Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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domingo, 27 de abril de 2014

O fundo de pensão “falido” da Petrobras só está falido nos desejos de O Globo

 PF vaza telefonema em que o ex-petista André Vargas afirma que executivo indicado por ele para empresa do doleiro Youssef teria sido sugerido pelo então ministro Padilha

 Aos jornais, o próprio Vargas admite que Padilha nunca (lhe) indicou ninguém, nem para este eventual emprego, na Labogen, nem para outra função

 Na iminência de ser expulso, André Vargas pede desfiliação do PT

 Quando a operosa Policia Federal vai iniciar as investigações sobre o assassinato do coronel Paulo Malhães, torturador confesso na ditadura?

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O Rodrigo Vianna disse com toda a propriedade: “se adotar a tática do “diálogo” com a mídia e os piores inimigos, o PT – em vez de um passo à frente, com vitórias em Estados importantes – pode colher uma derrota definitiva”.
A edição de O Globo de hoje é um primor do que se ganha achando que haverá critério e rigor de grande imprensa no enfrentamento que ela faz ao projeto nacional-desenvolvimentista que este governo representa.
A matéria sobre o “rombo” do fundo de pensão da Petrobras, provocado pelo crescimento dos gastos administrativos cai com um peteleco, se alguém da Petros ou do Governo quiser responder.
despesasadmEu não achei dados atuais, mas como a matéria diz que o desastre começou com Lula, acho que vale ver o que aconteceu  nos cinco primeiros anos em que seu governo dirigiu a Petrobras.
Ao final do Governo Fernando Henrique as despesas administrativas somavam quase 12% da receita da Petros. No fim de 2007, esse número havia caído para 8,51%, como você vê no gráfico ao lado.
Não pude apurar o valor atual,pelas limitações de tempo que estou vivendo, por problemas familiares.
Mas obtive o valor acumulado em setembro de 2013: gastos administrativos de R$ 140,55  milhões contra receitas de 2,59 bilhões, que dá uma taxa de 5,43%.
Encontrei  também este demonstrativo dos déficits e superávits da Petros ao longo de 40 anos (!!!) e nele você vai ver que o deficit de 3,22% apurado ao final de 2013 não é nada perto do que o fundo já registrou em sua história, como ocorre em qualquer fundo de aplicações financeiras que tem boa parte de seu capital ligado ao mercado de ações.
atuarial

Como vaza tudo da Petrobras, não se espante em que eu reproduza “cópias controladas”. Não me foi dada por ninguém da Petros, está no site da Associação dos Engenheiros da Petrobras.
O que aconteceu é que as aplicações, que são pulverizadas em dezenas de bancos e corretoras, tiveram um mau desempenho, como pode acontecer com quem tem quase metade de seus recursos aplicados em ações, sobretudo as da Petrobras, que tiveram desempenho negativo no exercício passado.
Claro que os representantes dos beneficiários do fundo ligados ao pessoal de salários mais altos na Petrobras estão certos em reclamar, porque “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Mas é ridículo falar em déficit explosivo.
É parte, apenas da operação derrubem a Petrobras, como o Miguel mostrou ontem que aconteceu com o tal “saque” milionário de recursos da refinaria de Pasadena, que não passava de uma transferência entre contas diferentes da empresa.
Aliás, a matéria de O Globo é ridícula, para começar, porque reproduz uma reportagem feita há um mês pelo Valor.
Mais ridícula ainda é a postura da Petros e da Petrobras de não responderem de imediato.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ENDINHEIRADOS VENCEM A FILA DO SUS ?


*pobreza nos EUA atinge 15% da população**53% desaprovam Obama** credores impõem juro recorde à Itália**FMI discute colapso grego nesta 4ªENDINHEIRADOS  VENCEM A FILA DO SUS ?

A mídia do dinheiro garante que o governo desistiu. Não vai mais taxar bancos, operações financeiras, ricaços, helicópteros, jatinhos (isentos de IPVA). A presidenta Dilma, asseveram os porta-vozes da plutocracia, não quer  o risco de um desgaste em ano eleitoral. A mídia que derrubou a CPMF  e subtraiu R$ 40 bi da saúde comunica que o governo decidiu ressuscitar a lenga-lenga do ‘fazer mais com menos'. Nada contra a eficiência do gasto público. Ao contrário. A dúvida é se no caso da saúde já não é o que acontece, no limite do suportável, quando se dispensa ao brasileiro um gasto per capita sete vezes inferior ao dos franceses, por exemplo. Isso é média. O deserto real é mais árido: apenas 42% daquilo que o país gasta com saúde tem origem e destino público. Sai do governo e chega na fila do SUS, que atende mais de 75% da população. Outros 58% só circulam entre os 25% que tem plano de saúde.Em países onde a saúde é direito universal essa desproporção não ocorre: o gasto do Estado representa 75% do investimento total. Mas o jornalismo  nativo diz que o governo do PT decidiu ‘fazer mais com menos' na área que concentra a maior queixa contra a qualidade do serviço público. Nada mais falso do que opor as urnas à justiça tributária e social. A União investe apenas 1,8% do PIB em saúde (o restante vem dos  estados e municípios). O articulista de Carta Maior, Amir Khair, informa que nos últimos 12 meses até julho o gasto do país com juro da dívida pública  atingiu R$ 225 bi: 5,7% do PIB. Como o superávit primário deve ficar em 3,2% do PIB até dezembro,  restará um rombo equivalente a 2,5% do PIB. Maior do que o gasto da União com a saúde, ele vai engordar a dívida em 2012. Em coluna nesta pág., o economista João Sicsu lembra que 47% da carga tributária brasileira (a tal ‘carga insuportável' de 35%, em nome da qual a coalizão demotucana extingiu a CPMF) advém do "consumo", que pesa sobretudo na renda dos mais pobres. E que menos de 5% dela advém de "transações financeira". Fica a dúvida: taxar o privilégio desgasta mais do que o ônus de operar um sistema público de saúde com um déficit de caixa deR$ 30 bi?

(Carta Maior; 4ª feira, 14/09/ 2011)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Globo quer serviço público sem servidor público?


A manchete de O Globo – Governo Lula contratou três vezes mais servidores do que Fernando Henrique – serve para fazer “onda”, mas não serve para os leitores entenderem coisa alguma sobre a política do Governo Federal em relação ao funcionalismo.
Não conta que Lula deixou o Governo com menos funcionários que FHC recebeu de Itamar. Nem que gasta menos com eles do que FHC gastou no último ano de seu, digamos, governo. Quatro e meio por cento do PIB, contra 5% do último ano de FHC, como você vê no gráfico
Postei, no blog Projeto Nacional , uma análise dos números da pesquisa divulgada ontem à tarde pelo IPEA, de onde tirou a sua manchete.
Lá, pergunto o que aconteceria se a redução do número de funcionários fosse como FHC fazia e O Globo aplaudia:
“Imagine o caro leitor que a notícia fosse dada da seguinte forma: Polícia Federal tem menos agentes que em 2003 ou Universidades federais dobram matrículas mas não contratam professores ou Número de ações duplica, mas União tem os mesmos advogados que em 2003.”
O número de servidores públicos no Brasil, em relação ao número de trabalhadores no setor privado, apresentava, em 2006, proporção menor até do que os EUA e da maioria dos países latinoamericanos; 12,5%, contra 14,8% dos americanos.E como o número de funcionários federais crescei à modestíssima taxa de 1,5% ao ano no Governo Lula, enquanto o de trabalhadores em geral cresceu quase 3%, essa proporção ainda deve ter se reduzido ainda mais.
Mas o leitor de O Globo, não precisa saber disso, não é mesmo? Basta acreditar no dogma neoliberal de que não precisamos de serviços públicos. Só de um Banco Central para pagar juros à turma da grana.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A EUTANÁSIA DO ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL




A Espanha caminha desastrosamente para figurar nesta crise como um caso patético de rendição do Estado aos ditames dos mercados. O premiê José Luis Zapatero, a exemplo de outros líderes da social-democracia europeia, renega a origem política a apenas três meses da sua sucessão enfraquecendo-se ainda mais dentro do próprio partido e junto à opinião pública progressista. Zapatero lidera um acordo com a direita do Partido Popular para promover uma reforma constitucional a toque de caixa. A intenção é inscrever a ortodoxia fiscal na Carta espanhola, obrigando governantes a perseguir um déficit próximo a zero. Em plena desordem gerada pela crise das finanças desreguladas, renuncia-se à indução estatal quando mais que nunca ela se faz necessária. Além do mal-estar criado nas fileiras do PSOE, sindicatos rechaçaram a idéia, abraçada entusiasticamente pela direita do PP.  Zapatero promove a eutanásia do Estado do bem-estar social baseado num cálculo político ingênuo. Seu governo termina espremido pelo mais elevado nível de desemprego da zona do euro. A taxa média de desocupação é de de 20%, mas salta para 45% entre os jovens. O sistema bancário verga sob dívidas privadas e ativos podres de futuro insondável. A bolha imobiliária espanhola estourou deixando um encalhe de 700 mil imóveis e mais de 20 bilhões de euros em ativos imobiliários micados nas carteiras dos bancos. Outros 30 bilhões de euros em terrenos estocados sufocam a contabilidade bancária e as  caixas previdenciárias.  O conjunto repercute no risco-país e se cristaliza em custos elevados para a colocação de títulos da dívida pública junto a fundos e investidores ariscos. Para ‘acalmá-los' Zapatero se propõe a tornar o arrocho fiscal algo tão importante na Constituição quanto o direito à vida e à dignidade - algo como designar o diabo para guardar a chave do céu. Que isso parta de um líder socialista apenas confirma a profundidade da colonização mental exercida pelo neoliberalismo na esquerda europeia. Não por acaso o continente representa hoje o epicentro da crise. Dificilmente sairá dela para algo melhor, a menos que a resposta venha das ruas.

Nobel: Classe C segura o tranco no Brasil e na China. Brasil e China devem resistir à crise devido à demanda interna, diz Nobel


Stiglitz: o Brasil é um exemplo

CAROLINA MATOS

DE LINDAU (ALEMANHA)

O Brasil e a China devem continuar crescendo, apoiados nas demandas internas, mesmo no cenário de crise econômica na Europa e nos EUA, importantes mercados consumidores dos produtos exportados pelos dois BRICs.


A avaliação foi feita por Joseph Stiglitz em entrevista a jornalistas nesta tarde durante o “4º Lindau Meeting on Economic Sciences”, em Lindau, na Alemanha, que reuniu economistas premiados com o Nobel.


Stiglitz, ganhador do Nobel em 2001 e que foi vice-presidente do Banco Mundial de 1997 a 2000, disse que Brasil e China “têm um grande mercado interno que deve continuar dando suporte å economia”.


O economista citou várias vezes o Brasil como “exemplo de sucesso” na estabilização econômica.


“O país não apenas controlou a inflação, mas também está reestruturando toda a economia, o que é fundamental para um crescimento sustentável”, afirmou, ao criticar, referindo-se aos EUA e à Europa, “políticas econômicas que têm foco apenas na inflação e se esquecem da estabilidade financeira.” “Agora as autoridades [que agiram dessa forma] percebem que foi um erro”, completou.


Stiglitz destacou ainda que “o maior problema para um governo não é o tamanho do deficit, mas a forma como o dinheiro é gasto.”


CRISE


Durante as apresentações no seminário, o economista defendeu que os modelos macroeconômicos adotados “fracassaram” por não terem previsto a crise financeira de 2008 que “as autoridades monetárias permitiram o crescimento de bolhas concentrando as atenções apenas na inflação, em parte porque os modelos sugeriam que manter a inflação baixa era quase suficiente para eficiência econômica e crescimento.”


“O incrível é que ainda existam defensores dessas teorias macroeconômicas, embora o mundo hoje seja outro”.

Em tempo: os números do emprego divulgados nesta quinta-feira revelam que, apesar dos urubólogos, o emprego em julho é o mais alto desde quando o IBGE começou a medi-lo, dessa forma, em 2002. E melhor: a grana no bolso do trabalhador engordou:

Rendimento

O rendimento médio real habitual dos ocupados ficou em R$ 1.612,90, o valor mais alto para o mês de julho desde 2002, e apresentou alta de 2,2% na comparação mensal e de 4% frente a julho do ano passado.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

EUA: a miséria bate à porta

 
Mais de 5 milhões de lares perderam toda a riqueza desde 2005 nos EUA
5,6 milhões de lares, ou 15 milhões de pessoas, tiveram toda sua riqueza completamente destruída durante a primeira parte da queda econômica
Por Andre Damon, na Revista Fórum
Tradução de Idelber Avelar

O lar típico dos EUA perdeu 28% de sua riqueza durante a crise econômica, com um terço tendo sido completamente destruído, de acordo com uma recente análise de números do Census Bureau realizada pelo Centro de Pesquisas Pew, intitulada “A diferença de riqueza entre brancos, negros e hispânicos sobe a um nível recorde”.

O estudo focaliza as disparidades raciais, mas as descobertas mais assustadoras dizem respeito ao empobrecimento geral de todos os setores da população. A porcentagem de lares dos EUA que tem ativos de zero dólares ou abaixo—ou seja, que têm mais dívidas que posses—subiu de 15% em 2005 para 20% em 2009. Isso significa que 5,6 milhões de lares, ou 15 milhões de pessoas, tiveram toda sua riqueza completamente destruída durante a primeira parte da queda econômica. Estes números vêm de uma pesquisa do Census Bureau para 2005 e 2009.

O estudo mostrou que, depois de ajustes de inflação, a riqueza média dos lares dos EUA caiu de US$96.894 em 2005 para US$70.000 em 2009, uma queda de 28%. A maior parte disso é atribuível à queda vertiginosa no valor dos imóveis, que foi da ordem de 30% entre 2006 e 2009 e até maior desde então.

A queda no valor das casas se combinou com a queda nos salários. Entre 2005 e 2009, a média recebida pelos trabalhadores por hora caiu 5%, depois de ajustada a inflação, de acordo com o Ministério do Trabalho.

O endividamento tem crescido de forma tão rápida como a riqueza tem caído. Entre 2005 e 2009, as dívidas não asseguradas cresceram 33% para a população como um todo, mostrou o estudo. Enquanto isso, a parcela da riqueza em mãos dos 10% mais ricos cresceu de 49% em 2005 para 56% em 2009.

As minorias raciais receberam um golpe particularmente duro, incluindo-se aí a queda no valor das casas. A riqueza líquida do lar hispânico caiu 56%, de US$12.124 em 2005 a US$5.677 em 2009. O valor líquido dos lares negros também desabou, 53%. Entre os hispânicos, as dívidas não asseguradas subiram 47%.

O nível de desigualdade entre brancos, negros e hispânicos é hoje o maior dos últimos 25 anos, e sem dúvida é mais alto do que antes desses 25 anos. A diferenciação racial é parcialmente atribuível à geografia. Enquanto que os brancos viram o valor de suas casas cair 18% e os negros, 23%, o valor das casas dos hispânicos caiu em mais de 50%.

Como nota o relatório, “em 2005, mais de dois em cada cinco lares hispânicos ou asiáticos se encontrava no Arizona, Califórnia, Flórida, Michigan ou Nevada, os cinco estados com declínios mais agudos nos preços das casas”. Para os hispânicos que moram nesses estados, nota o relatório, os ativos médios caíram de US$51.464 em 2005 para US$6.375 em 2009, uma queda de 88%.

Essas divergências raciais, no entanto, mascaram o aumento mais fundamental da desigualdade entre as classes trabalhadoras e os ricos de todas as raças. O relatório nota que os 10% dos negros mais ricos controlam 67% de toda a riqueza daquele grupo, comparado com 59% antes da crise. Para os hispânicos, da mesma forma, os 10% mais ricos controlam 72% da riqueza em 2009, por oposição a 59% em 2005.

O número de desempregados, enquanto isso, subiu de 7,9 milhões para 15,2 milhões entre 2005 e 2009. O crescimento do desemprego também afetou as minorias desproporcionalmente. O desemprego tem afetado negros e hispânicos de forma desproporcional, com a taxa atualmente em 16,5% para os negros e 11,6% para os hispânicos.

A tremenda queda na riqueza tem tido um efeito transformador na sociedade estadunidense, contribuindo para milhões de execuções de hipotecas e falências pessoais. De acordo com os números da Realtytrac.com, houve 10 milhões de execuções de hipotecas entre 2005 e 2009.

Original A*Q*U*I
Leia mais em: O Esquerdopata

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O despertar dos mágicos: os mitos da economia conservadora

 

As teorias dos economistas conservadores foram totalmente desmentidas pela crise. Eles deveriam estar escondidos cheios de vergonha. Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário. Os economistas conservadores ganharam mais força. Por quê? A razão é que os mitos em que fundamentam as suas posições são profundamente enraizados numa cosmovisão básica, de uma grande quantidade de pessoas, para não dizer da maioria das pessoas. Os mitos sobre a economia que se foram perpetuando nas escolas de economia, fundiram-se com as crenças mais ingênuas e perigosas dos nossos tempos. O artigo é de Alejandro Nadal.

Os economistas conservadores saíram desacreditados pela crise. Ao fim e ao cabo eles prometeram igualdade, prosperidade e até um mundo menos doente do ponto de vista ambiental. A única coisa que nos deram foi um colapso econômico gigantesco, com desemprego e pobreza. Deveriam estar escondidos cheios de vergonha.

Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário. Os economistas conservadores ganharam mais força. Por quê? A razão é que os mitos em que fundamentam as suas posições são profundamente enraizados numa cosmovisão básica, de uma grande quantidade de pessoas, para não dizer da maioria das pessoas.

Na arca de mitos em que se fundamenta a economia conservadora ou neo-clássica, existem três particularmente importantes. Não importa quanta evidência empírica de sentido contrário você possa encontrar, nunca poderá convencer os fiéis desses dogmas. De qualquer forma, aqui lhes oferecemos algumas pedras para atirar às brilhantes vitrinas em que têm essas crenças.

O primeiro mito está baseado na ideia de que o mundo da economia forma um sistema autônomo que regula a si mesmo. A metáfora mais bem sucedida (e perigosa) é que a economia é uma espécie de máquina. E como se regula, há que deixá-la trabalhar sem perturbar a sua dinâmica.

A teoria econômica passou mais de 200 anos a tentar provar que de fato o sistema econômico se auto-regula e que, portanto, não necessita de intervenção do governo nem da esfera da política. A evidência de crises recorrentes poderia ter sido suficiente para provar o contrário. Mas, confrontados com histórias de crise, os neoclássicos podiam sempre argumentar que foram causadas ​justamente por intervenções irresponsáveis dos governos.

O debate deslocou-se para o mundo dos modelos matemáticos. O programa de investigação dos economistas era simples: construir um modelo matemático capaz de reproduzir as condições em que as forças de mercado conduzem ao equilíbrio. Mas o modelo mais sofisticado e refinado da teoria econômica neoclássica demonstrou que, em geral (salvo exceções aberrantes) o sistema de mercado é instável. Então, para onde quer que se olhe: ou história econômica ou modelos matemáticos puros, a verdade é que a ideia de mercados auto-regulados que conduzem ao equilíbrio não tem nenhuma base racional.

O segundo mito é que a economia de um governo é como uma casa. E tal como uma família tem de medir o seu consumo, o governo também tem que restringir o gasto para baixar o montante dos seus rendimentos. Desta visão vem a ideia de que em tempos de crise, tal como o faria uma família, há que apertar o cinto. É o que recomendam constantemente os chamados falcões da austeridade fiscal no debate sobre a política fiscal em todo o mundo.

A realidade é diferente. Para começar, as famílias não podem estabelecer carga fiscais e colectar receitas através de impostos. Nem vi famílias que vivam centenas de anos, que incorram num déficit constante e que acumulem dívida, como fazem os governos. Normalmente as dívidas domésticas têm de ser resolvidas de uma forma ou de outra.

No limite, os governos podem emitir moeda, algo que os particulares também não podem fazer. Alguns dirão que precisamente para evitar abusos se deu autonomia ao Banco Central. Mas se você observar com cuidado o comportamento da Reserva Federal dos EUA pode constatar que a política monetária não se assemelha nada ao comportamento de uma família.

O terceiro mito é que cada classe social ou grupo recebe como remuneração aquilo com que contribui para a economia. Essa crença é a que está mais profundamente enraizada nas pessoas e atravessa o espectro de todas as classes sociais. Parece que em algum lugar no imaginário coletivo habita a lenda de que o rendimento das pessoas é proporcional à sua contribuição para o produto nacional. O corolário é que a ordem econômica é justa, mas a realidade é que nada na teoria econômica dá sustento a esta ideia. A distribuição de rendimento não está determinada por qualquer lei ou outro mecanismo econômico.

Simplesmente e apenas depende das relações de poder.

Isso não significa que as variáveis econômicas não sejam importantes. Pelo contrário. São muito mais importantes do que se pensa quando se coloca uma das lentes deste mito pernicioso que tudo distorce. O saldo fiscal, a inflação, a criação de moeda e nível salarial, tudo isso merece uma atenção cuidadosa, sem mitologias e crenças mais relacionados com a bruxaria do que com o pensamento racional.

Os mitos sobre a economia que se foram perpetuando nas escolas e faculdades de economia, fundiram-se com as crenças mais ingênuas e perigosas dos nossos tempos. Talvez essas crenças tenham mais a ver com aquelas Forze elementari sobre as quais escreveu Gramsci na sua análise sobre o fascismo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A Nação Falcão: um guia para o debate sobre o teto da dívida catastrófica


Os Estados Unidos têm muitos problemas no momento: um alto e persistente nível de desemprego, uma catástrofe em execuções patrimoniais, uma economia em desaceleração, que não tem se recuperado e não vai se recuperar da Grande Crise, e os desafios em curso, no quesito infraestrutura, energia e mudança climática. Crise fiscal? A coisa toda é uma ficção, inventada por homens espertos a repetirem suas advertências repetidas e infinitas vezes e as vincularem às projeções de técnicos do Gabinete Orçamentário do Congresso e fora dele. O artigo é de James K. Galbraith.

Novos informes dão conta de que o Presidente Obama obteve uma vitória política ao concordar em pôr o Medicare e o Social Security na guilhotina para obter uma “grandiosa” soma de 4 trilhões em redução de déficit. O porta-voz [da Câmara de Representantes dos EUA, John] Boehner teve de conceder que os republicanos não votarão em pacote algum que inclua aumento de impostos – e a negociação morreu. Assim o ardil operado e o Presidente emergiram com uma imagem sólida como a do Falcão Alfa do déficit, para a qual só se pode dizer: que bom para ele.

Estamos num verão que só Salvador Dalí poderia pintar uma realidade tão distorcida que quase se pode desejar a simples verdade a respeito da Guerra ao Terror ou até da invasão do Iraque. Assim como hoje, para ser sério, deve-se ser um “falcão”. (A pomba é uma fraca, uma perdedora, e a coruja, para fins práticos, não existe). Então vamos rever algumas das estranhas e misteriosas faces deste pássaro feio e cruel.

O primeiro teto da dívida foi decretado em 1917. Por que? A data nos diz tudo: estávamos às portas da Primeira Grande Guerra. Para financiar esse esforço, o governo Wilson precisava emitir os Títulos da Liberdade. Foi uma medida controversa, e o teto da dívida foi coberto, aprovado para assegurar aos caipiras de que o Congresso seria “responsável” até mesmo quando o país estava indo para a guerra. Era, desde o começo, um exercício de má fé e assim perseverou, em cada segundo até hoje.

Hoje, essa lei de má fé é levada ao seu extremo absurdo, para forçar cortes massivos nas políticas públicas, como o preço a pagar por não denegar a dívida pública dos Estados Unidos. Não importa que forçar o default nas obrigações públicas dos Estados Unidos seja flagrantemente inconstitucional. A seção 4 da 14° emenda diz em linguagem simples que obrigações públicas devidamente autorizadas por lei e inclusive pensões, a propósito, “não devem ser questionadas”. O propósito dessa linguagem foi o de tornar efetivo o direito, para além de questões políticas, de modo a impedir qualquer possibilidade de que os fundos de pensão e sindicatos saíssem impunes, caso denegassem suas obrigações em pensões e benefícios. Mas a sua aplicação é muito geral e as cortes têm decidido que o princípio permanece em vigor até os dias que correm.

O que está em curso no Congresso dos EUA neste momento é já uma violação ao que manda este dispositivo legal. Trata-se de um esforço para subverter a autoridade do governo de encontrar e, portanto, gerar obrigações de qualquer natureza possível. É um ataque ao conceito mesmo de governo – como o próprio “Tea Party“ até em seu nome mesmo concorda, sem duvidar. Isso, portanto, pinta esses falcões do déficit, que estão usando o debate sobre o teto do déficit para operar sequestros orçamentários, como inimigos da Constituição dos Estados Unidos.

O presidente, embora seja supostamente um expert constitucional e tenha jurado “preservar, proteger e defender” a Constituição, não dirá tal coisa. Em vez disso, ele parece tratar a Constituição como uma matéria opcional, a qual não apelará, na esperança de que, negociando com os sequestradores poderá obter algum resultado razoável que preservará o bom nome de todos. (o grande acadêmico de Harvard, Laurence Tribe, argumentou recentemente que o Presidente não pode enfrentar o aumento do déficit sozinho. Este é um ponto discutível). É como se Lincoln, em 1861, diante do Forte Sumter sitiado, tivesse se rendido aos comissários Confederados para ver o que poderia ser arranjado.

Em Washington parece que esse ataque ao governo tem uma larga medida de apoio da elite e da mídia, não de modo grosseiro ou em personalidades vulgares, mas porque possivelmente forçaria os partidos a fazer “o que deveriam, em todo caso” – a saber, chegar a um acordo da dívida e do déficit de longo prazo. Um acordo como esse cortaria gastos, aumentaria alguns impostos, poria a relação dívida/PIB em razão decrescente e resolveria “a crise fiscal do governo”.

Que crise fiscal? A grande questão não respondida neste verão de som e fúria é “por que?”. Os Estados Unidos têm muitos problemas no momento: um alto e persistente nível de desemprego, uma catástrofe em execuções patrimoniais, uma economia em desaceleração, que não tem se recuperado e não vai se recuperar da Grande Crise, e os desafios em curso, no quesito infraestrutura, energia e mudança climática. Crise fiscal? A coisa toda é uma ficção, inventada por homens espertos a repetirem suas advertências repetidas e infinitas vezes e as vincularem às projeções de técnicos do Gabinete Orçamentário do Congresso e fora dele.

As projeções, eu andei escrevendo [aqui], são traçadas com base em dois argumentos economicamente impossíveis. Um é o de que haverá uma grande recuperação econômica, próxima de uma situação de pleno emprego, por volta de 2013. Nós já estaríamos fora desse caminho, como alguns de nós disse [http://www.washingtonmonthly.com/features/2009/0903.galbraith.html] desde o começo. É claro, uma recuperação reduziria o déficit, mesmo que nada fosse feito. Mas aí o Gabinete Orçamentário do Congresso recria a explosão da dívida por hipóteses, as quais incluem crescimento sólido e baixa inflação, mas custos bruscamente mais altos na assistência em saúde e muito mais altas taxas de juros de curto prazo. Isso leva o déficit projetado às alturas, superando no curto prazo todos os recordes em relação ao PIB.

Isso é possível? Não, não é. O Banco Central estadunidense [Federal Reserve] jamais aumentaria as taxas de juros no curto prazo, como projeta o GOC [CBO, na sigla em inglês], sem que antes haja um aumento da inflação, coisa que o GOC reconhece não ocorrerá. Caso ocorresse, a economia colapsaria! E, se não, o déficit não ficaria fora de controle. Tenho apresentado esses simples números [aqui]. Pois, o que vale, se você acredita que o mercado de capitais sinaliza para alguma coisa, eles o fazem é para a sua descrença nas previsões do juízo final, nas taxas de juros de longo prazo, nos títulos do governo americano, diariamente [every single day].

É possível que o corte no governo seja, por algum outro caminho, a maneira de recuperar a economia?

Há muita gente que acredita com fervor na resiliência do setor privado e para quem o governo não passa de um fardo. Algumas dessas pessoas são puros predadores: magnatas da finança, magnatas da mídia, magnatas banqueiros. Outros tem fechado os olhos para o papel real que o governo joga na sustentação das redes de comunicação, nos sistemas de proteção social que organizam nossas vidas e imaginam que se pode voltar ao tempo das fazendas de subsistência, caridade religiosa e crédito com caderninho no mercado da esquina; só que havia um número muito menor de gente nesse mundo, essas pessoas não faziam o que nós fazemos e não vivam tanto como nós.

Em termos gerais, o governo hoje faz quatro coisas maiores:

. Provê a defesa nacional

. Fornece bens e serviços à economia privada para um vasto leque de propósitos públicos, a maior parte deles em escala bastante pequena em relação ao PIB.

. Regula um vasto setor privado de atividades ligadas a segurança, saúde, meio ambiente e outros propósitos, inclusive a estabilidade financeira – ou assim se espera que o faça.

. Administra os programas sociais como Social Security, Medicare e Medicaid, assim como outros programas de benefícios em saúde e aposentadoria.

Em que alguma dessas funções é ampla demais? Como economista comprometido com as questões de segurança e paz [http://www.epsusa.org/], eu realmente acredito que faríamos melhor se terminássemos a guerra no Iraque e no Afeganistão rapidamente, que poderíamos dispensar os custos financeiros de tantas bases militares no exterior, com porta-aviões, aviões e submarinos e armas nucleares deixados pela Guerra Fria. Mas esses são juízos relativos à segurança, não econômicos. Em outras palavras, eu não cortaria um centavo dos gastos do Pentágono que fossem verdadeiramente necessários para defender os Estados Unidos, caso isso baixasse as taxas de juros e a dívida pública.

Pelo mesmo raciocínio, por que deveríamos cortar gastos em transporte, saúde pública ou proteção ambiental, ou pesquisa científica, ou fiscalização da atividade bancária ou de fundos de pensão que financiam escolas públicas? Pode-se argumentar dessa maneira com base em cada um dos programas sociais – e se deve fazê-lo. (Eu cortaria alegremente os subsídios para o etanol e poria fim aos benefícios fiscais das empresas de petróleo, para começo de conversa). Mas não é o caso de a economia impor limites amplos, e é óbvio que os 500 mil trabalhadores do setor público – inclusive muitos professores, policiais, bombeiros e guardas-florestais, bibliotecários – que perderam seus empregos desde 2009[ http://thinkprogress.org/yglesias/2011/07/08/263588/the-conservative-recovery-continues-2/], estariam fazendo coisas boas e úteis que hoje fazem falta. Se cuidar deles tivesse sido bom para a economia, estaríamos tendo uma recuperação mais forte do que estamos tendo.

Finalmente, há o Social Security, o Medicare e o Medicaid. Diferentemente dos programas militares ou de transporte, o Social Security não é um programa de aquisição pelo governo. Ele portanto não requer nada diretamente do setor privado. O que ele faz? Provê previdência: protege os trabalhadores da pobreza da velhice, caso suas famílias não queiram ou não possam cuidar deles. E taxa todos os trabalhadores, para que eles não sejam sobrecarregados com o cuidado dos pais, ou de sobreviventes, ou dos portadores de necessidades especiais, que teriam de ser sustentados. Junto ao Medicare e ao Medicaid, o Social Security é um poderoso instrumento de proteção para toda a população – jovem e idosa. Ele redistribui o poder de compra, que decai em relação a ganhos passados, de modo que conduz à convergência de necessidades básicas para um grande número de americanos que, de outra forma, em muitos milhões de casos, seriam destituídos de recursos ou ficariam sem assistência em saúde.

A que serviria o propósito de cortar esses programas? Fazer isso iria redistribuir renda de novo. Muitos dos futuros idosos estarão em situação muito pior e é claro que muitos morrerão mais jovens do que do contrário iriam. Sobreviventes e portadores de necessidades especiais também iriam sofrer. Em troca, o que o governo federal e o país ganham? Uma liberação de recursos reais para o setor privado? O Social Security não retira recursos reais do setor privado! Taxas de juros menores? A ideia é absurda, e não apenas porque hoje as taxas de juros estão baixas. A noção de que o corte do Social Security ajudaria a manter as taxas de juros baixas é absurda porque as taxas de juros são dispostas de maneira tal que não têm relação alguma com o Social Security, o Medicare ou o Medicaid (*).

Esse argumento não tem coisa alguma a ver com a metáfora várias vezes repetida e perfeitamente verdadeira de que o sistema do Social Security não contribui com o déficit. Não importaria se contribuísse. A questão que importa é: os benefícios são muito elevados? Obviamente não. E quanto à taxação da folha de pagamentos, também é baixa? Não é o caso para isso, tampouco. Uma das muito poucas luzes na política recente foi a decisão de reduzir a taxação sobre a folha de pagamentos para os empregados temporariamente, enquanto se deixa o Social Security a salvo.

Se você quiser acumular recursos em cima disso, os passos certos seriam baixar ][http://www.foreignpolicy.com/articles/2011/01/02/unconventional_wisdom?page=0,7] – e não subir – a idade mínima de aposentadoria com o Social Security, permitindo por alguns poucos anos que trabalhadores mais velhos saiam do mercado de trabalho permanentemente em termos melhores do que os disponíveis para eles hoje. Isso, junto à baixa idade para ingressar no Medicare trabalharia rapidamente para reequilibrar a força de trabalho, reduzindo o desemprego e o trabalho precário dentre os trabalhadores mais velhos, enquanto aumentaria a oferta de trabalho para os jovens. Trata-se da aplicação pura e simples do senso comum. E, diferentemente das pressões para que operem cortes de longo prazo nesses programas, isso ajudaria a resolver um dos maiores problemas que se tem a seguir.

Em vez disso, o que nós temos, de um presidente que se diz membro do Partido Democrata? Em primeiro lugar, há a afirmação de que estamos numa crise fiscal, o que é uma grande inverdade. Segundo, uma concessão em princípio de que deveríamos lidar com essa crise ao permitir o corte massivo nos gastos dos serviços públicos, por um lado e, por outro, nos programas de seguridade social. Essa é uma arbitrariedade cruel. Terceiro, uma recusa de se manter firme ao lado da Constituição, contra aqueles cujo propósito aberto e declarado é rasgar esse documento e espatifar o crédito público.

No diário da besta aos domingos [In the Daily Beast on Sunday], Howard Kurtz escreveu em termos otimistas a respeito dos prognósticos para um acordo sobre o déficit. “Mas, longe das câmeras, até os políticos de língua afiada reconhecem o imperativo de impedir o destino da Grécia. É um sinal dos tempos que os atores de teatro kabuki de Washington irão aplaudir por terem advertido da catástrofe”.

Kurtz não disse que o grande Kabuki aqui é sua própria noção de que de algum modo os EUA estão diante do destino da Grécia – um pequeno e constrangido membro de uma zona monetária que não pode controlar. Ele não disse que a catástrofe que teme – um default do governo estadunidense frente a suas obrigações – foi inteiramente produto de uma política de má fé, aprovada por um presidente irresoluto, que parece não perceber o perigo de permitir que a Constituição fracasse.

E ele não disse que aplaudiria o acordo com cortes no Social Security, no Medicare, no Medicaid e todas as funções legítimas e necessárias do governo – que seriam para milhões de americanos a própria catástrofe.

(*) Taxas de Juros de curto prazo são o que o Comitê Federal de Mercado Aberto dita o que elas devam ser. E se o Tesouro quer pagar baixas taxas de juros da dívida, podem sempre emitir títulos da dívida de curto prazo – ou pode emitir títulos de longo prazo e o Federal Reserve pode compra-los de volta, mantendo o padrão de taxa de juros que preferir. Não há risco de default no mercado, nem ameaça à “solvência” por uma “perda de confiança” - nada que o setor privado possa fazer para que o governo dos EUA pague mais do que quer – um ponto que deveria ser óbvio, dado o fato de que as decisões sobre taxas do Federal Reserve nunca são sobrepujadas pelo mercado. A única maneira de o governo dos EUA vir a declarar default é se tomar uma decisão de assim proceder – que é o que os apologistas do déficit e sequestradores do orçamento ameaçam e o que a Constituição proíbe.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte:
http://www.newdeal20.org/2011/07/11/hawk-nation-a-guide-to-the-catastrophic-debt-ceiling-debate-51211/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

EUA: FALENCIA EM CONTAGEM REGRESSIVA…UU$69BI…US$68BI…US$67BI…


http://www.veropalacios.cl/g_economia/images/Economia_Crisis%20USA.jpg

Dívida pública dos EUA quase ultrapassa limite de US$ 14 trilhões
O valor da dívida pública dos Estados Unidos está quase acima dos 14,3 trilhões estipulados pelo governo Obama e deve colocar a maior economia do mundo à beira da falência
A recuperação econômica dos Estados Unidos está longe de acontecer com o fato de que a dívida pública do País está em seu limite de 14,3 trilhões de dólares estipulado para este ano.
Para contornar a situação, os Estados Unidos vai aplicar medidas extraordinárias para fazer com que o governo federal consiga mais empréstimos sem afetar o limite de endividamento.
As medidas serão tomadas pelo secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner. O limite permitido pelo governo, 14,3 trilhões de dólares, já está causando receio nos investidores, pois demonstra que o governo não terá condições de cobrir as dívidas futuras.
Para Geithner, “como parece que o Congresso não vai agir até o dia 16 de maio, será necessário que o Tesouro comece a adotar medidas extraordinárias nesta semana” (EFE, 3/5/2011).
No último levantamento feito pelo Tesouro, na última quinta-feira, a dívida federal dos Estados Unidos já estava em 14,231 trilhões de dólares.
Evitando o inevitável
Uma das medidas a serem adotadas é a emissão de bônus da dívida pública para segurar o aumento do valor da dívida. O governo pretende retardar até o dia dois de agosto que a dívida ultrapasse o teto de 14,3 trilhões de dólares.
O Tesouro conta com este atraso em alcançar o limite da dívida para que o Congresso norte-americano chegue a uma decisão de ampliar este limite até o início do próximo semestre.
O limite imposto para a dívida pública serve para evitar gastos excessivos que leve o país a um endividamento ainda maior, mas esta medida não está surtindo muito efeito, pois o Departamento do Tesouro já anunciou que a dívida pública deve ser maior que o previsto para este ano.
A dívida pública neste valor interfere diretamente no orçamento do governo Obama para 2011, pois vai resultar na diminuição dos gastos públicos em áreas sociais.
A tendência que já se anunciava desde o ano passado é que a economia norte-americana tenha que seguir a política adotada na maioria dos países europeus endividados, os planos de austeridade.
O governo norte-americano já fez alguns cortes no orçamento para tentar diminuir a dívida cancelando verbas públicas para dezenas de programas sociais. Até o momento estas medidas não foram suficientes.
O aumento da dívida pública norte-americana, seguida das já bilionárias dívidas dos países europeus e Japão, vai resultar em uma falência generalizada destas economias seguida de um forte ascenso das massas trabalhadoras.

A RESTAURAÇÃO ORTODOXA


Clique aqui para ver o especial A hora da Comissão da Verdade
 
Passado o pânico do colapso mundial gerado pelas finanças desreguladas, os mercados voltam a dar as cartas ocupando o vazio político propiciado pelo canhamento estratégico da esquerda diante da desordem rentista. A palavra de ordem é arrochar os gastos do Estado  para digerir a reciclagem dos débitos privados em endividamento público, modelo que consagrou a convalescência da crise sem atacar as suas causas. O resultado é a emergencia de uma nova safra de Estados zumbi, tangidos pelo FMI e indiferentes ao protesto de quem vai pagar a conta em última instância: milhões de desempregados. Fatos: enquanto Hillary Cliton tem frêmitos diante da cabeça de Bin Laden, desemprego nos EUA atinge 14 milhões de pessoas, segundo Paul Krugman, e vai a 9% fa força de trabalho; b) Portugal cortará investimentos em saúde e educação; estatais serão privatizadas, salários e aposentadorias serão congelados: taxa de desemprego deve atingir 13% em 2013; c)Espanha: desemprego bate recorde e atinge 21,3%, o maior entre os países industrializados; governo se antecipa às exigências dos mercados , corta gastos e investimentos; em algumas regiões, caso da Andaluzia, taxa de desemprego passa de 29%; d) Grécia: arrocho imposto pelos mercados piora a situação das contas públicas; déficit fiscal salta para 10,5% do PIB (meta era 8%)  com a queda de receitas gerada pela recessão, o desemprego e corte de investimentos públicos; d) Irlanda, um caso terminal, debate-se na mesma endogamia viciosa de arrocho fiscal/recessão para debelar um déficit impossível: 32% do PIB em 2010.
(Carta Maior; 5º feira, 05/05/ 2011)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O “neonacionalismo” de O Globo

O “neonacionalismo” de O Globo
quarta-feira, 23 junho, 2010 às 15:31
Diz o ditado que, quando você encontra um jaboti em cima de um galho de árvore, é certo que alguém o colocou lá.
É o caso da manchete de O Globo de hoje: “Aumenta a dependência do país ao capital especulativo”.
Vejam que maravilha! O Globo preocupado com os especuladores! E não é só o jornal. Miriam Leitão fez também um comentário na CBN dizendo que “aumentou muito a dependência do Brasil ao capital especulativo para fechar o déficit em transações correntes que, em maio, ficou em US$ 2 bilhões, o segundo maior depois de maio de 2001, no auge do apagão.”
Tudo isso porque o BC baixou em 15% sua previsão de entrada de investimento estrangeiro direto, que é o capital que entra para o setor produtivo. E tinha que baixar, porque este investimento baixa sempre que há uma crise externa, como há agora na Europa.
Foi assim em 2009, quando a crise mundial do fim de 2008 o derrubou para R$ 26 bilhões, com uma perda de mais de 40% em relação ao ano anterior . A nova previsão do Banco Central, de R$ 38 bi é, portanto, de crescimento de “apenas” 50% em relação ao saldo anterior. É verdade que mais modesta que os 75% previstos antes.
Parece algo bem distante de uma situação caótica, não é. Ainda mais se considerarmos que, logo ontem – coisa que O Globo não considerou importante registrar para seus leitores – anunciou-se que o investimento estrangeiro no setor produtivo da economia foi de US$ 3,534 bilhões em maio , o melhor para o período na série histórica iniciada em 1947. Embora haja uma distorção provocada pela antecipação de negócios, como registrei ontem aqui, não é nada desprezível.
Impressiona-me como, por interesses políticos, um jornal possa descontextualizar uma notícia tão importante. A dependência do Brasil ao capital estrangeiro, especialmente o especulativo, é algo sério demais.
Este é, sim um problema estrutural de nosso país. E tem que ser seriamente encarado pelo Governo Dilma.
O Globo, porém, que sempre tratou o capital estrangeiro como a “salvação da lavoura” não poderá jamais falar que a especulação dos investidores do exterior, na verdade, é uma saúva para o Brasil.