Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

CUT suspeita de armação contra petistas em ato do 1º de maio


O 1º de maio de 2014 teve um episódio inédito nas mega comemorações do Dia do Trabalhador que as centrais sindicais promovem anualmente em São Paulo. Neste ano, políticos petistas foram vaiados em ato da Central Única dos Trabalhadores, que apoia o governo Dilma e tem ligações históricas com o PT.
No fim da tarde da última quinta-feira, a militância tucana na internet comemorava matéria do site do jornal O Globo, espécie de bíblia da direita brasileira que faz oposição cerrada ao governo federal e ao PT. A razão: o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi vaiado por um grupo incrustado em meio aos trabalhadores.
Confira, abaixo, a matéria de O Globo
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O GLOBO
País
Prefeito Fernando Haddad foi embora sem discursar
Ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao governo paulista, Alexandre Padilha fez apenas saudação
Lino Rodrigues (Email · Facebook · Twitter)
Publicado: 1/05/14 – 18h48
Atualizado: 1/05/14 – 19h41
SÃO PAULO – Políticos petistas como o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o pré-candidato ao governo do estado Alexandre Padilha (PT) e o ministro Ricardo Berzoini foram impedidos de fazer os discursos programados para a festa do 1º de Maio, liderada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores (CTB) e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), na tarde desta quinta-feira, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. O público vaiou e atirou papéis, latas e garrafas em direção ao palco todas as vezes que os nomes de políticos foram anunciados.
Pela programação do evento em comemoração pelo Dia do Trabalho, os discursos políticos deveriam durar uma hora, mas acabaram abreviados em poucos minutos. O primeiro a subir no palanque seria Haddad. Mas tão logo seu nome foi anunciado pelo apresentador do evento, o público, estimado em 3 mil pessoas segundo a Polícia Militar (80 mil pessoas de acordo com a organização), começou a vaiar e a arremessar objetos. Indignado, o prefeito foi embora sem sequer falar com a imprensa.
O apresentador tentou acalmar o público exaltado durante vários momentos, pedindo calma várias vezes, e chegou a dizer que “o ato político era importante”. O ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, também foi recebido com vaias e impedido de discursar.
No momento de anunciar Alexandre Padilha, o locutor não o apresentou como pré-candidato, apenas como ex-ministro. Padilha, ao pegar o microfone, logo lançou uma pergunta: – Quem é contra o racismo?. As pessoas ergueram os braços e Padilha aproveitou o momento e resumiu seu discurso à saudação única “bom dia, boa tarde e boa noite”. E logo deixou o palco e foi embora.
O senador petista Eduardo Suplicy também só agradeceu o público e a festa seguiu com os shows programados.
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A matéria de O Globo forçou a mão. Outro jornal inimigo do PT, o Estadão, relatou que só Haddad foi vaiado e sem estar no palco. Abaixo, a matéria do jornal paulista.
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O ESTADO DE SÃO PAULO
CARLA ARAÚJO – Agência Estado
01 de maio de 2014 | 18h 37
O prefeito Fernando Haddad foi alvo de vaias por boa parte da plateia do evento promovido pela CUT por conta do Dia do trabalho, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.
Ao ter seu nome anunciado, e mesmo sem estar presente no momento, o público vaiou fortemente Haddad. A presença do prefeito era aguardada, constava em sua agenda oficial, porém, ele não compareceu ao palco. O Broadcast apurou, entretanto, que Haddad estava no local, mas preferiu não subir.
Além das vaias, assim que se iniciou o ato político, algumas pessoas levantaram faixas de protesto cobrando Haddad. “Prefeito Fernando Hadad: atenda a nossas reivindicações!”
Petistas
Apesar da ausência de Haddad, o ex-ministro da saúde e provável candidato ao governo de São Paulo Alexandra Padilha esteve no evento e praticamente encerrou o ato político, ao lado do senador Eduardo Suplicy.
Por conta da impaciência do público, que claramente queria continuar assistindo aos shows musicais, os políticos decidiram falar pouco. Em sua breve saudação, Padilha desejou “bom dia, boa tarde e boa noite” e questionou a plateia “quem era contra o racismo: levanta a mão”.
O ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, também esteve no palco representando a presidente Dilma Rousseff. Ao ser anunciado, Berzoini, no entanto, fez apenas uma rápida saudação e preferiu não discursar.
O ministro do Trabalho, Manoel dias, também fez apenas uma rápida saudação gritando “viva o trabalhador”.
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Como se vê, O Globo forçou a mão. Estendeu vaias a Haddad a todos os outros petistas. Contudo, segundo relatos de liderança da CUT presente ao ato as vaias de fato aconteceram, mas, à diferença do que relatam os jornais, não partiram “do público”, mas de um grupo infiltrado em meio à manifestação e que não tinha relação com o movimento sindical.
Atos públicos como os de 1º de maio são perfeitos para esse tipo de ação. Como a rua é pública, qualquer um que esteja passando pode participar. Assim, seria fácil, por exemplo, a Força Sindical infiltrar pessoas no ato da CUT – Força e CUT travam batalhas políticas todo 1º de maio em São Paulo, disputando quem reúne o maior público.
Mas o mais interessante é que a CUT já suspeitava de que aconteceria o que aconteceu. O Blog recebeu email de membro da CUT no fim da tarde do dia 30 alertando para o que poderia acontecer. 24 horas antes do ato da central sindical, Paulo Salvador, diretor da Rede Brasil Atual, enviou e-mail a blogueiros que o leitor pode conferir abaixo.
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“(…) Até o final da tarde desta quarta-feira, um batalhão de repórteres havia se credenciado para cobrir o ato da CUT, CTB E CSB no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. A Globo credenciou 49 pessoas. Todos os veículos estão lá: CQC, Pânico, TV Fama etc.
Opa, a Globo credenciou meia centena de profissionais quando não há nenhum interesse em cobrir qualquer coisa desse grupo de centrais?! Há algo fora do comum nisso aí.
É uma mídia que não vai cobrir a democratização das comunicações, o eixo do ato, também não vai falar das reivindicações do movimento sindical. Estará interessada em produzir cenas para as eleições ou criminalizar ainda mais a cobertura política.
Antevejo que o cenário será o pior possível (…)” 
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Dito e feito. A previsão de Salvador se confirmou. Mas, por via das dúvidas, antes de publicar este post o Blog procurou o diretor da RBA para saber se o alerta que enviou a blogueiros partiu de uma intuição sua ou se a própria CUT compartilhava tais suspeitas de sabotagem de seu ato público.
Segundo Salvador, a direção da CUT já previa o que acabou ocorrendo. Segundo esse interlocutor, ele foi alertado pela própria secretária de Comunicação da CUT-SP, Adriana Magalhães. Mas a entidade sabia que não haveria como impedir a infiltração.
Por sorte, a grande maioria do público presente ao ato – que não participou das vaias a Haddad – aceitou democraticamente a sabotagem dos infiltrados, evitando um confronto que poderia ter desfecho trágico devido à grande quantidade de pessoas presentes.
A maior suspeita sobre a autoria dessa infiltração recai sobre Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força”, quem, segundo matéria da Folha de São Paulo publicada nesta sexta-feira (2), estava alcoolizado quando, aos berros, sugeriu que a presidente Dilma Rousseff fosse encarcerada no presídio da Papuda.
Abaixo, a matéria da coluna Painel, da Folha de São Paulo de 2 de maio de 2014
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2 de maio de 2014
Painel
Vera Magalhães
PINGA NI MIM
Paulinho da Força comprou três garrafas de tequila “Revolución” para a festa da central e, às 11 horas, já circulava com um copo à mão. Disse que era para “calibrar o discurso”. Acabou dizendo que Dilma deveria estar na Papuda. A fala preocupou advogados da central.
CONTRA-ATAQUE
Auxiliares de Dilma ficaram indignados: “Isso é linguajar de quem está muito doido, fora do juízo. Esse deputado deve ter enchido a cara antes do ato”, diz o ministro Paulo Bernardo (Comunicações)

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Como se vê, a campanha eleitoral que o Brasil viverá nos próximos meses tem tudo para repetir ou até superar a de 2010. Armações, farsas, calúnias e até crimes eleitorais ou mesmo comuns serão usados fartamente pela oposição.
Aécio Neves, sobretudo, é tão conhecido por suas baixarias quanto José Serra. Mineiros costumam dizer que Aécio é muito pior do que Serra. Capaz de muito mais golpes baixos.
O PT e a própria candidata do partido à reeleição precisam ter em mente que com punhos de renda será difícil enfrentar essa máquina de calúnias, difamações e golpes eleitorais de última hora. Sem o apoio da mídia não seria nada, mas com Globo, Folha, Veja e Estadão apoiando as armações tucanas elas ganham força. Inclusive sindical.

A miragem mexicana

 

Na última década, o modelo mexicano de abertura liberal, integração com os EUA, e livre comércio teve um desempenho extraordinariamente pior do que o do Brasil.

Poucas pessoas inteligentes – fora da Inglaterra - ainda prestam atenção nas notícias da monarquia inglesa e da sua família real, em pleno século XXI. Mas o mesmo não se pode dizer da City, centro financeiro de Londres, e dos seus dois principais órgãos de  imprensa e divulgação – o Financial Times, e o The Economist – que  seguem tendo importância decisiva na formação das opiniões e dos consensos ideológicos dentro das elites liberais e conservadoras do mundo. 
 
A escolha dos seus temas e o uso de sua linguagem nunca é casual. Como no caso recente do seu entusiasmo pelo México e seu modelo de desenvolvimento liberal e seu ataque cada vez mais estridente, ao “intervencionismo” da economia brasileira. Uma tomada de posição compreensível do ponto de vista ideológico, mas que não vem sendo confirmado pelos fatos.

Em 1994, o México assinou o Tratado de Livre Comercio da América do Norte/ NAFTA, junto com os EUA e  Canadá, e nos últimos 20 anos tem sido absolutamente fiel ao livre-cambismo, incluindo sua adesão a Aliança do Pacífico, e à inciativa norte-americana do TPP. Por outro lado, nesse mesmo período, o México praticou uma política macroeconômica e financeira rigorosamente ortodoxa - em particular na última década - mantendo inflação baixa, cambio flexível,  taxas de juros moderadas e amplo acesso ao crédito. 
 
Mesmo assim, depois de duas décadas, o balanço dessa experiência ultraliberal deixa muito a desejar [1]. Como era de se prever o comercio exterior do país cresceu significativamente no período e passou – em termos absolutos - de U$ 60 bilhões em 1994, para U$ 400 bi em 2013. Mas nesse mesmo período, a economia mexicana teve um  crescimento médio anual pífio, de 2,6%, sendo o crescimento per capita, de apenas 1,2%. O emprego industrial cresceu de forma setorial e vegetativa, e mesmo nas “maquiladoras”, foi de apenas 20%, algo em torno de 700 mil novos postos de trabalho. A participação dos salários na renda permaneceu em trono de 29% da renda nacional, e a pobreza absoluta da população mexicana aumentou significativamente.
 
Por fim, ao contrário do que havia sido previsto, a economia mexicana não se integrou nas “cadeias globais de produção”, a produtividade média da economia praticamente só cresceu de forma segmentada e vegetativa, e o “investimento direto estrangeiro” (o principal “premio” anunciado em troca da abertura da economia) não teve nenhuma alteração significativa.

Esse balanço fica ainda mais decepcionante quando se compara o desempenho do “modelo mexicano”, com o “modelo intervencionista” da economia brasileira, no período entre 2003 e 2012. Segundo  dados publicados pelo Banco Mundial [2], e pelos Ministérios do Trabalho dos dois países, os números e as diferenças são realmente chocantes. Nesse período, a crescimento médio anual do PIB brasileiro, foi de 4,21%, o do México de 2,92%. O crescimento total a economia brasileira foi de 42,17%, o do México, de 29,29 %. As exportações brasileiras cresceram, a uma taxa anual de 6,59%, as do México, a uma taxa de 5,35%. O crescimento total das exportações brasileiras foi de 65.95%, o do México, foi de 53,35%. As importações brasileiras cresceram a uma taxa média anual de 17,33%, e as do México, a uma taxa de 6,75%. O crescimento total das importações no Brasil foi de 173,32%, e no México de apenas 67,54%.
 
Por outro lado, a renda per capita brasileira cresceu a uma taxa anual de 2,84%, e a do México, 1,42%; o crescimento total da renda no Brasil foi de 28,4%, e no México foi de 14,26%; e  a participação dos salários na renda chegou a 45 % , no Brasil, e no México, a 29%. Nesse mesmo período, o Brasil criou 16 milhões de novos empregos formais, e o México 3.500 milhões; e a pobreza absoluta foi reduzida a 15,9%, no Brasil,  e aumentou para 51,3%, no México.
 
Por fim, (pasme-se), entre 2002 e 2012, o “investimento direto estrangeiro” no Brasil,  cresceu de U$ 16.590 milhões, para U$ 76.110 milhões de dólares, e no México,  caiu de U$ 23. 932 milhões, em 2002, para U$ 15.4553 milhões, em 2012 ! Só para encerrar a comparação, em 2103 a economia brasileira cresceu 2,3%, em  ( uma das maiores taxas entre as grandes economias do mundo) enquanto  a economia mexicana cresceu 1,1%.

Foreign direct investment, net inflows (BoP, current US$)

Fonte: International Monetary Fund, Balance of Payments database, supplemented by data from the United Nations Conference on Trade and Development and official national sources.Catalog Sources World Development Indicators. Disponível em: http://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD/countries/BR-MX?display=graph em 27/04/2014
    
Isto posto, o elogio do México deve ser considerado um caso de má fé,  fundamentalismo ideológico, ou estratégia internacional ? As três coisas ao mesmo tempo. Mas o que importa é o que dizem os números, e a conclusão é uma só: na última década, o “modelo mexicano” de abertura liberal, integração com os EUA, e livre comércio teve um desempenho extraordinariamente pior do que o “modelo intervencionista”, “heterodoxo” e “fechado”(apud FT e TE) da economia brasileira, junto com seu projeto de integração do Mercosul.
 
Notas
[1] Vide  artigo  do ex-ministro de Relações Exteriores do México,  Jorge Castañeda: “NAFTA´s  mixed  record”,  publicado no numero da Revista Foreign Affairs,. de janeiro/fevereiro de 2014.

[2] www.data.worldbank.org

Cuidado com as pesquisas do Sensus O Sensus é do Aécio ! O Cerra voltou !



Não bastasse o duopólio Golpista do Globope e do Datafalha, essa eleição de 2014 será mais suja que a de 2002.

Em 2002, depois de abater em pleno voo a candidatura de Roseana Sarney – com a ajuda do Ministério Público do Avelar, da Polícia Federal do Itagiba, da Globo da revista Época, e do Presidente de então, Fernando Henrique Cardoso (leia “em tempo”) – o Padim Pade Cerra abateu a candidatura de Ciro Gomes com um Globope fajuto.

Fez circular uma pseudo pesquisa do Globope para mostrar que tinha ultrapassado Ciro.

Mentira.

A pesquisa era fajuta, segundo o próprio dono do Globope, o notável analista político Augusto Montenegro.

Uma vez, o Brizola disse a seu candidato a vice, Fernando Lyra, que era impossível ganhar uma eleição no Brasil, com a sociedade Globo-Globope.

Agora se fala de uma próxima pesquisa do Instituto Sensus que mostrará a vertiginosa ascensão do Aécio e a queda fulgurante da Dilma.

Só tem um problema: o Sensus trabalha para o Aécio.

“Já o Sensus, que está neste ano na campanha de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República …”, diz Eduardo Belo, no caderno de fim de semana do Valor, o PiG (*) cheiroso, na reportagem “A era da incerteza”.

Portanto, a inclinação partidária, eleitoral do Sensus é ainda mais clara, direta, que o Globope e o Datafalha, sub-produtos de duas instituições que militam no Golpe contra governos trabalhistas – qualquer um, de Vargas a Jango, Brizola, Lula e Dilma.

E, como diz o Marcos Coimbra, da Vox Populi, só um país infra-democratico como o Brasil se deixa enganar por institutos de pesquisa de opinião.

Note bem , amigo navegante, uma palavrinha sobre esses últimos “levantamentos” de opinião pública que o PiG identifica como  a “queda inexorável da Dilma”.

Os Datafalhas e inúmeros Globopes mostram a mesma coisa.

Margem de erro pra lá, margem de erro pra cá – porque “margem de erro” no Brasil tem a flexibilidade de busto de assistente de palco:  aumenta e diminui a cada sessão de silicone – constata-se o seguinte.

Dilma caiu um ponto.

So que o PiG faz uma conta de somar: ela perdeu “X”no Globope + “Y” no Datafalha; mais “Z” no InSensus = – 75.

Dilma tem menos 75 !

É a aritmética do Golpe !

Em tempo: a participação do Governo Fernando Henrique no desmanche da candidatura Roseana, em 2002, está fartamente documentada no livro de Saulo Ramos, “Código da Vida”, Planeta, São Paulo, 2007, pág 415 e seguintes. Cerra e o Príncipe da Privataria jamais o interpelaram judicialmente.

Ao contrário: numa manhã de sábado, no Shopping Iguatemi, Saulo contou ao ansioso blogueiro que tinha até recebido carinhoso telefonema do Cerra pelo último aniversário…

O Ciro conhece profundamente a alma dos tucanos de São Paulo …

Em tempo2: o Presidente Sarney disse a uma colonista (**)  Ilustre da Folha (***) que Fernando Henrique recebeu no Palácio do Alvorada um fax do agente da PF na hora em que “estourou” o escritório do marido de Roseana. Dizia apenas a frase “missão cumprida”. Ela talvez não se lembre disso, mas o Sarney, o Cerra e o FH se lembram… E o ansioso blogueiro, também.

Hoje, a Ilustre se dedica a botar lenha na fogueira do “volta Lula”.

Uma questão de hábito …


Clique aqui para ler “Mino: Genoino preso e Dantas solto !​”


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(***) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Padilha enfrenta Globo – e a PF do zé ! A PF do zé é o “esquema militar” do Jango !



O Globo Overseas, um dos principais beneficiários dos sistemáticos vazamentos da PF do da Justiça, publica nesta sexta-feira uma foto do Padilha como testemunha da assinatura do acordo do Laboratório Labogen, do doleiro dos tucanos, o Youssef, com o Laboratório Farmacêutico da Marinha.

Padilha era Ministro da Saúde.

Clique aqui para ler ” Padilha vai processar a PF ?”

O que faltou a PF vazar ao Globo ?

Que aquela foi uma solenidade PUBLICA  com 250 empresários de cem laboratórios para assinar compromisso INICIAL de fornecimento de remédio a laboratórios PÚBLICOS.

Cumpridas TODAS as etapas de avaliação do “compromisso”, o Labogen foi REJEITADO, não vendeu uma aspirina à Marinha e não recebeu UM TOSTÃO.

O Ministério da Saúde não comprou nada !

Não adiantava a Labogen “comprar” o Padilha.

Porque o Padilha não comprava, não era Ministro da Marinha e a decisão – contra a Labogen dos tucanos – saiu quando ele já não era Ministro da Saúde.

Por esse tipo de compromisso, o Ministério da Saúde participa de um processo interministerial de avaliação, que, se bem sucedido, resulta em que o laboratório privado fornecerá a um laboratório publico.

O Padilha explicou isso aos obedientes entrevistadores do Roda Morta.

Mas, se depender da PF do zé, terá de responder a mesma coisa TODO DIA !

O laboratório público, no caso, o da Marinha não recebeu, repita-se,  um Melhoral da Labogen – Melhoral, nem nada !

Um dos critérios dessa avaliação é o preço.

O laboratório público sempre compra pelo preço que o SUS paga.

Muitos laboratórios estrangeiros faziam dumping ao participar da licitação e o critério do “preço SUS” resulta que, ao fim do processo, o laboratório publico venha a pagar menos do que tinha sido previsto no “compromisso”.

Um dos itens mais importantes da balança comercial do Ministério da Saúde do Brasil é exatamente esse, da “química fina”.

E o critério de sucessivas avaliações do Ministro da Saúde e dos laboratórios públicos tem, também, o objetivo de fortalecer essa balança comercial.

Mas, isso tudo é rigorosamente secundário.

O que está em jogo é o trabalho na Policia Federal do zé de pretender destruir a candidatura do Padilha.

O resto é o luar de Paquetá.

É um processo diário de corrosão de imagem.

No caso, hoje, a tentativa de esvaziar o Comício do Anhembi com o Lula, a Dilma – e o Padilha !

O zé Cardozo, provavelmente, não ousará pisar lá !

Até quando o zé terá o direito de omitir-se na questão dos vazamentos da PF ?

O que diz o DG Daiello ?

A PF é Republicana ou Tucana ?

Há alguma dúvida ?

O ansioso blogueiro tem as suas.

Porque a PF é especialista em trabalhar para tucanos no Ministério da Saúde.

Quem não se lembra do delegado Bruno, aquele que vazou as fotos do dinheiro dos “aloprados” ?

Como se sabe, a cessão das fotos do delegado da PF ao PiG (*) foi exatamente uma operação para abafar a denuncia de que o Ministério da Saúde do Padim Pade Cerra e seu sucessor comprava ambulâncias super-faturadas.

A aliança da PF com o PiG – a Globo do “i” (**) à frente – levou a eleição de 2006 ao segundo turno.

Clique aqui para ler “o primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.

Foi quando o jn ignorou o desastre da Gol para mostrar as notas do delegado federal Bruno – onde está ele ?

A história agora se repete.

Ministério da Saúde, PiG, Polícia Federal.

Fura-bolos, cata-piolho, pai de todos.

O pai de todos é o “i”…

E a PF do zé é o “esquema militar” do Jango.

Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

Visita de deputados a Dirceu desmoralizou Legislativo, Judiciário e imprensa



Matéria da Folha de São Paulo sobre a comitiva de deputados federais que foi investigar as condições de encarceramento de José Dirceu no presídio da Papuda, em Brasília, publicada na terça-feira passada no UOL e no dia seguinte no jornal impresso, produziu um factoide asqueroso que tenta enganar a sociedade enquanto infringe descaradamente a lei.

Comecemos pela lei. O inciso VIII do artigo 41 da lei 7.210/84, que regula a Execução Penal no país, é claro quanto à exploração da imagem de pessoas mantidas em regime de privação de liberdade: é garantido aos presos “proteção contra qualquer forma de sensacionalismo”.

Ora, o que foi a matéria da Folha sobre as condições de encarceramento de José Dirceu se não uma clara violação da lei 7.210/84, que proíbe que sejam feitas e divulgadas imagens de presos no ambiente de confinamento? A lei impediu a Folha de usar imagens feitas por um membro da comitiva de deputados que visitou o ex-ministro em sua cela?

Se a Folha deu uma banana para a lei e publicou vídeo gravado ilegalmente por algum membro da comitiva que adentrou o presídio, parte dessa comitiva esbofeteou o país com relatos sobre regalias de Dirceu que foram contestados não por partidários do ex-ministro, mas por deputados de oposição ao PT que também participaram da visita.

Quatro membros daquela comitiva se destacaram pelas declarações sobre o que viram na Papuda: a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Detalhe: os quatro deputados são de partidos de oposição ao governo Dilma e ao PT. Contudo, diferenciaram-se entre si por demonstrarem ou não espírito público e entendimento do que é fazer oposição.

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) disse que Dirceu recebe tratamento diferenciado por sua cela ser “mais ampla e iluminada”, por ter televisão e micro-ondas, utensílios que afirmou que outros presos não têm e que, depois se soube, é mentira, pois vários presos com “bom comportamento” têm esses e outros utensílios. Inclusive, Dirceu tem uma pequena tevê antiga e há presos com tevês de plasma.

Já o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) relatou à imprensa, em tom de denúncia, que Dirceu assistia ao jogo entre Bayern de Munique e Real Madrid no momento em que os deputados chegaram à sua cela…
As declarações desses deputados ganharam as manchetes principais dos jornais do dia seguinte à visita (quarta-feira). Contudo, havia as declarações de Erundina e Wyllys, que foram solenemente ignoradas pelos repórteres que esperavam a comitiva parlamentar na saída da Papuda.

Jean Wyllys deu a seguinte declaração: “A gente veio verificar se havia regalias. Pela nossa visita, que a gente fez às celas, e pelas conversas que nós tivemos com os agentes penitenciários, os gestores e o diretor do complexo, a gente viu que não há regalias. Não há privilégio [a Dirceu]”.
Luiza Erundina declarou que viu “Uma cela modesta, uma cela malconservada, cheia de infiltrações, gotejando água no corredor, na porta da cela”. E que o tratamento que dão a Dirceu na Papuda lhe tira “Aquilo que é dado a outros presos”.

Entre dois pares de declarações tão contraditórias, adivinhe, leitor, que versão ganhou as manchetes… A dos que enxergaram “regalias”, claro. A manchete da Folha reproduziu a declaração de Mara Gabrilli, mas depois se soube que ela não entrou na cela de Dirceu por ser cadeirante e sua cadeira-de-rodas não passar pela porta.

Sobre a deputada tucana de São Paulo, aliás, vale uma informação pessoal deste que escreve. Essa deputada vem se elegendo há anos usando sua condição de deficiente física. Seu mandato atua junto a famílias de deficientes, as quais ela transformou em massa de manobra.

Há alguns anos, Gabrilli era vereadora na capital paulista. A esposa deste blogueiro vinha tentando conseguir vaga em uma instituição municipal para nossa filha, portadora de paralisia cerebral. Como não havia vaga na instituição, sugeriram a ela que procurasse a vereadora tucana.

Gabrilli impôs uma condição à minha esposa, para ajudá-la: teria que se unir ao “movimento” que essa parlamentar coordenava. Consultado pela esposa, recomendei que não se aproximasse desse tipo de gente. O desespero de mãe, porém, vendo a saúde de nossa filha Victoria se deteriorar, falou mais alto.
A mãe de minha filha doente se animou com a promessa, que quase foi cumprida. Gabrilli chegou a comunicar a ela que conseguira a vaga para a menina. Marcou dia e hora para Cristina ir buscar uma “carta” da parlamentar para a instituição.

Quando minha esposa foi procurar a assessora de Gabrilli para ir retirar a tal “carta” ouviu que a vaga “não tinha dado certo”, mas que a vereadora ficara sabendo que este blogueiro era o pai da criança e que, por eu ser “ligado ao PT”, seria “fácil” para mim conseguir vaga para minha filha em alguma instituição federal.
O resultado é que minha esposa passou meses protestando contra a minha atividade de blogueiro, que estaria prejudicando nossa filha. Mas, ao fim, consegui convencê-la de que não era eu que estava errado por exercer minha liberdade de expressão, mas a parlamentar que usara sua posição para perseguir inimigos políticos.

Não espanta, pois, que Gabrilli tenha dito o que disse após a visita à Papuda. Esse tipo de conduta é a cara dela.

Seja como for, o fato é que quem tenta se posicionar sobre esse caso fica num dilema. Em quem acreditar? Claro que o cidadão que tem posições políticas definidas acreditará no que quer, mas quem procura somente a verdade fica desalentado ao ver a contradição entre quatro parlamentares que viram a mesma coisa, mas relatam fatos tão diferentes.

Esse mesmo cidadão fica sabendo que é proibido captar imagens de presidiários para exploração jornalística, vê que um dos membros da comitiva de deputados infringiu a lei ao gravar tais imagens, vê que a Folha divulgou o que é proibido e conclui que o jornal e os deputados estão se lixando para a lei.
Por fim, já percebendo que este país não passa de uma republiqueta bananeira em que leis valem tanto quanto a seriedade de parlamentares e da imprensa, o cidadão vê o Judiciário não tomar providências contra um episódio que desmoralizou ainda mais instituições cuja imagem nunca foi das melhores. O Brasil poderia ter passado sem essa pantomima.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Entenda o boicote tucano ao leilão de energia. E porque não haverá “apagão”.

leilao

Nestes dias em que está difícil escrever de política, o tempo que tenho deve servir para dar ao leitor a informação que ele não terá na mídia ou que terá, mas tão encoberta que se torna difícil compreender.
E num tema que este blogueiro vem estudando atentamente.

Ontem, o comentário de Míriam Leitão na CBN – assim como sua coluna hoje, em O Globo, voltam a bater na tecla de que o Governo Federal deveria decretar um racionamento de energia elétrica, em razão da seca que faz os reservatórios das hidrelétricas ficarem abaixo do ideal.

Nem em um, nem em outro, uma palavra sequer sobre o fato de o abastecimento de água em São Paulo estar numa situação desesperadora.

Esqueça qualquer consideração técnica. O caso é que hoje está sendo realizado um leilão de comercialização de energia elétrica e o objetivo, além de majorar o preço, é evitar que  as geradoras ofereçam eletricidade a um preço viável para as distribuidoras e deixem o mercado de fornecimento a descoberto.

E quebraram a cara no resultado, embora ainda vão tentar sustentar que não se cobriu toda a necessidade de contratação do que é comprado à vista, hoje; 3,2 mil MW, por até 822,83 por MW.
Foram contratados 2,05  mil MW – dois terços do que hoje é  comprado à vista – por R$ 268 o MW, ligeiramente abaixo do preço máximo permitido, de R$ 271.

AAs previsões eram que 50% já seria um sucesso.

E porque isso aconteceu?

Porque não houve piora nas condições de armazenamento hidráulico do Sistema Integrado Nacional, mesmo não tendo havido em março e abril chuvas dentro da média histórica, muito ao contrário.
O armazenamento do Sudeste e Centro-Oeste termina março na casa dos 39%, contra pouco mais de 34% no final de fevereiro. A capacidade armazenada de todo o sistema nacional – que intercambia energia – passou de 38% para 43%.  No Rio Madeira, Santo Antonio voltou a operar algumas turbinas e Jirau colocou mais uma nova unidade em operação e houve o reforço de mais uma um pequena usina, a de Batalha, no Rio Grande, que começou a operar ontem.

Se o esvaziamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, o mais crítico,repetir este ano o período seco do ano passado – quando já se utilizou as térmicas como elementos de economia e registrou-se uma redução de 62,4 (29 de abril) para 45% (31 de outubro) – a previsão poderia ser de chegar-se ao período chuvoso com mais de 20% de energia armazenada. Pensando no pior cenário, talvez 15%.
E com a volta das chuvas o cenário teria uma mínima normalização, pois o “período chuvoso” deste ano só teve chuvas, mesmo, no nome. Foi, simplesmente, o pior da história desde que se tem registro.

É isso o que explica o sucesso do leilão.

Óbvio que ninguém vende no atacado por R$ 270 se pode encontrar cliente no varejo da R$ 820.
Mas também não deixa de vender a R$ 270 para guardar e, amanhã, ter de vender a R$ 100.
Exceto, é claro, as estatais do setor de energia nas mão de governos estaduais tucanos,  que não venderam energia no leilão, segundo o Valor.

Julgue você se estão sendo está sendo usadas politicamente para agravar a crise.

Não creio que a nossa valorosa imprensa se aventure a questionar Aécio sobre a atitude da Cemig ou o tal Beto Richa sobre a da Copel em boicotarem o leilão.

Os tucanos trouxeram a seca para a eleição e vão pagar caro por isso.

Porque ela traz São Paulo para este tema, também. E o quadro é muito mais dramático por lá.

O Cantareira terminará a semana a 10% de sua capacidade.

Há um ano, eram 63% – bem parecido com o volume dos reservatórios das hidroelétricas do Sudeste/Centro Oeste.

Em 31 de outubro, esse nível havia caído para 36,8.

Uma perda, portanto, de 26,2%.

Menos os 10% de reserva atual, tem-se um resultado negativo de -16% do volume útil do sistema, ou  156 bilhões de litros de déficit.

A visão otimista da Sabesp é de retirar até  200 bilhões de litros do “volume morto’.  Cálculo duvidoso, porque são represas de mais de 30 anos,  sofridas com o  assoreamento e acúmulo de substâncias nocivas no fundo, sobretudo metais pesados.

Como o amigo e a amiga sabem fazer contas, nota-se que a melhor das hipóteses e “chegar no talo” às chuvas.

Portanto, preparem-se: a pouca chuva, paradoxamente, faz fazer rolar muita água no período eleitoral.

1º de Maio: a encruzilhada brasileira


Ainda há tempo de esclarecer à sociedade o verdadeiro divisor de águas desta eleição. Essa é a atualidade do 1º de Maio de 2014. 

por: Saul Leblon
 
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O jogral do Brasil aos cacos esforça-se por  convencer a sociedade de que seus pés tateiam  o precipício  no qual o PT  transformou tudo aquilo que um dia já foi uma economia  de fundamentos sólidos, um país de  vida aprazível.

Narra-se  o Brasil  abanando leques para os donos da casa-grande.

Dá-se a isso o nome de  jornalismo; o resto é ideologia.

A sofreguidão  prestativa mistura problemas reais e imaginários em  uma escalada arfante destinada a validar nas pesquisas  da semana seguinte  a crispação denuncista   emitida no período anterior.

Vive-se uma  circularidade. Soa quase como um bate bola entre amigos.

Esse churrasco de compadres, que se repete com regularidade conveniente,   incorporou   ao  rachão  o ambiente carimbado das bolsas de valores.

O jornalismo  isento grita fogo;  em rodízio disciplinado, institutos de pesquisa  perguntam  ao eleitor  ‘se já sentiu o  cheiro de queimado’; as bolsas  correm e precificam o rescaldo dando  ares de  consenso  ao incêndio  antipetista.

Analistas –todos isentos, ideológicos são os blogueiros que entrevistaram Lula--  cuidam de emprestar  à pantomima uma seriedade imiscível com a manipulação cotidiana que  jorra  de todo o processo.

Não se pode negar alguma eficácia ao jogo corrosivo que tem a seu favor  os flancos  que a  transição de ciclo mundial impõe à economia e ao governo brasileiros.

 Enquanto for capaz de manter o debate  do desenvolvimento sob a neblina dessa isenção,  o conservadorismo terá o mando do campo.

 Mas só o terá enquanto durar a omissão do PT e do governo.

Se estes resolverem  –enquanto ainda há tempo--   esclarecer à sociedade o custo  efetivo das soluções  propugnadas pela ortodoxia , o jogo pode mudar.

Trata-se de repor o verdadeiro divisor de  águas desta eleição.

O conservadorismo insiste que se trata de um embate  entre o precipício petista e a estabilidade que só os candidatos dos livres mercados podem restaurar.

Em primeiro lugar, há que se arejar a moldura.

O Brasil faz parte do mundo. O  jogo aqui é o mesmo  em curso em outras praças do capitalismo internacional.

A escolha, de fato,  consiste em reordenar a economia com o escalpo dos assalariados, como prescreve a restauração neoliberal  em curso; ou repactuar o futuro construindo uma democracia social, que sincronize ganhos de produtividade, crescimento e redistribuição da riqueza.

Essa é a encruzilhada do 1º de Maio de 2014.

Aqui e em todas as latitudes do planeta.

É ela também que repõe os termos da luta entre capital e trabalho, entre  Estado social e estado mínimo, entre Aécios,  Campos & Marinas  --tanto faz--  e o campo progressista nas eleições brasileiras de outubro próximo.

Talvez seja o pressentimento  dessas massas de forças em conflito que explica por que 72% dos eleitores consideram o governo Dilma entre ótimo, bom e regular (segundo a última CNT), apesar do bombardeio diuturno dos isentos rapazes da mídia.

O governo e o PT precisam ajudar essa intuição com  a força do  esclarecimento político para que a sociedade tenha a certeza de que  existe uma escolha a ser feita .

E que ela pode fazer a diferença entre o Brasil que somos e o que gostaríamos de ser.

O conservadorismo prefere entregar o timão da travessia  à mão invisível  dos livres mercados.

A escolha predefine o vencedor do embate com base nas regras que lhes são intrínsecas, a saber: desregulação de direitos  trabalhistas, choque de juros, arrocho fiscal, liberdade irrestrita aos capitais e privatizações.

A  repactuação democrática do desenvolvimento, ao contrário, traz o embate para o delicado campo da negociação política; inclui prazos, sacrifícios e metas a serem pactuados em sintonia com  ganhos de  produtividade e crescimento que deem coerência macroeconômica ao processo.

Trata-se de promover  uma mudança na correlação de forças pós-crise de 2008. E de fazer da campanha de outubro o seu cenário.

A opção conservadora é mais simples e direta.

 Desde a estrutura do Estado, aos ventos internacionais, passando pela  prontidão plutocrática, até aos aparelhos ideológicos da sociedade, com a prestimosa turma do jornalismo isento à frente, tudo está  em linha para deflagrá-la.

O que atrapalha o cortejo é presença contraditória do PT na direção do país desde 2003.

Com as consequências sabidas.

A principal delas sendo a emergência de um novo protagonista representado pela ascensão de  53% dos brasileiros, que,  sozinhos,  formam  hoje  o 16º maior mercado popular do mundo.

O que fizeram os governantes das economias desenvolvidas desde os anos 90 — com os aplausos obsequiosos do dispositivo midiático local  — foi lubrificar uma espiral inversa.

Essa  à qual  o conservadorismo pretende  alinhar o país, se vencer em outubro.

Tome-se o caso mais ameno dos EUA, para não insistir no funeral econômico promovido na Europa pela rendição  socialista, para júbilo da extrema direita.

Nos EUA, ao contrário, há uma  recuperação nos indicadores de mercado.

Mas ela  não impede que o prestígio de Obama derreta aos olhos da sociedade, que hoje lhe atribui taxa de aprovação equivalente a de Bush nos piores momentos.

Por quê?

Porque   a propalada retomada   não inclui o resgate dos mais pobres, nem  a reincorporação da classe média no comboio dos vencedores.

O  grande séquito dos ‘ loosers ‘ norte-americanos  não foi obra do improviso.
Desde os anos 70, com as reformas neoliberais, a participação do trabalho na renda mundial declina.

 Recente debate promovido pela rádio Brasil Atual mostrou, por exemplo, que 2/3 das nações integrantes da ONU promoveram cortes em direitos trabalhistas nas últimas décadas.

Os EUA foram o palco de uma das decepações  mais drásticas.

 Hoje, a parcela da renda destinada aos trabalhadores  norte-americanos  está no  nível mais baixo desde 1950.

Os lucros das grandes corporações, em contrapartida, consomem a maior fatia do bolo já registrada desde 1920.

Esse arrocho estrutural  --associado a distorções cambiais—explica em boa parte  a brutal diferença de custo  entre fabricar  manufaturados no  Brasil e nos EUA.

Em 2004, segundo dados publicados pelo Valor Econômico, o custo da indústria brasileira era 3% menor que o da norte-americana; hoje é 23% maior.

 O fato de Obama não ter conseguido até agora reajustar um salário mínimo congelado há 15 anos, diz muito sobre as escolhas de futuro embutidas nessa diferença de competitividade.

Se por um lado ela inclui opções indesejadas, por outro é evidente que a construção de uma democracia social no Brasil exige respaldar  seu custo em contrapartidas  de produtividade, sem as quais a artificialidade do processo desembocará  em uma espiral salários/preços de consequências  sabidas.

Restaurar o modelo neoliberal, em contrapartida,  como quer o conservadorismo, é repetir o percurso que desembocou justamente no colapso de 2008, e hoje catapulta a extrema direita na Grécia,  França, Inglaterra (leia  a  análise de Marcelo Justo; nesta pág).

Não apenas isso.

Foi sobre  uma  base de renda e trabalho esfacelados  pela transferências de empregos  às ‘oficinas asiáticas’, que se instalou a desordem  neoliberal.

A asfixia desse arranjo capitalista só não explodiu antes de 2008, graças à válvula de escape do endividamento maciço de governos e famílias, que atingiu patamares  insustentáveis na bolha imobiliária norte-americana, espoleta da maior crise do capitalismo desde 1929.

Quando as subprimes gritaram — ‘o rei está nu’, todo o edifício de uma ciranda financeira ancorada no crédito sem poupança (porque sem empregos, sem renda e sem receita fiscal compatível) veio abaixo.

A tentativa atual de  ‘limpar o rescaldo’ resgatando apenas seus gargalos financeiros  --salvando os bancos e arrochando ainda mais os assalariados e os pobres — é mais uma forma de perpetuar a essência da crise do que de enfrentar as suas causas.

É nessa roleta russa que o conservadorismo quer engatar o futuro do Brasil.

O jogo, portanto, é pesado.

 Controlar as finanças desreguladas é um pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas, na base do morde e assopra – -arrocho de um lado, crédito do outro.

 Preservar o modelo, adicionando-lhe  a contração do crédito, como se tenta agora, desemboca nas manifestações mórbidas de totalitarismo em curso na Europa.

A produtividade imprescindível à renovação dessa engrenagem requer a construção de um outro percurso. Distinto da compressão dos holerites, do emprego e dos direitos sociais preconizado pelos jornalistas isentos.

A pactuação política de um novo ciclo de  expansão da economia certamente  é um caminho mais longo que o ajuste instantâneo oferecido pelo ferramental ortodoxo.

Mas o Brasil ainda preserva em seu metabolismo uma estrutura de organização social e sindical que pode e deve ser rejuvenescida com essa finalidade.

 Dispõe, ademais de um bloco progressista que mudou, para melhor, a face da sociedade em mais de uma década à frente do Estado.

As eleições de 2014 configuram uma derradeira oportunidade para as duas pontas renovarem seu estoque de força e consentimento na repactuação dessa heresia histórica.

Ou seja, construir um Estado social em uma nação em desenvolvimento.

A alternativa,  repita-se, é arrocho.

Pasadena: a Dilma roubou ? E a Graça ? O Cláudio Haddad, o Fábio Barbosa e o Gerdau roubaram ?

Imbassahy e ACM: é tudo a mesma sopa !

Toda a discussão em torno de Pasadena desaguou agora em seu leito natural: a Big House  e seus  instrumentos no PiG (*) e no Congresso  embarcaram no Golpe do impeachment.

O resto é o luar de Paquetá.

A CPI da partilha da partilha não vai rodar em cima do capex, da revamp e da put option.

Isso não vai a lugar nenhum.

O que está em jogo é: quem roubou ?

O Gabrielli roubou ?

A Graça roubou ?

A Dilma roubou ?

O Lula roubou ?

O Cerveró roubou ?

O Cláudio Haddad roubou ?

O Fábio Barbosa roubou ?

O Gerdau roubou ?

Os três últimos, empresários, como se sabe, coonestaram a “roubalheira”.

Portanto, é preciso explicar logo onde está o dolo.

O tal diretor que está em cana, preso na “Operação Lavajato” da Polícia Federal – clique aqui para ler “o Padilha vai processar a PF ?” e aqui para ver “o vazamento do agente PiG ao Estadão” – terá suas responsabilidades apuradas, de acordo com a lei.

Não será o primeiro executivo de uma grande empresa eventualmente apanhado em ilícito.

Então, cadê o dolo, deputado Imbassahy ?

Será que o sargento Prisco sabe, aquele tucano aliado e líder da rebelião de PMs na Bahia ?

Isso é o que a CPI haverá de demonstrar de forma solar !

Cadê o dolo ?

Quem embolsou a grana ?

(Trata-se, aqui, da CPI da partilha da partilha e, não, a outra, que vai tratar dos tucanos. Nessa, a do trensalão, a resposta é mais fácil.)


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Padilha vai processar a PF ? Vazamento da PF é da categoria “criminal”.

Saiu na primeira pagina do Estadão em comatoso estado:

“Doleiro teria (sic) influência sobre Padilha, aponta (sic) PF”.

Lá dentro, na pág A8, lê-se:

“Se o Padilha ganhar o governo ajudo ele e muito”, disse o doleiro de tucanos, o Youssef.

Segundo os dois (dois !) repórteres do Estadão, para a PF, o diálogo grampeado “indica (sic) possivelmente (sic) que Youssef tem (sic) influência política junto (sic) ao candidato do Governo de São Paulo, Alexandre Padilha”.

“Junto” como ?

O Padilha lava dinheiro com o Youssef ?

O Padilha joga biriba na casa do Youssef ?

O Padilha também tinha conta no Banestado ?

“Junto”, como ?

Quem dirige esse inquérito em que aparece o Padilha mais do que o Youssef ?

Quem vaza ?

Padilha já entrou na Justiça contra o deputado André Vargas.

O que fazer diante dessa Polícia Federal do zé da Justiça, essa PF que, um dia, ainda vai derrubar a Dilma ?

Não basta fazer, como ele disse aos disciplinados “entrevistadores” do PiG (*) no Roda Morta: pedir à PF a íntegra do inquérito.

Neste caso e da Petrobras, a PF atravessou a barreira da legalidade.

Sem líder, sem chefe, sem Governo, ela se tornou o braço armado do Golpe !

Se o Governo Federal não faz nada, – sabe como é, amigo navegante, quem nasce pra zé … – cabe ao Padilha reagir: porque, se não, a PF acaba com a candidatura dele.

Não é o Youssef.

Não é o Vargas.

É o zé !

Em tempo: esta é a nota oficial da campanha do Padilha sobre a interpelação a Vargas e o pedido de acesso aos vazadores da PF:

São Paulo, 29 de abril de 2014 – O advogado Marcelo Nobre, que representa o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, protocolou em cartório nesta terça-feira (29/04), em Brasília, interpelação solicitando esclarecimentos ao deputado federal André Vargas. O deputado deverá explicar o uso indevido do nome de Alexandre Padilha em mensagem escrita por ele, e interceptada pela Polícia Federal. Procurado pelo oficial responsável pela intimação, André Vargas não foi localizado hoje em Brasília. Nova tentativa será feita nesta quarta-feira (30/04) e pelo tempo necessário até que o deputado seja efetivamente notificado.

O advogado Marcelo Nobre também formalizou na segunda-feira (28/04) um pedido de acesso integral aos autos eletrônicos de investigação da Polícia Federal.

As medidas, com respaldo legal, são mais uma demonstração da seriedade e da transparência com que Alexandre Padilha tem tratado a questão do envolvimento indevido do seu nome na operação da Polícia Federal, mesmo sem ter nenhuma acusação ou denúncia contra ele.


Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Para reflexão !


Padilha vai ao Roda Viva: qual a imagem que se cristalizará para os paulistas?


Extraído do site carta maior.

Entre a Saúde e a Segurança, entre sua trajetória e a narrativa da grande mídia, qual a impressão deixada por Alexandre Padilha após o Roda Viva?


Arquivo

Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo estadual de São Paulo, foi o convidado de ontem do programa Roda Viva, da TV Cultura. A participação do ex-ministro da Saúde do governo Dilma registrou ótimos momentos, mas também outros de maior dificuldade. Diante de uma bancada de jornalistas – alguns bem preparados, outros nem tanto – solidária em uma uníssona e hostil busca em colocar o entrevistado nas cordas, o resultado geral pode até ser considerado positivo. O vídeo com a íntegra do programa está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ck0Rd0Yv9Hk 



Como esperado, um dos temas mais explorados pelas perguntas foram as questões relacionados à narrativa da grande mídia sobre o PT – Mensalão, doleiros, Operação Lava Jato da Polícia Federal, André Vargas, etc. 

Além de buscar explicar com cuidado as situações que envolveriam mais diretamente seu nome, Padilha tratou de aproveitar a oportunidade para se apresentar e construir uma imagem positiva junto ao telespectador. Nesse sentido, muitas vezes priorizou o registro de aspectos interessantes de sua trajetória (e até mesmo pitorescos), lançando mão de duas qualidades suas inegáveis: o carisma e a capacidade técnica. 

Falou de sua torcida pelo Corinthians, de sua trajetória na universidade e na medicina, da importância do espírito de cooperação na política, da força e riqueza presentes na história de São Paulo, bem como de seus desafios e diversidade. Contou, ainda, de suas idas ao Campo Limpo (e bairros do entorno) “ainda sem asfalto” acompanhadas por sua mãe, que algumas décadas atrás buscava levar saúde e assistência aos mais necessitados dessa região da capital paulista.

As dificuldades em se construir uma candidatura do PT nesse momento no Estado de São Paulo e de se afirmar uma imagem positiva do candidato Padilha surgiram de forma categórica por meio de perguntas de dois entrevistados. E receberam respostas firmes do pré-candidato.

Quando Germando de Oliveira, do jornal O Globo afirmou que a candidatura de Padilha estava na defensiva, o pré-candidato do PT tratou de destacar que cresce nas adversidades. Oliveira analisou que Padilha vinha atacando o governo Alckmin nos temas da violência e da água. E que agora teria de jogar na defensiva, diante da CPI da Petrobras a investigar o governo Dilma, dos cerca de 2% de intenções de votos de Padilha registradas em algumas pesquisas, das denúncias recentes envolvendo seu nome, etc. 

Padilha então respondeu: “Estou na ofensiva” e reafirmou crescer na adversidade. O ex-ministro de Dilma relembrou que lhe diziam para não implementar o Mais Médicos, “mas implementei, pois havia 50 milhões de brasileiros sem acesso à saúde”. Para Padilha, o que ele vem mostrando sobre o governo Alckmin, as criticas sobre a água, as informações e debates levantados, “estão incomodando muita gente. Então, recebo respostas agressivas, grosserias”. Ele afirmou que pretende “continuar trazendo essas informações. Esclarecendo sobre as acusações de terceiros. E construindo as propostas pro Estado”, convidando os telespectadores a participar.

Mais ao final do programa, quando Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo afirmou que Padilha lembrava a atuação de políticos tradicionais, que escapavam das perguntas mais difíceis com evasivas, Padilha foi bastante incisivo ao dizer que havia sim respondido, mas que “talvez eu não tenha dado a resposta que você esperava”.

Saúde e Segurança
O programa também girou muito em torno de duas questões que se encontram no centro das preocupações dos brasileiros hoje: a saúde e a segurança pública.

No tema da saúde, pode-se dizer que Padilha nadou de braçadas. Demonstrou muito conhecimento, propostas e resultados para a área. Quando um telespectador indagou se Padilha já havia feito tratamento em hospital público, o ex-ministro da Saúde do governo federal destacou que não possui plano de saúde privado, que sempre optou por não ter, mas que também não criticava quem tinha plano. 

Ainda na área da saúde, Padilha trouxe à tona sua perspectiva de que a saúde deve ser para todos, com qualidade e tratamento humanizado e que atenda de forma prioritária aos mais necessitados. Fernando Rodrigues trouxe dados de artigo publicado na Folha, segundo o qual o governo federal não teria investido 17 bilhões de reais na saúde em 2013, além de ter fechado algumas dezenas de hospitais públicos nos últimos anos. 

Padilha falou que boa parte das instituições fechadas eram manicômios – num total de 14 mil leitos – e que novos hospitais, com um novo perfil, mais completo e complexo, estão sendo construídos, bem como unidades de atendimento mais compatíveis com as necessidades atuais da população. Mesmo assim, ficou a impressão de que faltaram elementos para responder de cabo a rabo à crítica dos hospitais fechados. Ele afirmou que o ministério da Saúde poderia responder com os dados atuais. Quanto aos 17 bilhões de reais, certamente parece ser questão para o ministério da Fazenda, o Banco Central e seus infindáveis superávits responder.

No tema da segurança, um dos mais difíceis para qualquer candidato hoje no Brasil, Padilha foi brindado com uma pergunta dificílima e elaboradíssima por parte de Maria Cristina Fernandes, editora de política do Valor Econômico. A jornalista trouxe à baila vários dados sobre aumento da violência entre 2007 e 2010 em Estados governados pelo PT – como Bahia, Piauí e Pará. O pré-candidato do PT questionou o fato de os dados irem somente até 2010, e que haveria avanços a mostrar desde então, passando a citar avanços em alguns municípios administrados pelo PT, além de destacar o tanto que São Paulo é diferente dos demais Estados elencados pela editora do Valor. 

De todo modo, ficou a sensação de que a candidatura de Padilha ainda possui um bom caminho para construir suas propostas e análises nessa área da segurança pública – que é, como bem se sabe, um desafio real colocado para todo o Brasil, e todos os governos: federal, estaduais e municipais. 

Para atender às expectativas e necessidades do povo de São Paulo, o ex-ministro de Dilma e Lula afirmou que deverá contar com a colaboração de Márcio Thomaz Bastos e Paulo Lacerda, respectivamente titulares do Ministério da Justiça e da Polícia Federal em parte da gestão de Lula à frente da presidência. 

Padilha afirmou que também pretende basear seu plano de governo nessa área em experiências exitosas do PT em municípios grandes e médios, ao lado de iniciativas de sucesso de outros estados, no potencial das próprias polícias paulistas, na colaboração da sociedade (por exemplo por meio do uso inteligente de câmeras particulares), além de políticas exemplares de prefeituras dos EUA – como Nova Iorque e Chicago. 

Mais Médicos, Cuba e programa

No debate do Mais Médicos, mostrou que está preocupado sobretudo com a saúde dos brasileiros e paulistas, defendendo muito bem o programa e seus resultados. Indagado sobre as condições de trabalho dos médicos cubanos e se apoiava esse tipo de situação, Padilha afirmou: “Não quero discutir Cuba, quero valorizar o atendimento feito por esses médicos. É uma carreira desse tipo, que trabalha por missões internacionais. As regras lá são essas”. Diante da insistência da bancada no tema, o ex-ministro da Saúde afirmou que “Há pessoas que querem fazer essa polarização com Cuba, mas vieram médicos de vários países”.

O debate sobre o tema se prolongou e, diante da negação de Padilha em classificar o regime cubano como ditadura, ou de comentar questões internas do país, a conclusão dos interlocutores foi de que então ele apoiava o autoritarismo e a ditadura cubana. Padilha reafirmou que não cumpria a ele debater o regime de outro país, mas que abominava qualquer tipo de ditadura e autoritarismo e que tinha grande compromisso com a democracia. Contou histórias familiares riquíssimas, lembrando que nasceu em meio a uma ditadura no Brasil, e que só pode abraçar seu pai pela 1a vez aos oito anos de idade – pois o pai vivia no exílio.

Diante dessa sequência sobre Cuba no Roda Viva, poderia ser interessante que nas próximas rodadas do programa os jornalistas perguntassem para outros candidatos o que acham, por exemplo, das intervenções dos EUA no Iraque e outros países, ou como veem as práticas de interrogatórios estadunidenses na base de Guantánamo. Mas talvez seja pedir demais. 

Bastaria que os jornalistas mostrassem preocupação com a ditadura que existiu no Brasil entre 1964 e 1985, e demonstrassem que comungam com Padilha do repúdio a esse período que assombrou o país. Mas isso não foi pauta – ao menos na noite de ontem.

Como sabido, o cenário descrito nos último parágrafo é por demais improvável. Então, a pergunta que fica mesmo é o que mais importará para os cidadãos paulistas ao final desse Roda Viva – e da campanha que virá. 

Augusto Nunes, apresentador do Roda Viva, dá pistas de por onde os debates sobre a eleição seguirão, ao menos na narrativa da grande mídia (e talvez da TV Cultura). “Eu honestamente preferiria começar já, de abrir o programa, com a discussão de programas administrativos – o que faremos, com bastante tempo, ao longo da conversa. Mas eu vou mudar o assunto porque fatos divulgados a partir de sexta-feira se impuseram de tal forma no noticiário que o senhor mesmo interrompeu, suspendeu os compromissos da agenda para esclarecer o assunto. E acho que aqui o senhor terá a oportunidade de fazê-lo de vez”.

Diante das questões colocadas, o eleitorado considerará mais importante os resultados do Mais Médicos ou as opiniões (ou a falta delas) de Padilha sobre Cuba? Os paulistas, afinal, apostarão num candidato que possui história – e tarimba – especialmente na área da saúde e que buscará trazer propostas novas para o Estado, por exemplo nas áreas da segurança e da gestão da água? Ou destinarão mais fichas ao partido que governa São Paulo há quase duas décadas (ou mais, segundo cálculos que levam em consideração a situação de fato, e não somente a institucional)? Com a palavra, o futuro de São Paulo, de Padilha e dos paulistas.

Ação de doadores do PT contra Gilmar Mendes irá ao Plenário do STF


Em 26 de março passado, o escritório de advocacia Alonso, Freire e Chryssocheris protocolou no Supremo Tribunal Federal petição contendo pedido de interpelação do ministro Gilmar Mendes por ter afirmado, publicamente, que os cidadãos que fizeram doações em dinheiro aos petistas José Genoino, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha para fazerem frente às multas que lhes foram impostas pela Ação Penal 470, vulgo julgamento do mensalão, seriam suspeitos de “lavagem de dinheiro”.
Por orientação do escritório de advocacia, este Blog, onde foi feita a campanha para que doadores dos petistas ingressassem na Justiça contra acusação dessa monta, deixou de publicar a petição inicial interposta no STF a fim de só dar informações após a conclusão do primeiro passo do que é, simplesmente, uma luta por Justiça, pois a acusação que os interpelantes sofreram do interpelado lhes causou graves constrangimentos morais e, em alguns casos, até danos materiais, pois sobre eles foi levantada uma grave suspeita diante de parentes, amigos, empregadores, sócios, clientes etc.
Diante de tal gravidade da situação, os signatários da interpelação do ministro Gilmar Mendes somaram-se em 205 pessoas físicas com nome, RG, CPF, profissão, endereço, telefone e procuração assinada para os advogados ingressarem com a ação no STF.
Abaixo, a petição inicial firmada por 205 cidadãos. A fim de preservar os dados dessas pessoas, as 13 páginas em que o nome de cada um deles figura será publicada em formato minimizado. O post prossegue após a petição.
- Número Único: 99580497320141000000
- Identificação da Petição: PI 14008/2014
- Processo AC 3598.
 - PET 5.159.
 - Relator: Ministro Luiz Fux.
Essas mais de duas centenas de pessoas não foram as primeiras a ingressar com a ação. Logo após as declarações de Gilmar Mendes que motivam toda a questão, o Partido dos Trabalhadores ingressou com pedido de interpelação no STF, mas o ministro-relator sorteado, o ministro Luiz Fux, recusou o recebimento da medida por entender que o PT não seria a vítima das supostas declarações difamatórias do interpelado; as vítimas seriam os doadores.
Semanas depois, uma pessoa de Minas Gerais que doou aos condenados do julgamento do mensalão também interpelou Mendes e, mais uma vez, o ministro Fux negou prosseguimento da ação, agora por entender que, mesmo sendo uma das vítimas, aquela pessoa não teria o que perguntar ao seu acusador, pois suas acusações foram inequívocas e, assim, segundo a interpretação da lei feita por aquele relator, haveria que ingressar diretamente com processo contra Mendes com base no artigo 144 do Código Penal, que trata de crimes contra a honra.
Sorteado pela primeira vez para analisar a interpelação do PT, o ministro Fux ficou com o assunto sob seu escrutínio monocrático, ou seja, tornou-se o “dono” da ação assim como o ministro Joaquim Barbosa tornou-se o “dono” da execução penal exclusivamente dos petistas condenados pelo julgamento do mensalão. Foi Fux, portanto, quem também analisou a interpelação das 205 pessoas que este Blog organizou para interpelarem Mendes.
Parece desnecessário dizer que a sentença de Fux sobre também esse pedido de interpelação foi a mesma dos pedidos anteriores. Confira, abaixo, a decisão de Fux.
—–
SENTENÇA DO MINISTRO RELATOR LUIZ FUX

PEDIDO DE EXPLICAÇÕES EM JUÍZO (ART. 144 DO CÓDIGO PENAL). AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES PARA A INTERPELAÇÃO JUDICIAL.  INEXISTÊNCIA DE DÚVIDAS A SEREM SANADAS POR MEIO DESTE PROCESSO CAUTELAR. PETIÇÃO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.
Decisão: Cuida-se de pedido de explicações em juízo promovido por Airton Miguel de Grande e outros em face de Sua Excelência o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Ferreira Mendes.
O pedido tem por objeto o esclarecimento de declarações realizadas à imprensa no dia 04 de fevereiro de 2014, oportunidade em que o Requerido, segundo os Autores, teria sugerido a prática de suposto crime de lavagem de dinheiro pelo Partido dos Trabalhadores por meio das milionárias doações feitas em favor de diversos réus condenados na AP 470.
Aduzem que o presente pedido de explicações visam esclarecer o exato alcance das declarações do Requerido e a quem se destinou.
Acrescentam, outrossim,  que os esclarecimentos poderiam servir de preparação para o ajuizamento de ação penal privada por crimes contra a honra praticados pelo Requerido.
É o relatório. Passo a decidir.
A presente interpelação judicial, conforme narrado, foi proposta por pessoas naturais que realizaram doações em favor de diversos réus condenados na AP 470.
O requerimento solicitando explicações se afigura como medida processual de cariz eminentemente preparatório, constituindo-se, bem por isso, em providência de caráter cautelar destinada ao oferecimento ulterior de ação penal principal relativa a crimes contra a honra (i.e., calúnia, injúria e difamação). Nela, o Requerido é instado a esclarecer o sentido e, especialmente, as intenções, das opiniões por ele manifestadas.
Com efeito, a formulação de interpelação judicial é, justamente, postular a concessão de provimento cautelar de natureza penal, no intuito de esclarecer situações em que exista dubiedade ou equivocidade. Dito de outro modo, o oferecimento de interpelação judicial reclama que, das referências ou opiniões manifestadas pelo Requerido, seja possível inferir o ultraje à honra, objetiva ou subjetiva, dos Requerentes, de sorte a configurar a calúnia, a injúria ou a difamação. Precisamente por isso, os únicos legitimados são as pessoas naturais atingidas concretamente pelas manifestações proferidas.
Impõe-se, destarte, verificar, inicialmente, se a pretensão veiculada pelos Interpelantes preenche (ou não) os pressupostos legitimadores da utilização do pedido de explicações em juízo. E, ao examinar o pedido, amparado na mais abalizada doutrina e a jurisprudência dos Tribunais, assento ser manifestamente incabível tal pleito. É que a interpelação judicial somente pode ser manejada nas hipóteses em que o Interpelante tenha dúvidas acerca do suposto conteúdo ofensivo das palavras prolatadas pelo Interpelado. Em outras palavras, restam ausentes os pressupostos autorizadores da interpelação judicial sempre que inexistirem dúvidas acerca do conteúdo moralmente ofensivo das afirmações questionadas, bem assim nos casos em que não se vislumbra, por parte do Interpelante, incerteza a propósito dos destinatários de tais declarações, aí não terá pertinência nem cabimento. E é exatamente o que in casu ocorre.
Decerto, os próprios Interpelantes, na petição inicial, não possuem quaisquer dúvidas de que o Interpelado lhe maculou a honra, sobretudo quando afirmou categoricamente que “em 04 de fevereiro de 2014, o interpelado (cidadão Gilmar Ferreira Mendes), após uma sessão no STF, deu uma declaração, com evidente cunho político/opositor, sugerindo a potencial ocorrência de crimes de lavagem de dinheiro sem o mínimo de indício probatório para tanto”. Na sequência, e no mesmo sentido, salientaram que “o interpelado expressou publicamente seus pensamentos, sugerindo potencial ocorrência de crimes de ‘lavagem de dinheiro’ e corrupção (crime antecedente), em desacordo com o basilar princípio da presunção de inocência, carecendo de qualquer análise fática e documental em relação à rede de solidariedade para o pagamento das multas. Por fim, destacaram, ainda, que “a declaração do interpelado, amplamente veiculadas por diversos meios de comunicação, sugere a potencial ocorrência de lavagem de dinheiro na rede de solidariedade que arrecadou dinheiro para o pagamento das multas dos condenados José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha. (…) Portanto, a declaração, com evidente cunho político, caso não seja esclarecida, tem potencial atributo para configurar o (s) crime (s) de calúnia e/ou difamação”.
Destarte, falece a admissibilidade da presente interpelação, máxime porque os Interpelantes não demonstram dúvidas, tal como se extrai de sua peça vestibular, de que efetivamente ocorreram as ofensas à sua honra e imagem. Daí por que entendo ser inadmissível a presente interpelação judicial com pedido de explicações, na linha da remansosa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verbis.
EMENTA: INTERPELAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO DE NATUREZA CAUTELAR. MEDIDA PREPARATÓRIA DE AÇÃO PENAL REFERENTE A DELITOS CONTRA A HONRA (CP, ART. 144). PEDIDO DE EXPLICAÇÕES AJUIZADO CONTRA A SENHORA PRESIDENTE DA REPÚBLICA E CONTRA O SENHOR PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL LIMITADA, UNICAMENTE, À SENHORA PRESIDENTE DA REPÚBLICA, POR DISPOR DE PRERROGATIVA DE FORO, “RATIONE MUNERIS”, PERANTE ESTA SUPREMA CORTE, NAS INFRAÇÕES PENAIS COMUNS. EXCLUSÃO DO SENHOR PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ÉTICA PÚBLICA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. IMPUTAÇÕES ALEGADAMENTE OFENSIVAS AO PATRIMÔNIO MORAL DO INTERPELANTE. RECONHECIMENTO, POR ELE PRÓPRIO, DE QUE AS AFIRMAÇÕES QUESTIONADAS OFENDERAM-LHE A DIGNIDADE E O DECORO. AUSÊNCIA, EM TAL CONTEXTO, DE DUBIEDADE, EQUIVOCIDADE OU AMBIGUIDADE. CONSEQUENTE INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO AO CONTEÚDO DE TAIS AFIRMAÇÕES. INVIABILIDADE JURÍDICA DO AJUIZAMENTO DA INTERPELAÇÃO JUDICIAL, POR FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. PEDIDO DE EXPLICAÇÕES A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.
(…)

- O pedido de explicações, admissível em qualquer das modalidades de crimes contra a honra, constitui típica providência de ordem cautelar, sempre facultativa (RT 602/368 – RT 627/365 – RT 752/611 – RTJ 142/816), destinada a aparelhar ação penal principal tendente a sentença condenatória. O interessado, ao formulá-lo, invoca, em juízo, tutela cautelar penal, visando a que se esclareçam situações revestidas de equivocidade, ambiguidade ou dubiedade, a fim de que se viabilize o exercício eventual de ação penal condenatória.
(…)
Onde não houver dúvida em torno do conteúdo alegadamente ofensivo das afirmações questionadas ou, então, onde inexistir qualquer incerteza a propósito dos destinatários de tais declarações, aí não terá pertinência nem cabimento a interpelação judicial, pois ausentes, em tais hipóteses (como sucede na espécie), os pressupostos necessários à sua adequada utilização. Doutrina. Precedentes.
(…)
Sendo assim, e em face das razões expostas, tenho por inadmissível a presente “interpelação judicial com pedido de explicações”, motivo pelo qual nego-lhe seguimento nesta Suprema Corte.    Arquivem-se os presentes autos.     Publique-se. Brasília, 21 de fevereiro de 2014. Ministro CELSO DE MELLO  Relator (Pet 5146 / DF – DISTRITO FEDERAL PETIÇÃO Relator(a):  Min. CELSO DE MELLO Julgamento: 21/02/2014 Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-041 DIVULG 26/02/2014 PUBLIC 27/02/2014) (Grifamos):
Ex positisnego seguimento à presente petição de interpelação judicial, ante a ausência dos pressupostos autorizadores para a sua propositura, nos termos do art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
Publique-se. Int..
Brasília, 22 de abril de 2014.
Ministro Luiz Fux
Relator
Documento assinado digitalmente
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Fux negou três tentativas de interpelação de Gilmar Mendes, o acusador dos doadores antes tão verborrágico, mas que, agora, parou de falar. Inclusive nos autos. Foi à mídia, acusou e, quando interpelado, fecha-se em copas. Meses se passaram, a investigação que Mendes pediu ao Ministério Público contra os doadores não teve seu resultado divulgado, o assunto desapareceu da mídia, mas o dano ficou aos acusados.
Todos os que ingressaram com interpelação contra Gilmar Mendes poderiam simplesmente entrar com a ação pelos crimes previstos no artigo 144 do Código Penal, mas é claro que aí haveria um processo bem mais demorado, sujeito à Pauta do STF que quem estabelece é outro ministro cujas opiniões sobre o julgamento do mensalão são extremamente semelhantes às do ministro Gilmar Mendes.
Antes de prosseguir com o processo, portanto, há que recorrer ao Supremo contra a flagrante disposição do ministro Luiz Fux de não permitir que o acusador dos doadores dos condenados do mensalão explique suas antes tão fartas palavras, agora tão escassas. Assim, o escritório de advocacia supracitado acaba de interpor “agravo regimental” contra a decisão do relator do caso.
O agravo levará ao Plenário do Supremo a decisão sobre a aceitação ou não da interpelação de Mendes. Segundo explicações do escritório de advocacia, a decisão poderá ser submetida a uma das duas turmas, compostas por cinco ministros cada, ou até mesmo a todos os ministros conjuntamente, com exceção do interpelado, Gilmar Mendes. O advogado prevê que em uns 60 dias o caso poderá ir a votação no STF.
Se a decisão do colegiado for a mesma de Fux, só restará ingressar com a ação penal contra o ministro, para que prove sua acusação ou se retrate publicamente. Essa decisão, porém, não faz sentido ser tomada agora. Quando chegar a hora, se o Plenário do STF também recusar a aceitação da interpelação, os autores da interpelação terão que decidir se prosseguem com o processo. A opinião deste que escreve é a de que o processo deve ir até o fim.