Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

KAMEL SABE QUE VISANET NÃO É DINHEIRO PÚBLICO O que Lula disse a um dos filhos do Roberto Marinho, na crise do mensalão. E o que disse ao Palocci …


O ansioso blogueiro conversou com graduado petista que se viu envolvido, por tabela, no julgamento do mensalão, por obra e graça do insigne Roberto Gurgel, que não é mais Procurador Geral e, nesta feliz data, mereceu singela homenagem do Bessinha.

O prezado amigo contou ao ansioso blogueiro duas histórias que envolvem o mensalão (o do PT) e a Globo Overseas Investment BV.

Numa, no auge da crise do mensalão,  quando o Farol de Alexandria defendeu a “teoria do sangramento” – leia o “em tempo” – , Lula se encontrou com um dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio.

E disse: eu não sou Getúlio para se matar, Jânio para renunciar, nem Jango para se derrubar.

Se vocês insistirem em me derrubar, eu racho esse país.

Essa reação foi a sequência de uma sugestão – já conhecida – do Antonio Palocci.

Para puxar a sardinha para a própria brasa, Palocci queria que Lula propusesse um  “acordo” à Globo: eu não me candidato à reeleição e vocês não me derrubam.

A resposta de Lula ao Palocci é impublicável.

Como se sabe, Palocci pretendia ser a alternativa neolibelês (*) à sucessão de Lula.

O “petista confiável”, assim como o Bernardo Plim-Plim/Trim-Trim, segundo o detrito de maré baixa.

A outra história surgiu a propósito do rejulgamento do mensalão.

O prezado amigo contou que ao explodir o mensalão, travou-se uma batalha sangrenta entre a redação de Brasília da Globo e a Santa Sé da direção do jornalismo da Globo, já naquela altura sob a regência do Gilberto Freire com ï” (**).

Não era apenas uma batalha política.

Era, também, técnica.

O Freire com“i” nunca foi repórter, de queimar o traseiro na rua, atrás de incêndio ou batida de carro.

Sempre foi um “intelectual” – um antropólogo, sociólogo e teólogo de computador.

Além de ser um militante.

E um devoto da causa Marinha – como diz o Paulo Nogueira: o Freire com “i” e o Ataulfo Merval (***) se debatiam nas reuniões com um filho do Roberto Marinho para ver quem concordava mais com ele.

É o que fazem até hoje, pelo jeito.

Quando estourou o mensalão, o Freire com “i” viu ali a oportunidade de entrar para a História e derrubar o Nunca Dantes.

Como hoje, no rejulgamento do Dirceu, o ponto central era saber se o dinheiro da Visanet é público.

Se fosse público – o que não é – estava comprovada a tese do Gurgel de que o Dirceu entrou de pá, na calada da noite, de pá e picareta nas arcas do Tesouro Nacional, e tirou de lá o Maior Crime da História !

Como não é público, o mensalão se tornou o Mentirão, ou, um julgamento de exceção para pegar o PT e mais ninguém.

(Por que o Gurgel não mandou a Globo devolver o BV da Visanet ?)

Aí, o com “ï” queria tratar o mensalão como um “assalto ao dinheiro público”.

O pessoal da Globo de Brasília respondia: sim, mas temos que provar !

O dinheiro é privado, respondiam.

As provas ! As provas ! – detalhe que o Gurgel e o “mata no peito”, por exemplo, menosprezaram.

O com “i” insistia: é dinheiro público !

A equipe de Brasília reagia: sim, mas e as provas ? A origem é privada !

Kamel – como o Gurgel – jamais produziu as provas !

E daquela equipe de profissionais da Globo em Brasília – os da versão “privada” – só sobrou o continuo.

Outros, em boa parte, aderiram.

E levaram ao público o que fazem na privada.

Em tempo: o Farol de Alexandria, na Sociologia, criou a “teoria da dependência “ aos Estados Unidos, que um de seus inexpressivos chanceleres traduziu por tirar o sapato antes de entrar em território americano. Outra teoria notável do Farol foi a do “sangramento”. O Agripino Maia, esse notável pensador oposicionista, queria ir para o impeachment, para o putsch parlamentar, com a eclosão do mensalão. Como o Golpe do insigne paulista Auro de Moura Andrade,  que declarou a vacância do poder com o Jango no Brasil. O “sangramento” consistia em bater no Lula, bater tanto que ele sangrasse e chegasse à campanha da reeleição destroçado, impotente. E, aí, o FHC voltaria ao poder nos braços do povo (de Higienópolis e da Avenue Foche).


Paulo Henrique Amorim


(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

(**) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

(***) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia.E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

CHICO LOPES: ECONOMISTAS TÊM 'CULTURA DE PIBINHO'

EXCLUSIVO: GURGEL ARQUIVA DEMANDA CONTRA AÉCIO

O SUCESSOR DO GURGEL E A SINUCA DA DILMA A PGR virou um condomínio que se legitima com listas triplíces que se realimentam ?


Post do Conversa Afiada de julho – com leves alterações -  está atualíssimo: espera que a Presidenta seja tão Republicana quanto o FHC !

Gurgel desce à planície e se encontra com o Collor – que no Senado o chama de Prevaricador – e o Luiz Moreira –que a ele formulou umas perguntinhas interessantes .

E encontra a torcida do Flamengo que tem umas “provas tênues” e não tênues contra ele – clique aqui para votar no “não e o sim”: Gurgel vai pagar pelo que fez ?

Sobre a Operação Monte Carlo, por exemplo  – será que o Gurgel acabou de analisar ?

A escolha do substituto dele é uma sinuca de bico para a Presidenta.

Diante dela há uma lista tríplice.

Não está escrito em nenhum lugar que ela tenha que respeitar a lista tríplice.

Nem que tenha que escolher o primeiro da lista de eleitos interna corporis, “dentro de casa”.

Se escolher fora da lista, corre sério risco: o Ministério Público infernizar a campanha de 2014.

Como se sabe, desde o notável episódio em que Cerra roseanou a Roseana – clique aqui para ler “como Cerra vai roseanar o Aécio e o que disse o saudoso Saulo Ramos” – ficou claro que o MP toma partido em campanhas eleitorais.

Como na eleição para prefeito de São Paulo, quando se tentou algemar o Dirceu na hora em que o eleitor votava no Haddad.

Com exceção, é claro, da Dra Sandra Cureau, um notável exemplo de isenção no Ministério Público.

Impecável, a dra Sandra..

Lamentavelmente, ela foi expurgada da lista tríplice.

No julgamento do mensalão (o do PT), o Procurador Geral da República – Antonio Fernando e o brindeiro Gurgel,que o Collor chama de “prevaricador” – levou a instituição a tomar partido, de novo: e degolou alguns dos melhores quadros do PT.

E procuraram, procuraram, e não acharam o Daniel Dantas.

Incrível !

Para “formar a quadrilha” de quatro membros, a PGR chegou a encaixar o Genoíno, que é tão rico quanto a filha do Cerra, como se sabe.

(Por falar em prosperidade … quando o Presidente Barbosa vai legitimar a Satiagraha ?)

Se escolher fora da lista, a Dilma pode ser perseguida por dossiês, vazamentos e abertura de processos de investigação, como o que precedeu, em horas, a eleição de Renan para a presidência do Senado.

Já imaginou, na véspera da eleição do segundo turno, a PGR entrar com uma abertura de investigação contra a Dilma por causa do sequestro do Delfim ?

Vai ser melhor do que a camiseta do PT no sequestro do Abílio Diniz, na eleição de 1989 …

Digamos, então, que ela seja constrangida a escolher dentro da lista.

Dentro da lista, há um caso interessante de alguém que serviu muito tempo ao Gurgel e, na última hora do pleito, divergiu do Gurgel.

Interessante.

Um dos candidatos é candidato de Gilmar – clique aqui para ler sobre “Gil e Guio no baile da Ilha Fiscal” e aqui sobre a jabuticaba do Supremo – Sepúlveda Pertence e Sigmaringa Seixas.

Os três, por acaso, defenderam as candidaturas de Antonio Fernando e Gurgel.

Coincidência.

O risco é o “Republicanismo” da Presidenta.

Que deu no Fux e no desmilinguir da Comissão da ½ Verdade – agora presidida pelo tucaníssimo José Carlos Dias, advogado do Padim Pade Cerra em processos contra a liberdade de expressão.

O risco é a Procuradoria Geral da República transformar-se num condomínio em que o desafio é saber que grupo fica mais tempo no poder, legitimado por listas triplíces que se auto-alimentam.

E a defesa do cidadão ?

O interesse público, aquela boa ideia da Constituição de 88 ?

A defesa dos pobres e oprimidos.

Dos lesados por corrupção deslavada, como a do trensalão e o mensalão tucano (originário em Minas).

E a Privataria ?

O Gurgel não leu os livros que o Edu, gentilmente, lhe enviou

Não leu nem agradeceu – um mal educado !

Como disse o Pertence, num ato de desassombro, sobre o MP: criei um monstro !

Ou, como se pergunta o Conversa Afiada: o MP é o DOI-CODI da Democracia ?

Paulo Henrique Amorim

Partidos à esquerda do PT têm que pôr o rancor de lado


Apesar de o fim dos protestos da última quarta-feira (14) em São Paulo ter visto ocorrer um problema que já se tornou marca de todo e qualquer ato público ao longo dos últimos meses, o problema da depredação e da consequente violência sem causa e sem juízo, deu gosto ver como os jovens manifestantes se organizam.  Juventude engajada é linda.
O tema do protesto foi justo, havia foco, uma causa real por que bradar. Qual seja, a causa da situação caótica no transporte por trens suburbanos e por metrô na capital paulista. Afinal, o que se quer é investigação séria, punição de culpados, ressarcimento do Erário e novas – e melhores – políticas públicas para o setor.
Não houve protesto genérico “contra a corrupção”, como se fosse necessário reafirmar que um crime é crime. Há um caso escabroso de corrupção sendo desvendado e que corre o sério risco de não dar em nada, em um cenário em que o Brasil é, ainda, o único país em que os carteis compostos pelas europeias Siemens e Alstom não geraram consequência alguma.
E a manifestação não foi pequena. Do meio para o fim do protesto, milhares de pessoas protestavam, com imensa visibilidade, pelo Centro Velho de São Paulo. O paulistano finalmente viu um questionamento real ao grupo que está encastelado no governo paulista há quase vinte anos e que fez do Estado sua propriedade particular.
Contudo, aquele movimento foi à rua dividido e, se não fosse assim, poderia ter sido muito maior.
O veto à presença formal de partidos e sindicatos em particular feito justamente por partidos e sindicatos que se fizeram representar no protesto constitui um dos fatos que referendam o adágio de que a esquerda só se une na cadeia.
Aliás, vale informar que Erik Bouzan, secretário municipal de juventude do PT, postou comentário neste Blog afirmando que no protesto contra Alckmin na última quarta-feira não teria havido “veto” ao PT ou à CUT pela organização do evento.
Abaixo, o comunicado que postou
—–
Erik Bouzan
Enviado em 15/08/2013 as 13:18
Eduardo,
Eu, como secretário municipal de juventude do PT preciso esclarecer que não houve nenhum tipo de veto à participação da CUT no Ato realizado ontem. Sem dúvida, há uma disputa colocada nos rumos dos atos e um conjunto de organizações que não fazem questão de nossa participação, isso faz parte, creio, da disputa existente nesse tipo de ação. Mas há setores ligados, direta ou indiretamente, participando desta construção e nossa participação ontem (estávamos em torno de 50 pessoas lá) foi boa, sem nenhuma provocação, muito menos veto. Estávamos junto aos setores da CUT, da UJS e do Levante Popular da Juventude que estavam presentes.
Aliás, desde as Jornadas de Junho a JPT vem participando junto ao MPL e outras organizações de esquerda, da construção dos atos, apesar das críticas ao nosso partido e governos, legítimas e importante, apesar dos excessos.
Me coloco a disposição para dar mais informações caso queira.
Abraços!!
—–
Infelizmente, o que constatei durante o protesto foi bem diferente. Quase 20 pessoas afirmaram o contrário, que PT e CUT estavam vetados oficialmente no ato. Ou seja: não puderam levar bandeiras.
Inclusive, presenciei o “pedido” dos manifestantes a pessoa que portava bandeira do PT para que a guardasse. Se não houvesse veto, PT e CUT estariam lá com suas bandeiras e teriam levado um bom número de manifestantes.
Isso não ocorreu.
O Movimento Passe Livre, o PSOL, o PSTU, o PCO e outras entidades fizeram um belo ato, mas é uma pena que não tenham conseguido impedir o vandalismo e a violência e, também, que estejam recaindo no erro absurdo de considerarem que o PT é igual ao PSDB.
Vamos falar sério: o PT é igual ao PSDB?!
Estive no Pinheirinho para ajudar as vítimas do fascismo tucano que jogou milhares de famílias em depósitos imundos, insalubres após destruir suas casas, seus bens de consumo durável, muitas vezes sem deixar que pegassem até as próprias roupas e documentos antes de serem expulsos de seus lares. Que partidos e sindicatos estavam lá para ajudar? PT, PSTU, PSOL, PCO, CUT etc.
O governo federal do PT tirou dezenas de milhões de brasileiros da miséria e promoveu a maior redistribuição de renda da história do Brasil. Colocou negros e pobres na universidade como nunca aconteceu em 500 anos de história do país. Reduziu o lucro dos bancos, reduziu o preço da energia elétrica. Enfim, foi um governo de esquerda, sim.
Claro que se fez concessões ao capital, mas o viés de esquerda é inegável
São Paulo é um dos últimos grandes redutos da pior direita que este país já viu. É reduto dos golpistas de 1964, do racismo de um setor microscópico, porém extremamente abastado da sociedade. É reduto da xenofobia absurda contra nordestinos, oriunda de uma elite igualmente pequena, mas que tem uma voz tonitruante na mídia, como se representasse o grosso da população.
Tirar essa direita do governo de São Paulo seria um salto gigantesco para o país. O conservadorismo, o reacionarismo, o preconceito, a apropriação desbragada do Estado por grupos econômicos nacionais e estrangeiros sofreria um golpe que, se não fosse fatal, seria debilitante a um ponto em que mudanças reais poderiam ocorrer no país.
Ocorre que esses partidos à esquerda do PT fingem não entender que não existe alternativa de poder fora do binômio PT-PSDB. Ano que vem, o Brasil terá que escolher entre dois candidatos a presidente, um de cada partido desse binômio. Recusar-se a enxergar isso é, inclusive, falta de responsabilidade.
Alguém consegue imaginar o que aconteceria se os que lutam furiosamente contra todos os avanços sociais que o Brasil logrou retornassem ao poder? Alguém consegue imaginar o que seria o Brasil ser governado por um Aécio Neves? Possivelmente Serra seria menos nefasto, ainda que um governo dele correspondesse a atraso sem precedentes no país.
Os partidos à esquerda do PT sabem que não há alternativa. Sabem que jamais ganhariam a eleição presidencial do ano que vem e que muito menos conseguiriam uma bancada maior do que meia dúzia no Congresso. E sabem muito mais que jamais ganharão o governo de São Paulo.
Qual o sentido, então, de escreverem faixas e cartazes também contra o PT e, ainda por cima, vetarem a presença oficial do partido nos protestos?
Uma das faixas da manifestação de quarta-feira que atacava Alckmin dizia, também, que “Haddad e PT não são a saída”. Ah, é? Então qual é a saída? O PSTU? O PSOL? Alguém imagina esses partidos ganhando a eleição? Melhor fariam se tivessem se unido à campanha de Haddad e vencido junto com ele.
Hoje, teríamos secretário de Estado do PSOL, do PSTU e esses partidos estariam puxando o governo mais para a esquerda, pois abandonar a luta por dentro só fez reforçar a direita tanto no governo de São Paulo quanto no governo federal, entre outros.
A população percebe o sectarismo desses partidos à esquerda do PT e, assim, nega-lhes votos. E é uma pena, porque é evidente que propostas de partidos como PSOL, PSTU e PCO são mais do que justas e urgentes. Mas falta quem as defenda em um governo como o de Dilma ou como o de Haddad porque essa oposição à esquerda não quer nem papo.
Ao longo dos anos, estive ao lado dessa gente na rua várias vezes. E não só na rua. Sei como pensa. E sei que, apesar de acreditarmos em valores muito próximos, essa costela dissidente do PT só tem um projeto: fazer o PT perder o poder por puro e simples desejo de vingança, que esses partidos sobrepõem ao interesse da maioria.
O resultado dessa divisão da esquerda é que o país vai tombando à direita. O conservadorismo só tem feito aumentar, nos últimos anos. Questões como aborto, Estado laico, direitos dos homossexuais e das mulheres, tudo isso tem sofrido revés.
Recentemente, vimos uma religião se apropriar dos recursos públicos como nenhuma outra consegue. Tudo graças à aliança com meios de comunicação, que jogariam a fé do povo contra os políticos que ousassem lembrar que a Constituição impede que uma religião específica se torne religião oficial e tenha esse acesso descabido ao Erário.
A esquerda, pois, precisa se unir para impedir que este pais tombe à direita. Se é ruim com o PT – como querem PSOL, PSTU, PCO –, eles que esperem o PSDB voltar ao poder para ver como será o diálogo.
Não levar esse fato em conta não é nem mais burrice, é uma irresponsabilidade contra o país.
Espera-se, portanto, que os protestos com causa como esse contra a máfia dos transportes e contra tanto mais em São Paulo ou em qualquer parte do Brasil consigam fugir da armadilha do vandalismo e, ainda mais, do sectarismo rancoroso que não leva a lugar algum e que ameaça o nosso país com a volta de uma direita sem alma ao poder.

PODE TER HAVIDO CORRUPÇÃO, MAS AÍ É PESSOAL, DIZ FHC

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Miriam Leitão admite que desastre não veio. Mas virá, calma, diz ela











Depois do fiasco da “explosão inflacionária”, agora é a vez de Miriam Leitão ter de admitir, também, que a apregoada retração da economia, prevista diariamente por ela e por outras cassandras do jornalismo econômico não vai, igualmente, acontecer.
Na sua coluna de hoje, a musa do neoliberalismo entrega os pontos e admite que o PIB do segundo trimestre – cujo resultado sai no final do mês – vai ser acima das expectativas e chegar a 1% sobre o anterior, o que levaria a taxa de crescimento da economia, em termos anuais, a 4%.
O número que previra o insuspeito economista Francisco Lopes, há 20 dias, num artigo do Valor, que se iniciava com um pedido para que não fosse visto como piada pelos talibãs do jornalismo econômico.
A fonte do crescimento será, segundo preveem as fontes de  de Leitão, a indústria  e o investimento, não o maldito consumo popular.
Pudera, com o presidente do BC, Alexandre Tombini, tendo passado – embora eu ache que volta logo – para o lado de lá, o do jurismo militante, daí é que não poderia vir.
O crescimento é ainda mais significativo porque se deu abaixo de uma tempestade de pessimismo veiculado pela mídia, que apresentava o Brasil na ante-sala do caos político e econômico.
Ela mesma admite o chabu de suas previsões:
“Ninguém duvida que o governo vai comemorar como prova de que todos os alertas e críticas foram equivocados.”
Mas ela não desiste, só adia o mau agouro: vem aí um terceiro trimestre desastroso! Aliás, O Globo continua de pé pela pátria agourenta: diz que o crescimento do IBC-Br, índice do Banco Central, veio “abaixo das expectativas de mercado”: crescimento de 1,13% em junho contra uma previsão do mercado de 1,2%. Sete centésimos de centésimo! Esse pessoal devia jogar na Mega-sena.
É por isso que Miriam insiste, não desiste do catastrofismo.
“Os primeiros sinais do terceiro tri são de que será o pior período do ano.”
O fundamentalismo neoliberal é uma proeza!
Por: Fernando Brito

A CHAVE-MESTRA DAS CATRACAS


*Exclusivo - Dermi Azevedo: 'A Igreja católica abrigou um braço da CIA no Brasil' 

*Banho de sangue: repressão mata 525 pessoas no Egito e impõe Estado de Sítio 

*'Fora Alckmin': mais de três mil pessoas vão às ruas em SP no pontapé  pela CPI do metrô tucano e por transporte de qualidade**Ouça a repercussão:  http://www.redebrasilatual.com.br/radio/capa/ao-vivo)

***A mídia e 16 anos de licitações amigáveis no metrô tucano (leia mais)    

*Era uma vez:  duas amigas, filhas de dois generais, o filme pronto de um Chile fraturado pela ditadura 

Uma metrópole é uma correlação de forças dominada pelo poder
das corporações imobiliárias  e do capital financeiro. São eles que formam o‘gabinete sombra', a verdadeira ‘mãos invisível' que reduz essa segunda natureza, a grande obra de arte da humanidade, que são as cidades, em um ajuntamento comatoso disciplinado por catracas. Obras, planos, licitações, enfim, arranjos e negócios pouco ou nunca identificáveis com as urgências de seus habitantes. A entrevista de Ermínia Maricato a Rose Spina (leia  nesta pág.) merece atenção. É esclarecedora de como essa usina de exclusão captura os espaços e interdita as melhores intenções. Ora convertendo-os aos seus desígnios; ora anulando-os; ora destruindo-os. Leis, planos e códigos desprovidos de uma contrapartida de forças que os sustentem, diz a arquiteta que ajudou a implantar o Ministério e o Estatuto das cidades serão fraudados pelo poder prevalecente que ‘organiza'  o destino da metrópole à revelia dos cidadãos.  O cartel que planeja  preços, prazos e partilhas do metrô tucano em SP não constitui  um ponto fora da curva.  Mas o prefeito Fernando Haddad rompe a lógica quando decide fazer dos corredores exclusivos de ônibus (220 kms até dezembro), o alicerce da reordenação viária da cidade. E envereda em pecado capital, quando sanciona uma assembleia consultiva popular de 1.125 representantes de bairros. A lógica da concentração capitalista em si é irreversível. Trata-se de um impulso sistêmico, global, imiscível com ideais de harmonia e estabilidade. É a mãe de todas as catracas. Destravá-la requer mais que a gororoba tucana  da livre concorrência, na qual, como se sabe agora, nem eles acreditam. (LEIA MAIS AQUI)

MPL, PSTU e PSOL ‘vetam’ PT e CUT em protesto contra Alckmin


Por volta das 15 horas da última quarta-feira, o Blog da Cidadania esteve no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, a fim de cobrir o protesto do Sindicato dos Metroviários e do Movimento Passe Livre contra o governador Geraldo Alckmin e o escândalo dos trens.
Naquele horário, parecia que o frio intenso e a chuva fina esvaziariam o protesto. Não mais do que 200 manifestantes podiam ser vistos no calçadão do Anhangabaú agrupados sob o Viaduto do Chá, que lhes servia de abrigo.
Uma hora mais tarde, havia pelo menos o triplo de manifestantes e continuava chegando gente. Por volta das 17 horas, entre 1.500 e 2.000 pessoas saíram em passeata pelo centro velho de São Paulo.
Militantes de partidos políticos – sobretudo do PSTU – se confundiam com os do Movimento Passe Livre. As faixas, cartazes e bandeiras não escondiam o caráter partidário – e legítimo – da manifestação.
Porém, o protesto não foi só contra Alckmin. Também foram vistas faixas e cartazes criticando o PT, ainda que este nada tenha que ver – ao menos até aqui – com o escândalo dos trens, supostamente o mote da manifestação.
O Blog conversou com cerca de duas dezenas de pessoas e pôde confirmar que houve “veto” –sobretudo do PSTU, com a concordância do MPL e do PSOL – à participação do PT e da CUT. A razão: “desconfiança” de que iriam “politizar” uma manifestação cheia de partidos…
Apesar de a maioria dos manifestantes que o Blog entrevistou ter se mostrado favorável ao “veto” à participação do PT no ato por considerá-lo “igual ao PSDB”, e à CUT por ser “braço do PT”, uma minoria criticou essa postura, dizendo-a “antidemocrática”.
Por fim, a organização foi muito boa. Esses partidos têm se mostrado muito mais competentes na organização de atos públicos. A militância atua com bastante concentração e demonstra experiência na promoção desse tipo de evento.
Curiosidade: este blogueiro foi entrevistado pelo Datafolha, que pesquisava intenção de voto dos manifestantes, e gravou a conversa.  A entrevistadora pareceu surpresa pelas respostas que dei. Aparentemente, por terem sido favoráveis ao PT…
No vídeo abaixo, a conversa com o Datafolha e rápida entrevista que fiz com o conhecido ativista do Movimento dos Sem Terra Igor Felipe, do setor de comunicação da entidade. Ele julga que os protestos contra Alckmin irão crescer, apesar dos vetos políticos.
Confira, abaixo, o vídeo.

ALCKMIN E TRENSALÃO ENTRAM NA RODA Mau Dia Brasil fez cobertura policial para poupar tucanos.




Da Rede Brasil Atual

Cerca de 4 mil pessoas não se intimidaram com o frio e a garoa que acinzentaram o centro de São Paulo na tarde de hoje (14) e foram às ruas protestar contra a péssima qualidade do transporte público na cidade. A manifestação, que transcorreu pacificamente, sem nenhuma ocorrência de vandalismo, foi motivada pelas recentes denúncias de formação de cartel entre empresas estrangeiras do setor metroferroviário com a complacência de governos estaduais do PSDB.

Depois de terminada a passeata, na Praça da Sé, por volta das 18h30, um grupo de aproximadamente 100 pessoas caminhou até a Câmara de Vereadores e tentou ocupar o prédio. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, e perseguiu alguns manifestantes pelo bairro da Liberdade. À medida que fugiam, eles faziam barricadas com lixo em chamas nas ruas para atrasar o avanço das viaturas. Algumas lojas e agências bancárias tiveram as vidraças quebradas. A PM não soube informar o número de pessoas detidas.

O protesto foi convocado pelo Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo, filiado à Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), e contou com apoio do Sindicato dos Ferroviários da Zona Sorocabana, que aglutina trabalhadores das linhas 8 e 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A marcha também ganhou a adesão do Movimento Passe Livre (MPL), responsável pela mobilização contra o aumento da tarifa, em junho, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e diversos grupos de esquerda, como Juntos, Levante Popular da Juventude, Periferia Ativa e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

CARTA

Depois de se concentrarem no Vale do Anhangabaú, os manifestantes passaram pelas sedes da Prefeitura, Ministério Público do Estado e Secretaria estadual dos Transportes Metropolitanos, na rua Boa Vista, onde a marcha se deteve por alguns instantes. Uma comissão formada por representantes dos Metroviários, Ferroviários e Passe Livre foi recebido pelo chefe da gabinete da secretaria e diretores do Metrô e da CPTM. Eles entregaram uma carta pedindo fim das terceirizações e das privatizações no transporte metroferroviário, redução da tarifa, investigação das denúncias de corrupção e punição dos responsáveis.

“Foi uma reunião formal, sem avanços, não esperávamos nada além disso. Os governos só se movem quando as pessoas vão para as ruas”, relatou Altino de Melo Prazeres, presidente dos Metroviários, uma das lideranças recebidas na secretaria. “Apresentamos e explicamos a pauta. Eles foram respeitosos e protocolaram nossa carta. Pedimos a abertura de uma negociação com o secretário de Transportes Metropolitanos. Ficaram de dar resposta hoje ou amanhã. São várias as pautas que queremos tratar, mas o principal tema é a corrupção. Se o metrô teve prejuízo, queremos que o dinheiro seja devolvido, para ser investido em mais metrô.”

Enquanto dirigentes e burocratas dialogavam dentro do prédio, os manifestantes formaram na rua um grande círculo para queimar um boneco de pano – com cartola, terno, gravata e nariz grande, simbolizando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e os empresários corrutos – e uma catraca. Durante a marcha, podia-se ler faixas com os dizeres: “Por 20 centavos derrubamos a tarifa, por 425 milhões nós derrubaremos o Alckmin”, “Chega de sufoco, fora máfia dos transportes”, “Fora Alckmin”, “Metrô sim, monotrilho, não”, “2% do PIB para o transporte metroferroviário público, estatal e de qualidade” e “Só o socialismo acabará com as crises”.

CONTINUIDADE


“Cada roubo desses é como se estivéssemos cortando na carne do Estado e dando de presente para as multinacionais”, explicou o presidente dos Metroviários, antes mesmo de começar a marcha. “Queremos investimento maior no metrô e na CPTM. Não tem mais condição de ficar investindo apenas no transporte rodoviário. Queremos prisão dos diretores de todas as empresas responsáveis pelo cartel. Todos os contratos devem ser suspensos até o final das investigações. As empresas não podem vir ao país, admitir que roubaram e o governo continuar pagando.”

O presidente dos Ferroviários, Everson Craveiro, endossa as críticas, destacando a má gestão da CPTM. “A administração da empresa é ridícula: eles primeiros compram trens novos, para aparecer na imprensa, e só depois, quando começam as panes e os acidentes, é que vão se preocupar em investir nas subestações elétricas, estações, sinalizações e trilhos”, argumenta. “É a mesma coisa que comprar uma Ferrari para andar em estrada de terra. É por isso que os trens novos vivem quebrando. O governador tem realmente muita coisa para explicar.”

“Esse foi um ato-denúncia frente a todos os escândalos de desvios de verbas no metrô e na CPTM”, definiu Nina Cappello, membro do Passe Livre, logo após o término da passeata. “Queremos denunciar essa lógica de administração dos transportes em São Paulo, que funciona para dar lucro para os empresários e não para atender às necessidades dos usuários e da população. Foi um protesto muito bom: conseguimos dialogar com a população, a marcha cresceu muito durante seu trajeto. Não vamos nos calar diante dos escândalos e não deixaremos de lutar por um transporte efetivamente público.”

Nina lembra que, na época em que a população estava nas ruas exigindo a redução da tarifa de ônibus, metrô e trens na cidade, a maior justificativa do governo estadual – e também do municipal – era a de que não havia dinheiro disponível em caixa para arcar com uma passagem mais barata. “Com essa manifestação fazemos a mesma crítica que fazíamos quando exigimos a revogação do aumento de 20 centavos. Em junho, eles diziam que não tinham recursos para baixar a tarifa, mas agora vemos que o dinheiro do transporte público está indo para o bolso dos empresários e não em investimentos para melhorar a vida da população. Então, tem dinheiro, e nós, usuários e trabalhadores, queremos decidir pra onde esse dinheiro vai. A reivindicação é a mesma, são apenas elementos diferentes.”

NINJA


A PM acompanhou toda a manifestação com 350 policiais. “Queremos garantir o exercício de reunião desde que se mantenha de forma pacífica e ordeira. Usamos todos os recursos possíveis para evitar qualquer tipo de quebra da ordem por parte de oportunistas que se aproveitam as manifestações para provocar pequenos furtos e danos ao patrimônio”, explicou o coronel Marcelo Pignatari, comandante da operação, mesmo oficial que reprimiu o terceiro protesto pela redução da tarifa, em 11 de junho, que acabou em violência policial. Pignatari disse que trabalharia para “individualizar” atos de vandalismo em vez de atentar contra todos os manifestantes em caso de depredação.

Questionado pela RBA, o coronel não negou que houvesse policiais à paisana, conhecidos como P2, infiltrados na marcha. “Isso sempre teve. Estamos fazendo tudo dentro da lei.” A PM estava munida de câmeras de vídeo para fazer seus próprios registros do protesto. Um oficial chamado Giampaolo tinha preso ao peito um equipamento conhecido como Go Pro, utilizado para fazer imagens em movimento. Alguns manifestantes brincaram imediatamente, dizendo que se tratava de um PM Ninja, em alusão ao Mídia Ninja, grupo que se notabilizou ao registrar imagens ao vivo com uso de celulares das manifestações de junho.