Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bernardo está com medo da Globo. E mistura “liberdades”



Bernardo: a Dilma teve "liberdade de expressão" na Globo ?


O Ministro das Comunicações Paulo Bernardo prometia.

Era o primeiro Ministro das Comunicações desde o fim do regime militar que não tratava a Globo com mel.

Não fazia reverência ao Senador Evandro Guimarães, todo-poderoso homem da Globo em Brasília.

Ia tudo muito bem – ele peitou as teles e disse que ia fazer banda larga a R$ 30.

Até que ele se viu diante da Globo.

E, aí, ele piscou.

O repórter Samuel Possebon, da respeitada Teletime, revelou que Bernardo não considera um marco regulatório, ou Ley de Medios, ou “como enquadrar a Globo” – prioritário.

Bernardo, aí, disse no twitter que esse pessoal está muito “ansioso”.

Devem ser o Possebon e este ansioso e ordinário blogueiro, que reproduziu a excelente matéria do Possebon.

Agora vem a comprovação: Bernardo também tem medo da Globo.

Vamos à prova indiscutível.

Hoje, na Folha (*), pág. A4, aparece uma entrevista do Ministro Bernardo à reporter Elvira Lobato:“Ministro defende proibição de que políticos tenham TV”.

(Trata-se de uma defesa inócua, porque ele mesmo diz que é mais facil decretar um impeachment de Presidente do que aprovar isso no Congresso.)

Vamos ao que interessa.

Lobato pergunta o que ele vai fazer com o projeto do Franklin Martins (nascido aos 45′ do segundo tempo do Governo Lula) sobre a regulação.

Bernardo responde:

“O projeto tem que ser colocado em debate público”.

Tradução: vou depositar o projeto do Franklin na mesma lata de lixo em que repousam os quatro projetos de Ley de Medios do Governo Fernando Henrique.

Se há um assunto que não precisa mais ser discutido é a Ley de Medios.

Até porque o Governo anterior – a que Bernardo serviu com lealdade – convocou um fórum internacional para discutir a matéria e, aí, se tornou claro que “regulação” não é “controle”.

E quando houver a próxima eleição e a Globo derrubar a Dilma ?

Aí, então, o Ministro Bernardo vai se lembrar que o Brasil discute o papel da Globo há décadas ?

Será que ele nunca ouviu falar em “o povo não é bobo …” ?

Será que lá dentro, no Palácio, no dia da posse, ele chegou a ouvir essa singela homenagem do povo à Globo ?

Lobato pergunta: o Governo quer controlar a imprensa (como se “regulação” significasse “controle”) ?

É a pergunta típica do PiG (**): misturar uma coisa com a outra para afugentar ministros trabalhistas.

Resposta do ministro trabalhista: “… precisamos de um marco regulário” (Mas, todavia, contudo, entretanto – PHA) … há questões econômicas a definir : se teles vão fazer TV a cabo em larga escala, se a convergência das midias se dará livremente ou se vai ter regra para o jogo. Acho que tem que haver uma regra. A liberdade de expressão é vital na democracia e ninguém no Governo não vai mexer nisso.”

Tradução: trata-se de um desastre revestido numa tragédia.

Primeiro.

Se o Brasil for esperar para saber se a tv a cabo das teles vai ser “em grande escala” (sic).

Se o Brasil tiver que esperar pela regulação da convergência das mídias …

Se o Brasil tiver que esperar pela utilização do Windows nos tablets, como pretende Steve Ballmer (Estadão, pág. B12)

Se o Brasil for esperar o Padim Pade Cerra romper com o Fernando Henrique.

O Ronaldo Fenômeno emagrecer.

Se o Brasil for esperar …

Se esperar, a Globo, como faz desde o Governo João Goulart, vai operar num “marco regulatório” em que ela faz o que quer.

(Especialmente dos parlamentares trabalhistas, que morrem de medo dela.)

Outra tradução: o Ministro não quer mexer na “liberdade de expressão”.

O Ministro precisaria dar uma lida no excelente livro do professor Venício Lima, com prefácio de Fabio Comparato,  sobre a diferença capital entre “liberdade de imprensa” e “liberdade de expressão”.

“Liberdade de imprensa ” nessa democracia do Ministro Bernardo é a liberdade dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio.

“Liberdade de expressão” foi o que faltou à Dilma, no jornal nacional, para responder à campanha do aborto que a Blá-blá Marina e o Cerra lançaram contra ela.

“Liberdade de expressão” não têm os trabalhadores, os nordestinos, os homossexuais, os cadeirantes, os benficiários do Bolsa Familia, quando os “colonistas (***) do PiG e da Globo os desmerecem.

“Liberdade de imprensa” o Cerra tem.

“Liberdade de expressão” foi o que faltou à Dilma.

“Liberdade de expressão” foi o que o Lula nunca teve no jornal nacional.

“Liberdade de expressão” foi o que o Lula não teve quando o Ali Kamel levou a eleição para o segundo turno em 2006 – clique aqui para ler “O Primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.

Onde o Lula poderia se defender ?

Como a Dilma se defendeu das acusações do Cerra, da mulher do Cerra e da Blá-blá Marina sobre o aborto ?

No horário eleitoral gratuito, e olhe lá.

Essa mistura de “liberdade de imprensa” com “liberdade de espressão ” é exatamente a ideologia do PiG.

E o Ministro Bernardo comprou o bonde do PìG.

Por fim, o Ministro defende – por omissão – a posição do PiG e da Globo num outro capítulo central.

Pergunta a Lobato: o senhor acha justo que o Terra, que é da Telefonica de Espanha, tenha um portal da internet (a pergunta não foi bem assim. Foi oblíqua.) ?

Resposta do Ministro, recostado no muro de couro macio que o PiG armou: não sei.

Isso é coisa para o Supremo.

Supremo ?

Então, o “marco regulatório” também vai ficar para o Supremo ?

E o pré-sal, Ministro, o Lula deixou para o Supremo, ou aprovou no Congresso ?

O Ministro Bernardo usa uma antiga forma de despiste.

Reveste de questão “tecnológica” uma questão “política”.

Passa “ciência” com manteiga no pão da “ideologia”.

Amigo navegante, como diria o Galvão Bueno, depois que a Holanda empatou: a coisa já esteve melhor para o Brasil.

Quando Paulo Bernardo foi nomeado e se pensava que ele não tratava o Senador Evandro de “Senador”.

Parece que trata.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

Yoani Sánchez e os segredos dos EUA


Michael Parmly e Yoani trabalham contra Cuba
Nyon é uma pequena cidade na Suíça, localizada ao Norte de Genebra. Tem uma história bastante antiga – dizem que foi fundada pelos romanos –, mas sua notoriedade contemporânea está associada ao fato de ser a sede da União das Federações Européias de Futebol, a célebre UEFA. Falando em termos de futebol, a cidade com apenas 17 mil habitantes foi o cenário de um gol contra a diplomacia norte-americana.
Foi residir em Nyon um dos autores que ficaram conhecidos pelas revelações do WikiLeaks, o senhor Michael Parmly, ex-chefe da Oficina de Interesses dos Estados Unidos (Sina) em Cuba. Em uma resenha biográfica, publicada pelo governo estadunidense, os vínculos do senhor Parmly com o futebol são desconhecidos. No entanto, outros dados interessantes sobre ele aparecem em momentos chaves e em lugares em que ocorreram importantes acontecimentos para os EUA.
Por exemplo, de fevereiro a maio de 2003, o senhor Parmly serviu como representante do Departamento de Estado em Kandahar, Afeganistão, e de 1987 a 1989 foi conselheiro Político na Romênia. Obviamente que em ambos os países estavam acontecendo, durante a presença de Parmly, o que os EUA denominam como “mudança de regime”, exatamente o que proclamou o vizinho do Norte na época em que o atual inquilino de Nyon residiu em Havana.
Agora, o diplomata aposentado é descrito como professor de estudos de Segurança Nacional no National War College, especializado em situações “posteriores a conflitos”, o que pode explicar sua obsessão pelo futuro de Cuba. Em entrevista ao Miami Herald, recém-chegado à Ilha em 25 de dezembro de 2005, ele afirmou: “Meu interesse é o futuro.”
Não sabemos se é por vaidade, por prepotência ou porque, como ele mesmo disse, acredita no puntillismo(1), o senhor Michael Parmly, em Nyon, marcou um gol contra para o castigado Departamento de Estado dos EUA. O fato é que em uma entrevista ao diário suíço Le Temps, “mister” Parmly disse que “ficaria muito incomodado se fossem publicadas as numerosas conversas que tive com a blogueira Yoani Sánchez”.
Em outra oportunidade iremos verificar a biografia do ex-diplomata para esclarecer a conclusão de sua missão em Cuba, em julho de 2008, quando apenas iniciava a esmagadora coleção de prêmios da senhora Sánchez – o máximo representante dos EUA em Cuba teve tempo para “numerosas conversas” com a blogueira. Ademais, se trata de encontros secretos porque nem ele, nem sua interlocutora – que supostamente é defensora da informação transparente e o jornalismo independente, razão pela qual ganhou 15 prêmios internacionais – admitem que se conheçam.
Transcorridos vários dias desta revelação, Yoani Sánchez guarda silêncio e, como ocorreu também com seu encontro com a subsecretária de Estado para América Latina, Bisa Williams – conteúdo de um documento publicado por WikiLeaks – tampouco nenhum dos meios de comunicação, que muitas vezes atua como amplificadores das vírgulas e pontos escritos pela célebre blogueira, recolheu esta informação. Pergunto-me se será por que, como aconteceu com o ex-chefe da Sina, eles também tiveram “numerosas conversações” com a chamada personalidade que os superam em prêmios, dinheiro e até em acesso aos funcionários norte-americanos, incluindo o presidente Obama?
Provavelmente, depois de ler isto – e levando em conta o currículo de Parmly – haverá quem recorde que a Suíça está no coração da Europa, de sua política de neutralidade, de suas instituições financeiras, de sua condição de sede de um grupo de organismo das Nações Unidas e que ela inspirou o cinema e a literatura como cenário para as histórias de espionagem. Coincidentemente, a Suíça é o país que Yoani Sánchez residiu ao emigrar de Cuba por razões econômicas, segundo sua própria declaração em seu perfil no blog.
Mas prefiro associar este caso a inacabada obra Guillermo Tell, escrita por Friedrich Schiller, em que a pontaria de um patriota suíço salva a vida de seu filho ao atravessar com uma flecha a maçã colocada sobre sua cabeça. Porque, o fato de morar na Suíça não influenciou em nada a pontaria do senhor Parmly, cujo puntillismo o levou a marcar gols contra que atravessam o coração da credibilidade da fantoche que seu “interesse no futuro” ajudou a criar em Havana.
1 Puntillismo: estilo de pintura que aparece pela primeira vez em 1883, encabeçado pelo artista Georges Seurat (1859–1891). A técnica consiste em colocar pontos coloridos em vez de pincelas sobre a tela. Os artistas que seguiram Seurat denominaram a si mesmos como neoim-pressionistas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lily Marinho, o beijo e as demissões

Ontem, escrevi aqui sobre a (lenta) decadência da TV Globo.
Por uma (triste) ironia, no fim do dia foi anunciada a morte da viúva de Roberto Marinho, Lily. Também no fim do dia ficamos sabendo que o Big Brother terá – na próxima edição - um travesti em cena.
Qual a ligação entre os três fatos?
Vou tentar explicar.
Quinze anos atrás, na velha sede paulista da TV Globo, na praça Marechal, deu-se o rebuliço: a direção da emissora no Rio queria a demissão dos responsáveis pela cena “chocante” levada ao ar um dia antes, no “Fantástico”. Qual era a cena “chocante”? O beijo de dois (ou duas) “drag queens”. Um conhecido repórter do programa resolvera mostrar uma festa num evento gay que acontecia em São Paulo: a transmissão era ao vivo e, lá pelas tantas, deu-se a cena (sobre isso, há mais detalhes aqui, no blog “Doladodelá”).
A história que corria pelos corredores da TV na época era a seguinte: Lily Marinho vira a cena no “Fant[ástico” e considerara uma afronta à família brasileira; pediu providências ao Roberto Marinho. E aí vocês imaginam o resto da história. Quem pagou o pato? Hugo Sá Peixoto (cinegrafista que mostrou a cena) e Amaury Trolize (que, além de ótimo cinegrafista e responsável pela coordenação de imagens na Globo, cumprira naquele dia a função de diretor de TV, fazendo no caminhão o corte de imagens). Os dois perderam o emprego. Eram tempos em que drag queens beijando na boca estavam vetadas. Eram tempos em que a voz aristocrática de Lily Marinho ainda se fazia ouvir na poderosa emissora. Eram tempos, também, de uma hipocrisia violenta.
O que dona Lily diria se soubesse (ou se visse) o travesti que Boninho (diretor do Big Brother) resolveu escalar (leiam aqui o texto de Maurício Stycer) pra aumentar a audiência do BBB?  Provavelmente, a opinião dela hoje não contaria muito. Nos corredores do poder da Globo, dona Lily já estava morta. Tanto que – contrariando a linha oficial dos filhos de Roberto Marinho – resolveu abrir a velha mansão do Cosme Velho para receber Dilma durante a recente campanha eleitoral.
Não sei se o Brasil ficou um país melhor porque agora a presença de um travesti já não é considerada uma “afronta” na Globo. Provavelmente, sim. O que sei é que hoje o Hugo e o Trolize não perderiam o emprego se filmassem o beijo.
A decadência pode ter suas vantagens: não é preciso mais prestar contas à hipocrisia.
Mais uma página virada.

O general e a História

Por Mauro Santayana ( O Grande)

O general e a História

Se o general  José Elito Siqueira disse o que lhe foi atribuído, cometeu erro político irreparável e juízo equivocado sobre a História. O erro político foi tocar em assunto delicado e constrangedor, em qualquer governo democrático, e não só no de Dilma Rousseff: o dos desaparecidos durante o regime militar. Se assim pensava, não deveria ter aceitado o cargo.

Temos, sim, por que nos envergonhar do que ocorreu em 1964 e em todos os anos que se seguiram. Todos, militares e civis, sacerdotes e ateus, mulheres e homens, de esquerda e de direita, do governo e da oposição, que vivemos aquele tempo, temos, uns menos, outros mais, culpa pela supressão dos ritos democráticos.

Como diriam os anarquistas, não houve inocentes, e, se os houve, eles também cometeram o pecado do conformismo. Responsáveis foram dirigentes políticos de esquerda, que avaliaram mal a correlação de forças e pretenderam queimar etapas, ainda que o fizessem com os melhores sentimentos humanos, como os da igualdade e da liberdade.

A História costuma ser implacável contra os que violam seu ritmo e suas razões. Responsáveis, e com muito maior dolo, foram os que se aliaram aos estrangeiros, esquecendo os nossos interesses nacionais e os nossos valores, e se uniram aos Estados Unidos no confronto da Guerra Fria, com o argumento de que as fronteiras eram ideológicas e não geográficas.

As nossas razões eram as de não tomar partido algum na disputa entre os brancos nórdicos, e muitos brasileiros, em nome dos ideais de justiça e igualdade, defendiam – mesmo depois do relatório Khruschev contra Stalin – a política externa russa. Devíamos ter tido posição mais ativa no Grupo dos Não Alinhados. Isso não nos impediria de continuar fazendo negócios com Moscou e com Washington, como, aliás, americanos e soviéticos sempre fizeram entre eles.

Temos, sim, que nos envergonhar. Também foram responsáveis os que aplaudiam, nos estádios, o general presidente, enquanto nas masmorras, jovens e velhos, mulheres e homens, intelectuais, como Mário Alves, jornalistas, como Vladmir Herzog, e operários, como Manuel Filho, eram torturados e trucidados. Lembro-me do que me disse dom Paulo Arns, sobre aquele tempo. Contou-me que, ao visitar, em São Paulo, as presas políticas, depois de ouvi-las, queixou-se ao diretor do presídio. Ele se desculpou, dizendo que elas exageravam, e que devia descontar uns 50% em suas queixas. Dom Paulo lhe disse, então, que se apenas 5% do que se queixavam fossem verdade, todos os culpados pelo que elas sofriam, incluídos ele e o interlocutor, deviam ser condenados ao inferno. Responsáveis foram os veículos de comunicação que não só aplaudiram a repressão como com ela colaboraram e apoiaram o sistema autoritário, durante o período mais sangrento daquelas duas décadas.

Anistia, voltamos a lembrar, é esquecimento. Mas não podemos negar aos que perderam os seus filhos, pais e irmãos, naqueles anos pesados, o direito de saber onde foram sepultados, e as circunstâncias de sua morte. É da cultura de todos os povos o respeito e a veneração aos mortos. Assim é de seu direito resgatar seus restos e lhes dar sepultura, a fim de a eles levar as lágrimas da saudade.

Temos, sim, que nos envergonhar, e muito, todos os que vivemos aquele tempo. Não fizemos o bastante para evitar que homens como Manuel Fiel Filho e Vladmir Herzog fossem mortos, da forma como foram, sem nem mesmo o direito à honra do combate.

É hora de venerar os heróis que combateram de peito aberto os inimigos em Guararapes, como lutou e morreu Marcílio Dias, na Batalha do Riachuelo, e como pelejaram os heróis da FEB na Itália, mas, acima de todos, Caxias, o grande pacificador nos desencontros internos, que, uma vez vitorioso, recomendava a imediata anistia política aos revoltosos.

Os pobres

Da RedeCastorPhoto

Para Luiz Inácio Lula da Silva

Estamos em todos os becos, vielas, cortiços, palafitas
Como estamos em torres, naves, subterrâneos, trilhas
Ou em bancos, tribunais, igrejas, palácios, aeroportos
Como estávamos desde muito antes de antigamente em pirâmides
E ainda um dia certamente estaremos nas salinas radioativas de Marte
Somos sempre a maioria absoluta
No teatro de operações ocupamos imenso espaço referencial, somos
OS POBRES !

Somos a chamada grande massa populacional
Negros, quase brancos, mestiços, mamelucos, brasilíndios, afrogente
E sonhamos, construímos, somamos, geramos
Em campos, cidades, favelas, exércitos, núcleos sociais
Somos a humanagente
Somos OS POBRES !

Já não somos tão gado marcado
Ultrapassamos as barreiras do redil inumano
Fugimos do curral das vis aparências hostis
No Brasil, agora, pobres viajam, têm carro, celular, casa; passeiam de avião...
Assustam os insensíveis que têm desconhecimento histórico de riquezas injustas
Somos a maioria absoluta da população
Brasileirinhos e brasileiríssimos
Estivemos por centena de anos no bico do corvo como o joio social
Mas sobrevivemos
Nós somos OS POBRES !

Podemos fazer faculdades, erguer nossa casa, usufruir tecnologias
Não precisamos mais vender as nossas férias para não passar fome
Não precisamos mais verter o nosso sangue para ter o que comer
Nem mendigar um prato de comida, um pedaço de pão
Nossos filhos, nossos amores; perante a historia que é remorso
Sabem que tudo foi revisitado – com um operário padrão
Que se construiu presidente e elegeu como Seres Humanos, cidadãos
OS POBRES!

Estamos na escala da inclusão social
Milhões saíram da amargura da miséria absoluta
Temos três refeições por dia
Finalmente alguém pensou em nós - os excluídos, os descamisados, os Sem Teto, Sem Terra, Sem Amor pátrio
Temos muito amor para dar
E não vamos dar a nossa cota de dor aos que nos vitimaram, nos marcaram: eles não suportariam...
Nem daremos nossa taxa de trevas no historial de nosso sangue lavrado
Somos o Brasil também agora
A cara, a cor, a coragem, a música, o futebol, o significante e o significado:
SOMOS O POVO !

Um homem público que veio do povo para o povo
Finalmente, depois de mais de 500 anos
Nos proveu, nos pensou, reparou em nós e nos estendeu a mão pública
Abriu as portas do palácio para o povo
Para os órfãos das ruas de amargura
Que país era esse, que era só rico para os ricos
E não era rico também para o restante carente da população sempre expropriada?
Agora é um país de todos para todos
O POVO
Do qual todo poder emana e em seu nome deve ser exercido.

Sobrevivemos. As mãos lanhadas. Os olhos tristes. A fome, a fome!
Sobrevivemos, Pátria Mãe
Comemos o pão que o diabo amassou.
Índios mortos: milhões
Negros escravos e mortos: milhões
Operários como ovelhas tosquiadas pela máquina insana do lucro a qualquer preço, a qualquer custo
Sobrevivemos para contar a história e somos também agora sujeitos da história
A nossa presença foi reconhecida
Somos os POBRES
Somos o POVO !

O Brasil já não está mais deitado em berço esplêndido
Nós nos levantamos, coragem irmãos, coragem
Subimos nos ombros de um gigante metalúrgico para enxergar mais longe
Cá estamos, irmãos, cá estamos em lágrimas
E finalmente reconhecidos na identidade sagracial de uma nação emergente
Em terra que emana leite, pão e mel

Ainda há muito o que fazer, conquistar, buscar democracia social
Tardou a justiça que finalmente começou e viça
O metalúrgico operário aleijado pela máquina nos resgatou
Governou para todos
Governou para o povo
Somos pobres mas temos deveres – e direitos.
A esperança venceu o medo, a mentira, a hipocrisia, a opressão social histórica
A pátria amada ouve o brado retumbante
O povo tomou a direção da barca
Os pobres em ascensão social
Somos a maioria e somos reconhecidos, temos alma e coração
Os braços fortes, a braveza como voto de luz
Não somos mais peças de reposição para riquezas injustas, lucros impunes, propriedades roubos
Sofridos mas vitoriosos deixaremos um país melhores para os nossos descendentes
A Nação Brasil agora tem um Povo para chamar de seu
Salve Limpo Pendão da Esperança
Pátria Amada
BRASIL!

Por Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, SP, Brasil
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos, Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor
E-correio: poesilas@terra.com.br
Sítio: Porta-Lapsos
Poema da Série: “Verás Que Um Filho Teu Não Foge à Luta”
Poema social enviado por Fernando Rossas Freire


Leia mais em: O Esquerdopata 
Under Creative Commons License: Attribution

Brasileiros lideram pesquisa de consumo de celulares e TVs HD

Consumidores brasileiros lideraram as compras de telefones celulares, TVs de alta definição, câmeras digitais e netbooks em um estudo da consultoria Accenture.

A empresa ouviu 8 mil consumidores em oito dos principais países emergentes e industrializados em 2010.

A pesquisa anual sobre produtos e serviços eletrônicos, que destaca o surgimento de "um novo paradigma de consumidores de tecnologia", chama atenção para a sede dos países emergentes por produtos eletrônicos, comparados aos mercados mais estáveis dos países ricos.

"Com economias mais estáveis e riqueza crescente entre a classe média desses países, o apetite dos consumidores por tecnologia, especialmente móvel, é insaciável (nesses países)", diz o estudo.


Ranking de países com mais compradores de celulares em 2010
1º - Brasil
2º - Índia
3º - Rússia
4º - China
5º - França
6º - EUA
7º - Japão
8º - Alemanha

Ranking de países com mais compradores de TVs HD em 2010
1º - Brasil
2º - França
3º - China
4º - Japão
5º - Rússia
6º - EUA
7º - Alemanha
8º - Índia

Ranking de países com mais compradores de netbooks em 2010
1º - Brasil
2º - China
3º - Rússia
4º - Índia
5º - Alemanha
6º - EUA
7º - França
8º - Japão

Ranking de países com mais compradores de câmeras digitais em 2010
1º - Brasil
2º - China
Índia
Rússia
5º - Alemanha
França
7º - EUA
Japão

Bessinha flagrou Tony Palocci em ação



Saiu na Folha (*), pág. A7:

“Críticos minaram diplomacia comercial do Brasil com os EUA.”

“Estratégia do Itamaraty foi atacada em contatos com americanos … ”

“Defensores da ALCA acenaram aos EUA com a chance de reativar as negociações em 2005, quando o então Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aproveitou um encontro de Lula com o Secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, para debater a idéia.”

“Segundo os americanos, (Tony – PHA) Palocci ‘se ofereceu (sic) para liderar (sic) um esforço para dar novo impulso às negociações’ e levar (sic) o Itamaraty a ‘uma postura mais proativa (sic)’. Lula ‘desconversou’, indicando que não tinha interesse.”

Navalha
Quer dizer, então, que, depois do Nelson Johnbim, temos agora o ministro Tony Palocci.
Dois que espinafram a política externa brasileira para autoridades americanas.
Papelão, hein ?
Como o Celso Amorim deve ter sofrido, nas mãos do Tony e do Johnbim.
A ALCA, como se sabe, foi uma tentativa americana de unir as Américas, sob a liderança americana.
Era a criação de um Commonwealth do Império Americano.
A tentativa começou com Bush, o pai, tomou outro formato com Clinton, e Bush, o filho, tentou ressuscitá-la.
O principal objetivo sempre foi botar o Brasil – o maior país da América Latina – debaixo do guarda-chuva americano.
Outro grande da America Latina, o México, já estava devidamente abrigado sob o guarda-chuva do Nafta.
E deu no que deu.
O PiG (**) e a elite branca se excitaram com a idéia de aderir à ALCA e oficializar a volta à condição de colônia com que sempre sonharam.
Lula resistiu.
Celso Amorim comeu o pão que o diabo amassou nos editoriais coloniais do Estadão.
O que não se sabia é que Tony trabalhava nos bastidores.



Em tempo: como sempre, a Folha (*) errou na hora de fazer o título. Quando deu a notícia de que o Johnbim foi ao embaixador americano para solapar a política externa do Governo a que servia, o título da Folha (*) era outro. Escondia a infidelidade do ministro serrista. Agora, para proteger Tony Palocci – quindim de Iaiá do PiG (**) – fez o mesmo. Deu a proteção dos últimos parágrafos da matéria.


Paulo Henrique Amorim

DILMA INTERVEM NA FARRA CAMBIAL

(Carta Maior; Quinta-feira, 06/01/2011)

OBAMA SOB FOGO INTENSO

Começa na próxima semana o embate entre a maioria republicana do Congresso e o governo Barack Obama. Os republicanos assumiram o comando da Câmara ontem e chegaram dispostos, nas suas palavras, ' a desfazer tudo o que Obama fez nos últimos anos, a começar pela reforma do sistema de saúde, alvo da ofensiva neoconservadora a partir da próxima 2º feira. Muitos dos 242 congressistas republicanos (os democratas somam 193 cadeiras) inspiram-se nos preceitos do rastejante conservadorismo vocalizado pelo Tea Party. Para esse núcleo duro da direita norte-americana, Obama é comunista e seu governo está suprimindo o espaço de livre arbítrio dos cidadãos da  América. Por exemplo, ao propugnar que todos tem direito a um serviço de assistência de saúde e que o conjunto da sociedade, sobretudo os endinheirados, devem bancar o acesso dos mais pobres a essa prerrogativa. A repulsa anti-social dos neocons gringos lembra o comportamento de uma certa coalizão política  em relação aos programas sociais do governo Lula. Puro ódio de classe
(Carta Maior; Quinta-feira, 06/01/2011)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

WikiLeaks, CIA & Veja

Julian Assange entregou as provas do financiador ideológico-mor da revista Veja. Documentos a serem divulgados hoje, 04/01/2011, explicam a coincidência entre os interesses eleitorais de Álvaro Uribe, o exílio do padre colombiano Francisco Antonio Cadena Collazos, conhecido como Padre Olivério Medina, e a matéria da revista Veja acusando o PT de participação nas FARC.
Segundo matéria assinada pela correspondente da WikiLeaks no Brasil,Natália Viana, em 2005 a Colômbia pediu a extradição e a embaixada americana prontamente se aliou. Daí a razão pela qual a Veja e seus aliados no Congresso, fomentados pela CIA, pa$$aram ao ataque. O incentivo da CIA vem agora comprovado pelo esforço diplomático em benefício da política eleitoral de Uribe, aliado incondicional dos EUA.
No documento fica particularmente evidente o empenho da tríplice aliança, Álvaro Uribe, EUA e VEJA, quando o “ embaixador aconselha que o governo americano ajude a Colômbia amontar um argumento “o mais forte e mais detalhado possível contra Cadena”: “Associar isso com quaisquer novas informações ou inteligência que os serviços do governo colombiano ou americano possam obter sobre a história de Cadena nas ações militares das Farc também seria útil”. E a Veja cumpriu seu papel! Mandou e todos seus colonistas pa$$aram a tratar do tema diuturnamente.
Assim como as campanhas eleitorais são financiadas visando um benefício futuro, as matérias celulares (pré-pagas) da VEJA também escondem, ou revelam, que intere$$es escondem ou revelam…
Uma mão lava a outra
E as duas, a bunda. O assunto envolvendo o PT e as FARC voltou à tona nas eleições do ano passado. Como ficou provado em documento anterior vazado pela Wikileaks, houve dobradinha durante a campanha. Dobradinha servida pelo Índio da Costa que Serra engoliu sem mastigar. Ou, pelas provas de agora, saboreou. Para defender os interesses americanos o vice de José Serra trouxe a baila novamente o tema da ligação do PT com as FARC (e o TSE deu direito de resposta ao PT), e, com isso, a Chevron ganhou de Serra a promessa que, se eleito, mudaria as regras do Pré-sal em benefício das empresas americanas. Saiba mais sobre as relações do candidato José Serra com os interesses dos EUA, lendo: Nos bastidores, o lobby pelo pré-sal.
PSDB, independência dependente
José Serra esteve “exilado” nos EUA, exatamente o país que apoiava a ditadura. Fernando Henrique foi financiado pela Fundação Ford com o único intuito de criar a doutrina segundo a qual o Brasil só seria independente se dependesse dos EUA. Uma independência tutelada…
Como se vê, nos tempos atuais urge uma WikiLeaks que trate da movimentação financeira entre a CIA e a VEJA. Seria a prova do que já sabemos!

Guerrilheira escarlate ultraja o augusto pendão nacional

Ultraje
Aconteceu. Bem diante dos incrédulos olhos de milhões de pessoas mundo afora, durante a dispendiosa cerimônia ( que assistíamos apenas na esperança de presenciar se, naquele momento, surgiria algum snipper patriota que empregasse seus talentos a serviço de uma causa mais do que justa, santa ) de transmissão do butim.
A profana cria dos laboratórios petistas, que atende por seu codinome búlgaro, cometeu uma das mais acintosas ofensas a um símbolo pátrio que os homens bons já tiveram que testemunhar: quando caminhava por uma das plataformas de concreto do Planalto, a despudorada diminuiu a passada, desviou à esquerda na direção de um soldado que empunhava uma bandeira do Brasil e, sem um pingo de vergonha, LIMPOU A BOCA no sagrado manto nacional!!!! A blasfema lustrou seus caninos sem que houvesse qualquer reação da parte das tropas!! Oras, nos bons tempos esse gesto seria respondido na ponta da baioneta! Esse não é um país sério mesmo! Até quando?
Difícil até de descrevê-la, a cena causou engulhos mesmo ao mais resistente estômago, mas não foi suficiente para que vozes indignadas se levantassem contra a ousadia da discípula de Messalina.
Este respeitado sítio noticioso acompanhou a atroz mídia lullista nos dias que se seguiram à cerimônia macabra, dando-lhes tempo suficiente para acusar o golpe e denunciar o crime de lesa-pátria.
Mas nada ocorreu. Alguns destes pseudo-jornalistas chegaram a ter a cara-de-pau de, em um coro préviamente ensaiado, dizer que aquela atitude fora uma mera “quebra de protocolo”. URGGH! Estes escribas certamente figuram na folha de pagamentos do mensalão, o que explica tal passividade e promiscuidade chapa-branca.
De modo que, mais uma vez, resta apenas este veículo de resistência, bravamente guiado pelo audaz Professor Hariovaldo, a denunciar e descortinar a escalada do marxismo ateu petista que ora conspurca nosso solo gentil.
Alvíssaras!

Não dá pra ler

Com todo respeito possível aos que pagam para ler a Falha, mas vocês precisam revisar suas prioridades e valores. Essas "informações" não têm fundamento algum na realidade, são exercícios de futurologia de gente que não conhece e não gosta de Cuba. Os números, as datas, os motivos, tudo é um amontoado de bobagens. A fonte deve ser o mesmo "diplomata" americano que "informou" Washington que Sicko não foi exibido em Cuba por medo de uma revolta popular...

 Esquerdopata


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Mesmo com eleição e Copa jornal nacional desaba



A iluminada gestão do Kamel produz efeitos há muito tempo

Saiu na Folha (*), seção “Ilustrada”, pág. E8:

“ ‘JN’ perde um de cada quatro espectadores.”

“O ‘Jornal Nacional’ (Globo) fechou 2010 com a pior audiência de sua história.”

“Encerrou 2010 com média de 29,8 pontos e 49,3% de share, uma QUEDA DE 24% (ênfase minha) de audiência em relação a 2000: perdendo um de cada quatro espectadores”.

Navalha
Como se sabe, o ano de 2010 teve Copa – exclusividade do “Cala a Boca, Galvão”, que tem o poder de derrubar e escalar o técnico da seleção.
E teve eleição – onde a Globo não exerce mais o monopólio.
Copa e eleição são puxadores de audiência.
Não adiantou nada.
O carisma e a isenção do Casal 45 (especialmente quando entrevistam candidatos trabalhistas) não conseguiram salvar a pátria.
Muito contribuiu para o naufrágio a iluminada gestão do Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da História da Globo.
Kamel levou para o jn um padrão de isenção, objetividade, qualidade e inovação que seria inevitavelmente recompensado.
Sobretudo o aspecto da inovação.
Kamel consegue a proeza de fazer o mesmo jornal nacional que o Armando Nogueira fazia nos anos 60, com uma diferença: Armando não tinha computador.
(Outra diferença: o jn do Armando tinha humor, um sorriso nos lábios, especialmente nas reportagens que antecediam o “boa noite” do Cid Moreira. Hoje, o jn tem o senso de humor do Cerra. Uma questão de contágio.)
Numa empresa privada, a queda de 24% – um em cada quatro clientes – significaria demissão.
Mas, como já disse esse ordinário blogueiro, a Globo não é uma empresa propriamente capitalista: é uma prisão de segurança máxima.
Você tem todo o conforto, televisão no quarto, geladeira, passeio no sol, visita íntima, comida de primeira, todas as regalias: só não pode sair de lá.




Paulo Henrique Amorim 


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.