Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Guerrilheira escarlate ultraja o augusto pendão nacional

Ultraje
Aconteceu. Bem diante dos incrédulos olhos de milhões de pessoas mundo afora, durante a dispendiosa cerimônia ( que assistíamos apenas na esperança de presenciar se, naquele momento, surgiria algum snipper patriota que empregasse seus talentos a serviço de uma causa mais do que justa, santa ) de transmissão do butim.
A profana cria dos laboratórios petistas, que atende por seu codinome búlgaro, cometeu uma das mais acintosas ofensas a um símbolo pátrio que os homens bons já tiveram que testemunhar: quando caminhava por uma das plataformas de concreto do Planalto, a despudorada diminuiu a passada, desviou à esquerda na direção de um soldado que empunhava uma bandeira do Brasil e, sem um pingo de vergonha, LIMPOU A BOCA no sagrado manto nacional!!!! A blasfema lustrou seus caninos sem que houvesse qualquer reação da parte das tropas!! Oras, nos bons tempos esse gesto seria respondido na ponta da baioneta! Esse não é um país sério mesmo! Até quando?
Difícil até de descrevê-la, a cena causou engulhos mesmo ao mais resistente estômago, mas não foi suficiente para que vozes indignadas se levantassem contra a ousadia da discípula de Messalina.
Este respeitado sítio noticioso acompanhou a atroz mídia lullista nos dias que se seguiram à cerimônia macabra, dando-lhes tempo suficiente para acusar o golpe e denunciar o crime de lesa-pátria.
Mas nada ocorreu. Alguns destes pseudo-jornalistas chegaram a ter a cara-de-pau de, em um coro préviamente ensaiado, dizer que aquela atitude fora uma mera “quebra de protocolo”. URGGH! Estes escribas certamente figuram na folha de pagamentos do mensalão, o que explica tal passividade e promiscuidade chapa-branca.
De modo que, mais uma vez, resta apenas este veículo de resistência, bravamente guiado pelo audaz Professor Hariovaldo, a denunciar e descortinar a escalada do marxismo ateu petista que ora conspurca nosso solo gentil.
Alvíssaras!

Não dá pra ler

Com todo respeito possível aos que pagam para ler a Falha, mas vocês precisam revisar suas prioridades e valores. Essas "informações" não têm fundamento algum na realidade, são exercícios de futurologia de gente que não conhece e não gosta de Cuba. Os números, as datas, os motivos, tudo é um amontoado de bobagens. A fonte deve ser o mesmo "diplomata" americano que "informou" Washington que Sicko não foi exibido em Cuba por medo de uma revolta popular...

 Esquerdopata


Leia mais em: O Esquerdopata 
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Mesmo com eleição e Copa jornal nacional desaba



A iluminada gestão do Kamel produz efeitos há muito tempo

Saiu na Folha (*), seção “Ilustrada”, pág. E8:

“ ‘JN’ perde um de cada quatro espectadores.”

“O ‘Jornal Nacional’ (Globo) fechou 2010 com a pior audiência de sua história.”

“Encerrou 2010 com média de 29,8 pontos e 49,3% de share, uma QUEDA DE 24% (ênfase minha) de audiência em relação a 2000: perdendo um de cada quatro espectadores”.

Navalha
Como se sabe, o ano de 2010 teve Copa – exclusividade do “Cala a Boca, Galvão”, que tem o poder de derrubar e escalar o técnico da seleção.
E teve eleição – onde a Globo não exerce mais o monopólio.
Copa e eleição são puxadores de audiência.
Não adiantou nada.
O carisma e a isenção do Casal 45 (especialmente quando entrevistam candidatos trabalhistas) não conseguiram salvar a pátria.
Muito contribuiu para o naufrágio a iluminada gestão do Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da História da Globo.
Kamel levou para o jn um padrão de isenção, objetividade, qualidade e inovação que seria inevitavelmente recompensado.
Sobretudo o aspecto da inovação.
Kamel consegue a proeza de fazer o mesmo jornal nacional que o Armando Nogueira fazia nos anos 60, com uma diferença: Armando não tinha computador.
(Outra diferença: o jn do Armando tinha humor, um sorriso nos lábios, especialmente nas reportagens que antecediam o “boa noite” do Cid Moreira. Hoje, o jn tem o senso de humor do Cerra. Uma questão de contágio.)
Numa empresa privada, a queda de 24% – um em cada quatro clientes – significaria demissão.
Mas, como já disse esse ordinário blogueiro, a Globo não é uma empresa propriamente capitalista: é uma prisão de segurança máxima.
Você tem todo o conforto, televisão no quarto, geladeira, passeio no sol, visita íntima, comida de primeira, todas as regalias: só não pode sair de lá.




Paulo Henrique Amorim 


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vídeo: singela homenagem à Globo na posse da Dilma

Ley de Medios não é prioridade de Bernardo. É o “medo da Globo II” ?



    Cristina: há duas maneiras de enfrentar a Globo
    Conversa Afiada reproduz texto do competente Samuel Possebon, da Teletime:

    Atualização do marco das comunicações é citada, mas não aparece entre as prioridades do novo Minicom

    A proposta de Lei de Comunicação Eletrônica aparece nos discursos, é um tema referente nas entrevistas do novo ministro das Comunicações Paulo Bernardo, mas ainda não ganhou o status de prioridade da pasta. Segundo Paulo Bernardo, ele ainda não teve oportunidade de ler o anteprojeto que estava sendo elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação do governo Lula, e seria deixado para a sua gestão. “Na semana passada conversei com o ex-ministro Franklin sobre isso e ele quis me entregar o anteprojeto, mas pedi para que só me fosse enviado depois que eu chegasse aqui (no Minicom). Estava em processo de mudança naquela semana”, disse Paulo Bernardo em entrevista coletiva. Segundo o ministro, o texto deve ter chegado nesta segunda, dia 3, ao seu gabinete, mas ainda não há uma agenda de discussão nem possíveis datas para publicação de uma consulta pública. Perguntado se esse era um tema colocado pela presidente Dilma como prioridade, Bernardo repetiu apenas que ainda não há um cronograma definido. Ele disse durante a entrevista coletiva que já participou de algumas reuniões sobre o tema e que é um assunto “delicado, que envolve aspectos econômicos, o usuário e a questão da democracia, que sempre repercute de maneira torta”. Segundo o ministro, existe a possibilidade de se criar uma única agência para as comunicações, ou tratar o assunto em duas agências distintas. “A maior parte das opiniões é por duas agências, mas eu não tenho posição formada sobre isso”.

    Mesmo que não haja ainda um cronograma definido, o tema foi citado pelo ministro na segunda metade de seu discurso de posse. Ele disse que não se pode “omitir a necessidade de atualizar o marco regulatório das comunicações”, que precisa ser modernizado e regulado “conforme prevê a Constituição”, mas ressaltou que em nenhum momento se fala ou pensa em algo que implique “desrespeitar a liberdade de expressão”.

    Samuel Possebon

    Navalha
    Se o Ministro Bernardo pensa que Ley de Medios é coisa “velha” e que ele vai cuidar só “do novo”, será um desastre ferroviário, como diz o Mino Carta.

    O “novo” está misturado com o “velho”.

    Não adianta nada querer montar o Plano Nacional de Banda Larga a R$ 30; realizar a inclusão digital; ou pôr para funcionar a PL 116, que autoriza a entrada das telefônicas no cabo, sem produzir conteúdo – e  achar que só isso resolve.

    Ledo engano.

    Sem a Ley de Medios, o PiG (*) derruba a Dilma.

    Ou vai incendiar este país, como prometeu o grande herói do PiG (*), o Thomas Jefferson.

    O presidente Lula achou que ia driblar o PiG (*) com o carisma.

    No fim do Governo – e só no fim – disse que o Brasil precisa de regulação,  de Ley de Medios.

    A presidenta Dilma corre o risco de achar que dribla o PiG (*) com a tecnologia.

    Ledo engano.

    Nem carisma nem tecnologia.

    Sem Ley de Medios não há democracia, diz Marilena Chauí.

    Sem Ley de Medios, a Classe C vai eleger o Berlusconi.

    Que pena que a Cristina Kirchner não pôde vir para a posse.

    Poderia contar umas histórias interessantes sobre a Globo da Argentina, o Clarín.

    Paulo Henrique Amorim


    (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

    Brevíssima história de 40 anos de políticas neoliberais


    Muitos especialistas dizem que a ideologia neoliberal iniciou nos anos 80 com Reagan, Thatcher e a Escola de Chicago. Mas o que tornou possível esse giro na economia política? Que elementos, que novas forças podem explicar essa mudança ideológica e as desigualdades que a seguiram? Como os poderes que tomam decisões políticas foram sendo postos gradualmente nas mãos de um corpo de tecnocratas neoliberais que pontificavam sobre as limitações dos governos? Responder a essas questões passa por reconhecer que este processo durou décadas. O artigo é de Marshall Auerback.
    Um assíduo leitor de New Deal 2.0 faz uma aguda questão:

    “Há uma questão que nunca consigo responder. Muitos especialistas dizem que a ideologia neoliberal iniciou nos anos 80 com Reagan, Thatcher e a Escola de Chicago. Mas sigo sem entender o que tornou possível esse giro na economia política. Que elementos, que novas forças nos anos 80 podem explicar essa mudança ideológica e as desigualdades que a seguiram?"

    Todos esses temas são muito dignos de exploração e eu, quero dizer desde logo, não posso fazer justiça a eles com uma resposta de duas linhas. É melhor recomendar o soberbo livro de Yves Smith, Econned. O livro proporciona uma excelente explicação histórica do modo como algumas teorias infundadas, mas amplamente aceitas, levaram à execução de políticas que geraram o atual estado de coisas. Também ilumina a capacidade dessas filosofias para ressuscitar mesmo quando se acumulam provas conclusivas contra elas. Documenta não só a crescente degradação dos economistas profissionais neoclássicos (e sua concomitante tendência a reduzir a soma da experiência humana a uma série de equações matemáticas), mas também a maneira pela qual fundações muito bem financiadas subvencionaram universidades e think tanks que, por sua vez, legitimaram e validaram essas filosofias charlatanescas.

    A ideia de que governos democraticamente eleitos devem servir-se de políticas fiscais discricionárias para contraestabilizar as flutuações do ciclo do gasto público chegou a ser visto como algo muito próximo ao socialismo. Os poderes que tomam decisões políticas foram postos gradualmente nas mãos de um corpo de tecnocratas neoliberais que pontificavam sobre as limitações dos governos e reforçavam as posições fiscalmente pró-cíclicas, ou seja: reforçavam a contração discricionária quando os estabilizadores automáticos levavam a grandes déficits orçamentários como resultado da frágil demanda não-pública.

    Essa mudança em nossas políticas públicas foi acompanhada por um processo de tomada de controle dos juristas em uma longa marcha através do poder Judiciário. Foi um esforço patrocinado pelas grandes empresas, centrado exclusivamente no tema da desregulação, e culminou com um esforço titânico para revogar as reformas do New Deal, limitar o poder dos sindicatos e do próprio governo (salvo em matéria de Defesa, cabe assinalar, que organizou seu próprio e formidável exército de lobistas).

    Responder a questão colocada por nosso leitor passa por reconhecer que este foi um processo que durou décadas e que veio acompanhado de enormes somas de dinheiro e de vasto exército de forças empresariais, jurídicas e políticas, empenhado em frustrar qualquer alternativa progressista. O processo inteiro ocorreu em um período de aproximadamente 40 anos. Flexibilização da regulação e da supervisão; uma crescente desigualdade que levou às famílias a se endividar para manter o nível de gasto; cobiça e exuberância irracional e liquidez global excessiva: todos esses são sintomas do mesmo problema.

    Mas como tudo começou? A análise que o grande economista Hyman Minsky realizou no final de sua vida é particularmente potente, porque permite ver essas mudanças a partir de uma vasta perspectiva histórica. Minsky chamou a situação de saída da II Guerra Mundial de “capitalismo paternalista”. Ela se caracterizava por um “enorme Tesouro público” (cujo custo equivalia a 5% do PIB) dotado de um orçamento que oscilava contraciclicamente a fim de estabilizar a renda, o emprego e os fluxos de lucros; um Banco Central ao estilo de um “enorme banco” que mantinha baixas as taxas de juros e intervinha como emprestador último de recursos; uma ampla variedade de garantias estatais (seguro de depósitos, respaldo público implícito ao grosso das hipotecas); programas de bem estar social (Seguridade Social, ajuda às famílias com filhos dependentes, ajuda médica); estreita supervisão e regulação das instituições financeiras; e um leque de programas públicos para promover a melhoria da renda e a igualdade de riqueza (tributação progressiva, leis de salário mínimo, proteção para o trabalho sindicalmente organizado, maior acesso à educação e à habitação para pessoas de baixa renda).

    Além disso, o Estado jogava um papel importante em matéria de financiamento e refinanciamento (por exemplo, a corporação pública para financiar a reforma de imóveis e a corporação pública para o crédito destinado à compra de imóveis) e na criação de um mercado hipotecário moderno para a compra de imóveis (baseado em um empréstimo de tipo fixo amortizável em 30 anos), sustentado por empresas patrocinadas pelo Estado. Minsky reconheceu papel desempenhado pela Grande Depressão e pela II Guerra Mundial na criação de bases para a estabilidade financeira. Nas palavras de Randy Wray:

    “A Depressão pulverizou e expulsou o grosso dos ativos e passivos financeiros: isso permitiu às empresas e às famílias saírem com pouca dívida privada. O ciclópico gasto público durante a II Guerra Mundial criou poupança e lucro no setor privado, enchendo os livros de contabilidade com dívida saneada do Tesouro (60% do PIB, imediatamente depois da II Guerra). A criação de uma classe média, assim como o baby boom, mantiveram alta a demanda de consumo e alimentaram um rápido crescimento do gasto público dos estados federados e dos municípios em infraestrutura e em serviços públicos demandados pelos consumidores metropolitanos.

    A elevada demanda dos entes públicos e dos consumidores trouxe por sua vez consigo a possibilidade de se cobrir o grosso das necessidades das empresas para financiar o gasto interno, incluindo os investimentos. Assim, durante as primeiras décadas que se seguiram à Segunda Guerra, o capital financeiro desempenhou um papel muito menor. A lembrança da Grande Depressão gerou relutância em relação ao endividamento. Os sindicatos pressionavam e, frequentemente, obtinham mais e mais compensações, o que permitiu o crescimento dos níveis de vida, financiados em sua maior parte somente com a renda dos trabalhadores”.


    Na década de 1970 tudo isso começou a mudar, como é bem explicado em Econned. O gasto público começou a crescer mais lentamente que o PIB; os salários ajustados à inflação se estancaram a medida que os sindicatos perdiam poder; a desigualdade começou a crescer e as taxas de pobreza deixaram de cair; as taxas de desemprego dispararam; e o crescimento econômico começou a desacelerar.

    Nos anos 70 assistimos também aos primeiros esforços sustentados para fugir das restrições impostas pelo New Deal, a medida que as finanças respondiam para aproveitar as oportunidades. Com o desastroso experimento monetarista de Volcker (1979-82), muitos dos velhos vestígios do sistema bancário estabelecido pelo New Deal foram arrasados.

    O rito de inovações se acelerou a medida que foram se adotando muitas práticas financeiras novas para proteger as instituições do risco da taxa de juros. A despeito de todas as apologias feitas sobre os anos de Volcker a frente da Federal Reserve, o certo é que suas políticas de juros altos assentaram as bases do atual sistema financeiro baseado no mercado, incluídas a titulação hipotecária, a inovação financeira na forma de derivativos para cobrir o risco das taxas de juros, assim como muitos dos veículos financeiros “extra contábeis” que proliferaram nas duas últimas décadas. Legislou-se para criar um tratamento fiscal muito mais favorável aos juros, o que, por sua vez, estimulou as compras alavancadas para substituir ativos por dívida (como a tomada de controle empresarial financiada com dívida que seria servida pelos futuros fluxos de receita da empresa assim controlada).

    Os excedentes orçamentários dos anos Clinton – outro exemplo de ascendência de uma filosofia neoliberal que fugiu da política tributária e determinou a primazia da política monetária – restringiram a demanda agregada, encolheram as receitas e criaram uma maior dependência da dívida privada como meio de sustentar o crescimento e as receitas. Esse foi claramente facilitado por inovações que ampliaram o acesso ao crédito e mudaram os critérios das empresas e dos lares para definir o nível de endividamento prudente. O consumo conduzia o timão e a economia voltou finalmente aos rendimentos dos anos 60. Regressou o crescimento robusto, agora alimentado pelo déficit do gasto privado, não pelo crescimento do gasto público e da receita privada. Tudo isso levou ao que Minsky chamou de capitalismo dos gestores do dinheiro.

    Esse é o contexto histórico básico que veio se desenvolvendo nos últimos 40 anos. E essa é, provavelmente, uma resposta que vai mais além do que nosso amável leitor queria, mas sua questão não é daquelas que possa ser respondida laconicamente.

    (*) Marshall Auerback é analista econômico, pesquisador do Roosevelt 
    Institute, colaborador da New Economic Perspectives e da NewDeal 2.0.

    Tradução para SinPermiso: Casiopea Altisench
    Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto

    A vida alheia

    Postado do Blog eduardo Guimarães - blog Cidadania
    O provincianismo é uma das anomalias das sociedades em estágio civilizatório atrasado. E a expressão mais eloqüente do provincianismo é a cultura da fofoca e da maledicência em relação à vida alheia, um costume patético de se fiscalizar assuntos privados do outro como se pertencessem ao domínio público.
    Além do que, há a questão do machismo, da coisificação da mulher. Delas, dissecam-lhes o comportamento ao primeiro olhar, dando decretos sobre moral com base nas roupas que vestem, nos sorrisos que dão, na idade ou em qualquer particularidade daqueles – ou daquelas – com quem se relacionam sexual e afetivamente.
    Vejam só o caso da esposa de Michel Temer. As insinuações da mídia sobre a diferença de idade e sobre a beleza da jovem Marcela em relação ao septuagenário jurista de São Paulo pertencem ao provincianismo mais babaca, ao machismo mais patético e, em certos casos, à inveja mais transbordante.
    Por definição, nesta sociedade babaca em que vivemos, se um septuagenário se casa com uma jovem de vinte e tantos anos, ela, por certo, estará interessada em seu dinheiro ou em sua projeção social, mesmo que tenha dado à luz o filho de um homem que consigo se casou formalmente e com quem mantém uma relação estável.
    Agora mesmo, há um bando de militantes de oposição que trata de espalhar maledicência sobre a relação de Temer com a sua esposa com base nessa crença idiota de que uma bela jovem não pode se apaixonar por um homem bem mais velho, pois, certamente, tratar-se-á de uma caça-dotes, de uma aproveitadora, mesmo que seja de família até mais rica do que o esposo.
    Antes de tudo, há uma incompreensão da alma feminina. É estupidamente alta a parcela de mulheres que se sente atraída por homens mais velhos. Legitimamente. Ora, Temer é um cara boa-pinta, um “coroa conservado”, um jurista eminente. Nada a espantar, portanto, se Marcela dele se tiver enamorado.
    Infelizmente, como se criou um estereótipo para as mulheres de que têm que ser jovens e esguias, o que exclui a grande maioria delas, são menos comuns os relacionamentos de mulheres maduras com homens jovens. Nesse caso, se um homem jovem está ao lado de uma mulher madura, aí acontece o mesmo que na proporção inversa de gêneros: o homem quer o dinheiro da mulher.
    Sim, com homens e com mulheres maduros acontece de se relacionarem com oportunistas mais jovens. Mas não é porque acontece que se pode dar decretos sobre ser assim qualquer relacionamento entre homens e mulheres de faixas etárias distantes entre si.
    Do contrário, qualquer homem ou qualquer mulher que se interessar por alguém bem mais jovem ou bem mais maduro sentir-se-á constrangido mesmo que ambos estejam perdidamente apaixonados.
    Agora eu pergunto: é impossível que uma mulher bela e jovem se apaixone por um homem maduro, porém em forma física e no auge do desenvolvimento intelectual e do sucesso? Sim, porque, pelos maledicentes a serviço da oposição – mesmo que esta não os estimule, pois alguns tentam agradá-la fazendo o que acham que ela quer que façam –, seria impossível.
    Essa polícia oficiosa dos costumes é uma praga de sociedades provincianas que um país em franco desenvolvimento econômico e social como o nosso precisa enterrar bem fundo, pois é vergonhosa e oriunda de gente que não resistiria às devassas que faz da vida alheia, mas se arvora em juiz e júri da intimidade do outro.

    DO QUE NOS LIVRAMOS: O HERÓI DA REPÚBLICA DE HIGIENÓPOLIS


    O mito construído pela mídia demotucana que durante anos de pré-campanha vendeu José Serra como sinônimo de  gestor público eficiente, dissolve-se nas chuvas de verão. O mito é contestado em seus próprios termos, por um igual ou pior que ele. A primeira medida tomada pelo também tucano Geraldo Alckmin no governo de SP --discípulo assumido do 'choque de gestão'--  foi determinar  rigorosa auditoria em todos os contratos de terceirização de serviços públicos assinados por Serra. Alckmin tambémn adiantou que poderá reduzir o valor dos pedágios que Serra defendia como 'proporcionais' à qualidade dos serviços prestados por São Paulo, sem difarçar o desdém por tudo o que o pavonato tucano considera como 'resto', ou seja, o Brasil. Dificilmente a 'obra' de outro desafeto dos alckmistas, Paulo Renato , ex-centurião de Serra em 'contratos educativos' com editoras como a Abril, Globo, Folha, Estadão etc, escapará da malha fina da linhagem tucana que voltou ao poder nos Bandeirantes. Aos poucos se verá que a construção midiática estampada em Serra --a direita eficiente X esquerda populista e perdulária-- tinha prazo de validade de um pote de iogurte e  aderência política restrita ao bairro de Higienópolis em SP, meca do conservadorismo elitista que pretendia derrotar Lula e Dilma para repetir --no plano nacional--  a maracutaia chique perpetrada contra o interesse público em SP.
    (Carta Maior; Terça-feira, 04/01/2011)

    domingo, 2 de janeiro de 2011

    Jovens pregam assassinato de Dilma no Twitter- É DE DAR NOJO

    Do Blog Cidadania-Eduardo Guimarães.
    FIQUEI EXTREMAMENTE IRRITADO COM ISSO. NÃO HÁ JUSTIFICATIVA PARA TAL FATO.
    ESSE FATO TEM QUE SER LEVADO IMEDIATAMENTE AO MINISTÉRIO PÚBLICO.
    Adendo incluso por masadi

    vo com o coração partido. Avisado pela leitora Leila Farkas, fui a um blog chamado Curso Básico de Jornalismo Manipulativo e dei de cara com o inferno. Os autores do blog denunciam dezenas de jovens que no último sábado faziam incitação ao assassinato de Dilma Rousseff durante a posse.
    A exemplo dos criminosos que pregaram assassinato de nordestinos sob a liderança da garota chamada Mayara Petruso, essas dezenas e dezenas de jovens não fazem a menor idéia do crime que cometeram.
    Enquanto não colocarem um bom número desses degenerados na cadeia, continuaremos vendo acontecer casos como o dos filhinhos de papai que espancaram homossexuais na avenida paulista. Desta maneira, reproduzo, abaixo, os perfis dos criminosos na esperança de que alguma autoridade tome providência.
    Horrorizem-se, abaixo, com essa geração degenerada, vítima de pais degenerados que estão povoando os estratos mais altos da pirâmide social com dementes capazes de qualquer coisa e, claro, de José Serra e de sua mídia, que instigaram ódio na sociedade.
















    sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

    FELIZ 2011 E A LUTA SEMPRE CONTINUARÁ.

    AOS MEUS AMIGOS , QUE ESSE 2011 NOS DÊ UM BRASIL COM "S" . PARA TODOS QUE VÊEM NESTE GRANDE PAÍS SUA VERDADEIRA PÁTRIA, CADA VEZ MAIS IGUALITÁRIA E SOCIALMENTE JUSTA.

    segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

    Liu Xiaobo merece o prêmio Nobel da Paz?



    O governo chinês cometeu a bobagem de transformar Liu Xiaobo em mártir Ele nunca deveria ter sido preso, mas os políticos que compõem o comitê do Nobel, liderados por Thorbjorn Jagland, ex-primeiro ministro trabalhista, quiseram dar uma lição a China e, para isso, fecharam os olhos para os pontos de vista de seu herói. En tre outras coisas, Xiaobo defende as guerras da Coréia, do Vietnã e do Iraque e sustenta que a tragédia da China é não ter sido colonizada ao menos durante 300 anos por uma potência ocidentral ou pelo Japão. O artigo é de Tariq Ali.
    O vencedor do prêmio Nobel da Paz de 2010 intensificou a guerra no Afeganistão poucas semanas depois de receber a honraria. O prêmio surpreendeu ao próprio Obama. Este ano o governo chinês cometeu a bobagem de transformar em mártir o ex-presidente do Independent Chinese PEN Centre e neocon Liu Xiaobo. Ele nunca deveria ter sido preso, mas os políticos noruegueses que compõem o comitê, liderados por Thorbjorn Jagland, ex-primeiro ministro trabalhista, quiseram dar uma lição a China e, para isso, fecharam os olhos para os pontos de vista de seu herói.

    Ou talvez não tenham feito exatamente isso, uma vez que suas perspectivas não são muito diferentes. O comitê pensou em conceder a Bush e Blair o prêmio da paz conjunto por invadir o Iraque, mas o protesto público obrigou a que desistissem da ideia.

    Para constar, registre-se que Liu Xiaobo declarou publicamente que, na sua opinião:

    (a) A tragédia da China é não ter sido colonizada ao menos durante 300 anos por uma potência ocidental ou pelo Japão. Aparentemente isso teria civilizado a China para sempre;

    (b) As guerras da Coréia e do Vietnã empreendidas pelos Estados Unidos foram guerras contra o totalitarismo e aumentaram a "credibilidade moral" de Washington;

    (c) Bush fez bem em ir à guerra no Iraque, e as críticas do senador Kerry eram "propagadoras de calúnias";

    (d) Afeganistão? Aqui não há nenhuma surpresa: apoio completo à guerra da OTAN.

    Ele tem todo o direito a ter essas opiniões, mas, considerando as mesmas, deveria receber um prêmio da Paz?

    O jurista norueguês Fredrik Heffermehl disse que o comitê infringe a vontade e o testamento deixados pelo inventor da dinamite, cuja fortuna financia os fundos para os prêmios:

    "O comitê do Nobel não recebeu o dinheiro do prêmio para uso livre, mas sim foi encarregado de outorgá-lo a um elemento fundamental no processo de paz, rompendo o círculo vicioso da corrida armamentista e dos jogos do poder militar. Deste ponto de vista, o Nobel de 2010 é d enovo um prêmio ilegítimo outorgado por um comitê ilegítimo".

    (*) Tariq Ali é jornalista, escritor e membro do conselho editorial de Sin Permiso. Seu último livro publicado é "The Protocols of the Elders of Sodom: And Other Essays", publicado pela editora Verso de Londres. Tradução para
    http://www.sinpermiso.info/: Daniel Raventós. Tradução do espanhol para o português: Katarina Peixoto.

    IPEA GANHA DIREITO DE RESPOSTA CONTRA O GLOBO


     

    Como parte da campanha demotucana à Presidência da República, o jornal O Globo, sem assumir honestamente sua função de dispositivo midiático do candidato conservador, dedicou agressiva e caluniosa cobertura ao IPEA nos meses que antecederam o pleito deste ano.Na edição do dia 22.08.2010, por exemplo, o jornal  trouxe no seu caderno "O PAÍS", no quadro "ELEIÇÕES 2010", matéria de página inteira intitulada "Uma máquina de alto custo". Em sintonia com o discurso da candidatura demotucana, o texto afirmava que o IPEA havia se transformado "numa máquina de propaganda do governo e braço de articulação política externa movida pela ideologia, deixando em segunda mão sua missão primordial" No dia seguinte, dia 23.08.2010,  o IPEA encaminhou ofício PODER JUDICIÁRIO FEDERAL  solicitando o direito constitucional de resposta proporcional ao agravo. O jornalismo produzido sob a batuta de Ali Khamel revidou em  24.08.2010, com nova reportagem caluniosa sob o título "Especialistas criticam interferência no IPEA" . Era um truque editorial para legitimar o texto anterior. Recorria-se então à opinião obsequiosa de economistas da casa, sempre disponíveis para endossar o martelete  conservador empunhado pelos Marinhos, donos de conhecido histórico de julgamentos sumários e lapidação pública de governos, políticas, regimes, instituições e personagens considerados inimigos daquilo que entendem ser liberdade, democracia, interesse público e relevância acadêmica. No último dia 26 de outubro, o juiz Gustavo André Oliveira dos Santos, deu ganho de causa ao IPEA e determinou  que o jornal O Globo proceda à publicação da Resposta da instituição em edição dominical, com chamada equivalente na primeira página, bem como na edição subseqüente da terça-feira, utilizando-se assim o mesmo espaço, destaque e diagramação mobilizados na acusação caluniosa. A Justiça tarda, mas às vezes não falha. Leia mais (Carta Maior; 20-12)
    (Carta Maior; Segunda-feira, 20/12/2010)

    domingo, 19 de dezembro de 2010

    Sem políticos não há democracia


    Há desonestos em todos os setores da sociedade. Há médicos que molestam sexualmente as suas pacientes, há advogados que prestam serviços a criminosos, há policiais que cometem crimes, há padres que praticam pedofilia e, claro, há jornalistas que só opinam o que o patrão manda… Por que, então, não haveria políticos que roubam dinheiro público?
    A discussão que setores da imprensa desencadearam por conta do aumento dos salários dos políticos detentores de mandatos eletivos ignora (propositalmente) a inegável premissa do primeiro parágrafo e tenta pintar toda a classe política como corrupta, incompetente e abusadora dos privilégios dos cargos públicos.
    A desqualificação generalista da classe política foi incutida pela “grande” imprensa nas mentes de expressiva parcela da sociedade ao longo da história da República. A tática é oriunda das elucubrações da ponta superior da pirâmide social e visa impedir que oportunidades se redistribuam em um dos dez países em que são mais concentradas.
    Cabe reproduzir interessante observação do leitor Marcos Inácio Fernandes sobre post  anterior que versou sobre o mesmo tema que será tratado neste post. Marcos bem lembrou que o parlamento remunerado foi uma conquista dos trabalhadores no âmbito do Movimento Cartista do século XIX, na Inglaterra, desencadeado, por sua vez, no âmbito da Revolução Industrial.
    O Movimento Cartista (1837-1848) foi organizado pela Associação dos Operários, que exigia melhores condições de trabalho, pedindo limitação de oito horas para a jornada laboral, regulamentação do trabalho feminino, extinção do trabalho infantil, folga semanal e salário mínimo, entre outros.
    Mas talvez a parte mais relevante do movimento tenha sido a luta por direitos políticos como o estabelecimento do sufrágio universal e o fim do voto censitário, que só delegava direito de voto a quem se enquadrasse em um perfil que englobava gênero, renda, religião e outros valores que nada têm que ver com o direito de votar e ser votado.
    No âmbito dos direitos políticos, a fim de que qualquer cidadão pudesse disputar um mandato eletivo, logrou-se estabelecer remuneração aos que chegassem a cargos públicos pelo voto, sobretudo como parlamentares. Foi a fórmula encontrada para impedir que só os ricos exercessem o poder.
    Diante do fato consumado de que qualquer um pode se eleger e ser pago para exercer mandato eletivo, os que prefeririam que o país fosse administrado pelo topo da pirâmide social vêm tratando de criminalizar o uso de dinheiro público para permitir que até o cidadão mais humilde possa se eleger vereador, deputado, senador, prefeito, governador e até presidente da República.
    Diante de argumentações racionais sobre as razões da elite midiática para enfraquecer a classe política e, assim, mantê-la refém de seus desejos, impérios de comunicação que pretendem governar o país através de notas e “informações” manipuladas vieram agora com certas comparações sobre o salário dos parlamentares brasileiros e os de países ricos, que ganham menos do que os nossos.
    O primeiro sintoma de má fé dessa campanha difamatória e generalista contra a classe política reside no uso da correlação entre o PIB per capita e o novo salário de deputado. Comparam países ricos – em que o PIB per capita é maior – com o Brasil – que devido à sua enorme população tem uma correlação bem mais modesta do PIB per capita – sem explicar nada.
    Países que têm algumas poucas dezenas de milhões de habitantes e alto desenvolvimento industrial , como no caso da Inglaterra, obviamente que têm uma correlação mais alta entre PIB per capita e salário de parlamentares do que um país semi-industrializado que tem duas centenas de milhões de habitantes, como é o Brasil.
    Em países ricos, que têm sociedade educada, digno padrão médio de vida e leis que valem para todos, a corrupção é muito mais difícil de ocorrer porque a imprensa não cai matando só em cima dos políticos corruptos, como no Brasil, mas também em cima dos corruptores, que em países como o nosso são deixados em paz por serem grandes anunciantes.
    Pagar bem ao político brasileiro, portanto, é imperativo. Em um país como este, um cidadão como o autor deste texto teria dificuldade de se eleger e, assim, deixar a sua atividade profissional – comércio exterior – de lado para se dedicar ao serviço público devido ao fato de que se depois de um mandato de quatro anos não fosse reeleito teria que recomeçar a vida do zero, pois se afastar de sua profissão por tanto tempo o deixaria fora do mercado.
    A intenção da criminalização da classe política é justamente essa. Baixos salários favorecem a imprensa de propriedade de grupos econômicos que precisam justamente de uma classe política mal-paga e, assim, suscetível a corrupção e a coação por meio de ameaça de denúncias no noticiário.
    Não que altos salários sejam garantia de que um deputado, por exemplo, não irá se corromper. Como já foi dito, há políticos, advogados, médicos e até jornalistas corruptos, para os quais dinheiro nunca é demais. Daí a dizer que todos eles se corromperão pelo que fazem alguns, é outra história – é má fé.
    Alguém já viu uma campanha da mídia dessa envergadura contra o salário de juízes, por exemplo? São os salários mais altos, aos quais acabam de ser equiparados os salários dos parlamentares e chefes do Executivo. Mas o senso comum diz que juízes devem ser bem pagos para não tomarem decisões movidos por propinas oferecidas pelos que serão julgados.
    Aí ninguém contesta o argumento, pois é óbvio que juiz mal pago – ou melhor, que não seja muito bem pago – certamente correria maior risco de se vender, até por conta do poder que tem para fazê-lo sem ser descoberto. Mas a mídia não gosta muito de brigar com juízes, pois precisa deles o tempo todo. E muito menos com corruptores-anunciantes.

    Tucano exótico defende racionalidade e rejeita neoliberalismo

     

    Por quem é mais racional
    Luiz Carlos Bresser-Pereira
    A crise demonstra que os governos dos Estados são mais racionais que agentes privados e suas empresas
    Durante os 30 anos neoliberais aprendíamos que o Estado era a fonte de todos os males; que o setor privado estava sempre equilibrado porque era coordenado pelo mercado, enquanto que o Estado -regido pela política- era objeto do populismo econômico e se constituía em um obstáculo maior ao crescimento com estabilidade.

    Além de antidemocrática, a tese era falsa, porque as crises financeiras demonstraram através dos tempos que o mercado jamais foi capaz de controlar o comportamento especulativo dos agentes privados.

    E era meia verdade em relação ao Estado, porque há políticos populistas, mas a maioria é responsável fiscalmente, porque sabe que dessa responsabilidade depende sua sobrevivência.

    O que não estava claro era que os grandes deficit financeiros do Estado eram devidos ao setor privado, não ao populismo dos políticos.

    Quando estoura uma crise bancária, o Estado, primeiro, age como um emprestador de última instância para socorrer os bancos, e, em seguida, aumenta os seus gastos para restabelecer a demanda agregada e evitar o colapso do sistema econômico.

    Em consequência desses dois fatos, incorre em grande deficit público, e a dívida pública se torna muito elevada não obstante não tenha havido irresponsabilidade fiscal.

    Este fato tornou-se patente em relação aos grandes países ricos na crise financeira global de 2008.
    Na maioria dos casos os governos estavam com suas contas equilibradas; a irresponsabilidade foi privada e se expressou em bolhas de ativos: de imóveis, de commodities, e do mercado acionário.

    Quando a crise arrebentou, apenas o Estado tinha condições de socorrer o setor privado. Foi o que fez; em consequência, seu deficit público e sua dívida pública explodiram.

    Estes fatos podem ser observados de maneira clara em um país pequeno como a Irlanda, que, agora, está na crista da crise financeira de 2008, hoje transformada em quase-estagnação dos países ricos.

    O governo estava com seu deficit público sob controle, de forma que, entre 2004 e 2007, a dívida pública diminuiu de 30% para 25% do PIB. Entretanto, quando rompeu a crise e os bancos quebraram, o deficit público explodiu e, neste ano, se forem considerados os aportes aos bancos, o deficit público será de 32% do PIB! Em consequência, a dívida pública já no ano da crise subiu para 44%, em 2009 foi para 65%, e neste ano deverá alcançar 99% do PIB!

    O caso é exemplar. E a crise como um todo mostra uma coisa mais geral: os governos dos Estados são mais racionais do que os agentes privados e suas empresas. Sim, mais racionais.

    O político toma decisões com razoável conhecimento das consequências de seus atos, enquanto que os agentes privados fazem profecias autorrealizadas ao preverem o aumento dos preços dos ativos e os comprarem.

    Entram, assim, em um ciclo irracional de manias, euforias e crises. Em outras palavras, as bolhas de ativos surgem, crescem e explodem porque compras de ativos promoveram a valorização prevista.

    Não estou sugerindo que o mercado seja uma instituição de coordenação econômica que possamos dispensar. É insubstituível. Mas desde que permanentemente regulado e rerregulado por quem é mais racional: o Estado.


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