Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

FOLHA E GLOBO DEFENDEM ABERTURA DOS PORTOS


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sader pergunta: onde você estava no Golpe?

"Onde estava você no golpe militar?"
O Conversa Afiada publica artigo de Emir Sader, retirado da Carta Maior:

Onde estava você no golpe militar?


Os países costumam ter momentos fundamentais, em que se decidem os seus destinos. Nesses momentos cada pessoa, cada força política, cada meio de comunicação, todos, revelam suas posições profundas, os interesses que defendem, de que lado estão. O golpe militar de 1964 foi esse momento decisivo na história do Brasil, quando a democracia foi questionada e finalmente derrubada e destruída por uma ditadura militar.


Daí que faz todo sentido perguntar para cada um: Onde estava você no golpe militar?


Havia dois discursos, antagônicos. Um, o da defesa da democracia e extensão das suas conquistas, com a incorporação de setores cada vez mais amplos aos seus direitos fundamentais. A favor da extensão da democratização do Brasil – da sociedade e do seu Estado.


O outro, assumido por toda a mídia, junto com os partidos de oposição e o governo dos EUA, era de que os riscos à democracia que representaria o governo de Jango, justificariam um golpe militar preventivo. Argumento típico da guerra fria, que mobilizou forças contra a democracia, promovendo golpes militares em muitos países do continente. Foi exatamente o que aconteceu no Brasil.


“Nas palavras do presidente (sic) Castello Branco proferidas na solenidade de posse há uma nítida convocação para que a obra de reconstrução se faça com a colaboração indistinta de todas as classes, das produtoras e das trabalhadoras, das armadas e das civis, das eventualmente saudosistas do antigo regime e das que se regozijaram com a sua deposição.” O ditador é tratado, no título do editorial, como: “O Presidente de todos”, pelo jornal dos otavinhos. A manchete do dia do golpe – primeiro de abril – foi: “Ademar: 6 estados sublevam-se para derrubar Goulart.” Nenhuma menção à palavra golpe, menos ainda a ditadura e à intervenção dos militares, aliados com o grande empresariado, com os partidos de oposição, com a hierarquia da Igreja Católica e com o governo dos EUA.


Nesse momento crucial da nossa história, que mudou a nossa história de forma tão radical na direção da ditadura contra a democracia, de um modelo econômico excludente contra a inclusão social, pela aliança subordinada com os EUA contra a soberania nacional – nesse momento, cada um mostrou sua cara, disse de que lado está. Do lado da democracia ou da ditadura, dos interesses nacionais ou do entreguismo, da inclusão social ou da exclusão social.


É fácil, depois que a resistência popular derrubou a ditadura, tergiversar com a palavra democracia, esconder o passado, tentar embaralhas as coisas, para buscar impedir que se recorde onde estava cada um no dia primeiro de abril. Mas tudo está consignado pela história. O editorial mencionado acima é apenas um dessa empresa e de todas as outras – à exceção da Última Hora, que por isso mesmo não sobreviveu -, de apoio e incentivo ao golpe e à instauração da ditadura militar. Que venham a publico desmentir ou se arrependerem, se consideram que cometeram o pior erro que se pode cometer, de atentado grave e reiterado á democracia.


Todos os que estivemos do lado de cá, de defesa da democracia, não temos nada a esconder, nos orgulhamos disso e seguimos coerentes com essa luta. Estávamos, no primeiro de abril, e seguimos estando, do lado da democracia, dos interesses populares e nacionais.

sábado, 9 de outubro de 2010

Chauí prega boicote ao PiG. Não dê entrevista ao PiG




Vamos tirar a folha de parreira deles, viu Palocci ?

POLÍTICA


Para Marilena Chauí, segundo turno não pode se tornar ‘plebiscito sobre aborto’


Em ato pró-Dilma em São Paulo, a professora de filosofia da USP sugere que petistas deixem de atender à mídia


Por: Guilherme Amorim, Rede Brasil Atual


Publicado em 08/10/2010


São Paulo – A filósofa Marilena Chauí fez palestra nesta sexta-feira (8), ao lado de intelectuais e membros do corpo docente da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP) em um ato organizado para defender a candidatura da governista para a Presidência da República. Ela afirmou que o monopólio da imprensa no Brasil transforma a mídia em um agente antidemocrático e que a disputa não pode se tornar em um plebiscito sobre o aborto, baseado em boatos.


A maioria dos participantes usou seu espaço de discurso para, além de diferenciar os projetos de governo dos candidatos, fazer críticas ao comportamento da imprensa.


Marilena Chauí defendeu que lideranças de esquerda e do PT deixem de atender jornalistas da imprensa convencional, em uma espécie de boicote a pedidos de entrevista. “Para defender a liberdade de expressão é preciso não falar com a mídia”, propõe Marilena Chauí. Ela acredita que a mídia dá espaço para figuras do partido e de movimentos sociais apenas para “parecer plural”, mas promovendo um “controle de opinião” sobre o que é publicado.


A professora aludiu ao caso da dispensa da colunista Maria Rita Kehl pelo jornal O Estado de S. Paulo. “A democracia não é simplesmente um regime da lei e da ordem”, explicou, defendendo que é necessário haver diversidade de opinião na mídia. A professora esclareceu que não se pode permitir que três ou quatro famílias mantenedoras dos meios de comunicação pautem a agenda política do Brasil.


“Temos que impedir que o segundo turno das eleições se torne um plebiscito nacional sobre o aborto”, definiu. Para ela, a cada semana é definida uma nova temática para o debate político – se referindo às discussões eleitorais levantadas recentemente, como a da liberdade de imprensa e a da religião.

Conta-se que, um dia, o Otavinho da Folha (**) convidou a professora Chauí para ser articulista da Folha.
E, segundo me contou um aluno dela, a resposta da professora teria sido: eu não vou ser a folha de parreira do Otavinho.
Folha de parreira – aquela que os pintores usam para esconder a nudez.
Quem tem uma história parecida é o Carlos Lacerda, o Pai de Todos os Golpistas – e o mais inteligentes deles: “quem nasceu para José Serra jamais será um Carlos Lacerda”, diz o Brizola Neto.
Lacerda ajudou a dar o Golpe de 1964 e achou que o Brasil ia cair no colo dele.
Quando viu que os militares não iam largar o osso, rompeu com Castello Branco e inventou uma divergência com o Ministro do Planejamento, Roberto Campos, mentor espiritual do Serra e do Fernando Henrique (no campo do neoliberalismo).
Lacerda disse que a política econômica – precursora da privataria – era uma grande roubalheira.
E o Castello fazia o papel de “São Jorge da rua Conde da Lage”.
Na Conde da Lage, na Lapa, ficavam os prostíbulos mais famosos do Rio.
E, no alto das escadas dos prostíbulos, havia sempre um São Jorge iluminado.
É para isso que o Otavinho precisava da professora Chauí: para, como diz ela, “parecer plural”, virtuoso, protegido por um São Jorge iluminado.
A professora Chauí tem razão.
Para que falar com o PiG (*) ?
As declarações são manipuladas.
Na edição, na balança, as opiniões “piguistas” predominam, e os que divergem vão para o pé da página par, transformados numa minoria irrelevante.
Mas, para boicotar o PiG (*) isso, é preciso combinar com os Paloccis.
Combinar com o pessoal do PT que não resiste à urubóloga Miriam Leitão e a uma entrevistinha à GloboNews.
O Serra diz “me desculpe” a repórter da Globo, mas tem muito petista que faz o mesmo (em off).
Façam como o Ministro Samuel Pinheiro Guimarães que só dá entrevista à Eliane Catanhêde por e-mail.
(E mesmo assim ela manipula o título.)
Mas, é melhor mesmo não dar entrevista nenhuma.
E usar a internet, as redes sociais.
Melhorar os sites do Governo, dos partidos, das campanhas.
E tirar a folha de parreira do Otavinho.

Paulo Henrique Amorim
Em tempo: o presidente do PT, José Eduardo Dutra, caiu na asneira de dar uma entrevista ao Globo – pág. A9 – sobre a ida ao segundo turno e mereceu um título na primeira página: “Houve prostração”. É o espírito do Palocci: não pode ver um repórter da Globo.
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um  comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Franklin Martins vai à Europa para organizar Seminário Internacional Marco Regulatório da Radiodifusão


 Essa é para mídia golpista , " INSTITUTO MILLENNIUM''. Aperta que eles roncam.


O ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação) viajou nesta quarta-feira para a Europa para conhecer modelos de regulação da mídia e para convidar instituições a participarem, em novembro, de seminário sobre o tema.Franklin visitará instituições em Londres e Bruxelas até o dia 10. Ele está organizando o Seminário Internacional Marco Regulatório da Radiodifusão, Comunicação Social e Telecomunicação, ainda sem data e local definidos porque dependem da agenda dos convidados internacionais.

O Presidente Lula quer enviar até dezembro ao Congresso uma proposta de marco regulatório dos serviços de telecomunicação e radiodifusão. Um grupo de trabalho coordenado pela Casa Civil está analisando as propostas aprovadas durante a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), que ocorreu em dezembro passado.A conferência aprovou 633 sugestões para regular os meios de comunicação.

Os principais eixos são o marco regulatório da internet, direitos autorais, legislação geral para a comunicação pública, regulamentação do artigo 221 da Constituição (pelo qual as TVs devem priorizar conteúdo nacional) e o marco regulatório para o setor de comunicação.A Confecom contou com a participação do governo e da sociedade civil.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Segundo turno?

O jogo complicou-se na reta final. Os institutos detectaram migração de votos de Dilma para Marina e redução significativa da diferença entre os votos na petista e a soma de seus adversários. Ou seja, aumentaram as chances de um segundo turno. 

A minha análise é que houve uma superexposição de Dilma. Ela tornou-se, finalmente, uma figura conhecida nacionalmente, e chegou perto de 60% dos votos válidos. Agora está refluindo (embora marginalmente), com eleitores optando por Marina, Plínio e, em menor escala, Serra. Essas migrações, porém, além de ser mínimas e dentro da margem de erro, são voláteis, e podem reverter-se. As pesquisas indicam que Dilma tem o percentual mais alto de eleitores que afirmam não mudar seu voto. Ela tem uma base firme.

Mas o eleitorado é imprevisível e rebelde. Diante dos números estratosféricos, quase consensuais, que cercaram Dilma por semanas, com jornais, blogs e portais afirmando diariamente que a vitória dela num primeiro turno estaria já garantida, criou-se um cansaço, um protesto silencioso contra o "fato consumado".

O tensionamento entre a candidatura Dilma e a grande mídia gerou, por sua vez, uma situação que pressionou as forças políticas pró-Dilma de tal maneira que as obrigaram a um posicionamento antimídia extremamente duro, que talvez tenha custado alguns pontos percentuais e talvez mesmo a possibilidade da vitória no primeiro turno. Foi uma espécie de sacrifício, mas necessário, pois desta vez não se pretende apenas ganhar as eleições. A ambição da esquerda é maior. É derrotar a mídia. Isso, convenhamos, é bem mais difícil do que derrotar Serra, um xaropão cuja inteligência tem sido seriamente questionada nessa disputa.

Derrotar Serra no primeiro turno parecia relativamente fácil. Vencer a mídia, por sua vez, é uma tarefa bem mais complexa. Mas a esquerda, dessa vez, mesmo a custa de uma vitória no primeiro turno, precisava ir até o fim. Até porque é uma luta antiga. Vemos hoje uma segunda edição do que aconteceu em 1964. A mídia procura vender seus candidatos não através da promoção de suas propostas, e sim pela descaracterização moral do adversário, pintado como antidemocrático e sem ética. A afirmação é repetida sistematicamente, e simultaneamente desencadeia-se uma série interminável de denúncias, as verdadeiras legitimando as falsas, as falsas ampliando o impacto das verdadeiras.

Tenho um amigo que eu considerava um eleitor certo de Dilma, em quem ele havia já declarado voto. Outro dia, conversando com ele, disse-me que votaria em Plinio... e, acrescentou, tranquilamente, em Dilma no segundo turno. Por outro lado, pareceu-me que ele se decidiu por Plínio justamente pela força descomunal exibida por Dilma Rousseff, que lhe deu confiança de poder "forçar" um pouco o voto à esquerda, votando no Psol.

A migração de votos para Marina, por sua vez, eu explico principalmente como resultado da exibição de uma entrevista de 7 minutos com Rubnei Quicoli, ex-presidiário, no Jornal Nacional, fazendo uma série de acusações gravíssimas (e escalafobéticas) contra a Casa Civil, e a subsequente queda da ministra Erenice Guerra, que produziu um grande impacto na opinião pública.

Tudo bem que o Datafolha fez uma coisa ridícula, como incluir a pergunta sobre Erenice no questionário de intenção de voto, transformando a entrevista numa verdadeira tortura psicológica para o eleitor de Dilma, que teve de enfrentar perguntas constrangedoras baseadas em denúncias sobre as quais ainda faltam os devidos esclarecimentos. Quero dizer, Erenice pode ter incorrido em nepotismo (o que não era crime antes do ano passado), mas não tráfico de influência. Seu filho pode ter cometido tráfico de influência, mas não na escala que tentou se alardear. Não se sabe ainda. A atmosfera incendiada do processo eleitoral obnubila qualquer observação isenta. Mesmo assim, mesmo desconfiando do Datafolha, que nesta eleição tem histórico de manipulação, é evidente que houve impacto. O Datafolha, desta vez, tem um pretexto concreto como argumento para a queda das intenções de voto em Dilma Rousseff.

A blogosfera às vezes se esquece que apenas uma minoria lê blogs políticos de esquerda. Já as denúncias exibidas no Jornal Nacional atingem a totalidade da população brasileira. As posições da blogosfera se expandem lentamente, ao longo de dias, semanas, meses, ou mesmo anos. Um factóide bombástico no JN provoca estragos imediatos. A pessoa termina de assistir e já é outra pessoa.

Entretanto, pode dar-se um efeito sanfona. O eleitorado, sobretudo aquele que migrou para Marina ou Plinio, vendo a possibilidade de que Serra vá para o segundo turno, pode considerar isso uma ameaça suficientemente grave para justificar outra mudança de última hora: e regressar para Dilma. O grande trunfo dela, afinal, além do apoio do presidente Lula, que mantém uma popularidade de 80% (não esqueçam desse detalhe!), é a rejeição enorme de um terço do eleitorado em relação a Serra. O tucano sabe disso e não por outra razão decidiu adotar um estilo mais pacato nessa reta final.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tribunal de Contas do RS desmente 'Folha' em nota



Tribunal de Contas desmente quadrilha Frias

Órgão afirma que nenhum documento foi ocultado da reportagem do jornal
Por: Thalita Pires, especial para a Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro - O Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS) publicou nota de esclarecimento desmentindo as acusações realizadas pelo jornal Folha de S.Paulo no dia 20 de setembro. Na matéria "Dilma favoreceu firma e aparelhou secretaria, diz auditoria do TCE", o jornal afirma que funcionários do tribunal tentaram ocultar a abertura dos documentos solicitados, que só teriam sido liberados por determinação da presidência do TCE.

Na nota, o tribunal rechaça a afirmação. "A solicitação do jornal Folha de São Paulo para o fornecimento de cópias relativas aos processos de contas da Senhora Dilma Vana Roussef foi prontamente atendida pelo TCE-RS", diz a nota. Além disso, o tribunal teria fornecido todos os documentos relativos aos processos inquiridos, e não apenas os relatórios de auditoria.

O tribunal rejeitou também a insinuação de que teria agido com objetivos políticos. "Associar, como o fez a matéria, a atuação dos técnicos do Tribunal a partido político e, particularmente, a um governante, implica desconhecimento básico dessa realidade ou, o que seria inaceitável, grave afronta à verdade e à transmissão da correta informação', diz a nota.

A matéria da Folha gerou polêmica ao afirmar que Dilma Roussef, quando era secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, havia favorecido a Meta Instituto de Pesquisas. O jornal afirma que uma auditoria do TCE-RS havia constatado irregularidades em uma licitação vencida pela Meta. A decisão final do TCE, no entanto, isentou a então secretária da acusação


Leia mais em: O esquerdopata
Under Creative Commons License: Attribution

domingo, 12 de setembro de 2010

Racistas controlam a revista Veja



Altamiro Borges
Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: “Ela pode decidir a eleição”. A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: “Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destina veneno de nítido conteúdo fascistóide.

Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista. No artigo “A Abril e o apartheid”, publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que “o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande do Brasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial”.

Líderes da segregação racial

A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

Como relata Renato Pompeu, “dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.

Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. “Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”. Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).

Os tentáculos do apartheid

Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.

Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”. Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.

Os interesses alienígenas

Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril – Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002.

A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner.

Ainda segundo Gustavo Barreto, “a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan – a mesma que calcula o chamado ‘risco-país’, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país ‘honrar’ os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas – detentores das debêntures (títulos da dívida) – da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.

Um ninho de tucanos

Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.

Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros “segredinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

Ley de Medios ou a presidenta Dilma morre.
A última baixaria do Zé


A crise do sigilo levou uma bala no peito com a reportagem da Carta Capital e de Leandro Fortes sobre as recordistas mundiais da abertura de sigilo, a filha do Serra e a irmã do Daniel Dantas.

Agora, é a crise do lobby, germinada pela Veja, a última flor do Fascio, aquela do grampo sem áudio.

Clique aqui para ler “não dura 24 horas a última baixaria do Zé”

Não bastará fazer como a Ministra Erenice fez: abriu todos os sigilos dela e da família e vai à Justiça.

Essa será uma ação individual contra uma instituição – a Editora Abril – que milita contra os interesses nacionais.

Amigo navegante me diz que PiG (*) será diferente com a Dilma: a Dilma não estimula o preconceito racial, de classe, que há contra o Lula.

Discordo.

Haverá sempre o preconceito contra a mulher – e o preconceito de classe.

A Dilma, como a Marta em São Paulo, será sempre perseguida porque traiu a classe e dedicou a atividade política aos pobres.

Isso é imperdoável.

O caminho inverso é o que o PiG (*) enaltece.

O pobre que tornar defensor dos ricos, como o José Serra.

O Mino Carta – que diz essa semana que o Zé Baixaria será o bode expiatório dos ex-donos do poder -, o Mino Carta sabe das coisas.

Ele foi o primeiro a dizer que a Dilma dava uma boa sucessora do Lula.

E, depois, o primeiro a lembrar que a Dilma não é metalúrgica.

Quer dizer, ela não vai poder recorrer ao carisma incomparável do antecessor: o metalúrgico nordestino, sem um dedo, que não fala inglês e chegou lá.

O PiG (*) e a elite branca (e separatista) de São Paulo serão incansáveis contra a presidenta.

O problema nuclear é ela ser trabalhista.

Dilma, por isso, não poderá cometer o erro do Lula.

Dilma vai precisar de uma Ley de Medios, porque ela não é metalúrgica, nordestina – e porque é mulher.

Mais do que isso.

Mesmo que ela tivesse todos os atributos do presidente Lula, quem precisa de uma Ley de Medios é a democracia brasileira.

Assim como o Brasil precisa distribuir a renda, instalar saneamento básico, aprimorar a educação etc etc, o Brasil precisa enfrentar essa ameaça permanente à democracia: o PiG (*).

O PiG (*) só produz crise, já disse, lá atrás, o professor Wanderley Guilherme dos Santos.

O PiG (*) escreve a agenda do Congresso e da opinião pública, disse, na crise do “caosaéreo”, a professora Marilena Chauí.

O PiG (*) e especialmente a Globo interditam a informação.

Como diz o Yacov, amigo navegante deste ordinário blog, o Brasil não passa na Globo.

O notável fenômeno da incorporação de uma Argentina ao segmento da Classe Média, no período de 7 anos – 32 milhões de pessoas –, esse progresso que entra pelos olhos de qualquer brasileiro que vá à rua – a Globo não viu isso.

Nem o PiG (*).

E como a Globo o PiG (*) não viram, o PSDB de São Paulo não viu.

E o Zé Baixaria é isso o que está aí: um saco vazio cheio de ódio.

A “mídia nativa”, diz o Mino, fecha a porta do Brasil aos brasileiros.

Os brasileiros só podem ver o que o PiG (*) quer.

A presidenta Dilma Rousseff terá a responsabilidade garantir o direito à Comunicação.

Um direito que vem da Grécia, da Revolução Francesa, de Tocqueville.

Não só a sobrevivência do Governo Dilma Rousseff estará em jogo.

É a própria democracia.

É por isso que este ordinário blogueiro faz parte do Instituto Barão de Itararé, que sob a liderança edificante do professor Fabio Comparato, prepara uma ADIN por Omissão para entrar no Supremo contra o Congresso Nacional.

Clique aqui para ler o notável artigo de Comparato: ele explica por que entrar com a ADIN.

O Congresso foi sitiado pelo senador Evandro Guimarães, o chefe do escritório de lobby da Globo em Brasília.

O Itararé quer que este sitiado Congresso regule os artigos da Constituição de 88 que tratam da Comunicação.

Nós, blogueiros independentes, fazemos a nossa parte.

A presidenta terá que fazer a dela.

Ou cai.

Os detritos de maré baixa da Veja e do PiG (*) poderão contaminar seu Governo irremediavelmente.

Dilma não é metalúrgica.

Em tempo: o Brizola se perguntava sempre: quantos passaportes tem o Sr. Civita ? Na Argentina, o Governo mandou a Editora Abril embora. Mas, lá, militar torturador vai para a cadeia …

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sábado, 11 de setembro de 2010

Veja é um panfleto sujo de uma campanha suja


A Veja não é jornalismo, é panfleto sujo
Tijolaço, do Brizola Neto

Este senhor, famoso na Chicago dos anos 30, não faria melhor na direção da Veja
Quero registrar de público meu aplauso à reação pronta e dura da Ministra Erenice Guerra ao monte de lixo publicado hoje pela Veja, acusando-a e ao seu filho de reberem propinas para intermediarem negócios públicos. Reagiu como devem reagir pessoas de bem, não gaguejando explicações, mas partindo para cima de seus ofensores com a civilizada arma do processo judicial.

A vocês, posso dizer que, depois de três anos e meio circulando em Brasília, que é literalmente impossível que um rapaz, filho da pessoa que todos sabemos ser braço direito – e, agora ela própria Ministra – da Casa Civil estivesse vendendo lobby a empresários na capital. Isso ia correr à boca pequena no máximo por alguns poucos dias e logo estouraria. Não há segredos deste tamanho em Brasília que não sejam cochichados ou virem boatos.

Se há algo que deploro, neste assunto, foi a ministra ter recebido o enviado da Veja como jornalista e prestado os esclarecimentos que julgou necessário. Uma autoridade do Governo, ao ser procurada pela Veja, deve imediatamente munir-se de uma câmara, um gravador e um advogado. Porque certamente se estará preparando ali um ato de delinqüência político-eleitoral.

A história da Veja não bate, nem precisa bater. Não é jornalismo, é patifaria. A Veja é um panfleto sujo de uma campanha suja.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O caso do “sigilo” de Serra e a “bala de prata” final


Posted by eduguim on 06/09/10 • Categorized as Opinião do blog
Eduardo Guimarães-Blog Cidadania
Quero me posicionar claramente sobre dois assuntos que, desde o fim da semana passada, estão marcando o debate sobre a sucessão presidencial. Refiro-me, primeiro, ao caso do “sigilo” de José Serra e, depois, às especulações sobre qual será a “bala de prata” final que a estrutura extra oficial de marketing da campanha do ex-governador tucano – composta, essencialmente, mas não só, pelos Grupos Folha e Estado, pela Editora Abril e pelas Organizações Globo – irá disparar contra a adversária.

Em relação à possível quebra do sigilo de tucanos e de parentes de Serra (sua filha), só o que é lícito dizer, até o momento, é que alguém cometeu um crime para influenciar o processo eleitoral.

Todavia, não se pode dizer se foi a campanha tucana ou a petista que delinqüiu, pois se a acusação que domina a mídia é a de que Dilma e seu grupo político teriam engendrado ação criminosa contra os adversários, há outra hipótese, tão verossímil quanto a primeira, de que tudo pode ser uma armação tucana para tentar estancar – ou até reverter – a queda pronunciada nas pesquisas do candidato do PSDB a presidente.

O envolvimento de “petistas” no caso foi previsto por este blog antes de surgir na mídia pela última vez com a dimensão que surgiu nos últimos dias, e antes de esses “petistas” efetivamente aparecerem.

Já se dizia, neste blog, que o envolvimento de algum petista seria “(…) um indício não conclusivo, mas que buscará induzir no eleitorado maior suspeita de que as acusações de Serra à campanha de Dilma são verdadeiras. A mídia, mais uma vez, tratará o indício como prova, jogando com o pouco tempo que resta para 3 de outubro para que não seja possível desmentir o factóide (…)”.

O fato é o de que os petistas envolvidos têm filiação dúbia, que tanto pode ser produto de uso de laranjas por um lado (o PT ou aliados) quanto pelo outro (o PSDB e seus aliados).

Diante de uma situação como essa, o mais lógico – e ético – seria não haver exploração por algum dos lados ou pela imprensa, até porque o delinqüente de qualquer dos lados pode ter agido sem autorização dos comandos das campanhas petista ou tucana.

É clara a tentativa de Serra de usar irresponsavelmente um factóide que ainda precisa ser apurado de forma a gerar conseqüências para um dos lados. Várias matérias jornalísticas têm se referido como “estratégia” ao discurso dele de acusar Dilma Rousseff de ser a autora da violão de seus sigilos fiscais, de acusar assim a uma adversária que o vence nas pesquisas por até 26 pontos percentuais de vantagem…

A revista Época desta semana até estampou na capa essa evidência, sob a manchete “A cartada de Serra”, conforme a imagem que ilustra este texto comprova.

Todavia, enquanto chegam até a expor a própria estratégia, os grupos empresariais de comunicação já citados neste texto também produzem manifestações de apoio ilegais a acusações de Serra que de maneira alguma podem ser consideradas como verdadeiras ou falsas, conforme, inclusive, deliberou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recentemente, em resposta a consulta do PSDB à Corte sobre o caso da quebra de sigilos de seus membros.

O caso da “quebra” de sigilos fiscais de tucanos, portanto, não deve ser considerado pela sociedade neste momento. Simplesmente porque, se posteriormente for apurado que a acusação de Serra é verdadeira, bastará à Justiça Eleitoral cassar o mandato de Dilma, uma medida perfeitamente legal e possível de ocorrer diante da comprovação do crime.

A derradeira “Bala de Prata”

Surgem especulações sobre a última “bala de prata” (cartada final de Serra contra Dilma) que a coalizão política formada pelo PSDB, pelo DEM, pelo PPS e pelas empresas de comunicação supracitadas estaria preparando para disparar na antevéspera das eleições, quando a campanha de Dilma Rousseff não puder mais responder ao ataque.

Fala-se em surgimento de denúncias contra a candidata em momento que tão claramente revela que tais denúncias serão produtos de tentativa de reverter a vontade eleitoral da população em favor de José Serra.

Devo dizer que não conheci ninguém, até hoje, que não soubesse que haveria uma denúncia de última hora contra Dilma exatamente como sempre aconteceu com seu padrinho político, o presidente Lula.

A Justiça Eleitoral parece estar aceitando o uso claro e ilegal de concessões públicas de rádio e tevê em benefício da candidatura de José Serra, já que, pela lei, o uso da imprensa escrita por um dos lados não pode ser considerado ilegal apesar de jornais e revistas receberem muito dinheiro público. A ONG que este blogueiro preside, portanto, tentará fazer o TSE tomar uma atitude representando à Corte contra os abusos que estão sendo cometidos.

Todavia, este blogueiro e, até agora, mais de dois mil e quinhentos eleitores brasileiros que o lêem, tentaremos cobrar do TSE que cumpra a sua obrigação. É só o que se pode fazer, além de acreditarmos na maturidade política do povo brasileiro.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A nova derrota da grande mídia



Ricardo Kotscho:
Ninguém mais precisa dizer o que devemos pensar, como devemos votar, o que é melhor para nós. A liberdade de imprensa e de expressão não tem mais meia dúzia de donos. É um direito conquistado por todos nós.

- Ricardo Kotscho é repórter. Jornalista desde 1964, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter, editor, chefe de reportagem e diretor de redação.

A se confirmarem as previsões de todos os principais institutos de pesquisa apontando a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno das eleições presidenciais, não serão apenas o candidato José Serra e sua aliança demotucana de oposição os grandes derrotados. Perdem também, mais uma vez, os barões da grande mídia brasileira.

Foram-se os tempos em que eles faziam ou derrubavam presidentes e se julgavam os verdadeiros donos do poder, os formadores de opinião, os únicos proprietários da verdade. Durante os últimos oito anos, desde a primeira eleição de Lula, não fizeram outra coisa a não ser mostrar em suas capas e manchetes um país desgovernado, sempre à beira do abismo.

Em cada estatística divulgada, procuravam destacar sempre o lado negativo, sem se dar conta de que a vida dos brasileiros estava melhorando em todas as áreas, e os cidadãos eleitores percebiam isso.

Fechados em seus gabinetes e certezas, longe do país real, imaginavam que desta forma ajudariam a eleger o candidato da oposição em 2010. Fizeram a sua parte, é verdade, anunciando uma crise do fim do mundo atrás da outra, batendo no governo dia sim e no outro também, mas não deu certo de novo.

Em reunião da Associação Nacional dos Jornais, a presidente da entidade, Judith Brito, chegou a dizer com todas as letras que, na falta de uma oposição partidária, era preciso a imprensa assumir este papel, como de fato fez. Os líderes demotucanos acharam que isto seria suficiente para derrotar Lula e a sua candidata. Acreditarem que o apoio da mídia poderia fazer a diferença, decidir o jogo a seu favor. Que bobagem!

Até a última semana, antes da divulgação das novas pesquisas, o noticiário ainda alimentava o discurso da oposição numa operação casada contra o governo e a sua candidata. Como a vaca da campanha tucana caminhou inexoravelmente para o brejo, num lance desesperado para tentar virar o jogo, José Serra procurou associar sua imagem à de Lula no programa de televisão. Aí foi a vez dos seus aliados na mídia darem um basta e jogarem a toalha: assim também não…

Quem sabe agora tenham a humildade e o bom senso de reconhecer que acabou a época dos formadores de opinião abrigados na grande imprensa, que perde circulação e audiência a cada dia. Novos meios e novos agentes multiplicaram-se pelo país, democratizando a informação e a opinião.

Ninguém mais precisa dizer o que devemos pensar, como devemos votar, o que é melhor para nós. A liberdade de imprensa e de expressão não tem mais meia dúzia de donos. É um direito conquistado por todos nós.

* Foi correspondente na Europa nos anos 1970 e exerceu o cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República no governo Luiz Inácio Lula da Silva, no período 2003-2004. Ganhou os premios Esso, Herzog, Carlito Maia e Cláudio Abramo, entre outros. Em 2008, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Imprensa da ONU. Tem 19 livros publicados _ entre eles, “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de Repórter” (Companhia das Letras) e “A Prática da Reportagem” (Ática).

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O cheiro de povo deixa a elite nervosa


A colunista da “massa cheirosa”, Eliane Catanhêde, da Folha de S.Paulo (coloco o vídeo para você matar as saudades), prevê hoje uma tsunami devastadora de Dilma Rousseff na eleição de 3 de outubro, arrastando com ela uma série de candidatos que a apoia e ameaçando a oposição de extermínio.
A jornalista da Folha mostra-se preocudíssima com a expectativa de eleição folgada de Dilma e de uma maioria no Congresso que lhe permita governar tranquila. Como a expectativa é de crescimento da economia, Dilma poderá manter e ampliar os programas sociais de Lula, criar mais empregos e levar adiante as obras de infra-estrutura que o país precisa, agradando tambem os investidores.

Seria o melhor dos mundos, com a população feliz e o país se desenvolvendo, mas a colunista está preocupada com um detalhe: “Tudo isso projeta ausência de oposição, de contraditório, de fiscalização e de crítica. Lula cuidou bem desse probleminha”, escreveu ela.

“Probleminha”, vejam só.

A D. Catenhêde queria que governo facilitasse a disputa eleitoral para melhorar o desempenho da oposição? Quer dizer que é feio ter o apoio da população e ganhar uma eleição de lavada?

A presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito, diretora do grupo em que D. Catanhêde trabalha, já disse que a imprensa está aí mesmo para fazer o papel da oposição. Portanto, podem ficar tranquilos. Vai ter oposição. O que terá cada vez menos para o Partido da Massa Cheirosa é eleitor. E leitor.

domingo, 22 de agosto de 2010

O Encontro dos Blogueiros e os leitores ‘cansados’ do Noblat



Posted by eduguim on 21/08/10 • Categorized as Opinião do blog



Da noite de sexta-feira à tarde de sábado, estivemos reunidos às centenas. Blogueiros progressistas, dizemo-nos. E dizemos porque assim nos consideramos. Outros blogueiros que lá não estavam poderiam ter se declarado progressistas e feito inscrição para participar do evento. Não fizeram porque não quiseram.

O blogueiro da Globo Ricardo Noblat, por exemplo, poderia ter se inscrito, já que convidá-lo para o encontro teria parecido provocação, até. Sem dizer que não o consideramos progressista.

Mas posso garantir que se ele tivesse aparecido por lá e quisesse se manifestar, de minha parte teria os microfones franqueados e o gesto democrático amparado ao menos por mim, ainda que tenha forte convicção de que meus companheiros no evento, em maioria, ficariam ao meu lado.

Mas Noblat tem preferido nos fazer acusações no Twitter de estarmos sendo financiados pelo governo Lula com dinheiro público, insinuando que faz isso para comprar nossa opinião em seu favor.

Noblat, como sempre replicando José Serra – até há pouco tempo, porque agora o barco tucano já começa a sofrer as defecções dos que sempre vazam primeiro de embarcações indo a pique –, acusa blogueiros sem nominá-los, que nem o tucano, nem o blogueiro são bobos.

Interessante foi o blogueiro da Globo publicar post reproduzindo trecho de matéria da edição desta semana da revista Carta Capital tratando do Encontro. Abaixo, reproduzo o post do Noblat. Depois, este post segue em frente.

Enviado por Ricardo Noblat –

21.8.2010 | 9h12m

Show abre evento histórico dos blogueiros progressistas

André Cintra, Carta Capital

Uma roda de chorinho e samba, comandada pelo jornalista Luis Nassif, dará a largada para o maior evento na história da blogosfera brasileira. Às 20 horas desta sexta-feira (20/8), começa em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas – um feito que tem tudo para fazer avançar a luta pela democratização da mídia no país.

(…) Já o restante da programação, no sábado (21) e domingo (22), está marcado para o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, ao lado da Câmara Municipal, no Centro paulistano. É lá que os 312 participantes inscritos acompanham a mesa de abertura, as oficinas, parte dos grupos de discussão e a plenária final.

(…) Para Paulo Henrique Amorim, blogueiro do Conversa Afiada e também membro da Comissão Organizadora, a blogosfera já mostrou a que veio. “Antigamente, os tucanos de São Paulo davam três telefonemas e controlavam o Brasil. Eles ligavam para o Doutor Roberto (Globo), o Ruy Mesquita (O Estado de S. Paulo) e o Seu Frias (Folha de S.Paulo) e governavam a opinião pública brasileira. O que desmontou essa estratégia concentrada em três telefonemas foi a blogosfera.”

Já Luis Nassif fala em “nova etapa” para definir os desafios atuais dos blogs progressistas. “Nos últimos anos, montamos uma rede de grande impacto para impedir as maluquices da direita e o processo avassalador da mídia. Essa guerra acabou”, afirma o jornalista. “Agora é preciso enfrentar as divergências entre nós mesmos – entre os blogueiros dessa frente. É uma oportunidade para mostrar que a blogosfera comporta essa democracia.”

Mais do que democrático, o encontro também será altamente representativo. É fato que o estado de São Paulo vai responder por pouco mais de 60% dos blogueiros mobilizados – mas haverá representantes de outros 17 estados e do Distrito Federal. Um dos maiores objetivos dos organizadores – atrair estudantes para os debates – também foi bem-sucedido. Pelo menos 90 inscritos são universitários, sobretudo de Comunicação Social.

No encontro, esses jovens blogueiros, tuiteiros ou simples internautas poderão ter contato com as principais referências em blogs progressistas no Brasil. É o caso de Luiz Carlos Azenha (Viomundo), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Emir Sader (Blog do Emir) e Brizola Neto (Tijolaço) – além dos já citados Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif.

O post do blogueiro da Globo recebeu, até a hora em que li, 50 comentários. A maioria, insultando-nos e nos acusando.

Vale notar que o post do Noblat reproduzido acima não contém acusações como a que ele nos fez pelo Twitter. Em um dos twits, disse que os blogueiros reunidos são tão mais progressistas quanto mais dinheiro público recebem…

Como o blog de Noblat está linkado no portal da Globo na internet e, assim, tem uma enormidade de acessos, penso que muitos dos seus leitores devem ser pessoas de boa fé que podem estar se deixando enganar pelas informações falsas veiculadas por ele.

Assim sendo, reproduzo, agora, o que os leitores do blogueiro global escreveram contra os blogueiros progressistas. A cada um dou a minha resposta individual, que, de maneira alguma, representa a Comissão Organizadora do Encontro dos Blogueiros ou qualquer outro participante do evento, ainda que suspeite de que pensam como eu.

Apelido: Maramu – 21/8/2010 – 18:57
Progressistas??? !!!

Onde. Todos vendidos e pagos com o “nosso dinheiro”.

É triste vermos esta juntada…

Resposta do Blog da Cidadania:

Maramu,

por favor, informe a fonte dessa informação de que os blogueiros progressistas somos “todos vendidos” e pagos com o “vosso dinheiro” – sejam “vocês” quem forem. E aproveite para apresentar as provas e dizer quem é que nos paga.

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Apelido: Alef_Santos – 21/8/2010 – 18:49
Noblat, ainda que você não seja “progressista”, seria bom você aparecer.

Resposta do Blog da Cidadania:

Alef Santos,

Concordo com você e acrescento que ele poderia ter “aparecido”, pois tenho certeza de que seria convidado para um debate conosco no qual lhe garantiríamos a palavra que seus patrões nos negam. Mas nem ele, nem você o consideram progressista. Por isso ele não foi. Porque tem a mesma opinião que a sua.

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Nome: Maurício de Mattos Salgado – 21/8/2010 – 15:05
Pior é que deve estar sendo bancado pelo meu, o seu, o nosso. E ainda se dizem pela “democratização da mídia”. Hehehehe

Resposta do Blog da Cidadania:

Maurício,

Posso garantir que o seu dinheiro e o dos seus amigos não deu as caras no Encontro dos Blogueiros Progressistas. Foram recursos de empresas privadas como a Gol ou de organizadores do Encontro como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha, por exemplo, e de alguns sindicatos que têm verbas absolutamente legais para utilizar em comunicação de acordo com a filosofia de cada entidade.

Quem recebe dinheiro público, que também me pertence, é o blogueiro que você lê. A Globo recebe dezenas de milhões de reais dos cofres públicos e usa, em parte, para pagar o salário do signatário do Blog do Noblat para ele fazer insinuações contra mim.