Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

"NEM NA DITADURA, COPA SE MISTUROU COM POLÍTICA"

Lula sobre Dilma: "nunca vi baterem tanto em alguém"

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Ex-presidente disse que nunca viu tanto preconceito contra um presidente quanto vê contra Dilma Rousseff; “Eu nunca vi baterem tanto numa pessoa. Eu não sei se é porque ela é mulher, porque eu achei que comigo era porque sou nordestino. Eu acho que só fariam igual na Venezuela, com Chávez”; em seu discurso em fórum promovido pelo jornal espanhol El País, em Porto Alegre (RS), Lula apresentou uma série de números positivos do País depois de ter provocado: "o que eu vou dizer aqui não saiu na imprensa"
6 de Junho de 2014 às 17:04
Débora Fogliatto, Sul 21O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva participou na manhã desta sexta-feira (6), em Porto Alegre, do Fórum de Desenvolvimento, Inovação e Integração Regional promovido pelo jornal espanhol El País, do qual é colunista. Em pouco mais de uma hora de discurso no hotel Plaza São Rafael, ele falou sobre os desafios para o Brasil no século 21, traçando um panorama do desenvolvimento brasileiro nos últimos 11 anos, período que compreende o seu governo e o da atual presidente Dilma Rousseff. Amparado em dados e números, Lula mencionou o crescimento econômico, redução da pobreza, ascensão da classe média, descentralização da cultura e da mídia, mudanças nas estratégias de comércio exterior, entre outras medidas promovidas pelos governos do PT.
Antes da conferência de Lula, o governador Tarso Genro (PT) participou da mesa de abertura do Fórum, juntamente aos secretários de Planejamento do Paraná e de Santa Catarina, Cassio Taniguchi e Murilo Xavier Flores, respectivamente. A mesa deixou como principal mensagem a necessidade da criação de um fundo federal destinado a financiar investimentos em infraestrutura na região sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul. De acordo com o governador, o capital financeiro obriga os estados a disputarem investimentos a partir de renúncias fiscais que nem sempre dão resultado, pois desconsideram a economia local. "Não basta ser contra ou a favor da globalização, porque já se concretizou. É preciso saber como se relacionar com ela, transformar a relação de dependência e subordinação em interdependência e colaboração", afirmou.
“Nós tomamos a decisão de regionalizar a comunicação do governo, tirar do centralismo do eixo Rio-São Paulo, e fizemos a mesma coisa com a cultura”, começou Lula, lembrando que em 2003 todo o dinheiro do governo federal gasto com mídia era investido em apenas 249 veículos, número que subiu para 5.400 quando ele deixou a presidência. Na cultura, a situação era parecida: 99% era gasto entre Rio de Janeiro e São Paulo, e o governo de Lula regionalizou. “Nós apanhamos muito por isso”, afirmou. Com o carisma pelo qual ficou conhecido, Lula por vezes falou fora do microfone e fez piadas com o Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que acompanhou a palestra do ex-presidente e participou posteriormente de mesa redonda sobre o tema “As chaves para o progresso econômico do Brasil”.
Durante seu discurso, Lula questionou o pessimismo e as críticas feitas a seu governo e ao de Dilma: “Nunca se ganhou tanto dinheiro nesse país e isso vale para os trabalhadores, para o salário mínimo e também para os empresários. Então por que esse mau humor? Às vezes leio na imprensa notícias que não têm nenhuma lógica, a não ser a de não informar corretamente a população deste país”, disse. Ele lembrou que o Brasil tem “liberdade de imprensa plena, total e absoluta”, destacando que nunca viu tanto preconceito contra um presidente quanto vê contra Dilma. “Eu nunca vi baterem tanto numa pessoEu não sei se é porque ela é mulher, porque eu achei que comigo era porque sou nordestino. Eu acho que só fariam igual na Venezuela com (o falecido ex-presidente Hugo) Chávez”.
Lula “pediu licença” para falar das conquistas do passado ao tentar projetar o futuro do país, pois “é impossível ser ex-presidente e ficar falando do futuro se não tiver nada do presente e do passado pra mostrar”. Nessa linha, ele afirmou que o Brasil encontrou o caminho do “crescimento e da inclusão social”, deixando de ser “um país submisso aos interesses internacionais” e isso só pode ser feito com a redução da miséria e a inclusão social: “A única razão de o povo ter eleito um metalúrgico para ser presidente da República era para fazer as coisas de um jeito diferente, era para governar para todos. Era preciso inserir aqueles que eram tidos como um problema, ou seja, os pobres neste país”, observou, lembrando que então foi criado o programa Bolsa Família, também muito criticado por alguns setores da sociedade.
A partir daí, “os pobres começaram a consumir”, e atualmente o programa atende 55 milhões de pessoas utilizando apenas 0,5% do PIB, segundo Lula. Com isso, a economia também cresceu: “De repente descobriu-se que o pobre virando consumidor ia melhorar o comércio, a indústria, ia melhorar para todo mundo, e foi o que aconteceu”, afirmou. Aliado a isso, o governo adotou uma política de valorização dos salários, elevando os salários mínimos todos os anos nos últimos onze anos. “E nada quebrou no Brasil. O que cresceu na verdade foi a cidadania no nosso país”, disse Lula.
O ex-presidente lembrou, no entanto, que não foi só nas políticas voltadas para os mais necessitados que seu governo se consolidou, mas também na economia, na produção e exportação. “O Brasil que muita gente não conhece é o segundo maior produtor e exportador mundial de alimentos, está entre os maiores produtores de aviões, máquinas agrícolas, cimentos, celulose, calçados. O país conquistou uma sólida posição no cenário financeiro internacional”, garantiu. Com isso, o Brasil passou pela crise internacional que afeta o planeta desde 2008 de forma tranquila, resistindo e criando empregos. “Me pergunto quantos países atravessaram a pior crise de capitalismo desde 1929 promovendo empregos? Quantos enfrentaram a crise aumentando a renda da população?”, indagou, afirmando que foram criados 10 milhões de postos de trabalho e que o desemprego alcançou o menor índice da história do país ao final de 2013.
“Eu acho que no século 21 o Brasil tem que encarar seu papel de grande nação”
Lula ironizou dizendo que precisou “um socialista metalúrgico” chegar ao governo para que um país que se dizia capitalista se tornar de fato, falando de sua política de ampliar a oferta de crédito. “Sem crédito não se vai a lugar nenhum, estamos com 55% do PIB de crédito nesse país”, afirmou. A melhora econômica passou pela mudança na política externa, com o aumento de R$ 20 bilhões para R$ 90 bilhões em parcerias com países da América Latina e Caribe. Para o ex-presidente, é importante trabalhar as novas possibilidade de relações com os vizinhos ao invés de ficar olhando apenas para os países mais ricos. “Durante muito tempo desprezamos isso. Eu acho que no século 21 o Brasil tem que encarar seu papel de grande nação. Tem que ter vontade política e decisão, de ser hegemônico na sua capacidade de fazer investimentos”, reiterou.
Ao comparar o crescimento do Brasil com o dos outros países do mundo, Lula questionou quantos países conseguiram “tanto em tão pouco tempo”. Foram 42 milhões de pessoas que passaram a ser de classe média e 36 milhões que saíram da pobreza extrema. A renda das famílias mais pobres cresceu 70%, a classe média consumiu R$ 1,3 bilhão em 2013. Esse aumento gerou também uma diferença na mobilidade, fazendo com que haja 113 milhões de passageiros de avião em um ano atualmente, contra 48 milhões em 2006. Lula brincou que tem gente que “não gosta de ver os pobres invadindo os aviões”, algo que disse adorar. “É essa gente evoluindo que vai fazer o país crescer mais. Não é tornando o rico mais rico, é tornando o pobre menos pobre. E eu não quero que o rico fique mais pobre, eu quero que o pobre fique mais rico”, destacou.
Ao longo do discurso, ele fez diversas indagações em relação ao crescimento e condições do Brasil em relação ao resto do mundo: “Qual foi o país que duplicou a produção de automóveis em 11 anos?”, “Qual país que conseguiu em 11 anos descobrir uma jazida de petróleo de pré-sal que apenas tem a mesma quantidade que acumulamos em 50 anos?”, “Que país conseguiu sair de 80 mil megawatts para 122 mil megawatts de energia?”, “Qual país conseguiu erguer do zero uma indústria naval?”, questionou, garantindo que o povo brasileiro “tem muito do que se orgulhar das conquistas alcançadas”.
” Investimento em educação, ciência e tecnologia só faz sentido se resultar em mais oportunidades para as pessoas”
“O Brasil será o grande produtor de alimentos do século 21. Por isso que eu torço para a África comer mais, a China comer mais, porque quanto mais comer, mais o Brasil terá competência de produzir”, disse. Ele brincou com o jornal El País, que promoveu a conferência, e com outros jornais da imprensa internacional, afirmando que estava falando com otimismo para o jornal espanhol “depois publicar uma matéria positiva”. “Às vezes eu acho que tem correspondente de jornal estrangeiro que fica em Copacabana lendo jornal brasileiro e mandando matéria. Porque se depender da imprensa brasileira o Brasil acaba todo dia”, criticou, em tom bem humorado.
Para garantir “um novo salto” no século 21, ele destacou três desafios. O primeiro é continuar a aprofundar investimento em educação, para que o ensino público de qualidade esteja cada vez mais ao alcance da população. “O Brasil é o país que mais investiu em educação nos últimos anos. O orçamento do MEC passou de 33 bilhões para 104 bilhões de reais. E precisamos continuar avançando muito mais”, afirmou.
A segunda medida é continuar investindo na produção de ciência e tecnologia, de forma a garantir resultados concretos. Neste âmbito, Lula lembrou que foram criadas mais de 30 mil bolsas de mestrado e 20 mil de doutorado nos últimos 11 anos. O terceiro desafio é aprofundar o processo de redução de desigualdade. “Qualquer política feita no Brasil tem que levar em conta que precisamos fazer os pobres subirem. Investimento em educação, ciência e tecnologia só faz sentido se resultar em mais oportunidades para as pessoas”, disse. Para isso, ele aconselha que aconteça uma integração com os países da América Latina, semelhante à que ocorreu na Europa no século 20 e isso deve partir do Brasil. Por esse motivo, o país precisa reconhecer seu “tamanho, grandeza e potencial”.
“Eu sou muito otimista. Aqueles que dizem que o Brasil não vai ter desenvolvimento vão quebrar a cara. Conseguimos em 11 anos provar que é possível inserir os pobres dentro da economia e não tê-los como problema, mas como solução”, disse o ex-presidente, afirmando que “muito dinheiro na mão de poucos é concentração, mas pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição”. Por isso, Lula acredita que no século 21 o Brasil vai se tornar a 5ª maior economia do mundo.
Ele disse “ficar triste porque ainda está acontecendo o complexo de vira-lata”, referindo-se a um serntimento de inferioridade de alguns brasileiros em relação ao resto do mundo. “Tudo que a gente faz para o pobre é o mesmo investimento que sempre fizeram para os outros. Poderia fazer uma ponte com o dinheiro do Bolsa-Família sim, mas o pobre não come ponte”, ironizou. “Nós tínhamos que encher a barriga das pessoas para fazer essa revolução da inclusão social que fizemos”, completou. Aplaudido de pé, Lula terminou seu discurso dizendo que para governar, é preciso “cuidar da maioria e não ter medo de fazer o óbvio”. “Se você ler o seu discurso de campanha e fazer aquilo que você falou que ia fazer, não tem erro”, brincou.
*Com informações da Secom/RS

Datafolha e o beijo da morte de FHC


Mesmo concedendo o benefício da dúvida à pesquisa Datafolha – ou seja, que a boa e velha “margem de erro” não foi usada para corroborar as preferências do jornal que a divulgou –, pode-se dizer que a Folha de São Paulo, que controla o instituto, manipulou ao menos as manchetes sobre os números da disputa pela Presidência da República.

Diz a manchetona de primeira página: “Dilma mantém tendência de queda; rivais não sobem”. Ora, basta ler a reportagem sobre a pesquisa que se descobre que a manchete é inexata. O correto seria dizer que Dilma, Aécio e Campos caem e indecisos sobem.

Segundo o Datafolha, Dilma Rousseff caiu de 37% para 34%, Aécio Neves caiu de 20% para 19% e Eduardo Campos caiu de 11% para 7%, enquanto que o pastor Everaldo subiu para 4%.
A manipulação ao relatar os dados captados pela pesquisa não para por aí e a manchete distorcida nem é a maior das manipulações. Antes de abordar esse ponto, porém, vale comentar o que escreveu em sua coluna na mesma Folha Eliane Cantanhêde, casada com um marqueteiro do PSDB e que parece acreditar no que diz.
Ultimamente, a colunista vem reclamando de que Dilma tem muito espaço concedido pelo cargo e que por conta disso a pesquisa é pior para “quem disputa a reeleição”. Diz ela que “Mesmo com todos os seus instrumentos à mão, mesmo com todas as entrevistas, mesmo com a maior coligação partidária do planeta, Dilma continua perdendo pontos”.

A colunista parece achar pouco que todos os grandes impérios de mídia do país batam no governo e em sua titular todo santo dia, enquanto poupam seus adversários. Mas, enfim, o autoengano é quase um direito humano…

Mas o maior escândalo na forma como a Folha noticiou o que seu instituto de pesquisas apurou não é a manchetona mentirosa que diz que Dilma caiu e que os adversários “não sobem”, mas um dado altamente relevante da pesquisa e que ficou muito bem escondidinho em uma das três matérias do jornal que tratam do assunto.

Uma dessas três matérias foi publicada sob o título “Joaquim Barbosa é o segundo voto mais influente da eleição” – o primeiro voto mais influente é de ninguém mais, ninguém menos do que dele, Lula, é claro.
O que a matéria diz de altamente relevante não está aí, mas na influência que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem sobre o eleitorado. Lá no finzinho da matéria, bem escondidinha, consta a informação espantosa de que a personalidade com menos influência positiva e mais influência negativa na decisão de voto do eleitor é ele mesmo, FHC.

É um terremoto, essa notícia. Simplesmente porque 57% dizem que não votam de jeito nenhum em um candidato apoiado por FHC. Ou seja, os planos largamente anunciados por Aécio de incluir o ex-presidente em sua campanha, resgatando seu “legado”, foram para o ralo. E, pela quarta vez desde 2002, FHC terá que ser escondido do eleitorado.

Afinal, 57% é a maioria do eleitorado e, se não votam em quem é apoiado por FHC e se este apoia Aécio, em teoria a candidatura tucana está inviabilizada.
E mesmo para esconder FHC haverá que combinar com os russos. Não basta Aécio escondê-lo se os seus adversários o trouxerem à luz, lembrando ainda mais aos brasileiros daquele período que faz com que o eleitor nem queira ouvir falar do ex-presidente tucano, de triste memória.

E, como se sabe, mais uma vez o PT irá pendurar FHC no pescoço de um candidato do PSDB.
Há, ainda, a questão da rejeição de Dilma, que subiu para 35% enquanto que as de Aécio e Campos caíram para 29%. É óbvio que isso teria que acontecer porque eles pouco aparecem na mídia, enquanto que Dilma só aparece apanhando. Vamos ver o que acontecerá quando o eleitor for informado de que Aécio é o candidato de FHC…

Aliás, vale lembrar que a rejeição de Lula é de míseros 17%, ou seja, enquanto que o ex-presidente terá influência positiva na campanha de Dilma, o patrono de Aécio terá influência sobre seu desempenho que pode ser considerada fatal.

Fora isso tudo ainda há muito a comentar sobre a pesquisa Datafolha recém-divulgada, mas serão outras histórias que a ser contadas ao longo dos próximos dias, inclusive à luz de outras pesquisas, como uma privada do Vox Populi que mostra números substancialmente diferentes e que ainda virá à luz.

Globo tem que esconder musa da Copa Por que ela não põe o Ataulfo, o ï”, e o Faustão dentro do caminhão ?

Saiu no Keila Jimenez, da Fel-lha (*) (cuidado com o mau halito da bilis), sobre televisão

“O caminhão de Fátima Bernardes mal saiu e já teve que ser estacionado escondidinho na garagem da Globo.”

Saiu uma vez, para Belo Horizonte, para nunca mais sair …

Era para correr o Brasil inteiro durante a Copa e fazer o programa de dentro do caminhão.

A Globo Overseas diz que o cancelamento das viagens foi uma questão de segurança !

Claro.

Lembra, amigo navegante, quando  expulsaram a repórter da Globo e gritaram “é o PiG” e não deixaram a reporter em Copacabana concluir uma reportagem ?

É que a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura.

A batata da Globo assa.

E quando acabar o encaixe de faturamento da Copa ?

E quando a audiência do jn do “I’ voltar à fronteira da casa dos dez e o Fintástico a um dígito  ?

É uma pena.

O Conversa Afiada sugere que a Globo botasse o Ataulfo (**), o Gilberto Freire com “i” (***) e o Faustão no caminhão, cheio de logo da Globo, e soltasse no Alemão ou numa estação de metrô – clique aqui para ler a analise do Miro Borges -  de São Paulo, na Praça da Sé, por exemplo.

Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse . Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia.E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

(***) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

NÃO É A COPA, IMBECIL, SÃO AS ELEIÇÕES!





A imagem do Brasil foi projetada internacionalmente nas ultimas décadas de três maneiras distintas: o Brasil da ditadura militar, o Brasil do neoliberalismo e o Brasil do Lula. O da ditadura tinha a cara do “milagre econômico” e a da repressão. Cada campo político exaltava um lado. No neoliberalismo, da mesma forma, o Brasil foi retratado de modelo que parecia se consagrar a fracasso.

O Brasil do Lula foi a imagem mais difundida do país em muito tempo. Depois de estar apagado na mídia internacional por um bom tempo, de repente, para surpresa geral, no meio da era neoliberal, o pais mais desigual do mundo passou a ser a referencia na luta contra a fome e o modelo de sucesso no combate à desigualdade. É uma imagem que incomoda muito. Antes de tudo, às hostes neoliberais, cujos princípios são negados abertamente pelo Brasil, que faz residir nessa negação exatamente o seu sucesso. E incomoda aos setores da ultra-esquerda, que já tinham cantado a “traição” do Lula e do PT, no começo do governo e tiveram que engolir a seco o sucesso popular interno e internacional do Brasil.

Desde o ano passado, foi se desatando uma gigantesca campanha internacional contra o Brasil, que busca desconstruir esse Brasil que incomoda a esses setores. Tratou-se de dizer que, com as manifestações de junho do ano passado, ruía todo o castelo construído no Brasil. Não poucos – da direita à ultra-esquerda, aqui e lá fora – se valeram da palavra “farsa”, como se tudo o que acontece no Brasil desde 2003 fosse uma montagem, que finalmente se desmontava. Houve até quem prognosticasse que o país entrava numa “fase de rebeliões”, fazendo dos seus desejos realidade. Coisas presas na garganta vieram pra fora sem nenhuma auto-censura, acreditando que a realidade era redutível às suas palavras.

A persa de apoio do governo incentivou a oposição a acreditar que “o ciclo do PT havia terminado”, levando forças da própria base de apoio do governo a acreditarem que sua hora havia chegado. Puseram seus melhores ternos e foram para a janela a ver passar o féretro do governo.



Contam esses com a formidável maquinaria neoliberal global, que tem no The Economist, no Financial Times, no The Wall Street Journal, no El Pais, suas vozes cantantes. Junto com a anunciada – e nunca cumprida – desaceleração da economia chinesa, agregaram uma suposta recessão dos Brics a uma também imaginária recuperação dos países do centro do capitalismo. Tudo contra todas as evidencias, que os desmentem em números, todos os meses.

Faz parte dessa contra-ofensiva da direita a campanha orquestrada contra o Brasil. Para não citar a cascata de calúnias e mentiras – que incluíam desde o assassinato de crianças em Fortaleza e uma greve geral de todas as polícias estaduais –, basta recordar que o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha classificou o Brasil como “pais de alto risco”, categoria usada para países com conflagração armada, com insegurança total, como Nigéria, Sudão, Ucrânia.

Nada fez com que diminuísse a procura de pacotes para a vinda ao Brasil, nem na Alemanha, nem na França como atestou o Veríssimo de Paris, depois de alinhar algumas das barbaridades que falam do Brasil por lá.

É uma ofensiva intencionada, pelo que o Brasil do Lula os incomoda. Aqui dentro, com a Copa coincidindo com as eleições, a mídia – mais do que nunca assumida direção partidária da oposição – se joga inteiramente nas denuncias sobre a Copa e no eco desmesurado de qualquer mobilização que, de alguma forma, possa aparecer ligada à Copa, na expectativa de que possam desgastar a candidatura da Dilma.

Se valem de manifestações de distintos setores, algumas deles em que alguns, de forma oportunista, buscam os holofotes da mídia nacional e internacional, para gerar uma imagem de descontrole social. Contam com a mídia internacional afoita de notícias sensacionais e com a operação política global da direita contra o Brasil.

Não fosse ano eleitoral e a circunstancia de que a direita deve ter sua quarta derrota consecutiva, a mídia não estaria tão assanhada assim. Não estaria – até as eleições, claro – dando cobertura e sobredimensionando qualquer manifestação existente ou por haver. Afinal, no marco geral de diminuição sistemática das tiragens e da audiência, a Copa seria um bom tema para diminuir esse ritmo de queda.

Mas, não é a Copa, imbecil! É a eleição presidencial. É a perspectiva provável de reeleição da Dilma, ainda mais com a possibilidade de um retorno do Lula em 2018. Isto é o que produz o desespero da direita nacional e dos seus aliados internacionais. Não olhem para o dedo que aponta a lua, olhem para a lua. A questão política central este ano não é a Copa, são as eleições.

(…)

Blogueiros e ativistas digitais reagirão ao ataque tucano à liberdade de expressão




A ofensiva do PSDB e de seu pré-candidato Aécio Neves contra blogueiros e ativistas digitais diz muito sobre o que poderia ser a vitória do neoconservadorismo na eleição presidencial de 2014. Mais do que a reversão das políticas econômicas e sociais hoje em curso no Brasil – responsáveis pelo soerguimento de milhões da pobreza e da miséria –, o projeto tucano envolve censura a vozes dissonantes, destruição da organização sindical e social e pressão econômica contra países latino-americanos nos quais vigem projetos políticos de esquerda.
Essa é a avaliação que ativistas digitais e blogueiros, em reunião recente, extraíram dos últimos movimentos do PSDB, sobretudo na internet, arena na qual o seu pré-candidato a presidente começou a atuar, promovendo verdadeira caça aos críticos valendo-se de medidas judiciais e utilização da influência tucana na mídia, no Judiciário e no Ministério Público.
A internet, que deve se tornar a grande arena da disputa política de 2014, foi priorizada pela campanha tucana à Presidência. A entrevista de Lula a blogueiros em abril e a palestra do ex-presidente no 4º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais sinalizaram para o comando da campanha tucana os primeiros alvos a serem “anulados”, mas que não são os únicos nem os últimos.
A ausência de reação mais contundente do PT contra o verdadeiro exército contratado pelo PSDB para atuar na internet e contra os grupos de mídia que dominam todas as outras plataformas de comunicação (grandes jornais e revistas, televisões e rádios) deu aos tucanos a vantagem de sair na frente na guerra comunicacional de 2014. Não no sentido estrito da comunicação digital, onde o PSDB é fraco, mas no ataque a comunicadores digitais.
O PSDB contratou, a peso de ouro, três dezenas de advogados de grandes e caríssimos escritórios que tentarão calar críticos e militantes petistas, em um dos mais contundentes ataques à liberdade de expressão desde a ditadura militar. Já o PT, fustigado pelas acusações da grande mídia de que é contrário à liberdade de expressão, apesar dos abusos que sofre na internet – sobretudo contra Lula e Dilma – evita reagir com tais instrumentos.
A grande ironia desse processo é que o PT, acusado de tentar cercear a “liberdade de imprensa”, nunca promoveu nenhum ataque às vozes dissonantes e críticas em qualquer plataforma de mídia, seja na corporativa ou na digital, via criminalização de hordas de internautas que espalham calúnias e insultos diariamente contra o governo federal, contra Dilma, contra Lula, contra o PT e contra qualquer um que os apoie.
O entendimento de que a estratégia de comunicação do PT e da campanha de Dilma ainda pode demorar a acordar para o tipo de jogo que o PSDB prepara foi o que levou ativistas digitais e blogueiros a se reunirem para compor um cronograma independente de reação à ofensiva tucana. É preciso denunciar ao Brasil e ao mundo a ofensiva do monstro censor tucano-aecista e à Justiça o colaboracionismo de autoridades aliadas ao PSDB.
São impressionantes as informações que entidades de blogueiros e ativistas digitais estão recolhendo sobre o aparato jurídico e midiático que está sendo edificado pelo PSDB para calar adversários na internet de forma que, fora da campanha dos partidos, a grande mídia possa atuar sem oposição em favor de Aécio. Todavia, a boa notícia é a de que a estratégia já foi detectada e, ainda que com atraso, a reação virá na mesma medida e intensidade que a ação.

Todo mundo tem direito de exigir. Mas a esquerda não pode fazer o que os “coxinhas” não conseguiram

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Não há nada de errado em sem-teto, metroviários e até policiais militares se manifestarem em defesa de seus direitos.
Nada de errado, mas muito de estranho nessa improvável confluência de todos em torno do Itaquerão.
Tão estranho que é obvio.
Não adianta o líder dos sem-teto, Guilherme Boulos, dizer que “o receio que nós temos é que as manifestações sejam utilizadas por esses setores mais conservadores que não nos representam e representam um projeto atrasado na nossa opinião”.
Claro que é legítimo aproveitar a visibilidade da Copa para obter concessões, em políticas públicas e em salários.
Mas não é, para sem-teto, policiais ou metroviários, impedir à força que a população e os torcedores se desloquem livremente.
É um contra-senso que o mesmo cidadão ameace que “se até sexta (amanhã) não tiver uma resposta para nossas reivindicações, não sei se a torcida vai conseguir chegar a esse jogo, não”, referindo-se ao amistoso da seleção no Morumbi e ao jogo de abertura da Copa.
Os líderes do movimento dos Sem-Teto, com todas as razões que tenham, certamente sabem que  são vítimas da completa ausência de políticas habitacionais durante o longo inverno neoliberal que, antes do Minha Casa, Minha Vida, demoliu todos os – mesmo distorcidos – programas de habitação popular.
Os dos policiais e metroviários, com certeza, estão cientes que os cofres públicos paulistas e os da empresa em que trabalham foram severamente saqueados pelas forças políticas que os controlam e que, agora, esfregam as mãos esperando que seus movimentos atinjam eleitoralmente o Governo Federal.
Quanto ao pessoal da Companhia de Engenharia de Tráfego, municipal, basta que se diga que sua última greve foi há dez anos, na gestão de Martha Suplicy.
Quando um movimento social ou sindical leva a população ao paroxismo, duas coisas acontecem.
A primeira, mais imediata, é que ele perde apoio político.
Basta ver o que acontece agora e acontecerá durante o dia.
A segunda é que, por isso, aumenta o apoio político aos que sempre foram seus algozes.
O governo federal precisa ter absoluta tranquilidade diante disso.
Porque, tanto quanto os líderes destes movimentos “municipais” e “estaduais”, sabem que tudo será jogado às suas costas.
Inclusive, e  sobretudo, uma reação violenta a quem, por suas reivindicações, não percebe  que, nas palavras de um de seus próprios líderes  que admitem que  há o “risco de uso eleitoral que nós estamos vendo nesses protestos é pelos setores conservadores do País, de grandes partidos como PSDB e PSB que têm tentado surfar na onda das mobilizações”.
Seu dever é pressionar Estado e municípios para que negociem e sejam flexíveis, em lugar de repressores.
Mas também há deveres para as lideranças, a menos que desejem o mesmo que “coxinhas” e “blackblocs” e não, como cidadãos e trabalhadores, defenderem os interesses daqueles que lhes depositam confiança.
Líder que pensa e não faz, seguindo o caminho fácil que a mídia conservadora lhe abre precisa abrir o olho.
Manifestação, muito bem, ótimo. Legítima e necessária.
Tanto para pressionar a prefeitura, quanto para pressionar Alckmin e mesmo para pressionar Dilma.
Mas não perceber que a direita e a mídia estão loucas por situações que levem a conflito nas ruas é pior do que ser cego.
É isolar seus movimentos diante da população exausta e levar água ao moinho dos que sempre lhes baixaram o pau.
Tomara que entendam e reconheçam que são seus inimigos que, a esta hora, torcem para o “não vai ter copa”.
E que não levem trabalhadores e gente sofrida, explorada e injustiçada a fazerem o que os bem-nascidos coxinhas e blackblocs não conseguiram.
E a jogar contra seus próprios aliados históricos, ao lado de seus inimigos de sempre.
Coerência não é calar a boca por medo de “patrulhas” e esconder das pessoas as consequências politicas do que a gente diz e faz.

Datafalha e Globope viram patifaria O TSE vai chamar o Otavinho e o Montenegro pra saber quem “cloneia” ?


Imagem enviada pelo amigo navegante Walber no Facebook do C Af
De amigo navegante:


Bom dia,

Isso de venda de clone de pesquisa eleitoral a bancos e clientes endinheirados é uma burla à legislação eleitoral. Cabe ação junto ao TSE. Por isso tem oscilado tanto os humores do mercado. Hoje (5) não será diferente, já que temos um Datafolha em campo.


Saiu no PiG (*) cheiroso, o Valor, que a Dilma não lê, como não vê a Globo:

Pesquisa eleitoral ‘clone’ agita mercado


Na esteira da ansiedade que o resultado da eleição presidencial tem causado no mercado financeiro brasileiro, algo que não se via desde 2002, um produto disponível para poucos tem capturado a atenção de bancos e corretoras. Ao menos um instituto de pesquisa passou a vender a esses clientes, dispostos a desembolsar dezenas de milhares de reais, algo que vem sendo chamado de pesquisa “clone” ou pesquisa “gêmea”.

Em poucas palavras, são sondagens que prometem replicar e, mais importante, antecipar, o resultado das pesquisas eleitorais realizadas pelos grandes nomes do segmento, como Ibope e Datafolha.

(…)

O Valor apurou que já houve pesquisa clone vendida a um único banco e também já houve casos em que um pool de instituições financeiras se juntou para pagar a conta, bastante salgada, e usufruir dos resultados.

(…)

O procedimento é caro e as pesquisas clone copiam as originais até mesmo no quesito preço, diz uma fonte. Isso quer dizer que um banco ou um grupo de instituições pode desembolsar algo entre R$ 130 mil e R$ 200 mil pelo produto clonado.

Leia mais em: http://www.valor.com.br/financas/3574898/pesquisa-eleitoral-clone-agita-mercado#ixzz33lMCclsY




O Conversa Afiada bem que desconfiava de uns “furos” de um tal “Infomoney”.
De novo, o “Infomoney” divulgou “bruscas oscilações” com ações de estatais.
É nisso o que dá levar a sério “pesquisa” de opinião publica de DOIS e NÃO MAIS QUE DOIS institutos de opinião controlados pelo PiG !
O Tribunal Superior Eleitoral – o mesmo que não deixou veicular o vídeo do PT que ensandeceu a Direita e ensandeceu porque é verdadeiro – esse mesmo “tribunal” ainda não chamou o Otavinho e o Montenegro para conversar .
Será que eles não desconfiam de quem constrói “clone”?
Será que eles desconfiam de quem possa ganhar rios de dinheiro com “inside information” ?
Se for esperar pela CVM para apurar , amigo navegante, esqueça: ela vai concluir que “clone” é questão da Biologia e não tem nada a ver com ela.
(Quem entende mesmo de CVM é o Daniel Dantas … Clique aqui para ver que ele tomou duas (novas) surras do Klouri e do PHA.)
Como diria o Ricardo Mello, isso aqui virou uma esculhambação !



Em tempo: por falar em “justiça eleitoral” – e aquela que decidiu que o Padilha não pode sair de casa ? Tem que fazer campanha na varanda.


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Dilma rebate Fifa: o que não entregamos?

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"Eles fizeram as mesmas coisas com a África do Sul, o mesmo discurso. O que prometemos que não entregamos? Entregamos toda a segurança, estádios, aeroportos, até mesmo a rede de fibra óptica para fazer com que todos os celulares funcionem. Teremos wi-fi nos estádios que disponibilizaram e toda rede 3G e 4G funcionará", disse a presidente sobre as criticas de Joseph Blatter e de Jérôme Valcke, presidente e secretário geral da FIFA, respectivamente; segundo ela, o país está preparado "dentro e fora de campo" e o clima de desânimo vai mudar ao longo do torneio: "Acho que isso é o complexo de vira-lata. A Copa aqui no Brasil será um sucesso"
5 de Junho de 2014 às 05:30
247 – Prestes a receber mais de 12 chefes de Estado e de abrir as portas da Copa no Brasil a torcedores do mundo todo, a presidente Dilma Rousseff voltou a rebater críticas de dirigentes da Fifa. Segundo ela, o país está preparado "dentro e fora de campo", e afirma que discurso da entidade não tem nenhuma novidade já que fez o mesmo em relação à África do Sul.
“Eles fizeram as mesmas coisas com a África do Sul, o mesmo discurso. O que prometemos que não entregamos? Entregamos toda a segurança, estádios, aeroportos, até mesmo a rede de fibra óptica para fazer com que todos os celulares funcionem. Teremos wi-fi nos estádios que disponibilizaram e toda rede 3G e 4G funcionará”, disse em entrevista ao SBT.
A presidente ainda descartou pontos negativos que foram levantados na preparação do Mundial. “Disseram que os aeroportos não estariam prontos, que teria epidemia da dengue. Não há essa possibilidade, quando a temperatura cai. Também não teremos racionamento de energia nem durante, nem depois da Copa”.
Dilma reitera que vai garantir a segurança dos que desejam ir ao estádio e diz que considera "barbárie e inadmissível" ferimentos de morte em protestos.
Segundo ela, o clima de desânimo “vai mudar” ao longo do torneio e que o pensamento negativo das pessoas ainda está relacionado com o complexo de inferioridade. “Acho que isso é o complexo de vira-lata. A Copa aqui no Brasil será um sucesso. Nós estamos preparados dentro e fora de campo também”.
Quanto ao técnico Felipão, não poupa elogios: "sensacional, caráter forte, confiável e dá segurança aos jogadores".

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O tamanho de Aécio Neves

Ainda que estejam tentando criminalizar críticas de cidadãos ao PSDB e aos seus expoentes na política, esse é um direito democrático do qual abrir mão significa consentir com uma legítima ditadura, na qual um partido político – que, inclusive, governa o país – pode ser execrado, acusado de tudo e mais um pouco, muitas vezes sendo caluniado, e outro partido, de oposição ao primeiro, trata como “crime” qualquer crítica que receber.
A política comporta jogo sujo desde sempre. Na era da internet, há quem use e abuse do anonimato para difamar, ameaçar, enfim, fustigar de todas as formas os adversários políticos. Alguns casos são realmente criminosos.
Um exemplo de atuação do “submundo” da grande imprensa contra políticos é a ficha policial falsa da hoje presidente Dilma Rousseff, publicada em 2009 no alto da primeira página do maior jornal do país, a Folha de São Paulo. Segundo o próprio jornal, essa suposta ficha policial lhe chegou por e-mail e, sem checagem alguma de sua veracidade, foi publicada com o maior destaque possível contra a então ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula.
Periciada, a ficha se mostrou falsa como uma nota de 3 reais. Dilma Rousseff, então possível candidata a presidente da República no ano seguinte, abriu mão de tomar medidas judiciais não só contra quem fez a falsificação, mas contra quem a divulgou com grande estardalhaço.
No mesmo ano, o mesmo jornal publica o que chamou de “análise” sobre o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O texto foi escrito por César Benjamin, ex-candidato a vice-presidente na chapa da senadora pelo PSOL Heloisa Helena, candidata a presidente na eleição de 2006. Naquele texto, o autor acusou o homem que governava o Brasil de ter tentado estuprar um colega de cela enquanto permaneceu preso no DOPs, em 1971.
Lula e Dilma, para resumir, sofreram, ao longo dos últimos 12 anos, inúmeros ataques do “submundo” da grande imprensa e do da internet. Na eleição de 2010, por exemplo, foi criado um site que “acusava” a então candidata Dilma de ser “homossexual” e, para “comprovar” a “acusação”, chegou a postar foto da “amante” dela.
Na internet, o que se vê contra Lula, Dilma e o PT é estarrecedor. Não é preciso nem pesquisar para saber que o que se diz aqui é verdade. Nunca, porém, houve uma ação do partido ou do ex-presidente ou da atual presidente para caçar essas pessoas que atuam dessa forma, inclusive contra aquelas pessoas que fazem isso de dentro de órgãos públicos.
Na última terça-feira, o Diretor da Sucursal da Revista ISTOÉ em Brasília, Paulo Moreira Leite, divulgou em seu blog, hospedado no portal da revista, a opinião de que “A caçada a blogueiros simpáticos às conquistas criadas no país depois da posse de Lula, em 2003, iniciada com a investigação sobre um suposto ‘bunker’ do PT na prefeitura de Guarulhos, deve ser visto como aquilo que é. Uma tentativa autoritária de silenciar vozes que divergem do monopólio político da mídia”.
Essa “caçada” aos críticos a que Moreira Leite se refere foi desencadeada pelo PSDB e seu pré-candidato a presidente da República, Aécio Neves, e conta com apoio de grandes meios de comunicação.
Nenhum desses blogueiros que o PSDB pôs a grande mídia para “caçar” fez nada parecido com o que fizeram com Lula ou Dilma ao longo dos últimos anos. Nunca se inventou nada, aqui ou em outros blogs críticos do PSDB, contra o partido ou seus candidatos. Sobretudo do ponto de vista pessoal. Tratam-se de críticas políticas e administrativas.
Claro que, como há pessoas que usam o anonimato na internet para difamar e caluniar Dilma, Lula e o PT, há correspondentes que fazem o mesmo contra o PSDB e seus expoentes. Contudo, esse expediente é usado valendo-se do anonimato, de pessoas que atacam sem se expor, sem assumir pessoalmente o que dizem.
Este blog recebe ataques desse tipo de gente aos montes. Abaixo, um dos exemplos de ataques que um contingente de anônimos já fez contra esta página e seu autor.
Esse ataque, por ter sido o pior que este Blog já recebeu, foi divulgado aqui no post O monstro da caixa de comentários.
Porém, o que se sabe é que esse tipo de ataque não tem maior força. Ninguém são dá importância a esse tipo de coisa, ou mesmo a acusações sem provas feitas por anônimos. Esse tipo de ação busca apenas desgastar o alvo emocionalmente. E, em geral, é perpetrado por gente extremamente ignorante, que obtém o resultado inverso ao pretendido.
Dilma ou Lula jamais se deram ao trabalho de caçar pessoas que usam o anonimato para cometer crimes virtuais. A estatura dessas duas pessoas públicas tem uma dimensão que lhes permite ignorar ataques parecidos, praticados inclusive por grandes jornais como a Folha de São Paulo, nos exemplos supracitados.
A caçada a blogueiros comentada por Paulo Moreira Leite, antes de tudo revela a estatura do homem que pretende disputar com Dilma – e, indiretamente, com Lula – a Presidência da República. Com suas dezenas de advogados, com seus meios de comunicação “parceiros” e com autoridades “amigas”, Aécio Neves mostra que não está à altura dos dois petistas com os quais disputará a sucessão presidencial.

Branco sobre branco

Brasil aos cacos? Trabalhadores com 11 anos ou mais de escolaridade já representam 52% da população ocupada do país; há dez anos eram 35%
 
Congresso aprova Plano Nacional de Educação que prevê 10% do PIB ao setor

População ocupada salta de 89,4 milhões no 1º trimestre de 2013 para 91,2 milhões agora; desemprego recuou de 8% para 7,1% no período (IBGE)

Pesquisa da americana Pew revela: a) 67% dos brasileiros estão insatisfeitos; b) mas 51% enxergam em Dilma alguém capaz de agir sobre esse quadro; b) 53% negam esse predicado a Aécio Neves; c) Fernando Henrique Cardoso é uma referência negativa para 67% da população; d) a imagem de Lula é positiva para 66%


O balanço da OIT divulgado nesta terça-feira sobre o saldo dos seis anos de arrocho neoliberal nos países da União Europeia é devastador.

por: Saul Leblon
 
Arquivo
A máscara sorridente de Aécio Neves, de um sorriso fixo excessivamente  fixo,  é tão humana e confiável quanto a fala aerada de quem sabe de antemão que não precisará oferecer nada além dos dentes às grandes audiências.

As bocas autorizadas a argui-lo não cobrarão muito mais que isso da sua. E esse é uma espécie de protocolo consuetudinário  que marca religiosamente  a relação da mídia com seus candidatos in pectore a cada eleição.

Graças a esse mutualismo, o tucano pode exibir  olimpicamente seu branqueamento  sobre o relevo igualmente  de brancas superposições  que compõe  o cenário do programa  Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, no qual  foi o entrevistado desta 2ª feira.

A harmonia  monocromática só foi atritada quando o dono do sorriso fixo  acabou  convidado a comentar  sua propalada intimidade com a cocaína, tema que fez o mediador  e centurião das boas causas tucanas ,Augusto Nunes,  aspirar  fundo e elevar o tom de voz para mudar de assunto.

Até aí, porém, ficamos no branco sobre branco.

A  verdade é que interessa  menos  ao país  saber o que Aécio aspira ou deixa de aspirar pelas narinas, do  que  a substancia tóxica  que os interesses  nele personificados  aspiram  despejar sobre a sociedade na forma de uma restauração  agressiva da lógica neoliberal na economia.

Que não tenha havido no programa da TV Cultura um questionamento desse projeto com igual ou superior contundência  dispensada  ao tema da cocaína,  diz muito sobre a pertinência do que é  reservado hoje pelo filtro da comunicação ao discernimento da sociedade em relação aos grandes desafios brasileiros.

É sintomático que nenhum dos destacados  jornalistas  presentes  tenha se lembrado de ler  para Aécio o relato de um sugestivo episódio protagonizado por ele na casa do animador de eventos do ‘Cansei’, João Dória Jr, em 01-04 (conforme Mônica Bergamo; Folha).

A cena é ilustrativa da endogamia estrutural entre o dinheiro grosso e a candidatura do PSDB.

Conforme o relato da Folha, a cena é narrada  pelo próprio Aécio que se gaba diante dos comensais ao reproduzir um diálogo travado com um de seus fiadores junto ao mercado : ‘Eu conversava com o Armínio e ele me perguntou: ‘Mas é para fazer tudo o que precisa ser feito? No primeiro ano?’. E eu disse: ‘Se der, no primeiro dia’.

O fato é que a candidatura  Aécio Neves, de todas as oferecidas pelo PSDB  desde 2002, é a mais assumidamente letal do ponto de vista de um retorno puro e simples ao arrocho que ele reiteradamente abraça nos encontros de portas fechadas com a plutocracia brasileira.

Nos demais  colóquios, como no caso do Roda Viva, desfruta da cordura de entrevistadores que se contentam  com pouco.

A esse pelotão camarada  Aécio dá-se o direito de negar hoje o que afirmara ontem, e de se desdizer amanhã sobre o que cometeu no dia anterior.  Sem arguição. Branco sobre branco.

Em 05-05 , por exemplo, ele se gabou que estaria preparado para tomar ‘medidas impopulares’.

No Roda Viva, em 02-06,  recuou afirmando que , as “medidas impopulares foram tomadas (pelo atual governo)”.

Crítico do reajuste de 10% no benefício do Bolsa Família, anunciado pela Presidenta Dilma na véspera do 1º de Maio,  o tucano, dia 02-05, ‘não quis assumir o compromisso de aumentar os repasses (ao programa), caso seja eleito’ -- noticiou a Folha de SP então.

Vinte e seis dias depois, na última 3ª feira,  fez aprovar na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, uma medida que exclui limites de renda e tempo para a permanência de famílias pobres no programa, elevando intrinsicamente os repasses.

Haveria outras formas de se cobrar do sorriso fixo um grau maior de serenidade  e coerência na abordagem dos graves  problemas  nacionais.

Seria necessário que o noticioso isento das corporações em pé de guerra contra a regulação da mídia  –e  o colunismo  da indignação seletiva--  facultasse ao eleitor brasileiro, por exemplo,  uma conexão crítica  entre os planos  do candidato conservador  para o Brasil e a realidade devastadora criada por  esse mesmo projeto na Europa nos dias que correm.

O balanço da OIT  divulgado nesta 3ª feira sobre o saldo dos seis anos de arrocho nos países das UE mostra o quanto seria mais corajoso questioná-lo  sobre esses escombros, do que sobre o pó eventualmente aspirado por suas polêmicas narinas.

Leia, abaixo, trechos publicados pela mídia do Relatório "A Proteção Social no Mundo":

“Em 2012, 123 milhões de pessoas nos 27 Estados-Membros da União Europeia, ou 24% da população, estavam em risco de pobreza ou exclusão social e cerca de mais 800 mil crianças viviam na pobreza do que em 2008.

O aumento da pobreza e da desigualdade resultou não apenas da recessão global, mas também de decisões políticas específicas de redução das transferências sociais e de limitação do acesso a serviços públicos de qualidade, que se somam ao desemprego persistente, salários baixos e impostos mais altos.

Em alguns países europeus, os tribunais declararam os cortes inconstitucionais.

O custo do ajustamento foi transferido para as populações, já confrontadas com menos empregos e rendimentos mais baixos há mais de cinco anos.

Os ganhos do modelo social europeu, que reduziu significativamente a pobreza e promoveu a prosperidade no pós-2ª Guerra Mundial foram erodidos por reformas de ajustamento de curto prazo.

As medidas de contenção orçamentária não se limitaram à Europa. Em 2014, nada menos que 122 governos reduziram a despesa pública, 82 deles de países em desenvolvimento.

Entre essas medidas, tomadas depois da crise financeira e econômica de 2008, incluem-se: reformas dos regimes de aposentadoria, dos sistemas de saúde e de segurança social, supressão de subsídios, reduções de efetivos nos sistemas sociais e de saúde.

Mais de 70% da população mundial não tem uma cobertura adequada de proteção social, definida como um sistema de proteção social ao longo da vida que inclua o direito a prestações familiares e para menores, seguro contra desemprego, em caso de maternidade, doença ou invalidez, aposentadoria e seguro saúde.

39% da população mundial não têm acesso a um sistema de cuidados de saúde, porcentagem que sobe para 90% nos países pobres.

Faltam cerca de 10,3 milhões de profissionais de saúde no mundo para garantir um serviço de qualidade a todos os que necessitam.

49% das pessoas que atingiram a idade para se aposentar não recebem qualquer pensão. Dos 51% que recebem, todavia, muitos têm pensões muito baixas e vivem abaixo do limite de pobreza.

Só 12% dos desempregados de todo o mundo recebem seguro desemprego, porcentagem que varia entre 64%, na Europa, e menos de 3% no Oriente Médio e na África".

1º turno: avaliação da Dilma supera intenção de voto ! O eleitor do “quero mudar” avalia a Dilma muito bem – até na Economia !

Cai a confiança no Painel e no Panorama.

“Painel” é da Fel-lha (*) de SP (que exala mau hálito, da bílis) e “Panorama” é o “Panorama Político” do Globo, que nos bons tempos da Helena Chagas era mais bem informado.

Os dois deixaram o ansioso blogueiro em pânico, esta manhã.

Dizem que o João Santana apresentou à Dilma, naquelas reuniões de segunda-feira à noite, que, segundo o PiG (**), quando as bruxas se encontram no Palácio do Alvorada para planejar a derrota em 2014, o Santana teria apresentado “pesquisas mostrando que caiu a confiança do eleitor na capacidade do (sic) Governo de promover mudança”.

Uma tragédia !

Os fantasmas do passado voltarão com a graça das assistentes de palco do Faustão !

Aí, precavido, o ansioso blogueiro resolveu consultar o Oráculo de Delfos, que anda a rir muito, com a derrota que o Dudu vai sofrer em Pernambuco.

Como se sabe, o Oráculo habita em algum ponto do território Pernambuco – ele é louco por bolo de rolo – e de lá contempla o PiG (**):

- Calma, meu filho, o quadro não é sombrio. É claríssimo !

- Mas, como claro, Mestre ? As notícias sobre a crise se acumulam até nas vírgulas do PiG (**), na previsão do tempo, nas sábias análises do Faustão e do Ronaldo – já nem falo da Urubóloga, que ainda não desistiu do Apagão da Dilma !

-  Meu filho, tenha calma. A bola ainda não rolou.

- Como assim ? O Neymar deu um show …

- No treino …

- É verdade…

- A bola começa a rolar no horário eleitoral, quando a Dilma vai ter o dobro do tempo deles …

- Isso vai ajudar.

- Mas, desde já, veja o seguinte. Mesmo com esse tsunami de “crise” 24 horas por dia, esse suposto “desânimo”, o “mau humor” do empresário,  mesmo assim, o Arrocho e o Dudu não entram na brecha !

- Não crescem.

- Não se mexem. São dois ilustres desconhecidos, menos na mídia.

- Mas, e com o horário eleitoral ? Eles não crescem ?

- Não terão tempo suficiente para construir o que não construíram até agora.

- Mas, sábio Oráculo, o povo não quer mudança ? O Ataulfo (***)  diz que o candidato Senhor “Quero Mudar !” vai ganhar a eleição …

- Sim, tem gente que quer mudar. Mas, aí, “mudança” é muito mal explicado.

- E como explicar ?

- Aí, você coloca filtros no “quero mudar”. O filtro do desempenho da Dilma no “Social”, no “Econômico” etc.

- Filtros ?

- Sim, meu filho, para entender, aprofundar o desejo de mudar.

- E, aí, como fica a Dilma depois dos filtros ?

- Muito bem ! Muito bem avaliada nas “políticas sociais” e -  acredite ! – muito bem avaliada na “política econômica” apesar do tiroteio implacável que vem desses que você chama de “economistas de bancos”  …

- Na economia também, com “pibinho”, hiperinflação, apagão e todas essas desgraças urubológicas …

- Não vai ter Copa …

- E, se tiver, a bola vai ser quadrada … Com tudo isso, os que querem mudar reconhecem nela uma boa gestora da Economia.

- Então, se a situação é sombria, sombria mesmo é para a Folha e o Globo …

- Você é quem diz. Eu não posso me comprometer …

- E aí, ela leva no primeiro turno ?

- Claro ! Não serei eu, aqui nos grotões de Pernambuco, de olho no bolo de rolo, que vou desmentir TODAS as pesquisas: ela ganha no primeiro turno.

- Puxa, até eu começo a acreditar no Felipão.

- No Felipão só, não ! Na vitória da Dilma, criatura !

- É verdade …

- Quer saber mais ?

- Claro !

- A avaliação positiva da Dilma é superior à intenção de voto !

Pano rápido !


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia.E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

População tem medo de festejar a Copa



O programa Contraponto de junho (segunda-feira, 2 de junho) entrevistou o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, o segundo na hierarquia da pasta. O tema da entrevista foi a Copa do Mundo de 2014 e as controvérsias e até a comoção social que tem suscitado. Essa entrevista permite uma conclusão surpreendente, porém óbvia.
Antes de prosseguir, vale explicar, para quem não sabe, que esse programa é uma iniciativa do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé e do sindicato dos Bancários de São Paulo e vai ao ar mensalmente. Este blogueiro integra sua produção e participou, como entrevistador, de todas as suas edições, com exceção da edição de abril, que versou sobre o Dia da Mulher. O Contraponto já entrevistou personalidades como o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o jurista Dalmo de Abreu Dallari e o pré-candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha. É transmitido mensalmente pela Rede Brasil atual, via streaming.
Abaixo, o banner do último programa



A entrevista começou pelo custo do evento, se foi usado dinheiro público destinado a saúde e educação e quanto desse tipo de recurso foi gasto. Abordou, também, a suposta ociosidade que dizem que se abaterá sobre os estádios após a competição. Também foi discutida a questão das remoções de moradores e, por fim, a visível apatia dos brasileiros com a Copa.
Deixemos a questão principal – a que intitula o texto – para o fim. Tratemos, primeiro, do “Gasto de dinheiro público que deveria ter sido usado em Saúde e Educação”. Quanto do orçamento da Copa é composto de dinheiro público?
Em primeiro lugar, há que distinguir o que são gastos com a Copa e gastos em obras que serão usadas no cotidiano dos brasileiros e que teriam sido construídas com ou sem a realização do evento, tais como aeroportos, portos, estradas, pontes, viadutos, metrô etc.
Comecemos pelos aeroportos. Quem se lembra do “caos aéreo”? Até a eleição de 2010, o assunto não saía da mídia, que bradava pela insuficiência de nossos aeroportos…
Este que escreve tem conversado com pessoas de diferentes posições políticas que já usaram os novos terminais e aeroportos que vêm sendo inaugurados e as críticas são quase nulas, enquanto elogios abundam. Mesmo a mídia quase não tem batido nos aeroportos
Ora, o país precisava, sim, de aeroportos e a Copa praticamente os dará ao país de graça, porque o faturamento do evento, estimado por estudos encomendados pelo governo a consultoria feita em parceria entre a Fundação Getúlio Vargas e a Ernest & Young, chega 142 bilhões de reais
Essa dinheirama pagará pelos estádios. E não só. Pagará por todas as obras de mobilidade urbana que estão sendo inauguradas.
Abaixo, um vídeo que todos os que negam a quantidade de obras entregues precisam assistir. Em 5 minutos, você descobrirá o que a mídia esconde sobre onde foram empregados os recursos e sobre quantas obras de porte o Brasil edificou nos últimos sete anos.



Como se vê, essa situação caótica que a mídia pinta é menos, bem menos…
Mas quanto custou tudo isso? Entre obras de mobilidade urbana e estádios, aproximadamente 35 bilhões de reais. Porém, desse total 26 bilhões foram gastos com obras de mobilidade urbana, 8 bilhões com estádios e cerca de 600 milhões com equipamentos complementares, como portais detectores de metal etc., que só serão usados na Copa.
É justo dizer que os cerca de 35 bilhões de reais foram todos investidos exclusivamente por causa da Copa? Não é justo, não é correto, não é verdade. Dos 35 bilhões, só 8 bilhões foram gastos exclusivamente com a Copa, para construir estádios. O resto se refere a obras que as regiões em que foram executadas necessitavam.
Foi atendida a reclamação contra o “caos aéreo”, por exemplo.
Mas foram gastos 8 bilhões de reais de dinheiro público em Estádios? Não, não foram. Primeiro porque, dos 12 estádios construídos para a Copa, 9 são públicos e 3 são privados. E, dos 8 Bilhões, cerca de 4 foram financiados pelo BNDES, que cobrará os empréstimos com juros e correção, devolvendo aos seus cofres, com lucro, o que foi investido pelo banco estatal de fomento.
Dizer que o dinheiro do BNDES tem que ser usado em Saúde e Educação, é mentira. Nunca houve financiamento desse banco de fomento a essas rubricas da administração pública. O BNDES financia desde a Globo até o açougue da esquina. Financia indústrias, financia shoppings…
Mas restam os outros 4 bilhões do custo dos estádios. Esses saíram dos Estados e de grupos privados. Pode-se dizer que é dinheiro público, sim. E que os empréstimos do BNDES dos outros 4 bilhões aos Estados terão que ser pagos com dinheiro público e – em parte menor – privado.
Só que quem faz essa conta parte do princípio de que o Brasil não lucrará nada com a Copa. Todavia, indústrias produziram equipamentos, máquinas, material de construção e operários e demais trabalhadores foram contratados. Tudo isso gerou impostos, gerou empregos, movimentou a economia.
Além disso, há o faturamento direto da Copa com turismo, com ocupação de hotéis, com lotação de restaurantes, com impostos, com venda de ingressos. E impostos e mais impostos. Há, ainda, uma infinidade de outras receitas que advirão de evento dessa magnitude.
Enfim, os cofres públicos dos Estados recuperarão com lucro cerca de R$ 6 bilhões de dinheiro público investido em estádios, frente a um orçamento federal com Saúde e Educação que, segundo o representante do Ministério do Esporte, alcança mais de R$ 800 bilhões.
E os estádios, ficarão ociosos após a Copa? O caso mais emblemático é o do estado Mané Garrincha, em Brasília. Bem, dados do representante do ministério do esporte derrubam essa tese. Esse estádio, antes da reforma, tinha ocupação anual de 300 mil pessoas e, após a reforma, o número saltou para 800 mil pessoas. E não houve Copa no Brasil nos últimos 12 meses.
Por fim, chegamos à questão das remoções de famílias das regiões próximas aos estádios que receberam obras de mobilidade urbana. Há uma forte grita contra essas “remoções”. Teriam ocorrido despejos “desumanos” de famílias para dar lugar às obras da Copa.
Em primeiro lugar, o representante do Ministério do Esporte explicou que as famílias “removidas” para construção de estádios foram muito poucas e quase todas eram de classe média. Mas onde foram feitas obras de mobilidade urbana, pessoas humildes foram “removidas”. Contudo, Fernandes garante que não houve “desumanidade” e que essas famílias não foram jogadas no meio da rua.
Aliás, ele relatou que houve até famílias que não precisavam ser “removidas” para construção das obras de mobilidade e que pediram para ser incluídas na “remoção” porque as áreas para onde os “removidos” foram levados são melhores.
Seja como for, fiquei de entrar em contato com Fernandes para mais informações. Assim, quem tiver algum questionamento sobre “remoções desumanas” que por favor informe que vou verificar com o secretário-executivo do Ministério do Esporte.
Por fim, chegamos ao fulcro do post. Todos têm lido nos jornais, ouvido ou assistido na mídia eletrônica que esta é primeira Copa do Mundo que o Brasil não pinta suas ruas de verde e amarelo, que os carros não trafegam com as bandeirinhas do Brasil ou adesivos. E é verdade.
Aos 55 anos, nunca vi este país tão desanimado com a Copa. As ruas, os carros, não estão enfeitados como sempre foi. Por que?
Pesquisa Ibope recém-divulgada mostra que 51% da população está a favor da realização da maior competição de futebol do mundo e que 42% estão contra. Ora, se a maioria dos brasileiros é a favor da Copa, por que toda essa gente não festeja?
A resposta é muito simples: medo. Este que escreve descobriu isso ao longo de semanas, quando passou a pesquisar por que pessoas que em Copas anteriores punham bandeirinhas do Brasil ou fitinhas verde-amarelas nos seus carros ou que enfeitavam suas casas e ruas com as cores do Brasil, quando a competição é realizada em nosso país mudam de comportamento.
Você também pode fazer essa pesquisa. É tão óbvio o que está acontecendo que até o representante do Ministério do Esporte concordou comigo: a maioria que quer a Copa não está festejando porque teme represálias da minoria que não quer. Ou de parte ínfima dessa minoria que não hesitaria em depredar um carro ou uma casa enfeitados com as cores do Brasil.
É duro, mas é verdade. Imaginem aquele sujeito que vai para a rua quebrar tudo por raiva da Copa passando por um veículo com uma bandeirinha do Brasil. Se estiver sozinho, pode riscar ou danificar de alguma forma aquele veículo dissimuladamente. Se estiver em turba, pode até atacar o mesmíssimo veículo com seu (s) ocupantes (s) dentro.
O mesmo vale para uma casa enfeitada para a Copa que esteja no caminho de uma manifestação contra a Copa, por exemplo. Então escolha você, leitor, que nome se dá a grupos que impõem suas ideias pela força a quem não concorda. Eu, por exemplo, chamo-os de grupos de fascistas.