Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

QUANTO VALE A HONRA DE JOSÉ CARLOS COSENZA?

Última Hora: de como Vargas enfrentou o monopólio dos meios

Revista Veja está preocupada com o Facebook da equipe do Lava Jato, sob investigação da PF; os policiais externavam apoio a Aécio enquanto vazavam 'informações' do doleiro Youssef. Veja deu uma capa com isso que quase tirou a eleição de Dilma; sobraram rastros da parceria?

Desemprego cai, renda sobe, inflação desacelera: Brasil tem o menor desemprego dos últimos 12 anos para o mês de outubro: 4,7%; renda dos assalariados cresce 2,3%; inflação medida pelo IPCA desacelera.


Anti-empreiteiras: prefeito Haddad autoriza MTST a gerir diretamente 20% do Minha Casa Minha Vida em SP; gestão direta permite reduzir custos e aumentar tamanho dos imóveis de 39 m2 para 63 m2 

 Escárnio:o advogado do doleiro Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, afirmou que o procurador Rodrigo Janot está 'politizando' a Lava-Jato ao acusá-lo de ter feito vazamentos eleitorais em beneficio do PSDB.


Última Hora: de como Vargas enfrentou o monopólio dos meios.

Sufocado pela mídia de todas as matizes políticas, Vargas reagiu articulando um jornal para o "povão" que o apoiava.

Marcos Dantas, professor titular da Escola de Comunicação da UFRJ
Reprodução/Arquivo do Estado
Os acontecimentos mediáticos na reta final das últimas eleições, muito especialmente a caluniosa edição da revista Veja, na quinta-feira, há dois dias do pleito, buscando envolver a candidata Dilma e o ex-presidente Lula em acusações para lá de suspeitas feitas por um renomado contraventor, tornou ainda mais urgente discutir o perfil escandalosamente partidário e particularmente antipetista que os meios de comunicação assumiram no Brasil.

Não existe mais compromisso com a “neutralidade” ou “objetividade” da notícia. Não se ouvem mais “os dois lados”. E, pior, basta-se ler com atenção os textos das matérias para, não raro, constatar-se que, dois ou três parágrafos abaixo, o que está escrito não confirma, às vezes desmente claramente, a afirmação peremptória expressa no título grafado em letras garrafais.

Mais do que partidários, Veja, Folha de S. Paulo, O Globo e o “Jornal Nacional” da Rede Globo tornaram-se cínicos, nisto sendo acompanhados por quase todos os demais veículos impressos ou eletrônicos. Há exceções, mas não têm o mesmo poder de penetração ou audiência daqueles.

Não deixa de ser digno de nota que ainda assim a presidente Dilma Rousseff tenha obtido sua reeleição, embora a campanha contra ela desfechada pelos meios muito explique a sua reduzida margem eleitoral. Por outro lado, detendo há 15 anos mais da metade do eleitorado e sendo apoiado por uma parcela muito expressiva da opinião esclarecida brasileira, como explicar que, até hoje, não tenhamos entre os meios brasileiros aquele que represente as idéias, a visão de mundo, o projeto de Brasil que o PT e seus aliados políticos vêm vitoriosamente implementando.

Por que não temos entre nós, uma revista que sustente este projeto com a mesma circulação de Veja, um jornal com a mesma penetração da Folha, um canal de televisão que dispute audiência com a Globo, se, no entanto, mais da metade da população brasileira (e não é de hoje) discorda do que pregam e, tudo indica, pouco confiam no que divulgam?

Em toda a história do Brasil, registra-se um único caso de órgão de imprensa que logrou obter audiência, expressa em tiragem e circulação, correspondente, em termos relativos, ao de um amplo conjunto da população cujas opções políticas ou projeto de país não costumam ser apresentados ou representados pelos meios dominantes: a Última Hora.

O (segundo) governo Vargas sofria um cerco da imprensa muito similar ao que atualmente sofrem os governos petistas: os jornais e revistas de maior tiragem e influência lhe faziam oposição implacável pelo centro e direita. À esquerda, o PCB, com sua imprensa quantitativamente diminuta mas qualitativamente influente junto a círculos progressistas, não conciliava com o governo “burguês”. Vargas reagiu articulando a criação e consolidação de um jornal que fosse efetivamente capaz de atrair a leitura do “povão” que o apoiava: assim iria nascer a Última Hora.

Antes de mais nada, Vargas mobilizou capital. Com recursos de banqueiros e industriais que o apoiavam, a exemplo de Walter Moreira Sales, Horácio Lafer e Euvaldo Lodi, além de generosos financiamentos do Banco do Brasil, Vargas fez nascer uma empresa na qual, porém, não tinha qualquer tipo de participação direta, além da própria inspiração.

Para dirigir a empresa e, sobretudo, o jornal que ela editaria, chamou o jornalista Samuel Wainer. Ele não era, àquela altura, um novato desconhecido, muito menos um jornalista marginalizado e pouco considerado nos meios profissionais. Era experiente e respeitado, e já fizera até oposição a Vargas, quando ditador. Com os recursos à sua disposição, Wainer pôs-se a reunir à sua volta alguns dos melhores profissionais de imprensa que o dinheiro poderia comprar.

Da Argentina, trouxe o desenhista gráfico Andrés Guevara, responsável pelo projeto gráfico da Última Hora, moderno e inovador àquela época. Para a redação, trouxe (subtraindo dos jornalões de então) nomes como o esquerdista Moacir Werneck de Castro, para diretor-responsável; Edmar Morel, reconhecido repórter político; ou o reacionário Nelson Rodrigues – sim, o já consagrado dramaturgo que, para a Última Hora, atrairia um grande público com a sua coluna policialesca "A vida como ela é". Também, na polícia, encontrava-se Amado Ribeiro, bem enfronhado com aquela turma que um dia se juntaria no "Esquadrão Le Coq"...

Wainer não esqueceu o colunismo social, na época um tipo de jornalismo que não poderia faltar num jornal que se quisesse importante: para concorrer com Ibrahim Sued, n’O Globo, tirou "Jacinto de Thormes", pseudônimo de Maneco Muller, do Correio da Manhã. Nas charges, estavam Nássara e Lan, este autor do antológico desenho que consagraria Carlos Lacerda como "O Corvo".

As páginas esportivas, nas quais, claro, dominava o futebol, foram as primeiras a publicar fotos a cores de equipes campeãs: inaugurou-as o time do Fluminense, em 1951. Última Hora também não deixaria de oferecer aos seus leitores, notícias, informações, resenhas críticas sobre cinema, teatro, espetáculos, artes em geral. Neste segmento fazia sucesso a coluna de “Stanislaw Ponte Preta”, pseudônimo de Sergio Porto, trazendo as fofocas do mundo artístico popular e brindando seu público com fotos diárias das estonteantes “certinhas do Lalau”, as popozudas da época que brilhavam no teatro de revista.

cartamaior

Conselho do MP “dá resposta exemplar ao golpismo”

:

Colunista Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília, diz que plenário do Conselho Nacional do Ministério Público "tomou uma atitude que merece um aplauso prolongado e vários momentos de reflexão"; ele fala sobre o afastamento por 90 dias do procurador Davy Lincoln Rocha, do MP em Joinville (SC), que, "em tom de provocação, divulgou pela internet um apelo às Forças Armadas, sugerindo uma intervenção militar no país"; conselheiro Luiz Moreira, autor da iniciativa, alegou que Davy Lincoln "utiliza de suas prerrogativas para manchar o regime democrático e a soberania nacional"; trata-se de "um bom exemplo para o País", diz o jornalista. 

247 – Em nova coluna em seu blog no 247, o jornalista Paulo Moreira Leite elogia o ato de afastamento, pelo Conselho Nacional do Ministério Público, do procurador Davy Lincoln Rocha, do MP em Joinville (SC), que, "em tom de provocação, divulgou pela internet um apelo às Forças Armadas, sugerindo uma intervenção militar no país". Para o diretor do 247 em Brasília, os conselheiros do MP tomaram "uma atitude que merece um aplauso prolongado e vários momentos de reflexão".

O colunista descreve trechos da carta. Leia abaixo:

Fazendo críticas diretas ao governo Dilma, o procurador define o programa Bolsa Família como "uma genial estratégia de compra de votos", que deixa 40 milhões de brasileiros "entre a opção de passar fome ou trocar seu voto por um carrinho de supermercado." Acusa o "Mais Médicos de manter "escravos da ditadura cubana".
Num momento inacreditável, o texto chega a elogiar os trabalhos de espionagem do governo norte-americano no Brasil: "em boa hora a democracia americana já se acautela em obter informações".
Na mesma passagem, o procurador condena a posição das Forças Armadas, que cumprem a determinação constitucional de manter-se como um poder subordinado ao regime democrático: "enquanto os senhores, cabeças baixas, batem continência a tudo isso."

Paulo Moreira Leite considera a punição ao procurador como "um bom exemplo para o País". "Foi a primeira reação institucional ao surto de proclamações golpistas que tem ocorrido no país. Não é pouca coisa, até porque não faltam exemplos daquilo que não deve ser feito", afirma ele, citando o caso dos delegados da Polícia Federal responsáveis pela Lava Jato que compartilharam material de campanha de Aécio Neves e xingaram o governo do PT, Lula e Dilma nas redes sociais.

Leia aqui a íntegra de seu post.

Dr Moro, 9 vazamentos por dia, Dr Moro !​ Isso é uma investigação sob sigilo, ou uma entrevista coletiva ?


Como se sabe, os respeitáveis Ministros Barroso e Teori do Supremo tentaram manter o sigilo da investigação sobre a Lava-Jato e impediram que o Congresso a ela tivesse acesso.

A Presidenta Dilma também tentou, mas não conseguiu.

Um país sério, não é isso, amigo navegante !

Sigilo é sigilo !

Menos na Vara do Dr Moro !

Juiz Moro, agora transformado pelo detrito de maré baixa e pelo Ataulfo Merval (no ABC do C Af) no vaso de guerra do Golpe, ou num Varão de Plutarco, tal como a seu tempo e hora foi o inesquecível Presidente Barbosa …

Na Vara do Dr Moro vaza tudo.

Até vento.

Uma leitura superficial – para evitar vômitos – das primeiras páginas do PiG nessa manhã de quarta-feira 19/11, quando o IBGE anunciou um desemprego récord (para outubro, porque, em novembro, isso vai explodir, com as demissões em massa na Fel-lha !), pois, nessa manhã de quarta-feira é possível constatar que há nove (nove !) vazamentos nas primeiras páginas do PiG.

Nove por dia.

E essa deve ser a média dos vazamentos dos últimos doze meses e assim será, enquanto estiver em atividade a Vara do Dr Moro – e a Dilma no exercício do cargo, atividade que o Ataulfo pretende abreviar, mas, não agora!

É pra daqui a pouco.

Como não tem Governo a Vara vaza.

Ou serão os impunes delegados aecistas do Bessinha, da Julia Duailibi e da Conceição Lemes?

Não importa a origem.

Vaza tudo !

Nove por dia.

O sigilosíssimo depoimento de um vice-presidente da Mendes Jr, esse então foi uma entrevista coletiva.

A ele todo o PiG assistiu, da primeira fila, com gravador e tudo.

Saiu tudo, por igual, na primeira página, como estrondosos furos de reportagem !

Dr Moro, se continuar assim, vai virar uma esculhambação, como disse o Ricardo Melo de um outro julgamento de que o Ataulfo participou – sempre ! – como juiz


Em tempo:
Esse Bessinha …


Paulo Henrique Amorim


Leia mais:

Dr Janot, quem vazou para a Veja ?

Desemprego cai a 4,7%, menor nível para outubro

:

Taxa de desemprego foi 0,2 ponto percentual menor que a registrada em setembro, de 4,9%; trata-se do menor nível de desemprego para outubro; no mesmo mês do ano passado, a taxa era 5,2%, segundo o IBGE; de acordo com a pesquisa, a população desocupada, estimada em 1,1 milhão de pessoas nos locais pesquisados, permaneceu estável em relação a setembro, e caiu 10,1% ante outubro do ano passado. 

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

A taxa de desocupação brasileira ficou estável em outubro, em 4,7%, divulgou hoje (19) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O desemprego foi 0,2 ponto percentual menor que o registrado em setembro, de 4,9%, mas, segundo o IBGE, a variação não é significativa. Em outubro do ano passado, a taxa era 5,2%.

Os números levantados pela Pesquisa Mensal do Emprego se referem a seis regiões metropolitanas: Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

De acordo com a pesquisa, a população desocupada, estimada em 1,1 milhão de pessoas nos locais pesquisados, permaneceu estável em relação a setembro, e caiu 10,1% ante outubro do ano passado. São classificadas dessa forma as pessoas que tomaram alguma providência para procurar emprego e não encontraram.

Foi registrada estabilidade no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que se manteve em cerca de 11,7 milhões nas duas bases de comparação. Já a população não economicamente ativa subiu na comparação com mesmo mês do ano passado, com alta de 3,3%.

O nível de ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas dentro da população em idade ativa, ficou em 53,6%, com crescimento de 0,4 ponto percentual ante setembro e queda de 0,6 ponto percentual na comparação com outubro.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Explicação para os atos de Toffoli e as chances de Dilma

toffoli


Segundo as lendas, o presidente do TSE, José Antonio Dias Toffoli, teria se irritado com a presidente Dilma por ela não ter reconduzido ao cargo naquela Corte o ministro Henrique Neves e, em retaliação, entregou a apreciação das contas de campanha da petista ao notório desafeto do PT Gilmar Mendes, também membro do TSE.
Mendes tem se notabilizado por decidir sistematicamente contra o PT seja qual for o caso envolvendo o partido que chegue às suas mãos. Além disso, esse ministro vive dando declarações públicas contendo ataques ao PT. Desse modo, e dado o clima político tenso que vive o país, o que se espera é que ele dê um jeito de reprovar as contas de Dilma.
Houve, então, difusão da informação de que, se isso ocorrer, a presidente Dilma não será diplomada e, assim, estaria aberto, automaticamente, um “processo de impeachment”.
Antes de entrar no assunto, vale esclarecer que as informações que darei a seguir foram obtidas na tarde de 3ª feira (19) junto à fonte mais confiável que se possa imaginar. E, claro, não darei pista alguma de que fonte é essa, mas posso garantir que é muitíssimo confiável.
Em primeiro lugar, não procede a informação de que Toffoli entregou as contas do PT ao único ministro que com certeza arrumará pelo em ovo simplesmente porque Dilma, então fora do país, não reconduziu Neves ao cargo imediatamente.
Vejamos o caso de Toffoli. Entre 1995 e 2000, foi assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados. Também foi advogado do PT nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1998, 2002 e 2006. De janeiro de 2003 a julho de 2005, exerceu o cargo de subchefe da área de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, durante a gestão de José Dirceu. Em março de 2007, foi nomeado Advogado–Geral da União por Lula, função que exerceu até outubro de 2009, quando o ex-presidente o indicou como ministro do STF, em substituição ao ministro Carlos Alberto Menezes Direito.
Quando Dirceu foi apeado do cargo de ministro-chefe da Casa Civil devido ao mensalão, em 2005, Dilma assumiu seu posto e exonerou Toffoli, que ficou sem cargo no governo até 2007, quando foi convidado por Lula para ser o AGU e depois, em 2009, para assumir a vaga no STF.
Em resumo: Toffoli não gosta de Dilma por tê-lo exonerado da Casa Civil em 2005, após Dirceu perder o cargo.
Com o presente que Toffoli deu ao PSDB ao entregar a um dos maiores inimigos do PT as contas de campanha de Dilma, imediatamente o ministro começou a trilhar o caminho já trilhado por Joaquim Barbosa. A trajetória de ambos vai ficando muito parecida.
Barbosa, como Toffoli, chegou a ser considerado um despachante de Lula no STF – a direita não acreditava que Lula nomearia ministros do STF independentes até que Barbosa, decidido a se tornar “popular”, possibilitou a condenação sem provas de alguns réus do mensalão, como Dirceu.
Com Toffoli, o roteiro está se repetindo. Pela sua trajetória supracitada, foi considerado outro braço de Lula no STF. A imprensa tucana, assim como fez com Barbosa, fustigou Toffoli por anos. O blogueiro da Globo Ricardo Noblat chegou a relatar um episódio de discussão entre ambos em uma festa e deu detalhes pouco abonadores ao ministro, como o de que teria se embriagado e dado escândalo.
O fato é que Toffoli, decidido a se “reabilitar” como Barbosa, aproximou-se de Gilmar Mendes e companhia.
O novo Toffoli, agora reabilitado, já foi até levado ao programa Jô Soares na madrugada desta 3ª feira. Na entrevista, endossou a tese da PEC da Bengala, que pretende estender para 75 anos a idade de aposentadoria de ministros do STF a fim de retirar de Dilma a possibilidade de nomear mais 5 ministros para aquela Corte até 2018.
Eis a verdadeira motivação de Toffoli para atacar o partido a que serviu um dia: não gosta de Dilma, quer ficar amiguinho da mídia e da classe média como Barbosa e sonha em ficar mais 28 anos no STF em vez de mais 23.
Agora, uma boa e uma má notícia. Segundo minhas fontes, não procede a informação de que Dilma não será diplomada caso Gilmar Mendes encontre um pelo no ovo de suas contas de campanha. Haveria a diplomação e o processo de impedimento não seria automático, mas qualquer pedido nesse sentido terá chance de êxito.
O roteiro do golpe é simples. Dilma não pode ser impedida de assumir o segundo mandato, mas esse mandato estaria sujeito a questionamento.
O PSDB, claro, pedirá o impedimento dela por suas contas terem sido reprovadas, ou parcialmente reprovadas. A tendência do TSE, com Toffoli ao lado dos ministros Gilmar Mendes, João Otávio Noronha e Luiz Fux, todos antipetistas, daria maioria ao golpe em um colegiado de sete pessoas.
Haveria, porém, um recurso do PT ao TSE arguindo suspeição de Mendes dado o largo histórico de ataques verbais públicos desse ministro ao PT, facilmente comprovável. Nesse ponto, a verborragia dele poderá ser útil ao seu alvo petista. Contudo, essa discussão vai acabar mesmo no STF, presidido por Ricardo Lewandowski.
O poder do presidente do STF é a pauta, mas em um caso dessa gravidade não haveria como um pedido do PT contra a rejeição arbitrária e politicamente motivada de suas contas não ir para o topo da pauta, de modo que esse poder não ajuda muito.
Por conta disso, o risco que o Brasil corre é o de o segundo mandato de Dilma começar com essa espada de Dâmocles sobre sua cabeça, tendo que lutar por seu mandato no Supremo. Mesmo que a nova composição daquela Corte impeça o golpe, a economia brasileira irá se ressentir, o que pode aumentar o desemprego e reduzir salários, criando clima para mais golpismo.
Esses são os fatos, goste-se deles ou não. Mas vale refletir que o golpismo destro-midiático irá ferir, antes de qualquer um, a sociedade brasileira. O povo irá pagar pelas estratégias golpistas da mídia, do PSDB e companhia limitada. E o mais irônico é que muita gente que irá sofrer com esse abalo do país a esta hora está comemorando o próprio infortúnio futuro.

Moro, PF e PiG assumiram. Cadê o Governo? Hay gob​ierno ? Não parece …



O que a Vara do Juiz Moro decidir.

O que o Ministério Público quiser.

O que o Supremo julgar.

Nada disso é tão importante quanto o cerco à Presidenta reeleita.

A Oposição e seus instrumentos – por exemplo, os delegados aecistas denunciados pela Conceição Lemes e a Julia Duailibi – decidiram: se tomar posse, ela não vai governar.

No dia em que a pedra não ficar sobre a pedra, ela já poderá não estar no Poder – como anuncia, todos os dias, o Ataulfo Merval.

Ou já terá cumprido o mandato.

O ciclo na Justiça e na Polícia será mais lento que o ciclo Político.

E dessa vez, a Casa Grande resolveu que não vai perder.

Que história é essa de a senzala governar ?

Onde já se viu essa esculhambação ?

Não foi para isso que fizemos a República !

Chega de Bolsa Família, Pronatec, ProUni, – isso é bolivarianismo !

Ração para bovinogente mal informada.

O Moro, a PF do , o Supremo – eles têm seus ritos e prazos.

O Golpe é outro regulamento.

Um sobe de escada e outro de elevador.

A Presidenta foi ao Grupo dos 20 na Austrália, lá onde o diabo perdeu as botas. 

Ao voltar, deu uma entrevista muito serena e sensata, quando enfiou a Lava Jato pela goela do PiG.

Mas, isso foi no Século passado.

O Golpe do Merval já subiu vários andares.

E da Vara do Moro vaza até sonho.

(Desde que não toque em tucano ou tenha privilégio de foro – muito menos uma combinação dessas duas condições excludentes. PSDB lá se chama de “alguns”)

Da PF do zé, então, vaza o que ainda não entrou.

E o Governo ?

Bom, o Governo, bem, quer dizer, a Presidenta chegou.

Amanhã ela despacha com o Mercadante às 10h00.

E mais nada.

É natural. 

Ela deve estar cansada e a meditar sobre o “Governo novo, ministros novos”.

Presidente/a da República não tem e não deve dar entrevista todo dia.

Mas, num cerco implacável, sangrento, numa fuzilaria infernal, de todos os lados, é preciso reagir.

Pelo menos para não dar a impressão de que se está morto.

Como reagir ?

Quem reagir ?

Primeiro, um Porta-Voz da Presidência da República.

No Brasil, o cargo se transformou num assessor político da Presidência, um redator cinco estrelas e num gerente da SECOM.

Nos Estados Unidos, o Porta-Voz é mais importante que o Ministro da Fazenda.

(Que, aliás, é menos importante, no Brasil, que o Ministro das Comunicações)

O Porta-Voz deveria se reunir com os jornalistas credenciados na Casa Branca, quer dizer, no Palácio do Planalto, duas vezes por dia.

No fim da manhã e no meio da tarde (para pegar os telejornais do início da noite.)

Ele dá as informações de interesse da Presidência e se submete às perguntas da imprensa.

Enfia o pé na jaca.

Tira a espada da coxa e responde aos ataques.

Ah, mas os jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Planalto não são as estrelas do PiG, seus colonistas (do ABC ) estrelados, de muitos chapéus.

Se o Porta-Voz tiver o Poder de um Porta-Voz, que fale pela Presidenta, as estrelas passarão a gravitar em torno dele.

Ou quem ali estiver vai virar estrela.

Outro que tem que falar é o Ministro da Justiça.

Mas, no caso do Governo Dilma, é até melhor que ele não fale nada.

O segundo a falar nesse bombardeio incessante, permanente, para revidar o ataque é o Ministro da Política.

Seja ele Chefe da Casa Civil, Ministro das Relações Institucionais, ou Ministro da Justiça, como foi desde o Império até, até, até que uma das pragas do Egito se tenha abatido sobre a Pasta de Nabuco de Araújo.

O Governo Dilma não tem Ministro da Política.

Como não tem Porta-Voz.

Como não tem Ministro da Justiça.  

Como não tem Ministro das Comunicações.

Aí, o Ataulfo governa.

O Moro governa.

A PF do zé governa.

E o Governo cai.

Paulo Henrique Amorim

Advogado do doleiro Youssef resolve “peitar” o Procurador-Geral da República

bastojanot

Alberto Youssef, ao que parece, transformou-se no oráculo de verdade, de tal forma que seu advogado, Marco Antonio Figueiredo Basto partiu para o ataque, desafiando o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, por suas declarações de que  era “preciso parar” com os vazamentos seletivos da provável “delação premiada” do doleiro.

Agora à tarde, na Folha, Basto  diz que Janot, “está “politizando” a operação Lava Jato ao acusá-lo de ter feito vazamentos de delações antes das eleições e de “operar” para o PSDB”.
“Jamais fiz qualquer vazamento e nunca fui ligado a partido político. Seria ingênuo imaginar que eu tentei influenciar o processo eleitoral”, rebateu Figueiredo Basto.
(…) Desafio Janot a provar as acusações que fez. Nunca operei para ninguém. Aliás, gostaria de saber o que ele quer dizer com operar.”

O Dr. Basto pode ter razão em alegar que foi advogado de Beto Richa e de outros figurões do PSDB paranaense num papel estritamente profissional.

Ou que seu filho, Marco Antonio, tenha um cargo comissionado no governo paranaense, certamente por seus méritos.

Mas isso não lhe serve para explicar porque foi nomeado pelo governador membro do Conselho de Administração da estatal Sanepar, cargo que deixou ao assumir a defesa do doleiro.

Aliás, é curiosíssima a sucessão de coincidências neste caso. O réu, o juiz e o advogado de defesa são os mesmos de 11 anos atrás, quando aconteceu a primeira delação premiada de Youssef, o novo oráculo da verdade absoluta.

Mundo pequeno este, não é?

E quanto a falar em politização, Doutor, não foi o senhor o primeiro a suspeitar dela, quando uma das testemunhas citou o PSDB como também beneficiário das propinas?

E não foi uma referência geral, tanto que o senhor mesmo frisou: “estou afirmando” que ” influência estranha nesse processo, de terceiro, que tem interesse eleitoral em usar essa instrução”.

Seria muito bom que todo mundo pudesse saber que outros interesses estão por trás desta questão.

A receita de Eduardo Cunha para virar heroi da mídia.

Dilma reassume o governo nesta 3ª feira e acelera as negociações para montar um ministério que devolva o poder de iniciativa a quem venceu as eleições em outubro; nadando sozinho na cena política nos últimos dias, o conservadorismo não foi além de um ato na Paulista, rachado entre lobões e bolsonaros.

Rodrigo Janot: 'Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Richa; tinha vinculação com partido e começou a vazar seletivamente' (Folha; que não deu a manchete)

Brasil cresce mais que a Alemanha, a França, a Itália e o Japão: PIB desafia o jogral do Brasil aos cacos e cresce 0,6% no 3º trimestre; o da Alemanha cresceu só 0,1% no mesmo período; o da França , 0,3%; o do Japão caiu 0,4% e o da Itália, recuou 0,1%
 
Oito das nove empreiteiras incriminadas na Java Jato colocaram dinheiro na campanha de 259 dos 513 deputados federais eleitos este ano: foram R$ 71 milhões que beneficiaram 50,4% da nova Câmara Federal (Valor)
 
Haddad vai investir R$ 1 bilhão em 60 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus em SP


CUNHA
Cunha na TVeja

Eduardo Cunha, candidato à presidência da Câmara, descobriu uma coisa aos 56 anos: basta ser contra o governo para virar um herói da mídia.

Cunha concede entrevistas, nestes últimos tempos, como se fosse um supercraque da Champions League.
Ele é um personagem ubíquo em jornais, revistas e sites das grandes empresas jornalísticas.

Bater em Dilma e no governo opera um milagre da transformação em seu perfil como personagem da mídia.
Cunha agora aparece dando sermões sobre corrupção – ele que no A a Z da malandragem preenche virtualmente todas as letras.

É que ele passou a ser amigo da imprensa.

Um fenômeno parecido ocorreu, algum tempo atrás, com Joaquim Barbosa. Era visto com extrema reserva por ter sido indicado por Lula para o STF.

Depois que passou a dar cacetadas no PT no Mensalão, virou manchete diária. Numa de suas capas já clássicas pelo bestialógico, a Veja o chamou de “o menino pobre que mudou o Brasil”.

Pausa para rir.

JB, está claro, não mudou nem a si próprio, ou o Supremo, ou o Judiciário — e muito menos o Brasil.
No site da Veja, antes que Eduardo Cunha fosse promovido a aliado, ele foi incluído num levantamento chamado “Rede de Escândalos”.

Ali você lê que ele é alvo de inquéritos no STF por crimes tributários.

Repare: crimes, plural, e não crime, singular.

Você fica sabendo também que ele responde a ações por crimes de improbidade administrativa.

Fora do levantamento, o jornalista Lauro Jardim, da seção Radar, informa que Eduardo Cunha é mentiroso.

“Eduardo Cunha andou falando que não conhecia o lobista Fernando Soares, o Baiano, citado por Paulo Fernando Costa em seus depoimentos.

Admitiu, no máximo, ter estado com ele sem saber quem era.
Elogiado até por adversários por sua memória prodigiosa, Cunha deve ter tido, sabe-se lá por que, um lapso.

Baiano já esteve diversas vezes na casa de Cunha, no Rio de Janeiro, em companhia de outras pessoas.”
Cunha, se não fossem suficientes ao dados da Veja, agride a Constituição como dono de rádio. Político, diz a Constituição, não pode ter rádio. Mas Cunha, como tantos outros representantes do atraso, tem – mediante gambiarras jurídicas de moralidade abaixo de zero.

Era assim que ele era apresentado pela mídia enquanto era aliado de Dilma.

Hoje, ele parece Catão, o último reduto da moralidade romana, se você acreditar em jornais e revistas.

Numa entrevista à tevê da Veja, a apresentadora Joice Hasselman, a Sheherazade loira, prostrou-se diante de Cunha.

O colunista do UOL Josias de Sousa, em sucessivos textos, vem tratando com reverência Cunha, e repercutindo prazerosamente suas previsões apocalípticas sobre Dilma, bem como suas palavras edificantes contra a corrupção.

E eis Cunha então como um quase santo, aos olhos da mídia.

Sua obra suprema para a beatificação: ser contra Dilma.
 
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

MP: cartel de empreiteiras opera desde a Petrobrax

:

Ao pedir o bloqueio dos recursos das empreiteiras atingidas pela Operação Lava Jato, os procuradores do Ministério Público afirmaram que o cartel das construtoras frauda licitações na Petrobras há pelo menos 15 anos, ou seja, desde o tempo em que ela era comandada por Henri Philippe Reichstul, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo; Reichstul se notabilizou por tentar mudar o nome da estatal para Petrobrax e por trocar ativos com a espanhola Repsol, numa transação que vem sendo questionada na Justiça por prejuízos bilionários; notícia foi escondida na mídia tradicional, para você não ler; aqui em 247 você leu 

247 - Se você não leu esta informação antes, não se sinta culpado. Ela foi mesmo escondida pela imprensa brasileira de forma deliberada. No Estado de S. Paulo, que foi o primeiro veículo de comunicação a defender o impeachment da presidente Dilma a pregar o golpe (leia aqui), ela está publicada, nesta terça-feira, numa tripa de pé de página.

Mas é extremamente relevante. De acordo com os promotores envolvidos na Operação Lava Jato, o esquema criminoso liderado pelas maiores empreiteiras do País operava há pelo menos 15 anos. Ou seja: no mínimo, desde 1999, quando o Brasil era presidido por Fernando Henrique Cardoso e a Petrobras comandada por Henri Philippe Reichstul.

“Muito embora não seja possível dimensionar o valor total do dano é possível afirmar que o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobrás, pelo que a medida proposta (sequestro patrimonial das empresas) ora intentada não se mostra excessiva”, sustentou o Ministério Público Federal, ao requerer o bloqueio dos ativos das construtoras – pedido este que foi negado pelo juiz Sergio Moro. O magistrado permitiu apenas sequestro de bens dos executivos.

Quinze anos atrás, Reichstul se notabilizou pela tentativa de mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Seria uma forma de começar a prepará-la para uma eventual privatização. Diante da resistência, a mudança na marca foi arquivada. Outra polêmica da era Reichstul foi a troca de ativos com a espanhola Repsol no apagar das luzes do governo FHC – em análise pela Justiça, o caso já chegou aos tribunais superiores com estimativas de prejuízos bilionários para a Petrobras.

Leia, aqui, o relatório do Ministério Público em que se afirma que o cartel das empreiteiras já atuava desde os tempos da Petrobrax.

Aqui, notícia de 247, publicada em março, sobre o assunto.

 PSDB tem novo nome na Justiça: "mais alguns"

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Ao reportar o depoimento de Ildefonso Filho, presidente da empreiteira Queiroz Galvão, à Justiça Federal, o jornal Estado de S. Paulo informa que a construtora fez doações ao PT, PMDB, PP e "mais alguns"; embora exista certo interesse em confinar o escândalo aos partidos da base aliada, Ildefonso Filho foi quem negociou o pagamento de US$ 10 milhões ao ex-presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, para que uma CPI sobre a Petrobras fosse colocada em fogo brando; então, fica combinado: PSDB, a partir de agora, se chama "mais alguns"; detalhe: o empreiteiro não foi questionado sobre o pagamento a Sergio Guerra. 

247 - Uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo sobre o depoimento de Ildefonso Filho, presidente da Queiroz Galvão, à Justiça Federal, informa que a construtora fez doações a "PT, PMDB, PP e mais alguns" (leia aqui).

"Mais alguns" é a nova nomenclatura para o principal partido de oposição: o PSDB. Foi o mesmo executivo, Ildefonso Filho, quem, segundo o doleiro Alberto Youssef, pagou uma propina de US$ 10 milhões a Sergio Guerra, ex-presidente nacional do PSDB, para que uma CPI sobre a Petrobras fosse colocada em fogo brando no Congresso Nacional (leia aqui reportagem do Diário do Poder a respeito).

Em seu depoimento, Ildefonso Filho foi questionado sobre o critério para as contribuições. “O primeiro critério era o limite, sempre aquém do permitido. A gente dava para aqueles partidos que mais se caracterizam com as características da empresa, ligados ao crescimento da infraestrutura.”

Confira aqui a íntegra do seu depoimento, em que ele não foi questionado sobre o pagamento de US$ 10 milhões a Sergio Guerra.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Curso relâmpago de FHC sobre engavetamento de investigações

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Andam dizendo que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff não só não têm mérito pelo STF da era petista ter interrompido sua prática histórica de sepultar processos contra políticos importantes como também por hoje estarmos vendo donos de empreiteiras indo ver o sol nascer quadrado.
tese desses caras-de-pau é a de que como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União etc. são “órgãos de Estado” eles atuariam independentemente dos desejos do presidente, de forma que Dilma estaria enganando a sociedade ao dizer que investigações como a da Operação Lava-Jato só são possíveis porque ela, presidente da República, deu liberdade para investigarem.
Chega a ser estupefaciente ver uma afirmação dessas, sobretudo quando é proferida por jornalistas renomados. Só sendo muito amnésico ou muito calhorda para inventar uma história como essa.
Vamos pôr os pingos nos is: um presidente pode montar uma rede de proteção intransponível para impedir qualquer tipo de investigação sobre seu governo, sobretudo se contar com o beneplácito da mídia.
Neste ponto, cedo o palco à maior autoridade brasileira em engavetamento de escândalos, o professor Fernando Henrique Cardoso. Ele foi o criador do modus operandi que todos os governos tucanos aplicaram a partir de sua gestão temerária. A partir daqui, ele explicará, em curso relâmpago, como presidentes podem liberar a roubalheira em seus governos.
Para um governo não ser investigado por nada, há que tomar alguns cuidados iniciais. Quem pretende roubar ou deixar roubar tem que criar um ambiente em que investigações sejam abortadas no nascedouro.
Abaixo, os três mandamentos do governante improbo tupiniquim.
1 – Estabeleça relações íntimas com donos de grandes meios de comunicação. Almoce com eles, peça opinião deles, vá às festas deles e aceite imposições.
2 – Aparelhe a Procuradoria Geral da República. Coloque um aliado no cargo. Só o PGR pode processar o presidente da República. Se o PGR for “seu”, meio caminho estará andado.
3 – Aparelhe a Polícia Federal. Como na PGR, coloque um aliado no cargo de Diretor Geral da PF. Esse cargo permitirá que o presidente da República encerre ou impeça investigações, transfira delegados “independentes” etc.
Essa fórmula também funciona para governos estaduais. Só há que trocar a PF pelas polícias civil e militar e a PGR pela Procuradoria Geral do Estado.
O “mestre” FHC seguiu esse roteiro. Ao assumir a presidência da República, em 1995, a primeira previdência – não é providência, é previdência mesmo – foi nomear procurador-geral da República um primo do vice-presidente, Marco Maciel. Brindeiro foi nomeado por FHC em 28 de junho de 1995 e só deixou o cargo quando o sucessor do tucano, Lula, assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003.
Em 16 de junho daquele ano, a Folha de São Paulo noticiou que Brindeiro corria o risco de não ser reconduzido ao cargo por conta de ter se envolvido em um escândalo que, para os padrões de moralidade do governo tucano, não eram motivo para celeuma. Brindeiro usou avião da Força Aérea Brasileira para ir descansar com a família no arquipélago de Fernando de Noronha, uma atitude impensável para um PGR, nos dias de hoje.
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Brindeiro foi nomeado para o cargo quatro vezes durante o governo FHC – em 1995, 1997, 1999 e em 2001. Lula nomeou três procuradores-gerais no mesmo período de oito anos e, à diferença de FHC, os escolhidos nunca tiveram qualquer relação com seu governo. Muito menos relações familiares.
O maior serviço que Brindeiro prestou a FHC foi ter engavetado o processo de investigação da compra de votos para a reeleição do tucano como presidente em 1998. Deputados da base aliada do governo foram grampeados confessando que haviam recebido 200 mil reais cada do ministro das Comunicações de então, Sergio Motta, para votarem a favor da emenda constitucional que instituiu a reeleição de presidente, governador e prefeito.
Mas os serviços prestados por Brindeiro foram muitos. Dois anos após FHC e seu PGR terem assumido, a mesmaFolha de São Paulo publicava matéria dando conta dos seguidos “engavetamentos” de investigações que fariam o então chefe do MP receber o apelido de “engavetador-geral da República”.
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Sempre buscando reduzir a transparência de seu governo, em 1998 FHC mandaria projeto ao Congresso para manietar o Ministério Público, reduzindo os poderes dos procuradores. De novo, a Folha de São Paulo, apesar de tratar só esporadicamente do assunto, foi o único veículo da grande mídia que deu espaço à revolta que se instalou no MP com aquela medida.
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Finalmente, em 1999 FHC tratou de eliminar de vez o “problema” de “órgãos de Estado” muito independentes e não fez por menos: usando o poder de presidente da República, pôs um correligionário para comandar a Polícia Federal, que, na era tucana, jamais teria delegados insultando o presidente da República. Confira matéria daFolha sobre o tema.
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Ainda em 1998, Brindeiro tratou de impor um “controle externo da Polícia Federal” por ele mesmo, procurador-geral da República, de modo que o despachante do governo federal no Ministério Público pudesse impedir investigações incômodas.
A Folha de São Paulo, no ano da reeleição comprada de FHC, tratou dessa investida do MP contra a PF. Esses  eram órgãos “de Estado”, sim, mas, enquanto com Lula e Dilma trabalharam livremente e sem pressões, na era tucana eram controlados com mão de ferro pelo Executivo Federal e seus teleguiados.
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Como se vê, a Polícia Federal, ao menos durante o governo FHC, não era um órgão de Estado. Além de não investigar o governo, ainda perseguia inimigos políticos desse governo.
E ai de quem, na mídia, ousasse questionar o governo. Era perseguido mesmo que, ideologicamente, tivesse convergências com aquele governo. Que o diga Paulo Francis, uma espécie de Reinaldo Azevedo dos anos 1980 e 1990, só que infinitamente mais competente e independentemente, apesar de conservador.
Francis morreu cedo, aos 66 anos. No terceiro ano do governo FHC, o jornalista se deu a criticar a roubalheira desbragada que havia na Petrobrás, mas, à diferença de hoje, nunca se investigou nada. Pelo contrário, quem denunciava é que ia para o banco dos réus.
Alguns dizem que o que matou Francis, que já vinha com a saúde combalida, foi processo por danos morais no valor de cem milhões de reais que sofreu por denunciar corrupção na Petrobrás. Na Folha, logo após a morte de Francis, o colunista Elio Gaspari contou uma versão dessa história.
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Você, cidadão, não sente-se mais confiante vivendo em um país em que o Estado – antes com tendências tão ditatoriais, com imprensa cerceada,  órgãos de controle manietados – agora tem que prestar contas e sofrer devassas ao menor sinal de práticas antiéticas?
É revoltante dizerem que Lula e Dilma não têm mérito por hoje o Ministério Público, a Polícia Federal e o próprio STF, entre outros, investigarem qualquer um, doa a quem doer.
É inimaginável que governantes como foi Lula e hoje é Dilma sejam acusados pela imprensa de uma forma que um presidente que tratou de acobertar corrupção valendo-se de meios ditatoriais nunca foi acusado. Mas o pior é espalharem essa mentira de que presidente da República não pode impedir investigações.
Deixo o leitor com uma pergunta: governante que pretende roubar deve usar os critérios e métodos de Lula e Dilma ou os de FHC?

Janot prevê mais delações e, no fim, reforma política

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enxerga dois desdobramentos na Operação Lava Jato; do ponto de vista criminal, ele prevê mais delações premiadas, para que os executivos de empreiteiras reduzam suas penas; "Isso é um rastilho de pólvora. Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?', e aí eles começam a falar mesmo", afirma; do ponto de vista político, o final da história pode ser positivo para o País; "esse sistema é corruptor mesmo, se continuar esse sistema não vai mudar nada, pois vamos derrubar essas pessoas e outros virão ocupar esses espaço, o efeito que estou apostando é a reforma política" 

247 - Em entrevista ao jornalista Severino Mota (leia aqui), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, previu dois efeitos importantes da Operação Lava Jato, após as prisões de executivos de grandes empreiteiras.

O primeiro, imediato, será a realização de novas delações premiadas. "Isso é um rastilho de pólvora. 

Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?', e aí eles começam a falar mesmo. Todos vão negociar. Se um abrir a boca, abre todo mundo", disse ele.

Janot afirma que os empreiteiros podem ser enquadrados em diversos crimes. "Em principio é fraude em licitação, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado e corrupção ativa", diz ele. "As empreiteiras diziam que eram alvo de concussão: Eu sou obrigado a dar, senão eu não consigo participar desse negócio e eu morro à míngua'. Se puder me explicar como a fraude à licitação decorre de concussão, eu concordaria com a tese. Como a concussão te obriga a fazer um cartel, fraudar uma licitação e ganhar um dinheirão? Está sendo extorquido para ganhar dinheiro? Para ter que botar US$ 100 milhões no bolso? Vamos combinar, não é. A delação quebrou com essa ponte", afirma.

O procurador-geral, no entanto, vê um efeito benéfico para a sociedade brasileira ao fim do processo: a reforma política. "O sistema republicano e a Justiça começam a mudar de paradigma. A Justiça de três, quatro anos para cá, não é mais uma justiça dos três Ps, de puta, de preto, de pobre. Ela está indo em cima de agente político e de corruptor. Essas prisões serão o grande propulsor da reforma política. E esse sistema é corruptor mesmo, se continuar esse sistema não vai mudar nada, pois vamos derrubar essas pessoas e outros virão ocupar esses espaços. O efeito que estou apostando é a reforma política."

"Advogado de Youssef operava para o PSDB"

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A entrevista de Rodrigo Janot tem um trecho importantíssimo; segundo ele, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef, operava para o PSDB paranaense e tentou interferir no processo eleitoral, com vazamentos seletivos; "O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo Beto Richa para a coisa de saneamento, tinha vinculação com partido", disse Janot; "O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação" 

247 - A entrevista de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, ao jornalista Severino Mota (leia aqui), tem um trecho importantíssimo. Segundo ele, houve uma tentativa indevida de interferência na sucessão presidencial deste ano, por parte do advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef e foi indicado pelo governador tucano Beto Richa para o conselho da Sanepar, a empresa paranaense de saneamento.

"Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral", disse Janot. "O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo Beto Richa para a coisa de saneamento, tinha vinculação com partido."

O resultado dessa vinculação foi a profusão de vazamentos seletivos, que visavam atingir a campanha presidencial de Dilma Rousseff. "O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar", disse Janot. "Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação."