Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Até o Cristo, Merval? Tá feia a coisa, hein?

mervalcristo

Parece que anda feia a coisa para o lado da direita, mesmo.

Hoje, Merval Pereira mergulha na exploração religiosa contra o Governo Federal dizendo que “chega de

Brasília uma informação que pode ser considerada bizarra, mas que também pode ter implicações mais graves.”

A de que a Ministra da Cultura, Marta Suplicy teria ameaçado retirar a cessão da área  do Cristo Redentor da Igreja caso esta insistisse no veto a cenas em que o ator Wagner Moura “dialoga” com a estátua sobre os problemas da cidade, no filme “Rio, eu te amo”, do cineasta José Padilha.

Padilha, ao que conste, não é governista e é conhecido por ter negado apoio a Dilma em 2010 e fazer elogios aos black blocs.

É seu direito, indiscutível.

É verdade que a Arquidiocese pediu para a cena ser cortada.

Mas é também verdade que D. Orani Tempesta, o cardeal da cidade,  recebeu uma chuva de pedidos para reconsiderar a decisão, como noticiaram os jornais, entre eles o próprio O Globo.

Nenhum dos pedidos é absurdo e não seria absurdo se o Ministério da Cultura também tivesse feito um apelo à Mitra.

Daí a fazer uma ameaça é algo que depõe contra a própria figura de D. Orani Tempesta, que jamais aceitaria em silêncio algo do gênero.

E muito menos reagiria plantando “notinhas” na coluna do Merval.

O assunto está cheirando a uma armação torpe, com óbvias finalidades eleitorais.

No Jornal do Brasil, onde D. Orani Tepesta escreve, diz-se que “o que aconteceu é que após consulta ao departamento jurídico, que reforçou o direito da Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro (órgão responsável pelo patrimônio religioso) sobre o monumento, foi feita outra consulta ao departamento que analisa pedidos de sua utilização. Este departamento ouviu do presidente da Conspiração Filmes a garantia de que o filme não tinha o objetivo de agredir a religião. Após esta afirmação, o departamento retirou a possibilidade de
ação jurídica por parte da Mitra”.

Deixe o Cristo fora disso, Merval.

Será que você, além do fardão de acadêmico, também quer os paramentos de Cardeal?

Estamos no tempo do Papa Francisco, não de Tomás de Torquemada.

Vá brincar de aviãozinho, porque senão o Joãosinho Trinta vai assombrar você.

terça-feira, 1 de julho de 2014

DILMA LANÇA PROGRAMA DE ESTÍMULO AO AUDIOVISUAL

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

MARTA AGE NO SENADO E ATRAI ARTISTAS PARA DILMA

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Brasil 09/11/12- GUARANI-KAIOWÁ


CAÇA AOS PASSAPORTES E MACARTISMO CABOCLO
A caça aos passaportes dos réus da Ação Penal 479 --e a sua inclusão na lista de 'procurados'-- sem que se tenha esboçado qualquer disposição de fuga, adiciona ao domínio de fato um acicate político explícito. Trata-se de uma aguilhoada nos  réus que formam o núcleo dirigente do PT, com o objetivo claro de joga-los à execração pública. A represália é admitida explicitamente. Os réus estariam "afrontando" a corte. O revide montado no galope da execração remete a um método do movimento que se notabilizou como um dos mais sombrios episódios da democracia norte-americana: o macartismo. (LEIA MAIS AQUI)



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lula recebe prêmio pela valorização do idioma e das nações de Língua Portuguesa


O presidente Lula ganhou nesta sexta-feira (20) o prêmio José Aparecido de Oliveira, oferecido pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na sua IX Conferência de Chefes de Estado e de Governo, em Maputo, Moçambique. Os países que compõem a CPLP são Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Timor Leste.

O Prêmio José Aparecido de Oliveira é uma homenagem a personalidades e instituições que se destacam na cooperação entre os países membros para valorização no cenário internacional, e na promoção e difusão da língua portuguesa.

Além de ser um incansável lutador pela cooperação e desenvolvimento econômico, social e cultural dos países de Língua Portuguesa, foi Lula, com sua presença e inserção internacional, quem mais valorizou nosso idioma e identidade cultural nos últimos tempos, revigorando o interesse pela lusofonia.

Nos anos 90, o ex-presidente FHC desprestigiava o idioma nacional de tal forma, que chegava a fazer discursos oficiais no exterior em língua estrangeira. O complexo de colonizado cultural era tão grande, que era corrente a lorota de que quem não falasse inglês fluentemente estaria condenado para o mercado de trabalho aqui no Brasil.

A homenagem à Lula inclui um prêmio de 30 mil euros e o nome do prêmio homenageia o embaixador brasileiro José Aparecido de Oliveira (1929-2007) um dos fundadores da CPLP.

Ainda evitando longas viagens internacionais, o presidente Lula não pôde comparecer à cerimônia, mas gravou o vídeo de agradecimento acima.

“Recebo este prêmio, não tanto como uma homenagem à minha trajetória pessoal – sindical e política – e mais como o reconhecimento das conquistas recentes da lusofonia”, disse Lula, que ressaltou a importância da contínua valorização da relação entre os países da comunidade e a criação no seu governo da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), em Redenção, no Ceará.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A campanha da Sky e a reação de Jandira: “Difamatória e irresponsável”


Enviado por um leitor, com o comentário:
Azenha, veja só o absurdo! Murdoch e  Marinhos!!!!
A reação da deputada Jandira Feghali, em seu blog (sugerido pelo João Pedro Werneck):
A presidente da Frente Parlamentar  Mista em Defesa da Cultura, deputada Jandira Feghali,  reagiu indignada à campanha da empresa SKY que, em nome de seus assinantes,  promove uma campanha contra a Lei 12.485/11, o novo marco regulatório para o setor áudio visual. Veja, abaixo, nota divulgada pela parlamentar:
“Tive conhecimento da Campanha que a empresa SKY está promovendo contra a Lei 12.485/11, novo marco regulatório para o setor de áudio visual. Considero que não há porque alegar inconstitucionalidade ou ilegalidades em uma lei que tramitou no Congresso Nacional por mais de quatro anos, sendo três anos na Câmara e mais de um ano no Senado Federal. Passou pela Comissão de Constituição e Justiça nas duas Casas. Foi amplamente debatida, em cinco audiências públicas com participação dos vários setores sociais interessados no tema.
O novo Marco Regulatório do Setor Audiovisual é um avanço que a sociedade brasileira obteve, garantindo espaços de exibição para  manifestações da cultura brasileira e da produção nacional em espaços públicos concedidos para teletransmissões, conforme dispõe o artigo 21 da constituição, Inciso XI, onde se define como  competência da União  “explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei,  que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais”.
A campanha promovida pela Sky é francamente uma disputa por reserva de mercado, camuflada pelo argumento da intervenção estatal no direito de opção do cidadão à programação. A lei não impede que seja ofertada programação estrangeira, mas conforme citei, garante espaço para as manifestações culturais brasileiras. Na prática, três horas e meia por semana de veiculação de conteúdo nacional.  Cabe às empresas dos canais pagos se adequarem, mantendo sua grande atual, mas ampliando o espaço para a produção nacional. Também destaco, que nas disposições transitórias da Lei está estabelecido que os atuais contratos serão mantidos respeitando o princípio de não retroação da Lei, somente em sua renovação é que as empresas deverão se adaptar às novas exigências. Por fim, cabe registrar que a regulamentação da lei ainda está em andamento e, neste sentido, cabe negociação de pontos controversos.
A  Sky tem o direito democrático de demonstrar sua contrariedade com o teor da lei , no entanto, é inadmissível  ver uma empresa fazer campanha se intitulando representante de usuários sem legitimidade para tal e questionando todo o processo legislativo que resultou neste marco legal, ao passar informações incorretas sobre a legitimidade e legalidade da Lei.  Repudio, portanto, esta campanha difamatória e irresponsável.”

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rodrigo Vianna: Folha e Veja na TV Cultura. Sem concorrência pública



Trincheira da oposição
Folha e Veja terão espaço na TV Cultura: parceria com os tucanos agora é oficial
publicada sexta-feira, 03/02/2012 às 00:49 e atualizada sexta-feira, 03/02/2012 às 00:51
A “Folha” já pediu, em editorial, o fechamento da TV Brasil - emissora pública criada pelo governo federal. O motivo alegado pelo jornal: audiência baixa. “Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada — antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte.”
A mesma “Folha” anuncia agora — de forma discreta, diga-se – uma curiosa “parceria” com a TV Cultura de São Paulo – emissora igualmente pública, mantida principalmente com dinheiro do contribuinte paulista.
Tenho orgulho de ter trabalhado na TV Cultura nos anos 90, à época sob a presidência do ótimo Roberto Muylaert. Mas o fato é que a Cultura também não tem uma audiência maravilhosa. Nos últimos anos, os índices só caíram. Mas aí a “Folha” não vê problema. Ao contrário, torna-se aliada da TV.
Sobre a parceria entre “Folha” e TV Cultura, você pode ver mais detalhes aqui.
O mais curioso é que a parceria se estenderá também à “Veja”, a revista mais vendida do país.
A “Veja”, como se sabe, gosta de escrever Estado com “e” minúsculo, para reafirmar seu ódio ao poder público. Ódio? Coisa nenhuma. A Abril adora vender revistas para o governo. E agora, vejam só, também terá seu quinhãozinho na emissora controlada pelos tucanos paulistas.
O “programa” da “Veja” deve ir ao ar às terças. O da “Folha”, aos domingos.
A notícia sobre o novo programa da revista mais vendida pode ser lida abaixo, em reportagem do site “Comunique-se”…
Recentemente, o Estadão chamou a oposição às falas, pedindo – em editorial – unidade e combatividade para barrar o PT em São Paulo. Alckmin parece ter escutado.
A TV Cultura transforma-se numa  tricheira, a organizar o que sobrou da oposição: “Veja”, “Folha”… E dizem que o “Estadão” também terá seu programinha por lá.
Faz sentido.
Como disse um leitor, no tuiter:
@RobertoToledo59 Estão apenas oficializando a parceria.
Trata-se de um movimento importante: estão preparando a trincheira pra defender a terra bandeirante da horda vermelha… Afinal, se o PT ganhar a capital esse ano, o Palácio dos Bandeirantes será o último bastião do tucanato paulista e de seus (deles) aliados na velha mídia.
Perguntinha tola desse escrevinhador: “Folha” e “Veja” vão pagar para usar o espaço da emissora pública? Ou será tudo na faixa?
Em entrevista ao Portal Imprensa, o editor da “Folha” deixou claro qual o objetivo da parceria: “trará a possibilidade de a marca Folha alcançar seu público no maior número possível de mídias. O jornal continua firme no propósito de levar seu conteúdo de qualidade a um número diversificado de plataformas, e chegar à TV parece um passo natural”.
Muito natural! Tá tudo em casa, eu diria.
Leia também:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBC:Escândalos em reality shows ameaçam reputação de emissoras, diz analista

Para Torin Douglas, especialista em mídia da BBC, incidentes podem ser 'facas de dois gumes'
Os produtores de reality shows como o Big Brother Brasil "têm de monitorar todo o tempo" as interações entre seus participantes, afirma um especialista em mídia da BBC.
Para o jornalista Torin Douglas, episódios como a polêmica sobre uma suposta relação sexual sem consentimento entre Monique Amin, 23, e Daniel Echaniz, 31, no BBB "são como uma faca de dois gumes" para a emissora.
A Polícia Civil está investigando o incidente que teria ocorrido na madrugada do último domingo e resultou na expulsão de Echaniz do programa.
Em depoimento à polícia na última terça-feira, no entanto, tanto Monique como Echaniz afirmaram que houve uma 'troca de carícias' consentida entre os dois.
Para o analista da BBC, o incidente guarda semelhanças com polêmicas ocorridas nos Big Brother britânicos, que levaram, segundo o especialista, a uma perda do interesse de telespectadores pelo formato.
Veja os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – Episódios polêmicos geram mais interesse por reality shows ou prejudicam a reputação desses programas?
Douglas – São uma faca de dois gumes. No curto prazo, eles aumentam a audiência, mas no longo prazo podem prejudicar a reputação da emissora. Aqui (na Grã-Bretanha) certamente aconteceu isso com o Channel 4 no caso de Shilpa Shetty (que teria sido alvo de racismo de outra participante do programa Celebrity Big Brother em 2007).
Depois do incidente, o Big Brother continuou por alguns anos, mas depois parou.
Hoje o canal não apresenta mais o programa e o interesse pelo formato está caindo. Mas em outros países ainda é popular.
BBC Brasil – Esse caso do suposto estupro no Brasil é novidade em reality shows como o Big Brother?
Tourin Douglas – Não é a primeira vez que a polícia entra em uma casa do Big Brother. Na Grã-Bretanha, os policiais foram chamados para apartar uma briga entre duas pessoas (em 2004, quando um participante ameaçou matar o outro). Na ocasião, o órgão regulador das telecomunicações, Ofcom, considerou válidas as queixas contra a emissora (o Channel 4) por não intervir.
Também houve o caso de bullying e racismo de Jade Goody contra Shilpa Shetty, que virou um incidente internacional no Celebrity Big Brother.
Há inclusive obras de ficção sugerindo que crimes, até assassinatos, podem ocorrer na casa do Big Brother. O livro Dead Famous, de Ben Elton, é um exemplo. É ficção, mas as especulações sobre até onde pode ir a realidade dos reality shows vão longe. Na vida real, polêmica e ilegalidade não são novidade no Big Brother. A questão é se o problema é tratado como um problema do programa, na qual quem atua é o órgão regulador da programação, ou se a polícia vai adiante e indicia os envolvidos.
BBC Brasil – Alguém já teve de prestar contas por incidentes na casa?
Douglas – Sim, depois das duas reclamações contra o Big Brother aqui na Grã-Bretanha o canal teve de mudar seus procedimentos, melhorar seus processos e criar regras mais rígidas para situações assim.
BBC Brasil – Pode haver um lado positivo na exposição desses escândalos? Por exemplo, houve algum lado positivo na polêmica envolvendo racismo na Big Brother britânico?
Douglas – Sim. No fim das contas, o Big Brother levantou um problema que nunca havia sido exposto e discutido de maneira tão abrangente, e de lá para cá as pessoas têm tido mais cuidado com o uso das palavras.
Essas coisas às vezes podem ter um efeito positivo. O que não há dúvida é que com as mídias sociais essas coisas são discutidas muito mais rapidamente.
BBC Brasil – Qual a consequência dessa rapidez com que as imagens se espalham?
Douglas – Eu acho que as mídias sociais criam mais supervisão sobre os produtores dos programas, que ficam sob maior escrutínio do que eles fazem. Claro que eles querem mais audiência, mas ao mesmo tempo precisam estar cientes de que precisam prestar contas por episódios assim.

Estupro no BBB tem patrocínio



BBB e a sociedade imagética da mídia

 
 
Por Dennis de Oliveira, na revista Fórum:

Régis Debray escreveu tempos atrás que vivemos sob uma sociedade da imagem e cujo poder se legitima pela sedução. Em termos comparativos, ele afirma que o antecessor da sociedade da imagem era a da escrita com o poder sendo exercido pela autoridade do conhecimento e, antes disto ainda, a sociedade da oralidade e o poder da fala. Uma sociedade da sedução coloca para os indivíduos a valorização do exibicionismo – a sua validade é diretamente proporcional à imagem que constrói.



Acrescento ainda a isto o fato desta sociedade da imagem acontecer em um momento da “desregulamentação” e individualização extremada da sociedade, em que todas as responsabilidades de sucesso ou fracasso cabem ao indivíduo. Vencer a qualquer custo é o imperativo do momento que vivemos, e vencer significa ter capacidade de sedução nesta sociedade imagética. Por isto que a autoridade foi substituída pela celebridade midiática, célebre por tautologia – é famosa por ter espaço na mídia e ponto final.

Esta é a base destes programas de reality shows que povoam a programação da mídia. Temos aquela coisa horrorosa e mimética do mundo corporativo do “Aprendiz” em que jovens são submetidos ao tacão moralista e civilizatório de uma imagem caricata de empresário (feito antes por Justus e agora por Dória). E o mais famoso deles, o Big Brother Brasil, da empresa Endemol e transmitido por estas paragens pela Globo.

Reality show – tradução literal: mostrar a realidade! Mas que realidade? Aquela construída sob os parâmetros dos aparatos tecnológicos e estéticos da televisão. Motrar a realidade não seria tarefa do jornalismo? Mas a realidade que se quer mostrar é aquela enquadrada nos dispositivos ideológicos do momento de uma sociedade imagética, sedutora e que coloca aos indivíduos a busca do sucesso via a sua capacidade de sedução – isto é, o exibicionismo puro e simples.

Floresce, assim, uma das últimas fronteiras de expansão do capital, a indústria da imagem, esta mesma que sustenta toda a indústria do entretenimento (artes, esportes, lazer, eventos) e penetra em outros campos, como na política. Atletas, artistas, cidades, bairros (Cracolândia não, Nova Luz por favor!), produtos, candidatos a cargos públicos são avaliados com base nos seus potenciais imagéticos. Para tanto, contam com um aparato de “especialistas” (consultores, assessores, designers) para cuidar da construção destes simulacros.

E as pessoas comuns que não contam com isto? São jogadas em uma selva onde vale a lei de quem pode mais chora menos. Os seus fracassos são resultados da sua própria incompetência. O cartaz da imagem demonstra isto: “Não seja estuprada” ao invés de “Não estupre”. Aquela idéia de que é a mulher que deve “se preservar”, de “se respeitar”. A culpa é da vítima. Assim como os afrodescendentes – esforcem-se para poder entrar na universidade e não fiquem esperando “favores como as cotas”! De repente as hierarquias raciais e de gênero deixam de existir para entrarmos em um mundo de competências premiadas e incompetências punidas.

Os programas de reality shows consolidam isto – são “gincanas” públicas em que tais pessoas têm sua capacidade testada de sobreviver nestas regras. A polêmica do caso Daniel e Monique é a cereja do bolo desta lógica. Posso tudo, inclusive usar da força de macho para usufruir de uma mulher, deve ter pensado ele. Qualquer problema, o álcool é o álibi. E, de repente, isto pode alavancar uma audiência no programa.

O pay-per-view do BBB vende muito pois se baseia na lógica perversa presente no subconsciente de muitos de poder espiar alguma cena picante (que pode ser simplesmente alguém ficando nu). Qual é o prazer de ficar espiando um bando de pessoas dentro de uma casa? E ainda pagar (!!!) por isto?

“O amor é lindo” foi a primeira reação da emissora, achando que a repercussão do caso iria dar um “up” na audiência do programa que anda em baixa. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Neste mundo imagético e de lei da selva há ainda os que se indignam. Aqueles que ainda dizem “assim não dá!”. Aqueles que acreditam que a sociedade deve se seguir não pela regra do “vença a qualquer custo”, mas sim de que “vamos construir juntos uma vida digna para todos”.

Avon: Não somos patrocinadores do Big Brother

da Avon, via CDN
COMUNICADO
Diferentemente do que foi veiculado em alguns sites e posts na rede social, a Avon não é patrocinadora do programa Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo. A empresa apenas veicula comerciais de seus produtos nos intervalos da programação da emissora, o que faz com que os anúncios relacionados aos produtos Avon sejam vistos em várias oportunidades ao longo do dia.
São Paulo, 17 de Janeiro de 2012
Leia também:

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A sutil diferença entre um Sábio e um Idiota

O sábio:

ZÉ GERALDO
Ei você que tem de oito a oitenta anos
não fique aí perdido,
como ave sem destino
pouco importa a ousadia dos seus planos
eles podem vir da vivência do ancião
ou da inocência de um menino
o importante é você crer
na juventude que existe dentro de você
Meu amigo, meu compadre, meu irmão,
escreva sua história
pelas suas próprias mãos
Nunca deixe se levar por falsos líderes
todos eles se intitulam
porta-vozes da razão
pouco importa o seu tráfico de influências
pois os compromissos assumidos
quase sempre ganham sub-dimensão
o importante é você ver
o grande líder que existe dentro de você
Não se deixe intimidar pela violência
o poder da sua mente é toda a sua fortaleza
Pouco importa este aparato bélico universal
toda a força bruta representa nada mais
do que um sintoma de fraqueza
O importante é você crer
nesta força incrível que existe dentro de você
O idiota:

MICHEL TELÓ
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Agora que você consegue notar a diferença entre vitamina e veneno, tenha uma ótima semana.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Como diria aquela atriz: “Brasileiro é tão bonzinho”

por Luiz Carlos Azenha
A atriz Kate Lira, com sotaque americano, dizia isso num programa de humor da TV: “Brasileiro é tão bonzinho”.
Ela supostamente não entendia a malandragem dos brasileiros, que agradavam a loira de belas formas com segundas intenções.
Mas a malandragem, como sabemos, é deles.
Walt Disney inventou o Zé Carioca em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, como parte da política de boa vizinhança de Washington.
Não bastou para garantir a base aérea de Natal, essencial para o abastecimento das tropas aliadas na África, mas nos dá a medida da importância política da cultura.
Hoje Hollywood continua sendo uma das indústrias mais vibrantes dos Estados Unidos.
A Índia tem Bollywood.
A Nigéria, Nollywood.
O entretenimento será um setor cada vez mais rentável da economia.
Produzir filmes e programas de TV não significa apenas promover a cultura brasileira, mas também a possibilidade de ampliar o mercado para nossas emissoras e produtoras independentes em direção a Portugal, Angola e Moçambique.
No entanto, quando o Congresso aprova um projeto que exige três horas e meia de programação semanal produzida no Brasil no horário nobre das TVs a cabo, o que equivale a meia hora por dia, tem gente que estrila contra o que seria “dirigismo” estatal.
Ou seja, Hollywood nem precisa gastar fazendo lobby no Brasil, que os próprios brasileiros fazem lobby de graça para Hollywood.
É por isso que a Kate Lira dizia: Ah, esses brasileiros, tão bonzinhos!
PS do Viomundo: A síndrome é tão profunda que, no sorteio da Copa, a Globo vestiu uma saia comprida na Ivete Sangalo e a “domou” com alguns violinos, para fazer a gente se parecer menos com a gente e não assustar as visitas.
O senador que faz lobby, ainda que sem querer, para Hollywood
Leia aqui a lista de cotas existentes em países de todo o mundo
Heloisa Villela pergunta: Afinal, o que quer o Brasil?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Comparato desmonta argumento contra a Ley de Medios



Rachel sofre por lutar pela liberdade de expressão

Conversa Afiada reproduz e-mail do professor Fábio Comparato:

Caro Paulo Henrique:


Como você sabe, um dos argumentos apresentados pelo oligopólio empresarial dos meios de comunicação de massa (por você chamado de PIG), contra a criação de uma agência estatal de regulação do setor, nos moldes da FCC (Federal Communications Commission) dos Estados Unidos, consiste em dizer que já temos aqui um órgão semelhante, que é o Conselho de Comunicação Social, funcionando junto ao Congresso Nacional.


Acontece que esse órgão, criado pela Lei nº 8.389, de 1991, tem se revelado, desde o seu nascimento, uma portentosa inutilidade. Ele não tem poder algum, a não ser o de opinar. E mesmo essa “perigosa” competência parece incomodar de tal forma os “donos do poder”, que o Congresso decidiu, há mais de quatro anos, colocar o Conselho em hibernação. Ele reuniu-se pela última vez em dezembro de 2006, ao final do segundo mandato bienal de seus membros. Os períodos correspondentes ao terceiro e ao quarto mandatos (2006 – 2008, 2008 – 2010) transcorreram em brancas nuvens.


Ao que parece, a Constituição existe neste querido país como simples peça de retórica, para impressionar os trouxas. Há mais de 22 anos que o Congresso não regula a proibição de monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa (art. 220, § 5º), nem tampouco a preferência a ser dada, na produção e programação das emissoras de rádio e televisão, a “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, além da “promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação” (art. 221, I e II). Sem falar de outras lacunas regulamentares.


Quando é que o nosso povo vai se dar conta de que é sistematicamente enganado pela classe política no poder, sempre aliada do grande capital?


Abraços do


Fábio Konder Comparato


Em tempo: a deputada Rachel Marques, do PT, conseguiu que a Assembléia Legislativa do Ceará, em outubro do ano passado, a Lei que cria o Conselho Estadual de Comunicação Social, para “defender o exercício do direito de livre expressão, de geração de informação e de produção cultural”. O projeto aguarda a assinatura do governador Cid Gomes. PHA

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Onde está a classe média ? Foi para Miami ?


Aviso fúnebre



Conversa Afiada reproduz texto de Marilia Amorim:

Por onde anda a classe média ?


Em dezembro último, fui a um belíssimo concerto no belíssimo Teatro Municipal do Rio de Janeiro e a sala estava vazia em mais da metade. Nesse mês de janeiro, está acontecendo um festival de jazz na Sala Baden Powell em Copacabana com músicos da melhor qualidade, quase todos brasileiros, e a sala também está vazia em mais da metade.


Como diz um amigo meu francês, brasileiro só gosta de show que tem música conhecida. E que tenha letra e seja cantada, para ele poder cantar junto.


A loja Modern Sound fechou. Para quem não é do Rio, essa era a nossa melhor loja de discos. Digo discos porque ela existia desde os anos sessenta e era uma referência para quem queria encontrar música clássica, jazz e música instrumental.


Ela era um ponto de encontro e de bons papos sobre música. Os vendedores bem informados, conheciam tudo de música e dava prazer conversar com eles. Um deles cantava muito bem e dava umas canjas no Allegro Bistrô, espaço de shows que a loja havia inaugurado nos anos 90.


Por que fechou? Porque não se compra mais cds, “baixa-se” tudo na internet.


Ao lado da Modern Sound, havia sido inaugurada uma filial da excelente livraria Argumento. Mas, pouco tempo depois, essa filial fechou e, em seu lugar, abriu uma academia de ginástica. Pois acabo de saber que a matriz, a Argumento do Leblon, também vai fechar. Outra livraria, a Letras e Expressões, também fechou a filial de Ipanema e a do Leblon.


Quem era o público desses lugares ? A classe média culta, que havia estudado em boas escolas e que tinha, como valor maior, o acesso à cultura. Cadê essa gente? Não falo da nova classe média, a oriunda de classes menos favorecidas, até porque essa acabou de chegar e não pode ser responsabilizada pelo deserto cultural em que o Brasil se transformou.


No lugar desses antigos espaços de cultura, abrem-se shoppings e academias de ginástica. Pelo visto, é lá que a classe média foi parar. Ou então nos restaurantes. Basta ver o número de páginas dedicadas à “gastronomia” dos cadernos de programação cultural dos grandes jornais, como o Rio Show do jornal O Globo. Se fizermos as contas, o assunto que mais dá capa de revista nesses cadernos é comida o que, de certo modo, espelha e ao mesmo tempo forma o gosto e as escolhas da classe média.


Leio nos jornais que o n° de brasileiros que viaja de avião aumentou significativamente e isso é muito bom. De fato, basta passar por aeroportos internacionais para se constatar que a classe média brasileira também gosta muito de viajar para o “estrangeiro”. Mas para fazer o quê ? Compras ?


O crescimento econômico do Brasil é uma excelente notícia e nos deixa cheios de esperança e otimismo. Mas se alguma providência urgente não for tomada (não sei exatamente qual e espero que a ministra Ana Holanda e sua equipe encontrem uma solução) o Brasil vai se tornar uma imensa Miami.


Marilia Amorim

Carioca, possui doutorado em Ciências Humanas e da Educação com a tese “ Le texte de recherche en sciences humaines: une approche bakhtinienne du problème de l’altérité”, na Universiade de Paris-8. Ex-professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é atualmente professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Paris. É autora dos seguintes livros: “Raconter, démontrer,  survivre: formes de savoir et de discours dans la culture contemporaine” e “Dialogisme et altérité dans les sciences humaines”. Organizou o livro coletivo “Images et discours sur la banlieue” (todos na França). E “O pesquisador e seu outro: Bakhtin nas ciências humanas”. É coautora do livro “Bakhtin: outros conceitos-chave” .


Em tempo: em São Paulo, trava-se uma luta para preservar as salas de cinema Belas Artes, de programação cultural invejável.