Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Santander NÃO DEMITIU executiva que autorizou ataque a Dilma



No dia 7 de agosto, reportagem do jornal Folha de São Paulo divulgou que o banco Santander teria demitido quatro funcionários envolvidos na inclusão de um ataque político à presidente Dilma Rousseff nos extratos de conta corrente que a instituição envia pelo correio aos seus clientes “VIPs”, de alta renda.
Abaixo, a matéria e, em seguida, reprodução da nota enviada aos clientes endinheirados do banco.


No mesmo dia em que a Folha anunciou as demissões, este Blog divulgou que a funcionária mais graduada entre os quatro funcionários supostamente demitidos fazia apologia da candidatura de Aécio Neves em seu perfil no Facebook.
Como revela a matéria da Folha, a funcionária mais graduada é Sinara Polycarpo Figueiredo, superintendente de investimentos da área “Select”, voltada para clientes com renda acima de 10 mil reais por mês.
Ao fim do post do dia 7, este Blog comentou que haveria indícios de que a demissão da tal “superintendente” teria sido forjada pelo Santander. Abaixo, o trecho da matéria.
“(…) Sinara, nem de longe demonstra estar contrariada com a demissão. Muito pelo contrário, parece muito segura. Inclusive, afirma que irá viajar “até o dia 25”. Pelas fotos em seu perfil no Facebook, parece gostar da Europa (…)”
Ao longo dos últimos dias, o Blog investigou os indícios de que as demissões anunciadas pelo Santander teriam sido simuladas. A desconfiança era a de que a mensagem política aos clientes endinheirados não fora produto de um desatino de alguns poucos funcionários.
A investigação empreendida pelo Blog chegou ao fim na última sexta-feira após uma informação surpreendente: ao menos Sinara, a funcionária mais graduada que teria sido demitida, continua trabalhando no Santander. Ao menos oficialmente.
O que há de surpreendente nessa informação não é a confirmação da suspeita do Blog, mas o fato de que qualquer funcionário do Santander pode confirmar o que está sendo dito aqui, pois a tela do sistema do banco que dá acesso ao catálogo de endereços de e-mail dos funcionários mostra que Sinara ainda trabalha lá.
Veja, abaixo, as impressões das telas do sistema do Santander que confirmam que Sinara Polycarpo Figueiredo ainda é funcionária do banco, pois, segundo as fontes do Blog naquela instituição, quando um funcionário é demitido, em poucas horas seu nome e demais dados são apagados do cadastro de funcionários, que pode ser consultado por qualquer um que lá trabalhe.

Outra tela do cadastro de funcionários do Santander, aliás, mostra endereço de email de Sinara que sugere que ela pode simplesmente ter sido “remanejada”, ou seja, transferida para outra área, pois o endereço de e-mail que ali figura é sinara.polycarpo@servexternos.gruposantander.com (note bem, leitor: serviços externos).

Outra tela do sistema do Santander mostra que a empresa do grupo em que Sinara trabalha é o mesmo Santander.

Por fim, a prova final de que não é verdade que o Santander demitiu ao menos uma das funcionárias que afirma ter demitido por ter feito um ataque político dissimulado em informe a clientes de uma instituição que funciona sob concessão pública, o que sugere que pode ter sido cometido, aí, um crime eleitoral que, em tese, colocaria em xeque a concessão do Banco
A tela que o leitor verá abaixo é do cadastro de funcionários. Foi impressa na última sexta-feira (15/8) e mostra que Sinara figura no sistema do Santander como funcionária “ativa”

As perguntas que surgem, são as seguintes:
1 – Por que o Santander anunciou demissões que o caso de Sinara insinua que não ocorreram?
2 – Se o Santander anunciou demissões que não fez, isso não sugere que o ataque a Dilma Rousseff nos extratos do banco foram decididos por ele?
3 – Teria havido algum tipo de “recompensa” aos funcionários para coonestarem a farsa de seu empregador?
Com a palavra, a Justiça Eleitoral.

domingo, 17 de agosto de 2014

DE UM ELEITOR A CAMPOS: "NÃO DESISTI DO BRASIL"

sábado, 16 de agosto de 2014

Um retrato 3×4 de Marina, por Nilson Lage.

clown
Não faz um ano, Marina Silva, o grande fenômeno eleitoral de hoje – e da próxima pesquisa, ao que se diz – não conseguiu reunir as assinaturas de meio milhão de brasileiros que a quisessem fazer chefe de um novo partido político.
Meio milhão de brasileiros é  0,35% dos eleitores deste país.
Traduzindo: 35 pessoas em cada 10 mil cidadãos.
Quem não servia para ser chefe de um partido, agora será apresentada como possível chefe de um país inteiro.
Faltava-lhe povo,  hoje -mais do que sempre – sobra-lhe mídia.
Soma-se agora  também a “indicação” do irmão, da mãe, da viúva e dos meninos que Eduardo Campos deixou.
A nova política toma como eixo o desejo de um clã. Apenas uma família, por mais respeito pessoal que mereçam, ainda mais no momento de luto.
Se os métodos são estes, o que é a personagem Marina?
Dela, traça um agudo e conciso retrato o meu para sempre professor Nílson Lage, em seu Facebook, que não posso deixar de partilhar:
Antes que se comece o papo de sempre, com uma porção de pessoas xingando as outras, defino minha visão pessoal consolidada sobre o objeto.
Marina Silva pode ser excelente pessoa, mas é o anti-Brasil. 
Nascida de esquerdismo primitivista e romântico, ostenta uma subcultura enfeitada com palavras difíceis e frases sem sentido.
Odeia o agronegócio. Não no sentido de enfrentar os herdeiros empresariais do velho coronelismo limitando suas ambições políticas, organizar agricultores em cooperativas para exploração de produtos em condições competitivas, ou criar arranjos produtivos que integrem a pequena propriedade em unidades industriais ou núcleos de armazenamento, processamento e comercialização. 
É contra o agronegócio em si, contra aquilo que sustenta o comércio externo do país. Extrativista, admite no máximo a agricultura de subsistência.
Esse aspecto de seu programa é que o mais agrada aos Estados Unidos, que têm no Brasil sério concorrente real – e principalmente potencial – no mercado de commodities agrícolas.
Esquerdista radical – no que esquerda e direita se abraçam, comovidas, ao som de um bolero – não é contra o capitalismo (tanto que a assessoram alguns de mais destacados intelectuais orgânicos do financismo bancário), mas contra a “sociedade industrial” – isto é, a Embraer, as siderúrgicas, as metalúrgicas… 
É dos que odeiam hidrelétricas e acham construí-las na Amazônia um crime contra os “povos da floresta”. Como termelétricas poluem e usinas nucleares são perigosas, sugerem iluminar e mover este país de 200 milhões de pessoas com cata-ventos, quando o vento sopra.
Tirando o criacionismo, o horror aos transgênicos (não ao patenteamento de novas espécies obtidas em laboratório, mas à ciência que permite criá-los) e o uso abusivo dos conceitos em ciências humanas, nada propõe em áreas do conhecimento.
Não tem suporte político além do aglomerado que se forma conjunturalmente para colocá-la no governo ou atrapalhar o “inimigo”. É contra “tudo que está aí”, pela gestão do Estado com a graça de Deus, espada da Justiça, a confiança da Fé, a pureza da Inocência e iluminação da Sabedoria. Fernando Collor, em 1989, era candidato bem mais consistente.
Muitos dos eleitores de Marina que conheço, principalmente aqui no Sul do país, vêm nos últimos anos buscando na história da família algum avô que lhes possa garantir uma “outra nacionalidade” . Pode até ser, então, que tenham oportunidade de usá-la.
Não há nada a acrescentar ao que diz Lage.
Mas não é demais completar o que isso significa com a observação do amigo que me enviou seu texto: Há horas em que certas  posições políticas são inocência ou cinismo.
“A inocência é prima da boa vontade, da ingenuidade e da ignorância. O cinismo tem parte com a má-fé, a astúcia e a arrogância. Em outras palavras: apoiar Marina é iludir – a si mesmo ou aos outros; dependendo apenas de como se é, se inocente ou cínico.”

RENATA VAI SER A MULHER DO CERRA ? Bláblá quer fazer dela o que Eduardo nunca fez.

À falta de líderes na Direita, a Direita desenterra a Bláblá.

E o Brasil corre o sério risco de Bláblá tentar manipular e usar eleitoralmente a viúva, Renata, que ele chamava de D. Renata.

D Renata foi companheira e cúmplice de Eduardo em toda a vida.

Sempre discreta, serena – como uma matriarca nordestina.

Estava com ele no Rio e, por pouco, não foi para o Guarujá.

Mas, Eduardo não usava os cabelos brancos da mulher para conseguir votos.

E muito menos para fazer chorar.

A Direita fará qualquer papel para tirar os trabalhistas do poder.

Se Aecioporto sumir, tanto faz.

Como disse o Farol de Alexandria, qualquer um(a) serve.

E é bem possível que Bláblá, em seu ilimitado ódio por Dilma, faça de Renata o que Cerra fez da mulher, Mônica: um joguete eleitoral.

Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim

Comitê de Aécio defende candidatura de Marina

:

Para o presidenciável tucano Aécio Neves, passado o momento de comoção em torno da trágica morte de Eduard Campos, Marina vai perder fôlego entre eleitores; partido já projeta aliança com o PSB no segundo turno para impedir aproximação da ex-senadora com o PT; “Não temos que atacar Marina. Nosso adversário a ser batido continua sendo Dilma e o PT”, disse o candidato a vice na chapa de Aécio Neves, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)


247 – De olho em um acordo no segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff, o PSDB já se declarou a favor da candidatura de Marina Silva no lugar de Eduardo Campos pela chapa do PSB.
Ainda que Marina possa ser uma ameaça para o presidenciável tucano Aécio Neves, o próprio candidato acredita que, passado o momento de comoção entre eleitores pela trágica morte de Campos, que deve projetar a ex-senadora ao patamar de 20% das intenções de voto, segundo ele, ela pode começar a cair.
“Não temos que atacar Marina. Nosso adversário a ser batido continua sendo Dilma e o PT”, disse o candidato a vice na chapa de Aécio, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Segundo o presidente do PSDB de Minas, deputado Marcus Pestana, Marina vai procurar se diferenciar de Dilma e Aécio, colocando-se como uma suposta nova política. “Nossa estratégia não mudará”, garante.

A Globo e os impostos

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Reproduzimos artigo impecável do Paulo Nogueira.

O ator sueco e a sonegação da Globo

Por Paulo Nogueira, no Diario do Centro do Mundo.


Stellan Skarsgard é um ator sueco.

Aos 63 anos, um dos favoritos do cineasta Lars von Trier, tem uma carreira vitoriosa que lhe trouxe fama e dinheiro. Recentemente, ele concedeu uma entrevista na qual reafirmou seu amor pela Suécia.
“Vivo na Suécia porque o imposto é alto, e assim ninguém passa fome. A saúde é boa e gratuita, assim como as escolas e as universidades”, disse ele. “Você prefere pagar imposto alto?”, lhe perguntaram. “Claro. Se você ganha muito dinheiro, como eu, você tem que pagar taxas maiores. Assim, todo mundo tem a oportunidade de ir para a escola e para a universidade. Todos têm também acesso a uma saúde pública de qualidade.”

Skarsgard nasceu e cresceu numa cultura que valoriza o pagamento de impostos. Por isso a Suécia é tão avançada socialmente. Impostos, como lembrou ele, constroem hospitais, escolas, universidades. Pagam professores e médicos da rede pública, além de tantas outras coisas positivas para qualquer sociedade.

Essa cultura vigora também na Alemanha. Recentemente, o presidente do Bayern foi para a cadeia por sonegar imposto. Quando o caso eclodiu, as autoridades alemãs fizeram questão de puni-lo exemplarmente sob um argumento poderoso: nenhum país funciona quando as pessoas acreditam que podem sonegar impostos impunemente.

Agora, vejamos o Brasil. Há anos, décadas a mídia alimenta uma cultura visceralmente oposta. Imposto, você lê todo dia, é um horror. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo (o que é mentira). Imposto é uma coisa injusta. Bem, a mensagem é: sonegue, se puder. Parabéns, caso consiga.
Não poderia haver coisa mais danosa para os cidadãos do que esta pregação diuturna da mídia. Você os deforma moralmente. Tira-lhes o senso de solidariedade presente em pessoas como o ator sueco citado neste artigo.

Além de tudo, a cultura da sonegação acaba chancelando os truques praticados pelas grandes companhias de mídia para escapar dos impostos. Considere o caso célebre da sonegação da Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

Nestes dias, vazou toda a documentação relativa ao caso. Uma amostra já tinha vindo à luz – na internet, naturalmente – algum tempo atrás, num furo do site Cafezinho. Só a cultura da sonegação pode explicar o silêncio sinistro que cerca este escândalo fiscal.

Até aqui, a Globo não deu uma única satisfação à sociedade. Não se desculpou, não se justificou. É como se nada houvesse ocorrido. Também a Receita Federal, até aqui, não disse nada. Mais uma vez, é como se nada houvesse ocorrido no âmbito da receita. Nenhuma autoridade econômica, igualmente, se pronunciou. De novo, é como se nada houvesse ocorrido numa área tão vital para a economia como a arrecadação de tributos.

E a mídia?

Bem, a mídia finge que não está acontecendo nada. Contei já: quando o Cafezinho publicou os documentos, falei com o editor executivo da Folha, Sérgio Dávila. Ponderei que era um caso importante, e ele aparentemente concordou porque logo a Folha fez uma reportagem sobre o assunto. Uma e apenas uma.

Em seguida, a sonegação da Globo sumiu da Folha para nunca mais retornar.

Se conheço as coisas como funcionam nas redações, um telefonema de um Marinho para um Frias – as famílias são sócias no Valor — pôs fim à cobertura. Volto a Stellan Skarsgard. Em todo país socialmente desenvolvido, pagar impostos é uma coisa sagrada. E sonegá-los é um ato de lesa sociedade, passível de punição exemplar.

O Brasil sofreu uma lavagem cerebral da mídia. Uma das tarefas prementes de uma administração sábia é desfazer essa lavagem. Quando as palavras do ator sueco encontrarem eco no Brasil, seremos uma sociedade desenvolvida.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Nem a família de Campos esperou ele ser enterrado




Por volta das 12 horas de quarta-feira, 13 de agosto, o site Brasil 247 noticiou em primeira mão: “Campos pode ter sofrido desastre aéreo em Santos”. Cerca de meia hora depois, a mídia em peso referendava o “furo” daquele site.
A referência à primeira notícia a dar conta da morte do ex-governador de Pernambuco serve para situar temporalmente o leitor sobre quanto demorou para surgirem especulações políticas sobre a tragédia.
Às 14 horas em ponto, este Blog publicou post em que apontou o óbvio sobre como ficaria a candidatura do PSB à Presidência e também lamentou a morte de Campos. O texto apontou a inevitabilidade de Marina Silva substituir o cabeça-de-chapa, ora falecido.
Apesar do tom respeitoso do post, que não descuidou de lamentar e até de elogiar a candidatura do falecido pelo que tinha de positivo para o regime democrático por estimular o debate sobre o país, alguns leitores, aqui nesta página, no Facebook e no Twitter, afetados pela intensidade da tragédia, ponderaram que a publicação da análise, naquele momento, seria inapropriada.
Vale dizer que alguns desses leitores também são amigos pessoais. Uma amiga, inclusive, ficou tão contrariada com o post que chegou a insultar o signatário desta página.
Cerca de uma hora depois, este que escreve difundiu, nas redes sociais, notícia que mostrou que não havia como impedir ou postergar aquela análise política sobre Marina Silva substituir Campos simplesmente porque sua própria família, possivelmente antes deste Blog, já pregava que a candidata a vice na chapa do falecido assumisse o lugar dele.
Às 15 horas e 16 minutos – cerca de duas horas após a confirmação oficial da morte de Campos –, o portal do jornal O Globo publicava a matéria “Irmão de Eduardo Campos quer que Marina seja substituta em chapa do PSB”.
Entre a apuração da notícia e a sua publicação na Web, pode-se calcular que o irmão do falecido tratou de política com a imprensa logo após saber da fatalidade.
Uma amiga que condenou a análise feita pelo Blog sobre a pressão que haveria para Marina substituir Campos chegou a pôr em dúvida a notícia de O Globo, que mostrava que o irmão do falecido tratara do assunto da substituição do candidato do PSB antes de qualquer outro.
À noite, no Jornal Nacional, aparece Antonio Campos, membro do PSB e irmão do falecido. De forma lamentável, misturou política com a fatalidade e praticamente pediu votos para o substituto do irmão ao pedir que as pessoas “reflitam”, como se a fatalidade revelasse que Campos era o melhor candidato.
Menos de dois dias após a morte do candidato do PSB, na primeira página da Folha de São Paulo sai uma notícia chocante, como manchete principal: “Família de Eduardo Campos quer candidatura de Marina”.
Detalhe: o falecido ainda nem foi enterrado, até o momento em que este post foi publicado.
Como se vê, especulações sobre quem substituiria o candidato que acabara de morrer chocaram muita gente. Amigos e leitores que ponderaram que seria “fora de lugar” este Blog fazer uma análise política – ainda que profundamente respeitosa – tão cedo, apoiam Dilma Rousseff. E mesmo assim ficaram contrariados.
Para que se possa mensurar como está sendo considerado inconveniente tratar tão cedo da substituição da candidatura do PSB a presidente, vale visitar notícia publicada nesta sexta-feira (15/8) na coluna “Painel” da Folha de São Paulo.

Por mais que seja ingenuidade achar que um abalo no quadro político dessa magnitude poderia esperar para ser discutido, já há indícios de que, assim como a derrota do Brasil na Copa de 2014 não influiu na política, a morte de Campos tampouco irá operar grandes alterações na disputa eleitoral.
Espertos, Marina e o próprio PSB se recusam a tratar do assunto. O açodamento da mídia e até da família do candidato morto não está pegando nada bem. O que mais se vê por aí são críticas a que não esperem nem o falecido ser enterrado para tratarem do assunto.
Particularmente, este Blog julga que os blogueiros e os grandes meios de comunicação que já começaram a tratar da substituição da candidatura de Campos logo após o anúncio de sua morte, não cometeram impropriedade.
O que está em jogo, neste momento, é o destino de 200 milhões de brasileiros; o Brasil está discutindo seu futuro. O que soa “fora de lugar” é a família de Campos se entregar ao assunto antes mesmo de ele ser enterrado.

A ofensiva dos abutres e das hienas e o “mundo-cão” da Cantanhede

carniceiros

Que Marina Silva tem o direito de pretender ser a candidata do grupo que apoiava Eduardo Campos, não há nada a discutir.

Quanto ao direito do PSB de avaliar se alguém que entrou no partido como “carona” possa representá-lo, também não há questionamento moral possível.

A democracia se exerce, aliás, através dos partidos.

Mas a mídia brasileira, com seu já agora ostensivo apetite político, tomou a frente do processo e, como um bando de urubus, se arroga dona do corpo morto de Eduardo Campos e chama Marina Silva para ser não uma candidata a Presidente, mas a amazona dos despojos do ex-governador de Pernambuco.

O Globo “acusa” Lula e Dilma de terem telefonado ao presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral.
Meu Deus, quem é o dirigente maior dos socialistas, na ausência de Eduardo Campos, a quem, senão a ele, deveriam dirigir, além do pesar à família Campos, as condolências e o diálogo político?

Como uma matilha de lobos, o time de colunistas políticos do jornal é mobilizado para “exigir” Marina, como se fosse papel dos jornais deliberar pelos partidos políticos que, repito, tem o direito e o poder legal de escolherem ou não a ex-senadora como seus representantes eleitorais.

Mas pior, muito pior, é o que faz, de forma indecente e mórbida, a colunista da Folha, Eliane Cantanhêde.
Dá a impressão de que saliva de prazer ao imaginar a mais mórbida exploração eleitoral do cadáver de Eduardo Campos.

“Dilma Rousseff e Aécio Neves, tremei. No rastro da comoção nacional pela morte estúpida de Eduardo Campos, apoios da família dele à sua vice serão avassaladores. O irmão, Antônio, já se manifestou publicamente. E quando a mulher, Renata, ladeada pelos cinco filhos, inclusive o bebê Miguel, lançar Marina? E quando a mãe, Ana Arraes, apadrinhar a candidatura aos prantos?”

Não é um campanha eleitoral o que quer nossa refinada e cheirosa elite.

É um programa destes de “mundo cão” da pior espécie.

Falam tanto em programa, projetos, eficiência, capacidade.

Mas, se lhes servem politicamente, às favas os escrúpulos e viva a manipulação do sentimentalismo, da dor, dos mortos.

Não se disputa a herança política de Eduardo Campos, mas o direito de poder explorar o seu fim trágico, o seu cadáver, numa campanha.

Está em jogo o destino de um país, a escolha de quem irá dirigi-lo nos próximos quatro anos.
Isso, para os cidadãos de bem.

Para outros, não é isso.

Não lhes importa quem vá para lá e que métodos se disponha a usar para isso.

Tudo o que querem é que se derrube um projeto progressista e popular, ainda que à custa de colocar qualquer um lá, com o qual, depois, se verá o que fazer.

E não vacilam, para isso, sequer, em propor a mais vil exploração da dor de uma família, inclusive de suas crianças.

A direita brasileira já teve o seu Corvo, Carlos Lacerda. Conseguiu baixar mais e agora tem abutres e hienas.

É nojento, o que mais dizer disso?

Vazou tudo! Sonegação da Globo está na web!


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A trágica morte de Eduardo Campos fez passar despercebido o vazamento da íntegra do processo de sonegação da Rede Globo.

Os documentos chegaram simultaneamente a diversos blogs e sites no mundo inteiro, e estão disponíveis nos seguintes links:

doc01.pdf
https://mega.co.nz/#!CspFiLKR!OdIs6BNyfcAm5xvmj0O6L57UkKB9e1OUvxUAlZSZRaY


doc02.pdf
https://mega.co.nz/#!D95FlTzY!5GpFvfEYff2tg7M0WqjvtKD9AbhsrbkbeL40orhvHhQ

São 1.200 a 1.500 páginas, que agora devem ser analisadas pela inteligência coletiva das redes sociais.
Há páginas com transferências ilegais de valores da Globo e suas laranjas para o exterior, o que pode se configurar crime financeiro, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

É uma mina de ouro!

E agora não tem nada a ver com o Cafezinho. O vazamento veio do exterior, por fonte não-identificada, e só não explodiu por causa da comoção nacional causada pela morte de um candidato a presidente da república.

Neste momento, em que a Globo se arrepia toda com a possibilidade de realizar uma grande manipulação emocional da população, com a morte de Eduardo Campos, seria interessante mostrar ao povo brasileiro que a emissora não tem condição moral de ser “árbitro” de nenhuma disputa eleitoral.

É preciso aproveitar o momento para se iniciar uma grande campanha contra a sonegação de impostos.

A democracia brasileira precisa, sim, de um choque moral. Isso implica em rever alguns valores. Para nossa elite, não há interesse em patrocinar campanhas contra a sonegação, porque ela é a que mais sonega no mundo inteiro.

Para se ter uma ideia, em novembro do ano passado, o Valor deu uma notícia que nenhum grande jornal
 mais popular repercutiu.

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A Rússia só está em primeiro lugar em percentual do PIB, e mesmo assim, em “empate técnico” com o Brasil. A sonegação russa corresponde a 14,2% do PIB; a nossa, a 13,4%.

Mas a sonegação brasileira, em valores, é bem maior: US$ 280 bilhões. Em reais, portanto, a sonegação brasileira, em 2011, foi de R$ 636 bilhões! Em 2011, imagina em 2014!

A sonegação russa, em valores, está estimada em US$ 211 bilhões/ ano.

O único país cuja sonegação supera o Brasil em valores são os EUA. A sonegação nos EUA totaliza US$ 337 bilhões, mas isso correspondeu a um percentual de apenas 2,3% de seu PIB.

Agregando percentual de PIB e valor, portanto, pode-se afirmar que a sonegação brasileira é a maior do mundo!

Uma empresa que ganha dinheiro como concessão pública de TV deveria ser um exemplo, um modelo! E fazer campanha contra a sonegação!

É claro que o Brasil precisa passar por uma reforma tributária!

Os auditores fiscais estimam que, se a sonegação fosse reduzida, a carga tributária poderia ser brutalmente reduzida no país.

A campanha contra a sonegação deveria ser incorporada a todas as campanhas contra a corrupção, até porque envolve valores muito maiores, e as duas, sonegação e corrupção, estão ligadas organicamente. O dinheiro sonegado é o mesmo usado para corromper

Tragédia e desespero

O declínio de Aécio e a morte trágica de Campos abriu para o mercado aquilo que seus operadores classificam como uma janela de oportunidade.

por: Saul Leblon
 
Arquivo

A tragédia que tirou a vida de Eduardo Campos explodiu na política brasileira em vários sentidos. Mas também em nossa cabeça ao pulsar zonas involuntariamente congeladas onde hiberna a pedagogia que existe na dor.

O imponderável da história cobra penitência do menosprezo nessas horas.

 Dimensão desdenhada  pela atribulação e/ou  a soberba ,  as rupturas  pessoais ou coletivas  imprimem transparência curta, mas vertiginosa,  à impostura das  miudezas  que se avocam  em pétreas balizas do presente e do futuro,  até emergir o rosto da catástrofe.

A finitude humana precisa ser abstraída para permitir sentido à existência social,  retruca  o instinto de sobrevivência.  Nesse desvão o capitalismo  naturaliza  e arrancha as leis de mercado nas formas de viver e de produzir, anestesiando  a alma e o cotidiano da sociedade.

Permuta-se  angústia existencial  por compulsão comercial.

Consumir para existir.

E vice-versa.

A circularidade  é autossustentável.

Não é a consciência que determina a vida;  a vida determina a consciência. E nela o limite do cartão de crédito é mais sagrado que o tesouro  fátuo da existência.

Diante da natureza humana  intrinsecamente cultural  o capitalismo não se contenta com menos do que ser a respiração dessa  segunda pele.

Libertá-la  da servidão seria o papel  da política, entendida como ponto de fusão entre a filosofia e a  economia, entre  a luta pela sobrevivência e a realização do potencial humano.

Para ser ruptura sem ser tragédia a política deve escancarar  nas mercadorias  que nos cercam as relações econômicas que nos aprisionam.

Nessa condição  se torna a consciência histórica da existência social  para identificar  na ‘forma fantasmagórica de uma relação entre coisas’ aquilo que, na verdade,  é uma relação social determinada entre os homens.

Ou seja, os produtos do engenho humano não tem  ‘vontade própria’, os mercados não são racionais e os seres humanos não são objetos a serem explorados uns pelos outros.

Romper o lacre do fetiche que nos circunda e subjula: essa é a emancipação que se espera da  política.

O impacto desse 13 de agosto na política brasileira ajuda a enxergar, nas breves horas que correm, o abastardamento dessa dimensão libertadora que ela deveria ter.

Em primeiro lugar, avulta a sofreguidão dos que buscam uma tapagem.

Qual? Qualquer uma desde que conjure  o risco, por modesto que seja, de um passo miúdo  em direção oposta à hegemonia ‘da coisa’ humanizada sobre os  ‘sujeitos’ coisificados  .

O mercado desabou quando soaram as primeiras informações sobre o desastre  aéreo ocorrido manhã de 4ª feira em Santos.

Não porque o ex-governador Eduardo Campos estivesse entre os mortos. Mercados não choram.

Mas pelo temor de que Marina Silva não se incluísse mais  entre os vivos.

Subiu, em seguida, quando se confirmou que a ex-ministra  teria viajado em outro avião, de carreira.

Não porque o mercado  alimente em relação a ela simpatias ideológicas ou empatias pessoais. O valor da natureza para o mercado é aquele atingido pelas commodities em Chicago.

Na nervosa preocupação manifestada com a sorte de Marina  pulsava na verdade a grande  confissão escancarada pela tragédia desta  4ª feira:  ninguém acredita  mais em Aécio no mercado.

Comprado  inicialmente  como o engate  capaz  de reconduziu os centuriões do dinheiro ao comando do Estado, o tucano depreciou-se  como um avião em pane na calculadora de seus fiadores.

Desde que derrapou no aeroporto do tio Múcio, em Claudio (MG), e não mais se levantou, deixou  evidente  sua limitação  política, moral e intelectual  para levar a bom termo o roteiro contratado.

No rescaldo da tragédia de 4ª feira, o conservadorismo em peso intima Marina a se oferecer como escada  para levar o projeto neoliberal ao segundo turno contra Dilma.

Colunistas do dispositivo conservador evocam  os astros  na tentativa de sensibilizar  o  messianismo : ‘Presidência é destino’, sentenciam sacudindo com as mãos  os ombros magros  de Marina.

Dela não se espera nada, exceto isso: ser  o suporte capaz de comboiar  os centuriões do mercado que patinavam  no chão mole escavado  por um Aécio.

Essa a dimensão de sua sobrevivência que preocupava os mercados num primeiro momento.

 No mesmo dia  em que um vento traiçoeiro selava  a carreira política de Eduardo Campos, um fórum em São Paulo reunia a fina flor dos interesses que agora assediam Marina Silva a ‘cumprir o seu destino’.

Organizado por uma revista de economia, no Hote Unique,  na capital paulista, o evento que previa a participação de Campos,   teve como debatedores, entre outros, José Berenguer , presidente Banco JP Morgan;   Paulo Leme, presidente do Conselho de Administração  do Banco Goldman Sachs e  Armínio Fraga, representante de  Aécio Neves.

O consenso das intervenções  condensa a única plataforma que  de fato interessa do ponto de vista do conservadorismo.

Aquela que restaura a supremacia dos mercados  sobre os tímidos passos dados nos últimos anos em direção a uma democracia social que coordene os rumos da economia e o destino da sociedade.

 A saber: tarifaço nos serviços sem compensação salarial;   câmbio livre  e arrocho fiscal; alta de juros para devolver a inflação à meta e elevar o superávit  primário.
Uma  agenda à procura de um portador eleitoralmente  capaz de leva-la ao segundo turno da disputa presidencial de outubro.

O declínio de Aécio  e a morte trágica  de Eduardo Campos abriu  para o mercado aquilo que seus operadores costumam classificar como  ‘uma janela de oportunidade’.

A janela é Marina.

A oportunidade  é  fazer dela o cavalo de Tróia da restauração neoliberal no Brasil
Falta combinar com a ex-senadora que um dia foi parceira de Chico Mendes, fundadora do PT e referência da esquerda na luta ambiental.

Façam suas apostas, a roleta vai girar. E tem muito dinheiro em jogo nessa rodada.



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A escalada do ódio político no Brasil




“Cinquenta (…) anos atrás [1957], um jovem fotógrafo do Arkansas Democrat (…) foi cobrir o primeiro dia de aula de um grupo de estudantes negros na maior e melhor escola média de Little Rock [Arkansas, EUA]. Esse pedaço de história ficou gravado no negativo de número 15.

Eram apenas nove os jovens negros selecionados pela direção do principal colégio da cidade, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país. Segundo David Margolick, autor do recém-publicado Elizabeth and Hazel: Two Women of Little Rock (ainda inédito no Brasil), a peneira foi cautelosa. A busca se concentrou em colegiais que moravam perto da escola, tinham rendimento acadêmico ótimo, eram fortes o bastante para sobreviver à provação, dóceis o bastante para não chamar a atenção e estoicos o suficiente para não revidar a agressões. Como conjunto, também deveria ser esquálido, para minimizar a objeção dos 2 mil estudantes brancos que os afrontariam.

Assim nasceu o grupo que entraria na história dos direitos civis americanos como ‘Os Nove de Little Rock’. Eram todos adolescentes bem-comportados, com sólidos laços familiares, filhos de funcionários públicos e integrantes da ainda incipiente classe média negra sulista. Entre eles, a reservada Elizabeth Eckford, de 15 anos.

Os pais dos nove pioneiros foram instruídos a não acompanharem os filhos naquele 4 de setembro de 1957, pois as autoridades temiam que a presença de negros adultos inflamasse ainda mais os ânimos. Por isso, os escolhidos agruparam-se na casa de uma ativista dos direitos civis e de lá seguiram juntos para o grande teste de suas vidas. Menos Elizabeth, que não recebera o aviso para se encontrar com os demais e partiu sozinha rumo a seu destino.

De longe ela avistou a massa de alunos brancos passando desimpedidos pelo cordão de isolamento montado pela Guarda Nacional do Arkansas. Ao tentar fazer o mesmo, foi barrada por três soldados que ergueram seus rifles. Elizabeth recuou, procurou passar pela barreira de soldados em outro lugar da caminhada e a cena se repetiu. Alguém, de longe, gritou ‘Não a deixem entrar’ e uma pequena multidão começou a se formar às suas costas. Foi quando Elizabeth se lembra de ter começado a tremer. Com a majestosa fachada da escola à sua frente, ela ainda fez uma terceira tentativa de atravessar o bloqueio em outro ponto do cordão de isolamento.

Como pano de fundo, começou a ouvir invectivas de ‘Vamos linchá-la!’, ‘Dá o fora, macaca’, ‘Volta pro teu lugar’, frases proferidas por vozes adultas e jovens. Atordoada, dirigiu-se a uma senhorinha branca – a mãe lhe ensinara que em caso de apuro era melhor procurar ajuda entre idosos. A senhorinha, porém, lhe cuspiu no rosto.

Como não conseguisse chegar à escola, a adolescente então tomou duas decisões: não correr (temeu cair se o fizesse) e andar um quarteirão até o ponto de ônibus mais próximo. Um aglomerado de cidadãos brancos passou a seguir cada passo seu. Imediatamente às suas costas vinha um trio de adolescentes, alunas do colégio. Entre elas, Hazel Bryan: “Vai pra casa, negona! Volta para a África!’.

 Segundo o autor do livro centrado no episódio, foi este o instante em que a câmera de Will Counts captou a imagem que se tornaria histórica [vide foto no alto da página]. Hazel, de quinze anos e meio, não carregava qualquer livro escolar. Apenas uma bolsa e um inexplicável jornal. Ela não planejara nada para aquela manhã. Vestira-se com o esmero que era sua marca – roupas e maquiagem ousadas para uma adolescente daquela época – e arvorou-se de audácia ao ver tantos fotógrafos e soldados da Guarda Nacional. Nada além disso. O resto pode ser debitado à formação que recebera em casa – família de origem rural, ideário fundamentalista cristão, atitude racial aprendida com o pai (…)”

O relato acima foi escrito pela jornalista brasileira Dorrit Harazim, que já trabalhou na Veja, no Jornal do

Brasil e na revista Piauí, que, em sua edição 62, publicou o artigo “Ódio Revisitado”, do qual você acaba de ler um trecho.
Em princípio, pode-se dizer que um artigo sobre ódio “racial” contra negros em um país de maioria branca não nos diz respeito. Contudo, a causa do ódio nunca é o mais importante. O ódio precisa de uma causa, qualquer causa…

Porém, basta que o leitor substitua ódio “racial” por ódio religioso, de classe social, político ou ideológico para ver que o mecanismo é sempre o mesmo. Começa com a formação de turbas incomodadas com portadores de diferença de “raça”, religião, classe social, naturalidade ou nacionalidade, opinião política ou ideologia.

O segundo passo das escaladas de ódio consiste na generalização contra portadores de diferenças como as exemplificadas acima. Todo negro, judeu, cristão, muçulmano, espírita, pobre, rico, nordestino, petista ou comunista passa a ser previamente definido com base em estereótipos.

O terceiro passo começa com a segregação voluntária dessas tribos conflitantes, que se distanciam conforme vão apurando a “razão” para não coexistir com quem não divide crenças, características físicas, estrato social ou posição geográfica.

O quarto passo do crescimento do ódio entre grupos é sua chegada aos meios de comunicação – antes impressos e depois eletrônicos. Provocações surgem entre grupos que controlam os grandes meios e os que não têm mídia – ou que, hoje, têm pequenas mídias graças à internet.

O quarto passo é o transbordamento para o mundo real do ódio virtual que se espalhou pelos meios de comunicação com a ascensão de líderes e figuras-símbolo a encarnar centenas, milhares, muitas vezes milhões ou dezenas de milhões de contrários. Esse ódio passa a se traduzir em trocas públicas de insultos.

O quinto passo começa tímido e, se não for interrompido, pode chegar ao sexto. Insultos e provocações já produzem agressões físicas aqui e ali. Incialmente tidas como fatos isolados, muitas vezes adquirem proporções epidêmicas, como vem ocorrendo há mais de uma década na Venezuela, onde, mais recentemente, dezenas perderam a vida em confrontos entre grupos políticos pró e contra o governo.

Abaixo, um dos exemplos dessa exacerbação do ódio que o Blog colheu no Facebook horas antes de publicar este post.







No Brasil, a escalada do ódio cresce há 500 anos por conta da assimetria de renda em um país consumista ao extremo, no qual, sem dinheiro, o cidadão torna-se um pária, um símbolo de fracasso pessoal premeditado. Mas como tudo que é ruim pode – ou tende a –   piorar, eis que o ódio passa a decorrer da mais perigosa das divisões, a divisão político-religiosa-ideológica, origem majoritária das guerras.

O grande problema do brasileiro, neste momento, é assumirmos, cada um, nosso quinhão de responsabilidade por uma escalada do ódio que, para alguns, em lugar de ameaça representa prova de seu poder de contaminação da sociedade, a ser comemorado.

Outro jornalista brasileiro que deixou a revista Veja é Fred Di Giacomo, que hoje toca um site chamado Gluck Project. Di Giacomo, recentemente, escreveu “A história do Ódio no Brasil”. Trecho do texto ilustra a tese deste post.

‘Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas’. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil (…)”

Poucos de nós são responsáveis pelo ódio político que tanto cresceu no país, mas boa parte de nossa sociedade é responsável por ter aderido a ele. Vale para o que espalha provocações na internet, vale para o que se deixa contaminar por elas e responde à altura.
Nos ambientes minimamente adequados ao debate político, vá lá que as coisas acabem esquentando. O problema é quando o ódio político ultrapassa qualquer limite aceitável e passa a ser espargido onde é, no mínimo, inaceitável que exista.
Mais de uma dezena de horas antes de compor o texto abaixo, seu autor teve uma experiência pessoal – e assustadora – com o crescimento do ódio político que fatores variados – e mais adiante elencados – produziram no país. O texto a seguir foi publicado por este que escreve em sua página no Facebook.

Nunca vou parar de me surpreender com o potencial desolador da ignorância. Minha mulher participava de uma “comunidade” virtual de mães de meninas com síndrome de Rett (doença de [minha filha] Victoria) e essas mulheres começaram a postar sem parar acusações ao PT de ser responsável pela morte de Eduardo Campos por o partido ter o número 13 e o falecimento ter ocorrido num dia 13.

Minha mulher protestou contra esse absurdo e recebeu de volta uma saraivada de insultos. Mas o que é mais impressionante é que mães de meninas com doença igual à de minha filha começaram a atacar a menina perguntando se ela também “é petista” e dizendo que até imaginam que “tipo de mãe” minha mulher deve ser, sendo “petista”.

A que ponto chegamos? Conseguiram envenenar este país ao impensável. Essas mesmas mulheres xingavam Dilma furiosamente e apelando para insultos que são sempre usados contra mulheres usando a própria condição femina – puta, vaca, vadia, vagabunda, prostituta, sapatão etc., etc., etc.

Ver mães de crianças especiais atacando crianças especiais por política, ver mulheres usando o mais vil recurso do machismo contra mulheres, tudo por causa de política, dá vontade de chutar tudo pro alto e fugir pro outro lado do mundo, bem longe dessa loucura que essa direita assassina, que jogou o país em 20 anos de ditadura, trouxe de volta para a nação

O desabafo (justificável pelo que relata), porém, não deixa de ser uma pitada de combustível na escalada do ódio ao debitar a um grupo ideológico (a direita) o comportamento espantoso de seus personagens. Mesmo sendo verdade, poderia ter feito o desabafo sem aumentar o potencial de conflagração que encerra naturalmente? Reflito que poderia, sim…

Para não acusar a terceiros, o blogueiro acusa a si mesmo na esperança de que cada um faça o mesmo, caso enxergue o crescimento do ódio no país.

Alguns dirão, com propriedade, que a grande imprensa, ao tomar partido político, levou a situação a esse ponto. Não há dúvida de que é culpada por exacerbar o ódio político no Brasil desde o advento da

República, mas não se constrói uma casa sem tijolos. Se a mídia é construtora, quem são os tijolos dessa

escadaria do ódio que estão edificando?

Em outras palavras, a mídia não poderia edificar essa escalada do ódio no Brasil se não tivesse farta matéria-prima. O mais dramático é que há tanta dessa matéria-prima espalhada por aí que não se sabe mais como recolhê-la em quantidade suficiente para que falte aos entusiasmados construtores do ódio. Nesse aspecto, sugestões serão mais do que bem-vindas.

Há algum tempo recebi por e-mail esse artigo de autoria de Adriano Benayon


Há algum tempo recebi por e-mail esse artigo de autoria de Adriano Benayon

"Marina Silva é evidentemente mais uma carta na manga do império anglo-americano para enganar os brasileiros, animando-os a mais uma vez ir votar e receber rato por lebre (o dito é injusto com os gatos, daí a substituição). Depois de tantas enganações que não há tempo de historiar aqui, mais uma: a de uma mestiça de índio, amazônida, defensora do meio ambiente e dos indígenas. Os imperialistas continuam em vários países a usar mulheres, negros, os trabalhadores mais do que cooptados para executar o programa da concentração, da desnacionalização, da desindustrialização e tudo mais que joga o Brasil na rabada do mundo, em contraste com seu ótimo povo e seus fabulosos recursos naturais. Fazem assim em muitos países. Marina Silva é ativista a serviço da monarquia britânica, grande concentradora das minas de ouro e de outros minerais preciosos no Brasil e em vários outros países produtores. O trabalho de Marina (portadora da bandeira olímpica em Londres) é ajudar no isolamento de áreas do território nacional para serem controladas por ONGs do aparelho ambientalista e indigenista mundial, para que as potências hegemônicas explorem aqueles recursos naturais sem deixar para o Brasil senão buracos. Talvez nem buracos, pois essas imensas e riquíssimas áreas estão programadas para serem desmembradas do território nacional. Alguém estava dormindo de touca, quando essa Marina estava sendo gordamente financiada para ter expressiva votação e provocar o segundo turno, que ainda daria uma chance à tucanagem e, no mínimo, conseguiu evitar a vitória de Dilma no primeiro turno? O investimento do império na Marina, que é antigo, teve aí um ponto alto, a que se deverá seguir um ainda mais alto com a próxima campanha à presidência. Aqui entre nós, o PT não desfez coisa alguma dos desbragados entreguismos de Collor e FHC, inomináveis. A estória de trabalhador não serve mais. A de mulher tampouco. Agora é mulher e “coitadinha”, verde e indigenista. O povo não esquece o estrago histórico dos tucanos (estes não voltam mais). O PT, além de não ser solução, como não é nenhum partido no atual quadro institucional e na estrutura econômica do Brasil, foi adicionalmente desacreditado com a montagem do mensalão. Além disso, a crise deve vir mais braba, antes da eleição. No governo fica mais difícil ganhar. Ótima chance para mais um “novo”, a serviço do que há de mais velho e mais deletério: o imperialismo, esse mesmo que dizimou os índios no México e nos Estados Unidos, saqueia o mundo desde antes das Cruzadas e por aí vai. Então, a jogada do império está clara: vamos impingir uma nova marca no marketing da mentira, com a ajuda das TVs e de toda a mídia entreguista (desde antes de 1945, quando derrubaram Getúlio Vargas, pela primeira vez) e de grana grossa. Vamos ver se os brasileiros continuam servindo de otários. Ou fazem algo sério ou não serão mais cidadãos de um país sequer do futuro.”

Adriano Benayon,

Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica tecnológica. Depois, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.

Brasil tratará exploração da morte de Campos como tratou derrota da Seleção



Mal havia sido anunciada a morte trágica e dolorosa de Eduardo Campos e já começava uma asquerosa exploração política da tragédia, em um crescendo da mais pura falta de vergonha, de hipocrisia, de teorias conspiratórias absurdas e baseadas em absolutamente nada.
No Twitter, mensagem de um autoproclamado “pastor” já mostrava o nível de falta de noção, de brutalidade, de oportunismo, de hipocrisia que conspurcaria um momento em que a democracia brasileira estava sofrendo forte abalo, com a morte de um homem que estava exercendo um papel que precisa ser exercido, de oferecer ao país uma proposta alternativa.


Teorias conspiratórias com finalidade política se espalharam. Nas redes sociais, militantes de partidos políticos tentaram vincular o número eleitoral do PT (13) à data da morte de Campos. No portal de um

grande jornal, “notícia” de que a morte do candidato do PSB teria gerado “Pânico no mercado financeiro”.



Passadas cerca de cinco horas da divulgação da tragédia, começa a tomar forma uma postura que se tornaria chocante. O portal do jornal O Globo noticia que Antonio Campos, irmão de Eduardo Campos, dera entrevista na qual pregara que Marina Silva substitua Campos como candidata do PSB a presidente.



Mas seria à noite, já nos primeiros minutos do Jornal Nacional, que o mesmo Antonio Campos daria uma declaração chocante. Ao falar sobre a morte do irmão, fez uma declaração que pode até ser vista como produto de desorientação, mas que, associada à declaração anterior, deu impressão de cálculo político.



Fica difícil não perguntar por que a morte de Campos deveria gerar uma “reflexão sobre os destinos do país”. Sim, o candidato pelo PSB morreu lutando por seus interesses políticos, o que é absolutamente legítimo. Porém, a fala de seu irmão permitiria até inferir que ele foi vitimado por algum adversário, quando foi vítima de uma fatalidade da qual adversário nenhum tem culpa.
A morte de Campos tem o poder de nos fazer refletir sobre a frágil e efêmera condição humana, mas de forma alguma tem o condão de gerar reflexões sobre o destino do Brasil, sobretudo sobre como o Brasil votará, pois uma fatalidade influir na decisão eleitoral deste povo equivaleria ao povo decidir em quem votará para presidente por conta da derrota da Seleção na Copa de 2014.
Mais adiante, no mesmo Jornal Nacional, a previsível tentativa da Globo de extrair lucro político da morte de Campos. Ao reproduzir as falas dos candidatos a presidente sobre a tragédia, o telejornal escolheu manifestação condoída e emocionada de Aécio Neves e um momento menos emocionado da manifestação

de Dilma.




Dilma disse o mesmo que Aécio e emocionou-se tanto quanto ele – ao menos aparentemente – apareceu emocionado ao falar para as câmeras do Jornal Nacional, mas a emoção de Dilma não convinha à Globo.

Erram de novo os que subestimam o povo brasileiro. Torceram para que a derrota dolorosa da Seleção fosse debitada à presidente da República assim como torcem para que aumentem os votos no candidato – ou candidata – que substituir Campos. Vão quebrar a cara. De novo.

É fácil entender porque conservadores preferem Marina

Blog do Paulo Moreira Leite 

A falta de cerimonia exibida por tantos colunistas conservadores para emplacar Marina Silva de qualquer maneira como candidata presidencial do PSB, menos de 24 horas depois da morte de Eduardo Campos, é um sintoma de vários elementos da campanha de 2014.
 
O maior é o receio de que Aécio Neves já tenha chegado a seu limite eleitoral – muito longe daquilo que seria necessário para dar a seus aliados esperanças reais de vencer o pleito – e é preciso encontrar um atalho para tentar derrotar Dilma. Desse ponto de vista, a oportunidade-Marina veio a calhar.
 
Ao contrário de Aécio Neves, herdeiro identificado com o mais tradicional conservadorismo brasileiro, onde até a denúncia de caráter moral se compromete com a descoberta da pista de aeroporto de R$ 14 milhões na fazenda do tio-avô, Marina consegue apresentar-se como candidata do “novo.”
 
Uma década de esforço permanente para criminalizar a política a pretexto de combater a corrução não poderia deixar de produzir resultados. O mais visível deles, na campanha de 2013, é Marina.
Foi adotada por eleitores , especialmente jovens, sem partido político, para quem todo político é ladrão e só pensa em se arrumar. Basta reparar quais foram partidos que Marina frequentou e quais aliados cultivou ao longo de sua já longa existência política para ponderar o que há de verdade e de mentira nessa visão – mas este é assunto para um longo debate politico, destinado a proteger e recuperar nossos valores democráticos.
 
Basta registrar que sua assessoria é formada por economistas que transformaram a austeridade e o baixo crescimento num horizonte de busca permanente, usando o argumento ecológico como instrumento para impedir o crescimento econômico. Veja só. Ao contrário de conservadores tradicionais, partidários de políticas de austeridade por um período determinado, para derrubar a inflação, por exemplo, eles defendem o baixo crescimento como um valor em si. Sei que é meio difícil de acreditar, num país que tem tanto emprego para criar, tanta infraestrutura para desenvolver, tanta carência para sanar. Mas é verdade.
 
Referindo-se a preservação ambiental, o mais conhecido deles, Eduardo Gianetti da Fonseca, já foi capaz de dizer que é preciso combater o consumo excessivo…de carne e leite. Juro. Para ele, como ninguém respeita os padrões ambientais, é preciso encarecer o preço dessas proteínas para que o consumo seja reduzido. Está lá, no livro “O que os economistas pensam sobre sustentabilidade,” página 72 e seguintes:
“Comer um bife é uma extravagância do ponto de vista ambiental. O preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro. Tudo o que tem impacto ambiental vai ter de embutir o custo real e não apenas monetário. Essa é a mudança decisiva.”
 
Aderindo a palavra de ordem do candidato vizinho de palanque, que falou em medidas impopulares, Gianetti admite na mesma entrevista: “O caminho que estou propondo é sofrido.”
Seu parceiro ideologico, André Lara Rezende, advoga ideias curiosas, próprias de quem admite uma postura de subordinação entre nações. Para ele “a questão Estado-Nação ficou ultrapassada.”
 
Depois de apontar para um futuro onde uma catástrofe ecológica capaz de reduzir a humanidade para 500 milhões de pessoas (hoje somos sete bilhões) já se tornou “irreversível” e “tangível”, Lara Rezende advoga o baixo crescimento, também, mas adverte: “crescimento material com Ecologia é difícil.”

É certo que uma candidata com essas ideias teria uma vida difícil no PSB, partido nascido à sombra de Miguel Arraes, o líder popular que resistiu a ditadura de forma exemplar, chegando a ser preso em Fernando de Noronha para não entregar o cargo que os generais de 64 pretendiam lhe tomar. Imagine esses cidadãos no comando da política econômica um partido que pede votos em sindicatos de trabalhadores e que, em 2014, conseguiu apoio de lideranças operárias de tradição, como Ubiraci Dantas de Oliveira, o veterano Bira, metalúrgico de São Paulo, que já era possível encontrar em comícios do 1o de maio no final dos anos 1970, e que hoje é dirigente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).

Ninguém deve ignorar que Marina e Eduardo Campos fizeram um casamento de conveniências quando a presidente da ex-Rede ficou sem partido. Campos lhe abriu uma legenda, na esperança de receber uma necessária transferência de votos. Marina conquistou um palanque, indispensável para quem corria o risco de ficar calada em 2014. Mostrando uma grande capacidade política para agregar apoios e somar contrários, Eduardo Campos transformou-se no grande ponto de equilíbrio político dentro do PSB. Era o protetor de Marina, o que pedia tolerância para suas opiniões e divergências. Querer usar a tragédia do Guarujá para alterar a natureza desse acordo é cometer uma violência. Numa comparação abusada, mas que faz sentido do ponto de vista das diferenças entre PSB e a Rede, o verdadeiro partido de Marina, seria igual a chamar Michel Temer para ser titular na chapa do PT — caso Dilma Rousseff fosse impedida de disputar a presidência por uma razão qualquer.

Um elemento a favor da escolha de Marina não chega a ser especialmente “novo,” como gostam de enxergar seus aliados. Espera-se que, com sua popularidade, ela ajude o partido a engordar a bancada de parlamentares, estaduais e federais. Isso costuma acontecer, mas nem sempre. Em 2010, num caso clínico de sucesso individual, Marina chegou perto de 20% dos votos como candidata presidencial mas não conseguiu acrescentar um único novo parlamentar à bancada do Partido Verde — desempenho que está na origem de boa parte de suas dificuldades para permanecer no PV.

Ainda assim, a popularidade de Marina provoca justo temor no PSDB, pois pode transformar-se numa candidatura capaz de atropelar Aécio e jogá-lo para terceiro lugar e fora da campanha no segundo turno, o que seria, para os tucanos, uma derrota pior que todas as outras desde 2002.

Para o PT, a recíproca, no caso, também é verdadeira. Para o QG da campanha petista, o cenário ideal – fora a hipotética vitória em primeiro turno, cada vez menos realista – é enfrentar Aécio Neves numa segunda votação.

Os petistas sempre estiveram convencidos de que, num segundo turno, a maioria dos parlamentares, dirigentes e eleitores do PSB não serão capazes de abandonar a própria história para votar no PSDB, que sempre denunciaram como partido conservador, e farão o caminho de volta para uma aliança com o PT. Era com essa possibilidade que Dilma e Lula sempre trabalharam nos últimos meses. Evitaram atitudes hostis e indelicadas, reservado a artilharia mais pesada para Aécio. Qualquer mudança, neste horizonte, irá atrapalhar os planos de Dilma.

E é por isso que nossos conservadores já apostam em Marina.