Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Folha: da arte de manipular as informações

Juntam-se informações sobre o tema: a restituição de imposto à WTorre pela Receita.
1. A Receita pagou com rapidez a devolução pleiteada.
2. A WTorres contribuiu oficialmente para a campanha de Dilma
3. A Wtorres é cliente do escritório de lobby de Antonio Palocci.
Pronto. Tem-se a matéria e a manchete.
No meio do caminho, na bateia dos repórteres cai a informação de que o pagamento se deveu a um mandado de segurança impetrado pela empresa. Ou seja, a Receita pagou porque foi obrigada pela Justiça. Toda suposição anterior é derrubada. Para não perder o escândalo, dilui-se a informação principal no meio da matéria, como se fosse um elemento menor - e não o central - e mantem-se a versão falsa. E prossegue-se na aula do antijornalismo.
Folha de S.Paulo - 26/05/2011
Governo beneficiou empresa que pagou Palocci, diz PSDB
Deputados veem irregularidade em restituição de imposto para construtora que contratou consultoria de ministro
Pedido de devolução foi feito no mesmo dia de doação à campanha de Dilma; Receita diz que não há nada de anormal
DE BRASÍLIA
A liderança do PSDB na Câmara levantou ontem a suspeita de que pagamentos feitos pela Receita Federal no ano passado à incorporadora WTorre, no valor de R$ 9,2 milhões, estejam relacionados ao trabalho prestado à empresa pelo ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
A Folha revelou, na última sexta-feira, que a WTorre foi uma das clientes da empresa do ministro, a Projeto Consultoria Financeira, que teve um faturamento de R$ 20 milhões somente em 2010.
O serviço foi prestado à WTorre entre 2006 e 2010.
Deputados tucanos convocaram entrevista para levantar indícios de que Palocci fez tráfico de influência e cobrar a abertura de investigação.
Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentou à imprensa registros públicos do Siafi (o sistema de acompanhamento de gastos da União) e da Receita.
No dia 24 de agosto, a WTorre protocolou na Receita pedido de restituição de imposto de renda relativo a 2008. Na mesma data, a incorporadora fez uma doação de R$ 1 milhão para a campanha de Dilma Rousseff (PT).
A incorporadora fez uma segunda doação a Dilma, no mesmo valor. Outros R$ 300 mil foram doados à campanha de José Serra (PSDB), adversário da petista.
A restituição da Receita à WTorre, no valor de R$ 6,25 milhões, ocorreu 44 dias depois de protocolado o pedido. Para os deputados tucanos, o prazo foi recorde.
No mesmo dia, a Receita pagou outros R$ 2,9 milhões relativos à restituição de 2007, protocolada pela WTorre no ano de 2009.
"Há indício grande e forte de tráfico de influência. Queremos ver as explicações do ministro, da Receita e da empresa", disse Fracischini.
OUTRO LADO
A Receita informou, por meio de nota que "não é inusitado" que os pedidos como os feitos pela WTorre sejam analisados "eletronicamente com celeridade". E que não houve nada de anormal nas datas de restituição.
A WTorre informou que a rapidez na restituição de 2008 ocorreu porque ela impetrou um mandado de segurança que obrigou a Receita a fazer o pagamento. A Receita confirma a informação.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), reagiu à denúncia. Disse que não existe nenhum problema de a WTorre ter Palocci como consultor e ressaltou que a empresa também fez doação ao PSDB.
O diretório nacional do PT não comentou as doações para a campanha de Dilma. A assessoria da Projeto, empresa de consultoria de Palocci, não havia respondido até a conclusão desta edição.
Rubens Valente, José Ernesto Credendio e Larissa Guimarães

“A doutrina neoliberal enjaulou a economia política”


A doutrina neoliberal enjaulou o livre pensamento da política econômica através do estudo criptografado de uma pretensa ciência exata. Por detrás da enganosa bandeira do liberalismo, se pretende incorporar no programa uma matematização derivada de abstrações que funcionam sob supostas simplificações da realidade. A academia está em dívida. Não apenas por não ter feito uma autocrítica, mas também porque avança no objetivo de formar economistas que não serão capazes de perceber as relações de poder. O artigo é de Mariano Kestelboim, economista e diretor da Fundação Pro Tejer.

(*) Publicado originalmente em português no IHU/Unisinos

Na contramão do processo de recuperação da soberania nacional, iniciado após a grande crise da conversibilidade, a proposta de reforma no currículo de estudos da carreira de Licenciatura em Economia da Universidade Nacional de La Plata representa uma anacrônica tentativa de aprofundar nichos ao anti-desenvolvimentismo.

Por detrás da enganosa bandeira do liberalismo, se pretende incorporar no programa rigorosa matematização derivada de abstrações que funcionam sob supostas simplificações da realidade. Desse modo, os propulsores da reforma buscam retirar da disciplina boa parte do conteúdo social, político e histórico e os principais instrumentos metodológicos para o desenvolvimento de pesquisas.

A estratégia para encobrir as mudanças consiste em agregar um sistema de disciplinas optativas. De um total de quinze matérias sob essa nova modalidade, os alunos devem escolher dez para cumprir o programa. No entanto, das quinze matérias propostas como não obrigatórias, treze são de conteúdos sociais, ficando apenas quatro dessas sob o regime obrigatório de um total de vinte e duas matérias. Além disso, o plano do novo curso pretende continuar orientando as habilidades dos alunos para o desenvolvimento de projetos de lucro privado de caráter individual, apesar dessa fórmula ter alimentado a decadência da economia nacional.

As políticas economicas neoliberais, caracterizadas pelas regras de mercado como orientadoras do funcionamento da sociedade se impuseram no país a partir do terrorismo de Estado em meados dos anos setenta. A estratégia foi ampla, renomearam a economia política como ciência econômica e passaram a influenciar a imprensa, a cultura e a administração pública. Essas áreas foram complementares para cumprir o objetivo de desintegrar a indústria, romper com a organização operária, despolitizar a sociedade, exacerbar o consumismo promover o individualismo, controlar os recursos nacionais e desprestigiar o papel do Estado.

O surpreendente do poder anti-desenvolvimentista foi tanto o ocultamento das relações de força como também a permanência de sua legitimidade, apesar de sua ineficacia em responder a favor dos interesses nacionais nas crises. O paradigma neoliberal não foi capaz de oferecer explicações consistentes e propostas de mudança que não agravassem a crescente depressão e desigualdade social.

Na última fase da crise sobreveio o Plano Félix que se constituíu no primeiro espaço acadêmico que sem abandonar a lógica capitalista, se tratou de um plano – publicado em dezembro de 2011 – de recuperação da economia, afastando-se da ortodoxia.

A consolidação do neoliberalismo se conseguiu, principalmente, através do êxtase diante dos centros do poder mundial, de uma academia dominante e vazia de nacionalismo. Ela desacreditou a todos aqueles que a enfrentaram. A sua lógica discriminatória foi se fortalecendo através de prêmios (bolsas, subsídios e estágios) que as universidades das nações mais desenvolvidas deram aos graduados com melhores notas dos países periférico.

As inconsistências do modelo de estudo neoliberal fracassaram também no resto do mundo. A crise internacional atual e os enormes custos sociais são uma clara amostra da incapacidade da teoria neoliberal em prevenir as crises e projetar políticas que as resolvam. De fato, hoje, até no mundo desenvolvido essas questões estão sendo colocadas. Por isso tudo, o plano de estudos proposto revela uma grande desatualização por aqueles que o propõe.

Lamentavelmente os conteúdos debatidos na universidade platense, agravarão a desumanização do estudo da disciplina. A doutrina neoliberal enjaulou o livre pensamento da política econômica através do estudo criptografado de uma prentesa ciência dura. A academia está em dívida. Não apenas por não ter feito uma autocrítica, mas também porque avança no objetivo de formar economistas que não serão capazes de perceber as relações de poder.

Se pensarmos bem, veremos que não desenvolverão condições de cumprir o seu principal dever profissional: realizar pesquisas sobre os problemas existentes e planejar políticas que permitam alterar as relações de força para gerar mudanças estruturais de promoção do desenvolvimento.

Tradução: Cepat

quarta-feira, 25 de maio de 2011

aprovado o texto-base do novo Código Florestal

A presidente Dilma Rousseff vetará qualquer artigo ou item que anistie desmatamento ou regularize de forma genérica propriedades com áreas degradadas, incluindo-se ocupações de Áreas de Proteção Permanente (APPs). A emenda 164 que transfere para Estados o poder de definir quais atividades poderão ser desenvolvidas nas APPs, sobretudo nas margens de rios e riachos, se aprovada, será também objeto de veto presidencial. Quem garante é o  líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
(Carta Maior; 4º feira 25/05/ 2011)

Estaleiro EISA trabalha 24h

Sob o controle do Sinergy Group, de German Efromovich, o Estaleiro Eisa, situado na Ilha do Governador, no Rio, revela bons resultados e excelentes perspectivas. Em 2010, o faturamento atingiu R$ 330 milhões e o lucro líquido se fixou em R$ 3,6 milhões. Na diretoria, Manuel Ribeiro Gonçalves trocou de lugar com o filho Jorge. Agora, o presidente é Jorge Roberto Coelho Gonçalves, e Manuel Ribeiro Gonçalves – que tem uma bela história na construção naval – passou a diretor. No ano passado, a empresa entregou dois navios porta-contêineres de 2.800 TEUS (contêineres de 20 pés) para a Log-In, dos cinco encomendados. O terceiro se encontra em construção e dois tiveram a construção adiada. Mas o mesmo grupo encomendou dois navios graneleiros.
O estaleiro tem encomenda de quatro navios tipo Panamax para a Transpetro e quatro navios-patrulha para a Marinha do Brasil. Quanto aos dez navios encomendados pela venezuelana PDVSA, foi lançado ao mar uma unidade e em seguida houve congelamento do contrato, em razão de “indefinições advindas da crise mundial” que afetaram o armador estatal. O estaleiro informa estar otimista quanto a uma solução. Do mesmo modo que não conseguiu participar de uma refinaria com a Petrobras, em Pernambuco, Hugo Chávez assinou contrato de dez navios e não deu continuidade à operação.
A carteira do Eisa inclui ainda quatro barcos de apoio para a Astromarítima. O estaleiro participa de licitação da Transpetro para oito navios e de 11 navios para a Marinha do Brasil, entre os quais cinco corvetas de 6 mil toneladas, cinco navios-patrulha e um navio de apoio. Graças à modernização do parque industrial, as construções no dique auxiliar serão feitas sem interferência na atividade do dique principal. O Eisa Rio conta com 3 mil empregados e opera em três turnos, ou seja, opera 24 horas por dia. E o grupo Sinergy tem planos de montar o Eisa-Alagoas no Pontal do Cururipe, onde está prevista contratação de 4 mil pessoas.
FONTE: Monitor Mercantil

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ao vivo, na Espanha, a “revolução” da Porta do Sol


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Internacional| 20/05/2011 | Copyleft
Cresce na Espanha a Revolução dos Indignados
O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu quinta-feira com panelaços que reuniram multidões em dezenas de cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram injusto. A revolta cresce a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de oportunidades para os mais jovens. A também chamada Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o FMI, a OTAN, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: PP e PSOE. O artigo é de Armando G. Tejeda, do La Jornada.
Armando G. Tejeda – La Jornada, na Carta Maior
A Junta Eleitoral Central da Espanha proibiu em todo o país qualquer manifestação desde a zero hora de sábado até às 24 horas de domingo, dia das eleições municipais, em uma clara alusão às mobilizações do movimento cidadão Democracia Real Já que, desde o último domingo, ocorrem em repúdio ao modelo político e econômico vigente e que já se espalharam em escala nacional.
Alfredo Peréz Rubalcaba, ministro do Interior, declarou que o governo só esperava o pronunciamento da junta eleitoral para decidir se ordena à polícia dispersar os manifestantes. Enquanto isso, milhares de cidadãos indignados na Porta do Sol, em Madri, na Praça da Catalunha, em Barcelona, na Praça do Pilar, em Zaragoza, e no Parasol da Encarnação, em Sevilla, entre outras, voltaram a romper o cerco policial e, uma vez mais, repudiaram a política, banqueiros e empresários.
O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu quinta-feira com panelaços que reuniram multidões em dezenas de cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram injusto. A revolta cresce a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de oportunidades para os mais jovens e acabou se estendendo para a comunidade espanhola na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e México, entre outros países.
No quinto dia de mobilizações a afluência aumentou sensivelmente, sobretudo em Madri e Barcelona, onde dezenas de milhares entoaram palavras de ordem durante horas. Uma delas advertia: se vocês não nos deixam sonhar, nós não os deixaremos dormir.
Os manifestantes desenvolveram métodos de organização através de comissões por setores – saúde, alimentação, meios de comunicação, etc. -, que decidem cada atividade. Nas assembleias gerais decide-se a estratégia e busca-se uma mensagem política unificada que mostrem as principais razões de descontentamento e protesto. Na quinta-feira, por exemplo, decidiu-se manter a mobilização até o próximo domingo, quando ocorrem as eleições locais, e, o mais importante, confirmar a convocatória para a manifestação deste sábado.
Mais tarde, a Junta Eleitoral Central declarou ilegais as concentrações, ao considerar que elas não se ajustam à lei eleitoral e excedem o direito de manifestação garantido constitucionalmente. De fato, desde o início da semana, todas as mobilizações, concentrações e marchas da “revolução espanhola” foram declaradas ilegais pela Junta Eleitoral de Madri. Em resposta, o número de indignados se multiplicou.
Depois de conhecer a decisão da Junta Eleitoral Central, o movimento cidadão decidiu simplesmente manter o acampamento, ao mesmo tempo em que ecoou um grito unânime: não nos tirarão daqui, vamos ganhar esta revolução. Em seguida, foi lido o manifesto original do movimento em uma dezena de idiomas. O texto aponta a classe política e os meios de comunicação eletrônicos como os grandes aliados dos agentes financeiros, os causadores e grandes beneficiários da crise. Advertem que é preciso um discurso político capaz de reconstruir o tecido social, sistematicamente enfraquecido por anos de mentiras e corrupção. “Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos majoritários, mas isso não equivale a perder nosso sentido crítico. Não tememos a política. Tomar a palavra é política. Buscar alternativas de participação cidadã é política”.
A também chamada Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o Fundo Monetário Internacional, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: o direitista Partido Popular (PP) e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda.
A reação da direita
Desde a esquerda, há tentativas de aproximação aos indignados. O líder do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que é preciso escutar e ter sensibilidade porque há razões para a expressão desse descontentamento e dessa crítica. O líder da Esquerda Unida, Cayo Lara, defendeu o fim da submissão e do bipartidarismo, propiciado pela atual lei eleitoral.
Mas o setor duro da direita política e midiática reclamou com insistência a atuação policial para acabar com todas as mobilizações, sobretudo na Porta do Sul, e pediu inclusive ao Ministério do Interior para que adotasse meios violentos para assegurar esse fim. Uma das imagens do dia (quinta-feira) foi a do ex-ministro da Defesa durante o governo de José María Aznar, Federico Trillo, insultando com o dedo um grupo de cidadãos da revolução dos indignados.
As desqualificações mais fortes vieram, porém, dos meios de comunicação conservadores e da televisão pública de Madri, que acusaram o movimento de ser comunista, socialista, antissistema e de ter relação com o ETA. Um dos ideólogos da direita, César Vidal, foi mais além e depois de chamar, depreciativamente os manifestantes de “perroflautas” (tribo urbana também conhecida como ‘pés pretos’, formada por punks, anarquistas, hippies e ‘gente desocupada’), assegurou que estes jovens mantém contato regular com o Batasuna-ETA e que receberam cursos de guerrilha urbana, da Segi (organização de juventude da esquerda basca).
O movimento cidadão tem seu próprio canal de televisão, que transmite sem cessar as imagens da Porta do Sul (www.solttv.tv).
Tradução: Katarina Peixoto

Beto Vasques: O Cairo, agora, é aqui, em Madrid! , OLé !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

do leitor Beto Vasques
O Cairo, agora, é aqui, em Madrid! Caetano, em seu momento, nos alertou que o Haiti é aqui. Estava evidenciado que nosso passivo e cordial convívio com injustiça social e a miséria nos fazia campeões da falta de vergonha na cara e de exploração do próprio povo. Não satisfeitos sujeitamo-nos, anos depois, a legitimar o golpe de estado impetrado contra o governo democrático de Bertrand Aristide, fazendo valer os mais sórdidos interesses geopolíticos e econômicos do império e disponibilizando nossas forças armadas para coordenar a intervenção (ou seria invasão?) em terras haitianas.
Talvez tenhamos sido movidos pela raiva de um Haiti que, mesmo castigado pela trágica trajetória colonial, pelo neocolonialismo ianqui (que faz da ilha uma colônia de férias caribeña para suas elites e, simultaneamente, enclave militar de seus mais nefastos interesses imperiais, pela inaceitável ocupação de seu território por forças da ONU) e pelos dramáticos impactos do terremoto, foi incapaz de nos superar tanto na má distribuição de renda, como no número de total de indivíduos miseráveis. Mas essa é outra história…
O fato é que, se Caetano estivesse agora por Madrid, possivelmente nos diria algo como: O Cairo é aqui! Madrid está tomada! Não pela ocupação de nenhuma “força de paz internacional”, mas por seu próprio povo, indignado. Curiosa a história que faz com que essa Espanha, outrora terra de sultões “expulsos” pela “reconquista”, uma vez mais se aproxime do oriente próximo.
Estariam os ventos soprados pelas revoltas populares por democracia no mundo árabe chegado à península ibérica? Estaria a Espanha “de los Borbones” mais próxima que nunca de seus irmãos mulçumanos, seja pela evidência de seus sistemas políticos falidos, ornados por reis e ditadores de toda sorte, seja pela indignação de seus povos às suas elites políticas?
O que está claro, no entanto, é o basta que vem das ruas. Milhares de madrileños, desde o “15-M” (em referência ao domingo 15 de março), resolveram que havia que se dar um “basta ya”!. Por certo que: “Yo no soy anti-sitema, el sistema es anti-yo”, “Esa crisis no la pagamos”, “Lo llaman democracia y no lo es”, “Sin casa, sin trabajo, sin miedo”, “El PSOE y el PP, la misma mierda es” (PSOE e PP, os dois principais partidos de um sistema desenhado a medida para que não haja espaço para outras expressões políticas) são algumas das consignas principais que se evocam desde a “Puerta del Sol”, marco zero da cidade.
Evidencia-se um claro rechaço da cidadania à forma como o governo (PSOE) e a oposição (PP) pactuaram para que ela pagasse a conta de uma crise financeira internacional. O grito entoado pelos acampados há 5 dias na Puerta del Sol de “esa crisis no la pagamos” traduz a revolta popular baseada na compreensão de que essa “dívida” não é sua e, portanto, não querem e não vão pagá-la.
Está claro para os cidadãos e cidadãs acampadas há dias no Sol que a crise é obra do pacto vil no qual a bancarrota de bancos e empresas desregulados é paga pelo resgate de um governo que, posteriormente, se permite ser acusado pelos próprios bancos, agora intitulados “mercado”, como o verdadeiro responsável pela crise. Assume assim, o governo, sua “gigantesca incapacidade de gerenciar o déficit fiscal gerado por sua irresponsável gastança” e, como cereja do bolo, se permite passar a conta ao povo.
Lembrando Garrincha, parece que dessa vez se esqueceram de combinar o jogo com os russos, ou melhor, até que tentaram tal artimanha através de seus sócios na velha mídia, mas dessa vez parece que a blogosfera e as redes sociais também funcionaram pra valer por aqui. Assim, o amargo cardápio que conta com a diminuição dos salários dos funcionários públicos, com a ampliação de prazos para obter a aposentadoria, flexibilização das leis trabalhistas ao gosto do empresariado, etc gerou uma indigestão social que parece, agora, regurgitar sobre o próprio sistema político.: “Lo llaman democracia y no lo es”, “Que no, que no…que no, nos representan” e “PSOE y PP, la misma mierda es” explicitam a pane de um sistema político decadente.
Fica evidente a crise de representação que pode, inclusive, possibilitar a impugnação democrática das elites políticas que só se preocupam em prestar contas aos poderes econômicos privados e não aos cidadãos e cidadãs. Os partidos deslegitimados, os sindicatos em descrédito (cabe destacar posição a pelega e submissa que Comisiones Obreras e UGT , as duas maiores centrais sindicais espanholas, tiveram nesse processo, pactuando com os “ajustes” no marco laboral), e a monarquia patética e perigosa, herdada do franquismo, são vistos como fiadores dessa bazofia. O basta está dado: “Que se vayan todos!”, resume a voz popular, nos remetendo aos aprendizados do panelaço argentino…
O Cairo, agora, é aqui, em Madrid! Dessa vez não há partidos nem sindicatos organizando e instrumentalizando a manifestação. Não são bem-vindos. Dessa vez, a convocatória é do povo saturado de tamanha canalhice de suas elites. As redes sociais são seus megafones. Um esforço parcial para entender a mobilização leva alguns analistas a apontar a existência de três principais coletivos espontâneos por de trás da indignação geral: i) os desempregados (aqui chamados “parados”, que já se aproximam dos 5 milhões de trabalhadores, algo como 22% da PEA); ii) a juventude precária, que assim que se da conta que a precariedade não é condição momentânea vinculada a sua condição de jovem, mas sim de uma questão estrutural que lhes acompanhará por toda vida (entre os jovens o desemprego ultrapassa ao assombroso índice de 40%.); iii) e as famílias despejadas de seus imóveis, arrastadas a pelo tsunami imobiliário e pela sanha da banca.
Sua articulação se dá a partir da plataforma Democracia Real Ya (http://www.democraciarealya.es/) e, na agenda, a reforma eleitoral como principal reivindicação. Trata-se de uma estratégia pela qual a reforma não seria mais que a ponta de lança dos desejos de câmbios mais profundos no sistema político, uma porta de entrada a um processo que se imagina que possa ir ganhando musculatura “sobre la marcha”. “Sabemos por onde queremos começar (pela reforma eleitoral), não até onde podemos ir” comentam os mais otimistas.
Os acampados pretendem permanecer ocupando a Puerta del Sol até domingo, 22 de maio, quando se celebram as eleições estaduais e municipais. Os poderes instituídos aturdidos fazem de sua torpes o combustível dos indignados. Assim foi com o violento despejo dos acampados na madrugada de segunda para terça-feira, no qual não contavam com os celulares 3G que em real time expunham na rede a violência policial contra os cidadãos. Na quarta foi a vez da Junta Eleitoral atear mais fogo, proibindo que as pessoas se manifestassem. Era o fermento que faltava para que a cada noite mais e mais gente acuda à Praça do Sol.
Nesta quinta-feira à tarde a incansável Junta Eleitoral em decisão renhida decidida por apenas 1 voto, resolveu ilegalizar novamente aos indignados. Diz que a partir de sábado, véspera das eleições, não poderá haver manifestações que inibam o direito a terceiros de votar. O governo diz que terá que utilizar a inteligência (o seria violência?) para fazer cumprir a ordem legal. A oposição de direita (PP – Partido Popular) em claro gesto de medo e desespero manifesta seu apoio à decisão ressaltando que “há de se preservar o direito dos cidadãos”. A eles a pergunta: e os que estão na Praça do Sol, não são cidadãos?
No momento, outras cidades espanholas já começam a realizar convocatórias semelhantes. Os possíveis desdobramentos ainda são imprevisíveis. O exemplo dos indignados vizinhos Islândia e Grécia também inspira os madrileños. À semelhança do mundo árabe, as elites apostam que o cansaço leve a desmobilização popular e que os indignados voltem a suas casas. O povo, por sua vez, se rebela e espera fazer com que o rei e os governantes que sejam “os que se vão”. A diferença fica por conta dos bairros, que não ardem em chamas enquanto a multidão toma a praça. É a velha Europa do respeito à integridade física se acercando às revoltas do século XXI. Mas a sensação permanece: o Cairo, agora, é aqui, em Madrid!

Por ser do PT, Palocci teria que dar consultoria de graça para empresários? Ou ser mal remunerado?

O Brasil é um país capitalista ainda e está longe de ser um país socialista. Se Palocci decidiu atuar para a iniciativa privada, não é nenhum absurdo que consiga também ter sucesso na empreitada. Foi bem mais difícil um médico sanitarista conseguir ser Ministro da Fazenda do Brasil, e mais difícil ainda ser bem aceito e se sair bem no cargo, a ponto de ser derrubado por adversário, não por fracassos no cargo, mas por seus méritos, para não nascer um novo líder forte no estado de São Paulo, o quartel general dos tucanos.

Quando todos os consultores da elite, "PhD's" de Harvard, de Oxford, da Sorbonne, apostavam que o primeiro governo Lula seria um fracasso (como De La Rua, na Argentina), Palocci estudou, se orientou e decidiu, junto ao então presidente Lula, rumos que deram bons resultados na economia.

Se Palocci resolveu ganhar dinheiro na iniciativa privada, quando estava no limbo político, o valor dele no mercado sempre teria que ser baixo? Ele não pode ser bem pago, porque foi ministro do governo Lula? Será que ser Ministro da Fazenda naquele primeiro governo Lula, quando recebeu o Brasil quebrado, e contribuiu para entregar saneado e com um novo rumo para a população mais pobre, não é uma experiência mais importante do que muitos executivos que dirigiram empresas? Quantos executivos conseguiram conquistar mercado para seus produtos, como o governo Lula conseguiu, ao incluir milhões de brasileiros com acesso ao mercado de consumo?

Palocci tem visão e conhecimento dos rumos do mercado interno e da economia brasileira, que muitos economistas e administradores da elite brasileira não tem. Por mais que tenham estudos especializados, seus conhecimentos são baseados no pensamento do século passado ou vindos do estrangeiro, voltados para 30% da população brasileira que tinha poder de compra. Estão tendo que se reciclarem diante da nova realidade. E gente como Palocci já sabe na prática e no planejamento, o que a antiga elite está tendo que aprender com a observação e estudo do que se passou e está se passando no Brasil.

Se uma empresa quer investir voltada para a classe emergente que subiu socialmente no governo Lula, é natural que procure a opinião de alguém como Palocci, para ajudar a fazer cenários futuros e avaliar perspectivas do tamanho do mercado interno nos próximos anos. Palocci tem conhecimento neste tipo de assunto. E consultoria deste tipo, para ajudar na tomada de decisão não tem nada de ilegal.

Só haveria ilegalidade se houvesse informação sigilosa privilegiada ou tráfico de influência. Mas então, é preciso fundamentar uma denúncia consistente, antes de sair acusando por aí. Porque isso, em tese, se for para fazer ilação, qualquer um poderia estar fazendo neste exato momento: Alckmin, Serra, Aécio, Anastasia, Beto Richa, Marconi Perillo, Gilmar Mendes, FHC, etc.

Só por ter feito sua carreira política toda no PT, não há razão para depreciar o valor do conhecimento adquirido por Palocci sobre a visão e perspectivas da economia brasileira, útil na tomada de decisão de empresários.

Oscar Niemeyer sempre foi ideologicamente comunista, mas sempre cobrou caro de empresários que quiseram seus projetos arquitetônicos. Por que ele deveria trabalhar barato para milionários? O mesmo vale para Palocci. Não tem sentido dar consultoria de graça para orientar empresários milionários no rumo dos negócios, e não tem sentido depreciar o valor do trabalho para quem possa pagar o que vale.

A menos que haja provas ou pelo menos algum fundamento robusto, acusem Palocci de ter deixado de ser trotskista e ter aderido à vida capitalista. Para muitos militantes esquerdistas esse é um "crime" maior do qualquer coisa. Porém é questão política. É disputa de esquerda x direita, e assim deve ser tratada.

Não faz sentido a esquerda entrar no jogo da oposição (incluindo a imprensa demo-tucana), de que petista não pode ganhar dinheiro de acordo com as regras legítimas do mundo dos negócios, senão é automaticamente culpado e taxado de corrupto.

É estupidez petistas abaixarem a cabeça para a imprensa corrupta, e se deixarem depreciar nas atividades privadas, desde que sejam honestas. Hoje atacam Palocci. Amanhã atacarão Lula pelo dinheiro que ganha honestamente em suas palestras. Qualquer um que tiver algum sucesso nos negócios privados lícitos e dentro da ética vigente poderá ser a próxima vítima, se for filiado ao PT, PCdoB, PDT, PSB ou outra legenda governista e de esquerda.

É óbvio que um PT só de gente com o perfil de Palocci o descaracterizaria como partido dos trabalhadores. Mas com um só Palocci não compromete a natureza do partido, e contribui para os pactos trabalhistas, onde se faz necessário conciliar o capital e o trabalho. Se o PT não tiver um Palocci dentro do governo, terá que ceder espaço para alguém com esse perfil, de outro partido de centro ou de direita.

Por fim, quem responde pela vida privada de Palocci é ele mesmo. Não deveria caber ficarmos defendendo politicamente assuntos que deveriam ter uma dimensão muito menor que está tendo. Mas cabe menos ainda a oposição ficar atacando sem um motivo real. Significa que o motivo real é outro: desgastar o governo, e fabricar crises políticas para atrapalhar Dilma trabalhar, e enfraquecer o partido de Dilma e de Lula. E aí que a discussão se torna política.

Se a oposição quiser atacar, que faça o dever de casa, e procure algum ilícito de verdade, em vez de ficar especulando para ver se dali sai alguma coisa.

Leia também no blog "Os amigos do Brasil":

- "Por enquanto, o máximo que se pode acusar Palocci é de praticar o capitalismo"

- Protógenes defende Palocci e sugere convocação de FHC e Serra para explicar ligações PSDB-Opportunity

NUNCA SERÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Vocês tampouco conseguirão sabotar Dilma


Sei que vocês estão lendo o que escrevo. Então, só para começar, quero avisá-los de que, se acham que conseguirão fazer com Dilma o que não conseguiram fazer com Lula, estão muito enganados. E, se acham que encontraram resistência antes, esperem só para ver agora.
Nesse caso do Palocci, vocês acham que, como ele é alvo de antipatia da esquerda por suas boas relações com o mercado, parte dos que apoiaram a eleição de Dilma poderão ser manipulados indefinidamente, como estão sendo no caso do principal ministro dela.
Quanto tempo acham que vai demorar para ficar absolutamente claro que os alvos não são Palocci ou Dilma, mas o governo? Vocês tentam sabotar o governo para que não consiga continuar melhorando o país, o que é a única chance de vocês voltarem ao poder.
Quanto tempo mais será necessário para que todos percebam que cada vez mais ministros estão virando vossos alvos? Ana de Hollanda (que fez um monte de bobagens), Nelson Jobim, Fernando Haddad, Antonio Pallocci… Todos vão entrando na roda, em maior ou menor grau.
O caso de Palocci é mais sério. Apesar de suas questionáveis posições políticas e ideológicas (por ser do PT), está inserido no projeto de Dilma, que apoiei na eleição. E, neste momento delicado da economia, com a guerra cambial internacional açulando a inflação, ele é primordial.
Vocês não estão gastando toda essa artilharia contra Palocci à toa. Sabem muito bem que a queda do principal ministro do governo, neste momento, poucos meses após a posse, seria um desastre para o governo e para o país. Continuam apostando no caos.
Sim, Dilma e o governo ainda hesitam em partir para a briga. Mas se acham que é medo, lembrem-se de que Lula também hesitou. Uma hora ela vai se cansar de ser sabotada e vai reagir tanto quanto o antecessor.
E não se animem se conseguirem derrubar Palocci. Vocês derrubaram o José Dirceu e acharam que tinham dado um golpe mortal no PT, mas, ao fim, ferraram-se.
Eu, particularmente, bancaria essa briga já. Mostraria, por A mais B, que Palocci enriqueceu como enriquecem todos os que ocupam o cargo que ocupou porque o sistema permite isso, legalmente. Não há nada de errado. Palocci fez nada mais do que aproveitar a boca.
Vocês sabem que eu gostaria de ser crítico em relação ao governo. Sabem que nunca ganhei nada do governo, que nada ganho e que luto muito pra sobreviver. Já me investigaram, que eu sei. Vocês não entendem minhas razões? É porque se pautam por vocês mesmos…
Vou infernizá-los, meus caros. Podem ter certeza disso. E não tenho medo de vocês. Farei quantas manifestações forem necessárias, farei quantas representações forem necessárias, escreverei tantos textos quantos forem necessários…
Sabem por que? Só vejo uma forma de melhorar minha vida. Há alguns meses, durante um almoço com amigos e um parlamentar, ele me perguntou se poderia ajudar em alguma coisa no caso de minha filha doente. Eu lhe disse: faça por todos que ela se beneficiará também.
Julgam-me ingênuo? Vocês é que são. O país está melhorando à revelia de vocês. E este governo, como o anterior, trava uma guerra contra o preconceito. São preconceitos étnicos, de orientação sexual e regional, no mínimo. Preconceitos que vocês criaram.
Vocês não conseguiram nem quando tinham base de apoio muito maior no Congresso. Agora, golpistas, a situação é muito mais adversa e seus métodos não variam. Serão surrados pela sociedade, que continuará apoiando Dilma se ela continuar melhorando a sua vida.
Aliás, tomem cuidado porque a armação contra Palocci pode se voltar contra vocês. Estou sabendo que se levarem muito adiante essa safadeza, vossos amiguinhos da área econômica do governo FHC vão ter que entrar na roda. E vocês sabem o que isso significa.

JUVENTUDE ESPANHOLA DIZ BASTA.

O longo recuo da esquerda européia culminou nesta crise  com a adoção de um plataforma indistinguível do ferramental ortodoxo feito de privatizações,arrocho fiscal,  expropriação de direitos e redução de salários. A tal ponto se dissolveram as fronteias que não por acaso o candidato do socialismo francês para enfrentar Sarkozy em 2012 seria o próprio diretor-geral do FMI, Strauss-Khan, não fosse pelo tropeço do 'socialista' em um quarto de hotel nos EUA. A direita dá as cartas e se mostra mais competente  quando o assunto é impor sacrifícios e eleger inimigos da 'Nação' --à falta de comunistas,  os imigrantes, por exemplo.  Indignada com trajetória semelhante  percorrida pelo governo Zapatero, a juventude da Espanha cansou de esperar pela renovação dos partidos e foi buscar outras fontes de inspiração, adotanto  estratégia equivalente a dos jovens do mundo  árabe  para ocupar praças e ruas de vários pontos do país nestes dias de eleições regionais. O movimento recusa a tese da 'solução única' abraçada pela esquerda,  para superar uma crise cuja origem remete justamente aos paradigmas do pensamento único neoliberal.  Governos progressistas com plataformas conservadoras tem sido a norma urbi e orbi. Diz-se na França que a diferença entre um governo socialista e um neoliberal é que os socialista fazem a mesma coisa com dor no coração. A Espanha parece sugerir que o matrimônio da hipocrisia com o arrocho  já não conta mais com a cumplicidade e a paciência da juventude(Leia matéria nesta pág. , bem como a coluna de Paulo Kliass, ao lado).
(Carta Maior; 6º feira, 20/05/ 2011)

Cresce na Espanha a Revolução dos Indignados

O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu quinta-feira com panelaços que reuniram multidões em dezenas de cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram injusto. A revolta cresce a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de oportunidades para os mais jovens. A também chamada Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o FMI, a OTAN, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: PP e PSOE. O artigo é de Armando G. Tejeda, do La Jornada.

Acompanhe a Revolução dos Indignados, ao vivo, direto de Madri, pela Soltv

A Junta Eleitoral Central da Espanha proibiu em todo o país qualquer manifestação desde a zero hora de sábado até às 24 horas de domingo, dia das eleições municipais, em uma clara alusão às mobilizações do movimento cidadão Democracia Real Já que, desde o último domingo, ocorrem em repúdio ao modelo político e econômico vigente e que já se espalharam em escala nacional.

Alfredo Peréz Rubalcaba, ministro do Interior, declarou que o governo só esperava o pronunciamento da junta eleitoral para decidir se ordena à polícia dispersar os manifestantes. Enquanto isso, milhares de cidadãos indignados na Porta do Sol, em Madri, na Praça da Catalunha, em Barcelona, na Praça do Pilar, em Zaragoza, e no Parasol da Encarnação, em Sevilla, entre outras, voltaram a romper o cerco policial e, uma vez mais, repudiaram a política, banqueiros e empresários.

O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu quinta-feira com panelaços que reuniram multidões em dezenas de cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram injusto. A revolta cresce a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de oportunidades para os mais jovens e acabou se estendendo para a comunidade espanhola na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e México, entre outros países.

No quinto dia de mobilizações a afluência aumentou sensivelmente, sobretudo em Madri e Barcelona, onde dezenas de milhares entoaram palavras de ordem durante horas. Uma delas advertia: se vocês não nos deixam sonhar, nós não os deixaremos dormir.

Os manifestantes desenvolveram métodos de organização através de comissões por setores – saúde, alimentação, meios de comunicação, etc. -, que decidem cada atividade. Nas assembleias gerais decide-se a estratégia e busca-se uma mensagem política unificada que mostrem as principais razões de descontentamento e protesto. Na quinta-feira, por exemplo, decidiu-se manter a mobilização até o próximo domingo, quando ocorrem as eleições locais, e, o mais importante, confirmar a convocatória para a manifestação deste sábado.

Mais tarde, a Junta Eleitoral Central declarou ilegais as concentrações, ao considerar que elas não se ajustam à lei eleitoral e excedem o direito de manifestação garantido constitucionalmente. De fato, desde o início da semana, todas as mobilizações, concentrações e marchas da “revolução espanhola” foram declaradas ilegais pela Junta Eleitoral de Madri. Em resposta, o número de indignados se multiplicou.

Depois de conhecer a decisão da Junta Eleitoral Central, o movimento cidadão decidiu simplesmente manter o acampamento, ao mesmo tempo em que ecoou um grito unânime: não nos tirarão daqui, vamos ganhar esta revolução. Em seguida, foi lido o manifesto original do movimento em uma dezena de idiomas. O texto aponta a classe política e os meios de comunicação eletrônicos como os grandes aliados dos agentes financeiros, os causadores e grandes beneficiários da crise. Advertem que é preciso um discurso político capaz de reconstruir o tecido social, sistematicamente enfraquecido por anos de mentiras e corrupção. “Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos majoritários, mas isso não equivale a perder nosso sentido crítico. Não tememos a política. Tomar a palavra é política. Buscar alternativas de participação cidadã é política”.

A também chamada Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o Fundo Monetário Internacional, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: o direitista Partido Popular (PP) e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda.

A reação da direita
Desde a esquerda, há tentativas de aproximação aos indignados. O líder do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que é preciso escutar e ter sensibilidade porque há razões para a expressão desse descontentamento e dessa crítica. O líder da Esquerda Unida, Cayo Lara, defendeu o fim da submissão e do bipartidarismo, propiciado pela atual lei eleitoral.

Mas o setor duro da direita política e midiática reclamou com insistência a atuação policial para acabar com todas as mobilizações, sobretudo na Porta do Sul, e pediu inclusive ao Ministério do Interior para que adotasse meios violentos para assegurar esse fim. Uma das imagens do dia (quinta-feira) foi a do ex-ministro da Defesa durante o governo de José María Aznar, Federico Trillo, insultando com o dedo um grupo de cidadãos da revolução dos indignados.

As desqualificações mais fortes vieram, porém, dos meios de comunicação conservadores e da televisão pública de Madri, que acusaram o movimento de ser comunista, socialista, antissistema e de ter relação com o ETA. Um dos ideólogos da direita, César Vidal, foi mais além e depois de chamar, depreciativamente os manifestantes de “perroflautas” (tribo urbana também conhecida como ‘pés pretos’, formada por punks, anarquistas, hippies e ‘gente desocupada’), assegurou que estes jovens mantém contato regular com o Batasuna-ETA e que receberam cursos de guerrilha urbana, da Segi (organização de juventude da esquerda basca).

O movimento cidadão tem seu próprio canal de televisão, que transmite sem cessar as imagens da Porta do Sul (http://www.soltv.tv/soltv2/index.html).

Tradução: Katarina Peixoto

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Discussão sobre livro didático só revela ignorância da grande imprensa (ou má fé)

Polêmica ou ignorância? 
Discussão sobre livro didático só revela ignorância da grande imprensa
Marcos Bagno
Universidade de Brasília

Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantados para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao undamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa nãosignifica automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los aomundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assiti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em quea defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?
 

A guerra suja no mercado de livros didáticos

Do Luis Nassif Online
Por Weden

Em maio de 1933, foram queimadas, pelos nazistas, milhares de obras consideradas impróprias à "verdadeira" cultura alemã. Em maio de 2011, assistimos no Brasil a algo parecido em nome da "verdadeira" Língua Portuguesa.

Se, em maio dos anos 30, participaram da queima, estudantes, políticos, autoridades e partidários do Nazismo, muitos sem saber o que estavam defendendo, neste maio de 2011, participam da queima do livro Por uma vida melhor, jornalistas, políticos, membros da Academia Brasileira de Letras e alguns intelectuais oportunistas.

O que estamos vendo hoje não é apenas uma polêmica, que, ademais, poderia ser sadia. O que testemunhamos neste momento é a execração pública de autores que seguiram, estritamente, concepções linguísticas as mais contemporâneas, parâmetros curriculares, frutos de longas discussões e pesquisas sérias, e o bom senso de condenar toda sorte de preconceito de linguagem.

O método lembra, em muito, aqueles tristes tempos: a verdade vem sendo imposta por repetição.

Observem o que diz o Globo nesta última segunda-feira, numa tentativa clara de forçar o MEC a recolher os livros:

O Ministério da Educação informou que não se envolverá na polêmica sobre o livro com erros gramaticais distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático, do próprio MEC, a 485 mil estudantes jovens e adultos. O livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloísa Ramos, defende uma suposta supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo a troca dos conceitos “certo e errado” por “adequado ou inadequado”.

Há na chamada pelo menos três erros grosseiros: o livro não defende supremacia alguma da modalidade oral sobre a escrita, visto que nenhum linguista defende supremacia, no que se refere às modalidades da língua; o livro não contém erros gramaticais (o que vem sendo repetido à exaustão), apenas cita frases com "erros"; os autores não "admitem" a troca dos conceitos de "certo e errado" por "adequado ou inadequado" (como se tivessem inovando neste aspecto). Eles simplesmente atendem a uma recomendação dos Parâmetros Curriculares Nacionais para a Língua Portuguesa, e a uma convicção dos estudos linguísticos atuais.

Portanto, só na chamada da primeira página do Globo há três equívocos gravíssimos de apuração - que, neste caso, seriam corrigidos com uma simples leitura mais atenta da obra e de documentos e teorias que a respaldam.

É no número de alunos atendidos (485 mil) que poderemos encontrar explicações para a dimensão que tomou a cruzada de alguns veículos contra o livro em questão. O livro da Global Editora ocupa um espaço precioso dentro de um nicho milionário do mercado editorial: o de livros didáticos distribuídos pelo MEC.

PNLD e oportunismo

Este foi o primeiro ano em que o Ministério também distribuiu livros em atendimento a programas de Educação de Jovens e Adultos. Trata-se, portanto, de um nicho a ser ocupado. Tanto que os livros recomendados ainda pertencem em boa parte ao catálogo de pequenas editoras: Escala, IMEPH, Aymará, Fapi, Base, Módulo, além da própria Global.

Vender para o Governo Federal pode implicar em ter que aceitar preços abaixo do mercado, mas o ganho é farto quando considerada a enorme quantidade de exemplares adquiridos pelo Plano Nacional do Livro Didático. Para 2011, por exemplo, o MEC comprou 135 milhões de exemplares, com investimentos na ordem de R$ 880 milhões.

Não se informa, na imprensa, em nenhum momento, por exemplo, que o livro passou por uma comissão de respeitáveis pesquisadores em linguística e língua portuguesa. E que eles destacaram como um ponto relevante na obra que "o aluno é chamado a refletir (...) sobre o respeito às variedades linguísticas não prestigiadas, o que promove um olhar sobre essa diversidade, tomando a variação como elemento identitário das línguas".

Ou seja: o que a imprensa vem condenando foi visto como ponto destacável na obra pelos avaliadores.

Além disso, a cruzada de alguns veículos da grande imprensa, repercutida de forma desatenta por veículos menores, tem deixado de fora os próprios linguistas. Sem contraditório, trata-se de uma campanha monofônica, com fins claros de destruir a obra publicada pela editora Global e cuja responsabilidade pedagógica é da ONG Ação Educativa.

Junte-se ainda ao preconceito, à ignorância linguística e à negligência profissional, o oportunismo leviano de professores e intelectuais que, sem lerem o livro, emitem julgamentos de valor que passam ao largo de uma apreciação atenta do texto. Como no caso de um ilustríssimo gramático que, aproveitando o linchamento público, não perdeu a chance de promover indiretamente sua própria obra, que se enquadra na tradição normativa.

O político que, de forma populista, chama o ministro às falas, e o membro da empoeirada Academia que sequer tem base teórica para fundamentar sua opinião, podem não ter sido mobilizados pelos mesmos motivos, mas, claramente, inconscientemente ou não, colaboraram, com os demais, para um dos lados na disputa sangrenta pelo mercado de didáticos.

História repetida

No caso do livro de história de Mario Schmidt, aconteceu o mesmo. Pouco havia no seu texto, com exceção de alguma diferença de estilo, que não se encontrasse também no material didático das grandes editoras, que acabaram arrematando o espaço deixado pela Nova Geração.

O que pode estar por trás desta celeuma, além do preconceito e da falta de informação já evocada em outro texto nosso, é uma guerra suja, com vistas a abrir novos espaços no setor de didáticos para o ensino da Língua Portuguesa.

Como da outra vez, a vítima é uma editora pequena, se comparada às gigantes do setor. E estas gigantes ou pertencem a grupos midiáticos ou creditam anúncios suntuosos, que fazem da redação do veículo a extensão do departamento comercial.

A ironia é que, qualquer que seja a editora, grande ou pequena, pertencente ou não aos grandes grupos de mídia, ela só poderá ter seu livro adotado, se atender aos mesmos requisitos que embasaram a obra "queimada" em praça pública.

O que se encontra na obra dos autores agora tão criticados não deixará de ser encontrado nos outros títulos. Mas sabemos que, quando as grandes editoras assumirem o espaço vazio deixado pelo livro execrado, nada se fará para denunciar o conteúdo que, em última instância, seguirá os mesmos parâmetros.

________

P.S. Estava terminando de escrever este texto, quando li um artigo do jornalista Rolf Kuntz, no portal do Estadão, que dá uma ideia de como é a estupidez repetida em tom solene.

"O nome oficial é Ministério da Educação, mas podem chamá-lo Ministério da Desigualdade. Ministério da Incompetência também serve: a palavra tanto se aplica à atuação de seus dirigentes quanto se aplicará à condição das vítimas do padrão educacional proposto no livro Por Uma Vida Melhor, comprado e distribuído pelo governo".

Ele não leu a obra, não conhece a seriedade do trabalho da ONG, não sabe nada sobre os autores e parece não ter compreendido como se dá o processo de escolhas de livros didáticos no PNLD. A gramática correta do seu texto serve apenas para alimentar uma condenação a priori. De que adianta?

A sucursal da Casa Branca

 
Por hoje é só, pessoal. Na segunda, reunião de pauta.

Entre todas as bizarrices expostas pelo WikiLeaks, a mais interessante é a revelação, sem cerimônias, de que a Embaixada dos Estados Unidos mantinha (mantém?) uma verdadeira sucursal informal no Brasil, na qual se revezavam jornalistas (de uma só tendência, é verdade), a elaborar análises políticas – todas furadas, diga-se de passagem.
Na redação da embaixada brilharam, primeiro, os colunistas Diogo Mainardi, da Veja, e Merval Pereira, de O Globo. Segundo despacho de Arturo Valenzuela, secretário adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, em 2009, o “renomado colunista político” Mainardi, em almoço privado (?), disse que uma coluna propondo que a ex-candidata presidencial do Partido Verde (PV) e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva se tornasse candidata a vice do tucano José Serra havia nascido “de uma longa conversa” entre os dois, Serra e Mainardi, na qual o ex-governador de São Paulo afirmara que Marina seria sua “companheira de chapa dos sonhos”. De acordo com Valenzuela, Serra alinhou naquela conversa com Mainardi as mesmas vantagens que o colunista, mais tarde, iria listar em sua coluna: a história de vida e as “credenciais esquerdistas impecáveis” de Marina poderiam bater o apelo pessoal de Lula aos brasileiros pobres e colocar Dilma Rousseff em desvantagem com a esquerda. Ao mesmo tempo, a vice verde ajudaria Serra a “mitigar” sua associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso. Mainardi ainda preconizou que, mesmo sem sair como vice, Marina poderia apoiar Serra num segundo turno contra Dilma. Também apostou que Aécio Neves iria se juntar à chapa de Serra. Um profeta, como se vê.
A mesma lengalenga Arturo Valenzuela ouviu do colunista Merval Pereira, que rememorou uma conversa tida entre ele, Merval, e Aécio Neves, um dia antes do jornalista se reportar à Embaixada dos EUA, em 21 de janeiro de 2010. Ou seja, informação quentíssima! A Merval, informou Valenzuela à Casa Branca, Aécio Neves teria dito estar “firmemente compromissado” em ajudar Serra de qualquer maneira, inclusive se juntando à chapa. Uma chapa Serra-Neves, opinou Merval Pereira ao interlocutor americano, venceria fácil. “(Merval) Pereira pessoalmente acredita que não só Neves concorreria com Serra, mas que Marina também apoiaria Serra em um segundo turno”. Outro profeta.
Agora, sabemos pelo WikiLeaks que Humberto Saccomandi, editor de notícias internacionais do jornal Valor Econômico, acompanhado do analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, também foram convocados pela sucursal da Embaixada a analisar a candidatura de Dilma, mas estes acertaram: a subida de Dilma Rousseff nas pesquisas iria favorecê-la no congresso nacional do PT, no fim de fevereiro de 2010, onde se esperava que ela anunciasse sua candidatura oficialmente.
Classificados de “críticos mais duros de Rousseff”, os jornalistas William Waack, da TV Globo, e Hélio Gurovitz, da revista Época, também foram à Embaixada dos Estados Unidos dar pitaco, mas em clima de torcida organizada pró-Serra. Waack descreveu para o Consulado Geral, em São Paulo, sua ida a um fórum de negócios do qual José Serra, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Ciro Gomes tinham participado. A análise, não fosse surreal, é pouco mais do que rasa. “De acordo com Waack, Gomes foi o mais forte no geral, Neves o mais carismático, Serra desligado, mas claramente competente (grifo meu), e Rousseff, a menos coerente”, escreveu, à Casa Branca, o embaixador Thomas Shannon, editor-chefe da sucursal. Crítica duríssima, essa de Waack.
Helio Gurovitz, diretor da Época, foi mais adiante ao se reportar à Embaixada do EUA. Descreveu o Brasil como similar ao Chile (onde a esquerdista Michelle Bachelet perdeu a eleição para o direitista Sebastián Piñera). Argumentou que a “base social do país” se desenvolveu de maneira que esta “base” – seja lá o que for isso, o povo é que não era – preferiria alternar partidos no poder para manter continuidade (sic), em vez de manter um partido no poder no longo prazo, “com isso provocando uma guinada na direção daquele partido no espectro político”. O embaixador, creio, não entendeu nada. Mas registrou, por via das dúvidas.
Com analistas assim, não é a toa que o governo Obama se encontra na situação que está

MULERES DE FIBRA , GOVERNO DE MERDA NO RN

Material explosivo na zona euro

A quebra da zona euro não pode ser evitada com outros bilhões de resgate e novas imposições de austeridade. A população geme sob medidas de austeridade rígidas e responsabiliza a União Europeia por isso. Tendências nacionalistas propagam-se. Mas também em países que se vêem como o caixa da Europa o descontetamento cresce. Nos Países Baixos o “Partido pela Liberdade” quer ter de volta o florim e a retórica anti-euro presenteou ao partido “Finlandeses Verdadeiros” quase 20 por cento nas últimas eleições na Finlândia. Na França, o direitista “Front National” troveja contra o euro. O artigo é de Christa Luft.

Estaria Milton Friedman, o pai do monetarismo, certo? O igualmente influente e polêmico economista norte-americano vaticinou em 2002 que a Eurolândia colapsaria entre cinco e quinze anos. O desenvolvimento dos participantes seria muito desigual, e a ausência da moeda própria impediria uma melhoria de sua capacidade de competição internacional por meio da desvalorização. Uma moeda unificada sem uma política econômica comum e sem uma união fiscal condenaria o projeto de integração ao fracasso.

Uma década transcorreu desde o ridicularizado prognóstico. A críse da dívida do Estado ameaça inflamar o material explosivo na zona euro. Ela compreende, nesse meio tempo, 17 países com 17 diferentes títulos de governo e distintos juros, cotações e rendimentos. Um paraíso para malabaristas financeiros! Esses tomam emprestado barato em países com boa notação de crédito e investem o dinheiro em países apertados por juros mais elevados. Bancos compram títulos do governo dos países em crise, depositam-nos como segurança junto ao Banco Central Europeu, e recebem por isso notas de euro recém impressas a uma taxa de juros baixa. Mercados financeiros decidem pelo destino de Estados democráticos e de milhões de pessoas.

Guarda-chuvas de resgate já foram abertos várias vezes para salvar países da zona euro excessivamente endividados diante da bancarrota ameaçadora. Irlanda, Portugal e Grécia buscaram proteção sob ele. A preocupação cresce de que também a Espanha precisaria estar sob o guarda-chuvas. Especula-se sobre uma saída dos helenos da zona euro ou o refinanciamento.

Aos países carentes de ajuda são prescritas as mais fortes ataduras. Isso estrangula a força de suas economias. A população geme sob medidas de austeridade rígidas e responsabiliza a União Europeia por isso. Tendências nacionalistas propagam-se. Mas também em países que se vêem como o caixa da Europa o descontetamento cresce. Nos Países Baixos o “Partido pela Liberdade” quer ter de volta o florim e a retórica anti-euro presenteou ao partido “Finlandeses Verdadeiros” quase 20 por cento nas últimas eleições na Finlândia. Na França, o direitista “Front National” troveja contra o euro.

Um renovado aumento do guarda-chuvas de resgate – mesmo com referência às vantagens desse – dificilmente será intercedido nos países doadores junto à grande população, pois o principal lucrador é a economia de exportação. Um retorno à moeda nacional deixaria o país em crise afetado afogar-se em suas antigas dívidas em euro. Um refinanciamento poderia ser para a Grécia atualmemte um desafogo. Capitalistas precisariam renunciar a uma parte de suas exigências e aumentar o prazo dos títulos gregos. O problema: atingidos não seriam apenas os investidores privados como seguradoras, fundos de pensão e bancos, mas também os contribuintes. Na Alemanha, o WestLB e o estatizado Hypo Real Estate seriam forçados porventura a amortizações, e o governo federal teria de injetar capital novo.

A quebra da zona euro não pode ser evitada com outros bilhões de resgate e novas imposições de austeridades. Derrubados seriam também juros de usura de bancos privados para créditos a países em dificuldades, enquanto a Eurolândia emite títulos, cujos prêmios de risco seriam reduzidos através da boa notação de crédito de alguns membros da União. A consolidação econômica de países altamente endividados também exige, além de fortes esforços próprios, um programa de investimento europeu de promoção de crescimento.

Fonte: http://www.neues-deutschland.de/artikel/197699.sprengstoff-in-der-euro-zone.html

Tageszeitung Neues Deutschland, 16 de maio de 2011.


 

A CAMAREIRA E A TRAGÉDIA

O obscuro episódio protagonizado pelo diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Khan, ilustra não apenas uma possível derrocada pessoal mas a do socialismo francês e, de certa forma, de boa parte da esquerda mundial diante da crise econômica.  Strauss-Khan exerce(ia) o comando da inspetoria financeira do capitalismo. O Fundo Monetário apesar das boas intenções de Keynes em Bretton Woods --e as do próprio Khan, segundo alguns economistas--  é o  órgão encarregado, em última instância, de preservar os interesses dos credores ricos contra Estados e nações pobres. Notabilizou-se pela imposição de ajustes de austeridade devastadora, como ocorre agora no caso das condicionalidades impostas  à Grécia e Portugal para liberação de ajuda. Cálculos do economista Pierre Salama sugerem que na crise da dívida externa, nos anos 80, o FMI impôs aos países pobres e em desenvolvimento um programa de arrocho econômico que resultou em transferências de recursos, na forma de pagamento de juros, de gravidade e volume superiores às compensações de guerra extraídas da Alemanha pelo Tratado de Versalhes, após a derrotada germânica no primeiro conflito mundial. Esse escalpo promovido pelas potencias vitoriosas, que levaria Keynes a renunciar à representação da Inglaterra na mesma de negociações, estaria na origem do  nazismo e da Segunda Guerra. O trágico não é que o dirigente desse instrumento típico da espoliação exercida pelas finanças seja um suposto sedutor de camareiras em hotéis de US$ 3 mil a diária. Mas, sim, que Strauss Khan represente o máximo que o socialismo francês tem a propor para enfrentar o direitista Sarkozy, no escrutínio de 2012. Em outras palavras, a esquerda não tem nada de novo  a dizer aos trabalhadores e à classe média hoje na Europa. Apenas a extrema direita tem um programa a oferecer à sociedade para acudir a sua angústia diante da crise. E ele é mais completo que o do FMI de Strauss-Khan. Ao arrocho sobre as políticas públicas ele acrescenta o ódio contra os estrangeiros, uma xenofobia higienista que, no limite, como já ocorre na Itália, sanciona a restauração de campos de concentração para impedir imigrantes miseráveis de disputar os minguados direitos e empregos que o torniquete ortodoxa subtrai  aos próprios europeus. Entre eles vagas para camareiras em hoteis de luxo, equivalentes ao que emoldurou o suposto assédio de Khan nos EUA. 
(Carta Maior; 4º feira, 18/05/ 2011)

VIAJANDO NA MAIONESE . GLOBO CORTA US$ 35 BI (?!?!) DA PETROBRAS , MAS PETROBRÁS NÃO CONCORDA


Saiu no blog da Petrobras:

Esclarecimento sobre notícias a respeito de Revisão do Plano de Negócios


A Petrobras esclarece sobre notícias divulgadas na imprensa sobre a revisão do seu Plano de Negócios (PN 2011-15):


Conforme afirmou ontem (17/05) o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Almir Barbassa, e de acordo com comunicado divulgado ao mercado no dia 13/05, o Conselho de Administração da Petrobras solicitou aos executivos da Companhia estudos e análises adicionais para o PN 2011-15.


Segue a frase textual do diretor: “nós fomos demandados pelo Conselho de Administração para reexaminar, prosseguir com estudos de sensibilidade. Um desses estudos incorpora a redução do CAPEX (investimento), mas não é a única questão a ser examinada, existem diversas variáveis em estudo. Como dito, nós faremos as análises de sensibilidade, apresentaremos ao Conselho, e a decisão será tomada.”


Qualquer número em relação aos investimentos previstos ou informação a respeito de detalhes do Plano são mera especulação.


A notícia saiu na capa e na capa da Economia do Globo: “Tesoura de US$ 35 bi na Petrobras”.

A notícia, gravíssima, que teria repercussões no mercado de ações, do Brasl e de Nova York, não oferece uma única citação entre aspas.

É um chutismo em águas profundas.

Faz parte de uma tradição do Globo e da família Marinho, desde que o Dr Getulio criou a Petrobras.

E o Governo Cerra/Farol de Alexandria não conseguiu fundar a Petrobrax.

O Globo e a família Marinho são contra a Petrobras.

O que fazer ?

Provavelmente, o Ali Kamel vai se utilizar da concessão de um serviço público (“público” vem de “povo”) para dedicar o jornal nacional a esse corte profundo que três repórteres do Globo resolveram aplicar ao plano de investimentos da maior empresa do Brasil.

Ley de Medios já !

Paulo henrique Amorim