Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A falsa bandeira
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INSACIÁVEIS
A contagem regressiva para a oficialização do calote grego apertou o passo nas últimas horas. Nesta manhã de segunda-feira, os credores precificam esse desfecho impondo spreads cada vez mais elevados à Italia e Espanha na negociação de títulos das respectivas dívidas. O movimento em direção ao abismo é autopropelido: a ante-sala do ‘default' grego acelera a fuga dos investidores em relação a economias fragilizadas, caso da italiana , portuguesa, espanhola, irlandesa . Na inútil tentativa de deter a manada, os Tesouros cedem e se enforcam numa espiral de juros insuportável. Na quinta-feira, a comissão europeia reúne-se em Bruxelas para bater o martelo sobre a melhor forma de deter esse ciclo de ferro -se é que há uma, não é a dos planos de ajuste inviáveis impostos à sociedade grega. Se o povo grego não pode pagar a conta sozinho, quem vai rachar a fatura com ele? A Alemanha pretende que os bancos privados assumam uma parte do esfarelamento de ativos financeiros da Grécia. O ortodoxo BC europeu e a associação dos bancos europeus resistem: querem que o dinheiro público metabolize integralmente o ‘beiço' grego comprando seus títulos pelo valor de face, sem qualquer prejuízo. A lógica é a de semre: lucrar na alta do ciclo especulativo e sair da festa sem pagar a conta quando começa o quebra-quebra. O Brasil conhece a natureza do fenômeno. O país já paga taxas de juros reais equivalentes à remuneração especulativa extraída da Itália e da Espanha, superior a 6%, pelos rentistas. Mas o bumbo midiático abre a semana em plena campanha por uma nova alta da Selic. A intenção é extrair um novo degrau de 0,25%, que poderá jogar o juro básico do país a 12,5%. A decisão será discutida na reunião do Copom desta quarta-feira.
(Carta Maior; 2º feira 18/07/ 2011)
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BNDES sob ataque
E lá vai o BNDES pro pelourinho novamente. Repito: acho ótimo. A última coisa que eu faria é sentir pena de uma instituição que movimenta centenas de bilhões de reais. Que apanhe como gente grande, talvez assim aprenda a se defender. Neste domingo, Globo e Folha publicaram artigos bastante críticos à instituição. Nosso amigo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, repercutiu alegremente as duas matérias, o que também considero muito saudável.
Entretanto, não vou partilhar tão facilmente da opinião de um ultra neo-liberal como o Claudio Hadadd, o economista que a Folha entrevistou. E tenho ressalvas importantes à reportagem do Globo. Ambas são positivas por suscitar o debate em torno daquele que, como já disse em outro post, é um dos pilares mais importantes da economia brasileira, com peso relevante em toda América Latina. O BNDES é um dos maiores (talvez até o maior) bancos públicos de investimento do ocidente. A sua própria existência é contrária aos princípios neoliberais, a menos que se restringisse, como sugeriu Haddad, a financiar projetos de infra-estrutura (o que, na verdade, ele já faz, e muito bem).
Ambas as matérias, todavia, pecam pela omissão de dois números fundamentais para contextualizar a participação do BNDES na economia brasileira. O primeiro é o crescimento do número de empresas beneficiadas, sobretudo micro e pequenas, pelos financiamentos do BNDES. Este número trinca o raciocínio segundo o qual ele beneficiaria apenas o andar de cima. Ironia suprema: este aumento se dá sobretudo a partir da gestão de Luciano Coutinho, o mesmo que agora é acusado de privilegiar os tubarões.
Não vou sequer mencionar FHC porque é covardia: naqueles tempos, o pequeno não existia. Nem o Carlos Lessa, hoje verdugo da gestão de Coutinho, se notabilizou neste ponto, tão fundamental. Presidente do banco em 2003 e 2004, Lessa conseguiu elevar o número de pequenos contemplados em 2003 para 27 mil empresas (em 2002, foram 18,9 mil); no ano seguinte, porém, viu esse número cair para 20 mil.
A coisa só começa a mudar mesmo com a entrada de Coutinho, em 2007. A partir daquele ano tem início uma grande transformação, com forte aumento, ano a ano, das concessões de crédito. Em 2010, já eram 417 mil micro e pequenas empresas contempladas.
O segundo número que Globo e Folha omitem é a evolução do lucro do BNDES nos últimos anos. A matéria do Globo, neste sentido, é realmente manipuladora, pois ao invés de trazer dados consolidados, inventa um prejuízo por parte do BNDESPar com base no valor das ações em poder do banco ao final da semana passada. Muito conveniente, porque a desvalorização momentânea das ações da Petrobrás mostraria um resultado negativo. Mas isso pode mudar de um dia para outro. O importante, numa matéria como esta, era informar ao leitor acerca dos valores consolidados. O BNDES vem batendo recordes de lucro, e as operações do BNDESPar tem respondido por cerca de metade desses valores. Ou seja, as ações caem e sobem ao longo do ano, mas o importante é analisar os resultados concretos e não retratos incompletos (possivelmente tendenciosos e equivocados) de momento. Seria honesto, para dizer o mínimo, que o Globo, numa matéria como essa, ao menos informasse seus leitores sobre isso, para que estes não pensassem que a instituição está dando prejuízo ao contribuinte, o que não é verdade.
É bastante irônico que os neoliberais de repente tenham se esquecido do fator "lucro". Está certo que o objetivo central do BNDES não é ter lucro, mas o fato de tê-lo não é ruim, evidentemente. Desde que o banco mostre que tem aumentado os repasses a micro e pequenas empresas e esteja financiando mais projetos de infra-estrutura, então é ótimo que haja lucro, até para que o banco possa se dar ao luxo de financiar projetos de cunho mais social que dão menos lucro. Como o BNDES é público, o lucro vem para o nosso bolso, seja reforçando o caixa do Tesouro, seja financiando projetos de cultura (o que se reflete na educação), o que o banco vem fazendo a uma escala impensável antes da era Coutinho.
Reitero pela enésima vez que é importante que a sociedade fique atenta às ações do BNDES, e mantenha um olhar crítico. Sob Coutinho, o banco tornou-se mais ousado e mais presente na economia nacional. Ganhando mais visibilidade, é natural que seja mais criticado. As ações do BNDESPar refletem, a meu ver, uma política industrial mais intervencionista por parte do governo, e isso necessariamente contraria (e beneficia) muitos interesses poderosos. Por trás da blindagem econômica que protegeu o Brasil da terrível crise financeira que atingiu o mundo em 2008 e 2009, estava o crédito do BNDES, que ajudou empresas nacionais a enfrentarem seus momentos mais difíceis. Não esqueçamos que o BNDES não dá dinheiro de graça para ninguém. Ele empresta a juro mais baixo que a taxa Selic, mas ainda assim com juros, e a empresa tem de pagar em dia. Muitos países não teriam passado pelo que passaram se tivessem um banco como esse. E acho melhor emprestar dinheiro para empresas que geram emprego do que dar trilhões a juro zero para salvar instituições financeiras incompetentes, como fizeram EUA e Europa recentemente, e o governo FHC com seu Proer (que corresponderia hoje, em valores atualizados, e cerca de R$ 50 bilhões).
Naturalmente, se o BNDES dá crédito, tem gente que lucra muito, outros que lucram menos. Consta que as empresas de mídia, que sempre tiveram acesso privilegiado ao caixa da instituição, não tiveram tantas facilidades como gostariam nos últimos anos.
Contemplemos, portanto, o quadro inteiro, levando também em consideração os números que eu lhes trouxe. Quando o BNDES apenas financiava os barões da mídia e demais amigos de Antonio Carlos Magalhães, nunca houve matérias na grande imprensa criticando a atuação do banco. Hoje ele financia 610 mil empresas e pessoas físicas no país e virou um de seus alvos preferidos.
Entretanto, não vou partilhar tão facilmente da opinião de um ultra neo-liberal como o Claudio Hadadd, o economista que a Folha entrevistou. E tenho ressalvas importantes à reportagem do Globo. Ambas são positivas por suscitar o debate em torno daquele que, como já disse em outro post, é um dos pilares mais importantes da economia brasileira, com peso relevante em toda América Latina. O BNDES é um dos maiores (talvez até o maior) bancos públicos de investimento do ocidente. A sua própria existência é contrária aos princípios neoliberais, a menos que se restringisse, como sugeriu Haddad, a financiar projetos de infra-estrutura (o que, na verdade, ele já faz, e muito bem).
Ambas as matérias, todavia, pecam pela omissão de dois números fundamentais para contextualizar a participação do BNDES na economia brasileira. O primeiro é o crescimento do número de empresas beneficiadas, sobretudo micro e pequenas, pelos financiamentos do BNDES. Este número trinca o raciocínio segundo o qual ele beneficiaria apenas o andar de cima. Ironia suprema: este aumento se dá sobretudo a partir da gestão de Luciano Coutinho, o mesmo que agora é acusado de privilegiar os tubarões.
Não vou sequer mencionar FHC porque é covardia: naqueles tempos, o pequeno não existia. Nem o Carlos Lessa, hoje verdugo da gestão de Coutinho, se notabilizou neste ponto, tão fundamental. Presidente do banco em 2003 e 2004, Lessa conseguiu elevar o número de pequenos contemplados em 2003 para 27 mil empresas (em 2002, foram 18,9 mil); no ano seguinte, porém, viu esse número cair para 20 mil.
A coisa só começa a mudar mesmo com a entrada de Coutinho, em 2007. A partir daquele ano tem início uma grande transformação, com forte aumento, ano a ano, das concessões de crédito. Em 2010, já eram 417 mil micro e pequenas empresas contempladas.
O segundo número que Globo e Folha omitem é a evolução do lucro do BNDES nos últimos anos. A matéria do Globo, neste sentido, é realmente manipuladora, pois ao invés de trazer dados consolidados, inventa um prejuízo por parte do BNDESPar com base no valor das ações em poder do banco ao final da semana passada. Muito conveniente, porque a desvalorização momentânea das ações da Petrobrás mostraria um resultado negativo. Mas isso pode mudar de um dia para outro. O importante, numa matéria como esta, era informar ao leitor acerca dos valores consolidados. O BNDES vem batendo recordes de lucro, e as operações do BNDESPar tem respondido por cerca de metade desses valores. Ou seja, as ações caem e sobem ao longo do ano, mas o importante é analisar os resultados concretos e não retratos incompletos (possivelmente tendenciosos e equivocados) de momento. Seria honesto, para dizer o mínimo, que o Globo, numa matéria como essa, ao menos informasse seus leitores sobre isso, para que estes não pensassem que a instituição está dando prejuízo ao contribuinte, o que não é verdade.
É bastante irônico que os neoliberais de repente tenham se esquecido do fator "lucro". Está certo que o objetivo central do BNDES não é ter lucro, mas o fato de tê-lo não é ruim, evidentemente. Desde que o banco mostre que tem aumentado os repasses a micro e pequenas empresas e esteja financiando mais projetos de infra-estrutura, então é ótimo que haja lucro, até para que o banco possa se dar ao luxo de financiar projetos de cunho mais social que dão menos lucro. Como o BNDES é público, o lucro vem para o nosso bolso, seja reforçando o caixa do Tesouro, seja financiando projetos de cultura (o que se reflete na educação), o que o banco vem fazendo a uma escala impensável antes da era Coutinho.
Reitero pela enésima vez que é importante que a sociedade fique atenta às ações do BNDES, e mantenha um olhar crítico. Sob Coutinho, o banco tornou-se mais ousado e mais presente na economia nacional. Ganhando mais visibilidade, é natural que seja mais criticado. As ações do BNDESPar refletem, a meu ver, uma política industrial mais intervencionista por parte do governo, e isso necessariamente contraria (e beneficia) muitos interesses poderosos. Por trás da blindagem econômica que protegeu o Brasil da terrível crise financeira que atingiu o mundo em 2008 e 2009, estava o crédito do BNDES, que ajudou empresas nacionais a enfrentarem seus momentos mais difíceis. Não esqueçamos que o BNDES não dá dinheiro de graça para ninguém. Ele empresta a juro mais baixo que a taxa Selic, mas ainda assim com juros, e a empresa tem de pagar em dia. Muitos países não teriam passado pelo que passaram se tivessem um banco como esse. E acho melhor emprestar dinheiro para empresas que geram emprego do que dar trilhões a juro zero para salvar instituições financeiras incompetentes, como fizeram EUA e Europa recentemente, e o governo FHC com seu Proer (que corresponderia hoje, em valores atualizados, e cerca de R$ 50 bilhões).
Naturalmente, se o BNDES dá crédito, tem gente que lucra muito, outros que lucram menos. Consta que as empresas de mídia, que sempre tiveram acesso privilegiado ao caixa da instituição, não tiveram tantas facilidades como gostariam nos últimos anos.
Contemplemos, portanto, o quadro inteiro, levando também em consideração os números que eu lhes trouxe. Quando o BNDES apenas financiava os barões da mídia e demais amigos de Antonio Carlos Magalhães, nunca houve matérias na grande imprensa criticando a atuação do banco. Hoje ele financia 610 mil empresas e pessoas físicas no país e virou um de seus alvos preferidos.
11 comentarios
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TODOS OS HOMENS DE MURDOCH: O CONTROLE DA SOCIEDADE PELA MÍDIA
Com a detenção da ex-editora do News of the World, Rebekah Brooks, neste domingo --solta depois sob fiança-- oito jornalistas do grupo Murdoch passaram pela prisão de Londres.Todos são acusados de crime de corrupção e interceptação de comunicações de um amplo universo de mais de 4 mil pessoas, incluindo-se celebridades, políticos e cidadãos comuns. Neste domingo, ainda, nada menos que o chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Paul Stephenson, renunciou ao cargo, após admitir que havia contratado o antigo sub-editor do News Of the World, Neil Wallis, como consultor da Scotland Yard. Wallis, foi preso sob suspeita de participar de esquema de suborno de policiais em troca de informações confidenciais para o tabloide de Murdoch. Outro braço-direito de Murdoch, Andy Coulson, ex-diretor do News of the World, trabalhara como homem de comunicação de David Cameron, antes que este assumisse o cargo de primeiro ministro inglês. Nos EUA, o FBI começa esta semana a investigar denúncias de espionagens realizadas por veículos do grupo Murdoch, que possui a rede Fox News, o Wall Street Jounal e a Business Week. As investigações poderão desnudar as ligações políticas e operacionais entre a extrema direita republicana e o canal Fox News, dirigido pelo ex-assessor de imprensa de Nixon e Bush (pai), Roger Ailes. Nos anos 70, Ailes foi o autor de um estudo sugestivamente intitulado: ‘ Como Colocar o Partido Republicano na Mídia'. Na presidência da Fox, Ailes notabilizou-se por demonstrar na prática ‘como colocar o Tea Party na agenda da mídia'. Esse jornalismo que se distingue por combater idéias e defender interesses destruindo reputações e alvejando biografias, tem a sua contrapartida em termos de agenda econômica. Nos EUA, atualmente, ela é representada pelo extremismo orçamentário republicano, cuja intenção é imobilizar Obama impondo-lhe um calendário de cortes em gastos sociais em plena campanha presidencial de 2012. A mídia brasileira, de um modo geral, adotou uma abordagem minimalista dos desdobramentos que o escândalo do ‘News of the World' coloca no tocante às relações entre o dinheiro, a democracia e o direito à informação. Em uma palavra, a regulação da mídia, tema incomodo que perpassa todo o escândalo Murdoch, mas silenciado entre nós. Bernardo Kuscinski , um dos pioneiros da crítica da mídia no país, em comentário sobre um artigo do historiador Timothy Ash, publicado no Estadão deste domingo, diz o seguinte : " Ash aponta para a profundidade e a gravidade do que se passa na democracia inglesa, refém de Murdoch e da grande midia; a elite britânica e todas as pessoas de perfil público viviam em estado de medo, (que Ash) compara ao medo vivido na Rússia. É a grande mídia agindo como organização criminosa.Há algo de parecido no comportamento de VEJA".
(Carta Maior; 2º feira 18/07/ 2011)
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domingo, 17 de julho de 2011
.Não é (só) a economia, estúpido
O filme a que o país assistiu durante os oito anos do governo Lula continua sendo reprisado. Todos os dias, sete dias por semana, trinta dias por mês os grandes meios de comunicação impressos e eletrônicos martelam denúncias contra o governo federal.
Os colunistas dos jornais ou da internet, os analistas políticos da TV ou do rádio aludem, sem parar, a uma “crise moral” que teria se abatido sobre a nação e a debitam exclusivamente ao PT. Parece que só o PT governa alguma coisa, no Brasil.
Apesar de a popularidade de Dilma ser menor do que a de Lula ao fim de seu mandato, pelo menos até o momento não há indícios de que este governo tenha sido minimamente afetado pelo bombardeio midiático.
Muito pelo contrário: a única perda visível na imagem de Dilma parece provir de onde ela difere de Lula, ou seja, por ser menos combativa do que o antecessor ao não responder aos ataques da imprensa e da oposição.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada no mês passado, 49% dos brasileiros consideravam ótimo ou bom o governo Dilma, 38% consideravam regular e 10% consideravam ruim ou péssimo. Em março, eram 47%, 34% e 7%, respectivamente.
A demissão do ex-ministro Antonio Palocci, segundo o próprio Datafolha, não alterou a opinião dos brasileiros sobre o governo petista, mas parece ter atingido alguns aspectos da imagem pessoal da presidente.
O episódio, segundo a pesquisa, pode ter influenciado a queda na percepção que a população tem da presidente no quesito “decisão”. Apesar de a maioria julgar Dilma decidida (62%), 34% a classificavam como “indecisa”, taxa duas vezes maior do que a de março (15%).
A presidente também sofreu prejuízo de imagem no aspecto inteligência. A taxa dos que a julgavam muito inteligente caíra de 85% para 76% e a dos que a julgavam pouco inteligente subira de 9% para 20%.
O que dizem esses números? Podem ser vistos de acordo com o gosto do freguês. Apesar de a aprovação ao governo ter subido, a presidente perdeu aprovação pessoal. Ou seja, a população pode ter considerado que ela não foi corajosa como Lula ao enfrentar o primeiro ataque ao seu governo.
Se considerarmos que esses escândalos permearam os dois mandatos de Lula e ele só fazia ganhar aprovação, pode-se inferir que a maioria não dava crédito à mídia. Em todos aqueles momentos, o ex-presidente manteve uma postura altiva enquanto que Dilma se mostrou intimidada.
Claro que a imprensa, que só sabe atacar o PT onde ele é governo e que poupa a oposição onde ela é governo, prefere debitar a perda de aprovação pessoal de Dilma ao fato de ela não ter demitido Palocci rapidamente. Mas se levarmos em conta que Lula declarou, reiteradas vezes, que ela não deveria demiti-lo, o dado que vem a seguir desmonta essa teoria.
Para 77% dos brasileiros, o ex-presidente Lula participa das decisões do governo de sua sucessora. A participação dele, porém, não é vista de forma negativa. Pelo contrário, 64% disseram que ele deveria participar até mais deste governo.
Detalhe: Dilma tem 49% de aprovação, mas 64% dizem que Lula deve interferir mais… Perceberam?
Ora, se Lula declarou publicamente, mais de uma vez, que Dilma não deveria demitir Palocci sob pressão e os entrevistados da pesquisa declararam que ele deve continuar interferindo no governo, a perda de imagem dela pode se dever a não ter seguido o conselho do padrinho político.
De qualquer forma, a perenidade da aprovação dos governos Lula e Dilma em um cenário em que o bombardeio da mídia não pára um só dia enquanto que os governos de oposição recebem tratamento inverso, não sendo sequer fiscalizados, é um fenômeno a ser estudado.
Tornou-se lugar comum a direita midiática dizer que o povo foi “subornado” pelo bom andamento da economia. O mais curioso é que, enquanto diz isso, também esgrime com uma tal de “herança maldita” deixada por Lula que, pelo visto, só essa direita vê – ou diz que vê.
Mas será só isso? Será só a economia forte, a geração progressiva de empregos, o aumento do salário médio, entre outros, que fazem o povo ignorar a “corrupção” petista em vez de votar na “honestíssima” oposição que a mídia pinta?
Será que ninguém enxerga que é impossível que só existam escândalos de corrupção de um lado? Será que ninguém se impressiona com bombardeio como esse só contra um lado e que não pára um só dia há quase nove anos?
O mais provável é que a repetição incessante dessa estratégia massacrante contra um lado e o silêncio total em favor do outro, quebrado apenas por elogios a este, tenha feito o país entender, definitivamente, que a imprensa não é confiável ao tratar de política.
BLOG CIDADANIA-EDUGUIM
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sábado, 16 de julho de 2011
Merval, faça como Murdoch. Peça desculpas ao Roque
A carta de Murdoch pedindo desculpas e José Roque , a quem Merval chamou de traficante
Coisa de um cinismo vergonhoso. Além das inverdades que o Edu mostra e comprova, ele arroga a si e aos jornalões o monopólio da verdade e da responsabilidade, justamente na semana em que o comportamento mais baixo e sórdido de um conglomerado de comunicação é revelado.
“(…) os blogs mais acessados são justamente os que se ligam aos principais jornais do país, cujas marcas e tradição lhes dão os meios para apuração das notícias e a credibilidade que muitas vezes faltam a blogs personalistas (…)
Embora tenha ficado bacana este “personalistas” no lugar do “sujos”, Merval não tem como afirmar isso. Primeiro porque os tais “blogs mais acessados”, por ficarem “pendurados nos portais” não têm informação pública de acesso, como os “personalistas”. Segundo, porque ele próprio protagonizou, como subeditor de O Globo, um episódio que mostra o quanto se pode avaliar a sua “apuração de notícias e credibilidade”.
A narrativa é de Caio Túlio Costa, ex-ombudsman da Folha, e pode ser lida, na íntegra, aqui e aqui.
“O Globo” estava praticamente “fechado” na quinta-feira, na finalidade os preparativos para entrar nas rotinas, quando recebeu uma informação, via jornal “O Dia”, de que a polícia havia estourado um ponto de tráfico e achara uma foto de Brizola abraçando um traficante. O jornal segurou sua primeira página e despachou equipe para o local.
Lá recolheu informações, dada por um detetive-inspetor da polícia, Horácio Reis, de que Brizola estava abraçando Eureka, um traficante. A noticia acompanhada da foto do abraço ganhou destaque na primeira página de sexta-feira : “polícia acha pôster de Brizola com traficante”. A foto ocupava parte da cabeça do jornal e a legenda dizia que Brizola estava “sorrindo e abraçado com o traficante Eureka”.
O jornal começou a ser impresso com a informação apenas na sua capa mas foi rapidamente providenciado um segundo clichê e ela também foi incluída nas páginas internas, na seção Grande Rio. Houve uma decisão de tratar o assunto como caso de polícia. “Registramos uma coisa que nos parecia escandalosa”, disse a este colunista o diretor de Redação do “O Globo”, Evandro Carlos de Andrade.
Quando o jornal surgiu nas bancas foi o maior estrago. O rapaz apareceu e disse que não é o traficante Eureka, chama-se José Roque Ferreira, tem 39 anos, foi candidato a vereador no Rio e preside a Associação de Moradores Morro do Telégrafo, em Mangueira. Esta última informação o próprio ” O Globo” tinha na quinta-feira mas não deu importância, preferiu confiar no inspetor Horácio Reis. “Era a responsabilidade política de um policial”, afirma Evandro. O diretor do jornal argumenta ainda da que “não se podia, em função do horário, fazer uma apuração rigorosa”.
Agora o “O Globo” está sendo processado. Brizola entrou com queixa na Justiça comum (calúnia) e outra na Justiça Eleitoral. Quer direito de resposta. O “O Globo” terá que retratar-se uma vez provado que errou. Mas “O Globo” continua investigando a vida de José Roque (que desafiou a polícia a prendê-lo) e reafirmou na sua edição de ontem que o detetive-inspetor Horácio Reis tem certeza de que Roque é ligado ao comércio de entorpecentes.”
E foi o próprio Merval quem explicou a atitude do jornal, conta-nos Caio Túlio:
” O caso comentado nesta coluna na semana passada – sobre a notícia dada pelo jornal “O Globo” de que a polícia carioca tinha achado uma foto de Brizola junto ao traficante Eureka – continua repercutindo. Décio Malta, editor de “O Dia” telefonou para dizer que a informação sobre a foto não chegou ao jornal “O Globo” via “O Dia”, que cedeu somente a sua foto para publicação. Malta mandou também cópia do material publicado pelo seu jornal. Nele está claro que “O Dia” incluiu na sua primeira página a menção de que o homem abraçado por Brizola tinha sido identificado também como José Roque, presidente de uma associação de moradores.
*O jornalista Merval Pereira, da direção de “O Globo”, também telefonou para estabelecer que o jornal não se baseou apenas numa fonte para afirmar que José Roque seria o traficante Eureka. Além do detetive-inspetor Horácio Reis (que negou tudo depois). “O Globo” escudou-se também na afirmativa do sargento Luis Carlos Rodrigues. “Uma fonte da Polícia Civil e outra da Polícia Militar”, diz Merval.
Ele mandou um fac-simile da reportagem que “O Globo” deu no segundo clichê, onde aparece a informação de que o sargento também dissera que o homem da foto era o traficante Eureka.
* O fato de “O Globo” ter-se baseado em duas – e não em uma única fonte policial – não desculpa o jornal pelo erro jornalístico contra José Roque e Leonel Brizola. Fez bem “O Dia” em tentar descobrir quem era na realidade o homem que Brizola abraçava e fora apontado pela polícia como traficante Eureka. Ao contrário de “O Globo”, o jornal “O Dia” teve tempo de descobrir sua identidade e de publicar a informação de que o rapaz da foto poderia ser o José Roque. E acertou.”
Merval bem que poderia informar aos leitores como terminou a ação judicial sobre sua “capacidade de apuração e credibilidade”, ao tratar como traficante um cidadão de bem como, também, de usar este expediente em plena campanha eleitoral para presidente, em 1989.
E aproveitar a temporada, quem sabe, para pedir desculpas, a la Murdoch, ao José Roque Ferreira, o líder comunitário a quem chamou de traficante.
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Desmascarando Merval Pereira.A forma mais eficiente de desmascarar um mentiroso
A forma mais eficiente de desmascarar um mentiroso é dando a ele espaço para mentir, pois mentirosos subestimam a inteligência alheia. Se quem mente for inteligente, é mais difícil desmascará-lo. Alguns mentirosos, porém, são estúpidos e sabem disso, mas confiam em “ferramentas” que lhes permitiriam sustentar as mentiras mais frágeis e, assim, tornam-se mais ousados.
O “imortal” Merval Pereira é um homem de Inteligência escassa, por isso conta mentiras mal-elaboradas. Mas por que os gigantes de pés de barro das comunicações prestigiam alguém tão estúpido em vez de buscarem mentirosos que elaborem melhor as suas mentiras? Simples: poucos jornalistas se dispõem a mentir sobre bases tão frágeis. Merval é cultuado pelos barões da mídia porque é burro o suficiente para achar que poderão sustentar suas invencionices.
A prova da burrice desse indivíduo se exibe, despudorada, em artigo que publica no jornal O Globo deste sábado, no qual deixa ver que seus senhores acusaram o golpe que lhes representou o escândalo que fechou as portas do jornal britânico “The News of the World”, do barão internacional da mídia Rupert Murdoch.
—–
O Globo
16 de julho de 2011
Obsessão
Merval Pereira
Como se sabe, temos no Brasil dois grandes especialistas em imprensa: o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu. Os dois dedicam-se, desde os primeiros meses do primeiro mandato do petista na Presidência da República, a tentar aprovar legislações que controlem a informação, uma tendência que vem se alastrando por toda a América Latina.
O movimento de contenção da liberdade de imprensa está presente em diversos países, como Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador, onde TVs, rádios e jornais vão sendo fechados sob os mais variados pretextos, e muitos outros são ameaçados com diversas formas de pressão, seja financeira, seja por meio de medidas judiciais.
No início do governo, tivemos que lutar contra a criação de várias agências oficiais. A Agência Nacional de Cinema e Audiovisual daria poderes para o governo interferir na programação da televisão e direcionar o financiamento de filmes e de toda a produção cultural para temas que estivessem em sintonia com as metas sociais do governo.
O Conselho Nacional de Jornalismo teria a finalidade de controlar o exercício da profissão e poderes para punir, até mesmo com a cassação do registro profissional, os jornalistas que infringissem normas de conduta que seriam definidas pelo próprio conselho.
Os mesmos grupos políticos continuam empenhados em aprovar novos tipos de cerceamento à liberdade de imprensa no país, sob o pretexto de exercer um “controle social” sobre os meios de comunicação, sendo que o Partido dos Trabalhadores decidiu que uma das prioridades é o que chamam, paradoxalmente, de “democratização da comunicação”.
A presidente Dilma, ao assumir o governo, relegou a um plano secundário um projeto que objetivava controlar a informação, sob o pretexto de regulamentação dos novos meios eletrônicos.
Nossos dois “especialistas” voltaram às suas obsessões nos últimos dias. Lula motivado pelas críticas ao apoio oficial ao Congresso da UNE, onde foi o grande homenageado. E José Dirceu incentivado pelo escândalo na imprensa inglesa que provocou o fechamento do jornal “News of the World”, além da demissão de vários dirigentes do conglomerado de informações do magnata Rupert Murdoch, uma espécie de “cidadão Kane” pós-moderno.
Insistindo nos seus equívocos, Lula tentou pela enésima vez menosprezar o peso dos jornais tradicionais que chamaram a reunião da UNE de chapa-branca. E declarou-se “invocado” por considerar que a imprensa não larga do seu pé.
A pretexto de consolar o presidente da UNE, Augusto Chagas, o ex-presidente garantiu a ele que os grandes jornais do Rio e de São Paulo não têm alcance nacional e não chegariam, segundo o ex-presidente, à Baixada Fluminense ou ao ABC paulista.
“Eles não perceberam que as coisas estão mudando no Brasil. O povo não quer mais intermediário entre eles e a informação. O povo está se informando de muitas formas. Muitas formas. E não apenas naqueles (meios) que habitualmente achavam que formavam”, argumentou o ex-presidente, revelando sua peculiar postura ética, além de ignorância em relação à circulação das informações nas novas mídias.
Se a notícia não chega a todo o país, e muito menos ao interior, então não é preciso se preocupar, ensina Lula. O fato em si não tem a menor importância, desde que a grande massa de cidadãos permaneça na ignorância deles.
Esquece-se o presidente que, da mesma maneira que a internet e as novas mídias sociais permitem que as informações circulem mais largamente, com versões de várias fontes, elas também levam as reportagens da grande imprensa aos recantos mais longínquos do país.
Estudo recente demonstra que as reportagens da grande imprensa são replicadas no Facebook, no Twitter e em outras mídias sociais, amplificando sua repercussão.
O ex-presidente também se esqueceu que, no Brasil, a circulação dos jornais vem crescendo, especialmente a dos chamados “jornais populares”, o que leva as questões nacionais a esse público que Lula pretende controlar sozinho, sem a interferência de outros agentes.
Além do mais, os blogs mais acessados são justamente os que se ligam aos principais jornais do país, cujas marcas e tradição lhes dão os meios para apuração das notícias e a credibilidade que muitas vezes faltam a blogs personalistas.
Não é à toa que a presidente Dilma Rousseff vem demitindo ministros e assessores do primeiro escalão com base em denúncias da chamada “grande imprensa”. E, se considerasse mesmo desimportantes os grandes jornais, Lula não perderia seu tempo com eles.
Não há dúvida de que, com o surgimento das novas tecnologias, os jornais perderam a hegemonia da informação, mas continuam sendo fatores fundamentais para cidadania.
O jornalista espanhol José Luis Cebrian, diretor do “El País”, talvez o jornal mais influente hoje da Europa, considera que os jornais perderam a centralidade da formação da opinião pública, mas continuam sendo um “contrapoder”, com uma enorme influência, embora menor do que anteriormente à chegada das mídias sociais.
Ele relembrou em recentes entrevistas que os jornais continuam sendo importantes para a institucionalização democrática dos países, embora precisem se adaptar à nova realidade tecnológica.
Já o escândalo das escutas ilegais do jornal britânico “News of the World” fez com que o ex-ministro José Dirceu recuperasse o fôlego, depois de ter sido reafirmado pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel como o “chefe da quadrilha” do mensalão, e voltasse à carga em seu blog na campanha pela “regulação da mídia”, nova maneira de denominar sua permanente tentativa de controlar a informação.
A gravidade do que aconteceu no “News of the World”, com escutas ilegais e chantagens, liga perigosamente a prática de crimes comuns ao jornalismo, o que é inaceitável e põe em risco a própria essência da liberdade de expressão. O jornalismo, instrumento da democracia, não pode se transformar em atividade criminosa.
O interessante é que nem mesmo na Grã-Bretanha, epicentro dessa grave crise do jornalismo, está em discussão uma legislação oficial para controlar meios de comunicação.
São grandes as críticas à atuação da Press Complaints Commission (comissão de queixas sobre a imprensa), órgão formado pelos próprios jornais para se autorregular, e há um amplo debate sobre a revisão de seus critérios para reconquistar a confiança do público britânico.
Mas até agora não apareceu nenhum Dirceu para defender o controle governamental da imprensa.
—–
O ataque que o pistoleiro de O Globo faz ao ex-presidente Lula e ao ex-ministro José Dirceu, ironizando suas posições sobre a libertinagem que é a comunicação no Brasil, por razão que logo ficará clara deixa de fora um ator importante da democratização da comunicação tentada pelo governo anterior, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Franklin Martins.
Nos dias 9 e 10 de novembro do ano passado, o Governo Federal promoveu o “Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias”, convocado por iniciativa de Franklin. O evento teve a finalidade de debater os impactos das mudanças tecnológicas. O objetivo foi o de fornecer subsídios para legisladores, reguladores, formuladores de políticas públicas e segmentos empresariais e da sociedade civil que lidam com as diversas questões relacionadas às comunicações.
Naquele Seminário, foi possível discutir os rumos das comunicações eletrônicas por meio da troca de experiências com outros países e conhecer os avanços e limitações de seus processos regulatórios. Participaram, como palestrantes, dirigentes e representantes de órgãos de regulação da mídia dos países que detêm as legislações mais avançadas nessa questão. Foram convidados os dirigentes das seguintes entidades:
- Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom/Portugal)
-Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC/Portugal)
- Conselho Superior do Audiovisual (CSA – Conseil Supérieur de l´Audiovisuel/França)
- Comissão de Mercado das Telecomunicações (CMT – Comisión del Mercado de las Telecomunicaciones/Espanha)
- Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA – Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual/Argentina)
- Office of Communications (Ofcom/Reino Unido)
- Comissão Federal de Comunicações (FCC – Federal Communications Commission/Estados Unidos)
Além dos dirigentes de agências reguladoras da comunicação social dos países mais desenvolvidos nessa área, foram convidados especialistas na área de regulação da Comissão Européia, da Unesco e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O convite a essas pessoas e entidades mostra quão falsas são as alegações de Merval. O que se buscava, então, era dar ao Brasil um desses órgãos que todo país civilizado tem. E quando ele diz, em seu texto mentiroso, que isso ERA buscado, é porque o atual governo parece ter abandonado os projetos do governo anterior nesse sentido. E esse é um dos três únicos elementos de verdade no texto mentiroso do colunista de O Globo – os outros serão revelados mais adiante.
Merval afirma que “nem mesmo na Grã-Bretanha, epicentro dessa grave crise do jornalismo, está em discussão uma legislação oficial para controlar meios de comunicação”. Ora, mas é claro que não está em discussão, simplesmente porque essa legislação já existe, além de uma agência reguladora, a Ofcom, que, matreiramente, o colunista de O Globo omite que existe. Não existe apenas a “Press Complaints Commission (comissão de queixas sobre a imprensa), órgão formado pelos próprios jornais para se autorregular”.
De acordo com a exposição de Vicent Edward Affleck, diretor internacional da agência britânica de regulação da mídia, a Ofcom (sigla em inglês para Office of Communications), o órgão é gerido por um colegiado misto, formado pela sociedade civil e funcionários públicos indicados pelo Estado. Além do que, grupos de interesse da sociedade civil atuam ativamente na fiscalização da mídia e acionam a agência em casos que considerem irregulares.
O que pretendia o governo Lula, portanto, era apenas isso, pois não temos nada parecido no Brasil. A mídia faz o que quer, quando quer e como quer. É uma “casa da mãe Joana”. E Merval sabe disso porque participou ativamente do evento promovido pela Secom, que foi, inclusive, mediado por um representante da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). Ou seja: Merval mente.
Mas há dois outros elementos de verdade no texto majoritariamente mentiroso desse sujeito. Um desses elementos está presente quando ele reconhece que “São grandes as críticas à atuação da Press Complaints Commission (comissão de queixas sobre a imprensa), órgão formado pelos próprios jornais para se autorregular”. E que “Há um amplo debate sobre a revisão de seus critérios para reconquistar a confiança do público britânico”.
O que aconteceu na Inglaterra, aconteceu porque, apesar de o país ter uma legislação de regulação da mídia anos-luz à frente da nossa – que, aliás, nem existe –, esse país ainda é, de fato, o mais liberal nesse aspecto. As agências francesa (CSA) e portuguesa (ERC), porém, consideram que a legislação inglesa de autorregulação é responsável pelo escândalo do The News of the World simplesmente porque não se pode pôr a raposa para tomar conta do galinheiro.
De qualquer forma, tanto no Reino Unido quanto nos demais países a legislação é dura e fiscaliza com mão de ferro sobretudo a imparcialidade dos meios de comunicação, principalmente durante períodos eleitorais.
Por fim, o terceiro elemento de verdade na empulhação de Merval Pereira pode ser visto quando ele reconhece que “Com o surgimento das novas tecnologias, os jornais perderam a hegemonia da informação”. Apesar de apresentar o fato como símbolo do poder dos barões da mídia que Lula e José Dirceu colocaram em questão, o dado correto é o de que ela perdeu a hegemonia que detinha.
Nesse aspecto, vale a pena ler texto bem mais honesto de um colega de Merval nas Organizações Globo. Artigo recente do jornalista Paulo Moreira Leite, em seu blog, mostra o fato pelo aspecto correto. É imprescindível a leitura desse texto porque revela a razão do desespero que leva a família Marinho a usar gente como Merval para tentar tapar o sol com a peneira.
—–
Do blog de Paulo Moreira Leite
12 de julho de 2011
A herança que chegou a todos nós
Na medida em que surgem novas indecências no arquivo de imoralidades praticadas pelos jornais de Robert Murdoch, torna-se obrigatório fazer uma pergunta maior.
A questão é definir o papel de Robert Murdoch, o maior empresário de comunicações do planeta, no negócio mundial da mídia. É uma questão imensa e complicada, vamos combinar. Mas é possível fazer algumas observações.
Todos nós, jornalistas e leitores, temos consciência de que no mundo inteiro existe um fenomeno que costuma ser descrito como uma crise nos meios de comunicação. Jornais e revistas não param de perder leitores. O mesmo ocorre com canais abertos de TV e com emissoras de rádio.
O conteúdo da mídia, diz-se, tornou-se menos profundo, menos plural, mais superficial e mais vulgar. Sem dúvida, é cada vez mais apelativo.
Não há dúvida de que boa parte dessas dificuldades é o resultado de mudanças no modo de vida das sociedades contemporâneas.
Podemos listar vários fatores. Por exemplo: os cidadãos querem viver num mundo mais horizontal — e a velha mídia funciona no esquema clássico das sociedades verticais. Graças não só a internet, mas também a formidável elevação dos níveis de educação, o leitor comum possui hoje um acesso primário à informação e a cultura que lhe permite dispensar boa parte das reportagens e análises que as revistas e jornais tem para oferecer.
Há outras mudanças, porém, que são produto de transformações ocorridas dentro da mídia. Não foi só o mundo que mudou. O produto também mudou. E, sob vários aspectos, mudou para pior.
Acho difícil negar que Murdoch e suas empresas tenham dado uma contribuição importante nestas mudanças.
Com um império econômico de vários bilhões de dólares, instalado no centro do capitalismo mundial, operando no segundo idioma dos 6 bilhões de moradores do planeta, Murdoch ajudou a trazer uma nova lógica para um velho negócio. Não foi o único, com certeza. Mas, pela economia e pela geografia, foi um dos mais importantes e talvez o mais decisivo.
No passado, quando o jornalismo era uma profissão invejada pela influencia e prestígio havia a preocupação com um certo rigor na informação, com a separação entre o público e o privado, na distinção clássica entre os interesse da Igreja (o jornal) e o Estado (a empresa).
É claro que todos procuravam equilibrar o negócio. As vendas e a conquista de novos leitores sempre foi um ponto essencial da atividade. Mas havia um pouco de pudor. Nem tudo era industria, comercio e finanças. A preocupação com vendas não fazia parte da pauta das redações.
De uns anos para cá, ocorreu uma mudança no eixo da profissão.
Para dizer muito numa frase curta, o jornalismo banalizou-se. Tornou-se uma atividade empresarial como tantas outras. Frequentemente procura ser rentável como um investimento de alto risco, alienada como uma fábrica de sabonetes, descartável como filminho que a TV exibe à tarde.
Murdoch foi um dos homens que ajudou a alterar a lógica dessa atividade. Não por acaso, o crescimento de suas empresas coincide com uma mudança no padrão do jornalismo, nos valores em vigor em muitas redações, na meta de trabalho e formação dos profissionais.
Antes, as empresas jornalísticas eram fruto de investimentos de origem familiar, com compromissos definidos por seus fundadores e patronos, competindo por leitores num mercado onde não faltava espaço para a diversidade e a concorrência.
Com uma reconhecida capacidade para encontrar oportunidades favoráveis a seus interesses e batalhar com afinco por eles, Murdoch ajudou a transformar as empresas de comunicação em grandes corporações, impessoais, sem perfil e sem história, dependentes e até associadas a grandes grupos financeiros. Em suas mãos, o pequeno negócio deixou de fazer sentido. Precisava do grande capital, do monopólio do mercado.
Embora nunca tivesse renunciado a suas idéias políticas, de profunda matriz conservadora, sua prioridade real não envolve a qualidade do conteúdo que oferecia — mas a força de mercado que cada novo jornal, cada nova emissora de TV, poderia lhe acrescentar. Seu interesse fundamental não envolvia a mídia como entretenimento, como formação de cidadãos, como parte da democracia, como notícia, mas como instrumento de poder.
Daí a profusão de aquisições, compras e fusões. Embora jamais tenha aberto mão de escândalos em seus veículos, a estratégia não era competir mas eliminar os adversários, transformando-se na única opção para anunciantes e consumidores.
Denuncias e investigações fizeram a glória do jornalismo desde sempre. Mas, enquanto bons jornais e revistas produzem revelações com alguma relação com o interesse público, a rede de Murdoch procura o sucesso em questões privadas, em reportagens que desmoralizam e humilham seus personagens.
Se fosse um empresário fraco, numa cidade remota da Austrália, Murdoch teria criado uma igreja de jornalismo de alcance local e folclórica, como tantas que se encontra em pontos diversos do mundo.
Mas, pelo seu tamanho e sua influencia, tornou-se um padrão imitado e copiado, com outra lógica e outra finalidade. Pela força econômica e pela crescente influencia política, impôs seus métodos aos países onde passou a atuar, num processo de contágio crescente e irresistível, contaminando concorrentes incapazes de enfrentar a chamada desvantagem competitiva.
Como me disse certa vez um dos grandes empresários de mídia do Brasil:
– Se o seu maior concorrente é um grande sonegador de impostos, você tem tres coisas a fazer: ou começa a sonegar impostos como ele, para competir em igualdade de condições. Ou prepara-se para ter custos maiores e lucros menores. Ou muda de ramo.
Foi isso o que ocorreu com a mídia em torno de Murdoch — e não estamos falando de sonegação de impostos, evidentemente.
Felizmente, não é em todo lugar que os repórteres contratam empresas de investigação para promover escutas telefônicas e bisbilhotar a saúde de crianças.
Nem todos os governos se curvam diante dos senhores da mídia de seus respectivos países.
Seria igualmente errado dizer que todas as empresas de comunicação aplicam os mesmos métodos e exibem a mesma falta de escrúpulos.
Mas é difícil negar que há um pouco de Robert Murdoch no pior do que a imprensa mundial exibe hoje, concorda?
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Após nota de agência, portugueses enviam lixo à Moody's e distribuem camisetas irônicas
Mais de uma semana depois de classificar de lixo os títulos da dívida de Portugal, a agência de classificação de risco norte-americana Moody's continua a ser objeto de ataques e protestos no país. Camisetas com críticas à agência estão sendo dadas ou vendidas, seu site está sendo atacado – não podendo ser acessado a partir de Portugal – e críticos sugerem que cartas com detritos sejam enviados para a sede da empresa, em Nova York.
Vitor Sorano
Em loja de Lisboa, camiseta estampa relatório da Moody's em folha de papel higiênico
A rede de roupas femininas Lanidor estampou “Moody's? No, Thanks. Fashion Girls Anti-Junk” (Moody's? Não, obrigado. Garotas fashion contra o lixo), em 10 mil camisetas que está distribuindo nesta sexta-feira (15/07) às clientes. “Tivemos fila em Lisboa e no Porto pela manhã. Consideramos que [a decisão] foi um ataque injusto, provocatório. Não nos sentimos como lixo”, disse a diretora de comunicação e imagem do grupo, Margarida Mangerão.
“Acho certo que está em inglês. Mais gente vai entender do que se fosse em português”, afirmou a técnica Filipa Magalhães, de 24 anos. “Recebi o recado pelo e-mail e também vi pelo Facebook”, contou ao sair da loja da rede na Avenida da Liberdade, em Lisboa – a mais prestigiosa da capital.
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“As redes sociais começaram a falar nisso e a camiseta surgiu”, explicou Joaquim Mira, sócio da loja de roupas Cão Azul, que também aliou críticas e negócios e lançou uma estampa com o nome da agência em um rolo de papel higiênico. “Tentamos sempre acompanhar a atualidade de forma cômica e a Moody's não podia escapar”. Ele não revelou o número de unidades vendidas.
Fazendo um trocadilho com a S&P – outra das três grandes agências norte-americanas – o site de economia Dinheiro Vivo disponibilizou nos sites as estampas “Moody's is standardad and poor” (Moody's é comum e pobre) e “Moody's is overrated” (Moody's está sobreavaliada). “Tivemos cerca de 1,5 mil cliques. É possível baixar o padrão e mandar fazer camisetas”, disse Miguel Pacheco, diretor-adjunto.
A agência não se manifestou até a conclusão desta reportagem.
Vitor Sorano/Opera Mundi

Filipa Magalhães garantiu sua camiseta em crítica à agência: "Moody's? No, Thanks. Fashion Girls Anti-Junk"
Devolver o lixo
O corte do rating veio poucos dias após Portugal conhecer o plano do novo governo, de centro-direita. Nele, o país – cuja economia está em recessão e o desemprego em inéditos 12,4% – se compromete a cumprir o acordo com FMI (Fundo Monetário Internacional) e Comissão Europeia em troca da ajuda de 78 bilhões – e mesmo ir além. Na ocasião, os portugueses foram avisados, por exemplo, de que metade do 13º salário acima do mínimo, neste ano, fica para o Estado, e que o IVA de alguns produtos (semelhante ao ICMS) deve subir.
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“Veem um moribundo deitado no chão, tentando se levantar e chutam a cabeça”, comentou o publicitário Pedro Gonçalves, de 38 anos, um dos dois responsáveis pelo “Moody's Junk Mail” (veja abaixo). Com mais de 120 mil acessos – algo incomum para o mercado português, segundo ele – o vídeo mostra a dupla recolhendo lixo no chão e colocando no correio com o endereço da Moody's em Nova York. “O que é curioso é que são 120 mil acessos sem uma mulher de biquíni nem gatinhos fazendo coisas fofas”
Embora, segundo o publicitário, o objetivo não seja criar nenhum movimento de protesto – “não somos ativistas”, diz Gonçalves –, a ideia inspirou a campanha “Enviar lixo para a Moody's”, em atividade no Facebook. É a segunda iniciativa de uma outra dupla de indignados com a agência que criou o protesto iniciado no dia 14 e responsável por bloquear o acesso ao site principal da empresa a partir de IPs Portugal – ao qual 77 mil pessoas aderiram.
“Se continuássemos com a mesma forma de protesto, perderíamos a originalidade e o impacto”, explicou um dos integrantes da dupla, identificando-se como Padeira de Aljubarrota – uma heroína portuguesa do século XIV –, ressaltando que “nestes eventos não há um comandante”.
Regulação
Para além de protestos, a Moody's sofre a ameaça indireta da União Europeia, que quer intervir no mercado de ratings. Desde o dia 7, representantes de órgãos comunitários vêm disparando críticas às agências e propondo novas regras para atuação das mesmas.
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O presidente do eurogrupo (que reúne os 17 países da zona euro), Jean Claude Juncker, propôs a criação de uma agência independente para o continente. “Irracionais e desmedidas” foram os adjetivos utilizados para classificar decisões sobre ratings tomadas pelas agências. Dias depois, o presidente do Conselho Europeu, Herman von Rompuy, defendeu a quebra do oligopólio atual e maior controle público, se os governos querem continuar “a ter a última palavra”.
Em declarações à Bloomberg no último dia 11, o comissário europeu para assuntos financeiros Michel Barnier, afirmou que está sendo considerada a possibilidade de exigir “a publicação obrigatória das análises que levam à modificação do ‘rating’ e a obrigação de realizar uma análise mais completa com mais regularidade.”
Essa desconfiança em relação aos critérios de análise das agências já levou a Moody's a perder clientes. Algumas prefeituras, como as de Lisboa e Cascais, e a empresa pública Aeroportos de Portugal suspenderam ou cancelaram os contratos com a empresa, após também terem tido seus ratings rebaixados.
Vitor Sorano
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Em loja de Lisboa, camiseta estampa relatório da Moody's em folha de papel higiênico
A rede de roupas femininas Lanidor estampou “Moody's? No, Thanks. Fashion Girls Anti-Junk” (Moody's? Não, obrigado. Garotas fashion contra o lixo), em 10 mil camisetas que está distribuindo nesta sexta-feira (15/07) às clientes. “Tivemos fila em Lisboa e no Porto pela manhã. Consideramos que [a decisão] foi um ataque injusto, provocatório. Não nos sentimos como lixo”, disse a diretora de comunicação e imagem do grupo, Margarida Mangerão.
“Acho certo que está em inglês. Mais gente vai entender do que se fosse em português”, afirmou a técnica Filipa Magalhães, de 24 anos. “Recebi o recado pelo e-mail e também vi pelo Facebook”, contou ao sair da loja da rede na Avenida da Liberdade, em Lisboa – a mais prestigiosa da capital.
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A agência não se manifestou até a conclusão desta reportagem.
Vitor Sorano/Opera Mundi
Filipa Magalhães garantiu sua camiseta em crítica à agência: "Moody's? No, Thanks. Fashion Girls Anti-Junk"
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O corte do rating veio poucos dias após Portugal conhecer o plano do novo governo, de centro-direita. Nele, o país – cuja economia está em recessão e o desemprego em inéditos 12,4% – se compromete a cumprir o acordo com FMI (Fundo Monetário Internacional) e Comissão Europeia em troca da ajuda de 78 bilhões – e mesmo ir além. Na ocasião, os portugueses foram avisados, por exemplo, de que metade do 13º salário acima do mínimo, neste ano, fica para o Estado, e que o IVA de alguns produtos (semelhante ao ICMS) deve subir.
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Embora, segundo o publicitário, o objetivo não seja criar nenhum movimento de protesto – “não somos ativistas”, diz Gonçalves –, a ideia inspirou a campanha “Enviar lixo para a Moody's”, em atividade no Facebook. É a segunda iniciativa de uma outra dupla de indignados com a agência que criou o protesto iniciado no dia 14 e responsável por bloquear o acesso ao site principal da empresa a partir de IPs Portugal – ao qual 77 mil pessoas aderiram.
“Se continuássemos com a mesma forma de protesto, perderíamos a originalidade e o impacto”, explicou um dos integrantes da dupla, identificando-se como Padeira de Aljubarrota – uma heroína portuguesa do século XIV –, ressaltando que “nestes eventos não há um comandante”.
Regulação
Para além de protestos, a Moody's sofre a ameaça indireta da União Europeia, que quer intervir no mercado de ratings. Desde o dia 7, representantes de órgãos comunitários vêm disparando críticas às agências e propondo novas regras para atuação das mesmas.
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O presidente do eurogrupo (que reúne os 17 países da zona euro), Jean Claude Juncker, propôs a criação de uma agência independente para o continente. “Irracionais e desmedidas” foram os adjetivos utilizados para classificar decisões sobre ratings tomadas pelas agências. Dias depois, o presidente do Conselho Europeu, Herman von Rompuy, defendeu a quebra do oligopólio atual e maior controle público, se os governos querem continuar “a ter a última palavra”.
Em declarações à Bloomberg no último dia 11, o comissário europeu para assuntos financeiros Michel Barnier, afirmou que está sendo considerada a possibilidade de exigir “a publicação obrigatória das análises que levam à modificação do ‘rating’ e a obrigação de realizar uma análise mais completa com mais regularidade.”
Essa desconfiança em relação aos critérios de análise das agências já levou a Moody's a perder clientes. Algumas prefeituras, como as de Lisboa e Cascais, e a empresa pública Aeroportos de Portugal suspenderam ou cancelaram os contratos com a empresa, após também terem tido seus ratings rebaixados.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Lula lança portal na internet
O Instituto Cidadania lançou nesta sexta-feira (15) um site para divulgar as atividades e projetos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disponível no endereço www.icidadania.org, o site entra no ar com mais de 50 notícias, além de vídeos, fotos e discursos na íntegra. Sediado em São Paulo, o Instituto Cidadania foi onde Lula debateu e elaborou com toda a sociedade propostas de políticas públicas antes de ser eleito presidente em 2002. Hoje, ao sair da presidência, é o espaço onde está sendo criado o Instituto Lula, voltado para causas políticas e sociais no Brasil, África e América Latina.
“O Brasil vive um momento de ouro, continua vivendo um momento extraordinário, e eu espero poder conversar com vocês daqui para frente neste pequeno espaço.”, afirma Lula no vídeo.
Veja, abaixo, uma mensagem do ex-presidente para dar boas-vindas aos internautas:
Assim como o momento atual do instituto, o site é apenas o começo de novas iniciativas políticas e de comunicação.
“[Vamos] tentar trabalhar a questão da integração, tentar trabalhar as experiências de políticas sociais bem-sucedidas. Não que a gente vá querer ensinar aos outros o que eles têm que fazer, porque isso não deu certo em lugar nenhum do mundo. O que queremos é mostrar como fizemos as coisas no Brasil e, quem sabe, adequando à realidade deles, com a vontade cultural deles, com a vontade política deles, isso possa ser aplicado em outros países”, diz o ex-presidente.
Todas as informações divulgadas no site Instituto Cidadania são licenciadas sob Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil, que permite a reprodução do conteúdo desde que seja citada a fonte. São exceções a essa licença apenas as informações reproduzidas de outras fontes.
Acesse o site do Instituto Cidadania
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Redação Conversa Afiada
Saiu no Tijolaço:
A voz voltou. Falta o alto-falante.
Da Agência Brasil, agora há pouco:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Siva pretende ter uma participação mais ativa na política nacional. “Vou voltar a andar por esse país. Vou voltar a incomodar algumas pessoas outra vez,” disse ele, ao discursar hoje (15) durante o 2º Congresso Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT).
Lula destacou que chegou ao fim o período de afastamento voluntário do cenário político que ajudou na consolidação da presidenta Dilma Rousseff à frente do comando do país. “Eu disse, no início do ano, que ia entrar em um processo de desencarnação, para poder permitir a encarnação da presidenta Dilma.”
O ex-presidente adiantou que as suas ações serão voltadas à busca de soluções para os problemas sociais. “Embora não seja mais presidente, sou cidadão brasileiro. Como cidadão brasileiro, serei o lobista número 1 das causas sociais. Quem tiver um problema social pode me contar que farei lobby com o Gilberto Carvalho [ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência] e com a presidenta Dilma Rousseff para que a gente possa resolver isso”, disse.”
E na Agência Estado:
“A gente não pode aceitar que os americanos façam o ajuste da sua política fiscal à custa da desvalorização do dólar, o que cria prejuízo para o comércio dos países mais pobres. A gente não pode permitir que a crise venha causar prejuízo para o nosso País”, disse Lula (…)
Num tom inflamado, Lula culpou os países desenvolvidos pela crise no continente europeu. “Estamos vendo a Espanha, Portugal e Grécia numa situação delicada. É uma crise que não foi causada pelos países pobres, é uma crise causada pelos países ricos. É uma crise surgida não na Bolívia, não na Argentina, no Paraguai ou no Brasil. É uma crise surgida nos Estados Unidos e na Europa”, apontou.
Nos 20 minutos de discurso, Lula fez um balanço de seus oito anos de governo, com destaque para a estabilidade econômica e a forma como o Brasil superou a crise internacional. “Enquanto o Obama já está há mais de dois anos sem resolver a crise americana, enquanto a Europa já está há dois anos sem resolver a crise lá, aqui no Brasil nós dissemos que a crise seria uma marolinha, que ia chegar por último e ia embora primeiro. E foi exatamente o que aconteceu”, afirmou.
Que falta faz falar num tom assim – que o fato de já não estar na Presidência facilita em muito – para que as pessoas possam entender o que se passa! Que falta faz a polêmica, a falta de patrulhamento, o enfrentamento com o que diz a mídia!
Mas também é preciso que se diga: que falta faz uma estrutura de comunicação que possa fazer esta voz ser ouvida, sem a edição e o trato maroto da mídia, com o tom didático e claro com que ela soa, com a imagem do rosto que empresta credibilidade às palavras…
Procuramos, procuramos, procuramos e não há (espero que logo haja) uma gravação na internet, que a gente possa colocar para rodar na rede. Se o ex-presidente quer romper com aquele pretensioso monopólio dos que se julgam “formadores de opinião”, é preciso dar – já e já – um alto-falante eletrônico a esta voz. – Postado por Fernando Brito
Alô, alô Paulo Bernardo.
Cadê a Ley de Médios do Franklin ?
Paulo Henrique Amorim
Cadê a Ley de Médios do Franklin ?
Paulo Henrique Amorim
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teutonia lajeado
O que os estudantes chilenos tem a dizer aos estudantes brasileiros? Porque nossa mídia(?) não dá o devido destaque? A quem não interessa?
O que está em jogo no Chile interessa também à sociedade brasileira e aos estudantes reunidos agora no 52º Congresso da UNE. A juventude chilena exige que o interesse público volte a ordenar as prioridades e a destinação dos recursos disponíveis na economia em benefício de toda a sociedade. A educação é o ponto de partida e o de chegada pelos seus desdobramentos econômicos, políticos e sociais.
A educação transformou-se na porta de entrada de um acerto de contas da sociedade chilena com décadas de ditadura e renúncia do interesse público em favor do lucro privado. A lógica que o regime militar introduziu em todas as esferas da vida social, segundo a qual o mercado estrutura, administra e financia a produção e os serviços de forma mais ágil e eficiente que o Estado não foi afrontada, de fato, em muitos aspectos, pelos governos que ocuparam o La Moneda após a redemocratização.
À frente do que fariam Tatcher e Reagan anos depois, o regime militar chileno extrapolou a lógica mercadista para todos os setores da vida social. Na educação, encarada quase como um reduto de segurança nacional, agiram com redobrado afinco. Uma das últimas leis promulgadas em 1990 pelo regime que derrubou Salvador Allende tratava da consolidação desse experimento que mudou a face da escola e d a juventude. Ainda no governo Bachelet, os estudantes começaram timidamente a contestar o fio condutor silencioso dessa interligação entre o passado e o presente.
Assumiram o incomodo papel do futuro a reclamar seu espaço na calcificada rotina chilena. De início foram negligenciados –‘’os pinguins”. Meses de mobilizações, conflitos e enfrentamentos depuraram a visão das coisas e sedimentaram para a opinião pública, e para eles mesmos, o que está em jogo.
O que está em jogo no Chile interessa também à sociedade brasileira e aos estudantes reunidos agora no 52º Congresso da UNE. A juventude chilena exige que o interesse público volte a ordenar as prioridades e a destinação dos recursos disponíveis na economia em benefício de toda a sociedade. A educação é o ponto de partida e o de chegada pelos seus desdobramentos econômicos, políticos e sociais.
No Chile praticamente não existe universidade pública. No ensino fundamental e no básico predomina um agressivo processo de privatização mascarado em livre escolha. Mais de 50% das matrículas se concentram em escolas particulares que recebem subsídio federal e cobram mensalidades. O sistema foi fatiado e entregue à ordenação pelas forças de mercado. A título de promover a qualidade, incentivou-se a concorrência entre escolas públicas e privadas no âmbito municipal. Sem apoio oficial ao sistema público, as privadas avançaram e hoje representam 42% da rede local.
Currículos são decididos de forma fracionada e à margem do debate democrático: se o projeto de país passou a ser comandado pelos mercados, por que seria diferente com o conteúdo da educação? Os estudante chilenos querem uma mudança substantiva nesse modelo. E começam pelo principal: orçamento público para custear todo o sistema educativo, ou seja, restituir ao Estado a formação das novas gerações, sem concessões ao lucro privado e aos interesses particularistas leigos ou religiosos.
Os esudantes chilenos querem refundar a escola republicana no país para refundar a própria democracia esclerosada pela lavagem da mais sanguinária ditadura da história latinoamericana. Moços e moças lutam nas ruas para trazer 1789 ao Chile de 2011. Para isso é preciso por fim do fracionamento de mercado dos currículos; fim aos subsídios à indústria privada de ensino.
É difícil não ver pontos de interligação entre o sistema contestado pela juventude chilena e certos aspectos da agenda educacional brasileira. Dois elos avultam imediatamente: a) a expansão do subsídio público às empresas privadas de ensino superior –de qualidade discutível-- através do Prouni; b)e o orçamento público insuficiente destinado ao sistema educacional. O Brasil investe atualmente 5% do PIB em educação. Gasta quase 7% do PIB pagando juros aos rentistas da dívida interna. Mais de 45% da população brasileira encontra-se atualmente em idade escolar e tem que se acomodar aos estreitos limites desse orçamento.
De outro lado, o grosso dos juros da dívida pública beneficia, segundo cálculos do IPEA, apenas 20 mil plutocracias. A previsão oficial é de que somente em uma década se possa chegar a 7% do PIB em recursos para a escola pública brasileira.
À frente do que fariam Tatcher e Reagan anos depois, o regime militar chileno extrapolou a lógica mercadista para todos os setores da vida social. Na educação, encarada quase como um reduto de segurança nacional, agiram com redobrado afinco. Uma das últimas leis promulgadas em 1990 pelo regime que derrubou Salvador Allende tratava da consolidação desse experimento que mudou a face da escola e d a juventude. Ainda no governo Bachelet, os estudantes começaram timidamente a contestar o fio condutor silencioso dessa interligação entre o passado e o presente.
Assumiram o incomodo papel do futuro a reclamar seu espaço na calcificada rotina chilena. De início foram negligenciados –‘’os pinguins”. Meses de mobilizações, conflitos e enfrentamentos depuraram a visão das coisas e sedimentaram para a opinião pública, e para eles mesmos, o que está em jogo.
O que está em jogo no Chile interessa também à sociedade brasileira e aos estudantes reunidos agora no 52º Congresso da UNE. A juventude chilena exige que o interesse público volte a ordenar as prioridades e a destinação dos recursos disponíveis na economia em benefício de toda a sociedade. A educação é o ponto de partida e o de chegada pelos seus desdobramentos econômicos, políticos e sociais.
No Chile praticamente não existe universidade pública. No ensino fundamental e no básico predomina um agressivo processo de privatização mascarado em livre escolha. Mais de 50% das matrículas se concentram em escolas particulares que recebem subsídio federal e cobram mensalidades. O sistema foi fatiado e entregue à ordenação pelas forças de mercado. A título de promover a qualidade, incentivou-se a concorrência entre escolas públicas e privadas no âmbito municipal. Sem apoio oficial ao sistema público, as privadas avançaram e hoje representam 42% da rede local.
Currículos são decididos de forma fracionada e à margem do debate democrático: se o projeto de país passou a ser comandado pelos mercados, por que seria diferente com o conteúdo da educação? Os estudante chilenos querem uma mudança substantiva nesse modelo. E começam pelo principal: orçamento público para custear todo o sistema educativo, ou seja, restituir ao Estado a formação das novas gerações, sem concessões ao lucro privado e aos interesses particularistas leigos ou religiosos.
Os esudantes chilenos querem refundar a escola republicana no país para refundar a própria democracia esclerosada pela lavagem da mais sanguinária ditadura da história latinoamericana. Moços e moças lutam nas ruas para trazer 1789 ao Chile de 2011. Para isso é preciso por fim do fracionamento de mercado dos currículos; fim aos subsídios à indústria privada de ensino.
É difícil não ver pontos de interligação entre o sistema contestado pela juventude chilena e certos aspectos da agenda educacional brasileira. Dois elos avultam imediatamente: a) a expansão do subsídio público às empresas privadas de ensino superior –de qualidade discutível-- através do Prouni; b)e o orçamento público insuficiente destinado ao sistema educacional. O Brasil investe atualmente 5% do PIB em educação. Gasta quase 7% do PIB pagando juros aos rentistas da dívida interna. Mais de 45% da população brasileira encontra-se atualmente em idade escolar e tem que se acomodar aos estreitos limites desse orçamento.
De outro lado, o grosso dos juros da dívida pública beneficia, segundo cálculos do IPEA, apenas 20 mil plutocracias. A previsão oficial é de que somente em uma década se possa chegar a 7% do PIB em recursos para a escola pública brasileira.
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O despertar dos mágicos: os mitos da economia conservadora
As teorias dos economistas conservadores foram totalmente desmentidas pela crise. Eles deveriam estar escondidos cheios de vergonha. Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário. Os economistas conservadores ganharam mais força. Por quê? A razão é que os mitos em que fundamentam as suas posições são profundamente enraizados numa cosmovisão básica, de uma grande quantidade de pessoas, para não dizer da maioria das pessoas. Os mitos sobre a economia que se foram perpetuando nas escolas de economia, fundiram-se com as crenças mais ingênuas e perigosas dos nossos tempos. O artigo é de Alejandro Nadal.
Alejandro Nadal - La Jornada
Os economistas conservadores saíram desacreditados pela crise. Ao fim e ao cabo eles prometeram igualdade, prosperidade e até um mundo menos doente do ponto de vista ambiental. A única coisa que nos deram foi um colapso econômico gigantesco, com desemprego e pobreza. Deveriam estar escondidos cheios de vergonha.
Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário. Os economistas conservadores ganharam mais força. Por quê? A razão é que os mitos em que fundamentam as suas posições são profundamente enraizados numa cosmovisão básica, de uma grande quantidade de pessoas, para não dizer da maioria das pessoas.
Na arca de mitos em que se fundamenta a economia conservadora ou neo-clássica, existem três particularmente importantes. Não importa quanta evidência empírica de sentido contrário você possa encontrar, nunca poderá convencer os fiéis desses dogmas. De qualquer forma, aqui lhes oferecemos algumas pedras para atirar às brilhantes vitrinas em que têm essas crenças.
O primeiro mito está baseado na ideia de que o mundo da economia forma um sistema autônomo que regula a si mesmo. A metáfora mais bem sucedida (e perigosa) é que a economia é uma espécie de máquina. E como se regula, há que deixá-la trabalhar sem perturbar a sua dinâmica.
A teoria econômica passou mais de 200 anos a tentar provar que de fato o sistema econômico se auto-regula e que, portanto, não necessita de intervenção do governo nem da esfera da política. A evidência de crises recorrentes poderia ter sido suficiente para provar o contrário. Mas, confrontados com histórias de crise, os neoclássicos podiam sempre argumentar que foram causadas justamente por intervenções irresponsáveis dos governos.
O debate deslocou-se para o mundo dos modelos matemáticos. O programa de investigação dos economistas era simples: construir um modelo matemático capaz de reproduzir as condições em que as forças de mercado conduzem ao equilíbrio. Mas o modelo mais sofisticado e refinado da teoria econômica neoclássica demonstrou que, em geral (salvo exceções aberrantes) o sistema de mercado é instável. Então, para onde quer que se olhe: ou história econômica ou modelos matemáticos puros, a verdade é que a ideia de mercados auto-regulados que conduzem ao equilíbrio não tem nenhuma base racional.
O segundo mito é que a economia de um governo é como uma casa. E tal como uma família tem de medir o seu consumo, o governo também tem que restringir o gasto para baixar o montante dos seus rendimentos. Desta visão vem a ideia de que em tempos de crise, tal como o faria uma família, há que apertar o cinto. É o que recomendam constantemente os chamados falcões da austeridade fiscal no debate sobre a política fiscal em todo o mundo.
A realidade é diferente. Para começar, as famílias não podem estabelecer carga fiscais e colectar receitas através de impostos. Nem vi famílias que vivam centenas de anos, que incorram num déficit constante e que acumulem dívida, como fazem os governos. Normalmente as dívidas domésticas têm de ser resolvidas de uma forma ou de outra.
No limite, os governos podem emitir moeda, algo que os particulares também não podem fazer. Alguns dirão que precisamente para evitar abusos se deu autonomia ao Banco Central. Mas se você observar com cuidado o comportamento da Reserva Federal dos EUA pode constatar que a política monetária não se assemelha nada ao comportamento de uma família.
O terceiro mito é que cada classe social ou grupo recebe como remuneração aquilo com que contribui para a economia. Essa crença é a que está mais profundamente enraizada nas pessoas e atravessa o espectro de todas as classes sociais. Parece que em algum lugar no imaginário coletivo habita a lenda de que o rendimento das pessoas é proporcional à sua contribuição para o produto nacional. O corolário é que a ordem econômica é justa, mas a realidade é que nada na teoria econômica dá sustento a esta ideia. A distribuição de rendimento não está determinada por qualquer lei ou outro mecanismo econômico.
Simplesmente e apenas depende das relações de poder.
Isso não significa que as variáveis econômicas não sejam importantes. Pelo contrário. São muito mais importantes do que se pensa quando se coloca uma das lentes deste mito pernicioso que tudo distorce. O saldo fiscal, a inflação, a criação de moeda e nível salarial, tudo isso merece uma atenção cuidadosa, sem mitologias e crenças mais relacionados com a bruxaria do que com o pensamento racional.
Os mitos sobre a economia que se foram perpetuando nas escolas e faculdades de economia, fundiram-se com as crenças mais ingênuas e perigosas dos nossos tempos. Talvez essas crenças tenham mais a ver com aquelas Forze elementari sobre as quais escreveu Gramsci na sua análise sobre o fascismo.
Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário. Os economistas conservadores ganharam mais força. Por quê? A razão é que os mitos em que fundamentam as suas posições são profundamente enraizados numa cosmovisão básica, de uma grande quantidade de pessoas, para não dizer da maioria das pessoas.
Na arca de mitos em que se fundamenta a economia conservadora ou neo-clássica, existem três particularmente importantes. Não importa quanta evidência empírica de sentido contrário você possa encontrar, nunca poderá convencer os fiéis desses dogmas. De qualquer forma, aqui lhes oferecemos algumas pedras para atirar às brilhantes vitrinas em que têm essas crenças.
O primeiro mito está baseado na ideia de que o mundo da economia forma um sistema autônomo que regula a si mesmo. A metáfora mais bem sucedida (e perigosa) é que a economia é uma espécie de máquina. E como se regula, há que deixá-la trabalhar sem perturbar a sua dinâmica.
A teoria econômica passou mais de 200 anos a tentar provar que de fato o sistema econômico se auto-regula e que, portanto, não necessita de intervenção do governo nem da esfera da política. A evidência de crises recorrentes poderia ter sido suficiente para provar o contrário. Mas, confrontados com histórias de crise, os neoclássicos podiam sempre argumentar que foram causadas justamente por intervenções irresponsáveis dos governos.
O debate deslocou-se para o mundo dos modelos matemáticos. O programa de investigação dos economistas era simples: construir um modelo matemático capaz de reproduzir as condições em que as forças de mercado conduzem ao equilíbrio. Mas o modelo mais sofisticado e refinado da teoria econômica neoclássica demonstrou que, em geral (salvo exceções aberrantes) o sistema de mercado é instável. Então, para onde quer que se olhe: ou história econômica ou modelos matemáticos puros, a verdade é que a ideia de mercados auto-regulados que conduzem ao equilíbrio não tem nenhuma base racional.
O segundo mito é que a economia de um governo é como uma casa. E tal como uma família tem de medir o seu consumo, o governo também tem que restringir o gasto para baixar o montante dos seus rendimentos. Desta visão vem a ideia de que em tempos de crise, tal como o faria uma família, há que apertar o cinto. É o que recomendam constantemente os chamados falcões da austeridade fiscal no debate sobre a política fiscal em todo o mundo.
A realidade é diferente. Para começar, as famílias não podem estabelecer carga fiscais e colectar receitas através de impostos. Nem vi famílias que vivam centenas de anos, que incorram num déficit constante e que acumulem dívida, como fazem os governos. Normalmente as dívidas domésticas têm de ser resolvidas de uma forma ou de outra.
No limite, os governos podem emitir moeda, algo que os particulares também não podem fazer. Alguns dirão que precisamente para evitar abusos se deu autonomia ao Banco Central. Mas se você observar com cuidado o comportamento da Reserva Federal dos EUA pode constatar que a política monetária não se assemelha nada ao comportamento de uma família.
O terceiro mito é que cada classe social ou grupo recebe como remuneração aquilo com que contribui para a economia. Essa crença é a que está mais profundamente enraizada nas pessoas e atravessa o espectro de todas as classes sociais. Parece que em algum lugar no imaginário coletivo habita a lenda de que o rendimento das pessoas é proporcional à sua contribuição para o produto nacional. O corolário é que a ordem econômica é justa, mas a realidade é que nada na teoria econômica dá sustento a esta ideia. A distribuição de rendimento não está determinada por qualquer lei ou outro mecanismo econômico.
Simplesmente e apenas depende das relações de poder.
Isso não significa que as variáveis econômicas não sejam importantes. Pelo contrário. São muito mais importantes do que se pensa quando se coloca uma das lentes deste mito pernicioso que tudo distorce. O saldo fiscal, a inflação, a criação de moeda e nível salarial, tudo isso merece uma atenção cuidadosa, sem mitologias e crenças mais relacionados com a bruxaria do que com o pensamento racional.
Os mitos sobre a economia que se foram perpetuando nas escolas e faculdades de economia, fundiram-se com as crenças mais ingênuas e perigosas dos nossos tempos. Talvez essas crenças tenham mais a ver com aquelas Forze elementari sobre as quais escreveu Gramsci na sua análise sobre o fascismo.
As extremidades da ferradura
As extremidades da ferradura quase se encontram. Uma pela esquerda e a outra, pela direita. A distância que as separa é menor do que a que percorrem. E são feitas da mesma matéria inflexível. Se a ferradura for virada de face para baixo, suas pontas invertem os papéis.
Ontem, em Goiânia, Lula disse aos estudantes filiados à UNE que não dessem bola para a imprensa que os chamou de “chapas-brancas”. Afinal, estão onde estavam quando o ex-presidente era oposição. Não aderiram a ele após chegar ao poder.
Blogueiros progressistas, estudantes da UNE, movimentos sociais, sindicatos, todos são chapas-brancas. Mas não só para os aprendizes de Pinochet que infestam isso que se autodenomina “imprensa”. Os militontos dizem as mesmas coisas.
A imprensa que apoiou a privataria acusa o PT de “incoerência” por não re-estatizar o que FHC privatizou a preço de ferradura. E a extrema-esquerda diz exatamente a mesma coisa, apesar de Lula ter prometido, antes de chegar ao poder, que não romperia contratos.
Bolsa Família? Os extremos da ferradura dizem que é esmola, claro. Os avanços do país? Os extremos continuam se encontrando. E por aí vai.
Por isso as extremidades da ferradura nunca chegam a lugar nenhum. Não se encontram, mas não se separam. Ambas têm a mesma finalidade e são partes de um instrumento anacrônico. Estão onde têm que estar. Aparentemente separadas, mas unidas pelo extremismo.
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O SUB-DO-SUB DA CHINA, O MAIOR CREDOR, CHAMA OS EUA AS FALAS.
Cadê o sub-do-sub ?
“É preciso ouvir o som do alarme”:
“ … there are fresh indications that China and other investors are beginning to get nervous.”
Há claras indicações de que a China e outros investidores começaram a ficar nervosos.Saiu no New Tork Times, nesta quinta feira:
“We hope that the U.S. government adopts responsible policies and measures to guarantee the interests of investors,” Hong Lei, a foreign ministry spokesman
“Esperamos que o Governo americano adote políticas responsáveis e medidas que garantam os interesses dos investidores.”
Foi o que disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Quer dizer, os Estados Unidos levam um pito de quem o Nunca Dantes chamou, um dia, do sub-do-sub-do-sub.
A China é o maior investidor em títulos do Governo americano.
Os Republicanos (que, no Brasil, correspondem à coligação DEMO-PiG-Tucanos (*)) querem impedir Obama de elevar o teto de endividamento do Governo americano.
Só deixam elevar o teto se Obama cortar os programas sociais dos pobres.
Obama aceitou fazer gigantescas concessões aos conservadores – cortar programas sociais – mas não abre mão de elevar os impostos dos ricos.
O Governo Bush, com a ajuda do presidente do Banco Central, Greenspan, fez com que rico americano, a rigor, não pague imposto.
Os DEMO-PiG-Tucanos americanos estão irredutíveis.
Isso significa que no início de agosto os Estados Unidos começam a dar o calote nos títulos o Tesouro.
A China e o Brasil – que também comprou títulos do Tesouro americano – vão ficar com o mico na mão.
Não é inacreditável, amigo navegante ?
Que a pátria-mãe do neoliberalismo, onde as teorias neoliberais foram aplicadas da forma mais selvagem, que, agora, ela se veja à beira do colapso.
E na China, que continua a crescer à base de 9,5% ao ano, um sub-do-sub passa um carão nos Estados Unidos.
Aonde é que o mundo foi parar ?
Chegamos a um novo mundo em que as idéias neoliberais só sobrevivem em plagas coloniais.
E onde a intransigência dos conservadores – aliados ao PiG – permanece intocada.
Eles serão capazes de jogar os Estados Unidos no caos, a abrir mão de seus princípios: rico não pode pagar imposto.
Não é muito diferente do que fizeram os DEMO-PiG-Tucanos quando aboliram a CPMF.
Dane-se a saúde do pobre !
O meu eu quero primeiro, bradava o presidente da FIE P (**).
O mundo se reorganiza de uma forma que os conservadores ainda não conseguiram entender.
A Europa se desmancha, os Estados Unidos levam pito do sub-do-sub.
As referências doutrinárias dos conservadores viram pó.
Como os títulos do Tesouro americano (ou italiano, espanhol, grego, irlandês, português …).
Qual é a nova Meca da urubóloga ?
E do Farol de Alexandria ?
Onde ele vai buscar a Luz ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Sobre os laços que unem os republicanos do Tea Party aos DEMO-PiG-Tucanos: quem chamou o Papa para a campanha de 2010 ? O aborto ?
(**) FIE P – Este ansioso blog se refere à FIESP desta forma, sem o “$”. Porque, ao liderar a campanha contra a CPMF, que contou com a brava participação do farol de Alexandria e de um ignoto senador pelo Amazonas, Virgilio Cardoso, a FIE P preferiu dar prioridade ao $ em detrimento do remédio das crianças. A CPMF, como se sabe dificultava o emprego do “por fora”, que, em São Paulo, se chama de “bahani”.
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ITÁLIA: A SOLUÇÃO DE MERCADO PARA A CRISE. AJUSTE SALVA 1º CLASSE DO TITANIC
De forma indiscriminada o 'ajuste' aprovado pelo Senado italiano, na madrugada da 5º feira, destinado a saciar os apetites dos mercados e evitar a fuga de capitais que começou na Grécia, atingiu Portugal e Espanha e agora mirava a Itália , sacrificou assalariados, aposentados, estudantes, famílias em início de vida, inválidos, pensionistas, crianças, doentes e outros segmentos mais frágeis da sociedade. Eles serão os principais atingidos pelo corte de 5% das isenções fiscais até 2013; a partir de 2014, suportarão cerca de 20% do total dos cortes fiscais planejados, somando 24 bilhões de euros. O valor representa quase um terço do 'ajuste' de 75 bilhões de euros ofertado para acalmar bancos e rentistas que detém títulos da dívida pública italiana de 1,8 trilhão de euros (equivalente a 120% do PIB e maior do que a soma das dívidas da Grécia,Portugal, Espanha e Irlanda juntas).Outros 60% dos cortes sairão de novos ingressos, ou seja, impostos sobre salários. O atendimento à saúde será encarecido pelo fim das isenções. Empresas públicas, como correios e ferrovias serão privatizadas. Hoje o pacote, aprovado pelo Senado, vai à apreciação da Câmara. A Itália já teve um dos Partidos Comunistas mais organizados do mundo. E um sindicalismo operário de força inquestionável na defesa dos direitos dos trabalhadores. Ao discursar em defesa do pacote, o ministro da Economia, o ortodoxo Giulio Tremonti --um homem de confiança dos mercados -- advertiu que qualquer hesitação diante da crise levaria a um desastre semelhante ao do Titanic, 'no qual nem os passageiros da 1º classe se salvariam'. O ministro mostrou como salvar a 1º classe e, ao mesmo tempo, satisfazer o poder financeiro. Basta jogar os pobres ao mar, coalhado de tubarões. Como disse Antonio Candido em entrevista ao Brasil de Fato: "O lado humano do capitalismo foi arrancado dele pelo socialismo". Sem esse contrapeso, resta a barbárie.
(Carta Maior; 6º feira 15/07/ 2011)
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