Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sexta-feira, 21 de março de 2014

Barbosa processa Noblat por racismo. Começou a vingança…

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Divirjo muitas vezes do jornalista Ricardo Noblat.
Quase sempre, aliás.
Muito menos aprecio a orientação política que ele assume em sua coluna em O Globo e eu seu blog, na mesma empresa.
Não desconheço, também, que ele jamais tomou a defesa de outros profissionais, a que vê serem chamados de ‘blogueiros sujos”, sem que lhes proclame o direito de escrever o que pensam e tanto quanto qualquer outra publicação, merecerem  - na proporção de suas audiências – a destinação de verbas publicitárias.
Nada disso, entretanto, faz deixar de ser absurdo que ele seja denunciado por racismo pelo Presidente do STF, Joaquim Barbosa, por tê-lo censurado por seus modos grosseiros ao agredir verbalmente Ricardo Levandowski.
Por dizer que Barbosa não tem o direito “tratar mal seus semelhantes, a debochar deles” e a “humilhá-los”.
Não tem, mesmo.
Ou que Barbosa teve, na sua indicação para a Corte,o fato de ser negro como elemento de convicção do Presidente Lula para decidir assim.
Foi, e que bom que tenha sido.
Porque significou a ascensão de um negro – como milhões de nossos irmãos – à corte mais alta do País, como é preciso para que esse país comece, um pouquinho, a exorcizar os séculos de discriminação, humilhação e injustiça.
Que Noblat tenha dito que o comportamento de Barbosa é eivado de autoritarismo e recalques, basta ver os espetáculos que ele protagoniza na TV Justiça, ante os olhos de todos.
Ou será que mandar um jornalista ir “chafurdar no lixo” é exemplo de comportamento equilibrado próprio de um magistrado?
Da mesma forma, não é temerário dizer que Joaquim Barbosa sabe do peso com que recai, diante do Ministério Público, uma demanda sua para que se processe alguém.
Noblat talvez seja só o primeiro.
O rancor da derrota final no processo da Ação penal 470, o chamado “mensalão”, já deixou claro, na diatribe final de Barbosa contra seus colegas, onde apontou um “maioria formada sob medida” que iria seguir sua “sanha reformadora”, que aquele era “apenas o primeiro passo”.
Talvez o primeiro passo seja justamente Noblat, a quem, por caminho transverso, se busque punir por no trecho final do julgamento, não ter seguido razões de elevado valor jurídico, como a de dosar penas “sob medida” para evitar a progressão ao regime semi-aberto de determinados presos.
E talvez seja a Noblat uma lição de que os adversários que o enfrentamos com a verve, a ironia e o questionamentos políticos somos muito, muito mais democratas do que aqueles que figuram injúrias para exercer a perseguição.
Porque, afinal, o que se lhe imputa como injurioso é o mesmo – em palavras até mais duras – do que se acusou o jornalista Paulo Henrique Amorim em relação a Heraldo Pereira.
Quando muito, uma ofensa pessoal, não aos negros.
Noblat não achou isso merecedor de defesa
Ainda assim, terá nossa defesa diante de um esgar autoritário.

Dilma das pesquisas vence Dilma que mídia mostra

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Presidente segue soberana nas pesquisa de opinião, acima dos rumores sobre uma suposta perda de pontos; explicação para a manutenção da popularidade de Dilma, apesar de todas as apostas em contrário dos chamados formadores de opinão espalhados pela mídia familiar e tradicional, está nela mesma; o que soa como falta de habilidade política e administrativa nas notícias da imprensa está chegando ao público como sinceridade e objetivo; a cada levantamento publicado desde o início de seu governo a presidente Dilma Rousseff mostra que é bem mais difícil de derrotar do que sugerem tantos comentaristas

20 de Março de 2014 às 20:21
Marco Damiani _ 247 – Com 43% de intenções de votos, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira 20 pelo instituto Ibope, e indicações de sobra para, além de ganhar em primeiro turno, bater qualquer outro adversário num forjado segundo turno, a presidente Dilma Rousseff parece ser duas.
Uma Dilma é, exatamente, a líder popular que jamais perdeu a liderança nas pesquisas desde que assumiu seu mandato, em janeiro de 2011. A figura que, mesmo após as manifestações de junho do ano passado, o máximo que permitiu de esperança aos adversários foi uma remota possibilidade de segundo turno. Nunca uma ultrapassagem. Aquela que o público identifica como patrocinadora de políticas sociais compensatórias e inclusivas, co-responsável pela retirada de 40 milhões de brasileiros da linha da pobreza.
A presidente Dilma Rousseff, enfim, que segue tranquila – de acordo com a ciência das pesquisas, frise-se – para a reeleição.
Outra Dilma é a que surge ao público, diariamente, pela ótica dos veículos da mídia familiar e tradicional. A presidente que não gosta ou não saber fazer política partidária (1); não se entende com o Congresso (2); perde aliados por tratá-los de maneira espartana (3); pilota uma política econômica que sobe juros e é leniente com a inflação (4); confunde e desanima empresários (5); não sabe o que fazer com a crise no setor elétrico (6); ignora assuntos internacionais polêmicos (7); etc etc.
Uma Dilma, portanto, que, de acordo com análises publicadas aos borbotões, estaria cada vez mais isolada no Palácio do Planalto.
Mas à hipotética pergunta 'qual Dilma você considera a verdadeira', a mais recente pesquisa Ibope indica que o público vê muito mais a presidente competente do que a executiva enrolada em dificuldades. A ponto de demonstrar, nas 43% de intenções de voto, que quer mantê-la já em primeiro turno no cargo.
Desta vez, a novidade da pesquisa foi exatamente a de não ter novidade. Nos boatos que cercaram a sua divulgação, capazes de mexer forte no desempenho das empresas estatais na bolsa de valores de São Paulo, a pesquisa Ibope iria mostrar uma queda nas intenções de voto da presidente. Não seria de estranhar. Afinal, o levantamento de campo se deu na semana passada, depois que os pré-candidatos da oposição puderam fazer todas as críticas que bem entenderam ao desempenho da economia no ano passado. E também ao comportamento político da própria presidente. Como se viu pelos 43% dados a Dilma na pesquisa Ibope, porém, nada dessa especulação foi verdade. 
Nem mesmo os reflexos do julgamento do chamado mensalão, o agravamento da violência urbana, a estiagem no Sudeste ou as enchentes no Sul foram capazes de abalar o desempenho de Dilma.  
MOSTRA A CARA - Uma das explicações para a manutenção na popularidade da presidente está em seu estilo. Dilma, como se diz popularmente, dá a cara para bater. Em discursos nos palanques de inaugurações, nas redes nacionais convocadas para pronunciamentos oficiais e na maneira de agir nos bastidores, a presidente vai-se notabilizando por enfrentar os problemas sem subterfúgios. Especialmente aqueles que, em tese, serviriam para proteger sua imagem.
Nesta semana, cujos fatos não influenciaram a pesquisa, fechada anteriormente, a presidente mostrou bem como gosta de agir. Ela respondeu pessoalmente a acusações em off – sem identificação da fonte de informação – publicadas nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Os jornais alegaram ter obtido de diretores da Petrobras informações segundo as quais Dilma teria tido todas as informações necessárias para, em 2006, barrar a compra, pela estatal, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.
Fiel ao seu estilo de não deixar para depois o que pode responder agora, Dilma divulgou uma nota garantindo que o parecer que orientou o conselho de administração da Petrobras foi "omisso" quanto a pontos do contrato, notadamente a cláusula de compra obrigatória em caso de litígio entre sócios, e "juridicamente falho".
Não é a primeira vez que Dilma encara de frente uma questão grave. No início de sua gestão, ela demitiu ministros por suspeitas de malfeitos. Por menos que isso, no oitavo mês de governo, mandou o então ministro da Defesa interromper viagem à Amazônia e voltar imediatamente para ser demitido do cargo. Motivo: em entrevista, ele haia criticado duas das mais próximas auxiliares da presidente, a atual ministra Ideli Salvatti e a ex Gleisi Hoffman.
Não é comum, no Brasil, que os políticos façam o que de melhor se espera deles. Explicações objetivas sobre situações de suspeita ou atitudes diretas para casos de disciplina quase sempre são trocados por pronunciamentos obtusos e posições dúbias. A conciliação é a regra acima do enfrentamento.
Residem no estilo tratoral que Dilma cultiva para si própria – e na suprema realização deu seu governo até aqui, a criação de 4,8 milhões de empregos desde janeiro de 2011 – as explicações para a perfomance superior da presidente sobre seus adversários. A presidente vem ocupando redes de rádio e televisão para falar até mesmo sobre o Dia da Mulher, como fez em 8 de março. Para a oposição, isso é uso do cargo para fins eleitorais. Mas além dos tribunais já terem recusado essa tese, não aceitando nem mesmo a imposição de pequenas multas à presidente, o que mais sobressai é que o povo não indica estar vendo nenhum problema nisso.
A julgar pelos números atuais, o povo gosta sim da Dilma que a mídia não costuma mostrar.

E o boato pariu um rato. Dilma, de lavada, sobre Aécio, Eduardo e Marina

Nas últimas 48 horas, o mercado financeiro e a mídia manipularam dois fatos nada triviais: uma pesquisa eleitoral e a decisão do Fed sobre a taxa de juro nos EUA

Por 48 horas, alardeou-se uma queda fictícia de Dilma no Ibope, lucrando-se nas Bolsas

Da mesma forma, vendeu-se como alarmante a decisão do Fed de só cogitar mexer no juro norte-americano em 2015, e de mantê-lo assim por longo período

Ocultou-se a ênfase por uma boa razão: ela enfraquece o poder de chantagem da fuga de capitais, para obter mais juros aqui

O rentismo odeia a estabilidade; seu alimento é a especulação


Especulação no mercado, sobem as ações e desce o dólar.
Foi só isso que conseguiu a estranhíssima pesquisa Ibope.
ibope2Porque os números foram mortais para a oposição.
Com apenas 3 candidatos, Dilma Rousseff teria 43%, contra 15% de Aécio Neves e 7% de Eduardo Campos.
Se Marina ocupasse o lugar de Eduardo Campos,  Dilma teria 41% , contra 14% de Aécio e 12% da redista.
Com todos os candidatos reais, Dilma tem quase o dobro da soma de todos os outros candidatos.
Bastaria que tivesse 1 voto mais para liquidar a fatura no primeiro turno.
Por enquanto, nada de braçada.
Mas a boataria e seus reflexos no mercado financeiro mostram que há, digamos, “combustível” para alimentar todo o tipo de jogadas.
Querem saber quanto?
Está no Valor:
“Os recibos de ações da Petrobras negociados em Nova York (ADRs, em inglês) caíram fortemente no pós-fechamento do mercado americano, após a divulgação da pesquisa Ibope que mostrou larga vantagem da presidente Dilma Rousseff na corrida eleitoral.Por volta das 19h (horário de Brasília), os recibos lastreados nas ações ordinárias caiam 2,68%, para US$ 11,26, enquanto aqueles com base nos papéis preferenciais recuavam 3,09%, para US$ 11,60. No pregão convencional, os ativos tinham subido 6,15% e 5,37%, respectivamente.”
Está bem claro  a quem Dilma agrada e a quem desagrada?

quinta-feira, 20 de março de 2014

Ibope: Dilma tem 43%, Aécio 15% e Campos 7%

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Acaba de ser divulgada a nova pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial; de acordo com os números do instituto, a presidente Dilma Rousseff tem 43%, contra 15% de Aécio Neves e 7% de Eduardo Campos; no quadro atual, não haveria segundo turno e Dilma venceria com folga no primeiro; pesquisa alimentou onda de especulação no mercado financeiro, gerando fortes altas da Petrobras e de outras estatais na Bovespa; nas simulações de segundo turno, Dilma supera com folga todos os adversários
20 de Março de 2014 às 18:03
247 - O Ibope divulgou nesta quinta-feira sua mais recente pesquisa sobre a sucessão presidencial. Ela aponta a presidente Dilma Rousseff com 43%, contra 15% de Aécio Neves e 7% para Eduardo Campos.
Assim, ela venceria no primeiro turno, com folga.
A nova pesquisa Ibope gerou uma forte onda de especulação no mercado financeiro, provocando fortes altas de ações do setor elétrico e também da Petrobras. Só nesta quinta-feira, a Petrobras subiu mais de 4%, depois de ter subido mais de 3% nos dois pregões anteriores. Especuladores apostavam numa queda da presidente Dilma, que não se confirmou.
O Ibope também pesquisou um cenário com Marina Silva no lugar de Eduardo Campos, o que não geraria grandes alterações. Dilma teria 41%, contra 14% de Aécio e 12% de Marina.
Nas simulações de segundo turno, Dilma supera com folga todos os adversários. Contra Marina, o placar seria de 45% a 21%. Contra Aécio, de 47% a 22%. Contra Campos, de 47% a 16%.
A pesquisa sobre rejeição também foi boa para a presidente. Enquanto Dilma tem uma taxa de 38%, Aécio tem 41%, Campos 39% e Marina, idem.
Ao que tudo indica, especuladores que tentaram manipular o mercado financeiro em razão da pesquisa eleitoral terão ressaca nesta noite.

Vem pesquisa marota ai…Cheiro de armação no ar… Tem boca, couro e rabo de jacaré, e não é jacaré?

jacare
Ontem eu avisei aqui da “pesquisa vinda do nada” registrada pelo Ibope no TSE, sem que ninguém a tivesse contratado, sendo paga”pelo Ibope ao Ibope”.
Pode ser simples boato, mas só haver o boato indica que a  coisa pode ser muito séria. E você pode ajudar, divulgando isso, a reduzir o tamanho da armação.
Deu no Valor, agorinha:

Bovespa sobe mais de 5% na semana ajudada por boato eleitoral

SÃO PAULO  –  Os rumores sobre a pesquisa eleitoral para a Presidência da República seguem pautando os negócios na Bovespa nesta quinta-feira. (…) Mais uma vez, os rumores dão conta de que Dilma Rousseff (PT) teria perdido espaço para Aécio Neves (PSDB) na pesquisa Ibope que será divulgada hoje à noite no Jornal Nacional, da TV Globo. Uma eventual derrota de Dilma é bem vista pelo mercado por conta do perfil intervencionista da atual presidente em diversos setores, como o elétrico e o bancário, o que vem desagradando os investidores.
Já há uma ala no mercado especulando que Dilma poderia deixar de ser candidata à reeleição, abrindo espaço para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrasse na disputa em seu lugar como candidato do PT.
Semana passada, sob os olhos de um governador do PSDB, armou-se no Tocantins um protesto de pessoas que teriam ficado insatisfeitas porque um conjunto do Minha Casa Minha Vida teria recebido menos benfeitorias que outro.
Hoje, em Belém, com outro governador do PSDB, um grupo de 40 pessoas, em meio a 600,  produziu um cenário de vaias para a televisão. Na verdade, Jatene foi muito mais vaiado, mas a notícia é e  será a vaia a Dilma.
A conversa diante do caso requentado da refinaria de Pasadena ocupa o noticiário político.
Alckmin empurra a crise de água em São Paulo no colo do governo federal.
E a turma dos ingênuos achando que tudo está uma maravilha.
Só mesmo querendo ser bobo para acreditar que não tem armação…
Mas tem gente que se acha muito esperta que acredita que isso não é.
Eu aprendi com um sujeito que falava assim: tem boca de jacaré, tem couro de jacaré, tem rabo de jacaré, como é que não é jacaré…

Dirceu: Veja trabalha "a serviço da ilegalidade"

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Equipe do blog do ex-ministro publica posicionamento sobre matéria de capa da última edição da revista;

segundo o texto, debate sobre "supostas regalias" na prisão "é ancorado em uma série de boatos sensacionalistas com claro objetivo de mantê-lo preso ilegalmente"; acusações na matéria "são exemplos de um antijornalismo" e servem de "pretexto" para o Ministério Público pedir a transferência (ilegal) dos presos para penitenciárias federais, prossegue nota; blog diz ainda que circunstâncias que tentam mostrar privilégio são "frágeis" e "sem fundamento"
20 de Março de 2014 às 11:01
247 – A equipe do blog de José Dirceu publicou nesta quinta-feira 20 um posicionamento sobre a matéria de capa da última edição da revista Veja, que trata de supostas "regalias" ao ex-ministro, que está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. O texto em defesa de Dirceu diz que a reportagem baseia um debate "ancorado em uma série de boatos sensacionalistas com claro objetivo de mantê-lo preso ilegalmente" e serve de pretexto para que o Ministério Público peça a transferência dos detentos condenados na Ação Penal 470 para presídios federais – algo que seria ilegal, uma vez que eles foram condenados ao regime semiaberto.
Leia abaixo a íntegra do texto:
Sensacionalismo a serviço da ilegalidade
O debate que se criou a respeito das 'supostas regalias' ao ex-ministro José Dirceu na Papuda, especialmente após a reportagem de capa de VEJA, é ancorado em uma série de boatos sensacionalistas com claro objetivo de mantê-lo preso ilegalmente, em descompasso com o que diz a Lei de Execuções Penais.
As acusações são exemplos de um antijornalismo, que fere direitos e a própria Lei e busca inflar a opinião pública e a própria população carcerária contra José Dirceu e outros réus da AP 470. Tem ainda um desdobramento gravíssimo: serve, agora, de pretexto para o Ministério Público pedir a transferência de todos para um presídio federal. Enquanto se debatem e investigam boatos e inverdades, retarda-se a análise do pedido para que o ex-ministro possa trabalhar fora do presídio.
A reportagem de VEJA, encampada por outros veículos, recorre a supostas fontes anônimas, distorce e manipula informações para desferir novos ataques ao ex-ministro. O sigilo de fontes – instrumento fundamental e legítimo do jornalismo – é usado sem freio, apenas para sustentar versões fantasiosas sobre a rotina de Dirceu na prisão. Não há fatos concretos, documentos ou fontes que sustentem as denúncias. Muito do que também apresentam como provas de regalias sequer seria ilegal e, em alguns casos, constituem direitos assegurados pela lei. Ou seja, quem escreve sequer se dá ao trabalho de entender a legislação. Compreensível, já que seu objetivo é o puro sensacionalismo.
Vejamos o que diz a legislação. O artigo 41 da Lei de Execuções Penais, inciso VIII, é claro ao dizer que, entre os direitos do preso está o de "proteção contra qualquer forma de sensacionalismo". A publicação de fotos de Dirceu no interior da prisão feita pela revista VEJA e a construção midiática mentirosa de sua rotina na cadeia por si só já demonstram a violação da lei. Sob pretexto de denunciar um suposto desrespeito à lei por parte do ex-ministro, a publicação apenas atropela a lei – o que, admitimos, não é novidade alguma.
Entre os boatos ou circunstâncias apontadas como regalias, muitas saltam aos olhos de tão frágeis. Uma delas é a de que Dirceu passaria o tempo lendo na biblioteca, para reduzir a pena. O ex-ministro não lê na biblioteca. Ele trabalha no local, organizando os livros e limpando o ambiente. A Lei de Execuções Penais permite que os presos, sobretudo aqueles em regime semiaberto, trabalhem e estudem. O trabalho de Dirceu na biblioteca do presídio está absolutamente amparado pela legislação.
Também não tem fundamento – e para saber isso nem precisava esforço jornalístico – a informação de que ele lê para reduzir a pena Tal benefício não é uma garantia assegurada. A remição de pena por meio de leitura de livros não está regulamentada em portaria no Distrito Federal. O assunto está em estudo na Vara de Execuções Penais. Cada unidade da Federação tem regulamentado o benefício por parâmetros próprios.
Entre as distorções praticadas, está a de que o ex-ministro teve o privilégio de ser atendido por um podólogo. A indicação do tratamento foi feito pela enfermeira responsável por seu atendimento no presídio. Não custa lembrar que os cuidados com a saúde é uma das primeiras garantias previstas em lei. Diz o artigo 14: "A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico". Mais adiante, o artigo 43 prevê; "É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento."
O escândalo armado em torno de visitas de autoridades e advogados só pode existir também por desconhecimento da lei – que permite tais visitas – ou por pura má fé. Também é igualmente fantasiosa a versão de que Dirceu está numa cela com "características especiais". A cela, dividida com outros detentos, tem 24 metros quadrados e um banheiro, aberto por sinal.
Não distante desses delírios, também está a informação de que uma "ala de luxo" estaria sendo construída no Complexo da Papuda para abrigar os réus da AP 470. O local está sendo reformado para abrigar outros internos que trabalham no Complexo Penitenciário da Papuda.

Quem vai mover as turbinas do Brasil?


Na Inglaterra, astros e estrelas das artes e do esporte assinam manifesto pela autorregulação da mídia, decidida após os crimes cometidos pelo grupo Murdoch

 No Brasil, certa revista semanal já foi muito além das práticas murdochianas, mas os astros e estrelas silenciam

 A ortodoxia reclama que o Brasil não cresce. Mas os países que mais cresceram são justamente os que não respeitam o tripé ortodoxo.

 Olimpíada em 2016 custará R$ 7 bi ao Brasil; será integralmente bancada por quatro grandes patrocinadores internacionais e outros locais. Alguém sabe disso?, pergunta a empresária Luiza Trajano


 No momento em que sábios tucanos apresentam a abertura do país como panaceia para o investimento, uma empresa brasileira sugere que o caminho é mais complexo.

por: Saul LeblonArquivo





No momento em que o declínio industrial do país se transformou em preocupação dominante da agenda econômica, uma reportagem publicada na Revista Exame, de 9 de março último e outra do dia 10 de março, na ‘Defesa Aérea e Naval’, revista on line especializada em assuntos de Defesa, criada pelos jornalistas Guilherme Wiltgen e Luiz Padilha, chamaram a atenção de Carta Maior.

As matérias davam conta de que a Polaris, empresa de ex-engenheiros do CTA/ITA , de São José dos Campos (SP), desenvolveu uma micro turbina para mísseis, que teria despertado o interesse de fabricantes internacionais de armamentos, graças às inovações que apresenta.

A tecnologia reúne, ademais, densidade de conhecimento suficiente para credenciar o Brasil no seleto clube dos fabricantes mundiais de turbinas aeronáuticas, dominado por um número muito reduzido de corporações gigantes.

A notícia transcende a aparência técnica.

Emoldurada pelos desafios que cercam a agenda do desenvolvimento, ela remete às escolhas que contrapõe projetos distintos, destinados a resgatar a eficiência e a competitividade da industrialização brasileira no século XXI.

O papel do Estado nesse resgate é um divisor de águas.

Em que medida a sua ausência é compatível com o financiamento e o ganho de escala reclamado por projetos com o potencial daqueles desenvolvidos pela Polaris, por exemplo?

A opinião do conservadorismo sobre o assunto ganhou uma importante síntese na entrevista concedida pelo economista Edmar Bacha, formulador do programa do candidato Aécio Neves, ao ‘Estadão’ do último domingo.

Na listagem dos ingredientes que compõe o problema há convergências entre o que diz o dirigente da Casa das Garças e a visão progressista.

A saber: a) o país enfrenta uma perigosa erosão de suas cadeias industriais; b) não é uma corrosão recente, mas remonta aos últimos 30 anos, sendo a defasagem cambial um elo comum ao período; c) sua persistência evidencia a dificuldade de se avançar de uma economia de renda média para um padrão de renda alta, capaz de associar eficiência e empregos de qualidade; d) não há mais como crescer pela expansão do emprego e do consumo, sem girar em falso numa engrenagem esgotada; e) o salto da produtividade industrial é o grande desafio de um novo ciclo de crescimento mais robusto; e) esse ganho não se dará sem uma integração maior da economia brasileira nas grandes cadeias globais de suprimento e inovação, nas quais predominam as trocas intraempresas e entre grandes empresas.

Até aí, estamos na descrição morfológica do enigma.

Vencida a fase alegre dos consensos, a polaridade se recoloca quando se trata de responder à questão: quem comandará o desbaste dos gargalos? Que forças podem e devem impulsioná-lo? Que diferença faz a escolha de um ou de outro protagonista?

Edmar Bacha é sincero na antecipação de seu olhar: ‘Não é segredo para ninguém que sou tucano", diz ao Estadão; em seguida, dispara a consequência disso na forma de uma diretriz schumpeteriana: um novo governo –tucano como ele-- vai impor um "desfazimento" da atual política macroeconômica e lançar as bases para uma abertura comercial contundente e de longo prazo, diz o interlocutor preferencial de Aécio Neves.

O ‘desfazimento’ e a nova abertura dos portos tem alvos e consequências apreciáveis.

Inclua-se aí o desmonte da tentativa de se construir uma política industrial com a participação ativa do Estado no financiamento à integração de grandes empresas nos mercados globais.

Entenda-se, ainda, a implosão da estratégia de integração sul-americana, em benefício de uma abertura comercial de pedigree assumidamente liberal, a exemplo do que pretendia a Alca.

E, finalmente, a pedra de toque desse tabuleiro: a redução do famigerado ‘Custo Brasil’ – panaceia negativa na qual cabem todos os males do país, mas que no fundo esconde o indisfarçável desejo de quebrar a espinha dorsal dos assalariados, com uma purga de arrocho nos holerites, a partir do salário mínimo, e cortes de direitos sociais expandidos pelos governos do PT.

O arrocho tem sentido funcional e político.

O objetivo é lubrificar a adesão das empresas à derrubada das tarifas externas, compensando-as duplamente com o corte nas folhas de pagamento e o ajuste no câmbio.

Fecha-se o círculo do ‘desfazimento’ neoliberal : de um lado, o barateamento das exportações; de outro, o encarecimento das importações. E o Brasil voltaria a deslizar como um corisco na pista do crescimento virtuoso.

Parece lógico.

A que custo?

O conservadorismo é perito no manejo de variáveis descarnadas da dimensão histórica que lhes é indissociável .

Embaralhados os ingredientes assim, higienizados de sua dimensão temporal, salta-se com ligeireza das preliminares para se atribuir aos ‘livres mercados’ a tarefa de conduzir a transição da economia para uma nova quadra de expansão e competitividade.

A narrativa tecnocrática subtrai o papel e o contrapeso do Estado na delicada ordenação de ganhos, perdas e prazos ensejados nessa transição ; engole, ademais, a alternativa histórica de substituir a carta branca aos mercados pela negociação política de um novo pacto para o desenvolvimento.

Não por acaso, a formalidade lógica de Edmar Bacha assenta-se em uma omissão ainda mais grave e abrangente: sua explanação ignora a ação devastadora dos ditos mercados racionais na origem da crise mais grave do capitalismo desde 1929.

Ou não terá sido o colapso de 2008 um filho legítimo da mesma cepa a que pertencem as propostas tucanas destinadas a salvar a economia do ‘anacronismo’ lulopetismo e dos ‘desenvolvimentistas’ da Unicamp –como alfineta Bacha ao desdenhar de ‘uma certa universidade do interior paulista’?

Conviria ao PSDB esclarecer por que a crise não aparece –ou não cabe—no modelo de ‘desfazimento’ do Brasil.

Um pedaço da resposta talvez esteja na predileção dos sábios de bico longo pelo universo fabular dos mercados regidos por leis isonômicas, a salvo das manipulações de interesses e isentos da rapinagem gananciosa dos circuitos financeiros.

A realidade é um pouco mais adversa.

Um dado resume todos os demais: 25% dos recursos do sistema financeiro mundial flutuam hoje à margem de qualquer regulação do Estado e dos organismos internacionais.

Estamos falando de um volume de capital fictício equivalente ao PIB mundial, autoinvestido de poderes para acuar governos, interditar debates (com a ajuda dos esquadrões midiáticos aliados), atropelar políticas de desenvolvimento e esfarelar programas consagrados nas urnas.

O fato adicional de que se vive sob as rédeas de um sistema monetário em estado de decomposição, mas ainda arbitrado pela supremacia do interesse norte-americano, parece alterar muito pouco a disposição tucana de atribuir à abertura dos portos um papel multiuso na superação dos desafios brasileiros.

Tudo se passa como se o objetivo ao qual se busca integrar o país fosse uma equação perfeita, dotada de poder curativo de largo espectro e geométrica harmonia entre as partes.

Um lego amigável, feito de peças complementares.

Somente um devaneio desse calibre justificaria a intenção expressa de renunciar ao papel do Estado no acirramento da guerra de posições em curso no ambiente belicoso dos mercados globais.

Se quiser avaliar a realidade concreta da pressão na caldeira, a inteligência abrigada na Casa das Garças deveria, por exemplo, atentar para a disputa fraticida entre grandes corporações globais, subjacente a um episódio que lhe é familiar: o propinoduto no metrô de São Paulo.

Um olhar isento chegaria facilmente à conclusão de que, ademais dos apetites de bolso , existe uma compulsão estrutural a exigir da indústria um desempenho lucrativo equivalente ao do mercado financeiro, de resto dificilmente realizável sem um mergulho no vale tudo que teria marcado duas décadas de licitações do PSDB em São Paulo. E isso, de fato, é apenas um exemplo.

Nenhuma macroeconomia determinada a resgatar o papel irradiador da produtividade industrial pode ignorar o peso adquirido pela condicionalidade financeira na luta pelo desenvolvimento no século XXI.

Mais que isso.

Não pode prescindir do amparo estatal no superlativo esforço de disciplinar os fluxos de capitais para induzir a composição das grandes massas de recursos produtivos demandadas pela escala competitiva global.

O que seria do Brasil se as turbinas tucanas alçassem o poder novamente impulsionadas pelo menosprezo olímpico a esses parâmetros de voo do nosso tempo?

Que destino amargaria uma empresa brasileira como a Polaris, embarcada nesse comboio?

No dia 13 de março, fruto da repercussão das matérias da Exame, mas principalmente da Revista Defesa Aérea & Naval, os sócios da Polaris, ex-engenheiros do CTA/ITA, receberam em suas instalações, na cidade de São José dos campos, São Paulo, uma comitiva do Ministério da Defesa para conhecer a audaciosa aposta de quem pode credenciar o Brasil ao seleto clube dos cinco ou seis fabricantes mundiais de turbinas aeronáuticas.

O passaporte dessa travessia, a TJ-1000, uma turbina utilizável em mísseis de longo alcance e drones, reúne conhecimento e tecnologias suficientes para, em pouco tempo, com verbas adequadas, desdobrar-se em uma versão de grande porte para uso em aeronaves comerciais e inúmeras outras finalidades civis, inclusive geração de energia, como informa o site da empresa.

Além dessa, outra turbina já se transformou em realidade na Polaris: a TJ200, que pesa menos de 10 Kg e tem apenas 16cm de diâmetro. Mas pode impulsionar um míssil de 230 Kg, num voo de 250 km de distância, com apenas 39 litros de combustível.

O Engenheiro Alberto Carlos Pereira Filho, Presidente da Polaris, explica que todo o processo de desenvolvimento e certificação internacional de uma turbina para aviões comerciais custa dezenas de milhões de dólares. O projeto leva anos; é impensável sem um apoio efetivo do setor estatal.

Foi por isso que a Polaris optou, inicialmente, por uma versão de menor complexidade, com investimentos de R$ 4,5 milhões, via Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

Vencida a barreira do conhecimento e, com dois anos de testes, a TJ200 é a primeira turbina aeronáutica de pequeno porte a entrar em produção num mundo cada vez mais receptivo ao seu uso civil.

’A disseminação de drones para serviços de correio’, exemplifica Klein, ‘vai acelerar a adequação desses equipamentos a esse uso -- a exemplo do que deve ocorrer também na agricultura, nas operações de pulverização e controle’.

Só há uma empresa, a francesa Turbomeca, que fabrica um produto similar ao desenvolvido pela Polaris.

Mesmo com esses trunfos, o Estado brasileiro demorou a prestar atenção no potencial de um projeto que já acumula contratos preliminares para a exportação de 100 unidades para a Europa.

O salto para disputar o mercado de aviões comerciais está nas mãos do governo, insiste Klein.

‘Recentemente’, exemplifica, ‘o Brasil assinou um contrato para o primeiro avião a ser fabricado 100% dentro da Unasul; a turbina prevista é de origem russa.

Poderíamos ter acoplado ao projeto o desenvolvimento de uma tecnologia própria’, lamenta.

O mesmo pode ser dito em relação à tecnologia desenvolvida pela empresa para turbinas à gás, destinadas à geração de energia. ‘Seu desempenho’, assegura Alberto, ‘é superior aos modelos existentes no mercado mundial, impróprios para combustíveis de baixo poder calorífico’.

A tecnologia brasileira, ao contrário, utilizaria gases que hoje são desperdiçados, queimados e lançados diretamente na atmosfera, a exemplo das emissões liberadas nos aterros. ‘São apenas dois exemplos de oportunidades à espera de uma política estratégica de Estado’, diz o dirigente.

A visita do Coronel Fábio Eduardo Madioli e do Comandante Eduardo Pinto Urbano, representantes do Ministério da Defesa, à Polaris, na semana passada, pode ser um sinal de que esses equívocos começam a ser retificados por uma nova disposição dentro do governo.

Se assim for, será uma auspiciosa ruptura com a lógica embutida nos planos na candidatura tucana, mas não com a receita de adensamento tecnológico adotada pelas maiores economias industriais do planeta.

Caso dos EUA, por exemplo, cuja bilionária política de encomendas do setor militar constitui a principal alavanca de impulsão tecnológica do país.

Ainda hoje, o orçamento militar norte-americano figura como o maior sistema de encomendas públicas e de incentivo à inovação do mundo.

A tal ponto que Estado autoriza margens de preferência de até 50% nas compras do Exército --ou seja, as compras bilionárias das Forças Armadas dos EUA privilegiam empresas locais, mesmo que o seu preço seja até 50% superior ao similar importado.

Pelo menos até a crise de 2008, mais de 30% dos gastos dos EUA com pesquisas correspondiam a recursos canalizados a empresas inovadoras recurso para o desenvolvimento de novas tecnologias e uma escala de compras compatível com a sua sustentação comercial.

Uma dessas linhas de fomento, a Small Business Innovation Research Program, foi a estufa onde floresceu a Microsoft.

A centralidade de uma política industrial soberana, portanto, não é um mero fetiche da esquerda. Tampouco um anacronismo ideológico da Unicamp , como quer a soberba tucana.

Trata-se de um trunfo indispensável à irradiação da produtividade sistêmica, sem a qual não haverá excedente econômico para ampliar direitos sociais, empregos de qualidade e salários dignos.

Para que cumpra essa função ela terá que ser tutelada pelo interesse público.

A indução estatal não esgota o duplo desafio de conciliar a construção de uma democracia social no Brasil com a inserção de sua economia nas grandes cadeias globais.

Mas figura, por assim dizer, como a chave-mestra das escolhas que vão decidir se o país logrará se reposicionar no século XXI como uma economia dotada de turbinas próprias, ou como figurante caudatário, a turbinar interesses alheios.

A Petrobras é o alvo do ódio, mas fingem que a defendem

p58
Impressionante como a elite brasileira se traveste.
Agora, são os campeões da eficiência e da lucratividade da Petrobras.
Eles, que até outro dia gritavam que a gasolina brasileira era uma das mais caras do mundo,  agora defendem o aumento do preço dos combustíveis, já e já.
Tudo uma grande encenação, como no editorial de O Globo, hoje.
Saúda a presidente da empresa por  ”ter dito” o que não disse, que a empresa passaria para segundo plano as aquisições de componentes, serviços e navios no Brasil.
Que estão, orgulhosamente, indo um a um para seus postos de combate por nossa independência, como foi, ontem, a P-58, a da foto lá de cima, feita lá na ponta do Brasil, no porto do  Rio Grande para começar a tirar 180 mil barris por dia, do pré e do pós-sal.
E O Globo, que não gosta disso, vai se fazendo de bonzinho, vai indo, vai indo, elogia daqui, dali…
E chega ao ponto:
“Espera-se que a mesma visão crítica de Foster (Graça, a presidenta da Petrobras) abranja o anacrônico monopólio criado por estatistas para a empresa ser hegemônica na operação nos campos do pré-sal, e os 30% cativos nos consórcios na área”.
Bingo!
Os grandes amigos da Petrobras querem que ela, coitadinha, largue os 30% garantidos que tem do pré-sal…
Pra quê, não é?
Aquele petróleo sujo, lá tão fundo, que exige investir e, durante algum tempo, aumentar dívidas e reduzir dividendos de acionistas, para que amanhã possa render muito…
Vamos deixar para as multis, não é?
Vamos ganhar os royalties, os dividendos serão bons porque não se investe nada, tudo ficará bem.
E o Brasil continuará pobre, embora com ricos cada vez mais ricos na lista da Forbes.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Combate ao Marco Civil da internet é caso de polícia




Não é preciso ser um gênio da computação ou dos negócios para entender o que está dificultando a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei do Marco Civil da internet. É hora, pois, de alguém explicar a questão em linguagem bem simples e chamar as coisas pelo nome.
O governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei que regulamenta o provimento de acesso à internet no Brasil. Antes de mais nada, esse marco regulatório é uma garantia para a sociedade de que o intenso processo de inclusão digital em curso no país não será dificultado.
O que pode dificultar fortemente esse processo é o encarecimento do acesso à internet e a quebra da neutralidade na rede, ou seja, o aumento do custo de hospedagem de sites. Para a blogosfera independente, por exemplo, a quebra da neutralidade seria mortal.
Como signatário de um site – este Blog, em verdade, é um site como o UOL, G1 ou qualquer outro –, digo que qualquer aumento no custo de hospedagem inviabilizaria meu trabalho, pois mal consigo suportar esse custo como está hoje.
Quem quer dificultar a vida dos brasileiros na internet são as ditas “teles”, as empresas provedoras de acesso ou de hospedagem de sites. E não é por maldade que essas empresas – em boa parte transnacionais – querem isso. É por lucro, claro, mas é, também, por interesses políticos.
Em primeiro lugar, a inclusão digital é uma ameaça aos tentáculos mais vorazes do capitalismo. As vozes dissonantes que a internet permite que pela primeira vez na história possam se fazer ouvir em qualquer parte e a baixo custo ameaçam àqueles que mantém este país tão desigual.
Ainda nesse aspecto político, a concorrência que blogs, sites e redes sociais fazem à mídia tradicional é uma pedra no sapato dela. Pense bem: que diferença há hoje entre acessar o portal UOL ou outros grandes portais e acessar um blog como este?
A velocidade de acesso é igual, o custo para acessar é igual. Só o que separa um site como este de um site como o UOL é o conhecimento desse site pelo público. Mas como a blogosfera é vasta, todo o público de um grande portal conhece ao menos um bom grupo de blogs e sites independentes.
E há outra questão. As reclamações do serviço das operadoras de acesso à internet são muitas. Essas empresas não entregam a velocidade de acesso contratada e o governo vem obrigando a que cumpram suas obrigações contratuais.
Essas empresas, para cumprir os contratos que descumprem, têm que fazer investimentos. Adivinhe, leitor, de onde querem tirar esses recursos para investir… Do seu bolso, claro. E, creia-me, sem garantia de que, agora, cumprirão o que prometem.
A função do Congresso deveria ser defender os brasileiros da esperteza dessas empresas e dos interesses políticos dos grandes meios de comunicação que não querem blogs, sites e redes sociais contradizendo suas “verdades”. Contudo, há um blocão de deputados fazendo o jogo dos tubarões.
Todos os especialistas sérios em internet defendem o Marco Civil que o governo está propondo. Inclusive, defendem um ponto desse marco regulatório do qual o governo está abrindo mão na tentativa de aprovar, pelo menos, a neutralidade na rede.
O ponto que o governo está negociando é a obrigatoriedade que pretende impor às teles para que mantenham os dados dos internautas brasileiros no Brasil. Isso, após a descoberta da espionagem dos EUA, parece uma medida mais do que lógica. Mas, pasme-se, há deputado que não quer.
E há muito deputado que tampouco quer neutralidade na rede, veja só.
Ora, ora, ora… A pergunta é, simplesmente, por que.
Como é possível que representantes eleitos pelo voto popular atuem contra o interesse do internauta brasileiro e em favor de empresas de telecomunicações – inclusive e sobretudo – de origem estrangeira? O que há por trás dessa conduta?
Vamos chamar as coisas pelo nome, caro leitor? Então vamos: o que tem por trás dessa conduta desses deputados é uma coisinha chamada suborno. É isso aí: as teles só podem estar subornando deputados. Não tenho provas, mas não pode ser outra coisa.
Contudo, falta de provas não é nada que uma boa investigação da Polícia Federal não resolva. Os deputados que estão atuando contra o interesse da sociedade por certo têm motivo$ muito forte$ para agir como estão agindo. Motivo$ que uma boa investigação poderia detectar.
***
Assista, abaixo, a uma dramatização do que ocorrerá com a internet no Brasil caso o blocão das teles consiga acabar com a neutralidade na rede e com a proibição de “fatiamento” em “pacotes” do acesso a essa rede.
* Dica do leitor Lucio


Matéria da TV dos Trabalhadores (TVT) sobre a interpelação de Gilmar Mendes

A revolução que não sai no jornal

Há uma revolução em marcha nos bastidores da sociedade venezuelana. Uma revolução pelo livro, ancorada em uma rede de editoras e livrarias públicas.

por: Saul Leblon

Divulgação



















 
Que uma feira de livros inaugurada em Caracas, na semana passada, tenha atraído tanto ou mais público que um protesto contra Cuba marcado para o mesmo dia, pode soar estranho ao discernimento de quem se informa apenas pela mídia conservadora.

Mas foi exatamente o que sucedeu na última sexta-feira, como relata o economista Pedro Silva Barros, que passa a colaborar com Carta Maior diretamente da capital venezuelana.

Seu oportuno texto de estreia (leia nesta pág.) informa não apenas que –pasmem-- existem venezuelanos mais interessados em literatura do que em rejeitar a parceria cubana nas áreas da saúde, educação etc.

O inusitado, quando se toma a emissão conservadora como norma, é mais amplo e profundo.

Pedro Silva Barros relata a existência de uma verdadeira revolução silenciosa nos bastidores da suposta conflagração irreversível da sociedade venezuelana, sugerida pelos despachos que o ‘jornalismo isento’ envia ao Brasil.

Erradicado o analfabetismo em 2005, feito atestado pela Unesco e graças à estreita cooperação entre Havana e Caracas, o governo venezuelano cuida de baratear o acesso à literatura, expandindo uma rede de livrarias públicas e semeando editoras pelo país.

Uma delas, informa Pedro Barros, a Editorial El Perro y la Rana, já reúne um catálogo de mais de 4.300 títulos.

A malha de livrarias públicas --Librerías del Sur, inclui lojas em todos os estados. A venda de livros subsidiados em locais de grande circulação pública, como estações do metrô, tornou-se trivial.

Não há notícia de ‘dirigismo autoritário’ na política editorial. A menos que se inclua nessa pauta conservador a distribuição gratuita de um milhão de exemplares de Don Quixote de La Mancha, obra-prima da literatura mundial, cujo quarto centenário foi festejado assim pelo então Presidente Chávez.

Essa revolução se entrelaça a outra, a do acesso à educação superior na Venezuela: o país tem cerca de 28 milhões de habitantes e dois milhões de universitários (o Brasil tem sete milhões para uma população de 190 milhões).

Nada disso diminui nem desmente a existência de uma polarização política nesse momento, extremada pela radicalização de uma parte da oposição venezuelana, e que já fez 29 vítimas fatais dos dois lados.

O que esses relatos ajudam a entender é por que um governo que teria contra si uma sociedade integralmente dilacerada, como ensina o martelete conservador, não caiu até agora .

A dificuldade de se obter maior transparência no noticiário relacionado aos conflitos e disputas vividos naquele país –razão do novo nome incorporado à equipe de colaboradores de Carta Maior-- fala diretamente ao momento brasileiro.
Não se trata de equiparar a radicalidade , nem os desafios contidos na agenda venezuelana.

Trata-se de chamar a atenção para o decisivo papel da informação plural quando do que mais se necessita é dotar a agenda do desenvolvimento de um razoável grau de coerência, que permita concentrar energias em processos e prioridades de interesse da maioria da população.

Essa é uma das mais delicadas operações da democracia: assegurar que o embate político gere a força, a legitimidade e o consentimento necessários à aglutinação das grandes maiorias requeridas às transições de ciclo histórico.

O oposto disso é o golpe. A crispação neoudenista. O comportamento vergonhoso de uma mídia que, à falta de cardápios defensáveis dedica-se a denunciar supostos privilégios no do ex-ministro José Dirceu.

Escandaliza-a a hipótese de que o ex-ministro possa, digamos, ter devorado um Big Mac na Papuda, mas não a sua retenção ilegal em regime fechado, depois do direito assegurado ao semiaberto.

Qual o passo seguinte dessa espiral da exasperação?

Aquilo que o conservadorismo brasileiro não hesitou em acionar há 50 anos.

Quando se viu na iminência de ceder espaço à hegemonia em formação em torno das reformas de base propostas por Jango, (como ficou documentado em pesquisas do Ibope, só recentemente divulgadas), golpeou a democracia a propósito de defendê-la.

É impossível exagerar a importância da mídia no processo de desenvolvimento de uma sociedade.

De qualquer sociedade. Mas sobretudo daquelas que, a exemplo da Venezuela, Brasil, Argentina, entre outras, vivem nesse momento a inflamável confluência de uma dupla travessia.

Ela inclui reformar o motor de desenvolvimento em meio à habitual escassez de recursos, agravada pela reordenação da economia mundial .

O conjunto estreita adicionalmente a margem de manobra do Estado para gerir as dilacerantes contradições do capitalismo na América Latina.

A alternativa ao golpismo é a repactuação política da agenda do desenvolvimento.

Seu requisito básico é facultar à sociedade o acesso a dados e análises que lhe permitam assumir o comando do seu destino.

Se nem o florescimento editorial na Venezuela é informado por aqui, o que esperar das questões mais agudas --e as graúdas- que envolvem as escolhas do desenvolvimento brasileiro?

terça-feira, 18 de março de 2014

Krugman vê Brasil: "não é vulnerável faz tempo"

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Economista Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008, passa o trator sobre avaliações pessimistas e previsões catastrofistas para a economia brasileira; "O Brasil saiu da crise mundial muito bem e não se justificam preocupações com sua economia", disse; colunista permanente do jornal The New York Times, ele participou de seminário promovido pela revista Carta Capital; "O Brasil não é vulnerável há muito tempo", cravou ele, citando reservas internacionais de US$ 360 bilhões e PIB superior a US$ 2 trilhões
18 de Março de 2014 às 16:43
247 - Economista, colunista permanente do jornal The New York Times e figura central no debate mundial, Paul Krugman tem algo que seus colegas de comentários não têm: um prêmio Nobel de Economia, ganho por ele em 2008, em razão de suas pesquisas sobre a nova geografia econômica mundial. O que ele fala se torna referencial.
Pois Krugman acaba de, aqui mesmo no Brasil, passar o seu trator sobre as atuais análises pessimistas e projeções catastrofistas sobre a economia brasileira. Atacando de frente uma palavra usada em relatório do Federal Reserve (Fed) sobre o País, o economista não fez rodeios:
- O Brasil não é vulnerável há muito tempo, disse Krugman nesta terça-feira 18, em São Paulo, durante seminário promovido pela revista Carta Capital.
- O Brasil saiu da crise mundial muito bem e não se justificam preocupações com sua economia, frisou. Para ele, o País apresenta um desempenho muito bom da economia, em meio à crise internacional. "Há maior confiança no País de que política fiscal será mais responsável", apontou. Ele destacou que a dívida externa do País, "perto de US$ 300 bilhões", não é mais um fator importante no caso do País, pois o PIB brasileiro é bem maior, pouco acima de US$ 2 trilhões, e o País possui reservas próximas de US$ 370 bilhões.
- Além disso, o País tem hoje uma menor exposição em dívida denominada em moeda estrangeira, detalhou.
Os problemas, segundo o premiado com o Nobel, estão em outra parte do mundo.
- Estou preocupado com um choque na economia chinesa, mas não seria catástrofe, analisou. "Como proporção do PIB no país, os investimentos atingem 50% e o consumo das famílias chega a 30%. Essa proporção precisa inverter".
Krugman criticou a manutenção do uso da expressão Brics para juntar, num mesmo saco, países como China, Brasil, Índia e Rússia.
- O conceito Brics é muito peculiar. Ele representa um conjunto de países que não têm semelhanças, refletiu.
Procurando corrigir o que considera ser o rumo errado do mercado, Krugman disse que, com Janet Yellen na presidência do Fed, os juros nos EUA tendem a continuar baixos.
- Yellen quer manter a taxa de juros bem baixas por muito tempo. Os mercados estão errados", comentou. "A política de afrouxamento quantitativo foi uma decepção como política monetária, disse, ressaltando que ela não ajudou a fortalecer o consumo norte-americano nos últimos anos.

Dines reforça: Veja cometeu crime de imprensa

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Jornalista e titular do Observatório da Imprensa, Alberto Dines diz que matéria de capa que aponta regalias a José Dirceu na prisão não é reportagem, "é pura cascata", que mistura "altas doses de rancor" com "velhacaria em oito páginas artificialmente esticadas e marombadas"; segundo ele, a revista cometeu "abuso de poder, invasão da privacidade e, principalmente, um torpe atentado ao pudor e à ética jornalística"; para ele, jogada invadiu a seara da "formação de quadrilha, ao confirmar-se que o autor da peça (o editor Rodrigo Rangel) não entrou na penitenciária e que alguém pagou uma boa grana aos funcionários pelas fotos e as, digamos, 'informações'"
18 de Março de 2014 às 17:21
247 - A capa da última edição da revista Veja foi alvo de mais uma crítica, desta vez por parte do renomado jornalista Alberto Dines. Em artigo publicado no Observatório da Imprensa, ele diz que a publicação da Abril cometeu "abuso de poder, invasão da privacidade e, principalmente, um torpe atentado ao pudor e à ética jornalística" no texto que aponta regalias a José Dirceu na prisão. Matéria tem "altas doses de rancor", acrescenta. Leia abaixo:
Novo surto de vale-tudo
Por Alberto Dines em 18/03/2014 na edição 790
Na tarde de 12 de abril de 2011, em aula da primeira edição do Curso de Pós-Graduação em Jornalismo, da ESPM-SP, Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da Veja, na condição de professor-convidado, declarou, para espanto dos 35 alunos presentes: "Tratamos o governo Lula como um governo de exceção". Na capa da última edição do semanário (nº 2365, de 19/3/2014), o jornalista ofereceu trepidante exemplo da sua doutrina.
Para comprovar a ilegalidade das regalias que gozaria o ex-ministro José Dirceu no Complexo da Papuda, Veja cometeu ilegalidade ainda maior. Detentos não podem ser fotografados ou constrangidos, o ato configura abuso de poder, invasão da privacidade e, principalmente, um torpe atentado ao pudor e à ética jornalística. Um bom advogado poderia até incriminar os responsáveis por formação de quadrilha ao confirmar-se que o autor da peça (o editor Rodrigo Rangel) não entrou na penitenciária e que alguém pagou uma boa grana aos funcionários pelas fotos e as, digamos, "informações".
"Exclusivo – José Dirceu, a Vida na Cadeia" não é reportagem, é pura cascata: altas doses de rancor combinadas a igual quantidade de velhacaria em oito páginas artificialmente esticadas e marombadas. As duas únicas fotos de Dirceu (na capa e na abertura), feitas certamente com microcâmera, não comprovam regalia alguma.
Ao contrário: magro, rosto vincado, fortes olheiras, cabelo aparado, de branco como exige o regulamento carcerário, não parece um privilegiado. Se as picanhas, peixadas e hambúrgueres do McDonald's supostamente servidos ao detento foram reais, Dirceu estaria reluzente, redondo, corado. Um preso em regime semiaberto pode frequentar a biblioteca do presídio, não há crime algum.
Agentes provocadores
A grande imprensa desta vez não deu cobertura ao semanário como era habitual. Constrangido, o Estado de S.Paulo foi na direção contrária e já no domingo (16/3) relatava, com chamada na primeira página, as providências das autoridades brasilienses para descobrir os cúmplices do vazamento (ver "Dirceu teria mais regalias na cadeia; DF nega"). Na segunda-feira, na Folha de S.Paulo, Ricardo Melo lavou a alma dos jornalistas que repudiam este jornalismo marrom-escuro (ver "O linchamento de José Dirceu").
O objetivo da cascata não era linchar Dirceu, o que se pretendia era acirrar os ânimos, insuflar indignações contra uma suposta impunidade, alimentar a agenda dos black-blocks (ou green-blocks?).
Os agitadores e agentes provocadores estão excitadíssimos às vésperas dos 50 anos do golpe militar. O violento quebra-quebra na sexta-feira (14/3), na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) – o maior do gênero na América Latina – não foi provocado pelos caminhoneiros que passariam a pagar pelo estacionamento. Foi obra de profissionais do ramo da agitação política com a inestimável ajuda da PM, que demorou três horas para chegar ao campo de batalha.
As convocações para atos e passeatas destinadas a homenagear o golpe de 1964 não falam na derrubada de Jango, falam em derrotar o PT. Convém lembrar que a rede Ceagesp é, desde 1997, federalizada, ligada ao Ministério da Agricultura.
Num governo de exceção vale tudo. Também no jornalismo de exceção.

O Brasil da mídia e o país real

Hoje quando abrimos jornais, ouvimos o rádio e vemos as TVs comerciais o retrato é de um país à beira do abismo, tudo vai mal. Há 50 anos ocorreu algo similar.



(*) Artigo publicado na Revista do Brasil (edição de março de 2014)
 
Hoje quando abrimos jornais, ouvimos o rádio e vemos as TVs comerciais o retrato é de um país à beira do abismo, tudo vai mal. Situação de quase pleno emprego, milhões de pessoas retiradas da miséria pelo Bolsa Família, pacientes atendidos em cidades que nunca haviam visto um médico antes são apenas alguns exemplos do Brasil ignorado pelo jornalismo “independente”.

Em março de 1964, o quadro era semelhante embora houvesse um fantasma a mais, além do descalabro administrativo: o “perigo vermelho” representado pelo comunismo. Para mídia ele estava às nossas portas.

A televisão e demais meios de comunicação se prestavam a esse serviço de doutrinação diária azeitados por fartos recursos vindos de grandes grupos empresariais canalizados por meio do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes) e do Instituto Brasileira de Ação Democrática (Ibad), em estreita colaboração com a agência de inteligência dos Estados Unidos, a CIA. O principal mensageiro televisivo dos alertas sobre a “manipulação comunista” do governo Goulart era o jornalista Carlos Lacerda. Apesar de afinados ideologicamente com os golpistas, os veículos de comunicação não faziam isso de graça.

Segundo o economista Glycon de Paiva, um dos diretores do Ipes, de 1962 a 1964 foram gastos nesse trabalho de desinformação US$ 300 mil a cada ano, em valores não corrigidos. Os dados estão no livro O Governo João Goulart, As Lutas Sociais no Brasil 1961-1964, do historiador Moniz Bandeira.

“O Ipes conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública, através do seu relacionamento especial com os mais importantes jornais, rádios e televisões nacionais, como: os Diários Associados (poderosa rede de jornais, rádio e TV de Assis Chateaubriand, por intermédio de Edmundo Monteiro, seu diretor-geral e líder do Ipes), a Folha de S.Paulo (do grupo de Octavio Frias, associado do Ipes), o Estado de S.Paulo e o Jornal da Tarde (do Grupo Mesquita, ligado ao Ipes, que também possuía a prestigiosa Rádio Eldorado de São Paulo)” relata René Armand Dreifuss no clássico “1964: a conquista do Estado”.
 
Foi um período longo de preparação do golpe, e quando ele se concretizou a mídia ficou exultante. O Globo estampou manchetes do tipo “Ressurge a democracia”, “Fugiu Goulart e a democracia está sendo restabelecida”. Sob o título “Bravos Militares”, o jornal da família Marinho, no dia 2 de abril de 1964, dizia que não se tratava de um movimento partidário: “Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira”. O Estadão seguia na mesma toada, enfatizando “o aprofundamento do divórcio entre o governo da República e a opinião pública nacional”.

Foram necessários 50 anos para termos a confirmação que o tal divórcio não existia. Pesquisa do Ibope, feita à época, e só agora revelada graças ao trabalho do historiador Luiz Antonio Dias, da PUC de São Paulo mostra que 72% da população brasileira apoiava o governo. Entre os mais pobres, o índice ia para 86%. E se Jango pudesse se candidatar nas eleições seguintes, previstas para 1965, tinha tudo para ser eleito. Pesquisa de março de 1964 dava a ele a maioria das intenções de voto em quase todas as capitais brasileiras. Em São Paulo, a aprovação do seu governo (68%) era superior à do governador Adhemar de Barros (59%) e à do então prefeito da capital, Prestes Maia (38%).

Dados que a mídia nunca mostrou. Para ela interessava apenas construir um imaginário capaz de impulsionar o golpe final contra as instituições democráticas.

Marcha assumidamente golpista ganha divulgação na TV Cultura

Os desmandos e a ingerência política dos governos de São Paulo na TV Cultura ao longo dos vinte anos – a se completarem em 1º de janeiro de 2015 – durante os quais o PSDB governa o Estado são bastante conhecidos e só não geram inquérito a partir do Ministério Público estadual por conta do aparelhamento desse órgão por esse grupo político.
Um dos maiores escândalos na utilização política dessa tevê pública foi a concessão ao Grupo Folha de São Paulo do horário mais nobre da tevê brasileira, as noites de domingo.
O escândalo reside no posicionamento político da Folha, sabidamente de oposição ao governo federal.
Essa postura política da Folha em relação aos adversários dos controladores da TV Cultura deveria ser impeditiva à entrega ao jornal de espaço na emissora, pois uma tevê pública tem que se pautar muito mais pela isenção política do que as tevês privadas, ainda que a estas caiba a mesma imposição.
No último domingo, porém, a TV Cultura extrapolou no uso político que faz de sua programação.
O programa “TV Folha”, concedido pelo governo Geraldo Alckmin à família Frias, deu um jeitinho de fazer propaganda de um protesto contra o governo Dilma Rousseff que está sendo prometido por um grupo de extrema-direita para o próximo sábado em São Paulo e em outras 200 cidades.
Para quem não sabe, uma explicação: um bando de socialites e empresários de classe média alta organizou uma segunda edição da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que, em sua primeira edição, ocorreu em março de 1964, há 50 anos, e foi usada como pretexto pelos militares para implantarem uma ditadura sangrenta que durou 21 anos.
Esse grupo de fanáticos prega abertamente uma “intervenção militar constitucional” – os integrantes do grupo inventaram o golpe de Estado “constitucional”, um contrassenso desde a denominação –, que deporia Dilma Rousseff à força.
Esse “movimento”, que envolve militares da reserva e até da ativa, chama o golpe de Estado que quer dar de “constitucional” com base no Art. 142 da Constituição de 1988, que versa sobre direitos e deveres dos militares e que define o papel das Forças Armadas.
O texto constitucional diz apenas que as Forças Armadas são “Constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica”, que são “Instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina” e submete os militares à “Autoridade suprema do Presidente da República”, restringindo a atuação deles “À defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.
Ou seja, o artigo constitucional que os golpistas invocam não dá licença aos militares para praticar “intervenção” alguma, golpe de Estado nenhum. Pelo contrário, prega que cabe a eles evitar golpes, caso algum golpista queira depor “Os poderes constitucionais”.
O baixíssimo nível intelectual dos golpistas os fez enxergarem uma “permissão” para que militares deem golpe no que, em verdade, é um veto a golpes de Estado, claramente determinado pelo artigo 142 da Constituição.
Veja só, leitor, o que é a burrice.
Mas a questão não é a estupidez e o caráter criminoso dos organizadores dessa “marcha da família”, ou seja, dessa “marcha” de famílias ricas e golpistas e militares de pijama.  A questão é que a pretensamente esperta Folha de São Paulo deu um jeitinho de divulgar essa cretinice –ilegal do começo ao fim – disfarçando a matéria com uma capa de ironia quase imperceptível.
A reportagem não chegou efetivamente a ironizar uma iniciativa que, acima do ilegal golpismo, é de causar vergonha alheia a qualquer pessoa minimamente sensata. A matéria mostra apenas respostas dos organizadores da marcha. A maior ironia que o programa fez foi colocar uma legenda sobre algumas das frases mais malucas dos organizadores: “Como assim?”.
Com a divulgação na tevê, muitos outros cretinos que nem sabiam dessa cretinice poderão aderir, pois as besteiras ditas pelos organizadores da marcha golpista ao “TV Folha” são ditas de forma séria por pessoas relativamente bem articuladas, ainda que uma delas tenha proferido a ridícula frase de que se considera “85%” politizada…
Pausa para rir.
Como gente desse naipe não tem senso de ridículo, parte da audiência do programa da TV Cultura, baseada no que assistiu, fará propaganda da tal marcha. E isso ocorrerá por toda parte, pois a programação da emissora pública paulista é transmitida para tevês educativas do Brasil inteiro.
Para a oposicionista Folha, pouco importa quem são ou a sandice que pregam esses imbecis dessa marcha ilegal – em nenhum país democrático é legal pregar golpes de Estado. O que importa é pôr gente na rua protestando contra Dilma Rousseff e o PT, para dar a impressão aos incautos de que a sociedade repudia a presidente e seu partido.
A reportagem da “TV Folha” até caberia após a marcha, de forma a captar um fato jornalístico; fazê-la com uma semana de antecedência e jogá-la na tevê, porém, serve para divulgar a manifestação e confere importância a ela.
Aliás, vale relatar que um movimento de anarquistas prometeu fazer uma “marcha antifascista” em São Paulo no mesmo dia e hora da marcha golpista e em local próximo, mas essa segunda manifestação – que pode transformar o centro da capital paulista numa praça de guerra, pois os dois grupos vêm trocando ameaças na internet – não apareceu no “TV Folha”.
Aconteça o que acontecer nessas marchas golpistas – sobretudo em São Paulo, onde pode haver confronto – prometidas para 200 cidades, a TV Cultura poderá ser considerada uma das responsáveis, já que deu publicidade a uma iniciativa inconstitucional e ilegal do começo ao fim. Mas que autoridade fará cumprir a lei e responsabilizará a emissora?

PIB, INDÚSTRIA E EMPREGO SUPERAM PREVISÕES. CRISE?