Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O canto de sereia da direita é em vão

Esta é a boa foto: Dilma com a familia do Uanderson, que agora tem casa. Melhor que a de ontem, com quem não dava futuro aos Uandersons
Hoje, nos jornais, a direita se lambuza em festa.

“Em crise com base aliada, Dilma flerta com oposição”, diz a Folha.PT não gosta da faxina de Dilma…”, afirma O Globo, enquanto o Estadão diz que “Petistas temem que “faxina” de Dilma carimbe gestão de Lula como “corrupta”.
Esse é o assunto dominante na mídia, não a crise, as ameaças e os desafios que ela nos traz.
A gente vem dizendo aqui que o Governo Dilma está sendo puxado para uma pauta que só o desgasta, porque o imobiliza.
Acho que vale a pena controlar o estômago e ler o que escreve hoje Merval Pereira.
“Não é nem preciso ser bom entendedor para compreender a razão da presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na solenidade de lançamento da campanha Brasil Sem Miséria ontem, no Palácio Bandeirantes, em reunião da presidente Dilma com os governadores do Sudeste.E também basta não ser ingênuo para entender o sentido do apoio que senadores independentes de diversos partidos deram à sua ação saneadora na semana passada.
“A “faxina ética” tomou uma dinâmica própria que não é possível controlar, e ficou maior do que sua própria impulsionadora. (…)
“Quanto à imprensa, aí nem se discute. O Palácio do Planalto não tem condições de interferir, e nem quer fazê-lo, e já deixou de lado a tentativa anterior de controle dos órgãos de comunicação.”
Não se pode, infelizmente, deixar de reconhecer que, de fato, é esta a mecânica que está por trás das ações da mídia e do comportamento da comunicação do governo em relação à mídia. Ficamos dóceis.
Estamos permitindo que pareça ao povo brasileiro que o problema do país é o da corrupção no Governo. Corrupção é um problema, e sério, para qualquer governo e tem que ser enfrentado como uma questão permanente.
As “ondas” moralistas nada tem a ver com combate à corrupção, mas tem tudo a ver com uma tentativa de paralisar e desviar o governo Dilma daquilo que é seu rumo legítimo, em nome do qual recebeu a maioria dos votos do povo brasileiro: fazer o país continuar se desenvolvendo, tornando-se independente, elevando o emprego e a renda dos brasileiros, nos livrando da miséria e do atraso.
A legitimidade e o apoio do Governo Dilma vem daí, do Governo Lula, do papel que ela teve nele e de seu compromisso, garantido por uma história de vida combativa, de que o Brasil vai seguir mudando.
Dilma sabe disso, tanto que disse hoje queonde houver problema de corrupção, somos obrigados a tomar posição. Não faço disso o objetivo central do meu governo, o objetivo central é buscar a inclusão social.”
Mas isso fica de lado na percepção construída pela mídia. Nessa, valem mais a as imagens com a “turma da roda- presa”, que praticou a maior lesão já sofrida pelo patrimônio público brasileiro: a privatização.
Gente, portanto, que não tem estatura moral para falar em combate à corrupção, e que só o fazem para fazer cantos de sereia que à longa experiência da presidenta não vão encantar. Embora seduzam alguns aprendizes de feiticeiro.

Golpe de Estado nos Estados Unidos



“O que às vezes se passa por alto em nossa situação é o fator propósito: a democracia norte-americana sofreu um golpe de Estado encoberto. Seus autores ocupam os postos mais altos dos negócios e das finanças, seus leais servidores dirigem as universidades, os meios de comunicação e grande parte da cultura, e igualmente monopolizam o conhecimento profissional científico e técnico”, escreve Norman Birnbaum em artigo publicado no jornal espanhol El País.

Publicado em português na página do IHU Online/Unisinos. A tradução é do Cepat.

Já se escreveu muito sobre a crise dos Estados Unidos. Aludiu-se à complacência e ao fracasso de nossas elites, à ignorante fúria de um segmento de cidadãos espiritualmente plebeus, à importância intelectual e política de boa parte do resto, à ausência de uma conexão entre uma intelligentsia crítica e os movimentos sociais que no passado deram suas ideias à esfera pública, à fragilização da própria esfera pública e à consequente atomização do país. Esses diagnósticos são corretos. O que às vezes se passa por alto em nossa situação é o fator propósito: a democracia norte-americana sofreu um golpe de Estado encoberto. Seus autores ocupam os postos mais altos dos negócios e das finanças, seus leais servidores dirigem as universidades, os meios de comunicação e grande parte da cultura, e igualmente monopolizam o conhecimento profissional científico e técnico.

Seus dispostos seguidores se encontram em toda parte, especialmente entre aqueles que sentem que são ignorados, inclusive desprezados, e experimentam uma desesperada necessidade de compensação íntima. Incapazes de atuar de forma autônoma, negam em voz alta que sejam dominados e explorados. Identificam como inimigos os grupos sociais a serviço do bem público, cuja existência rechaçam como princípio. Sua hostilidade ao Governo é tão grande quanto sua falta de conhecimento de como este realmente funciona, ou a história de seu próprio país.

Evidentemente, há uma substancial coincidência entre aqueles que deram sua aquiescência ao golpe de Estado e os muitos que pretendem a recristianização do país, que acreditam que o aborto e a homossexualidade são ao mesmo tempo crimes civis e pecados religiosos, que respondem à imigração com xenofobia. Esses são os brancos, principalmente no sul e no oeste, e nas cidades menores, que ficaram escandalizados pela eleição de um presidente afro-americano e que se criaram (e ainda se criam) muitas das falsidades sobre sua pessoa, desde o seu nascimento no Quênia até sua adesão ao islamismo.

Os iniciadores do golpe de Estado são, geralmente, muito sofisticados para essas vulgaridades, embora indubitavelmente não sejam muito escrupulosos na hora de utilizá-las para conseguir o apoio para os seus objetivos primários. Que não são outros senão reduzir as funções e poderes redistributivos e reguladores do Estado norte-americano, revogando, privatizando ou, ao menos, limitando importantes componentes do nosso Estado de bem-estar: Seguridade Social (pensões universais), Medicare (seguro público de saúde para os maiores de 65) e todo um espectro de benefícios e serviços nos campos da educação, emprego, saúde e na manutenção de ingressos. A possibilidade de uma regulação ambiental em grande escala, ou de um projeto para reconstruir toda a infra-estrutura de modo que seja mais compatível com um futuro benévolo com o meio ambiente, provoca igualmente sua sistemática oposição. Os obstáculos administrativos e legais à atividade sindical são outra parte do programa.

Os esforços do capital politicamente organizado para manter o controle do sistema político são tão velhos quanto a república norte-americana. De modo algum excluíram a utilização do Governo em muitas ocasiões em todas as épocas da nossa história. O que distingue a recente situação é a propagação explícita e resoluta de uma ideologia que declara o mercado como superior ao Estado, que busca transferir para o setor privado funções governamentais até agora reservadas ao Estado, e que não permite que a consideração de um maior interesse nacional (como no comércio com outros países) interfira nos interesses imediatos do capital.

A obra de inumeráveis economistas, as simplificações de um grande número de comentaristas e jornalistas, a intromissão nos sistemas escolares e sua manipulação, e, sobretudo, o fato de que os meios de comunicação e o que temos de discurso público fiquem excluídos da discussão séria de alternativas, culminaram na fervorosa obsessão com que os congressistas republicanos fizeram sua a crença de que os déficits orçamentários são uma ameaça para o país.

Em 1952, John Kenneth Galbraith publicou sua primeira obra-prima Capitalismo americano: o conceito do poder compensatório (Novo Século Editora). Nela sustentava que a busca do benefício sem limite, a cegueira de curto prazo do capitalismo, havia sido corrigida pelo Governo, apoiado por uma cidadania consciente de seus diferentes interesses, por grupos de interesse público, por sindicatos e por um Congresso (e Governos estatais) com um grau notável de independência política.

Em 1961, Galbraith pediu ao presidente Kennedy que não o nomeasse chefe do Conselho de Assessores Econômicos: era um alvo muito visível. Durante alguns anos o ponto de vista de Galbraith seguiu sendo convincente. No entanto, também foi se produzindo um gradual enfraquecimento das forças compensatórias com as quais Galbraith contava para tornar permanente o new deal; e um enfraquecimento, assim mesmo, das elites capitalistas com maior formação e visão de longo prazo, dispostas a aceitar um contrato social.

As razões deste duplo declive seguem sendo objeto de discussão para os historiadores. A absorção dos recursos materiais e morais do país pela guerra fria, que se converteu em um fim em si mesma, desempenhou certamente um papel. Tornou-se muito mais difícil desenvolver programas de reconstrução social em grande escala pela composição racial dos pobres nos Estados Unidos, embora os brancos – de modo geral, brancos do sul – fossem uma maioria entre eles. A própria prosperidade proporcionada pelo contrato social do pós-guerra socavou a combatividade e a militância da força de trabalho sindicalizada, que ficou relativamente indefesa diante da competição da indústria estrangeira e da fuga do capital norte-americano para outros países.

Os efeitos que essas mudanças estruturais tiveram foram magnificados à medida que o capital financeiro (o reino da pilhagem e a liquidação de empresas produtivas, dos derivados, dos hedge funds e da especulação arcana) se fez quantitativa e qualitativamente dominante.

Este tipo de capitalismo, especialmente, requeria a abstinência política do Estado, que somente se poderia obter se pouco a pouco se comprasse o Estado. O novo capitalismo fez sérios avanços no Partido Democrata, reduzindo a uma insistente atitude defensiva os herdeiros do new deal que havia em seu interior. Quando, em 2008, o presidente Obama mobilizou milhões de afro-americanos, latinos, jovens e velhos, mulheres e os restos do movimento sindical, não foi menos solícito com o novo capitalismo, que tinha muito menos votos, mas muito mais dinheiro. A singular insignificância das iniciativas da Casa Branca em 2009, 2010 e este ano em matéria de estímulo econômico, emprego e reconstrução nacional poderiam ser explicadas como um reflexo do real equilíbrio de forças políticas do país.

Deixando de lado o furor provocado pelo Tea Party e pelo limite da dívida, a explicação também poderia estar nessa quinta coluna constituída pelos agentes ideológicos e políticos do novo capitalismo, que está ocupando a própria Casa Branca. Deste ponto de vista, a extraordinária boa disposição do presidente ao acordo mútuo não é o resultado de um novo alinhamento da política norte-americana, mas uma parte previsível do mesmo

(*) Norman Birnbaum é professor emérito na Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown.


Fotos: The Mad Tea Party (2005) Ilustração de Mark Bryan (EUA)

A hipocrisia judicial. Pobres algemadas e identificadas

Publicado em 19/08/2011
Criminoso pobre tem nome e sobrenome

Os telejornais vespertinos desta quinta-feira levaram a todo o país as imagens de mulheres gaúchas presas em Canoas sob a suspeita de operar uma rede de tráfico de drogas em lugar de marido encarcerado.

Clique aqui para ver.

Os rostos das jovens apareciam em primeiro plano.

Todas identificadas com nome e sobrenome.

À medida em que passavam pelas câmeras, apareciam devidamente algemadas, sem que aparentassem qualquer ameaça à autoridade policial ou a si próprias.

Depois, foram levadas à parede que tinha o painel da delegacia ao fundo, submetidas à execração pública – com o testemunho Implacável das câmeras de alcance nacional.

Na véspera, os criminosos responsáveis pela maior evasão fiscal de que se tem notícia, apanhados na Operação Alquimia, eram protegidos de forma impermeável.

Não há sequer a identidade dos suspeitos.

Tudo em nome de um suposto “segredo de Justiça”.

Foi a espetacularizacao sob medida para dois ministros da Suprema Corte: um, Gilmar Dantas (*) que viu na Operação Satiagraha uma tentativa de Golpe de Estado: o “espetáculo” de brancos de olhos azuis serem encarcerados devidamente algemados; outro, o Ministro Mello, o guardião da Constituição que, na prática, aboliu as algemas em ricos.

Depois, o STJ baixou uma “súmula vinculante”: rico não pode, sequer, ser investigado.

Agora, as pobres traficantes de meia tijela de Canoas, essas, coitadas, que ofereçam o grátis espetáculo do pão e do circo.

Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

Santayana: não subestimem a Direita.A sombra dos anos 30

    Publicado em 19/08/2011
O Conversa Afiada reproduz texto de Mauro Santayana, extraído do JB:
por Mauro Santayana

O século passado teve como eixo a década de 30. Ela se iniciou com a crise econômica mundial, que estas últimas horas de angústia nos mercados financeiros fazem lembrar, e se fechou com a conseqüência prevista pelos céticos: o início da Segunda Guerra Mundial. Foram os anos do grande confronto entre a esquerda e a direita, com contradições, idas e vindas, ilusões e tragédias, que os livros registram. Em suma, sinistras lições aos homens, que devem ser meditadas, para que o mundo não volte a ser encharcado de sangue.


Muitas são as teorias que tentam explicar aquela amostra do apocalipse. A mais conhecida é a de que, derrotada e humilhada em 1918, a Alemanha buscava a revanche com Hitler. Para isso, seu líder, encarnando o velho orgulho prussiano, obtivera o apoio da Nação a fim de vingar-se de seus inimigos e expandir o  espaço vital, que consideravam necessário à plena realização de seu destino de povo de senhores.


Naqueles anos e meses da República de Weimar, mais do que em outras épocas históricas, as distorções da linguagem serviram para confundir e desorientar os homens. A esquerda buscava construir, na antiga Rússia, uma sociedade socialista. Hitler começou filiando-se a um pequeno partido de trabalhadores, que ele dominaria e o ampliaria no Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Os comunistas e socialistas alemães menosprezaram aquele grupo de bêbados, que se vestiam militarmente e brandiam slogans primários. A Alemanha não é a Itália, declarou, confiante,  aos que temiam o totalitarismo no país, Ernst Thälmann, o lendário dirigente do Partido Comunista Alemão, depois de ter sido derrotado nas eleições presidenciais de 1932, por Hindemburg, e da ascensão de Hitler à chefia do governo, à frente da coligação de direita, graças ao apoio dos católicos. Em março de 33, poucas semanas depois, Thälmann seria metido no campo de concentração de Buchenwald, onde foi executado em agosto de 1944.


Os democratas e as organizações de esquerda não souberam unir-se, ali, para a resistência – o que reclamava a construção de uma idéia forte de centro político, a fim de impedir, a tempo, a ascensão dos nazistas. Não souberam unir-se ali, nem em outras nações. O caso mais dramático, fora da Alemanha, foi o da Espanha. Como anotou Salvador de Madariaga, de resto um homem rigorosamente de centro, o malogro da República Espanhola foi o malogro do centro político. Ao crescer o radicalismo tanto na direita quanto na esquerda, não houve espaço para a moderação do centro. Mais poderosa – com a ajuda dos fascistas italianos e dos nazistas, e a total adesão da hierarquia da Igreja Católica – a direita esmagou a República, depois de quase três anos de conflito. De nada valeu a pouca ajuda soviética que conseguia chegar ao país – nem a presença simbólica dos corajosos intelectuais que formaram as Brigadas Internacionais.  Madariaga tinha razão: se tivesse havido o entendimento entre os partidos de esquerda, que mal se acomodavam na Frente Popular, e, depois, com as forças de centro, não haveria clima para a insurreição dos generais Sanjurjo, Mola, Queipo de Llano e Francisco Franco. Madariaga foi rigorosamente de centro no eclodir do conflito: como embaixador da República,  não tomou partido na guerra, mas se tornou vigoroso opositor da ditadura franquista, e só voltou à Espanha em 1976, depois da morte do ditador.


Menosprezar a direita tem sido, mais do que  erro de percepção política,  ilusão criminosa. Na mesma Espanha, quando o governo dispunha de informes seguros da conspiração em marcha, o então chefe do governo, Casares Quiroga, recebeu a advertência do serviço secreto republicano com um muxoxo: se eles se levantam, eu vou me deitar. Em 1964 – recordam-se? – as esquerdas, também divididas em nosso país,  percorreram as mesmas sendas da ilusão. Não só é vezo da esquerda subestimar as forças adversárias, mas também assusta-las, com os espantalhos da insurreição. Em seu favor milita realmente a ilusão. As Ligas Camponesas, armadas de fé e de espingardas cartucheiras, cresciam seu ilusório poder, diante da classe média em pânico. O mito de Che Guevara empolgava os jovens, da mesma maneira que a invencibilidade cubana, na Bahia dos Porcos, atiçava os ânimos bélicos de muitos de nós, os que vivemos aquele tempo.


Esse excurso ao passado não é por acaso. Estamos em tempo muito parecido aos anos 30. Nos Estados Unidos, um governo que tenta chegar ao centro, o de Obama, é acossado pelo Tea Party e pelos velhos texanos, que sempre estiveram na linha de frente do obscurantismo. Basta recordar que foi em Dallas que a direita eliminou Kennedy, ainda que o jovem presidente, como a história nos mostra, não fosse exatamente um liberal de esquerda. Do Texas vieram Bush pai e Bush filho, e os republicanos agora ameaçam buscar em Rick Perry, seu atual governador, e raivoso direitista,  o oponente a Obama nas eleições vindouras.


A Europa caminha rapidamente para a direita, e os governantes buscam justificar a repressão policial como necessária, diante das crescentes manifestações populares contra  o desemprego, a redução das pensões, a falta de moradias e de perspectivas para o povo -  também comuns nos anos 30. A Espanha recebeu ontem a visita do papa Bento 16, cuja simpatia pela direita é notória. Os espanhóis foram às ruas, protestar contra os gastos governamentais com a recepção ao pontífice, em momento de gravíssima crise econômica interna. Ainda que o papa se tenha declarado contra a lógica do “lucro acima do direito das pessoas”, seus atos não confirmam a retórica.  A posição do papa, diante das dificuldades da Península, foi bem exposta em visita anterior a Santiago de Compostela, quando Ratzinger expressou  preocupação contra a crescente laicidade dos espanhóis e o seu anticlericalismo, “que lembra os anos 30”, e pediu “nova evangelização” na península. A “evangelização” franquista dos anos 30, apoiada na Opus Dei e no garrote vil, nós já conhecemos. Que outra “evangelização” pretende agora o papa, quando se queixa da liberdade de pensamento na Espanha atual?


A presidente Dilma Roussef atribuiu-se duas missões em seu governo: a de combater a corrupção e a de eliminar a miséria que ainda assola grande parte de nosso povo. E a direita nacional, ainda que com certa dissimulação, começa a articular-se. Isso vai exigir da esquerda, no diálogo  com o centro, grande esforço, para a   criação de força política  de centro, organizada e articulada, firme em sua ação, a fim de dar o suporte da nação, para que possa enfrentar o vendaval internacional – com a crise econômica, o renascimento brutal do racismo na Europa e a reorganização dos nazistas e fascistas.


A Alemanha, contra o otimismo dos comunistas e socialistas,  repetiu, em 30,  com mais tragédias, o fascismo italiano. Por pouco, os integralistas não se apossaram do Brasil, nos anos 30. Sofremos o que sofremos sob a direita nacional, a partir de 1964. Essas lições dos anos 30 nos exigem acurada vigilância e a visão real do processo histórico. A direita está aí, firme, construindo sua vez e sua hora.

Alckmin adere ao Bolsa Família. O meu adversário detona os programas do antecessor

Saiu no Estado online editorial assinado por uma repórter, que, após emitir um sem-número de opiniões (inúteis), informa que a Presidenta Dilma, numa cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, afirmou : a faxina é a faxina da miséria.

Foi na solenidade em que os governadores do Sudeste se comprometeram a aderir ao programa Brasil sem Miséria, através da ampliação do Bolsa Família.

O Governador de São Paulo referiu-se à Presidenta (com “a”) e incorporou o programa estadual do Bolsa Cidadã ao Bolsa Família.

Os estados do Rio, do Espírito Santo e, futuramente, Minas farão mesmo.

Há no Sudeste dois milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza.


O Padim Pade Cerra jamais faria isso, fosse ainda Governador de São Paulo.
(Por falar nisso, amigo navegante, diga aí alguma coisa que o Cerra tenha feito no Governo, além daquela ponte cuja maquete ele gloriosamente inaugurou.)

Um dos traços de Cerra como “administrador” é repudiar a obra do antecessor.

Na campanha em que perdeu pela segunda vez, a Presidenta lembrou ao eleitor que, ao chegar ao Governo de São Paulo, Cerra detonou as obras do antecessor, Alckmin.

(Outra característica do “administrador” Cerra é apropriar-se de programas alheios: foi o que fez com o trabalho para combater a Aids e os remédios genéricos.)

O gesto de Alckmin aplica ao Brasil sem Miséria um selo supra-partidário.

Será da Dilma, do Alckmin, do Cabral, do Casagrande – de todos.

Lamentavelmente, Cerra e a mulher jogaram o Bolsa Família na lata de lixo da batalha eleitoral.

Primeiro, Cerra aderiu ao Lula e elogiou o Bolsa Família, a ponto de prometer mundos e fundos – só faltaram bônus de Wall Street aos beneficiários do Nordeste.

Depois, a mulher, a grande estadista chilena, peça central da campanha do marido, foi para a Baixada Fluminense dizer que a Dilma era favorável ao aborto clandestino e que o Bolsa Família estimulava a malandragem.

(Até que uma aluna revelasse que a mulher do candidato da TFP tinha feito aborto no Chile.)

Alckmin tira o Bolsa Miséria da sarjeta em que se trava muitas vezes a política de São Paulo.

Ou o Cerra não é mais suspeito de detonar o Rossi ?

Em tempo: o Farol de Alexandria foi receber a Presidenta no Palácio Bandeirantes. O que indica que ele está muito mais preocupado com as honrarias do ócio do que com o futuro do Padim.

Paulo Henrique Amorim


O nome da doença que assola o Brasil é Reinaldo Azevedo

Nesta manhã, o articulista que incita ódio na política brasileira se superou. Disse, com todas as letras, que o eleitor de Lula é sem-vergonha. Se a culpa é do brasileiro, isso significa que ele já admitiu sua própria derrota
É triste ver uma pá de inteligência ser desperdiçada inutilmente. O articulista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, tem cérebro, domina o vernáculo como poucos no Brasil e empresta boas quantidades de lógica ao que escreve. Mas, lamentavelmente, conseguiu se converter no porta-voz do que há de mais atrasado na política brasileira atual: a hipocrisia da moralidade. Reinaldo é o “cheerleader” do serrismo, a força derrotada nas últimas eleições presidenciais, de onde brota boa parte dos escândalos atuais.
Num longo artigo publicado na manhã de hoje, ele escreve que “o nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva”. É talvez seu texto mais ousado – e que representa quase uma confissão de derrota política. “Enquanto Lula for uma figura relevante da política brasileira, estaremos condenados ao atraso”, escreve Reinaldo. Então esqueça, meu caro: enquanto Lula estiver vivo, terá papel central na política nacional. E possivelmente preservará sua influência mesmo depois de morto, tal qual Getúlio, que os inimigos – porta-vozes do discurso do “mar de lama” – levaram ao suicídio.
Reinaldo joga de vez a toalha quando transfere a culpa pelo que enxerga como atraso ao cidadão brasileiro. “Há diversas razões que explicam o fenômeno, muitas delas já conhecidas. O apoio do Congresso foi vital – além da sem-vergonhice docemente compartilhada por quem votou nele. Não dá para livrar os eleitores de suas responsabilidades.” Atenção, eleitor de Lula e leitor de Veja: o mestre-sala da publicação lhe considera um meliante, um malandro, um picareta, um desonesto. Um sem-vergonha.
Ora, Reinaldo, se a culpa é do brasileiro, a conclusão é uma só: o país não tem jeito mesmo. E talvez a única solução seja o aeroporto. Não importa se 35 milhões de brasileiros cruzaram a linha da miséria na última década, se o Brasil se tornou a Meca dos investidores internacionais e se o desemprego é o mais baixo desde o início da série histórica do IBGE. O eleitor, além de mau caráter, deve ser burro, mesmo. Pior, é masoquista.
Qual seria a grande doença representada pela figura de Lula? Ah, o fisiologismo levado ao extremo, simbolizado pela aliança entre PT e PMDB, que gera tantos escândalos de corrupção. Mas será que isso foi inventado por Lula? Bom, o peemedebista Geddel Vieira Lima foi ministro da Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso. Mas naquele tempo ele era honesto. Lula o corrompeu. Renan Calheiros – sim, o mesmo Renan que Veja tentou derrubar em 12 capas consecutivas antes das eleições presidenciais de 2010 – foi ministro da Justiça de FHC. Mas ele também era honesto naquele tempo. Lula o corrompeu. E tem também o Eliseu Padilha, dos Transportes – como era o apelido do Padilha mesmo, Reinaldo?
Bom, e no PFL (atual DEM), é claro, só tinha gente honestíssima.
No seu artigo de hoje, Reinaldo até admite que FHC teve que sujar as mãos ao governar com alguns aliados do PMDB. “Mas era uma gestão com alguns propósitos”, diz ele. Cuidado, Reinaldo, para não cair na mesma lógica do discurso delubiano que você tanto condena – o de que, em nome do projeto, tudo é permitido. Sua ética é absoluta, pura, kantiana ou é adaptável às circunstâncias?
Reinaldo diz que muitos intelectuais apontaram na política de alianças de FHC uma rendição ao velho patrimonialismo brasileiro, tão bem diagnosticado por Raymundo Faoro. Mas o articulista indaga como é possível, ao mesmo tempo, ser patrimonialista e também reduzir o tamanho do Estado, privatizando estatais? Muito simples, Reinaldo. Basta ver como foram privatizadas as estatais. Quer um exemplo? Antes das privatizações, Benjamin Steinbruch era apenas o herdeiro de um grupo têxtil em dificuldades financeiras, a Vicunha. Mas como era também amigo de Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC, comprou primeiro a CSN e depois a Vale. No leilão da mineradora, Antônio Ermírio de Moraes, à época o empresário mais rico do Brasil, desistiu quando percebeu que os fundos de pensão estatais, colados em Steinbruch, dariam sempre um lance maior. Detalhe: apesar de tudo isso, FHC foi, sim, um grande presidente.
Reinaldo deve ter acordado hoje inconsolável porque, apesar da queda de Wagner Rossi, a aliança entre PT e PMDB não foi abalada. Parece inquebrantável, apesar de todos os tremores. Um deputado peemedebista, Mendes Ribeiro Filho, já está sendo indicado para o Ministério da Agricultura com apoio de toda a bancada e do vice Michel Temer. E o resultado dessa aliança é um só: desloca o eixo do poder do bloco tucano para o lado petista. Os tais vinte anos de poder sonhados por Sérgio Motta têm tudo para ser alcançados por seus adversários – ou será que alguém enxerga alguma oposição viável em 2014? Aécio? Serra? Esse é o ponto central de uma discussão que não tem nada que ver com ética, moralidade ou republicanismo – diz respeito apenas à disputa pelo poder.
Significa então que a corrupção e o fisiologismo não devem ser combatidos? Evidente que devem ser atacados. Mas enquanto essa discussão não for levada a sério, no âmbito de uma reforma política, que discuta até o financiamento público das campanhas eleitorais, estaremos presos ao terreno da ética seletiva, com falsos moralistas vendendo a ideia do “mar de lama” e sugerindo a morte – real ou concreta – do “lulismo”. Esta hipocrisia, representada por você, Reinaldo, é a verdadeira doença que assola o Brasil.
Leonardo Attuch
Brasil - 247

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Que palpite infeliz!

18/08/11 07:39 | Joaquim Castanheira - BRASIL ECONÔMICO

Foi curiosa, infeliz e preocupante a declaração do presidente da bolsa de Nova York, Duncan Niederauer, em sua recente visita ao Brasil, conforme relatou em sua edição de ontem o Brasil Econômico.
Segundo o executivo, o fortalecimento da economia dos países emergentes pode provocar volatilidade, riscos e, por tabela, crises mais profundas na economia global.
A opinião é curiosa porque Niederauer dirige uma instituição que apareceu como um dos epicentros do terremoto que abalou os mercados em 2008. Infeliz porque ataca justamente os países que evitaram que o desastre daquele ano se transformasse numa catástrofe de proporções transatlânticas.
E preocupante, pois revela falta de compreensão sobre a gênese e a dinâmica da crise que até agora não foi debelada. Sem entender a origem das turbulências financeiras dos últimos três anos, a retomada será cada vez mais penosa.
A análise de Niederauer demonstra, de fato, uma visão "americanicista" (com perdão do neologismo) da economia. Ou seja, cabe aos Estados Unidos e aos mercados financeiros ditar as regras e puxar o crescimento global. Segundo esse conceito, sem a predominância de americanos e de europeus não será possível inaugurar um novo período de prosperidade econômica global.
O problema é que a realidade está desmentindo essas premissas. O mais recente capítulo dessa história, desencadeado com a quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008, teve como base a falta de controle dos mercados financeiros justamente dos países mais desenvolvidos.
China, Brasil e Índia, entre outros emergentes, têm sido responsáveis pela manutenção dos índices de expansão econômica nos últimos anos. As grandes corporações industriais e financeiras colhem a grande parcela de seus lucros (e em muitos casos a totalidade) nas economias que até agora eram consideradas periféricas.
Além disso, a volatilidade dos mercados não começou agora. Teve início, sobretudo, com a incrível revolução tecnológica, que elevou a velocidade de comunicação a patamares inéditos e possibilitou uma integração quase total entre mercados de todo o planeta.
Esse tipo de visão beneficia justamente aqueles que resistem a dividir com os emergentes o poder em organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial, e, assim, permitir que China, Índia e Brasil, por exemplo, tenham voz mais ativa nos destinos da economia global.
Trata-se de uma atitude principalmente inócua - não há como evitar que esses países conquistem cada vez mais espaço, à medida que suas economias se tornam mais robustas e globalizadas.
Não aceitar essa nova realidade pode levar Estados Unidos e Europa a se distanciarem ainda mais da retomada do crescimento. Niederauer e outros analistas apressados podem continuar se queixando dos riscos trazidos pela surpreendente ascensão dos países emergentes.
Mas, enquanto fazem isso, não terão olhos e atenção para as enormes oportunidades que esses mercados oferecem. Eles não são o problema; são parte da solução.

Dilma mergulha o país na recessão novamente

Vítima da Dilma

Mais uma vez desprezando os conselhos e as advertências de Míriam Leitão, a usurpatriz-mór do país consegue piorar o que já estava ruim, mergulhando o Brasil mais uma vez na pesada recessão econômica retumbante e avassaladora. Novamente vez a incompetência feminina petista triunfa pela força das armas em meio aos homens de bem, espalhando a miséria, o terror e a desesperança por todos os lados. Pais de família ficarão desempregados, empresários fecharão seus negócios, capitães de indústria irão à bancarrota, os homens de bem não mais deixarão Miami para visitar esta terra, enfim, as trevas continuarão a dominar os céus, com os verdugos do PT assolando nossa Pátria.
campa fria
Infelizmente, com este desgoverno dilmístico, qualquer gripezinha lá fora se transforma em uma bronco-pneumonia dupla por aqui, sintoma da fase terminal que a nação doente entrou, restando somente a campa fria para o repouso final das vítimas do lullodilmismo atroz, essas pobres almas que não possuem Bombardier Global Express

CBF ameaça divulgar gravações contra diretor da Globo

RICARDO FELTRIN

EDITOR E COLUNISTA DO F5 (Fôia de Sumpaulo)

Márcio Neves/Gremio.net

Não vai ficar barato para a Globo sua repentina decisão de noticiar os escândalos envolvendo a CBF, Ricardo Teixeira e a Fifa. Agora surgiram indícios (ou insinuações) de que a entidade máxima do futebol brasileiro tem gravações de diálogos que comprometeriam Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. Essas gravações não autorizadas foram feitas a partir de ligações telefônicas ou na própria sede da CBF. Elas revelariam quando e como a Globo manipulou o horário de partidas de times e da seleção, para atender a seus próprios interesses...


T de Vingança
Teixeira também teria gravações mostrando como Pinto (foto ao lado) e seus comandados globais agiram nos últimos anos, quando tinham acesso livre à CBF. Fonte desta coluna, que pede anonimato, informa que as gravações teriam diálogos permeados de arrogância, prepotência e desprezo completo de Campos Pinto e seus subordinados pela concorrência. Inclusive uma das gravações mostraria emissários da Globo usando termos chulos contra Record e até contra a Band, que hoje é parceira da Globo no futebol.

Prato pelando

A ameaça de levar as gravações a público teria por finalidade não só vingar Teixeira do que ele considera "traição", por parte da Globo, mas também colocar a emissora numa situação delicada junto à imprensa, a parceiros e anunciantes do esporte. Algo do tipo: "eu morro, mas você vai morrer! Morrer comigo! Bwahahaha! Bwahahahahahahahannn...". Tá bom, é só um jeito de dizer. Teixeira não dá risada como vilão de desenho... Vou continuar, agora sério...

Bombardeio

Campos Pinto está sob ataque de outro 'front', além do da CBF. Desafetos do diretor dentro da Globo ainda o culpam pelo fato de a emissora ter perdido a transmissão das Olimpíadas de Londres 2012 para a Record. Para esses executivos, a "soberba" do executivo o impediu de avaliar a situação corretamente. Ele subestimou a concorrente, afirmam.

Outro lado 1

Por meio da CGCom, a Globo informou que não vai se manifestar sobre o assunto, a menos que se torne um fato.

Outro lado 2

O F5 procurou o assessor de Teixeira, Rodrigo Paiva, deixou recado no telefone antecipando o assunto, mas não obteve resposta.

Mídia quer nova base para o governo Dilma Rousseff. Mas qual?




Osvaldo Bertolino
O Outro Lado da Notícia

Há uma equação que não fecha: a mídia volta a dizer que o Brasil está atolado até o pescoço na lama e que precisa de uma faxina, de preferência pelas mãos da presidenta Dilma Rousseff. O resultado disso, afirmam, é que a base de apoio do governo precisa ser removida para pôr outra no lugar. Mas qual? A que ela oferece conhecemos bem. Então, podemos concluir: sua grande tarefa é vender aos brasileiros uma tremenda farsa, uma gigantesca empulhação.
Quando tentaram fazer a mesma coisa com o ex-presidentes Luis Inácio Lula da Silva, o que se viu foi a sensação de alívio que tomou conta do país quando Fernando Henrique Cardoso (FHC) se uniu a Antônio Carlos Magalhães (ACM) e Jorge Borhausen, o capo do então PFL — hoje DEM —, para o que poderia  ser a “nova” base. Era a direita decrépita, com o devido perdão pela redundância. Foi reconfortante saber que eles, que mandaram tanto, já não mandavam quase nada.
Senadores
Hoje, não se sabe bem quem a mídia imagina que poderia cumprir esse papel. Os arroubos dos comentaristas, editorialistas e apresentadores se limitam à pregação moralista, encenada com um cinismo extremo. O esforço que fazem para parecer que estão falando sério chega ao patético.
Mais recentemente, apelaram para um grupo de senadores que ora se apresentam como ingênuos, ora como cínicos. Pedro Simon (PMDB-RS) puxou a fila. Depois vieram Cristovam Buarque (PDT-DF), Jorge Viana (PT-AC), Ana Amélia (PP-RS), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Eduardo Suplicy (PT-SP). Na tribuna do Senado e nos microfones da mídia, falaram pelos cotovelos mas em nenhum momento se preocuparam com o essencial: os fatos.
Falar com base no que saiu nos telejornais da TV Globo, nas páginas da Folha de S. Paulo, da revista Veja, do O Estado de S. Paulo e de O Globo é faltar com a mais elementar responsabilidade. Como dar crétido a um seguimento sabidamente sujo, corrupto à medula?
Realidade
Até o mais desatento brasileiro sabe que esse tropel tem como única finalidade as eleições de 2012, que balizarão a sucessão presidencial em 2014. Cada vírgula do que está sendo dito pesará nos pratos da balança eleitoral. Nesse festival circense, o que parece não é, e o que é hoje pode deixar de ser amanhã. Diante da salada de falsas questões, idéias sem nexo e fatos incompreensíveis servida diariamente no noticiário político, o que se tem, na maior parte do tempo, é desinformação.
Um mínimo de observação mostra que para dar crédito a alguma coisa é preciso aguardar a sua comprovação pela realidade. Caso contrário, corre-se o risco de tomar por essencial o que pode ser apenas transitório e levar a sério fenômenos que, no fim das contas, só acabarão sendo lembrados pelos 15 minutos de fama que tiveram na sempre desonesta cobertura das mídia. Nesse caso de mais uma cruzada moralista da direita, a primeira coisa a ser comprovada será a capacidade da presidenta, pessoal e política, de não ceder às chantagens.
É possível que Dilma Rousseff passe incólume por essa nuvem de impropérios — a mídia ainda não saiu a campo disposta a distribuir pedradas no Palácio do Planalto, embora tenha dado sinais de que pretende emparedar a presidenta logo, logo. Tudo é possível, no longo prazo. No presente, o que se pode dizer é que as acusações à base do governo não atraem muita simpatia; nem estão convencendo muita gente.
Esquema
O entendimento predominante parece que vem sendo o seguinte: se alguém deve alguma coisa, que pague à Justiça — não à mídia. O que vai ficando evidente é que mais esse ataque inescrupuloso é o tipo da coisa que tem tudo para dar em nada nessa pescaria em que procuradores de escândalos vêm jogando muito anzol e pegando pouco peixe.
É possível até que alguém monte algum esquema contra Dilma Rousseff e que, em nome da "liberdade de imprensa", os violadores da liberdade de imprensa se juntem a fim de ''vazar'' para o público ''detalhes'' sobre as falsidades e mentiras que estão sendo divulgadas. Em se tratando dessa gente que anda à base da corrupção desbragada, tudo é possível — menos a verdade.
É evidente que não podemos incorrer no mesmo erro deles, de acusar sem provas. Trata-se, com certeza, de uma das piores pragas que envenenam os atuais usos e costumes do ambiente político brasileiro. Acusações, suspeitas e indícios são divulgados pela mídia como se fossem provas de culpabilidade — e a pessoa envolvida se vê condenada antes que consiga abrir a boca para dizer uma única palavra em sua defesa. Mas há coisas que são evidentes demais. Os conluios da mídia com certas operações de representantes do poder público são explícitos.
Argumentar que o país precisa de uma “faxina” com base nessas práticas é algo embrulhado em espetacular hipocrisia. Seria ótimo se as forças políticas realmente comprometidas com a ética na política tivessem forças para avançar nas investigações e passar o Brasil a limpo de alto a baixo, de forma justa, democrática e séria. Mas no jogo político do Brasil de hoje, infelizmente a torpeza é uma moeda corrente.
Mundos e fundos
O problema é que o país está em campanha eleitoral, a mídia tem o seu programa de governo e, diante da necessidade real de tomar uma atitude, achou que o melhor a fazer era apresentar-se mais uma vez como a guardiã da fé.
É possível que os barões da comunicação mobilizem mundos e fundos — principalmente fundos — para sustentar o fogo das denúncias até às barbas das eleições de 2014, de modo a “sangrar” a presidenta, como anunciaram que fariam com Lula. Heraldo Pereira, da TV Globo, por exemplo, anunciou que a “imprensa” vai apurar todo o “esquema de corrupção” até o “último centavo'' — mas, na prática, até agora não esclareceu nem o primeiro.
Vamos enfrentar um incêndio por dia. Eles ignorarão o povo, com o qual não conseguem dialogar, e o próprio bom senso para tentar impor o seu coquetel goela abaixo dos brasileiros. A tática é deixar o eleitor sem entender patavina. Trânsfugas da esquerda, oportunistas de diferentes matizes e chacais enraivecidos serão cada vez mais acionados para este fim. Nessa selva, nunca se sabe onde está o inocente útil e onde está o vilão oportunista.

O Pentágono quer enlouquecer... os “jihadistas”! Acredite quem quiser

Copio aqui, então, o tal parágrafo, enterrado no meio da matéria, e que, se tivesse sido lido, faria os leitores saltarem, em pânico, das poltronas do domingo:
“Consideremos o que os especialistas norte-americanos em computadores estão fazendo pela internet, talvez o mais amplo paraíso seguro de terroristas, pela qual recrutam, levantam dinheiro e planejam ataques futuros em escala global.
Especialistas norte-americanos tornaram-se super eficientes no trabalho de forjar as assinaturas eletrônicas que a Al Qaeda usa para autenticar suas declarações e manifestos distribuídos pela rede, e postam ordens e instruções dirigidas aos militantes, algumas delas tão horrendas que, como o Pentágono espera, farão vacilar a convicção de jovens jihadistas, que ainda não se tenham decidido a abraçar definitivamente a causa; o plano do Pentágono prevê que, ante ordens para que executem ações tão terríveis, muitos jovens recuarão e se afastarão do movimento Jihad.”
Os itálicos são meus. Como os autores sugerem que façamos, espiemos por um momento por essa inacreditável, bizarra, pequena janela que se abre para o modo como o Pentágono pensa. Para começar, não se sabe onde trabalham esses “especialistas norte-americanos em computadores”. Talvez trabalhem no Pentágono, talvez em alguma sala do National Counterterrorism Center, mas, sejam quem forem e trabalhem onde trabalharem, a pergunta da semana, do mês, do ano é a seguinte: “Que diabo serão as tais “ordens e instruções” que distribuem, e que, de “tão horrendas”, “farão vacilar a convicção de jovens jihadistas, que ainda não se tenham decidido a abraçar definitivamente a causa”?
Mesmo que nossos especialistas em computadores fossem, de fato, capazes de convencer jovens muçulmanos ainda vacilantes a desertar de suas crenças jihadista – e eu não apostaria um vintém nas competências do Pentágono nesse campo –, o que estará acontecendo com jovens muçulmanos (e também velhos, por que não?), que absolutamente não sejam vacilantes e já se decidiram a abraçar definitivamente a causa... E que tomem como autênticas as ordens “horrendas” que recebam (do Pentágono), para praticar ações “tão terríveis”?!
É situação potencialmente Frankenstein – e só nos restam perguntas e mais perguntas. Que tipo de monstros os especialistas militares do Pentágono (especialistas em computadores) estão fabricando?
Outra pergunta: quem, exatamente, supervisiona o trabalho desses “especialistas” e as mensagens “horrendas” que saem da cabeça deles? (Deve-se supor que não escrevam em inglês; e todos sabemos que agentes realmente competentes nas línguas árabe, pashtum, dari e farsi – escritas! – são poucos no Pentágono, não estão todos no mesmo local e, assim sendo... Quem confere o que seja lá quem for realmente escreve?!)
Não podemos esquecer que já tivemos exemplo de programa semelhantemente alucinado, sem supervisão possível, que acabou sendo descoberto, chegou aos jornais revelado como escândalo e resultou na morte – real, não cenográfica – de pelo menos dois agentes da Polícia de Fronteira dos EUA, além, é claro, de muitos mexicanos.
No final de 2009, a Agência Federal do Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos lançou um hoje infame programa de rastreamento de armas no Arizona, chamado “Operação Rápidos e Furiosos” (referência a uma série de filmes sobre carros e disputas de ‘rachas’ urbanos). O objetivo era rastrear as armas que os cartéis de drogas vendiam através da fronteira; para tanto, o programa fez circular pela fronteira armas reais; como depois se soube, mais de 2.000. Segundo o Washington Post, os agentes da polícia de fronteira “receberam instruções para não agir nem questionar [os contrabandistas de armas], e deixar as armas serem levadas, com o objetivo de descobrir para onde iam”. Foi exatamente o que os agentes fizeram durante mais de um ano, até que se descobriu – e não se sabe quem ainda não sabia disso – que as armas “chegaram às ruas” e às piores mãos imagináveis.
Jon Stewart, no programa Daily Show, levantou problema interessante: “Se o Plano que a Agência Federal de Armas de Fogo aprovou para impedir que armas norte-americanas caiam na mãos dos cartéis de droga é fornecer armas americanas aos cartéis de droga... Queria saber, por favor: Que planos eles rejeitaram?”
Pode-se fazer a mesma pergunta também sobre o programa anti-jihadismo do Pentágono, que envolve mensagens que, supostamente, devem soar ‘extremistas demais’ aos ouvidos de jovens muçulmanos, a ponto de levá-los a abandonar o movimento. Não seria hora de alguém tomar providências para saber que ‘ordens’ horrendas o Pentágono anda distribuindo para jihadistas?
O que, diabos, os tais “especialistas” estão mandando os jihadistas fazerem? E se, em vez de levá-los a desistir da causa, as ordens “horrendas” forem tomadas ao pé da letra? Afinal, se os jovens jihadistas são pressupostos “confusos e contráditórios”, nada impede que tomem as “ordens horrendas” como... perfeitamente exequíveis e, mesmo, altamente recomendáveis para imediata execução! E se isso acontecer, e os jihadistas interpretarem as ordens de modos não previstos pelos seus mandantes do Pentágono... E se alguém morrer numa dessas “ações horrendas”? E mesmo que em alguns casos funcionem como o Pentágono prevê que funcionem, o que impede que as mesmas mensagens funcionem diferentemente, noutros casos? E o que impede, por exemplo, que algumas daquelas “ordens horrendas” sejam horrendas a ponto de ordenar ações contra norte-americanos?
Não há dúvidas: alguém deve imprimir aquele parágrafo de Schmitt e Shanker num cartaz gigante e colar num muro que se veja do Capitólio, até que alguém exija ampla investigação do ‘programa’ do Pentágono para jihadistas jovens. Se já aconteceu no Comitê de Armas de Fogo, por que não aconteceria também no Pentágono? Alguém consegue pensar em malversação mais completa, do dinheiro dos contribuintes? (...)
Não pensem em “contenção” nem em “detenção”. Pensem em receber o troco, pelo que os EUA estão fazendo ao mundo. E se algum dia descobrirmos que “especialistas em computadores” a serviço do Pentágono e sob ordens do Pentágono podem ser os responsáveis por algum ataque “horrendo” contra nós mesmos?


Nota dos tradutores


11/8/2011, Tom Engelhardt, Tom Dispatch
Aug 17, 2011 Asia Times Obline,
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Inclua o que você lerá adiante na categoria dos parágrafos de jornal que ninguém leu, mas que, se lidos, poriam a nação de cabelos em pé. É parágrafo para provocar calafrios nos políticos, disparar os alarmes de incêndios e catástrofes e ‘ameaças’, e seria excelente motivo para que os deputados e senadores mudassem de assunto e parassem, afinal, de fingir que discutem a ‘crise’ da dívida dos EUA.

Semana passada, dois repórteres do New York Times, Eric Schmitt e Thom Shanker, publicaram matéria na Sunday Review daquele jornal sob o título “Depois do 11/9, uma era de espiões que são cozinheiros, funileiros, encanadores, pedreiros, carpinteiros, alfaiates e jihadistas”.[1] A matéria comentava os mais recentes avanços do pensamento do Pentágono sobre contraterrorismo: a teoria da “detenção” [orig. deterrence]. (Evidentemente, um amálgama de velhas ideias sobre “contenção” da Guerra Fria, com bomba atômica para destruir quem não se deixe “conter” e tenha de ser “detido”, requentadas pelos rapazes que habitam hoje, em tempos de Jihad, o prédio de cinco lados.) O artigo de Schmitt e Shanker é, como os leitores são informados em nota, adaptação de pesquisa que os repórteres estão fazendo para seu próximo livro, Counterstrike: The Untold Story of America’s Secret Campaign Against Al Qaeda.

EUROPA CAVA O FUNDO DO ABISMO. OBAMA JÁ COGITA UM BNDES E UM PAC


A economia do euro está parando. Mergulhada numa tempestade perfeita de asfixia fiscal, desemprego, retração da demanda e vazio assustador de liderança, o continente alterna dias de falso alívio com outros de puro desespero. A quinta-feira é do desespero. Carteiras de ações queimam nas mãos de fundos e investidores que entopem as bolsas com ordens de vendas movidas pela certeza de que amanhã será pior que hoje e qualquer alívio pertence ao ramo das miragens. Pregões despencam nas principais praças. Ventos frios transformam temores em confirmações: França e Alemanha desaceleram; dos EUA chegam números da mesma deriva: vendas de imóveis usados caíram ao nível mais baixo desde 2009; pedidos de seguro desemprego crescem; atividade industrial tombou em Nova Iorque e embicou na Filadelfia. Há coisas piores no cardápio dos próximos dias: em setembro a Itália terá que levantar 50 bilhões de euros para girar sua dívida pública da ordem de 120% do PIB. Os centuriões do euro, Sarkosy e Merkel, jogaram água fria nas esperança de um reforço no fundo europeu de estabilização que pudesse prefigurar uma unificação fiscal solidária. Ao contrário, o que fizeram foi dardejar ameaças de entregar aos leões da especulação as nações que não cumprirem metas de arrocho fiscal em plena recessão.. Não por acaso a bolsa de Milão caía 5,7% na tarde desta 5º feira. As portas vão se fechando. A esperança de que o mundo possa evitar um rastejante ciclo de crise longa e dissolvente, como diz Maria da ConceiçãoTavares, esfarelam-se com maior velocidade cada vez que as lideranças conservadoras abrem a boca e fecham os punhos a bradar mais ortodoxia neoliberal para acudir o desfalecimento do mundo criado por 30 anos de neoliberalismo. Os detentores de carteiras que dependem de robustez econômica engrossam as manadas pró-cíclicas escavando o fundo do abismo das cotações. Uma luz tardia vem das palavras de Obama em sua caravana pré-eleitoral no Meio-Oeste americano. Acossado por críticas à direita e ao centro, o democrata fala em relançar o emprego na maior economia capitalista da terra com incentivos a pequenos e médios negócios. Num vislumbre de ativismo fiscal algo anacrônico depois da derrota para o arrocho do Tea Party, Obama chega a acenar com a criação de um banco de desenvolvimento para infraestrutura. Ou seja, um banco de investimento estatal.Se decidir peitar seus ortodoxos, Obama poderá buscar experiência no maior banco desenvolvimento do mundo: o BNDES. Três vezes maior que o Banco Mundial, graças a ele o país pode acionar uma outra ferramenta anti-cíclica que hoje faz falta aos EUA e demais redutos da autossuficiencia dos mercados:o PAC, plano de aceleração do crescimento, alavanca keynesiana que reúne R$ 1,5 trilhão em obras nos próximos anos, sendoR$ 960 bi até 2014. Números e conceitos de causar urticária em Sarah Palim,assim como provoca brotoejas em seus seguidores tropicais.
(Carta Maior; 5º feira, 18/08/ 2011)

Como diria aquela atriz: “Brasileiro é tão bonzinho”

por Luiz Carlos Azenha
A atriz Kate Lira, com sotaque americano, dizia isso num programa de humor da TV: “Brasileiro é tão bonzinho”.
Ela supostamente não entendia a malandragem dos brasileiros, que agradavam a loira de belas formas com segundas intenções.
Mas a malandragem, como sabemos, é deles.
Walt Disney inventou o Zé Carioca em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, como parte da política de boa vizinhança de Washington.
Não bastou para garantir a base aérea de Natal, essencial para o abastecimento das tropas aliadas na África, mas nos dá a medida da importância política da cultura.
Hoje Hollywood continua sendo uma das indústrias mais vibrantes dos Estados Unidos.
A Índia tem Bollywood.
A Nigéria, Nollywood.
O entretenimento será um setor cada vez mais rentável da economia.
Produzir filmes e programas de TV não significa apenas promover a cultura brasileira, mas também a possibilidade de ampliar o mercado para nossas emissoras e produtoras independentes em direção a Portugal, Angola e Moçambique.
No entanto, quando o Congresso aprova um projeto que exige três horas e meia de programação semanal produzida no Brasil no horário nobre das TVs a cabo, o que equivale a meia hora por dia, tem gente que estrila contra o que seria “dirigismo” estatal.
Ou seja, Hollywood nem precisa gastar fazendo lobby no Brasil, que os próprios brasileiros fazem lobby de graça para Hollywood.
É por isso que a Kate Lira dizia: Ah, esses brasileiros, tão bonzinhos!
PS do Viomundo: A síndrome é tão profunda que, no sorteio da Copa, a Globo vestiu uma saia comprida na Ivete Sangalo e a “domou” com alguns violinos, para fazer a gente se parecer menos com a gente e não assustar as visitas.
O senador que faz lobby, ainda que sem querer, para Hollywood
Leia aqui a lista de cotas existentes em países de todo o mundo
Heloisa Villela pergunta: Afinal, o que quer o Brasil?

A Primeira Guerra Mundial da Globo


Coluna Econômica
As Organizações Globo estão enfrentando sua Primeira Guerra Mundial, desde que tiraram da Tupi o cetro de emissora de maior audiência do país - nos longínquos anos 70.
Nos próximos dias será decidida a questão da transmissão do campeonato de futebol brasileiro. Não se trata de um mero evento esportivo. Se perder a disputa, a Globo colocará em xeque toda sua programação do horário nobre – baseada no hábito diário de acompanhamento de novelas e de jornais televisivos.
Pela primeira vez, poderá perder a liderança de audiência no país.
***

A ameaça é da TV Record, que promete uma proposta de R$ 550 milhões para conseguir os direitos de transmissão junto ao Clube dos 13. Por trás da disputa, há mudanças relevantes na legislação de direito econômico brasileiro.
***
Cada clube esportivo detém direitos de imagem sobre seus jogos.
Para administrar seus interesses, anos atrás a Globo incentivou a formação do Clube dos 13, incumbido de negociar em bloco os direitos dos seus associados – maiores clubes nacionais.
Nos Estados Unidos, por exemplo, grandes clubes recebem direitos de arena superiores aos pequenos clubes. Sob o argumento de que as condições brasileiras eram diferentes, a Globo conseguiu equalizar os direitos de transmissão – todos recebendo a mesma quantia, tática fundamental para transmissões pela televisão aberta, na qual não é possível o pay-per-view (pagar para assistir).
Se um clube com maior audiência ia reclamar, era encaminhado ao Clube dos 13, que tratava de demovê-lo de suas pretensões.
Mais ainda. Através de um contrato leonino, a Globo tinha uma cláusula de preferência, direito ao último lance em cada leilão de transmissão de campeonato. Ou seja, depois do último lance, ela tinha o direito de cobrir a proposta apresentada.
***
Esse modelo foi questionado no CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). A Globo e o Clube dos 13 foram obrigados a assinar um termo de compromisso estabelecendo condições transparentes de disputa. Isto é, cada concorrente chegando com um envelope com sua proposta.
***
Primeiro, a Globo chamou os clubes e tentou convencê-los a baixar o preço, sob a alegação de que a audiência do futebol vem caindo há tempos e o mercado não aceitaria pagar grandes lances pelos direitos de transmissão.
Não conseguiu disfarçar sua preocupação maior: no mundo todo, a emissora que tem o esporte mais popular lidera a audiência. Se perder o futebol, perde a liderança.
O problema maior surgiu na seqüência.
Em outros tempos, não haveria competidores. Apenas uma vez o SBT ousou competir, levando o Campeonato Paulista. Band e Rede TV nunca tiveram bala na agulha.
Agora, apareceu a TV Record dispondo-se a elevar o lance a R$ 550 milhões para a TV aberta. No setor de TV fechada, começa a competição com as teles e, na área da Internet, com os portais.
***
A reação da Globo foi tentar implodir o Clube dos 13. Através de Ronaldo e de comentaristas esportivos conseguiu cooptar o presidente do Corinthians.
Seja qual for o resultado da pendenga, trata-se de um capítulo central nas transformações pelas quais passa a mídia brasileira.

Foi Cerra quem derrubou Rossi ?

 Nas últimas semanas, Rossi foi alvo de inúmeras denúncias de irregularidade, consideradas por ele “falsas”. “(…) Durante os últimos 30 dias, tenho enfrentado uma saraivada de acusações falsas, sem qualquer prova, nenhuma delas indicando um só ato meu que pudesse ser acoimado de ilegal ou impróprio no trato com a coisa pública”, declarou o ministro numa longa carta de demissão. “Tudo falso, tudo rebatido. Mas a campanha insidiosa não parava.”

Demonstrando amargura e rancor, na carta o ex-ministro critica a imprensa e diz saber de onde partiu a “campanha” contra ele. Segundo Rossi, a motivação foi política e estaria relacionada à disputa eleitoral em São Paulo. De acordo com relato de pessoa próxima ao ex-ministro, ele se refere na carta a José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República em 2010. Por meio de sua assessoria, Serra informou que não se pronunciaria sobre a carta de Rossi.

“Todos me estimularam a continuar sendo o primeiro ministro a, com destemor e armado apenas da verdade, enfrentar essa campanha indecente voltada apenas para objetivos políticos, em especial a destituição da aliança de apoio à presidenta Dilma e ao vice-presidente Michel Temer, passando pelas eleições de São Paulo onde, já perceberam, não mais poderão colocar o PMDB a reboque de seus desígnios”, afirma Rossi no documento.

A razão para acreditar que Serra estaria por trás da suposta campanha contra ele, revelou uma fonte, estaria relacionada à hipotética influência do tucano em órgãos de imprensa. Rossi acredita que o que motivou a referida “campanha” teria sido o crescimento do PMDB em São Paulo, onde a sigla é presidida pelo filho do ex-ministro, Baleia Rossi.
Cerra não devolveu os telefonemas do Valor.
No ponto mais agudo da campanha presidencial de 2010, a excelente articulista do Valor (que falta ela faz !) Maria Inês Nassif fez algumas observações singelas sobre o Padim Pade Cerra.

Este ansioso blogueiro soube – de fonte que não pode identificar – que Cerra reclamava muito da seção “Política” do Valor.

Um dos motivos da critica poderia ser, talvez, a Inês.

Até onde este ansioso blogueiro sabe – da fonte que não pode identificar – Cerra teria argumentado: por que um jornal de Economia trata de Política ?

Ele talvez tenha razão.

O Romero que o diga.

Para que, não é isso ?

Pano rápido.

Em tempo: Dilma aprovou o nome de Mendes Ribeiro para o lugar de Rossi na Agricultura.

Paulo Henrique Amorim