Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quem tem medo da participação popular?




: Política Nacional de Participação Popular desperta nova onda de histeria na mídia tradicional; revista Veja, de Gianca Civita, fala na criação de sovietes; Fernão Mesquita, herdeiro do que restou do Estadão, chama decreto 8.243 de "golpe contra a democracia"; iniciativa do governo é taxada de "bolivariana"; na verdade, o que há por detrás dessa distorção factual de cunho ideológico é uma medida que aprofunda e aperfeiçoa a democracia brasileira; conselhos populares sobem de patamar como organismos formuladores, garantidores e aplicadores de políticas sociais; movimento está em sintonia com viés das maiores democracias do mundo, como a dos Estados Unidos, que caminha para a institucionalização do orçamento participativo; grita era esperada


247 – O papel, como se sabe, aceita tudo. Neste momento, em editorais como o da edição atual da revista Veja, do empresário Gianca Civita, no rancor de um dos herdeiros do que vai restando do jornal O Estado de S. Paulo, Fernão Mesquita, e em diferentes páginas da mídia tradicional e familiar, o papel está aceitando uma grande distorção factual provocada pelo viés ideológico. Trata-se do enfoque dado ao decreto 8,243, assinado no mês passado pela presidente Dilma Rousseff, que estabelece a Política Nacional de Participação Popular.

Classificado como a criação de soviets no Brasil, de ultrapassagem dos poderes constitucionais do Congresso e, é claro, de "golpe contra a democracia", o decreto nem sequer dá abertura para este tipo de teoria da conspiração. Na medida em que reconhece os conselhos populares como fontes capazes de formular e garantir a aplicação de políticas sociais, a iniciativa simplesmente dá praticidade a diferentes artigos da Constituição de 1988. O texto central da democracia brasileira estabelece como forma legítima de participação da população a criação de organismos para o maior ativismo social. Nada de novo em relação ao que os constituintes eleitos pelo povo deixaram em aberto 26 anos atrás. Cabia tanto à sociedade quanto ao governo tornar aquelas palavras em verdade material. É o que aconteceu agora.
No ano passado, quando as manifestações de junho alertaram todo o País sobre as muitas fissuras existentes entre o desejo popular e a realização oficial, formou-se um consenso em torno da necessidade de se dinamizar formas de maior participação coletiva nas instâncias decisórias. Pensou-se até mesmo em candidaturas avulsas à Presidência da República. Todas as ilações extraídas das passeatas foram respeitadas pela mídia tradicional, atenta à imensa perda de leitores que uma trombada com as ruas iria provocar.
De uma hora para outra, a mesma Veja agora taxa de soviets o que, na verdade, são associações de moradores de bairros de grandes cidades, entidades de classe formadas à margem dos sindicatos cartoriais e formações legítimas do público em torno de suas realidades locais. Antes, porém, diante do calor emanado pelas ruas, cobrava-se uma ligação maior entre o governo e as massas – e dizia-se, com todas as letras, que isso não seria feito com êxito apenas por meio da eleição de vereadores, deputados, senadores e cargos executivos como os de prefeitos, governadores e presidente. Não houve que não avaliasse, corretamente, que era preciso ampliar a forma de representatividade do governo nas cúpulas decisórias.
É exatamente essa ampliação de representatividade com legitimidade que o decreto 8.243 oferece à sociedade. Mais uma válvula de escape, mais um canal de diálogo. Em lugar de golpe contra a democracia, como situa Fernão Mesquita, o ex-diretor do finado Jornal da Tarde, que ele próprio conduziu ao abismo, o que se tem é exatamente o contrário. O gesto da presidente Dilma, ainda mais corajoso na medida que, já se sabia, insere mais um ruído contra ela na mídia tradicional, apenas aprofunda e dissemina a democracia brasileira.

Até os Estados Unidos, maior democracia do mundo, já estudam estabelecer a prática de orçamento participativo em suas ações de governo. Na Europa, as consultas populares diretas são frequentes na forma de plebiscitos e referendos. A Política Nacional de Participação Popular segue nessa mesma direção. O público que está organizado ou passar a se organizar em torno de bandeiras próprias e específicas sabe, a partir de agora, que jamais estará agindo de maneira clandestina ou ilegal e, mais ainda, recebe um mecanismo constitucional, criado à luz do dia, para exprimir e fazer valer suas necessidades. O que se vê além disso, como comunismo ou bolivarianismo, são apenas manifestações do atávico, histórico medo que as elites do povo. Era esperado.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Quando se chocar com a direita brasileira, pense na dos EUA

Qualquer brasileiro politizado e instruído que não seja muito rico e que não integre algum esquema empresarial ou político com interesses conflitantes com um mínimo de decência humana, teme e repudia o pensamento legítimo de direita e o ideário sobre organização social que essa ideologia luta para que se torne hegemônico nos quatro cantos da Terra.
Nem precisa ser “socialista”, seja lá isso o que for em um mundo atolado até o pescoço no capitalismo, que, por definição, significa a valorização do dinheiro em detrimento do ser humano. Sejamos honestos: se você não for canalha ou ignorante, entende que o pensamento de direita se baseia no egoísmo e na desonestidade intelectual.
O pensamento de direita só faria sentido em uma sociedade sem desigualdade de oportunidades, pois tal ideário se baseia na premissa do “mérito” sem levar em conta que vencer na vida (nos estudos e no trabalho, sobretudo) também depende de vantagens que as crianças e adolescentes recebem de herança dos pais.
Um dos exemplos mais eloquentes sobre como o ideário de direita é desonesto se encontra no sistema que impõe aos estudantes que disputam vagas no ensino público superior. Os vestibulares são uma aberração. Põem jovens paupérrimos, sem o mínimo acesso a bens culturais, para disputar vagas com jovens ricos que estudaram em escolas de excelência.
Grande mérito, o dos que chegam na frente…
Os ideólogos desse pensamento bárbaro e injusto, acalentado e difundido pela máquina de comunicação que a riqueza de que dispõe a direita impôs à humanidade, infectam qualquer sociedade livre, sendo sua verborragia obscena o preço a pagar pelas liberdades individuais. Temos que ser livres até para sermos os piores canalhas que se possa conceber.
No Brasil, a nossa direita choca as pessoas decentes e humanas mesmo que não tenham ideologia e politização. Muitos se chocam com o pensamento de direita sem nem saberem que é um pensamento político-ideológico.
Que cidadão decente, minimamente sensível e razoavelmente humanista pode concordar com o comportamento de alguém como o deputado Jair Bolsonaro, com seu racismo galopante, sua homofobia descontrolada e sua truculência (inclusive física) escancarada?
Bolsonaro, porém, não passa de expressão da direita desinibida, daquela que não tem vergonha de se assumir. Mas há outros expoentes desse pensamento que tentam disfarçar seus pendores autoritários, antidemocráticos, desumanos, egoístas.
Um Reinaldo Azevedo (colunista e blogueiro da revista Veja), por exemplo, simboliza a direita dissimulada, que não tem coragem de assumir seu ódio à diferença, seu apreço pela desigualdade, sua crença inabalável na segregação racial e social etc. Aliás, a própria revista, ou melhor, o próprio Grupo Abril é uma máquina de propaganda da direita, ou da ultradireita.
Só para abreviar este capítulo da direita brasileira, recorro ao verbete da Editora Abril na Wikipedia, de modo a resumir a natureza desse grupo empresarial:
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“(…) Em 5 de maio de 2006, a empresa de mídia sul-africana Naspers adquiriu 30% das ações do Grupo Abril. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. Tratou-se da terceira transação a fazer uso das possibilidades abertas pela emenda constitucional nº 36, de 2002, que permite a presença de capital estrangeiro em empresas jornalísticas e de radiodifusão – antes completamente vedada – até o limite de 30%.
O novo dispositivo constitucional fora ‘inaugurado’ pela própria Abril, quando, em agosto de 2004, ela recebeu um aporte do fundo de investimentos Capital Group, que passou a deter 13,8% da empresa. A Naspers foi um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e prosperou com a segregação racial(…)”
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Precisa dizer mais?
Enfim, a direita brasileira é horrorosa. Chocante mesmo. Sua luta incansável contra o programa Bolsa Família, programa emergencial para socorro de legiões de miseráveis que vem sendo elogiado e copiado até por grandes e prósperas democracias, resume o ideário da direita brasileira.
Ainda assim, há um certo pudor da “nossa” direita em assumir seu egoísmo imanente. Nunca se viu essa manifestação da maldade e do ódio chegar ao ponto de pregar contra o precário sistema público de saúde que o Brasil construiu e que, a duras penas, garante a cada brasileiro que não morra à míngua sem qualquer atendimento.
Ou seja: a direita brasileira tem limites, voluntária ou involuntariamente.
Quando se olha para o que a direita norte-americana fez com o país mais rico e desenvolvido do mundo, chega-se a dar graças a Deus pela direita que infesta o nosso país. Pode ser considerada altamente progressista, sob tal comparação.
Reflita, leitor, sobre o que a direita dos Estados Unidos vem fazendo nessa questão do orçamento federal. Está sabotando não só o próprio país, mas o mundo.
Em um momento em que a potência hegemônica começa a se recuperar dos estragos que o partido Republicano causou ao longo da primeira década do século XXI, esse partido se nega a aprovar o orçamento federal caso o presidente Barack Obama não retroceda da implantação de um arremedo de sistema público de saúde que mal chega aos pés do nosso SUS.
A conduta dos republicanos é tão imoral que chocou até a nossa direita. Na edição do Jornal da Globo da última terça-feira, até o colunista Arnaldo Jabor se insurgiu contra seus congêneres ideológicos norte-americanos. Sim, Jabor, que vive a vituperar contra “esquerdismo” em seus comentários naquele telejornal.
Reproduzo, abaixo, o comentário dele sobre o que está perpetrando o partido republicano.
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O Obama disse bem: o país está ameaçado por uma cruzada ideológica de direita… É isso, a alma republicana não admite a lei de assistência médica que beneficia 15% do povo, que não pode pagar.
Eles não admitem que pobres sejam ajudados porque, para americano, pobre é vagabundo, fracassado, e ninguém pode pagar por ele.
Dizem que ele nem é americano, o Obama. Que é comunista…
O partido Republicano está dominado pelo Tea Party e seu líder disse: ‘A lei da saúde é a mais sórdida lei que o ser humano já conheceu…’
O SUS americano, o ‘Obamacare’, já foi votado há três anos e o supremo tribunal federal já referendou, mas os republicanos querem chantagear o presidente de qualquer maneira, mesmo quebrando a América.
Sabe o que é isso, os Estados Unidos dando calote em suas dívidas? Imagine a repercussão no mundo, já em crise…
Mas os canalhas não ligam, são irracionais e loucos mesmo. Não se conformam com um presidente negro, preocupado com questões sociais, querendo taxar mais os ricos. Há racismo nisso, sim. Forte.
E há o desejo de destruir o seu mandato. E pior: além da chantagem, querem culpar o Obama pelo impasse, fingindo que querem negociar.
Já são quatro anos de sabotagem. Obama está definhando, mas não vai ceder. Só negocia se deixarem a saúde intacta.
Ele está certo. É melhor enfrentar essa chantagem, e sua desgraça, do que continuar essa ópera bufa
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Alguns dirão que é demagogia de Jabor, que, como a Globo, vem tentando melhorar a própria imagem. Mas esse pudor da direita brasileira mostra a distância que, graças a Deus, ainda separa os ideólogos de direita desta nação e os seus homólogos estadunidenses.
E note, leitor, que o sistema de saúde de Obama nem é um SUS da vida. Na verdade, para simplificar, trata-se de um mega plano de saúde estatal para que os mais pobres possam recorrer à medicina privada. E cheio de limites de coberturas que, em nosso sistema de saúde público, não há.
O egoísmo, pois, é uma instituição americana. A mentalidade do americano médio o faz levar os psicopatas do partido Republicano ao poder a intervalos tantos, o que faz com que o país mais desenvolvido da face da Terra tenha a menor expectativa de vida entre os países desenvolvidos. Além de pobreza e desigualdade que não se vê em nenhum país rico.
A boa notícia é que a nossa direita é mais envergonhada que a deles e não tem coragem de ir tão fundo nesse culto obsceno ao egoísmo, à desumanidade, à canalhice em estado puro. A má notícia é que essa mesma direita brasileira acredita que, um dia, poderá reproduzir por aqui a imoralidade vigente no sistema de organização social norte-americano.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

DILMA REFORÇA: NÃO HÁ "UM CENTAVO" DA UNIÃO PARA ESTÁDIOS

Esperem sentados a mídia divulgar isso












Os jornais e o PSDB insistem que saíram do Tesouro Nacional as verbas para os estádios para a Copa.
Já se provou fartamente que não houve um real do Orçamento Público nestas obras, embora tenha havido, sim, em obras associadas ao evento, sobretudo na área de mobilidade urbana: corredores de transporte, metrô, obras viárias em geral.
Ah, mas houve dinheiro do BNDES, dizem.
Sim, houve. E daí? O BNDES é um banco, que empresta dinheiro a juros. Mais baixos que os bancos privados, é verdade, porque são empréstimos de longo prazo, que banco privado no Brasil não faz, como todo mundo sabe.
São empréstimos com taxa de risco, remuneração pela intermediação e garantias líquidas, sobretudo o empenho das transferências federais aos Estados e Municípios.
Tem limite de valor (até R$ 400 milhões) e de participação (75%).
Igualzinho a um financiamento imobiliário.
Isso é público e publicado.
Mas vamos aceitar isso e perguntar: ah, então tem financiamento para a Copa, mas não tem para outras coisas.
Não?
Sexta-feira mesmo, em meio à confusão toda, o BNDES aprovou um empréstimo de “apenas” R$ 2,3 bilhões – ou se quiserem, seis estádios – para o Governador tucano Geraldo Alckmin expandir o Metrô de São Paulo para  Vila Prudente, São Lucas, Água Rasa, Vila Formosa, Aricanduva, Cidade Líder, Sapopemba, São Mateus, Parque do Carmo, São Rafael, Iguatemi, José Bonifácio, Guaianazes e Cidade Tiradentes e também Orfanato, Água Rasa, Anália Franco e Vila Formosa.
São, além das linhas, 71 trens. Um milhão e trezentos mil beneficiados.
Já são mais de 6,2 bi de grana para expandir o metrô paulista, entre Serra e Alckmin.
Mas o Governo Federal, estranhamente, é uma galinha que bota ovo e não cacareja.
É o contrário do que Millôr Fernandes dizia dos políticos, que cacarejam e não botam ovo.
Fica esperando que a nossa isenta e equilibrada mídia divulgue.
O Millor também dizia que”quem não anuncia, se esconde”.
Tomara que isso tenha mudado.
Por: Fernando Brito

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Globo: Eles foram contra o 13º salário


Dica Blog do Mello

Ao longo da história, as Organizações Globo sempre estiveram na contramão do Brasil e do povo brasileiro. O conglomerado midiático da famiglia Marinho sempre defendeu os interesses das oligarquias contra a população.

● Governo Getulio Vargas – o governo do salário mínimo, da legislação trabalhista. Povo a favor, Globo contra. Tanto que, após suicídio de Getulio, carros de O Globo foram atacados.
● 13º salário: povo a favor, Globo contra.

● Golpe de 1964 – o golpe foi contra reformas que beneficiariam o povo. Globo a favor do golpe.

● Diretas Já – povo nas ruas queria escolher pelo voto o presidente. Globo contra. Chegou a mostrar multidão na Praça da Sé exigindo Diretas Já, como se fosse apenas uma manifestação pelo aniversário de São Paulo.

● Leonel Brizola – povo a favor, Globo contra. Chegou a armar o caso Proconsult para tentar impedir a vitória do governador que vinha do exílio. Durante toda a vida de Brizola, ele fez oposição sem tréguas às Organizações Globo e essa foi a causa principal de Brizola não ter conseguido ser presidente do Brasil.

● Cieps – o maior programa de educação popular já desenvolvido no Brasil. Povo a favor, Globo contra.

● Eleição de Collor – A Globo manipulou de todas as maneiras para eleger seu candidato a presidente contra o Lula, enganando grande parte da população.

● Governo Lula – assim como o governo do presidente Vargas, o povo a favor, uma aprovação de quase 90%, mas Globo contra.

● Bolsa Família – povo a favor, Globo contra.

● Governo Dilma – o mesmo dos governos Vargas e Lula. Povo a favor, Globo contra.

● Queda dos juros bancários: povo a favor, Globo contra.
Globo_13_Salario

FUXDEU

Advocacia-Geral da União aciona o STF pedindo mudanças na decisão que trata da apreciação de vetos pelo Legislativo; segundo a União, caso a votação tenha que ocorrer em ordem cronológica, conforme determinou o ministro Luiz Fux, os prejuízos aos cofres públicos podem chegar a mais de R$ 470 bilhões; decisão impediu votação do orçamento
15 DE FEVEREIRO DE 2013 ÀS 05:13

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) hoje (14) pedindo mudanças na decisão que trata da apreciação de vetos pelo Legislativo. Segundo a União, caso a votação tenha que ocorrer em ordem cronológica, conforme determinou o ministro Luiz Fux, os prejuízos aos cofres públicos podem chegar a mais de R$ 470 bilhões.
No ano passado, Fux deu liminar impedindo que o Congresso Nacional aprecie os vetos à nova lei de distribuição dos royalties do petróleo enquanto não analisar os mais de 3 mil vetos pendentes.  Para a União, a decisão de Fux deve ser revista para atingir somente os vetos editados nos últimos 30 dias.
Para convencer os ministros do Supremo, a AGU lista uma série de assuntos que seriam atingidos negativamente com a decisão do ministro Fux, como renegociação de débitos previdenciários e tributários, gastos com educação, fator previdenciário e Código Florestal. “A apreciação de tais matérias não pode ocorrer de forma açodada, exigindo, ao revés, ambiente de normalidade institucional que propicie uma deliberação refletida e responsável.”
A União argumenta que a liminar não pode ser mantida porque provocaria uma corrida para revisão de situações que foram consolidadas ao longo dos últimos anos, causando insegurança jurídica e novos gastos públicos. “Uma interpretação que produza consequências como essas não pode ser compatível com a Constituição”, diz o texto, assinado pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e seus auxiliares.
Segundo as contas da AGU, caso o Legislativo se dedicasse exclusivamente à apreciação dos vetos pendentes há mais de 13 anos, o trabalho consumiria três anos, levando o Congresso a um “colapso institucional”.
A liminar concedida por Fux no final do ano passado atendia ao pedido do deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), que alegava haver inconstitucionalidade na votação da nova lei dos royalties do petróleo. A liminar causou polêmica logo que saiu, pois uma ala dos parlamentares entendeu que toda a pauta do Congresso estava bloqueada e não apenas a apreciação dos vetos fora de ordem cronológica.
O mandado de segurança agora entrará em votação no plenário. O gabinete de Luiz Fux informou que a matéria ainda não está pronta para a pauta.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O imundo macartismo “faxineiro”

Os hospitais que receberam emendas em Campina Grande e, à direita, o de Brejo da Madre de Deus, para onde o líder tucano enviou dinheiro para "patrolar" estradas
Nem bem se anunciou a (possível) nomeação do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) para o Ministério das Cidades, o Estadão já parte para cima do ministeriável.
Aguinaldo Ribeiro favoreceu no Orçamento de 2012 o curral eleitoral da irmã, a deputada Daniella Ribeiro“, diz o jornal, dizendo que ele apresentou emendas que seriam destinadas a favorecer eleitoralmente a irmã.
Bem, o “curral eleitoral” é nada menos quea  cidade de Campina Grande, de “apenas” 600 mil habitantes, só ligeiramente menor que a capital do Estado da Paraíba, João Pessoa. Campina é, inclusive, centro de uma região metropolitana de 23 municípios e a maior do interior do Nordeste.
E o que foi este terrível fisiologismo nepotista?
R$ 450 mil para equipar melhordois hospitais filantrópicos que realizam atendimento público na cidade. O Pedro I, fundado em 1932 pela maçonaria e o Escola, criado em 1965 por uma associação mantida pelo Governo da Holanda, que depois passou a ser administrado por brasileiros e  é hoje onde são atendidos os acometidos por câncer na região, porque oferece quimio e radioterapia.
E mais R$ 330 mil para uma Universidade Federal ali localizada. Note, um órgão federal e uma universidade pública.
Ora, pode até se discutir se devem existir emendas parlamentares ao Orçamento, o que é considerado errado, com razão, por muitos. Mas o fato é que elas existem e quase todos os deputados as utilizam, individual ou coletivamente, através das emendas de bancada.
Se o Estadão quer ser coerente, deveria dizer que o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo, aprovou uma emenda no valor de R$ 400 mil para beneficiar seu “curral eleitoral” da cidade de Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco, para passar a patrol em dez quilômetros de estradas vicinais no pequeno município, de apenas 45 mil habitantes, onde o prefeito (e médico) Edson Souza deixa o Hospital Municipal José Carlos de Santana caindo aos pedaços, sem colchões ou lençóis e imundo, como você pode ver aqui.
Não conheço o deputado Aguinaldo, mas acho que ele fica bem, pelo menos nessa comparação de emendas parlamentares.

sábado, 7 de janeiro de 2012

As 5 barragens em PE. Onde afogar o jn

Saiu no Blog do Planalto explicação adicional sobre o dispendio de recursos de emergência em Pernambuco, onde morreram 42 cidadãos tão brasileiros quanto os da elite branca de olhos azuis:

Governo está trabalhando para evitar a ocorrência de tragédias durante as chuvas, diz Planejamento


O Ministério do Planejamento informou hoje (6) que o governo federal está trabalhando para evitar a recorrência de tragédias provocadas pelas chuvas e enchentes por meio do aprimoramento da gestão e da liberação de recursos, deixando de atuar apenas nos momentos em que ocorrem. Em nota, o Ministério cita o repasse de R$ 1,429 bilhão, em 2011, para drenagem de rios em áreas de enchentes em todo o país. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais receberam 63% do valor repassado pelo Ministério das Cidades.


Além da liberação de recursos, o governo federal investiu no aprimoramento da gestão com a criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemanden), focado no monitoramento das condições climáticas, e do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenadc).


Para a região serrana do Rio, fortemente atingida pelas chuvas em janeiro de 2011, o governo federal também liberou R$ 320 milhões para contenção de encostas e drenagem de rios, R$ 415 milhões por meio do BNDES para financiar a reconstrução de empresas e a recuperação de estoques, e R$ 330 milhões para a contratação de seis mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.


Na nota, o Ministério do Planejamento lembra a enchente ocorrida em junho de 2010 que atingiu Pernambuco e Alagoas ao longo da bacia dos rios Una, Sirinhaem, Piranji, Mundaú e Canhoto, levando 99 municípios a declararem situação de emergência. As chuvas causaram 46 mortes e deixaram 434.555 pessoas afetadas, das quais 98.460 desalojadas nos dois estados.


Segundo o Ministério, após as ações emergenciais, os governos federal e estaduais começaram a discutir medidas para prevenir novas tragédias. A solução apontada foi a construção de cinco novas barragens que receberiam do governo federal metade dos recursos necessários para execução das obras. Os recursos para a construção das barragens de Panelas II, Gatos e de Serro Azul, no estado de Pernambuco, foram repassados pelo Ministério da Integração por meio de crédito extraordinário autorizado por Medida Provisória, uma vez que as obras tinham caráter preventivo de risco.


“Esse é um procedimento usual para obras relacionadas à risco”, explicou o Ministério do Planejamento.


As barragens de Panelas II e Gatos estão em obras e já tiveram desembolso de R$ 22,6 milhões. A de Serro Azul teve sua licitação concluída em dezembro e aguarda o licenciamento ambiental para seu início.


“Esse procedimento mostra com clareza que o governo federal está trabalhando para evitar a recorrência dessas tragédias, deixando de atuar apenas nos momentos em que elas ocorrem”, afirma o Planejamento na nota divulgada à imprensa.



Clique aqui para ler “A Globo existiria na Rússia, na Índia ou na China ?”.

Aqui para ler “6ª Economia do Mundo. E não se defende da Globo”.

E aqui para ler “Enchente: a Globo manda na Dilma ?”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

EUA afundam na crise com impasse no orçamento

Arnaldo Comin - Com Reuters e AFP
Bank of America reviu para baixo previsão de crescimento para 2012, a 2%
Bank of America reviu para baixo previsão de crescimento para 2012, a 2%

Collapse Falta de consenso entre as duas forças políticas do país se agrava em um momento de piora dos indicadores econômicos.
Em clima amargo e cheio de incertezas econômicas, chega nesta quarta-feira (23/11) ao fim o prazo para que a "supercomissão" do Congresso americano encarregada de aprovar um profundo corte de US$ 1,2 trilhão nas despesas públicas ao longo de dez anos chegue a uma solução de consenso.
As negociações entre democratas e republicanos, que atingiram o ápice do confronto na segunda-feira (21/11), na última tentativa frustrada de acordo, deverão obrigar o presidente Barack Obama a aplicar cortes automáticos no orçamento a partir de 2013, trazendo consequências imprevisíveis na corrida eleitoral do ano que vem.
"Eu ficarei muito surpreso se houver um acordo de última hora hoje no Congresso, que está completamente radicalizado", afirmou ao Brasil Econômico o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa.
Mais devagar
A falta de consenso entre as duas forças políticas do país se agrava em um momento de piora dos indicadores econômicos dos Estados Unidos.
Na terça-feira (22/11), o governo divulgou o resultado do Produto Interno Bruto do terceiro trimestre, que apresentou alta de 2%, ante a previsão original de 2,5%.
Em reunião na tarde de ontem, os diretores do Fed, o banco central americano, optaram por não estabelecer objetivos formais de crescimento para os próximos meses, em função das incertezas nas variáveis políticas e macroeconômicas.
Em relatório a investidores, o Bank of America elevou sua previsão de crescimento para o quarto trimestre para a economia americana de 3% para 3,3%. Em compensação, reviu para baixo em 0,2 ponto percentual sua previsão de crescimento para 2012, a 2%.
"Tudo vai depender de como a população americana vai reagir a esse cenário de crise política, gastando mais ou menos no Natal", disse ao Brasil Econômico o professor de ciências políticas da Universidade Federal de Brasília (UNB), o americano David Fleischer.
A incerteza, segundo ele, recai no reflexo do racha político do país. "Os republicanos querem prejudicar Obama o máximo que puderem antes da corrida eleitoral, mas o presidente já deixou claro que não cederá às pressões e responderá com cortes automáticos na Defesa, o que pode ser um tiro no pé dos conservadores", diz Fleischer.
De fato, Obama enfrenta agora a difícil tarefa de equilibrar a natureza dos cortes, que superarão os US$ 100 bilhões anuais a partir de 2013.
Do ponto de vista mais imediato, outro fator que pode complicar o cenário dos Estados Unidos é o reflexo nas empresas e outros agentes econômicos em meio a uma taxa persistente de desemprego de 9% e o agravamento da crise na Europa.
"A falta de acordo pode levar a um novo rebaixamento do rating da dívida, o que complica ainda mais a recuperação do país", destaca Barbosa.
Ontem, as agências de classificação de risco não se pronunciaram sobre o fracasso das negociações. Para analistas nos Estados Unidos, a Standard & Poor's, após rebaixar sua nota de AAA para AA+ em agosto, não deve mudar a curto prazo sua posição.
Já a agência Moody's - que no início do mês mudou sua perspectiva de "estável" para "negativa" - seria a mais sensível aos solavancos no Congresso neste momento. A Fitch declarou, antes do fracasso nas negociações de anteontem, que poderia levar a uma revisão para "negativa", mas que só se pronunciaria sobre o assunto no final do mês.
Reflexos políticos
O embate entre democratas e republicanos sobre o orçamento do ano que vem, agora que só um acordo de emergência poderá evitar os cortes automáticos em 2013, torna mais nebuloso o cenário da corrida eleitoral.
Visivelmente contrariado com a recusa dos republicanos em aprovar o fim das isenções fiscais para os mais ricos, Obama tentará se esquivar da culpa pela falta de uma solução para a crise.
Por esse motivo, ainda não enfrentou a oposição direta do movimento de insatisfação popular "Occupy Wall Street", cujos enfrentamentos com a polícia de Nova York têm se agravado nos últimos dias. Mas tampouco demonstrou que é capaz de solucionar esse impasse, sob o risco de ver sua popularidade deteriorar com cortes obrigatórios na área social.
"O que conta a favor para o Obama neste momento é a ausência de um candidato republicanos forte para a Casa Branca", diz Barbosa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A METRÓPOLE ENTREGUE À MEDIOCRIDADE

Às vésperas de um ano eleitoral, o caixa da prefeitura demotucana de São Paulo está recheado. Cerca de R$ 7 bi não investidos nas urgências da população foram reservados pelo alcaide Gilberto Kassab para maquiar a nulidade de uma gestão, que manteve assim  a sintonia com a de seu patrono, José Serra. A arquiteta Raquel Rolnik, em seu blog, dá a medida dos valores estocados. O superávit municipal equivale ao orçamento anual de uma cidade como Belo Horizonte (R$7,5 bi). Aproxima-se do investimento total previsto para São Paulo em 2011 (R$ 8,5 bi). Ou seja, Kassab tem dois anos de inversões nas mãos, em parte, graças a aumentos de até 60% do IPTU e ao reajuste superlativo das passagens de ônibus , que saltaram de R$ 2,30 em janeiro de 2010 para R$ 3,00 --30% mais para uma inflação inferior a 10%. Se os cofres estão firmes, a cidade aderna. Não é preciso ser oposicionista, basta ser transeunte para constata-lo. Com a cobertura complacente da mídia sem a qual Kassab jamais teria sido eleito, São Paulo vive um ciclo de decadência irretocável. Ruas sujas, abrigos de ônibus caindo aos pedaços, inundações sem planos equivalentes à gravidade do problema, flacidez administrativa, saúde sem investimento, o trânsito deixado à própria sorte e o sentimento mais ou menos disseminado de que a cidade virou uma cápsula de concreto, fumaça e mediocridade onde o interesse público foi asfixiado. De novo, é Raquel Rolnik quem resume  o colapso reafirmado diariamente nas artérias necrosadas da metrópole: "a cada mês, o paulistano passa dois dias e seis horas no carro ou no transporte público. Os paulistanos perdem, em média, 27 dias por ano no congestionamento". Só a aposta numa cumplicidade  orgânica da mídia explica a desenvoltura do prefeito --agora convertido ao 'verde'-- que regurgita  acenos publicitários prometendo fazer nos próximos 12 meses tudo o que ele e seu padrinho não cogitaram em seis anos: hospitais, parques, escolas, rede de trólebus, mais ônibus, ciclovias etc. São Paulo é a quarta maior mancha urbana do planeta. Conecta 19 milhões de pessoas (quase um Portugal e uma Suíças juntos) e 39 municípios. O político em cujas mãos o PSDB depositou o destino desse emaranhado tem a seguinte opinião sobre planejamento: "Poderíamos não atender [as metas], porque meta é meta. Meta não é compromisso"(Folha 10-06). A esquerda de São Paulo não pode ter o escárnio como referência se quiser construir uma opção relevante em 2012. Restaurar o planejamento e  a mobilização, claro. Mas, sobretudo, é preciso inovar. E fazer da campanha a prefiguração da cidade que se quer restituir aos cidadãos. Depois do Orçamento Participativo criado pelo PT em Porto Alegre, em 1988, qual foi o novo grande avanço trazido pela esquerda à gestão municipal?
(Carta Maior; 2º feira,13/06/ 2011)

terça-feira, 15 de março de 2011

A eutanásia da classe média nos EUA e na Europa


O grosso das riquezas acumuladas na história foi adquirida ou mediante a conquista armada de terras ou por meio de concessões políticas privilegiadas, como foi o caso dos terrenos públicos presenteados para a construção das ferrovias nos EUA no século XIX. As grandes fortunas norte-americanas foram construídas com o saque do domínio público de terras, empresas e direitos de monopólio, porque os principais ativos estavam no domínio público. A história agora se repete na Europa e nos EUA. Contra a sugestão de John Maynard Keynes de realizar a "eutanásia do rentista", querem eutanasiar a classe média. O artigo é de Michael Hudson e Jeffrey Sommers.

No entardecer da quarta-feira da semana passada, em uma sessão que acabou se convertendo numa verdadeira noite dos longos punhais, a integridade de Wisconsin foi brutalmente violada no Capitólio do Estado. No dia 9 de março, a integridade e a confiança construídas durante um século foram arrasadas quando os senadores do estado de Wisconsin fizeram uma manobra e dividiram pela metade sua “lei orçamentária de reparação” do déficit orçamentário. Os assuntos financeiros requerem um quórum especial. A negociação coletiva sindical foi retirada dessa lei, a fim de permitir sua votação imediata em separado. Mesmo assim, estava se violando a lei estatal de reuniões abertas, que exige um prazo de 24 horas para assegurar a transparência. Os senadores republicanos do estado de Wisconsin empurraram a nova legislação sem aviso prévio, sem respeitar prazos, deixando um único e estupefato legislador democrata, Peter Barca, a pregar no deserto lendo em voz alta a lei de reuniões abertas para evitar que os senadores concretizassem a votação. Mas o Senado votou, ignorando suas objeções.

O estilo de Wisconsin sempre foi centrado na integridade. Com efeito, essa é a única vantagem comparativa que esse estado federado podia reivindicar. Já não pode mais. Abolida a negociação coletiva, uma multidão de assuntos de enorme importância fica fora do controle dos trabalhadores. A privatização dos ativos públicos está agora na agenda política com a lei orçamentária de reparações ainda por ser votada.

Wisconsin é um Estado que inventou a Era Progressista dominada pelo Partido Republicano no século XIX e início do XX, sob a égide de populistas progressistas como Robert La Follette. Sob seu mandato, a busca de rendas privadas extraídas do domínio público e corruptelas análogas foram combatidas e freadas por um robusto setor público ancorado na integridade. A longa história desse Estado federado em matéria de reformas foi o solo que deu origem a uma próspera classe média e converteu seu território em um modelo de governo limpo, sólidas infraestruturas, sindicalismo organizado e indústria de alto valor agregado gerida por socialistas e progressistas ao estilo de La Follette.

Muito diferentes de Scott Walker hoje. Representante de uma nova estirpe incomparável a dos republicanos de antigamente em Wisconsin, Walker busca o renascimento do latrocínio de ativos que caracterizou a Era da Cobiça (a época dos “barões ladrões” e das grandes fortunas especulativas, entre outros, com o negócio das ferrovias no período pós-guerra civil norte-americana). Uma praga de rentistas em busca de lucro rápido pela via da privatização do setor público e da instituição de rentáveis pedágios de acesso às estradas, aos serviços de energia e a outras infraestruturas básicas.

Os manuais de economia e os telejornais da cadeia Fox (de extrema direita), com apoio de agressivos locutores radiofônicos, propagam o mito de que se ganham fortunas produtivamente investindo em equipamento de capital e empregando trabalho para produzir bens e serviços que as pessoas querem comprar. Pode ser que seja assim que prosperam as economias, mas não é assim que se fazem fortunas do modo mais fácil. Basta ler Balzac para saber que por trás de cada fortuna familiar há um grande roubo, frequentemente esquecido há muito tempo ou ainda não descoberto.

Mas de quem se rouba? O grosso das riquezas registradas na história foi adquirida ou mediante a conquista armada de terras ou por meio de concessões políticas privilegiadas, como foi o caso dos terrenos públicos presenteados para a construção das ferrovias nos EUA no século XIX. As grandes fortunas norte-americanas foram construídas com o saque do domínio público de terras, empresas e direitos de monopólio, porque os principais ativos estavam no domínio público.

Ao longo da história, as economias mais bem sucedidas foram as que conseguiram frear esse tipo de acumulação primitiva. A economia norte-americana de nossos dias anda se arrastando em muito boa medida porque suas tradicionais barreiras protetoras frente aos rentistas foram quebradas.

Em nenhum lugar pode-se ver isso de maneira mais perturbadora do que em Wisconsin. Hoje, Milwaukee – a maior cidade de Wisconsin e outrora a mais rica dos EUA – acha-se entre as quatro grandes cidades mais pobres dos EUA. Wisconsin é apenas o caso mais recente de uma série de grandes assaltos. “Etapa final” da doutrina neoliberal, o próprio governo dos EUA e suas agências reguladoras estão sendo privatizados.

Basta uma olhada na chamada “Lei orçamentária de reparação” do governador Walker para descobrir um verdadeiro mostruário de horrores, que são exatamente o contrário de uma verdadeira “reparação” do déficit. Entre os pontos enumerados pela lei até a noite da quarta-feira passada havia privatizações liquidadoras de plantas públicas de geração de energia, em contratos sem leilões, obviamente favorecedores de vantagens com informação privilegiada interna.

As 37 plantas que Walker pretende vender por liquidação produzem calefação e refrigeração a baixo custo para as universidades e prisões do Estado. A lei orçamentária de reparação liquida-as a baixo preço, presumivelmente em favor de doadores de sua campanha eleitoral, como as indústrias Koch, e impõe uma fatura perpétua aos contribuintes de Wisconsin que pagarão maiores preços pela energia produzida. E tudo isso é vendido como um plano de “alívio ao contribuinte”! Inexoravelmente, isso dará lugar a uma legislação posterior, assim que se desvie a atenção da disputa atual.

A lei orçamentária prevê também a demolição do Sistema de Aposentadoria de Wisconsin (WRS, na sigla em inglês). Isso não é Nova Jersey, onde uma sucessão de governos corruptos terminou no subfinanciamento (leia-se: roubo) do sistema estatal de pensões, a fim de deslocar recursos para cobrir os furos orçamentários na arrecadação geral causados pelos cortes de impostos em favor dos ricos. Não, o WRS é um dos sistemas públicos de pensões mais estáveis, melhor financiado e melhor gerido da nação. Ainda que Wisconsin não seja um grande estado, o WRS chegou a acumular 75 bilhões em reservas, e paga pontualmente generosas pensões a seus funcionários aposentados, sem necessidade de subsídios públicos. A lei de Walker está redigida com uma linguagem adequada à demolição deste sistema, assaltando seus ativos para pagar posteriores cortes fiscais para os ricos (especialmente os proprietários) e lançando uma boa carniça aos tubarões de Wall Street, a medida que os funcionários públicos passarão aos planos 401k (sistemas privados de poupança para a aposentadoria), administrados por gestores de recursos privados que trabalham por comissão.

Em uma proposta separada, o governador Walker começaria o processo de privatização dos campi da Universidade de Wisconsin que subvencionam doutorados. Ironicamente, as universidades estaduais às quais o Estado federal concedeu (no último terço do século XIX) terrenos federais para sua construção – entre as quais a de Wisconsin – foram criadas pelos republicados protecionistas do século XIX para promover visões alternativas à doutrina britânica do livre mercado que dominava as prestigiadas e muito anglófilas universidades da Liga Ivy (as oito grandes universidades privadas do noroeste dos EUA, encabeçadas por Harvard). Essas universidades públicas estabelecidas em terrenos federais cedidos aos estados, como suas semelhantes na Alemanha, ensinavam uma nova política econômica de gestão estatal e empresa pública que formou a base do subsequente desenvolvimento norte-americano e alemão.

Walker pretende liquidar essa tradição e oferecer a produção intelectual a quem der o melhor preço. Outras propostas sugerem a venda dos bosques públicos setentrionais de Wisconsin, ricos em minerais e madeira. E se diz que há muitas outras propostas deste tipo em preparação.

Assim, a guerra de Walker não é somente contra os Democratas e os trabalhadores: é uma guerra também contra as instituições da Era Progressista de Wisconsin. Sua política ameaça provocar a pauperização do estado, atinge as instituições da Era Progressista e leva à proletarização das classes médias desse estado. Contra a gentil sugestão de John Maynard Keynes de realizar a “eutanásia do rentista”, querem eutanasiar agora, nos EUA e em toda a Europa, a classe média.

Michael Hudson trabalhou como economista em Wall Street e atualmente é professor na Universidade de Misoury, Kansas City, e presidente do Institute for the Study of Long-Term Economic Trends.

Jeffrey Sommers é professor visitante na Escola de Economia de Estocolmo, em Riga.


Tradução: Katarina Peixoto