadores de índios – e Washington Luís, famoso por achar que “a questão social é questão de polícia”.

Coxinhas xingam os nordestinos no Twitter por darem vitória maciça para Dilma.

mapa2

Cada nordestino ou descendente de nordestino no Brasil deveria ver o mapa acima antes de decidir o seu voto.
A mancha vermelho-escura, significa, município por município, onde houve uma votação de mais de 50% para a Dilma Rousseff.
É o o desenho de uma metade do Brasil que, finalmente, fez ouvir sua voz neste país.
Pois se cada homem ou mulher que teve o pai e a mãe tangido pela seca, pela miséria, pelo coronelato mandão, olhasse o que seus irmãos estão dizendo, duvido tivesse coragem de condená-los, de novo, ao jugo das elites que os empobreceram e das que os receberam, de nariz torcido, por onde a sina de retirante os espalhou.
racista
É, como diz a turma do bucho cheio que se reúne com Aécio, “o pessoal que vota com o estômago”.
Os que ele diz  que estão felizes com os “empreguinhos de dois salários mínimos”.
Gente que se reproduz na mediocridade de um imbecil, agora, na fila do banco que disse que paga imposto para dar marmita a nordestino vagabundo.
Que os chama de “paraíba”, de “baiano” e que faz até, como está mostrando o Terra, uma página na internet para os xingar ainda mais, porque votaram em Dilma.
Esses Nordestinos é o nome da manifestação de ódio.
É, esses nordestinos, que construíram o prédio onde eles moram, que abriram a estrada onde eles passam, que fizeram a escola onde seus filhos estudam, ergueram a ponte que atravessam.
Que fizeram um pedaço imenso deste Brasil rico e egoísta,  da gente que é capaz de morrer de fome não porque não tem comida, mas por falta de uma empregada ou um restaurante – cheios de nordestinos na cozinha, aliás – que lhes sirva.
Esses nordestinos, essa gente que sofre mas não odeia, muito melhor do que esta, que não sabe o que é sofrer, mas  sabe muito bem o que é odiar.
São eles os “limpinhos e cheiros”, mas como fedem, meu deus!

COLUNISTA PRÓ-AÉCIO PROPÕE SEPARATISMO

O novo é não permitir a volta do que é velho e ruim

versus
Feitas as análises convencionais, numéricas, do processo eleitoral, hora de pensar no sentido político do segundo turno das eleições.
Porque ele, agora, com menor influência das máquinas, ganha um peso muito mais expressivo.
O conservadorismo vão tentar dirigir a população para um duelo “petismo x antipetismo”.
O duelo não é esse, até porque Lula é imensamente maior do que o PT,  embora ele próprio, muitas vezes, não deixe isso claro e não perceba que ele tem o dever de sê-lo.
É o Brasil “versão Lula” e o que fez ao país Fernando Henrique Cardoso.
É o Brasil da exclusão ou o Brasil que saiu do mapa da fome.
O “fenômeno” Marina foi, agora como antes, algo que diante dos olhos de muitas pessoas eclipsou esta verdade.
Porque este confronto, desejemos ou não, é o real.
É mais importante do que virtudes ou defeitos pessoais que enxerguemos em Dilma, como administradora ou em sua habilidade política.
Porque é a direção em que se caminha.
Este é o mote, ao lado dos direitos sociais, que deve imperar na campanha.
O discurso da direita será monocórdio: corrupção, corrupção, corrupção. Com pitadas de recessão e inflação. No horário eleitoral e na mídia.
E o nosso deverá ser nacionalismo, nacionalismo, nacionalismo e povão, povão, povão.
É teu filho na universidade.
É a tua casa comprada a prestação.
É o carro, caidinho, que agora a família tem.
É a vida, é a vida e é a vida.
O resto é  fumaça.

FHC chama eleitor do PT de ignorante Tucano de SP é assim: o nordestino é burro …



Conversa Afiada reproduz trechos de matéria publicada pelo UOL:

PT CRESCEU NOS GROTÕES PORQUE TEM VOTO DOS MENOS INFORMADOS, DIZ FHC


O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta segunda-feira (6) que o PT cresceu nos grotões do país e que o Partido dos Trabalhadores tem o voto dos “menos informados”. A declaração foi dada aos blogueiros do UOL Josias de Souza e Mário Magalhães.


“O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, afirmou o ex-presidente.


“Essa caminhada do PT dos centros urbanos para os grotões é um sinal preocupante do ponto de vista do PT porque é um sinal de perda de seiva ele estar apoiado em setores da sociedade que são, sobretudo, menos informados”, disse FHC.


(…)



Leia mais:

O NORDESTE É TÃO IMPORTANTE QUANTO SP


IMPERDÍVEL: CERRA APLAUDE AÉCIO !


PESQUISAS: A MAIOR DERROTA !

COMENTÁRIOS

O mapa de forças para uma grande batalha

mapa
Se algo de bom se pode extrair do que se passou ontem é a o desvanecimento das ilusões.
Nova política? Afirmação das minorias? Fim das oligarquias locais?

Ah, não esquecer: os “trogloditas”, como Jair Bolsonaro e Marco Feliciano estourando de votos no Rio e em São Paulo, onde os “rejeitados” Sérgio Cabral e Alckmin comemoraram suas vitórias. Até o bizarro Levy Fidélix multiplicou por oito sua votação. Cui prodest? A quem aproveita, no tempo dos latinismo…
Todos eles saíram gordos de um processo de radicalização vazio, que serviu essencialmente para unificar o conservadorismo e travar a sensível, visível e boa afirmação dos direitos, tanto os individuais quanto os sociais, de todos os cidadãos e cidadãs deste pais.

Não se iludam: não seus eleitores e talvez parte de seus apoiadores,  mas Marina Silva, talvez de maneira simulada mas quase que certamente de forma expressa, vai  se alinhar a todo este conservadorismo.

Como Marina não se representa uma força política orgânica, isso não significará tanto. Ela, ontem, fez questão de dizer que “é da Rede”, talvez prevendo problemas com a estrutura de comando do PSB. A ver.

Mas é importante notar que  houve, é evidente,  uma transferência antecipada dos votos do conservadorismo que estavam com Marina e “pularam” para Aécio, desconcertando as previsões que se fazia até às vésperas da eleição.

Da mesma forma, serão importantíssimos dos 1,6% conquistados pela combatividade pessoal de Luciana Genro, que foi madura ao admitir um apoio a Dilma  no segundo turno, deixando claro que não há conversa com os tucanos.

Mas para por aí o que se pode fazer em matéria de abertura a alianças, afora consolidar, onde isso for possível, as alianças com o PMDB, o que não será fácil, especialmente no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, o que tem, em princípio, mais efeito político que eleitoral.

A  eleição está, creiam, muito mais longe de estar  perdida do que de ser ganha.

A direita tem muitos obstáculos, a começar por um resultado do Nordeste, que aponta para uma vitória maior que a de 2010.

O Rio de Janeiro deve devolver a Dilma a maioria absoluta e a eleição aqui tenha tudo para ter novas surpresas.

A eleição vai tomar um rumo, e este, muito mais que no primeiro turno, será regido pela realidade, que se impõe sobre simpatias pessoais dos candidatos.

Dele, falarei no próximo post, mas é evidente: à frente, com o Brasil pós-Lula ou para trás, com o de Fernando Henrique Cardoso.

Avanço da direita em SP ameaça Nordeste e América do Sul





  
   
Pimentel leva em MG; Wellington faz 63% no Maranhão; PT vira e vence na Bahia e vai para o 2º turno no RS, Mato Grosso do Sul, Ceará e no Acre
 
 A grande diferença: o projeto tucano atual é ainda pior que o de Serra: dois anos de arrocho fiscal, baixar para 3% a meta da inflação (com mais juros) e desmontar o pré-sal
 
 Em 2010, Dilma foi para o 2º turno com 48% dos votos; Serra tinha 40%, diferença de oito pontos; agora, sua vantagem é, de novo, de oito pontos sobre Aécio (41,5% a 33,5%).
 
PT, PMDB e PC do B fazem oito governadores no 1º turno e estão na disputa em 8 estados no 2º turno

Marina acena com apoio para Aécio. E o PSB de Erundina e Roberto Amaral, vai segui-la?


 Eduardo Guimarães

É inquestionável: São Paulo liderou avanço sem precedentes da direita brasileira nas eleições de domingo. Apesar de as eleições de governadores ter trazido boas notícias para o PT, é evidente que o fortalecimento surpreendente de Aécio Neves na reta final faz a eleição presidencial entrar no segundo turno muito mais indefinida do que fora possível prever.

O responsável por esse avanço conservador foi, basicamente, São Paulo. O movimento pró Aécio tomou conta do maior colégio eleitoral do país. No domingo, o chamamento do tucano a que as pessoas fossem votar usando camisas verde-amarelas foi um sucesso em SP.

Apesar de o candidato a governador pelo PT, Alexandre Padilha, ter tido votação muito acima da prevista pelas pesquisas, a força do PSDB no Estado mais rico e populoso do país anulou o que teria sido uma boa notícia para os petistas.

Por outro lado, o Nordeste tornou-se o reduto petista e protagonizará a grande resistência a um processo que, se vingar, representará um forte revés para o soerguimento nordestino durante a década passada.

Com efeito, durante os governos Lula e Dilma o Nordeste foi a região que mais lucrou. A grande mobilidade social que se instalou no país entre 2003 e 2014 ocorreu, acima de tudo, no Nordeste. Durante os governos do PT, o Sudeste e, mais especificamente, São Paulo não chegaram a experimentar o fenômeno nordestino, o que fez o Estado sentir que permaneceu estagnado.

Chega-se ao segundo turno com o país dividido. Pesquisa Datafolha recente mostrou que Aécio deve ficar com ¾ dos votos de Marina e Dilma, com ¼. Desse modo, se Dilma teve quase 44% dos votos válidos, se herdar 5% dos mais de 20% que teve Marina, chegará a cerca de 49% no segundo, enquanto que Aécio chegaria a 51%.

Essa “conta de português”, em um primeiro momento, pode sofrer influências da onda Aécio que tomou São Paulo na reta final do primeiro turno. Em 2010, na primeira semana após o primeiro turno José Serra chegou praticamente ao empate técnico com Dilma e, depois, foi decaindo.

Seja como for, para o resto da América do Sul o avanço conservador no Brasil é uma péssima notícia. Pelo peso do país na região, pelo tamanho de nossa economia e por nossa influência geopolítica, países que vêm sendo atacados pela campanha tucana, tais como Bolívia e Venezuela, podem prever que um governo do PSDB trataria de romper acordos de comércio que têm sido vitais para vários de nossos vizinhos.

Hoje, a grande maioria da América do Sul é governada pela esquerda. Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Peru, Venezuela e Uruguai têm governos que mantém relações muito próximas conosco e que, em um eventual governo do PSDB, serão literalmente lançados ao mar.

Governado pelo PSDB, o Brasil por certo se tornaria representante da aversão de Washington aos governos progressistas sul-americanos. Haveria retaliação econômica, a princípio, suave, mas progressivamente mais intensa contra os vizinhos governados pela esquerda.

No médio prazo, Washington conta com a literal destruição do Mercosul e o retorno sul-americano ao quintal norte-americano.

Voltando ao Brasil, a campanha de Dilma ainda padece do efeito segundo turno que ocorreu, também, em 2010. O comando da campanha petista previu que se desse a lógica e houvesse segundo turno, o desânimo sobreviria entre a militância, como há quatro anos. Por isso pedia para não se falar em vitória no primeiro

turno.

Todavia, assim como na eleição presidencial passada, muitas forças políticas progressistas se darão conta, nas próximas semanas, do que representaria não só para o Brasil, mas para toda a América Latina a volta de um governo de direita.

Marina, magoada com o PT, deve apoiar Aécio. Contudo, sua decisão não significa, necessariamente, que todos os seus eleitores adiram a um candidato e a um partido de direita. A maioria pode aderir, mas não a totalidade.

Apesar de tantos pontos negativos para o PT gerados pela arrancada de Aécio na reta final, o cenário político fica mais claro a partir de agora. Caberá ao PT explicar aos brasileiros o que representaria a volta do PSDB. Sobretudo aos eleitores do Norte e do Nordeste, regiões que avançaram muito mais do que o Sul e o Sudeste de 2003 para cá.

No segundo turno não haverá o bombardeio de todos os candidatos contra Dilma que permeou o primeiro turno, mas a mídia entrará em campo com seus dossiês e delações, que, em São Paulo, foram um sucesso. Porém, não se descarta a possibilidade de o resto do Brasil vir a entender que aderir a São Paulo pode vir a ser bom só para São Paulo.

2014 repete 2010. Dilma enfrenta tucano Votação de Aecioporto desmoraliza “pesquisas”.




Dilma Rousseff enfrentará Arrocho Neves no segundo turno das eleições para Presidente de 2014. Com 100% das urnas apuradas, Dilma alcançou 41,59% dos votos, enquanto Arrocho Neves surpreendeu as “pesquisas” e conseguiu 33,55%. Bláblárina desabou na reta final e fica com 21,32%.

O segundo turno reeditará o confronto entre PT x PSDB, recorrente nas últimas eleições.  Em 2010, o cenário foi parecido com o de 2014. Dilma terminou o primeiro turno com 46,91% dos votos. O Padim Pade Cerra, candidato tucano no último pleito, chegou ao segundo turno ao registrar 32,61% dos votos. Bláblárina conseguiu, na época, 19,33%.

No final, como se sabe, Dilma foi eleita no segundo turno, com 56,05% dos votos, contra 43,95% do Padim.

Clique aqui para ler “Lula: Dilma quer falar de corrupção com o Aécio”.

O resultado surpreende as “pesquisas” – em especial o Globope e o Datafalha – que previam disputa acirrada entre Arrocho e Bláblá.

Neste domingo (05), o Globope apresentou a última “pesquisa” e trouxe Dilma com 46% das intenções de votos. Arrocho alcançava 27% e ultrapassava a Bláblá, que ficou com 24%. Os números, nota-se, ficaram distantes da realidade.

O Datafalha divulgou “pesquisa” ontem (04). Dilma tinha 44%, Arrocho chegou a 26% e Bláblá tinha 24%.


Em tempo:
lembrança de Fernando Cabral, no Twitter:


Reeleição 1º turno

- (2006)
Lula: 48,61%
Alckmin: 41,64%
Heloísa: 6,85%

- (2014)
Dilma: 41,44%
Aécio: 33,73%
Marina: 21,28%



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