Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

ESSA VAI BOMBAR NO CARNAVAL 2014. O CARNAVAL DO PÓ RELLA, NO PÉ !


Folha inventa ligação de celular para José Dirceu

É a turma da ficha falsa, lembram-se?


do blog do Zé Dirceu

Em resposta às notas publicadas pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, desta sexta-feira (17.01), o ex-ministro José Dirceu nega enfaticamente que tenha conversado por telefone celular na semana passada com James Correia, secretário da Indústria, Comércio e Mineração do governo da Bahia. Meu cliente afirma também que tampouco recebeu qualquer visita que tenha usado o telefone celular em sua presença no interior da Papuda, o que violaria as regras para visitas no presídio, e que estuda tomar medidas judiciais cabíveis para reparação da verdade no caso.

José Luis Oliveira Lima

Leia também:

MERCADO LIVRE: MPF QUER COIBIR DISCRIMINAÇÃO

Petrobras: nunca um “dinossauro” foi tão veloz


recorde
Os inimigos do petróleo do Brasil para os brasileiros adoram chamar a Petrobras de “dinossauro”.
“Petrossauro”, o termo criado pelo papa do entreguismo, Roberto Campos, virou palavra fácil para os seus sucessores, na longa linhagem de Joaquim Silvério dos Reis.
aguasprofundas
Pois peguei estes números aí de cima no blog Fatos e Dados para mostrar que a empresa que nossos jornais, todos os dias, sabotam, é, ao contrário do que dizem, uma das mais capazes tecnológica e operacionalmente.
O desenvolvimento exploratório do pré-sal é não apenas o mais rápido, mas o mais difícil de todos, porque se tem em comum com os demais o fato de estar localizado em águas profundas, tem características mais complexas, pelo ambiente de corrosão que a camada de sal que se cruza até os reservatórios expõe todo o equipamento.
O anúncio aí ao lado, publicado em 1994, comemorava o recorde de profundidade submarina atingido pela Petrobras: 1027 metros de lâmina d’água e 2.600 metros de profundidade total.
Hoje, a Petrobras perfura poços de até 2.700 metros de lâmina d”água e oito mil metros de profundidade total.
Aqui e lá fora, como você pode ver neste vídeo sobre o poço de Cascade 4, da nossa petroleira, no setor americano do Golfo do México.
Assista, porque isso você não vê nas televisões.
É isto o que eles querem que os brasileiros desprezem.
Para que possam entregá-la.
PS. Respondi, nos comentários de um post anterior, uma questão sobre o preço da gasolina no Brasil. Vou aprofundar o tema, assim que puder.

DILMA ESTREIA EM DAVOS COM MORAL ALTA SOBRE O CAPITAL

VITÓRIA DE DILMA E MERKEL: OBAMA REVÊ ESPIONAGEM

Criminalização de “rolezinhos” gera explosão de racismo na internet

A criminalização de que o movimento desorganizado dito “rolezinhos” foi alvo por ação de textos recriminatórios da grande imprensa e da decisão judicial que permitiu aos shoppings de São Paulo promoverem, sob critérios obscuros, triagem de quem podia ou não ingressar nesses empreendimentos comerciais gerou uma onda de racismo nas redes sociais.
Essa mesma criminalização dos “rolezinhos” foi a senha a estimular jovens a postarem comentários com termos como “Negrada” e “baianada” (forma como classe média paulista se refere a nordestinos) naquelas redes sociais sem demonstrarem qualquer preocupação
Em 1951, foi promulgada a Lei 1390/51, mais conhecida como Lei Afonso Arinos. Proposta por Afonso Arinos de Melo Franco, proibia a discriminação racial e a separação de “raças” diferentes que, até então, era aceita.
A lei Afonso Arinos acabou se revelando ineficiente por faltar rigor nas punições que previa mesmo em casos explícitos de discriminação racial em locais de trabalho, em estabelecimentos comerciais, em escolas e nos serviços públicos.
Em 1989, o governo José Sarney promulgou a Lei 7716/89, mais conhecida como “Lei Caó”. Proposta pelo jornalista, ex-vereador e advogado Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos, essa lei determinou a igualdade racial e o crime de intolerância religiosa.
Apesar de ser menos usada do que deveria, a lei 7716/89 inibiu fortemente o racismo explícito no país por tê-lo tornado inafiançável. Contudo, a leniência da Justiça mesmo com os casos mais graves continua estimulando o racismo aberto em vários setores da sociedade e, sobretudo, em regiões específicas do país – sobretudo no Sul e no Sudeste.
Onde andará o Ministério Público e a mesma Justiça que foi tão ágil em dar permissão aos shoppings para barrarem a entrada daqueles que essa “juventude” chama de “negrada” e de “baianada”? Com a palavra, o doutor Rodrigo Janot, Procurador Geral da República Federativa do Brasil.
*
Veja, abaixo, alguns dos milhares de crimes de racismo que estão sendo cometidos na internet enquanto você lê este texto.

Demorou, mas veio: Pinheirinho agora vai ser Pinheirinho dos Palmares. Ou Pinheirão

pinheirinho
Demorou, mas saiu: Monica Bergamo, na Folha, publica que está para ser assinado o convênio entre a Prefeitura de São José dos Campos, o Governo paulista e o Governo Federal para a construção de 1.700 casas do programa “Minha Casa, Minha Vida” para os moradores brutalmente expulsos do Pinheirinho, naquela cidade, para que o terreno onde viviam fosse entregue à massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, por ordem da juíza Márcia Faria Mathey Loureiro.
É o fim de dois anos de impasse, porque a prefeitura não liberava uma área disponível no bairro do Putim, e vai acontecer apenas porque o Minha Casa, Minha Vida recebeu, este ano, um reforço de verbas que o PSDB classificou como “oportunista”.
Porque é a União quem transfere, quase tudo como subsídio, quase 80% (R$129 milhões) dos R$ 163 milhões de custo total do projeto. O resto vem do Governo do Estado e o custo do terreno, da Prefeitura.
O terreno do Pinheirinho, que você vê aí em cima em foto recente, segue abandonado. Naji Nahas tenta leiloá-lo por mais de 250 milhões, mas tem dificuldades, por conta da falência. A vegetação, que não precisa de liminar, só de abandono, para recuperar seus espaços, cobre o que eram as casas de quase 8 mil pessoas.
O líder dos expulsos diz que a comunidade vai chamar o novo conjunto de “Pinheirinho dos Palmares” , por conta de uma praça no antigo bairro chamada de Zumbi dos Palmares.
Tomara que para todos este novo Pinheirinho seja bem diferente das lembranças de dor  que carrega,. Que lhes seja um Pinheirão da dignidade.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

GUIA PARA O IMPEACHMENT DE GILMAR Dr Janot, Valente fez metade do seu trabalho. A Dilma foi Republicana …

livro “Operação Banqueiro”, de Rubens Valente, e sua esclarecedora entrevista a Sergio Lirio, na Carta Capital envergonham o Brasil, como resumiu Fernando Brito.

O subtítulo é “a incrível história de como o banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do Supremo Tribunal Federal e virou o jogo, passando de acusado a acusador”.

Que Daniel Dantas deveria estar encarcerado desde a Operação Chacal, isso é do conhecimento do mundo mineral, como diz o Mino Carta, que o chamou, apropriadamente, de “O Dono do Brasil”.

Mas, Dantas já foi longe demais.

A “Operação Satiagraha” será inevitavelmente legitimada pelo atual ou o seguinte Presidente do Supremo.

Valente demonstra que a “maçã não está podre”.

Que o cerne das provas contra Dantas – e Gilmar – é inquestionável.

Protógenes Queiroz pode ter cometido erros.

Mas trouxe provas que justificam o encarceramento do banqueiro – e alguns de seus colaboradores.

Legitimada a Satiagraha, Dantas será gentilmente convidado a servir a pena que o destemido, brilhante juiz Fausto De Sanctis, que honra a Magistratura nacional, lhe impôs: dez anos !

Isso está inscrito no livro do inevitável.

Nem o Brasil consegue conviver com tanto horror perante os céus !

O que falta avançar é o processo – inevitável também – de impeachment de Gilmar Dantas (*).

O então deputado federal – e hoje senador – Walter Pinheiro (PT-BA) e o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) já tentaram, no passado destituir Mendes.

Como tentaram membros do Ministério Público intrigados com a demora de Mendes em apurar, na  Advocacia Geral da União, desvios no antigo DNER.

O emérito jurista Dalmo Dallari avisou, em artigo histórico, que a condução de Gilmar Dantas ao Supremo – a mais maldita das heranças de FHC – ia dar no que deu: a desmoralização da Corte Suprema.

Agora, o livro de Valente além de incriminar, vírgula por vírgula, o banqueiro, monta a peça de acusação contra Gilmar e seu impeachment.

Portanto, Walter Pinheiro, Ferro e o Procurador-Geral – Dilma foi Republicana, Janot será ? – , que se vê, agora, com um problema no colo, não precisam quebrar muito a cabeça.

Rubens Valente trabalhou por eles, no processo inadiável de saneamento da Alta Magistratura.

(A propósito, Valente incrimina de forma cruel, também, Cezar Peluso, Eros Grau e Ellen Gracie, que participaram do processo que resultou na genuflexão do Supremo diante dos desígnios de Dantas.)

Valente enfia o dedo no câncer.

O maior dos crime de Gilmar Dantas (*) foi dar o segundo HC Canguru a Dantas, o HC “per saltum”.

Janot, Pinheiro e Ferro deviam começar pela leitura do voto de Marco Aurélio de Mello, de 43′ de duração.

Mello foi o único que remontou a cronologia da decisão de De Sanctis para provar que havia, sim !, novas provas a justificar a segunda prisão de Dantas.

As novas provas eram o suborno a um agente federal que, aqui neste ansioso site, se encontra no “vídeo” que a Globo censurou.

Havia diante de Gilmar a prova indiscutível de R$ 1 milhão – “Ah, de reais. Entendi”, disse Victor Hugo, o agente que se passava por presidente da Satiagraha, numa operação de escuta controlada, autorizada por De Sanctis.

O esquema previa R$ 500 mil antes da Operação ser deflagrada, e R$ 500 mil depois que Dantas se certificasse de que estava fora da Satiagraha – e, em seu lugar, entraria o empresário Demarco, seu inimigo mortal. (Demarco condenou Dantas na Justiça Inglesa. Lá, pelo jeito, não há HC “per saltum”…)

Estava tudo lá,  diante dos olhos de Gilmar.

Mais do que uns “dois pedaços de papel”, sem “indicação de fato novo”, como disse o relator Eros Grau, que se inscreve, também, na História do Brasil como o relator do processo que anistou a Lei da Anistia !

Janot, Pinheiro e Ferro devem ler o Valente das pags 268 a 388 – e tentar não vomitar.

Basta embrulhar e pedir o impeachment.

A Globo não gravou a reunião no restaurante paulistano El Tranvía – portanto, não há por que desqualificar o áudio do agente que confirma o suborno.

Os advogados de Dantas prepararam a subida do HC Canguru ao Supremo de forma a coincidir com a Presidência de Gilmar Dantas (*) no recesso.

Era ele ou Peluso.

Tanto fazia …

A mochila de Dantas que estava em cima da mesa de jantar, quando foi preso no apartamento na Vieira Souto, no Rio.

Ali estão, do próprio punho, anotações de Dantas sobre o suborno a JUÍZES e jornalistas !

Gilmar sabia de tudo isso – eram as novas provas.

Advogados de Dantas se reúnem com assessores de Gilmar e “redigem” a decisão que leva ao segundo HC “per saltum”.

A ponto de um deles dizer “caraca !”, o Gilmar tinha, até !, incluído o raciocínio de que Dantas – no suborno – tinha caído “num ardil”.

Até nisso Gilmar acreditou !

Não passava de um ardil.

(Gilmar caiu no ardil ? Seria tão tolo assim ? )

(Quem recebeu os advogados de Dantas, nessa operação de “transmissão de pensamento” foi o Dr Luciano Fuck, chefe de gabinete de Gilmar.)

E as relações íntimas de Gilmar com Arnold Wald e Sergio Bermudes – advogados mega-remunerados de Dantas ?

Bermudes diz que liga para Gilmar duas vezes por dia e emprega Guiomar, mulher de Gilmar.

Como diz o Mino – é tudo a mesma sopa !

Quem o advogado de Dantas – Nélio Machado – encontrou no restaurante japonês Original Shundi ?

O que se discutiu ali, senador Pinheiro, deputado Ferro, Dr Janot ?

O que há dentro dos discos rígidos em que o Ministro (?) Eros Grau em cima se sentou ?

Como diz Valente, Grau realizou uma obra-prima da arte circense: “a apreensão da apreensão”.

Os discos estavam em poder de De Sanctis e em, 48 horas, tiveram que se postar sob a enxundiosa vigilância de Grau !

O processo de impeachment de Gilmar Dantas (*) é o mensalão do Judiciário.

Enquanto Gilmar Dantas (*) se sentar naquele semi-círculo – depois da peça acusatória de Valente – a sociedade brasileira será submetida a um escárnio.

Viva o Brasil !
Clique aqui para ler “Dantas ameaça editor de Operação Banqueiro”. 

Aqui para ver na TV Afiada “Livro sobre Gilmar chega ao STF”. 

Aqui para ver na mesma TV Afiada “Livro condena Dantas ao semi-aberto”. 

aqui para ler “Mino sobre Gilmar-Dantas e o Maranhão”. 


Paulo Henrique Amorim



(*)  Clique aqui para ver como notável colonista da Globo Overseas Investment BV se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra notável colonista da GloboNews e da CBN se referia a Ele. O Ataulfo Merval de Paiva preferiu inovar. Cansado do antigo apelido, o imortal colonista decidiu chamá-lo de Gilmar Mentes. Esse Ataulfo é um jenio. O Luiz Fucks que o diga.

ALOYSIO NUNES: ROLEZINHO É COISA DE 'CAVALÃO'

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Daslu, Danuza e Dá o fora!

Haddad lança plano de resgate dos viciados em crack que inclui moradia, emprego e saúde

Haddad lança plano de resgate dos viciados em crack que inclui moradia, emprego e saúde

De 2014 a 2017, Brasil investirá R$ 458 bi em petróleo e gás; BNDES estima que a fatia do setor no investimento total do país crescerá de 10% para 14%


Os filhos do porteiro da Danuza resolveram ir ao shopping center. E a justiça de SP autorizou guardas a dizer-lhes: Dá o fora!.

por: Saul Leblon 
Arquivo


















O Brasil tem cerca de 500 shoppings centers.

O conjunto fatura R$ 184 bi por ano, ocupa mais de 11 milhões de m2 - uns 2. 200 campos de futebol; emprega  870 mil pessoas.

Em 40 anos, desde 1996 quando surgiu o primeiro  até 2006, foram erguidos 350 shoppings no país; de lá para cá a expansão foi geométrica e ininterrupta. Nos últimos sete anos surgiram mais 120.

Outros 30 estão previstos para inauguração em 2014.

O país inteiro – capitais e interior — foi tricotado por esses centros de compra e lazer que tem a cara e a permeabilidade  da estrutura social erguida pelo capitalismo por essas bandas.

A rede de shoppings foi planejada para nuclear um público alvo da ordem de 40 milhões de pessoas.

O Brasil tem mais de 190 milhões de habitantes: 150 milhões estão fora.

Uma parcela dos excluídos agora quer entrar.

O rolezinho é uma evidencia da pressão exercida na parede do dique.

Quem quer entrar entende (com ou sem razão) que o Brasil limpo, organizado, atraente, refrigerado, seguro, iluminado, rico, antenado, onde faísca la dernier cru  do consumo e, vá lá, bonito, para os padrões dominantes,   está lá dentro.

Não nas ruas desoladoras e escaldantes  das periferias conflagradas onde vive a maioria dos integrantes do rolê.

Pode-se – deve-se - discordar da matriz de valores que atribui a um bunker do consumo o padrão de sociedade desejável para viver e se divertir.

Mas há razões para isso.

Um dado sugestivo: até o ano passado, apenas 13,5% dos municípios brasileiros dispunham  de uma secretaria voltada exclusivamente para a cultura.

Tê-la não é garantia de grande coisa.

Mas a escala da ausência emite um sinal  da atenção  dispensada a uma  área  que fala diretamente à juventude --e poderia oferecer-lhe um ponto de fuga  à pulsão consumista, diuturnamente martelada  ao seu redor.

Esforços  de investimento público tem sido feitos nessa direção.

O número de cidades com bibliotecas, por exemplo, saltou para 98% em 2012, praticamente  universalizando esse equipamento, restrito a 70% delas  até 1999.

Mas uma biblioteca convencional, de mobiliário imaginável e acervo presumível, em qualidade e quantidade, será um espaço suficiente para satisfazer as expectativas de desfrute, encontro e lazer de quem adere a um  rolezinho?

Em 2007, o governo criou um  Programa para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult).

Através do BNDES já financiou a construção ou a reforma de 259 salas de cinema.

Mas a maioria dos cinemas do país fugiu igualmente para o interior dos shoppings por conta da insegurança que também despovoou  praças e jardins, capturados pelo consórcio drogas  & desmazelo.

Apenas 10% dos municípios brasileiros dispõem de cinemas atualmente.

Pesquisa desta semana do Ibope informa que as  ‘classes’ C e D bateram recorde de horas diante da televisão em 2013: média de seis horas e 40 minutos. Por dia.

E convenhamos,  não dá para imaginar que todo mundo vá se reunir numa lan house, presente, aí sim, em 82% da malha urbana e, de fato, encontrável em qualquer bairro ou favela  por mais pobre que seja.

O espaço virtual tem limites.

O rolezinho  se vale da capilaridade digital para convocar os encontros , mas representa ele mesmo (felizmente) a insuficiência da realidade virtual na vida humana.

A dupla insuficiência – material e virtual - misturada a uma revolta difusa, temperada de hormônios e apimentada com o deboche e  o anseio por identidade olha em volta e enxerga o quê?

Enxerga aquilo que distraidamente ou de forma deliberada foi sendo construído nas entranhas da velha malha urbana, e para cujo declínio  contribuiu  ao inocular  a decadência no pequeno comércio, a escuridão no jardim, a solidão no centro velho e o sucateamento do (parco)  equipamento  público.

O shopping  center, a nova cidade brasileira.

Prefiguração  do sonho neoliberal, ela materializa  um ordenamento coletivo onde tudo é privado (leia o blog do Emir, nesta pág).

Por definição, a cidade  da mercadoria  é o jazigo da cidadania.

Não só.

O anestesiante paradigma de  ‘eficiência’ do shopping engorda o descompromisso com que  a elite consumidora  encara  seus deveres  em relação ao espaço coletivo ao seu redor.

Por que, enfim,  pagar mais pelo IPTU se já tenho o que quero e o que a cidade numa terá no shopping  –ainda que esse adicional corresponda, por dia, a uma fração do preço de um cafezinho do Starbucks no Iguatemi?

O rolezinho  sacode o pilar dessa ordem excludente deixando aflorar um conflito que há muito incomoda o conforto  das elites.

Quem não se lembra do ‘transtorno’ que a vizinha favela Funchal causava ao Vaticano dos shoppings centers no Brasil, a famosa Daslu – 20 mil m2 de pura  ostentação, gastos médios de U$ 15 mil/mês por cliente e uma sonegação de imposto de estupendo R$ 1 bilhão?

Ou do desabafo da socialite Danuza Leão, na Folha, em dezembro de 2012?

Inconsolável  com o Brasil do PT, a então colunista lamentava como ficou difícil “ser especial” nesses tempos em que “todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais” -- musicais na Broadway, por exemplo, que graça tem se  “por R$50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir”.

Os filhos do porteiro da  Danuza resolveram agora  ir ao shopping.

E a justiça de SP autorizou  seis deles a dizer-lhes: ‘Dá o fora!’.

Esse é o capítulo da novela brasileira nos dias que correm.

As raízes desse enredo de  paralelas que agora se cruzam em conflito aberto na porta de santuários do consumo  remetem à mutação inconclusa verificada no país desde 2003.

Qual seja, a pobreza caiu pela metade; o mercado de trabalho atingiu as franjas do pleno emprego;  o salário mínimo ganhou quase 60% de poder de compra, acima da inflação.

A desigualdade continua obscena, mas as placas tectônicas se moveram.

Privilégios  obcecados em preservar  um ordenamento  social patológico defendem como virtude macroeconômica  restituir as fronteiras do conflito original aos marcos do cordão sanitário instituído nos anos 90.

O superávit fiscal ‘robusto’ para assegurar o ganho dos rentistas é um desses marcos.

Outro: o salto adicional nas taxas de juros, até encostar a faca recessiva na garganta da massa ignara.

A crispação em torno dos rolezinhos  mostra o quanto será difícil devolver a pasta de dente ao tubo da história.

Nesse empurra-empurra, subjacente à disputa presidencial de outubro,  há nuances que dizem respeito  diretamente à esquerda.

O  ‘rolezinho’  denuncia  uma dimensão da luta política rebaixada nos últimos anos na conta da ilusão economicista de que o holerite e o crescimento resolviam o resto.

São imprescindíveis, diga-se.

Mas o discernimento histórico que requer a longa  construção de uma sociedade justa e virtuosa nunca será um dote intrínseco  à conquista do legítimo direito de viajar de avião, ou  comprar bens duráveis a crédito, nem tampouco uma qualidade imanente a  governantes eleitos pelos pobres.

Erguer essas linhas de passagem é tarefa das organizações progressistas que se propõem a mudar as formas de viver e de produzir em sociedade.

É delas a obrigação de associar à luta econômica sua contrapartida de ideias emancipadoras que ampliem o horizonte subjetivo para além do consumismo individualista.

Do contrário, o futuro ficará emparedado entre o horizonte do rolezinho e o interdito do dinheiro graúdo.

No limite, ambos poderão se unir em torno de um tênis Nike, contra uma repactuação mais arrojada do desenvolvimento  que implique  outra modulação do consumo.  

O mais difícil na luta pelo desenvolvimento é produzir valores, dizia o saudoso Celso Furtado, em palavras  de atualidade inexcedível.

Não apenas esse, mas  sobretudo esse passo  a esquerda deve ao Brasil.

E não parece recomendável adiá-lo mais uma vez  ‘para depois da próxima eleição’.

RESPOSTA DO STF



 CONFIRMA



 MORDOMIAS DE



 BARBOSA