Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 7 de março de 2017

Só eleição não tira país da crise, há que restaurar democracia

temer pensa

Há um movimento de um grupo de militantes petistas que, apesar de não ser grande, tem feito barulho nas redes e conseguiu até levar um ex-ministro da Justiça a um “debate” sobre como obter a volta de Dilma Rousseff ao cargo via Supremo Tribunal Federal.
Muitos têm se irritado com uma suposta “inutilidade” dessa ação, já que (praticamente) todos sabem que a possibilidade de o STF anular o impeachment – com base em seus incontáveis vícios de origem – é muito menor do que zero vezes zero.
Diante da virtual impossibilidade de o golpe ser anulado, perguntei ao dito ex-ministro da Justiça se acreditava mesmo que o STF tiraria Michel Temer do cargo e instalaria Dilma de volta, e ele me respondeu com uma premissa:
— As pessoas precisam ter pelo que lutar
Autores dessa iniciativa estão sendo acusados de adotar um tom dito “impositivo”, do estilo “quem não estiver comigo está contra mim”… Porém, vale a pena refletir sobre parte do que essas pessoas dizem.
O que tenho ouvido de pessoas próximas a Dilma é que ela nem quer voltar à Presidência – por razões mais do que óbvias, pois sabe que, mais uma vez, não a deixariam governar –, mas os militantes da anulação do impeachment afirmam que ela quer voltar, sim…
Independentemente do que Dilma queira ou do que queiram seus apoiadores, o fato é que não existe a possibilidade de seres humanos conseguirem recolocá-la no poder – quiçá alguma força divina, mas há controvérsias.
Todavia, a virtual impossibilidade de anular o ato jurídico-político que derrubou a ex-presidente da República não invalida o fato de que essa derrubada ilegal lançou uma maldição sobre o Brasil.
Muitos analistas têm dito, com boa dose de razão, que só um presidente eleito legitimamente, ou seja, pelo voto direto e em eleições livres, terá legitimidade e força política para fazer com que os agentes econômicos voltem a acreditar no Brasil.
Eles estão certos, mas não totalmente.
Um dos argumentos mais fortes dos fundamentalistas pela volta de Dilma é o de que a sua (dela) derrubada ilegal, levada a cabo sob uma desculpa qualquer, comprometeu a democracia brasileira.
E eles, nesse aspecto, têm toda razão.
Inventar desculpa para derrubar um presidente e conseguir, transforma a democracia brasileira em uma farsa, ou seja, não existe democracia em um país no qual é tão fácil jogar no lixo o voto majoritário de dezenas de milhões de eleitores.
Com efeito, sem democracia sólida não dá para confiar nas regras do jogo.
Os golpistas acharam, em pleno século XXI, que derrubar um governo que não está fazendo o que o capital quer seria salvo conduto para o golpe e proteção total dos rigores da lei para os que atentam contra a vontade popular.
Não é bem assim. Enganam-se os liberais-golpistas de Pindorama. O capital não confia de verdade em países nos quais ele mesmo, capital, derruba governos com tanta facilidade.
O capital até pode rapinar o que houver para ser rapinado nesses países e dar no pé, mas não confia nesse país para nele investir a médio e longo prazos, ou seja, para investir de verdade.
Os liberais-golpistas-midiáticos confundem pirataria com colonização. Acham que violar o instituto sagrado do voto popular derrubando governos legitimamente eleitos não perturba planos de longo prazo no país que for vítima de tal fenômeno.
Ora, você investiria o seu rico dinheirinho em um país no qual você não sabe quem estará governando daqui a seis meses?
Você investiria alguma coisa em um país no qual você não sabe se um político que vencer uma eleição vai levar ou, mesmo levando a vitória, se vai conseguir se manter no cargo?
Enfim, você apostaria em países nos quais as regras do jogo só valem até que alguém, por um ato de força, mude-as de uma hora para outra?
De que adianta eleger Lula, Ciro Gomes ou Bolsonaro se ninguém sabe se, uma vez eleitos, vão conseguir implantar o projeto que conseguirem consagrar nas urnas? E esse é um dos argumentos dos crentes na volta de Dilma.
Segundo os que acreditam na possibilidade de fazer o acovardado STF criar coragem e cumprir a lei – e, aí, eles têm carradas de razão, de novo –, se Lula for eleito em 2018 a maioria de direita que será eleita para o Congresso na mesma eleição não iria deixá-lo governar.
Não tenho a menor dúvida de que qualquer candidato de esquerda que porventura se eleja em 2018 sem conseguir eleger uma bancada forte para atuar em sua base de apoio, não irá conseguir governar e correrá o risco de ser derrubado.
A nova (?) realidade gera novas premissas obrigatórias para todo candidato progressista a presidente.
Os vices, a partir do golpe liderado por Michel Temer contra Dilma, terão que ser muito mais bem escolhidos. Alianças da centro-esquerda com a centro-direita e a direita de aluguel tornar-se-ão inviáveis, o que é ruim para a centro-esquerda…
Hoje, estaria inviabilizada a eleição na qual Lula chegou à Presidência, em 2002. Todos saberiam do risco de ele ser derrubado à primeira crise de popularidade que surgisse por conta de problemas cíclicos nas economias.
Por um lado, é ruim para a esquerda. O Brasil é um país conservador que não resiste a votar em conservadores. Muito eleitor do PMDB, do PP e de outros partidos de direita votou neles para o Legislativo e em Lula ou Dilma para presidente.
Após o golpe de 2016, o que Lula ou qualquer outro candidato de esquerda terá que fazer, em 2018 e para sempre, será dizer ao eleitor, durante as campanhas eleitorais, que, se esse eleitor não votar nos candidatos a deputado e senador aliados a si, se eleito não conseguirá governar.
E poderá ser derrubado.
A possibilidade de golpe, de derrubada de governo legitimamente eleito, de parlamento que não deixa o eleito governar, vai entrar de vez nas campanhas eleitorais. Se, se não entrar, o eleito poderá ter um triste fim.
Diante disso tudo, os devotos da volta de Dilma têm razão ao menos em um ponto: eleger  Lula sem a reparação do golpe contra Dilma não vai adiantar nada.
Isso quer dizer que você é favorável ao movimento Volta, Dilma, Eduardo? Nunca fui contra, mas não acredito nele.
Acredito que sem a reversão do impeachment, a eleição legitima de um novo presidente só será crível para investidores se o eleito conseguir eleger consigo uma sólida base de apoio, alinhada a seu pensamento político-ideológico. Sem isso, não governará.
*
PS: Surgiu dúvida sobre se Lula irá depor a Moro por teleconferência ou presencialmente em 3 de maio. Nesse aspecto, matéria do portal G1, da Globo, afirma que “O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na primeira instância, agendou nesta sexta-feira (3/3) o interrogatório dos réus na ação penal que envolve um triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser interrogado em 3 de maio, às 14h, na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba.

segunda-feira, 10 de março de 2014

MERCADO GLOBAL FAZ APOSTA DE US$ 12 BI NA PETROBRAS

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

MELHORAM EXPECTATIVAS: MAIS PIB, MENOS INFLAÇÃO

sábado, 27 de julho de 2013

O colonialismo mental faz enxergar o mundo “ao contrário”











A semelhança é tão grande e repetida que não dá para considerar coincidência.
Ontem, escrevi aqui provocado por uma nota da Folha sobre os lucros da multinacional Unilever, onde se dizia que o crescimento de “apenas” 10,3 nas vendas nos emergentes tinha sido a causa do retraimento dos ganhos da empresa, embora o mercado nos países ricos tenha sido negativo em 1,3%.
É ótica distorcida dos cordeiros que pensam com a “razões do lobo”.
Mais tarde, o Estadão publicou outra matéria, desta vez com o próprio lobo falando, pela revista The Economist.
A sua capa mostra o Brasil e os demais emergentes atolados num lamaçal.
A imagem não é má, desde que se façam algumas correções.
Primeiro, o lamaçal é feito pela enxurrada de moeda que os países-lobos despejaram sobre nós, para continuar remunerando seu capital, sem opções de investimento em seus territórios queimados pela recessão econômica e seus povos com o consumo interno estagnado pelo desemprego monstruoso que se gerou por lá e pela queda de sua renda.
Segundo, era preciso desenhar umas cordinhas nas costas dos emergentes, para mostrar que eles, além de se desvencilharem da lama monetária que nos arranjaram, ainda tem que carregar o peso dessa retração econômica na estagnação do preço das matérias primas que exportam para o mundo desenvolvido, que atendem pelo pomposo nome de commodities.
The Economist acerta ao dizer que “a Grande Desaceleração significa que as economias emergentes em expansão já não conseguem compensar a fraqueza nos países ricos. Sem uma recuperação mais forte nos Estados Unidos ou no Japão, ou um avivamento na área do euro, a economia mundial dificilmente crescerá  muito mais rápido do que ao ritmo medíocre de hoje, de 3%”.
Acerta no diagnóstico, mas erra nas causas da doença.
A começar que, se de alguém seria necessário “compensação” seria deles, dos países ricos, que construíram suas riquezas ou com o saque colonial mercantil (a Europa) ou com o saque colonial monetário-financeiro, quando os Estados Unidos transformaram o dólar num bem internacional, que podiam produzir sem efeitos inflacionários, desde o final da 2a. Guerra.
Depois, porque insistem em um modelo de relações internacionais perverso, tanto nas trocas comerciais quanto nas financeiras e nas tecnológicas, onde nos exigem preços aviltados, juros suicidas e patentes escravizantes.
E – last but not the least, como dizem por lá –  com o atraso e a destruição que produziram continuamente desde o final dos nos 50, pelos territórios do Terceiro Mundo. Se só a guerra do Iraque custou aos EUA mais de dois trilhões de dólares, quanto terá custado ao pobre povo daquele país bombardeado, destruído e massacrado por eles? Quanta riqueza os 190 mil mortos por lá deixaram de produzir?
Não vamos falar do Vietnã, nem de Angola, nem da Coreia, nem do Afeganistão, nem da Líbia, nem da Síria, para não ficarmos parecendo ressentidos, não é? Nem nas dezenas de golpes autoritários que promoveram, criando elites perdulárias e insensíveis, governos corruptos e flagelos como a violência e o tráfico de drogas.
E há algum sinal de arrependimento e vontade de mudar? Nada, nadica de nada.
Países como a Grécia – e logo a Espanha e a Itália, veremos – são forçados a se ajoelhar, implorando e suplicando ajuda, à custa de mais recessão e desemprego.
The Economist diz que “ao longo dos próximos dez anos, as economias emergentes ainda vão crescer, mas de forma mais gradual” e que  ”isso marca o fim da primeira fase mais dramática da era dos mercados emergentes”
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Fim, uma pinóia!
Isso é o que eles desejam que façamos, quando começam a colocar o pescoço alguns centímetros fora do pântano em que estão mergulhados desde ocrack financeiro de 2008.
O mundo em desenvolvimento não pode se conformar com a tal “desaceleração” além do que ela é inevitável pela recessão dos ricos. Se, em nome dos interesses dos países ricos, nos submetermos a voltar ao receituário que sempre nos impuseram e que só nos trouxe empobrecimento e crises, estamos olhando o rio da economia fluir com a visão do lobo e a nós sempre nos caberá a sede.
E continuaremos a achar estranho o desenho do artista e pensador uruguaio Joaquín Torres Garcia que reproduzo aí ao lado e não entenderemos as palavras com que ele o explica:
“Não deve haver norte, para nós,
senão por oposição ao nosso Sul.
Por isso agora colocamos o mapa ao contrário,
e então já temos uma justa ideia de nossa posição,
e não como querem no resto do mundo”


Por: Fernando Brito

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Petrobras responde aos urubus com mais produção.

Anteontem, a presidente da Petrobras, Graça Foster, deu entrevista confirmando que a empresa manterá os níveis de produção este ano e, até 2020, dobrará a quantidade de petróleo extraído no Brasil.
Ontem, entrou em produção o navio FPSO Cidade de Parati, este da foto, que progressivamente chegará a 120 mil barris diários no campo de Lula Nordeste.
Ontem, também, a empresa anunciou ter estabelecido novo recorde de processamento em suas refinarias - 2,11 milhões de barris de petróleo por dia, na média de maio – e atingido a maior produção de gasolina já registrada, com 2,51 bilhões de litros durante todo o mês.
Mas a campanha contra a petroleira brasileira não arrefece.
Ontem ainda a Exame publicou matéria com o revelador título “Descoberta recorde da Petrobras preocupa investidores“.
O caso esdrúxulo de empresa que descobre petróleo aos montes e “preocupa investidores” é explicado assim: “ah, ela não tem dinheiro para extrair tanto petróleo”.
Já que não podem apelar para a questão da capacidade técnica para a exploração em grandes profundidades, no que a Petrobras dá de goleada nas demais, usam o argumento de que a empresa está endividada.
Ora, dívida é grande ou pequena em razão de duas coisas: a relação com o seu patrimônio e a sua capacidade de ter caixa para honrá-la nos prazos.
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Quanto ao primeiro ponto, o gráfico aí ao lado mostra que o endividamento tem guardado proporção muito semelhante ao patrimônio da empresa. Está abaixo do que as próprias agências internacionais de classificação de risco consideram preocupante: 31%, contra um indicador de 35%. O lucro tem se mantido estável justamente porque a empresa tem investido muito na expansão da produção, o que leva tempo para se refletir em receita e ganhos.
No que tange à capacidade de caixa para honrar pagamentos e poder investir, não há melhor prova do que o recente lançamento de US$ 11 bilhões em títulos da empresa no exterior, a maior já realizada por uma companhia de país emergente e, este ano, menor apenas que a da Apple, de US$ 17,3 bi.
Houve procura quatro vezes maior que a oferta e as taxas de remuneração aos aplicadores, para títulos de 10 anos,  baixaram de 6%, nas emissões anteriores, para 4,5%.
Portanto, os investidores não parecem estar arrancando os cabelos. Talvez fosse melhor dizer que isso é atitude dos especuladores, loucos por medidas irresponsáveis, de geração de lucro a curto prazo e, no longo prazo, suicidas, e por tudo 0 que lhes permita embolsar depressa lucros com as ações que compraram na baixa.
Por: Fernando Brito

quarta-feira, 5 de junho de 2013

DEUTSCHE BATE PESSIMISTAS E VÊ PIB A MAIS DE 3%


:
"Isso está indo longe demais", adverte nota oficial de um dos mais sólidos bancos do mundo, o Deutsche Bank, a respeito da persistência do pessimismo entre os formadores de opinião na sociedade brasileira; na economia real, a instituição projeta que o PIB poderá, sim, crescer entre 3% e 3,5% este ano; "Estão de má vontade com o Brasil"
247 – Um dos mais sólidos e respeitados bancos do mundo, o Deutsche Bank advertiu em nota oficial sobre os riscos para a economia brasileira que a persistência do pessimismo entre os formadores de opinião podem acarretar.
- Os comentários sobre o Brasil se tornaram muito negativos nos últimos 18. Isso já foi longe demais, criticou o Deutsche. Estão de má vontade com o Brasil, reforçou.
Para o banco, o México é o "novo queridinho do mercado", mas é a economia brasileira que se mostra a mais resistente à crise internacional.
O Deutsche fez uma análise coincidente com a do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para quem o investimeno será o principal vetor do crescimento brasileiro em 2014. O banco acredita que as concessões de infraestrutura serão fundamentais para a obtenção de recursos, especialmente se o governo brasileiro agir rapidamente no incetivo a esses aportes. Mesmo, porém, que medidas especiais não venham a ser baixadas, os economistas do Deutsche acreditam que o crescimento do PIB não será inferior a 3%, mais para 3,25% e, com destraves burocráticos, até 3,5%.
As previsões são em tudo conflitantes com as opiniões disseminadas nas mídias tracionais do País e do exterior. Do Financial Times, que chamou o crescimento brasileiro como "de fachada", à Folha de S. Paulo, que registrou em editorial sua torcida pela queda da produção industrial nos próximos períodos, para quebrar a alta dos últimos dois.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Petrobras da Dilma X Petrobrax de FHC

O plano de investimentos da Petrobras, tantas vezes “cortado” pela mídia, finalmente saiu.
Embora a aplicação de US$ 224,7 bilhões de dólares até 2015 seja um valor que dificilmente possa ser apresentado por qualquer empresa no mundo, aqui não se vê dar a ele o valor que merece.
E merece porque mostra o quanto a Petrobras voltou a ser a responsável pelo progresso econômico do Brasil.
Mas, como medir algo tão complexo como o que está sendo investido na perfuração de e poços, em sondas, plataformas, em navios, refinarias, biodiesel, em gasodutos?
Nada mais simples do que comparar com o que era feito antes que a Petrobras retomasse sua vocação de ferramenta do desenvolvimento brasileiro.
O último plano de investimentos da Petrobras do Governo Fernando Henrique, o 2002-2006, era de US$ 31,2 bilhões. O primeiro plano do Governo Dilma, portanto, é 620% maior.
Mas é por causa do pré-sal? É, sim. Mas muito mais que isso.
O investimento em exploração e produção – ou seja, na prospecção e na operação de poços de petróleo – era, naquela época, de US$ 21,4 bilhões, dos quais US$ 14,6 bilhões no Brasil.
Agora, este valor saltou para US$ 127,5 bilhões. Ou um aumento de investimentos de 495,8%.
O que se investia no exterior representava, no final do governo FHC, 24% do total. 76% eram investidos no Brasil. Agora, são 95% no Brasil e 5% no exterior.
Nos setores de refino de petróleo, transporte e distribuição, a previsão em 2002 era a de investir US$ 6,4 bilhões. Em 2011, este valor passou a US$ 70,6 bilhões. A taxa de crescimento? “Só” 1103%.
E porque esta área cresceu mais que as outras, embora todas tenham crescido muito?
Porque essa é a área que cuida, essencialmente, do consumo interno. E da qualidade dos negócios que o Brasil fará com o petróleo extraído do pré-sal.
É aí onde se decidirá se seremos apenas um exportador de petróleo bruto – embora tenhamos de exportá-lo assim, também – que importará seus derivados e produtos de fora.
No refino de petróleo, não há um “especialista” da mídia – unzinho, sequer – defendendo a “abertura do mercado”. Na prática, aí ninguém quer mexer com o monopólio de fato da Petrobras. Nenhuma grande petroleira quer investir bilhões de dólares numa atividade que exige muito tempo e dinheiro para ser implementada.
O abastecimento nacional, o desenvolvimento nacional, o emprego e a renda dos brasileiros que dependem do petróleo não são prioridade. A prioridade é outra.
Os eficientíssimos capitalistas estrangeiros são como aquele deputado que ficou famoso por querer “a diretoria que fura poço”.
Só que os deles são de petróleo. O nosso petróleo.
Fernando Brito

quarta-feira, 18 de maio de 2011

VIAJANDO NA MAIONESE . GLOBO CORTA US$ 35 BI (?!?!) DA PETROBRAS , MAS PETROBRÁS NÃO CONCORDA


Saiu no blog da Petrobras:

Esclarecimento sobre notícias a respeito de Revisão do Plano de Negócios


A Petrobras esclarece sobre notícias divulgadas na imprensa sobre a revisão do seu Plano de Negócios (PN 2011-15):


Conforme afirmou ontem (17/05) o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Almir Barbassa, e de acordo com comunicado divulgado ao mercado no dia 13/05, o Conselho de Administração da Petrobras solicitou aos executivos da Companhia estudos e análises adicionais para o PN 2011-15.


Segue a frase textual do diretor: “nós fomos demandados pelo Conselho de Administração para reexaminar, prosseguir com estudos de sensibilidade. Um desses estudos incorpora a redução do CAPEX (investimento), mas não é a única questão a ser examinada, existem diversas variáveis em estudo. Como dito, nós faremos as análises de sensibilidade, apresentaremos ao Conselho, e a decisão será tomada.”


Qualquer número em relação aos investimentos previstos ou informação a respeito de detalhes do Plano são mera especulação.


A notícia saiu na capa e na capa da Economia do Globo: “Tesoura de US$ 35 bi na Petrobras”.

A notícia, gravíssima, que teria repercussões no mercado de ações, do Brasl e de Nova York, não oferece uma única citação entre aspas.

É um chutismo em águas profundas.

Faz parte de uma tradição do Globo e da família Marinho, desde que o Dr Getulio criou a Petrobras.

E o Governo Cerra/Farol de Alexandria não conseguiu fundar a Petrobrax.

O Globo e a família Marinho são contra a Petrobras.

O que fazer ?

Provavelmente, o Ali Kamel vai se utilizar da concessão de um serviço público (“público” vem de “povo”) para dedicar o jornal nacional a esse corte profundo que três repórteres do Globo resolveram aplicar ao plano de investimentos da maior empresa do Brasil.

Ley de Medios já !

Paulo henrique Amorim

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Nem memória "Cerra" tem mais


1 - Veja o que o Serra acabou de falar no Twitter dele:
"Ghadaffi, da Líbia, foi terrorista internacional: derrubou vôo de passageiros da Panam sobre a Escócia. Amigo do PT e de Lula''.
2 - Só que o Serra se esqueceu das relações do governo de São Paulo com o Kadafi. Veja no texto abaixo:

17/02/2009 - 07:00
Diplomacia
Líbia quer investir US$ 500 milhões na América do Sul
E parte disso no Brasil. A informação foi dada pelo vice-primeiro-ministro do país árabe, Imbarek Ashamikh, em reuniões com o governador de São Paulo, José Serra, e com o prefeito Gilberto Kassab.
Alexandre Rocha - alexandre.rocha@anba.com.br
São Paulo – O governo da Líbia separou US$ 500 milhões para investir em negócios na América do Sul e quer aplicar parte desses recursos no Brasil. A informação foi dada ontem (16) pelo vice-primeiro-ministro do país árabe, Imbarek Ashamikh, durante encontros, em São Paulo, com o governador do estado, José Serra, e com o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab.
Imbarek, que lidera uma delegação com representantes de diversas áreas do governo líbio, citou principalmente interesse no setor agropecuário. “O Brasil tem uma grande importância [na América do Sul] e a delegação que me acompanha estuda possibilidades de investimentos”, afirmou. “Existe vontade política na Líbia de investir no Brasil”, declarou, acrescentando que a quantia de US$ 500 milhões “é apenas o começo”.
Serra declarou que o estado tem todo o interesse em atrair recursos líbios, pois “há carência de investimento, inclusive no agronegócio”. Ele falou, por exemplo, de oportunidades existentes no ramo sucroalcooleiro e na produção de grãos. “São Paulo tem a maior indústria do Brasil e é o terceiro estado agrícola, sendo que é o de maior produtividade, apesar de ter pouco mais de 2% do território nacional”, destacou o governador.
O secretário do Desenvolvimento e ex-governador, Geraldo Alckmin, falou sobre a Investe São Paulo, agência paulista de promoção de investimentos. “Ela poderá ajudar nesse trabalho”, ressaltou. Alckmin disse que colocará o órgão à disposição dos líbios para auxiliar na identificação de oportunidades e realização de negócios.
O vice-governador, Alberto Goldman, acrescentou que há interesse do Brasil em ampliar as exportações ao país árabe, uma vez que hoje a balança comercial pende para o lado líbio por causa das vendas de petróleo. O secretário da Agricultura, João Sampaio, afirmou que o governo pode apresentar aos líbios empresas que querem ampliar as relações comerciais.
Serra ressaltou que, além da exportação de produtos industriais ou agrícolas, São Paulo pode fornecer serviços para a Líbia, citando como exemplo o trabalho já realizado pela construtora Norberto Odebrecht no país. A empresa está à frente da construção dos dois novos terminais do Aeroporto Internacional de Trípoli e da construção do terceiro anel viário da capital líbia. O presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, participou da reunião no Palácio dos Bandeirantes e hoje o vice-premiê vai conhecer um projeto do grupo no ramo sucroalcooleiro.
Ashamikh acrescentou que seu país quer também atrair investimentos brasileiros. Ele citou como exemplo a exploração de recursos naturais. “A Líbia é um país livre para investimentos. Existem riquezas que ainda não foram exploradas”, afirmou. Entre as oportunidades ele destacou a produção de matérias-primas para cimento e vidro e a extração de minério de ferro. Mais tarde, durante jantar oferecido pelaCâmara de Comércio Árabe Brasileira, o diretor do Conselho de Investimentos da Líbia, Abdarramhman Algamudi, destacou também projetos nas indústrias de móveis, eletrodomésticos, tecidos, produtos químicos, turismo, além do petróleo.
O vice-premiê afirmou ainda que seu governo quer promover investimentos conjuntos da Líbia e do Brasil em outros países da África e do mundo árabe. “Podemos criar um exemplo econômico a ser seguido”, disse. Além disso, ele disse que gostaria de ver em Trípoli uma feira permanente de produtos brasileiros.
Na prefeitura, Gilberto Kassab disse que é muito importante para o Brasil, e para São Paulo em especial, a aproximação com os países árabes. Nesse sentido, ele disse que vai liderar na próxima semana uma missão paulistana ao Líbano. “Espero fazer em breve algo semelhante em relação à Líbia”, declarou o prefeito, que é descendente de libaneses.
Sul-Sul
O presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin, que acompanhou as reuniões do vice-premiê ao lado do vice-presidente de Relações Internacionais da entidade, Helmi Nasr, lembrou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou como política promover a aproximação entre países em desenvolvimento. “A atitude do presidente Lula, de caminhar cada vez mais junto aos árabes, aos países da África, à cooperação Sul-Sul, tem dado resultados que vão se intensificar no ao longo do tempo”, destacou.
No jantar oferecido pela Câmara ele falou da missão ao Norte da África liderada há pouco mais de duas semanas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que teve a Líbia como primeira parada. “O evento, coroado de êxito, reflete a relevância crescente da Líbia para o comércio exterior do Brasil”, disse.
Ele citou também ações já promovidas pela Câmara Árabe como a participação brasileira na Feira Internacional de Trípoli e o apoio a outras delegações líbias que estiveram no Brasil. “Na relação entre Brasil e Líbia temos um campo fértil para evoluir”, afirmou. Schahin colocou a entidade à disposição das autoridades e empresários líbios que tenham interesse em ampliar as relações e os negócios com o Brasil.
O vice-premiê visitou também a Assembléia legislativa, onde foi recebido pelo presidente da Casa, deputado Vaz de Lima (PSDB), e o Hospital Sírio-Libanês, onde conversou com o diretor clínico, Riad Younes, e com a presidente de honra da Associação Beneficente de Senhoras, que administra a instituição, Violeta
ANBA
Stanley Burburinho
By: Nassif

PETROBRAS: MERCADOS CONTRA O INVESTIMENTO


REVOLTA ÁRABE - Clique para ver a página especial
Luta-se por democracia e igualdade nas ruas da 
  Tunísia, Egito, Argélia, Líbia, Irã, Iêmen, Bahrein...

A crítica dos  ‘mercados' ao programa de investimentos da Petrobrás (US$ 224 bilhões até 2014), e sobretudo à decisão da empresa de construir cinco novas refinarias no país (US$ 73,6 bi), não se resume a um conflito paroquial entre  governo e oposição. Trata-se, na verdade, de mais um embate entre a lógica financista que motivou as tentativas de privatizar a empresa, no governo FHC, e as políticas soberanas de investimento resgatadas pelo governo Lula, mas nunca digeridas pelo mercadismo e seus ventríloquos na mídia. A pressão contra o investimento é diretamente proporcional à ganância dos acionistas pela captura dos  lucros da empresa. A lógica é simples: o lucro canalizado para a  expansão produtiva não será distribuído aos acionistas, leia-se, investidores individuais, grandes bancos, fundos e mega-interesses internacionalizados. Não adianta dizer que o investimento feito hoje apenas adia os ganhos embolsáveis num primeiro momento, para ampliá-los no passo seguinte. Personagens típicos da era da financeirização, os fundos e bancos de investimentos são instrumentos do  imediatismo rentista. Avessos a projetos de desenvolvimento de longo prazo, preferem comprar empresas prontas -de preferência estatais, deliberadamente sucateadas e barateadas-  a apostar em expansões ou novas plantas produtivas.  O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, recusa-se a administrar o patrimonio soberano  do pré-sal pautado pela ganância infecciosa que levou o mundo à maior crise capitalista desde 1929: "Não investir em refinarias neste momento é suicídio a longo prazo", diz ele para completar: "o país está no limite do refino e há um crescimento exponencial (da oferta no horizonte)... se a empresa não der prioridade a seus investimentos, nos próximos anos terá que exportar petróleo e importar derivados", arremata. Talvez seja isso mesmo que os críticos almejam: transformar a Petrobrás numa Vale do Rio Doce. A mineradora decidiu distribuir US$ 4 bilhões aos acionistas em 2011, mas se recusa a investir US$ 1,5 bi numa fábrica de trilhos no país. Exportamos ferro bruto para a China; importamos trilhos chineses para as ferrovias do Brasil.

(Carta Maior, 3º feira, 22/02/2011