Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

terça-feira, 17 de maio de 2011

A discriminação no Brasil é étnica, social e regional


O processo de ascensão social de massas, inédito no Brasil, volta a promover formas de discriminação. A política – de sucesso comprovado – de cotas nas universidades, a eleição de um operário nordestino para Presidente da República – igualmente de sucesso inquestionável -, a ascensão ao consumo de bens essenciais que sempre lhes foram negados – fenômeno central no Brasil de hoje -, provocaram reações de discriminação que pareciam não existir entre nós.

A cruel brincadeira de repetir um mote das elites – “O Brasil não tem discriminação porque os negros conhecem o seu lugar” – mostra sua verdadeira cara quando essas mesmas elites sentem seus privilégios ameaçados. Setores que nunca se importavam com a desigualdade quando seus filhos tinham preparação sistemática para concorrer em melhores condições às vagas das universidades públicas, passaram a apelar para a igualdade na concorrência, quando os setores relegados secularmente no Brasil passaram a ter cotas para essas vagas.

Professores universitários – incrivelmente, em especial antropólogos, que deveriam ser os primeiros a lutar contra a discriminação racial -, músicos – significativa a presença de músicos baianos, que deveriam ser muito mais sensíveis que os outros à questão negra -, publicaram manifesto contra a política de cotas, em nome da igualdade diante da lei do liberalismo.

A vitória da Dilma, por sua vez, provocou a reação irada e ressentida de vozes, especialmente da elite paulistana, contra os nordestinos, por terem sido os setores do país que pela primeira vez são atendidos em seus direitos básicos. Reascendeu-se o espírito de 1932, aquele que orientou o separatismo paulista na reação contra a ascensão do Getúlio e de suas politicas de democratização econômica e social do Brasil. Um ranço racista, antinordestino, aflorou claramente, dirigidos ao Lula e aos nordestinos, que vivem e constroem o progresso de São Paulo, e aos que sobreviveram à pior miséria nacional no nordeste e hoje constroem uma região melhor para todos.

A discussão sobre o metrô em Higienópolis tem a vem com a apropriação privilegiada dos espaços urbanos pelos mais ricos que, quando podem, fecham ilegalmente ruas, se blindam em condomínios privados com guardas privados. A rejeição de pessoas do bairro – 3500 assinaturas – à estação do metrô expressava o que foi dito por alguns, sentido por todos eles, de impedir que seja facilitado o acesso ao bairro – a que mesmo seus empregados particulares tem que chegar tomando 2 ou 3 ônibus -, com a alegação que chegariam camelôs, drogas (como se o consumo fosse restrito a setores pobres), violência, etc.

Nos três tipos de fenômeno, elemento comum é a discriminação. Étnica, contra os negros, na politica de cotas; contra os nordestinos, nas eleições; na estação do metrô, contra os pobres.

Os três níveis estão entrelaçados historicamente. Fomos o último país a terminar com a escravidão, por termos passado de colônia à monarquia e não à república. Adiou-se o fim da escravidão para o fim do século. No meio do século XIX foi elaborada a Lei de Terras, que legalizou a propriedade – via grilagem, em que em papel forjado é colocado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer antigo. Quando terminou finalmente a escravidão, todas as terras estavam ocupadas. Os novos cidadãos “livres” deixaram de ser escravos, mas não foram recompensados nem sequer com pedaços de terra. Os negros livres passaram a se somar automaticamente à legião de pobres no Brasil.

O modelo de desenvolvimento, por sua vez, concentrador de investimentos e de renda, privilegiou o setor centro sul do Brasil, abandonando o nordeste quando se esgotou o ciclo da cana de açúcar. Assim, nordestino, esquematicamente falando, era latifundiário ou era pobre. Esse mesmo modelo privilegiou o consumo de luxo e a exportação como seus mercados fundamentais, especialmente com a ditadura militar e o arrocho salarial.

A discriminação dos negros, dos nordestinos e dos pobres foi assim uma construção histórica no Brasil, vinculada às opções das elites dominantes – em geral brancas, ricas e do centro-sul do pais. A discriminação tem que ser combatida então nas suas três dimensões completamente interligadas: étnicas, regionais e sociais. O fato do voto dos mais pobres (que inclui automaticamente os negros) e dos nordestinos estar na base da eleição e reeleição do Lula e na eleição da Dilma, com os avanços sociais correspondentes, só acirram as reações das elites. Discriminações que tem que ser combatidas com politicas publicas, com mobilizações populares e também com a batalha no plano das idéias.
Postado por Emir Sader às 05:22

Petrobras encomenda sete navios-sonda. No Brasil


O blog Fatos e Dados , da Petrobras, divulga hoje a constituição, sexta-feira, da Sete BR, uma empresa formada para assumir, em conjunto com o vencedor da licitação, o Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco, a contrução de sete navios-sonda destinados à exploração do pré-sal.
O assunto mereceu pouca importância na imprensa, mas os números envolvidos nesta transação mostram que ela é um dos maiores negócios do mercado de construção naval dos últimos tempos.
A encomenda soma US$ 4,6 bilhões, cerca de de US$ 662 milhões por sonda. E as sete encomendadas são apenas um quarto das 28 previstas para o plano de prospecção e exploração do pré-sal. E este resto está deixando louco o mercado mundial de sondas de perfuração de poços de petróleo, como registrou, na semana passada, a Agência Reuters.
Elas pressionam, alegando que, compradas no exterior, as sondas custariam cerca de US$ 500 milhões. É o argumento “Agnelli” que justificou a compra dos supergraneleiros na China e na Coreia e que deixou fulo da vida o ex-presidente Lula.
Para eles, é claro, não importa que um investimento deste porte gere emprego, renda, impostos e, sobretudo, tecnologia e melhoramento em nossa indústria.
A Petrobras está avaliando o processo de contratação das outras 21 sondas.
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, admite que, inicialmente, sondas e navios custam mais no Brasil, mas tendem a convergir para os preços internacionais com o passar do tempo e o avanço das encomendas. Augusto Mendonça, da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore, garante que  a construção das sondas já assegura a instalação de, ao menos, mais três estaleiros no país.
É compreensível a pressa. O aluguel de navios-sonda é caríssimo. Este aí da foto, o Deepwater Discovery, tinha aluguel diário de 425 mil dólares, segundo a Veja, em 2008. Portanto, a construção de uma nave assim se paga em pouco mais de três anos.
Vamos torcer para que a petrobras, como ajudou na formação do consórcio Sete BR para estas sonda iniciais, encontre a forma de fazê-las todas aqui.
E, se não encontrar, que a Presidenta Dilma, como Lula queria fazer no caso da Vale, bata o martelo: façam aqui, porque é deste povo e deste país o petróleo que ela vai buscar.

O império da mídia ou o Brasil

Ao longo das últimas décadas, obedecendo o lado conservador da trajetória republicana, manteve-se naturalmente intocada a “liberdade” das concessões dos meios de comunicação e cresceu a ascendência do império da mídia e de seu PIG (Partido da Imprensa Golpista, na lúcida definição difundida por Paulo Henrique Amorim) sobre a informação – manipulada, moldada e deformada como mercadoria, em favor de seus interesses. É o ambiente que, ofendendo a sociedade, oferece o caldo de cultura para a impunidade de banqueiros como Daniel Dantas et caterva e de toda sorte de especuladores e exploradores da economia popular.
Este poder consolidou-se – na fase neoliberal dos anos de 1990 – como política de Estado, vedando-se à sociedade o controle de uma imprensa calhorda e solidamente instalada na chantagem dos afagos publicitários e fundada nos acordos das glamurosas oligarquias. No pano de fundo, secundou a hegemonia do capital financeiro-especulativo e dos contratos firmados na crista das privatizações, submetendo o País a uma nova colonização pelos interesses hegemônicos internacionais.
Completou-se exitosamente, desse modo, a obra da ditadura militar que sustentou, à base da intervenção imperial dos EUA e apoio dos generais da direita, a secular continuidade conservadora das elites brasileiras.
Lula, política e estruturalmente imobilizado, não mexeu com nada disso que significa algo mais que uma teimosa permanência dos princípios “do poder de Estado” a clamar pelo simbolismo de rebeliões populares que coloquem o poder político, limitados ainda à esfera de governo, em consonância com seus interesses.
Tais princípios mantêm ancorados aspectos típicos das transições de ruptura, postergados continuamente – ao longo da nossa formação histórica – pelo gradualismo determinado em parte pela ação secular de violenta “regulação” das revoltas populares e em parte pelas claudicações, neutralismos e impasses dos movimentos de oposição ao conservadorismo – em prejuízo do conforto reservado ao afago popular tão precioso na resolução de tais graves questões.
Grilhões de caserna
E, nesse aspecto, a persistência dos bolsões vinculados ao regime militar, que incorpora a impunidade aos torturadores e ao prolongamento do feroz autoritarismo anticomunista, se manteve como aspecto subjacente à “Carta aos Brasileiros”, inoculando os governos progressistas quanto ao tratamento das feridas remanescentes. E que não se acanhou ao prestar incondicional apoio à principal candidatura de oposição a Dilma nas eleições de 2010.
Nos desdobramentos, e nas chantagens negociadas no tenso segundo turno eleitoral do ano passado, impôs-se um corrosivo cartucho do mercado, gasto com a simbólica promoção de Antônio Palocci à condição de membro privilegiado do novo governo, reciclado e novinho em folha para cumprir o papel sujo de conspurcar os avanços nos quais votou a população.
Uma persistente reserva estratégica do poder, portanto, se fundamenta no capital financeiro e também no persistente controle da propriedade territorial – e seu moderno agronegócio, evoluído na linha sucessória desde as originais sesmarias e capitanias, onde a força terrestre, o Exército brasileiro, zeloso artífice dos golpes militares na História republicana, teve seu berço como guarda privada e pretoriana dos senhores rurais desde a primeira fase da colonização brasileira.
(Explica-se, desse modo – entre outros, cruciais – os fundamentos do atualíssimo ódio de uma fração de oficiais do velho pensamento ao MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
Primeiro 31 de março sem ordem dia
É este um terreno no qual também se trava uma cavernosa luta para impedir que a natureza das forças armadas seja afirmada em seu padrão constitucional. Exemplarmente, a solenidade na qual a presidenta foi condecorada diante de 70 oficiais generais, no início de abril de 2011, o império da mídia atuou novamente em uníssono no acirramento de contradições entre “a ex-guerrilheira” e a caserna que afagou sua tortura.
A ênfase priorizou aos cortes orçamentários, entre outros folguedos que dançam em meio a fatos e versões, explorando a cilada que enreda o governo Dilma no contingenciamento de R$50 bilhões do Orçamento Geral da União – mantendo como intocada obra do imaginário e do acaso os mais de R$200 bilhões comemorados pelo sistema financeiro no ano de 2010, os escandalosos lucros privatizados das concessões públicas e de uma empresa (doada) do porte da Companhia Vale do Rio Doce.
O PIG não tratou da condecoração da presidenta, mas da apresentação de novos oficiais generais. Exatamente quando, pela primeira vez, os quartéis foram orientados à determinação de excluir da ordem do dia das comemorações de 31 de março, uma sagrada referência anual ao golpe militar de primeiro de abril de 1964.
Nessas e em praticamente todas as circunstâncias, enfim, nunca coube à sociedade brasileira, alienada da ascendência sobre o aparato de mídia, determinar o tratamento da informação.
Desfecho secular
Narra a nossa História que o Estado, precipuamente e em diversos períodos, exerceu o controle sobre os meios de comunicação – e sistematicamente a favor das tradicionais oligarquias. As primeiras tipografias permanentes foram instaladas no Brasil somente no século 19, com a vinda da Família Real, em 1808. A Gazeta do Rio de Janeiro foi o primeiro jornal brasileiro, editado oficialmente pela Imprensa Régia. No mesmo ano surgiu o Correio Braziliense, quando, aos censores reais, cabia a decisão acerca do que podia ser publicado.
Tal trajetória conheceu escassos momentos de liberdade e extensos e extenuantes períodos de autoritarismo e repressão, com ênfase no Estado Novo (1937-45) e na ditadura militar (1964-1985). Em 1931, Getulio Vargas criou o Departamento Oficial de Propaganda (DOP) – que, em 1939, tornou-se o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com a missão do controle sobre os meios de comunicação e difusão da ideologia do Estado Novo. Por Decreto, todos os meios de comunicação submeteriam seus conteúdos ao DIP.
A Constituição de 1946 restabeleceu a liberdade de imprensa, mas o Golpe de 1964 a submeteu – em obediência à plena subordinação ao imperialismo norte-americano. A censura foi novamente estabelecida, agora mediante dispositivos vinculados à edição de atos institucionais, a apreensão e destruição de jornais, a perseguição de jornalistas, escritores e intelectuais.
Decisiva batalha
No período neoliberal – que se estendeu pela década perdida de 1990 até o ano de 2002 – o controle da informação transferiu-se para as próprias empresas de comunicação, firmando-se a censura aos fatos (e suas interpretações) de acordo com os interesses de classe e parâmetros de referência no grande capital e seus centros financeiros hegemônicos mundiais, reconhecidos no império da mídia.
A imprensa foi submetida à glacial lógica de mercado, sustentada numa legislação que legitimou esta concentração das empresas de comunicação em quadrilhas que atuam com o vigor de onipotentes empresas multinacionais. Dessa forma, transferiu-se do Estado para os bunkers conservadores a emblemática censura, arremetida agora em feroz oposição às propostas democratizantes, invariavelmente qualificadas como “atentados à liberdade de imprensa”.
É o que se passa no mundo, em todo lugar onde a mídia, sob o domínio e a serviço do velho capital, ridiculariza, confunde e banaliza a vida, submetendo os povos, em seu próprio nome, à indigência cultural — com o sórdido objetivo de perpetuar a ignorância, a miséria, a violência, as guerras e a fome sob todos os seus aspectos. No cotidiano, essas evidências são arremetidas contra a humanidade, como ocorreu no bizarro episódio da execução de Osama Bin Laden, um protótipo de suas criações funcionalmente articuladas ao conjunto da obra, na urdida lógica imperialista.
Nessas condições, prenuncia-se a batalha que requer da sociedade brasileira um profundo engajamento na luta pela conquista do direito à informação comprometida com o projeto da construção de um País soberano, justo e igualitário, tomando em suas mãos o horizonte da liberdade. É o império da mídia e de suas elites ou o Brasil — na inexistência de um terceiro caminho ou opção.
Luiz Carlos Antero, desde o início dos anos de 1970, atuou no Jornal dos Esportes, O Globo, Última Hora e Diário de Noticias, nos semanários Opinião e Movimento. Assessor parlamentar no Congresso Nacional desde 1995.

Redação Conversa Afiada

Bermudes e o afogado: "Meu presidente !"

A leitura do pedido de impeachment do Ministro Gilmar Mendes (aqui referido como Gilmar Dantas (*)), que o advogado Alberto de Oliveira Piovesan protocolou no Senado e na OAB (**)  é uma descrição detalhada das gritantes ilegalidades cometidas por este ministro de Fernando Henrique Cardoso.

O amigo navegante tem à disposição a íntegra do pedido – de resto totalmente ignorado pelo PiG (***).

Mas, para facilitar a leitura, este ansioso blogueiro relembra alguns fatos.

O advogado carioca Sergio Bermudes trabalha para o passador de bola apanhado no ato passar bola.

Dantas, lembre-se, foi condenado pela mais alta Corte da Justiça Britânica como mentiroso e fraudador de contas bancárias – apesar dos esforços bem remunerados de Bermudes.

Bermudes defende Dantas no STJ – onde o Ministro Macabu pode ter a faculdade de anular a Satiagraha, onde Dantas é incriminado dos pés à cabeça, como já demonstrou a revista Época, ao tratar das relações de Dantas com FHC; e aqui também, ao descrever as relações do lobbista de Dantas com o motorista de Cerra.

(O lobbista de Dantas, depois de conseguir o que queria do motorista de Cerra, diz “maravilha das maravilhas !”.)

Além de estar incriminado na Carta Capital, de forma irrefutável, no parecer que um probo delegado da Polícia Federal – nem tudo está perdido – encaminhou ao Ministério Público Federal.

Bermudes defende Dantas. Ponto.

Onde for.

Bermudes emprega a mulher de Gilmar.

Bermudes emprega o filho de Macabu.

Bermudes empresta o apartamento no Morro da Viúva, no Rio, em frente à cobertura de Roberto Carlos, ao casal Gilmar Dantas.

Empresta a Mercedes com motorista.

Empresta ao casal o apartamento que tem na Quinta Avenida em Nova York, facing the park.

Bermudes pagou uma passagem a Buenos Aires para o casal Gilmar Dantas.

Para que Gilmar e a mulher pudessem “desencarnar” do estafante trabalho da presidência do Supremo.

Só ?

Não !

Na hora de dar os dois HCs Canguru ao condenado pela Justiça Britânica, quem advertiu o Supremo Presidente do Supremo do perigo que havia ali na Satiagraha ?

A Guio.

Quem é a Guio ?

A funcionária de Bermudes e mulher do Gilmar.

A Guio !

É pouco, amigo  navegante ?

Quer mais ?

Quando houve a festa ao aniversario do escritório de Bermudes, no Copa, no Rio (o Bermudes sabe viver a vida !), quem foi para a porta receber os convidados ?

Gilmar Dantas !

Quer mais, amigo navegante ?

De quem mais Bermudes é advogado ?

Da Rede Globo, que trata Gilmar a leite de pato.

Além disso, Piovesan descreve as íntimas relações do casal Gilmar Dantas com o dono de uma empresa relação publicas, de codinome “Consultor Jurídico”.

A Consultor Jurídico é regiamente paga por Dantas, como demonstra esse estudo sobre o “Sistema Dantas de Comunicação”.

O dono da empresa foi o cupido do casamento do casal Gilmar.

Ele selecionou a música para o reatamento do namoro.

Que chic !

E quando o relações públicas lança uma publicação especial, Gilmar Dantas abre as portas de um solene auditório do Supremo para festejar o insigne lançamento.

Quer mais, amigo navegante ?

Quando era Advogado Geral da União (de FHC), segundo o testemunho do respeitado jurista Dalmo Dallari, Gilmar contratou seu próprio estabelecimento de ensino para dar curso a servidores da AGU.

É pouco, amigo navegante ?

Quer mais ?

Tem !

Durante a Presidência Excelsa de Gilmar Dantas (*) no Conselho Nacional de Justiça, o corajoso professor Joaquim Falcão destituiu o Juiz Ari Ferreira de Queiroz, de Goiânia, que era sócio proprietário do Instituto de Ensino e Pesquisa Cientifica, uma escola semelhante à de Gilmar Dantas, embora mais modesta.

“Pode um juiz  contribuir com o prestígio de seu cargo, que é público, para beneficiar os interesses privados seus e/ou de outros  ?“ perguntou-se Falcão.

E o Gilmar ?

Ele agora faz merchandising de cursos de Direito.

Quer mais, amigo navegante ?

Piovesan lembra que, segundo a Folha, o Padim Pade Cerra, em plena campanha eleitoral, telefonou para Gilmar sobre os dois documentos para o eleitor votar.

Quanto mais documentos fossem pedidos, melhor para o Cerra.

Gilmar pediu vistas no julgamento.

E depois votou do jeito que, por coincidência, atendia aos interesses eleitorais do Cerra.

Segundo o repórter da Folha (****), Cerra saudou Gilmar de “meu presidente” !

“Meu presidente”!

Quem disse a quem ?

Cerra a Gilmar ou Gilmar a Cerra ?

Piovesan lembra que o corajoso ministro Joaquim Barbosa, além de falar dos capangas de Gilmar, naquele vídeo memorável, disse que Gilmar Mendes é “violento, atrabiliário e aparelhou o Supremo para seus interesses monetários e partidários”.

Viva o Brasil !

Clique aqui para ler “As 37 ações contra PHA. Dantas quer criar jurisprudência e calar blogosfera”.


Paulo Henrique Amorim



(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

(**) A OAB, segundo amigo navegante deste ansioso blog, passou a ser conhecida como “OABril de 1001 Utilidades”, na notável jestão do Dr Ophir.

(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(****) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Agnelli dá adeus com outro buraco no Brasil


Ontem foi o último ato público de Roger Agnelli como presidente da Vale. E, para fazer justiça à sua trajetória, o adeus foi a inauguração de outra megamina para exportar as riquezas estratégicas do Brasil. A mina de Onça Puma, em OuriLãndia do Norte, sudeste do Pará, vai exportar “apenas” 95% de sua produção do valiosíssimo ferro-níquel – usado na fabricação de aços inoxidáveis – visa, segundo o próprio Agnell, “atender a países como China, Japão, Alemanha, Finlândia, Itália e Estados Unidos”.
Em plena operação, a mina vai produzir 22o mil toneladas de ferro-níquel, com 53 mil toneladas de níquel contido.  Isso representa, simplesmente, 70% de toda a produção nacional até agora, que é de 74 mil toneladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração.  Com 95% deste volume exportado, a Vale vai mandar para fora, via Onça Puma, uma vez e meia todo oníquel que hoje o Brasil já exporta, pouco mais de 35 mil toneladas.
O minério vai em bruto, porque a Vale só tem refinarias – que separam o ferro do níquel e o deixam pronto para o uso na produção de aço -  no Reino Unido, Japão, Taiwan e China e uma recém construída na Nova Caledônia, gigantesca, adaaptada para  trabalhar com níquel laterítico limonítico, justamente o tipo que sai de Onça Puma.
Tecnologia para fazer, há, pois a Votorantim inaugurou uma refinaria em Goiás, com tecnologia brasileira, há pouco mais de um ano.
E demanda, haverá, senão para tudo, para parte significativa deste minério. O próprio Roger Agnelli admitiu ao Diário do Pará, que  tendência é de crescimento do consumo nos próximo anos, em função da montagem das estruturas de produção de petróleo do pré-sal e também dos investimentos previstos na indústria naval brasileira.
Enfim, o adeus de Agnelli, com os meganavios coreanos e chineses e esse superralo de escoamento de nosso valioso níquel se dá no seu grande estilo de pensar o Brasil como um buraco a ser cavado.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O perigoso mito da solvência dos bancos


Há uma falácia em uso segundo a qual o sistema bancário internacional estaria numa situação de perfeita solvência, enfrentando apenas um problema temporário de liquidez gerado pelo mau funcionamento dos mercados. Com o tempo, os mecanismos de mercado restaurariam o real valor dos ativos “herdados” e a economia caminharia para a recuperação. É um absurdo. O volume de dívida privada segue muito alto, o emprego segue caindo e a inadimplência e os despejos crescendo. Muitas entidades financeiras são insolventes sem esperança, portadores de uma multidão de papéis podres que não valem nada. O artigo é de Marshall Auerback.

Os bancos provavelmente terão demasiada liquidez até 2019 por culpa das regras de Basileia III para o sistema bancário global, sustentou o executivo chefe da União Bancária Suíça, Oswald Grübel, na semana passada. “Nos próximos dez anos, até o final de 2019, teremos bancos super capitalizados, com excesso de liquidez”, disse Grubel para uma plateia composta de homens de negócios em uma convenção. “No entanto, isso significa também que não haverá crescimento”. O senhor Grubel refletia sobre as mudanças no equilíbrio global de poder e sobre as possíveis consequências dessas mudanças. O alto executivo financeiro disse que a banca de investimentos poderia terminar se deslocando para os Estados Unidos e a Ásia se a Inglaterra e a Suíça seguirem exigindo fundos de capital próprio cada vez maiores. Mas o princípio econômico básico segue sendo o mesmo: “o poder vai para onde está o dinheiro”, disse.

Tudo isso está em sintonia estupenda com a falácia segundo a qual os bancos são basicamente solventes e seriam capazes de aumentar o crédito, se todos esses malditos reguladores públicos saíssem de cena. Como bem argumentou James Galbraith, toda essa gente acredita que o problema da banca financeira se reduz a um que outro encanamento obstruído. Um pouco de solvente em forma de ajudas e garantias públicas bastaria para fazer o crédito voltar a fluir normalmente. A maioria dos grandes bancos não seria insolvente, diz-se, e teria apenas um problema temporário de liquidez gerado pelo mau funcionamento dos mercados financeiros. Com o tempo, os mecanismos de mercado restaurariam o verdadeiro valor dos ativos “herdados”. E uma vez recobrada a saúde dos bancos, a economia toda caminharia para a recuperação.

Um absurdo. As cargas da dívida privada seguem sendo demasiado altas, o emprego segue caindo, e a inadimplência e os despejos seguem aumentando. Os ativos estão super valorizados mesmo com os preços deprimidos atuais. Muitas entidades financeiras (entre as quais se incluem, muito provavelmente, as maiores) são insolventes sem esperança, portadoras de uma multidão de papéis podres que jamais valerão nada.

Assim, portanto, por que estamos nos esforçando para implementar políticas que não fazem outra coisa que manter uma economia fundada no crédito? Aqueles que tomam decisões políticas no mundo seguem alimentando por toda parte a ficção de que se trata apenas de um problema de falta de liquidez temporária e não, como é o caso, de um problema de alavancagem excessiva, de endividamento excessivo e de alguns ativos herdados incrivelmente sobrevalorizados, baseados em alguns cenários econômicos acontecerão. Dadas as premissas erradas utilizadas pelos tomadores de decisões nos EUA, na Inglaterra e na Eurozona para lidar com a alavancagem das entidades financeiras, resulta óbvio que os problemas seguiram agravando-se se os governos não mudarem seu curso de ação. Isso redundará em uma restrição da capacidade de recuperação econômica mundial, trazendo consigo uma miríade de “décadas perdidas” de estilo japonês por todo o planeta.

Todo o boom econômico dos últimos 25 anos se baseou na desregulamentação financeira, na fraude massiva e em uma imensa acumulação de dívida privada, consequência de uma política fiscal incapaz de gerar pleno emprego e receitas crescentes. O crescimento se baseou no empréstimo ás famílias e na persistência de tendências de poupança negativa (ou seja, no crescimento da dívida das famílias). Por conseguinte, um bom ponto de partida para os esforços de recuperação seria mudar este método de crescimento econômico: promover o emprego em vez de capitular ante os cantos de sereia de alguns banqueiros, cuja falta de escrúpulos nos meteu nesta situação.

Em um mundo muito mais saudável, já teríamos sido arrastados pelo impulso de um gigantesco investimento público, ao estilo do que já ocorreu por ocasião da corrida espacial ou do Projeto Manhattan, para desenvolver novas tecnologias energéticas, ampliando a produtividade e a inovação, rebaixando assim os custos por unidade. Seria preciso também um esforço articulado para garantir as novas infraestruturas que são necessárias. (Cabe lembrar que as autoestradas foram construídas, em parte, por razões de defesa nacional e as ferrovias e canais foram parcialmente subsidiadas com dinheiro público). Mas com as colossais quantidades de dinheiro destinadas às campanhas eleitorais, não se pode confiar que um tal esforço público possa receber apoios significativos, tampouco de uma cidadania fragmentada e convertida em uma coleção de consumidores ansiosos. Os fundamentalistas da austeridade do déficit não conseguem compreender que o déficit orçamentário é essencial para o crescimento econômico estável, e que a contribuição do saldo comercial da balança de pagamentos – a diferença entre exportações e importações – não basta para sustentar a demanda interna quando o que o setor privado interno busca é economizar.

É preciso por fim a estas políticas econômicas ridículas. Não precisamos só de um incremento substancial da supervisão e da regulação do setor financeiro, mas temos que deter imediatamente as práticas que geraram, em primeira instância, esta crise. Abandonados a sua própria inércia para enfrentar os problemas atuais, o que os mecanismos de mercado conseguirão é empurrar os executivos e os proprietários de entidades financeiras insolventes a ampliar suas perdas e enrolar-se em uma contabilidade ainda mais fraudulenta, o que inelutavelmente trará consigo um colapso ainda maior.

(*) Marshall Auerback é analista econômico, membro conselheiro do Instituto Franklin e Eleanor Roosevelt, onde colabora com o projeto de política econômica alternativa New Deal 2.0.

Tradução: Katarina Peixoto

Exército de Israel mata doze palestinos em dia de protesto


Milhares de palestinos participaram neste domingo de protestos nas fronteiras de Israel com a Síria e o Líbano, para marcar o dia da Nakba, que marca a criação do Estado de Israel, em 1948. Militares israelenses abriram fogo contra os manifestantes. Pelo menos 12 palestinos foram mortos nos confrontos. “Dei ordem ao exército para atuar com a maior prudência, mas também para impedir que nossas fronteiras sejam violadas”, disse o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Milhares de palestinos marcharam neste domingo para marcar o dia da “Nakba” (catástrofe, que é como os palestinos chamam o dia da fundação de Israel, em 1948). Militares israelenses abriram fogo contra os manifestantes em áreas localizadas nas fronteiras com a Síria e o Líbano. “Dei ordem ao exército para atuar com a maior prudência, mas também para impedir que nossas fronteiras sejam violadas”, justificou o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu. Pelo menos 12 palestinos foram mortos nos confrontos.

As tropas israelenses abriram fogo contra uma manifestação de pelo menos 1.000 pessoas que se dirigia em direcção ao check point de Erez, na passagem entre a Faixa de Gaza e Israel. Segundo relatou uma correspondente da Al Jazeera, um grupo de palestinos, incluindo crianças, foi morto pelo exército israelense depois de atravessar um posto de controle do Hamas e entrar no que Israel chama de "zona tampão" - um espaço vazio entre as fronteiras.

Também foram ouvidos disparos de artilharia a partir da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza e há notícias da existência de dezenas de feridos resultantes de um tiroteio nas Colinas de Golã, uma área de fronteira com a Síria. Vários refugiados palestinianos vindos do lado sírio foram mortos ao tentar romper o muro da fronteira.

Os incidentes ocorreram nas zonas fronteiriças da Síria e do Líbano. O exército israelense disparou contra manifestantes vindos da Síria que penetraram numa área das colinas de Golan, território ocupado desde 1967 por Israel apesar das condenações internacionais que reconhecem o território como pertencente à Síria.

“Esperamos que a calma regresse rapidamente, mas estamos determinados a defender nossas fronteiras e nossa soberania”, disse ainda Netanyahu, que acrescentou: “as manifestações não dizem respeito às fronteiras de 1967, mas são um questionamento da própria existência do Estado de Israel”.

Para os palestinos, a “Nakba” se traduziu no êxodo de cerca de 760 mil pessoas que, hoje, incluindo seus descendentes chegam a 4,8 milhões. Os refugiados palestinos estão refugiados entre Jordânia, Síria e Líbano. A resolução 194 da ONU dispõe que “os refugiados que desejem regressar a seus lares e viver em paz com seus vizinhos devem ser autorizados a fazê-lo o mais cedo possível”.

Todos os governos israelenses se opuseram à aplicação do direito de retorno. Os palestinos exigem o reconhecimento desse direito por Israel, ainda que se declarem dispostos a negociar as modalidades de sua aplicação.

(*) Com informações do Página/12 e do portal Esquerda.net

Churrasco da 'gente diferenciada'


A polêmica em torno da estação do metrô de Higienópolis -que uma parte da elite do bairro rejeita para evitar um canal de contaminação com a 'gente diferenciada' das periferias--  antecipa o debate eleitoral de 2012 ao dar vertiginosa transparência a uma questão rebaixada pelo noticiário: quem decide São Paulo? Quem discute e opina sobre as políticas urbanas na maior cidade do país? Por que questões importantes como o traçado do metrô, a ampliação das marginas imposta por Serra como artefato eleitoral em 2010, a limpeza do rio Tietê e o que se quer com ele nas próximas décadas, assim como os malabarismos do alcaide serrista Gilberto Kassab em torno do Plano Diretor não são debatidas em audiências públicas de verdade? Amplas e com cobertura adequada e abrangente da mídia? O tucanato que manda no Estado há 17 anos e a mídia que o apóia cobram, com razão, assembléias e debates amplos para as obras federais do  PAC, mas resolvem en petit comite as questões cruciais que vão condicionar o futuro da metrópole e dos seus habitantes. São Paulo não está sucateada apenas do ponto de vista urbanístico. Os mecanismos de discussão da cidade colapsaram; são mais estreitos e anacrônicos que as galerias pluviais remanescentes dos anos 50. O que se espera dos movimentos sociais e da esquerda em geral é que o churrasco da 'gente diferenciada' seja apenas o prato de entrada de um cardápio mais amplo decidido a propor métodos e políticas que devolvam o destino da cidade aos seus cidadãos. O apartheid higienista é uma realidade estruturante na reprodução da cidade. O episódio da estação do metrô  evidenciou uma trinca que rechaça até remendos subterrâneos.  Quais são as propostas da esquerda para reverter esse higienismo social em uma cidade funcional, republicana e democrática do século 21?
(Carta Maior; 2º feira, 16/05/ 2011)

sábado, 14 de maio de 2011

Estação da infâmia repelida pelos homens bons


Já não era o suficiente termos que aguentar a invasão dos aeroportos pela gente diferenciada, agora queriam os agentes do bolchevismo internacional, que nosso homeland fosse profanado pela estação da gentalha, atraindo pessoas desqualificadas, poluindo o higiênico ambiente com a presença de tais seres, ocasionando ocorrências indesejáveis. Tais entes inferiores não pertencem a este quartier e dele devem manter distância regulamentar, a exceção dos serviçais devidamente cadastrados e vigiados, por isso, não há função para tal parada do metrô por aqui, precisamos de mais helipontos e não de trens, pois enquanto a gentalha se mete em túneis abaixo da terra, nós, homens de bem, nos deslocamos pelos ares.
Cenas que não gostaríamos de ver
Além da gente diferenciada, o metrô traria cenas que não gostaríamos de ver
Além disso, não podemos acabar com a tradição do bairro. Vocês já viram o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, corintianos e eleitores do molusco apedeuta, uma gente diferenciada, morena e sem cultura para conviver no nosso meio. Não podemos permitir isso porque hoje é uma estação do metrô, amanhã será uma conjunto de habitações do “minha casa minha vida”! Assim não pode, assim não dá.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ELITES DIFERENCIADAS


Marcha contra Wall Street reúne milhares em Nova York


Cerca de 10 mil pessoas participaram, quinta-feira, de um protesto nas imediações do coração do mundo financiero: a Bolsa de Valores de Nova York. Os manifestantes marcharam pelas ruas da cidade para exigir que os bancos e os empresarios ricos paguem os custos da crise econômica que eles causaram, e não os trabalhadores que enfrentam uma onda de demissões e um ataque político em nível nacional contra seus direitos trabalhistas.Um grupo de professores que participou da manifestação garantiu: “esta é a última vez que nos comportamos bem; na próxima, tomaremos a cidade”. O artigo é de David Brooks, do La Jornada.

Nova York, 12 de maio“Fuck Wall Street”, gritava hoje um manifestante ao marchar pela área, enquanto que a polícia impedia que milhares de professores, funcionários públicos, de manutenção e de vários setores de serviços, imigrantes, estudantes e ativistas comunitários se aproximassem do monumento do mundo financeiro: a Bolsa de Valores de Nova York.

Os manifestantes – mais de 10 mil segundo alguns cálculos – marcharam pelas ruas ao redor do setor financeiro e político desta cidade para exigir que os bancos e os empresários ricos paguem os custos da crise econômica que eles mesmos detonaram, e não os trabalhadores que enfrentam uma onda de demissões e um ataque político em nível nacional contra seus direitos trabalhistas.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, quer demitir mais de 5 mil professores, fechar várias estações de bombeiros, reduzir serviços para crianças e programas para habitantes da terceira idade, entre outras medidas para equilibrar o orçamento. Por outro lado, nega-se terminantemente a aumentar os impostos para os ricos, sobretudo para o setor financeiro, com o argumento de que isso teria um efeito negativo na economia.

Mais emprego e mais serviços públicos
"Ouça, Bloomberg, o que diz disso? Quantos cortes ordenaste hoje?", gritava uma parte da marcha enquanto outros caminhavam desde vários pontos para deixar quase cercada a famosa rua de Wall Street. Acompanhados por bandas de metais e tambores, gritavam palavras de ordem contra a avareza empresarial e carregavam cartazes com demandas de emprego, escolas, serviços públicos e que os ricos paguem pelo desastre que criaram. “Nós pagamos impostos. Por que vocês não pagam?” – gritavam ao passar na frente de luxuosos edifícios. Poucos antes de partir, um contingente de professores advertiu entre aplausos e gritos: “esta é a última vez que nos comportamos bem; na próxima, tomaremos a cidade”.

Os governos em nível municipal, estadual e federal estão aplicando a mesma receita de austeridade por todo o país, acompanhada de um ataque feroz contra os sindicatos e, em alguns casos, contra os imigrantes. A história é a mesma: para resolver o déficit orçamentário provocado pela pior crise financeira e econômica desde a Grande Depressão, a decisão política é repassar o custo para os trabalhadores.

Ao mesmo tempo, os executivos e suas empresas desfrutam de uma prosperidade sem precedentes. O Wall Street Journal reportou que a remuneração para os principais executivos das 350 maiores empresas do país aumentou 11% e, em valor médio, chega a 9,3 milhões de dólares, um prêmio por seu grande trabalho em reduzir custos e elevar os rendimentos de suas empresas. Os líderes em receita são Phillipe Dauman, da Viacom, com 84,3 milhões de dólares anuais, seguido por Lawrence Ellison, da Oracle, com 68,6 milhões de dólares, e Leslie Monnves, da CBS, com 53,9 milhões de dólares.

Essa receita econômica é acompanhada de uma feroz ofensiva política contra trabalhadores e seus sindicatos. Forças conservadoras, tanto no âmbito político como no empresarial, promovem medidas com o propósito explícito de destruir sindicatos, em particular os do setor público. Iniciativas neste sentido foram promovidas em estados como Wisconsin, Michigan, Indiana e Ohio, entre outros, onde além de propor reduções de salários e direitos dos trabalhadores, incluem-se medidas para anular os direitos de negociação de contratos coletivos.

Dois estados, New Hampshire e Missouri, promoveram projetos de lei para somar-se aos 22 estados que têm leis com o nome orwelliano de “direito a trabalhar”, que, na verdade, limitam severamente a sindicalização ao permitir que os trabalhadores optem por não se filiar a sindicatos estabelecidos no setor privado. No total, 18 estados impulsionaram esse tipo de iniciativa somente no último ano, todos com a justificativa de que são necessárias para diminuir o déficit e quase todas promovidas por legisladores ou governadores republicanos, relatou ainda o Wall Street Journal.

As leis têm o objetivo de debilitar o poder político dos sindicatos que costumam apoiar o Partido Democrata e iniciativas liberais no país.
Isso levou a uma rebelião que reuniu centenas de milhares de trabalhadores em Wisconsin no início do ano, a qual se somaram estudantes, agricultores, imigrantes e organizações comunitárias que, durante várias semanas, tomaram o Capitólio doestado como parte de uma mobilização popular que gerou esperança neste país, e que muitos – incluindo os manifestantes – compararam com o que estava ocorrendo no Egito.

“Protesta como um egípcio”, foi uma das consignas da mobilização.
“Estamos com Wisconsin”, lia-se em cartazes e ouvia-se nas palavras de ordem nesta quinta-feira em Nova York. Do mesmo modo, surgiram expressões de resistência em Michigan, Ohio e Indiana contra medidas para debilitar os sindicatos.

Na Califórnia, os professores da California Teachers Association lançaram esta semana um movimento chamado Estado de Emergência para pressionar os legisladores a por fim aos cortes na educação. O sistema educacional sofreu cortes de 20 bilhões de dólares em três anos e 30 mil professores foram demitidos neste Estado.

Esta semana uma funcionária federal que está por ser demitida enfrentou o
presidente Barack Obama em um fórum transmitido pela televisão e perguntou-lhe o que faria se estivesse em seu lugar. Obama respondeu que é um momento difícil e tentou dar explicações, mas não conseguiu responder a pergunta.

Noam Chomsky escreve que o que está ocorrendo nos Estados Unidos é parte de uma guerra entre Estado e corporações contra os sindicatos, que está sendo travada em nível mundial deixando os trabalhadores em uma condição de precariedade como resultado de programas de enfraquecimento dos sindicatos, flexibilização e desregulação.

Mas os manifestantes de Nova York, nesta quinta-feira, também falaram do surgimento de uma resposta de resistência e rebelião que, embora ainda não seja massiva, vem ganhando pouco a pouco dimensões surpreendentes. Tom Morelli, ex-integrante de Rage Agains the Machine (banda hardrock dos EUA, uma das mais influentes e polêmicas da década de 1990), afirmou que os sindicatos são um contraponto crucial contra a cobiça empresarial que afundou a economia e ameaça o meio ambiente e o futuro.

Depois de participar das mobilizações de trabalhadores na capital de Wisconsin, disse que, de Cairo a Madison, os trabalhadores estão resistindo e os tiranos estão caindo, e apresentou uma nova canção que, segundo ele, é uma trilha sonora para a luta nos EUA. A letra afirma: este é uma cidade dos sindicatos/mantenham a linha; se vocês vierem retirar nossos direitos/vamos enchê-los de porrada.

Tradução: Katarina Peixoto


Fotos: Elizabeth Coll/La Jornada

Leve cidadania a Higienópolis no próximo sábado


Com a velocidade de propagação da internet, grande parte dos que se dispuseram – ou disseram que se dispuseram – a ir para diante do Shopping Higienópolis no próximo sábado para um “Churrascão da Gente Diferenciada” certamente já tomou conhecimento de que o jovem Danilo Saraiva, que convocou o ato público, propôs seu cancelamento.
As razões alegadas por Danilo para tanto, são de medo. Depois alterou “cancelamento” para alguma outra coisa que não ficou clara, mas a chamada que pôs no Facebook foi “Churrascão Cancelado”.
O rapaz já tinha manifestado medo de manter a montagem com a foto de Serra no divertido convite que confeccionou e que foi o que desencadeou uma onda que contaminou quase 200 mil pessoas. Apesar de a grande imprensa e vários blogs – este, entre eles – terem mantido a imagem, ele abriu mão da própria obra.
Depois, sempre manifestando medo, o rapaz alegou que poderia haver “violência”, “falta de espaço”, “sujeira”. Por último, declarou que poderia não haver “autorização” da Polícia Militar e da CET, mostrando que não conhece a Constituição Federal, que garante o direito de reunião e manifestação que esses órgãos, inclusive, reconheceram em nota sobre o possível evento.
Antes de prosseguir, há que dizer que não se pode culpar o jovem Danilo. Retirou a foto de Serra da convocação, segundo ele mesmo, porque o PSDB o teria pressionado. E diz que desistiu do ato, em sua concepção original, por conta do “grande número de pessoas” que aderiram, mas é óbvio que seus medos vão além. As próprias autoridades podem tê-lo amedrontado.
Vejam, o jovem pode estar empregado e ter medo de demissão, pois estaria mexendo com gente poderosa, os ricaços que conseguiram fazer o governo do Estado desistir de uma obra do porte de uma estação do metrô apenas para não incomodá-los. Isso sem falar de ameaças que quem já promoveu atos públicos, como este blogueiro, sabe que costumam ocorrer.
Volto a insistir: a foto do Facebook mostra que Danilo é bem jovem. Ele e outros jovens que ele diz que o ajudaram certamente se deixaram intimidar e deles não se pode exigir mais. A juventude de hoje não está acostumada a lutar pelos seus direitos como a geração que a antecedeu.
Não atribuo aos autores do Churrascão da Gente Diferenciada, pois, um pingo de acusação de covardia ou seja lá  do que for. É cultural do brasileiro, essa afasia cívica. E esse, aliás, é um dos nossos problemas. Na Europa, por exemplo, onde o povo galgou condições de vida invejadas pelo mundo todo, os cidadãos vão reiteradamente à rua protestar.
Mas a pressão foi muito grande. Colunistas de grandes meios de comunicação como Sergio Malbergier e Reinaldo Azevedo escreveram textos criminalizando o protesto, deixando no ar uma ameaça, além de conceitos tortos sobre o “direito” de pessoas não quererem uma obra pública em seus bairros, direito que some quando essa obra beneficia toda a cidade e a maioria dos que freqüentam o bairro.
É apenas uma questão matemática: 3.500 pessoas não querem a estação de metrô e quase 200 mil querem e se manifestaram nesse sentido pelo Facebook tanto quanto o grupo minoritário o fez por “abaixo-assinado” prontamente acolhido pelo governo do Estado.
Eis, aí, a diferença de direitos de cidadania que oprime o país ao lado de prisão especial e outras aberrações genuinamente tupiniquins.
Por conta disso tudo, no sábado, às 14 horas, estarei no Shopping Higienópolis para aderir a uma eventual manifestação que por lá venha ocorrer. Pode ser Churrascão ou o vozeirão da imensa maioria que repudia as idéias tortas desses que não compreendem o direito constitucional de manifestação e reunião ou tampouco o conceito de Res Publica.
Se até às 14:30 hs. do próximo sábado não tiver ninguém por lá, irei ao restaurante Sujinho comer um belo churrasco para me compensar pela decepção com a determinação deste povo de lutar pelos seus direitos e contra o domínio de poucos sobre o que é de todos. Se alguém quiser me acompanhar pelo menos lá, será um prazer.
PS: este texto foi inserido no post comunicando o “cancelamento” do “Churrascão da gente diferenciada”, que pode ser lido a seguir.
PS2: no fim da quinta-feira, por volta das 22:30 hs., o Danilo cancelou o cancelamento do churrascão e, agora, diz que vai acontecer.
PS3: Para que não reste dúvida do ato diante do Shopping Higienópolis amanhã, sábado, publiquei um post no Facebook. Confirme presença lá. Acesse clicando AQUI
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O perfil de Danilo Saraiva no Facebook anuncia: “CHURRASCÃO CANCELADO”. Como motivo, diz temer “violência”, produção de “lixo”, “falta de espaço diante do shopping Higienópolis”  e afirma que “não sabe” se a PM e a CET “autorizariam” o ato. Na quarta-feira no fim da tarde, ele também havia retirado a foto de José Serra do convite para o evento  alegando “pressão” do PSDB.
Abaixo, o texto que o jovem Danilo postou no perfil do Facebook que atraiu quase duzentas mil pessoas. Em seguida, faço um último comentário.
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Caros,
As intenções são nobres, mas devido ao grande número de adeptos, infelizmente, tivemos que cancelar o churrascão e transformá-lo em um ato realmente bonito.
A Associação Defenda Higienópolis e os moradores do bairro, que participaram do abaixo-assinado, estão de cabelos em pé. Com o Churrascão, conseguimos também que o Ministério Público investigasse as intenções por trás do cancelamento da estação de metrô na Avenida Angélica e até um pronunciamento oficial do governador Geraldo Alckmin. Somente esses mais de 45 mil confirmados serviram para provar que o povo paulistano (e todo mundo de outras cidades) que participou não é mesquinho como dizem por aí. Somos humanos, temos voz e direitos. Tais direitos não são garantidos apenas a uma elite, mas sim a todos que trabalham, que estudam e que passeiam por essa grande cidade e pagam impostos. Não é a conta bancária de um que determina a dignidade (ou falta de) do outro.
O metrô, hoje, não atende a necessidade de quem mora nesta cidade. O transporte público é risível. Ônibus lotados a tarifas absurdas, veículos em situação precária, falta de corredores, atrasos em obras, acidentes, são apenas algumas das situações que tornam São Paulo ainda mais caótica do que ela deveria ser, graças ao seu número de habitantes.
A ideia de cancelar o evento partiu por duas razões: ainda que a subprefeitura da Sé não tivesse mostrado qualquer atitude contrária ao Churrascão, a Polícia Militar e a CET mostraram preocupação, uma vez que a avenida Higienópolis, onde o evento seria realizado, é muito estreita e mesmo que nos seja assegurado o livre direito de nos manifestar, ainda não podemos obstruir vias públicas e tampouco nos responsabilizar pelas atitudes de manifestantes mal-intencionados, que por vezes vão ao evento apenas com intuito de depreciar a propriedade pública e privada, além de agredir aqueles que, como eu e meus amigos que me ajudaram a organizar o flashmob, estão apenas tentando fazer sua voz valer, acima de tudo. Em poucas palavras, seria quase certo o uso de violência física contra os manifestantes, e arcando com essa possibilidade, não podemos deixar que ninguém saia ferido por conta de uma brincadeira.
Há de se levar em conta também a quantidade de lixo que iríamos produzir. Isso é um prejuízo grande não só ao povo paulista como à prefeitura, que, apesar de ser quase sempre incompetente no que se refere aos direitos dos cidadãos, tem problemas maiores para resolver.

Sendo assim, modificaremos o caráter do evento. Ele será realizado com o intuito de realmente ajudar a população carente, que não têm condições nem voz para arcar com as atitudes mesquinhas desses moradores do bairro de Higienópolis que assinaram a petição contra a estação de metrô.
- Ao invés de uma baderna, podemos organizar um ato público de ajuda aos mais necessitados.
- Estamos ainda conversando com os órgãos competentes para que esse evento faça realmente uma diferença e mostre a nossa voz ao governo, que tanto oprimiu quem nunca teve condições de dialogar e seu único direito, quase sempre falho, foi o voto.
- Daremos coordenadas sobre o que será feito no sábado, a partir das 14h, com concetração na Praça Villaboim.
- A princípio, reuniremos assinaturas e as encaminharemos ao governo do estado para que eles prestem esclarecimentos, planos concretos e datas sobre as novas estações e linhas do metrô.
- Pretendemos também, ao invés de uma festa, arrecadar agasalhos e alimentos durante a manifestação, mas para isso, ainda precisaremos fechar um acordo com ONGs que se interessem pelo material arrecadado.





- Aos manifestantes que expressaram preconceito contra os judeus moradores do bairro, fica meu lamento. Vocês são tão pobres de espírito quanto aqueles que assinaram a petição contra o metrô.
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Realizei alguns atos públicos, obviamente que nunca com tal quantidade de gente. Realmente é complicado, dá um frio na barriga.
Em 2009, durante o ato da Ditabranda, convocado por este blog, compareceram 500 pessoas e tudo deu certo. Contudo, temi que alguma coisa pudesse ocorrer. Recebi, aqui, várias ameaças, inclusive.
Deve ter sido o que aconteceu com Danilo.
Assim mesmo, surpreende que Danilo acredite que precisa de “autorização” da PM e da CET para se reunir e se manifestar na via pública.
Como em 2009, portanto, reproduzo, abaixo, o preceito constitucional que garante a cada brasileiro o direito de manifestação e reunião. É bom que a juventude conheça. Pelo sim, pelo não…
ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
Dos direitos e garantias fundamentais
Inciso XVI
Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Viva o churrasquinho e viva o Brasil!

Los Angeles, o churrasquinho de Higienópolis e a civilização imperfeita! 
por Rodrigo Vianna, O Escrevinhador, de Los Angeles

Enquanto transitava feito alma penada pelas “freeways” de Los Angeles – essas avenidas assépticas, artérias de uma cidade estranha e dominada pelo automóvel -, recebi com alegria a notícia de que em São Paulo prepara-se um histórico churrasquinho em frente ao shopping Higienópolis.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Vou tentar explicar…

A gente tem mania de dizer que o brasileiro, e o paulistano em particular, é elitista, preconceituoso, excludente. Tudo isso tem uma ponta de verdade. Tudo isso encontra amparo na nossa história secular de desigualdade. Mas ao olhar para Los Angeles – para a tristeza e a pasmaceira dessa gente nas ruas limpas e vazias – senti uma ponta de orgulho de ser brasileiro.

Sim. Vamos lembrar…

Em Nova York e Washington, jovens foram às ruas duas semanas atrás para “comemorar” o assassinato de Bin Laden. Foi um espetáculo triste. E não vi outros jovens – nas universidades, nas escolas, nas associações ou Igrejas desse imenso país da América do Norte – terem a coragem de ir pra rua e dizer: “alto lá; Bin Laden é (ou era) um assassino; mas até os criminosos têm direito a um processo legal, essa é a base da democracia”.

Não. Os Estados Unidos abriram mão disso. Trocaram Justiça por Vingança. E quem ousou protestar ficou isolado. Os Estados Unidos são um gigante combalido. E um gigante combalido é perigoso.

O Império do Norte foi duramente golpeado em 2001, pelo ataque covarde às torres gêmeas. Depois, teve sua economia golpeada com a crise de 2008 (fruto de desregulação alucinada dos “mercados”, que tomaram de assalto o Estado fundado por George Washington). A eleição de Obama parecia redenção, enganou muita gente. Mas Obama já jogou no lixo o discurso (e a pose de) modernizador, e contentou-se com o papel de cowboy.

Vocês viram a cena insólita de Obama caminhando pela Casa Branca depois de anunciar que a “justiça foi feita”, logo após o ataque no Paquistão? Patético. Obama virou Bush. Um simulacro de Bush.

Comparemos com o Brasil. Nesse mesmo período, de 2002 pra cá, nosso país elegeu um operário. Depois, reelegeu o operário. Enterrou assim o complexo de vira-lata. Muita gente temia (e havia os que torciam descaradamente para que isso acontecesse) que um homem do povo não desse conta do recado. Lula deu conta. Mais que isso: tirou 20 milhões de brasileiros da miséria, fortaleceu o mercado interno, freou o processo de desmonte do Estado, pôs o Brasil no centro das decisões internacionais, devolveu auto-estima ao povo brasileiro.

Lula cometeu muitos erros. Sem dúvida. Mas ajudou a fundar um novo Brasil. E nosso ex-presidente é um líder conhecido e admirado no mundo inteiro. Ando por Los Angeles, e quando digo que sou do Brasil costumo ouvir: “Uau, it´s cool”. Algo como: “Uau, que bacana”.

Os Estados Unidos são uma potência. Ninguém duvida. Mas são uma potência triste.

O atual presidente deles é um negro que chegou ao poder carregando esperança de renovação. Afundou-se no conservadorismo dos cowboys. A nossa atual presidente é uma mulher, ex-guerrilheira – que segue os passos de Lula.

O último ex-presidente deles é Bush Jr. O nosso, é Lula.

E o churrasquinho? Ah, isso tem tudo a ver com Lula…
Edu Guimarães quer saber: Serra vai convidar FHC pro churrasquinho?

O churrasquinho, como se sabe, é a reação bem-humorada a esse bando de infelizes que fez lobby para não ter Metrô perto de casa, em São Paulo. Tudo aconteceu em Higienópolis, condado habitado (santa coincidência) por FHC. Uma senhora, moradora do condado de Higienópolis, chegou a explicar porque não queria o Metrô: é que isso traz gente “diferenciada” pro bairro.

Seguiram-se reações indignadas. Ótimo! O brasileiro indigna-se. Não aceitamos mais a boçalidade elitista. Vejam que o Prates (aquele comentarista tosco da RBS) perdeu o emprego ao dizer que qualquer “analfabeto” podia ter carro. Agora, a turma de Higienópolis apanha por ter feito a opção demofóbica. Isso é muito bom.

E digo mais. Ótimo que – em vez de agressões, pancadas ou cascudos – a turma elitista receba como contragolpe um churasquinho! Essa é uma lição para o mundo. É uma saída genial. Diante do preconceito, reagimos com escárnio, não com violência.

Nos Estados Unidos, isso seria impensável. Olho pras ruas tristes de Los Angeles, para os condomínios sem alma da cidade, para as calçadas limpíssimas de Santa Mônica (o balneário aqui bem próximo da capital do Cinema), e me orgulho do Brasil.

Podemos dar ao mundo o exemplo de uma civilização imperfeita, que não pretende (e nem consegue) ser limpa, higiênica, asséptica. Somos um país forte, que pode ser rico, mas seguirá cheio de defeitos.

Aceitá-los, como se aceita camelôs e gente “diferenciada” na porta de casa, é um exercício saudável para evitar nazismos, fascismos e bushismos.

Tantaz vezes confrontado pela elite brasileira que não aceitava ser governada por um “diferenciado”, Lula não partiu pro confronto, nem tentou derrubar a bastilha. Lula reagia sempre com o churrasquinho.

O churrasquinho é como se o povo, como fez Lula durante 8 anos, dissesse pra essa elite tosca: “não queremos ser iguais a vocês… Vocês é que deviam ser iguais a nós. Venham, sejam brasileiros! Venham pro nosso churrasquinho, aproximem-se! No Brasil, há espaço até para elitistas boçais.”

Somos uma civilização imperfeita. É o melhor que podemos oferecer ao mundo.

Somos um país que responde ao preconceito com churrasquinho! Viva o Brasil.


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Governo atenta contra livre mercado e baixa preços!


Nenhuma destas duas “capas” da edição de hoje de O Globo é verdadeira. Mas uma das notícias em manchete aconteceu, a outra não.
A que aconteceu, não virou nem chamada de capa – aliás, também não saiu na Folha, e não tem a desculpa de que foi tardia a matéria, pois o Estadão a publicou na primeira página.
Claro que meu caro leitor e leitora já sabem que é a informação de que, por determinação do Governo, a BR Distribuidora está praticando os preços justos de comercialização, e não os inflacionados de um “mercado” ávido por lucros extraordinários.
Mas baixar os preços que estão artificialmente inflados, proteger a economia nacional, o cidadão e sustar a contaminação inflacionária de serviços e mercadorias não é algo que ajude a desgastar o governo, ao contrário.
Então, o critério jornalístico é esse: publicar bem discretamente, quase escondido.
Se tivesse ocorrido o inverso, de o Governo pressionar a distribuidora da Petrobras para elevar seus preços e aumentar seus lucros, a outra manchete imaginária só teria um defeito: está pequena e “moderada” demais. Teria, talvez, um rótulo tipo “A inflação explode” e uma referência a “especialistas” prevendo a elevação geral de preços que isso iria provocar.
Outro dia me lembraram de uma piada sobre O Globo, que me ocorreu com essa história.
O Papa João Paulo II visitava o Rio e fazia um passeio de barco pela Baía da Guanabara. O vento forte do mar carregou seu solidéu – aquele chapeuzinho de pano que religiosos usam sobre a cabeça. O governador do Estado, na época, pulou do barco, caminhou sobre as águas, deixando todos boquiabertos, apanhou o solidéu e o devolveu ao Papa.
Manchete de O Globo, no dia seguinte: ‘BRIZOLA NÃO SABE NADAR”
A gente ri, ouve piadas cariocas, mas isso é uma tragédia. Um povo que não pode contar com o mínimo de equilíbrio de seus grandes jornais e emissoras de televisão é um povo condenado a viver submergido na mentira e na manipulação.
Vocês verão que, logo, os figurões do jornalismo de economia estarão todos, como na piada, dizendo que o Governo cometeu uma heresia econômica, que atentou contra o livre mercado, que vai causar prejuízos imensos à Petrobras e seus acionistas. E, claro, dizendo que os combustíveis estão caros por causa da carga tributária, da voracidade fiscal do Governo. Alta ou baixa a carga tributária, lógico que ela não explica a alta dos combustíveis, por uma singela razão: não mudou em nada.
Onde está o jornalismo “investigativo” para acompanhar o que aconteceu com o litro do que saiu da usina  a R$ 1 e chegou na bomba a R$ 2,55? Quem, aonde, como e porque se ganhou tanto neste caminho?
Repito, entristecido: os grandes jornais tornaram-se simples máquinas de propaganda política. O interesse público é nada perto do interesse de criar um estado de ânimo na população que produza o objetivo político – quando não eleitoral – que almejam.

A empresa moderna ou “viva o seu Manoel da Padaria!”


O seu Manoel da Padaria, quando a padaria está com poucos clientes, chama o Zezinho e diz: “olha, Zezinho, eu gosto muito de você, mas você vê que nem as moscas estão vindo aqui na padaria, vou ter de te mandar embora, meu filho, você me perdoe”.
Quando a padaria está “bombando”, ele chama o Zezinho e diz: “escuta cá, tu não tens um irmão ou um amigo que possa vir ajudar no balcão?”
As empresas “modernas” não seguem a lógica do Seu Manoel. A Gol, por exemplo, teve lucro recorde no primeiro trimestre, de R$ 110 milhões, 362% a mais que no mesmo período no ano passado.
A razão? O recorde de passageiros no mercado interno. Aumento de 25,48% em março, depois de outro aumento de 9, 34% num fevereiro sem carnaval. E a Gol tem 39% do mercado interno de passagens aérea. Passagens que, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil aumentaram em até 65%.
Bom, e o que é que faz a Gol diante destes números espetaculares e da avalanche de Donas Regina nos aeroportos? Faz algo que o Seu Manoel da Padaria jamais faria.
Fechou, no primeiro trimestre,  1.100 postos de trabalho. E diz que isso vai economizar R$ 45 milhões para a empresa. Diz que boa parte estava vagas e que “só” cerca de 250 trabalhadores foram demitidos em fevereiro e março, não especifica se a cada mes ou em ambos.
A alegação é que precisa se proteger do aumento dos custos do petróleo. Mas como, se o lucro cresceu 362% e as despesas com combustíveis subiram 21,4%, no mesmo período
Espere aí, o que tem estes chefes de família a ver com este aumento do petróleo? Funcionário não bebe querosene de aviação, quem faz isso é o avião. Vão reduzir o número de vôos, com a passageirada “bombando” nos aeroportos? A taxa de ocupação, em março, foi 70,4%, maior que a do ano passado, que era de 65%, o que já é alto.
Então, em lugar de aumentar sua eficiência, fazer promoções especiais – a Gol sempre foi mestra nisso – a primeira providência é demitir. E piorar a vida dos passageiros.
Bem, o Seu Manoel da Padaria sabe que, com a padaria cheia, mandar o Zezinho embora é aumentar a confusão. E ver que o cliente, olhando a padaria em caos, pode ir parar na padaria do Seu Joaquim.
Mas a Gol, ao contrário do seu Manoel, pode por a culpa no Governo pelo caos nos aeroportos, não é?