Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

FHC: 96 meses de governo; 95 ministros


E DIZEM QUE A DILMA É QUE NÃO SABE AVALIAR OS SEUS MINISTROS...
A VERDADE SURGE E ACABA COM ESSA CAMPANHA SUJA...



No momento em que se discute a quantidade de trocas de ministros no governo Dilma Rousseff, este blog foi pesquisar sobre os governos de FHC. Sempre é bom relembrar, não é mesmo? 
Pois bem, Fernando Henrique Cardoso ficou 96 meses no poder - (1995/1998 e 1999/202). Neste período teve 95 ministros. Precisa dizer mais?
Confira todos os nomes que passaram pela Esplanada:

A
 
Adib Jatene
Ministro da Saúde
 
Ailton Barcelos Fernandes 
Ministro da Indústria, Comércio e Turismo
 
Alberto Mendes Cardoso
Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional
 
Alcides José Saldanha (D)
Ministro dos Transportes
 
Alcides Lopes Tápias
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
 
Alderico Jefferson da Silva Lima (E)
Ministro dos Transportes
 
Aloysio Nunes
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
e Ministro da Justiça
 
Antônio de Almendra Freitas Neto
Ministro Extraordinário das Reformas Institucionais
 
Antônio Anastasia
Ministro do Trabalho
 
Antônio Kandir
Ministro do Planejamento
 
Arlindo Porto
Ministro da Agricultura e Abastecimento
 
Arthur Virgílio Neto
Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência
B
 
Bresser Pereira
Ministro de Reforma do Estado
e Ministro da Ciência e Tecnologia
C
 
Caio Cibella de Carvalho
Ministro do Esporte e Turismo
 
Carlos Albuquerque 
Ministro da Saúde
 
Carlos Melles
Ministro do Esporte e Turismo
 
Caspar Erich Stemmer
Ministro da Ciência e Tecnologia
 
Celso Lafer
Ministério das Relações Exteriores
 
Cláudia Costin
Ministra da Administração Federal e Reforma do Estado
 
Clóvis de Barros Carvalho
Ministro-chefe da Casa Civil
e Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil
D
 
Daniel Andrade Ribeiro de Oliveira
Ministro do Trabalho
 
Dorothea Werneck 
Ministra da Indústria e Comércio
E
 
Eduardo Jorge Caldas Pereira
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
 
Edward Joaquim Amadeo Swaelen
Ministro do Trabalho
 
Élcio Álvares
Ministro da Defesa
 
Eliseu Padilha
Ministro dos Transportes
 
Enio Antônio Marques Pereira
Ministro da Agricultura e Abastecimento
 
Euclides Scalco
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
F
 
Fernando Bezerra
Ministro da Integração Nacional
 
Francisco Dornelles
Ministro da Indústria e Comércio
e Ministro do Trabalho
 
Francisco Luiz Sibut Gomide
Ministro de Minas e Energia
 
Francisco Turra
Ministério da Agricultura e do Abastecimento
 
Francisco Weffort
Ministro da Cultura
G
 
Geraldo Magela da Cruz Quintão
Advogado-Geral da União
e Ministério da Defesa
 
Gilmar Mendes
Advogado-Geral da União
 
Gleuber Vieira
Ministro do Exército
 
Guilherme Gomes Dias
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
 
Gustavo Krause
Ministro do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente
H
 
Hélio Vitor Ramos Filho
Ministro de Minas e Energia
I
 
Iris Rezende
Ministro da Justiça
J
 
João Henrique de Almeida Sousa
Ministro dos Transportes
 
José Abrão
Ministério do Desenvolvimento Agrário
 
José Botafogo Gonçalves
Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
e Ministro do Turismo
 
José Carlos Carvalho
Ministro do Meio Ambiente
 
José Carlos Dias
Ministro da Justiça
 
José Cechin
Ministros da Previdência Social
 
José Eduardo de Andrade Vieira
Ministro da Agricultura
 
José Gregori
Ministro da Justiça
 
José Israel Vargas
Ministro da Ciência e Tecnologia
 
José de Jesus Filho (E)
Ministro da Justiça
 
José Jorge de Vasconcelos Lima
Ministro das Minas e Energia
 
José Otávio Germano
Secretário-Nacional do Esporte

 
José Serra
Ministro do Planejamento e Orçamento
e Ministro da Saúde
 
Juarez Martinho Quadros do Nascimento
Ministro das Comunicações
L

 
Lélio Viana Lobo
Ministro da Aeronáutica
 
Luciano Barbosa
Ministro da Integração Nacional
 
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Ministro das Comunicações
 
Luiz Felipe Lampreia
Ministro das Relações Exteriores
M
 
Pedro Malan
Ministro da Fazenda
 
Marcus Vinícius Pratini de Moraes
Ministro da Agricultura e Abastecimento
 
Martus Tavares
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
 
Mauro César Rodrigues Pereira
Ministro da Marinha
 
Mauro José Miranda Gandra
Ministro da Aeronáutica
 
Miguel Reale Júnior
Ministro da Justiça
 
Milton Seligman
Ministro da Justiça
N
 
Barjas Negri
Ministro da Saúde
 
Nelson Jobim
Ministro da Justiça
 
Ney Suassuna
Ministro da Integração Nacional
O
 
Odacir Klein
Ministro dos Transportes
 
Orlando Muniz
Ministro do Desenvolvimento Agrário
P
 
Paulo Jobim Filho
Ministro do Trabalho e Emprego
 
Paulo Renato Souza
Ministro da Educação
 
Paulo de Tarso Almeida Paiva
Ministro do Trabalho 
e Ministro do Planejamento
 
Paulo de Tarso Ramos Ribeiro
Ministro da Justiça
 
Pedro Parente
Ministro-chefe da Casa Civil
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
e Ministro de Minas e Energia
 
Pelé
Ministro do Esporte
 
Pimenta da Veiga
Ministro das Comunicações
R
 
Rafael Greca
Ministro de Esporte e Turismo
 
Raimundo Mendes de Brito
Ministro de Minas e Energia
 
Ramez Tebet
Ministro da Integração Nacional
 
Raul Jungmann
Ministro do Desenvolvimento Agrário
 
Renan Calheiros
Ministro da Justiça
 
Roberto Brant
Ministro da Previdência Social
 
Rodolpho Tourinho Neto
Ministro de Minas e Energia
 
Ronaldo Sardenberg
Ministro da Ciência e Tecnologia
S
 
Sarney Filho
Ministro do Meio Ambiente
 
Sérgio Gitirana Florêncio Chagasteles (D)
Ministro da Marinha
 
Sérgio Motta
Ministro das Comunicações
 
Sérgio Silva do Amaral
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
W
 
Waldeck Ornelas
Ministro da Previdência Social
 
Waldemar Nicolau Canellas Junior
Ministro da Marinha
 
Walter Werner Bräuer
Ministro da Aeronáutica
 
Washington Thadeu de Mello
Ministro da Agricultura
Z

 
Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena
Ministro do Exército


  Sintonia Fina - Com Texto Livre

Intimação, ou Intimidação.Governo americano quer mais participação na extração de petróleo

Por Adriano S. Ribeiro

Da Folha

EUA questionam exigência de conteúdo local da ANP

Mais alta diplomata para região quer maior participação de empresas americanas na exploração de petróleo
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO O governo americano está questionando as exigências de conteúdo local nos projetos de exploração de petróleo no Brasil. "Nós dissemos a autoridades brasileiras que exigências excessivas de conteúdo local podem impedir a exploração eficiente de petróleo e gás e eventualmente reduzir a capacidade para extração segura", disse Roberta Jacobson, nova secretária-assistente de Estado para o hemisfério Ocidental, mais alto posto diplomático dos EUA para a região.
Em resposta a perguntas de senadores dos EUA, obtidas pela Folha, Roberta diz que vai manifestar sua preocupação com esse aumento de exigências, que prejudica empresas americanas. Nas licitações para exploração de petróleo e gás natural realizadas pela ANP, o porcentual exigido de conteúdo fornecido por empresas brasileiras chega a ultrapassar 65%.
"Vou transmitir ao governo brasileiro nossa visão de que a participação de várias entidades, inclusive empresas americanas, será importante para o sucesso a longo prazo da indústria de petróleo e gás no Brasil", afirmou Roberta ao senador republicano Richard Lugar.
Outra preocupação do governo americano, segundo uma fonte do Congresso dos EUA, é a participação das empresas no fornecimento de equipamentos e serviços de infraestrutura para a Copa e a Olimpíada no Brasil. Esses eventos são vistos como oportunidade de "aumentar exportações dos EUA e gerar empregos em época de crise".

O vazamento de petróleo, a política e José Serra (José Serra, a Chevron e os dois vazamentos)

O vazamento de petróleo,

Por Weden
 
Por trás do silêncio da imprensa sobre o desastre provocado pelo vazamento de óleo no Campo do Frade, na Bacia de Campo (ver comentários de Brizola Neto), está um outro vazamento: a promessa de José Serra de rever os marcos de exploração do Pré-Sal a favor das petroleiras americanas.
Não se trata de uma convicção pessoal de Serra. Ele apenas verbalizou a posição de setores políticos (capitaneados pelo PSDB) e econômicos do país, aí incluídos os conglomerados de mídia.
É evidente que os interesses das estrangeiras na exploração do Pré-Sal poderiam ser afetados se a imprensa desse ampla cobertura ao desastre, que tem indícios fortes de negligência (uso de equipamentos obsoletos) e crime ambiental.
Dá para imaginar se o vazamento fosse provocado pela Petrobras nos EUA. Nem a imprensa daqui se calaria.
ixo a informação da Folha, tendo o Wikileaks como fonte, de que Serra prometeu ajudar a empresa a conquistar espaços na exploração do Pré-Sal.

Da Folha de S.Paulo – Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal
Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse
 Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo
JULIANA ROCHA, DE BRASÍLIA e CATIA SEABRA,DE SÃO PAULO
As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.
É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.



Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado.“O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras”, disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. “Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada.”Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. “Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor”, disse.
SENSO DE URGÊNCIA
O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio.A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês.
Desde 1997, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão.Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.
A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como “operadora-chefe” também é relatado com preocupação.O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam “turbinar” a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.O consulado cita que o Brasil se tornará um “player” importante no mercado de energia internacional.
Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque “o PMDB precisa de uma companhia”.Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.

Burguesia alienada e burra ofende memória de Guy Fawkes

Representantes dos 1% que oprimem a sociedade e leem a Veja ofendem a memória do revolucionário com sua ignorância histórica e oportunismo político.

Golpistas de Curitiba fracassam



Marcha dos 1% contra os 99% fracassa em Brasília


Marcada para começar às 10h desta terça-feira, a Marcha contra a Corrupção em Brasília não conseguiu adeptos como nas outras edições. Aliás, bem longe disso. Não mais do que 30 manifestantes se encontraram no local combinado, o Museu da República, localizado na Esplanada dos Ministérios, a fim de protestar contra a corrupção nesse feriado chuvoso de 15 de novembro, em homenagem à Proclamação da República.

Com o baixo quórum, eles esticaram a bandeira - onde a frase foi trocada para Educação é Progresso - e caminharam até a Rodoviária do Plano Planalto (distante cerca de 500 metros do ponto de encontro). Alguns manifestantes levaram cartazes com os dizeres: "Fora Agnelo", o governador do Distrito Federal. Perto das 11h, o evento já havia sido encerrado.

Golpistas brasileiros têm medo da chuva

Segundo O Globo a UDN cancelou a manifestação porque a cidade fica vazia(?) no feriado. Apesar disso o/a jornalista d'O Globo conseguiu ver 30 pessoas  protestando aí.

O "vazio" a que se referem os golpistas é meio difícil de entender, já que a cidade tem 2.562.963 habitantes. Quantos foram viajar? Como pode ser visto na foto os pau-mandados da burguesia compareceram com cancelamento e com chuva, afinal não é todo dia que se ganha um sanduíche de mortadela e uma tubaína de graça. A lamentar apenas a falta das vassouras que eles contavam levar para casa discretamente.
Foto: Rafaela Céo/G1



Leia mais em: O Esquerdopata
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Cerra lança candidatura em ato religioso. Bye-bye Aécio


 
Saiu na pág. A8 do Estadão:

“Evento religioso reúne Kassab a tucanos em SP”


“Na largada das eleições, Alckmin e Serra prestigiam festa realizada no Estádio do Pacaembu …”

O prefeito Kassab, o governador Alckmin e o Padim Pade Cerra “assistiram à celebração em cadeiras reservadas na primeira fileira de autoridades religiosas no palco montado no gramado…”


Cerra segue o script da campanha de 2010, que lhe valeu, na Carta Capital, artigo esclarecedor do professor Wanderley Guilherme dos Santos: Cerra saiu da eleição derrotado, mas detentor do espólio da extrema direita brasileira.
Na campanha de 2010, Cerra foi a um evento religioso em Foz do Iguaçu – acompanhe neste vídeo comovente – e se associou àqueles que se incentivam a homofobia.
Nessa edificante campanha, no dia 14 de setembro de 2010, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, acompanhada de Índio da Costa (vice de Cerra), Monica Serra dizia “Sou a mulher do Serra e vim pedir o seu voto”.
“A professora (Monica Serra) afirmou que a petista é a favor do aborto.”
“Ela é a favor de matar as criancinhas”.
A reprodução deste luminoso episódio está no excelente livro “Crime de Imprensa” – “um retrato da mídia brasileira murdoquizada”, de Palmério Dória e Mylton Severiano, da Editora Plena, na página 103.
Dória e Severiano contam, também, em detalhes, como Sheila Ribeiro desmascarou Monica.
Quando professora de Sheila, Monica confessou que tinha feito aborto no Chile, casada com Cerra.
Como se sabe, o Padim Pade Cerra já anunciou que é candidato.
Coitado Aécio Never – o que antes de ser nunca foi.

Em tempo: o problema do Cerra e dos tucanos é a água. A água da chuva, que deixa a boiar a incompetência dos tucanos, que governam São Paulo há 17 anos. Onde foi parar o dinheiro para limpar os rios de São Paulo ?, esses que transbordam com um pingo d’água ?


Paulo Henrique Amorim

Globo anaboliza Cansei. FHC ataca o Brasil pelas costas

Com planos de filmagem devidamente fechados, a Globo tenta dar vida ao movimento que engendrou: o Cansei contra a corrupção.

O Bom (?) Dia Brasil chegou a “colar” o Cansei fracassado desta terça-feira no ato da polícia de Nova York de desocupar o Zuccotti Park, em Nova York.

É como “colar” o Roberto Jefferson na Luiza Erundina.

O Cansei contra a corrupção foi um fracasso retumbante, segundo o jornal O Globo, na pág. 4:  

“Esvaziados, protestos anti-corrupção reúnem cinco mil em dez capitais.”


Ou seja, 500 em cada cidade.

Um retumbante fracasso, no plano aberto.

E isso merece uma cobertura extensa da Globo, como se fosse a Marcha do Martin Luther King, em Washington, ou a que acompanhou o corpo de Vargas ao aeroporto Santos Dumont.

(No caminho, botaram fogo na sede do Globo.)

Enquanto isso, num Centro Mundial do Pensamento da Extrema-Direita (o Cato Institute), em Washington, o Farol de Alexandria atacou o Brasil.

Com uma punhalada pelas costas.

No exterior, um estadista não fala mal de seu país.

Mas, isso, é para estadistas …

FHC foi lançar diatribes contra seu êmulo, o Nunca Dantes.

(Ele ainda vai ter um troço de tanta inveja do Nunca Dantes.)

E diz à platéia furiosamente conservadora que a Presidente precisa “desmontar” a herança de corrupção que Lula deixou.

Mas, duvida que ela consiga “avançar mais”.

E dá como exemplo seu Governo impoluto, imaculado.

É uma dissertação sobre a hipocrisia.

Recentemente, Fernando Brito, no Tijolaço, tirou a máscara do Governo impoluto, aquele que se irmanou a ACM , segundo a D Ruth.

Em tempo: sobre as contradições do Lupi, seria bom recordar as do Luiz Carlos Mendonça de Barros, antes de o Presidente Fernando Henrique demiti-lo do Ministério das Comunicações, no episódio “se isso der m… , estamos todos no mesmo barco” – o momento Péricles de Atenas do Governo Serra/FHC.

Em tempo 2:


Não mais do que 30 pessoas compareceram ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios


Priscilla Borges, iG Brasília


Marcada para começar às 10h desta terça-feira, a Marcha contra a Corrupção em Brasília não conseguiu adeptos como nas outras edições. Aliás, bem longe disso. Não mais do que 30 manifestantes se encontraram no local combinado, o Museu da República, localizado na Esplanada dos Ministérios, a fim de protestar contra a corrupção nesse feriado chuvoso de 15 de novembro, em homenagem à Proclamação da República.


Com o baixo quórum, eles esticaram a bandeira – onde a frase foi trocada para Educação é Progresso – e caminharam até a Rodoviária do Plano Planalto (distante cerca de 500 metros do ponto de encontro). Alguns manifestantes levaram cartazes com os dizeres: “Fora Agnelo”, o governador do Distrito Federal. Perto das 11h, o evento já havia sido encerrado.


Essa Globo … , hein, Ministro Bernardo ?

Paulo Henrique Amorim

* O BRASIL E A CRISE: HORA DE OUSAR --leia a entrevista exclusiva de Marcio Pochman a André Barrocal, nesta pág ; leia também a análise de Amir Khair** Mario Monti e Lucas Papademos consolidam hoje seus governos de intervenção em Roma e Madrid ** espera-se um alento nos ataques contra o euro; a ver** Síria: mortes e conflitos isolam o regime de Asad** Nos EUA, a repressão policial agride e prende indignados em todo o país** a situação no Parque Zucotti, em NY: http://occupystreams.org/item/occupy-nyc-liberty-plaza

EURO: MERCADOS TEMEM A PRÓPRIA GANÂNCIA
Não adiantou a ortodoxia queimar as caravelas e obedecer aos desígnios dos mercados financeiros. A Itália mandou embora Berlusconi, que outrora encantara o conservadorismo, mas hesitava em cumprir ordens. Entre elas, a demissão de 300 mil funcionários públicos até 2014. Troca feita, e daí? A Mario Monti não se concede nem 24 horas de graça: o Tesouro romano continua a pagar  juros de pré-insolvente. O mesmo ocorre na Grécia: Lucas Papademos assegura que fará 'tudo'. Não basta. A canga rentista espreme o pescoço de Atenas. Na Espanha, Zapatero será  esmagado nas urnas pelo extremismo conservador do PP, de Aznar. Nem por isso os bancos aliviam para Madrid: nesta 3ª feira,  impuseram um novo degrau de juro ao Tesouro espanhol, superior ao recorde de 2ª. E assim, sucessivamente. O mesmo se dá com Lisboa, Dublin, Viena e outros, somando-se agora 12, dos 17 países do euro, sob o ataque dos mercados. Insaciáveis, os rentistas não perdoam nem a França, de Sarkozy. Os mercados parecem não acreditar mais na sobrevivência do euro nos moldes atuais, sob o julgo irrestrito das finanças. E tratam de desfrutar a raspa do tacho, antes que a vassalagem institucional venha a ser trocada por alguma forma de soberania que reunifique poder político e comando da economia. Ninguém quer  apagar a luz. O financiamento se retrai. Os juros sobem. O crédito seca. A economia despenca. As receitas fiscais minguam agravando o desequilíbro dos Tesouros. A peste da desconfiança se auto-alimenta.
(Carta Maior; 4ª feira, 16/11/ 2011)

'Governo poderia ser um pouco mais ousado na crise', diz Pochmann

Em entrevista à Carta Maior, presidente do Ipea, Marcio Pochmann, defende que país use fundo soberano para comprar ações de multinacionais e que, para salvar PIB, Banco Central acelere corte do juro. Para ele, economias ricas tornaram-se 'ocas' e, com piora da situação global, arrocho fiscal ficou exagerado e deveria diminuir. Juro real no Brasil deveria ser de 2%, afirma.

BRASÍLIA – Marcio Pochmann tem a voz mansa, baixa e o costume de abotoar a camisa social no pescoço sem usar gravata que fazem pensar que se está diante de um padre. Há quatro de seus 49 anos à frente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o gaúcho é uma hipótese na cabeça do autor de sua nomeação, o ex-presidente Lula, para disputar a prefeitura de Campinas, onde se doutorou em Ciência Econômica em 1993.

Em 18 anos de doutor, Pochmann viu o apogeu do neoliberalismo liderado pelo sistema financeiro e, hoje, assiste à (palavra dele) decadência do mundo rico. Pela primeira vez desde a crise de 1929, quem puxa a economia global são os países em desenvolvimento. O Brasil está na nova locomotiva. Mas, diz Pochmann, deveria ser mais ousado, para encurtar mais a mais depressa a diferença que separa o país do velho “primeiro mundo”.

Por que não aproveita que algumas ações em bolsas mundo afora custam pouco e vira acionista de multinacionais? Participar da tomada de decisões que repercurtem no país é sempre benéfico. Por que não acelera o corte da taxa de juro do Banco Central e reduz o pagamento de juros da dívida pública? Se protegeria melhor dos efeitos de um cenário externo para lá de desalentador.

Nesta entrevista à Carta Maior, além de defender ousadia, Pochmann diz que há uma disputa no governo sobre o tipo de crescimento do país (primário exportador versus tecnológico-industrial), analisa a mudança geográfica no dinamismo econômico global, defende juro real de 2%, faz um balanço do primeiro ano de Dilma Rousseff e aponta os principais desafios do país para 2012. A seguir, a íntegra da entrevista.

Um estudo recente do Ipea diz que desde a crise de 2008 os países em desenvolvimento contribuem mais para o crescimento mundial do que os ricos. Essa é uma situação que veio para ficar ou tem prazo de validade?

Marcio Pochmann: A economia europeia, os Estados Unidos e mesmo o Japão estão se transformando cada vez mais em economias ocas, devido ao deslocamento do seu setor produtivo para outras áreas geográficas do mundo, especialmente a Ásia. É a primeira vez, desde a crise de 1929, que o dinamismo econômico vem sendo protagonizado por países não desenvolvidos. As medidas tomadas pelos países ricos em 2008 foram muito importantes para evitar uma depressão e resolveram, de certa forma, a solvabilidade do setor financeiro. Mas não foram suficientes para dinamizar a economia porque o setor produtivo estava muito comprometido. O que não se verificou nos BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul]. Brasil, China e a Índia tomaram medidas que fortaleceram o mercado interno e saíram muito mais fortes. E não tenho dúvida de que continuarão se fortalecendo. A não ser que tenhamos um conflito. Historicamente, o deslocamento do centro dinâmico sempre foi acompanhado ou sucedido de conflitos armados. Até quando Estados Unidos e Europa aceitarão tranquilamente seu esvaziamento econômico, o crescimento do desemprego, a desigualdade de renda?

O senhor acredita em hipótese real de o mundo passar por uma guerra?


Pochmann: Espero que não. Os países desenvolvidos estão diante da seguinte escolha: a decadência ou o declínio. Decadência é a desorganização, a ruptura política. Um dos sinais de decadência é o que ocorreu recentemente nos Estados Unidos na disputa política dos pela ampliação do limite de endividamento. O governo Obama tinha sido autorizado três vezes e de repente não foi. Isso é um constrangimento inimaginável. Decadência é a incapacidade de construir maiorias políticas. É o que estamos vendo na Europa. Crise política aberta, quase uma volta ao colonialismo, a impossibilidade de ter decisões nacionais. A Grécia foi fortemente afetada pelos países da União Europeia porque quis se submeter ao vaticínio popular. Declínio seria aceitar que o padrão de vida do país não vai mais crescer como vinha crescendo. E essa acomodação pode ser feita em termos civilizados. Claro que a decadência dos países ricos contamina os BRICS também, mas o cenário que está aberto para nós não é de decadência nem de declínio, é de crescimento. Não sabemos, no caso brasileiro, para aonde vai esse crescimento. Eu costumo lembrar que o crescimento é possível no vaco ou na fama. Fama é muita fazenda, muita mineração, muita maquiladora, quer dizer, o Brasil vai crescer como cresceu nos quatro séculos passados, como produtor e exportador de produtos primários.

O senhor acha que o Brasil hoje sofre esse problema? Há uma qualidade insuficiente do crescimento? Cresce errado?

Pochmann: Já te respondo. A outra alternativa é o Brasil do vaco, do valor agregado e do conhecimento. Acredito que a novidade do Brasil nessa primeira década do século XXI é a construção de maioria política que tem clareza que o país não pode mais continuar com voo de galinha. O voo de galinha nos fez mal nos anos 80 e 90 e levou a uma regressão econômica e social. Em 1980, o Brasil era a oitava economia do mundo, no ano 2000 era a 13ª, até o México nos superou. No meu modo de ver, há uma maioria em torno de que o Brasil não pode mais repetir os anos 80 e 90. Isso nos deu a possibilidade de construir políticas de compromisso com o crescimento. O que não está claro, é objeto de disputa dentro do governo, é um governo muito amplo, é: qual crescimento? Quando olhamos a taxa de juros e a taxa de câmbio, isso aí é aplauso para o país da fama. Agora, quando você olha o Brasil Maior, uma tentativa de organizar uma política industrial, o Brasil Sem Miséria, a ênfase na educação, a elevação dos gastos na educação, a expansão das bolsas para o exterior, a constituição da Embrapi [Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial], essas ações são para o Brasil do vaco.

E quem está ganhado essa disputa dentro do governo, na sua avaliação?

Pochmann: Não temos um balanço, porque o que aconteceu nesse período de expansão não se deu apenas por determinações endógenas, nacionais. Claro que são elas as mais importantes, no entanto, o Brasil se reposiciona no mundo frente a uma perda de influência dos Estados Unidos e um crescimento da China. Em 2000, as exportações brasileiras para a China representavam 2% das nossas. Hoje, se aproximam dos 20%. Os Estados Unidos eram 25%, agora são menos de 15%. Essa inversão, da forma com que foi feita, trouxe impactos do ponto de vista produtivo. Com os Estados Unidos, nossa pauta de exportação era mais rica do que é com a China. Hoje, 50% das exportações são produtos primários para a China. Não é porque a China impõe, foi a maneira que o Brasil encontrou, dentro dos seus constrangimentos, de exportar mais. Nós podemos alterar isso, não dependemos da China.

Aproveitando que senhor falou em balanço. Estamos terminando o primeiro ano do governo Dilma. Do ponto de vista macroeconômico, o que se destaca na sua opinião? Qual é o balanço?


Pochmann: Em primeiro lugar, a busca de uma convergência na condução da política macroeconômica. É uma avaliação da presidenta em relação ao conflito entre a política monetária e fiscal que ocorreu nos dois governos do presidente Lula. Eu percebo uma convergência. Não houve um vencedor, as duas partes reconsideraram, digamos assim. Vejo um ano vitorioso nessa condução, que não contou com o apoio do mercado financeiro, especialmente no período mais recente, em que se alterou a trajetória da taxa de juros. Um segundo aspecto é uma busca de maior racionalidade na gestão do governo. Isso se iniciou com um corte orçamentário, buscando ampliar a eficiência a partir de um orçamento menor e maior interlocução entre os ministérios. Isso não é ainda perceptível e generalizado, mas é possível observar em algumas ações. A principal delas é a integração do governo para reduzir a miséria.

Não houve nenhum ponto negativo?

Pochmann: Numa avaliação ex-post, isso é mais fácil fazer, as medidas tomadas no início do ano se mostraram muito fortes, diante do aprofundamento da crise internacional. No início do ano, era quase um consenso que o Brasil não poderia continuar crescendo ao ritmo de 7,5%, tendo em vista deficiências de investimento. Precisava desacelerar. No entanto, essa medida tomada internamente se associou a um quadro internacional de agravamento e por isso levou a uma mudança nas expecativas de investimentos internos. E isso acelerou a queda da atividade. As medidas do início do ano eram para fazer com que saíssemos de 7,5% para 4,5%, 5% de crescimento. Só que, com a combinação de resultados negativos da crise, a desaceleração foi mais rápida. Se não houvesse alteração no comportamento do juro, se o governo não toma medidas necessárias, acho inclusive que poderia avança algumas mais, nós poderíamos correr o risco de ter um PIB crescendo 2%, 3% este ano e talvez uma estagnação no ano que vem.

O que seria avançar mais?


Pochmann: Do ponto de vista da política fiscal.

Como?


Pochmann: Uma revisão do superávit fiscal para baixo. E na política monetária, poderíamos ter uma desaceleração mais acentuada da taxa de juros.

Até quando o Brasil terá de conviver com superávit primário? Qual seria um patamar razoável de estabilização da dívida a partir do qual o Brasil não precisaria mais fazer superávit primário?


Pochmann: O tamanho da nossa dívida relativamente ao PIB não é um problema, especialmente quando olhamos países ricos muito mais fragilizados. Uma das nossas dificuldades é o perfil da dívida. Um esforço de alongamento dos títulos certamente nos ajudaria muito mais do que o tamanho da dívida. Eu acredito que o superávit fiscal passa a perder importância na medida em que o país tenha um crescimento acima de 5%.

O senhor defendeu reduzir o superávit mas no plano do governo para trazer a taxa de juros para baixo, o superávit tem de ser robusto. Seria então um cálculo exagerado?


Pochmann: Isso é do ponto de vista do discurso, da retórica. Nós fizemos um corte de R$ 50 bilhões no orçamento no inicio do ano, enquanto que a elevação da taxa de juros nos levou a um aumento do gasto financeiro de R$ 35 bi. Cortou-se o gasto operacional de um lado, e de outro se elevou o gasto financeiro com a taxa de juros.

Esses R$ 35 bi são um gasto adicional considerando que recorte de tempo?

Pochmann: Era para o ano todo, se continuasse a trajetória de alta da taxa de juros. Mas vai ser menor, porque o juro está em queda.

Qual seria o nível adequado do juro real no Brasil? Essa é uma discussão que já se impõe, não?


Pochmann: É difícil justificar num país de estabilidade monetária, de contas fiscais relativamente equilibradas, uma taxa de juros real acima de 2% ao ano.

Por que 2% e não 1% ou 3%?

Pochmann: É algo arbitrário, evidentemente. Mas se olharmos um pouco o comportamento da taxa de lucro do setor produtivo brasileiro, as empresas que conseguem ter acima de 2% de lucro real... Na verdade, é um parâmetro. Para que todo setor produtivo possa ter uma rentabilidade superior ao que seria oferecido pela taxa de juros, 2% é um parâmetro razoável. Taxa de lucro acima disso já é muito bem satisfatório.

É um patamar que não desestimula a produção...

Pochmann: É claro que as grandes empresas têm taxas de lucros maiores, mas se você olhar os pequenos...

Esse é um debate que não existe hoje. No último relatório de inflação divulgado pelo Banco Central, o diretor discretamente colocou a questão. Acredita que não há debate porque o 'mercado' não quer? Ou falta o próprio governo colocá-lo?

Pochmann: Evidente que um segmento que convive um longo período com taxas de juros muito altas não tem interesse em uma rentabilidade menor, embora o setor financeiro tenha feito esforços de ampliação de suas taxas de lucros com atividades operacionais, está investindo em tecnologia, já tem clareza também que essse cenário de voo de galinha não pode ser reproduzido. Eu acredito que eles trabalham do ponto de vista interno, mas publicamente não é interessante dizer: “nós aceitamos taxas de juros de tanto”. Porque a taxa de juros não é o resultado de uma decisão técnica-econômica. Evidentemente que os setores que ganham com a taxa de juros pressionam de várias modalidades, assim como o setor produtivo também pressiona.

É uma decisão política...

Pochmann: Existe também uma correlação de forças, de interesse. Alguns criticam que o governo do presidente Lula e mesmo a Dilma poderiam ter reduzido a taxa de juros mais rapidamente... Se você tivesse uma redução dramática, quando o Brasil não podia crescer suficientemente depois de duas décadas de semiestagnação, o que poderia ocorrer? Aquele montão de dinheiro do sistema financeiro vai para onde? Comprar ativos? Aumentariam os preços, teria inflação. Outra alternativa seria esses recursos saírem do Brasil. A escolha do presidente Lula, continuada pela Dilma, foi fazer um movimento coordenado. Você reduz a taxa de juros para limitar os ganhos financeiros e, simultaneamente, cria condições para a transição da liquidez financeira para o setor produtivo. No segundo governo Lula, o governo assumiu o compromisso político com o setor produtivo de fazer o país crescer 5% ao ano. E, com o PAC, disse ao empresário que ele ia ter os elementos necessários para a produção ocorrer, energia, estradas. Esse foi um movimento coordenado.

O que o Brasil terá como grande desafio em 2012?

Pochmann: Antes de falar de desafios. O governo poderia ser um pouco mais ousado. Utilizar a crise como uma grande oportunidade para aquisição de empresas cujos preços estão muito baratos, dada a queda nas bolsas de valores. A Noruega, a China e a Índia já se aproveitaram em 2008, da própria crise, da queda nas bolsas, para adquirir empresas. O Brasil tem um fundo soberano que poderia ser utilizado ao menos uma parte para aquisição de empresas.

Qual por exemplo? Dar o nome acho complicado, mas vamos falar de setor.


Pochmann: Em primeiro lugar, ao contrário da China, da Índia, o setor produtivo brasileiro é muito internacionalizado, você tem quase todas as grandes empresas em operação no Brasil. Alguns dos setores em que somos deficitários poderiam perfeitamente ter uma política mais agressiva de compra de ações. Empresas de transporte, por exemplo. O Brasil é o quinto maior mercado de consumo automobilístico e não tem uma empresa nacional. Nem sei se é o caso de ter. A General Motors estava de joelhos... Os chineses compram empresas, por que você não pode comprar?

Acho que diriam que a China não é um sistema político como é o brasileiro..
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Pochmann: Mas a Noruega não tem problema? A Índia não tem problema? Utilizaram os fundos soberanos...

Se tornaram controladores ou acionistas minoritários?

Pochmann: Você tem várias modalidades, acionistas, controladores. Veja uma dificuldade nossa. Quando o governo adota uma política de aumentar as exportações, com subsídios, não necessariamente as empresas transnacionais vão aumentar. A decisão de exportar não é tomada internamente, é na matriz. Você precisa ter empresa nacional.

Sim, e os desafios?

Pochmann: O que nós temos de desafio pela frente é preparar o governo para a transição demográfica que estamos vivendo. Transição de redução muito rápida do número de crianças por mulher, a taxa de fecundidade vem caindo muito drasticamente no Brasil, estamos num processo de envelhecimento, isso tem um impacto muito grande na condução da política pública na área social.

O senhor vai chegar até à reforma da Previdência?


Pochmann: O envelhecimento tem a ver, por exemplo, com a postura da saúde. Uma coisa é o gasto quando um país tem muitas crianças e adolescentes, outra coisa são os gastos com pessoas com mais idade, são mais caros, são mais pesquisas que você tem que ter. Daqui a 10 anos, 15 anos, começarão a sobrar escolas. Mas, ao mesmo tempo, temos uma exigência, tendo em vista a transição para a sociedade do conhecimento, de montarmos escolas para a vida toda. As grandes empresas já gastam 1% do PIB com universidades corporativas, para formação e capacitação dos seus trabalhadores ao longo do tempo. Um desafio aqui é montar uma universidade corporativa no setor público. Nós temos que qualificar melhor os servidores públicos, precisamos de um Estado mais eficiente, isso passa pela qualificação do quadro. A Previdência é um dos aspectos da demografia. Um outro desafio é montar uma indústria de defesa.

Por causa da inserção internacional cada vez maior e do pré-sal?


Pochmann: E das nossas fronteiras. O Brasil é segundo país do mundo com maior quantidade de fronteiras. São 15 mil km de fronteiras secas e 5,5 mil km de fronteira marítima. Não temos um sistema de defesa para isso. A nossa dificuldade está mesmo em setores em que nós somos relativamente avançados, como a indústria da aviação. Somos dependentes de tecnologia. Compramos equipamentos dos Estados Unidos que nos impedem de vender para países que eles não têm interesse que a gente venda.

O governo acabou de lançar um plano sobre isso.

Pochmann: Sim, mas isso é um desafio.

Botar de pé e ampliar.

Pochmann: Sim. Nós já fomos melhor nos anos 70 na indústria de defesa. Outro aspecto, e isso não depende só do Brasil, é construir uma moeda regional. O Brasil é muito pequeno para resistir às forças do dinamismo chinês. Se nós quisermos resistir em melhores condições, precisamos fazer aqui um grande arco com os países do sul do continente. Mais um desafio é elaborar um complexo de difusão tecnológica. O Brasil tem só 14% dos jovens entre 18 e 24 anos no ensino superior. Houve um esforço enorme, dobrou o número de alunos matriculados nos últimos dez anos, parabéns, mas isso é muito pouco. O Brasil tinha que chegar a 70% dos seus jovens matriculados no ensino superior. Isso é um esforço gigantesco.

Como se faz isso?

Pochmann: É um projeto, é alocação de recursos. O pré-sal vai colocar recursos, estamos discutindo se é mais para um estado ou para outro, e não estamos discutindo o que fazer com esses recursos. Nós fizemos um estudo que mostrou que municípios e estados que recebem royalties de petróleo não são os que mais avançam socialmente. Essa discussão que está sendo feita agora tem seu interesse evidentemente, é uma disputa de receitas, mas ela é pobre porque não está possibilitando que nós tenhamos, com o uso desse recurso, um país superior. A China quer ter as 50 maiores universidades do mundo, nós queremos ter quantas? O futuro está no conhecimento, é o principal ativo de um país.

Quando o senhor assumiu, houve uma leitura de que o Ipea estava sendo aparelhado e deixaria de ser uma instituição pública para ser estatal. Acha que essa situação foi superada ou ainda há desconfianças?

Pochmann: O Ipea deixou de ser órgão de assessoria do Poder Executivo. Fez acordos de cooperação com a Câmara e o Senado, com o Poder Judiciário, ampliou seu raio de ação. Uma instituição manipulada não teria essa capacidade. O Ipea se transformou também numa instituição de assessoria da sociedade civil. Temos uma quantidade imensa de acordos de cooperação com universidades, instituições de pesquisa, entidades patronais, entidades de trabalhadores, organismos não-governamentais, instituições internacionais. O Ipea se transformou no principal think tank brasileiro. E nunca foi tão produtivo. Tenho viajado muito o Brasil, e é impressionante como a produção do Ipea se tornou recorrente nas universidades, nos sindicatos, nas empresas.

O senhor vai ser candidato a prefeito de Campinas no ano que vem?

Pochmann: Acho que esse é um assunto para se resolver para o próximo ano. Fui surpreendido pela sugestão do presidente Lula, tem muita água para rolar ainda, estou bem aqui no Ipea, mas não deixa de ser uma oportunidade.
 

Calmon: tem criminoso de colarinho branco preso ? Eliana Calmon reafirma que há ‘bandidos de toga’


Calmon não recua: sim, há criminosos de toga!

O Conversa Afiada reproduz texto do Globo:SÃO PAULO – A corregedora nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon, reafirmou na noite desta segunda-feira que há, na magistratura brasileira, “bandidos de toga” e que sua declaração polêmica não foi contestada pelos corregedores de Justiça do país, responsáveis por investigar juízes de primeira instância. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, a ministra afirmou ainda que o problema da magistratura não está na primeira instância, mas nos tribunais.

- Os juízes de primeiro grau tem a corregedoria. Mesmo ineficientes, as corregedorias tem alguém que está lá para perguntar, para questionar. E existem muitas corregedorias que funcionam muito bem. Dos membros dos tribunais, nada passa pela corregedoria. Os desembargadores não são investigados pela corregedoria. São os próprios magistrados, que sentam ao lado dele, que vão investigar – criticou a ministra.

Eliana Calmon defendeu a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cuja capacidade de investigar e punir magistrados está sendo questionada pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) no Supremo Tribunal Federal.

- O CNJ, na medida que também é órgão censor, começa a investigar comportamentos. Isso começa a desgostar a magistratura – disse a ministra.

Para Eliana, os maiores adversários do CNJ são as associações de classe, como a própria AMB:

- Não declaram, mas são contra. A AMB é a que tem maior resistência – disse ela, que concluiu: – De um modo geral, as associações defendem prerrogativas: vamos deixar a magistratura como sempre foi. São dois séculos assim.

Sobre a falta de punição aos magistrados, embora existam centenas de denúncias, a ministra respondeu:

- Vou colocar de outra maneira: o senhor conhece algum colarinho branco preso?

A ministra explicou a circunstância da declaração sobre os “bandidos de toga” e minimizou a gravidade da acusação:

- Eu sei que é uma minoria. A grande maioria da magistratura brasileira é de juiz correto, decente, trabalhador. A ideia que se deu é que eu tinha generalizado. Eu não generalizei. Quando eu falei “bandidos de toga” eu quis dizer que alguns magistrados se valem da toga para cometer deslizes – disse ela, que defendeu sua posição: – Os corregedores reconhecem que aquilo que eu disse é o que existe.

O Conversa Afiada reproduz abaixo a íntegra do Roda Viva desta segunda-feira (14/11) com a ministra Eliana Calmon