Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quem põe gente na rua hoje, no Brasil. E por que


não nada, não é nada, aconteceu ontem no Rio de Janeiro uma das maiores manifestações de rua da história recente. A Polícia Militar, que sempre divulga números conservadores, fala em 150 mil presentes a manifestação que pediu vantagens para aquele Estado na divisão dos royalties do Pré Sal. 10 de novembro de 2011, pois, foi um dia que ficará gravado na história.
Sem entrar no mérito desse gigantesco ato público, salta aos olhos que colocar o povo na rua, atualmente, requer legitimidade de quem convoca, reconhecimento das pessoas de que a causa é justa e de que aquela manifestação não decorre de embates político-partidários.
A comparação entre manifestação cívica convocada e organizada pelo governo do Rio e as “marchas contra a corrupção” organizadas pela mídia, pela oposição ao governo Dilma e por socialites e grandes empresários, portanto, é inevitável.
À exceção de Brasília, onde essas manifestações “anticorrupção” não têm tido caráter político-partidário como nos outros Estados, o fracasso de público tem sido notório.
No último dia 12 de outubro, manifestação convocada pela mídia na capital paulista não conseguiu reunir nem mil pessoas. Pouco antes, no mesmo Rio, apesar de longa e incessante campanha da mídia convocando manifestantes para protestarem “contra a corrupção” na mesma Cinelândia que recebeu aquela maré humana ontem, compareceram apenas 2 mil pessoas.
Seja qual for o número correto de manifestantes no Rio ontem, a cidade foi engolfada pelo povo, o que denota a legitimidade de governos, partidos populares e sindicatos em contraposição à falta de legitimidade de empresários de comunicação. É isso o que os tem impedido de pôr o povo na rua para fustigar o governo central.
O envolvimento do PSDB e do DEM com os tais manifestantes contra a corrupção também mostra a falta de base popular desses partidos. Nem com engajamento da mídia eles conseguem pôr povo de verdade na rua, à diferença do que se sabe que aconteceria se PT, CUT ou ambos, por exemplo, decidissem convocar manifestações.
Na “marcha contra a corrupção” que ocorreu em São Paulo em 12 de outubro e que este blog acompanhou in loco, a “juventude do PSDB” revelou um grupelho de mauricinhos, quase que cem por cento brancos e de classe média alta. O PSDB é um partido sem militância, daí a incapacidade de mobilizar a sociedade fora dos períodos eleitorais.
Outro diferencial é a causa. Todos compreendem perfeitamente quando um Estado luta por recursos públicos que beneficiarão a todos, como ocorre com o modelo de divisão dos royalties do petróleo. Ninguém entende, porém, “marchas contra a corrupção” que só se ocupam de “malfeitos” de um grupo político e ignoram os de seus adversários.
Outra causa de difícil compreensão pelo povo é a da democratização da comunicação. É um conceito do qual a sociedade jamais tomou conhecimento. O brasileiro médio não faz idéia de quantos benefícios poderia colher de uma mídia que não se pautasse por critérios políticos, ideológicos ou mesmo comerciais e, sim, pelo interesse público.
É literalmente impossível, portanto, pôr muita gente na rua para pedir um marco regulatório para as comunicações, a menos que sindicatos, partidos e movimentos sociais diversos se mobilizem pela causa. E, assim mesmo, não seria fácil, pois é complicado traduzir para a sociedade os benefícios que adviriam de uma comunicação de país civilizado, a menos que fosse possível fazer uma intensa campanha publicitária na mídia.
Para o bem ou para o mal, portanto, esta reflexão denota que governo, partidos de massas ou os movimentos sociais têm muito maior representatividade e legitimidade para falar e agir em nome do povo, ao passo que grupos restritos de interesse, como a mídia e os partidos conservadores – que têm a elite em suas bases –, só representam a si mesmos.
Um partido como o PSDB, que em eleições consegue milhões de votos, obviamente que tem sua legitimidade incontestável, mas ela difere da de partidos como o PT, que têm militância espontânea, engajada, e não apenas cabos eleitorais contratados, porque o PT tem origem no movimento sindical enquanto que o PSDB tem origem na Fiesp ou na mídia, entre outros.
Toda esta reflexão, como talvez o leitor já tenha percebido, decorre das preocupações desta página e do Movimento dos Sem Mídia sobre como democratizar a comunicação no país.
Com efeito, para colocar milhares na rua pela causa da democratização da comunicação, sem o apoio e o engajamento explícito e formal de partidos, sindicatos, movimentos sociais e até do governo, isso seria literalmente impossível.
Aqui, neste blog, já se conseguiu colocar algumas centenas de pessoas na rua, mas esse é o limite que se pode alcançar sem a legitimidade de entidades altamente representativas da sociedade.
A conclusão é a de que não há condições reais de pôr a democratização da comunicação em pauta tanto ou até mais do que as manifestações partidarizadas “contra a corrupção”. Isso por falta de interesse das entidades representativas, governo à frente. UNE, MST, CUT, PT não têm posição decidida, apesar da disposição de setores da sociedade civil para a luta.

Ipea diz que desigualdade caiu 22% e entra na briga contra IDH


Diferença na renda domiciliar recua 22% de 1980 a 2010, segundo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Presidente do Ipea, Marcio Pochmann, reforça críticas do governo e diz que desenvolvimento humano do país medido pela Pnud sofre de falta de transparência e precisa passar por escrutínio. Credibilidade do IDH estaria ameaçada, e Ipea fala em criar índice próprio.

BRASÍLIA – A desigualdade de renda entre as residências brasileiras diminuiu 22% entre 1980 e 2010. Depois de subir 2% na hiperinflacionária e estagnada década de 80, caiu nas duas seguintes – de forma mais acentuada nos anos 90 (19%), quando os preços foram domados pelo plano real, e menos na seguinte (8%), em que baixou à base de crescimento, emprego e programas sociais.

A melhoria na distribuição da renda per capita entre domicílios do país foi calculada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a partir de dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010 e divulgado este ano.

Sem ter certeza de que este tipo de avanço, especialmente o mais recente, tenha sido todo captado pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apontado para o Brasil, o Ipea começa a botar em cheque a credibilidade do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). E diz estar pronto para produzir um IDH próprio, caso o Pnud não se mostre convincente.

Após a divulgação do IDH 2010, o Ipea procurou o Pnud para dizer que estava desconfiado da nota brasileira, fez críticas metodológicas ao relatório e pediu para conhecer dados e metodologia.

Em resposta, a agência decidiu convidar especialistas para participar de um “grupo de peritos” que acompanharia a preparação do IDH 2011, ao longo do primeiro semestre. O representante brasileiro foi o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

As críticas e desconfianças foram reafirmadas durante o acompanhamento mas, para Pochmann, em vão. Em 2011, o Pnud teria repetido o comportamento merecedor de reparos. O Ipea quer saber com que dados exatamente a ONU trabalha para fechar o IDH - índice que leva em conta expectativa de vida, escolaridade e renda -, como eles são escolhidos e se são consolidados ou projeções.

“Não sabemos se o IDH brasileiro vai melhorar ou piorar, mas precisamos saber como é calculado”, disse Pochmann. “Há uma insatisfação que não é só do Brasil. Há uma preocupação exagerada [do Pnud] com tabelas e não com conteúdo. Do jeito que está, o IDH não pode ser reproduzido por especialistas”, afirmou o economista, que deu entrevista coletiva nesta quinta-feira (10) para apresentar os dados da desigualdade domiciliar e aproveitou para contestar o Pnud.

A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que falou em nome do governo sobre o IDH brasileiro – o país está na posição 84, entre 187 países – havia feito as mesmas críticas.

O trabalho do Ipea, sintetizado numa nota técnica, vai subsidiar considerações que outros órgãos federais venham a fazer sobre o assunto, como os ministérios da Saúde e da Educação. Inclusive uma reclamação oficial e por escrito que o ministério das Relações Exteriores, em linguagem diplomática, deve mandar ao escritório central da ONU, em Nova York.

O governo queixa-se do IDH desde a gestão Lula pois acha que as melhorias do país ao longo da última década estariam subdimensionadas no relatório do Pnud. É uma reclamação também de caráter político, já que o resultado pode servir para os adversários do governo criticaram as gestões petistas.

Procurada pela reportagem, a agência da ONU respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil, que precisa conhecer a nota técnica do Ipea primeiro, antes de se manifestar.

(*) Confira a íntegra da nota técnica "Considerações do IPEA acerca do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2011, do PNUD"

Urubóloga errou outra vez!!! IPCA recuou para 0,43% em outubro



IPCA recuou para 0,43% em outubro

Urubóloga errou outra vez!!!

O IPCA (Índice Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, desacelerou e apresentou variação de 0,43% em outubro, ante 0,53% registrado em setembro, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com este resultado, o acumulado em 12 meses passa de 7,31% para 6,97% em outubro, segundo cálculos.
Embora ainda acima, o índice fica mais próximo do teto da meta do governo - de 6,5% para 2011 - e atende as expectativas de desaceleração da inflação.
A inflação acumulada no ano chega a 5,4%.

"Novo governo pós-Berlusconi aprofundará neoliberalismo na Itália"


Ex-senador no Parlamento italiano pelo Partido da Refundação Comunista (2006-08), o ativista ítalo-brasileiro José Luís Del Roio prevê dias turbulentos na Itália, com a intensificação dos protestos de rua contra o desmonte do sistema de bem-estar. França pode ser a próxima vítima da crise. Sem aprofundar práticas democráticas e aproximar-se das massas, União Européia pode implodir, diz ele à Carta Maior.

São Paulo - Apesar de "felicíssimo" com a iminente queda do premiê Silvio Berlusconi e o fim da "bordelcracia" na Itália, o ativista ítalo-brasileiro José Luís Del Roio não projeta um cenário otimista.

Ex-senador no Parlamento italiano pelo Partido da Refundação Comunista (2006-08), ele acredita que o novo governo terá um caráter ainda mais neoliberal, ao apostar na destruição do sistema de bem-estar e em medidas recessivas como estratégias para superar a turbulência econômica.

A Itália é hoje a bola da vez da crise financeira européia. Berlusconi já admitiu a renúncia, pressionado pelo tamanho da dívida pública, o baixo crescimento econômico e a explosão dos juros cobrados dos títulos italianos.

"O novo governo será feito por homens educados, engravatados, que falam línguas, mas será terrivelmente neoliberal. (...) É uma visão extremamente equivocada para resolver a crise. (...) Se reduzirmos a arrecadação de impostos, a dívida pública em relação ao PIB só poderá aumentar", disse Del Roio à Carta Maior.

Nesta entrevista exclusiva, o ativista, que hoje vive entre São Paulo e Bragança Paulista, sua cidade natal, e desenvolve um projeto de pesquisa junto ao Instituto Vladimir Herzog, prevê uma temporada de turbulências sociais na Itália, especialmente com protestos de rua conduzidos por sindicalistas.

Del Roio foi dirigente do PCB nos anos 1960. Fundou, com Carlos Marighella e outros ativistas, a Aliança de Libertação Nacional (ALN), que abraçou a luta armada como forma de resistência. Quando a ditadura fechou o cerco aos opositores, Del Roio seguiu para o exílio e trabalhou no Peru, Chile, Argélia, Moscou e Itália. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista, concedida por telefone.

Carta Maior - Na Grécia, a crise levou situação e oposição a criarem um governo de união nacional. Na Itália, após a queda de Berlusconi, há essa possibilidade?
José Luís Del Roio - Na Itália não irá nascer propriamente um governo de unidade nacional, mas algo similar. Acredito que o novo governo terá a característica de um governo técnico. Mario Monti, que deve ser o próximo primeiro-ministro, não é um homem de partido. Por esse caráter, o novo governo deve ter participação tanto de partidos da chamada direita quanto da chamada esquerda. Mas a "esquerda-esquerda", como a Refundação, não participará, porque não tem mais nenhum deputado no Parlamento, após a mudança das regras nas últimas eleições.

CM - Imagino que o objetivo desse "governo técnico" será resolver a questão da crise da dívida. Mas é possível que haja novidades no campo político? Quem sabe a própria alteração da lei eleitoral?
Del Roio - É bem provável que o novo governo amenize alguns aspectos antidemocráticos da lei eleitoral. Acredito nisso porque a sociedade italiana irá se mobilizar diante das perdas de conquistas sociais que virão. E essas manifestações sociais que precisarão de algum canal constitucional que absorva a pressão.

CM - Não se viu na Itália protestos da dimensão dos ocorridos na Grécia. Eles podem ocorrer?
Del Roio - É possível, sim. Mas há um fator que conta a favor dos gregos. Lá, eles têm um partido comunista forte e organizado, que teve papel central naquelas mobilizações. Na Itália os protestos devem ser centralizados pela Federação Italiana dos Metalúrgicos e a Confederação Geral dos Trabalhadores Italianos, a CGIL. Já houve recentemente grandes mobilizações no país, mas elas se concentraram na tentativa de derrubar o governo Berlusconi.

CM - E o governo acabou caindo por conta da crise...
Del Roio - Pois é. É claro que estou felicíssimo com isso e com o fim da "boldelcracia" no país. Tínhamos um governo desqualificado internacionalmente. Agora teremos um outro, feito por homens educados, engravatados, que falam línguas, mas será terrivelmente neoliberal. É uma visão extremamente equivocada para resolver a crise. A política econômica que eles desejam aplicar resultará na destruição do sistema de bem-estar social e na desaceleração econômica, que não colaboraram em nada para a redução da dívida. Se reduzirmos a arrecadação de impostos, a dívida pública em relação ao PIB só poderá aumentar. A Itália deve hoje 120% de seu PIB, e isso poderá chegar a 130%, 140%, 150%... o céu é o limite.

CM - Na Grécia, os efeitos da crise têm sido terríveis no dia-a-dia das pessoas, com desemprego e corte de salários. Como a crise tem afetado a vida dos italianos?
Del Roio - A Itália ainda não chegou à situação da Grécia, e eu espero que não chega. Mas há problemas graves, como a desocupação crescente, sobretudo entre jovens. A faixa etária de 26, 27 anos enfrenta 40% de desemprego. Isso é um drama. Primeiro do ponto de vista econômico, porque são pessoas que não produzem e nem consomem. Segundo, do ponto de vista da esperança. Metade da juventude italiana não tem perspectiva e fica em casa sem fazer em nada ou acaba imigrando. Um outro problema trazido pela crise atinge os funcionários públicos, já que o governo decidiu impor-lhes quatro anos sem reajuste de salários. Além disso, os que se aposentam não poderão sacar um tipo de fundo de garantia por tempo de serviço que beneficia o funcionalismo italiano.

CM - A extensão da crise gerou discussões sobre o futuro da União Européia. Chanceler alemã, Angela Merkel, chegou a propor a revisão de tratados. Qual sua opinião sobre isso?
Del Roio - A situação da União Européia é pior do que parece. Em primeiro lugar, por sua própria estrutura. São 27 países e só parte deles adota o euro. Em segundo lugar, o governo da União Européia é extremamente antidemocrático e afastado das massas. As pessoas não conhecem o governo europeu, não sabem se tem presidente ou nome de ministros. O que há é uma burocracia feroz que não gosta de eleições. A Constituição da União Européia foi recusada em referendos na França e na Holanda e, então, decidiram impô-la. Antes de tudo, precisamos de democracia na União Européia. Há uma grande desatenção quanto à importância do voto das pessoas. A União Européia costuma criticar a democracia dos Estados nacionais, quando esse é um problema central dela. Ou ela se democratiza, ou está perdida.

CM - Em sua opinião, países podem deixar o bloco ou, pelo menos, o euro?
Del Roio - É possível. Quem estiver de acordo com o eixo central, formado por Alemanha e França, fica. Quem se revoltar, sairá. O problema é que a França não está imune à crise, nem economicamente e nem socialmente. Após o massacre contra os italianos, chegará a vez dos franceses. Isso pode gerar grandes transformações na Europa, porque a Alemanha, a meu ver, tem outra perspectiva estratégica em vista, que seria uma parceria com a Rússia. Desde antes de ser formada, em 1870, a Alemanha olhava para o leste, onde estão grande parte das reservas energéticas mundiais. Se a União Européia balançar, um eixo entre Alemanha e Rússia poderia se fortalecer.

CM - O senhor foi senador no Parlamento italiano. Pensa em se candidatar novamente?
Del Roio - Não penso em voltar. A vida parlamentar me incomodava muito. Você passa 4/5 do seu tempo discutindo minúcias, se deve ou não deve cobrar pelo uso dos banheiros da rodoviária. Eu gosto de discutir estratégias, de discutir se a rodoviária cumpre seu papel no sistema de transportes.

Leia mais
Em 2006, recém eleito senador, Del Roio concedia entrevista à Carta Maior


Fotos: Gilberto Maringoni/Carta Maior

Da série: ai se o Kamel souber...

Por Luis Nassif, em seu blog:

Ontem gravamos uma entrevista especial, em vídeo - a ser disponibilizada aqui em breve - com a professora da Unicamp e cientista social Walkiria Domingues Leão Rego que há cinco anos pesquisa a Bolsa Família. Walkiria tem ido anualmente às regiões mais pobres do nordeste tomando depoimentos dos beneficiários, não questionários frios, mas longas conversas para apreender as mudanças ocorridas.



Um dos episódios narrados é fantástico.

Na casa de uma senhora em Alagoas, outro pesquisador que a acompanhava, italiano, maravilhou-se com alguns quadros, pinturas na parede, sem moldura. Indagaram da senhora o que era aquilo.

Inicialmente, ela relutou em responder. Walkiria contou que no país do seu amigo valorizavam-se muito as pinturas, daí a razão do interesse dele.

A senhora venceu, então, o temor e contou que um de seus netos tem uma grande vocação para a pintura. Na escola, a professora recomendou que recebesse aulas.

Ela reuniu, então, a família e, juntos, discutiram se poderia desviar parte do dinheiro da comida para as aulas de pintura do menino. Todos concordaram. O resultado foram as pinturas que maravilharam o italiano.

Se Ali Kamel souber, haverá denúncias em O Globo sobre o esbanjamento de recursos do Bolsa Familia.

‘Grupos xenófobos devem crescer ainda mais’, diz pesquisador britânico

Estudo de Birdwell aponta que movimentos populistas conseguem trazer cada vez mais adeptos online para o ativismo nas ruas. Foto: Demos
Os movimentos e partidos populistas, ou ultradireitistas, ganharam força na Europa Ocidental na última década por meio de discursos personificados contra, entre outros temas, a imigração e o multiculturalismo. Hoje, esses grupos avançam e conquistam adeptos divulgando sua ideologia nas redes sociais. É essa ligação quase desconhecida que o estudo The New Face of Digital Populism (O Novo Rosto do Populismo Digital, em tradução livre), realizado pela organização independente britânica Demos, analisa.
O levantamento pediu a simpatizantes de grupos populistas, que geralmente se organizam à margem da sociedade e visam representar lemas conservadores das classes menos favorecidas, de 11 países europeus para preencherem um questionário.
As mais de 10 mil respostas indicaram, segundo o instituto, o descontentamento desta parcela da população com governos, sistemas de Justiça e as elites política e financeira do continente. Aspectos semelhantes à onda de manifestações internacionais contra o neoliberalismo, liderada por jovens lembrados como “os indignados”.
“Os movimentos ‘Occupy’ [Ocupar Wall Street, por exemplo] têm semelhanças com esses grupos no sentido em que ambos são populistas, desafeiçoados das elites e advogam contra os sistemas político e financeiro”, diz Jonathan Birdwell, pesquisador sênior do Demos e um dos autores do estudo, em entrevista a CartaCapital.
No entanto, as similaridades entre os grupos resumem-se apenas aos aspectos econômicos citados acima, aponta Birdwell. Segundo ele, os 14 grupos analisados, entre eles o Bloc Identitaire (França), CasaPound (Itália) e English Defence League (Reino Unido), vão além da insatisfação com o sistema capitalista moderno e acrescentam ao seu discurso ideias xenófobas, típicas da direita conservadora. Algo que pôde ser captado na pesquisa, pois os entrevistados mostraram-se contra imigração, o Islã e o multiculturalismo, por avaliarem que sua identidade nacional estaria ameaçada. “Mesmo assim é significante o fato de assistirmos ao surgimento de movimentos populistas em ambos os lados.”
De acordo com a pesquisa, os grupos populistas mapeados são compostos majoritariamente por homens (75%) e jovens (63% têm menos de 30 anos), que utilizam mídias sociais online de forma massiva, somando mais de 430 mil seguidores no Facebook. Uma ferramenta de publicidade ideológica que auxilia esses movimentos a levarem 26% de seus “participantes virtuais” às ruas em protestos e demonstrações. “É muito fácil clicar no botão ‘Curtir’ na página da English Defense League, mas esse resultado é bem mais elevado que a média de cidadãos europeus de 10%”, diz. “Essas pessoas estão usando a internet e ferramentas online como uma ponte para estimular de fato outros a se envolverem no ativismo do mundo real.”
Na migração do universo digital para a realidade, a maioria dos entrevistados se disse contrária ao uso da violência a fim de alcançar seus objetivos. Por outro lado, 26% concordaram com atitudes “mais firmes” para atingir as metas almejadas. “Os apoiadores destes grupos tendem a ser muito impacientes, impulsivos, energéticos e querem partir para a ação, mas não creio que vão se voltar exclusivamente para o uso da violência.”
O pesquisador reconhece, porém, o potencial negativo da retórica dos movimentos populistas, aos quais atribui a capacidade de criar “lobos solitários” como Anders Breivik, responsável por um duplo atentado na Noruega, em protesto à invasão islâmica na Europa, que deixou 77 mortos. “Alguns grupos combinam um sentido de urgência ao colocar em jogo a cultura nacional e a identidade dos indivíduos. Usam dados demográficos para dizer que em 50 anos, os imigrantes muçulmanos no continente serão maioria e os europeus étnicos minoria em seu próprio país.”
No cenário atual de avanço do populismo, Birdwell afirma ainda não ser possível prever o impacto desta ideologia nas novas gerações de cidadãos europeus, mas mostra-se preocupado com o perfil jovem dos integrantes destes grupos. A pesquisa, no entanto, já reflete um aspecto contraditório na população mais jovem, na faixa de 16 a 20 anos. Cerca de 20% deles citaram a imigração como motivo para apoiar movimentos direitistas, contra apenas 10% dos indivíduos acima de 50 anos.
Apesar de os jovens serem vistos como mais liberais que as gerações anteriores, o pesquisador destaca a preocupação do setor com os rumos da economia da Europa e da Zona do Euro. “Caso a situação siga por um caminho ruim, devemos nos preocupar, pois o apoio a movimentos anti-imigração e xenófobos vai continuar a aumentar, como é historicamente comum nestes períodos.”
Desiludidos sobre o futuro de seus países e críticos à União Europeia, apontada como a responsável pela perda de controle nas fronteiras, 70% deles não confiam mais no sistema de Justiça. Contudo, mesmo sem crer também na política, consideram o voto importante. Por outro lado, 67% votaram na última eleição em partidos populistas, que alcançaram relativo espaço na Europa. “É importante medir o impacto destes grupos na política não pelo tamanho que ocupam e sim pela capacidade de influenciar a elite política com seus discursos”, diz.
Segundo Birdwell, Nicolas Sarkozy, Ângela Merkel e David Cameron já adotaram o antimulticulturalismo, uma ação que reflete a retórica populista. “Conforme os políticos de destaque começam a adotar essas retóricas, vê-se o impacto que esses grupos podem ter.”

'Yes, we care' do PSDB vira gozação



O PT ironizou hoje a sugestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que o PSDB adote como bandeira o lema "Yes, we care" ("Sim, nós nos preocupamos"), numa adaptação de "Yes, we can" ("Sim, nós podemos"), usado na campanha de Barack Obama à Presidência dos EUA, em 2008. "Enquanto a oposição conservadora macaqueia em seminários um slogan americano, imaginando assim aproximar-se do povo, o governo vem mantendo a iniciativa das ações dando prioridade à garantia de continuidade das conquistas econômicas e sociais do povo brasileiro", diz a resolução da Executiva petista. O texto afirma, ainda, que foi "igualmente frustrada" a tentativa dos adversários de "gerar crises" no âmbito dos ministérios e na base de sustentação do governo no Congresso.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Movimento nos EUA prega transferência de dinheiro para cooperativas de crédito



Os protestos contra o sistema financeiro nos Estados Unidos não se resumem ao movimento Occupy Wall Street e seus similares. No dia 5 de novembro, o Bank Transfer Day, centenas de milhares de poupadores transferiram milhões de dólares dos grandes bancos para instituições de crédito cooperativo. Segundo a Credit Union National Association, somente no sábado pouco mais de 40 mil pessoas transferiram a cooperativas de crédito cerca de 80 milhões de dólares.

Há aqueles que continuam a quebrar as janelas dos bancos - que são protegidos por seguros - e há, por outro lado, quem invente formas de protesto inteligentes e eficazes. Como aquela que nos EUA teve seu grande dia no sábado passado.

No 5 de Novembro - data simbólica ligada ao soldado britânico do século 16, Guy Fawkes [1], inspirador do V de Vingança e ícone do movimento dos Indignados - aconteceu o Bank Transfer Day (Dia Transferência Bancária): dia em que os investidores foram convidados a fechar as suas contas correntes nos grandes bancos (Bank of America, Fells Fargo, JPMorgan Chase, etc.) e transferir seu dinheiro aos institutos de crédito cooperativos.

A iniciativa foi lançada, um mês atrás, por uma jovem californiana: Kristen Christian, 27 anos, negociante de arte em Los Angeles. Descontente com a decisão do seu banco, o Bank of America, de impor uma taxa mensal de cinco dólares sobre os cartões, lançou no Facebook um apelo para que todos transferissem suas poupanças para o crédito cooperativo.

“Juntos faremos os bancos recordarem para sempre o 5 de novembro. Nessa data, transfiram suas economias das instituições bancárias que visam o lucro para aquelas de crédito cooperativo sem fins lucrativos, enviando uma mensagem bem clara: os consumidores não sustentarão mais os bancos que adotam uma prática comercial contrária à ética. É hora de investir no crescimento das comunidades locais.” E um esclarecimento: “Sei que esta iniciativa é apoiada pelo movimento Occupy Wall Street, mas não tem nada a ver com eles”. Ao contrário, tem. E como.

As instituições de crédito cooperativo, muito difundidas nos Estados Unidos, são consideradas a face boa e social do sistema financeiro e de crédito, aquelas que estão do lado de 99 por cento da população, ao contrário dos "banksters" dos um por cento. As Credit Union americanas são de propriedade dos correntistas e democraticamente controladas por eles. Operam com absoluta transparência fornecendo crédito a juros baixos com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico das comunidades locais. Não há nenhum investimento especulativo nos mercados internacionais e em empresas multinacionais.

A imprensa local americana mostrou as longas filas em frente as lojas das Credit Union, muitas abertas excepcionalmente no sábado para a ocasião. Em diversas cidades houve também manifestações em frente aos grandes bancos, em particular em Los Angeles (foto). Segundo a Credit Union National Association (CUNA), somente no sábado pouco mais de 40 mil pessoas transferiram aos créditos cooperativos 80 milhões de dólares. Desde o início do protesto, em 1º de outubro, até 3 de novembro, 650 mil depositantes tinham movido mais de 4 bilhões e meio de dólares de grandes bancos para o crédito cooperativo.

Fonte:
http://it.peacereporter.net/articolo/31443/Usa%2C+una+protesta+intelligente+contro+le+banche

Nota
[1] Guy Fawkes (Iorque, 13 de abrilde 1570 — Londres, 31 de janeirode 1606), também conhecido como Guido Fawkes, foi um soldado inglês católico que teve participação na “Conspiração da pólvora” (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o reiprotestante Jaime I da Inglaterrae todos os membros doparlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento do Reino Unido durante a sessão.

Tradução: Rosana Pozzobon

Deu a louca na IBM ! Coitada da IBM, tão promissora …



Saiu no Valor, pag. 2:

“IBM discute no Rio como melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades”


“O Rio tornou-se exemplo a ser explorado na gestão da infra estrutura urbana para a IBM.”

“A multinacional da tecnologia da informação escolheu a cidade para realizar um fórum de discussão sobre os meios de melhorar a qualidade de vida nos grandes centros urbanos dos mais diferentes portes.”

O presidente mundial da companhia, Samuel Palmisano, abriu o encontro de 500 convidados:

“Por que no Rio ? Estamos aqui porque o Rio é um exemplo contundente de cidade inteligente”.

A IBM sera a principal responsável pelos serviços dos do Centro de Operações da Copa e das Olimpíadas.




Como se sabe, segundo a Globo e a Folha, quanto à Copa, vai faltar apito.
Quanto mais estádio ou aeroporto.
Sobre as Olimpíadas: segundo a Globo e o Estadão, elas ainda serão transferidas para a Espanha, a Grécia ou a Itália, que, como se sabe, têm mais condições que o Rio para realizá-las.
O sr Palmisano não tem lido a Urubóloga, que voltou das férias para acabar de enterrar a Itália.
Antes das férias, ela tinha – com seus gráficos certeiros – provocado a derrocada de Péricles de Atenas, na batalha do Projaconeso (infame, PH).
Vai ver que o sr Palmisano entendeu a estratégia secreta do Nunca Dantes.
Quando os tucanos de São Paulo abrirem o olho …
Não governam mais nem a USP.

Paulo Henrique Amorim

Nem e o Min. Marco Aurélio: é assim que se trata um preso ?

Algemas só para pobre, preto e ... (Foto: Felipe Dana/Associated Press)

Quando os grandes brasileiros Daniel Dantas e Naji Nahas foram algemados, foi um Deus nos acuda.

“Espetacularização !” , bradou Gilmar Dantas (*), também conhecido como Gilmar Mendes.

“Algemas, jamais !” , bradaram outros democratas.

Onde já se viu branco e rico algemado !

Isso é uma ameaça ao Estado da Direita !

Rapidamente, o Ministro Marco Aurélio Mello, do STF, baixou “Supra-Súmula Vinculante” – abaixo as algemas !

O nobre jurisconsulto Toron foi o primeiro – como sempre – a aplaudir decisão emanada do Supremo: algema nem em pobre, preto ou …

Agora, pergunta o ansioso blogueiro: Ministro Marco Aurelio de Melo, o senhor viu como trataram o Nem?

É assim que se respeitam os direitos do preso neste país governado pelo STF ?

Terá alguém a ousadia de jogar água na fervura da Globo, que só faltou colocar as algemas no Nem ?

Em tempo: não vale dizer que o Nem queria fugir. O que fazia o Cacciola em Monaco ? Cade o Dr Abdelmassih ?

Em tempo 2: no pelourinho, o tratamento seria melhor.



Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews  e da CBN se refere a Ele.
Algemas só para pobre, preto e ... (Foto: Felipe Dana/Associated Press)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

BNDES impulsiona maior presença brasileira na América Latina

Atualizado em  9 de novembro, 2011 - 19:08 (Brasília) 21:08 GMT
Empréstimos do BNDES na América Latina e Caribe cresceram 1.082% entre 2001 e 2010
Há algo em comum em vários projetos de infraestrutura da América do Sul. Projetos que vão da ampliação do metrô de Caracas à construção da uma estrada na Bolívia, passando pela criação de uma hidroelétrica no Peru. Os três têm financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Ampliando o crédito a empresas brasileiras, o banco vem permitindo uma expansão nunca vista das multinacionais do Brasil na região.
A instituição prevê que este ano seus investimentos na região cheguem a cerca de US$ 860 milhões (um novo aumento em relação ao ano prévio), boa parte deles concentrados na América do Sul.
Além disso, o papel do banco estatal também parece despertar questionamentos. Para alguns, esse papel vai muito além do aspecto comercial ou econômico.
"O BNDES é claramente um instrumento brasileiros para ganhar poder e influência na região", afirmou o especialista em América Latina Thiago de Aragão, do centro de análises Arko Advide, com sede em Brasília.

Internacionalização

Uma pergunta essencial é sobre a exata estratégia internacional do BNDES.
A questão ganhou relevância diante de polêmicas recentes em torno de alguns projetos regionais de empresas brasileiras financiadas pelo banco.
"O BNDES é claramente um instrumento brasileiros para ganhar poder e influência na região "
Thiago de Aragão, especialista em América Latina do centro de análises Arko Advice

Um deles foi a construção de uma estrada na Bolívia, executada pela empreiteira OAS. O projeto foi interrompido pelo governo de Evo Morales após uma onda de protestos de grupos indígenas, descontentes com o fato de a via passar por uma reserva ambiental.
"Não é um empréstimo direto para os países. Os empréstimos são oferecidos para as empresas brasileiras que se instalam ou têm projetos em outros países", explicou o embaixador Rubens Barbosa, que preside o conselho do comércio exterior da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo).
A superintendente de Comércio Exterior do BNDES, Luciane Machado, disse que o objetivo é "apoiar a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras na região."
Em entrevista à BBC, ela afirmou que os negócios que sustentam o banco são feitos respeitando "as soberanias locais e os processos eleitorais dos respectivos governos".
Mas ela admitiu que a maior inserção das empresas brasileiras em outros países pode dar ao Brasil "mais visibilidade e uma interlocução melhor na região".
"Agora, não estou de acordo com a ideia de que façamos essas operações para conquistar esse tipo de resultado."

Chineses

O financiamento do BNDES para exportar bens e serviços brasileiros se realiza a taxas de interesse que muitos vêm como diferenciadas, para dar competitividade às empresas brasileiras.
No entanto, a superintendente da instituição também rechaça essa afirmação, argumentando que "os interesses que cobra o banco se baseiam na taxa Libor" e são ajustados de acordo com o risco da operação.
Na Bolívia, projeto com financiamento do BNDES foi alvo de protestos por parte dos indígenas

"Em alguns casos podem chegar a 7% e em outros podem ser mais, não é uma taxa fixa."
Um argumento do BNDES é que seu apoio permite às empresas brasileiras competir em licitações com outras multinacionais que também têm respaldo de seus respectivos países.
"Se o Brasil não for capaz de financiar por meio do BNDES as exportações de bens e serviços, os chineses certamente vão fazer isso. Os espanhóis fizeram isso por muito tempo" e "os americanos tradicionalmente com o banco Ex-im", disse Machado.
O apoio do banco brasileiro costuma significar uma vantagem comparativa para as companhias nacionais frente a outras de países latinoamericanos que precisam de instrumentos similares.

'Imagem expansionista'

"É lamentável que outros países não tenham um instituto como o BNDES, que é uma importante maneira de alavancar as empresas brasileiras”, afirmou o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso em entrevista à BBC.
"Institucionalmente, o Brasil se programou melhor que os outros países para isso.'
Além disso, alguns questionam o fato de o Estado brasileiro promover empresas privadas do país no exterior.
"Se o Brasil não for capaz de financiar por meio do BNDES as exportações de bens e serviços, os chineses certamente vão fazer isso"
Luciane Machado, superintendente de Comércio Exterior do BNDES

O ex-presidente boliviano Carlos Mesa disse, em julho, que esse "casamento" privado-estatal brasileiro “é perigoso e cria uma imagem expansionista”, de acordo com uma reportagem do jornal Valor Econômico.
O BNDES foi criado em 1952 para apoiar o desenvolvimento do Brasil, mas seus financiamentos a obras de infraestrutura da região são bastante recentes.

Trampolim

O aumento desses empréstimos ocorreu principalmente durante os governos do PT, primeiro com Lula e agora com Dilma Rousseff.
O BNDES possui hoje uma carteira de US$ 17,2 milhões para o financiamento de obras de infraestrutura na América Latina.
Essa capacidade financeira tem servido como trampolim para o crescimento no exterior de empresas nacionais como a Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht.
O banco financia projetos em toda a América Latina, desde gasodutos na Argentina até portos no Pacífico. Além de apoiar empresas brasileiras em Cuba e na República Dominicana e até no continente africano.
Aragão, da Arko Advice, afirma que um requisito básico do BNDES para apoiar projetos é a viabilidade financeira dos mesmos, mas a estratégia por trás é sobre tudo geopolítica.
"O interesse número um do Brasil é se colocar como o país mais influente da região e fazer com que os vizinhos reconheçam o Brasil com um instrumento de desenvolvimento regional. E o BNDES é o instrumento perfeito para isso."

COISA NOSSA. Um país em desconstrução

 Fausto Martin De Sanctis

Qualquer atitude em direção ao fenômeno crime organizado, mais incisiva que seja por parte da magistratura de primeiro grau, e dentro dos limites institucionais, assume propriamente riscos e conotações como se fruto fosse de organismo à margem do Estado. Do Estado de Direito. Ilegalidade, arbitrariedade, saudosismo da ditadura, adoção da Lei e da Ordem, do Direito Penal do Inimigo etc. etc. etc. Inconstitucionalidade. Tratam como se estivéssemos num campo de discricionariedade da atividade judicial que não teria lugar, ainda que preventivamente.


Uma análise minimamente exauriente deve levar em consideração a emergência do fenômeno e a resposta adequada. Acredita-se ingenuamente que tal emergência em algum momento tenha refreado, mas, ao contrário, além de resistir, aumenta substancialmente e sequer se cogita de uma contenção institucional.

O que se observa, de fato, é a grave dilaceração do tecido democrático, uma dor moral (irreparável) aos valores sociais, colocando em perigo ou fulminando práticas políticas salutares e legitimando gravíssimos fatos ilícitos contra o Estado.


Deve-se ponderar que a situação, de tão sistematicamente emergente, tornou-se praxe, e por vezes, possui origem e destino no próprio Estado de “Direito”. Bravamente, por meio de seus Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), com fundamentos sempre bem definidos e convincentes, resiste a qualquer ação de combate ao crime organizado contra a Administração Pública (corrupção) ou a Ordem Econômico-Financeira (colarinho branco), quando não é negada veementemente.


O fenômeno ou a situação é agravado (a) quando, de forma fantástica e generalizada, dissemina-se a ideia de que os costumes dos homens públicos do país dificilmente seriam extirpados da vida da população já que traduziriam algo inerente à sociedade.


Ledo engano.


A reação social, ainda tímida, mas importante e inquietante, cobra uma definição mais adequada que possibilite algum respiro. O ceticismo geral diante da indiferença institucional, travestida de movimentos teatrais espetaculares, tem sido, entretanto, acompanhado de questionamentos da corrente mantenedora do grave fenômeno.

É um sopro de esperança ou um fator de sobrevivência da democracia, cujo foco único é a funcionalidade do aparato estatal. Sua utilidade.


Ao se constatar que sistemas de valores sociais como honra, família, fé e amizade transmudaram-se para vergonha, clã criminoso, heresia e cumplicidade, abraçamos um fenômeno verdadeiramente mafioso que tenta fazer do “vale tudo” da apropriação privada do bem público uma regra consagrada. Pior quando a deturpação dos reais valores caros torna-se operosa, exitosa e perene. A extorsão ou o favorecimento com a grave comunhão de apadrinhados tem sido idôneo o bastante para interferir no ânimo da sociedade que, perplexa, sente sua liberdade moral ruída e o patrimônio público fatiado. Que fazer?


A luta contra um estado tal de coisas é ao mesmo tempo repressiva (julgamentos eficazes) e preventiva (estabelecimento da cultura da licitude no seio da família, escola e comunidade), ou seja, a constituição de um pool antimáfia institucionalizado que reveja leis, nossas instituições e posturas culturais. Necessariamente que torne transparente contratos e convênios públicos, que proteja, de fato, os colaboradores, sejam réus ou testemunhas, que preveja métodos de investigação que levem à verdade e dêem um stop às intimidações e às medidas que visem criar obstáculos ao combate (reforço de penas privativas e medidas de prisão preventiva em certos casos).


O delinquente econômico tem plena ciência, hoje, que os riscos da conduta criminosa (se é que riscos existem) são menores que os efeitos de suas ações, não se recomendando, portanto, penas pecuniárias ou prestação de serviços, cuja prevenção, já assim entendida por importante doutrina internacional, mostra-se ineficaz.


Em xeque está a decência da dignidade.


Que os direitos coletivos sejam verdadeiramente reconhecidos e não suprimidos por uma valorização simplória e cômoda de direitos individuais. Aliás, os direitos do todo, nada mais significam do que um conjunto de direitos individuais coletivizados para o benefício do todo. Os direitos fundamentais clamam um postulado de intervenção que corresponda em deveres de tutela geral.


É ilusório imaginar prescindir-se da função judicial propulsora – e isso independe da imparcialidade – que faz com que o crime praticado por imitação seja obstado e não venerado. Mesmo pessoas bem educadas, em ambiente corrompido, absorvem maus hábitos.


O Superior Tribunal de Justiça, criado pela Constituição de 1988 para desafogar o Supremo Tribunal Federal, s.m.j., tem assumido função deste (paralisando sistematicamente processos judiciais com invocação de inconstitucionalidade que nem a Corte própria assim entende), quando não de Tribunal de Segunda Instância (apreciando prova que não lhe compete). Uma terceira instância que não tem refletido uma jurisprudência remansosa e pacífica. Tribunal da Cidadania, sim, mas principalmente Tribunal da Coletividade. Cabe refletir o seu papel. Devia se constituir em última instância, caso em que o Supremo Tribunal Federal se tornaria, exclusivamente, Corte Constitucional?

O Supremo, também com o respeito e acatamento devidos, tem decidido questões marcantes com grau de inovação e de compaixão únicos, reconhecendo um garantismo particular que pode tornar em salvo conduto geral o delito econômico.


Os advogados, tanto possuem função essencial, que chefiam a Polícia Federal, integram Tribunais e opinam na indicação dos que ocuparão os cargos próprios da magistratura.

Triste magistratura de primeiro grau que, para galgar qualquer cargo legítimo, terá que se valer do apoio de parte de políticos que prestigia e promove a manutenção do delicado e vitorioso fenômeno criminoso avassalador, aviltante e tomador da riqueza e da esperança brasileiras.


O povo que aceita esse fenômeno paga o preço: não prestigia a dignidade, não goza de liberdade, não desfruta de segurança. Tampouco é verdadeiramente soberano.


Fausto De Sanctis



(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews  e da CBN se refere a Ele.

Estado italiano perde o controle do país




Mercados esfolaram a Itália até o osso nesta 4ª feira, num misto de pânico e oportunismo com o vazio político criado pela demissão branca de Berlusconi, imposta pelo poder financeiro. Il Cavalieri tornou-se disfuncional para a banca credora do país que tem a 3ª maior dívida do mundo, depois do Japão e dos EUA.

E isso diz algo sobre a natureza excludente da lógica que originou a crise mundial e comanda a sua 'convalescença'. Até mesmo um neoliberal populista como o vulgar premiê, outrora adulado pela plutocracia global, passou a ter dificuldade política para implantar todo o arrocho requerido pelo BCE , o FMI e os credores.

Em troca da solvência de uma economia que precisa rolar 300 bi de euros em 2012, os ajustes cobrados de Roma incluem a elevação da idade de aposentadoria para as mulheres; cortes de gastos com a infância e a velhice; novos impostos e privatizações em massa.

O pânico decorre do fato matemático de que a dívida italiana --da ordem de 2 trilhões de euros--é quase seis vezes maior que a da Grécia, por exemplo. Significa que a Itália é irresgatável pelos mecanismos à disposição das lideranças do euro (um fundo de 400 bi de euros, cuja expansão para 1 trilhão depende da adesão chinesa...).

É isso que permite aos credores fazer gato e sapato de Berlusconi e do Estado italiano cobrando juros equivalentes aos que levaram Portugal, Grécia e Irlanda à falência. Só uma guinada histórica daria um cala-boca nos mercados.

Seria preciso o BCE abandonar a ortodoxia e intervir pesado, comprando títulos. Ou seja, assumir um papel regulador das finanças para disciplinar os ganhos e impor perdas aos rentistas com o manejo de uma dupla ferramenta: mais liquidez e menos juros. Mas isso, os 'mercados auto-reguláveis-- vocalizados por Angela Merkel-- esconjuram. É forçoso fazer justiça.

O verdadeiro nome da crise européia não é 'Berlusconi', nem 'Papandreou' ou 'Zapatero', mas, sim, supremacia das finanças desreguladas. Ou, rapto da democracia pelo dinheiro.
Postado por Saul Leblon

ÚLTIMAS DOS REPRESENTANTES DA MASSA CHEIROSA

Tucano ficha-imunda toma posse no senado com presença de Serra

Barrado pela Lei da Ficha Limpa, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) tomou posse nesta terça-feira (8) no Senado.

"A lei não deve atingir fatos do passado", disse Cunha Lima. Ao tomar posse, foi aplaudido de pé (por colegas de crime?). Ele já deve participar de votações de autoridades no plenário.
O tucano disse que não há nenhum incômodo em assumir o mandato mesmo tendo sido barrado. Ele teve a candidatura suspensa porque teve o mandato de governador cassado em 2009 por abuso de poder econômico e político e por conduta vedada a agente público. "Tenho mais do que Ficha Limpa, uma vida limpa. A cassação foi em cima de uma avaliação subjetiva."

Os tucanos José Serra e Sérgio Guerra prestigiaram a posse de Cunha Lima.

A chegada de Cunha Lima reforça a bancada da oposição e tem efeito na correlação de forças do PMDB, que perdeu a vaga que era ocupada por Wilson Santiago e alinhado com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).

Além de Cunha Lima, o Senado também deve empossar mais dois senadores barrados pela Ficha Limpa em 2010.
Leia mais em: O Esquerdopata

Alckmin não quer faxina em São Paulo

Alckmin desiste de decreto que instituiria Ficha Limpa em SP

Geraldo Alckmin desistiu de incluir, no pacote anunciado ontem para aumentar a transparência em sua gestão, decreto que instituiria a Ficha Limpa para o funcionalismo paulista. A medida, já adotada em Minas, forçaria o afastamento de José Bernardo Ortiz, aliado histórico do tucano instalado na FDE. Ele tem condenação em segunda instância.

Sujeira em baixo do tapete

Indicado informalmente à relatoria do Orçamento de 2012 pelo governo paulista, Roberto Engler (PSDB) enviou cartas aos 93 colegas pedindo a lista de emendas a serem contempladas na cota individual de R$ 2 mi. Deu errado: insatisfeita, a base de Alckmin vai escolher a deputada Maria Lúcia Amary (PSDB) para o posto.

Mais dinheiro para os tucanos

Em tempo recorde, o BID aprovou ontem financiamento de US$ 1,15 bi para o trecho norte do Rodoanel. A missão do banco avaliava o projeto desde fevereiro. O montante é o maior já destinado pela instituição para obras viárias no país.Coluna da Renata Lo Prete

A ética do PSDB de Jundiaí e do porcalista Anselmo Brombal


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FHC lança mote de campanha para o PSDB: “Yes, we care”


Nenhum candidato foi lançado, nenhum novo manifesto foi escrito, mas os tucanos presentes ao evento promovido ontem pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV) saíram de lá com a sensação de que algo novo aconteceu. Sim aconteceu! FHC pensa que mora nos EUA..

FHC sugeriu o mote da campanha para as eleições 2012 e 2014 “Yes, we care” (sim, nós cuidamos). como slogan do PSDB.

A tucanada copiou do mote de campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, "Yes, we can [sim, nós podemos]"......

O QUE QUEREM OS TUCANOS

PRIVATIZAÇÕES
O economista Gustavo Franco, ex-presidente do BC, defendeu a retomada das privatizações e a abertura da economia

MINISTÉRIOS
O ex-presidente do BC Armínio Fraga propôs o corte dos ministérios à metade. O mesmo deve ser feito com cargos de confiança

JUROS
O ex-presidente do BC Pérsio Arida propôs acabar com o crédito subsidiado do BNDES e de outros bancos públicos e aproximar a taxa de juros que eles cobram das do mercado

INVESTIMENTOS
Fraga e o economista Armando Castelar sugeriram aumentar a taxa de investimento público. Para Castelar, ela deve passar dos atuais 2,1% do PIB para algo em torno de 5%, cortando gastos correntes

EDUCAÇÃO
O sociólogo Simon Schwartzman propôs investir mais na qualificação de professores e na melhoria da qualidade de ensino no país

APOSENTADORIAS
Os tucanos sugerem a Reforma da Previdência, com revisão das pensões por morte e da aposentadoria integral do setor público, além de rediscutir a idade mínima para aposentadoria, considerada muito baixa

SAÚDE
Sugestão de André Médici, economista com atuação na área de saúde, prevê ressarcimento pelo SUS dos que usam o sistema tendo plano privado de saúde



"Nós estamos começando a falar com uma nova voz. Agora é a voz dos que querem vencer", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também falou em união do partido, e tinha ao seu redor alguns dos principais nomes do PSDB, como o senador Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador do Estado José Serra (que chegou ao evento de surpresa), o presidente do partido, Sérgio Guerra e o presidente do ITV, Tasso Jereissati.

Em vez de mineiro,Aécio Neves, foi chamado por Guerra, de "o único senador carioca do PSDB", por Aécio morar no Rio.

FHC disse que o PSDB "Tem que ser o partido do carinho e da equidade". Mas o carinho embutia um ataque ao governo petista, que o ex-presidente acusa de não ter estratégia e pecar pela gestão. A equidade também carregava uma crítica ao que FHC chamou de um coletivismo do PT que "não respeita as pessoas". "Não é só querermos mais, é querermos melhor", arrematou.

Melhor em termos de juros, inclusive. O aperto monetário, que foi severo no governo FHC, foi combatido até por aqueles que ocupavam a presidência do Banco Central naquela gestão, como Gustavo Franco e Armínio Fraga. Outro vilão apontado por todos os palestrantes foi a política industrial da administração petista. Fraga atacou a atuação de órgãos do governo em fusões e aquisições, como o Cade e o BNDES.

Tomando o cuidado de não confundir sua crítica ao ataque desferido por Fraga, já que seu banco, o BTG Pactual, apoiou com veemência a tentativa de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour defendida pelo BNDES, Arida se ateve a combater a tática de financiar setores da economia, discricionariamente, por meio de crédito subsidiado. Sua palestra surpreendeu pelo apelo político e foi encampada pelos caciques do partido que o sucederam no púlpito. Arida disse que, se BNDES e Caixa operassem com juros de mercado, a taxa básica seria menor para todos, enquanto os rendimentos da poupança e do FGTS seriam maiores.

FHC e seus Papéis

Com a elegância de sempre, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a escrever nos jornais dominicais. Por mais que o tempo passe, não perde a capacidade de expressão.
Dessa feita, seu objeto foi a corrupção. Com o título “Corrupção e Poder”, a ideia central do artigo é que a corrupção, antes “episódica”, teria se tornado “um sistema” nos governos do PT.
Instalado na época de Lula, sobreviveria no atual, ainda que Dilma “esboce uma reação” contrária. Para FHC, estaríamos “(...) diante de um sistema político que começa a ter a corrupção como esteio, mais que simplesmente diante de pessoas corruptas”.
O texto reflete a dificuldade que o ex-presidente tem de conciliar os dois papéis diferentes a que as circunstâncias o levam. De um lado, ser algo até coerente com sua biografia acadêmica: um ex-presidente que não se ocupa dos embates políticos do cotidiano e intervém na vida nacional apenas quando é necessária uma palavra de sobriedade e sabedoria. De outro, ser uma liderança partidária como as demais, envolvida na luta ideológica com os adversários.
Não é surpresa que enfrente problemas tentando ser as duas coisas, pois os papéis são, mesmo, contraditórios. É impossível querer falar em nome de todos se muitos são vistos como inimigos.
A atração que sente pelo lugar de estadista, acima do bem e do mal, é nítida na sua participação em instituições que congregam “líderes globais independentes”, como diz o material de divulgação de uma delas, os “Anciãos”. Fundada por Nelson Mandela, essa reúne dez personalidades que atuam na defesa de causas sociais e humanitárias, para “oferecer sua influência coletiva e experiência em apoio à paz mundial, contribuir para o enfrentamento das principais causas do sofrimento humano e promover os interesses comuns da humanidade”. Como se vê, nada mais distante do que é a atuação de um líder partidário.
No site da organização, FHC se apresenta como ex-presidente que “implementou importantes programas de reforma agrária, redução da pobreza e que melhoraram significativamente a saúde e a educação (no Brasil); um aclamado sociólogo e advogado global da reforma da política relativa às drogas”.
Exageros à parte, há verdade nesse resumo de sua vasta biografia. E não há nada de mal no orgulho que sente de estar junto a personagens da importância ética e moral dos Anciãos (Desmond Tutu, Kofi Annan, Jimmy Carter, entre outros).
O problema é que Fernando Henrique não consegue dizer não a seus correligionários e à vontade de ser o porta-voz das oposições, nem que seja para apenas externar suas mágoas contra Lula e o PT.
Por mais que o seduzam os grandes fóruns internacionais suprapartidários, não resiste à tentação de desempenhar papéis menores.
O conflito entre o “aclamado sociólogo” e o político é visível no artigo do último domingo. Em “Corrupção e Poder”, mal se percebe o primeiro.
Em alguns momentos, é quase constrangedor, como quando procura justificar a famosa frase do ex-ministro Roberto Cardoso Alves - “é dando que se recebe”-, desculpando-a como inócua: “referia-se a nomeações (...) que eventualmente poderiam levar à corrupção, mas em si mesmas não o eram”.
Como se Fernando Henrique, líder do governo Sarney no Congresso, ignorasse o que se passava ao seu redor e se iludisse achando que a indicação de apadrinhados para cargos no governo fosse um fim em si mesmo.
Em outros, o texto é um exercício de ficção. Sem o dizer, parece querer se referir a seus dois governos quando afirma que “antes, o desvio de recursos roçava o poder, mas não era condição para seu exercício”. E que, “agora”, “os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obter recursos que permitam sua expansão”.
Ou se esqueceu ou imagina que ninguém se lembra do que ocorreu naqueles tempos, quando diversos ministérios, alguns dos de maior orçamento, fizeram parte de acordos semelhantes aos que o PT fez quando chegou ao governo. Lula pode ser culpado de muitas coisas, mas não de ter inventado as regras desse jogo.
A corrupção é um problema antigo e relevante de nosso sistema político. Ela existe na administração federal, nos estados e nos municípios, no Legislativo e no Judiciário.
À frente do governo de oito estados e centenas de prefeituras, o PSDB lida com ela no dia a dia. Seu principal intelectual não tem o direito de pretender que ela nasceu ontem e está restrita ao governo federal.
Para o Brasil, melhor seria se FHC fosse um sábio ancião, daqueles que não se permitem ser ligeiros. O primeiro passo para enfrentar a corrupção é acabar com a brincadeira de que ela é culpa dos outros.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Contra a intriga, a verdade


Posto aí em cima um trecho da entrevista que dei ontem, à saída da reunião da bancada e da Executiva Nacional do PDT. Nada melhor do que a verdade, ainda mais quando a gente tem um blog onde tudo fica registrado, datado, e assinado. A mim, não vão me confundir os espaços fáceis na imprensa para atacar a honra alheia e também não deixo de pensar o que penso em razão de circunstâncias.
Existe uma campanha contra o Governo Dilma e contra os avanços do trabalho no Brasil. Se há ou não irregularidades em algum convênio do Ministério, deve ser investigado e punido quem o cometeu, repito, se tiver acontecido. Simples assim.
Mas daí a embarcar em campanha denuncista e a fazer “jogadas” de mídia para conquistar posições partidárias ou para promoção pessoal, vai uma distância que é do tamanho do caráter de cada um.
Agradeço aos profissionai da homepage do PDT o envio do vídeo, que ajuda mostrar qual é a verdade.



 

Coronel Teixeira devia ser algemado ao sair do Congresso

Mais uma do coronel Teixeirão e seu jagunço
Getty Images
A arrogância de Ricardo Teixeira está se tornando um insulto ao povo brasileiro. Dizer, em depoimento na Câmara, que o Congresso não deve se preocupar com a soberania nacional diante do "evento único" que é a Copa do Mundo é pra ele sair do plenário algemado.
Esse tipo de pensamento é típico de quem sempre viveu fora da lei. Não por acaso, esse senhor responde a dezenas de acusações de tráfico de influência, suborno, chantagem, corrupção e desvio de dinheiro público. É um gângster, nunca é demais repetir.
Mesmo escanteado e humilhado pela presidente Dilma, não perde a pose de senhor de engenho. Ou cangaceiro, usando uma palavra mais adequada aos seus modos.
Ao lado do secretário-geral Jérôme Valcke, outro jagunço da Fifa, o coronel Teixeirão sustenta com petulância seu discurso truculento. Estão pouco se lixando se os interesses do país vão ser aviltados apenas para garantir os lucros indecentes da "entidade máxima" do futebol mundial.
O Brasil vai torrar R$ 70 bilhões em "investimentos" para viabilizar os US$ 4 bilhões que a Fifa vai embolsar com esse "único evento". E ainda ficam, os capitães do mato, dando chibatadas nas nossas leis, governantes e torcedores.
É um verdadeiro bando tomando de assalto um país. Mereciam ser deportados a pontapés. Aí, sim, eles aprenderiam o que é soberania nacional.
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Em relação a polêmica da "meia-entrada", Jérôme Valcke sugeriu a criação 
de uma categoria especial, a categoria 4 com ingresso a preço popular
(Foto: Leonardo Prado/ Agência Câmara)
Secretário da Fifa afirma que outros países abriram brechas e autorizaram a venda de cerveja nos estádio durante os jogos. Ele pede que Brasil faça o mesmo.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (8), o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, admitiu que a Fifa "não gosta" da ideia de meia-entrada, mas disse que é um problema técnico e não financeiro. Ele admitiu que há possibilidade de ingresso "popular", sugerindo uma categoria especial que teria direito a ingressos a US$ 25 (cerca de R$ 43).
Valcke afirmou que a possibilidade foi discutida em conversa que teve com a presidente Dilma Rousseff para discutir o projeto da Lei Geral da Copa de 2014. Na ocasião, ele disse ter concordado com uma reivindicação da presidente, que era a meia-entrada para maiores de 60 anos, em respeito ao Estatuto do Idoso. Valcke afirmou que a Fifa não quer mexer em leis nacionais. Por isso, ele sugeriu a criação da categoria especial (chamada categoria 4).
A ideia é separar 10% dos ingressos a essa categoria, da qual fariam parte idosos e estudantes. O secretário-geral advertiu, entretanto, que será preciso encontrar uma forma de esses ingressos com preços mais baixos não serem comprados por cambistas nem por pessoas que possam pagar o preço normal. Já o ministro Aldo Rebelo afirmou que não há nenhum impasse que não possa ser resolvido com negociações.
Comércio de cerveja
Sobre a polêmica em abrir ou não uma brecha para venda de cerveja nos estádios durante a Copa, já que no Brasil é proibido, Valcke afirmou que até na Rússia e no Catar, países em que a venda de bebida alcoólica é rigorosamente proibida em estádios, houve uma exceção para a Fifa. “Foi considerado que a Copa é um evento particular e que excepcionalmente o álcool seria comercializado nos estádios”, afirmou.
“Temos esse acordo com nossa parceira Budweiser, de venda de álcool controlada nos estádios. A venda controlada significa, por exemplo, que a cerveja é vendida em copos de plástico e não em garrafas ou latas, que podem ser utilizadas como armas”, disse ele.
Ambulantes
Valcke disse que a Fifa não vai interferir no comércio de ambulantes nas proximidades dos estádios. Ele explicou que haverá um perímetro de segurança de aproximadamente um quilômetro em torno dos estádios, no qual as marcas dos patrocinadores da Copa serão protegidas. Entretanto, segundo ele, essa regra se aplica a empresas e não a vendedores ambulantes.