Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sábado, 7 de abril de 2012

O cavalo grego quase trotou por aqui

*Grécia tem a segunda noite de protestos, após suicídio de aposentado que acusou o governo de agir como uma tropa de ocupação a serviço dos mercados** criação de emprego nos EUA perde fôlego em março, com geração de 120 mil vagas (metade do total de fevereiro)**recuo reforça percepção de que o Brasil não pode vincular seu crescimento à incerteza mundial**esquerda peronista  do grupo 'La Cámpora' tem o mesmo diagnótico dos desenvolvimentistas brasileiros e quer reindustrializar a Argentina: tarefa similar exige coordenação e complementariedade entre as duas economias, tarefa que os 'livres mercados' não farão, perdendo-se em disputas comerciais menores.

 

Na década de 1990,o Acordo Multilateral de Investimento era negociado na surdina, entre países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, por iniciativa dos EUA e da União Européia, com cinco países observadores, entre eles o Brasil, então governado pelo consórcio demotucano.

O que está acontecendo na Grécia, país que perdeu parte significativa de sua soberania, tornando-se um laboratório para experimentos do capital financeiro, não pode ser atribuído a um raio num dia de céu azul ou a uma saída de emergência para salvar o capital dos credores, mesmo que o preço seja levar o país à falência. É produto de uma ação planejada há mais de duas décadas.

A presença permanente de uma equipe da troika (Banco Central Europeu, União Européia e FMI), monitorando o fluxo de empréstimos, a criação de uma conta vinculada destinada exclusivamente ao pagamento do serviço da dívida e aceitação que tribunais de Luxemburgo julguem dissídios, não cabendo ao governo grego qualquer tipo de recurso, são evidências de uma estratégia amadurecida ao longo do tempo. Trata-se de remover os entraves colocados pelo Estado-Nação e pela democracia à dinâmica capitalista que requer, em última instância, salários baixos e elevadas taxas de poupança. Pela capacidade do capital de evitar a tributação e condições empregatícias onerosas, através da livre movimentação para outros mercados, o sonho social-democrata se desfaz como uma carta antiga de Bernstein

Mas voltemos no tempo para irmos aos fatos.

Na década de 1990,o Acordo Multilateral de Investimento( AMI) era negociado na surdina, entre os países desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), por iniciativa dos Estados Unidos e da União Européia, com cinco países observadores, entre eles o Brasil, então governado pelo consórcio demotucano.

O que vinha a ser esse documento pôde ser resumido numa frase de Renato Ruggiero, à época diretor-geral da OCDE: "Com este documento estamos escrevendo a Constituição de uma economia global Unificada". Assim, ficamos sabendo por que até 1997 as negociações da AMI eram secretas. Ou seja, o acordo não era conhecido nem pelos parlamentares dos países envolvidos. O sigilo era explicável se conhecermos algumas das condições contidas no documento.

O AMI era uma espécie de carta magna das corporações internacionais concebidas com o objetivo de vigência mundial, para respaldar suas atividades, por cima das instituições e constituições onde atuavam. Uma antecipação do cavalo de Tróia entregue à Grécia recentemente. Criava uma nação corporativa, virtual, acima das nações convencionais, movida por um único e superior motivo: o lucro do capital internacional.

Nos seus termos conhecidos, os investidores poderiam ingressar em qualquer área, setor ou atividade sem qualquer tipo de restrição, podendo contestar ações políticas ou governamentais, desde que entendessem que qualquer uma delas viesse a prejudicar seus lucros. Muito ao contrário, o governo deveria assegurar os investimentos externos e garanti-los contra tudo que pudesse afetar sua rentabilidade.

Os governos nacionais deixavam assim de ser guardiões de seus cidadãos e passavam a representar uma espécie de guarda pretoriana do capital externo. E, se não exercesse bem essa função,cada governo passava a ser responsabilizado para cobrir qualquer intervenção do Estado suscetível de reduzir a capacidade das corporações de obterem um lucro maior. E, vejam a terrível coincidência, quem escolheria o foro para tais litígios seria o grande capital, ficando o Estado sem qualquer status jurídico-político,sem poder negar o tribunal escolhido, nem submeter os litígios à arbitragem internacional.

Nesses temos, a nossa soberania (lembremos que eram os tempos de FHC), inclusive política, estaria num dos livros-caixa dos grandes conglomerados ou disquetes de organismos multilaterais de crédito. Estaria eliminado todo e qualquer sentido de autodeterminação e independência que ainda pudéssemos ter.

O aparente recuo foi meramente tático. O que vemos na Grécia é a implantação de um fundamentalismo de mercado incompatível com o sistema democrático. Repletos de volumosas estatísticas e modelos matemáticos arcanos que fornecem a ideologia para o estabelecimento de governos autocráticos, capazes de impor sua vontade a um povo com seus direitos fundamentais subtraídos.

Se tais fatos e manobras chegam a espantar pelo tamanho da queda imposto a países com tradição democrática, imaginemos o que poderia ter acontecido ao Brasil se o resultado das urnas tivesse sido outro em 2002, 2006 e 2010. O capital nos ensina que "presente de grego" não tem nacionalidade específica. E, principalmente, que "em cavalo dado não se olha os dentes". Principalmente se estivermos diante de um pangaré troiano.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

sexta-feira, 6 de abril de 2012

SUICÍDIO, 'KALÁSHNIKOV' OU COMER LIXO?

 'O governo de ocupação de 'Tsolakoglou' (referência ao primeiro ministro grego que durante a guerra, em 1941, colaborou com a ocupação nazista do país) aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, baseada em uma aposentadoria digna que paguei por minha conta sem nenhuma ajuda do Estado, durante 35 anos. Dado que minha idade avançada  não me permite recorrer à força - embora se um grego empunhasse um Kaláshnikov, eu seria o segundo a fazê-lo -, não me restou qualquer  outra solução para um final digno; recuso-me a buscar comida no lixo. Tenho fé que um dia os jovens sem futuro se erguerão em armas e na praça Sintagma pendurarão os traidores da nação, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945". (Bilhete deixado por Dimitris Christoulas, farmaceutico aposentado de 77 anos, que se matou com um tiro, nesta 4ª feira, a poucos metros do Parlamento grego. LEIA MAIS AQUI)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Roberto Marinho vai demitir a Urubóloga

Liga o Tirésias, de trás dos morros de Minas, onde se recolheu para ler o “Phaedo” de Platão (ele está com a mania de meditar sobre a morte … a de Sócrates).

- Você tem visto a Globo sobre a greve da PM ?, pergunta ele, com aquela voz pausada, rouca.

- Não, vou esperar o Herraldo no sábado, respondi, assim, sem pensar muito. O que tem a ver a Globo ? Tá tocando fogo no Brasil, pra variar ?

- Não, quem toca fogo é o Globo. O impresso.

- Não, parei de ler impressos. O que tem o jornal nacional ? Não é a isso que você se refere ?

- Nunca vi o jornal nacional dar tanta colher de chá à Dilma. O Ali Kamel está desesperado para acabar com as greves.

- E por que será, Mestre ?

- Porque o Carnaval é uma grana preta para a Globo. Ela não quer saber de confusão. Deixa o jornal impresso tocar fogo no Brasil, porque nem os filhos do Roberto Marinho mais lêem o jornal impresso …

- Você quer dizer que o problema da Globo é grana. Caro Profeta … suas profecias já foram melhores …

- Como sempre, você demora a alcançar. Precisa assistir mais ao “Entre Caspas”, meu filho.

- O Carnaval dá grana. A Copa dá grana … e daí ?

- Numa palavra, meu jovem: o que sustenta a Globo é o crescimento do PIB ! A Dilma !

- Caro profeta, o senhor extrapolou. A Dilma ?

- Você sabe que a audiência da Globo cai consistentemente.

- Consistentemente … para ser gentil.

- Mas, o faturamento sobe … consistentemente.

- Acima da inflação e de acordo com o PIB do Lula e da Dilma. Você tem razão, caro Mestre.

- E você deve saber que por causa do Lula e da Dilma – desse plano secreto de que você fala aí – por causa disso, o pessoal passou a querer anunciar também no Nordeste e no Norte. Porque lá passou a ter consumidor, não é isso ? Essa tal de Classe C, de que você é um dos fundadores …

- Sim, Mestre. Começo a … alcançar. Inclusive a sua ironia …

- Fica assim: a Globo perde audiência e ganha mais dinheiro. Por que ? Por causa do crescimento da economia. Logo …

- Logo, o Ali Kamel vai escrever um novo best-seller: “Somos todos petistas – no Brasil não há operários. É tudo classe média !”. É isso ?

- Deixa o Ali Kamel pra lá. Ele não vale todas essas velas que você acende pra ele.

- Então, Grande Mestre, o Roberto Marinho vai ter que tomar gravíssima decisão.

- Ué, ele não morreu, meu filho ? Aqui em Minas dão ele como morto.

- Não morreu, não. Foi rebate falso, Mestre.

- Mas, qual decisão o Roberto Marinho vai ter que tomar ?

- Vai ter que demitir a Urubóloga.

- Não ! Ao contrário ! Vai promovê-la.

- A que, Profeta ?

- Ela vai ser correspondente na Grécia.

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mensagem de Anonymous aos meios de comunicação de massa


Conversadores e enroladores do corporativismo midiático, isso não é filmiinho. Vocês enganaram o povo, manchando o nosso nome com todos os tipos de falácias.

Primeiros vocês nos ignoraram; depois nos trataram como lixo social, disseram que desapareceríamos depois das eleições, que ninguém nos apóia, que somos minoria desprezível. Nos rotularam como violentos; como terroristas; também ideologicamente.

Vocês mentiram.

Conhecemos o problema de vocês. O caro quarto poder, já não tem nenhum poder sobre o povo. Agora, o único lastro de vocês é dinheiro no bolso.

Refazer o ‘jeitão’ do negócio de vocês custa caro, não é mesmo?

Exponhamos claramente o que está acontecendo: os meios de vocês são agora parte de conglomerados transnacionais, cujo supremo interesse é manter o status quo desse sistema agonizante, para continuar a ganhar dinheiro a custa de cansar o povo. Claro. Os trabalhadores do negócio de vocês já sabem disso. Ninguém acredita em vocês. A informação segue seu curso, apesar de vocês.

Enquanto brincam de criar opinião do alto de suas colunas, arrogando-se a verdade absoluta, suas calúnias e manipulações são desmascaradas e denunciadas implacavelmente – muitas vezes, ainda antes de emitidas ou publicadas –, para expor a impostura a todo o planeta.

Imaginaram que abandonaríamos o povo espanhol à estratégia óbvia de vocês, de desgastá-lo?

Vocês ainda não entenderam. Somos o mesmo povo, deixando aqui um aviso a vocês. Nós não apenas fazemos. Nós explicamos o que acontecerá. Porque depende de vocês unirem-se à mudança ou serem esquecidos por ela.

Somos os grevistas; os desempregados; os professores; os profissionais dos excluídos; as famílias sem teto; os trabalhadores ‘cortados’; os idosos esquecidos; os jovens educados, mas sem oportunidades; o trabalhador alienado; a secretária desrespeitada; os que ocupam casas desocupadas que vocês ridicularizaram; os ganhadores com consciência; os perdedores com dignidade.

Somos a chispa que desperta cada sinapse, como neurônios, que compõem hoje um só pensamento. Despertamos; invencíveis; com razão e razões.

Daremos a eles o que mais importa: nosso futuro; somos seus únicos herdeiros e donos legítimos. Não somos mercadoria na mão de ninguém.

Vocês podem continuar a mentir e a ignorar a revolução global. Vocês são irrelevantes. Dia 19 de junho o povo fez história e continuará a fazê-la. Cada vez mais países juntam-se às reivindicações do 15M, inclusive no interesse deles mesmos.

Nesse momento, as marchas cidadãs aproximam-se da capital, aumentando a cada passo.

A informação continua fluindo e não importa o que vocês façam para evitá-lo. Pretendem lutar contra a vontade humana? Pior, então, será a queda de vocês. E nossa vitória será celebremente épica. Porque a paz é nosso caminho. E não há vitória maior que vencer sem guerra.

Somos anônimos; somos legião. Não esquecemos. Não perdoamos. Esperem e verão,

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

A GRÉCIA NÃO É AQUI, MAS A LÓGICA

Nos últimos 12 meses,  o juro da dívida  pública custou  R$ 213,9 bi ao Brasil. Para honrar seus credores, o  Estado fez um arrocho de gastos e conseguiu reservar  R$ 119,6 bi do total da receita de impostos, compondo assim o superávit primário, todavia insuficiente para suprir a pantagruélica bocarra rentista . O rombo não pago,  R$ 94,3 bi, ou 2,5% do PIB, foi acrescido ao saldo da dívida que desse modo não cessa de aumentar, mesmo quando o governo gasta menos do que arrecada.  Sempre é bom cotejar  valores etéreos das finanças com unidades de medida mais terrenas. Uma delas é o custo do  Bolsa  Família, o maior programa social de transferência de renda do mundo. Um ano de Bolsa Família custa R$ 17 bi aos cofres públicos. Beneficia 53 milhões de brasileiros. Vamos sentar  para não cair de susto: o juro da dívida pública pago nesses 12 meses permitiria multiplicar por doze vezes e meia o benefício médio do Bolsa Família, o que propiciaria a cada lar inscrito no programa uma renda de R$ 1.400 reais por mês, contra média de R$ 155,00 atuais. Não é uma proposta.Mas uma ilustração do  que se sacrifica desviando tal volume de recursos para um universo proporcionalmente insignificante de privilegiados. Infelizmente, a tendência é que esses paradoxos e discrepâncias se acentuem. Não porque o governo seja perdulário, como dardeja a ortodoxia militante dentro e fora da mídia. Mas, entre outras coisas, porque o nível de juro com que o país ingressou na crise mundial já era absurdo. Qualquer variação para cima, agora, realimenta uma dinâmica autodestrutiva,  mantidas as ferramentas convencionais de política econômica. Harmonizar o controle da inflação, por exemplo (que, segundo a ortodoxia,  requer um juro real de 8% até dezembro, contra 7% atuais) e, ao mesmo tempo, conter o tsunami de capitais especulativos que desembarcam no país, virou um jogo de perde-perde . Perde-se com a alta dos juros, de um lado e também com a valorização da moeda brasileira pela indigestão de dólares atraídos pelos juros siderais. Deixa-se de gerar empregos e riquezas para conter a inflação. Ao mesmo tempo, exporta-se empregos e produção deslocando-se demanda para produtos importados, barateados pela distorção cambial. Este ano, o superávit primário foi de R$ 45,452 bi de janeiro a maio. O valor  é 87,6% superior ao registrado um ano antes. A Grécia não é aqui. Mas há várias tragédias embutidas nesses números  -talvez o fato de nos habituarmos a eles seja a maior delas.
(Carta Maior; 6º feira, 301/07/ 2011)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MERCADOS: DIAS DE FÚRIA, NOITES DE ASSOMBRAÇÃO

Não é apenas o calote  da Grécia que assombra os mercados mundiais. A incerteza sopra também na esquina do mundo que deveria ser o ponto de encontro entre capitais ariscos e a segurança, em última instância, para a desordem financeira por eles engendrada : ou seja, a economia norte-americana. Se as ruas da Grécia e da Espanha ardem em protestos pelo custo de uma convalescência que, ao final e ao cabo, materializa-se na supressão de direitos e deslocamento de riquezas das nações para os credores, a verdade é que o bunker norte-americano não inspira mais a confiança absoluta que dele se espera. Os investidores que se deslocavam ontem em busca de um porto seguro para assistir de longe ao incêndio grego, colidiram com o tráfego em sentido contrário de más notícias vindas dos EUA. O que as buzinas anunciavam era o fantasma da estagflação: a inflação americana foi além do que se previa; a economia ficou aquém do que precisava crescer para acalmar os espíritos da incerteza e da obsessão mórbida pela liquidez, como diria Keynes. A variação dos preços na meca capitalista atingiu 3,6% nos últimos 12 meses. É o maior nível desde outubro de 2008. O problema se agrava no contraste com a curva do crescimento, que desliza para baixo. O indicador da produção industrial da região de Nova York, em junho, está negativo em 7,79. Sugere uma ruptura na já lenta, frágil, recuperação esboçada desde o final de 2010. Esses são os fundamentos da notícia comemorada ontem no Brasil, de que o risco-país, pela primeira vez na história, ficou abaixo daquele atribuído à principal cidadela capitalista do planeta. Por fim, cresce a percepção de que corda política da crise esticou ao máximo. De agora em diante será cada vez mais difícil descarregar o ônus da convalescência nas costas de povos e nações endividados. O cenário é de um corner, com janelas que se fecham e pontos de fuga que se estreitam. Um dado resume todos os demais: o PIB mundial é da ordem de US$ 60 tri; o volume de capitais em busca de refúgio --capitais fictícios em grande parte (leia textos inéditos de Luiz Gonzaga Belluzzo nesta pág), ultrapassa US$ 900 tri. Essa espuma busca desesperadamente uma contrapartida (inexistente) na riqueza real que se estreita por conta da recessão e dos calotes em marcha . É a partir dessa dança das cadeiras que o Brasil deve analisar o passo seguinte do seu crescimento e a estratégia diante da invasão de fluxos especulativos na economia. Em artigo recente nesta pág , 'Nuvens Negras no Horizonte'  (leia o especial "Desordem Financeira"), o economista da FGV, Amir Khair advertia: 'O melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. É bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos de fora'

terça-feira, 23 de novembro de 2010

FUGA DO EURO ASSOMBRA BANCOS E GOVERNOS: IRLANDA AGONIZA. CRISE FINANCEIRA VIRA CRISE POLÍTICA. GRÉCIA REQUER AJUDA ADICIONAL. QUEM SERÁ O PRÓXIMO?



Oposição quer eleições gerais antes do pacote e sindicatos marcam protesto contra o arrocho na Irlanda. Governo tem moção de desconfiança. Mercados assombrados pelo medo de contágio: crise bancária e fiscal na Europa poderá se espalhar dos países chamados periféricos - Grécia, Irlanda e Portugal - para os maiores - Espanha e Itália. Fuga maciça de capitais assombra as noites e angustia os dias de governos e instituições da União Européia. Ações do Banco da Irlanda caíram 36% ontem. Estimativas indicam que o Estado (mínimo) irlandês,virtualmente quebrado, precisará de um papagaio de 65 bilhões de euros para se financiar nos próximos três anos; bancos igualmente quebrados, buscam 30 bi de euros. A preocupação é: de onde virão os compradores para a dívida dos países periféricos se o Euro virar um mico aos olhos dos mercados? (FT, Bloomberg. Leia 'Amnésia neoliberal: Como o Tigre Celta virou um Haiti Financeiro' ; Carta Maior, 23-11) 

A SUPREMACIA DAS FINANÇAS DESREGULADAS: CUSTOS 
"(a desregulação financeira) cria distorções ao comércio que tornam as negociações multilaterais irrelevantes (...) se por anos se negocia uma concessão de redução de uma barreira comercial em 5%, em apenas alguns dias a valorização de uma moeda pode ser bem superior ao impacto do corte tarifário que se debatia" (ministro Celso Amorim; Estadão, 23-11) 

NO AVESSO DA ORTODOXIA QUE ARRUINOU A IRLANDA: 
BRASIL VALORIZA FUNCIONALISMO PÚBLICO 

"...um professor de universidade, com doutorado e dedicação exclusiva, ganhava R$ 2.167,56 em 2002 e, neste ano, com o pagamento da terceira parcela do reajuste escalonado, seu salário é de R$ 10.446,81. Outro caso: os servidores de nível intermediário, setor em que havia muito arrocho salarial, receberam também amplos reajustes. Havia casos em que a remuneração inicial era de R$ 668,00 e no final da carreira só chegava a R$ 1.144,14. Esses valores variam hoje de R$ 2.473,52 a R$ 4.436,50..." (Lula, "O Presidente Responde"; 23-11)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Situação econômica da Irlanda, Grécia e Portugal preocupa europeus


European-Central-Bank

Sugestão: Gérsio Mutti

Tudo indica que Irlanda recorrerá a pacote de resgate da União Europeia. Gregos, por sua vez, cogitam prolongar a duração do pagamento de empréstimos junto à UE e ao FMI, enquanto Portugal recebe oferta de ajuda chinesa.

A situação econômica de Irlanda, Grécia, Portugal continua a ocupar espaço na mídia europeia. No caso da Irlanda, estão cada vez mais evidentes os sinais de que ela receberá ajuda europeia. Isso apesar de tanto Dublin quanto a União Europeia terem negado que estariam em negociações para um pacote de resgate financeiro devido à crise de endividamento irlandesa.
O jornal Die Welt anunciou neste domingo (14/11) que já nesta semana Bruxelas discutirá, concretamente, sobre a ajuda financeira ao endividado país da zona do euro. Segundo o diário alemão, a solicitação de um pacote de resgate para a Irlanda semelhante ao da Grécia parte principalmente de Portugal e da Espanha. Os governos dos dois países estariam temerosos de serem os próximos a caírem na linha de fogo, observou o periódico alemão.
Neste domingo, o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, anunciou à margem da cúpula dos países da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), na cidade japonesa de Yokohama, que estaria certo de que a Irlanda conseguiria resolver seus problemas, mas “se os irlandeses algum dia precisarem do apoio do FMI, estamos naturalmente prontos para ajudar”.
Endividamento 100%
A Irlanda se encontra em uma situação econômica difícil. O Pacto de Estabilidade do Euro prevê um endividamento orçamentário máximo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para os países da zona do euro. Neste ano, este índice alcançou 32% na Irlanda. O país deve um total de 160 bilhões de euros, ou seja, 100% de seu PIB.
Segundo o direto do instituto de pesquisas econômicas de Hamburgo HWWI, Thomas Straubhaar, a Irlanda “não conseguirá sair do aperto por esforço própria”. Ainda segundo o Die Welt, diplomatas europeus esperam que a Irlanda recorra a até 70 bilhões de euros do fundo de resgate europeu.
Na última sexta-feira, o ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, negou em entrevista à emissora de rádio RTE que seu país esteja inadimplente. Na noite deste sábado, no entanto, a emissora britânica BBC anunciou, sem citar fontes, que a endividada Irlanda já teria iniciado as negociações com diplomatas europeus.
Problemas gregos
Já na Grécia, o semanário Proto Thema relatou que o FMI e a UE terão provavelmente que esperar mais tempo para receber de volta o dinheiro que emprestaram a Atenas. “A questão está sobre a mesa”, declarou ao semanário o primeiro-ministro grego, George Papandreou.
Ele admitiu “a eventualidade” de um prolongamento de duração do pagamento do empréstimo de 110 bilhões à Grécia, acordado em maio com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
“Onde vemos que se podem encontrar soluções alternativas, mudaremos algumas condições do plano UE-FMI, optando por soluções mais justas”, disse o premiê helênico. Papandreou mencionou que o problema do orçamento grego “não se resolve de forma automática”.
George Papandreou disse ainda que “com ou sem o plano [UE-FMI], o déficit e os problemas são os nossos problemas e não de qualquer outro”. O chefe de governo sublinhou que seguirá com rigor o plano de saneamento financeiro traçado em maio pela UE e FMI.
Negócio da China
Portugal, por sua vez, recebeu oferta de ajuda econômica de um forte parceiro. Durante a 3ª conferência ministerial do Fórum de Macau para a Cooperação Econômica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, manifestou neste sábado a disponibilidade de seu país de ajudar Portugal a ultrapassar as suas atuais “dificuldades” econômicas.
“Portugal, neste momento, atravessa dificuldades causadas pela crise financeira internacional [...] Se Portugal tiver alguma necessidade, a China está disposta a prestar o apoio que estiver ao seu alcance”, disse Wen Jiabao no início de um encontro com o primeiro-ministro português, José Sócrates, após a abertura da conferência.
O primeiro-ministro chinês não se referiu à eventual compra de parte da dívida soberana portuguesa, mas reafirmou que a China “apoia o pacote de medidas de estabilização financeira” adotado pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Wen Jiabao evocou, ainda, a visita do presidente chinês, Hu Jintao, a Portugal na semana passada, considerando-a “um êxito”.
Durante o encontro em Macau, o primeiro-ministro chinês anunciou a criação de um fundo de 1 bilhão de dólares para desenvolver as relações entre a China e os países lusófonos. O fundo vai ser criado durante os próximos três anos por bancos de Macau e do interior da China, acrescentou o premiê.
CA/afp/dpa/dapd/rtr/lusa
Revisão: Augusto Valente