Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

PESQUISADORA APONTA ‘ÓDIOJORNALISMO’ DA VEJA

Estelionato eleitoral foi o que FHC fez em 1999



Na semana passada, após anúncios de aumentos da taxa Selic e de 3% no preço da gasolina, lideranças do PSDB e os jornais de sempre qualificaram a medida como “estelionato eleitoral” que teria sido praticado pela presidente Dilma Rousseff porque, durante a campanha de sua reeleição, teria negado que o governo fosse aumentar juros e combustíveis.
Em primeiro lugar, há que dizer que é mentira. Dilma nunca disse que deixaria de fazer política monetária. Aliás,até abril deste ano o governo dela aumentou a taxa Selic NOVE vezes consecutivas. Quanto à gasolina, o último aumento foi de 4% e ocorreu em novembro do ano passado. E a presidente jamais disse, durante a campanha deste ano, que não haveria aumento.
Detalhe: a inflação do ano passado e deste girou em torno de 6%, bem maior que os aumentos dos combustíveis.
O mais curioso, porém, é ver o jornal Folha de São Paulo publicar, em sua última edição dominical (9/11),editorial em que chama de “estelionato eleitoral” os aumentos de juros e combustíveis – que já estavam previstos –, a divulgação da oscilação do percentual de miseráveis no país e um aumento do desmatamento.
Por que é “curioso”? Porque esse jornal nunca chamou assim o que foi o maior estelionato eleitoral da história recente do país: a desvalorização do real a partir de 14 de janeiro de 1999, três meses e dez dias após Fernando Henrique Cardoso ter sido reeleito presidente da República com 53,06% dos votos válidos, em primeiro turno.
Por que foi estelionato eleitoral? Porque FHC passou a campanha eleitoral daquele ano acusando o principal adversário, Lula, de pretender desvalorizar o real caso se elegesse e, ao fim, quem desvalorizou a moeda foi quem acusou o petista, segundo reportagem da mesma Folha publicada em 25 de junho de 1998.
Foi um legítimo estelionato eleitoral o que FHC fez. Em 1998, o país estava à beira da bancarrota, mas a propaganda eleitoral tucana vendia outro mundo ao eleitor e garantia que estava tudo bem.


Nenhum grande veículo de comunicação fez o que fizeram Folha, Estadão, Globo e Veja neste ano, que anunciaram o fim do mundo após o fim da campanha eleitoral. Pelo contrário: todos esses veículos compactuaram com o acobertamento dos problemas do país.
Eis que em 14 de janeiro de 1999, 3 meses e 10 dias após a reeleição de FHC e duas semanas após ter iniciado seu segundo mandato, o país foi surpreendido por uma mudança na economia que, nos anos seguintes, jogaria o país no buraco, com explosão de inflação, desemprego, racionamento de energia elétrica etc., etc., etc.
Passada a eleição e materializado o desastre, finalmente sai um texto na grande mídia criticando FHC, mas sem chamar o estelionato eleitoral tucano pelo nome.
Os mais jovens certamente não se lembram de quanto o país sofreu. Em 1999, mais de 26 mil empresas pediram falência. Só para comparar, no ano passado apenas 1,7 mil empresas faliram. 
Tucanos e jornais que nunca falaram em “estelionato eleitoral” mesmo após o governo de 8 anos do PSDB ter promovido o mais descarado estelionato eleitoral da história não é apenas vergonhoso, é uma bofetada no rosto da nação. Sobretudo porque, à diferença da época de FHC, o Brasil, hoje, é outro país.
Com quase 400 bilhões de dólares de reservas cambiais, com a inflação estabilizada dentro da meta, com a mais baixa taxa de desemprego da história, com os salários se valorizando ano a ano, à diferença de 1999 o povo brasileiro sabe muito bem por que reelegeu Dilma Rousseff. Mas nunca descobriu como pôde ser tão burro ao reeleger FHC.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O Bolsa Imprensa e a mídia do dinheiro fácil

bolsaimprensa
Ontem, logo após a entrevista da Presidenta Dilma Rousseff, postei aqui minha sugestão que o tão desejado corte nas despesas públicas comece pela mídia.

Hoje, tenho a ótima companhia de Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo que aprofunda e quantifica o que chama de “Bolsa Imprensa” que os governos brasileiros sempre concederam ao baronato de uma mídia decadente – em qualidade e controle da comunicação – neste país.

Ninguém está sugerindo que se pare de veicular publicidade nos veículos privados, ou que para isso eles apoiem o governo.

Mas há medidas de austeridade a tomar.

É muito “bonito” criticar o gasto de R$ 1 bilhão em obras públicas e receber R$ 1 bilhão (só no 1° turno, R$ 839 milhões), sem esforço algum, pela veiculação do horário eleitoral em suas concessões públicas de rádio e televisão, sem que para isso gaste um ceitil ou deixe de faturar outros, porque não me consta – e duvido e faço pouco – que suas tabelas de preço baseadas em grade de programação tivessem sido canceladas. Ou alguém viu a novela sem comerciais, já que o seu horário normal do pago pelos cofres públicos.

Gastar menos e gastar melhor.

Porque não faz sentido que a televisão – leia-se:a Globo – tenha a mesma parcela nas verbas se não tem, faz muito tempo, a mesma participação na comunicação.

Idem o da escolha de perfis de público, que é parte de uma “mídia técnica” e não um fator estranho a ela.
Ou será que um anúncio da Petrobras,  publicado num blog de política e economia, será menos eficiente do que um anúncio na Contigo?

Dinheiro de publicidade é gasto público, tanto quanto qualquer outro. Deve seguir o princípio da economicidade, da eficiência.

Fazer o que se pretende – informar ou promover empresas públicas, comportamentos e atitudes – com o menor gasto possível.

A mídia não quer que o governo mexa no ‘Bolsa Imprensa’

Paulo Nogueira

“O PT  busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.”
Está na Veja, e raras vezes ficou tão clara a dependência financeira e mental que as grandes corporações jornalísticas têm do dinheiro público expresso em publicidade federal.

Havia, naquela frase, uma alusão à decisão do governo de deixar de veicular propaganda estatal na Veja, em consequência da capa criminosa que a revista publicou às vésperas das eleições.

Era o mínimo que se poderia fazer diante da tentativa de golpe branco da Abril contra a democracia.

Mas a revista fala em “golpear as receitas publicitárias” da mídia corporativa.

A primeira pergunta é: as empresas consideram direito adquirido o ‘Bolsa Imprensa’, o torrencial dinheiro público que há muitos anos as enriquece – e a seus donos – na forma de anúncios governamentais?

Outras perguntas decorrem desta primeira.

Que capitalismo é este defendido pelas empresas jornalísticas em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público?

Elas não se batem pelo Estado mínimo? Ou querem, como sempre tiveram, um Estado-babá?

Os manuais básicos de administração ensinam que você nunca deve depender de uma única coisa para a sobrevivência de seu negócio.

E no entanto as grandes empresas de comunicação simplesmente quebrariam, ou virariam uma fração do que são, se o governo federal deixasse de anunciar nelas.

Tamanha dependência explica o pânico que as assalta a cada eleição presidencial, e também ajuda a entender as manobras que fazem para eleger um candidato amigo.

Essa festa com o dinheiro público tem que acabar, e famílias como os Marinhos e os Civitas têm que enfrentar um choque de capitalismo: aprender a andar sem as muletas do dinheiro público.

Ou, caso não tenham competência para sobreviver num universo sem favorecimentos, que quebrem. O mercado as substituirá por empresas mais competitivas.

Não são apenas anúncios: são financiamentos a juros maternais em bancos públicos, são compras de lotes de assinaturas de jornais e revistas, são aquisições enormes de livros da Abril, da Globo etc.

Numa entrevista a quatro jornais, ontem, Dilma disse que o novo governo vai olhar com “lupa” as despesas, para equilibrar as contas e manter sob controle a inflação.

Não é necessária uma lupa para examinar as despesas com publicidade.

Entre 2003 e 2012, elas quase dobraram, segundo dados do Secom. De cerca de 1 bilhão de reais, foram para as imediações de 2 bilhões ao ano.

Apenas a Globo – com audiência em franca queda por causa da internet – recebeu 600 milhões de reais em 2012.

Um orçamento base zero, como os livros de gestão recomendam, evitaria a inércia dos aumentos anuais do governo com esse tipo de despesa.

Murdoch, em seu império mundial de mídia, tem dependência zero de publicidade de governos.

Banco estatal nenhum financia seus empreendimentos, e por isso ele quase quebrou na década de 1990 quando não conseguiu honrar os empréstimos para ingressar na área de tevê por satélite.

Foi obrigado a se juntar a um rival em tevê por satélite. Só agora Murdoch teve os meios para tentar comprar a outra parte, mas o governo inglês negou por conta do escândalo do News of the World.

Ele se bate pelo capitalismo, e pratica o capitalismo.

As empresas jornalísticas brasileiras pregam o capitalismo, mas gostam mesmo é de cartório.

E julgam, pelo que escreveu a Veja, que até o final dos tempos estão aptas a receber o Bolsa Imprensa.

Médicos que pediram “castração química” de petistas atacam de novo



Após o lançamento do programa Mais Médicos e a consequente chegada de médicos cubanos ao Brasil, a classe médica brasileira vem promovendo um show de horrores. Há menos de um mês, o portal IG fez uma denúncia estarrecedora:

Grupo com quase 100 mil que se dizem médicos ou estudantes de medicina defende ‘castrações químicas’ a eleitores do PT

A denúncia do IG espalhou-se como fogo e por certo fez ver a boa parte dos formadores de opinião o movimento nazista que se aglutinou em torno da candidatura Aécio Neves. Para entendimento dos fatos que serão narrados mais adiante, vale rever trecho daquela matéria.


Sobre a comunidade do Facebook “Dignidade Médica”, que propôs “holocausto” e “castrações químicas” contra eleitores do PT, sobretudo nordestinos, para que “não se reproduzam” tem como uma das organizadoras a senhora Patricia Sicchar, que se declara médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus em perfil da rede social.
Confira, abaixo, trecho de outra matéria do IG sob o título “Médica de grupo anti-PT minimiza holocausto a nordestinos: ‘é revolução do agir’”.


Como se vê, uma das médicas organizadoras do tal “holocausto” médico contra nordestinos eleitores do PT é servidora da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, sob responsabilidade do prefeito tucano Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), líder do PSDB no Senado de 2003 a 2010.
Agora, os médicos manuenses voltam à ribalta com um movimento que pretendem espalhar pelo país. Chegou ao Blog uma denúncia séria contra médicos daquela capital. E o pior: a denúncia sugere que abuso desses médicos contaria com a conivência dos hospitais em que trabalham.
O denunciante enviou ao Blog link de perfil no Facebook de um médico manuense chamado Lano Macedo, que se diz funcionário do Hospital Beneficente Português do Amazonas, que já se envolveu em polêmicas como desrespeitar a “Lei do acompanhante no parto”, conforme denúncia do médico psiquiatra Rogélio Casado.



O tal médico Lano Macedo lidera um movimento de médicos manauenses no Facebook que propõe que a classe médica – e, consequentemente, os hospitais onde aqueles médicos trabalham – boicotem os laboratórios que doaram recursos à campanha da presidente Dilma Rousseff


A confissão dos médicos de que irão deixar de recomendar fabricantes de medicamentos sob razões político-partidárias e ideológicas é um escândalo. E se aquele laboratório tiver medicamento mais conveniente para os pacientes, seja em termos de preço, qualidade ou outro?
Após o episódio “holocausto e castração química”, produzido a partir de organização de médicos de Manaus como o tal Lano Macedo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu nota condenando os autores daquela barbaridade.

Resta saber o que o CFM tem a dizer sobre essa atitude de médicos de Manaus. E, aliás, deveria investigar – talvez até com participação do Ministério Público – se médicos de outras regiões também estão adotando uma conduta profissional inadequada não só por se misturar com os interesses político-partidários deles, mas por prejudicar seus pacientes.
Por fim, resta saber, também, que atitude o prefeito tucano Arthur Virgílio tomou contra a servidora pública  Patricia Sicchar, que se declarou médica da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus e organizou o movimento propondo “castração química” de eleitores do PT.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Fórmula para Dilma vencer o golpismo e terminar seu mandato




Em setembro deste ano da graça de 2014, a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Mensal do Emprego, do IBGE, caiu para 4,9% no conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas na série histórica daquela instituição. Já o salário médio do trabalhador brasileiro subiu para R$ 2.067,10 – um aumento de 1,5% em relação a um ano atrás.
No fim deste mês, serão divulgados os números da PME referentes a outubro, mas já se pode prever que, como vem ocorrendo há mais de uma década, os números serão ainda melhores. Até porque, no segundo semestre o desemprego sempre cai mais, historicamente.
Quanto à inflação (terceira perna do tripé do bem-estar social), para 2014, 2015 e 2016 a meta central é de 4,5%, mas o IPCA, que serve de referência para medir o aumento dos preços, deve oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
No acumulado de 12 meses até setembro, o IPCA somou 6,75% – acima do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro. Entretanto, a meta de inflação refere-se ao período de janeiro a dezembro de cada ano, não à comparação de cada mês com o mesmo mês do ano anterior, de forma que, como ocorre desde que o PT chegou ao poder, a meta de 2014 deve ser cumprida.
Para fechar esse tópico, a cereja do bolo: o rendimento médio do trabalhador em agosto foi de R$ 2.055,55, o que representa um aumento de 2,5% acima da inflação comparado a agosto de 2013 (R$ 2.005,72).
O que esses números significam, é espantoso. Significam, simplesmente, que não há uma razão lógica para que Dilma tenha tido tanta dificuldade para se reeleger. A população não sente mal-estar. Pelo contrário, com os salários subindo, o desemprego caindo e a inflação sob controle, os brasileiros veem suas vidas melhorarem a cada ano.
Alguns cientistas políticos afirmam que, apesar de a qualidade de vida do brasileiro não estar piorando nem estar estagnada, o ritmo de melhora caiu muito – devido à crise internacional, que nos afeta – e, assim, sob o discurso “certo” esse ritmo mais brando de progresso social pode ser caracterizado como “piora” pelos adversários políticos do governo federal.
Além disso, o combate mais intenso à corrupção a partir do governo Lula – com fortalecimento da Polícia Federal e dos órgãos de controle do próprio governo federal – deram aos adversários do PT a possibilidade de confundir a sociedade caracterizando a divulgação de mais casos de corrupção – decorrentes de mais investigação – com “aumento” da corrupção.
Se os adversários dos governos petistas e do próprio PT fossem apenas os partidos políticos, não seria nada. Tivéssemos, no Brasil, uma imprensa imparcial – ou menos parcial –, que noticiasse de forma equânime os problemas que todos os governos enfrentam, não pareceria que tudo caminha às mil maravilhas nos governos estaduais da oposição enquanto que, no âmbito federal, só há roubalheira e piora da economia.
Composto o quadro socioeconômico atual do Brasil, voltemo-nos à verdadeira rebelião que tomou a base aliada do governo Dilma no Congresso logo após a reeleição, com destaque para o PMDB, assustado com a possível hecatombe que a revelação completa das “delações premiadas” pode lhe trazer.
A rebelião em curso decorre, em grande medida, de declarações que a presidente Dilma deu em entrevistas às tevês logo após a reeleição, quando avisou que, no combate à corrupção, não vai deixar “pedra sobre pedra”, o que foi entendido como ameaça por políticos – sobretudo do PMDB – que têm consciência pesada.
Ciente disso tudo, o PSDB e seu novo “golden boy”, Aécio Neves, fizeram um circo no Congresso, com declarações grandiloquentes do novo “líder da oposição”, que foi recebido no Senado como se tivesse vencido a eleição enquanto prometia oposição sistemática a quem o derrotou nas urnas.
Supõe-se, portanto, que a presidente Dilma e seus conselheiros e assessores devem estar dando tratos à bola para formularem um meio de garantir governabilidade tendo uma base aliada em pé-de-guerra, sedenta de cargos e de proteção contra a política do quarto governo consecutivo do PT de combater sem trégua a corrupção.
Essa fórmula de pacificação da base aliada no Congresso passa, infelizmente, pela aliança formal com partidos como o PMDB e algumas legendas de aluguel. Tal fórmula, porém, desagrada profundamente os partidos de esquerda e os movimentos sociais que ao longo dos governos Lula e Dilma acabaram servindo, involuntariamente, como linha auxiliar da direita.
Desde as “jornadas de junho” e o movimento “não vai ter Copa”, os partidos de esquerda e os movimentos sociais – que, no segundo turno, assustados com a possibilidade de a extrema-direita chegar ao poder correram para debaixo das asas do PT e de Dilma – ajudaram a produzir a situação política que vige hoje no Brasil sobretudo por não quererem aceitar a realidade: o brasileiro é conservador e para fazer um povo assim votar na centro-esquerda, só com alianças à direita.
Costumo repetir sempre essa história: em 2012, a revista Fórum entrevistou, via streaming, o então candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, Carlos Giannazi. Este blogueiro foi um dos entrevistadores. Perguntei ao candidato justamente sobre governabilidade.
Disse a Giannazi que o partido dele repelia alianças com partidos de direita ou de centro direita não na eleição, mas para governar. Porém, se fosse eleito prefeito dificilmente o PSOL conseguiria governar, pois teria uma bancada extremamente pequena que não lhe permitiria aprovar nada na Câmara Municipal.
A resposta de Giannazi – uma pessoa séria – foi estarrecedora: disse que governaria com pressão popular nas galerias da Câmara.
Trata-se de uma verdadeira loucura. Nem se “as galerias” invadissem o plenário e espancassem os deputados que votassem contra um hipotético prefeito do PSOL seria possível aprovar alguma coisa. A Polícia prenderia os manifestantes e a vida seguiria.
Contudo, mesmo com todos os equívocos da esquerda a partir de junho do ano passado, partidos como o PSOL, o PSTU, o PCB, o PCO e movimentos sociais como o MTST, o MST e outros que compactuaram com as “jornadas de junho” e o “não vai ter Copa” finalmente perceberam que, à diferença do que diziam, o PT não é “igual ao PSDB”.
Durante o primeiro turno da campanha eleitoral à Presidência, a brilhante Luciana Genro chegou a dizer isso. Passada a primeira etapa da eleição, o partido dela e todos os outros grupos de esquerda supracitados apoiaram Dilma extraoficialmente, convictos de que, não, o PT não é “igual ao PSDB” coisa nenhuma.
Aliás, quem melhor definiu o que se conseguiu com as “jornadas de junho” e o “não vai ter Copa” foi o entusiasta de primeira hora desses movimentos, o professor da USP Wladimir Safatle, que quase foi candidato a governador de São Paulo pelo PSOL.
Na Folha, Safatle escreveu um artigo desalentado em que reconheceu no que deu toda a mobilização de seu partido – e da “Rede”, de Marina Silva – em favor das tais “jornadas de junho”.


A partir dali, as mais importantes lideranças do PSOL acabaram ao lado de Dilma. O candidato do PSOL a governador de SP neste ano, Gilberto Maringoni, que passou 2013 e 2014 descendo a lenha no PT, acabou em uma cerimônia de apoio a Dilma pregando sua reeleição. Jean Willys e Marcelo Freixo, mais comedidos e lúcidos, idem.
O fato é que o PSOL e outros partidos e movimentos sociais citados têm boa intenção e foram importantíssimos para a reeleição de Dilma, mesmo que, no que diz respeito aos partidos de esquerda, não tenha havido apoio formal.
Mas por que, então, esses grupos de esquerda ajudaram tanto a fortalecer a direita? Em grande medida, porque não aceitam as alianças do PT com partidos de direita ou centro-direita. Essa esquerda sempre rejeitou a tese da governabilidade, apesar de nunca ter dito como fazer para governar um país conservador só com uma esquerda sem votos.
Note bem, leitor: o PSOL, com tudo que fez em 2013 e 2014, liderando as massas na rua contra o governo Dilma, elegeu míseros 5 deputados. Sim, foi um aumento de bancada de 66,66% em relação aos 3 deputados que o partido elegeu em 2010, mas, ainda assim, uma bancada que não ajuda em nada.
Nesse ponto, reproduzo, abaixo, outro artigo da Folha que mostra muito bem no que deu a mobilização de esquerda – inclusive da direita travestida de esquerda, a “Rede” de Marina Silva – ao longo do último um ano e tanto.

Eis, aí, a contribuição da esquerda extra-PT para fortalecer a direita como se viu ao longo do processo eleitoral recém-terminado. Ou seja: além dos erros do PT e da própria presidente Dilma, a oposição de esquerda entrou com a parte do leão do processo que quase elegeu presidente um mero despachante do canibalismo financeiro internacional.
Porém, não se pode atribuir tudo à oposição de esquerda. Dilma e o PT erraram muito. E o que se teme, agora, é que continuem errando.
Em junho/julho deste ano, a maioria dos brasileiros achava que o desemprego, então no patamar mais baixo da história brasileira, iria aumentar. Três meses depois, apenas 26% acreditavam nisso devido à propaganda eleitoral da reeleição de Dilma, que mostrou um Brasil que o povo não vê na mídia.
Mas como foi que a mídia conseguiu fazer crer aos brasileiros que o país estava afundando e que todos iriam ficar desempregados se a realidade era – e continua sendo – diametralmente oposta?
Em primeiro lugar, as “jornadas de junho” fizeram o país crer que as coisas iam muito mal. Ora, como é possível que tanta gente vá à rua protestar se o país vai bem? Depois, o “não vai ter Copa”, que muitos dos esquerdistas que apoiaram Dilma endossaram aos berros até junho/julho, convenceu o país de que o governo estaria jogando fora o dinheiro da saúde e da educação, o que era – e é – uma balela.
E, a isso, somou-se o envenenamento diário da sociedade pela mídia, com seu noticiário seletivo sobre corrupção e seu terrorismo econômico, que contaram com a colaboração da presidente da República e de seu partido, que passaram quatro anos apanhando calados.
Aliás, em 26 de setembro último este blogueiro, entre outros, entrevistou a presidente no Palácio da Alvorada e lhe fez uma pergunta que estava na cabeça de todos, mas que jamais havia sido feita a ela: perguntei por que o governo Dilma apanhou calado desde janeiro de 2011 até havia pouco e se iria continuar apanhando calado.
Dilma respondeu que não queria “ir por esse caminho” – do confronto –, mas que havia concluído que “não teria outro jeito”, o que permite supor que ela e seu partido não repetirão o erro de permitir que a mídia continue envenenando a sociedade contra o governo federal, um envenenamento que se dá em pequenas e ininterruptas doses diárias.
Todo santo dia sai uma notícia envenenadora da sociedade, seja sobre corrupção ou sobre terrorismo econômico. Parece aquela novela recente da Globo em que um rico dono de hospital abandou a esposa pela amante, que depois o cegou envenenando-o paulatinamente, dia após dia.
A fórmula para Dilma nem terminar seu 2º mandato, pois, será repetir o primeiro, deixando que a mídia vá envenenando a população contra si. Isso além de desprezar os movimentos sociais e sindicais e os partidos de esquerda que podem até não ter voto, mas têm muita capacidade de pôr gente na rua.
Na entrevista com a presidente, este blogueiro lhe disse que ela deveria usar o “púlpito” natural que o cargo lhe confere para responder aos ataques da mídia oposicionista. Ela respondeu que, em campanha eleitoral, dá para responder devido ao horário eleitoral, mas que, fora desse período, não dá para ficar indo à teve responder a cada ataque.
Dilma tem razão. Se ficar convocando redes nacionais para rebater os ataques da oposição ela correria até o risco de cometer crime de responsabilidade por usar um equipamento público (rede nacional) para fazer política. Mas a presidente pode convocar entrevistas coletivas. A mídia não poderá deixar de reproduzir o que uma presidente da República disser.
Por fim, os partidos de esquerda que já descobriram que o PT não é igual ao PSDB precisam pensar em crescer. Só assim um governo de esquerda como o de Dilma não precisará se aliar a partidos como PMDB, PP, PSD e outros lixos que, apesar de serem o que são, dispõem-se a dar sustentação ao governo, ainda que em troca de cargos.
Como pode um partido como o PSOL – que, nas “jornadas de junho”, ajudou a levar dezenas de milhares às ruas – só conseguir eleger míseros 5 deputados? O problema está na visão de partidos como esse de que têm que dizer tudo independentemente do efeito eleitoral que isso vier a causar.
Darei um exemplo. Luciana Genro, ex-candidata do PSOL a presidente, é uma mulher brilhante. Sua oratória é um show – se Dilma falasse como ela, teria triturado Aécio. Porém, no início da campanha eleitoral, em um dos debates entre os candidatos, atacou as religiões em um país em que cerca de 90% do povo é religioso.
É ou não é uma espécie de haraquiri político?
Esses partidos de esquerda precisam fazer cálculos políticos. Não há outro jeito. Ou melhor, há: ficarem no “honestismo” infantil enquanto a direita domina tudo e joga o povo na miséria, na desigualdade e na ignorância.
Fica aqui, pois, o vaticínio de alguém que alguns julgam que costuma acertar: Dilma só termina seu governo se impedir que o envenenamento diário da mídia atue solto e se se mantiver próxima dos movimentos sociais e sindicais, chamando para seu governo partidos de esquerda e, eventualmente, oferecendo-lhes cargos.

Comunicações é mais importante que a Fazenda Mas, não tem que ser ministro da Globo ?

A partir de p itaco do amigo navegante Iskra (via Gerador de Memes)

Liga o Vasco, na sala de embarque do Aeroporto de Claudio, à espera da chave do Titio.

- Ansioso blogueiro, quem vai ser o Ministro da Fazenda?

- Não tem a menor importância, Vasco.

- O que é isso ? A eleição te tirou o senso.

- Não me tirou o senso de nada, Vasco.

- Então, como é que você me diz que o Ministro da Fazenda não tem a menor importância?

- Vasco, me diz uma coisa: como é o nome do Ministro da Fazenda dos Estados Unidos?

- Bem, é verdade, lá chamam até de Secretário.

- Você sabia que o porta-voz do Obama é mais importante que o Secretário do Tesouro?

- É mesmo, ansioso blogueiro?

- É, Vasco.

- Então, põe qualquer um lá?

- Não, tem que botar um bom contador, aplicado, que saiba as quatro operações …

- Basta isso?

- E um pouquinho mais. Aqui no Brasil é que tem essa obsessão por Economia, Fazenda… Uma doença tropical …

- Mas, não precisa acalmar os mercados?

- Vasco, a Dilma não vai acalmar os mercados nunca, porque o PT não faz omelete com o mercado, nem o mercado faz omelete com o PT. São escolas gastronômicas muito diferentes, Vasco …

- Entendi. Feijão e arroz.

- Não, Vasco. Feijão e arroz se misturam. É água e azeite, Vasco.

- Mas, e aí, ela vai peitar o mercado?

- De jeito nenhum ! Tem que botar lá um contador que o mercado reconheça como um contador competente, que não vai hostilizar o mercado.

- Mas contador não formula política, ansioso blogueiro…

- E quem disse que Ministro da Fazenda formula política, Vasco? Quem formula política é o Presidente da República, eleito pela maioria do povo. Ministro da Fazenda administra a caixa.

- Ansioso, você está simplificando. O Brasil não cresce, a inflação bate no teto, a indústria capenga …

- E o desemprego desaba, Vasco. De novo, é uma questão política: desempregar ou explodir os juros, Vasco? Política, meu caro Watson …

- Tá, e daí ? Que contador que você prefere?

- Qualquer um, Vasco. Tem uma dúzia. Que faça as contas direitinho, que o mercado engula – ou finja que engole – e fale pouco, muito pouco.

- Por que ansioso?

- Porque Ministro da Fazenda que fala muito engole mosca.

- Tá. E o que é mais importante que o Ministro da Fazenda?

- O Ministro das Comunicações.

- Por que … das Comunicações? Mas, ninguém fala nisso.

- Exatamente por isso, Vasco. Porque ninguém quer ser o Ministro das Comunicações…

- Então, por que não deixa o Bernardão?

- Seria melhor nomear o Schroeder, Vasco.

- Quem? Chi … o que?

- Deixa pra lá, Vasco.

- Então, o Mercadante vai querer, se é tão importante assim …

- Vasco, eu acho que você ainda não captou o espírito da coisa …

- Mas, por que essa preocupação toda com o Ministro das Comunicações? Ele não tem que ser sempre da Globo?

- Sempre foi assim.

- E vai mudar agora?

- Se não mudar … esquece!

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim (ou ansioso blogueiro)

Aécio, Oposição dá trabalho… O rapaz tem carteira assinada, já trabalhou na vida ? – PHA​


Através do pitaco do amigo navegante Totonho



​O Conversa Afiada reproduz crítica feroz ao PiG, de autoria de Janio de Freitas, na Fel-lha (do ABC do C Af): o PiG é que faz o serviço da Oposição, que não gosta de trabalhar …: ​

A construção de uma forte barragem opositora, anunciada pelo senador Aécio Neves em seu festivo retorno ao Senado, tem uma dificuldade para efetivar-se: oposição dá trabalho.

Desde a onda do mensalão, com a CPI, os governos Lula e Dilma não precisaram incomodar-se de fato com o PSDB, o DEM (o PFL travestido) e os comerciantes que às vezes lhes fizeram companhia. Mesmo na CPI do mensalão, os representantes desses partidos já recebiam tudo mastigado, cabendo-lhes apenas fazer o espetáculo.

De então para cá, os oposicionistas nem se deram ao trabalho de ser ao menos palavrosos. O PSDB deixou ao senador Álvaro Dias a tarefa de fazer uma declaração a cada ato do governo, mais ou menos a mesma sempre, e o DEM entregou a tarefa ao senador José Agripino Maia. Duas pessoas educadas, portanto impróprias para fazer pela oposição maior disfarce do que umas acusações ligeiras e vazias.

Há tempos as bancadas do PSDB e do DEM foram aqui chamadas de oposição preguiçosa. Não mudaram. Ambas deixaram que os meios de comunicação trabalhassem por elas, considerando suficiente –por comodismo ou incompetência– dar algum eco ao novo padrão do jornalismo brasileiro, de mínimos rigores e noticiário com feições políticas indisfarçáveis. Mas o futuro desse sistema não levaria a boas paisagens.


Ou seja, a quatro derrotas consecutivas …

Porque se o PiG fosse competente não estava à beira da morte – clique aqui para ver que a Fel-lha divide a UTI com o Estadão.

Paulo Henrique Amorim


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Como a Folha transformou em “vitória” a derrota do PSDB no TSE

Quatro dias após a reeleição de Dilma Rousseff, o PSDB levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido de “auditoria especial” no resultado da eleição presidencial. A ação foi assinada pelo “coordenador jurídico” do partido, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, analisou o pedido do PSDB e, na segunda-feira (3), enviou ao Tribunal Superior Eleitoral um parecer contrário à realização de uma auditoria no resultado da eleição presidencial. E afirmou que o pedido poderia “comprometer a credibilidade da Justiça Eleitoral” e acusou o PSDB de “imprudência”.
No mesmo dia, o TSE divulgou nota dizendo que iria responder “oportunamente” a consulta do partido. E, na última terça-feira (4), em consonância com o PGR, negou o pedido tucano. A Corte Eleitoral recusou a formação de uma comissão de partidos. Contudo, permitiu que o PSDB tenha acesso aos dados solicitados.
No fim da tarde da mesma terça-feira 4, o portal UOL, entre outros, deu a notícia da forma correta. O PSDB, além de perder a eleição, também fracassou em envolver o TSE em sua tentativa de pôr em dúvida a lisura do processo eleitoral.
Abaixo, a manchete na Home do UOL ao fim da tarde de terça feira.

Em seguida, a reportagem a que a manchete remetia.
Então ficamos assim: o PSDB pediu ao TSE que fizesse uma enorme celeuma, envolvendo todos os partidos políticos ao criar uma “comissão especial” para fiscalizar a eleição em segundo turno para presidente, na qual o partido foi derrotado.
Se o PSDB tivesse tido êxito, isso renderia uma enormidade de matérias na imprensa. Haveria cobertura da formação da “comissão suprapartidária”, discussão sobre os nomes indicados pelos partidos, cobertura jornalística da posse dos membros da comissão, colheita de declarações dos representantes dos partidos durante a auditoria etc., etc., etc.
O TSE e o PGR deram uma banana para o PSDB. A Corte Eleitoral respondeu ao partido que, se quiser, pode até fiscalizar os dados – em nenhum país democrático seria vetado aos derrotados em uma eleição que tivessem acesso aos arquivos daquela eleição.
Esse fato político viraria celeuma se tivesse sido fermentado pelo TSE, mas como o resultado não foi o que o Grupo Folha queria a notícia foi jogada para baixo do tapete.
Na edição do dia seguinte (5) da Folha de São Paulo, a derrota tucana não apenas foi transformada em vitória como, talvez por isso, foi escondida, sem destaque na primeira página, como ocorreria caso a Justiça Eleitoral tivesse autorizado um circo em torno da lisura do processo eleitoral.
Leia, abaixo, como a Folha tratou a notícia que outro braço do grupo Folha, o UOL, tratara de forma correta horas antes.
Vejam bem, leitor: “Os deputados tucanos comemoraram”. Mas comemoraram o quê? A derrota do pedido de formação de uma comissão de partidos para auditar a eleição presidencial? Comemoraram a frustração do circo que tentaram armar? Na Folha, sim. Na vida real, não.
Os tucanos perderam, mas a Folha os transformou em vencedores. E depois a mídia diz que os blogs é que são “sujos”.  

O PSDB renegou, a petição aos EUA micou: quem vai embalar o monstrinho da extrema direita?

psiquiatra

A extrema direita brasileira vem sofrendo uma série de humilhações públicas após as eleições.

Aécio Neves, o candidato que se acreditava a salvação contra o “bolivarianismo”, a “venezuelização” ou algo que o valha, perdeu. Na volta ao Senado, tratou o pessoal que o acolheu como uma amante grávida.

“Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso terá a nossa mais veemente oposição”, disse. “Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político”.

(Evitar as manifestações pelo impeachment obedece a uma lógica de sobrevivência política. Collor já foi impedido. Se Dilma for também, quem garante que o próximo da fila não será um tucano?)

Enquanto lhe foi útil, o PSDB alimentou esses fanáticos e não fez nenhuma crítica a discursos golpistas ou simplesmente malucos, desde que fosse contra o adversário. Agora, sinaliza fim de caso.

Uma separação doída. Coordenador da campanha de Aécio, Xico Graziano foi chamado de “petralha”, “comunista”, “safado”, “traíra” etc porque se declarou contra os protestos pelo impeachment. Alckmin disse não aceitar a defesa da “intervenção militar”. Enfim, não sobrou ninguém importante.

A última esperança que havia eram os Estados Unidos. Sim, o companheiro Obama. Qual o quê.

Os inconformados criaram uma petição no site da Casa Branca. Era um apelo para conter os planos “de estabelecer um regime comunista no Brasil – nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo.”

Reforçavam que “o Brasil não quer e não se tornará uma nova Venezuela”.

Mais de 120 mil pessoas assinaram. Essas petições servem para qualquer pleito. Qualquer. Recentemente, outros desocupados, mais bem humorados, requereram o desterro de Justin Bieber.

A reposta veio através de uma representante da embaixada americana em Brasília, Arlissa Reynolds, que afirmou que “petições apresentadas nessa página não representam as opiniões do governo dos EUA”.
Arlissa recordou o fato de que seu governo “publicou uma declaração parabenizando a presidente Dilma Rousseff por sua reeleição” e que “o Brasil é um importante parceiro para os Estados Unidos e estamos empenhados em continuar a trabalhar com a presidente Dilma Rousseff a fim de fortalecer as nossas relações bilaterais”. A palhaçada ficou ainda mais triste quando foi revelado que essas cartas são destinadas a “cidadãos norte-americanos”.

Com um repertório baseado em alarmismo, paranoia, golpismo barato, macartismo, anticomunismo de guerra fria, desinformação, má fé e abstinência de Rivotril, a extrema direita ficou com um mico na mão.

Suas lideranças voltam a ser um ex-cantor parecido com Edir Macedo, um “filósofo” obcecado e um ex-comediante lotado no SBT, que levam para as ruas um deputado eleito cujo grande feito foi discursar com uma pistola na cintura, filho de um deputado que já quis fuzilar um presidente e pretende fuzilar outra.

A culpa do fracasso, pelo menos, eles já sabem de quem é. Malditos nordestinos. Maldito Obama. Malditos tucanos. Maldita democracia.

É mentira que o PT, na oposição, pregava o “Fora, FHC!”

Aécio e seu 'exército' tem dificuldade com a matemática e a geografia da derrota e se avocam paladinos da secessão sulista; fatos: no SU e SE, o tucano teve 35,5 milhões de votos, mas Dilma teve 26,6 milhões; no NE, Dilma teve 20 milhões, Aécio, 8 milhões; em MG ele perdeu em 71% dos municípios.
 
Rir, rir: 'A Casa não quer o comando dela na mão do PT hoje. Prefere uma atuação mais isenta' (deputado Eduardo Cunha, que resolveu romper o rodízio na Presidência da Câmara, agora que seria a vez de um petista assumi-la)



Isto é Eduardo Cunha: '(a que me refiro como ideológico?) Aos conselhos populares, à regulação de mídia... Pautas que são ideológicas'(entrevista ao El País)

Isto é Eduardo Cunha: '(aborto?) Sou ra-di-cal-men-te contra. A legislação tem que ser mais rígida para que os médicos sejam punidos com muito mais rigor. Aliás, tenho um projeto nesse sentido' (entrevista ao El País)

Isto é Eduardo Cunha: 'A sociedade é conservadora. O Congresso representa a sociedade. Hoje ele está mais próximo da sociedade do que esteve antes' (entrevista ao El Pais)

Isto é Eduardo Cunha: 'A Casa não quer transferir o seu poder de legislar para um mecanismo de consulta popular prévia'.
 
 Site Carta Maior




Blog cidadania 

O slogan “Fora, PT!”, que permeou a campanha do candidato derrotado à Presidência Aécio Neves, foi ouvido novamente na terça-feira (4/11), durante a chegada do tucano ao Congresso. Aguardavam-no parlamentares e militantes do PSDB entoando gritos de “presidente” e “Fora, PT”





Durante a campanha eleitoral, o slogan “Fora, PT” chegou a figurar no “espaço nobre” da Folha de São Paulo, na seção Tendências/Debates. Um dos mais eminentes ideólogos tucanos, o historiador Marco Antonio Villa, chegou a usar esse slogan como título de artigo.


Durante a recente campanha eleitoral à Presidência, o “fora, Dilma” ou “fora, Lula” ou “fora, PT” foram usados à larga pela militância tucana em seus carrões importados. Esse uso foi estimulado pelo PSDB.



Que fique registrado que o candidato Aécio Neves e seu partido JAMAIS condenaram oficialmente o “fora, Dilma”, entre outros.

Porém, a cada acusação de “golpismo” feitas por petistas – de carteirinha ou não” – os tucanos respondem com a mentira de que, quando era oposição a FHC, o PT adotou o slogan “Fora, FHC”.

Essa mentira vem sendo repetida inclusive por colunistas da grande mídia alinhados ao PSDB, como, por exemplo, Merval Pereira, de O Globo, quem, há 4 dias, afirmou que, quando era oposição, “O PT lançou o grito de guerra Fora, FHC”.


Essa é só mais uma das muitas mentiras e distorções dos fatos que os tucanos e a mídia alinhada com eles não param de espalhar.

À diferença de Aécio Neves e de seu partido, porém, Lula e o PT, quando na oposição, condenaram, OFICIALMENTE, a grita dos setores mais radicais do partido pelo “Fora, FHC”.

Veja bem, leitor, não é que petistas deram declarações soltas contra o slogan igualmente golpista “Fora, FHC”. Foram Lula, o PT e até José Dirceu, em Congresso Nacional do partido, que aprovaram posição oficial contra o “Fora, FHC”.

Não me consta que Aécio e o PSDB tenham feito o mesmo. Nem oficialmente e nem extra-oficialmente. Alguns tucanos, como Geraldo Alckmin ou Xico Graziano, têm condenado o golpismo. Mas Aécio, não. E muito menos o PSDB, ao menos de forma oficial.

E quem diz que Lula e seu partido condenaram OFICIALMENTE o “fora, FHC” não é este blogueiro, mas matéria do jornal Folha de São Paulo de 28 de novembro de 1999, abaixo reproduzida.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nacionalismo: de quem é essa bandeira? Menos Economia e mais Geografia. E defesa do “interesse nacional”​

De Gilvan Curvelo




Alguns temas centrais sumiram na campanha presidencial.

Dois chamam a atenção: o nacionalismo e a Defesa.

Ou o que se chama de “interesse nacional”.

De um lado, a UDN do PRP de São Paulo voltou ao tema que a sustenta desde o advento da República: a corrupção do poder central.

Com isso, os luzias pregam a “Federação” para tirar poder do Centro  e entregar aos brancos da Bacia do Rio Paraná, sob a liderança de São Paulo, como pregou o mais articulado republicano paulista, Alberto Sales, em “A Pátria Paulista”.

(Tratava-se do irmão de Campos Sales e, como ele, cafeicultor da região de Campinas. O livro – indispensável – prega a secessão de São Paulo. Uma separação para São Paulo se livrar dos “índios” da bacia do Amazonas, e dos “negros”  da bacia do São Francisco…)

Os luzias e os perrepistas não tem compromisso com o “interesse nacional”.

Por isso, submeteriam a Amazônia ao regime de “patrimônio da Humanidade”, entregariam a Petrobrax à Chevron e o Ministério da Fazenda a um cidadão americano.

O ponto central dessa lógica é depositar o Brasil aos pés da hegemonia americana, ao que chamam de “integração aos fluxos internacionais dinâmicos”, e ao Pacto do Pacifico, que reúne adversários da China no Mar do Sul da China e a Colômbia,  Chile e o Peru.

O  objetivo é destruir a obra do Mercosul e o regime continental de Defesa, reunido na Unasul.

(Recentemente, um suposto brasileiro escreveu no jornal francês Le Monde expôs essa receita em certeira súmula. Além disso, a  diplomacia brasileira deveria se preparar para duas próximas derrotas: a internacionalização da área Yanomani entre a Amazônia do Brasil e da Venezuela, e a devolução do Acre à Bolívia … Deve ter feito muito sucesso entre os “embaixadores de pijama”, que recebem dinheiro do Erário para falar mal do Brasil. E outros que ainda não se aposentaram mas deveriam …)

Qual a resposta que veio do outro lado ?

Do lado vencedor – e que vence há três eleições consecutivas, de forma inequívoca ?

Nenhuma.

O Nacionalismo é uma bandeira à deriva.

Corre-se o risco de a extrema direita que quer o impeachment a qualquer custo e escreve à Casa Branca para pedir intervenção se aposse dela, na vertente nazifascista.

Falamos aqui da Defesa do “Interesse Nacional” do povo brasileiro.

Expressão que vem da criação dos Estados Nacionais, no mundo europeu pós-Westphalia, que Richelieu expressou melhor do que ninguém.

Sem falar de Floriano, Rio Branco, Vargas e outros heróis Saquaremas.

O Brasil tem a melhor agricultura do mundo e pode alimentar os pobres do mundo todo.

O Brasil tem energia.

Quantos campos de Libra tem o pré-sal ?

Tem a dádiva da hidroeletricidade – chora, Bláblá ! – e, agora, se prepara para ser o maior produtor de energia eólica do mundo.

O Brasil um gigantesco patrimônio mineral ainda por explorar-se.

Quantos Carajás se escondem no Brasil ainda ?

O Brasil deve ser o maior produtor de urânio do mundo e sabe enriquecer urânio com tecnologia própria.

O Brasil tem rios navegáveis.

Do paralelo 16 para cima, da Bahia, Minas, Goias, Distrito Federal e Mato Grosso, tudo poderá ser  transportado em rios.

Fernando Henrique tentou descapitalizar as pesquisas de Aramar com uranio, como fez com a Petrobrax.

Descapitalizar para vender e fechar.

E assinou o Tratado de Não-Proliferação da Armas Nucleares, um ato de lesa-pátria.

(Assinar Tratado de Tlatelolco, que bane armas nucleares na América Latina, e não assinar o TNP era a estratégia correta, que FHC entregou, de graça, aos americanos.)

Lula ressuscitou e Dilma deu músculos a um programa de Defesa.

O Brasil constrói submarino a energia diesel-elétrica e, já, a propulsão nuclear, em Itaguaí.

Em torno do Gripen sueco, vai montar aqui uma indústria de caças, também para exportar.

E o avião militar de carga da Embraer, uma obra – prima  – também leva o Brasil ao mercado internacional de Defesa.

O Exercito se reequipa com o apoio dos engenheiros da EME, Escola Militar de Engenharia, de padrão internacional.

O maior BNDES do mundo é o Pentágono !

Ou o amigo navegante acha que o maior fregues da Boeing é a Gol ou a American Arlines ?

É o Pentágono !

O Pentágono põe a indústria e a tecnologia de ponta americanas para se mexer.

E é isso o que a Dilma e o Lula começam a fazer !

Modernizar e anabolizar a indústria nacional a partir dos investimentos em Defesa.

Que podem ser tão nacionalizados, como os fornecedores da Petrobras.

E é esse o Nacionalismo que o Brasil – e os Saquaremas , como os trabalhistas – deveriam defender.

Um nacionalismo para preservar as riquezas que serão produzidas para beneficiar, antes de tudo, o trabalhador brasileiro !

O filho do cortador de cana que foi ser soldador de estaleiro em Suape.

O filho de soldador que entrou na Universidade do ABC e vai ser engenheiro na Saab-Scana de São Bernardo, para produzir o corpo do Gripen.

Para gerar renda interna, demanda doméstica, tecnologia brasileira.

Tecnologia como a do Almirante Othon Paulino Silva, que desenvolveu a forma original de enriquecer o urânio que vai mover os submarinos.

Tecnologia como a dos anônimos heróis da Embrapa que dobraram o tamanho da área agriculturável do Brasil.

Dos empreendedores gaúchos que abriram o Brasil inteiro, de Sul a Norte, para uma criar uma agricultura inigualável, que dá três safras por ano: soja, milho e gado !

Expor tudo isso, todos eles e o que o Brasil tem a defender e o que passou a fazer em sua Defesa seria uma forma de recuperar o estudo da Geografia, das riquezas naturais, da posição estratégica do espaço brasileiro na América do Sul, de frente para a África Ocidental, a futura fronteira da Economia Mundial.

(Os embaixadores de pijama também dizem que fora do Pacto do Pacifico o Brasil teria “micado” entre a Bolívia e Angola …)

Chega de Economia !

Vamos falar de Geografia !

Seria uma forma de reforçar a auto-estima do brasileiro.

De se contrapor ao Brasil que a editoria “o Brasil e uma m…”, do jornal nacional excreta.

Um Brasil miserável, sujo, safado, porco, derrotado, bovino, inculto, burro, inacabado, incompetente, arruinado, irrecuperável.

Que só tem jeito se os americanos administrarem, em conluio com os tucanos.

A única coisa que presta nos telejornais (sic)  da Globo são os eventos esportivos que ela monopoliza.

Não ia ter Copa, mas a seleção era alemã, não é Poeta ? …

A eleição se travou dentro de um circulo de giz entre a corrupção e a defesa dos programas do Governo Lulilma.

Dilma passou três anos e meio sem chegar à teve. ( E outros três e meio passara, se não fizer a Ley de Medios que até o PT diz que quer )

Ela teve que usar o horário eleitoral para mostrar o que fez.

E os debates para despir os santinhos do pau-oco que estavam do outro lado.

Está na hora de dar o salto.

Trocar a Economia pela Geografia.

Antigamente, nos bons tempos do PTB do Dr Getúlio -  que ajudava a Última Hora do Wainer -  naqueles bons tempos, o Brasil se dividia entre Nacionalistas e Entreguistas.

Hoje, parece que não há mais Nacionalistas.

Ninguém para levantar a bandeira do Nacionalismo.

Antes que o Bolsonaro a tome.

Paulo Henrique Amorim

A fala, o ethos e o papel constitucional do juiz.

A intervenção dos ministros do STF no debate político brasileiro representa um desvio em relação às funções constitucionais desses juízes.


Arquivo

Em sua entrevista à Folha de São Paulo, o ministro Gilmar Mendes reitera a prática de se posicionar sobre os assuntos correntes da política e procurar pautar o debate sobre o Judiciário. A intervenção dos ministros do STF no debate político tornou-se comum em nosso país desde a transição democrática, mas esse comportamento representa um desvio em relação ao deve espelhar as funções constitucionais de que estão investidos os juízes.

A imparcialidade e a objetividade do julgamento são inseparáveis da reserva e cautela de juízes em relação às narrativas que os agentes adotam ao tomarem posições em seus embates políticos. Esse distanciamento permite que seu juízo sobre os casos venha a ser formulado com base na norma e no direito, preservando sua autonomia possível em relação as suas preferências, inclinações e alianças. Não se trata de restaurar o mito da neutralidade e passividade do Judiciário, mas de lembrar, para além das regras jurídicas e protocolos relativos ao cargo, o ethos que decorre de sua própria instituição como juiz, em que é partícipe autônomo e não legitimado eleitoralmente da produção da norma constitucional nas questões sobre as quais a sociedade se encontra fundamentalmente dividida.

Mas o ministro Mendes – e nesse ponto ele é acompanhado por vários de seus colegas – adota perspectiva distinta. Em nome da preservação de um debate eleitoral centrado em temas construtivos, interfere substantivamente na fala e desequilibra as oportunidades dos protagonistas. Coloca-se como avaliador das mensagens institucionais do governo, equiparando-as à prática de crimes. Sugere insidiosamente a parcialidade de seus colegas de TSE e do STF (no caso do julgamento de embargos na AP n° 470), atribuindo-lhes conluio com o governo.

Responde a discurso do ex-presidente Lula, realizado em plena campanha presidencial, e procura desqualificar seu interlocutor com o uso de termos apropriados à política da República Velha. Justifica suas frases de efeito colocando-as como recurso para entreter a plateia das sessões do TSE, e não como manifestações de suas preferências políticas. Uma coisa é certa: seu engajamento tende a aprofundar a perda da aura respeitabilidade inerente a seu cargo, afetando inevitavelmente a Corte em que atua.

O ministro nos brinda com nova blague ao sugerir o risco de que o STF se torne uma corte bolivariana, uma espécie de tribunal de mero apoio à política governamental. Decerto o caráter contramajoritário atribuído ao STF por analogia à Corte Suprema não se equipara ao de uma câmara de oposição às políticas governamentais, e menos ainda o de que seus integrantes exerçam pinga-fogo nas polêmicas do dia. Pelo contrário, as cortes constitucionais podem ser melhor caracterizadas como coprodutoras da norma constitucional, como uma das instâncias nas quais se dá o equilíbrio dos entes constitucionais, a produção das políticas, a proteção dos direitos individuais e coletivos, a programação e reflexão sobre os objetivos compartilhados da nossa polity.

O risco de o STF tornar-se uma corte domesticada ao governo é mínimo, pelo fato de que sua atuação e composição refletem as forças de nosso sistema político, que as nomeações futuras tenderão a preservar. Primeiro, a fragmentação do sistema partidário e das forças políticas, nos planos federal e estadual. A mídia exerce um áspero controle das ações governamentais, com pauta convergente em grande parte com a da oposição. O STF é a cúpula de um poder institucionalmente insulado e dividido em várias parcelas, que detêm salvaguardas e recursos para a tomada de decisão independente, e contrária ao seu órgão de cúpula. Os profissionais do direito estão organizados em fortes movimentos corporativos com vínculos orgânicos com partidos e lideranças políticas de todas as correntes. Eles compartilham princípios e valores liberais, expressos nas formas constitucionais da República, e que tomam como naturais e necessários, mas adotam orientações distintas em temas sensíveis, do ponto de vista político, social ou moral.

Enfim, ao contrário do que aponta o ministro, o risco não é o de domesticação dos tribunais pelo governo. O problema que se coloca é o uso faccioso das oportunidades de ação proporcionadas pelos instrumentos judiciais para desestabilizar e paralisar o governo. Na falta de partidos ou movimentos unificados que conduzissem historicamente as transformações políticas, a nossa República foi construída sobre múltiplos espaços e mecanismos de caráter consensual, cujo funcionamento depende da construção de convergências políticas. As atribuições ampliadas das instituições judiciais fazem parte desses mecanismos de ajuste, para evitar bloqueios, desvios e paralisia nos processos decisórios. Resta evitar que seus agentes tornem-se produtores de impasses para cuja solução eles foram instituídos.

O “leilão” de Eduardo Cunha


O mestre Janio de Freitas – sempre ele, quase só ele – traça um retrato que a imprensa, no seu afã de abanar tudo o que possa ser foco de dificuldades para Dilma Rousseff, tem sido incapaz de traçar.
Mostra como é, de fato, a luta entre o PMDB presidido por Michel Temer e a parte da bancada liderada por Eduardo Cunha, um personagem tenebroso no qual se depositam esperanças de vir a ser o “derrubador parlamentar” da expressão eleitoral do povo brasileiro.
Janio demonstra como Cunha se oferece – e aos deputados que lidera – como uma esfinge sem mistérios, da qual o desafio ao governo é um “atenda-me ou te devorarei”.
Mas que, também, negocia com a oposição a condição de príncipe da sabotagem, que lhe renda poder, vantagens e uma liderança política incompatível com sua pequenez moral.
Janio diz tudo, mas atrevo-me a uma pequena e burlesca contribuição de testemunha ao que diz Janio sobre as artes de Eduardo Cunha é frente da Telerj no Governo Collor. Por meio de um secretário de Estado, foi ao Palácio Laranjeiras, no início do segundo governo Brizola, levar um dos primeiros telefones celulares a opoerar aqui. Um trambolho, que funcionava numa maleta e servia apenas para fazer peso. Brizola recebeu aquele traste e nunca, que eu visse, o usou. A única ligação que Cunha tentou com o sabido gaúcho, caiu logo no começo. Quando Garotinho, ainda no PDT, elegeu-se governador, Cunha foi uma das indicações que levou ao rompimento de Brizola com o recém-eleito, quando lhe entregaram as obras da Cehab,pelo apoio de sua rádio evangélica. Se perguntarem a Garotinho, hoje, o que é Eduardo Cunha, tirem antes as crianças de perto.

Encontro contra

Janio de Freitas
Divisão por divisão –esqueceram aquela?– há uma que, sobre ser verdadeira, está sem o reconhecimento de sua importância e, no entanto, é decisiva para muitas das questões suscitadas com o resultado da eleição presidencial.
O PMDB tem agendadas para hoje duas reuniões contraditórias. Vice-presidente reeleito e presidente do partido, Michel Temer reúne governadores e outros eleitos, lideranças e ministros peemedebistas para considerações conjuntas sobre metas do PMDB e sobre projetos passíveis do apoio partidário, em especial a reforma política. Essa pauta da reunião é real, mas o que une todos os temas é a busca de unir também os presentes, contra a contestação a Temer, ou ao comando partidário em geral, organizada pelo deputado Eduardo Cunha, líder da bancada na Câmara.
Marcada a reunião no Palácio Jaburu por Michel Temer, Eduardo Cunha saiu com a represália: convocou os seus deputados para reunião também hoje. As aparências oferecidas por ele são de que age para defender o objetivo de eleger-se presidente da Câmara. Mas, antes mesmo de expor tal propósito, veio emitindo sinais de um plano de dissensão. Desde logo, por exemplo, com a condução da bancada em frequente oposição à linha do partido. Todos os assuntos pareceram ser-lhe úteis para ser visto como um problema em crescimento.
Eduardo Cunha entrará muito fortalecido na nova Câmara. Adotou uma igreja evangélica, que lhe assegurou votação extraordinária, obteve grande apoio financeiro para candidatos a deputado e não se limitou a ajudar correligionários diretos. É dotado de sagacidade muito aguda e de audácia que ainda não mostrou limite algum, ao impulso de ambições que se revelam sempre maiores do que o já espantoso.
A solução interna dos peemedebistas terá o mesmo significado para o PMDB e para o governo. O predomínio continuado do comando com Michel Temer e sua corrente levará à permanência do convívio peemedebista com Dilma Rousseff, com o governo e com o PT, sem maiores alterações. Incluída a composição em torno da eventual reforma política e de outras possíveis reformas. Esse peso decisivo do PMDB se refletirá, portanto, nas tendências do Congresso e, em particular, da Câmara semelhantes às atuais.
O êxito de Eduardo Cunha levará ao desalinhamento entre PMDB e governo, sem que daí se deduza o alinhamento à oposição. Ser disputado aumenta o valor. E o maior valor torna mais fácil abrir caminhos para o objetivo. É o que Eduardo Cunha tem feito, desde que surgiu, como do nada, recebendo de PC Farias já o cargo, com múltiplas utilidades, de presidente da telefônica do Rio.
A cara do Congresso que se instalará em 2015 está na dependência de como se decida a divisão do PMDB.