Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 3 de julho de 2012

Globo manda na Academia ? (E no STF ?)


“Qual a importância do acadêmico Roberto Marinho para a comunicação brasileira?” Em resposta à pergunta: importância? A pior possível !


Amigo navegante Murilo envia essa preciosidade:


Vencedores 13º PRÊMIO LITERÁRIO CIEE/ABL
Tema: “Qual a importância do acadêmico Roberto Marinho para a comunicação brasileira?”

1º Lugar     Marcelle Antunes Alves             Estudante do Curso de Direito do Centro Universitário da Cidade do RJ.
2º Lugar     Varlene Pereira dos Santos     Estudante do Curso de Administração de Empresas da Estácio UniRadial de São Paulo.
3º Lugar     Felipe Ferreira Bressane        Estudante de Letras da Universidade de São Paulo – USP.

A entrega do 13º Prêmio Literário Escritor Universitário “Alceu Amoroso Lima”
será realizada no dia 12 de julho, às 15 horas, no Petit Trianon, sede da ABL – Academia Brasileira
de Letras, situada à Av. Presidente Wilson, nº 203 – Bairro Castelo – Rio de Janeiro/RJ.





Em resposta à pergunta: importância?

A pior possível !

Em tempo: como se sabe, a Academia foi recentemente palco de um debate histórico, algo como entre Hayek e Keynes: um merval debate sobre o futuro do capitalismo, entre Andre Lara Resende e Persio Arida. Como disse o Vasco: se há uma coisa de que eles não entendem, esses dois, é do futuro.

Paulo Henrique Amorim

Imperialismo midiático é o maior problema da humanidade

Quem exprimiu a premissa que intitula este texto, ainda que em outros termos, não foi qualquer um. Seu autor é o presidente do Equador, Rafael Correa. Foi dita em visita recente que o mandatário fez ao Brasil durante entrevista que concedeu ao jornalista Kennedy Alencar em programa que este mantém na televisão aberta.
Correa disse ainda mais. Afirmou que, ao deixar o poder, pretende se dedicar integralmente à missão de combater o que pode ser chamado de imperialismo midiático, ou seja, o massacre comunicacional que um reduzido contingente de impérios de comunicação produz ao esconder, minimizar, aumentar, distorcer ou inventar fatos, além de, não raro, censurar divergências.
A grande dificuldade que se apresenta hoje para acabar com a figura supranacional que é a do “dono” da comunicação (algumas dezenas de grupos empresariais, familiares ou não, que decidem o que a humanidade deve ou não saber) é a de que esses impérios absolutistas se escudam naquilo que mais ferem: a liberdade de expressão.
Para tanto, esses mega grupos empresariais espertalhões procuram manter viva uma situação que vigeu nos primórdios da imprensa, quando ela não tinha o poderio que tem hoje nas democracias e, assim, era o último bastião contra o despotismo de Estado.
Isso durou até que os setores beneficiários da concentração de renda em todo o mundo descobrissem que melhor do que mandar espancar ou assassinar jornalistas que quisessem questionar o poder econômico seria cooptá-los, assenhorando-se da propriedade da imprensa e convertendo-a em uma imensa indústria.
A possibilidade de censurar hoje uma imprensa que dispõe de inúmeras plataformas para difundir seu trabalho é praticamente nula não só nas democracias, mas, até, nas ditaduras. Na Primavera Árabe, as redes sociais mostraram que não é mais possível impedir o livre fluxo de informações, mesmo quando alguém tenta controlá-lo com mão-de-ferro.
Contudo, é evidente que a capacidade de comunicar depende da dimensão do aparato comunicacional. Como blogs ou perfis em redes sociais podem enfrentar impérios de comunicação que dispõem de TODAS as plataformas possíveis e imagináveis em termos de transmissão de informações?
O poder inaceitável que foi dado a esses impérios de comunicação, portanto, é o de hierarquizarem notícias, fatos e opiniões e até mesmo de escondê-los. E como não há meios de questionar em tom semelhante o que esses impérios dizem, pois mesmo quando usam concessões públicas simplesmente se negam a dar espaço até a autoridades, a inundação de suas teses sufoca qualquer divergência e pauta a agenda pública.
Agora mesmo, no Brasil, estamos vendo efeitos revoltantes do poder da mídia. Recentemente, dois ex-ministros do governo Dilma foram absolvidos nas investigações sobre denúncias da mídia de que foram alvos. Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, e Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, foram derrubados sob denúncias de corrupção sem fundamento sólido.
No caso de Palocci, ainda havia um questionamento de fundo moral sobre ter se aproveitado (como tantos outros fizeram sem questionamento da mídia) do cargo de ministro da Fazenda para auferir lucros em negócios após deixar esse cargo, mas, no caso de Silva, não. Foi acusado por um meliante que, da época em que a mídia lhe conferiu credibilidade para cá, passou de acusador a réu.
Palocci, porém, teve a legalidade de seus negócios avalizada, ainda que restem os questionamentos morais. Todavia, para tais questionamentos se sustentarem eles teriam que ser feitos a todos os outros ex-ministros da Fazenda que enriqueceram muito mais do que ele após deixarem o cargo, sobretudo os ministros dos governos anteriores ao de Lula.
Já o caso de Orlando Silva é mais grave. Foi alvo de uma trama sórdida. A mídia transformou um bandido perigoso – por ter problemas mentais evidentes – em um “herói” em luta contra o poderoso vilão corrupto encastelado no poder em que o ex-ministro foi convertido. Esse golpe fez o governo Dilma cometer um de seus maiores erros: imolar um inocente sem razão plausível.
Quanto já custou ao país a politicalha partidarizada e os chiliques ideológicos dos seus impérios midiáticos locais? Ministérios foram paralisados, a agenda pública foi tumultuada por denúncias que eram marteladas diariamente até atingirem o objetivo político-ideológico de seus autores. E depois se descobre que não continham fundamento algum.
Políticas públicas deixam de ser ou são adotadas por pressão do imperialismo midiático. É a comunicação que permite aos Estados Unidos massacrarem mulheres, crianças e velhos de países longínquos “em nome da democracia” e que transforma a reação a esses massacres em “terrorismo”. Tudo graças à interpretação que os impérios maléficos de comunicação dão aos fatos.
A fome, a miséria e a injustiça que ainda flagelam parte imensa da humanidade sustentam-se nas versões dos fatos que são contadas, na falta de pluralidade na comunicação.
Outro exemplo: no fim de semana passado estive em Juiz de Fora (MG) para receber uma homenagem de movimentos negros sobre a qual ainda vou escrever. O envolvimento deste blog com a luta dos negros por igualdade, no Brasil, mostra o descalabro que se abate sobre essa maioria da população exclusivamente por conta do imperialismo midiático, que tem cor.
Movimentos negros de todo país questionam a “invisibilidade” do negro na mídia, o fato de a televisão e a propaganda brasileiras terem um filtro “racial” que retém o negro e o mestiço em benefício da “raça pura”, de ascendência indo-européia, que domina a imagem do povo brasileiro no exterior, fazendo com que pareça que é, predominantemente, branco.
O resultado do racismo midiático é o de que os negros adquirem uma imagem marginal à qual o mercado não quer se associar. A propaganda, assim, usa a maioria negra como exceção quando, na verdade, é regra. E usa a minoria branca como regra apesar de ser exceção.
Dessa forma, a discriminação racial praticada via sub-representação do negro na mídia produz miséria e injustiça social. Os negros ganham menos, estudam nas piores escolas, moram nos piores bairros, são alvos preferenciais da violência urbana, tratam-se nos piores hospitais etc., etc., etc. E quem produz esse estado de coisas é a comunicação.
E a política internacional? Um exemplo: ação integrada da mídia de vários países tenta legitimar um processo que depôs um governo, este sim, legitimamente eleito. E sem o mínimo processo legal e direito a defesa, em processo que durou algumas poucas horas.
E o que é pior: sabe-se que o risco de meia dúzia de grupos empresariais de comunicação encurralarem os governos dos países do Mercosul, não são desprezíveis. Só o que impede de verdade a capitulação, é a Argentina.
E ainda que na imprensa escrita se encontre uma ou outra manifestação lúcida sobre o golpe no Paraguai, na televisão o que predomina é o apoio a esse processo espúrio, antidemocrático e escandalosamente ameaçador à democracia na região.
Chega-se, enfim, ao cerne de tudo: a televisão. A dobradinha que faz certa imprensa escrita com a televisão é o que torna potente o partidarismo e o viés ideológico desses jornais, revistas e mega portais de internet. Como, não raro, imprensa escrita e eletrônica pertencem aos mesmos donos – que não enchem um restaurante –, não há debate de peso no país.
Ainda assim, dirão, a vontade eleitoral dos impérios de comunicação de países como os do Mercosul, por exemplo, vem sendo derrotada ano após ano. Sim, é verdade. Mas os países deixam de funcionar a contento porque esses impérios ainda conseguem paralisá-los com seus caprichos.
Alguns membros do governo Dilma desprovidos de visão histórica atribuem à tecnologia o poder de mudar essa situação insustentável. Por essa tese, a tecnologia aumentará ainda mais o poder de difusão de informações à revelia do que possam querer grandes grupos econômicos como os que controlam a grande mídia pátria.
Subestimam o poder econômico. As novas plataformas, o avanço da tecnologia que permite, cada vez mais, que um cidadão comum e independente como este que escreve difunda informação a milhares não mudam o fato de que quem tem mais dinheiro pode gerar tsunamis de informação que engolfam as marolinhas da blogosfera e das redes sociais.
Enquanto este e outros países em desenvolvimento conseguirem manter no poder governos que trabalhem para reduzir a miséria e a desigualdade, a educação poderá fazer com que o povo vá votando, cada vez mais, em causa própria. Todavia, as variáveis que podem reconduzir ao poder os que querem impedir que o povo desperte, são imensuráveis.
Uma crise econômica internacional que deprima a economia além do que estamos vendo pode pôr água no moinho da elite excludente, enganando a parcela ainda descomunal de incultos e desinformados que hoje só vota em causa própria por conta da percepção de que está ganhando. Se tal percepção mudar, o povo não terá capacidade para entender os fatos e, assim, será seduzido pelo discurso reacionário.
A versão da mídia sobre regulá-la equivaler a “censura”, porém, é extremamente frágil. Bastaria um debate público com boa visibilidade para desmontá-la sumariamente. O brasileiro não sabe, por exemplo, como são as legislações sobre comunicação nos países desenvolvidos. Bastaria relatar.
O alerta do presidente Rafael Correa, portanto, bem que poderia gerar a criação de um organismo supranacional que trabalhe para desmontar a versão farsante sobre ser “censura” querer que os impérios midiáticos se tornem plurais. E que denuncie países como este, nos quais a comunicação é um latifúndio.
—–
Assista, abaixo, a entrevista de Rafael Correa por Kennedy Alencar



Parte 2/3

Parte 3/3

Lula e Civita: a solidariedade no câncer

 
Atualizado às 18:10
No Sirio, em tratamento, Lula soube que seu arquiinimigo, Roberto Civita, também estava internado, câncer na próstata, só que em situação bem mais grave. Assim que foi informado, decidiu visitá-lo, apesar da resistência de dona Marisa.
Desceram ao apartamento de Roberto Civita acompanhado do oncologista de Lula, Roberto Kalil. Civita se emocionou com a visita e pediu desculpas pelos ataques a Lula e ao filho. Lula lhe disse para não se emocionar muito para não atrapalhar o tratamento.
Kalil viu sinais de ironia no alerta de Lula. Quem o conhece, viu a solidariedade para com o próximo.
A visita foi para a pessoa de Roberto Civita. Mas em nada mudou o julgamento de Lula sobre o publisher Roberto Civita.
Desdobramentos
Algumas deduções e desdobramentos da notícia acima.
Ganha consistência o rumor de que João Roberto Marinho esteve na Casa Civil do governo Dilma, solicitando o empenho do governo para a não convocação de Roberto Civita pela CPI, devido à doença. Da Abril ele seria a única pessoa a poder responder pelos movimentos da Veja nos últimos anos. Nenhum executivo - com exceção de Fábio Barbosa - tem acesso às instâncias mais altas da República.
A notícia do agravamento da doença, além disso, lança nuvens de suspeita sobre o futuro da editora. Os herdeiros não demonstram pique para segurar o timão. Analista do mercado - com quem acabo de conversar agora - julga que se encerra o ciclo Civita na mídia brasileira, sem conseguir chegar até a terceira geração. Não significa o fim da Abril, mas, a médio prazo, dos Civita à frente do grupo.
Roberto recebeu uma editora sólida do pai e teve oportunidades de criar um império. A influência da mídia sobre o governo Sarney permitiu-lhe conquistar uma rede de TV a cabo, a TVA. Depois, com a BOL, foi o primeiro grupo de mídia a tentar explorar as possibilidades da Internet.
Na segunda metade dos anos 90, junto com Otávio Frias de Oliveira, tentou adquirir a Rede Bandeirantes. Na época, fiz uma espécie de meio campo entre ele, Frias e João Saad.
Gradativamente, o grupo foi fracassando em todas as frentes. A BOL acabou fundindo-se com a UOL - da Folha. Mais à frente, Civita foi engolido por Luiz Frias que, na primeira capitalização do grupo, adquiriu a participação da Abril. De um lado, Civita tentava reduzir o endividamento. De outro, julgava que na hora em que quisesse, o conteúdo do grupo permitiria montar uma nova UOL. Perdeu o bonde.
Mais tarde, também para reduzir a dívida, vendeu a TVA para o grupo Telefonica, matando sua última oportunidade de virar um grupo multimidia.
Finalmente, houve um processo de capitalização em que o sul-africano Nasper adquiriu 30% da Abril. Outros 20% ficaram com duas holdings de Delaware, cujo controle nunca foi revelado. Quando vendeu a TVA, provavelmente a Abril recomprou os 20% adicionais.
Alguns anos atrás, a Abril lançou a toalha do lado midiático. Civita passou a investir em educação, montando cursos apostilados e adquirindo editoras de livros didáticos. O poder de intimidação da Veja, as parcerias políticas permitiram avançar em algumas frentes.
Montou estratégias de ataques a concorrentes. Atacou um curso de Ribeirão Preto com informações mentirosas. Depois, apoiou-se em uma ONG recem aberta para ataques macartistas contra concorrentes. A aproximação com jornalistas de outros veículos fez com que, uma semana depois de conceder duas páginas ao livro de um deles, este publicasse em O Globo artigo criminalizando politicamente livro de história de editora concorrente.
Ainda há chão pela frente.
Mas a saga dos Civita, no Brasil, será conhecida por duas fases: a do velho Victor Civita com suas histórias em quadrinhos, suas coleções de livros de economia, filosofia e música, a ousadia em lançar Realidade, Quatro Rodas e Veja. E a era de Roberto Civita, que errou em todas suas estratégias e transformou a menina dos olhos da Abril - a revista Veja - no mais repelente modelo de jornalismo que o país jamais teve em toda sua história.


Joel Leite: Venda de automóveis zero bate recorde, ainda com margens de lucro astronômicas

por Luiz Carlos Azenha

Em 6 de agosto de 2011 o Viomundo publicou um texto da repórter Heloisa Villela, que vive em Washington, no qual ela dizia tomar susto com os preços que encontra quando visita o Brasil.
No corpo do texto ela mencionava reportagem que havia feito com o jornalista Joel Leite, do Auto Informe, que também mantém o blog O Mundo em Movimento.
Trecho:
O Honda City, fabricado em Sumaré, interior de São Paulo, viaja até o México, paga frete, tem que dar lucro para a revendedora, e tal. Bem, os mexicanos compram o carro pelo equivalente a R$ 25.800,00 enquanto os brasileiros desembolsam R$ 56.210,00 pelo mesmo modelo. Pelas contas do Joel, tirando toda a carga tributária, o lucro das concessionárias, e comparando com o preço no México, o fabricante tem um lucro de quase R$ 15.000, por unidade, no Brasil.
Joel é autor de uma investigação que demonstra que os preços astronômicos dos automóveis no Brasil não resultam apenas dos insumos mais caros ou da carga tributária: são resultado, também, do que ele batizou de Lucro Brasil, ou seja, grandes margens de lucro praticadas pelas montadoras.
Falar em Lucro Brasil é uma forma irônica de se referir ao chamado Custo Brasil, que empresários e jornalistas frequentemente usam para tentar vender reformas neoliberais — a redução de direitos trabalhistas, por exemplo — ou para justificar preços completamente divorciados da realidade.
O texto da Heloisa, mais uma reportagem que eu mesmo fiz sobre os automóveis brasileiros, que reproduzi aqui, causaram animado — para não dizer furioso — debate entre os internautas.
O Fábio Passos, por exemplo, argumentou que parte dos reclamos da Heloisa se devia à sobrevalorização do real. Sim, mas nem sempre, como notou o Luiz P, que respondeu:
“Acho que vc não entendeu a ideia do artigo. Lá diz que quando um produto que custa, por exemplo, US$100,00 nos EUA, e por aqui chega a R$500,00 é um caso de especulação. Cito o exemplo baseado em valores concretos de tênis de corrida.
Vamos ilustrar com dois cenários:
1 – Real com valor considerado normal US$1,00 = R$2,50
Pelo câmbio o tênis de US$100,00 deveria custar aqui R$250,00. Então quando ele custa R$500,00 está pelo dobro do preço.
2 – Real hipervalorizado US$1,00 = R$1,60
Pelo câmbio o tênis de US$100,00 deveria custar aqui R$160,00. Então quando custa R$500,00 está mais de três vezes mais caro.
Isso mostra que produto estrangeiro absurdamente caro em um quadro de supervalorização da moeda nacional só pode ser fruto de especulação desenfreada. Nesse quadro os produtos estrangeiros deveriam estar mais baratos. O que acontece por aqui é caso de polícia…”.
Tratando especificamente dos automóveis, destaco alguns comentários:
Marcelo de Matos disse que o problema é o cartel das montadoras; Felipe atribuiu os preços à falta de concorrência; Rodrigo aft disse que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) não trabalha em defesa da concorrência; Ricardo Alves afirmou que falta ao brasileiro a paciência para pechinchar (ele mesmo diz ter obtido um abatimento de 7 mil reais na compra de um carro zero); Francisco Hugo afirmou que o fato de as montadoras terem suas próprias financeiras faz com que elas ajam também como ‘atravessadoras’; Sergio Navas, que conhece o ramo da siderurgia, alegou que o preço da tonelada de aço laminado longo é de U$ 1.600 no Brasil, contra U$ 830 nos Estados Unidos e U$ 750 na China; Alexandra Peixoto destacou a concentração da cadeia produtiva no Brasil e recomendou este artigo da economista Tânia Bacelar; o David Bonis recomendou a leitura do artigo de Pedro Kutney, do Automotive Business, chamado Os custos, os preços e os bobos.
Noir, num desabafo, disse que “os governos que o Brasil teve ao longo de sua existência foram Governos que governaram para os outros, notadamente os de fora”.
Disse mais:
Bem, sabemos que as coisas boas, somente são boas se funcionam; assim o “capitalismo brasileiro”, transformou-se em um “capitalismo de esgoto”, altamente explorador, selvagem, que não contribui com sua sociedade. Nosso capitalismo é exatamente a “política colonial ” empregada entre 1500 e 1900, extrativista. A diferença é que antigamente se extraia o pau-brasil, ouro, prata, manganês, quartzo, diamantes e no Brasil [de hoje] se extrai “dinheiro”.
O tom do desabafo da Noir me lembrou muito o do jornalista Lúcio Flávio Pinto, já que a ideia subjacente é a mesma: o Brasil como extraordinária fonte de lucros.
[Lúcio tratou do ritmo de exportação de minério de ferro de Carajás -- crime de lesa Pátria, segundo ele --, lamentou a exportação de energia brasileira embutida em lingotes de alumínio destinados ao Japão e afirmou que a Amazônia brasileira está sendo transformada em uma subcolônia -- primeiro, do Sudeste, depois de estrangeiros -- para exportação de energia]
Todos os comentários acima citados e muitos outros, tão importantes quanto, estão aqui e aqui.
Com a notícia publicada pelo Estadão de que nos últimos três anos e meio as montadoras remeteram para as matrizes U$ 14,6 bilhões em lucros e dividendos, achei que tinha chegado a hora de entrevistar o Joel Leite a respeito, levantando com ele as questões mencionadas pelos comentaristas.
Outro motivo da entrevista: a venda de automóveis no Brasil disparou em junho, com a saída de até 20 mil veículos zero num único dia, recorde histórico.
Segundo Joel, as vendas bateram recorde mas não foi por conta da redução da margem de lucro. Pelo contrário, algumas concessionárias que haviam reduzido, aproveitaram para recompor sua margem de lucro. E nem todas as montadores teriam repassado o valor integral da redução do IPI aos consumidores.
O jornalista afirma que os preços de automóveis não caem abaixo de um determinado patamar e deu como exemplo do poder de fogo da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos) a sobretaxa que foi aplicada contra a suposta “ameaça chinesa”.
O Cherry QQ chegava ao Brasil, já com acessórios, a 12 mil reais, mas como ameaçava a produção das empresas instaladas aqui acabou sobretaxado por pressão das montadoras locais. Isso quando a Cherry e a JAC (outra montadora chinesa) detinham apenas 0,6% do mercado, contra 70% da General Motors, Fiat, Volkswagen e Ford.
Joel também comenta campanhas do gênero da Abaixo o Lucro Brasil, ativa no Facebook.
Ouçam a entrevista, enquanto a gente providencia a degravação:


Viomundo: Quais são as últimas do mercado automobilístico?
Joel Leite: O mês de junho fechou com vendas recordes, aumento de vendas históricos. Para você ter uma ideia, o mês teve só 20 dias úteis, sendo que um deles  ainda foi espremido junto ao feriado, quer dizer, você pode considerar 19 dias úteis. Mas mesmo considerando 20, você teve 17 mil carros por dia vendidos. Para você ter uma ideia do que isso significa, nesses últimos anos, quando as vendas estão bombando, o mercado crescendo, as vendas tem sido de 13 mil carros por dia, 14, eventualmente 15 num mês muito especial. Neste mês de junho a média foi 17, na última semana foram 20 mil carros por dia. Isso resultado do que? Da redução dos preços em consequência da retirada do IPI para carro 1.0 e redução do IPI para carro acima de 1.0, que o governo fez no final do mês de maio. Quer dizer: abriu a mão do imposto e com isso vários carros, várias montadoras abaixaram o preço, não todos, por sinal, mas foi o suficiente para provocar essa corrida às revendas, foi realmente uma procura enorme, que é possível até que não se mantenha nos próximos meses, é um pouco artificial, mas contribuiu para isso, para ser o segundo maior mês da historia e a maior venda diária de toda a história da indústria.
Viomundo: Joel, praticando aqueles preços que você denunciou como sendo parte do Lucro Brasil ou não, ou os preços andaram caindo muito?
Joel Leite: Não, não, os preços cairam somente o necessário para reduzir… a consequência da redução do IPI. Ninguém participou mais, além do governo, dessa redução dos preços. Ao contrário, muitas montadoras mantiveram os preços ou tiveram uma redução abaixo do que seria o necessário com a redução do IPI. Ouvi de um dirigente do setor de distribuição… ele disse que muitas concessionárias estavam trabalhando com uma margem reduzida. Então, o que eles fizeram com essa redução do IPI? Recompuseram a margem. Ele falou claramente que em vez de repassar todo esse valor para o consumidor, eles acabaram acertando a vida deles aí, recompondo a margem, muitos carros tiveram uma redução [de preço] menor que o IPI [reduzido] provocou.
Viomundo: Nos seus textos você menciona que as montadoras instaladas  no Brasil muitas vezes são responsáveis por boa parte do lucro das matrizes. E aí tem uma notícia de hoje, do Estadão, do Iuri Dantas, dizendo que nos últimos três anos e meio elas remeteram 14,6 bilhões de dólares em lucros e dividendos. É uma informação que vem ao encontro do que você tem dito, né?
Joel Leite: Exato, isso é uma amostra de que… na verdade o que acontecia quando as montadoras reclamavam junto ao governo por uma redução de preço? O que elas queriam era manter a sua margem de lucro, que é bastante alta, solicitavam uma redução de imposto para poder baixar o preço, sem fazer a sua parte, esse é o grande problema. A gente sabe que a margem de lucro no Brasil é muito grande, foi comprovado isso, dito pelos próprios dirigentes internacionais das montadoras instaladas aqui, a margem de lucro é muito grande no Brasil, é maior do que em qualquer outro país. Quando eles querem incrementar a venda, em vez de reduzir essa margem eles acabam apelando para o governo, que dá guarida a isso, o governo acaba sempre atendendo. Aconteceu isso no início da crise de 2009, em dezembro de 2008, foi o que manteve o Brasil vendendo [automóveis] bem em 2009 e 2010. Aconteceu novamente agora. É possível que… o imposto é para voltar no mês de agosto, é possível que ainda isso se estenda até o fim do ano.
Viomundo: Joel, você disse que hoje o governo controla o mercado de automóveis. O que você quis dizer com isso?
Joel Leite:  Quando as marcas importadas chegaram ao Brasil mais fortemente, especialmente as chinesas, chegaram há dois anos com carro mais barato, carro totalmente equipado e ao preço de um carro básico brasileiro. O consumidor de um carro básico — Gol, Palio, Celta, esses carros pequenos — ele nunca teve a oportunidade de comprar um carro totalmente equipado, porque ele teria de pagar à parte vidro elétrico, o trio elétrico, air bag, direção hidráulica, ar condicionado, essas coisas que são básicas em qualquer carro do mundo, no Brasil não tem.
Para você ter uma ideia, Azenha, há muitos anos, quando o espelho retrovisor do lado direito não era obrigatório nos carros, as montadoras não equipavam o carro com espelho retrovisor [do lado direito], para você ter uma ideia. Um item absolutamente básico. Ele era considerado opcional, só passou a ser equipado [com o espelho retrovisor do lado direito] depois que a lei obrigou. É o que vai acontecer com o air bag e [o freio] ABS daqui dois anos, quando será obrigado.
Hoje, a montadora não coloca esse equipamento e faz ele [o comprador] pagar à parte. O que aconteceu, voltando ao raciocínio? O carro chinês, especialmente, chegou com esses equipamentos e começou a ganhar mercado. A pressão das montadoras fez o governo impor um IPI adicional de 30 pontos percentuais, praticamente inviabilizando a operação dessas marcas no Brasil. Se você pegar as duas coreanas, a Hyundai e a KIA, que já estão no Brasil há muito tempo e estavam conquistando seu espaço, também sofreram. A KIA, por exemplo, teve uma queda de 47% nesse semestre, no fechamento do semestre, em relação ao primeiro semestre do ano pasado. Culpa do aumento do imposto.
Por outro lado, a empresa que mais cresceu nesse semestre foi a Nissan, beneficiada com a importação… ela também é uma importadora, ela importa a maior parte dos seus carros vendidos aqui, ela foi beneficiada porque o governo aceitou… o México faz parte de acordo [automotivo] com o Brasil e não recolhe imposto de importação e também não recolhe o IPI adicional de 30 pontos. Quer dizer, o governo é que controlou esse mercado, é um mercado absolutamente artificial. O carro não está sendo vendido porque ele é mais bonito, porque tem o melhor desempenho, porque tem o melhor custo-beneficio ou porque a montadora fez uma grande estratégia de marketing. Está sendo vendido porque houve um controle artificial desse mercado através do imposto do governo.
Viomundo: O que você diz de certa forma concorda com uma de nossas comentaristas, Noir, que diz que essa margem de lucro é falta de governo…
Joel Leite: É a falta de governo. Você vê nesse relato que você acabou de dizer que saiu aqui no Estadão… da remessa de lucros. A remessa de lucros, o volume foi mais ou menos o mesmo volume do valor que o governo deveria ter recolhido de impostos neste período, nestes três anos depois da crise e que acabou abrindo mão em benefício das montadoras.
 Viomundo: O leitor Felipe disse que o problema é falta de concorrência, é verdade?
Joel Leite: Não é falta de concorrência. Nós temos hoje no Brasil mais de 40 montadoras, mais de 40 marcas, todas as grandes marcas mundiais e muitas pequenas estão operando no Brasil. Imagine você, o Paraguai vende carro mais barato que a gente, o Chile — que não fabrica nenhum carro — importa tudo, vende carro mais barato que a gente. Aí você vai dizer que o imposto lá [no Chile] é baixo. É verdade, é baixo, mas se você pega a Argentina, o imposto é menor que o do Brasil mas não tão mais baixo assim. E as diferenças de preço são absurdas, absurdas. Quer dizer, você compara o preço do carro no Brasil com países de primeiro mundo, onde tem uma realidade diferente — Estados Unidos, Europa, Japão — e compara com paises do terceiro mundo, com paises miseráveis, em qualquer comparação o carro brasileiro é mais caro. Não existe explicação… O custo Brasil, que eles consideram, o custo de operação, custo de logística, de transporte, de todos estes problemas que existem na operação industrial e comercial no Brasil… para o consumidor isso não é custo, é lucro [alheio]. Alguém lucra, se não é a montadora que tem essa maior parte do lucro, é a concessionária, é a oficina, é o transporte, é o cegonheiro, esse dinheiro se perde na cadeia e quem vai pagar o preço final é o consumidor, né?
segue

segunda-feira, 2 de julho de 2012

TEQUILA COM PIMENTA. E PÓLVORA.

*Indústria desacelera nos EUA e tem 12ª queda na Europa, onde o desemprego atinge mais de 17,5 milhões de pessoas (11% da população)** candidato conservador do PRI, Peña Nieto, vence López Obrador  por uma diferença da ordem de cinco pontos: é a metade do que previam institutos de pesquisas suspeitos de  participação ativa na campanha de um candidato apoiado e produzido pela mídia**na capital a vitória da esquerda foi arrasadora: a vantagem do PRD , de Obrador, na Cidade do México, chega a 40 pontos 


O México tem o homem mais rico do mundo (Carlos Slim) e 42% da população na pobreza; o salário mínimo atual é  28% menor, em termos reais, do que há 17 anos, quando sua economia se fundiu a dos EUA com o Nafta; nesse caldo de cultura feito de desigualdade e desesperança o narcotráfico deita e rola; já fez mais de 50 mil cadáveres desde 2006. O conjunto será administrado nos próximos seis anos por um engomadinho que, na forma, no conteúdo e no patrocínio midiático lembra muito Fernando Collor de Mello. Peña Nieto é mais o cadeado de um modelo falido --com design renovado-- do que um candidato de carne e osso. A mistura de tequila com pimenta e pólvora ganhou um sopro de ar fresco nestas eleições,com a inesperada rebelião da juventude mexicana contra a manipulação midiática. Direto do México, Eduardo Febbro, ouviu  integrantes dessa nova  voz no viciado sistema político local. O movimento YoSoy 132 criou um canal próprio de TV para cobrir o pleito e discutir temas da campanha com os candidatos e com os eleitores, o canal 131. "O problema central no México não está no fato de que os meios de comunicação e o poder político sejam cúmplices, mas sim que são a mesma coisa", dizem eles.(leia a reportagem nesta pág)


A Rio+20 e a submissão ao poder financeiro

O documento final da conferência das Nações Unidas não menciona nem uma única vez a crise econômica e financeira global. Pouco importa que a crise já tenha se convertido na Segunda Grade Depressão. De alguma maneira, os funcionários do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA) consideraram que esse assunto não era relevante em uma conferência sobre sustentabilidade. Tentaram tapar o sol com um dedo, ignorando o fato de que o setor financeiro é o epicentro da crise global. O artigo é de Alejandro Nadal.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNSD), mais conhecida como Rio+20, veio e foi embora. Poderia ter sido um ato importante, em vez disso, estabeleceu um novo padrão de como tornar-se irrelevante. A receita é simples: basta fazer de conta que nunca ouviu falar da crise global.

O documento final da UNCSD não menciona nem uma única vez a crise econômica e financeira global. Pouco importa que a crise já tenha se convertido na Segunda Grade Depressão. De alguma maneira, os funcionários do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA) consideraram que esse assunto não era relevante em uma conferência sobre sustentabilidade.

O PNUMA procurou levar adiante sua iniciativa sobre a economia verde. No relatório apresentado no Rio ela é definida como uma economia que aumenta o bem-estar, diminui a pobreza e melhora o meio ambiente. Tratar-se-ia de uma economia socialmente inclusiva, com baixas emissões de gases do efeito estufa e grade eficiência no uso e manejo de recursos.

Para transitar a uma economia verde é necessário investir 2% do PIB mundial (anualmente entre 2010-2050) em 10 setores chave. É uma quantidade importante. Onde se podem encontrar esses recursos? O PNUMA responde sem rubor: no setor financeiro. Segundo esta agência, o setor financeiro tem a sua disposição uma montanha de recursos e cada vez está mais interessado em uma carteira de investimentos que minimiza o custo ambiental e social, ao mesmo tempo em que capitaliza com tecnologias verdes.

A amizade do PNUMA com o setor financeiro é confirmada quando se mencionam os mercados e instrumentos que agora estariam do lado da justiça e da saúde ambiental: bônus verdes, bônus de carbono, REDD+, e ativos de propriedade verde, etc. Aí está: a financeirização da natureza. Nunca ocorreu aos funcionários do PNUMA que o desenvolvimento destes mercados novos provém da busca de espaços de rentabilidade em um mundo no qual a economia real permanece estancada.

O PNUMA no Rio tentou tapar o sol com um dedo. Quis ignorar o fato de que o setor financeiro é o epicentro da crise global. O colapso da economia mundial se mantém em aumento porque a opacidade das operações financeiras acelerou o contágio ao princípio e agora impede a reativação do mercado interbancário.

O PNUMA tem razão: o setor financeiro cresceu muito nos últimos vinte anos. Mas não lhes ocorre que isso é precisamente um sinal da patologia da economia global? O estancamento dos salários há três décadas explica o crescente endividamento das famílias. A demanda agregada foi impulsionada pelo endividamento e isso, por sua vez, explica como se levou a cabo um processo de redistribuição da riqueza dos mais pobres aos mais ricos. Instrumentos como os cartões de crédito, os empréstimos para estudantes ou para automóveis foram verdadeiros aspiradores para sugar recursos dos lares e levá-los aos bancos.

Um dos fatores que explica a expansão do setor financeiro é sua inclinação para introduzir inovações que fizeram as operações do setor mais opacas, disfarçaram riscos, aumentaram a propensão à volatilidade e incrementaram os níveis de influência. A financeirização converteu muitas operações em zona vedada para os reguladores e agências de supervisão. A autorregulação só proporcionou a ilusão de que se estava fazendo algo para frear os abusos.

Um ponto fundamental que o PNUMA não pode entender: uma proporção significativa da montanha de recursos em mãos do setor financeiro é riqueza contábil. Provém de um típico processo de inflação de ativos, ou seja, de uma bolha. A crise é a forma de destruir esse patrimônio que só existe na contabilidade. Para analistas como Nouriel Roubini ou Dean Baker, ainda falta muito para o processo deflacionário completar sua tarefa.
Além disso, uma parte desses recursos financeiros provém das operações de criação monetária dos bancos. Por exemplo: com seus empréstimos, os bancos da União Europeia criaram bilhões de euros do nada ou, como dizem, ex nihilo. E só uma fração minúscula desses créditos esteve respaldada por depósitos. O balão gigante ainda está esvaziando.

O PNUMA deveria estudar com seriedade a relação entre os setores financeiros e a realidade da economia. Os canais de transmissão entre estes setores são críticos para a manutenção da estabilidade macroeconômica. Em nossos tempos, as operações no setor financeiro propagaram e amplificaram a turbulência e puseram de joelhos a economia real. Caramba, até uma organização tão conservadora como o Comitê de Supervisão de bancos da Basileia (dependente do Banco Internacional de Compensações) se preocupa com estes temas. Por que os funcionários do PNUMA não podem fazer o mesmo?

(*) Alejandro Nadal é membro do Conselho Editorial de Sin Permiso.

Tradução: Libório Junior

Mídia sente efeito de críticas e deixa empregados divergirem

Vai passando despercebido um fenômeno poucas vezes visto na década passada e que era raro até há pouco tempo, mas que parece estar crescendo. Colunistas e comentaristas de renome na grande mídia estão eventualmente divergindo dos patrões – ou, se preferirem, da “linha editorial” dos veículos nos quais trabalham.
Ao longo dos últimos anos uma voz se levantou contra as posições monolíticas que aprisionavam todos os colunistas e comentaristas da grande mídia, sem qualquer exceção de relevo. Paulo Moreira Leite, colunista da Época, em seu blog hospedado no portal da Globo passou a divergir abertamente da ideologia e das posições políticas dos patrões.
Recentemente, mais dois jornalistas da Globo passaram a divergir da empresa pontualmente, coisa que não faziam em questões nas quais a grande mídia “fechava questão”. Ricardo Noblat e Miriam Leitão se rebelaram, em alguma medida.
Noblat, por exemplo, chegou a reconhecer a inexistência de provas ou indícios contra o governador petista Agnelo Queiróz e a existência de fartura de provas contra o tucano Marconi Perillo no que diz respeito às relações de ambos com Carlinhos Cachoeira. Além disso, tem se posicionado claramente contra o golpe no Paraguai.
Miriam Leitão, por sua vez, apóia a Comissão da Verdade sem investigação “dos dois lados”, farsa que pretende nivelar os crimes da ditadura à resistência a ela. E também condenou o golpe no país vizinho, ainda que tenha estragado tudo comparando a situação do Paraguai à da Venezuela, onde a democracia funciona de forma impecável no que diz respeito à vontade eleitoral do povo.
Já na Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, que era o único a divergir de verdade da linha editorial e com frequência menos pífia, vem aumentando o próprio tom em um coro de divergentes do qual, talvez, tenha sido pioneiro. Também reconheceu a farsa contra Agnelo e foi peremptório ao condenar o golpe no Paraguai, no que teve a companhia de Clóvis Rossi.
Nessa questão do golpe paraguaio, aliás, contabilizam-se as maiores divergências com os editoriais dos jornalões que se viram nos últimos anos. Folha de São Paulo, O Globo, Estadão e Veja cerraram fileiras em torno dos golpistas, mas um contingente menos pífio de seus colunistas desmontou os editoriais dos patrões nesse sentido.
O que aconteceu com esses colunistas? Por que decidiram fazer um pouco de jornalismo? Pela primeira vez, em muito tempo, vejo divergência de alguma expressão na grande mídia.
Claro que, em questões como o golpe no Paraguai ou a “culpa” forjada de Agnelo Queiróz, a posição oficial dos grandes meios é avassaladora. Os “editoriais” pró-golpe de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo, por exemplo, esmagam os textos discretos dos colunistas supracitados, QUASE sempre publicados SÓ em seus blogs.
Todavia, nunca antes na história deste país se viu tamanha divergência no PIG…
Esse fenômeno, com certeza, é uma vitória da blogosfera e das redes sociais. Não era mais possível que esses grandes veículos não oferecessem nada a quem pensa e tem algum conhecimento de política. As opiniões de Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo e outros animadores da platéia reacionária estão deixando de ser exclusividade.
Análises de melhor qualidade sobre a escandalosa deposição do presidente do Paraguai como as que vêm fazendo Clóvis Rossi, Miriam Leitão, Jânio de Freitas, Paulo Moreira Leite e Ricardo Noblat sugerem que esses jornalistas ainda nutrem aspirações quanto à própria imagem entre as pessoas de melhor nível intelectual. Mas será isso mesmo?
Já um Arnaldo Jabor, um Reinaldo Azevedo, um Augusto Nunes ou um Elio Gaspari abdicaram há muito tempo do jornalismo. Só isso explica as teses espantosas que formularam sobre um processo que jogou no lixo os votos de um presidente legitimamente eleito, com grande apoio popular em seu país e não menos apoio formal da comunidade internacional.
Nesse aspecto, chegam a ser incríveis os editoriais dos maiores jornais do país. Isso e o espaço que a Globo deu a um palhaço de circo como Arnaldo Jabor para ficar insultando os presidentes dos países com os quais o Brasil mantém intensas relações institucionais e de amizade, mas, claro, sem conseguir explicar o rito sumário que expurgou Lugo em horas.
Todavia, o fato é que não confio nessa repentina conversão desses colunistas ao bom jornalismo. Basta ver o que disse Miriam Leitão, que haveria alguma contradição entre o Mercosul suspender o Paraguai e aceitar a Venezuela como sócio pleno do organismo. Ela dá uma no cravo e outra na ferradura.
Qual foi a ruptura institucional que a Venezuela promoveu? Chávez está no poder pela vontade do povo. Todas as eleições foram auditadas pela ONU, pela OEA e por centenas de observadores internacionais. E é mentira que não se pode criticar o governo. Para comprovar, basta ir até lá e comprar um jornal ou ver tevê.
A Globovisión, entre outras tevês, continua fustigando abertamente Hugo Chávez. Seu adversário nas próximas eleições tem todo espaço na mídia e apoio financeiro de que precisa. Quem praticou ruptura institucional na Venezuela – ou tentou praticar – foi a oposição a Chávez, não ele. Acusam Chávez de manter o povo ao seu lado.
Não existe uma só notícia de constrangimento da candidatura de oposição venezuelana. Usam a recusa dessa oposição de participar das eleições, há alguns anos, para acusar de despotismo um governo que adquiriu maioria avassaladora, naquele pleito, porque seus adversários se suicidaram eleitoralmente. E por vontade própria. Daí Chávez aprovou o que quis, claro.
Ao comparar a situação paraguaia à venezuelana, portanto, Miriam Leitão mostra que há algo errado em sua conversão e de seus pares ao jornalismo. Parece que a grande imprensa sentiu as críticas de que praticamente não se via divergência em suas páginas e, assim, escalou alguns empregados para divergirem.

Petrobras: PiG ajuda empresa estrangeira


A Petrobras vai gastar em dez anos quase US$ 300 bilhões para explorar a primeira fase do pré-sal.


O PiG tem um problema com a Petrobras.

Quer fechá-la e entregar aos estrangeiros.

Isso não começou com a Petrobrax do Farol e do Cerra, seu Planejador-Maior.

Aliás, antes, os adversários da Petrobras escreviam bem e eram muito mais engraçados.

Como o Chateaubriand e o Roberto Campos, o Pai de Todos os Colonistas (*) do Neolibelismo (**) brasileiro.

(Como dizia o Delfim, o Campos era o ideólogo da Iniciativa Privada e ganhou a vida como empregado do Governo.

Esses neolibelistas (**) brasileiros …)

Agora, o PiG desistiu de explorar o pré-sal.

Talvez seja essa a maior herança do Nunca Dantes – ele reinventou a Petrobras do Dr Getúlio (o FHC ia enterrar o varguismo, lembra, amigo navegante ?) e entregou o pré-sal à Petrobras.

Aí, não tem mais jeito de o Cerra cumprir a promessa que fez à Chevron, segundo o Wikileaks.

Onde se concentra agora a bateria do PiG ?

Estes dias, o Globo, sempre o Globo, noticiou uma sessão do road-show da Presidente da empresa, Graça Foster, com investidores em Nova York.

(O Roberto Marinho só dava trégua à Petrobras, quando nomeava os presidentes, como o Hélio Beltrão.)

Por um descuido – foi deixado na poltrona ao lado do avião, numa  escala – o ansioso blogueiro leu trechos de uma reportagem sobre o pré-sal da revista Exame, do mesmo grupo do Robert(o) Civita e do Policarpo Jr.

As duas peças pigais – no Globo e na revista do Robert(o) – dançam o mesmo minueto.

No fundo, no fundo, a batalha agora é em torno das vendas à Petrobras.

Se não posso explorar a maravilha do pré-sal, vou ver se tomo conta do equipamento para explorar o pré-sal.

Perdemos uma batalha, mas não a guerra, dizem os pigais a serviço dos fornecedores estrangeiros,

A Petrobras vai gastar em dez anos quase US$ 300 bilhões para explorar a primeira fase do pré-sal.

Ja imaginou, amigo navegante, US$ 300 bi ?

Uns dez por cento do PIB brasileiro.

Uma parte significativa disso tudo será gasta com fornecedores brasileiros e trabalhadores brasileiros dentro da política de “conteúdo nacional” (entre 55% e 65% valor da compra).

Aí é o xis do problema.

Os pigais jornalistas, sob variados disfarces, tentam vender o peixe assim:

1) A indústria brasileira não existe;

2) Se existe, é ineficiente e vende mais caro que a estrangeira;

3) Quando a Petrobras compra do produtor brasileiro desfalca o lucro do acionista e atrasa o serviço;

4) Dessa forma, a Petrobras “escolhe os vencedores”, “pick the winners” – uma prática nociva ao capitalismo, que consiste em o Estado escolher a empresa que vai sobreviver e crescer;

4) O trabalhador brasileiro não existe, já que vivemos um “um apagão de mão de obra”;

5) Quando existe, o trabalhador brasileiro é um bestalhão: o contínuo da Chevron em Houston é mais produtivo do que um engenheiro na Av Chile.

Há variantes mais recentes dessa política secular de desconstruir a Petrobrás.

No domingo, o Estadão conclui que a “produção está estagnada há três anos e a Petrobrás cria um plano de emergência”.

Não é verdade do início ao fim da frase.

É um exercício de wishful thinking.

Nesta segunda-feira, a Folha (***) também denuncia uma situação desesperadora, com uma “revisão” do plano de negócios de tal forma que a Petrobras, breve, chegará à conclusão de que não tem, mesmo, futuro.

(Amigo navegante: você aplicaria o FGTS para comprar ações da Petrobrás ou da Folha ? Do Globo, especialmente ações da Globo no horário matinal ? )

A Folha deixa vir à superfície outro argumento frequente: se a gasolina não aumentar, a Petrobrás quebra.

Ou seja, o PiG mata a Dilma com um tiro só: aumenta a gasolina, aumenta a inflação e não resolve os problemas da Petrobrás, porque, mesmo com preços astronômicos, ela não saberá tocar o negocio.)

Roda, roda e os argumentos são esses.

Entregar a Petrobrax – ou melhor, entregar o que a Petrobrax compra.

E a lista de compras da Petrobras é a segunda maior do mundo.

Só perde para os 25 mil quilômetros de trens-bala da China.

O que os pigais jornalistas tentam entregar ao estrangeiro é impressionante, segundo lista da Exame:

- 68 navios-plataforma;

- 22 mil quilômetros de dutos;

- 1 725 arvores de Natal (conjunto de válvulas que tiram óleo e gás do poço);

- 65 petroleiros;

- 361 navios de apoio;

- 65 sondas;

- 3,9 milhões de toneladas de chapas de aço.

Amigo navegante, já imaginou isso à disposição do Cerra, do Perillo, do Lereia, do Paulo Preto, do Ricardo Sergio de Oliveira, da filha do Cerra ?

Não tinha livro do Amaury que desse conta.

Acontece que o ansioso blogueiro acabou de entrevistar a presidente da Petrobras.

As respostas às graves pigais “denúncias” são simples.

1) A indústria brasileira existe – ela explora, por exemplo, o pré-sal, que já produz;

2) a Petrobrás está aqui para remunerar o acionista;

3) com “conteúdo nacional” e tudo ela só compra pelo melhor preço de mercado – onde estiver o equipamento e o fornecedor;

4) a Petrobrás não escolhe ninguém – a Petrobrás compra de quem tiver preço e qualidade;

5) a política de “conteúdo local” é um estímulo a que a empresa estrangeira venha para cá e contrate trabalhador brasileiro;

6) atrasar todo mundo atrasa: produtor nacional, o de Cingapura ou dos Estados Unidos. As sondas de Cingapura e da Coreia, por exemplo, atrasam 500 dias …;

7) a Petrobras não faz a política industrial do Brasil – isso é problema do Governo;

8 ) diante desse volume impressionante de compras,  claro que falta mão de obra – em qualquer lugar do mundo;

9) por isso, a Petrobras investe – por lei – R$ 500 milhões por ano – em laboratórios e em centros de excelência em universidades públicas brasileiras;

10) o que os pigais jornalistas esquecem é que a Petrobras agora tem bala na agulha: pode contratar, treinar, escolher, porque está todo mundo de pires na mão, a cortejá-la;

Como esteve aqui, recentemente, a Hillary Clinton.

Que, aliás, não precisou pedir nada em público, porque o  PiG pede por ela.

E aí tem outro detalhe.

O Brasil passou a ser o oitavo maior produtor de petróleo e gás do mundo.

E isso confere uma dimensão que os Chatôs, Campos, Marinhos e Fernandos e Cerras jamais conceberam: o Brasil ficou maior, mais forte, mais poderoso.

Canta de galo.

Deixou de ser Colônia.

Saiu da categoria sociológica da “dependência” – livro que define a obra e o sombrio Governo Cerra/Farol de Alexandria.

O Brasil chegou lá.

Com ele, os submarinos nucleares da Amazul, a empresa pública que vai desenvolver a tecnologia para produzir submarinos nucleares.

E, mais tarde, a bomba atômica.

Em tempo: antes que o Gilmar Dantas (****) queria saber quanto a Petrobrás anuncia no Conversa Afiada – o que corresponderia a uma ação contra ele, no próprio Suoremo – o ansioso blogueiro informa que a Presidente Graça Foster – segundo li na blogosfera – mandou, em boa hora, suspender todos os patrocínios comerciais e culturais. O que deve ter provocado calafrios na Globo, a Imaculada …


Paulo Henrique Amorim


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

(***) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(****) Clique aqui para ver como eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

O simbolismo do câncer de Civita

Em situação normal, não haveria por que escrever sobre a notícia veiculada pelo blog de Luis Nassif de que o dono da revista Veja, Roberto Civita, está sofrendo de um mal que, nos últimos anos, tem feito a alegria de certos grupos políticos. Ser acometido por câncer não difere de ser atropelado, por exemplo. Pode acontecer a qualquer um.
Quem adoece tão gravemente, por certo experimenta um sofrimento adicional se a própria saúde se tornar objeto de especulações. Esse, porém, é preço que pagam pessoas públicas como Lula ou como o dono de império de comunicação que mais embates políticos tem travado com o ex-presidente.
Lula não foi a única pessoa pública a quem o câncer gerou onda de ataques rasteiros e virtualmente inumanos. Coincidentemente, uma sucessão de políticos de esquerda sul-americanos passou a sofrer de câncer e o mal que os acometeu se tornou objeto de regozijo de seus inimigos políticos, que chegaram a enxergar a doença como uma espécie de castigo divino.
O câncer de Civita é de direita ou de esquerda? Essa é a pergunta que vem à mente quando se lembra das centenas de milhares de comentários em redes sociais, em blogs, em portais e até no dia a dia, os quais clamavam para a doença levar logo aqueles políticos. E que pregavam que adoecer não lhes gerasse qualquer condescendência.
Condescendência deveria haver, até certo ponto. A mídia, por exemplo, deveria ser condescendente. Em se tratando de pessoas públicas, porém, isso não significa que devesse isentá-las de questionamentos de ordem legal sobre suas condutas.
Por exemplo: se houvesse um processo de investigação contra Lula ou Civita, é óbvio que não poderia ser interrompido por adoecerem. Se um dos dois fosse suspeito de algum crime, estar doente não poderia livrá-lo de um indiciamento, assim como não acontece com tantos que estão presos e são acometidos por doenças terminais.
Todavia, os comentários feitos contra Lula, Dilma Rousseff, Hugo Chávez, Fernando Lugo e Cristina Kirchner nos anos recentes atribuíam seu adoecimento a uma espécie de justiça divina que, obviamente, essas pessoas não enxergam agora no fato de o maior algoz desses políticos, no que tange à exploração de seus estados de saúde, ser vitimado pelo mal que usou como arma política ao permitir que seus funcionários estimulassem a vilania do público.
O principal motor da onda de burrice e de mau-caratismo que se levantou desde que o primeiro desses líderes políticos adoeceu foi o colunista da Veja Reinaldo Azevedo. Durante muito tempo, estimulou a insensibilidade de seus leitores para com a doença que se abateu sobre os desafetos políticos do patrão. E Civita não o conteve.
Mas e sobre o simbolismo do câncer de Civita? Ser vitimado pela doença que serviu aos seus propósitos políticos não significa nada?
Em termos. Definitivamente, não é um castigo por ter estimulado a hipótese de que o mal que ora o acomete fora um “castigo divino” aos seus desafetos políticos quando sobre eles se abateu. A teoria de que fatalidades constituem “castigo”, porém, é muito popular entre os pobres de espírito.
Entretanto, o adoecimento do homem que fez do câncer uma arma contra seus inimigos encerra, sim, um simbolismo que jamais existiu para os alvos de sua falta de limites. Mostra o risco de comemorar a desgraça alheia. Mostra que tripudiar sobre um adversário fragilizado pela condição humana é tripudiar contra si mesmo, pois todos somos humanos.
Escrever sobre o câncer de Civita, então, não é tripudiar? Não é não. Pelo contrário: não se está comemorando um fato triste; está sendo feita uma exortação aos que comemoraram quando Lula ou Dilma adoeceram a que se lembrem de que, sendo humanos, não devemos comemorar as fragilidades de uma espécie a que todos pertencemos.
De resto, o estado de saúde de Civita deve ser levado em conta pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o setor público e o privado.
Em primeiro lugar, uma eventual convocação do dono da Veja só deveria ocorrer em última instância, se for absolutamente imprescindível. Em segundo lugar, os ataques públicos de membros da CPI e de parlamentares ao empresário deveriam ser repensados, pois não acrescentam nada e desrespeitam alguém que vive um drama terrível.
O que se propõe não é condescendência legal, mas política. A crítica fácil faz parte da política, mas não dos processos legais de investigação e de eventual punição. Quem se horrorizou com a falta de respeito aos dramas dos políticos de esquerda agora deve dar exemplo respeitando o drama de Civita. Ninguém sabe como será o dia de amanhã.

*Desemprego na Europa atinge mais de 17,5 milhões de pessoas (11% da população)** candidato conservador do PRI, Peña Nieto, vence López Obrador por uma diferença des 4 pontos (37% a 33%); governará o México pelos próximos seis anos**na capital,porém, a vitória da esquerda foi arrasadora: a vantagem do PRD , de Obrador, na Cidade do México, chega a 40 pontos **em Chiapas a direita vence com um candidato 'verde', do PRI.
 
MÉXICO REBELDE: OS HERDEIROS DE ZAPATAMilhares de jovens mexicanos tomaram cidade do México na noite de sábado,véspera da eleição. Em vigília silenciosa, acenderam uma vela pela democracia dirigindo-se ao prédio da Televisa,   (http://www.guardian.co.uk/media/2012/jun/26/escandalo-medios-televisa-candidato-pri), protegido por tropas policiais. A simbologia do ato reflete a principal novidade da eleição que decide a sucessão de Felipe Calderón. Independente do resultado das urnas, a rebelião da juventude mexicana contra a manipulação midiática   sugere a emergência de uma cidadania que não aceita mais ser tutelada em seu discernimento nem fraudada no seu voto. Direto do México, Eduardo Febbro, ouviu  integrantes desse sopro de ar fresco no viciado sistema político local. O movimento criou um canal próprio de TV para cobrir o pleito e discutir temas da campanha com os candidatos e com os eleitores, o canal 131. "Nosso movimento partiu de um vídeo feito por 131 alunos da Universidade Iberoamericana. Só quisemos dizer: "quero usar meu direito de resposta, não preciso (mais) enviar uma carta aos editores. A democratização dos meios de comunicação vai muito além desta conjuntura eleitoral. O problema central no México não está no fato de que os meios de comunicação e o poder político sejam cúmplices, mas sim que são a mesma coisa. Por isso, não temos uma democracia real. " (leia a reportagem nesta pág)

Uso propagandístico de pesquisas marcou campanha no México
 
 

sábado, 30 de junho de 2012

MPF indicia vice de Cerra num mensalão


A Privataria Tucana tem um encontro marcado com a Justiça.


Saiu na Folha (*):

Procurador denuncia 37 pessoas por mensalão do DEM no DF

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou nesta sexta-feira (29) 37 pessoas pelo envolvimento no escândalo que ficou conhecido como o mensalão do DEM. Entre os denunciados está o ex-governador do DF José Roberto Arruda, que foi preso na época em que o caso veio à tona, em 2009, e cassado por infidelidade partidária.
Gurgel disse que há fortes indícios de que havia um pagamento mensal a políticos do Distrito Federal. O governo do DF reconhecia dívidas que não existiam para fazer os pagamentos do esquema. Entre os crimes apontados na denúncia estão corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.
(…)

Segundo insuspeito vídeo de Alexandre Maluf Garcia, Arruda formaria a chapa ideal com o Padim Pade Cerra em 2010: “vote num careca e leve dois”.
Íntimas foram as relações entre o Governo Arruda e o PSDB de São Paulo e Gilberto Kassab, uma extensão do PSDB de São Paulo.
O Aref não deixa mentir: Cerra nomeou e Kassab manteve.
Arruda tinha todos os atributos morais para entrar na chapa tucana.
Ele era o vice ideal para o Cerra, não se tivesse enforcado numa meia.
Como foram ideais Rita Camata, o Piva, o Catão dos Pinhais (por 24 horas) e o Índio da Costa.
Diz-me quem é teu vice e dir-te-ei quem és.
Agora que o brindeiro Gurgel consertou o braço e voltou ao trabalho, bem que ele poderia tomar as providências para investigar e indiciar a rapaziada da Privataria Tucana.
Como diz o Santayana, no artigo em que presta justa homenagem ao embaixador Samuel Guimarães, não adianta o brindeiro Procurador olhar para o outro lado: a Privataria Tucana tem um encontro marcado com a Justiça.
Prevaricar é crime, na interpretação do Senador Collor.
Prevaricar duas vezes, então …
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Mercosul e Unasul impõem perda total a golpistas paraguaios

Foi genial a fórmula encontrada pela maioria da comunidade sul-americana de nações para punir os golpistas que depuseram, por meio de uma farsa, o presidente constitucional do Paraguai. Aquele povo será poupado, a posição política que o parlamento golpista paraguaio impunha ao país na questão da entrada da Venezuela no Mercosul foi derrotada e os golpistas sofreram um revés político que os fragiliza na eleição do ano que vem, se houver.
O Paraguai era o entrave à entrada da Venezuela no Mercosul. O ex-presidente Fernando Lugo, por óbvio, aprovava, mas o congresso paraguaio, não. O impasse já durava anos. Com a suspensão do Paraguai da entidade, o que os golpistas tentavam – e conseguiam – impedir com Lugo no Poder não conseguiram impedir com ele fora do poder.
Além disso, a decisão do Mercosul e da Unasul de não impor sanções econômicas ao Paraguai evitará que a comunidade de nações sul-americanas sofra desgaste entre o povo paraguaio, que, segundo informações não confirmadas, em maioria pode estar, até o momento, contra o golpe “parlamentar” que derrubou o presidente constitucional. Essa maioria, obviamente, constitui-se do que mais há no Paraguai: pobres e miseráveis.
Outro benefício da decisão em bloco de Mercosul e Unasul de suspender o Paraguai das entidades sem lhe impor sanções econômicas: contornou a decisão intempestiva de Hugo Chávez de suspender a venda de óleo diesel ao país, o que, obviamente, causaria sofrimento entre a população e poderia, a médio prazo, colocá-la contra nações que ora lhe defendem a democracia.
Para quem não sabe, com a Venezuela no Mercosul Chávez terá que adotar a decisão conjunta do organismo de não retaliar economicamente o Paraguai e, assim, terá que suspender o boicote petrolífero que iria lhe impor.
A sábia decisão dos dois organismos multilaterais também fará os golpistas chegarem fragilizados à eleição do ano que vem, o que permite supor que partidos de esquerda, alguns até sem representação parlamentar, podem sair beneficiados. A maioria dos paraguaios certamente irá optar por não votar em candidatos que poderão ser alvo de antipatia das potências vizinhas, das quais o Paraguai depende.
Por fim, além dos golpistas paraguaios também perdem os golpistas argentinos, bolivianos, brasileiros, chilenos, equatorianos, colombianos , peruanos, venezuelanos… Isso porque muitos desses – ou todos esses – salivaram com a possível vitória do golpe paraguaio. Sem que aqueles que o aplicaram pagassem um preço, isso, por óbvio, estimularia novas aventuras antidemocráticas na região.
Claro que sempre há o risco de o regime endurecer e de, assim, os golpistas, sabendo que suas chances eleitorais não são boas, tentarem melar ou até não realizar a eleição presidencial do ano que vem, quando forças ligadas ou identificadas com Lugo podem retornar ao poder e, agora,  talvez com um parlamento livre de golpistas. Todavia, nem o Mercosul, nem a Unasul esgotaram seus estoques de armas para combater o golpismo paraguaio.
Homenagem dos Movimentos Negros de Juiz de Fora
Escrevi este post de Juiz de Fora (MG), onde participei da cerimônia de abertura da Semana Nelson Silva, evento dos movimentos negros regionais que trabalha para promover a “vizibilização” dos “invisíveis”, que é como os chamei quando estive nesta cidade no ano passado. E que, agora, homenagearam a este blogueiro
Foi emocionante e honroso ter recebido o convite para estar em Juiz de Fora a fim de ser homenageado pela luta deste Blog “por igualdade e justiça”. Por isso, espero poder escrever logo não só sobre a homenagem, mas sobre a história de luta de um povo daquela que já foi uma das cidades mais importantes do mundo.
Relatarei a luta da comunidade negra de uma região dominada pelo racismo de grupos políticos, a candidatura promissora do PT na cidade e, acima de tudo, a luta épica e virtualmente cinematográfica de Adenilde Petrina, guerreira de ébano de pouco mais de um metro e meio de altura que este blog irá apoiar como puder.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Paraguai admite Venezuela no Mercosul. Merval…


O que menos interessa ao interesse nacional americano é o fortalecimento do Mercosul.


Saiu na Folha (*):

Venezuela será incorporada ao Mercosul em 31 de julho

A Venezuela será incorporada ao Mercosul em reunião especial que será realizada em 31 de julho no Rio de Janeiro, anunciou nesta sexta-feira a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, no âmbito da Cúpula de chefes de Estado do bloco.

O acordo tem a assinatura dos líderes de Brasil, Uruguai e Argentina (membros pleno do Mercosul). O Paraguai, que não havia ratificado essa decisão em seu Parlamento, está suspenso do bloco devido à deposição do ex-presidente Fernando Lugo.

(…)



O tiro saiu pela culatra.
O Golpe “democrático” no Paraguai era para fortalecer o interesse nacional americano.
Por isso tantos colonistas (**) mervais, como a Catanhede e o de muitos chpéus – clique aqui para ler – , defenderam a “legalidade” do golpe.
O que menos interessa ao interesse nacional americano é o fortalecimento do Mercosul.
É por isso que o Padim Pade Cerra queria dinamitá-lo.
O maior obstáculo à entrada da Venezuela no Mercosul foi o presidente Sarney.
No Continente, o Senado paraguaio golpista é o que impedia isso.
Os americanos foram o Espírito Santo de orelha do golpe “democrático” e não esperavam que a Dilma e a Cristina Kirchner aproveitassem a ausência do Paraguai para trazer Chavez para a mesa de trabalhos.
Merval, Merval…
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

SAMUEL PINHEIRO DEIXA O MERCOSUL COM UMA ADVERTÊNCIA: OU AVANÇA OU FICA IRRELEVANTE

* Erundina:"Vou continuar apoiando o Haddad; é o melhor candidato. Aquele episódio (a renúncia) já passou, é passado. Vou provar que meu gesto não foi dirigido a ele" **Rejeição a Serra atinge 38% entre eleitores com maior escolaridade (Datafolha)** Ação contra juros e bancos dá aprovação recorde de 59% ao governo Dilma**Mercosul suspende o Paraguai e incorpora a Venezuela** Cenário de 'golpes democráticos': "Projeto dos EUA para a região é de 'mini-Alcas' bilaterais, como o Acordo do Pacífico" (Samuel Pinheiro Guimarães, que renunciou a cargo no Mercosul; leia mais nesta pág) 



Mercodilemas, mercosurpresas

A reunião de chanceleres do Mercosul começou com um um fato previsível e uma surpresa. O previsível foi a confirmação de medidas para registrar a repulsa sulamericana à ruptura institucional no Paraguai. A surpresa, a renúncia do brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante do Mercosul. Guimarães vinha, há algum tempo, expressando seu descontentamento com a consistência do Mercosul. O bloco sulamericano enfrenta um desafio que não é novo, mas que a crise do Paraguai mostra com toda sua crueza. O artigo é de Martín Granovsky.

(*) Leia aqui o relatório final de Samuel Pinheiro Guimarães ao Conselho de Ministros do Mercosul, apresentado em Mendoza, em 27 de junho de 2012.

Buenos Aires - A cúpula que reuniu os chanceleres do Mercosul começou com um fato previsível e uma surpresa. O previsível foi a confirmação de medidas para registrar a repulsa sulamericana à ruptura institucional no Paraguai. A surpresa, a renúncia do brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante do Mercosul (chefe máximo com missões de negociação). Diplomata de carreira e filiado ao Partido dos Trabalhadores, Pinheiro Guimarães foi vice-chanceler e Secretário de Assuntos Estratégicos, com status de ministro, durante os oito anos do governo Lula.

O seu descontentamento pela escassa consistência do Mercosul não é novo. Ele havia manifestado isso na forma que o faz um diplomata, ou seja, dizendo que seria bom incorporar um maior nível de intercâmbio social e político, assinalando assim que a coesão não era o forte do mercado comum. Também comentou a falta de políticas específicas para os dois países menores do bloco, Paraguai e Uruguai.

Segundo o que o Página/12 conseguiu levantar, a oportunidade escolhida por este diplomata com peso intelectual próprio não entusiasmou nem ao governo brasileiro nem ao argentino. No caso brasileiro, aliás, não simétricas as expectativas de Pinheiro e as do governo liderado por Dilma Rousseff sobre os planos concretos e a autonomia prática do alto representante. De todo modo, considerado inclusive a crise menor dentro da crise maior, a renúncia dentro da interrupção da ordem institucional em um dos quatros membros, serve para uma reavaliação geral do tabuleiro.

Em 1991, a constituição do Mercosul em meio a regimes neoliberais diluiu a coordenação política prévia entre a Argentina e o Brasil e deu uma ênfase comercial a uma relação econômica que se baseava na integração administrada de setores produtivos. A coordenação dos tempos de Raúl Alfonsin e José Sarney voltou com Lula e Néstor Kirchner, e prossegue. Brasil e Argentina, apesar de terem hoje uma disparidade em tamanho relativo maior do que a que havia em 1985, apresentam uma sintonia política muito fina sobre a América do Sul e sobre o mundo e o volume de seu comércio é hoje três vezes maior do que em 1991.

Por outro lado, não conseguiram resolver a situação do Uruguai e do Paraguai, países que não têm semelhanças políticas, econômicas e institucionais. Por exemplo, o Uruguai é uma democracia consolidada e o Paraguai nunca terminou de estabilizar o regime constitucional que começou com a derrubada de Alfredo Stroessner pelo general Andrés Rodríguez em 1989. O establishment paraguaio agita esse tema agora com picardia. Dirigentes brancos e colorados sustentam que não importa que o Mercosul castigue o Paraguai pois isso acontece desde sempre.

A picardia consiste em basear um argumento com fundamentos em partes reais para encobrir a estratégia de que não ocorreu nada de mais. É um modo de reagir ao isolamento político do governo de Federico Franco, após a destituição relâmpago de Lugo. Relâmpago nas formas finais, é claro, porque antes 23 tentativas de impeachment, que se tornavam mais frequentes quanto maior era a debilidade político do ex-bispo.

É improvável que o Mercosul decida por um bloqueio econômico e comercial. Primeiro, porque os vizinhos, Argentina incluída, disseram que descartam essa possibilidade. E segundo porque, se quisessem, não poderiam fazê-lo. Como seria possível bloquear uma economia porosa onde pesa o contrabando? Como desconectar um país de onde vem 15% da energia elétrica argentina e 20% da brasileira?

O Mercosul enfrenta um desafio que não é novo, mas que a crise do Paraguai mostra com toda sua crueza. Neste ponto, crescem as chances de ingresso como membro pleno da Venezuela, como informou o Página/12, ainda que não se saiba de por via da suspensão de direitos do Paraguai, cujo Senado vinha trancando a entrada, ou mediante uma mudança no regulamento de incorporação de novos membros, mecanismo já acordado por sugestão feita na cúpula anterior pelo presidente uruguaio José “Pepe” Mujica.

Também neste ponto se entendem melhor os motivos da construção da Unasul, uma forma de integração política em primeiro lugar a partir dos chefes de Estado, que não abriga só os simpáticos a Lugo, mas, em geral, os afins às regras da democracia. Lugo é um espelho no qual nenhum presidente, de Hugo Chávez e Sebastian Piñera, desejaria se enxergar.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer



Para ser o que dele se espera, uma alavanca progressista de desenvolvimento regional integrado, o Mercosul precisa enfrentar a sua hora da verdade. Essa hora é agora, no curso da maior crise capitalista desde os anos 30, que abriu brechas e desarmou interesses, colocando em xeque dogmas e forças que ordenaram a criação do bloco, em 1991, por iniciativa dos governos Menem, Collor, Rodrigues e Lacalle.  Foi para sacudir a modorra política e burocrática do bloco, que ameaça miná-lo como instrumento histórico do desenvolvimento regional, que o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos estrategistas da política externa independente adotada pelo governo Lula, renunciou nesta 5ª feira, ao cargo de Alto Representante Geral do Mercosul
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