Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sexta-feira, 11 de abril de 2014

JN E A MANIPULAÇÃO SOBRE PETROBRAS-ALSTOM Denuncia seguiu o padrão atual de criação de factoides abrindo mão do rigor jornalístico

Ditadura disfarçada de lei: promotora do DF determina espionagem clandestina em rede telefônica do Planalto para investigar Dirceu

 FMI e agência Ficht desautorizam jogral midiático do Brasil aos cacos e afastam alarmismo com o país

 STF declara ilegal 100 mil contratações sem concurso público feitas pelo presidenciável Aécio Neves em Minas

 Contrato de US$ 49,7 milhões entre a Alstom e a Petrobras no governo FHC: multi do cartel do metrô era isenta de multa por atrasos e só teria que devolver 15% do valor de equipamentos defeituosos.

 STF declara ilegal 100 mil contratações sem concurso público feitas pelo presidenciável Aécio Neves em Minas




Conversa Afiada reproduz texto do GGN:


JORNAL NACIONAL MANIPULOU DENÚNCIAS SOBRE PETROBRAS-ALSTOM




Do Jornal GGN – Na edição de ontem, o Jornal Nacional manipulou informações, sonegou dados recebidos e produziu uma denúncia factualmente falha contra a Petrobras.

A denuncia seguiu o padrão atual de criação de factoides abrindo mão do rigor jornalístico. Tratava de um contrato com entidades e pessoas que entraram na linha de fogo da mídia: Petrobras, Alstom, senador Delcídio do Amaral e o ex-vice presidente internacional Nestor Cerveró.

A partir daí, produziu-se mais uma salada que envergonha o jornalismo.

A matéria “Documentos mostram que Petrobras  desprezou opinião de advogados para fechar contrato com a Asltom” (http://tinyurl.com/lrcmbbk) referia-se a compras e manutenção de turbinas em termelétricas adquiridas nos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff.

A matéria começa dando destaque aos gastos de viagem (R$ 44 mil) de um executivo que foi à Suíça negociar a compra das turbinas. Depois informa que o Departamento Jurídico levantou 22 problemas que poderiam causar prejuízo.

Não explicou que em toda compra dessa natureza, cabe ao Jurídico levantar dúvidas, que são respondidas ou não pela área técnica. Se as respostas forem satisfatórias, mantem-se as cláusulas; não sendo, aprimoram-se.

O que a reportagem fez foi colocar apenas as dúvidas e sonegar do leitor as explicações que foram aceitas pelo Jurídico.

Segundo a matéria, “o contrato previa que “o único remédio possível” seria receber até 15% do valor, e não o valor integral da peça. Na mesma cláusula, deixava-se ao critério do vendedor, a Alstom, a alteração de garantias de desempenho. O jurídico sugeriu a supressão dessa possibilidade, e completou: é de se notar que, caso haja atraso por culpa do vendedor, não existe nenhum tipo de penalidade, mesmo considerando-se os prejuízos que poderão advir”.

A nota da área técnica – que foi entregue à reportagem do JN (segundo nota divulgada há pouco pelo senador Delcídio Amaral) – explicava que o reembolso de 15% referia-se apenas ao caso das usinas não apresentarem a performance prevista. “A possibilidade de quebra é tratada em outra cláusula do contrato (cláusula de garantia) que obriga o vendedor a repor as peças quebradas durante o período da garantia”.

A segunda denúncia do JN foi a de que o contrato permitiria à Alstom uma revisão unilateral das condições estabelecidas.

Máquinas térmicas têm seu desempenho alterado pelas condições ambientais do local de instalação e pela composição do combustível. A cláusula em questão obrigava o vendedor a corrigir os valores de performance padrão para as condições ambientais reais. Ou seja, a Petrobras adquiriu a performance. Se não fosse atendida pelos equipamentos entregues, o vendedor teria a obrigação de mudar as especificações para atender ao contratado.




Clique aqui para ler “Wanderley e o baile do perde e ganha eleitoral”

E aqui para “Dias: Dilma cai e ninguém sobe”"

Aqui para “Repórter da globo: ordem é ouvir só o Paulinho da Força”

E aqui para “Globo faz o que sempre fez. Novidade é o PT”

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O grande segredo de Lula


A primeira vez em que entrevistei Lula foi em 24 de novembro de 2010, no Palácio do Planalto, a pouco mais de um mês de ele deixar a Presidência. Aquela entrevista marcou o fim de uma era em que a mídia e a oposição demo-tucana eram enfrentadas diuturnamente pelo então presidente.
Desde o avanço conservador viabilizado pelo escândalo do mensalão a partir de 2005, Lula passou a travar um forte debate retórico com seus adversários e não parou até o último dia de seu governo. Resultado: deixou o Planalto com mais de 80% de aprovação.
Apesar de tolhido pela liturgia do cargo, naquela entrevista de algumas poucas horas em 2010 Lula travou mais debate político com seus adversários do que a presidente Dilma em 3 anos e 3 meses.
Da posse de Dilma em diante, porém, o governo federal tratou de tentar estabelecer uma convivência “civilizada” com os adversários.
Já no primeiro mês de 2011 a presidente foi à festa de 90 anos do jornal Folha de São Paulo, depois foi ao programa Ana Maria Braga e nunca mais objetou qualquer ataque da mídia ao seu governo.
Ao longo de seu primeiro ano, Dilma assistiu a mídia derrubar uma série de ministros, um a um. Em alguns casos, como o do comunista Orlando Silva, então ministro do Esporte, houve grave injustiça. Nem uma única denúncia da mídia contra ele se comprovou.
Não estou criticando Dilma. Acho que ela fez muito pelo país. Só quem sabe quanto sofreram outros povos com a crise econômica internacional é capaz de avaliar como ela foi competente ao longo dos últimos três anos e tanto; impediu os brasileiros de pagarem a conta de uma crise que pôs o mundo de joelhos.
Em minha opinião, Dilma fez um governo igual ao que Lula teria feito se tivesse permanecido no cargo. Aliás, talvez ela tenha ido ainda mais para a esquerda do que ele. Ousou mais, inclusive. Até pelas condições que herdou do antecessor…
É doloroso ver a mídia tentar carimbar na testa de Dilma a pecha de “incompetente” após ela ter impedido que os brasileiros pagassem o custo de uma crise desse quilate. Gerou uma quantidade imensa de empregos, os salários continuaram subindo, a inflação se manteve sob controle, conduziu com brilhantismo o primeiro leilão do pré-sal.
A despeito disso tudo, Dilma não desfruta da mesma boa situação de Lula em termos de popularidade. Simplesmente porque Dilma não é Lula. Aliás, só Lula é Lula.
Dilma não é política, é uma técnica. Debutou em eleições em 2010. E o fez com igual brilhantismo. Mas Dilma não rebate o alarmismo e o pessimismo como Lula fazia. Não se comunica com o povo, com os movimentos sociais, mantém-se focada apenas na governança.
Dilma é uma gerente.
Gerenciar o governo é necessário. Claro que, sendo presidente, ocupando um cargo político, essa gerência tem que ser temperada com uma pitada de política e isso ela faz. E saberá fazer mais, quando chegar a hora. Até porque, já fez em 2010. E com muito menos tarimba do que tem hoje.
Na última terça-feira, porém, Lula entrou em campo. Deu entrevista a blogueiros, entre os quais este que escreve. Só que, desta vez, liberto da liturgia do cargo de presidente, ele falou tudo que tinha entalado na garganta, provocado pelos blogueiros que o arguiram.
Neste ano eleitoral, pois, Lula fará o que Dilma não pode – por ser presidente – e o que pode mas não tem toda aquela habilidade para fazer.
Lula, mais uma vez, colocará em campo a sua tonitruante popularidade e, assim, será, de novo, fiador da presidente junto aos que pedem que ele volte por não quererem votar nela, por razões variadas.
Nesta segunda entrevista com o presidente emérito da República Luiz Inácio Lula da Silva, porém, pude obter dele o que não obtivera em 2010: descobri o segredo de sua exitosa trajetória política.
Lula foi arguido de todas as formas e sobre uma miríade de temas propostos pelos blogueiros na entrevista de cerca de três horas que lhes concedeu no Instituto que leva seu nome – e que o leitor poderá conferir ao fim deste post.
Não irei, porém, reproduzir, ponto a ponto, suas respostas. Isso já foi feito à exaustão por uma imensidão de jornalistas.
A entrevista teve uma enorme repercussão. Chegou a ter o link da transmissão por streaming veiculado em manchete principal dos maiores portais da internet (UOL, G1, Estadão etc.). Muitos viram e relatos do que ocorreu não faltaram.
Quero ficar, pois, na percepção que consegui extrair da figura humana de Lula quatro anos após a primeira oportunidade que tive para tanto.
Finalmente descobri o grande segredo de Lula, que lhe permitiu chegar aonde chegou: ele não tem ódio. Lula não se deixa embriagar pelo rancor. Ele se diverte com os ataques que recebe, mas não nutre sentimentos negativos.
Muito disso se deve ao fato de que não perde tempo com leituras das “reportagens”, dos editoriais, das colunas que pouco encerram além de opinião, mesmo quando prometem fatos e não opiniões.
Os blogueiros conversamos com Lula por mais de quatro horas, desde que chegamos ao seu Instituto até a hora em que ele nos deixou. Ninguém se cansou. Pelo contrário: ele tempera suas falas com bom humor, conta “causos” envolvendo desde chefes de Estado das maiores potências até os dos menores países dando a todos a mesma importância.
Ficamos sabendo, por exemplo, que o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak era uma figura detestada por todos nos encontros de chefes de Estado. Antipático, arrogante. Lula nunca gostou dele, quem, inclusive, isolava-se de seus pares. Chegava, discursava e se mandava.
O que me surpreende em Lula, porém, é a forma como se refere aos que o atacam há décadas com todo ímpeto possível e imaginável. E mesmo aos que não o atacam diretamente, mas atacam.
Vejam o caso de Joaquim Barbosa. Não há raiva. Lula se limita a dizer que, sob os critérios que usou para indicá-lo para o STF – ser o jurista negro com melhor qualificação para o cargo de ministro daquela Corte –, repetiria a indicação.
E manda uma espécie de aviso ao escolhido: seu comportamento é de sua exclusiva responsabilidade.
Sem se deixar contaminar pelo ódio que lhe dedicam, Lula preserva sua capacidade de raciocínio – e, de quebra, até uma elogiável generosidade para com os seus detratores.
Com a alma leve é mais fácil fazer escolhas, traçar estratégias, refletir muito antes de agir – aliás, outra tática de Lula para as decisões políticas exitosas que tomou ao longo da parte de sua vida em que venceu o preconceito e se elegeu.
As receitas de vida de Lula são simples e recomendáveis. E as receitas políticas, idem. Ele recomenda ao governo que não deixe as críticas à gestão sem resposta, que rebata cada distorção. Inclusive, dá a mesma receita à Petrobrás. Já deu, pois, todas as dicas. Falta o governo assimilá-las.
*
Confira, abaixo, a íntegra da entrevista de Lula a blogueiros

BOMBA: Pagamento a doleiro [Youssef] por sócia da CEMIG complica Aécio -


Na ânsia de atacar a Petrobras, a revista Época, sem querer deu um tiro de canhão em Aécio Neves (PSDDB-MG).
A revista apontou um pagamento da Empresa Investminas Participações a uma empresa que a revista diz ser de fachada do doleiro Alberto Youssef.
Acontece que a Investminas não tem negócios com a Petrobras. Teve com a CEMIG.
E as datas dos acontecimentos são devastadoras para Aécio Neves (PSDB-MG), pelas suspeitas que a revista Época levantou:
11-07-2012: CEMIG tem 49% da empresa Guanhães Energia e a Investminas tem os outros 51%. A CEMIG é sócia também da LIGHT (distribuidora de eletricidade no RJ), e vota para a Light comprar os 51% da Investminas.
28-08-2012: LIGHT anuncia a compra dos 51% da Guanhães, pagando R$ 26,6 milhões pelo negócio.
19-07-2012: A Investminas depositou R$ 4,3 milhões na conta da MO Consultoria – empresa de fachada usada pelo doleiro Youssef, segundo as palavras da revista Época.
O jornal Estadão vai além. Diz que a MO Consultoria "seria uma espécie de central de distribuição de valores para políticos ligada ao doleiro Alberto Youssef".
A CEMIG é estatal mineira, hoje sob domínio tucano, que também controla a LIGHT. Há 12 anos que a principal liderança do tucanato mineiro é Aécio Neves.

Vídeo: estudantes vaiam Joaquim Barbosa em bar de Brasília

:
Acompanhado de seguranças, presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi 'escoltado' até o carro por gritos de "Dirceu guerreiro do povo brasileiro!" e "Abaixo à ditadura do judiciário"; frequentadores do estabelecimento também cobraram julgamento do mensalão mineiro e explicações sobre apartamento em Miami; assista
10 de Abril de 2014 às 05:46
247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi esculachado na saída de um bar no Distrito Federal com gritos de " Dirceu guerreiro do povo brasileiro ...!" e “Abaixo à ditadura do judiciário”.
Assista o vídeo publicado no Diário do Centro do Mundo:

Lula: quem sabe faz a hora


 Muy isenta: Folha noticia na primeira página a CPI sobre a Petrobras e o metrô tucano sem mencionar a palavra metrô, trocada gentilmente por trem. Tudo pela causa


Ao dar uma de suas mais contundentes entrevistas através da rede de blogs e sites progressistas, Lula sinalizou um novo divisor ao PT, ao governo e à campanha.

por: Saul Leblon

Ricardo Stuckert/Instituto Lula


O presidente da Suprema corte do país mantém um líder político encarcerado há três meses, em ilegal e ostensiva afronta ao desfecho do processo  do qual foi o relator e no qual o condenado teve o benefício do regime semiaberto.

A mídia ‘isenta’ trata o escárnio  jurídico incomum como um fato da natureza.

A prisão do líder da extrema direita venezuelana, Leopoldo López, acusado de incitar a violência que causou inúmeras mortes no país, ademais de liderar atentados a prédios públicos, incluindo-se a edificante prática de incinerar universidades, ensejou mais indignação nas páginas dos veículos isentos do que o aleijão  jurídico a que é submetido o ex-ministro José Dirceu.

A produção industrial cresceu pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, mais 0,4% ; já havia avançado  3,8% em janeiro. O resultado sopra vento a contrapelo das dificuldades reais e magnificadas do setor manufatureiro.

A mídia especializada trata o fato como um segundo ponto fora da curva granítica do ’Brasil aos cacos’; não concede o benefício sequer da reflexão aos fatos, independente do quanto eles gritem nas estatísticas.

A presidente do Fed norte-americano, Janet Yellen,  reafirmou esta semana, pela terceira vez consecutiva, que  as fragilidades do sistema produtivo  e, sobretudo, as inconsistências de um mercado de trabalho dominado pelo vínculo precário, exigirão a persistência de juros muito baixos nos EUA  –mesmo depois de flexibilizada a taxa, e por um longo período.

A mídia dá de ombros e continua a alardear a ‘iminente’ alta do custo do dinheiro  nos EUA.

O argumento reitera a lógica da reversão do fluxo de capitais no mundo, em prejuízo das contas externas brasileiras, já pressionadas pelo  déficit comercial.
Detalhe: enquanto isso,  o dólar derrete no país sob a pressão de ingressos recordes de capitais especulativos, que vem  engordar no pasto dos juros altos defendidos pela mesma mídia.

O presidente Nicolas Maduro incorpora a mediação da Unasul e dá seguidas demonstrações de disposição para negociar uma trégua com grupos oposicionistas.
A mídia continua a desdenhar da Unasul  --bom é a OEA dominada pelo interesse dos EUA--  e a  descrever o governo venezuelano  como um descendente direto das ditaduras trogloditas latino-americanas  que ela nunca hesitou em apoiar.

À  líder da extrema direita, María Corina, que recusa o diálogo proposto por Maduro, do qual fará parte  Capriles, o dispositivo midiático conservador concede um tratamento de estadista em sua passagem pelo Brasil esta semana.

O metrô de São Paulo comparece dia sim, dia não nas páginas isentas do noticiário conservador como palco de panes e outros evidentes sintomas de saturação estrutural.

Ninguém diz ‘imagina na Copa’ para essa obra ilustrativa do apuro administrativo tucano.

Neste caso também, a anomalia é  reportada como evento da natureza.

A dificuldade em associar o colapso operacional do metrô paulista a outro fenômeno  sistêmico --a lambança entre carteis e licitações fraudulentas  em uma década e meia de administração tucana na empresa—é flagrante.

 A longa sedimentação desse condomínio de interesses lesou o cofre público bandeirante com um sobrepreço ora aventado em torno de 30%.

Repita-se: durante década e meia. Período no qual a rede metroviária da capital avançou a passo de tartaruga manca  para somar hoje  fantásticos 74 km de trilhos: 1/3 da malha mexicana, que começou junto.

 Há enorme abismo entre o que o jornalismo conservador  relata e a efetiva relação causal entre as  paralelas da ineficiência e da corrupção. Ambas sistêmicas e longevas abarcando gestões de Covas, Serra e do atual governador, Geraldo Alckmin –candidato a protagonizar duas décadas do PSDB no comando do metrô.

A mesma dificuldade não acomete o ímpeto investigatório da mídia no caso da polêmica compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.

As conexões com os habituais doleiros e  lavadores de recursos são garimpadas, ou inferidas, com a isenção sabida, e a avidez costumeira.

Note-se, ademais, que no caso da Petrobras o subtexto da ‘estatal controlada pelo petismo’ serve como denuncia subliminar  do ‘intervencionismo da Dilma’. Ademais de redimir –indiretamente—a agenda privatista do PSDB contra a empresa.

 Uma pergunta  argui o colunismo da indignação seletiva: que ilação histórico-ideológica poderíamos extrair da união estável entre cartel privado e governos liberais conservadores do PSDB em São Paulo?

O cartel é a forma de planejamento hegemônica em nosso tempo. Uma forma de planejamento privado da sociedade pelo capital. Ou a serviço do capital.

Cada vez mais, grandes corporações substituem a concorrência pelo rateio clandestino de cotas em uma licitação. O ilícito assegura lucros robustos de oligopólio a cada um dos participantes da operação fraudulenta.

Imperasse a livre concorrência, os custos desabariam.

O lucro seria da sociedade, ao contrário do que ocorre em São Paulo há uma década e meia, em que os cofres públicos pagam o sobrepreço do  butim.

Tão ou mais grave, porém,  foi  o assalto paralelo que a mídia praticou  ao longo destes anos, contra o discernimento crítico da sociedade.

O alarido do cartel midiático contra tudo o que exalasse o mais tênue aroma do interesse público e da participação estatal na economia revestia de ares de  eficiência –inquestionável—a lambança que os titãs do neoliberalismo nativo e os cartéis privados cometiam contra o interesse público.

No jogral que nunca desafina, em diuturna catequese ‘informativa’, lá estava a turma do choque de gestão; os liquidacionistas da era Vargas; os trovadores do Estado mínimo; o pelotão antigasto público; os áulicos das finanças desreguladas; os vigilantes do ‘superávit cheio’; os algozes do BNDES; os prosadores da desindustrialização virtuosa (concorrência livre); os mariners do ‘custo Brasil’; os porta-vozes da república rentista...

Os mesmos  que agora se escandalizam com Pasadena,  mas se mostram comedidos quando se trata de responsabilizar os altos escalões da queijaria suíça nas licitações do metrô tucano.

 Conceda-se o mérito da coerência ao jornalismo conservador.

 É exemplar a forma comedida com que trata  personagens como o guarda-livros do rateio do metrô, o impoluto vigilante das contas estaduais tucanas, Robson Marinho, por exemplo.

Estratégico integrante do Tribunal de Contas do estado, do qual já foi presidente, Robson Marinho, teve  sua singela vida bancária foi estourada pela justiça suíça.

Nem por isso o Jornal Nacional exibiu as imagens aéreas da ilha e dos dois edifícios de propriedade do tucano detentor de saldo de US$ 1 milhão em casa bancária de Genebra.

 O Estado mínimo que tem na mídia isenta um centurião  das suas virtudes  é o escopo desse enlace de pautas, interesses e ética.

A cansativa rememoração desses  paradoxos pinçados a esmo entre as inúmeras demonstrações de isenção do jornalismo conservador  remete a certas constatações que, a julgar pela entrevista do ex-presidente Lula nesta 3ª feira, passaram –finalmente-- a ordenar a agenda progressista.

A saber: não há a menor hipótese de se contar com uma nesga de imparcialidade na mediação que o dispositivo midiático faz e fará da disputa política sangrenta em curso no país.

O  espaço de diálogo do governo e do PT com a sociedade terá que ser urgentemente pavimentado e ampliado através de outros canais.

Ao dar uma de suas mais contundentes entrevistas à rede de blogs e sites progressistas, o ex-presidente Lula sinalizou um precedente às demais instancias do partido, do governo e dos responsáveis pela campanha da reeleição da Presidenta Dilma.

É crucial que o recado seja entendido  e incorporado.

Mais que isso. Lula  fez um visceral apelo à luta  política, aquela que condiciona o passo seguinte do país  ao engajamento da sociedade.

O exemplo deve começar por quem tem  a responsabilidade de liderar o processo: o próprio PT.

A campanha eleitoral deve servir a isso. Ou não servirá a nada.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Estudante é expulso de palestra de Aécio após gritar 'cocaína no helicóptero'


 Jornal do Brasil.

Aluno da PUC-RS queria saber sobre a droga encontrada em aeronave de Perrella
 
O estudante Marcelo Ximenes foi expulso do Fórum da Liberdade, realizado na Pontifícia Universidade Católica, em Porto Alegre, após gritar "cocaína no helicóptero"  durante palestra do pré-candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves. Marcelo foi retirado da sala por dois seguranças e teve sua credencial recolhida pela organização do evento. A produção do Fórum da Liberdade informou que aceita as divergências, desde que elas fossem "educadas".

Ximenes estuda Ciências Sociais na PUC-RS e confirmou, na saída do evento, que queria que Aécio comentasse a respeito da apreensão de 445 quilos de pasta de cocaína, em novembro de 2013, em um helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (PDT-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), aliados políticos do tucano.

“Eu gritei alto (a pergunta), já que não tinha microfone. Se eu colocasse uma pergunta como essa no papel, ninguém ia ler. Esse não é um espaço democrático, como todo espaço da direita. Que democracia é essa que não se pode fazer uma pergunta? ”, afirmou Ximenes.
Aécio saiu da Sala de Atos da PUC-RS sem responder o questionamento do estudante e sem atender a imprensa.

Desilusão dos mais pobres com a política dá voto ao PT, mas por exclusão

Comissão de Justiça do Senado aprova CPI ampla para investigar Pasadena, metrô tucano e obras de Eduardo Campos em Suape

Impacto da seca nos preços dos alimentos eleva INPCA de março a 0,92%; jogral rentista vai pedir mais juros para proteger sua liquidez.

BRICs farão reunião paralela a do FMI, em Washington, para discutir o que importa: a criação de um banco próprio de desenvolvimento e a operação do fundo de reservas do grupo.



 Programas permitiram ascensão social dos mais pobres, mas não derrubaram os muros da discriminação, segundo pós-graduandos da USP

Maria Inês Nassif
 
Arquivo

O Prouni é um dos programas de maior sucesso dos governos petistas, mas a chegada de um contingente de jovens carentes à Universidade não significou derrubar os muros que os separam das classes mais ricas, mas crescer entre outros muros: ter acesso a empregos mais qualificados que os de seus pais, mas de menos qualificação em relação ao universo de empregos disponíveis para jovens com nível universitário com origem em classes sociais mais abastadas, como o telemarketing; e continuar vivendo na periferia, onde os muros construídos são de fora para dentro – uma proteção aos enclaves dos ricos – e a violência reforça o preconceito social de que o crime tem classe e residência: é cometido pelos mais pobres em periferias, favelas e cortiços. Esses jovens apoiaram unanimemente as manifestações de junho passado, têm uma visão crítica – embora pouco clara – da política e dos políticos e entendem o poder político como aquele que obrigatoriamente se curva aos “interesses dos ricos”.

Essas são as conclusões iniciais da pesquisa etnográfica feita por Henrique Costa entre estudantes do Prouni nas unidades da Uninove, uma das maiores universidades particulares do país e a que mais matricula alunos pelo programa do governo federal, e foram apresentadas nesta segunda-feira, dia 6, no IV Seminário Discente de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo, evento que se estenderá até sexta-feira, dia 11/4, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). 

Camila Rocha, na apresentação de seu trabalho sobre “Petismo e Lulismo na periferia de São Paulo: ideologia, classe e voto”, resultado de pesquisa etnográfica feita na Vila Brasilândia, consegue detectar nos jovens pesquisados o mesmo ressentimento político com essa divisão social tão clara que os separa dos mais abastados. Na hora do voto, tomam uma decisão que os aproxima mais do “lulismo” do que do “petismo”, conforme descritos pelo cientista político André Singer.

O “petismo” do universo geográfico pesquisado por Camila esteve presente na criação do partido, nos anos 70, estimulado pelas Comunidades Eclesiais de Base.

Durante os anos 90, essa população perdeu as CEBs, devido aos rumos conservadores tomados pela Igreja Católica, e desorganizou suas vidas privadas devido ao desemprego e à precarização do trabalho. Na década de 2000, o antigo petismo foi substituído pelo “lulismo”, não apenas entre os jovens que não viveram o passado “coletivo” de mobilização popular e criação de um partido de esquerda, como entre as pessoas mais velhas, que estiveram na origem do PT.

“As opiniões sobre a política assumem muitas vezes a forma de um desabafo contra as desigualdades, vistas pelos mais pobres como fundamental para a precariedade em que vivem em oposição ao privilégio dispendido aos ricos pelo poder público”, relata Camila. O governo, de esquerda ou não, e os políticos, são os que se curvam àqueles do outro lado dos muros.

“Influência de classe social, entendeu? Na verdade, quem tem é quem manda. Digamos que os governos que elegemos, que acha que vai nos beneficiar de alguma forma, não vai. Ele vai beneficiar quem tem poder. O empresário é quem tem poder e que manda nele. ‘É assim, é assado e vai ser desta forma”, e vai ser dessa forma. E o que a população pode fazer em relação a isso? Sair na rua e apanhar da polícia? É difícil, e meio revoltante, para falar a verdade”, diz Márcia, estudante do Prouni, em entrevista relatada no trabalho de Henrique Costa.

Na hora do voto, no entanto, por tendência partidária ou por adesão individual ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT ainda é majoritário – e foi o período da eleição municipal de 2012 o fotografado por Camila, em sua dissertação. A cientista política detecta como tendência, entre os entrevistados que são trabalhadores em ascensão social, a solidariedade aos que ainda não conseguiram sair da pobreza. Esse vínculo não se faz como uma adesão ideológica a um partido, o PT, mas uma identificação e adesão pessoal a um líder, o ex-presidente Lula.

“Eu prefiro o PT (...), por mais coisas erradas que eles fazem, eles pensam um pouquinho nos pobres, tudo bem que quando eles pensam nos pobres, eles pensam ‘o voto vai primeiro’, pobre tem mais filho, tem mais gente para votar. (Mas) eu gosto do PT não é só por isso não, (...) mas é por causa da minha cidade, lá no Nordeste, o PT fez muito lá. (...)”, diz Tatiane, em trecho de entrevista reproduzido no trabalho de Camila. E continua: ela acha que o PT fez isso devido à influência de Lula. “Eu acho que foi mais pelo presidente Lula, pela condição de vida que ele teve(...) O povo, todo mundo gostava dele. Eu gosto, eu gosto porque ele fez, ele fez alguma coisa pelo meu povo, que não foi nem por mim, mas foi pelo meu povo”.

O “lulismo” tem uma face progressista, na medida em que incorpora não apenas uma adesão a uma política que beneficia individualmente o cidadão pobre, possibilitando sua ascensão social, mas pelo fato de ter construído um universo simbólico popular que se contrapõe ao das elites, observa Camila. Mas a sua face conservadora, de conciliação de interesses, bloqueia “uma polarização mais aguda” que poderia levar a um acirramento do conflito social -- e, com isso, acaba também desmobilizando “as classes populares em torno de um projeto que as unifique”. Devido a essa contradição, há espaço para que “os trabalhadores em processo de ascensão se descolem simbolicamente dessas últimas [das classes populares] e passem a aderir a outros projetos político-ideológicos, inclusive de direita”, observa a cientista política. Isso explicaria, por exemplo, o desempenho eleitoral dos candidatos Gabriel Chalita (PMDB) e Celso Russomano (PRB) na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2012.

O efeito devastador de Lula sobre a mídia-oposição

lulafala

O mais impressionante na entrevista concedida ontem pelo ex-presidente Lula não foi o que ele disse.
Foi como o que disse doeu na grande imprensa.
E dor maior ainda porque, embora continuasse a poder selecionar o que lhe interessava, a mídia tinha um freio: o fato de toda a entrevista ter sido transmitida ao vivo pela internet.
E que Lula tivesse podido falar o quanto quisesse, livre, sem a preocupação de fazer frases curtas, de olho na edição.
Claro que quando se pensa em falar na televisão ou no rádio, é preciso ter essa preocupação.
Mas este momento é o de falar com os agentes políticos, com os militantes, com aqueles que são os multiplicadores de ideias políticas.
Que são exigentes e que, mais do que entender, precisam sentir o que se passou, o que se passa e confiar nos seus líderes.
Não há um que ouça Lula falar e encontre dúvidas, reservas, subterfúgios.
Claro que é prudente, mas não fechou a boca sequer sobre os assuntos mais espinhosos: André Vargas, Joaquim Barbosa, mensalão…
Eu cortei o trecho (de quase meia hora) da resposta à provocação que lhe fiz, tanto sobre economia quando sobre Petrobras. Está na seção videos, do lado direito da página.
Na crise de 2008/2009 e na CPI da Petrobras daquele ano, Lula não repetiu o erro de 2005, quando sua eleição chegou a ser ameaçada pela falta de combate político à ofensiva contra a economia e contra a principal empresa do governo brasileiro.
Em ambas a situação, Lula foi o “caixeiro-viajante”, o animador das políticas que seu Governo desenvolvia.
Quando um governante age assim, ele próprio se torna a “comunicação” de seu Governo.
Ele, que se investiu de legitimidade pelo voto dos cidadãos, levanta este valor contra a onda de interesses particulares que se travestem de públicos.
E essa legitimidade é uma imensa força, se for usada com sabedoria e coragem.
O recado de Lula foi claro.
Se formos esperar justiça, equilíbrio, neutralidade da mídia, passivamente, esperaremos até morrer.
Embora, neste caso, não se vá esperar muito, pois morreremos – no sentido político – bem rápido.
Quando há uma forma imensa e poderosa como a do poder econômico e a de sua mídia soprando avassaladoramente sobre um país e o livre processo de formação de consciência de seu povo, é preciso contrapor a ela uma outra força, ainda mais irresistível: a da verdade, sincera, desabrida quase, exposta diretamente aos olhos e ouvidos da população.

Uma das medidas impopulares é cortar o financiamento para a casa própria?



financiam

Resolvi traduzir em fatos, ao longo dos próximos dias, qual é o significado das tais “medidas impopulares” que Aécio Neves, com Fernando Henrique e Armínio Fraga a tiracolo, andou prometendo para a fina flor do capital, a fim de “recuperar” a economia.
E começo  com uma das que , com certeza, está no topo da lista: o esfriamento dos empréstimos concedidos para a compra da casa própria.
Os números espantosos sobre financiamento imobiliário no Brasil – ou sobre a falta dele, antes de Lula e Dilma – dispensam maiores explicações.
Num único ano do governo Dilma são contraídos mais financiamentos para casa própria em número muito maior do que cada um dos governos de Fernando Henrique.
Na Caixa, 68,5%, e nos bancos privados.
O deficit habitacional brasileiro caiu de 12 milhões de moradias para 5,6 milhões,  2 milhões delas no Nordeste.
Note lá no gráfico que a maioria (54%) dos tomadores de crédito, este ano,  são pessoas jovens, com menos de 35 anos de idade.
Que, ao contrário de nós, estão tendo como chegar ao sonho da casa própria ainda bem novos.
E o que tem a ver isso com as tais prometidas “medidas impopulares”?
Isso aconteceu porque o Governo capitalizou, com recursos do Tesouro, a Caixa – que é 100% estatal -, para que ela pudesse ter recursos para financiar moradia.
Um governo disposto a seguir a cartilha neoliberal acabaria, de imediato, com este modelo.
Emissão de títulos, só para pagar mais juros, onde já se viu fazer isso para financiar casa própria?
Retornaríamos  ao tempo em que isso ficava por conta dos bancos privados essencialmente e, aí, para 300 ou 400 mil unidades financiadas, e olhe lá.
Oitocentas mil famílias por ano voltariam a ficar de fora do mercado.
Isso vai ser dito ao povo brasileiro?
Ah, vai, sim.

PS. Os gráficos foram obtidos no excelente blog do professor Fernando Nogueira da Costa e no trabalho Papel do Crédito Imobiliário no Crescimento Econômico- social, do Diretor Executivo de Habitação da Caixa, Teotonio Costa Rezende.

DCM: crucificação de Vargas versus preservação de Marinho

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Enquanto o deputado do PT, acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, "está sendo crucificado antes que os fatos sejam, devidamente, apurados", caso do conselheiro do TCE Robson Marinho, acusado de ter recebido propina da Alstom quando era chefe da Casa Civil de Mario Covas em SP "não comove a mídia", escreve o jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo
8 de Abril de 2014 às 17:39

247 - O jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, traz à tona "o tratamento diferente que a mídia dispensa aos suspeitos de corrupção". Ele compara, no artigo abaixo, a crucificação do deputado Andre Vargas, que já pediu afastamento antes de ser julgado e o caso do conselheiro do TCE Robson Marinho, acusado de receber propina da Alstom, mas que continua no cargo é "poupado e blindado" pela imprensa. Leia abaixo:

A crucificação de André Vargas versus a preservação de Robson Marinho
Por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo

O deputado André Vargas está sendo crucificado antes que os fatos sejam, devidamente, apurados.
Seu maior crime, naturalmente, da ótica da mídia que conforme ele bem notou promove um "massacre", é ser do PT.
Até aqui, o que se sabe de concreto é que ele é amigo de um doleiro preso. Textos absolutamente enviesados tiram conclusões precipitadamente devastadoras de conversas vazadas pela Polícia Federal.
Que se apurem os fatos, claro. Mas a histeria condenatória é fundamentalmente injusta e maldosa.
O que incomoda no episódio para quem faz jornalismo apartidário e independente como o DCM é o tratamento diferente que a mídia dispensa aos suspeitos de corrupção.
Enquanto isso perdurar, o combate à corrupção não vai avançar. Uma prática corrupta não vai resolver nada no capítulo da corrupção.
Compare a estridência deste caso com, por exemplo, o de Robson Marinho, o fundador do PSDB sobre o qual chovem torrencialmente provas de recebimento de propinas no metrô de SP.
Até a Suíça já se movimentou, ao bloquear uma conta milionária de Marinho.
Mas este episódio não comove a mídia, assim como o escândalo do helicóptero da cocaína e tantos outras histórias que não cabem no "interesse público" das companhias de mídia.
Marinho – que não se perca pelo sobrenome – ainda hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, sinecura pela qual recebe 20 000 reais por mês.
O propósito do TCE é fiscalizar as contas do governo estadual. Pausa para rir. Isto sim é o que se pode chamar de aparelhamento da fiscalização.
Marinho foi indicado por Mário Covas, de quem era amigo pessoal. Um jornalista que questionou Covas sobre a ética de colocar um amigo numa função tão delicada recebeu uma patada como resposta.
Vargas, massacrado, se afastou da vice-presidência da Câmara para se defender.
Marinho, poupado e blindado, permanece no TCE a despeito das provas de corrupção.
É um retrato do Brasil.

terça-feira, 8 de abril de 2014

GLEISI AO 247: “QUE MEDIDAS IMPOPULARES ELES PROPÕEM?”

Lula a blogueiros: “não sou candidato” Nunca Dantes abordou temas como mensalão, Joaquim Barbosa, economia, eleições e Petrobras.



Lula: falta o Brasil ir para a ofensiva !

O presidente Lula concedeu trepidante entrevista para blogueiros na manhã esta terça-feira, dia 8 de Abril.

O Conversa Afiada transmitiu todo o evento ao vivo e destaca algumas afirmações importantes do Nunca Dantes (a reprodução não é literal):

Eleições 2014


- Não sou candidato !;

- Eu tinha convicção de provar que eu tinha mais condição do que a elite. Por isso cheguei à Presidência;

- Os meus palpites podem até ajudar a gente a ganhar as eleições, eu não nasci para abaixar a cabeça;

- Eu já fiz a minha parte. E ajudarei sempre que preciso;

- A Dilma tem lado ! Ela é a pessoa ideal para o cargo;

- Dilma foi grande de afrontar Obama e a espionagem. E temos que fazer o Brasil independente nas telecomunicações;


Petrobras


- Petrobras tem que partir para o ataque !;

- Espero que o PT tenha aprendido com a CPI do mensalão;

- Cadê o Blog da Petrobras, tão útil em 2009 ?;

- Em breve, votaremos no presidente da Petrobras, e ele indicará o presidente da República, tão grande a importância da Petrobras;

- O Obama deixou a frase famosa, mas nós é que falávamos antes: “nós podemos”, em relação ao pré-sal;

- A Petrobras não pode ser medida só pela Bolsa. E sim pela tecnologia, pela quantidade de petróleo que tem no pré-sal. Tem que ter dimensão do tamanho e do patrimônio da Petrobras;

- Combinei com o Franklin de fazer um discurso de apologia ao consumo. Isso faria a economia girar. E foi o que aconteceu, a classe B e C consumiram mais que a classe A. Inclusive no Nordeste;

- Recomendei não criarem dívidas maiores que o orçamento. Porque isso eu aprendi com a Dona Lindú (mãe do Lula). E o povo atendeu, e comprou geladeira, fogão …;

- Numa escada de 16 degraus, subimos 6;

- Havia um complexo de vira-latas. Tínhamos uma elite complexada. E nunca houve tanto orgulho quanto nos últimos 11 anos;

- Quantas vezes fomos criticados por programas como o Luz Para Todos? As críticas vinham de quem já tinha luz. E aí o povo comprou microondas, TV… até para ver a imprensa falar mal de mim;


Mensalão, Joaquim Barbosa e José Dirceu


- A história do mensalão será recontada nesse país. E, se eu puder, vou ajudar;

- Não quero julgar ninguém de forma precipitada. Tem que deixar a poeira baixar e começar a recontar a história. O tempo se encarregará de colocar as coisas nos eixos;

- Eu tenho curiosidade: como uma investigação de R$ 3 mil nos Correios terminou no mensalão ?;

- Não me arrependo de indicar o Barbosa. Porque indiquei antes de ter mensalão. Queria um advogado negro na Suprema Corte brasileira. E de todos os currículos que recebi, o do Barbosa era o melhor;

- O mensalão foi o mais forte processo político neste país, em que a mídia teve papel importante antes de cada sessão. O massacre era apoteótico. Nunca vi nada igual;

- Já em Minas, ninguém falou nada. Foram dois pesos e duas medidas;

- José Dirceu sofre abuso no exercício do poder e da lei;

- O erro do PT é que devia ter feito a luta política por 7 anos. Pensamos juridicamente numa ação que estava sendo pensada politicamente;

- Quem sabe um de vocês, blogueiros sujos, vá recontar essa história desde o começo;

- Tem gente fala demais na Suprema Corte. Não é para ficar falando o que farão. Alguns inclusive mentiram;

- A teoria do Domínio do Fato foi um achado extraordinário. Não tem que provar nada. Tem que desconfiar e isso já basta;


Manifestações


- As manifestações são importantes;

- Jovens não têm informação. Não tem debate nas faculdades/escolas, noticiário só tem na internet (com ressalvas, pois há muito conteúdo despolitizante). Por isso, precisamos falar mais com o povo;

- É normal que os jovens queiram mais. Os jovens do ProUni, FIES e todos os programas sociais, querem mais coisas. E isso é bom;

- As pessoas reclamam da vida porque não conhecem a história. Nós temos que contar a história;


Ley de Medios


- Temos que ser agressivos na Comunicação. E nós perdemos tempo precioso por não falar da lei de regulamentação da mídia, mesmo com o Marco Regulatório já ter sido um progresso;

- Busquem vocês, blogueiros, a neutralidade da mídia;

- Não falei com a Dilma sobre a lei das comunicações para evitar interferir no Governo dela. Mas eu acho que o partido deveria fazer esse debate;


Copa do Mundo e Olimpíadas


- Sou casado há 40 anos, perdi eleições e nunca vi a Marisa chorar. No dia da apresentação das Olimpíadas em Copenhagen ela me ligou chorando. O Pelé estava lá e chorou. Todo mundo chorou. Para chegar aqui e virar uma derrota?

- A Copa do Mundo é mais do que futebol. É trazer o mundo esportivo para cá, os maiores atletas do mundo;

- O que fica para o futuro? Nós vamos discutir, criar alternativas. Mas jogar fora é falta de auto-estima. A Copa do Mundo é boa para o Brasil;

- Tomara que a gente ganhe essa Copa. Se a final for Brasil x Argentina, Brasil x Espanha, será maravilhoso;

- Não é por quê falta uma coisa que eu não posso fazer outra. A falta de infraestrutura no Brasil é crônica;

- Podemos reclamar da Copa do Mundo, fazer protesto, levantar bandeiras. Faz parte do processo e é benéfico. Este é o momento;


PiG (*)


- Jornalista americano que disse que eu bebia nunca me pagou uma cerveja;

- E quem queria que alguém dissesse isso era a Folha, que nunca teve coragem de dizer;

- Não é o Brasil que está sem humor, até os programas de humor não têm mais humor;

- O problema é que nós estamos sendo conduzidos por uma massa feroz de informações deformadas;

- Se a imprensa batesse no Governo, estava tudo bem. (Aliás, o Diretor deveria colocar a cara para admitir isso em seus editoriais). E um pouco mais de seriedade nas demais áreas;

- Deveríamos ter mais direito de resposta;

- Fico assustado com a postura da mídia;

- Lembram de como foi o Bial foi agressivo comigo? Eu poderia revidar, mas resolvi mostrar que a educação vem de berço. E foi por isso que as pessoas gostaram da entrevista;

- A sonegação de imposto de alguns é 10 vezes maior que o mensalão;

- A meninada não tem obrigação de saber o que eu fiz. E se ele for saber o que eu fiz pela imprensa, ele estará totalmente desinformado;

- A crítica da mídia sobre os blogueiros sujos deve ser encarada com orgulho;

- O que incomoda a mídia é que eu estou vivo;

- Guido Mantega tem que criar uma rede para saber todas as inverdades no ato, e a Dilma deve colocá-lo em rede;

- Combinei com a Marisa que não leria mais jornal, revista, nem veria televisão. Senão não conseguiria viver no Brasil. Fui para a rua conversar com o eleitor;

- O que nós queremos da mídia? Mais respeito. Eu acho que o que fazem com a Dilma é falta de respeito;

- Veja as manifestações. Enquanto achavam que o povo queria xingar o Governo, a mídia apoiou. Depois, quando o povo se voltou contra outras instituições da mídia, a opinião deles mudou em relação aos protestos;


Política


- Precisamos fazer uma Reforma Política;

- Sou totalmente a favor de uma Constituinte exclusiva para isso;

- O Congresso é o reflexo do que é a sociedade brasileira;

- Precisamos dar seriedade aos partidos políticos, que têm tempo de televisão e usam isso;

- A Reforma Política é a única solução para resolver os problemas da política;

- O único partido nacional do Brasil é o PT;

- O PMDB é o maior partido do país e tem diversas tribos estaduais, não tem uma linha nacional;

- O Michel Temer é vice-presidente e tem Estados em que o PMDB não votará nele;

- Melhorar os partidos políticos para recuperar a relação com os eleitores; partidos mais sérios farão políticos mais sérios;

- A internet não facilita a democracia. Você ouve muita gente. E muito desaforo. A interação era tanta que o cidadão achava que era ele que estava ali, governando;

- Eu amo a democracia, porque foi graças a ela que eu cheguei ao poder;


PT


- Talvez a culpa seja nossa, porque não partimos para a politização. Não fazemos mais como o PT fazia antigamente. O partido precisa estar na rua sempre, discutindo, informando, ouvindo;

- Governo eleito afunda o partido porque leva os melhores quadros;

- O partido não pode abrir mão de dizer o que ele pensa do país. Ele deixa de ser referência;

- O PT poderia ter crescido. Não tem ninguém com o padrão de sucesso que teve o PT no Governo. Poderia ser a grande referência na América Latina;

- O PT é muito criticado porque são milhões de pessoas. E é essa gente que nós temos que respeitar. Errar o menos possível;


Economia


- Qual país gera tanto emprego quanto o Brasil?;

- Brasil ficou mais civilizado;

- Quem paga o pato pela crise é o trabalhador;

- Crise jogou fora 68 milhões de empregos. O Brasil, por sua vez, criou 11 milhões;

- Brasil tem reservas para 18 meses de importação;

- Que país tem maior potencial petrolífero que o Brasil ?;

- Que país está construindo as três maiores hidrelétricas do mundo ?;

- Quem cresceu mais que o Brasil? A China. Talvez a Coreia;

- Falta o Brasil ir para a ofensiva. Quem gosta de nós, somos nós. Quem deve estar preocupado com o comércio brasileiro é o brasileiro, não os EUA, a Europa;

- Hoje nosso comércio com a América Latina é maior que com a Europa e com os EUA;

- Não é que a elite não queira perder. Eles não querem que os pobres façam o mesmo que eles. Mas eu acho ótima a ascensão social;

- Quantas pessoas conhecem o Farmácia Popular ?;


Saúde


- O ‘Mais Médicos’ mostra que só tem excesso de médico na Avenida Paulista. Na periferia faltava. E está provado !;

- O ‘Mais Médicos’ não resolve os problemas. Ele agrava. Porque quando a pessoa procura o primeiro médico, o passo seguinte é que procurar um especialista. E aí ainda faltam médicos;

- A solução é credenciar a rede médica e melhorar o pagamento do SUS ao médicos;

- O SUS é motivo de orgulho deste país;

- Só aparece coisa ruim da Saúde. Quando eu estava internado, só queriam saber se eu ia morrer. Mas tem muita coisa boa na Saúde também;

- Sem dinheiro, não tem como melhorar a Saúde;

- Por que acabaram com a CPMF? Com o objetivo de evitar uma maior fiscalização do Governo no processo de sonegação de impostos. E tiraram R$ 50 bilhões da Saúde por ano;


Educação


- Em 11 anos, fizemos mais pela Educação que em um século. Mas ainda tem que melhorar;

- Por isso sempre quisemos os royalties do petróleo para a Educação;

- As pessoas reclamam que tem muito carro na rua, que tem muita gente nos aeroportos e que os portos estão superados. Isso acontece porque o Governo deu oportunidade para o povo;

- Antes, engenheiro vendia coco na praia. Agora reclamam de falta de mão-de-obra qualificada;


Lula no Mundo:


- Ninguém te dá espaço na política. Você tem que ir atrás. E isso fez o Brasil virar o que virou;

- Eu era o único diferente no G-8. O único sem diploma, o único que veio do chão de fábrica;

- O Hugo Chávez gostava de fazer polêmica. Falei com o Maduro e disse para construir um equilíbrio para aproveitar todo o potencial, apresentar a ideia de que não haveria apagão, teria política de abastecimento. Mas o Maduro precisa ir para a rua o tempo todo para responder a oposição;

- O Capriles não radicalizar já é um avanço na política venezuelana. Torço para que eles acabem com a disputa interna e deixem Maduro governar;

- Graças a Deus no Brasil fomos e somos menos radicais. Nunca me xingaram, e se xingavam, faziam baixinho;

- Se eu pudesse, teria derrubado o Mubarack há muito tempo. Eu não gostava dele, ele não gostava de mim;

- As pessoas acham que pode criar democracia por decreto. Mas não pode. É um processo;

- Qual é o processo democrático no Iraque? E na Líbia? Os EUA agiram… e agora, quem comanda? Qual é a democracia?;

- O aparelho de espionagem dos EUA é tão forte que eu acho que nem o Obama tem dimensão dessa força. Afinal, não seria aberto para um cidadão que ficará no poder por  4 anos;

- Dilma foi grande de afrontar Obama e a espionagem. E temos que fazer o Brasil independente nas telecomunicações;


Rio de Janeiro


- Demos atenção especial ao Rio de Janeiro, até pelas perdas históricas, como a troca da Capital para Brasília;

- Lindberg Farias é um bom candidato para o Rio de Janeiro. Vai crescer e pode ganhar. Espero uma campanha civilizada entre ele e o Pezão;

- Nunca antes na história desse país houve tanto dinheiro federal no Complexo do Alemão e no Rio de Janeiro em geral. Meu sonho era fazer cada favela virar um bairro;


Internet e blogueiros


- Continuo otimista. Não se sintam (blogueiros) inferiores quando vocês são criticados pela forma que vocês pensam. A internet presta um serviço inestimável. É uma forma das pessoas interagirem e do país continuar democrático.
Em tempo: Saiu no site do Instituto Lula:


NOTA À IMPRENSA




São Paulo, 8 de abril de 2014,

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista coletiva ao vivo pela internet nesta terça-feira (8), na qual falou, entre outros assuntos sobre a Petrobras. Na capa de seus sites, a Folha de S.Paulo e O Globo alteraram a declaração do ex-presidente sobre o assunto, atribuindo ao ex-presidente algo que ele não disse: “Para Lula, PT ‘tem de ir pra cima’ para impedir a criação da CPI da Petrobras”, no caso da Folha e, no Globo, “Lula pede reação de seu partido contra instalação da CPI: ‘O PT tem que ir para cima’”.


Segue o trecho do áudio com o trecho da fala de Lula sobre a Petrobras e Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Ouça e verifique o que Lula realmente disse na entrevista.





(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.