Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Maluf ? O FHC podia se aliar a ele

O Maluf visitava a Folha e os editores o recebiam como se fosse Jean-Paul Sartre.

O Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante Frank.

Trata-se da época em que o Maluf era um santo.

“Seu” Frias era vivo,  o Maluf visitava a Folha (*) e os editores o recebiam como se fosse Jean-Paul Sartre.

Na hora de o Luiz Carlos Santos (um santo !) levar o Maluf ao colo do Farol de Alexandria, o PiG (**) o empunhava como se o Cerra levasse a imagem de Nossa Senhora da Aparecida a Fátima.

Nesse sinistro capítulo, quem joga a primeira pedra ?

Frank

PH, em tempo de críticas ao Lula pela aliança com o Maluf, segue memorável transcrição da entrevista de Mário Covas no Roda Viva em 1998 (o vídeo não traz esta parte, infelizmente):


Memória Roda Viva: Mário Covas


Luís Costa Pinto: Governador, incomoda ao senhor entrar na campanha tendo que explicar a sua administração?  Tendo que explicar a negociação do Banespa e olhar para o lado e ver que o seu principal adversário que, em alguns momentos, o senhor responsabiliza, em todo ou em parte, pela situação de São Paulo, estar ao lado daqueles que foram aliados do senhor historicamente, quer dizer, está o Maluf ao lado do Fernando Henrique… em outros estados, é o Fernando Henrique ao lado do Antônio Carlos Magalhães [1927 – 2007. Governou a Bahia por 3 vezes. Foi eleito senador pelo estado em 1994 e 2002], na Bahia; por exemplo, é o Fernando Henrique ao lado do Marco Maciel [foi deputado, governador de Pernambuco e vice-presidente da República entre os anos de 1995 a 2002. Foi eleito senador em 2003], em Pernambuco, ou seja, os adversários históricos de vocês… O que irrita mais o senhor, incomoda mais o senhor na campanha, aqui em São Paulo? É explicar isso, a matemática da sua gestão, ou é explicar para o eleitor as alianças que foram feitas e porque o senhor não está integralmente, não tem um apoio integral do presidente que estava ao lado do senhor?


Mário Covas: Eu não tenho explicações a dar. Eu não estou na defesa. Eu tenho como atacar! [ri] Eu estou oferecendo para vocês uma oportunidade de escolher o terreno, qualquer que seja, para a gente discutir administrativamente quem fez mais. No plano político, podemos discutir também. No plano moral podemos discutir também. Eu não vou me colocar na defesa. Não tenho explicações a dar. Eu posso justificar cada uma das minhas atitudes, até porque tenho o dever de fazer isso. Mas eu não estou na defesa, não.


Luís Costa Pinto: O senhor acha que o presidente tem explicações a dar em relação à divisão de palanques dele em São Paulo?


Mário Covas: O presidente Fernando Henrique? O presidente Fernando Henrique tem toda a liberdade de ter o apoio que acha que deve ter. Acho até que é uma coisa boa que o Maluf está fazendo. A única coisa que eu concordo com o Maluf é no fato de estar apoiando o Fernando Henrique. Pela primeira vez ele está escolhendo o melhor candidato. Não é comum o Maluf fazer isso. Por outro lado, eu sei que o presidente sofre [abre as mãos], tem que receber até o Maluf. Ele está em um partido, o partido apóia muito bem, ele o recebe. É evidente que o perigo de receber o Maluf reside no fato de que, se você o recebe sozinho, quando ele sai, conta a versão que ele quiser. Não importa se ela é verdade ou não…



Clique aqui para ler “Cerra não tem moral para falar do Maluf”.

Clique aqui para ler sobre “as ambulâncias do Cerra, onde os aloprados nasceram de parto natural”.

E aqui para ler sobre “Lula, Maluf e o Churcho”.


Paulo Henrique Amorim
Na festa dos 80 anos, Maluf recebe convidado ilustre (Foto: Paulo Glandalia/AE)


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Globo: Dilma fracassa na Rio+20 e na Copa

O importante é que é tudo um retumbante fracasso. Como exatamente queriam os EUA.

O ansioso blogueiro assistiu fascinado ao ininteligível comentário da Urubóloga sobre a Rio+20 no Bom (?) Dia Brasil.

Miriam Leitão comenta participação de ONGs na Rio+20

Ininteligivel, mas muito claro: a Rio+20 fracassou por causa do Brasil.

A diplomacia brasileira perdeu todas.

As ONGs deram uma surra no Itamaraty.

O Brasil não tem ambição.

A Rio+20 é a Rio menos 20.

O desafio da Dilma – erradicar a pobreza é o maior desafio – não tem a menor importancia.

A proposta do presidente francês Hollande de adotar a “Tobin tax” sobre transações financeiras para ajudar os países pobres a evitar o desmatamento – ora, bobagem !, diz a Urubóloga, a Inglaterra é contra !

Sim, mas e daí ?

Vivemos no tempo da Rainha Vitória, quando o sol não se punha sobre o Império do Renato Machado ?

O importante é que é tudo um retumbante fracasso.

Como exatamente queriam os Estados Unidos.

E se os Estados Unidos assim queriam, o que ousariam dizer a Globo e seus notáveis neolibelistas (**) ?

Aliás, alguém viu um representante americano nessa Verde Assembléia ?

Clique aqui para ler por que o Vasco não quer nem ouvir falar em Verde.

Quanto a Hillary vai botar na mesa para ajudar as ONGS da Blábárina ?

O PiG (*) decretou o fracasso da Rio+20.

É só um ensaio para a Copa.

A Copa já é um fracasso.

Como se sabe, sob o comando do Brasil e sem o global Ricardo Teixeira, a Copa é, desde já um fracasso.

Não vai ter apito nem bandeirinha na Copa brasileira.

Agora, segundo o Casa Grande, na pelada desta quarta feira, o Ganso e o Neymar são, no momento, os melhores jogadores do Brasil.

Pelo que os dois fizeram ontem, imagine os piores, amigo navegante …

O que vai faltar na Copa vai ser a seleção do Galvão.

Mas, essa, segundo o Cleber Machado (narrador tão ausente quanto o Galvão) e os patrocinadores da Globo é um sucesso !

Em tempo: a manchete do Globo (impresso) é uma obra prima: “ONGs rejeitam documento da Rio+20; ONU cobra ambição”.

Estamos, então, amigo navegante, diante de uma “nova ordem mundial”.

Quem manda são as ONGs da Bláblárina, dos países ricos que derrubaram as florestas e não têm Código Florestal, do James Cameron.

Vamos ver se a Globo acata a opinião de algumas ONGs que o ansioso blogueiro conhece a respeito da linha editorial do jornal nacional. Ué, não é a voz das ruas que agora manda no pedaço ?

Esse “cobra ambição”… o amigo navegante já entendeu. Cobra da Dilma. A ONU cobra da Dilma.

Pela primeira vez na História a ONU (do Globo) cobra alguma coisa …

Israel, por exemplo, espera uma “cobrança” da ONU desde a metade do século passado.

Enquanto isso, o Estado Palestino espera Israel obedecer à “cobrança”.

Só pode ser “cobra da Dilma”.

Não foi o Governo Dilma que fracassou ?


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

PT tenta o suicídio em São Paulo

O desastre eleitoral que se abateu sobre o PT paulistano não poderia ser mais grave se a mídia e o PSDB o tivessem planejado. Por isso, a candidatura de Fernando Haddad sofreu um ferimento mortal do qual poderá até se recuperar, mas não será fácil.
A aliança entre o PP e o PT paulistanos, por si só, era difícil de aceitar. Mas a foto de Lula, Paulo Maluf e Haddad confraternizando entre si tornou intragável o que já era difícil de engolir. Além disso, a imagem será usada pelos adversários de Lula até o dia em que ele permanecer na política.
Dirão que a culpa é toda de Lula porque foi dele a decisão de fazer a aliança maldita “com Maluf”. Todavia, não é verdade. Apesar da falta de percepção do ex-presidente sobre a política paulistana Erundina poderia ter resistido, pois sabia da aliança.
Desistir da chapa de Haddad não isentou a ex-prefeita. Ela atribui tudo à foto, mas se aceitou a aliança contanto que não houvesse foto sugere que se tivesse sido feito tudo às escondidas não se importaria de estar ao lado de Maluf. A emenda saiu pior do que o soneto.
Se Erundina não tivesse renunciado haveria muito burburinho, mas, em alguns dias, tudo teria sumido. Contudo, como ela parece não ter convicções de seus atos deixou-se intimidar por uma militância embriagada, incapaz de enxergar prioridades.
Sim, a aliança com o PP de São Paulo é repugnante porque quem manda no partido, aqui, é Maluf. Em nível federal o partido não é dele, mas, em São Paulo, é. Todavia, a militância entregar o jogo por uma foto é condenar a cidade a continuar piorando.
Sem um bom prefeito, São Paulo continuará piorando. Caso Serra vença, o rumo em que a cidade está será mantido porque é ele quem a governa desde 2004. Se o eleito for Russomano,  Chalita ou Soninha talvez seja até pior, pois nenhum deles é administrador como o tucano ou Haddad.
A militância não quis saber. Agiu como manada. Insuflada por militantes tucanos travestidos de “petistas arrependidos”, começou a propagar slogans contra Erundina até que ela se deixasse intimidar e materializasse o desastre.
Claro que o erro maior foi de Lula. Subestimou a passionalidade da militância e superestimou Erundina e a si mesmo. Além disso, adotou uma postura autocrática ao empurrar Maluf pela goela de todos. Mas ele tem desculpa. Está voltando do inferno.
Não foi por falta de aviso, porém, que essa hecatombe ocorreu. Antes de qualquer um, ainda na sexta-feira passada publiquei post contendo denúncia contra Maluf. No sábado, elenquei as razões pelas quais aquela aliança maldita seria ruim. Mas não fiz escarcéu.
Todos poderiam ter marcado posição sobre a inconveniência da aliança, mas não era preciso fuzilar Erundina até que seu lado titubeante aflorasse.
Agora, se a candidatura Haddad não resistir, São Paulo pode vir a ter um prefeito pior do que Kassab  caso Serra não se eleja – ele ainda seria menos ruim do que seu pupilo. Seria pior, pois, um Russomano vencer. Ou, no limite do impensável, uma Soninha.
Todavia, há um fio de esperança. Conhecendo o povo de São Paulo, é mais do que certo que expressiva parcela da população não considera que se aliar a Maluf é se aliar ao demônio. Muito pelo contrário. O prejuízo real, portanto, pode ter sido pequeno ou até zero.
A menos, é claro, que a militância petista continue dando uma banana para São Paulo e fazendo jogo de cena sobre a aliança com o PP paulistano…
Por outro lado, talvez tenha sido bom Erundina não ser vice de Haddad. Ela seria um foco permanente de crises ao se deixar guiar pela mídia ou pelas redes sociais da internet. Ninguém consegue governar ouvindo só a opinião pública.
Por outro lado, bom seria se o comando da campanha de Haddad não continuasse repetindo as burradas da campanha de Marta Suplicy em 2008, que, como agora, decidiu jogar sua história no lixo usando as mesmas armas que os adversários – ou seja, o preconceito.
Usar o preconceito contra Kassab em 2008 ou se aliar ao restolho da política brasileira em 2012 são faces da mesma moeda, a moeda da ânsia de obter a vitória a qualquer preço. E o que é pior: apelando para “atalhos” que não se tem segurança sobre aonde vão dar.
Há um só caminho para Haddad vencer a eleição: há que fazer o povo pensar em sua vida e convencê-lo de que sabe como melhorá-la. Jogadas políticas espertalhonas são o campo em que a direita midiática joga. Não dá para vencê-la nesse campo.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nassif: “Erundina errou, pensou só em si, não nas suas bandeiras políticas nem nos seus movimentos sociais”

publicado em 20 de junho de 2012 às 13:02

Tenho um carinho histórico por Luiza Erundina.
Quando foi alvo de uma tentativa de golpe por parte do Tribunal de Contas do Município (TCM) devo ter sido o único jornalista a sair em sua defesa. Tinha o programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta, de público majoritariamente empresarial. Externei minha indignação que teve ter tido algum peso na decisão do presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Mário Amato, de visitá-la com uma comitiva de empresários, hipotecando-lhe solidariedade.
Defendia-a também quando operadores do PT criaram o caso Lubeca. E, recentemente, o Blog conduziu uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar Erundina a pagar uma condenação injusta dos tempos em que foi prefeita.
Sempre admirei sua luta pelos movimentos sociais, das quais sou periodicamente informado por irmãs lutadoras.
Por tudo isso, digo sem pestanejar: ao pedir demissão da candidatura de vice-prefeita de Fernando Haddad, Erundina errou, pensou só em si, não nas suas bandeiras políticas nem nos seus movimentos sociais. Foi terrivelmente individualista.
À luz das entrevistas que concedeu ontem, constata-se que os motivos foram fúteis. Estava informada da aliança do PT com Paulo Maluf; chocou-se com a foto  de Lula e Haddad com ele. Foi a foto, não a aliança, que a chocou.
A foto tem uma simbologia negativa, de fato. Aqui mesmo critiquei o lance. Mas apenas simbologia. Não se tenha dúvida de que, eleito Haddad, Erundina seria a vice-prefeita plena para a periferia, seria os movimentos sociais assumindo uma função relevante na administração municipal.
No entanto, Erundina abdicou dessa missão, abriu mão de suas responsabilidades em relação aos movimentos sociais, devido ao simbolismo de uma foto. Ela sabia que, eleito Haddad, seria mínima a participação do malufismo na gestão da prefeitura; seria máxima a intervenção de Erundina nas políticas sociais.
Poderia ter dado uma entrevista distinguindo essas posições, externando sua repulsa do malufismo, mas ressaltando a diferença de poder entre ambos.
Mas Erundina se sentiu preterida, não por Haddad, mas por Lula, que deixou-se fotografar com Maluf e não com Erundina.
Seu gesto foi para punir Lula, pouco importando o quanto prejudicaria seus próprios seguidores, os movimentos sociais. Ela abriu mão de um cargo que não era seu, mas de seus representados, para punir Lula.
E quem ela procura para a retaliação? Justamente os órgãos de imprensa que mais criminalizam os movimentos sociais, que tratam questão social como caso de polícia. Coloca a bala no revólver e o entrega à revista Veja. A quem ela fortaleceu? Ao herdeiro direto do malufismo na repulsa aos movimentos sociais: Serra.
Saiu bem na foto da mídia, melhor do que Lula com Maluf, mas a um preço muito superior. E quem vai pagar a conta são os movimentos sociais, pelo fato de sua líder ter abdicado de um cargo que a eles pertencia.
Leia também:
Reviravolta: Erundina não será mais vice de Haddad
Erundina descarta deixar chapa de Haddad: “Não sou de recuar”
Erundina: A vice que pode nunca ter sido

Pinto Jr, o Juiz-Censor do Paraná

O ansioso blogueiro pode supor, por exemplo, que não tem o direito de fazer uma critica ao filme “Tropa de Elite”.
    O ansioso blogueiro nao viu e não gostou


A Censura acabou com o regime militar, não é isso ?

Não, amigo navegante.

O Censor agora é o Juiz.

É o que alimenta, por exemplo, a alma do Daniel Dantas e o bolso de seus 1001 advogados.

Este ansioso blogueiro convive com este problema há algum tempo, como se percebe na aba “Não me calarão”.

Mas, poucas vezes se viu diante de tão inusitada decisão quanto a que acompanhou as duas ações que, com muito orgulho, acaba de receber.

São de autoria de um notável deputado tucano, o policial Francischini, de edificante carreira no Espirito Santo e no Paraná.

Um exemplo de policial a ser seguido !

Acompanha a ação inusitada decisão do Juiz-Censor José Roberto Pinto Junior, da 8ª Vara Cível de Curitiba.

Ele exige que um dos posts publicados sobre o exemplar policial seja retirado do ar, sob pena de multa diária.

O que, por si só já é um ato de Censura, uma vez que a ação ainda não foi julgada, mas o Juiz já resolveu interditar , antes de saber quem tem razão, o livre curso da liberdade de expressão.

Com alguma relutância, o ansioso blogueiro seguiu instrução de seu sensato advogado, Dr Cesar Marcos Klouri e fez o que o Juiz-Censor mandou fazer.

A decisão merece uma tese de Doutorado.

A certa altura, diz assim: o réu fica IMPEDIDO de publicar matérias SIMILARES !

Matérias similares !

Quer dizer que, além de calar a boca de um jornalista num texto especifico sobre a ampla e polêmica atuação do deputado, o ansioso blogueiro FICA IMPEDIDO DE TRATAR DE MATÉRIA SIMILAR.

“Similar”.

Os Censores do Regime Militar eram mais precisos.

Ou mais liberais.

O ansioso blogueiro pode supor, por exemplo, que não tem o direito de fazer uma critica ao filme “Tropa de Elite”.

O Conversa Afiada toma a liberdade (se é que ainda dispõe de alguma …) de encaminhar esse provavelmente impróprio post aos doutos Juízes Ayres Britto – gabcarlosbritto@stf.jus.br – e Eliana Calmon – gab.eliana.calmon@stj.jus.br

O Ministro Ayres Britto, como se sabe, determinou ao Conselho Nacional de Justiça que explicasse aos Juízes brasileiros que a “liberdade de expressão é irmã siamesa da Democracia”; que “a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”; e que Juiz não é Censor.

Sendo assim, o ansioso blogueiro e o blog Conversa Afiada deram cumprimento à ordem do Dr Pinto Junior e esperam que ele receba as recomendações do Ministro Britto e Dra Calmon com boa vontade – e humildade.
Em tempo: o escritório que defende o notável policial tucano é o “Kfouri&Gorski”. Por coincidência, “Kfouri” é o sobrenome que leva Miguel Kfouri Neto, maxima autoridade do Tribunal de Justiça do Paraná.


Paulo Henrique Amorim, cidadão brasileiro, protegido pela Carta de 1988, e que vai continuar a analisar a carreira do deputado e policial Francischini, porque ele não está acima de Lei.

Julian Assange foge para a Liberdade

Julian Assange escapa de prisão domiciliar e pede asilo ao Equador 
Fundador do Wikileaks estava detido no Reino Unido sob ameaça de ser extraditado para a Suécia
Opera Mundi

Após ter sua extradição para a Suécia determinada em última instância pela Justiça britânica, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, fugiu de sua prisão domiciliar e se alojou na Embaixada do Equador no Reino Unido. Ele agora pede asilo político ao governo de Rafael Correa.

A informação é do chanceler do Equador, Ricardo Patiño, que informou nesta terça-feira (19/06) que o jornalista solicitou asilo político ao país. De acordo com o diplomata, o requerimento já está sendo avaliado.

Patiño disse à imprensa que Assange enviou uma carta ao presidente do país andino, Rafael Correa, na qual afirma que existe "perseguição" política contra ele.

A Corte Suprema britânica anunciou na última quinta-feira (14/06) que o recurso feito por Assange após ser condenado à extradição para a Suécia foi negado. A partir de agora não restam mais possibilidades de reversão da sentença do jornalista dentro da Justiça do Reino Unido.


Com a apelação julgada “sem mérito” pelos magistrados britânicos e com a autorização para extradição, a equipe de advogados de Assange havia ficado apenas com a opção de recorrer à Corte Europeia de Direitos Humanos em Estrasburgo.

"A Corte Suprema do Reino Unido desestimou o pedido apresentado por Dinah Rose, advogada do Sr. Julian Assange, que buscava reabrir sua apelação", declarou a máxima instancia judicial do país na ocasião.
Os magistrados haviam aprovado a extradição de Assange no fim do último mês de maio. Contudo, sua defesa decidiu reabrir imediatamente a causa requerendo a revisão da sentença que autorizava a extradição.

O fundador do WikiLeaks, que revelou milhares de documentos confidenciais da cúpula política, diplomática e militar dos EUA, foi detido em Londres mediante uma  ordem de extradição movida pelas autoridades da Suécia. Durante todo o decorrer de seu julgamento, viveu sob fortes medidas de segurança na mansão de um amigo seu no sudeste da Inglaterra. Ele recorreu da decisão ao Supremo depois de o Tribunal Superior aprovar seu envio à Estocolmo em novembro do ano passado.

Missão cumprida, Erundina

Absolutamente ridícula a atitude de Luiza Erundina, primeiro topando e depois desistindo de uma candidatura que jamais a interessou. Se a ideia era ajudar Serra, missão cumprida. Há grande júbilo tucano pela atitude dela. Por que será? Preocupação com a integridade programática do PT, certamente não há de ser. Ou, quem sabe, prazer de ver o adversário em crise?

É de um farisaísmo repulsivo essa conversa de que o PT "trai" o que quer que seja, ao aliar-se ao PP em São Paulo. O partido estava praticamente fechado com o PSDB e ninguém dizia nada, não havia questão ética alguma - como se Maluf não fosse adversário histórico também dos tucanos. Bastou o PT passar a perna no PSDB e temos um coral de moralismo, a nos recordar o que é virtuoso na política.

Vá em paz, Erundina. Fique em paz com a sua consciência, se trabalhar pelos tucanos de São Paulo é algo que a tranquiliza.

A ostentação deveria ser crime

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Os arrastões em restaurantes chiques na capital paulista já tiveram uma consequência, além de aumentar o número de seguranças privados: estão aflorando o que há de pior na elite bandeirante. Já estava ouvindo aqui e ali mais bobagens e preconceitos que o de costume, mas Mônica Bergamo e equipe, em sua coluna na Folha de S. Paulo desde domingo (17), reuniram vários deles em um pacotão – pelo qual sou imensamente grato.


Se o planeta não for gratinado por nossa ignorância no meio do caminho, tenho certeza que uma sociedade mais avançada vai utilizar esse texto para entender o que deu errado em uma cidade como São Paulo. E não estou falando dos arrastões, mas do discurso bisonho de nossa elite.

Não tenho medo de ser assaltado em meu carro porque não tenho carro. Não receio que levem minhas jóias ou meu relógio caro porque não tenho relógio. Não fico com pavor de entrarem na minha casa e levarem tudo porque meu bem mais precioso é um ornitorrinco de pelúcia. Não me apavoro em andar na rua à noite a não ser por conta do risco de chuva. E por mais que vá a bons restaurantes de vez em quando, devo ressaltar que nunca fui assaltado em nenhuma barraca de cachorro-quente… Acho que já deu para entender o recado. Não tenho medo da minha cidade porque, tenho certeza, ela não precisa ter medo de mim.

Ostentação em um país desigual como o nosso deveria ser considerado crime pela comissão de juristas que está reformando o Código Penal. Eles não estão propondo que bulling seja crime? Ostentação é mais do que um bulling entre classes sociais. É agressão, um tapa na cara.

Mais do que uma escolha pelo crime, a opção de muitos jovens pelo roubo é uma escolha pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida. Não defendo essa opção, mas sabemos que, dessa forma, o jovem pode ajudar a família, melhorar de vida, dar vazão às suas aspirações de consumo – pois não são apenas os jovens de classe média alta que são influenciados pelo comercial de TV que diz que quem não tem aquele tênis novo é um zero à esquerda. Ganhar respeito de um grupo, se impor contra a violência da polícia. Uma batalha que respinga em nós, que temos responsabilidade pelo o que está acontecendo, seja por nossa apatia, conivência, desinteresse, medo ou incompetência. A polícia e os chefes de quadrilhas puxam os gatilhos, mas nós é que colocamos as balas na agulha que matam os corpos e o futuro dessa molecada.

Os carros blindados levam para as ruas da cidade a sensação de encastelamento dos condomínios fechados, das mansões muradas, dos shopping centers ou restaurantes caros. Sentimento falso, pois não são muros e chapas de aço que irão garantir segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, as “hordas bárbaras” vão engolir a “civilização”. “Hordas” que estão chegando cada vez mais perto, como reclamam os mais ricos.

São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, mas apenas uns poucos são efetivamente cidadãos, com acesso a todos os seus direitos previsto em lei. Lembra a antiga Atenas, com uma democracia para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto uns aproveitam uma vidinha “segura” dentro de clubes, restaurantes, boates, lojas, residenciais e carros, outros penam para sobreviver e ser reconhecidos como gente. Para cada assassinato em Moema, mais de 100 são mortos no Grajaú. Só que a morte de uma jovem em Moema causa mais impacto na mídia do que a de 100 no Grajaú. Ou no Campo Limpo, bairro em que cresci. A gente fica sabendo por lá que tem vida que vale mais que outras, por causa do dinheiro.

Qual a causa da violência? A resposta não é tão simples para ser dada em um post de blog, mas com certeza a desigualdade social e a sensação de desigualdade social está entre elas. Muito do preconceito presente nos comentários trazidos pela coluna da Folha abaixo vai no sentido contrário a uma solução, isolando os ricos ainda mais, deixando-os alheios ao resto da cidade (por ignorância ou má fé). Corta-se com isso a dimensão de reconhecer no outro um semelhante, com necessidades, e procurar um diálogo que construa algo e não destrua pontes. Há riscos de assaltos? Sempre há e eles vão acontecer, ainda mais em um território que muitos têm e outros minguam. Mas deve se ter em mente que há atitudes que pioram o quadro.

Temos que garantir liberdades individuais e a segurança de usufruí-las. Combater a violência, garantir o direito de sair sem ser molestado. Mas isso só será possível com uma sociedade menos desigual e idiota. Ou a cidade será boa para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar sua pax paulistana.

Seguem os melhores momentos da coluna de Mônica Bergamo:

São Paulo “tá um porre total, um tremendo baixo-astral”. Desde que começou a onda de arrastões em restaurantes da cidade, a socialite e tradutora Alexandra Silvarolli, a Alê, mudou a sua rotina. “Tô jantando mais cedo. Vou às 20h30 e me ‘pico’ do lugar às 22h30.” Ela também adotou uma política de redução de danos quando sai: “Tiro minhas joias, total”.

As estratégias para enfrentar esse momento chato têm sido mais ou menos as mesmas: jantar mais cedo, usar roupas básicas, tipo jeans, para não chamar a atenção, esconder o celular, providenciar a “bolsa do ladrão”: aquela que não tem nada dentro e que não fará muita falta se for surrupiada.

“Tô morrendo de medo. Se levarem uma bolsa Hermès minha, vou chorar mais do que tudo”, diz a decoradora Alessandra Campiglia, grudada em sua Chanel. “Saio de casa sem nada. Meu marido leva a carteira dele.”

“Às vezes [você] senta em cima do celular no restaurante [para escondê-lo do ladrão]. Mas, com uma arma na cabeça, eu faço o que for. Quando me roubaram o carro, levaram até a nécessaire com absorvente”, diz a apresentadora Barbara Thomaz.

Outra novidade é o “celular do ladrão”. “Já saí sem meu Blackberry. Levo um telefone bem antigo, daqueles vagabundos”, diz Ana Tosto, mulher do advogado Ricardo Tosto. “Outro dia, fui na Vila Madalena e pensei: ‘Vou com uma roupa discreta, uma calça jeans’. Só uso aliança e um brinco de bijuteria. Mas deixar de sair eu não vou.”

O medo está no ar e é assunto das rodas no circuito Jardins/Higienópolis/Morumbi/Itaim Bibi. São bairros repletos de seguranças privados. Ainda assim, viraram alvo de quadrilhas.

O arrastão ao restaurante La Tambouille, no Itaim, há duas semanas, foi um marco. “Uma surpresa! Tá cada vez mais perto da gente. Os ladrões estão audaciosos!”, diz Carola Porto, sócia da Agenda Black, grupo no Facebook que reúne mulheres de alto poder aquisitivo.

“É um absurdo você ir a um restaurante e pensar que pode ser metralhada. Teve arrastão em vários que a gente frequenta. O La Tambouille… Acho absurdo, surreal”, diz Talita de Gruttola, voluntária no Hospital do Câncer.

“São lugares aonde a gente vai sempre. O La Tambouille, o Carlota, gente! E a Lanchonete da Cidade [nos Jardins]? É do lado de casa, vivo lá com minhas filhas! Há dois meses comecei a ir só a restaurantes de shoppings: no Rodeio do Iguatemi, no Ritz do Iguatemi, no Empório Central e na Lanchonete da Cidade do Cidade Jardim”, diz a advogada Luciana Natale.

Numa roda de amigas que na semana passada se encontraram em evento beneficente na joalheria de Jack Vartanian, nos Jardins, ela fala da nova rotina. Champanhe na mão, conta que o grupo se reúne uma vez por semana para almoçar. “Agora estamos indo ao clube Paulistano [na rua Estados Unidos]. Como somos todas sócias de lá, fica mais fácil e seguro. Dá para entrar, estacionar o carro.” Daniela Cilento, uma das amigas, diz que não tem “medo de nada, nada. Se bem que já passei por uns sustos”.

Recentemente, almoçava no Girarrosto, na avenida Cidade Jardim. “Entra um cara mal vestido gritando para os seguranças: ‘Não me bate, não me bate’. A Mika [sua amiga] já foi tirando o relógio, escondendo a bolsa. Era um mendigo.” “É o que menos me assusta, sabia?”, diz Luciana. “Mas você hoje não sabe se é mendigo ou se vai tirar uma arma”, diz Dani. “Um cliente deu R$ 10 para o homem, que disse aos seguranças: ‘Tá bom, eu saio. Mas vocês não vão me bater lá fora, né?’.”

Chef de cozinha, Paula Passos conta que “no Kosushi [Itaim] é que é legal. Tem um segurança de uns 3 m de altura!”. Mostra a foto que fez do funcionário no celular. “Duvido que assaltem lá.”

“No dia em que tiver carro blindado, prefiro mudar de país”, diz Dani Cilento. “É melhor morar na Suíça, né?”, responde Paula. “Ah, não. Deixar o Brasil? Prefiro ter um carro blindado”, afirma Luciana. “Tem que fazer como nos países árabes: roubou, corta a mão”, sentencia Dani.

A modelo Cassia Avila afirma que tem “orado para Jesus”. E evita andar a pé.

Na semana passada, percorreu de carro os dois quarteirões que separam a joalheria do marido, Jack Vartanian, na rua Bela Cintra, e o restaurante Gero, na rua Haddock Lobo. Nas lojas vizinhas ao restaurante da rede Fasano, 15 seguranças cuidam das vitrines de Dior, Louis Vuitton e NK Store. Nem assim ela se sente segura.

Quando Cássia tentou entregar o carro ao manobrista, um marronzinho disse que a multaria. “Olha isso, ou você é multado ou assaltado.” Ela está no limite. “Não dá mais pra morar no Brasil. Nossa filha [de nove meses] vai estudar em escola americana. E depois vamos nos mudar.”

Para não abrir mão do prazer de jantar fora, Carola Porto diz que começou a frequentar os restaurantes que já foram assaltados. “Eu acho que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar. No sábado eu fui ao La Tambouille. Tava tranquilo.”

“Com essa história de arrastão, prefiro convidar as pessoas para jantar na minha casa”, diz a administradora Flavia Sahyoun. “Roubam tanto no Brasil que pensam que todo mundo que tem dinheiro é porque roubou e não porque trabalhou. Virou um país tão avacalhado…”

Depois do assalto à pizzaria Bráz, em Higienópolis, que ela frequentava, a atriz Laura Neiva pede comida em casa. “Tenho um pit bull e agora só ando por Higienópolis com ele.” Outro morador do bairro, o humorista Tom Cavalcante não corre mais nas ruas. “Amo SP e estou muito triste.” Ele também evita ir a restaurantes.

A consultora Fabiola Kassin só vai a lugares “dentro de shopping, de tudo. A gente vai no bar do [hotel] Fasano, no [hotel] Emiliano. Infelizmente, virou isso, uma bolha, não tem como estourar”.

“Alguém tem que tomar atitude. Sei lá, governo. Daqui a pouco, o Exército entra na rua. Está mais seguro morar no Rio do que aqui. Está ridículo. No Rio você para no quiosque e toma uma cerveja. Aqui não posso nem ir ao bar da esquina. Não tem mais rico, pobre, assaltam qualquer coisa, boteco, restaurante. Virou uma zona. Quando saio, tiro tudo, tu-do!”.

O hábito já gerou aborrecimentos paralelos. Outro dia, Fabiola desparafusava uma pulseira para tirá-la do braço, escondendo a joia enquanto comia pastel nos Jardins. “Perdi o parafuso.”

“”É um absurdo você ir a um restaurante e pensar que pode ser metralhada” – TALITA DE GRUTTOLA
“Celular eu levo dois, se roubarem um o prejuízo não é tão grande.” – CAMILA DINIZ
“São lugares aonde a gente vai sempre. O Tambouille, o Carlota, gente!” – LUCIANA NATALE
“Tem que fazer como nos países árabes: roubou, corta a mão” – DANI CILENTO


PS: O texto ganhou uma boa repercussão, o que é ótimo. Não precisam concordar comigo, aliás prefiro que discordem. E podem me espinafrar à vontade – o nipobrasileiro é, acima de tudo, um forte. Mas, por favor, vamos interpretar o texto, vai! Por exemplo, o que o blogueiro quer dizer quando afirma que seu bem mais precioso é “um ornitorrinco de pelúcia”? Será que ele não tem cama, nem TV, nem computador ou celular e vive apenas com um felpudo animal em uma choupana, tecendo sua roupa com linho que colheu do campo e cultivando seus próprios remédios? – rs. Teve gente que procurou desesperadamente na internet para provar que eu tenho smartphone ou notebook. Pessoal, se lessem meu blog diariamente veriam que eu mesmo já escrevi várias vezes que tenho ambos (carro não adianta porque não tenho mesmo). E discuto as contradições do capital. Mas este texto não é sobre ter, mas como nos relacionamos com esse “ter”. E o medo de perder e deixarmos – com isso – de “ser”. E o que é precisar “ter” para “ser” e os impactos disso na sociedade. Prometo voltar ao assunto mais tarde. Enquanto isso, discutam de maneira saudável.

Por que o jn ignorou a Erundina. Porque o Lula não morreu

Noticiar a Erundina seria levar o Haddad ao jornal nacional. O que demonstraria que o Lula não morreu.
Dizia-se na Globo que, uma vez, o Dr Roberto saiu-se com essa: o Boni pensa que isso aqui é um circo; isso aqui é uma usina de poder.

Ali, não tem nada por acaso.

A Erundina entrou na chapa do Haddad, na mais importante eleição do pais.

O jn não deu.

O Lula se encontrou com o Maluf.

O jn não deu.

Erundina disse que sentia “desconforto” com a ida do Lula ao Maluf.

O jn não deu.

Apesar disso, a Erundina disse que ia ficar na chapa, porque era uma política “de partido”.

O jn não deu.

A Erundina disse que ia sair.

O jn não deu.

Por que, amigo navegante ?

Nada disso teve importância ?

Não, amigo navegante.

Porque, ao contrário do que disse a Folha (*), o Lula não morreu.

Noticiar a Erundina seria levar o Haddad ao jornal nacional.

O que demonstraria que o Lula não morreu.

As notícias sobre a morte do Lula são manifestamente exageradas.

Como também são exageradas as mervais especulações de que ele perdeu o juízo.

Agora, aqui entre nós, amigo navegante: em quem você aposta – no Cerra ou no Haddad.

No “novo” ou no “velho” ?

Quantos malabares – não deixe de votar na enquete trepidante “quem vai ser o vide do Cerra?” – o Cerra vai equilibrar na eleição ?

A Privataria.

A Delta e o Paulo Preto.

O Robanel e o Paulo Preto.

O Aref.

As ambulâncias super-faturadas.

O aborto no Chile.

A bolinha de papel.

O cano de Sergipe ao Ceará.

Os Brucutus.

Como é que ele entrou nos Estados Unidos, depois de fugir do Chile (e do Brasil) como “subversivo” ?

O “meu presidente !”

O diploma de engenheiro.

O diploma de economista.

Os genéricos do Jamil Haddad.

A Aids do Jatene.

Até agora, em 25 anos de vida pública, Cerra contou com a impunidade.

Com a manipulação do PiG (**), já que, em histórico pronunciamento, a revista Veja, o classificou de “elite da elite”…

Até agora, num mundo sem blogosfera, ele dava três telefonemas – ao Dr Roberto, Seu Frias e Dr Ruy – e controlava a opinião de milhões de brasileiros.

Agora, esses aí estão nas mãos de uma “geração perdida” de herdeiros.

A impunidade acabou.

Um desses malabares vai cair.

Porque, como diz aquele navegante pragmático, ele perdeu um minuto e meio para difundir a treva.

Talvez seja isso o que faltou à brava Erundina entender: está na hora de dar o bye-bye ao Cerra.

Cerra é o mais importante representante da extrema-direita obscurantista, opusdeica no Brasil.

Chega de impunidade.

Não é isso, Flavio Bierrembach ?


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é ,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

O complicado assunto neonazi na Alemanha

Dossiê das duas agências do Serviço Secreto Federal Alemão indica que é inteiramente falsa a difundida e, na verdade, nunca contraditada versão de que grupos de esquerda, como o chamado grupo "Baader-Meinhof”, teriam ajudado os membros da facção palestina Setembro Negro que assaltaram o prédio 31 da Vila Olímpica em Munique, onde se hospedava a delegação israelense, durante os Jogos Olímpicos de 1972. A conexão do Setembro Negro, na verdade, teria sido com neonazistas. O artigo é de Flávio Aguiar.

Enquanto os eurolíderes se debatem com a banca financeira, por ela comprimidos agora na Espanha, novo(?) elo fraco na cadeia, enquanto a Itália está na sala de espera da UTI, o complicado assunto neo nazi voltou a mostrar o nariz – e a cara inteira – na Alemanha.

A revista Der Spiegel (versão em inglês) trouxe à luz copioso noticiário, a partir de um dossiê de duas mil páginas das duas agências do Serviço Secreto Federal Alemão (Bundesamt für Verfassungsschutz e Bundesnachrichtendienst), sobre ser inteiramente falsa a difundida e, na verdade, nunca contraditada versão de que grupos de esquerda, como a RAF (Rote Armee Fraktion, também conhecida indevidamente como “Grupo Baader-Meinhof”), teriam ajudado os membros da facção palestina Setembro Negro que assaltaram o prédio 31 da Vila Olímpica em Munique, onde se hospedava a delegação israelense, durante os Jogos Olímpicos de 1972.

No assalto, os oito assaltantes mataram dois dos israelenses (um atleta e um treinador) e sequestraram outros nove, no dia 5 de setembro. Queriam troca-los por 234 prisioneiros palestinos e também por alguns prisioneiros da RAF, fato que, entre outros, levaram à “conclusão” de que essa organização alemã os tinha ajudado.

No dia 6, ao tentarem embarcar num avião que os levaria para fora do país, num aeroporto militar, foram interceptados por uma operação anti-terrorista das Forças Armadas alemãs, o que redundou numa catástrofe. Os assaltantes mataram todos os reféns (embora haja a suspeita de que alguns deles possam ter morrido no fogo cruzado). Dos oito terroristas, cinco morreram na hora e três foram presos. Mais tarde esses três foram libertados através do sequestro de um avião da Lufthansa. Mas dois deles morreram em operações posteriores do Mossad, que eliminou quase todos os suspeitos de participação ou planejamento no ataque de Munique. O terceiro assaltante vive até hoje na clandestinidade, enquanto o idealizador do sequestro, Abu Daoud, morreu em 2010 de causas naturais.

O dossiê comprova que Abu Daoud tinha uma estreita ligação com Willi Pohl, hoje beirando os 70 anos, que conseguira-lhe pelo menos carros para a operação, além de levá-lo a viajar por toda a Alemanha. Há a possibilidade de que Pohl tenha conseguido também armas, embora ele, numa entrevista à própria Der Spiegel, o negue. Em todo caso, colocou Daoud em contato com Wolfgang Abramovski, reconhecido falsificador de documentos que, levado para as cercanias de Beirute, provavelmente forneceu passaportes para o grupo.

Ocorre que Pohl e Abramovski não eram membros de nenhum grupo terrorista ou não de esquerda, mas sim de uma célula neonazista, e foram denunciados à polícia ainda antes dos acontecimentos de Munique, inclusive sobre a ligação com Daoud, por um ex-colega de militância e pelo ex-patrão do primeiro, de quem ele tomara algum dinheiro.

Depois do conhecido “Massacre de Munique”, Abramovski e Pohl foram presos, em outubro daquele ano, de posse de considerável arsena de armamentos, panfletos e cartas ameaçadoras ao juiz que dirigia o processo contra os três sobreviventes da tragédia, parte de um primeiro plano para libertá-los, que evidentemente não foi adiante. Desde então o Serviço Secreto alemão já sabia que a conexão alemã do Setembro Negro era neonazi, e não esquerdista, como comprovam mensagens trocadas pelas agências envolvidas, que nunca vieram a público – até esta semana.

É claro que restam milhares de luzes e perguntas acesas e ainda sem respostas sobre esse caso e esse dossiê. Algumas delas:

1) Se agisse de modo mais consistente, investigando a fundo as denúncias que recebera, o Serviço Secreto alemão poderia ter evitado o sequestro?

2) Essa é mais uma operação neonazi na história alemã pós-Segunda Guerra que “passa batida”, num primeiro momento, por essas agências e que a opinião pública fica com a versão de que seriam outros os implicados. Qual o significado disso?

3) Grupos de esquerda – a RAF em particular – foram acusadas de forma disseminada de participação na tragédia. Nada se fez durante quatro décadas para desmentir essa acusação. Por quê? (É verdade que declarações bombásticas de mebros da RAF, inclusive de Ulrike Meinhof, ajudaram a forjar essa impressão, mas tudo, hoje está comprovado, era blefe, não realidade).

4) Surpreendentemente, quando julgados em 1974, Pohl e Abramovski receberam penas extremamente leves, somente por “posse ilegal de armas”. Por que? O que isso significa?

Para arrematar: segundo a revista, Pohl hoje nada tem a ver com terrorismos ou com quaisquer atividades neonazis. É autor (de sucesso) de histórias policiais, inclusive como roteiros de TV, com outro nome, é claro.
De Abramovski não se tem notícia.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Os gregos em Los Cabos e as intrigas no continente

 

 JB online:

Mauro Santayana


Há uma curiosa interpretação dos resultados eleitorais da Grécia – a de que a direita ganhou as eleições. O que as urnas revelaram foi a vitória da razão nacionalista: tanto os conservadores da Nova Democracia – não tão conservadores assim – quanto a extrema-direita e a coligação de esquerda Syriza, defendem uma postura de resistência contra as exigências da Europa, ditadas pela chanceler Ângela Merkel. O Pasok, provável parceiro de Samaras no governo, tampouco se encontra à direita do espectro.
Apesar de todo o simbolismo da Grécia, que teve seu fulgor no tempo clássico, e se escondeu da História até recentemente, o problema do mundo não se encontra em Atenas. Ele, como o diabo, está em todos os lugares. Como temos insistido, ele é de natureza política e se resume na aspiração das finanças internacionais em criar um estado único universal, sob seu domínio direto e tirânico, com a definitiva escravização dos povos,  e a resistência do sentimento nacionalista e da razão humanística. Para lembrar que o vocábulo problema vem do léxico grego (proboulema significava projeto de lei enviado à Boule, ou seja, ao parlamento de Atenas), a questão é sempre política.
É uma luta que se encontra na alma histórica do Ocidente. A Igreja presumia ter herdado o imperialismo romano, e os anglossaxões, têm buscado, desde o século 16, ocupar o mando, ao substituir o Sacro Império,  primeiro a partir de Londres e, mais tarde, de Washington.
A capital do mundo, nestes dois dias, se deslocou para Los Cabos, com a reunião do Grupo dos 20.  Ontem, segunda-feira, o New York Times publicava matéria sobre a “nova rivalidade” no universo latino-americano, entre o México e o Brasil. Segundo a análise, o Brasil está perdendo espaço para o México, que –  como é óbvio – segue integralmente a cartilha neoliberal e se encontra condenado pela natureza e pela história a viver encostado nos Estados Unidos, como  irmão xifópago atrofiado: não podem separar-se os dois, a menos que uma catástrofe planetária abra o mar ao longo da fronteira. Nem podem integrar-se, embora a fatalidade demográfica, com a predominância mestiça, e a força genética, possa expulsar, com o tempo que se torna veloz, a cultura da Nova Inglaterra.
De acordo com o texto do jornal de Nova Iorque, estamos, os brasileiros, dependendo da China, que importa as nossas mercadorias, enquanto indústrias americanas, no México, competem com o país asiático, suprindo o mercado norte-americano, em condições competitivas com os chineses. Em suma, a recessão chinesa significará uma desgraça para o nosso país.
As coisas não são tão simples assim. A própria matéria do jornal americano lembra que temos dois trunfos. O primeiro deles é o da política social, com o crescimento do mercado interno. O outro é o de que as circunstâncias, ao nos fazer parceiros da China, nos fazem seus companheiros de viagem – pelo menos nesse trecho histórico. Faltou, ao falar na China, referir-se aos Brics.
Pela primeira vez, na Idade Moderna – isto é, no meio milênio que nos separa do Renascimento e da descoberta do hemisfério em que vivemos – uma realidade geopolítica nova abre  cunha no sistema internacional de poder sob a hegemonia da Europa Ocidental (da qual os Estados Unidos são projeção geopolítica): a aliança entre os países que emergem. Ela rompe os marcos geográficos e se alicerça no fator humano, ao englobar a metade da população do mundo, que se encontram na Ásia, na África e no Brasil. E não nos esqueçamos que, na hora da decisão, o Mercosul se somará com o Brasil.
Mesmo que essa aliança não venha a ter futuro em horizonte mais longo, porque a História não é preguiçosa, essa coalizão pode definir o destino da Humanidade nas próximas décadas.
Assim, todas as previsões no curto prazo são meras especulações que atendem ao desejo dos analistas. Os gregos, açulados pela emergência, provavelmente encontrarão um caminho intermediário, entre a ruptura definitiva com o euro e a submissão a Berlim. Se se confirmar a decisão de Tsipras, de manter a coligação de esquerda na oposição, o governo a ser formado terá que dar alguma satisfação ao povo e ela só pode ser entendida na amenização das medidas de arrocho exigidas pela senhora Merkel.
O governo brasileiro tem a consciência de que as procelas atingirão também o nosso país. Daí as medidas de cautela que estão sendo tomadas. A reunião de Dilma com os governadores, embora não tivesse tom dramático, revelou a sua preocupação em assegurar a unidade institucional interna, sem prejuízo das divergências político-partidárias, que se acirrarão nestes dois anos próximos. A decisão de conceder empréstimos federais aos estados, para investimentos, em condições bem mais amenas do que as impostas por Fernando Henrique para a amortização das dívidas antigas, vindas  ainda do governo militar, serve a esse propósito. Estamos atingindo uma consciência republicana que separa as instituições permanentes do Estado das naturais divergências dos partidos, sujeitos às hesitações das circunstâncias.
O sentimento de nação sempre prevalece para erguer diques e quebra-ventos contra os vendavais planetários. Não devemos nos esmorecer na tarefa de buscar a unidade da América do Sul, e isso implica desdenhar as provocações externas que buscam criar arestas entre o Brasil e seus vizinhos. Somos suficientemente adultos para reconhecer a nossa força, e entender que devemos administrá-la com modéstia e prudência. De qualquer forma, há duas eleições que podem mudar tudo – além dos rumos que a Grécia tomará: as eleições presidenciais mexicanas dentro de poucos dias, e as eleições alemãs do ano que vem. De Washington nada devemos esperar de bom; se Obama nos quer cozinhar em banho-maria, Mitt Romney pretende assar-nos em fogo vivo.

Cunha e as verrugas da história mal contada

“Pinte-me como eu sou, com verrugas e tudo.”

Amaral de Souza: retocado... e Lorde Cromwell: com verrugas e tudo



O Conversa Afiada reproduz imperdível artigo de Luiz Claudio Cunha sobre as verrugas de um leal servidor dos militares, extraído da Sul21:



Amaral de Souza (1929-2012): As verrugas da história mal contada da ditadura

Por Luiz Cláudio Cunha
Especial para o Sul21
Pinte-me como eu sou, com verrugas e tudo.
(Oliver Cromwell, 1599-1658, Lorde Protetor do
Reino Unido, ao pintor oficial da corte, Peter Lely)
Um jovem mal informado ou desatento imaginaria que o Rio Grande do Sul perdeu um gigante, na quarta-feira (13), quando morreu o ex-governador gaúcho José Augusto Amaral de Souza, dois meses antes de completar 83 anos, vítima de complicações de um AVC que desde 2006 o confinava a uma cadeira de rodas. Ele ganhou honras de Estado, luto oficial de três dias e os discursos e elogios de praxe da generosa tradição brasileira, que cobre qualquer morto com a pátina da complacência e repinta biografias sem as cicatrizes, espinhas e rugas conferidas pela vida política.
“Um líder importante do Rio Grande”, definiu, com exagero, o governador Tarso Genro. Foi desenhado com linhas ainda mais indulgentes pelos sete políticos de partidos e tendências diversas que o sucederam no Palácio Piratini, a partir de 1982, por decisão exclusiva do voto popular: Jair Soares (PP), Pedro Simon (PMDB), Alceu Collares (PDT), Antônio Britto (PMDB), Olívio Dutra (PT), Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB). No limite da fidalguia, uns e outros louvaram Amaral pelos adjetivos piedosos que ocultam a rugosidade natural do último governador indicado pela ditadura dos generais de 1964: “conciliador, absoluto respeito pelos adversários, afável, vida pública sem máculas, atuação importante na política, administrador sério, importância fundamental na transição para a democracia, um amigo, grande companheiro”, e coisas do gênero.
Os sete sucessores de Amaral de Souza que alcançaram pelo voto popular o palácio que Amaral ocupou sem nenhum voto do eleitor gaúcho não cometeriam a deselegância de admitir publicamente o que muitos deles reconhecem mas ninguém diz: Amaral de Souza conseguiu ser a figura mais medíocre da safra dos quatro apagados governadores indiretos, escolhidos pelos quartéis, no período sem povo e sem liberdade que marcou o Piratini e o Rio Grande do Sul entre 1966 (dois anos após o golpe) e 1983 (dois anos antes da queda da ditadura). Ildo Meneghetti (PSD) só escapou dessa sina porque foi eleito pelo voto popular em 1962, quando o país ainda era uma democracia, e sobreviveu ao golpe militar até o final de seu mandato, em 1966, simplesmente porque era um dos golpistas embebido até a medula na conspiração contra o Governo Goulart.
A partir de Meneghetti, com o advento do bipartidarismo imposto pela nova ordem, só a legenda da ditadura podia chegar ao poder. Assim foi com os quatro governadores biônicos da ARENA, elevados sucessivamente ao poder com o indispensável beneplácito dos generais: Peracchi Barcelos (1966-1971), Euclides Triches (1971-1975), Synval Guazzelli (1975-1979) e Amaral de Souza (1979-1983). Só um regime de força pode explicar a inusitada aparição de um político de biografia tão pífia na galeria de 37 governadores do Rio Grande do Sul a partir da proclamação da República em 1889 — 19 deles eleitos pelo povo gaúcho. Amaral estreou na política partidária aos 30 anos, eleito vereador em sua terra natal, Palmeira das Missões, pelo velho PSD, partido conservador ligado às oligarquias rurais.
Virou deputado estadual em 1962, na chapa que elegeu Meneghetti governador, e deu sua tacada certeira dois anos depois, apoiando o golpe que seria a alavanca de sua improvável carreira. Com a extinção dos partidos em 1965, pulou para o barco da ARENA, sucessora do PSD e sigla de confiança dos generais. Amaral elegeu-se deputado federal em 1966, cultivou as estrelas certas em Brasília e ganhou em 1974 o posto sem voto de vice-governador na chapa de Synval Guazzelli. Não era uma homenagem a ele, mas um prêmio de consolação a seu padrinho político do ex-PSD, senador Tarso Dutra, frustrado pelo revés sofrido ante o adversário da ex-UDN, senador Daniel Krieger, que tinha emplacado o afilhado Guazzelli como governador.
Só o forçado atalho dos quartéis é que pode explicar, quatro anos depois, a surpreendente escolha do opaco Amaral como sucessor de Guazzelli. Seu cabo eleitoral tinha todas as luzes que ele necessitava: era o general quatro estrelas Fernando Belfort Bethlem, comandante do poderoso III Exército, a maior força terrestre do país, que reunia as tropas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Seu cacife melhorou ainda mais, em outubro de 1977, quando Bethlem trocou Porto Alegre por Brasília, para assumir o ministério do Exército, na crise que levou à demissão do ministro linha-dura Sylvio Frota pelo duríssimo presidente Ernesto Geisel.
Amaral tinha os amigos certos e os inimigos ideais para aqueles tempos verde-oliva. Seu adversário dentro da ARENA, na disputa sem voto pelo Piratini, era o deputado federal gaúcho Nelson Marchezan, um parlamentar de origem democrata-cristã que cometia um pecado mortal para os mandamentos da ditadura: flertava demais com a oposição, que fizera um esforço quase subversivo em 1966 para eleger um professor liberal, Ruy Cirne Lima, como governador por via indireta, na Assembleia gaúcha. A coligação antigolpe tinha 31 das 55 cadeiras, mas a cassação preventiva de oito deputados transformou a minoria arenista em maioria, a conta exata dos quartéis para eleger o coronel Peracchi Barcellos.
Marchezan ficou marcado pela ousadia. E piorou suas chances, em 1967, quando integrou a oposição na CPI que investigava o aparecimento do cadáver de um ex-sargento do Exército, ligado a Leonel Brizola, boiando nas águas do rio Jacuí, com marcas de torturas e as mãos atadas às costas. O assassinato do sargento Manoel Raimundo Soares — o ‘Caso das Mãos Amarradas’ — virou um escândalo internacional e serviu para Amaral amarrar politicamente as mãos de Marchezan e Guazzelli no decisivo colégio eleitoral dos generais que escolhiam com exclusividade os governantes.
O então vice-governador, com o olho e a ideia fixa na cadeira de titular do Piratini, cultivava com cálculo político os amigos militares que garantiam seu emprego, sua sobrevivência e seu futuro no regime. Nunca recusava o convite para uma partida camarada de cartas com o sucessor do padrinho Bethlem no comando do III Exército, o general Oscar Luís da Silva. Amaral e sua mulher, dona Miriam, eram parceiros fieis no joguinho de biriba com o casal Oscar e Marina na residência oficial do general, na mansão bem vigiada de uma esquina da avenida Cristóvão Colombo, no bairro Higienópolis.
Em março de 1976, o olho atento e o ouvido alerta de Amaral perceberam uma oportunidade preciosa para melhorar seu ibope no exclusivo colégio eleitoral dos generais. Numa sexta-feira, 19 de março, o MDB fez uma reunião política no maior produtor de soja do Estado, Palmeira das Missões, cidade de 65 mil habitantes, 374 km a noroeste da capital. Menos de mil pessoas lotaram o cine Gaúcho para ouvir uma dúzia de deputados estaduais e federais, comandados pelo líder do MDB gaúcho, deputado Pedro Simon. As duas figuras mais animadas da noite eram os federais gaúchos Nadyr Rossetti e Amaury Muller, destaques do bloco dos Autênticos, a ala mais radical do MDB. Nadyr Rossetti mandou brasa:
— A queda do regime é coisa certa. Se não for por podre, será pela corrupção.
Amaury Muller ecoou:
— Somos governados não pela vontade do povo, mas pela força das armas. Estamos em um regime de golpe, não de revolução, dominados pela aristocracia fardada.
A reunião acabou, sem maiores sobressaltos. Afinal, parecia apenas uma justa e previsível lambada de uma oposição sufocada, desabafando num cinema empoeirado do interior distante. Três dias depois, 22, uma segunda-feira, o encontro irrelevante num grotão gaúcho pipocou de repente em Brasília, na tribuna da Câmara dos Deputados, pela palavra veemente do deputado federal gaúcho Fernando Gonçalves, da ARENA, que deu relevo nacional ao encontro da província. Tudo ali tinha o olho, o ouvido e o dedo rígido de Amaral.
Por acaso, o deputado Gonçalves era o cunhado do vice-governador. Por fatalidade, Palmeira das Missões era a terra natal de Amaral. Por gentileza, um assessor do vice-governador conseguiu uma cópia da gravação com todos os discursos daquela noite no cinema. Por patriotismo, a fita do assessor de Amaral caiu nas mãos do parceiro de biriba, o comandante do III Exército. Na quarta-feira, 24, o agradecido general Oscar Luís da Silva embarcou para a reunião do Alto Comando do Exército em Brasília levando na pasta o mimo gravado pela turma de Amaral. Na quinta, 25, a manchete do jornal Correio do Povo dava a crônica da morte anunciada: “Discursos do MDB levados por Oscar Luís a Brasília”.
Rossetti e Muller foram cassados pelo AI-5 na segunda-feira, 29 de março. Graças ao ouvido sensível, ao olho bom e ao dedo ruim de Amaral de Souza, louvado na morte pelos seus sucessores no Piratini e seus esquecidos opositores na ditadura como “um amigo, grande companheiro, afável, conciliador, vida pública sem máculas e absoluto respeito pelos adversários…”.
Em setembro de 1977, um mês antes de assumir o ministério em Brasília, o general Bethlem operava em Porto Alegre como o cabo eleitoral mais graduado e decisivo para as pretensões futura de Amaral. Chamou ao QG do III Exército, na rua da Praia, o homem mais poderoso e influente da comunicação gaúcha — Breno Caldas, dono da Caldas Júnior, a empresa jornalística que, além do prestigiado Correio do Povo, tinha outros dois diários e uma rádio. No ranking de 1969 da revista Visão, o empresário despontava como o sexto homem mais rico do país. Na ficha dos militares, Breno Caldas era lembrado pelo apoio que dera ao golpe de 1964 e no enfrentamento diário a Leonel Brizola. Ao final do almoço, em pé para o cafezinho, cercado por meia dúzia de generais, Bethlem entrou de coturno no assunto:
— Dr. Breno, nós o convidamos para vir aqui pois queríamos ouvir sua opinião sobre o convite que desejamos fazer ao vice-governador Amaral de Souza para ser o próximo governador…
A democracia sem sutileza daqueles tempos era assim. General, e não o povo, é que ‘convidava’ alguém para ser governador. O Dr. Breno ficou surpreso.
— Como assim? A minha opinião?… Não conheço essa pessoa o suficiente para dar uma opinião, isto é, para emitir um conceito. Não tenho opinião formada a seu respeito. Poderia quando muito dar uma impressão… E que não é favorável!
Os generais se empertigaram, ainda mais curiosos.
— Mas… Qual é a sua impressão? Nós gostaríamos de saber…
Breno Caldas não se acuou diante das estrelas que o cercavam.
— A minha impressão é que ele está abaixo do nível necessário… Falta-lhe pelo menos um palmo e meio.
— Como assim? – perguntou o comandante do III Exército, espantado diante da inusitada régua de medição do empresário. – Em que sentido, Dr. Breno?
— Em todos os sentidos. Ele não tem estatura física, nem pessoal, nem moral…
Apesar do palmo e meio a menos, Amaral subiu as escadarias sem povo do Palácio Piratini em março de 1979, numa cerimônia que mais parecia um velório do que a festiva transmissão de posse entre dois companheiros de legenda. As fotos da época mostram a derrota fragorosa estampada na cara funérea de Guazzelli, fisionomia cerrada, cenho franzido, incapaz de esconder o constrangimento que teve de engolir — pela escolha dos quartéis e pela decisão irrecorrível do general Ernesto Geisel, o gaúcho de Bento Gonçalves cujo voto solitário prevaleceu sobre a vontade soberana de 6 milhões de gaúchos.
Esta, afinal, é a lógica das ditaduras.
O espantoso diálogo de Breno Caldas com os generais só vazou porque o próprio jornalista resolveu relembrar tudo aquilo, em fevereiro de 1983, em editorial por ele escrito e publicado na edição dominical do Correio do Povo para seus 100 mil assinantes, intitulado “Palmo e meio”. O empresário reagia à péssima notícia que recebera ainda na festa de inauguração do Polo Petroquímico do Sul, em Triunfo, a 52 km de Porto Alegre. O Banrisul, banco oficial do Estado, subordinado ao ainda governador Amaral de Souza, tinha entrado naquele dia na Justiça com uma ação executiva pela dívida da Caldas Júnior.
Mais de cinco anos após aquela esquisita conversa no QG, Breno Caldas resolveu contar ao mundo o que costumava circular apenas nas dobras mais íntimas do poder discricionário da época. Convertido de repente às virtudes do regime democrático que ajudou a derrubar em 1964, o Breno Caldas endividado de 1983 agora lamentava os pecados da escolha autocrática dos generais. Escreveu ele no editorial:
“Como o personagem em causa [Amaral de Souza] não foi submetido ao teste de uma eleição direta, mediante a qual existisse a possibilidade de consenso amplo, não sei se minha impressão, que depois se tornou opinião consistente, seria, ou não, aprovada pelo grande número. Não sei. Para mim, o que se viu não deixa dúvidas”.
Amaral de Souza, o personagem em causa, só chegou ao Piratini pela via oblíqua dos quartéis porque a ditadura sempre dispensa o ‘consenso amplo’ típico das democracias, tardiamente lembrado pelo nostálgico Breno Caldas. Apesar da falta de ‘estatura física, pessoal e moral’ anotada pelo mais importante jornalista gaúcho da época, Amaral escalou o Palácio Piratini com o braço amigo e a mão forte do Exército, que compensou sem sobressaltos o palmo e meio de sua escassa biografia política. Conseguiu ser o menor dos 36 homens e uma mulher que governaram o Estado, desde a República.
Com seus ralos 1m58, Amaral de Souza conseguia ser ainda mais baixinho do que Getúlio Vargas, que saiu da vida e entrou na história como líder de massas, regente por um quarto de século de um país redesenhado politicamente à sombra descomunal que se projetava de seu parco 1m60 de altura.
Amaral não correu jamais esse risco de grandeza, até porque ganhou notoriedade na política como um mero Amaralzinho, o diminutivo que explica melhor sua miúda passagem pela história.
Amigos apressados e adversários educados tentaram dourar sua morte com encômios pela conquista do Polo Petroquímico, de tão amarga memória para o desafeto Breno Caldas. Mas não passa de uma inverdade histórica, que tenta dar algum lustro ao reles mandato de Amaralzinho. A construção do terceiro polo petroquímico do país, que o Rio Grande do Sul disputava com São Paulo, Pernambuco e a Bahia do poderoso Antônio Carlos Magalhães, então presidente da Eletrobras, foi decidida em agosto de 1977 pelo general Ernesto Geisel, convencido por uma inédita união entre governo e oposição no sul.
De um lado, a ARENA do governador Synval Guazzelli e, de outro, o MDB de Pedro Simon, que controlava uma folgada maioria de 31 das 56 cadeiras da Assembleia Legislativa, onde se criou uma Comissão Especial. Pelo Polo de Triunfo, Guazzelli e Simon foram a uma inédita, rara reunião com Geisel em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. A vitória gaúcha ficou evidente quando Geisel reagiu, animado, diante da presença inesperada do MDB: “Como não aceitar um pedido de uma composição tão exemplar que a política do Rio Grande está dando como exemplo para todo o Brasil?”.
As digitais do pequeno Governo Amaralzinho se percebem com a aparição do inquieto CPERS, o Centro de Professores do Estado, que ocupou a praça da Matriz e infernizou a vida do governador ao longo de 13 dias de uma greve barulhenta pelo piso de 2,5 salários mínimos. A partir de Amaralzinho, nenhum governador mais pode festejar o silêncio do CPERS. Como uma maldição de Breno Caldas, morto em 1989 aos 79 anos, Amaral também deixou o governo endividado, com um aumento de 79,1% no rombo das contas públicas, obrigando o Estado a buscar recursos no Banrisul e no BRDE para cobrir o déficit operacional.
No final de 1980, Amaral promoveu o policial mais famoso do sul, Pedro Carlos Seelig, a delegado de quarta classe, o ponto mais alto da hierarquia da segurança. Era o contraponto ao crepúsculo do homem mais temido do DOPS gaúcho, cuja carreira entrou em declínio após o fiasco do sequestro dos ativistas de esquerda uruguaios Universindo Díaz e Lílian Celiberti e seus dois filhos, presos numa ação clandestina da Operação Condor, em novembro de 1978 em Porto Alegre, executada por agentes de Seelig e militares da repressão do Uruguai. Braço longo da repressão no sul, onde era conhecido como “o Fleury dos Pampas”, Seelig tinha a proteção incondicional da área militar, que sempre merecia atenção especial de Amaral.
Isso não impediu que, em maio de 1982, um ano após o frustrado atentado do Riocentro que escancarou a ação terrorista do DOI-CODI, Amaral tomasse uma ousada decisão: extinguiu o DOPS de Seelig. O secretário de Segurança, João Leivas Job, explicou o ato: “Como consequência do processo de abertura, o DOPS não é mais necessário”. Na verdade, era o sistema repressivo da ditadura se preparando para o advento das eleições diretas, em outubro daquele ano, que poderia abrir documentos incômodos aos governantes eleitos pela oposição. Uma decisão reservada de Brasília estava transferindo preventivamente as ações de repressão política dos Estados para a área mais confiável da Polícia Federal.
Dois dias depois, uma quinta-feira, 27 de maio de 1982, Amaral aumentou sua aposta, determinando a incineração dos preciosos arquivos do DOPS. Quatro caminhões de mudança levaram toneladas de documentos do DOPS da avenida Ipiranga para os fornos de uma olaria da Brigada Militar em Gravataí, na Grande Porto Alegre, onde queimaram durante oito horas. Viraram cinzas os papéis que contavam 44 anos de repressão política do DOPS gaúcho, criado na ditadura do Estado Novo de Vargas.
O ativista Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), qualificou a pirotecnia de Amaral como uma ‘farsa’, pois parte dos documentos supostamente destruídos foi localizada anos mais tarde em Montevidéu. “Os documentos foram microfilmados. O arquivo do DOPS foi modernizado e entregue ao Comando Militar do Sul”, diz Krischke, referindo-se à nova denominação do III Exército. Ele diz que, nos arquivos do MJDH em Porto Alegre, existem documentos do extinto DOPS com anotações de datas posteriores à queima pública. “Se essas fichas foram queimadas, como aparecem aqui com atualizações?”, pergunta ele.
Na época da fogueira, o então candidato do PT a governador, Olívio Dutra, resumia assim a questão: “O Governo já perdeu as eleições no Rio Grande e quer evitar que os arquivos caiam nas mãos da oposição”. Amaralzinho, muito precavido, parecia também acreditar nisso. Como se sabe, porém, o Governo não perdeu. Dividida entre PMDB, PT e PDT, a Oposição deixou de ganhar uma eleição que parecia líquida e certa. O candidato de Amaral, Jair Soares, da ARENA rebatizada como PDS, venceu o favorito Pedro Simon, do PMDB, por apenas 22.373 votos, cerca de 0,6% do eleitorado gaúcho, numa apuração controversa contaminada pela suspeita de fraudes — nunca provada e estimulada pelo precoce reconhecimento da derrota pelo PMDB, o que desativou todo o mecanismo de fiscalização do pleito.
Assim, com tantos serviços prestados ao regime que serviu com fidelidade canina, Amaralzinho pode enfim passar o cargo em 1983 a um governador eleito diretamente pelo povo, algo que não acontecia no Estado há 21 anos — o tempo de vida da ditadura (1964-1985). A ironia é que, depois de duas décadas sem o ‘consenso amplo’ da democracia, a primeira eleição direta no Rio Grande consagrou um legítimo herdeiro da ARENA da ditadura que cassou o voto popular e que gerou governantes com palmo e meio de legitimidade política. Esta, talvez, tenha sido a marca mais expressiva daquele governo pontuado pela inexpressividade.
Resta lamentar que um Estado um dia conhecido por sua cultura e coragem política não consiga, em plena democracia, pintar o justo retrato, com verrugas e tudo, que nos revelam os homens e suas imperfeições perante a História. Esta é uma tarefa indelegável das lideranças políticas, uma obrigação permanente da imprensa e seria uma reação previsível de seu braço mais militante — os blogs e sites combativos que, estranhamento, engoliram em seco a visão adocicada sobre Amaralzinho e seu legado político. Um país maduro e informado se constrói todo dia pelo retrato sem retoque daquilo que é, daquilo que se faz e daquilo que se vê.
Até um gênio da pintura pode errar a mão. O alemão Hans Holbein (1498-1543), o Jovem, um dos mestres do retrato no Renascimento, em tempos sem Internet e sem Photoshop, foi contratado pela Corte inglesa para fazer o retrato prévio de Ana de Cleves, filha do duque alemão de Dusseldorf que atraía os olhares gulosos do rei inglês Henrique VIII (1491-1547).
Holbein se esmerou e retratou uma jovem que ficou mais bonita na moldura da parede do que na cama do rei. Chegou ao requinte de ocultar as cicatrizes de varíola na face que poderiam assustar o real pretendente. Quando enfim foi apresentado à noiva, o rei conferiu pessoalmente o engano. Ainda assim, Henrique VIII conseguiu aguentar seis meses de casamento em 1540 com Ana, a quarta rainha de sua coleção de seis mulheres.
Quase um século depois, Oliver Cromwell, o líder puritano que decapitou o rei Charles I (1600-1649), revogou a monarquia absoluta e estabeleceu uma fugaz República em Londres 140 anos antes da queda da Bastilha, não perdeu a cabeça ao encomendar seu retrato ao mestre Peter Lely (1618-1680). Com o desprendimento que seria útil a qualquer político ou repórter diante das verrugas de Amaralzinho, o temido Cromwell, Lorde Protetor do Reino Unido, isentou o pintor oficial da corte de qualquer autocensura.
Peter Lely, de origem holandesa, era o retratista particular de Charles I, mas sobreviveu ao rei pelo talento e obediência às ordens de Cromwell em 1635: “Mr. Lely, eu desejo que você use toda a sua habilidade ao pintar o meu retrato verdadeiramente como sou, sem lisonjas. Observe todas essas rugosidades, espinhas, verrugas e tudo como você me vê. Se não for assim, não pagarei um centavo por ele”.
A máscara mortuária de Cromwell comprova que Lely foi fiel às determinações do retratado, preservado as duas enormes verrugas que marcam o rosto do Lorde — uma no queixo, abaixo do lábio, outra sobre o supercílio direito, próxima ao nariz. A lição de honestidade imposta por Cromwell fez escola, como se pode ver em retratos semelhantes pintados por outros artistas, todos preservando as rugas, espinhas e verrugas da vida real.
Quase quatro séculos depois, o retrato público de Amaralzinho retocado pela indulgência plenária de seus crédulos simpatizantes prova que o exemplo de Cromwell continua necessário. Afinal, o pentimento da história não se resgata com o fingimento da política.

Luiz Cláudio Cunha é jornalista
[cunha.luizclaudio@gmail.com]

Tá Explicado

10 Factos Chocantes Sobre os EUA

 
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Estados Unidos - Diário Liberdade - [António Santos] Maior população prisional do mundo, pobreza infantil acima dos 22%, nenhum subsídio de maternidade, graves carências no acesso à saúde... bem-vindos ao "paraíso americano".
10 Factos Chocantes Sobre os EUA

  1. Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. Em cada 100 americanos 1 está preso1.
A subir em flecha desde os os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: À medida que o negócio das prisões privadas alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões camarárias, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar pastilha elástica. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país.
  1. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza2.
Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade económica de satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.
  1. Entre 1890 e 2012 os EUA invadiram ou bombardearam 149 países3.
São mais os países do mundo em que os EUA intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de 8 milhões de mortes causadas pelos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA têm neste momento a decorrer mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente, criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.
  1. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade4.
Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos pela empresa, é prática corrente que as mulheres americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes nem depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença de maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia com 0 semanas.
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  1. 125 americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de acesso à saúde5.
Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de americanos não têm), então, tem boas razões para recear mais a ambulância e os cuidados de saúde que lhe vão prestar, que esse inocente ataquezinho cardíaco. Com as viagens de ambulância a custarem em média 500€, a estadia num hospital público mais de 200€ por noite, e a maioria das operações cirúrgicas situadas nas dezenas de milhar, é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e como o nome indicam, terá a oportunidade de se endividar até às orelhas e também a oportunidade de ficar em casa, fazer figas e esperar não morrer desta.
  1. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias, foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo americano6.
Esqueçam a história do Dia de Acção de Graças, com índios e colonos a partilhar placidamente o mesmo peru à volta da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições actuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmo imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA puseram em marcha um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito num língua que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo a levar a cabo esterilizações forçadas ao abrigo de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e mais tarde contra negros e índios.
  1. Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA7.
Para além de ter que jurar que não é um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão-lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do “Partido Comunista”, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada “terrorista”. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, ser-lhe-á automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.
  1. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 000 dólares8.
O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente todos os estudantes têm dívidas astronómicas, que acrescidas de juros, levarão em média 15 anos a pagar. Durante esse período os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e ainda assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel-prazer, sem o consentimento ou sequer a informação do devedor. Num dia deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juro e no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes americanos ascendeu a 1.5 triliões de dólares, subindo uns assustadores 500%.
  1. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada 10 americanos, há 9 armas de fogo9.
Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior colecção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: No resto do planeta, há 1 arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, 9 para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões. E esta estatística tende a se extremar, já que os americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.
  1. São mais os americanos que acreditam no Diabo que os que acreditam em Darwin.10
A maioria dos americanos são cépticos; pelo menos no que toca à teoria da evolução, em que apenas 40% dos norte-americanos acredita. Já a existência de Satanás e do inferno, soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-candidato Rick Santorum, que acusou os académicos americanos de serem controlados por Satã.