Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SERRA ESTÁ ENTREGUE ÀS TOGAS

*Faltam 7 dias e dois debates; o conservadorismo vai  tentar de tudo: Lula e Dilma, em comício em SP, pedem humildade e empenho para ganhar votos até o fechamento da urna, dia 28.  

  O tucano José Serra esgotou seu repertório antes de terminar a campanha.  Seu maior problema nestes poucos dias que restam da disputa em SP  é: o que mais a dizer ao eleitor  que não o ouviu até agora?  A percepção mais grave  é de que sua narrativa perdeu significado no próprio PSDB.  Pior: a imensa rejeição que atrai tornou-o um ambulante do estorvo para o futuro do partido. FHC e Sergio Guerra vazam desapontamento com a condução das coisas em SP. Serra depende exclusivamente do que mais os integrantes do STF possam fazer por ele.  O tucano está distribuindo milhões de adesivos com o slogan ' Diga não ao mensalão', em parceria com o desfecho desfrutável do julgamento esta semana. Na ante-sala do voto, com uma desvantagem robusta, o recurso reiterativo adiciona pouco à insuficiência acumulada. Por sua própria escolha e pelo afastamento do PSDB, seu futuro político está entregue às togas,  muito mais do que o dos petistas que  demoniza.

Levante Popular da Juventude quer renovar práticas da esquerda
 
 

A sabedoria dos espertalhões.






Os mandachuvas da economia mundial simulam que seu poder é fruto de sua inteligência. Mas só parecem inteligentes por ter poder

No domingo, 14 de outubro, a manchete da Folha de S.Paulo proclama “Intervenções de Dilma e PIB fraco afastam investidores estrangeiros”. No corpo da reportagem, a jornalista Patrícia Campos Mello esclarece que a deplorada queda no ingresso de capitais está concentrada em ações e títulos de dívida, o chamado investimento de portfólio. Entre janeiro de 2011 e agosto de 2012, essa modalidade de investimento estrangeiro apresentou queda de 1,8% para 0,3% do PIB. Já o investimento direto subiu no mesmo período de 2,3% ­para 2,8% do PIB.

Nas palavras da jornalista, esses números transmitem melhor o humor (sic) dos investidores porque (o investimento de port­fólio) são mais voláteis do que o investimento direto estrangeiro, bem como menos influenciados por uma grande operação.

Em seguida, ela organiza um desfile de opiniões de gestores de fundos dedicados à especulação e à arbitragem com os movimentos esperados de juros e câmbio. Certo Ruchir Sharma, chefe da área de Mercados Emergentes do Morgan Stanley, disparou: “É uma decepção, o Brasil terá crescimento de 1,5% a 2%, nem a metade da média dos emergentes. Para completar, o governo adotou medidas intervencionistas que aproximam o Brasil de países como a Venezuela de Chávez e terão efeito negativo a longo prazo”.

O insigne Michel Shaul, presidente da Marketfield Asset Management, entregou o ouro: “O governo implementou uma série de medidas anticapital que podem até ser boas para a população que vai pagar menos juros no cartão de crédito, mas que não agradam ao investidor”. Já um grande investidor estrangeiro que preferiu o anonimato lamentou: “O governo começou a caça às bruxas contra os bancos, as ações despencaram. Dilma espremeu as elétricas e os papéis desabaram”.

O estudo do FMI intitulado Recent Experiences in Managing Capital Inflows, de fevereiro de 2011, reconhece que a volatilidade dos investimentos de carteira não só é elevada como aumentou depois da crise financeira, com consequências indesejáveis na gestão da política econômica ao provocar o desalinhamento nas taxas de câmbio. No pós-crise, os fluxos líquidos de “dinheiro quente” ganharam força com as sucessivas rodadas de injeção de liquidez pelos bancos centrais. O movimento de capitais de curto prazo na busca de rendimentos mais parrudos cresceu rapidamente e alcançou 435 bilhões de dólares entre o terceiro trimestre de 2009 e o segundo de 2010. Ultrapassou, assim, os picos anteriores à crise em países como ­Brasil, Indonésia, Coreia e Tailândia.

Na maioria dos casos, diz o estudo, o influxo de capitais de portfólio foi determinado pelos diferenciais de taxas de juro, crescimento rápido ou posições fiscais e de endividamento saudáveis, num ambiente global de maior apetite pelo risco. “Em sua maioria, os países adotaram medidas de vários tipos para obviar a valorização das taxas de câmbio. As medidas visaram conter os impactos dos movimentos de capitais de curto prazo sobre os mercados de ativos, ao mesmo tempo preservando o ingresso de capitais produtivos e resguardando a economia das súbitas reversões.”

Nos anos 1990, tempos de glória da globalização financeira, a olímpica tranquilidade dos encantadores de serpente fundava-se nas convenientes falácias da liberalização das contas de capital do balanço de pagamentos. A economia brasileira, ensinavam por aqui, vai pegar no tranco, impulsionada pela entrada pródiga de capitais, aqueles que voavam nas asas da globalização.

Os custos dessa aposta, qualquer um sabe, foram: 1. Perda significativa na liberdade de manejar a taxa de câmbio para conter a invasão das importações e impedir a perda de competitividade das exportações. 2. Rápida ampliação do déficit em conta corrente, derivada de um déficit comercial em expansão e de um passivo externo em processo de ampliação. 3.Crescente e perigosa dependência do financiamento forâneo, ou seja, submissão da política econômica e das metas de crescimento da economia aos humores (sic) dos mercados de capitais internacionalizados, que, como é notório, passam abruptamente da euforia à depressão.

Na inesquecível década dos 90, entre tantas loucuras, os apologetas do capitalismo desbragado e seus ideólogos trataram de convencer a população e a si mesmos de que só eles sabiam das coisas, eram detentores do monopólio das boas ideias, aquelas capazes de salvar a humanidade de suas agruras.

Como toda loucura, essa também tem método: os mandachuvas devem sempre simular que seu poder é fruto da inteligência. É preciso ocultar que só parecem inteligentes porque têm poder. Os sábios globais deram de ombros para as advertências dos críticos. Passada a euforia do dinheiro fácil, os chamados emergentes se afogaram na maré vazante dos capitais em fuga e na repetição dos ajustamentos assimétricos entre países de moeda forte e aqueles de moeda fraca.

JANGO CAIU COM APOIO POPULAR. DILMA, DILMA …


A Santa Aliança regressista de Globo, MP e Supremo tem como Finalidade derrubar qualquer Governo trabalhista. No Brasil e na Venezuela, onde há mais liberdade de expresão que aqui.

Informação enviada por Stanley Burburinho, o implacável( quem será ele ?):

Nótícia publicada pela Folha de São Paulo em 09 de março de 2003:

“09/03/2003 – 03h34


JANGO TINHA APOIO POPULAR AO SER DEPOSTO EM 64, DIZ IBOPE


PAULO REDA – Free-lance para a Folha de S.Paulo, em Campinas

Duas pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do movimento militar de 31 de março de 1964, e nunca divulgadas, mostram que o presidente João Goulart contava com amplo apoio popular ao ser deposto, apesar da polarização ideológica que o país enfrentava.

Uma das pesquisas, feita pelo Ibope em três cidades paulistas, apontava que 15% dos ouvidos consideravam o governo Jango ótimo, 30% bom e 24% regular. Para 16%, a administração Goulart era má ou péssima.

A outra pesquisa do acervo do Ibope, que entrevistou eleitores de oito capitais entre os dias 9 e 26 de março de 64, mostra que 49,8% dos pesquisados admitiam votar em Jango caso ele pudesse se candidatar à reeleição, contra 41,8% que rejeitavam a possibilidade.

Esses e outros levantamentos inéditos estão sendo catalogadas no Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp. A pesquisa que trata especificamente da popularidade de Jango às vésperas do movimento militar foi realizada entre os dias 20 e 30 de março de 1964 e ouviu 950 moradores das cidades de São Paulo, Araraquara e Avaí. Foi feita a pedido da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

A diretora do Ibope Opinião, Márcia Cavallari, afirmou que os critérios aplicados nesses levantamentos da década de 60 são semelhantes à metodologia das pesquisas recentes do instituto e são perfeitamente confiáveis.

Cientistas políticos e historiadores ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmaram que os dados são muito relevantes para discutir as circunstâncias que levaram ao movimento militar de 64. Segundo a professora do Departamento de História da USP Zilda Iokoi, a popularidade de Jango foi um dos aspectos decisivos para a sua deposição . “Como vivíamos um momento de grande polarização ideológica, as forças reacionárias se sentiram ameaçadas”, afirmou.

Para a professora do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas Maria Celina D’Araújo, as pesquisas do acervo do Ibope são de extrema importância para a compreensão dos motivos que levaram ao movimento militar: “Reforça-se a tese de que o golpe de 64 foi um movimento anticomunista e não contra o governo de Goulart”.

Outra pesquisa feita pelo Ibope no período revela que 59% dos ouvidos eram a favor das medidas anunciadas por Jango no histórico comício da Central do Brasil, no Rio, no dia 13 de março de 64. As propostas incluíam a desapropriação de terras às margens de rodovias e ferrovias e o encampamento das refinarias estrangeiras.

O ex-senador Jarbas Passarinho, que na época era chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, afirmou que não conhecia os dados, mas que não estranha o fato de Jango ser popular às vésperas do 31 de março. “Desde a década de 50, quando ocupou o Ministério do Trabalho, Jango adotou uma série de medidas populistas, que garantiram a sua boa imagem, principalmente junto às classes mais pobres.”


O Historialismo Pátrio defende a tese de que Jango caiu porque gostava de pernas – de coristas e de cavalos.
Caiu também porque se preparava para dar um Golpe.
Que Golpe ?
Ora, as deduções levam a isso: ao Golpe.
Se popularidade alta fosse antídoto contra Golpe, o Jango não caía.
A Santa Aliança regressista de Globo, MP e Supremo tem como finalidade derrubar qualquer Governo trabalhista.
Sem uma Ley de Medios, a Santa Aliança derruba a Dilma.
Se o Legislativo se mantiver pusilânime e não enfrentar o Supremo, aí, então, fica mais fácil ainda derrubar uma Presidenta com 99% de popularidade.
O lado de lá não vai engolir quatro derrotas consecutivas para Presidente.







Paulo Henrique Amorim

60 GATOS PINGADOS MARCHAM PELO SUPREMO

A retumbante manifestação saiu do fim da praia do Leblon. A praia da Elite e dos globais
Já houve mais marchadeiros na Zona Sul do Rio. Foto de Marcelo Carnaval, de O Globo

Saiu no Globo:

NO RIO, MANIFESTANTES COMEMORAM RESULTADO PARCIAL DO JULGAMENTO DO MENSALÃO


RIO – Se o número de manifestantes não era grande, sobrou bom humor na homenagem “Valeu, STF”, organizada na manhã deste domingo por um grupo de moradores da Zona Sul, na orla do Leblon e Ipanema, para comemorar o resultado parcial do julgamento dos mensaleiros. Ao som de “Se gritar pega ladrão”, de Bezerra da Silva, entre outras músicas alusivas à corrupção, cerca de 60 pessoas, muitas usando toga preta e a máscara do ministro Joaquim Barbosa, percorreram a pé dos postos 12 ao nove, debaixo de sol forte, levando faixas e um cheque gigante de R$ 153 milhões, emitido pelo “Banco do Mensalão” e assinado por “Lalau da Silva”, para simbolizar a devolução do dinheiro supostamente desviado pelo esquema.

(…)

Pelo clima da manifestação, “Valeu, STF” se parecia mais um bloco de carnaval com ares cívicos do que um protesto político. Uma das faixas anunciava que “O Brasil mudou, a pizzaria fechou”. A cada instante, o locutor oficial avisava: quem comprasse a máscara de Joaquim Barbosa por R$ 10, teria direito a participar da chopada de encerramento, no Posto Nove. Medeiros só ficava mais sério quando mencionava as cifras do mensalão.

(…)

A retumbante manifestação saiu do fim da praia do Leblon.
A praia da Elite e dos globais.
O ponto de concentração era uma estátua em homenagem a Zózimo Barroso do Amaral, autor, por muitos anos, de uma coluna social no Jornal do Brasil e no Globo.
Uma espécie de Diário da Elite carioca.
Os manifestantes deste domingo poderiam, ao menos, começar do fim da praia de Copacabana e se concentrar na estatua a Dorival Caymmi, ou, mais adiante, na de Carlos Drummond de Andrade.
Como diria o Dr Tancredo, em política não há coincidências.




Em tempo: como diz o amigo navegante Mauricio, é o que se chama de uma “multidinha”. 


Paulo Henrique Amorim

Os tucanos, do começo ao fim





Os tucanos nasceram de forma contingente na política brasileira, apontaram para um potencial forte, tiveram sucesso por via que não se esperava, decaíram com grande rapidez e agora chegam a seu final.

Os tucanos nasceram de setores descontentes do PMDB, basicamente de São Paulo, com o domínio de Orestes Quercia sobre a secção paulista do partido. Tentaram a eleição de Antonio Ermirio de Morais, em 1986, pelo PTB, mas Quércia os derrotou.

Se articularam então para sair do PMDB e formar um novo partido que, apesar de contar com um democrata–cristão histórico, Franco Montoro, optou pela sigla da social democracia e escolheu o símbolo do tucano, para tentar dar-lhe um caráter brasileiro.

O agrupamento foi assim centralmente paulista, incorporando a alguns dirigentes nacionais vinculados a esse grupo, como Tasso Jereisatti, Alvaro Dias, Artur Virgilio, entre outros. Mas o núcleo central sempre foi paulista – Mario Covas, Franco Montoro, FHC .

A canditadura de Covas à presidência foi sua primeira aparição pública nacional. Escondido atrás do perfil de candidatos como Collor, Lula, Brizola, Uysses Guimaraes, Covas tentou encontrar seu nicho com um lema que já apontava para o que terminariam sendo os tucanos – Por um choque de capitalismo.

O segundo capítulo da sua definição ideológica veio no namoro com o governo Collor, que se concretizou na entrada de alguns tucanos no governo - Celso Lafer, Sergio Rouanet. Se revelava a atração que a “modernização neoliberal” tinha sobre os tucanos. O veto de Mario Covas impediu que os tucanos fizessem o segundo movimento, de ingresso formal no governo Collor - o que os teria feito naufragar com o impeachment e talvez tivesse fechado seu posterior caminho para a presidência.

Mas o modelo que definitivamente eles seguiram veio da Europa, da conversão ideológica e política dos socialistas franceses no governo de Mitterrand e no governo de Felipe Gonzalez na Espanha. A social democracia, como corrente, optava por uma adesão à corrente neoliberal, lançada pela direita tradicional, à que ela aderia, inicialmente na Europa, até chegar à América Latina.

No continente se deu um fenômeno similar: introduzido por Pinochet sob ditadura militar, o modelo foi recebendo adesões de correntes originariamente nacionalistas - o MNR da Bolívia, o PRI do México, o peronismo da Argentina – e de correntes social democratas – Partido Socialista do Chile, Ação Democrática da Venezuela, Apra do Peru, PSDB do Brasil.

Como outros governantes das correntes aderidas ao neoliberalismo – como Menem, Carlos Andres Peres, Ricardo Lagos, Salinas de Gortari -, no Brasil os tucanos puderam chegar à presidência, quando a América Latina se transformava na região do mundo com mais governos neoliberais e em suas modalidades mais radicais.

O programa do FHC era apenas uma pobre adaptação do mesmo programa que o FMI mandou para todos os países da periferia, em particular para a América Latina. Ao adotá-lo, o FHC reciclava definitivamente seu partido para ocupar o lugar de centro do bloco de direita no Brasil, quando os partidos de origem na ditadura – PFL, PP – tinham se esgotado. (Quando o Collor foi derrubado, Roberto Marinho disse que a direita já não elegeria mais um candidato seu, dando a entender que teriam que buscar alguém fora de suas filas, o que se deu com FHC.)

O governo teve o sucesso espetacular que os governos neoliberais tiveram em toda a América Latina no seu primeiro mandato: privatizações, corte de recursos públicos, abertura acelerada do mercado interno, flexibilização laboral, desregulamentações. Contava com 3/5 do Congresso e com o apoio em coro da mídia. Como outros governos também, mudou a Constituição para ter um segundo mandato.

Da mesma forma que outros, conseguiu ser reeleger, já com dificuldades, porque seu governo havia projetado a economia numa profunda e prolongada recessão. Negociou de novo com o FMI, foi se desgastando cada vez mais conforme a estabilidade monetária não levou à retomada do crescimento econômico, nem à melhoria da situação da massa da população e acabou enxotado, com apoio mínimo e com seu candidato derrotado.

Aí os tucanos já tinham vivido e desperdiçado seu momento de glória. Estavam condenados a derrotas e à decadência. Se apegaram a São Paulo, seu núcleo original, desde onde fizeram oposição, muito menos como partido – debilitado e sem filiados – e mais como apêndice pautado e conduzido pela mídia privada.

Derrotado três vezes sucessivas para a presidência e perdendo cada vez mais espaços nos estados, o PSDB chega a esta eleição aferrado à prefeitura de São Paulo, onde as brigas internas levaram à eleição de um aliado, que teve péssimo desempenho.

Os tucanos chegam a esta eleição jogando sua sobrevivência em São Paulo, com riscos graves de, perdendo, rumarem para a desaparição politica. Ninguém acredita em Aécio como candidato com possibilidade reais de vencer a eleição para a presidência, menos ainda o Alckmin. Vai terminando a geração que deu à luz aos tucanos como partido e protagonizaram seu auge – o governo FHC – que, pela forma que assumiu, teve sucesso efêmero e condenou – pelo seu fracasso e a imagem desgastada do FHC e do seu governo – à desaparição politica.
Postado por Emir Sader

domingo, 21 de outubro de 2012


DEBATE ABERTO

O referendum islandês e os silêncios da mídia

Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais.




Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais. A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 qm2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.

Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades - pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.

A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo. Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado ontem.

Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.

Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.

Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

A QUEM INTERESSA CRIMINALIZAR A POLÍTICA


A elite vai fazer política na Globo e na Justiça. Até achar outra barriga de aluguel…


O número de votos brancos, nulos e de abstenções foi anormal no primeiro turno.

Em São Paulo, se aproximou de 30%.

A experiência dos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório e a abstenção em eleições presidenciais chega a 50%, mostra que quem menos vota é quem mais precisa da rede de proteção do Estado.

É quem desiste, quem não sabe como usar o Estado para se proteger.

E, a esses, a elite – lá e aqui – oferece o menosprezo e a insensibildade.

Virem-se !

A criminalização da Política, a  desmoralização do jogo político – no Supremo e na Globo – e a satanização dos políticos não beneficiam quem precisa da rede de proteção do Estado.

A criminalização da Política enfraquece o Estado – porque enfraquece o governante.

Desarma o governante.

E quem substitui o governante e ocupa o Estado ?

Os “intelectuais organicos” da classe dominante -  diria um político encarcerado na Italia do século passado.

Quem são eles ?

Os “especialistas” da Globo.

Os economistas dos bancos.

O membros do Judiciário.

Clique aqui para ler “por que os juízes que o Lula e a Dilma nomearam votam contra o Lula e a Dilma e os que o FHC nomeou votam contra a Dilma e o Lula ?”

A criminalização sistemática da Política – antes, durante e depois do julgamento do mensalão (o do PT), no e fora do  Supremo – só interessa à elite.

Quanto menos o poder for exercido por quem tem voto, melhor.

Voto é arma do fraco.

O forte prefere os especialistas da Globo, os economistas dos bancos e o Judiciário: quanto mais ” nas instâncias superiores”, melhor.

Por isso, a defesa do voto facultativo.

Por isso, o combate ao horário eleitoral na TV.

Por isso, a defesa do parlamentarismo, a única convicção que o Cerra jamais abandonou.

Por isso, o Moralismo udenista.

Porque tenta desmoralizar o Governo e a Política – com uma cajadada só.

Embora, como demonstrou o Maurício Dias, seja baixo “o teto da Ética tucana”.

Por isso, última ratio, a defesa do Golpe.

Ou seja, a supressão da vontade popular.

É o “mal necessário” da espantosa declaração do MInistro (Collor de ) Mello.

Como, segundo o PiG(*), só o PT cresce, a elite tentará desmoralizar a política, cada vez mais.

E fazer política na Globo e na Justiça.

Até que alugue uma outra barriga, tal a inutilidade do PSDB.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Haddad diz que será caluniado na reta final da campanha


OLHA A REDE GLOBO AÍ GENTE... TENTANDO INFLUENCIAR NAS ELEIÇÕES ESTILO 1989... fiquem atentos!!




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Haddad diz que será caluniado na reta final da campanha

O Blog foi ao comício de sábado de Fernando Haddad no ginásio da Portuguesa, evento que contou com toda a cúpula do Partido dos Trabalhadores, incluindo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, assistidos por uma impressionante massa humana.
Do “chiqueirinho” da imprensa – um palanque para jornalistas montado em frente ao palco em que estrelas petistas revezavam-se ao microfone –, espantou a quantidade de militantes que para lá acorreram.
A imprensa fala em 3 mil pessoas, o comando da campanha de Haddad fala em 7 mil. É difícil dizer quem tem razão, mas o fato é que a quantidade de militantes que ali compareceu foi impressionante.
Além de Lula e Dilma, falaram Aloizio Mercadante, Marta Suplicy, Michel Temer e Gabriel Chalita, entre outros políticos de expressão. Contudo, foi da fala de Haddad que transpareceu endosso a boato que vem se espalhando desde meados da semana passada.
O grande fato do comício foi produzido pelo próprio Haddad, quem, em sua fala, afirmou que, durante esta semana final da campanha, entrará em campo um terceiro adversário: a “mentira”.
A insinuação do candidato atende a expectativa sempre presente sobre denúncia de última hora contra petistas em campanhas eleitorais, o que já se tornou corriqueiro devido à inevitável ocorrência em todas as eleições mais visíveis que envolvam o PT.
Estranhamente, porém, a edição de Veja desta semana não trouxe a esperada “bala de prata” que a revista costuma disparar contra petistas às vésperas de eleições. Desde 2006, a cada eleição majoritária que envolve um petista e José Serra as denúncias da publicação sempre comparecem.
Essa  denúncia de última hora da campanha de Serra ou – mais provável – da mídia aliada ao PSDB, porém, já demorou mais do que o normal. Se não vier até terça ou quarta-feira, seja qual for o teor dificilmente elidirá diferença tão grande entre o petista e o tucano.
Durante a campanha, houve só uma denúncia (fraca) contra Haddad por parte da Folha de São Paulo, mas não prosperou. Esse histórico sugere que os adversários do petista não conseguiram encontrar nada que valesse a pena usar.
Chega a ser temerário dizer que pode não aparecer denúncia, mas o tempo para aparecer e ter chance de funcionar já está praticamente esgotado.
O Blog conversou com políticos como o coordenador da campanha petista, vereador Antonio Donato, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e com o vereador e ex-presidente do PT paulistano José Américo.
Todos esses expoentes do PT pareceram extremamente confiantes na vitória de Haddad, apesar de todos parecerem igualmente confiantes no surgimento da tal denúncia tucano-midiática.
Encontrei Lula, também. Estava muito suado, bem mais do que outros que estiveram consigo no palanque. Ganhei um dos abraços com que costuma brindar a todos. Após o cumprimento, disse que não iria dar entrevistas porque não se sentia bem.

MARCHA DAS INDIGNADAS E CANSADAS DA ZONAL SUL CARIOCA

 Altamir Tojal é membro do Diretório Estadual do PSDB do Rio de Janeiro (https://plus.google.com/116701628320258773833/about ); um dos clientes de sua empresa SPS Comunicação é a Rio Bravo Investimentos, do ex-presidente do Bacen, na gestão FHC, Gustavo Franco... e isso é só o começo. Querem fazer parecer um movimento cidadão, apartidário, mas estão explorando a boa fé das pessoas que, desinformadas sobre o julgamento do STF e a política envolvida, apostam no Joaquim Barbosa como "novo herói nacional"...


















O Jornal Nacional desta noite NÃO deu Nenhuma noticia sobre as Eleições 2012.

Em 70% do tempo, abordou temas internacionais e Abandonou um importantíssimo tema - as eleições municipais.

Estranho não ???




JOSEPH PULITZER ( 1847 - 1911 ) E MILLÔR FERNANDES ( 1925 - 2012 )

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".

Millôr Fernandes em 2006:

"“A imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o País. Acho que uma das grandes culpadas das condições do País, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu pusilânime”.


SONINHA , O PALAVRÃO E A DERIVA DA CIVILIZAÇÃO


*Cem mil ingleses protestam nas ruas de Londres contra o arrocho neoliberal 


Soninha Francine espetou um palavrão em seu blog ao final do debate desta semana entre Fernando Haddad e Serra. O disparo dirigido ao petista, a quem se referiu como 'filho da puta',  foi um grito de fracasso de quem sentiu a corda comprimir o costado, num duelo que o tucano tinha a obrigação de vencer. Soninha é responsável por aquilo  em que se transformou. Mas o que deixou de ser envolve questões mais sérias do que a irrelevância do seu palavrão.  Soninhas,  Gabeiras e equivalentes  emergem no cenário político de forma recorrente. Chegam associados (nem sempre de verdade) ao ideário geracional resumido no tripé "jovem, idealista & libertário", um renovado esforço de buscar harmonia entre valores, modo de vida e ação política. Existe um prazo de validade para isso se reverter em uma travessia consequente, de longo curso. O prazo de Soninha esgotou. Carta Maior recomenda a leitura do manifesto 'Em Defesa da Civilização' (nesta pág). Repousa ali a prova de que o leque de escolhas da juventude pode ser maior do que o labirinto abafado no qual  Soninha encerrou a sua. (LEIA MAIS AQUI)