Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Escrevinhador: quem é Paulo Preto, ferido na estrada


José Serra e Paulo Preto (agachado, com jornal na mão): líder do que? líder de quem?


O Conversa Afiada reproduz post de Rodrigo Vianna:

Paulo Preto, o “líder ferido na estrada”


por Rodrigo Vianna


“Não se abandona um líder ferido na estrada”. A frase, pungente, marcou a campanha de 2010 – tanto quanto a bolinha de papel que atingiu a cabeça de Serra, e que o “JN” da Globo tentou transformar num atentado.


O líder – ferido e abandonado – era Paulo Preto. E o destinatário do recado  (sempre é bom lembrar) era José Serra. Paulo Preto estava magoado quando proferiu a frase. A revista “Istoé” havia publicado – em agosto de 2010 – reportagem bastante longa, mostrando o perfil de Paulo. “Veja” e “Época” haviam dado reportagens discretas sobre o sujeito, chamado de “homem-bomba tucano”.


Nada disso repercutiu. A velha mídia fingiu que Paulo Preto era um caso menor. E não era. No primeiro debate do segundo turno, Dilma trouxe Paulo Preto à tona. Colou Paulo Preto na testa de Serra. O tucano fingiu-se de morto. Disse que nem conhecia Paulo Preto. Magoado, Paulo proferiu então a frase – certeira feito uma flecha: “não se abandona um líder ferido na estrada”.


Até hoje, não conseguimos saber. Paulo Preto era líder do que? Pelo que se sabe, é um ex-funcionário da estatal paulista Dersa – que construiu obras milionárias, como o Rodoanel. Teria trabalhado também no Palácio do Planalto, na época de FHC. Imaginem se fosse um petista e tivesse trabalhado perto de Lula! Mas Paulo Preto não era propriamente um “líder político”.  Que tipo de negócios Paulo Preto liderava para se intitular assim: “um líder ferido na estrada”?


Agora, fica mais claro. Parece que, entre outras atividades, ele se dedica a liderar advogados. Paulo Preto aderiu à onda de processos contra jornalistas – que inunda a Justiça. Paulo Henrique Amorim acaba de revelar que Paulo Preto resolveu processar o titular do Conversa Afiada. Agora, são 40 processos contra PH Amorim. Ali Kamel da Globo – um dos que processam PH Amorim – resolveu abrir processos também contra esse escrevinhador, contra Azenha, Marco Aurélio (blog “Doladodelá”), Nassif – entre outros. Perto de Ali Kamel, Paulo Preto ainda é um amador…


Mas voltemos ao tucano. Um homem ferido e abandonado não teria tempo para se dedicar a processos. Pelo visto, Paulo Preto já foi recolhido pelos companheiros. Talvez ainda esteja ferido. Mas já não parece abandonado à beira da estrada.


Curioso é saber: o que esse homem tem a ver com as investigações da “Operação Castelo de Areia” – suspensa por ordem (!?) da Justiça. Em reportagem do R-7, ano passado, já se dizia que Paulo Preto fora citado na Castelo de Areia.


Um passarinho me contou que fatos novos sobre a “Castelo de Areia” podem aparecer em breve. Só que dessa vez Paulo Preto não estará sozinho à beira da estrada.


A conferir.

Os desequilíbrios do mercado chinês

QUEM FALA PELA ARGENTINA: A MÍDIA OU AS URNAS?

*crise bancária do euro: George Soros e mais 1.300 empresários e políticos lançam carta aberta pedindo solução imediata para a crise bancária e fiscal da Europa** 'Ocupe o Copom': dia 18, lançamento do manifesto liderado por sindicatos metalúrgicos,  pelo corte dos juros. Pesquisas indicam que Cristina Kirchner pode ter a maior votação da história da Argentina desde o retorno do país à democracia, em 1983.As enquetes divulgadas esta semana apontam sua vitória no 1º turno do pleito de domingo,dia  23,quatro dias antes do primeiro aniversário da morte de seu marido, Nestor Kirchner, que a antecedeu na Presidência, de 2003 a 2007 (leia reportagem do correspondente em Buenos Aires nesta pag). Superior ao desempenho previsto para Cristina (53% a 57%) só há 3 registros na história argentina:Perón , em 52 e 73 e, antes dele, Hipólito Yrigoyen, em 28. Para quem é informado exclusivamente pelos veículos da grande imprensa brasileira, o panorama na reta final desconcerta pelo fosso entre o que se noticia aqui e as evidencias  em sentido contrário vindas de lá. Se o  governo Cristina é  descrito como uma espécie de Olaria Futebol  Clube, como então essa goleada no que nos é vendido como sendo o Barcelona da pampa? Como um governante de um ciclo carimbado como um dos mais ineptos e corruptos; que declarou moratória de US$ 145 bi, impondo aos credores o maior desconto da história mundial (70%); julgou e prendeu militares e torturadores; taxou e confiscou receita do agronegócio,;estatizou o papel de imprensa e bateu de frente com a mídia conservadora chegou a esse desempenho, após oito anos desastrosos? Iniciado em 2003, o ciclo Kirchner  herdou uma taxa de pobreza produzida pelo extremismo neoliberal que afetava 60% dos  37 milhões de argentinos.Hoje a economia cresce a 8% ao ano. Sim, beneficiada pelo ciclo de alta das commodites; se a China desacelerar, os flancos do modelo primário-exportador emergirão  -- lá,cá e nos demais 70% do planeta atados à demanda chinesa. Em contrapartida, desdenha-se que a  pobreza agora, segundo o Inde (oficial), abrange menos de 10% da população (2,5 milhões de pessoas). Com um porém, retrucam os oposicionistas. Sendo o dobro do índice oficial, a inflação efetiva distorce todas as referencias de renda real. Pode ser uma parte da verdade.Não toda ela. Dia 23 as urnas  anunciarão o saldo político dessa tabulação histórica que a mídia sempre sonegou.
(Carta Maior; 4ª feira, 12/10/ 2011)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Mídia subalterna brasileira esconde a Primavera Americana

A única coisa que eu li/vi de alguma coisa relacionada
a povo e movimento (não este) nos EUA, dentre
todos jornalões, Globo, Folhinha, Estadão e a Vejinha,
nos últimos dias, foi isso aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/987176-parque-suspenso-em-nova-york-atrai-milhoes-e-vira-tema-de-livro-veja.shtml






 Fotos catadas & fornecidas por aly do Letteri Café: http://www.letteri.blogger.com.br/index.html
+ fotos do movimento, com todos os créditos aqui

O que nos separa da crise bancária



*CRISE BANCÁRIA NO EURO: agencia de risco rebaixa nota de dez bancos espanhóis, inclusive o Santander

**pesquisas indicam que Cristina Kirchner teria entre 52% e 57% dos votos, o que lhe daria a vitória em 1º turno nas eleições do próximo dia 23

** Slavoj Zizek aos indignados em Wall Street (leia nesta pág)

**  'Ocupe  Copom': metalúrgicos do ABC e de São Paulo lideram mobilização pela queda dos juros com manifesto a ser lançado dia 18/10

Os economistas gostam de usar a figura dos ‘canais de transmissão' para  indicar os mecanismos pelos quais as crises e bonanças se disseminam pelo sistema. A crise  financeira mundial  vive agora seu estágio mais virulento e delicado  --a ante-sala de uma crise bancária, um dos  canais de transmissão mais temidos pelo capitalismo. Seu epicentro são as instituições financeiras do euro sobre as quais desceu o manto da desconfiança. Com razão. Há tres meses, o Dexia, por exemplo, que acaba de falir, foi avaliado como a 12ª melhor instituição européia no teste de stress promovido pelo BCE. Quando ninguém mais confia em ninguém o crédito se retrai porque a chance de um calote aumenta. Esse retraimento já prejudica o comércio internacional, o que ilustra o potencial sistêmico de um colapso na banca do euro. O sistema bancário europeu acumula a nada desprezível soma de 6,5 tri de euros em títulos de solvência questionável numa situação de liquidez arredia como essa. A quem os bancos vão vender as suas carteiras? Estima-se que a metade disso forme atualmente um dos maiores  micos da história do sistema capitalista.
(Carta Maior; 3ª feira, 11/10/ conomistas gostam de usar a figura dos ‘canais de transmissão’ para indicar os mecanismos pelos quais as crises e bonanças se disseminam pelo sistema. A crise financeira mundial vive agora seu estágio mais virulento e delicado - a ante-sala de uma crise bancária, um dos canais de transmissão mais temidos pelo capitalismo. Seu epicentro são as instituições financeiras do euro sobre as quais desceu o manto da desconfiança. Com razão. Há três meses, o Dexia, que acaba de falir, foi considerado a 12ª instituição mais sólida da Europa no teste de stress promovido pelas autoridades do BCE. Quando ninguém mais confia em ninguém o crédito se retrai, o que já está acontecendo no comércio mundial, em prejuízo das exportações. Daí a ansiedade que cerca a chamada 'capitalização' do sistema bancário do euro.

Por conta das anomalias congênitas da União Europeia - um clube que gasta mesma moeda, sem a contrapartida de um caixa único que coordene a entrada e a saída de recursos - a banca do euro acabou assumindo o papel de um caixa de compensação algo temerário. Compra e vende dívida das economias associadas como em qualquer lugar. Com a diferença de que negocia com governos que não tem poder de emissão de euros para garantir seus papagaios.

Isso faz do sistema bancário europeu um entreposto manco que acumula a nada desprezível soma de 6,5 trilhões de euros em títulos de governos de insolvência intrinsecamente questionável numa situação de liquidez arredia.A quem os bancos vão vender suas carteiras, por exemplo? Estima-se que a metade disso forme atualmente um dos maiores micos da história do sistema capitalista.

O calote de fato da Grécia é responsável por uma fatia da ordem de 300 bi de euros desse total. Mas tem ainda a pré-insolvência da Itália, bem como a da Espanha, Portugal, Irlanda e sabe-se lá mais o quê.

O sistema bancário do euro ainda rumina, por exemplo, cerca de US$ 600 bi a US$ 770 bi em ativos tóxicos – papéis sem retorno - adquiridos no ciclo de alta da especulação imobiliária nos EUA.

O potencial de contaminação dessa montanha desordenada de micos e malfeitos rentistas é imenso.

O sistema bancário hoje é o principal amálgama do que se denomina a globalização financeira. Calcula-se que vinte bancos gigantes, cercados de satélites ramificados em órbitas continentais, regionais e nacionais, alicercem a unificação e o domínio da economia mundial nas mãos do capital que se reproduz a juros.

Ocorre que a teia hegemônica é também a corda que pode enforcar o pescoço do sistema. Passivos e ativos dos bancos são negociados diariamente em operações interbancárias nesse circuito global onde o ‘preço’ de cada suposto direito de saque sobre a riqueza efetiva é repactuado ininterruptamente, desde o amanhecer em Tóquio ao anoitecer em Londres.

Evitar o contágio de uma eventual quebra bancária, um Lehman Brothers na área do euro, nessa promíscua cadeia de trocas é quase impossível.

A desregulação promovida a partir dos anos 80 legitimou o vale-tudo de uma verdadeira orgia do dinheiro, com o fatiamento e o reembrulho de papéis os mais díspares, dotados das garantias mais opacas e incertas. O resultado é que hoje ninguém mais sabe ao certo o que tem em mãos, qual é exatamente a solvência de suas carteiras e qual seu fôlego diante de um calote num dos elos da corrente.

O exemplo do Dexia resume, e justifica, a suspeita que paira sobre os demais.

Daí o desespero do mundo capitalista com a lerdeza dos líderes do euro (Merkel e Sarkozy) em deslanchar um programa amplo, massivo e fulminante de ‘capitalização e saneamento’, leia-se, de refundação do braço europeu da globalização financeira.

A dupla franco-germânica anunciou neste final de semana que agora vai. As bolsas festejaram algo precipitadamente. Merkel e Sarkozy pediram um prazo até o final do mês para ligar os tubos da transfusão redentora cujo principal custo é político: na ausência de um caixa fiscal único do clube do euro, o dinheiro terá que sair de quem tem munição em casa. Numa Europa que rasteja na boca do vulcão, esse alguém é a Alemanha e a França.

Desgastados diante do seu eleitorado que teme os sacrifícios domésticos de um resgate dessa magnitude, e com escrutínios pela frente, Merkel e Sarkozy tentam se equilibrar entre o risco político interno e o risco financeiro global. É nesse corredor miseravelmente estreito que se decide um pedaço da sorte de um sistema que vendeu à sociedade a ideia de que a autorregulação dos mercados era a forma mais eficiente, barata, transparente e democrática de alocar recursos para o desenvolvimento. Os ventrílocos dos mercados, entre eles a operosa mídia, insistiran nessa ladainha até a beira do abismo esfarelar-se sob seus pés.

Quando o que restou de chão firme mal apoia o calcanhar, o que se ouve em uníssono é o clamor por uma estatização rápida, irrestrita e imperativa, ainda que dissimulada em eufemismos como ‘resgate’ e ‘capitalização’. Entra em campo a velha e cínica lógica de que a socialização dos prejuízos privados com dinheiro público pode. Mas a socialização dos lucros, via taxação para financiar, por exemplo, a saúde pública, como no caso do SUS brasileiro, é impostômetro. Só serve para alimentar a 'gastança'.
Postado por Saul Leblon às 07:43

Fátima Oliveira: Liberdade de expressão e os limites democráticos

Sobre o controle social e ético da liberdade de expressão
É um direito de cidadania, mas há limites democráticos
Fátima Oliveira, Jornal OTEMPO
Médica - http://mail.uol.com.br/compose?to=fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
Das duas, uma, ou nenhuma: sou insana e quem pensa diferente é saudável; ou sou uma “sana” ilhada – cercada de insanos por todos os lados. Como as duas premissas são impossibilidades, decidi filosofar sobre o furdunço polissêmico em que tentam colocar a liberdade de expressão… Ora, liberdade de expressão não comporta polissemias (do grego poli = muitos e sema = significados)!
A presidente Dilma Rousseff, em discurso nos 90 anos da “Folha”, disse: “A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem. E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas” (FSP, 21.2.2011).
A liberdade de expressão é um direito de cidadania. Há limites democráticos, pois democracia não é anarquia, até para falar, sem que seja, a priori, censura, tal como o senso comum crê: um gesto ditatorial. Em tudo que prejudique direitos humanos de um setor social – caso de publicidade e novelas machistas – cabem limites, isto é, civilidade; e também marketing social.
Quem diz o que pensa, o que quer e quando quer, precisa saber que, numa sociedade democrática e plural, é essencial ter em conta as diferentes moralidades, adotando a prática de deferência à alteridade (colocar-se no lugar do “outro”) ao falar, pois cada pessoa – falo o conceito de pessoa, e não o de seres humanos, pois há seres humanos e pessoas… – é totalmente responsável por seus atos e palavras, inclusive a escrita. Eis os limites.
À ampla liberdade de expressão corresponde absoluta responsabilização pelas opiniões emitidas. Todavia, muita gente, equivocadamente, só entende a liberdade de expressão em sua face direito de dizer – falar e agir como bem lhe aprouver, fazendo de conta que a responsabilidade por palavras e atos significa sempre censura descabida.
A censura não se apresenta abstratamente, pois na real é ela e suas circunstâncias. Pelo nosso passado de uma ditadura militar de triste memória, a tendência de quem ama a liberdade, aparentemente, é a mesma dos que a odeiam: achar que o conceito de censura é sempre aquele que a ditadura militar nos impôs. É uma distorção conceitual.
Os amantes da liberdade, porque foi a censura da ditadura quem usurpou suas vozes e até vidas, e os que a odeiam, muitos coparticipantes dos tempos de arbítrio, porque querem esculhambar, acusar e julgar sem provas pessoas e governos; fazer linchamento moral público, só na base de acusações; e não querem ser chamados à responsabilidade, jamais!
Não é um imbróglio. Tem nome: safadeza conservadora autoritária. E tem sido praticada pelas viúvas e os viúvos da ditadura militar de 1964 e seus sequazes, sempre a postos para confundir pessoas incautas. Quem defende as liberdades democráticas nunca fala a mesma língua de quem um dia sufocou-as, até quando usa as mesmas palavras.
É preciso um razoável repertório de malícia, perder a crença nas pedras de sal, para não ser embromado e apreender que o respeito à alteridade é condição indispensável ao fortalecimento da democracia, que não pode prescindir do controle social e ético da liberdade de expressão ao elaborar um novo contrato social que assegure as liberdades democráticas.
Leia também:
Gilberto Maringoni: Rafinha dançou por mexer com gente rica

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Arábia Saudita: problemas no reino

O gigante não está mais adormecido


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Leia mais em: O Esquerdopata
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As RUAS NÃO DORMEM: AGORA, LONDRES


2.000 indignados ingleses ocupam a ponte de Westminster, em Londres, contra o projeto de Cameron de cortar verbas da saúde pública britânica. Medida faz parte do plano conservador de eliminar 330 mil vagas nos serviços públicos até 2014 e reduzir gastos fiscais em US$ 180 bilhões --uma espécie de upgrade na herança privatista de Margareth Tatcher. Governo conservador já cortou verbas da educação; triplicou as anuidades dos estudantes; quer privatizar parques nacionais e reduziu os serviços sociais destinados à juventude pobre nos bairros da periferia. Em agosto, a Inglaterra foi palco de violentos conflitos de rua que tiveram início após a morte de um jovem numa blitz policial em Tottenham. Dias antes, o bairro da periferia de Londres tivera fechado oito de seus 13 centros de lazer e apoio à juventude. A crise financeira aperta o cerco na Inglaterra conservadora: país tem mais de 2,5 milhões de desempregados; entre os jovens de 16 a 24 anos a taxa de desemprego passa de 20%; 13 bancos britânicos tiveram sua nota rebaixada por agências de risco; a respeitada BBC,vítima do arrocho fiscal, vai cortar  2 mil vagas.

(Carta Maior; 2ª feira, 10/10/ 2011)
 
*esquerda do PS  francês sai fortalecida da prévia deste domingo para a escolha do candidato que enfrentará Sarkozy em 2012 ** num formato inédito, aberto ao voto de toda  a população,  o escrutínio socialista  atraiu dois milhões de  pessoas (leia a reportagem de Eduardo Febbro, de Paris)
 

Che Guevara e os mortos que nunca morrem

Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia. Assim seria ele hoje. Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che. E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais. O artigo é de Eric Nepomuceno.



No dia em que executaram o Che Guevara em La Higuera, uma aldeola perdida nos confins da Bolívia, Julio Cortázar – que na época trabalhava como tradutor na Unesco – estava em Argel. Naquele tempo – 9 de outubro de 1967 – as notícias demoravam muito mais que hoje para andar pelo mundo, e mais ainda para ir de La Higuera a Argel.

Vinte dias depois, já de volta a Paris, onde vivia, Cortázar escreveu uma carta ao poeta cubano Roberto Fernández Retamar contando o que sentia: “Deixei os dias passarem como num pesadelo, comprando um jornal atrás do outro, sem querer me convencer, olhando essas fotos que todos nós olhamos, lendo as mesmas palavras e entrando, uma hora atrás da outra, no mais duro conformismo... A verdade é que escrever hoje, e diante disso, me parece a mais banal das artes, uma espécie de refúgio, de quase dissimulação, a substituição do insubstituível. O Che morreu, e não me resta mais do que o silêncio”.

Mas escreveu:

Yo tuve un hermano
que iba por los montes
mientras yo dormía.
Lo quise a mi modo,
le tomé su voz
libre como el agua,
caminé de a ratos
cerca de su sombra.
No nos vimos nunca
pero no importaba,
mi hermano despierto
mientras yo dormía,
mi hermano mostrándome
detrás de la noche
su estrella elegida.


A ansiedade de Cortázar, a angústia de saber que não havia outra saída a não ser aceitar a verdade, a neblina do pesadelo do qual ninguém conseguia despertar e sair, tudo isso se repetiu, naquele 9 de outubro de 1967, por gente espalhada pelo mundo afora – gente que, como ele, nunca havia conhecido o Che.

Passados exatos 44 anos da tarde em que o Che foi morto, o que me vem à memória são as palavras de Cortázar, o poema que recordo em sua voz grave e definitiva: “Eu tive um irmão, não nos encontramos nunca mas não importava, meu irmão desperto enquanto eu dormia, meu irmão me mostrando atrás da noite sua estrela escolhida”.

No dia anterior, 8 de outubro de 1967, um Ernesto Guevara magro, maltratado, isolado do mundo e da vida, com uma perna ferida por uma bala e carregando uma arma travada, se rendeu. Parecia um mendigo, um peregrino dos próprios sonhos, estava magro, a magreza estranha dos místicos e dos desamparados. Foi levado para um casebre onde funcionava a escola rural de La Higuera. No dia seguinte foi interrogado. Primeiro, por um tenente boliviano chamado Andrés Selich. Depois, por um coronel, também boliviano, chamado Joaquín Zenteno Anaya, e por um cubano chamado Félix Rodríguez, agente da CIA. Veio, então, a ordem final: o general René Barrientos, presidente da Bolívia, mandou liquidar o assunto.

O escolhido para executá-la foi um soldadinho chamado Mario Terán. A instrução final: não atirar no rosto. Só do pescoço para baixo. Primeiro o soldadinho acertou braços e pernas do Che. Depois, o peito. O último dos onze disparos foi dado à uma e dez da tarde daquela segunda-feira, 9 de outubro de 1967. Quatro meses e 16 dias antes, o Che havia cumprido 39 anos de idade. Sua última imagem: o corpo magro, estendido no tanque de lavar roupa de um casebre miserável de uma aldeola miserável de um país miserável da América Latina. Seu rosto definitivo, seus olhos abertos – olhando para um futuro que ele sonhou, mas não veria, olhando para cada um de nós. Seus olhos abertos para sempre.

Quarenta e quatro anos depois daquela segunda-feira, o homem novo sonhado por ele não aconteceu. Suas idéias teriam cabida no mundo de hoje? Como ele veria o que aconteceu e acontece? O que teria sido dele ao saber que se transformou numa espécie de ícone de sonhos românticos que perderam seu lugar? Haveria lugar para o Che Guevara nesse mundo que parece se esfarelar, mas ainda assim persiste, insiste em acreditar num futuro de justiça e harmonia? Um lugar para ele nesses tempos de avareza, cobiça, egoísmo?

Deveria haver. Deve haver. O Che virou um ícone banalizado, um rosto belo estampado em camisetas. Mas ele saberia, ele sabe, que foi muito mais do que isso. O que havia, o que há por trás desse rosto? Essa, a pergunta que prevalece.

O Che viveu uma vida breve. Passaram-se mais anos da sua morte do que os anos da vida que coube a ele viver. E a pergunta continua, persistente e teimosa como ele soube ser. Como seria o Che Guevara nesses nossos dias de espanto? Pois teria sabido mudar algumas idéias sem mudar um milímetro de seus princípios.

Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia.

Assim seria ele hoje.

Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che.

E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais. Como o Che.

 
 


sábado, 8 de outubro de 2011

“Comam os ricos”, “Se o governo não pode deter Wall Street, nós o faremos”

Nasce um novo movimento social nos Estados Unidos

A presença de um amplo leque de sindicatos transformou o perfil do movimento iniciado por algumas centenas de jovens em Nova York, em sua maioria brancos, de universidades privadas, no dia 17 de setembro. Mudou não só em números, mas também em diversidade, gerando o que muitos líderes sindicais e comunitários estão chamando de um novo movimento social por justiça econômica. Algumas fontes policiais estimaram em mais de 10 mil os participantes da marcha e os organizadores calcularam o dobro. A reportagem é de David Brooks, do La Jornada.


Somos os 99%, gritaram juntos milhares de estudantes, sindicalistas, veteranos, imigrantes, professores e ativistas de todo tipo na primeira ação massiva contra o cobiça empresarial do 1% mais rico, a corrupção do sistema político e a desigualdade econômica que cresceu desde que o setor financeiro provocou a pior crise econômica desde a Grande Depressão.

A presença de um amplo leque de sindicatos transformou o perfil do movimento iniciado por algumas centenas de jovens, em sua maioria brancos, de universidades privadas, no dia 17 de setembro. Mudou não só em números, mas também em diversidade, gerando o que muitos líderes sindicais e comunitários estão chamando de um novo movimento social por justiça econômica. Algumas fontes policiais estimaram em mais de 10 mil os participantes da marcha e os organizadores calcularam o dobro. Na noite de quarta, ao terminar a manifestação, foram reportadas algumas detenções quando um grupo de manifestantes tentou ingressar em Wall Street.

Bob Masters, diretor político do distrito noroeste do sindicato de telefonistas CWA, declarou:
Ocupa Wall Street lançou um novo movimento e juntos ganharemos. Enquanto milhares continuavam chegando à Praça Foley, no meio dos tribunais de Nova York, onde ocorreu a marcha, Masters fez um chamado pela solidariedade ao movimento. “Todos juntos estamos dizendo: já basta!”.

Todo o dia, toda a semana, Ocupa Wall Street, gritavam enquanto caminhavam pela Broadway. Entre eles estavam as filiadas ao Sindicato Nacional de Enfermeiras (com cartazes que diziam ‘Vamos curar os Estados Unidos’), trabalhadores do metrô, motoristas de ônibus do TWU e trabalhadores de lojas de departamentos do sindicato UFCW. Com a brisa, tremulavam bandeiras do sindicato de professores (UFT), dos automotrizes (UAW), do setor público (AFSCME), do setor de serviços (SEIU), de professores e pesquisadores de universidades da cidade de Nova York, como Columbia.

Também participaram da manifestação uma ampla gama de organizações comunitárias, com latinos, hindus, chineses, porto-riquenhos, dominicanos, mexicanos e árabes, entre outros, que se somaram ao ato em solidariedade. “Filipino-estadunidenses” apoiam Ocupa Wall Street, lia-se numa faixa, e outra proclamava o mesmo de parte de indígenas norteamericanos. Estudantes abandonaram as aulas em vários cursos da Universidade Estatal de Nova York para somarem-se aos protestos.

Uma multiplicidade de expressões mostrava o mosaico de cartazes feitos a mão. “Comam os ricos”, “Se o governo não pode deter Wall Street, nós o faremos”, “Quando os ricos roubam dos pobres isso se chama negócio; quando os pobres se defendem se chama violência”, “Protejam as escolas, não aos milionários”.

Circula um par de camisetas de estadunidenses com a imagem de Zapata e um jovem que esteve na Praça Liberdade desde o dia 17 de setembro mostra orgulhoso um emblema do EZLN ao saber que o La Jornada estava cobrindo a marcha.

O mesmo que ocorreu no Egito está acontecendo aqui; já não podemos aguentar mais, afirmou Hank, integrante do Sindicato de Trabalhadores do Transporte Público (TWU), quando marchava. Um turista espanhol tirava fotos da marcha e comentava com seus companheiros: olha que bonita, igual a nós.

Ao passarem por ônibus de turismo, os manifestantes gritavam: deixem de tomar fotos e unam-se a nós. Outros alertavam ao exército de policiais: vocês também são parte do 99%, venham com nós. Trabalhadores da construção que trabalham em um edifício próximo liam exemplares do jornal Wall Street Journal Ocupado.

Tudo começou quando uma marcha desde a praça ocupada a um par de quadras de Wall Street se dirigiu à Praça Foley, a umas dez quadras de distância. Ao chegar ali, se escutou um ensurdecedor grito de júbilo no momento em que se encontravam com um ato organizado pelos principais sindicatos de Nova York com organizações comunitárias. Depois dos inevitáveis discursos, ocorreu a marcha de regresso à rebatizada Praça Liberdade, movimento que levou umas duas horas pelo seu tamanho. Assim se celebrou a solidariedade entre Ocupa Wall Street, sindicatos e organizações comunitárias.

AFL-CIO: o movimento capturou a paixão de milhões nos EUA
Desde Washington, o presidente da central operária nacional AFL-CIO, Richard Trumka, fez uma declaração pública: o movimento conhecido como Ocupa Wall Street capturou a paixão de milhões de estadunidenses, que perderam a esperança nos políticos desta nação e, agora, com esses atos, falam diretamente a eles. Apoiamos os manifestantes em sua determinação de responsabilizar a Wall Street por suas ações e demandar a criação de empregos. Estamos orgulhosos que hoje em Wall Street, motoristas, pintores, enfermeiras e trabalhadores de serviços básicos unam-se a estudantes, proprietários de casas, desempregados e aos que não têm emprego fixo para fazer um chamado por mudanças fundamentais que precisam ser feitas.

Um pouco antes, os integrantes do comitê executivo – presidentes de sindicatos nacionais – tinham aprovado de maneira unânime dar apoio a Ocupa Wall Street.

Também ocorreram ações semelhantes em outras partes do país. Em Boston, centenas de estudantes e enfermeiras sindicalizadas fizeram um ato de protesto contra os altos custos da educação, as reduções orçamentárias na saúde e o que definem como controle do governo pelas corporações. Em Seattle, foram reportadas algumas prisões quando “ocupantes” se recusaram a acatar ordens de abandonar um espaço público.

Em Los Angeles, relata a agência Associated Press, houve um tratamento diferente do governo, depois que conselheiros municipais aprovaram uma resolução de apoio ao Ocupa Los Angeles, e o gabinete do prefeito Antonio Villaraigosa distribuiu 100 capas de plástico para os manifestantes se protegerem da chuva. Também ocorreram ações em Boise, Idaho e outras cidades.

Hoje esse movimento deu um giro que não só ampliou suas bases, mas que, caso essa nascente aliança entre estudantes e trabalhadores se consolide, pode transformar o panorama político dos Estados Unidos.
Tradução: Katarina Peixoto

A desculpa fraca de FHC em viagem constrangedora


Homenageado em Florianópolis, capital em que começou sua vida acadêmica fazendo uma pesquisa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tentou por panos quentes e acalmar os demônios do caldeirão fervente dos tucanos. Empenhou-se só em minimizar a cisão do PSDB entre os governadores Geraldo Alckmin e José Serra, alternada por alianças episódicas de Alckmin com o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
"Os partidos todos têm problemas. Há um momento sempre em que um reclama do outro, mas eu não acho isso dramático. É normal. Já estou habituado e isso se resolve", profetizou. Só que nessa visita a Santa Catarina o ex-presidente não visitou nem o diretório estadual tucano nem seu presidente regional, o ex-governador e ex-senador Leonel Pavan.
"Eu não vou ter nenhum contato político aqui no Estado, vim receber uma homenagem (uma comenda), não seria justo transformar em uma questão partidária", desculpou-se FHC. Pavan, também, não apareceu em nada a que compareceu FHC, ex-presidente da República por seu partido.
Desculpa de FHC soa fraca
Já as acusações a Pavan são fortes: no momento em que assumia o governo no ano passado ele foi indiciado pela Polícia Federal (PF) pelos crimes de prevaricação, tráfico de influência em favor de empresas privadas e formação de quadrilha em atividades de licenciamento de empreendimentos na região de Itajaí junto a Fundação Estadual de Meio-Ambiente.
Esse episódio é mais um caso escabroso de falta de pudor de nossa mídia, que nunca o acompanhou devidamente, numa total ausência de qualquer critério jornalístico para uma cobertura. O critério foi só político. Como continua a ser: esconder os malfeitos dos tucanos.
Empenho mantido, inclusive, agora nessa visita de FHC, que não foi perguntado e nem questionado a fundo sobre as razões pelas quais não visitou a sede estadual de seu partido, nem se encontrou com o presidente regional.
Apesar deste ser um ex-governador, ex-senador, e ex-prefeito de Balneário Camboriú. Agora, tão calado e vivendo no anonimato, Pavan é o oposto do que foi no Senado, sempre empenhado em caluniar e difamar adversários.

Divino Império

“Em um discurso polêmico, o pré-candidato republicano a presidência Mitt Romney afirmou nesta sexta-feira (07/10) que Deus criou os Estados Unidos para que o país comandasse o mundo.
“Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os EUA não estão destinados a ser um dos vários poderes globais em equilíbrio”, afirmou Rommey. O discurso foi feito em um colégio militar no estado da Carolina do Sul.
Segundo o pré-candidato, “os EUA devem conduzir o mundo ou outros o farão”. As afirmações ocorrem no dia que marca os 10 anos da invasão do Afeganistão pelos EUA. Na época, o país justificou a invasão afirmando que deveria capturar o saudita Osama Bin Laden, responsável por articular os ataques de 11 de setembro.
Para Romney, o mundo seria muito mais perigoso caso os EUA não tivessem um papel de liderança. “Deixem-me ser claro: como presidente dos Estados Unidos, eu me dedicarei a um século americano. Nunca, jamais, pedirei perdão em nome dos EUA”, concluiu.
Romney está em primeiro lugar nas intenções de voto entre os pré-candidatos republicanos, segundo informaram as últimas pesquisas. “Isso é muito simples: se você não quer que os EUA sejam a nação mais forte do planeta, eu não sou seu presidente”, concluiu o pré-candidato.”
Heil!
No Tijolaço

Peter Pan e os devoradores de criancinhas

Quando o escritor e dramaturgo anglo-escocês Sir James Matthew Barrie escreveu a peça de teatro Peter and Wendy – obra que, depois, por incontáveis vezes ganharia as telas do cinema rebatizada simplesmente como Peter Pan –, jamais imaginaria que a história dos garotos que não queriam crescer e fugiram para uma terra mágica em que isso era possível batizaria operação da agência norte-americana de inteligência, a CIA, que constitui um dos momentos mais dolorosos da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética.
Alguns pensam que é piada ou ironia a frase sobre comunistas, além de todos os pecados, serem devoradores de criancinhas, mas a origem do que hoje é considerado piada vem de um tempo em que os Estados Unidos tentaram realmente vender a acusação inacreditável de que o regime de Fidel Castro pretendia usar crianças para alimentar os povos supostamente esfaimados do Leste Europeu. Só que, de tão ridícula, a acusação não foi oferecida ao mundo, mas, tão-somente, ao povo cubano, dando origem à segunda grande diáspora desse povo rumo à ensolarada Miami, e sob o beneplácito e o incentivo do governo ianque.
Meses após a chegada de Fidel Castro ao poder, em 1959, e em seguida à primeira grande onda migratória rumo aos Estados Unidos, composta tanto pelos que se auto-exilaram quanto pelos que foram expatriados pelo novo governo, a CIA empreendeu uma de suas mais delirantes operações visando derrubar o regime comunista de Cuba. Essa história incrível deve virar filme, provavelmente adaptado do último livro do escritor Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, no qual a Operação Peter Pan, que visava incrementar a diáspora cubana, é descrita.
Em outubro de 1960, uma das rádios montadas pelos cubanos exilados em Miami que, devido à proximidade com Cuba, faziam chegar à ilha transmissões contra o governo do país exortando o povo a emigrar para os Estados Unidos passou a veicular mensagens às “mães cubanas” acusando Fidel Castro de pretender tirar a guarda de seus filhos pequenos. Em seguida, aviões civis pilotados quase sempre por cubanos exilados despejaram toneladas de panfletos sobre a ilha contendo a reprodução de um suposto decreto governamental que concretizaria a extinção do pátrio poder dos cubanos sobre filhos maiores de cinco anos e menores de vinte.
Apesar de todos os desmentidos do governo cubano, cerca de 14 mil crianças e adolescentes deixaram Cuba rumo aos Estados unidos. Sozinhos, sem pais, sem ninguém, enviados para supostamente serem postos a salvo de “canibais comunistas”, pois os vigários das paróquias da Igreja Católica passaram a difundir a versão macabra de que as crianças “expropriadas” seriam enviadas à União Soviética para serem trituradas, enlatadas e usadas como alimento para os povos famintos que supostamente penavam sob regime comunista europeu.
O fim da história não é bonito e muito menos feliz. Grande parte dos pais que enviaram seus filhos para o exílio no afã de salvá-los da “voracidade comunista” jamais voltaram a vê-los. Como Peter Pan, as crianças e adolescentes que os Estados Unidos usaram em sua guerra sem limites contra a ilhota caribenha ironicamente foram de fato para uma espécie de Terra do Nunca, só que era a terra do nunca mais verei meus filhos de novo.
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ENCONTRO DE BLOGUEIROS DA BAIXADA SANTISTA
Participo, neste sábado, do I Encontro de Blogueiros da Baixada Santista, razão pela qual a liberação de comentários poderá demorar mais do que o normal. Abaixo, o release do evento.

FNDC e PT pressionarão governo sobre marco regulatório da mídia

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Band ameaça governo: “Cuidado”

Posted by eduguim no Blog da Cidadania


Por sugestão do leitor George Alckmin, fui conferir editorial do Jornal da Band lido ontem à noite pelo comentarista Joelmir Betting. Segundo o leitor, tratou-se de um editorial “golpista”. O texto critica “omissão desse governo” em reprimir greve dos Correios que já dura semanas e elenca prejuízos que paralisação de serviço tão essencial causa à sociedade.
Até aí, ok. Parece razoável. O problema está no fecho do editorial. Pretende-se expressão da “justa indignação dos milhões de cidadãos prejudicados” e, após citar o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e o presidente dos Correios dizendo que têm “medo” dos sindicalistas que encabeçam a greve, enigmaticamente recomenda “cuidado” ao governo.
Inicialmente, o leitor pareceu exagerar ao usar o termo “golpista”. Pode-se argumentar que o “cuidado” que o editorial da emissora paulista recomenda ao governo Dilma Rousseff refira-se a possível punição que poderia advir das urnas devido ao descontentamento da população com uma greve que obviamente gera inconvenientes a todos.
Parece, entretanto, exagerado insinuar que mera greve nos Correios seja capaz de fazer a “sociedade” passar a repudiar o grupo político que colhe sucessivos êxitos eleitorais desde 2002 e que já atravessou crises bem piores.
Por fim, quando o editorial da Band diz que “enganam-se esses farsantes que não estão à altura dos cargos que ocupam se pensam que poderão afrontar o interesse público por muito mais tempo”, afiançando que a continuidade da greve poderia vir a “acender o sinal vermelho da paciência nacional”, pareceu estranho. Sobretudo o tom.
Como o leitor que recomendou a matéria, este blog tampouco entendeu direito a que se referiu o comentarista. O que pode acontecer com “esse governo”, com o ministro Paulo Bernardo, com o presidente dos Correios? Essas foram as autoridades citadas. Note-se que o governo inteiro está inserido no contexto. O que é o “sinal vermelho da paciência nacional”?
Terminei de assistir ao vídeo com a mesma sensação do leitor de que, em curto prazo, alguma coisa aconteceria por conta da greve dos Correios se ela não tivesse um ponto final, e que o que aconteceria seria conseqüência do esgotamento da “paciência nacional”. O que pode acontecer em “curto prazo”, no Brasil?
Melhor que você, leitor, confira (abaixo) o vídeo do editorial e decida se os termos “ameaça” e “golpista” também lhe parecem cabíveis diante do que foi dito na concessão pública de canal de televisão que a família Saad detém. Enquanto isso, seria bom que a emissora esclarecesse melhor seu editorial. Que pareceu ameaça, pareceu. Mas de quê?