Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sábado, 21 de junho de 2014

“NÃO INSULTO, MAS NÃO ME DOBRO !” “Fui eleita para governar de pé e de cabeça erguida”

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)


A presidenta Dilma, na Convenção do PT que oficializou sua candidatura, disse, em resumo:

O Brasil quer seguir mudando pelas mãos dos que já provaram tem capacidade de mudar o país.

Há onze anos mudamos o país, colocamos o povo como protagonista !

E tudo de forma pacífica !

Em pouco mais de uma década, a maior redução da desigualdade social da nossa História.

Nessa eleição, a verdade deve vencer a mentira e a desinformação !

O nosso projeto de futuro e todas as nossas realizações devem vencer os que querem voltar ao passado.

Quando assumi, o mundo era um e pouco depois era outro.

A crise mundial afetou as economias desenvolvidas, mas boa parte também do sistema político, ao aumentar o desemprego, ao abolir direitos e ao semear uma avassaladora desesperança.

Dessa vez, o nosso país não se rendeu, não se abateu nem se ajoelhou como fez diante de todas as crises do passado.

O Brasil soube defender o que é mais importante: o emprego e o salário do trabalhador.

Foi o país que melhor venceu essa batalha.

Antes, o Brasil se defendia de uma forma perversa: arrochando o salário dos trabalhadores e aumentando os juros a níveis estratosféricos, com mais desemprego, e vendendo o patrimônio público.

Eles alienavam o nosso futuro.

Não enfrentavam só a crise.

Eles alienavam o nosso futuro.

A partir do Governo Lula e do meu Governo não fizemos isso.

Não aceitamos que essa era a única saída.

60 milhões de empregos foram alienados em todo o mundo.

Aqui, criamos 21 milhões de postos de trabalho, só no período da crise.

Nos mantivemos a valorização do salário mínimo.

Consolidamos o maior programa de habitação popular.

E temos o maiores programa de obras de infra-estrutura.

Fortaleceu a Petrobras e, com isso, descobriu o pré-sal e implantou o modelo de partilha.

Esse novo Brasil implantou também o maior programa e educação profissional da nossa História.

No Pronatec: as mulheres são mais que a maioria !

A lei de cotas no serviço público e nas universidades.

Mais Médicos a 4 mil municípios.

Não fui eleita para trair a confiança do povo, nem arrochar salário do trabalhador, nem para vender o patrimônio público, para mendigar dinheiro do FMI porque não preciso e não vou colocar o país de joelhos.

Fui eleita para governar de pé e com a cabeça erguida.

O fim da miséria é só um começo.

O povo merece o melhor.

Temos uma oportunidade rara: criamos as condições para defender o que já construímos e acumulamos força.

Um ciclo de desenvolvimento vem correndo com aquele que  corria.

Manterá os dois pilares básicos de 2003: a solidez econômica e a amplitude das políticas sociais.

Dar qualidade ao emprego com desenvolvimento tecnológico e mais tecnologia.

A transformar da Educação só se consolida com a plena valorização do professor.

Começamos a fazer isso desde o Governo Lula.

E vamos acelerar quando ingressarem os 75% do petróleo do pré-sal !

O salário do trabalhador em 11 anos cresceu 75% acima da inflação.

Nós geramos mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada.

A inflação esteve nos menores níveis comparados com qualquer outro período da história recente.

Para realizar avanço na qualidade do nosso emprego.

Para melhorar a formação dos trabalhadores, implantamos o maior programa de ensino técnico da nossa História.

Até o fim desse ano vamos formar 8 milhões de pessoas.

Consolidamos o ENEM, o ProUni e o FIES, novas universidades e escolas técnicas.

Criamos o Ciência sem Fronteiras.

Quarta-feira passada, anunciei que o Pronatec vai formar mais 12 milhões – em 2108 teremos capacitado 20 milhões de brasileiros e brasileiras.

Precisamos de uma mudança radical ao mundo digital.

E uma reforma federativa.

Esse novo ciclo histórico está sendo gerado há muitos anos.

O PAC, os investimentos em infra-estrutura.

Minha Casa Minha Vida é o pilar de uma grande reforma urbana necessária, como são pilares os projetos de mobilidade.

O que está sendo usado para a Copa foi feito para o povo brasileiro !

Fomos o Governo que mais investiram em saneamento básico !

Depois que a gente pagou o FMI, a gente passou a ter o direito de escolher onde empregar o dinheiro público.

E começamos a investir em saneamento básico para combater  e a mortalidade infantil.

Hoje, o Nordeste procura e investe em abastecimento de água e estados ricos como São Paulo não fizeram o dever de casa.

Brasil sem Burocracia: nenhum país do mundo cegou ao desenvolvimento sem resolver as amarras da burocracia.

Lula já dizia: aumentaram as estruturas de fiscalização e encurtaram os meios de realização.

É porque não faziam estrada. Não precisavam fazer estradas.

Para avançar, é necessário tornar o Estado, não um Estado Mínimo, mas um estado eficiente.

Outro programa é o acesso a banda larga para todos.

Vamos promover a universalização a todos os brasileiros a internet barata e segura.

O novo Marco Regulatório para Internet foi essencial.

Vamos dar uma participação popular cidadã às decisões de Governo.

A internet e seu uso são instrumentos dessa participação.

A segurança pública é fundamental para se discutir as condições de vida nas grandes cidades brasileiras.

Precisamos de uma ampla reforma !

É preciso re-estudar e redefinir novos papeis e novas funções entre os entes federados.

Redefinir o pacto federativo.

Reforma política exige participação popular.

E desague num grande plebiscito !

A palavra chave será “oportunidade”.

Oportunidades especialmente para grupos marginalizados: as mulheres, os negros e os jovens.

As meninas podem, os jovens podem, os negros podem !

O meu desafio foi suceder uma lenda viva !

Eu preciso, sim, de mais quatro anos para poder completar uma obra à altura dos sonhos dos brasileiros.

Campanha é um ato de explicar !

Explicar como vai ser o futuro !

Campanha tem que ser uma festa de paz.

Nunca fiz política com ódio.

Quando tentaram me destruir física e emocionalmente, com o uso de violências, continuei amando o meu país.

Quem se deixa prender no ódio, faz o jogo do adversário.

Foi por isso que nos vencemos a luta pela Democracia.

Não tenho rancor de ninguém.

Não insulto, mas não me dobro.

Não agrido, mas não fico de joelhos.

Nosso campanha tem que ser uma festa do alto astral.

Abaixo o pessimismo, a mediocridade e o baixo astral.

Alegria e otimismo !

Eu estava no pátio do Presidio Tiradentes e escutei “apesar de você, amanhã vai ser outro dia”.

Sempre, a gente tem que lembrar disso.

Vejam a Copa, a Copa está dando uma goleada nos pessimistas, nos que diziam que ela não ocorreria.

Vamos amar no nosso país, a nossa camiseta verde e amarela e torcer pelo nosso time e não deixar jamais o ódio prosperar.

Vamos recolher as pedras que lançam contra e transformar em tijolos para fazer o Minha Casa Minha Vida.

Vamos recolher os xingamentos, os impropérios, as grosserias e vamos transformar em canções e versos de esperança.

Viva o Brasil, viva o povo brasileiro !

ARTIGOS RELACIONADOS

sexta-feira, 20 de junho de 2014

DILMA: “O PRINCIPAL PROBLEMA DO BRASIL É A ECONOMIA” “Talvez tenhamos que cortar o Bolsa Família !”


 O Conversa Afiada tem o prazer de publicar uma obra de “ficção”:
FURO DE REPORTAGEM

Um texto de ficção, por Cláudio Schuster

O jornalista quase não acredita em seus olhos. Ao seu lado, no voo entre Brasília e São Paulo, acento 13B, nada menos do que a presidente Dilma. Sozinha, sem seguranças. É a sorte grande. O furo do ano. 

- Boa tarde, presidente Dil…

- Presidenta.

É ela, é ela, nem precisa checar, vibra o experiente repórter.

- Como vai a economia?

- Uma merda. Por isso estou aqui na classe econômica. Tivemos até que cortar os gastos com o avião presidencial.

“Economia está uma merda”, admite Dilma. A manchete que vai resgatar o poder da mídia, vai mudar o Brasil e me colocar na história, prevê, em êxtase quase sexual.

- A senhora pensa em mudar a equipe econômica?

- Sim, sim. O Mantega é um bosta. Estou pensando na Míriam Leitão. O que você acha?

- O avião balança, numa turbulência quase instintiva. Mas a excitação do jornalista é tão grande que ele nem percebe.

- E a Copa? As vaias, os gastos…

- Com a crise na Europa não foi muito caro comprar as seleções mais fortes. A Espanha já foi. Estamos vendo agora como comprar o elogio dos VIPs. Talvez tenhamos que cortar o Bolsa Família. Mas o investimento vale a pena, pelo legado que eles vão deixar ao país.

- President…a, uma curiosidade: o número 13 da fileira até dá pra entender, mas por que não escolheu a janelinha?

- Ela olha para o lado, volta-se para o intrépido interlocutor, quase incrédula, e responde num sussurro:

- Você não viu? Porque na janelinha está o Felipão!

O jornalista não acredita em seus olhos. Novas manchetes giram enlouquecidas em sua cabeça, como nos filmes antigos. E quase sem conseguir respirar, faz a última pergunta a Dilma:

- A senhora não se importa em trocar de lugar só um instantinho?

CAMPOS: PETISTA NO RIO, TUCANO EM SP. TEM LÓGICA?

 Marina Silva
kkkkkkk por isso o apelido de blablarina !!!! Fala fala e não diz p...nenhuma !!!!

Quem quer crescimento de renda como o do Primeiro Mundo?




tela1


O ótimo blog de Fernando Nakagawa, no Estadão, dá hoje  conta de como anda a distribuição de renda nos países mais ricos.
Ele informa que “pobres e ricos perderam dinheiro com a crise que se arrasta há mais de cinco anos”.
Mas também registra que uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra, para variar, que o castigo foi bem maior para quem tem menos.
A renda média dos 10% mais ricos caiu a um ritmo anual de 0,78% entre 2007 e 2011, a perda da renda dos 10% mais pobres foi o dobro: 1,61% por ano.
O resultado detalhado está no gráfico lá em cima.
Coo eu não sou “economista” nem “jornalista econômico” que não consegue situar o Brasil dentro do mundo – embora todos eles encham a boca para falar em “globalização” –  fui buscar dados que permitissem uma comparação com o nosso país.
Como não achei uma que pegasse o período exato, coloquei dois, com base na Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar, agrupados pelo IPEA, para que os mal-humorados não venham a invalidar a comparação.
Entre 2003 e 2011, os mais 10% mais pobres no Brasil tiveram um incremento de renda de 80,8%, ou média anual de 6,8%. Os 10% mais ricos também cresceram, mas 26,9%, ou média anual de 2,7%.
Na crise, entre 2009 e 2011, o décimo mais pobre cresceu 9,1% e o mais rico, 4%. Na média de taxas anuais, isso dá 2,95% e 1,32%.
Coloquei  estes os números no gráfico do Estadão, lá em cima e aqui embaixo.
Depois de vê-los, diga-me se você quer seguir as receitas que eles vivem nos dando.
Porque os muito ricos continuam ganhando, mas não suportam que não seja tudo, e que os pobres ganhem também.

tela2

quinta-feira, 19 de junho de 2014

NY TIMES E A COPA: "E O TAL DO MUNDO NÃO SE ACABOU"

quarta-feira, 18 de junho de 2014

BLOOMBERG: MULTINACIONAIS APOSTAM ALTO NO BRASIL

Vip’s blocs, Ilha Fiscal, camarote da vaia. Não foi à toa que não tocou a Marselhesa


Apresentamos os Yellows Brocs !



antonieta


Sensacional a vídeo-reportagem de Lígia Mesquita e Ana Virgínia Baloussier  sobre o pessoal do “agrega valor” vendo o jogo do Brasil nas festas de luxo em São Paulo.
Inacreditável.
O maior coeficiente de babaquice por metro quadrado que se viu desde Maria Antonieta.
Não mostre para as crianças.
Nem consigo imaginar o que seria “coxinha de ossobuco”.
O “rei do camarote” ficaria com inveja.
Comecei a entender porque não tocou a “Marselhesa” no jogo da França.
Foi ordem da segurança.
O pessoal podia confundir o que gritaram com a palavra pescoço em francês, né?
E achar que era uma conspiração comunista, como o Rodrigo Constantino, da Veja, viu na logomarca da Copa.
Ai, que saudades do Ibrahim…
“Le churrasquin sûr la laje”  dá de dez a zero na peruagem paulistana.
Que pode achar que é aristocrata, mas é só endinheirada.
Só fico preocupado do José Simão perder o emprego.
O padrão Fifa do Brasil é de doer.

Teoria do garoto da Veja vira piada para jornalista do LA Times

Teoria do garoto da Veja vira piada para jornalista do LA Times

 
O garoto do site da Veja, Rodrigo Constantino deve ter deixado muita gente constrangida na editora. Após surfar pela rede, acreditou ter descoberto o ouro e disparou em sua coluna o texto “O logo vermelho da Copa”, em que pergunta ao leitor se “é paranoia ficar esquentando com esse 2014 em vermelho?" (ops) e continua "um leitor vai além, e diz que logo abaixo do número temos claramente a letra L em amarelo, referência ao ex-presidente Lula”.

Leia também: Alceu Valença desmente presença no jantar de apoio a Aécio Neves.
O próprio colunista reconhece que o "amarelo L" é demais (ainda bem), mas não recua em suas considerações quanto 2014 vermelho. “Propaganda subliminar? Provavelmente. Funciona? Deixo a resposta com os especialistas do ramo. Aqui, apenas desabafo, mostrando minha indignação com esse logo que pula diante de meus olhos a todo momento, com esse vermelho gritante e destoante que marca o ano eleitoral em que estamos. Não deveria ser… azul?" (podemos rir?).

E não é que o corresponde do LA Times aqui no Brasil, Vincent Bevins leu a pérola e resolveu mostrar sua perplexidade diante de tal “teoria da conspiração” do garoto Veja!. “Oh Lord. Brazil columnist arguing the red “2014” in World Cup logo is obvious socialist propaganda MT” (Oh Deus, colunista brasileiro defendendo que o vermelho 2014 na logo da Copa do Mundo é obviamente uma propaganda socialista). Ele ainda compartilhou os risos que arrancou de um de seus seguidores e também a sugestão de outro, para que Constantino verificasse o contrato junto com a agência que criou a arte.

Pelo visto, a má impressão que ficará para a imprensa estrangeira é da duvidosa linha editorial de alguns periódicos brasileiros. Então #ficaadica (link is external). Após surfar na internet, vale pesquisar um pouco mais sobre o tema.



MAIS UMA:

ESSA ANTA DO DIOGO MAIMERDA, DIGO, MAINARDI , NÃO SE CANSA DE APANHAR, PARECE MULHER DE MALANDRO. MAS, QUEM É ESSE BUNDINHA ?



O goleiro mágico, o pênalti reclamado, a torcida apática e o emocional da Seleção



Ainda que dez entre dez analistas esportivos e/ou políticos neguem até a morte, grande parte deles entende que o desempenho da Seleção pode influir no processo eleitoral. O mesmo vale para todos os agentes políticos, de qualquer dos lados. Se essa percepção é correta, ainda ninguém sabe. Mas muitos temem que possa ter fundamento.

O desempenho da Seleção influir nas eleições, porém, não interessa a ninguém – ao governo ou à oposição midiática. Essa possibilidade retira dos dois lados a condição de influir no processo, o que é ruim para ambos, pois o imponderável não obedece a lógicas político-ideológicas, a estratégias de marketing etc.
O mínimo que os políticos querem é poder, ao menos, depender das próprias estratégias.

Do ponto de vista de Dilma, por exemplo, ela está colhendo frutos da Copa independentemente do que a Seleção está apresentando em campo. As obras (estádios, aeroportos, obras de mobilidade etc.) estão funcionando. Só não vê quem não quer. Assim, a conquista do hexacampeonato pelo Brasil se somaria à satisfação de ver o país fazer boa figura diante do mundo em termos de organização do evento.
Do lado de Aécio Neves e Eduardo Campos, uma derrota do Brasil empanaria o sucesso da organização da Copa, reduzindo o bônus político da adversária.

Este texto, porém, de forma inusitada neste blog – que, raríssimas vezes, tratou de futebol – não versa apenas sobre política, mas sobre o que ocorreu no jogo com o México. E não é preciso ser muito entendido em futebol para entender o que ocorreu.
As análises da mídia partidarizada estão muito negativas, denotando má vontade com a Seleção. Por razões óbvias.

A má vontade midiática com a Seleção em 2014, aliás, começa a reproduzir a que lhe foi dispensada na Copa de 2010, até pelo técnico Dunga ter se tornado inimigo número um da Globo, ao menos naquele momento.

O Brasil, porém, não foi tão mal. O México é que foi muito bem. E não tanto pelo conjunto da equipe, mas por um goleiro que teve desempenho incomum. O mexicano Guillermo Ochoa operou o que os otimistas chamaram de “milagres”. Sem essa atuação, o México não teria ido mais longe do que a Croácia.
Até porque, os mexicanos levaram pouco perigo ao Brasil. Sim, deram alguns bons chutes a gol, mas nenhuma jogada ofensiva deles se comparou com as nossas em termos de possibilidade de terminar em gol.

O ataque mexicano foi tão débil que o goleiro Julio Cesar bateu o primeiro tiro de meta aos 24 minutos do primeiro tempo.

Há, ainda, uma dúvida razoável sobre o pênalti reclamado pelo lateral brasileiro Marcelo, que garante que, sem o toque no ombro que sofreu do defensor mexicano, teria partido para o gol. Poderia não ter marcado, mas toque no ombro por trás, dentro da pequena área, de acordo com as diretrizes da Fifa deveria resultar em marcação de pênalti.

Felipão tem razões concretas, portanto, para julgar que a gritaria – justificada ou não – em torno do pênalti marcado a favor do Brasil no jogo contra a Croácia pode ter inibido o juiz que apitou o jogo contra o México… E poderá inibir outros.

Há, ainda, um terceiro fator. A vantagem que o Brasil deveria ter tido por jogar em casa foi anulada pela torcida mexicana, mas menos por mérito desta – muito menor do que a brasileira – do que por culpa da torcida brasileira, visivelmente apática – em alguns momentos, a cantoria, as vaias e apoios da torcida mexicana abafaram a voz brasileira.

Mas, claro, nem tudo são flores. A Seleção poderia ter superado essas dificuldades se, assim como no jogo contra a Croácia, seu nervosismo não fosse tão flagrante que quase podia ser tocado com as mãos. A imagem dos jogadores brasileiros antes de o jogo começar revelou semblantes preocupantemente tensos. De novo.

Subjetivamente, aqui se afirma que Julio Cesar era o mais nervoso, apesar de que vários outros jogadores brasileiros estavam em condições psicológicas análogas. Se tivéssemos tido maior controle emocional, provavelmente teríamos superado a parede erguida por Ochoa e escorada, em alguma medida, pela defesa mexicana, bem mais consistente que o ataque.

Esse talvez seja o ponto mais preocupante da Seleção. Esperava-se que o nervosismo do jogo de estreia tivesse se exaurido naquele jogo, no qual seria até compreensível. Ao permanecer no segundo jogo, pela lógica se pode concluir que Felipão e a Comissão técnica não estão conseguindo preparar psicologicamente uma equipe jovem, mais permeável à insegurança.

A pressão que a mídia deverá continuar exercendo sobre a Seleção, preocupa ainda mais. Se a Comissão Técnica não conseguir trabalhar essa questão até o jogo com Camarões, a situação pode complicar. O Brasil não conseguiu aproveitar seu melhor nível técnico simplesmente porque os meninos tremeram na base.
Por fim, sobre a suposta influência político-eleitoral do resultado que a Seleção obtiver, não é desprezível. Os que têm inclinações políticas definidas não serão influenciados, mas, entre aquele terço volúvel do eleitorado, o bom ou mau humor gerado pelo resultado que a Seleção obtiver pode, sim, fazer diferença em uma eleição apertada.

A sombra do povo e a insônia dos grã-finos





É preciso aproveitar a oportunidade do debate para questionar o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e a concentração da propriedade na mídia


Sebastião Velasco
Arquivo
 
Não bate! O clamor que tomou conta dos arraiais do conservadorismo brasileiro desde o anúncio do Programa Nacional de Participação Social, há alguns dias, decididamente não combina com a empáfia impostada de seus representantes políticos.

Como é que é? Aposentadoria antecipada para Dilma, seis meses antes do pronunciamento das urnas? De que vale o sarcasmo de Aécio e assemelhados, quando ele é desmentido cotidianamente por seu patente nervosismo?

Fernando Henrique Cardoso falava ao país em cadeia nacional, e estava tudo muito bem. Por que a cólera? Por que o afã em punir com os rigores de uma lei reinventada para esse propósito, toda vez que Dilma Roussef faz isso?

A mesma pergunta vale para o decreto 8.243. Mal publicado no Diário Oficial,  ele foi denunciada pelos porta-vozes acreditados do conservadorismo pátrio como peça axial do programa insidioso do PT de transformar em ditadura popular disfarçada nossa ainda frágil democracia.

Mas a incongruência entre o objetivo suposto e o instrumento empregado salta à vista. Um decreto não tem o condão de alterar a ordem constitucional do país. Exercício unilateral de poder do chefe do executivo, ele pode ser modificado -- ou simplesmente revogado  --  por outro decreto, em qualquer instante.

Ora, ninguém em sã consciência imagina que o governo venha a se lançar em obras de complexa engenharia institucional nos próximos meses. Terminada a Copa, a campanha eleitoral nas ruas, todos os esforços do PT estarão concentrados na tarefa de conquistar os votos necessários para manter os postos que detém no presente e conquistar outros novos.

Como essa é uma tarefa inglória, posto que o país rejeita o PT  -- assim nos garantem  -- e tudo que a ele se associa   não há porque perder o sono. A revogação do malfadado decreto será o primeiro ato do próximo Presidente da República.

Seria essa a atitude dos opositores se estivessem tranqüilos. Mas eles não estão tranqüilos. A ansiedade perturba-lhes o sono, e nas noites mal dormidas tomam sombras por seres reais assustadores, aos quais reagem com alarde como se verdadeiramente perseguidos.

Melhor assim. Ao expressar em palavras o sentimento de ameaça que os aflige esses personagens se descobrem e ao fazer isso se expõem à crítica. Se nenhum outro mérito tivesse, o decreto em questão mereceria aplausos por isso.

O que os seus detratores vêem de tão nocivo nele?  Um abuso de poder, um atentado à Constituição, uma tentativa perversa de manietar o Congresso, submetendo-o  à vontade de grupos orquestrados, parcamente representativos. 

Contra a sordidez desse propósito, que vem embalado na retórica enganosa da democracia participativa, os opositores defendem-se tirando do baú idéias arcaicas sobre o governo representativo. De acordo com estas, a vontade do povo se expressa na livre escolha de seus governantes. No intervalo entre uma eleição e outra, cabe aos cidadãos perseguir seus interesses privados, nos limites da lei, atentos tanto quanto possível à gestão da coisa pública.  Mas isso eles não podem fazer solitariamente. Para tanto, necessitam de fontes críveis de informação e da possibilidade de trocar idéias sobre os problemas em pauta. A liberdade de expressão é inerente, pois, a essa forma de governo, que tem na opinião pública a sua contrapartida. É esta que faz a ponte entre representantes e representados no curso rotineiro da vida política.

O problema com essa concepção, que passou a salpicar as páginas dos jornais nos últimos dias, é que ela tem muito pouco a ver com a maneira como funcionam as democracias contemporâneas. E muito menos ela tem com a operação real de nossa organização política.

Ao dizer isso não penso apenas na existência consolidada de Conselhos, Fóruns e outros mecanismos de diálogo e aconselhamento, que vêm se multiplicando nos mais diversos ramos da administração pública brasileira já há muito tempo. Nem nas relações simbióticas entre o Banco Central e o mercado financeiro, que constituem um elemento estrutural publicamente reconhecido da política de metas inflacionárias em vigor no País desde o final da década de 1990. 

Refiro-me à posição estruturalmente privilegiada que os detentores do poder econômico desfrutam em qualquer sociedade capitalista, e do franco acesso aos centros decisórios que tal condição lhes faculta. Situação geral que se vê reforçada no Brasil pelos índices escandalosos de concentração de renda e riqueza, e pela qualidade deplorável, com as exceções de praxe, da grande imprensa falada e escrita, quase inteiramente controlada entre nós por um punhado de famílias.

A Política Nacional de Participação Social assusta porque encerra a promessa de corrigir parcialmente esse viés  --  para o bem da gestão das políticas públicas e a qualidade de nossa tão imperfeita democracia. E assusta tanto mais porquanto dentro de alguns meses a promessa pode começar a ser cumprida.

A ofensiva contra os Conselhos tem, portanto, caráter eminentemente defensivo. Com ela os conservadores pretendem levar o governo a recuar desse projeto, antes mesmo que a batalha das urnas seja ferida.

Mas por isso mesmo a resposta a ela não pode ser tímida. Não se trata de defender o decreto 8.243, e com ele todos os mecanismos de representação social que hoje existem. É preciso aproveitar a oportunidade do debate para questionar o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e a concentração da propriedade na mídia. Em uma palavra, diante do ataque a reação correta é partir para cima.

Mas não se atormentem, senhores e senhoras. Para cima na luta de idéias. Para cima, no bom sentido.


(*) Professor Titular de Ciência Política da Unicamp; membro do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI).