Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
sexta-feira, 8 de maio de 2015
ÉPOCA QUESTIONA LULA POR CONTRATO DA ERA FHC
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Onde mora o Leopoldo López nativo
Maduro faz gesto de conciliação: convida oposição a um diálogo nacional; liberta 90% dos estudantes presos e demite chefe do serviço de espionagem por descumprir ordens de moderação diante dos protestos
Doações ultrapassam 80% da multa aplicada a Dirceu
PSDB faz gato e sapato da justiça: partido tira Azeredo da cena para abafar o mensalão tucano e blindar Aécio em ano eleitoral; Gilmar e Barbosa vão se manifestar?
A mudança de ciclo na economia mundial enseja o aparecimento desses %u218heróis do ultimato%u219 ao estreitar o espaço de manobra progressista da América Latina.
A oito meses da eleição de outubro, a Presidenta Dilma tem a aprovação de 55% dos brasileiros, diz a pesquisa da CNT divulgada nesta 3ª feira.
O dado ficou três pontos abaixo dos 58% registrados na enquete anterior - festeja a emissão conservadora.
É fato. Mas em 2006, com a mesma contagem regressiva no calendário, o então Presidente Lula tinha uma taxa de aprovação menor: 53% de aprovação. A de Fernando Henrique Cardoso, em fevereiro de 2002, patinava em 40,5% .
O endosso ao desempenho da Presidenta, portanto, sugere que a população sabe diferenciar a diretriz mais geral, das oscilações conjunturais e setoriais que fizeram com que o índice de ótimo e bom do seu governo ficasse em 36,4% (39% na última avaliação), saltando para mais de 74% quando à percepção positiva se agrega o sentimento dos que percebem a gestão como ‘regular’.
O diagnóstico favorável encontra lastro na pesquisa de intenção de votos da CNT: com 43,7% , Dilma teria sua eleição garantida no 1º turno, contra qualquer adversário, caso o pleito fosse hoje.
O pleito é em outubro e os 43,7% ficam sugestivamente numa faixa intermediária entre o seu potencial de crescimento (até os 55% da avaliação pessoal) e os 36,4% do endosso mais assertivo ao conjunto do governo.
Ademais do intervalo de oito meses há uma Copa do mundo no meio do caminho.
Oitenta e cinco por centro dos brasileiros acreditam que ocorrerão manifestações durante o evento --cujos gastos, pouco explicados pela comunicação institucional, tem a reprovação da maioria.
A unanimidade negativa nesse aspecto é pontual, insuficiente para criar uma sentimento de oposição ao governo, o que é corroborado por outra sugestiva maioria: 82% dos brasileiros não pretendem participar das eventuais mobilizações de protesto.
O que aparenta um paradoxo insere-se numa expectativa de continuidade com avanços.
A vasta maioria dos eleitores espera, como é natural, que um próximo governo incorpore mudanças no comando do país. Mas apenas 37% desejam uma guinada radical, o que supostamente validaria um outro projeto sob um novo comando político.
Em resumo, o conservadorismo, qualquer que seja a sua tonalidade, necessita de algo mais para produzir aquilo que seus partidos, togas, o dispositivo midiático, o rentismo e a energia auxiliar de mascarados --que a exemplo do general da ditadura querem que o país exploda-- não foram capazes de providenciar até agora: o descrédito em um projeto negociado de construção da democracia social no Brasil.
Erra, no entanto, quem atribuir a tarefa da reeleição ao piloto automático da inércia publicitária.
Quando a democracia desautoriza suas demandas, o conservadorismo não desiste.
As distâncias e contextos são apreciáveis, mas o que se assiste na Venezuela nesse momento é pedagógico do quão elástico é o apego liberal à democracia quando ela o desfavorece.
O bolivarianismo por certo acumula erros e limitações sabidos.
Sem a liderança carismática de Chávez as inconsistências encontraram um catalizador na inexperiência de um Maduro desprovido de tempo, recursos e tolerância para empreender retificações inadiáveis.
Entre elas, um ajuste cambial em processo (lá como cá, na Argentina e no resto da AL).
Ele adiciona nitroglicerina inflacionária a uma inquietação social extremada pelo golpismo, que tem em Leopoldo López sua expressão caricatural: o ex-prefeito de Chacao, foi um dos operadores de rua do fracassado golpe contra Chávez, em 2002.
Um democrata.
O fato é que a mudança de ciclo na economia mundial enseja o aparecimento desses ‘heróis das ruas’, na medida em que estreitou o espaço de manobra dos governos progressistas da América Latina.
Seja na Venezuela, na Argentina e mesmo no Brasil esse é o elemento novo com que contam as oposições para pavimentar uma volta ao poder até agora desprovida de chão firme no embate com os projetos e resultados em andamento.
O ajuste internacional embalado pela cambaleante recuperação econômica nos países ricos sacode esse equilíbrio em três frentes simultaneamente: o custo de financiamento externo dos países em desenvolvimento tende a crescer com o ensaio de retorno dos capitais aos EUA e Europa; a confortável valorização das moedas locais --mantida assim como recurso de acomodação dos conflitos sociais via importações baratas—tornou-se inviável sob risco de colapsar exportações e esfarelar contas externas já pressionadas pelo menor ingresso de capitais; os preços das commodities cujo fastígio contribuiu para lubrificar a expansão do emprego, projetos sociais, crédito e consumo, refluem sob o duplo torniquete da alta dos juros e da menor demanda chinesa.
Ademais de frear a mobilidade social , as medidas de reacomodação requeridas pressionam a inflação e desafiam a capacidade do setor público de realizar os investimentos cobrados pela expansão da demanda popular.
Não é um processo linear, nem atinge todos os países em desenvolvimento de maneira uniforme.
‘Os vulneráveis’, como gosta de proclamar o ressentimento conservador ao nivelar Brasil e Turquia, por exemplo, são tão idênticos quanto um tuiuiú e um tico-tico.
Mas as transições de ciclo de desenvolvimento nunca foram feitas à frio, nem a salvo de um acirramento político dos conflitos de interesse.
O que o conservadorismo busca no Brasil é antecipar os sacolejos desse processo para com ele animar uma aspiração eleitoral até agora desautorizada, como mostram os números da CNT.
Longe de dispor do combustível à mão disponível na Venezuela ou mesmo na Argentina –juntos os dois países tem reservas cambiais pouco superiores a 15% dos quase US$ 400 bi do Brasil-- o tudo ou nada local aposta no poder ‘premonitório’ dos mercados para se viabilizar.
Os mercados dispõem de distintos mecanismos para precificar imediatamente, no presente, as especulações de dificuldades futuras que eles próprios cogitam, ou são por eles magnificadas.
Agências de risco são outra coleira poderosa dessa engrenagem destinada a adestrar governos e submeter as nações à supremacia de uma lógica que une interesses do rentismo local e internacional.
Uma espécie de cães farejadores dessas massas de capital fictício, elas latem alertando para eventuais perigos mais adiante e com isso promovem as fugas em massa de fundos investidores.
Mesmo erradas no diagnóstico, como agora ao nivelarem o Brasil aos ‘vulneráveis’, acabam produzindo os desdobramentos de seu vaticínio equivocado.
São quase autossuficientes na sua dupla ação.
Não se trata, ademais, de um poder equacionável exclusivamente na esfera econômica e financeira, exceto se atendido integralmente em seus desígnios, em colisão frontal com as urgências nacionais.
Alguns números liberados pela Associação Internacional de Fundos de Investimento (citados entre outros pelo jornal El País) resumem o poder de coação subjacente a essa engrenagem.
No final de 2013, o patrimônio administrado pelos fundos de investimento e os fundos de pensões equivalia a 75,5% do PIB mundial; hoje, essas trincheiras da lógica especulativa detém 31% mais dinheiro do que antes da crise de 2007; tem bala suficiente para comprar todas as empresas do planeta cotadas em bolsa –ou para destruí-las com ordens de vendas maciças.
O mesmo duplo efeito se aplica aos títulos públicos detidos por essas máquinas de reproduzir o capital fictício.
As agências de risco são os cães de guarda dessa usinagem financeira.
Seria um suicídio anunciado desafiar o conjunto sem dispor de um contraponto à previsível fuga de capitais –um fundo emergencial compatível só teria viabilidade no âmbito dos BRICs, com participação ativa das reserva chineses; o que existe hoje é um ensaio disso e reúne apenas US$ 100 bi.
O caminho que resta entre a rendição incondicional cobrada pelo conservadorismo e o voluntarismo irresponsável é a construção de um poder político dotado de força e consentimento social para resistir , ganhar tempo e promover uma transição negociada em direção a um novo ciclo de desenvolvimento.
Trata-se de estender urgências e ajustes no tempo; suavizar os custos da transição e não abdicar dos objetivos maiores em jogo: a construção da democracia social no país.
Enfim, tudo o que não cabe no ultimatismo inflamável dos black blocs de máscara ou de gravata de seda.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Reeleição de Chávez sustentará modelo político sul-americano
A espetacularização da política brasileira está impedindo a sociedade de perceber a evolução de um contexto político no qual está inserida e que deve afetar profundamente a sua vida, podendo vir a ditar-lhe o rumo no futuro próximo. Com mensalão, CPI do Cachoeira e eleições, estamos deixando passar batido um dos fatos políticos mais importantes da atualidade.
Praticamente todas as sondagens do processo eleitoral venezuelano dão conta de que o presidente Hugo Chávez deve ser reeleito com certa facilidade. Sua vantagem é reconhecida até mesmo pelo “oposicionista” Datanálisis, o Datafolha venezuelano, onde tem 16% de dianteira sobre o segundo colocado, o conservador Henrique Capriles.
Detalhe: em institutos tidos como menos parciais em favor da oposição, a vantagem de Chávez sobre o principal adversário se aproxima dos 30%.
O cenário político venezuelano revela uma realidade que se espalha pela América do Sul mais do que por qualquer outra parte do mundo: projetos político-administrativos de centro-esquerda – ou, como preferem alguns, social-democratas – parecem cada vez mais longe do “esgotamento de modelo” que a mídia conservadora das Américas já ensaia decretar.
Ainda que no Brasil o modelo político que impera na América do Sul encontre maior dificuldade para funcionar devido a peculiaridades político-institucionais do país e a uma maior dificuldade em politizar o povo como fizeram os governos Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Rafael Correa, Evo Morales e José Mujica, aqui também vige o modelo de inclusão social desenvolvimentista análogo ao modelo “revolucionário” venezuelano.
Chávez prega a própria reeleição com o objetivo alegado de tornar o seu modelo político-econômico-institucional “irreversível”. O que seja, obrigar a todos os atores políticos do país a adotarem o caminho da inclusão social em projetos regionais, inclusive nos governos de províncias controlados pela oposição ao governo central.
O modelo chavista é o que deu origem a outros projetos sul-americanos que vão se mostrando cada vez mais sólidos. E o que fez esse modelo se espalhar foram seus impressionantes resultados sociais obtidos ao longo da mais de uma década de duração da revolução bolivariana.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Gini – que medem, respectivamente, a qualidade de vida e a concentração de renda de um país em relação aos outros – da Venezuela lideram o ranking de melhora nas três Américas e inspiraram processos análogos na Argentina, na Bolívia, no Equador, no Uruguai e no próprio Brasil.
A única diferença em nosso país é que, por aqui, ainda não se está obtendo avanços institucionais como a implantação de legislação concreta para regular a comunicação, legislação que, nos países vizinhos, é inspirada nas legislações dos países mais desenvolvidos, tais como Estados Unidos, França, Inglaterra e outros.
O quadro político-eleitoral venezuelano, enfim, contrasta com o opinionismo político das mídias brasileira e internacional, que decretara não só o “esgotamento” do modelo venezuelano, mas a morte de Chávez antes das eleições por conta de problemas de saúde que disse “terminais”, mas que o vigor com que ele conduz a própria campanha desmente.
O modelo político e institucional original de Chávez se espalhou por todos os países supracitados da América do Sul, menos no Brasil. Isso significa que impérios midiáticos que durante o século XX pintaram e bordaram na região, em seus países mais importantes estão com os dias contados.
Ao menos na Argentina, na Bolívia, no Equador e na Venezuela, os impérios de comunicação vão perder o poder de falarem sozinhos àquelas sociedades e não permanecerão do tamanho paquidérmico a que chegaram, pois as leis de redistribuição de propriedade de meios de comunicação inspirada nas leis de países desenvolvidos farão a comunicação, nesses países, chegar ao século XXI.
O modelo de republiqueta midiática conservadora ainda deve permanecer por um bom tempo no Brasil por falta de condições políticas internas furtadas pelo poderio muito maior que as elites adquiriram por aqui, com a institucionalização da comunicação como poder direcionador de políticas públicas e da opinião da sociedade, o que impede, inclusive, dissonâncias.
Todavia, o caráter promissor do modelo oriundo da Revolução Bolivariana da Venezuela que, em maior ou menor grau, espalhou-se pelo continente, reside em uma relação de troca entre esse modelo e as massas empobrecidas da região. Tanto no Brasil quanto em seus vizinhos progressistas estabeleceu-se a troca de bem-estar social por votos.
Em países com tanta desigualdade social e pobreza como nos países latino-americanos, a possibilidade de manter o poder pela via democrática é imensa. Eis, porém, que se levanta o velho fantasma do golpismo que marcou a região no século XX, ou seja, na ruptura institucional aplicada pelas elites sem votos com uso de forças armadas submissas.
Em países com avançada politização social como na Venezuela, o recurso às forças armadas praticamente desapareceu sobretudo porque estas, na base, são compostas pelo povo, por soldados que viveram na pobreza e que, também na era Chávez, viram suas vidas melhorarem como a dos compatriotas civis.
O fenômeno venezuelano de conversão das Forças Armadas aos cânones democráticos e legalistas se repete da Argentina até o Equador, com exceção do Brasil, onde a consciência social (muito) menor ainda faz com que não se possa contar com o espírito legalista e democrático das tropas, que ainda, em tese, poderiam se prestar ao golpismo.
Todavia, mesmo no Brasil há dúvidas da viabilidade de um golpe militar. Não são poucos os relatos que este blog já recebeu de militares que não querem aparecer nem anonimamente, mas que garantem que delírios golpistas de chefes militares de pijama não seriam seguidos pela base das Forças Armadas.
Em um momento em que a mídia brasileira pinta e borda, manipulando desde o Judiciário até o Legislativo, passando pelo Executivo (em alguma medida), vale refletir sobre a situação política sul-americana. O Brasil pode ser grande o suficiente para contrariar o resto da América do Sul, mas a sua centro-esquerda tem instrumentos para evitar. Se quiser.
domingo, 8 de julho de 2012
A doce ‘ditadura’ de Hugo Chávez
PiG (*), desista ! Campos é Dilma em 2014
domingo, 4 de março de 2012
DATAFOLHA EXPLORA O RECALL DE SERRA: MAS VAIAS SINALIZAM TORNIQUETE DE REJEIÇÃO E DESCRÉDITO
O primeiro dia de campanha de rua do pré-candidato José Serra, neste sábado, foi planejado para passar uma imagem de popularidade e renovação. Nada melhor que uma visita ao Centro Cultural da Juventude "Ruth Cardoso", na empobrecida zona norte da capital, para colher cenas de integração entre o tucano e a juventude da periferia. O dia era ideal: um show do rapper Criolo reunia centenas de moços e moças em fila que serpenteava as instalações do centro em busca de ingressos. O tiro do oportunismo saiu pela culatra do desgaste. Tão logo a figura do arestoso ex-governador despontou no local, cercado de comitiva e câmaras para colher cenas destinadas à propaganda eleitoral, irrompeu a espontânea, esférica, densa e incontrolável catarata de vaias e apulpos. Serra recolheu-se no interior do recinto em 'visita às instalações'. Inútil: à saída, nova muralha de vaias e xingamentos ofuscaria a comemoração dos 30% de intenções de votos alardeados em seguida pelo Datafolha. O episódio simbólico da presença oportunista na periferia da capital deu substancia a um teto de 35% de rejeição e demolidores 66% de descrédito que cercam o nome de José Serra, onde quer que ele vá. Inclusive dentro do seu próprio partido, como mostra a análise da editora de Política de Carta Maior, Maria Inês Nassif, em sua coluna nesta pág (Leia também a análise de Emir Sader e a coluna de Mauro Santayana sobre o cenário político eleitoral; e o Blog das Frases, sobre a herança ruinosa do comodato Serra/Kassab numa São Paulo que passou a contar com um novo tipo de chuva: pedaços de concreto despencam de viadutos e pontes com alarmante regularidade, por falta de manutenção).
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Imprensa sul-americana sugere que Lula e Chávez são suicidas
Matérias veiculadas pelos jornais Folha de São Paulo e El Universal na internet acusaram os dois políticos de estarem adotando comportamentos virtualmente suicidas para obterem lucro político.
No caso de Lula, a matéria sugere que estaria prejudicando a própria saúde ao “impor ritmo político ao seu tratamento contra o câncer”, o que seria uma conduta suicida. Impor ritmo significa submeter a freqüência das sessões de quimioterapia ou de radioterapia à agenda política, o que obviamente é um absurdo.
Já no caso de Chávez, a imprensa vai ainda mais longe. Matéria publicada no fim de semana pelo jornalista venezuelano Nelson Bocaranda afirma que devido ao presidente não ter interrompido suas atividades políticas sua doença se agravou e ele já teria até deixado o país para se tratar em Cuba durante os meses de vida que lhe restam.
Os ataques das imprensas brasileira e venezuelana, porém, diferem na motivação. A primeira está fazendo picuinha por sentir-se esbofeteada pela homenagem que a escola de samba Gaviões da Fiel fez ao ex-presidente; a segunda, tenta convencer o povo a não votar em um candidato moribundo na eleição presidencial deste ano.
O ódio realmente turva a visão e obriga os que por ele são movidos a cometerem erros brutalmente estúpidos. Ou será que o povo não é capaz de refletir que alguém que sacrifica a própria saúde por uma causa é, antes de tudo, um idealista?
Resta a similitude de métodos. O uso pela imprensa sul-americana da doença que acomete Lula e Chávez comprova a existência de uma articulação conservadora transnacional que deveria conduzir à reflexão sobre a localização de seu epicentro caso todos não estivessem carecas de saber onde fica.
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Leia, abaixo, o que disse o presidente da Assembléia Nacional Venezuelana, Diosdado Cabello, sobre matéria que saiu na imprensa do país no fim de semana dizendo que a saúde de Chávez se agravou e que ele estaria em Cuba entre a vida e a morte.
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
WikiLeaks: ex-senador do DEM quis armar o país contra a Venezuela
Em correspondência assinada pelo ex-embaixador americano Clifford Sobel, o diplomata relata o diálogo com Heráclito, que na época presidia a Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado. O senador nega a conversa. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
De acordo com o documento, o senador pediu uma reunião "urgente" com Sobel. Na conversa, Heráclito teria se declarado "verdadeiramente preocupado" com a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Ele teria sugerido um plano para armar Brasil e Argentina contra a suposta ameaça bolivariana, "antes que fosse tarde".
Segundo a correspondência, o senador sugeriu ainda acionar empresas privadas para mascarar a ação americana. Em outro telegrama, de 2008, Sobel afirma que Heráclito relatou a suposta presença de terroristas em uma organização não governamental (ONG) controlada por petistas no Piauí e disse temer a instalação de uma guerrilha esquerdista em Rondônia.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Puente Llaguno, o documentário que poucos viram no Brasil
quarta-feira, 28 de julho de 2010
O financiamento de Washington a jornalistas
Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas siglas em inglês) evidenciam mais de US$ 4 milhões em financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos anos.
O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).
Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).
Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e jornalistas venezuelanos.
Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou programas na Venezuela dedicados à “promoção da liberdade dos meios e das instituições democráticas”, além de cursos de formação para jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao que considera as “constantes ameaças contra a liberdade de expressão” e “o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios”.
Financiamento a páginas web anti-Chávez
Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu US$ 699.996 do Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao “desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela” e para o jornalismo “via tecnologias inovadoras”. Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de “prêmios” de 25 mil dólares a vários jornalistas.
Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país.
Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso dessas tecnologias e para criar o que chamam uma “rede de ciberdissidentes” na Venezuela.
Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização estadunidense Freedom House, convocou um encontro de “ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos” e “especialistas em Internet” para analisar o “movimento global de ciberdissidentes”. Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas, foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela.
No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México foi a sede da 2ª Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis (“AYM”, por suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary Clinton e vários “delegados” convidados pela diplomacia estadunidense, incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera, Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.
Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House, o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de “capacitação e formação” dos funcionários estadunidenses e dos criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube.
Financiamento a universidades
Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de US$ 716.346 via organização estadunidense Freedom House, em 2008, para um projeto de 18 meses dedicado a “fortalecer os meios independentes na Venezuela”. Esse financiamento através da Freedom House também resultou na criação de “um centro de recursos para jornalistas” em uma universidade venezuelana não especificada no relatório. Segundo o documento oficial, “O centro desenvolverá uma rádio comunitária, uma página web e cursos de formação”, todos financiados pelas agências de Washington.
Outros US$ 706.998 canalizados pela Fupad foram destinados para “promover a liberdade de expressão na Venezuela”, através de um projeto de dois anos orientado ao jornalismo investigativo e “às novas tecnologias”, como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras. “Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias midiáticas em várias regiões da Venezuela”.
“A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos e incorporados no currículo universitário”.
Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos, financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.
Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu US$ 545.804 para um programa intitulado “Venezuela: As vozes do futuro”. Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a “desenvolver uma nova geração de jornalistas independentes através do uso das novas tecnologias”. Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos artigos e transmissões dos “participantes” do programa.
A Usaid e a Fupad
Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em Caracas, que maneja um orçamento anual entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Esses milhões fazem parte dos 40 a US$ 50 milhões que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.
A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de Estado em 1962, e é “filiada” à organização de Estados Americanos (OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para “promover a democracia” e “fortalecer a sociedade civil” na América Latina e Caribe.
Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima de US$ 100 milhões na Colômbia, como parte do Plano Colômbia, financiando “iniciativas” na zona indígena em El Alto; e leva dez anos trabalhando em Cuba, de forma “clandestina”, para fomentar uma “sociedade civil independente” para “acelerar uma transição à democracia”.
Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para “fortalecer os grupos locais da sociedade civil”. Segundo um dos documentos desclassificados, a Fupad “tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas”.
Os “sócios” venezuelanos
Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web (www.espaciopublic.org) destacar que a organização é “independente e autônoma de organizações internacionais ou de governos”, os documentos do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como seus “sócios” e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos Estados Unidos.
O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para a Assistência para uma Cuba Livre.