Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Alexandre Padilha e blogueiros analisam o transe político dos paulistas



Na última terça-feira, a revista Fórum promoveu a primeira entrevista coletiva do candidato do PT ao governo de São Paulo neste ano, Alexandre Padilha, após a eleição. A entrevista foi transmitida pelo site da revista via streaming.

Participaram, além do petista, Renato Rovai (editor-chefe da Fórum e autor do Blog do Rovai), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Altamiro Borges (Blog do Miro).

O tema que permeou praticamente toda a entrevista foi uma tentativa dos presentes de entenderem como um Estado com tantos serviços públicos colapsados pôde dar mais um mandato a um partido que em janeiro próximo completa 20 anos no poder em SP.

Vale a pena assistir ao programa (vídeo abaixo) porque teve a discussão mais aprofundada que este blogueiro já viu sobre esse fenômeno social que flagela o Estado mais rico e desenvolvido do país, e que, a passos largos, caminha para a decadência econômica, como mostram vários indicadores citados na entrevista.

Vale comentar, também, que Padilha, após a extenuante campanha eleitoral deste ano, mostra-se muito mais “antenado” do que o pré-candidato que este blogueiro e outros entrevistaram na pré-campanha, no Sindicato dos Bancários, neste ano.

Padilha fez sua autocrítica, reconheceu equívocos de estratégia e fez uma promessa: quer “ficar em São Paulo”, ou seja, não quer ser recrutado para algum ministério do segundo governo Dilma.

Com mais de cinco milhões de votos na última eleição para governador, Padilha se converteu no líder da oposição ao governo do Estado, já que o PMDB de Paulo Skaf deve se reinserir na base aliada tucana da

Assembleia Legislativa paulista.

Em um momento em que a imprensa chapa-branca local chama de “economia fixa de água” o anúncio de Alckmin de que irá a cortar a água de todos os bairros da capital todas as noites, a entrevista de Padilha joga luz sobre a necessidade de tirar o povo paulista desse transe.



A boa notícia, porém, é que o Padilha que deu entrevista a blogueiros na terça-feira passada é outro político. Parece ter aprendido muito com o processo eleitoral, apesar de ter sido a primeira eleição que disputou na vida.

O ex-candidato do PT mudou a visão de contemporização com a mídia tucana de São Paulo e se mostra disposto a fazer a disputa política da forma que tem que ser feita, além de ter encampado apoio à regulação comercial da mídia.


Assista, abaixo, à íntegra do programa

terça-feira, 11 de novembro de 2014

DEVOLVE O APÊ, BARBOSA!

A reação ao médico que xingou mineiros e nordestinos

A reação ao médico que xingou mineiros e nordestinos

publicado em 11 de novembro de 2014 às 12:51
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Não dá pra ficar calado!!!

por Hudson Vilas Boas, que como o médico é de Poços de Caldas, no Dissolvendo no Ar

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.”. Mas “no quarto dia vieram e me levaram. Já não havia ninguém para reclamar”.
(Martin Niemoler)

Ao ler a famosa frase do pastor luterano nascido na Alemanha e testemunha dos horrores da Segunda Guerra Mundial, simplesmente não dá para ficarmos calados diante da onda de ódio, preconceito e intolerância que toma conta de alguns setores ditos “politizados” do Brasil.

Escolhermos nos calar nesse instante, significa pecarmos por omissão diante do monstro que aos poucos vai sendo fomentado por uma elite que se recusa a repartir até migalhas, quanto mais construir uma sociedade minimamente civilizada e que faça jus, ao menos, de ser chamada de democrática.

Estou lendo com muita atenção a obra recém lançada do filósofo francês Jacques Rancière“Ódio à
Democracia” e é incrível perceber o quanto a conquista de direitos por minorias – entendamos por minoria os oprimidos política, cultural e economicamente – traz consigo a intolerância daqueles que antes detinham determinados privilégios.

Temos vivido isso nessas primeiras semanas pós eleições. Na verdade uma certa onda de intolerância e preconceito já nos ronda bem antes da campanha desse ano. Quem não se lembra da frase recheada de preconceitos jactada por Jorge Bornhausen em 2005?

Naquela oportunidade o então senador pelo PFL de Santa Catarina expôs o sentimento de muitos dos seus confrades ao se referir ao PT, seus membros e simpatizante como “raça” – “Vamos acabar com essa raça. Vamos nos ver livres dessa raça por pelo menos 30 anos”.

No entanto, após promulgado o resultado da última eleição presidencial em que sagrou-se vencedora a presidenta candidata a reeleição, todo e qualquer pudor foi prontamente deixado de lado e foram retirados do armário esqueletos de intolerância, ódio e preconceito.

O fascismo deixou de ser apenas flertado por parte de nossa “elite” e foi assumido sem nenhum rubor. Os militares chamados de volta e o Brasil, do dia para a noite, se converteu numa república bolivariana, comunista, soviética…

Nesse contexto pobres, negros, mulheres, militantes dos mais diversos movimentos sociais, sindicalistas, homossexuais, defensores dos direitos humanos, mas sobretudo nordestinos (esses nos últimos dias ganharam a companhia de cariocas e mineiros) passaram a ser tratados como escória da humanidade e sujeitos incapazes de participar de forma plena da sociedade, tendo que ser constante e permanentemente tutelados.

Todo esse “povo” que faz parte da sociedade brasileira, na visão elitista forma um grupo de preguiçosos, indolentes, inaptos, idiotas que se vendem em troca dos parcos benefícios oriundos dos programas sociais financiados pelos exorbitantes impostos pagos por quem realmente trabalha, mas é massacrado diuturnamente pela presença do Estado aparelhado pela camorra que dele se apropriou há 12 anos.

Portanto, nada mais justificável do que, por exemplo, chamar nordestinos de antas, mineiros de burros e ao mesmo tempo clamar para que uma intervenção militar livre o Brasil desse governo corrupto bolivariano, comunista, soviético…

É essa visão preconceituosa, divorciada de qualquer nexo com a realidade, difusora do discurso do ódio, da intolerância e do autoritarismo que somos obrigados a combater se quisermos de fato avançar na construção de uma sociedade mais justa, mais igual, mais democrática.

Se quisermos de fato sairmos do atual estágio de democracia meramente formal para alcançarmos aquilo C. B. Macpherson chama de democracia substancial. Democracia substancial é justamente aquela cujos poderes transpassam a esfera das instituições estatais e torna a sociedade civil organizada sua co-protagonista.

Infelizmente não conseguiremos chegar a tanto enquanto parte de nossa sociedade preferir viver na Idade das Trevas ao invés do século XXI.

Ontem eu estava lendo um artigo dedicado a contar um pouco da história do Partido Operário Social Democrata da Suécia e seus ininterruptos e incríveis 40 anos no poder.

Não dá pra comparar Suécia com Brasil e menos ainda o sistema parlamentarista dos escandinavos com nosso presidencialismo torto. Mas o que achei interessante é que em muitos momentos houve na Suécia um consenso entre governo e oposição em torno de temas que mudariam a face da sociedade sueca.

Como pensar em algo assim no Brasil quando o partido que perde uma eleição sequer reconhece sua derrota? Pior, acaba com isso incitando (diretamente ou não) o clima de nós contra eles, de Brasil dividido por conta do mapa eleitoral.

Pena, ainda estamos anos-luz de sermos uma sociedade minimamente civilizada. Ainda falta muito para termos uma sociedade na qual haja uma defesa intransigente das liberdades individuais e radical dos direitos coletivos.

Leia também:

O caso de racismo envolvendo a USP de Ribeirão Preto

Quem faria pesquisa qualitativa sobre impeachment de Dilma?



Todos sabem o que é uma pesquisa quantitativa (ou quanti) sobre política. São as pesquisas que mostram percentuais de apoio ou rejeição da sociedade a governos ou preferências em disputas eleitorais. Pouco se sabe, porém, sobre pesquisas qualitativas (ou qualis), utilizadas para montar estratégias comerciais ou políticas.

A grande diferença entre pesquisa quantitativa e qualitativa é que esta não aponta percentuais de apoio ou rejeição. Apenas busca desvendar reações e opiniões mais aprofundadas de um – ou mais de um – grupo social. A metodologia das “qualis”, portanto, difere diametralmente da das “quantis”.

Pesquisas qualitativas reúnem um grupo de pessoas com sexo, renda, escolaridade e faixa etária similares em um ambiente controlado por um pesquisador, que conduz uma discussão sobre determinado assunto.
Críticas, elogios, sugestões e linguagem corporal dos participantes, tudo é registrado em relatório. Os participantes desse tipo de pesquisa são espionados através de um espelho de dupla face, de modo que o contratante e os especialistas possam assistir sem melindrá-los.

As “qualis” costumam ser usadas em processos eleitorais, em geral nas campanhas de candidatos a cargos no Poder Executivo, como de prefeito, governador e presidente. Servem para guiar marqueteiros em eleições em que qualquer erro na propaganda eleitoral televisiva ou radiofônica pode ser fatal.

O mais comum é que os programas eleitorais e inserções publicitárias curtas sejam submetidos às “qualis” para testar previamente a reação que o público pode ter diante de um ataque ao adversário, a uma defesa do candidato contratante da pesquisa ou a propostas envolvidas em polêmica.

Não é comum, porém, o uso de pesquisas qualitativas fora de períodos eleitorais. Mais incomum ainda é que essas pesquisas sejam levadas a cabo logo após períodos eleitorais. Por exemplo, uma semana após uma renhida eleição presidencial e, pasme-se, sobre o candidato vencedor.

O que poderia ser mais surpreendente do que poucos dias após a reeleição de Dilma Rousseff, alguém encomendar uma “quali” sobre um eventual pedido de “impeachment” dela?

O que você diria sobre um grupo político que encomenda uma pesquisa dessas?

O que esse grupo pretenderia?

Vale esclarecer que um pedido de impeachment não depende da aceitação da sociedade, já que, havendo provas de algum crime de responsabilidade de um governante, o que importaria seria o processo legal e não como tal processo seria encarado pela maioria.

Só uma farsa justificaria um grupo político sondar a reação da sociedade a um pedido de impeachment de Dilma. Nessa hipótese, ficaria claro que esse grupo pretenderia apostar em “clamor da sociedade”, na falta de provas.

Em tradução livre, portanto, promover uma “quali” sobre um eventual pedido de impeachment da presidente Dilma tratar-se-ia de golpismo, certo?

Desde a semana passada, este Blog vem recebendo relatos de que estariam sendo promovidas pesquisas qualitativas sobre um eventual pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Alguns nomes de contratantes e contratados foram citados, mas, até aqui, nenhuma prova foi apresentada.

Porém, conforme diz uma fonte dessa informação de que esse tipo de pesquisa estaria sendo feito, cedo ou tarde algum entrevistado por “quali” sobre impeachment de Dilma dará com a língua nos dentes, mostrando que a direita midiática prepara um golpe de Estado dissimulado, com vistas a enganar a comunidade internacional.

Este Blog está em busca de informações sobre esse assunto. Se outros blogs ou ativistas digitais quiserem se juntar a essa busca, será excelente. Afinal, a comprovação desse boato desnudaria, de forma cabal, o golpismo adotado sem cerimônia pelo PSDB e pelos veículos de comunicação aliados a esse partido.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Chiclete eu misturo com banana, Miami com Copacabana

miami
Para a galera “coxinha” que anda sonhando com Miami e acha que nós, “esquerdistas desgraçados” ficamos contando mentiras sobre aquele paraíso dourado de felicidade, branquinho, limpinho e onde higienizaram a vida daqueles pobres inconvenientes, vai um recorte grátis de um veículo de comunicação “bacana”: o Huffington Post.
Traduzo, para os que não lêem o inglês.
Insegurança no Sul da Flórida: Cerca de um milhão de moradores não sabem de onde virá a próxima refeição.
Não chega para dar o que pensar?
Que tal o que diz a Forbes?
“Playground dos ricos e famosos, a cidade da Flórida passa por uma paralisante crise habitacional, tem uma das mais elevadas taxas de criminalidade do país, e seus habitantes passam horas demais no transporte todos os dias”,
Portanto, cuidado.
Vocês vão gastar um dinheirão e arriscam se ver em meio a um monte de pobres.
Para ajudar, deixo aqui o link de um mapa de dados interativos sobre quanto há de gente (eles são gente, ouviram?) vivendo abaixo da linha da pobreza.
Há bairros que superam em muito os níveis de pobreza das nossas favelas de Copacabana ou de Paraisópolis.
Dois terços vivendo abaixo da linha da pobreza.
Na cidade inteira, 35% vivem nessa situação.
Tem gente nos sinais, pedindo dinheiro. Em inglês, é verdade, mas pedindo.
Lamento informar, meninos, o mundo é global.
Pode ter muro para conter mexicanos na Califórnia (vocês não comemoraram tanto a queda daquele outro, ontem), ou “green card”  só para endinheirados,  mas não tem  mais jeito.
O mundo ficou pequeno demais para ser tão desigual.

Direita já trama golpe “paraguaio” à luz do dia


Duas semanas após Dilma Rousseff ter sido reeleita pela vontade de mais de 50 milhões de brasileiros, colunistas da mídia tucana já falam em “impeachment” como se estivessem falando do clima, ou seja, com a maior naturalidade.
O pior de tudo é que nem de longe há causa para sequer cogitarem uma coisa dessas. O que chega mais perto de um motivo é matéria com a qual a revista Veja tentou interferir no segundo turno da eleição presidencial e que, de tão fraca, jogou sobre a revista o peso da lei eleitoral, com multa e direito de resposta contra a publicação.
O motivo, porém, não importa. A direita midiática conseguiu ampliar sua força no Congresso e, através do maior número de congressistas, espera que a sedição no PMDB, capitaneada por Eduardo Cunha, seja suficiente para que os derrotados na recente campanha eleitoral consigam no tapetão o que o povo lhes negou nas urnas.
Para que o leitor possa mensurar a sem-cerimônia com que a mídia tucana já fala sobre o golpe, reproduzo, abaixo, trecho de matéria do recém demitido colunista da Folha de São Paulo Fernando Rodrigues, que continua escrevendo para a família Frias no UOL.
Note, leitor, que, nos primeiros sete parágrafos da matéria, o autor cita duas vezes a palavra “impeachment”. E no resto da mídia tucana se dá o mesmo, nos artigos de opinião e até em reportagens.
O termo “Impeachment” virou uma bomba semiótica. Quanto mais falarem no assunto com essa ligeireza, mais ele se tornará “palatável” e “corriqueiro”.
Além disso, a possível eleição de Eduardo Cunha como presidente da Câmara seria a garantia de que a oposição, vitaminada pela dissidência do PMDB, impediria a presidente da República já no primeiro semestre de 2015.
Por conta disso, a mídia vem transformando um aumento de 3% na gasolina e de 0,25% na taxa Selic em “estelionato eleitoral”. E, em breve, recomeçarão acusações e capas de revista semanal e de jornais na mesma linha do que foi feito pela Veja 48 horas antes da eleição presidencial em segundo turno.
As imagens de “estelionato eleitoral” e de “envolvimento de Dilma na corrupção da Petrobrás” tentarão produzir um clima propício ao “golpe Paraguaio” – alusão ao golpe de estado que o congresso paraguaio deu ao impedir o ex-presidente Fernando Lugo em um processo que durou 48 horas.
É muito difícil dizer, neste momento, o que ocorrerá no Congresso. Na Câmara há uma rebelião da base aliada, apavorada com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, que, segundo dizem fontes não-oficiais, tem potencial para implicar uma centena de deputados tanto do governo quanto da oposição.
Muito do que está sendo cogitado sobre “impeachment” tem intenção de intimidar Dilma para que ela faça o que não tem como fazer: brecar as investigações.
Dilma, aliás, não pode fazê-lo porque não tem esse nível de controle sobre a Polícia Federal, sobre o Ministério Público e sobre o judiciário. E não mandaria abafar as investigções nem se pudesse.
A possibilidade de negociações no Congresso para contornar a rebelião da base aliada não é das melhores, portanto.
Por outro lado, não se tem, ainda, o novo Congresso em atuação. Só após a posse dos novos congressistas será possível tomar o pulso da Casa.
Claro que derrubar um presidente filiado ao maior partido do Congresso não seria fácil. Até mesmo o capital sabe que um processo como esse, que se arrastaria por meses – felizmente, aqui não é o Paraguai e um processo de impeachment demoraria meses para tramitar – iria afundar a economia brasileira. Os negócios seriam paralisados à espera do desfecho e por conta da imensa incerteza que se implantaria.
Contudo, a sabotagem da economia que a mídia vem praticando desde o ano passado, promovendo um bombardeio de saturação de pessimismo que fez os investimentos secarem, mostra que a direita midiática prefere afundar o país a ficar mais quatro anos na oposição.
Se eu fosse Dilma, Lula e o PT, portanto, neste momento estaria tratando de mobilizar os movimentos sociais e sindicais, bem como partidos de esquerda que, ao fim do processo eleitoral, perceberam que a direita mais fascista que infesta o Brasil está disposta a estuprar a vontade popular e jogar no lixo os votos da maioria.
Pelo andar da carruagem, só uma intensa mobilização das forças democráticas da Nação pode fazer frente ao movimento golpista que já se articula à luz do dia.
Como já foi dito anteriormente neste Blog, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal até podem barrar uma aventura golpista como a que está sendo desenhada, mas tudo vai depender do clima que conseguirem criar no país.
Desse modo, se não houver, já, um movimento legalista que repudie com veemência o golpismo tucano-midiático-parlamentar, a infecção vai continuar crescendo.
A você, leitor e companheiro de jornada, rogo que não se acomode. O Brasil está vivendo um clima cada dia mais parecido com o de 1964, com a diferença de que, desta vez, cogitam usar uma nova modalidade de golpe, dado em países como Honduras ou Paraguai.
A sobrevivência da democracia que este povo reedificou a duras penas ao longo de mais de duas décadas de luta depende de não nos desmobilizarmos. E de Dilma, Lula e o PT agirem antes que o monstrengo golpista cresça demais.
De minha parte, estou disposto a lutar até onde for necessário. E você?

Janio de Freitas: A cenografia de campanha da Polícia Federal teve outro episódio em 2014


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Produção da Polícia Federal?
09/11/2014

Outras dívidas eleitorais


Pela quarta vez, o estímulo procedente da Polícia Federal para as tendências do eleitorado não resultou. E as investigações desses estímulos, também não.

Logo depois de definidos os disputantes do segundo turno, os três passageiros de um táxi aéreo foram presos pela PF ao descerem no aeroporto de Brasília. Revistados, dizia o primeiro noticiário que um tinha R$ 80 mil, outro levava R$ 30 mil, e R$ 6 mil o terceiro.

Esse total de R$ 116 mil foi baixando nos dois ou três dias em que ainda houve noticiário a respeito. Os três voltavam de Belo Horizonte, onde haviam trabalhado na campanha de Fernando Pimentel.

Fernando Pimentel? Petista. Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, empresário gráfico que levava a maior quantia, havia produzido material impresso para a campanha petista e em 2010 fora interrogado pela PF, a pretexto de um tal dossiê que seria elaborado em Minas contra José Serra.

E o crime de agora? Nenhum. Não é ilegal transitar com dinheiro de procedência legítima, voltando os três de atividades remuneráveis. Bem, um inquérito ia verificar se, por acaso, não se tratava de lavagem de dinheiro. E, para isso, por que precisariam ir três, levando quantias tão diferentes, e pagando um táxi aéreo para levar soma que não justificaria a despesa? Sem resposta.

Mas a PF teve a gentileza de cometer uma imprudência sugestiva de armação. Com as informações da prisão no aeroporto de Brasília, alguns jornais e TVs exibiram uma foto do embarque de Benedito no avião em Belo Horizonte. Autor, aquele nomezinho quase ilegível que os jornais grudam nas fotos? Nenhum.

A foto foi fornecida às redações para acompanhar a notícia de prisão dos três petistas portadores de dinheiro dado como suspeito. Não houve uma ação preventiva da PF em Brasília. Houve uma armação começada em Belo Horizonte, passada à imprensa e à TV como um fato bem sucedido da PF. E com implicações políticas e eleitorais.

Faz um mês que o assunto apareceu e desapareceu. Se a própria PF interveio na PF e esvaziou o balão, não precisa fazer cerimônia. Pode informar a população sobre o que foi aquilo e sobre o inquérito. Fará bem à sua imagem e ninguém pedirá punição de policiais. Como não foi pedida quando daquele dinheiro “achado” em São Luís.

dinheiro
E do dinheiro “achado” no caso dos “aloprados” (este, com a colaboração dramatúrgica do Ministério Público Federal). E do “dinheiro cubano” também “achado”, antes de enriquecer a campanha de Lula, em caixa de bebidas dirigida a um diplomata cubano.

Se a investigação continuou, hipótese pouco atraente, a PF deve à sociedade as informações a respeito. Afinal de contas, foi da PF que saíram as informações e a foto destinadas ao eleitorado que se voltava para sua decisão do segundo turno. Já basta a dívida imensa da PF com o seu silêncio antidemocrático sobre os epílogos daqueles três casos. A população precisa e quer ter confiança na PF.

Por esse mesmo motivo, mas também por outros, a pesarosa morte de Eduardo Campos não justifica que a Polícia Federal não esclareça as zonas escuras de onde saiu, para a campanha eleitoral, o jato da fatalidade. O começo da busca de explicação, nas primeiras semanas depois do desastre, sustou-se deixando apenas estranhezas.

Está aí a direção do PSB enrolada com esse assunto, que prometeu deixar limpo em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral, e mais complicou ao prestá-la sem dar conta do avião e seu uso. Diz que depende da Anac, mas não é de quilômetros voados que se trata. E a Polícia Federal sabe disso.

PESQUISADORA APONTA ‘ÓDIOJORNALISMO’ DA VEJA

Estelionato eleitoral foi o que FHC fez em 1999



Na semana passada, após anúncios de aumentos da taxa Selic e de 3% no preço da gasolina, lideranças do PSDB e os jornais de sempre qualificaram a medida como “estelionato eleitoral” que teria sido praticado pela presidente Dilma Rousseff porque, durante a campanha de sua reeleição, teria negado que o governo fosse aumentar juros e combustíveis.
Em primeiro lugar, há que dizer que é mentira. Dilma nunca disse que deixaria de fazer política monetária. Aliás,até abril deste ano o governo dela aumentou a taxa Selic NOVE vezes consecutivas. Quanto à gasolina, o último aumento foi de 4% e ocorreu em novembro do ano passado. E a presidente jamais disse, durante a campanha deste ano, que não haveria aumento.
Detalhe: a inflação do ano passado e deste girou em torno de 6%, bem maior que os aumentos dos combustíveis.
O mais curioso, porém, é ver o jornal Folha de São Paulo publicar, em sua última edição dominical (9/11),editorial em que chama de “estelionato eleitoral” os aumentos de juros e combustíveis – que já estavam previstos –, a divulgação da oscilação do percentual de miseráveis no país e um aumento do desmatamento.
Por que é “curioso”? Porque esse jornal nunca chamou assim o que foi o maior estelionato eleitoral da história recente do país: a desvalorização do real a partir de 14 de janeiro de 1999, três meses e dez dias após Fernando Henrique Cardoso ter sido reeleito presidente da República com 53,06% dos votos válidos, em primeiro turno.
Por que foi estelionato eleitoral? Porque FHC passou a campanha eleitoral daquele ano acusando o principal adversário, Lula, de pretender desvalorizar o real caso se elegesse e, ao fim, quem desvalorizou a moeda foi quem acusou o petista, segundo reportagem da mesma Folha publicada em 25 de junho de 1998.
Foi um legítimo estelionato eleitoral o que FHC fez. Em 1998, o país estava à beira da bancarrota, mas a propaganda eleitoral tucana vendia outro mundo ao eleitor e garantia que estava tudo bem.


Nenhum grande veículo de comunicação fez o que fizeram Folha, Estadão, Globo e Veja neste ano, que anunciaram o fim do mundo após o fim da campanha eleitoral. Pelo contrário: todos esses veículos compactuaram com o acobertamento dos problemas do país.
Eis que em 14 de janeiro de 1999, 3 meses e 10 dias após a reeleição de FHC e duas semanas após ter iniciado seu segundo mandato, o país foi surpreendido por uma mudança na economia que, nos anos seguintes, jogaria o país no buraco, com explosão de inflação, desemprego, racionamento de energia elétrica etc., etc., etc.
Passada a eleição e materializado o desastre, finalmente sai um texto na grande mídia criticando FHC, mas sem chamar o estelionato eleitoral tucano pelo nome.
Os mais jovens certamente não se lembram de quanto o país sofreu. Em 1999, mais de 26 mil empresas pediram falência. Só para comparar, no ano passado apenas 1,7 mil empresas faliram. 
Tucanos e jornais que nunca falaram em “estelionato eleitoral” mesmo após o governo de 8 anos do PSDB ter promovido o mais descarado estelionato eleitoral da história não é apenas vergonhoso, é uma bofetada no rosto da nação. Sobretudo porque, à diferença da época de FHC, o Brasil, hoje, é outro país.
Com quase 400 bilhões de dólares de reservas cambiais, com a inflação estabilizada dentro da meta, com a mais baixa taxa de desemprego da história, com os salários se valorizando ano a ano, à diferença de 1999 o povo brasileiro sabe muito bem por que reelegeu Dilma Rousseff. Mas nunca descobriu como pôde ser tão burro ao reeleger FHC.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O Bolsa Imprensa e a mídia do dinheiro fácil

bolsaimprensa
Ontem, logo após a entrevista da Presidenta Dilma Rousseff, postei aqui minha sugestão que o tão desejado corte nas despesas públicas comece pela mídia.

Hoje, tenho a ótima companhia de Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo que aprofunda e quantifica o que chama de “Bolsa Imprensa” que os governos brasileiros sempre concederam ao baronato de uma mídia decadente – em qualidade e controle da comunicação – neste país.

Ninguém está sugerindo que se pare de veicular publicidade nos veículos privados, ou que para isso eles apoiem o governo.

Mas há medidas de austeridade a tomar.

É muito “bonito” criticar o gasto de R$ 1 bilhão em obras públicas e receber R$ 1 bilhão (só no 1° turno, R$ 839 milhões), sem esforço algum, pela veiculação do horário eleitoral em suas concessões públicas de rádio e televisão, sem que para isso gaste um ceitil ou deixe de faturar outros, porque não me consta – e duvido e faço pouco – que suas tabelas de preço baseadas em grade de programação tivessem sido canceladas. Ou alguém viu a novela sem comerciais, já que o seu horário normal do pago pelos cofres públicos.

Gastar menos e gastar melhor.

Porque não faz sentido que a televisão – leia-se:a Globo – tenha a mesma parcela nas verbas se não tem, faz muito tempo, a mesma participação na comunicação.

Idem o da escolha de perfis de público, que é parte de uma “mídia técnica” e não um fator estranho a ela.
Ou será que um anúncio da Petrobras,  publicado num blog de política e economia, será menos eficiente do que um anúncio na Contigo?

Dinheiro de publicidade é gasto público, tanto quanto qualquer outro. Deve seguir o princípio da economicidade, da eficiência.

Fazer o que se pretende – informar ou promover empresas públicas, comportamentos e atitudes – com o menor gasto possível.

A mídia não quer que o governo mexa no ‘Bolsa Imprensa’

Paulo Nogueira

“O PT  busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.”
Está na Veja, e raras vezes ficou tão clara a dependência financeira e mental que as grandes corporações jornalísticas têm do dinheiro público expresso em publicidade federal.

Havia, naquela frase, uma alusão à decisão do governo de deixar de veicular propaganda estatal na Veja, em consequência da capa criminosa que a revista publicou às vésperas das eleições.

Era o mínimo que se poderia fazer diante da tentativa de golpe branco da Abril contra a democracia.

Mas a revista fala em “golpear as receitas publicitárias” da mídia corporativa.

A primeira pergunta é: as empresas consideram direito adquirido o ‘Bolsa Imprensa’, o torrencial dinheiro público que há muitos anos as enriquece – e a seus donos – na forma de anúncios governamentais?

Outras perguntas decorrem desta primeira.

Que capitalismo é este defendido pelas empresas jornalísticas em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público?

Elas não se batem pelo Estado mínimo? Ou querem, como sempre tiveram, um Estado-babá?

Os manuais básicos de administração ensinam que você nunca deve depender de uma única coisa para a sobrevivência de seu negócio.

E no entanto as grandes empresas de comunicação simplesmente quebrariam, ou virariam uma fração do que são, se o governo federal deixasse de anunciar nelas.

Tamanha dependência explica o pânico que as assalta a cada eleição presidencial, e também ajuda a entender as manobras que fazem para eleger um candidato amigo.

Essa festa com o dinheiro público tem que acabar, e famílias como os Marinhos e os Civitas têm que enfrentar um choque de capitalismo: aprender a andar sem as muletas do dinheiro público.

Ou, caso não tenham competência para sobreviver num universo sem favorecimentos, que quebrem. O mercado as substituirá por empresas mais competitivas.

Não são apenas anúncios: são financiamentos a juros maternais em bancos públicos, são compras de lotes de assinaturas de jornais e revistas, são aquisições enormes de livros da Abril, da Globo etc.

Numa entrevista a quatro jornais, ontem, Dilma disse que o novo governo vai olhar com “lupa” as despesas, para equilibrar as contas e manter sob controle a inflação.

Não é necessária uma lupa para examinar as despesas com publicidade.

Entre 2003 e 2012, elas quase dobraram, segundo dados do Secom. De cerca de 1 bilhão de reais, foram para as imediações de 2 bilhões ao ano.

Apenas a Globo – com audiência em franca queda por causa da internet – recebeu 600 milhões de reais em 2012.

Um orçamento base zero, como os livros de gestão recomendam, evitaria a inércia dos aumentos anuais do governo com esse tipo de despesa.

Murdoch, em seu império mundial de mídia, tem dependência zero de publicidade de governos.

Banco estatal nenhum financia seus empreendimentos, e por isso ele quase quebrou na década de 1990 quando não conseguiu honrar os empréstimos para ingressar na área de tevê por satélite.

Foi obrigado a se juntar a um rival em tevê por satélite. Só agora Murdoch teve os meios para tentar comprar a outra parte, mas o governo inglês negou por conta do escândalo do News of the World.

Ele se bate pelo capitalismo, e pratica o capitalismo.

As empresas jornalísticas brasileiras pregam o capitalismo, mas gostam mesmo é de cartório.

E julgam, pelo que escreveu a Veja, que até o final dos tempos estão aptas a receber o Bolsa Imprensa.

Médicos que pediram “castração química” de petistas atacam de novo



Após o lançamento do programa Mais Médicos e a consequente chegada de médicos cubanos ao Brasil, a classe médica brasileira vem promovendo um show de horrores. Há menos de um mês, o portal IG fez uma denúncia estarrecedora:

Grupo com quase 100 mil que se dizem médicos ou estudantes de medicina defende ‘castrações químicas’ a eleitores do PT

A denúncia do IG espalhou-se como fogo e por certo fez ver a boa parte dos formadores de opinião o movimento nazista que se aglutinou em torno da candidatura Aécio Neves. Para entendimento dos fatos que serão narrados mais adiante, vale rever trecho daquela matéria.


Sobre a comunidade do Facebook “Dignidade Médica”, que propôs “holocausto” e “castrações químicas” contra eleitores do PT, sobretudo nordestinos, para que “não se reproduzam” tem como uma das organizadoras a senhora Patricia Sicchar, que se declara médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus em perfil da rede social.
Confira, abaixo, trecho de outra matéria do IG sob o título “Médica de grupo anti-PT minimiza holocausto a nordestinos: ‘é revolução do agir’”.


Como se vê, uma das médicas organizadoras do tal “holocausto” médico contra nordestinos eleitores do PT é servidora da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, sob responsabilidade do prefeito tucano Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), líder do PSDB no Senado de 2003 a 2010.
Agora, os médicos manuenses voltam à ribalta com um movimento que pretendem espalhar pelo país. Chegou ao Blog uma denúncia séria contra médicos daquela capital. E o pior: a denúncia sugere que abuso desses médicos contaria com a conivência dos hospitais em que trabalham.
O denunciante enviou ao Blog link de perfil no Facebook de um médico manuense chamado Lano Macedo, que se diz funcionário do Hospital Beneficente Português do Amazonas, que já se envolveu em polêmicas como desrespeitar a “Lei do acompanhante no parto”, conforme denúncia do médico psiquiatra Rogélio Casado.



O tal médico Lano Macedo lidera um movimento de médicos manauenses no Facebook que propõe que a classe médica – e, consequentemente, os hospitais onde aqueles médicos trabalham – boicotem os laboratórios que doaram recursos à campanha da presidente Dilma Rousseff


A confissão dos médicos de que irão deixar de recomendar fabricantes de medicamentos sob razões político-partidárias e ideológicas é um escândalo. E se aquele laboratório tiver medicamento mais conveniente para os pacientes, seja em termos de preço, qualidade ou outro?
Após o episódio “holocausto e castração química”, produzido a partir de organização de médicos de Manaus como o tal Lano Macedo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu nota condenando os autores daquela barbaridade.

Resta saber o que o CFM tem a dizer sobre essa atitude de médicos de Manaus. E, aliás, deveria investigar – talvez até com participação do Ministério Público – se médicos de outras regiões também estão adotando uma conduta profissional inadequada não só por se misturar com os interesses político-partidários deles, mas por prejudicar seus pacientes.
Por fim, resta saber, também, que atitude o prefeito tucano Arthur Virgílio tomou contra a servidora pública  Patricia Sicchar, que se declarou médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus e organizou o movimento propondo “castração química” de eleitores do PT.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Fórmula para Dilma vencer o golpismo e terminar seu mandato




Em setembro deste ano da graça de 2014, a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Mensal do Emprego, do IBGE, caiu para 4,9% no conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas na série histórica daquela instituição. Já o salário médio do trabalhador brasileiro subiu para R$ 2.067,10 – um aumento de 1,5% em relação a um ano atrás.
No fim deste mês, serão divulgados os números da PME referentes a outubro, mas já se pode prever que, como vem ocorrendo há mais de uma década, os números serão ainda melhores. Até porque, no segundo semestre o desemprego sempre cai mais, historicamente.
Quanto à inflação (terceira perna do tripé do bem-estar social), para 2014, 2015 e 2016 a meta central é de 4,5%, mas o IPCA, que serve de referência para medir o aumento dos preços, deve oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
No acumulado de 12 meses até setembro, o IPCA somou 6,75% – acima do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro. Entretanto, a meta de inflação refere-se ao período de janeiro a dezembro de cada ano, não à comparação de cada mês com o mesmo mês do ano anterior, de forma que, como ocorre desde que o PT chegou ao poder, a meta de 2014 deve ser cumprida.
Para fechar esse tópico, a cereja do bolo: o rendimento médio do trabalhador em agosto foi de R$ 2.055,55, o que representa um aumento de 2,5% acima da inflação comparado a agosto de 2013 (R$ 2.005,72).
O que esses números significam, é espantoso. Significam, simplesmente, que não há uma razão lógica para que Dilma tenha tido tanta dificuldade para se reeleger. A população não sente mal-estar. Pelo contrário, com os salários subindo, o desemprego caindo e a inflação sob controle, os brasileiros veem suas vidas melhorarem a cada ano.
Alguns cientistas políticos afirmam que, apesar de a qualidade de vida do brasileiro não estar piorando nem estar estagnada, o ritmo de melhora caiu muito – devido à crise internacional, que nos afeta – e, assim, sob o discurso “certo” esse ritmo mais brando de progresso social pode ser caracterizado como “piora” pelos adversários políticos do governo federal.
Além disso, o combate mais intenso à corrupção a partir do governo Lula – com fortalecimento da Polícia Federal e dos órgãos de controle do próprio governo federal – deram aos adversários do PT a possibilidade de confundir a sociedade caracterizando a divulgação de mais casos de corrupção – decorrentes de mais investigação – com “aumento” da corrupção.
Se os adversários dos governos petistas e do próprio PT fossem apenas os partidos políticos, não seria nada. Tivéssemos, no Brasil, uma imprensa imparcial – ou menos parcial –, que noticiasse de forma equânime os problemas que todos os governos enfrentam, não pareceria que tudo caminha às mil maravilhas nos governos estaduais da oposição enquanto que, no âmbito federal, só há roubalheira e piora da economia.
Composto o quadro socioeconômico atual do Brasil, voltemo-nos à verdadeira rebelião que tomou a base aliada do governo Dilma no Congresso logo após a reeleição, com destaque para o PMDB, assustado com a possível hecatombe que a revelação completa das “delações premiadas” pode lhe trazer.
A rebelião em curso decorre, em grande medida, de declarações que a presidente Dilma deu em entrevistas às tevês logo após a reeleição, quando avisou que, no combate à corrupção, não vai deixar “pedra sobre pedra”, o que foi entendido como ameaça por políticos – sobretudo do PMDB – que têm consciência pesada.
Ciente disso tudo, o PSDB e seu novo “golden boy”, Aécio Neves, fizeram um circo no Congresso, com declarações grandiloquentes do novo “líder da oposição”, que foi recebido no Senado como se tivesse vencido a eleição enquanto prometia oposição sistemática a quem o derrotou nas urnas.
Supõe-se, portanto, que a presidente Dilma e seus conselheiros e assessores devem estar dando tratos à bola para formularem um meio de garantir governabilidade tendo uma base aliada em pé-de-guerra, sedenta de cargos e de proteção contra a política do quarto governo consecutivo do PT de combater sem trégua a corrupção.
Essa fórmula de pacificação da base aliada no Congresso passa, infelizmente, pela aliança formal com partidos como o PMDB e algumas legendas de aluguel. Tal fórmula, porém, desagrada profundamente os partidos de esquerda e os movimentos sociais que ao longo dos governos Lula e Dilma acabaram servindo, involuntariamente, como linha auxiliar da direita.
Desde as “jornadas de junho” e o movimento “não vai ter Copa”, os partidos de esquerda e os movimentos sociais – que, no segundo turno, assustados com a possibilidade de a extrema-direita chegar ao poder correram para debaixo das asas do PT e de Dilma – ajudaram a produzir a situação política que vige hoje no Brasil sobretudo por não quererem aceitar a realidade: o brasileiro é conservador e para fazer um povo assim votar na centro-esquerda, só com alianças à direita.
Costumo repetir sempre essa história: em 2012, a revista Fórum entrevistou, via streaming, o então candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, Carlos Giannazi. Este blogueiro foi um dos entrevistadores. Perguntei ao candidato justamente sobre governabilidade.
Disse a Giannazi que o partido dele repelia alianças com partidos de direita ou de centro direita não na eleição, mas para governar. Porém, se fosse eleito prefeito dificilmente o PSOL conseguiria governar, pois teria uma bancada extremamente pequena que não lhe permitiria aprovar nada na Câmara Municipal.
A resposta de Giannazi – uma pessoa séria – foi estarrecedora: disse que governaria com pressão popular nas galerias da Câmara.
Trata-se de uma verdadeira loucura. Nem se “as galerias” invadissem o plenário e espancassem os deputados que votassem contra um hipotético prefeito do PSOL seria possível aprovar alguma coisa. A Polícia prenderia os manifestantes e a vida seguiria.
Contudo, mesmo com todos os equívocos da esquerda a partir de junho do ano passado, partidos como o PSOL, o PSTU, o PCB, o PCO e movimentos sociais como o MTST, o MST e outros que compactuaram com as “jornadas de junho” e o “não vai ter Copa” finalmente perceberam que, à diferença do que diziam, o PT não é “igual ao PSDB”.
Durante o primeiro turno da campanha eleitoral à Presidência, a brilhante Luciana Genro chegou a dizer isso. Passada a primeira etapa da eleição, o partido dela e todos os outros grupos de esquerda supracitados apoiaram Dilma extraoficialmente, convictos de que, não, o PT não é “igual ao PSDB” coisa nenhuma.
Aliás, quem melhor definiu o que se conseguiu com as “jornadas de junho” e o “não vai ter Copa” foi o entusiasta de primeira hora desses movimentos, o professor da USP Wladimir Safatle, que quase foi candidato a governador de São Paulo pelo PSOL.
Na Folha, Safatle escreveu um artigo desalentado em que reconheceu no que deu toda a mobilização de seu partido – e da “Rede”, de Marina Silva – em favor das tais “jornadas de junho”.


A partir dali, as mais importantes lideranças do PSOL acabaram ao lado de Dilma. O candidato do PSOL a governador de SP neste ano, Gilberto Maringoni, que passou 2013 e 2014 descendo a lenha no PT, acabou em uma cerimônia de apoio a Dilma pregando sua reeleição. Jean Willys e Marcelo Freixo, mais comedidos e lúcidos, idem.
O fato é que o PSOL e outros partidos e movimentos sociais citados têm boa intenção e foram importantíssimos para a reeleição de Dilma, mesmo que, no que diz respeito aos partidos de esquerda, não tenha havido apoio formal.
Mas por que, então, esses grupos de esquerda ajudaram tanto a fortalecer a direita? Em grande medida, porque não aceitam as alianças do PT com partidos de direita ou centro-direita. Essa esquerda sempre rejeitou a tese da governabilidade, apesar de nunca ter dito como fazer para governar um país conservador só com uma esquerda sem votos.
Note bem, leitor: o PSOL, com tudo que fez em 2013 e 2014, liderando as massas na rua contra o governo Dilma, elegeu míseros 5 deputados. Sim, foi um aumento de bancada de 66,66% em relação aos 3 deputados que o partido elegeu em 2010, mas, ainda assim, uma bancada que não ajuda em nada.
Nesse ponto, reproduzo, abaixo, outro artigo da Folha que mostra muito bem no que deu a mobilização de esquerda – inclusive da direita travestida de esquerda, a “Rede” de Marina Silva – ao longo do último um ano e tanto.

Eis, aí, a contribuição da esquerda extra-PT para fortalecer a direita como se viu ao longo do processo eleitoral recém-terminado. Ou seja: além dos erros do PT e da própria presidente Dilma, a oposição de esquerda entrou com a parte do leão do processo que quase elegeu presidente um mero despachante do canibalismo financeiro internacional.
Porém, não se pode atribuir tudo à oposição de esquerda. Dilma e o PT erraram muito. E o que se teme, agora, é que continuem errando.
Em junho/julho deste ano, a maioria dos brasileiros achava que o desemprego, então no patamar mais baixo da história brasileira, iria aumentar. Três meses depois, apenas 26% acreditavam nisso devido à propaganda eleitoral da reeleição de Dilma, que mostrou um Brasil que o povo não vê na mídia.
Mas como foi que a mídia conseguiu fazer crer aos brasileiros que o país estava afundando e que todos iriam ficar desempregados se a realidade era – e continua sendo – diametralmente oposta?
Em primeiro lugar, as “jornadas de junho” fizeram o país crer que as coisas iam muito mal. Ora, como é possível que tanta gente vá à rua protestar se o país vai bem? Depois, o “não vai ter Copa”, que muitos dos esquerdistas que apoiaram Dilma endossaram aos berros até junho/julho, convenceu o país de que o governo estaria jogando fora o dinheiro da saúde e da educação, o que era – e é – uma balela.
E, a isso, somou-se o envenenamento diário da sociedade pela mídia, com seu noticiário seletivo sobre corrupção e seu terrorismo econômico, que contaram com a colaboração da presidente da República e de seu partido, que passaram quatro anos apanhando calados.
Aliás, em 26 de setembro último este blogueiro, entre outros, entrevistou a presidente no Palácio da Alvorada e lhe fez uma pergunta que estava na cabeça de todos, mas que jamais havia sido feita a ela: perguntei por que o governo Dilma apanhou calado desde janeiro de 2011 até havia pouco e se iria continuar apanhando calado.
Dilma respondeu que não queria “ir por esse caminho” – do confronto –, mas que havia concluído que “não teria outro jeito”, o que permite supor que ela e seu partido não repetirão o erro de permitir que a mídia continue envenenando a sociedade contra o governo federal, um envenenamento que se dá em pequenas e ininterruptas doses diárias.
Todo santo dia sai uma notícia envenenadora da sociedade, seja sobre corrupção ou sobre terrorismo econômico. Parece aquela novela recente da Globo em que um rico dono de hospital abandou a esposa pela amante, que depois o cegou envenenando-o paulatinamente, dia após dia.
A fórmula para Dilma nem terminar seu 2º mandato, pois, será repetir o primeiro, deixando que a mídia vá envenenando a população contra si. Isso além de desprezar os movimentos sociais e sindicais e os partidos de esquerda que podem até não ter voto, mas têm muita capacidade de pôr gente na rua.
Na entrevista com a presidente, este blogueiro lhe disse que ela deveria usar o “púlpito” natural que o cargo lhe confere para responder aos ataques da mídia oposicionista. Ela respondeu que, em campanha eleitoral, dá para responder devido ao horário eleitoral, mas que, fora desse período, não dá para ficar indo à teve responder a cada ataque.
Dilma tem razão. Se ficar convocando redes nacionais para rebater os ataques da oposição ela correria até o risco de cometer crime de responsabilidade por usar um equipamento público (rede nacional) para fazer política. Mas a presidente pode convocar entrevistas coletivas. A mídia não poderá deixar de reproduzir o que uma presidente da República disser.
Por fim, os partidos de esquerda que já descobriram que o PT não é igual ao PSDB precisam pensar em crescer. Só assim um governo de esquerda como o de Dilma não precisará se aliar a partidos como PMDB, PP, PSD e outros lixos que, apesar de serem o que são, dispõem-se a dar sustentação ao governo, ainda que em troca de cargos.
Como pode um partido como o PSOL – que, nas “jornadas de junho”, ajudou a levar dezenas de milhares às ruas – só conseguir eleger míseros 5 deputados? O problema está na visão de partidos como esse de que têm que dizer tudo independentemente do efeito eleitoral que isso vier a causar.
Darei um exemplo. Luciana Genro, ex-candidata do PSOL a presidente, é uma mulher brilhante. Sua oratória é um show – se Dilma falasse como ela, teria triturado Aécio. Porém, no início da campanha eleitoral, em um dos debates entre os candidatos, atacou as religiões em um país em que cerca de 90% do povo é religioso.
É ou não é uma espécie de haraquiri político?
Esses partidos de esquerda precisam fazer cálculos políticos. Não há outro jeito. Ou melhor, há: ficarem no “honestismo” infantil enquanto a direita domina tudo e joga o povo na miséria, na desigualdade e na ignorância.
Fica aqui, pois, o vaticínio de alguém que alguns julgam que costuma acertar: Dilma só termina seu governo se impedir que o envenenamento diário da mídia atue solto e se se mantiver próxima dos movimentos sociais e sindicais, chamando para seu governo partidos de esquerda e, eventualmente, oferecendo-lhes cargos.