Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Neoliberais usam Grécia como cobaia da crise financeira, diz deputado grego

 

Em entrevista à Carta Maior, o deputado grego pelo partido da Coalizão da Esquerda Radical Michalis Kritsotakis reconhece a importância dos movimentos que surgiram nos últimos meses no país, mas duvida que eles substituam o potencial de uma esquerda unida. “Esses movimentos podem ajudar na união do povo grego, mas não podem oferecer uma proposta política integrada”, diz. Para o membro do Fórum Social Grego, reguladores do sistema neoliberal usam Grécia como cobaia para avaliar comportamento e resistência das sociedades numa crise sistêmica como a atual.

Atenas - Deputado nacional desde as eleições de 2009 o professor universitário e mestre em administração de empresas, Michalis Kritsotakis é protagonista do “Fórum de Dialogo e Ação Unida da Esquerda” e da Coalizão da Esquerda Radical, que desde 2004 reúne 10 partidos e ocupa nove cadeiras no parlamento. Ele acredita que é o dever histórico da esquerda agir em conjunto nos pontos de concordância neste momento de crise e deixar para o futuro uma eventual conversa sobre a união sob um único partido.

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, Kritsotakis responsabiliza o sistema político bipartidário que governa a Grécia desde a ditadura por seguir um modelo de desenvolvimento errado, corrupto e adaptado aos interesses da minoria que detém o poder financeiro. Na sua analise, a Esquerda tem parte da responsabilidade pela falência do país, ao se recusar de unir e priorizar a pureza ideológica. “Isso decepciona o povo e, portanto, a nossa responsabilidade é ainda maior. A nossa proposta não é mais de unir a esquerda, pois o partido comunista se recusa a discutir. A proposta hoje” é “chegar a um consenso e atuar juntos nos pontos que concordamos”.

Alerta que a queda livre do país e sua perda de soberania já têm impactos fatais. O povo grego está enfrentando uma piora sem precedência nos índices sociais, fato que prejudica sua saúde psicológica, pois “a perda do salário ou da aposentadoria que leva as pessoas abaixo da linha da pobreza, à perda da esperança, da perspectiva, da auto-estima”. Para ele, os reguladores do sistema neoliberal “querem avaliar qual é o comportamento e as resistências das sociedades” numa crise sistêmica como essa. Abaixo a integra da entrevista com Michalis Kritsotakis.

Carta Maior O governo alega que tenta salvar o país e que a culpa da crise é do governo anterior e das características da sociedade grega. Quem afinal é o réu da falência?
Michalis Kritsotakis – A responsabilidade absoluta é do sistema político bipartidário que nos governa há trinta anos, porque sempre cuidou dos interesses da minoria, que são os detentores do poder financeiro, às custas da grande maioria do povo. O sistema nunca desenvolveu a base produtiva do país, e basicamente seguiu um modelo de desenvolvimento errado, corrupto e adaptado aos interesses dessa minoria financeira. A responsabilidade do sistema bipartidário, nesse momento, é que aceita, independente das suas pequenas diferenças, a dominação da lógica neoliberal da Troika em cima do país. O memorando que eles assinaram não tem nenhuma chance de ajudar o país a sair na superfície. Pelo contrário, nos empuxa para o fundo ainda mais.

CM O governo se baseia cada vez mais nas forças policiais para conter a reação do povo contra as medidas e cortes impostas pelo memorando. O que dói mais, a violência policial ou da pobreza numa democracia?
MK – No momento que os salários e aposentadorias sofrem cortes sem precedência, o médio assalariado, o agricultor e o micro empresário levam pancadas uma atrás da outra, é obvio que não vão agüentar nem a economia nem o povo. Nossa economia é ainda familiar na sua grande parte e a política do governo ataca o seu tronco. È fácil de compreender que isso não pode passar numa maneira respeitosa aos direitos e a democracia, e por isso o governo recorre a violência contra qualquer um que protesta, desde os agricultores, os sindicalistas e os movimentos. Ainda mais, dentro do próprio parlamento há outro tipo de violência exercida em cima da democracia, quando o governo cria medidas ad hoc e leis que os permitem assinar memorandos e acordos sem passar pelo parlamento. Estes são pequenos golpes que não cabem numa democracia.

CM A esquerda pode ter um papel definitivo neste cenário, mas parece não saber bem como exercer-lo. Por quê?
MK – Se a esquerda fosse unida poderia exercer esse papel histórico, primeiro porque o governo não tem mais a maioria, e a direita, o outro pólo do sistema bipartidário, não convence ninguém. É fato que a esquerda tem ganhado pontos nas pesquisas de opinião publica, mas é muito fragmentada. Nisso contribui uma lógica irracional por uma parte da esquerda que prioriza a pureza ideológica ao invés da ação unida. Isso decepciona o povo e, portanto, a nossa responsabilidade é ainda maior. A nossa proposta não é mais de unir a esquerda, pois o partido comunista se recusa a discutir. A proposta hoje da Coalizão da Esquerda Radical é chegar a um consenso e atuar juntos nos pontos que concordamos, e depois, se for o caso, discutiremos os pontos de discordância. Lamentavelmente somos acusados pelo partido comunista que esta proposta é desorientadora.

CM Os movimentos que surgiram nos últimos meses, como os “indignados” nas praças e o movimento “não pagamos”, têm o potencial de exercer o papel que teria uma esquerda unida?
MK – Com certeza esses movimentos podem ajudar na união do povo grego, e ainda obrigar algumas forças políticas a compreender a realidade, mas na minha opinião não podem desenhar uma pauta maior, nem oferecer uma proposta política integrada. Infelizmente, algumas partes da esquerda chegaram até o ponto de denunciar e desprezar coletivamente esses movimentos. No entanto, no movimento das praças participam pessoas que ignoraram as linhas partidárias, e isso aplica uma pressão enorme neles. Eu diria que o maior ganho destes movimentos é que conseguiram levantar o povo da apatia do seu sofá, mesmo que haja uma variedade de idéias, às vezes inconveniente, dentro das praças. Do outro lado, o movimento “não pagamos” é importante, pois desafia o governo e suas medidas inconstitucionais, antidemocráticas, injustas e, pior, ainda ineficientes. Até agora o que foi arrecadado violentamente do povo sumiu no buraco negro e os índices pioraram ao invés de melhorar. Isso justifica a luta desses movimentos ainda mais.

CM A revista médica Lancet publicou na semana passada uma pesquisa que aponta uma queda na expectativa de vida no país, acompanhada por aumento de suicídios e doenças psicológicas, característicos de países em guerra. A Grécia está em guerra?
MK – Provavelmente. A Associação Psiquiátrica Grega também alertou recentemente sobre o aumento de uso de antidepressivos e da procura de assistência. Pesquisas apontam que para cada 1% de aumento no índice de desemprego, as doenças psicológicas aumentam por 0,71%. O fato desanimador, então, não é a perda do salário ou da aposentadoria que leva as pessoas abaixo da linha da pobreza, mas a perda da esperança, da perspectiva, da auto-estima, sentimentos que levam ao isolamento, a comportamentos anti-sociais e à raiva que, às vezes, está direcionada justamente ao sistema político. Assim é criado um ciclo vicioso em que para a pessoa é impossível sair, especialmente neste momento. Então é necessário a criação pelo povo de um movimento massivo para resistir ao modelo neoliberal e a seus porta-vozes, que nos levaram até esse ponto.

CM Os empréstimos previstos no memorando do governo com a Troika estão acompanhados de condicionalidades impostas historicamente a países não soberanos. O que há pela frente?
MK – Neste momento o país parece indefeso. O desemprego aumenta e grande parte da sociedade cai abaixo da linha da pobreza. Justamente neste momento uma grande parte do sistema político, em sintonia, achou a oportunidade de vender nossos recursos naturais e conceder nossa força trabalhista indefesa para o capital. A Alemanha precisamente tem condicionada sua ajuda à criação de zonas francas, onde as leis trabalhistas não se aplicarão, nem terão salários mínimos. Acima de tudo, eles não querem nenhuma restrição que tem a ver com a proteção do meio ambiente e é por isso que o governo cria leis como o fast-track , que agilizam esse processo. A Alemanha quer transformar a Grécia num laboratório de energia renovável para exportação, e o que nós, como partido, defendíamos há anos como o caminho para soberania energética, esta virando um pesadelo. Esse tipo de investimentos em energia renovável anulará a indústria pesada das ilhas gregas, inclusive de Creta, que é o turismo. É um pouco tragicômico que a oposição majoritária esteja cobrando mais agilidade pelo governo nestas concessões e na criação de leis que facilitam os investimentos.

CM Mas ainda assim essa receita é imposta pelos governos centrais da Europa e o FMI, e até uma parte dos gregos a apóia, como caminho para sair da recessão, gerar superávits e empregos.
MK – Esses paradigmas que mencionei são a aplicação da lógica neoliberal que diz que, acima de tudo, estão os mercados. Eles definem tudo, se auto-regulam, estão acima da política e acima dos países. Esta lógica fica expressiva olhando o papel central dos bancos nesta crise e a dominação das agências de classificação de risco. Estamos enfrentando, na verdade, a ditadura dos mercados em cima da política e da sociedade, que não conseguem resistir. O sistema político e a sociedade acabam servindo aos desejos dos mercados quase como um viciado em algo, que neste caso é o credito.

CM Podemos dizer que o que eles fazem na Grécia é o prelúdio de algo maior?
MK – É muito importante que todos compreendam que a Grécia hoje é uma cobaia. A crise, que é sistêmica, se espalha para outros países, e os reguladores do sistema querem avaliar qual é o comportamento e as resistências das sociedades nesse tipo de situação. De certo modo, o sistema deixa a crise desenrolar de uma maneira supostamente controlada na Grécia para avaliar até que ponto pode chegar. A esquerda européia parece estar consciente disso. E como nosso oponente, o sistema neoliberal é algo transfronteiriço, nossa luta tem que ter características internacionalistas.

Cooperação e neoliberalismo: agora todos vêem mais claro


A proclamação da 'nova ordem internacional sem fronteiras nacionais' foi prematura e oportunista. O fracasso do modelo neoliberal e a crise do 'modelo social europeu', em particular, agora cobram uma “colaboração” igualitária de todos os atingidos para reorganizar a economia mundial, numa decisão política de longo alcance para o que vai ocorrer neste século. É como se todos tivessem o mesmo grau de responsabilidade e a mesma capacidade para superar os efeitos da crise. O artigo é de Tarso Genro.

I

Eric Hobsbawn, alguns anos após a queda do “socialismo real” na URSS, publicou um texto intitulado “O que restou para os vencedores?”. Nele Hobsbawn sugeria que, rompido o equilíbrio mundial com a falência soviética, as forças destrutivas do neoliberalismo poderiam explicitar-se sem reservas e os direitos sociais conquistados dentro do capitalismo estariam expostos a sua ação predatória e antissocial.

Sustento que saímos de um primeiro período de igualdade mítica, na globalização (no qual se propagava que os seus “proveitos” seriam repartidos de forma equânime), para um segundo novo período (no qual são socializadas as perdas), no bojo da crise aguda já evidenciada na experiência do “sub-prime”.

O fracasso do modelo neoliberal e a crise do “modelo social europeu”, em particular, agora cobram uma “colaboração” igualitária de todos os atingidos para reorganizar a economia mundial, numa decisão política de longo alcance para o que vai ocorrer neste século. É como se todos tivessem o mesmo grau de responsabilidade e a mesma capacidade para superar os efeitos da crise. A fantasia de um progresso igual e justo para todos é sucedida, então, pela realidade do ajuste sobre os ombros dos mais débeis. A “globalização não é mais o que era, ou o que pensamos que poderia ser, na década de noventa. Nem os otimistas, nem os pessimistas, nem os neoliberais, nem os críticos, foram suficientemente lúcidos para avaliar o que nos atingiria. Este início de século é também o fim da ingenuidade global.” [1]

Bordieu [2] sustentou, já em 2001, que a Europa é “ambígua”. De uma parte, quer apresentar-se como autônoma em relação às potências econômicas que estão fora do seu território para desenvolver um importante papel político em escala mundial; e, de outra, quer outorgar-se à condição de protagonista de uma espécie de “união aduaneira” com os EEUU, para, a partir daí, transformar-se num território-estado que, embora privado de poder para promover um específico modelo econômico com modo de vida próprio, passa a torna-se mais rico, mas despojado assim dos “arcaísmos protetivos” do modelo social europeu.

Na Europa a maioria dos governos socialistas e sociais-democratas foram levados a aceitar as mesmas tarefas que foram encomendadas aos governos conservadores neoliberais. Aumenta, assim, a ambiguidade e a indeterminação europeia que promove o afastamento da política de uma parte cada vez maior dos seus cidadãos comuns e aumenta o ceticismo destes frente aos desafios para organizar a vida social.

Bordieu prossegue asseverando que, contrariamente à ideia de uma globalização produtora da morte do estado, estes prosseguem cumprindo papéis políticos determinantes. Fazem-no, agora, mais a serviço de políticas que os tornam cada vez mais impotentes para dirigir a economia no seu território, abdicando de promover as políticas públicas de coesão social mínima, promovidas pela social-democracia.

Neste contexto desenvolvem-se as campanhas oportunistas de uma boa parte da mídia contra a corrupção (antigo problema que se exacerbou na América Latina nas ditaduras), apontando-a como centro e núcleo da crise. A corrupção e a política passaram a ser, para esta parte da mídia, a mesma coisa: o “mal” absoluto cujas causas não são procuradas em nenhum outro lugar, seja na desigualdade ou na exclusão, seja no modelo anti-social, predatório dos direitos, ensejado pela globalização neoliberal. São campanhas processadas deliberadamente sem qualquer juízo crítico ao modelo econômico-social promovido pelo tatcherismo e pelo trabalhismo inglês, a partir dos anos 70. O grave é que isso se tornou uma dogmática aceita pelo receituário de parte da social-democracia.

É preciso devolver crescimento da taxa de lucro obtida na produção industrial tradicional e moderna, sugada pela acumulação sem trabalho do capital financeiro, que é escorada principalmente na dívida pública.

II

Quero apontar, sumariamente, dois macroproblemas dos quais derivam “cooperações” que alimentam fragmentações e que impedem a integração comandada pela política. Digo “comandadas pela política”, porque as sugestões sugeridas segundo os interesses dos países ricos, para sair da crise, aumentam as dificuldades para promover coesão social e inclusão.

Primeiro macroproblema exemplar de políticas unilaterais: a guerra às drogas e à drogadição. Começada há quarenta anos por Nixon, esta guerra, segundo estudos da Comissão Mundial para a Política Antidrogas, é um rotundo e irremediável fracasso. Europa e EEUU atualmente consomem algo como trezentas toneladas de cocaína por ano e já temos duzentos e setenta milhões de pessoas usuárias de drogas, no mundo. Além disso, de cada dez armas apreendidas no México (território de excelência do narcotráfico e dos crimes dele derivados), sete têm procedência americana, principal território do consumo sofisticado.

Estes dados indicam as consequências de uma “cooperação” tutelada pelos interesses imediatos dos países dominantes, com os respectivos resultados nas suas políticas internas: é a época do ceticismo em relação à política, derivado da insegurança e da corrupção; da intervenção nos embates eleitorais pelo crime organizado, desprestigiando a representação; das seguidas crises agudas da segurança pública; e, logo, da degradação do ambiente de cooperação política, necessário a qualquer regime democrático [3].

Segundo macroproblema: a “colaboração” tutelar permanece vencedora e ainda subsiste. “Colaboração tutelar” é como qualifico a colaboração Norte-Sul, em regra. Ela não mudou, como se comprova com o “caso grego”, o mais exemplar de todos neste momento. Lá, vê-se uma contração brutal do PIB, de 7,3% no segundo trimestre deste ano de 2011 e, ainda, o compromisso do país de resgatar ou refinanciar 137 bilhões de euros em 2020. Ninguém em seu perfeito juízo imporia um sacrifício desta proporção - guardadas os protocolos exigíveis às boas relações de uma vida comum - a qualquer vizinho que despertasse algum tipo de compaixão colaborativa [4].

O ceticismo que mencionei, no que diz respeito a Europa, está bem retratado no artigo “La generación indignada”, no jornal “El País”, de 19/09/2011: “É um fantasma com múltiplas caras, ainda que a mais visível tenha um rosto juvenil. Apareceu primeiro na periferia de Paris e Atenas, logo no centro do Cairo, Lisboa, Madri e Barcelona, e voltou a irromper em Londres, Santiago do Chile e Tel Aviv. Atrás do fantasma, uma presença: a do novo lumpemproletário da era pós-industrial, constituído por esses jovens hiperformados - e hiperinformados – e sem dúvida precarizados, conectados através das redes sociais, que às vezes raciocinam de maneira criativa e pacífica (em forma de comédia) e outras em forma mais irada e violenta (em forma de tragédia). Atrás dessa presença inquietante, um espectro: o da crise econômica global que afeta com particular intensidade as novas gerações, cujos efeitos vão mais além da precariedade material, apresentando-se em forma de crise de valores (ou, melhor, de valores da crise)”.

Há alguns anos a visão mítica da globalização diria que estes acontecimentos seriam incidentes ocorridos no “centro do mundo”, que seriam “passageiros”. Mais de perto, o que vemos é a crise de financiamento do desenvolvimento capitalista; novos movimentos de massas através das redes sociais; drogadição financeira do mundo, que impulsiona a degeneração democrática. Tudo isso ocorrendo, agora, a partir da inspiração do próprio “centro do mundo”, capilarizando-se no planeta. Mas (há sempre um “mas”), hoje (há sempre a “centralidade ontológica” do presente), onde está o centro do mundo? “Onde está o centro do mundo? Em Paris, Washington, Londres, Brasília ou Pequim? Até alguns anos a resposta era inequívoca: as três capitais ocidentais eram os núcleos do poder mundial. Hoje já não são. O século XXI marca o fim da dominação ocidental sobre o resto do mundo e abre uma nova fase histórica que o economista francês Alexander Kateb define como a segunda globalização dominada pelos países do sul. Para ele, Brasil e China tem um papel central na reconfiguração econômica e moral dos centros de poder.” [5]

É a partir das funções do Estado que se configuram, claramente, os efeitos da globalização na vida pública. Tanto nas finanças públicas como no direito público, que, nos países ricos, promove o fenecimento do Estado Nacional Público (Wellfare), mas enseja um Estado continental duro, em termos de ortodoxia financeira, comandado pelos Bancos Centrais. Na nova configuração geoeconômica e geopolítica, o mito da unificação do local e do global, da primeiríssima etapa da globalização financeira, está acabado pela separação radical das concepções que versam sobre as funções públicas do Estado.

Na América Latina - ao contrário dos ex-“centros do mundo” - em regra fortalece-se o Estado Nacional Público para fazer a promoção de políticas anticíclicas contra as crises que vem daqueles ex-“centros do mundo”. Aqui, fortalecem-se os Estados nacionais, combinados com a relativização dos poderes dos seus bancos centrais. Assim, o que se pode perceber é que para os latino-americanos, na segunda etapa da globalização, o que se torna dominante não é mais a subsunção do local ao global, mas a oposição dos interesses locais, ou regionais, da América Latina, aos interesses nacionais dos superestados controlados por seus Bancos Centrais. (Nos Estados Unidos pelo FED, na Europa pelo Banco Central Europeu.)

Desta forma, a cooperação que parecia fluir em sua santa espontaneidade, por dentro de uma legalidade meramente econômica (o “glocal” que incluiria os “nós” de uma rede global), agora já se revela plenamente como oposição de interesses. É a oposição entre Estados Nacionais, tendentes ao “interesse público” e os Superestados Continentais, tendentes a responder preponderantemente aos interesses dos grupos superiores da sociedade. Estados, assim, menos republicanos e menos democráticos.

Entendo, pois, que o desafio da cooperação e o desafio de “inovar para governar o local”, hoje difere da visão desenvolvida sobretudo nos anos 90 - muito apropriada para a primeira etapa da globalização - por vários autores brilhantes, como Castells e Borja [6]. É importante lembrar que, para ambos, o local-territorial seria considerado o “nó” (pontos de convergência e enlace de redes horizontais), que, ao mesmo tempo, localizaria e globalizaria o território. E que, por isso, seriam espaços privilegiados de oportunidades, de democracia e desenvolvimento. Para ambos, também, os arranjos institucionais locais, orientados pela democracia participativa local e a relação público-privada, operante na localização territorial, constituiriam os eixos principais da boa governabilidade democrática. Uma governabilidade que comporia uma vasta rede de uma globalização democratizante.

III

Hoje, esta concepção inovadora deve sofrer um acréscimo qualitativo essencial, sem perder de vista sua importância estratégica: o local (o “nó”) deve reportar-se, privilegiadamente, para incidir nas políticas nacionais. Desta forma promoverá uma intervenção concreta sobre o destino político nacional, que alimenta as redes de ideias e de recursos, para que a cooperação extraterritorial - de regiões para regiões - sejam designadas por políticas nacionais de cooperação preferencial. Assim, políticas arbitradas a partir dos países até então subordinados, como o nosso, cuja modelagem da economia não coincide com aquelas queridas pelos Bancos Centrais dos países ex-centros do mundo. Estas cooperações, em consequência, não se basearão mais em projetos que sejam lineares às políticas dos Bancos Centrais, tutelares, da Europa e Estados Unidos. Serão políticas que alimentarão a cooperação interdependente com resguardo dos interesses nacionais.

A concepção “global” dos “nós”, naquele sentido de Castells e Borja, não considera as assimetrias hoje explicitadas em sua plenitude:

• A desigualdade estrutural de condições para conexões e recepções do trânsito global de informações e, portanto, de meios para hierarquizar a sua utilização nos “nós” da rede global.

• A desigualdade para promover a utilização da “produtividade do espaço urbano”, ocupado pela pobreza extrema e pela pobreza em geral, nas grandes aglomerações metropolitanas, que é essencial para o aproveitamento produtivo daquele espaço.

• A desigualdade para financiar o trânsito dos fluxos de informações nos territórios, destinados aos setores mais pobres da sociedade que ficaram à margem da “sociedade informática” e que devem ser incluídos neles.

Em resumo, a inovação para a governança local e regional, seja ela tecnológica, institucional ou econômica, deve ser precedida da “inovação política” nas relações multilaterais. O centro da questão é impedir que as cooperações sejam moldadas para transferências de crises, ou, ainda, tornem-se (como já são com certa frequência), suportes para sustentar políticas de depredação dos direitos sociais, em curso na Europa e nos EEUU.

A visão de base estritamente “glocalista” (“paciente” da globalização), que num primeiro período orientava as democracias participativas locais, foi importante para romper com o autarquismo impotente. Agora ela já se reporta a uma totalidade hostil à democracia, à participação e aos direitos sociais. Na verdade, reporta-se uma totalidade “pseudoconcreta”, manipulatória e falsa, do capital financeiro encurralado por suas crises.

É o mesmo Jordi Borja que hoje assegura: “A globalização hoje não é somente um processo econômico-financeiro e cultural-comunicacional propiciado pela revolução digital. É também uma realidade político-militar imperial, uma dominação exercida pelo governo da única superpotência existente, que hoje não tem contrapeso algum e que uniu uma cruzada messiânica à realização descarnada dos negócios por parte de grupos econômicos multinacionais”. [7]

A inovação preliminar a todas as inovações então, hoje, é a inovação para construir um novo “bloco social e político”, regional e local. Um bloco produto de uma ação política concertada - no âmbito do território - para vinculações a outro “bloco social e político”, regional e local, para gerar acordos de cooperação fora do controle dos bancos centrais. São acordos contra as políticas recessivas, tratando a economia a partir de valores ético-morais; acordos para a promoção da sustentabilidade e da inovação tecnológica; acordos contrapostos à lógica do capital financeiro, retomando a supremacia da política sobre a “naturalidade” financeira.

Enquanto a sociedade industrial tradicional impelia os “de baixo” à solidariedade e ao pensamento voltado para o coletivo, a sociedade globalizada pelas finanças impele-os ao auto-isolamento e à solidão. Enquanto naquela sociedade industrial os sujeitos eram as classes orgânicas na produção, na sociedade atual elas dispersaram-se em redes e os seus poderes e demandas são mais “difusos”. Enquanto na sociedade industrial o contrato político poderia ser controlado pelas partes contratantes (“burgueses” e “proletários” organizados), na sociedade atual qualquer concertação é multipolar, inclusive sujeita a surpresas dos “choques” externos. [8]

Eis alguns exemplos de inovação para um novo tipo de cooperação:

As inovações para transferência de experiência, engenharia institucional e uso de tecnologia inovadoras, para promover a participação cidadã nos negócios públicos;

As inovações em cooperação entre grandes, médias e pequenas empresas, para reciclagem de materiais e socialização de inovação tecnológica e novas tecnologias;

As inovações para a produção de alimentos saudáveis;

As inovações para cooperação no plano da bioética;

As inovações para cooperação entre cooperativas de produção, instituições da economia solidária e cooperativas de comercialização da agricultura familiar;

As inovações em cooperação contra a instrumentalização sexual da infância e da adolescência;

As inovações para a cooperação através de incentivos fiscais destinados a empresas que se comprometam a adquirir insumos na base produtiva local e a respeitar as cláusulas internacionais de proteção ao trabalho da mulher, dos jovens e das crianças.

A proclamação da “nova ordem internacional sem fronteiras nacionais” foi prematura e oportunista. Ela tem servido sobretudo para a socialização de perdas originárias das sucessivas crises da globalização tutelada pelos bancos centrais, principalmente o americano e o europeu. Este é o novo desafio da cooperação solidária na ordem global em crise, que os processos mundializaram-se em termos econômicos [9], mas a interferência sobre eles parte do estado-nação e do seu território.

(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul

(**) Texto preparado a partir de palestra proferida em 21/09/2011, em Rosário (Argentina), na reunião promovida pela URB-social (União Europeia).


NOTAS
[1] BORJA, Jordi. “La ciudad conquistada”. Madrid (Espanha), Alizanza Editorial, 2005, p. 312.

[2] BORDIEU, Pierre. “Contrafogos 2 – por um movimento social europeu”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

[3] NEPOMUCENO, Eric. “América Latina, mundo de droga”. In: www.cartamaior.com.br, 19/09/2011

[4] NADAL, Alexandro. “O espectro da moratória percorre a Europa”. In> www.cartamaior.com.br, 18/09/2011.

[5] FEBBRO, Eduardo. “O centro do mundo mudou de lugar?”. In: www.cartamaior.com.br, 20/09/2011.

[6] BORJA, Jordi; CASTELLS, Manuel. “Local y global – la gestión de las ciudades em la era de la información”. Barcelona: ed. Taurus, 1997, pp. 369 e segts.

[7] BORJA, Jordi. “La ciudad conquistada”. Madrid (Espanha), Alizanza Editorial, 2005, p. 313.

[8] O parágrafo acima foi extraído do meu texto “A questão democrática como questão da esquerda”, escrito em 2006, para a revista Italianieuropei. (TG)

[9] SARTORIUS, Nicolás (org.). “Una nueva gobernanza global: propuestas para el debate”. Madrid / Barcelona / Buenos Aires: Fundación Alternativas –Marcial Pons, 2011, 2ª edicion, p. 59.

Ministério abre negociação de regulação da mídia mas não fixa prazo


Paulo Bernardo (Comunicações) reúne-se pela primeira vez com Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação para discutir marco da radiodifusão. FNDC entrega propostas e aguarda nova reunião este ano. Conclusão do projeto segue sem data. Dois meses após ir à Câmara, lei da internet também está parada. Ministério da Justiça debaterá proposta na ONU.

BRASÍLIA – O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, recebeu uma série de propostas sobre o marco regulatório da mídia que está sendo elaborado, apresentadas pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) na última terça-feira (18). A reunião foi considerada positiva pela entidade, que reclamava de falta de negociação por parte do governo Dilma. Mas o ministério continua sem fixar data para concluir o projeto e colocá-lo em consulta.

“Esta foi a primeira reunião propositiva que realizamos com este governo. O ministro recebeu positivamente nossas propostas, prometendo incorporá-las, se não integralmente, pelo menos em parte ao projeto”, afirmou coordenador do FNDC, Celso Schröder. “Significou a retomada do diálogo, rompido desde o início do governo Dilma”, completou o jornalista, que não participou da reunião realizada no Dia Mundial da Democratização da Comunicação.

As sugestões levadas pelo FNDC ao ministério integram documento básico com as posições da entidades que começou a ser construído na I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em dezembro de 2009. O texto foi discutido depois em seminário em São Paulo e, por fim, colocado em consulta pública encerrada dia 7 de outubro.

Segundo João Brant, coordenador do Coletivo Intervozes, uma das entidades que compõe o Fórum, evitou-se incorporar sugestões que implicariam mudar a Constituição ou que tratavam de questões muito específicas. Foram recebidas cerca de 200 contribuições. “Acreditamos que estes detalhamentos serão necessários no momento de construção de um anteprojeto de lei, mas não são a melhor abordagem numa plataforma com 20 diretrizes”, explicou.

Entre a propostas que constam do documento, estão a democratização das outorgas e a proibição de políticos obterem-nas, limite à concentração de propriedade de veículos, regulação da publicidade e criação de punição por violações dos direitos humanos, entre outros. Paulo Bernardo deve se reunir mais uma vez com o FNDC até o fim do ano. “Precisamos ampliar a mobilização e garantir a adoção do marco regulatório”, disse Brant.

“A legislação brasileira foi construída para atender a interesses particulares, a iniciativas isoladas”, afirmou Schröder, defensor de um nova legislação, mais ampla, que trate ao mesmo tempo de temas como banda larga, TV por assinatura, TV aberta, rádios e canais comunitários, por exemplo.

Um novo marco regulatório da TV fechada foi sancionado recentemente pela presidenta Dilma Rousseff. No projeto do marco da mídia, o ministério das Comunicações pretende atualizar não só a legislação da radiodifusão aberta, que é de 1962, como também a Lei Geral de Telecomunicações, que, 14 anos depois, também estaria superada.

Uma outra regulamentação na área da comunicação, desta vez que trata da internet, o governo propôs ao Congresso em agosto, mas até agora, não andou na Câmara dos Deputados. Por ser uma proposta ampla, de conteúdo abrangente, que teria de passar por quatro comissões temáticas, vai ser necessário criar uma comissão especial. Isso ainda não aconteceu.

O processo de elaboração do projeto bem como seu conteúdo serão debatidos nesta sexta-feira (21), na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, pelo secretário de Assuntos Legislativos do ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira. O debate será num painel temático intitulado “Acesso à Internet para todos?”, que será realizado ainda no âmbito do encontro anual da Assembléia Geral da ONU.

O chamado marco civil da internet foi construído com inúmeras consultas públicas na própria rede e atende quase tudo o que a maioria dos usuários-militantes queriam, como a proibição de filtragem de conteúdo e a garantia de sigilo dos registros de conexão.

LÍBIA, PETRÓLEO E DEMOCRACIA

Quatro semanas de bombardeios intensos dos caças da Otan precederam a captura e morte de Kadafi, nesta 5ª feira, na Líbia.  Sirte, a cidade nuclear no centro das operações, foi reduzida a ruínas. Mais de 100 pessoas morreram nos últimos 10 dias. Há centenas de feridos e encarcerados. A violência não se limita aos combates.Um relatório da Anistia Internacional, de 13 de outubro, "Detention Abuses Staining the New Libya", denuncia a persistencia de prisões arbitrárias, sem julgamento, por parte de milícias incorporadas ao governo provisório rebelde. A prática da tortura é generalizada nas prisões, seja por vingança, seja como método sancionado de coleta de  informação. Se o Conselho Nacional de Transição (CNT) não der mostras de "uma ação firme e imediata", diz o Relatório da Anistia, a Líbia corre "um risco real de ver algumas tendências do passado repetirem-se.O documento resume as conclusões de uma delegação da Anistia Internacional que, entre 18 de agosto e 21 de setembro, recolheu os testemunhos de perto de três centenas de prisioneiros em 11 instalações de detenção da capital, Tripoli, bem como de Zawiyah e outras regiões do país. As imagens de Kadafi banhado em sangue, com o rosto desfigurado, morto após captura, ocuparam hoje um espaço de destaque em veículos tradicionalmente empenhados em cobrar o respeito aos direitos humanos, sobretudo de regimes cujos governantes, em sua opinião, não comungam valores democráticos.  Carta Maior repudia a tortura, o arbítrio e a opressão --política e econômica, posto que são indissociáveis--  em qualquer idioma e latitude. Não se constrói uma sociedade justa e libertária com o empréstimo dos métodos que qualificam o seu oposto. A história dirá se o que assistimos hoje na Líbia atende às justas aspirações das etnias líbias por liberdade e justiça social, ou configuram apenas uma cortina de fumaça feita de bombas e opacidade midiática para lubrificar o assalto das potências ao petróleo local.
(Carta Maior; 5ª feira, 20/10/ 2011)

Atenção defensores da liberdade de expressão da mídia tupiniquim

Na última terça-feira, 18/10, o advogado Alberto Piovesan, de Vitória (ES), autor do pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convocado pela Polícia Federal para dar explicações! Isso mesmo que vocês leram. Piovesan entrou em contato comigo hoje para dizer que, na delegacia, foi inquirido sobre suas atividades particulares e dizer quais motivos o levaram a fazer o pedido no Senado Federal (aliás, sumariamente arquivado pelo senador José Sarney, amigo de Mendes). Me relatou o advogado: "Isto é, a meu ver, patrulhamento e investigação de pessoa, não permitido pela legislação vigente. Pareceu-me que se pretendeu mostrar que foi ousadia ter exercido direitos de cidadão assegurados pela Constituição, pedindo apuração de notícias sobre um ministro. Por este fato, passei a ser o investigado pela Polícia Federal, sem ter praticado ilícito apurável por esta, ou congênere, consistente isto ainda em, a meu ver, velada intimidação aos que porventura pensem em semelhante iniciativa, e ainda a utilização indevida de órgão público federal". 
O delegado federal que o ouviu se chama ADRIANO DIAS TEIXEIRA AMORIM DO VALLE e o depoimento atendeu a Carta Precatória 0196/2011-SR/DPF/ES - IPL 1759/2011-4 - SR/DPF/DF.
Que país é esse?
Leandro Fortes
LÍBIA: rebeldes anunciam a morte de Kadafi após captura** foto de Kadafi banhado em sangue, com o rosto deformado, é distribuída pela Reuters; site do Globo estampa imagem no alto da pág às 10:59, sem questionamento**ONGs de direitos humanos denunciam prisões em massa, sem julgamento, e prática generalizada de tortura sob o Governo Provisório da Líbia

** Parlamento grego terá que confirmar hoje novo pacote de arrocho
** Atenas vive os maiores protestos de rua da história (leia nesta pág. direto da Grécia)

**Cristina deve ser reeleita domingo com maioria no Congresso  (leia nesta pág. direto de Buenos Aires)
** Partido Socialista argentino pode conquistar a 2ª colocação
**êxito do PS contraria diagnóstico da mídia conservadora , que  atribui reeleição de Cristina ao  'populismo'

**governo corta o juro pela 2ª vez e a inflação desacelera **contra os prognósticos do rentismo midiático, prévia do IPCA este mês fica em 0,42% (0,53% em setembro) 

 GRÉCIA:  O BANCO OU A VIDA. Chegou-se a um ponto na Grécia em que as nuances do conflito não contam mais. Luta-se pela vida nas ruas de Atenas.(LEIA MAIS )

Quem tem prova, mostra

Chegamos à quinta-feira e, até agora, nada das provas contra o ministro Orlando Silva que a revista Veja e seu homem, o policial militar João Dias Ferreira, prometeram apresentar na segunda-feira. Além disso, em vez de confrontar o ministro nas audiências de que ele participou no Congresso na terça e na quarta, o acusador preferiu se reunir com seus adversários políticos apesar de estar no mesmo local, dia e hora.
Quando a denúncia é séria, porém, não é assim que se procede. Ah, então você quer saber como se procede quando a denúncia é séria e fundamentada? Ora, basta se lembrar do escândalo que levou à cadeia o ex-governador de Brasília José Roberto Arruda, do DEM, que, ano passado, chegou a ser cogitado pelo aliado PSDB como pré-candidato a vice-presidente na chapa do ex-governador de São Paulo José Serra.
O denunciante já foi logo apresentando o vídeo que encerraria o mandato eletivo e a carreira política de Arruda. Se as provas contra Orlando Silva existem, por que não fazer como o acusador do ex-governador de Brasília e apresentá-las de vez? Estratégia para aumentar o suspense? Conversa. Quem se apresenta como defensor da moralidade pública não deve tergiversar ou criar climas, deve dizer e mostrar o que sabe de forma clara e efetiva.
Tudo o que se tem, até este momento, é uma chuva de acusações sem provas não só contra o ministro, mas contra um partido político inteirinho, o PC do B, e, agora, também contra a pré-candidata a prefeita de Porto Alegre por esse partido, Manoela D’Ávila, que, coincidentemente, é a que está mais bem colocada nas pesquisas de intenção de voto.
Que provas surgiram, até agora, contra Orlando Silva e seu partido inteiro? Nada, absolutamente nada além da palavra de um homem que está sendo processado criminalmente e que até já foi preso por conta das falcatruas em que se envolveu, e que foi denunciado pelo ministério dos Esportes, anteriormente, o que significa que o denunciante do ministro e de seu partido teria todos os motivos para inventar a denúncia que fez.
O tratamento da mídia e das autoridades em relação ao caso do ministério dos Esportes, porém, quando em comparação com o escândalo das emendas parlamentares em São Paulo revela que este país vive uma ditadura midiático-oposicionista apesar de ser governado pelo PT. Escândalos iguais, baseados em meras denúncias sem provas, recebem dos meios de comunicação e das autoridades tratamentos diametralmente opostos.
Não é a primeira vez que alguém enrolado com a lei até o pescoço denuncia membros do governo petista. A oposição midiática está sempre aparecendo com um escroque para acusar o governo petista e o próprio PT. Ano passado, durante a campanha eleitoral, o “empresário” Rubnei Quícoli, que tinha ficha policial análoga à do PM que denuncia Orlando Silva, fez graves acusações ao PT.
Terminou a campanha eleitoral, o uso do escroque deu em nada e o PT foi para cima do detrator na Justiça. Diante da impossibilidade de provar o que disse, Quícoli se retratou oficialmente e a mídia, que deu grande publicidade às suas acusações, não divulgou o fato. Abaixo, a retratação de uma dessas fontes bandidas da mídia.
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Circunscrição : 1 – BRASILIA
Processo : 2010.01.1.186746-9
Vara : 209 – NONA VARA CIVEL
AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO, INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
Processo: 2010.01.1.186746-9
Ação: INDENIZAÇÃO
Autor: DIRETORIO NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES
Ré: RUBNEI QUICOLI
Adv. Autor: SIDNEY SÁ DAS NEVES, OAB/DF 33683
Adv. Ré: KLEBER DE OLIVEIRA BARROS, OAB/PE 436-B
Aos 14 dias do mês de setembro de dois mil e onze, às 16h, nesta cidade de Brasília, Capital da República Federativa do Brasil, e na sala de audiência deste Juízo, presente o MM Juiz de Direito Substituto FERNANDO L. DE L. MESSERE, foi aberta a audiência de conciliação, instrução e julgamento nos autos da ação em referência. Feito o pregão, a ele responderam o preposto do autor, Sr. Geraldo Magela Ferreira, acompanhado do advogado, Dr. Sidney Sá das Neves, OAB/DF 33683; Presente o réu, Sr. Rubnei Quicoli, acompanhado do advogado, Dr. Kleber de Oliveira Barros, OAB/PE 436-B. REQUERIMENTO: A parte ré requereu a juntada de procuração, constituindo novo patrono nos autos, requerendo ainda que as publicações e intimações sejam realizadas em nome do Dr. Kleber de Oliveira Barros, OAB/PE 436-B. A parte autora requereu a juntada de carta de preposição. Proposta a conciliação, esta restou infrutífera. 1) O réu retrata-se das declarações dadas à imprensa e declara que não teve intenção de imputar atividades ilícitas ao Partido dos Trabalhadores ou de atingir a honra do Partido, pois apenas relatava contatos mantidos com terceiros, razão pela qual lamenta o ocorrido e desculpa-se por eventual mal entendido ou dano provocado à imagem do Partido. 2) O autor aceita o pedido de desculpas do réu e renuncia ao direito em que se fundou a presente ação. O réu renuncia ao direito reclamado em reconvenção. 3) Custas finais, se houver, a serem rateadas meio a meio entre as partes. Cada parte arcará com os honorários de seus respectivos patronos. 4) As partes renunciam ao prazo recursal. Pelo MM. Juiz foi proferida a seguinte SENTENÇA: “Homologo para os devidos fins, o presente acordo recomendando o seu fiel e integral cumprimento e; em conseqüência, julgo extinto o processo com resolução do mérito, em face da transação, com fulcro no artigo 269, III, do CPC. Custas finais e honorários conforme acordado. As partes renunciaram ao prazo recursal. Pagas as custas, dê-se baixa e arquivem-se os presentes autos, com as cautelas de estilo.” Intimados os presentes. Nada mais havendo, encerrou-se o presente termo. Eu, Milena Miranda de Morais, o digitei.
FERNANDO L. DE L. MESSERE
Juiz de Direito Substituto
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Particularmente, considero que o PT errou. Para não ficar carimbado como um partido que investe contra cidadãos comuns, deixou que o prejuízo de imagem ficasse intacto. Como sempre, o PT optou pela paz dos cemitérios. O resultado está aí. De novo, a mídia e a oposição recrutam alguém enrolado até o pescoço com a lei para atacar o governo petista.
Agora, a mídia está dizendo que Dilma já decidiu condenar Orlando Silva e o PC do B inteiro e teria pedido a demissão do ministro e o ministério dos Esportes “de volta”. As matérias induzem a crer que Silva teria perdido a condição de ser ministro porque um escroque o acusou sem provas. CBF e Fifa não o quereriam mais e a presidente da República, bovinamente, estaria acedendo aos estimuladores desse linchamento injusto.
As provas contra Orlando Silva, Manoela D’Ávila e o PC do B inteiro podem aparecer, sim. Aprendi a não acreditar definitivamente em nada, nesta vida. Infelizmente, é o que a idade faz com a gente: torna-nos céticos. Se essas provas aparecerem, então, será dever de todo cidadão exigir que os acusados respondam pelo que estará provado que fizeram. Mas terão que ser provas como a que o leitor pode conferir no vídeo abaixo.
Isso que vocês assistiram acima é que é prova. Por ser irrefutável, foi apresentada antes de mais nada. Antes mesmo da acusação formal, ao menos na TV. E por ser prova, não provocou apenas a demissão do acusado. Há um imenso inquérito, prisões e vários desdobramentos em curso. Não sumiu tudo com a demissão do acusado, como aconteceu com os ministros de Dilma que caíram neste ano.
Não acredito em que Dilma já condenou Orlando Silva e o PC do B e decidiu demitir um e tirar o ministério dos Esportes da área de influência do outro. Não é possível que alguém que enfrentou o que ela já enfrentou aja de forma tão injusta e pusilânime. A menos que surjam provas. Não surgindo, se essa farsa tiver êxito e mais um ministro cair por não resistir à pressão da mídia, esse governo estará condenado.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Passo a passo do golpe (tutorial do Millenium)

Cada dia que passa fica mais clara a intenção dos veículos de comunicação de golpear a democracia. Trata-se de um golpe branco, pois, em vez de destituir o governo do poder pela mão pesada da força bruta como em outros tempos, promovem campanha insistente de desestabilização visando jogar a população contra, enfraquecendo o suficiente para não resistir a manobras legais de destituição ou não ter mais votos para se eleger.
A novidade é a exposição despudorada da forma como operam em conjunto, revelando estratégia coordenada e sincronizada, com os atores desempenhando religiosamente funções previamente definidas. Abaixo descrevemos os passos seguidos que poderemos chamar de “Tutorial do Millenium”:
1- Não publicar denúncia de imediato, o ideal é reunir o maior número possível delas para serem usadas em seqüência, para conseguir o efeito mar de lama;
2- Todos os veículos associados devem participar simultaneamente dos ataques, para que não pareça perseguição de um deles em especial, com todos participando as suspeitas são diluídas;
3- Com o acúmulo de notícias negativas, é preciso elaborar um cronograma de ataque, distribuindo as denúncias pelos veículos e a ordem que cada um vai publicar;
4- Em relação ao conteúdo, mesmo que não tiver provas, diga que tem e vai mostrar a qualquer momento. O importante é criar o “mar de lama” e o barulho inicial que vai ser retroalimentado. Se insistirem na apresentação de provas se faça de desentendido;
5- Após a rodada de denúncias, escrevam editoriais culpando o lulopetismo pela criação da corrupção e decretando a impossibilidade da permanência do acusado no cargo;
6- Após os editoriais, convoque todos os cientistas e analistas políticos de aluguel para fixar as opiniões dos editoriais;
7- Se o governo resistir, aumentar a pressão e encomendar mais tapiocas, a finalidade agora é somar e o farelo de tubérculo serve para validar a denúncia original e compensar a prova que nunca vai aparecer: “não tem prova, mas são muitas denúncias”. Dizer que Dilma recuou da “Faxina” ajuda na pressão;
8- Se o governo demitir, o assunto passa a ser a quantidade de ministros demitidos, culpando Lula pelo aumento da corrupção e Dilma por aceitar a “herança maldita” do mesmo.
9- E por último, se der muito na cara, divulgar princípios editoriais da empresa com todas aquelas lorotas que não se cumprem na prática;
10- Repita as nove operações anteriores até o governo ser deposto ou perder as eleições, e quando nossos aliados voltarem ao poder, voltamos a ser lenientes e chapas-brancas.
Charge: Bira
No Ponto & Contraponto

Barbiere e João Dias: quem mente?

Por Altamiro Borges

O deputado estadual Roque Barbiere (PTB), da base de apoio do governador Geraldo Alckmin, reafirmou ontem (18) que possui provas concretas sobre o esquema de corrupção com emendas na Assembléia Legislativa de São Paulo. Segundo a sua assessoria, na próxima quinta-feira (27) ele irá depor no Conselho de Ética da Alesp. Roquinho, como é conhecido, ameaça dar nome aos bois.

Há cerca de três meses, o parlamentar revelou em entrevista num jornal do interior que “de 25% a 30%” dos deputados paulistas negociavam emendas com empreiteiras, prefeituras e o governo estadual. O esquema de propinas sugaria bilhões dos cofres do Estado. Isolado e atacado pelos partidos governistas, Roquinho chegou a dizer que o parlamento paulista é um “camelódromo”.

Lapso de sinceridade de Bruno Covas

Num lapso de sinceridade, Bruno Covas, deputado licenciado do PSDB e secretário de Meio Ambiente de Alckmin, até endossou a denúncia do petebista. Disse que ele mesmo foi sondado por um prefeito, que lhe ofereceu propina de 10% para a liberação de uma emenda de R$ 50 mil. Pré-candidato à prefeitura da capital, ele depois tentou desmentir a sua confissão, mas ela está gravada.

Já o deputado Major Olímpio (PDT) confirma as acusações de Roquinho. “Todo mundo sabe que isso faz parte do cotidiano da Casa... O governo fica de braços cruzados porque é confortável para ele, porque mantém todo mundo refém, dependente dessas emendas”. É um típico "mensalão". Ele informa que já colheu depoimentos sobre “pacotes de dinheiro nos gabinetes, tudo fruto da venda de emendas”.

A cumplicidade da mídia demotucana

Até agora a grave denúncia não mereceu capa da revista Veja. O Jornal Nacional da TV Globo também não acionou sua artilharia pesada contra os acusados – os deputados do PSDB, DEM e de outros partidos da base aliada. O governador Geraldo Alckmin tem sido poupado das críticas. Nem é procurado para tratar do delicado assunto. Será que a mídia encara Roquinho como um mentiroso, um bandido?

Bem diferente tem sido o tratamento dado às acusações do policial João Dias Ferreira contra o ministro do Esporte, Orlando Silva. Ele foi capa da Veja e fonte de venenosa matéria. Também virou astro do Jornal Nacional, que tem amplificado os seus ataques e requentado velhas denúncias. Suas acusações são manchetes diárias dos jornalões e motivo de ácidos comentários nas rádios.

Imparcialidade da mídia do esgoto?

Diferente do deputado Roque Barbieri, que até hoje não foi processado por corrupção, o ex-policial é investigado por desviar R$ 3 milhões de recursos de convênios com o Ministério do Esporte. Em abril passado, ele foi preso em Brasília, acusado de liderar uma quadrilha de bandidos, segundo conclusão da Operação Shaolin da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco).

O rápido enriquecimento do policial militar – que, segundo o jornal Correio Braziliense, comprou uma mansão num condomínio de luxo em Sobradinho, “já arrestada pela Justiça”, adquiriu duas academias de ginástica (Thisway Fitness e Wellness) e transita em carros importados – também gerou suspeita sobre as maracutaias de João Dias.

Mesmo assim, a mídia demotucana dá todo apoio as suas acusações do policial – “um bandido”, segundo o ministro Orlando Silva. Os dois casos são bem emblemáticos sobre a seletividade da chamada grande imprensa. Só mesmo os ingênuos e os oportunistas ainda acreditam na imparcialidade da mídia de esgoto do Brasil!

O lero-lero da mídia golpista

O vocabulerolero da velha mídia 
Blog do Emir Sader

Aqui algumas indicações sobre como ler a velha mídia. Nada do que é dito vale pelo seu valor de face. Tudo remete a um significado, cuja arte é tratar de camuflá-lo bem.

Por exemplo, quando dizem liberdade de imprensa, querem liberdade de empresa, das suas empresas, de dizerem, pelo poder da propriedade que tem, de dizer o que pensam.

A chave está em fazer passar o que pensam pelo interesse geral, pelas necessidades do país. Daí que nunca fazem o que deveriam fazer. Isto e’, dizer, por exemplo: “A família Frias acha que...” Ou: “A família Civita acha que...” e assim por diante.

A arte da manipulação reside em construções em que os sujeitos (eles) ficam ocultos. Usam formulas como: “É mister”, “Faz-se necessário”, “É fundamental”, “É’ indispensável”.

Sempre cabe a pergunta: Quem, cara pálida? Eles, os donos da empresa. Sempre tentar passar a ideia de que falam em nome do país, do Brasil, da comunidade, de todos, quando falam em nome deles. A definição mais precisa de ideologia: fazer passar interesses particulares pelos interesses gerais.

Quando dizem “fazer a lição de casa”, querem dizer, fazer duro ajuste fiscal. Quando falam de “populismo”, querem dizer governo que prioriza interesses populares. Quando falam de “demagogia”, se referem a discursos que desmascaram os interesses das elites, que tratam de ocultar.

Quando falam de “liberdade de expressão”, estão falando no direito deles, famílias proprietárias das empresas monopolistas da mídia, dizerem o que bem entendem. Confundem liberdade de imprensa com liberdade de empresas – as deles.

No Vocabulerolero indispensável para entender o que a mídia expressa de maneira cifrada, é preciso entender que quando falam de “governo responsável”, é aquele que prioriza o combate à inflação, às custas das políticas sociais. Quando falam de “clientelismo”, se referem às politicas sociais dos governos.

Quando falam de “líder carismático”, querem desqualificar os discursos os lideres populares, que falam diretamente ao povo sobre seus interesses.

Quando falam de “terrorismo”, se referem aos que combatem ou resistem a ações norte-americanas. “Sociedades livres” são as de “livre mercado”. Democráticos sao os países ocidentais que tem eleições periódicas, separação dos três poderes, variedade de siglas de partidos e "imprensa livre", isto é, imprensa privada.

“Democrático” é o pais aliado dos EUA – berço da democracia. Totalitário é o inimigo dos EUA.

Quando dizem “Basta” ou “Cansei”, querem dizer que eles não aguentam mais medidas populares e democráticas que afetam seus interesses e os seus valores.

Entre a velha mídia e a realidade se interpõe uma grossa camada de mecanismos ideológicos, com os quais tentam passar seus interesses particulares como se fossem interesses gerais. É o melhor exemplo do que Marx chamava de ideologia: valores e concepções particulares que pretendem promover-se a interesses da totalidade. Para isso se valem de categorias enganosas, que é preciso desmistificar cotidianamente, para que possamos enxergar a realidade como ela é.

Colunista da Veja propõe censura a “petistas” na internet

Processos autoritários começam de forma tímida e vão avançando até erigirem as ditaduras. Este país tem grande experiência nisso. Uma ditadura de direita foi posta em prática neste país há quase cinqüenta anos e durou 4/10 desse período baseando-se nas seguintes premissas:
1 – A esquerda não podia se manifestar publicamente.
2 – Qualquer preceito ideológico identificado com a esquerda era crime.
3 – Ao se manifestar, o esquerdista deveria ser punido.
4 – A identificação e supressão da difusão de “idéias esquerdistas” seria política de Estado.
5 – O “esquerdismo” seria intrinsecamente mau e seus adeptos, criminosos
Durante a segunda metade do século passado, em boa parte da América Latina, sob o pretexto da defesa da “liberdade” grandes meios de comunicação de massas passaram a só dar espaço para idéias “antiesquerdistas”.
No processo de criminalização política e ideológica em curso hoje em várias partes da mesma América Latina, com criação de escândalos na mídia sempre contra um lado, aquele lado que chegou a ser proibido de existir durante parte dos últimos cinqüenta anos do século XX, finalmente surge o ovo da serpente.
Nesta quarta-feira, um colunista da revista Veja, publicação que pertence a um ítalo-argentino que se aliou a um grupo de mídia sul-africano que teve papel preponderante na sustentação do regime do Apartheid na África do Sul, faz uma proposta inédita: censurar esquerdistas.
A tese do colunista? “Se você é bom, justo e democrata, não pode ser de esquerda”. Em seguida, propõe que “os sites dos jornais” e “os portais” dos grandes meios de comunicação impeçam que “petistas” tenham acesso à caixa de comentários de leitores em suas matérias.
O colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo comentou matéria veiculada ontem pelo portal do Jornal Folha de São Paulo que dava conta de que o PT está organizando equipes para atuarem na internet nas eleições do ano que vem.
Azevedo recomenda que sejam criados “filtros” só para “petistas”. Ou seja: se a opinião for favorável ao PT, o comentarista deve ser imediatamente considerado “de esquerda” e, assim, banido das páginas dos grandes meios de comunicação.
Essa política de seletividade político-ideológica já é praticada no blog desse jornalista. A caixa de comentários de sua página só aceita comentários antipetistas.
A mera leitura do que dizem esses seres imunes ao “esquerdismo” ou ao “petismo” que o colunista da Veja diz superiores e, eles sim, detentores de liberdade de expressão mostra que a estupidez humana não tem cor político-partidária ou ideológica.
Recentemente, o jornalista Marcelo Rubens Paiva, em seu blog, publicou uma amostra da “superioridade” desses internautas que Azevedo prega que possam comentar sem “filtros”.  Marcelo, que é paraplégico, provocou a ira do colunista da Veja e este o atacou em seu blog, do que decorreu onda de comentários “superiores” de seus leitores que reproduzo abaixo:
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agnes eckermann – 26/09/2011 às 0:37
“Sou assinante do Estadão, mas não perco tempo lendo o que escreve esse sujeito. É um recalcado, era um filhinho de papai, quando o regime sumiu com seu pai. E após o acidente que o deixou numa cadeira de rodas, ele odeia tudo e todos, aliás menos o PT e os comunas seus amigos. É lamentável que o Estadão dê espaço para esse tipo de pessoa, que não tem conteúdo e escreve boçalidades.”
Nilton – 15/09/2011 às 17:51
“Pois é, o cara tem 52 anos mas não cresceu. Tenta dar a impressão de que tem 32, mas a cabecinha continua nos 22. Seu sonho de mundo ideal (o mundo melhor…) é poder comer a mulher do próximo sem censuras, e servir, presumo, sua própria mulher de banquete para os amigos. O pior é que o infeliz nem sabe escrever, nem tem talento, humor, graça, verve, essas coisinhas básicas para quem quer ganhar a vida como escritor. É por essas e outras que não vou renovar minha assinatura do Estadão. Enquanto gente dessa estirpe e estatura colaborar com o jornal (pois há muitos outros…) eu tô fora.”
estrela azul – 15/09/2011 às 15:23
“Este cara pode ser simplesmente um mentiroso, ou, verdadeiramente, um petista. Ainda que saiba da coisa apenas por ouvir dizer, dentro da militância petista, é normal o acasalamento animalesco tal qual o descrito.”
Ali – 15/09/2011 às 12:35
“Esse MRPaiva é um deslumbrado, sempre se aCHOU “JÊNIO” e agora tá mais bobo ainda, dizendo que está cada vez mais à esquerda? Deve ser efeito retardado do tombo de cabeça quando era ABORRECENTE!!!!”
bolsa terrorista – 15/09/2011 às 11:15
“só pra saber: o marcelo ganha bolsa terrorista?”
eder – 15/09/2011 às 11:07
“o Marcelo participou da marcha da maconha…mas será que apareceu nesse último dia 7 na marcha contra a corrupção???…duvido!!!”
claudio – 15/09/2011 às 10:12
“Quem tem um amigo como este, não precisa se preocupar, porque o cabra é mentiroso pra caramba!”
Baianinho – 15/09/2011 às 9:52
“Rei, gostaria de ler um texto teu sobre o “educador” das madrugadas, Serginho Groisman. Ou, o chuchu politicamente correto.”
Rods – 15/09/2011 às 9:28
“REI. ESTE É MAIS UM COMUNISTA QUE É BAJULADO POR CAUSA DE SUA DEFICIÊNCIA FÍSICA, TER SIDO FILHO DE UM COMUNISTA E POSSUIR SUPOSTA CULTURA ESQUERDOPATA. MAIS UMA CRIAÇÃO DAS ESQUERDAS COM O EPÍTETO DE INTELECTUAL.”
marina silva – 15/09/2011 às 9:19
“A entrevista é mesmo papo de ptrlha em TPM sem pé nem cabeça…Parece que a queda do rapaz ainda provoca sequelas além da tetraplegia pois se nao era assim nao se exporia a esse ridiculo!”
DaIlha – 15/09/2011 às 8:09
“O pai dele talvez discordasse…Mas o Marcelo é feito da mesma matéria que o Lulla, a vítima, o tadinho, que falava “verdades” corajosamente no apagar da ditadura e com isso angariou simpatias. Outro paralelo é que os dois se levam muito à sério…”
Bene – 15/09/2011 às 5:57
“Esse tal de marcelo realmente, nunca poderia pertencer a outra corrente a não ser a esquerda- burra, anacrônica e destituida de um mínimo de bom senso.Mais um a receber pagamento do lullo-petismo para inverter a ordem das coisas e conspurcar a verdade da forma vulgar com que eles se especializaram ao longo dos anos, de vagabundagem que é a caracteristica principal dessa súcia.”
Toninho boca suja – 15/09/2011 às 2:52
“Li “Feliz Ano Velho”,e nunca mais pus os olhos num livro dele. Pensei até que já tinha desencarnado por efeito de drogas.”
Alexandre Campolina – 15/09/2011 às 0:27
“Sinceramente? Nem todos podem ter todos os prazeres que a vida permite e optam por fantasiar sobre os prazeres que as pessoas normais têm. E então estes coitados (No sentido inocente da palavra) encontram alternativas fictícias de prazer. Alguns bebem, outros cheiram. E há os que queiram holofotes falando asneiras.”
Alexandre M. F. Silva – 14/09/2011 às 22:54
“Marcelo Rubens Paiva é sempre o mesmo: vazio e ignorante. Uma das piores figuras da imprensa brasileira.”
Leniéverson Azeredo – 14/09/2011 às 22:35
“Reinaldo, eu acho o Marcelo Rubens ideologicamente parecido com um certo atual Governador do estado do RJ.”
Anônimo – 14/09/2011 às 21:54
“Elle (Marcelo Paiva) se acha. Certa ocasião estava no bar de um teatro em Sampa e ele apareceu por lá. Tive oportunidade de observá-lo de uma mesa próxima, e constatar o quanto é arrogante. É apenas um “intelectualóide” metido a besta. Só se tornou conhecido por conta dos dos tristes acontecimentos de sua trajetória de vida. Menos, Marcelo Paiva!”
WHK – 14/09/2011 às 21:31
“Pode prestar atenção: arnaldo jabor é cineasta = ficção;
marcelo rubens paiva = escritor = ficção.
Outros ditos “jornalistas” se acham escritores (= ficçãO). Ora, quando vai trentar expressar alguma coisa sobre a realidade, acaba acontecendo a mesma coisa que um cisdadão comum querer pilotar um caça. Ou seja, como não são do ramo, só vão fazer merda. Esperar coerência de uns tipos como esses?”
JM – 14/09/2011 às 20:59
“Liga”não! Todo bom comuna é recalcado e invejoso. A inveja é uma …. Aliás ,vc já viu algum país socialista produzir vinho de qualidade? Vinho bom ,só na área do Império Romano.”
Alvaro Risso – 14/09/2011 às 20:23
“esse é o problema do comunismo: Até as mulheres são “bens de produção” (geram filhos) e por isso são propriedade do estado e estão à disposição dos “cumpanheiros”. Tô fora! Aliás já li comentários assim a respeito dos nossos grupos guerrilheiros das décadas 60-70.”
Mauricio A – 14/09/2011 às 20:07
“Uns roubam hóstia, outros roubam namorada. Mas todos esquerdistas roubam.E assumidamente. E ninguém acha feio. Ninguém acha que se rouba uma coisa, pode roubar outras.É a moralidade elástica do brasileiro. Têm o que merecem.”
Valéria Rodrigues – 14/09/2011 às 19:44
“Tambem quase caí da cadeira ao ler que o Marcelo Rubens Paiva tem 52 e o polemista de direita tem 50! Pensando bem, ele só pode mesmo estar indo cada vez mais para a esquerda. Aquela barba “de cara suja”, pose “de jovem”… hoje ele deve ter uns 20 aninhos. Nunca vai ser um tiozinho.”
Leopoldo Dogher – 14/09/2011 às 19:09
“Quem é mesmo Marcelo Rubens Paiva? O garotão? O eterno adolescente? Hahahaha, o carinha é da tchurma dos modernos da Vila Madá e da Folha. Tem salvo conduto permanente.Pega mal não gostar dele.”
Gil – 14/09/2011 às 19:08
“Sólê Marcelo RubensPaiva a brava gente que pertence à diretoria da UNE…”
Gil – 14/09/2011 às 19:05
“Reinaldo, você fez bem em nunca ter sido Marcelo Rubens Paiva. Que vida levou esse eterno jovem de 52 anos? Ancorou-se na história do pai por décadas para fazer a sua jornada de vida. É só o que ele tem a dizer, nada mais. Como não seria ele de esquerda? Como não seria ele a favor da Comissão da Verdade? Como não deixaria ele de mamar na Bolsa Ditadura? Taí mais um tema para mais um futuro livro adolescente dele…”
Bastião – 14/09/2011 às 18:26
“Eu tenho hepatite C e estou quase no bico do corvo, não vou usar o meu sofrimento para bater a carteira de ninguem.”Mesmo nos tempos de mais grave doença,nunca me tornei doentio” “Na solidão,o solitário se devora a si mesmo;na multidão devoram-no inúmeros.Então escolhe.” Nietzsche. Não dou esmolas no farol e nem compro livros porcaria.”
patricia m. – 14/09/2011 às 18:16
“PARA QUEM DIZ QUE SE SITUAR COMO ESQUERDA OU DIREITA EH “ROTULAR” PESSOAS (ha uns 2 ou 3 comentarios assim abaixo): ISSO EH COISA DE GENTE QUE TEM VERGONHA DE ADMITIR QUE EH DIREITA OU COISA DE ESQUERDALHA. EU SOU DIREITA E COM ORGULHO. Deviamos lancar um movimento desse tipo, alias… SOU DIREITA E COM ORGULHO.”
ClaudioM – 14/09/2011 às 18:06
“Tarso (16:39), MRP escreveu um mini-conto no Estadão certa vez em que, resumindo, é a história de uma garota que conheceu um cara, transou com ele, botou a roupa e foi embora. Sem cigarrinho, nem pipi depois. E o cara ficou ali na cama, choroso e apaixonado.”
MULLA DA SELVA – 14/09/2011 às 18:04
“foi uma das pessoas mais mal educadas e arrogantes que conheci. trabalhei na radio usp onde ele tbem tinha lá uma espeice de ’sinecura’. achava-se um ‘deus’. em uma festa, certa vez, aproximei-me e com educação apresentei-me e lhe disse ‘oi, meu nome é fulano e trabalhamos juntos na Radio’…NAo ME ESTENDEU A MÃO DE VOLTA E ME FEZ UMA CARA DE DESDEM QUE JAMAIS ESQUECEREI . Ao seu lado, duas meninas, filhas de dois grandes nomes da indústria paulista o adulavam com um conversê de ‘esquerda-chic’.”
Paulo Bento Bandarra – 14/09/2011 às 17:25
“Os amigos dele devem estar agoraem dúvida. Tenhoou não tenho galhada? Eu sugeriria um exame urgente de AIDS.”
Justo Eu – 14/09/2011 às 17:12
“É aquele cara que não pensa o que faz por isso está paraplégico.”
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Comentários absurdos como esses não são exclusividade de nenhuma ideologia ou grupo político. Há idiotas em qualquer grupo, em qualquer corrente de pensamento. Assusta quando alguém tenta atribuir defeitos intrínsecos a quem professa esta ou aquela ideologia.
Alguns leitores desta página que se identificam com a sua linha editorial reclamam frequentemente da permissão que se dá aqui à exposição da divergência. Tento sempre explicar que a convivência em sociedade nos obriga a nos expormos ao contraditório.
Todos podem cometer excessos retóricos. Algumas vezes perdemos a calma e escrevemos algo de que podemos nos arrepender depois, de cabeça fria. Isso não é característica de ideologia alguma, seja política, religiosa ou de qualquer outra natureza. Acreditar no contrário, é doentio.
Enfim, até o momento esse defensor da “liberdade” e combatente da “praga comunista” ainda não propôs censura a “petistas” nos outros meios de comunicação. Por enquanto, parece admitir que políticos do PT possam se manifestar na mídia. Por enquanto.
Todavia, nos sites e portais dos grandes meios de comunicação já há uma profunda censura ideológica sendo praticada. Comentaristas desta página que podem ser tachados como “petistas” vivem informando que foram alvo de censura nas páginas da grande mídia.
Aliás, os jornais aos quais o colunista da Veja se refere também praticam esse “filtro” político-ideológico. Basta ver as seções de cartas de leitores de jornais como Folha ou Estadão que se notará que há muito mais leitores antipetistas em um país em que o PT é o partido político mais robusto.
Se a proposta de Reinaldo Azevedo for bem recebida no resto da grande mídia, além da Veja, ela não terá muito trabalho para implementá-la. Para que a censura de “petistas” – sejam políticos, militantes ou simpatizantes do PT – seja completa, falta muito pouco.

Bandido de farda?

Em  depoimento, a PF no  dia 5 de abril de 2010 no decorrer da Operação Shaolin, ele afirmou que  seus vencimentos mensais, disse, eram de R$ 15 mil.
No momento em que o ministro Orlando Silva era ouvido na Câmara, o PM João Dias Ferreira reuniu-se com integrantes da oposição, na liderança do PSDB no Senado, para, segundo ele, "pedir proteção de vida". Ferreira afirmou estar sendo ameaçado há dois anos, mas não identificou os autores.

Mais cedo, o PM não havia recusado depor na Polícia Federal, alegando problemas de saúde. Após o encontro com senadores e deputados do PSDB, DEM e PPS,

O PM já responde a um inquérito - que corre em segredo de Justiça - na superintendência regional do Distrito Federal, também por suspeita de desvios de recursos do Ministério do Esporte. A PF informou que o soldado falará sobre as denúncias que fez e não sobre fatos anteriores.

E quais são os fatos anteriores?

O soldado da PM João Dias Ferreira, 39, disse que construiu seu patrimônio com o salário na corporação, ganhos com aulas de defesa pessoal e de artes marciais. Acredite se quiser!

Ele é proprietário de uma mansão em Sobradinho (DF), de carros e de três academias de ginástica. (foto)

Em  depoimento, a PF no  dia 5 de abril de 2010 no decorrer da Operação Shaolin, ele afirmou que  seus vencimentos mensais, disse, eram de R$ 15 mil. Quanto  vale  essa mansão?

Amigo dos tucanos 

Uma das transações imobiliárias que ele relatou foi a troca de uma academia -segundo ele, avaliada em R$ 560 mil- "por quatro apartamentos no Edifício El Shaday em Sobradinho pertencentes ao ex-deputado federal Ronivon Santiago".

Em 1997, Santiago foi pivô do escândalo da compra de votos para aprovar emenda que garantiu a possibilidade de reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Coincidentemente, ontem o João Dias Ferreira reuniu-se com a oposição. o ex-deputado federal Ronivon Santiago , também  foi acusado de envolvimento na máfia dos Sanguessugas. Aquela das ambulâncias dos tucanos

Os podres do PM

Federação chefiada por João Dias é investigada por recebimento de verba pública sem prestação de contas

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) investiga o apoio financeiro concedido pela então Secretaria de Estado de Esporte e Lazer à Federação Brasiliense de Kung-Fu - chefiada pelo militar João Dias Ferreira,, para a realização do projeto "Esporte sem Fronteiras - A Saúde em Primeiro Lugar". Em setembro de 2002, foram repassados R$ 95 mil

À época, a entidade tentou comprovar a execução do projeto, apresentando uma prestação de contas dos recursos recebidos, mas a documentação foi considerada incompleta. Não havia demonstração do pagamento da única nota fiscal apresentada e também não foram entregues o extrato bancário para demonstrar a movimentação dos recursos nem os documentos confirmando a realização do projeto.

O TCDF imputou a responsabilidade pelo prejuízo causado aos cofres públicos do Distrito Federal, de forma solidária, à Federação Brasiliense de Kung-Fu e ao presidente João Dias Ferreira. Também foram considerados responsáveis pelo prejuízo, a então Diretora de Apoio Operacional da SEL, o então Chefe de Gabinete da SEL e o então secretário, por terem autorizado a emissão de nota de empenho, efetuado o pagamento e ratificado a inexigibilidade de licitação em favor da federação.

A Corte determinou a citação dos responsáveis para que apresentem defesa num prazo de 30 dias ou recolham o débito (atualizado monetariamente) aos cofres públicos.

Portas fechadas para combinar derrubar o ministro

João Dias reuniu-se, ontem, a portas fechadas com parlamentares da oposição no Congresso . Logo depois, em entrevista coletiva, repetiu a versão de que o ministro estaria envolvido num esquema de corrupção na pasta.

A reunião com membros da oposição aconteceu no horário em que Dias daria depoimento à PF.

Protógenes: delator tenta contaminar suposta prova contra Orlando


Delegado da Polícia Federal e deputado pelo PCdoB, Protógenes Queiroz diz à Carta Maior que João Dias Ferreira cria narrativa contra ministro Orlando Silva com ajuda de Veja e oposição para clima político 'contaminar' olhar da PF e do Ministério Público sobre supostas provas. Segundo ele, PF investiga se João Dias vendeu áudio. Câmara aprova convite para PM depor.

BRASÍLIA – O policial militar João Dias Ferreira, que acusa o ministro do Esporte, Orlando Silva, de liderar esquema de corrupção, tenta contaminar politicamente as supostas provas que diz possuir, ao falar primeiro com uma revista e, depois, com adversários do governo, antes de entregá-las à Polícia Federal (PF) ou ao Ministério Público (MP).

A avaliação é do delegado da PF Protógenes Queiroz, que já teve de lidar com situações parecidas quando investigou, por exemplo, o banqueiro Daniel Dantas. Hoje deputado federal pelo partido de Orlando Silva, Protógenes acompanhou o longo depoimento do ministro prestado nesta terça-feira (18) à Câmara.

Para o deputado-policial, com a ajuda da Veja, dos órgãos de imprensa que a replicaram e de líderes oposicionistas no Congresso, João Dias criou um narrativa que se dissemina e vai se assentando na sociedade. “Quando as provas chegarem ao agente público [PF ou MP], já estarão contaminadas pelo clima político”, disse Protógenes à Carta Maior.

Em reunião com líderes de PSDB, DEM e PPS nesta terça (18), João Dias contou que teria gravações incrminadoras contra Orlando Silva, envolvendo não o ministro, mas um secretário dele. Na conversa, o policial teria dito ainda, segundo relato de bastidores da oposição, que a gravação será objeto de nova reportagem da Veja, no fim de semana.

João Dias foi à Senado à tarde depois de ter dito à PF, pela manhã, que não poderia depor, como estava combinado, por problemas de saúde. Para Protógenes, João Dias “mentiu”, e a PF deveria ter ido ao Senado prendê-lo. “Ele é um aproveitador que está tentando retardar as punições e ganhar dinheiro. Se fosse sério, não teria procurado um veículo [Veja] inidôneo”, afirmou.

Segundo o deputado, a Polícia Federal, que investiga o caso a pedido do ministro, está apurando se João Dias vendeu à revista o áudio que diz ter. Essa seria a forma de “ganhar dinheiro”. E o policial precisa. O ministério do Esporte cobra dele a devolução de mais de R$ 3 milhões que teriam sido desviados de duas entidades ligadas a João Dias que fizeram convênios com o a pasta.

Por causa do desvio, o PM é réu em ação criminal do Ministério Público, e o “clima político” que ele criou, passando ao papel de vítima, seria a maneira de “retardar” o julgamento.

Na Justiça do Distrito Federal, João Dias é alvo de sete processos. Quatro por execução de títulos não pagos (total de R$ 200 mil), duas ações de despejo por calote (R$ 700 mil no total) e uma ação criminal por porte de arma em desacordo com o Estatuto do Desarmamento (pena de um a três anos de cadeia).

Nesta quarta-feira (19), a comissão da Câmara que ouvira Orlando Silva na véspera - Fiscalização e Controle - aprovou pedido da oposição para que o PM também possa falar. O depoimento ainda não foi marcado.

Veja e o PM. Armação a caminho?


Para quem está acompanhando a novela do soldado da PM João Dias Ferreira, a novidade agora é que, segundo informações, o PM não mostrou para a imprensa as provas que diz ter contra o ministro Orlando Silva, por que, segundo ele, os documentos vão ser entregues para a Revista Veja. Um amiguinho deste blog, que trabalha para revista, informa que até o momento a Veja ainda não recebeu nenhum documento do PM. A pergunta que fica é,  João Dias Ferreira, teria feito um acordo  ontem, na  reunião com membros da oposição, para a Veja ter exclusividade ais tais documentos?. Ou o seu João não tem provas?

E o Aceminho

ACM neto disse que lutando contra a corrupção - essa é a piada do ano. A oposição está tão preocupada com "desvio" que até chamam João Dias Ferreira que está até o pescoço envolvido em roubo para depor e não questionam patromonio milionário do PM

- o negocio da oposição é evitar corrupção, ou derrubar ministro?

O ACM (DEM) e´tão cara de pau que disse que o PT cochilou e eles aprovaram a ida do PM, mas a matéria nao foi aprovada por unanimidade?

É duro ver coroneis se passarem por defensores do patrimonio público, quando sabemos nós que a fortuna da familia do ACM é toda produto de .....Maracutais?

O DEM não tem cacife moral pra questionar a conduta de quem quer que seja. O DEM é o primeiro na lista dos partidos que mais tiveram políticos cassados de 2000 até hoje (69). Em segundo vem o PSDB (58). O que é mais estranho é que essa imprensa que se diz imparcial jamais procurou ir a fundo quando Arruda afirmou ter dado parte do dinheiro que ele desviou a ACM Neto.

Cadê a oposição?

Cadê a chamada para  reportagem  nos jornais da compra de parlamentares no governo do estado de SP?

Orlando aponta 'tribunal de exceção'; PM acusador alia-se à oposição



Passeata com mais de 120 mil pessoas --a avaliação é da polícia--  avança nesse momento para a praça Sintagma no centro de Atenas** é a maior manifestação de protesto registrada desde o início do processo de arrocho fiscal na economia grega**população emite sinais claros e sucessivos de uma divergência inconciliável com a opção feita pelo governo Papandreu de privilegiar os banqueiros credores e escalpelar o país

 ** China desacelera (leia análise nesta pag)**
Criação de empregos no Brasil registra queda de 16,5% em relação ao total de vagas criadas no 3º tri de 2010* 

Copom fixa hoje a nova Selic**

Passeta de mais de mil pessoas entre empresários e sindicalistas, ontem , em SP, após o lançamento do manifesto 'Mais empregos e menos juros'

Ministro do Esporte vai à Câmara defender-se de denúncias, repete acusação de 'bandido' contra policial detrator e pede à oposição 'racionalidade' para luta política não virar 'Tribunal de Nuremberg'. Após cancelar ida à PF por problema de saúde, João Dias Ferreira aparece de surpresa no Senado e faz acordo com oposição para depor. Proposta ainda precisa ser aprovada.
BRASÍLIA – Alvo de denúncia de corrupção, o ministro do Esporte, Orlando Silva, voltou a se defender, nesta terça-feira (18), desta vez em depoimento na Câmara dos Deputados, onde repetiu que seu acusador seria “bandido”, a reportagem da revista Veja, uma “farsa” e dizendo-se vítima de um “tribunal de exceção”.

Mas o que era para ser mais um dia de contra-ataques isolados terminou de forma inesperada. O detrator do ministro, o policial militar João Dias Ferreira, que mais cedo deixara de depor à Polícia Federal (PF) alegando problemas pessois, parecia recuperado à tarde, foi ao Senado, reuniu-se com adversários do governo, garantiu ter provas contra Silva e fez um acordo: topa dar um depoimento público na Câmara na quinta-feira (20).

O ministro ainda não chegara à Comissão de Ficalização e Controle, quando a presença de João Dias no Senado estava sendo soprada por assessores da oposição a jornalistas que acompanhariam o depoimento de Silva. A informação teve o efeito de dividir as atenções de parte da imprensa entre acusado e acusador.

Ao falar à Comissão, Orlando Silva usaria mais uma vez palavras fortes, como já tinha feito em diversas entrevistas concedidas desde o fim de semana. Referiu-se outra vez a João Dias, alvo de processos judiciais e de cobrança de devolução de mais de R$ 3 milhões ao ministério, como “criminoso”, “bandido” e “delinquente”.

Reclamou de ter de se defender de acusações sem provas feitas em uma “reportagem falsa”. Declarou-se vítima de uma “inquisição moderna”, de um “tribunal de exceção” e de um “tribunal de Nuremberg”, que “tangenciam com o fascismo e o autoritarismo”. E fez um apelo: “Não há racionalidade no processo político? Até na guerra tem limite. Na luta política tem que ter também.”

Quando chegou a vez de os parlamentares de manifestarem, os governistas cumpriram o esperado. Os líderes dos dois maiores partidos do Congresso apoiaram o ministro. “A reportagem confronta a Constituição, a presunção de inocência, e o condena liminarmente”, disse Paulo Teixeira (SP), do PT. “Ele [João Dias] diz ter gravações mas se omitiu, fugiu da luta e do jogo”, afirmou Henrique Alves (RN), do PMDB.

Acordo surpresa
A “omissão” mencionada por Alves referia-se ao não comparecimento de João Dias à PF, aonde o próprio havia se comprometido espontaneamente, na véspera, a ir depor. Por isso, foi com estranheza que Alves reagiu, quando os líderes dos três principais partidos adversários do governo – Duarte Nogueira (PSDB-SP), Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) e Rubens Bueno (PPS-PR) - chegaram a comissão e começaram a relatar reunião que haviam tido com João Dias por mais de uma hora e meia, no Senado.

“O depoimento dele é absolutamente estarrecedor. Traz detalhes e informações que não constam na imprensa, provas materiais inegáveis que precisam ser do conhecimento do Brasil”, disse ACM Neto. “Ele teme pela integridade física, pela maneira como vem sendo ameaçado”, afirmou o tucano.

No encontro com a oposição, o PM disse possuir gravação que incriminaria Orlando Silva - uma reunião que ele, João Dias, teria mantido com um secretário do ministério. Depois, à imprensa, disse que a gravação vai aparecer no tempo certo e que “vão surgir diversos documentos que em breve vão provar essa situação [esquema no ministério].”

À oposição, João Dias contou que a gravação será objeto de uma nova reportagem da revista Veja, no próximo fim de semana.

Oposicionistas de boa vontade
Feito o acordo com o PM, os líderes oposicionistas optaram pela tática do sangramento de Orlando Silva. Abriram mão de questionar o ministro, argumentando que só podem fazê-lo de forma adequada depois do depoimento público do PM. Não sabiam que alguns de seus correligionários haviam mostrado boa vontade com o ministro durante a sessão.

“Estou acostumado a ouvir bandido. Não vi nos seus olhos [do ministro] alguém que pegou dinheiro”, dissera o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que é delegado da Polícia Federal. Também tucano, Vanderlei Macris (SP) afirmara acreditar que o ministro vai acabar perdendo o cargo, mas lhe deu o benefício da dúvida. “Do outro lado, quem fala não tem nenhuma estrutura moral.”

Os governistas não demonstraram disposição de aprovar a ida de João Dias à Câmara, proposta que será votada nesta quarta-feira (19). Acham que a ideia não passa de uma tentativa de chantagem de PM aliada à tentativa oposicionista de sangrar o ministro e desgastar o governo. Mas vão estar numa posição delicada de barrar um personagem que tem despertado tanto interesse jornalístico.

“A acusação é injusta. Se ele quer palanque, que procure outro lugar”, disse o líder do PCdoB, Osmar Júnior (PI). “É no mínimo esquisito ter a gravação e não ter apresentado ainda”, afirmou o líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), para quem o caso está encerrado.

Mais explicações
Para Orlando Silva, porém, o caso ainda não está encerrado. Depois de quase quatro horas de audiência, o ministro ainda topou dar mais uma entrevista coletiva à imprensa, na própria Câmara. O assunto principal seria uma notícia surgida ao longo do dia, na internet: a compra, pelo ministro, de um terreno de R$ 370 mil em Campinas sob o qual passariam dutos da Petrobras.

A notícia deixava no ar a suspeita de que Silva não tinha dinheiro para a aquisição e que se beneficiaria com futura desapropriação da Petrobras. Em nota oficial, a Petrobras disse que não haverá desapropriação. E, na entrevista, Orlando Silva afirmou que foi uma compra regular e que se trata de sua única propriedade.

O ministro voltará ao Congresso nesta quarta (19) para dar explicações, agora no Senado.

Fotos: José Cruz/ABr