
Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
terça-feira, 6 de setembro de 2011
CABEÇAS CALVAS E GRISALHAS AO LADO DA JUVENTUDE E DAS BANDEIRAS VERMELHAS
CABEÇAS CALVAS E GRISALHAS AO LADO DA JUVENTUDE E DAS BANDEIRAS VERMELHAS Bandeiras republicanas, da luta antifranquista e bandeiras da União Geral dos Trabalhadores voltaram às ruas de Madrid neste terça-feira, em passeata que uniu desde o Partido Comunista Espanhol à esquerda anticapitalista. A juventude dos indignados estava presente, mas cabeças calvas e grisalhas sugeriam um novo perfil, não apenas dos manifestantes, mas talvez da luta política.Em Madrid, assim como na Itália, onde os sindicatos paralisaram o sistema de transportes nesta terça-feira, contra o arrocho fiscal de Berlusconi, trabalhadores, centrais sindicais e partidos de esquerda voltaram às ruas para rejeitar propostas de salvação dos mercados que arruínam a sociedade. O protesto espanhol dirigia-se à reforma constitucional liderada pelo PSOE e pela direita do PP. O objetivo é quase um chavão no discurso conservador nos dias que correm: acalmar mercados nervosos, que escalpelam Estados endividados com a machadinha do juro cortante para financiar a dívida pública. Zapatero e o PP de Aznar uniram-se com o propósito de incluir a meta de equilíbrio fiscal na Carta espanhola. Equilíbrio fiscal em si é saudável. Trata-se de uma deformação disseminada pela direita equiparar o keynesianismo ao endividamento temerário do Estado, reduzido assim a um vassalo da senhoriagem rentista. Não há nada de Keynes e muito menos de esquerda nisso.Na verdade,esse foi o modelo implantado pelo ciclo neoliberal, com sua agenda de Estado mínimo, isenção fiscal para os endinheirados e endividamento máximo para financiar políticas públicas intransferíveis aos mercados. Colocou-se assim a máquina pública e o sistema fiscal a serviço dos juros, em vez de servir ao interesse público. O que se pretende agora, na exaustão de uma engrenagem saturada no socorro aos mercados financeiros, é dobrar a aposta na vassalagem, cortando gastos sociais para acalmar credores ressabiados com o risco de um calote.É contra isso que as cabeças grisalhas comunistas voltaram às ruas de Madrid na tarde desta 3º feira, ao lado da juventude, mas resgatando as bandeiras vermelhas e o brasão da luta republicana ao lugar que lhes compete na história. A importância dessas mobilizações não deve ser exagerada. Mas os sinais são auspiciosos. Eles indicam que a travessia para uma nova esquerda converge ao único lugar onde essa tarefa poderá adquirir a velocidade requerida pela gravidade da hora: a fusão de novas e velhas bandeiras nas ruas do mundo. |
Bandeiras republicanas, da luta antifranquista e bandeiras da União Geral dos Trabalhadores voltaram às ruas de Madrid neste terça-feira, em passeata que uniu desde o Partido Comunista Espanhol à esquerda anticapitalista. A juventude dos indignados estava presente, mas cabeças calvas e grisalhas sugeriam um novo perfil, não apenas dos manifestantes, mas talvez da luta política.Em Madrid, assim como na Itália, onde os sindicatos paralisaram o sistema de transportes nesta terça-feira, contra o arrocho fiscal de Berlusconi, trabalhadores, centrais sindicais e partidos de esquerda voltaram às ruas para rejeitar propostas de salvação dos mercados que arruínam a sociedade. O protesto espanhol dirigia-se à reforma constitucional liderada pelo PSOE e pela direita do PP. O objetivo é quase um chavão no discurso conservador nos dias que correm: acalmar mercados nervosos, que escalpelam Estados endividados com a machadinha do juro cortante para financiar a dívida pública. Zapatero e o PP de Aznar uniram-se com o propósito de incluir a meta de equilíbrio fiscal na Carta espanhola. Equilíbrio fiscal em si é saudável. Trata-se de uma deformação disseminada pela direita equiparar o keynesianismo ao endividamento temerário do Estado, reduzido assim a um vassalo da senhoriagem rentista. Não há nada de Keynes e muito menos de esquerda nisso.Na verdade,esse foi o modelo implantado pelo ciclo neoliberal, com sua agenda de Estado mínimo, isenção fiscal para os endinheirados e endividamento máximo para financiar políticas públicas intransferíveis aos mercados. Colocou-se assim a máquina pública e o sistema fiscal a serviço dos juros, em vez de servir ao interesse público. O que se pretende agora, na exaustão de uma engrenagem saturada no socorro aos mercados financeiros, é dobrar a aposta na vassalagem, cortando gastos sociais para acalmar credores ressabiados com o risco de um calote.É contra isso que as cabeças grisalhas comunistas voltaram às ruas de Madrid na tarde desta 3º feira, ao lado da juventude, mas resgatando as bandeiras vermelhas e o brasão da luta republicana ao lugar que lhes compete na história. A importância dessas mobilizações não deve ser exagerada. Mas os sinais são auspiciosos. Eles indicam que a travessia para uma nova esquerda converge ao único lugar onde essa tarefa poderá adquirir a velocidade requerida pela gravidade da hora: a fusão de novas e velhas bandeiras nas ruas do mundo. |
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Folha ‘atacou’ Alckmin para simular ‘isenção’
Sim, você leu direito: enfim algum grande meio de comunicação publicou uma “denúncia” contra um tucano. Na verdade, o que é mais surpreendente é que a “denúncia” cita familiares do governador Geraldo Alckmin, o que, até então, pensava-se ser regalia exclusiva de petistas. E, para completar, foi parar na primeira página (!?) da Folha de São Paulo.
Corte para a entrevista que o ex-ministro José Dirceu concedeu no último domingo ao programa É Notícia!, da Rede TV, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar, que também trabalha na Folha. Lá pelas tantas, travou-se um diálogo entre entrevistador e entrevistado que explicará o súbito surto de “imparcialidade” do jornal paulista.
—–
(…)
Kennedy Alencar – O PT ajudou a implantar no Brasil um padrão ético muito rigoroso. Cobrava muito dos outros partidos.O senhor mesmo, na CPI do Collor… Mas o PT tem dificuldade de aceitar ser cobrado pelo mesmo padrão que ele cobrava os outros. Aí, como o Jaques Wagner já disse, não é o pecado do pregador? O PT não tem que ser mais cobrado, ministro, porque, justamente, foi o partido que cobrava muito dos outros ética?
José Dirceu – O PT é o único partido cobrado…
Alencar – Não é verdade…
Dirceu – Os escândalos do PSDB…
Alencar – Não é verdade…
Dirceu – Os escândalos do PSDB…
Alencar – O PR, agora…
Dirceu – Não, estou falando da oposição. Os escândalos do PSDB, geralmente…
Alencar – Recentemente teve uma matéria na Folha sobre familiares da mulher do governador de São Paulo.
Dirceu – Mas os grandes escândalos não se transformaram em grandes matérias jornalísticas.
Alencar – Mas o PT não merece ser mais cobrado?
(…)
—–
Primeiramente, a idéia de Alencar é absurda. Por que o PT merece ser mais cobrado? Porque exigia ética quando estava na oposição? Ora, o PSDB exige ética do PT no governo federal há quase nove anos e nem por isso a mídia cobra os tucanos em São Paulo. O PSDB também merece ser mais cobrado?
Mas o fato principal não é esse. Viram como Alencar aludiu à primeira e única matéria supostamente incômoda para o governador de São Paulo que saiu na primeira página – e, provavelmente, nas páginas internas – neste ano? Então… Foi para isso.
A matéria saiu no dia 30 do mês passado e nunca mais se tocou no assunto. E ela não se espalhou pela mídia paulista, como acontece com as matérias contra o PT. Ficou circunscrita àquela edição isolada da Folha e, de acordo com o que costuma acontecer quando algum veículo publica alguma coisa incômoda para os tucanos, o assunto desaparece logo depois e não volta nunca mais.
Dirceu cometeu um erro, naquele ponto da entrevista. Deixou o dito pelo não dito. Não insistiu no assunto de que, como disse a Alencar, o PT é o único partido de quem a mídia cobra ética. Se explorasse o tema encurralaria o lépido entrevistador, apesar de ter se saído bem na entrevista.
A matéria da Folha é uma piada. Não tem nada que ver com o governador. A empresa de familiares de Lu Alckmin é investigada sob suspeita de ter se beneficiado de uma fraude de R$ 4 milhões contra a Prefeitura de São Paulo. O caso ocorreu entre 1994 e 1999. A fraude apontada teria sido efetuada na gestão do então prefeito Celso Pitta, já morto.
Em 2001, a prefeita Marta Suplicy ( PT) mandou arquivar o caso contra o adversário político. Claro que não foi em frente porque a denúncia não tinha futuro. Por isso a Folha publicou.
Dirceu perdeu a chance de citar todos os escândalos tucanos que a mídia esconde. O do Rodoanel (superfaturamento), o das obras de desassoreamento do rio Tietê (dinheiro foi desviado das obras para publicidade do governo Serra), sem falar em mais de cem pedidos de CPI que dormitam na Assembléia Legislativa paulista por ordem do PSDB, e a imprensa não dá um pio.
Poderia ter sido feito um desafio a Alencar: apurar os últimos doze meses de matérias da Folha, ao menos, e quantificar quantas denúncias o jornal fez contra governos petistas e tucanos. Acabaria com a conversa e desmontaria a estratégia da mídia de publicar alguma denúncia besta contra o PSDB episodicamente para se dizer “isenta”.
O que se pode extrair disso tudo é que esse jornal encenar tal farsa – que Alencar usou descaradamente – revela que a mídia está acusando o golpe. Ou seja: se tenta provar que é isenta é porque se sente incomodada pelos que dizem que não é. Certamente acha – ou sabe – que, apesar de não falarmos tão alto quanto ela, acabamos sendo ouvidos.
—–
ATUALIZAÇÃO
6 de setembro de 2011 às 14:30 hs
Se a Folha quer mesmo fiscalizar escândalos envolvendo Alckmin, que tal ir onde há fumaça? Abaixo, um foco para o jornalão “isento” fiscalizar.
A filha de Alckmin e o contrabando da Daslu
Altamiro Borges
Talvez por sua formação puritana no Opus Dei, o candidato Geraldo Alckmin gosta de se fingir de casto e imaculado. No debate da TV Bandeirantes, ele fez questão de se mostrar “indignado” com a corrupção e criticou o fato de o presidente Lula repetir que “não sabia” dos desvios de conduta no seu governo. “É só perguntar aos seus amigos de 30 anos”, alfinetou o falso moralista num momento de cólera bem ensaiado.
Mas, para ser conseqüente e manter as aparências, Alckmin deveria ter se desculpado em público por ter cortado a fita de inauguração da Daslu, templo de consumo dos ricaços, hoje processada por contrabando, sonegação fiscal e outras crimes. “Eu não sabia”, deveria ter tido. Também poderia pedir desculpas por sua filha, Sophia Alckmin, ter sido gerente de compras nesta loja de contrabandistas. “Eu não sabia”. E ainda deveria explicar porque os diretores da Daslu, sempre acompanhados de sua filha, reuniram-se com o secretário da Fazenda do seu governo, Eduardo Guardia. “Eu não sabia”. Entre uma pregação do Opus Dei e sua agenda de governador, talvez não tenha tido tempo para acompanhar os negócios de sua filha!
Alckmin chegou de helicóptero
A nova loja da Daslu, um prédio de quatro andares e 20 mil metros quadrados, situada num bairro nobre da capital, foi inaugurada em junho de 2005. A colunista Mônica Bérgamo, do jornal Folha de S.Paulo, descreveu a festança dos ricaços com ares de ironia. “E soam os violinos da Daslu Orchestra, formada por 50 músicos. São 12 horas de sábado. Alckmin, que chegou ao prédio de helicóptero, desfaz a fita. ‘A Daslu é o traço de união entre o bom gosto e muitas oportunidades de trabalho’, diz. Só para a família Alckmin são duas: trabalham lá a filha [diretora de novos negócios da butique] e a cunhada dele, Vera”.
Ainda segundo a picante crônica de Mônica Bérgamo, “Sophia puxa o pai pelo braço: começa o tour pela Daslu. Primeiro piso, importados femininos. Alckmin entra na Chanel, onde um smoking de veludo preto é vendido a R$ 22.600, uma sandália de cetim, gurgurão e pérolas sai por R$ 2.900 e uma bolsa multipocket, por R$ 14.000. As vendedoras informam que há mais de 50 pessoas na fila em São Paulo para comprar o mimo, até baratinho se comparado à bolsa Dior de couro de crocodilo, de R$ 39.980, e à mais cara Louis Vuitton, com pele de mink: R$ 23 mil”.
“Vou colocar um jeans”
“Sophia leva o pai até o segundo pavimento. Mostra um helicóptero pendurado no teto. ‘Que lindas as motos, Sô’, diz Lu Alckmin à filha ao ver, encostada perto da escada, uma moto Harley Davidson (R$ 195 mil). Alckmin entra na Ermenegildo Zegna, passa pela Ralph Lauren, onde uma camiseta pode custar R$ 2.460. ‘É tudo muito colorido aqui’, observa. Os carros chamam a atenção do governador. Estão em exibição um Volvo de R$ 365 mil, lanchas de R$ 7 milhões, TVs de plasma de R$ 300 mil”.
”O governador começa a fazer o caminho de volta. Os repórteres perguntam a Lu Alckmin: A senhora está de bolsa Chanel. E a blusa? ‘É Burberry’, responde Lu. ‘Gosto de peças clássicas’. O governador, que diz comprar só ‘umas camisas’ na Daslu, aperta o passo. Ainda vai a Carapicuíba. E Lu tem que correr para o Palácio dos Bandeirantes. Precisa se trocar, ‘colocar um jeans’, para outro compromisso: um evento na Água Branca em que caminhões de vários bairros entregarão agasalhos doados para as crianças pobres da cidade enfrentarem o inverno que se avizinha”, conclui, sarcástica, Mônica Bérgamo.
“Uma organização criminosa”
Poucos meses depois do ex-governador cortar a fita inaugural da Daslu, um antigo processo judicial contra os donos da butique de luxo finalmente ganhou agilidade. No final de dezembro, a juíza Maria Isabel do Prado, da 2a Vara de Justiça Federal de Guarulhos (SP), recebeu os livros contábeis e fiscais da loja. Para ter acesso a estes documentos, a juíza chegou a ameaçar de prisão a dona da butique, Eliana Tranchesi, o seu irmão Antonio Carlos Piva e os responsáveis pela contabilidade do estabelecimento.
Tais papéis comprovaram a denúncia do Ministério Público Federal de que a Daslu atua em conluio com importadoras para substituir notas fiscais fornecidas por grifes estrangeiras por notas falsas subfaturadas. Com base nos livros fiscais e contábeis, Eliana e seu irmão foram acusados de formação de quadrilha, importação irregular e falsidade ideológica. No caso da influente proprietária, a soma de penas por estes crimes chega a 21 anos de prisão. Segundo Jefferson Dias, procurador da República, a Daslu agia como uma quadrilha. “Trata-se de uma organização criminosa pela hierarquia e a divisão de tarefas que existia”.
Devido aos seus estreitos vínculos com figurões da elite e autoridades do governo estadual, a trambiqueira de luxo sequer tomou os cuidados que outros sonegadores costumam adotar. “A sensação de impunidade fez com que eles se descuidassem e a situação ficou descontrolada”, argumenta Matheus Magnani, outro procurador envolvido na apuração. Eliana Tranchesi participava diretamente do esquema ilícito, chegando a enviar aos fornecedores estrangeiros pedido em inglês para que eles não remetessem faturas verdadeiras dos produtos. A proprietária ainda foi acusada de crime contra a ordem tributária e evasão de divisa.
ACM chorou e Bornhausen esbravejou
Diante destas graves acusações e da tentativa de ocultar provas, em 13 de junho de 2006, a Polícia Federal acionou a Operação Narciso e ocupou a Daslu com 250 agentes e 80 auditores fiscais. A inédita operação foi elogiada pela sociedade, mas os ricaços, a mídia e vários políticos da elite fizeram um baita escândalo. A asquerosa revista Veja chegou a afirmar que a ação da PF era uma jogada do governo Lula para abafar a crise política. O senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, criticou o “revanchismo”. Já o coronel Antônio Carlos Magalhães, assíduo freqüentador da loja, chorou ao falar ao telefone com a contraventora detida por algumas horas. E a poderosa Federação da Indústria de São Paulo convocou um ato de repúdio.
O líder do PSDB, deputado Alberto Goldman, foi quem explicitou a forma de agir da burguesia. Para ele, “essa prisão pode gerar uma crise econômica. O empresário vai dizer: para que vou investir no Brasil se posso ser preso?”. Ou seja: na concepção tucana, só quem pode ser preso no país é o ladrão de galinha! O empresário que sonega imposto, remete ilegalmente dinheiro ao exterior ou comete outros crimes não pode ser tocado e ainda conta com a ajuda de certos políticos – que depois serão recompensados nas suas campanhas. O escândalo da Daslu explicitou que a corrupção é regra no mundo dos negócios capitalistas.
Reuniões na Secretaria da Fazenda
A Operação Narciso também levantou fortes suspeitas sobre a atuação do governador Geraldo Alckmin, que havia inaugurado o mega-loja de luxo na capital paulista. Na ocasião, a mídia destacou o fato da sua filha, Sophia Alckmin, ser uma prestigiada “dasluzete”, responsável pelo setor de novos negócios da loja. No rastro da ação da PF, surgiram denúncias de que esta influente funcionária já havia se reunido com o secretário da Fazenda de São Paulo, Eduardo Guardia. O governo negou e a mídia preferiu o silêncio!
Mas, convocado para depor na Assembléia Legislativa, Guardia admitiu que a filha de Alckmin estivera na sede da secretaria junto com outros chefões da Daslu em, pelo menos, duas vezes no primeiro semestre de 2005. As visitas ocorreram exatamente no período em que loja solicitou autorização da Fazenda para instalar um sistema de vendas com caixa único, algo pouco usado no país e mais vulnerável à sonegação. O secretário negou qualquer “concessão de privilégios”, mas gaguejou ao explicar a visita da “ilustre” filha do governador. Uma auditoria especial do Tribunal de Contas foi solicitada para averiguar o caso.
Para Renato Simões, deputado estadual do PT, não resta dúvida sobre os vínculos do ex-governador com a Daslu. “Os líderes da bancada governista primeiro negaram a presença da filha do Alckmin na Fazenda. O secretário, por sua vez, confirmou a ida. Isso significa que houve uma tentativa de usar o nome da filha do governador para agilizar a tramitação do processo do caixa único”. A tucanagem paulista, que hoje tenta posar de vestal da ética e adora ostentar o luxo desta butique das trambicagens, deve uma explicação à sociedade. A mídia venal, que evita tratar do assunto com o destaque que ele merece, também! Já o presidenciável Geraldo Alckmin, caso seja acuado, poderá dizer: “Eu não sabia”.
Corte para a entrevista que o ex-ministro José Dirceu concedeu no último domingo ao programa É Notícia!, da Rede TV, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar, que também trabalha na Folha. Lá pelas tantas, travou-se um diálogo entre entrevistador e entrevistado que explicará o súbito surto de “imparcialidade” do jornal paulista.
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Kennedy Alencar – O PT ajudou a implantar no Brasil um padrão ético muito rigoroso. Cobrava muito dos outros partidos.O senhor mesmo, na CPI do Collor… Mas o PT tem dificuldade de aceitar ser cobrado pelo mesmo padrão que ele cobrava os outros. Aí, como o Jaques Wagner já disse, não é o pecado do pregador? O PT não tem que ser mais cobrado, ministro, porque, justamente, foi o partido que cobrava muito dos outros ética?
José Dirceu – O PT é o único partido cobrado…
Alencar – Não é verdade…
Dirceu – Os escândalos do PSDB…
Alencar – Não é verdade…
Dirceu – Os escândalos do PSDB…
Alencar – O PR, agora…
Dirceu – Não, estou falando da oposição. Os escândalos do PSDB, geralmente…
Alencar – Recentemente teve uma matéria na Folha sobre familiares da mulher do governador de São Paulo.
Dirceu – Mas os grandes escândalos não se transformaram em grandes matérias jornalísticas.
Alencar – Mas o PT não merece ser mais cobrado?
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Primeiramente, a idéia de Alencar é absurda. Por que o PT merece ser mais cobrado? Porque exigia ética quando estava na oposição? Ora, o PSDB exige ética do PT no governo federal há quase nove anos e nem por isso a mídia cobra os tucanos em São Paulo. O PSDB também merece ser mais cobrado?
Mas o fato principal não é esse. Viram como Alencar aludiu à primeira e única matéria supostamente incômoda para o governador de São Paulo que saiu na primeira página – e, provavelmente, nas páginas internas – neste ano? Então… Foi para isso.
A matéria saiu no dia 30 do mês passado e nunca mais se tocou no assunto. E ela não se espalhou pela mídia paulista, como acontece com as matérias contra o PT. Ficou circunscrita àquela edição isolada da Folha e, de acordo com o que costuma acontecer quando algum veículo publica alguma coisa incômoda para os tucanos, o assunto desaparece logo depois e não volta nunca mais.
Dirceu cometeu um erro, naquele ponto da entrevista. Deixou o dito pelo não dito. Não insistiu no assunto de que, como disse a Alencar, o PT é o único partido de quem a mídia cobra ética. Se explorasse o tema encurralaria o lépido entrevistador, apesar de ter se saído bem na entrevista.
A matéria da Folha é uma piada. Não tem nada que ver com o governador. A empresa de familiares de Lu Alckmin é investigada sob suspeita de ter se beneficiado de uma fraude de R$ 4 milhões contra a Prefeitura de São Paulo. O caso ocorreu entre 1994 e 1999. A fraude apontada teria sido efetuada na gestão do então prefeito Celso Pitta, já morto.
Em 2001, a prefeita Marta Suplicy ( PT) mandou arquivar o caso contra o adversário político. Claro que não foi em frente porque a denúncia não tinha futuro. Por isso a Folha publicou.
Dirceu perdeu a chance de citar todos os escândalos tucanos que a mídia esconde. O do Rodoanel (superfaturamento), o das obras de desassoreamento do rio Tietê (dinheiro foi desviado das obras para publicidade do governo Serra), sem falar em mais de cem pedidos de CPI que dormitam na Assembléia Legislativa paulista por ordem do PSDB, e a imprensa não dá um pio.
Poderia ter sido feito um desafio a Alencar: apurar os últimos doze meses de matérias da Folha, ao menos, e quantificar quantas denúncias o jornal fez contra governos petistas e tucanos. Acabaria com a conversa e desmontaria a estratégia da mídia de publicar alguma denúncia besta contra o PSDB episodicamente para se dizer “isenta”.
O que se pode extrair disso tudo é que esse jornal encenar tal farsa – que Alencar usou descaradamente – revela que a mídia está acusando o golpe. Ou seja: se tenta provar que é isenta é porque se sente incomodada pelos que dizem que não é. Certamente acha – ou sabe – que, apesar de não falarmos tão alto quanto ela, acabamos sendo ouvidos.
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ATUALIZAÇÃO
6 de setembro de 2011 às 14:30 hs
Se a Folha quer mesmo fiscalizar escândalos envolvendo Alckmin, que tal ir onde há fumaça? Abaixo, um foco para o jornalão “isento” fiscalizar.
A filha de Alckmin e o contrabando da Daslu
Altamiro Borges
Talvez por sua formação puritana no Opus Dei, o candidato Geraldo Alckmin gosta de se fingir de casto e imaculado. No debate da TV Bandeirantes, ele fez questão de se mostrar “indignado” com a corrupção e criticou o fato de o presidente Lula repetir que “não sabia” dos desvios de conduta no seu governo. “É só perguntar aos seus amigos de 30 anos”, alfinetou o falso moralista num momento de cólera bem ensaiado.
Mas, para ser conseqüente e manter as aparências, Alckmin deveria ter se desculpado em público por ter cortado a fita de inauguração da Daslu, templo de consumo dos ricaços, hoje processada por contrabando, sonegação fiscal e outras crimes. “Eu não sabia”, deveria ter tido. Também poderia pedir desculpas por sua filha, Sophia Alckmin, ter sido gerente de compras nesta loja de contrabandistas. “Eu não sabia”. E ainda deveria explicar porque os diretores da Daslu, sempre acompanhados de sua filha, reuniram-se com o secretário da Fazenda do seu governo, Eduardo Guardia. “Eu não sabia”. Entre uma pregação do Opus Dei e sua agenda de governador, talvez não tenha tido tempo para acompanhar os negócios de sua filha!
Alckmin chegou de helicóptero
A nova loja da Daslu, um prédio de quatro andares e 20 mil metros quadrados, situada num bairro nobre da capital, foi inaugurada em junho de 2005. A colunista Mônica Bérgamo, do jornal Folha de S.Paulo, descreveu a festança dos ricaços com ares de ironia. “E soam os violinos da Daslu Orchestra, formada por 50 músicos. São 12 horas de sábado. Alckmin, que chegou ao prédio de helicóptero, desfaz a fita. ‘A Daslu é o traço de união entre o bom gosto e muitas oportunidades de trabalho’, diz. Só para a família Alckmin são duas: trabalham lá a filha [diretora de novos negócios da butique] e a cunhada dele, Vera”.
Ainda segundo a picante crônica de Mônica Bérgamo, “Sophia puxa o pai pelo braço: começa o tour pela Daslu. Primeiro piso, importados femininos. Alckmin entra na Chanel, onde um smoking de veludo preto é vendido a R$ 22.600, uma sandália de cetim, gurgurão e pérolas sai por R$ 2.900 e uma bolsa multipocket, por R$ 14.000. As vendedoras informam que há mais de 50 pessoas na fila em São Paulo para comprar o mimo, até baratinho se comparado à bolsa Dior de couro de crocodilo, de R$ 39.980, e à mais cara Louis Vuitton, com pele de mink: R$ 23 mil”.
“Vou colocar um jeans”
“Sophia leva o pai até o segundo pavimento. Mostra um helicóptero pendurado no teto. ‘Que lindas as motos, Sô’, diz Lu Alckmin à filha ao ver, encostada perto da escada, uma moto Harley Davidson (R$ 195 mil). Alckmin entra na Ermenegildo Zegna, passa pela Ralph Lauren, onde uma camiseta pode custar R$ 2.460. ‘É tudo muito colorido aqui’, observa. Os carros chamam a atenção do governador. Estão em exibição um Volvo de R$ 365 mil, lanchas de R$ 7 milhões, TVs de plasma de R$ 300 mil”.
”O governador começa a fazer o caminho de volta. Os repórteres perguntam a Lu Alckmin: A senhora está de bolsa Chanel. E a blusa? ‘É Burberry’, responde Lu. ‘Gosto de peças clássicas’. O governador, que diz comprar só ‘umas camisas’ na Daslu, aperta o passo. Ainda vai a Carapicuíba. E Lu tem que correr para o Palácio dos Bandeirantes. Precisa se trocar, ‘colocar um jeans’, para outro compromisso: um evento na Água Branca em que caminhões de vários bairros entregarão agasalhos doados para as crianças pobres da cidade enfrentarem o inverno que se avizinha”, conclui, sarcástica, Mônica Bérgamo.
“Uma organização criminosa”
Poucos meses depois do ex-governador cortar a fita inaugural da Daslu, um antigo processo judicial contra os donos da butique de luxo finalmente ganhou agilidade. No final de dezembro, a juíza Maria Isabel do Prado, da 2a Vara de Justiça Federal de Guarulhos (SP), recebeu os livros contábeis e fiscais da loja. Para ter acesso a estes documentos, a juíza chegou a ameaçar de prisão a dona da butique, Eliana Tranchesi, o seu irmão Antonio Carlos Piva e os responsáveis pela contabilidade do estabelecimento.
Tais papéis comprovaram a denúncia do Ministério Público Federal de que a Daslu atua em conluio com importadoras para substituir notas fiscais fornecidas por grifes estrangeiras por notas falsas subfaturadas. Com base nos livros fiscais e contábeis, Eliana e seu irmão foram acusados de formação de quadrilha, importação irregular e falsidade ideológica. No caso da influente proprietária, a soma de penas por estes crimes chega a 21 anos de prisão. Segundo Jefferson Dias, procurador da República, a Daslu agia como uma quadrilha. “Trata-se de uma organização criminosa pela hierarquia e a divisão de tarefas que existia”.
Devido aos seus estreitos vínculos com figurões da elite e autoridades do governo estadual, a trambiqueira de luxo sequer tomou os cuidados que outros sonegadores costumam adotar. “A sensação de impunidade fez com que eles se descuidassem e a situação ficou descontrolada”, argumenta Matheus Magnani, outro procurador envolvido na apuração. Eliana Tranchesi participava diretamente do esquema ilícito, chegando a enviar aos fornecedores estrangeiros pedido em inglês para que eles não remetessem faturas verdadeiras dos produtos. A proprietária ainda foi acusada de crime contra a ordem tributária e evasão de divisa.
ACM chorou e Bornhausen esbravejou
Diante destas graves acusações e da tentativa de ocultar provas, em 13 de junho de 2006, a Polícia Federal acionou a Operação Narciso e ocupou a Daslu com 250 agentes e 80 auditores fiscais. A inédita operação foi elogiada pela sociedade, mas os ricaços, a mídia e vários políticos da elite fizeram um baita escândalo. A asquerosa revista Veja chegou a afirmar que a ação da PF era uma jogada do governo Lula para abafar a crise política. O senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, criticou o “revanchismo”. Já o coronel Antônio Carlos Magalhães, assíduo freqüentador da loja, chorou ao falar ao telefone com a contraventora detida por algumas horas. E a poderosa Federação da Indústria de São Paulo convocou um ato de repúdio.
O líder do PSDB, deputado Alberto Goldman, foi quem explicitou a forma de agir da burguesia. Para ele, “essa prisão pode gerar uma crise econômica. O empresário vai dizer: para que vou investir no Brasil se posso ser preso?”. Ou seja: na concepção tucana, só quem pode ser preso no país é o ladrão de galinha! O empresário que sonega imposto, remete ilegalmente dinheiro ao exterior ou comete outros crimes não pode ser tocado e ainda conta com a ajuda de certos políticos – que depois serão recompensados nas suas campanhas. O escândalo da Daslu explicitou que a corrupção é regra no mundo dos negócios capitalistas.
Reuniões na Secretaria da Fazenda
A Operação Narciso também levantou fortes suspeitas sobre a atuação do governador Geraldo Alckmin, que havia inaugurado o mega-loja de luxo na capital paulista. Na ocasião, a mídia destacou o fato da sua filha, Sophia Alckmin, ser uma prestigiada “dasluzete”, responsável pelo setor de novos negócios da loja. No rastro da ação da PF, surgiram denúncias de que esta influente funcionária já havia se reunido com o secretário da Fazenda de São Paulo, Eduardo Guardia. O governo negou e a mídia preferiu o silêncio!
Mas, convocado para depor na Assembléia Legislativa, Guardia admitiu que a filha de Alckmin estivera na sede da secretaria junto com outros chefões da Daslu em, pelo menos, duas vezes no primeiro semestre de 2005. As visitas ocorreram exatamente no período em que loja solicitou autorização da Fazenda para instalar um sistema de vendas com caixa único, algo pouco usado no país e mais vulnerável à sonegação. O secretário negou qualquer “concessão de privilégios”, mas gaguejou ao explicar a visita da “ilustre” filha do governador. Uma auditoria especial do Tribunal de Contas foi solicitada para averiguar o caso.
Para Renato Simões, deputado estadual do PT, não resta dúvida sobre os vínculos do ex-governador com a Daslu. “Os líderes da bancada governista primeiro negaram a presença da filha do Alckmin na Fazenda. O secretário, por sua vez, confirmou a ida. Isso significa que houve uma tentativa de usar o nome da filha do governador para agilizar a tramitação do processo do caixa único”. A tucanagem paulista, que hoje tenta posar de vestal da ética e adora ostentar o luxo desta butique das trambicagens, deve uma explicação à sociedade. A mídia venal, que evita tratar do assunto com o destaque que ele merece, também! Já o presidenciável Geraldo Alckmin, caso seja acuado, poderá dizer: “Eu não sabia”.
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Inês Nassif:Congresso do PT deixa o ar entrar
O Conversa Afiada reproduz texto de Maria Inês Nassif extraído da Carta Maior:
Clique aqui para ler “Dirceu: Congresso é que vai promover a Ley de Medios”.
E aqui para ler “Reaproximação com movimentos sociais reúne aliados do PT”.
Um sopro de vida orgânica no PT
O documento aprovado no Congresso do PT é uma tentativa de resgatar a organicidade política do partido que, depois de oito anos de governo Lula (e oito meses de Dilma) acabou se conformando como uma mera unidade pró-governo. É uma tentativa de sair da arena da luta meramente institucional com os partidos aliados e ganhar a opinião pública para suas bandeiras.
Maria Inês Nassif
Não se recomenda reduzir o Congresso do PT, realizado no final de semana, a um mero jogo de cena. A ausência de debates acalorados ou a não explicitação de grandes divergências internas dizem mais do que isso. Ao longo de oito anos de governo, e no início de um terceiro mandato na Presidência, era inevitável que mudanças se produzissem num partido que sempre funcionou como uma frente de tendências de esquerda, setores sindicais e grupos ligados à Igreja Progressista.
O PT passa por um processo de mudança que se iniciou em 1998, após a terceira derrota de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência. Ao longo do tempo, sofreu defecções próprias de um partido que se consolidou na oposição e como partido de esquerda que, uma vez no poder, não teria condições de governabilidade se não optasse por uma política de alianças mais ampla e maleável.
Muita água rolou debaixo da ponte desde a formação do PT, em 1980. Sofreu rachas que resultaram no PSTU e no PSol; não apenas perdeu setores ligados à Teologia da Libertação, como os que lá permaneceram vivem o ostracismo a eles imposto nos dois últimos papados (de João Paulo II e de Bento XVI); amargou as crises do chamado Mensalão e dos “Aloprados”, que resultaram não apenas em desgaste popular, mas em perdas de quadros importantes para a dinâmica interna, sangria iniciada na formação do Ministério petista; foi de alguma forma redimido pelo sucesso dos governos Lula, mas para isso teve que pegar carona na popularidade de um líder carismático que detinha o poder do presidencialismo.
O resultado foi um esvaziamento de quadros dirigentes, uma crise interna que se estendeu no tempo, inclusive pela falta de mediadores com o peso de Lula, e uma perda de peso relativo em relação aos demais partidos da base aliada, embora permaneça com uma grande bancada no Congresso.
Essa conjunção de desgraças poderia ter reduzido o partido a pó, à semelhança do que acontece com o desidratado DEM, ex-PFL. Não foi o que aconteceu. Primeiro, porque continua partido do governo – e num sistema presidencialista, isto não é pouco, nem para o PT (embora, por justiça, é preciso lembrar que o partido, desde a sua criação, teve um crescimento eleitoral contínuo, mesmo na oposição, e apenas sofreu uma queda eleitoral em 2006, quando era governo e apesar da reeleição de Lula). Em segundo lugar, porque a sangria de quadros não alterou a realidade de que o partido ainda é o único que dispõe de quadros, não apenas os nascidos de sua organização mas também os originários da esquerda pré-redemocratização.
A vantagem disso é que, mesmo com a proliferação de grupos articulados em torno de líderes paroquiais (isso também existe no PT), prevalece, inclusive numericamente, a ideia de que a organicidade partidária é a grande vantagem de que desfruta em relação aos partidos da base aliada, nas contendas com o governo.
As dificuldades que o governo Lula e o PT enfrentaram a partir de 2005 também colocaram como questão eleitoral para o partido a atração dos movimentos sociais, afastados nos primeiros anos de governo petista, e a inclusão dos setores que ascenderam à sociedade de consumo nesse período graças às políticas de inclusão do governo petista. Se o partido não capitalizar esses setores agora, não conseguirá dividir esse legado com Lula. Ou o perderá para o PSDB, que investe na “nova classe média” partindo do conceito clássico de que esse setor social tem grande tendência ao conservadorismo. O PSDB quer conquistar os setores que emergiram no governo petista pela direita; o PT tenta fidelizá-lo com um discurso mais progressista, para não perder o apoio das classes mais baixas que, se não chegaram às classes médias, ascenderam à sociedade de consumo nos governos petistas.
A defecção de grupos de esquerda e a divisão das responsabilidades de governo com tendências que se desentendiam internamente permitiram o milagre da unidade, num momento de crise em que se apostaria na fatalidade da desunião. A saída de Lula do governo e uma aposta na incapacidade da presidenta Dilma Rousseff nas questões de natureza política reiteravam essa previsão. Não foi tão ruim assim. E, pensando bem, pode ser uma grande chance para o PT encontrar o equilíbrio entre os interesses do partido e as exigências do governo.
O documento do PT, aprovado no encontro, é uma tentativa de resgatar a organicidade política do partido que, depois de oito anos de governo Lula (mais oito meses de Dilma) acabou se conformando como uma mera unidade pró-governo. É uma tentativa de ter suas próprias bandeiras, no suposto de que o partido deve assumir o papel de abrir espaço, na sociedade, para medidas de caráter mais progressista. Entenda-se a manifestação política do Congresso do PT como uma tentativa de sair da arena da luta meramente institucional com os partidos aliados e ganhar a opinião pública para suas bandeiras. Por enquanto, o único mérito é tentar retomar o seu papel de intelectual orgânico. Será um grande mérito, contudo, se conseguir levar essa missão a bom termo.
Clique aqui para ler “Dirceu: Congresso é que vai promover a Ley de Medios”.
E aqui para ler “Reaproximação com movimentos sociais reúne aliados do PT”.
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Dirceu: Congresso é que vai promover a Ley de Medios
Cardozo, Dirceu e Bernardo são do PT
O ex-Ministro José Dirceu deu uma entrevista a este ansioso blogueiro, que vai ao ar nesta terça-feira, na Record News, às 22h15, logo depois do programa do Heródoto Barbeiro.
Dirceu tratou da invasão de domicílio praticada pela revista Veja e das providências que pretende tomar.
Este ansioso blogueiro contrastou a decisão do Congresso do PT, que defendeu uma Ley de Medios, com o acelerado recuo do Ministro Bernardo, que evita passar perto do controle remoto para não tirar da Globo.
José Dirceu disse e repetiu que a discussão e a decisão se travarão no Congresso Nacional.
Dirceu enfatizou: a batalha se travará no Congresso.
Este ansioso blogueiro desconfia que José Dirceu não é do tipo de acender fósforo sem charuto (de preferência cubano).
O que ele diz costuma ter variadas camadas geológicas.
Lá embaixo, na antepenúltima camada geológica, este ansioso blogueiro recolheu a seguinte suspeita:
Quem não aguenta mais a ditadura da Globo e os crimes da Veja é o Congresso.
E no Congresso é que a cobra vai fumar.
Em tempo: o ansioso blogueiro perguntou a Dirceu se o Zé Cardozo – clique aqui para ler por que o tratam como Zé – e o Bernardo são do PT.
Já que o Cardozo não se coçou quando a Veja invadiu o domicílio do José Dirceu no hotel Naoum.
Nos dois casos, a resposta de Dirceu foi afirmativa.
- Cardozo e Bernardo são, sim, sem dúvida, do PT !
Paulo Henrique Amorim
Dirceu tratou da invasão de domicílio praticada pela revista Veja e das providências que pretende tomar.
Este ansioso blogueiro contrastou a decisão do Congresso do PT, que defendeu uma Ley de Medios, com o acelerado recuo do Ministro Bernardo, que evita passar perto do controle remoto para não tirar da Globo.
José Dirceu disse e repetiu que a discussão e a decisão se travarão no Congresso Nacional.
Dirceu enfatizou: a batalha se travará no Congresso.
Este ansioso blogueiro desconfia que José Dirceu não é do tipo de acender fósforo sem charuto (de preferência cubano).
O que ele diz costuma ter variadas camadas geológicas.
Lá embaixo, na antepenúltima camada geológica, este ansioso blogueiro recolheu a seguinte suspeita:
Quem não aguenta mais a ditadura da Globo e os crimes da Veja é o Congresso.
E no Congresso é que a cobra vai fumar.
Em tempo: o ansioso blogueiro perguntou a Dirceu se o Zé Cardozo – clique aqui para ler por que o tratam como Zé – e o Bernardo são do PT.
Já que o Cardozo não se coçou quando a Veja invadiu o domicílio do José Dirceu no hotel Naoum.
Nos dois casos, a resposta de Dirceu foi afirmativa.
- Cardozo e Bernardo são, sim, sem dúvida, do PT !
Paulo Henrique Amorim
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BREVE, NOS PORÕES DA PRIVATRIA DEMO TUCANA. A ERA DO FAMIGERADO FHC. NÃO PERCAM A LEITURA.
Privatas do Caribe
A fantástica viagem das fortunas tucanas desde os porões da privataria até o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas
Amaury Ribeiro Jr.
Prepare-se: o que está logo adiante não é uma narrativa qualquer. Você está embarcando em uma grande reportagem que vai devassar os subterrâneos da privatização realizada no Brasil sob FHC. Os porões da privataria. É, talvez, a mais profunda e abrangente abordagem jamais feita deste tema. Mas que não se limita a resgatar a selvageria neoliberal dos anos 1990, que dizimou o patrimônio público nacional, deixando o país mais pobre e os ricos mais ricos. Se fosse apenas isso, o livro já se justificaria. Mas vai além ao perseguir a conexão entre a onda privatizante e a abertura de contas sigilosas e de empresas de fachada nos paraísos fiscais da Améri ca Central. Onde se lava mais branco não somente o dinheiro sujo da corrupção, mas também o do narcotráfico, do contrabando de armas e do terrorismo. Um ervanário que, após a assepsia, retorna limpo ao Brasil. Resultado de uma busca incansável de mais de dez anos do autor, Amaury Ribeiro Jr. — um dos mais importantes e premiados repórteres investigativos do país, com passagens por IstoÉ, O Globo, Correio Braziliense entre outras redações — o livro registra as relações históricas de altos próceres do tucanato com a realização de depósitos e a abertura de empresas de fachada no exterior. Devota-se particularmente a perscrutar as atividades do clã do ex-governador paulista José Serra nesse vaivem entre o Brasil e os paraísos caribenhos. Sempre calcado em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no ministério público e na Justiça. Assim, comprova as movimentações da filha do ex-candidato do PSDB à Presidência, Verônica, e as de seu marido, o empresário Alexandre Bourgeois. Que seguiram, no Caribe, as lições do ex-tesoureiro de Serra e eminência parda das privatizações, Ricardo Sérgio de Oliveira. Descreve ainda suas ligações perigosas com o banqueiro Daniel Dantas. Detém-se na impressionante trajetória do primo político de Serra, o empresário Gregório Marin Preciado que, mesmo na bancarrota, conseguiu participar do leilão das estatais. E arrematar empresas públicas ! Estas páginas também revelarão que o então governador Serra contratou, com o aporte dos cofres paulistas, um renomado araponga antes sediado no setor mais implacável do Serviço Nacional de Informações, o extinto SNI. E que Verônica Serra foi indiciada sob a acusação de praticar o crime que, na disputa eleitoral de 2010, acusou os adversários políticos de seu pai de terem praticado. Desvinculado de qualquer filiação partidária, militante do jornalismo, Ribeiro Jr. do mesmo modo como rastreou o dinheir o dos privatas do Caribe, esteve na linha de frente das averiguações cobre o “Mensalão”. Seu olhar também visitou os bastidores da campanha do PT para averiguar os vazamentos de informações que perturbaram a candidatura presidencial em 2010. E sustenta que, na luta por ocupar espaço a qualquer preço, companheiros abriram fogo amigo contra companheiros, traficando intrigas para adversários políticos incrustados na mídia mais hostil à Dilma Rousseff. É isso e muito mais. À leitura.
O Editor
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Mais de 400 mil saem às ruas pedindo justiça social em Israel
Milhares de israelenses se mobilizaram neste sábado e saíram às ruas centrais de várias cidades exigindo mudanças na política econômica do governo Netanyahu. A maior manifestação ocorreu em Tel Aviv, onde cerca de 300 mil pessoas se reuniram na praça Kikar Hamedida, no centro da cidade. Os manifestantes levavam cartazes e faixas com o slogan “O poder do povo” ou com mensagens para o primeiro ministro “Bibi Netanyahu, vá para casa”, e gritavam consignas como “Queremos justiça social”.
Pagina/12
Apesar do recrudescimento da situação em Gaza, milhares de israelenses se mobilizaram neste sábado e saíram às ruas centrais de várias cidades em defesa de reformas no sistema econômico e educacional, de uma mudança na legislação trabalhista e da baixa de custos para adquirir ou alugar uma moradia, produto da política neoliberal do ministro Benjamín Netanyahu.
Segundo os organizadores, mais de 450 mil pessoas participaram dos protestos – número superior as 300 mil que saíram às ruas no mês passado – naquela que foi considerada a maior manifestação da história de Israel por motivos não vinculados ao conflito no Oriente Médio.
Ainda que o cartaz de convocação da manifestação afirmasse, em um jogo de palavras, “Eles só entendem números”, os organizadores insistem que o êxito do protesto não deve ser medido unicamente pelo número de participantes. O ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que só 100 mil pessoas participaram dos protestos.
A maior manifestação ocorreu em Tel Aviv, onde cerca de 300 mil pessoas se reuniram na praça Kikar Hamedida, no centro da cidade. Os manifestantes levavam cartazes e faixas com o slogan “O poder do povo” ou com mensagens para o primeiro ministro “Bibi Netanyahu, vá para casa”, e gritavam consignas como “Queremos justiça social”.
“Queremos só uma coisa, que não é fácil, mas simples, viver neste país. Não só queremos amar o Estado de Israel como já fazemos, mas sim existir aqui com dignidade e viver aqui dignamente”, disse Shmuelei, um dos líderes do movimento de protesto.
“Eles nos disseram que o movimento estava parando. Hoje estamos mostrando que é o oposto. Nós somos os novos israelenses, determinados a continuar a luta por uma sociedade melhor e mais justa", disse o presidente do sindicato dos estudantes, Itzik Shmuli, à multidão.
Netanyahu designou um comitê liderado pelo economista argentino Manuel Trajtenberg para analisar mudanças sócio-econômicas. Trajtenberg disse que apresentará suas recomendações no período das próximas festas judaicas, no final de setembro.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Segundo os organizadores, mais de 450 mil pessoas participaram dos protestos – número superior as 300 mil que saíram às ruas no mês passado – naquela que foi considerada a maior manifestação da história de Israel por motivos não vinculados ao conflito no Oriente Médio.
Ainda que o cartaz de convocação da manifestação afirmasse, em um jogo de palavras, “Eles só entendem números”, os organizadores insistem que o êxito do protesto não deve ser medido unicamente pelo número de participantes. O ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que só 100 mil pessoas participaram dos protestos.
A maior manifestação ocorreu em Tel Aviv, onde cerca de 300 mil pessoas se reuniram na praça Kikar Hamedida, no centro da cidade. Os manifestantes levavam cartazes e faixas com o slogan “O poder do povo” ou com mensagens para o primeiro ministro “Bibi Netanyahu, vá para casa”, e gritavam consignas como “Queremos justiça social”.
“Queremos só uma coisa, que não é fácil, mas simples, viver neste país. Não só queremos amar o Estado de Israel como já fazemos, mas sim existir aqui com dignidade e viver aqui dignamente”, disse Shmuelei, um dos líderes do movimento de protesto.
“Eles nos disseram que o movimento estava parando. Hoje estamos mostrando que é o oposto. Nós somos os novos israelenses, determinados a continuar a luta por uma sociedade melhor e mais justa", disse o presidente do sindicato dos estudantes, Itzik Shmuli, à multidão.
Netanyahu designou um comitê liderado pelo economista argentino Manuel Trajtenberg para analisar mudanças sócio-econômicas. Trajtenberg disse que apresentará suas recomendações no período das próximas festas judaicas, no final de setembro.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
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PRÓXIMA CAPA DA VEJA

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Mídia reage ao Congresso do PT com ameaças golpistas
Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que levo muito a sério o que direi neste texto algo longo que até tentei adiar, mas que não pude postergar diante da questão crucial e grave de que trata. Se você, leitor habitual desta página, já conseguiu ver qualquer valor nas análises que aqui são publicadas, sugiro que respire fundo e me conceda a atenção mais integral que já dispensou a algo que escrevi.
Não farei suspense sobre o assunto. Uma primeira reação declarada da mídia antipetista (acima de tudo) que sucedeu a divulgação do documento final do 4º Congresso Nacional do PT na noite de domingo me obriga a dizer que tal manifestação contém ameaça explícita e intolerável de tentativa de golpe contra o governo Dilma caso envie ao Congresso Nacional um projeto de marco regulatório amplo para a Comunicação no Brasil.
Mas não é só. Pelo tom da ameaça, as retaliações subentendidas poderão ocorrer até mesmo se, conforme o documento final do Congresso do PT, o partido realmente propuser às Casas Legislativas da nação um projeto de lei sobre tema que os barões da mídia não aceitam sequer discutir, ou seja, que tenham que respeitar regras e, mais do que isso, desfazerem-se de parte de seus impérios no âmbito de um veto legal à propriedade cruzada de meios de comunicação.
O veto legal à propriedade cruzada, para simplificar, significaria que as Organizações Globo, por exemplo, não poderiam mais ter jornal, revista, rádio, televisão e portal de internet nas mesmas regiões; o Grupo Folha, não poderia ter jornal e portal de internet do porte da Folha e do UOL; o Grupo Estado, não mais poderia deter uma grande rádio, um grande jornal e um grande portal de internet; e a Editora Abril, teria que escolher, sempre exemplificando, entre suas publicações impressas e seu portal de internet.
Em países como os Estados Unidos é normal que o Estado obrigue grupos empresariais a se desfazerem de parte de suas empresas quando estas ameaçam constituir monopólio ou oligopólio. No Brasil mesmo, isso também acontece. Mas aqui, à diferença de lá, o Estado impedir concentração de mercado jamais incluiu a Comunicação, pois esta sempre foi gerida pela direita que governou este país entre 1964 e 2002, em sua última investida.
Durante esses mais de quarenta anos, esses impérios de comunicação se consolidaram e conseguiram se tornar nem um quarto Poder, mas o primeiro. Adquiriram meios de chantagear a classe política com seus instrumentos de calar ou dar voz a quem bem entendessem e, por isso, jamais tiveram seus monopólios e oligopólios contestados.
Quando ameaçam, portanto, mesmo sendo por um de seus tentáculos menores – mas que serve de amostra do todo que integra –, por conta do que a história nos mostra me vejo obrigado a levar muito a sério e, assim, a vir a público dizer que não duvido de que nesse discurso que abordarei, forjado para repelir a decisão autônoma e constitucional tomada pelo PT em seu Congresso de propor regulamentação da comunicação, há uma clara ameaça às instituições brasileiras.
A gravidade desse texto decorre de sua origem. Foi escrito por alguém que tem servido de voz oficiosa a um dos quatro grandes tentáculos da imprensa golpista que já produziu um golpe de Estado neste país e que vive defendendo aqueles que durante vinte anos subjugaram a nação através dos métodos que todos conhecem.
Reinaldo Azevedo publica, na noite de domingo, um texto furioso ameaçando claramente o maior partido político do Brasil, uma estrutura partidária gigantesca com cerca de um milhão de filiados, detentora de dezenas e dezenas de milhões de votos em todos os níveis eletivos e que governa o país sob a aprovação efusiva da maioria absoluta e incontestável dos brasileiros há quase nove anos ininterruptos.
Não preocupam as inversões dos fatos, as meias verdades e as mentiras inteiras que esse homem escreveu, mas as ameaças que, na condição de uma célula cerebral da direita midiática que submeteu este país à ditadura militar, e em consonância com outros fatos que serão abordados, sugerem que os interesses comerciais, financeiros e políticos que seriam feridos com uma lei da mídia similar às que vigem nos países mais desenvolvidos deixariam os que se sentiriam prejudicados dispostos a tudo para impedir que isso ocorra.
É sempre penoso ler uma simples frase desse homem, dessa caricatura de si mesmo que ele construiu para fazer jus às recompensas do patrão pela fúria teleguiada que despeja diariamente em sua página hospedada no portal da revista Veja na internet. Todavia, não há remédio. Teremos que mergulhar no esgoto.
Afinal, Azevedo não diz um A sem autorização do patrão e este não deixa dizer se o que tiver que ser dito não for discutido antes com o resto desse organismo midiático, militar, empresarial e político que tem antecedentes bem conhecidos neste país. Quem viu a foto do José Dirceu demoníaco que ilustrou boa parte do noticiário do fim de semana sobre o 4º Congresso do PT, não tem dúvida disso. Publicaram em uníssono aquela manipulação vergonhosa.
Reproduzo a seguir, portanto, parágrafo por parágrafo dessa peça alucinada, tecendo comentários do blog logo após cada um deles. Peço que tenham paciência até chegarem ao ponto do texto que considero grave e sobre o qual acredito que o PT deve pedir explicações públicas.
—–
04/09/2011
Os fascistas saem da toca!
Reinaldo Azevedo
É sob pressão que pessoas, partidos e até instituições revelam a sua real natureza. Os cemitérios tendem a ser iguais nas ditaduras e nas democracias. A grande diferença se dá mesmo no mundo dos vivos. O 4º Congresso do PT, que começou ontem e termina hoje, está prestando um grande serviço ao país e à política. Os petistas revelam que não aprenderam nada nem esqueceram nada depois de nove anos de poder. Continuam os autoritários de sempre, decididos a substituir a sociedade pelo partido, conforme seu projeto original. Quem presta um pouco de atenção à história das idéias não está surpreso.
A que autoritarismo de petistas esse homem se refere? Lula apanhou da imprensa a cada dia de seu mandato a partir de 2005 depois de apanhar de 1989 a 2002, quando era oposição. Mesmo tendo chegado ao poder, não houve reação a insultos, ridicularizações, desqualificações de toda sorte. Ele e seu partido são chamados há anos de criminosos impunemente, sem qualquer comprovação de nada, com base apenas na retórica dos adversários político-partidários e midiáticos.
O petismo é um descendente do bolchevismo no que concerne à organização da sociedade, entendendo que a nação deva ser conduzida por um ente que decide em lugar dos cidadãos, porém adaptado — e como! — aos tempos modernos. Para o modelo, que ainda está em construção, pouco importa se os petistas estão ou não oficialmente no poder: eles sempre estarão por intermédio dos fundos de pensão, dos sindicatos, do aparelhamento das estatais. O petismo é um fascismo de esquerda.
O “petismo”, segundo esse indivíduo, é um mal a ser erradicado, uma organização criminosa. E a quem ele representa, quando diz isso? A ele mesmo e àqueles que lhe pagam os salários, e mais meia dúzia de barões da mídia e políticos que vêm perdendo eleição após eleição para “o petismo”. Provavelmente porque ninguém são, neste país, considera o PT uma doença, para ser chamado de “petismo” – o sufixo do substantivo indica anomalia doentia.
No que concerne à ordem econômica, tudo vai muito bem para os companheiros, até porque têm como seu principal aliado o capital financeiro, que não quer saber a cor dos gatos desde que eles cacem ratos. O curioso embate que se dá no Brasil é entre a esquerda financeira, financista e rentista, com a qual os petistas compuseram, e a direita assalariada, que trabalha. Chamo de “direita” aqui, para deixar claro, as pessoas que ainda se ocupam de alguns dos velhos (!) e bons fundamentos das sociedades liberais: liberdade individual, igualdade perante a lei, incentivo ao empreendedorismo, estado enxuto, tudo o que parece hoje fora de moda. Os petistas não querem mexer no “sistema”. Ao contrário: pretendem reforçá-lo por meio, por exemplo, de uma reforma política estúpida, que extrema todos os males do modelo vigente.
De onde ele tirou que a direita é “assalariada” e o PT é “financista e rentista”? Basta ver os setores que mais votam nos partidos preferidos e defendidos pelo blogueiro da Veja – que dispensam apresentações – e os que votam no Partido dos Trabalhadores. A tese saiu da cachola do cara, portanto. Quem tiver dúvida sobre o assunto, basta consultar as pesquisas de opinião estratificadas para saber quem é o eleitorado primordial de quem, apesar de que a imprensa vive confirmando o que digo de forma a tachar o eleitorado do PT de “inculto”, “desinformado” e, portanto, “pobre”.
Só uma coisa incomoda o PT: o regime de liberdades públicas que se respira no país. Isso eles não podem suportar. Então um partido ganha uma eleição — ou três… ou dez —, e ainda há gente na imprensa que se atreve a criticá-lo, que não concorda com suas ilegalidades, que resiste às suas tentações e práticas totalitárias, que não se submete a seus desejos e Vontades? “Mas a gente não conquistou nas urnas o direito de fazer o que bem entende?”, eles se perguntam espantados. E a resposta, evidentemente, é “Não!” Eles conquistaram nas urnas A OBRIGAÇÃO de seguir as regras do estado de direito, de se submeter à lei, de nos servir por intermédio de um mandato, que pode ser revogado numa nova eleição ou mesmo num processo de impedimento.
Ahá! Impedimento, é? Um impeachment de Dilma, suponho… Sob que motivo? É uma ameaça. Azevedo propõe impedir Dilma se ela enviar ao Congresso um projeto de lei que obrigue seu patrão a se desfazer de parte de seu império, por exemplo. Mas como isso seria feito? Afinal, se o projeto for enviado seria legal, obviamente. E quem decidiria sobre ele seria o Congresso. Como propor o impeachment de uma presidente por enviar uma medida inquestionavelmente legal ao Legislativo para que sobre ela delibere?
O delirante blogueiro da Veja afirma que o PT não quer a democracia, apesar de reconhecer que ganha eleições sem uma única evidência de um único ato do partido que afronte a democracia ou qualquer tipo de liberdade individual. E ainda atribui “ilegalidades” ao partido. Que ilegalidade o PT cometeu, enquanto instituição? Quer dizer que quando petistas são acusados de corrupção a culpa é do partido, mas quando tucanos como Eduardo Azeredo ou demos como José Roberto Arruda são acusados, aí a culpa é das pessoas e não das instituições?
Com a reportagem que revelou as lambanças de José Dirceu em Brasília, VEJA denunciou mais do que as lambanças do “consultor de empresas privadas” — poderoso chefão de um “governo paralelo” e sua mímica asquerosa de chefe de máfia —; a revista denunciou um método. E os petistas estão infelizes. Em outros tempos, eles mandariam empastelar a publicação, fariam quebra-quebra, perseguiriam os profissionais, exigiriam a demissão desse ou daquele, lotariam os porões do regime com essa gente recalcitrante… Hoje eles se civilizaram; pretendem perseguir seus desafetos por meio de instrumentos legais.
Os petistas lotariam os porões do regime com seus adversários?!! Que regime os petistas já implantaram no Brasil que tivesse “porões” e que cometesse violências de qualquer sorte? Quem tinha porões eram os militares que integraram a ditadura e os quais Azevedo vive exaltando e defendendo, e aos quais serve, frequentemente, de porta-voz ao repudiar propostas como a da Comissão da Verdade. Está tudo lá no blog dele. Não é preciso acreditar em mim.
O texto do PT que volta a pregar o controle da “mídia” expõe como nunca a natureza do jogo. Eles até se mostravam dispostos a condescender com a democracia desde que nós não fizéssemos uso efetivo dela. Era como se dissessem: “Nós garantimos a sua liberdade, mas a condição é que não nos incomodem”. Tanto é assim que, não faz tempo, a Executiva Nacional do partido aprovou um documento em que abandonava essa estupidez. Mudou radicalmente de idéia. VEJA decidiu demonstrar que liberdade de imprensa não é uma licença que se pede no cartório partidário, mas um direito garantido pela Constituição, um fundamento das sociedades livres. Nos limites da lei, não pede licença nem pede desculpas.
Azevedo considera que é liberdade de imprensa mandar um garoto recém-saído da faculdade de jornalismo tentar invadir o quarto de um adversário político em um hotel e ali colocar escutas ou câmeras de vido sem autorização da Justiça e em flagrante violação do código penal, o que fez as polícias civil e federal aceitarem a denúncia contra ele? Acho que não…
Aí não dá! Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem a “regulamentação da mídia”. Não custa notar que, durante a campanha — e mesmo depois de eleita —, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle. Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente. Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.
Esse homem não joga palavras fora. Sabe muito bem o que escreve. Como é que ele sugere “enquadrar” os ministros? Posso pensar em várias hipóteses, vindo essa conversa de alguém que vive tomando partido de chefes militares que defendem a ditadura militar. E como seria estelionato se a proposta de regulamentar a Comunicação é bandeira antiga do PT?
Os fascistas de esquerda descobriram o gosto pelo capitalismo, mas não viram graça nenhuma na liberdade, que será sempre a liberdade de quem discorda de nós. Mas vão perder.
Será que ele quer dizer que os petistas perderão nas urnas ou está pensando em derrotá-los de outra forma, já que através de eleições os políticos que apóia não têm conseguido?
É crescente o número das pessoas que lhes dizem: “Não, vocês não podem. Não podem porque estamos aqui”.
Crescente? Onde está esse dado? Em que pesquisa? Por que método ele chegou a essa conclusão? E quem são “eles”? A quem ele representa, para falar na terceira pessoa do plural? Dirá que o leitorado do seu blog ou o da Veja irão impedir “o petismo”?
—–
Você acha que Azevedo é um bobão, um boquirroto que escreve coisas assim só por estar de cabeça quente? Esqueça. O que ele escreve são recados. São ameaças. E o PT não pode aceitar que tais palavras sejam ditas assim, sem explicação. Até porque, esse sujeito não as diria sem o seu patrão aprovar e este não aprovaria se os seus bons companheiros que consigo controlam a Comunicação no Brasil não estivessem de acordo.
Espero que me levem a sério. Tudo isso se coaduna com propostas de manifestações públicas “contra a corrupção” que nada mais são do que uma reedição do Cansei que pode vir vitaminada por sindicatos e até participantes pagos. Essas manifestações se somarão ao noticiário que derrama relatos de “corrupção” no governo Dilma todos os dias. No domingo, por exemplo, a Folha publicou um caderno só sobre corrupção onde o PSDB não figura e o PT aparece em destaque.
A campanha moralista que serviria para retaliar uma proposta que faça os barões da mídia perderem dinheiro e poder vem aí e não me surpreenderia se os militares boquirrotos que vivem insultando Lula, Dilma e o PT não estivessem dispostos a pôr as caras para fora da caserna “em defesa da liberdade e contra a corrupção do petismo”. Anotem, pois, o que digo, petistas. Quem avisa amigo é.
Não farei suspense sobre o assunto. Uma primeira reação declarada da mídia antipetista (acima de tudo) que sucedeu a divulgação do documento final do 4º Congresso Nacional do PT na noite de domingo me obriga a dizer que tal manifestação contém ameaça explícita e intolerável de tentativa de golpe contra o governo Dilma caso envie ao Congresso Nacional um projeto de marco regulatório amplo para a Comunicação no Brasil.
Mas não é só. Pelo tom da ameaça, as retaliações subentendidas poderão ocorrer até mesmo se, conforme o documento final do Congresso do PT, o partido realmente propuser às Casas Legislativas da nação um projeto de lei sobre tema que os barões da mídia não aceitam sequer discutir, ou seja, que tenham que respeitar regras e, mais do que isso, desfazerem-se de parte de seus impérios no âmbito de um veto legal à propriedade cruzada de meios de comunicação.
O veto legal à propriedade cruzada, para simplificar, significaria que as Organizações Globo, por exemplo, não poderiam mais ter jornal, revista, rádio, televisão e portal de internet nas mesmas regiões; o Grupo Folha, não poderia ter jornal e portal de internet do porte da Folha e do UOL; o Grupo Estado, não mais poderia deter uma grande rádio, um grande jornal e um grande portal de internet; e a Editora Abril, teria que escolher, sempre exemplificando, entre suas publicações impressas e seu portal de internet.
Em países como os Estados Unidos é normal que o Estado obrigue grupos empresariais a se desfazerem de parte de suas empresas quando estas ameaçam constituir monopólio ou oligopólio. No Brasil mesmo, isso também acontece. Mas aqui, à diferença de lá, o Estado impedir concentração de mercado jamais incluiu a Comunicação, pois esta sempre foi gerida pela direita que governou este país entre 1964 e 2002, em sua última investida.
Durante esses mais de quarenta anos, esses impérios de comunicação se consolidaram e conseguiram se tornar nem um quarto Poder, mas o primeiro. Adquiriram meios de chantagear a classe política com seus instrumentos de calar ou dar voz a quem bem entendessem e, por isso, jamais tiveram seus monopólios e oligopólios contestados.
Quando ameaçam, portanto, mesmo sendo por um de seus tentáculos menores – mas que serve de amostra do todo que integra –, por conta do que a história nos mostra me vejo obrigado a levar muito a sério e, assim, a vir a público dizer que não duvido de que nesse discurso que abordarei, forjado para repelir a decisão autônoma e constitucional tomada pelo PT em seu Congresso de propor regulamentação da comunicação, há uma clara ameaça às instituições brasileiras.
A gravidade desse texto decorre de sua origem. Foi escrito por alguém que tem servido de voz oficiosa a um dos quatro grandes tentáculos da imprensa golpista que já produziu um golpe de Estado neste país e que vive defendendo aqueles que durante vinte anos subjugaram a nação através dos métodos que todos conhecem.
Reinaldo Azevedo publica, na noite de domingo, um texto furioso ameaçando claramente o maior partido político do Brasil, uma estrutura partidária gigantesca com cerca de um milhão de filiados, detentora de dezenas e dezenas de milhões de votos em todos os níveis eletivos e que governa o país sob a aprovação efusiva da maioria absoluta e incontestável dos brasileiros há quase nove anos ininterruptos.
Não preocupam as inversões dos fatos, as meias verdades e as mentiras inteiras que esse homem escreveu, mas as ameaças que, na condição de uma célula cerebral da direita midiática que submeteu este país à ditadura militar, e em consonância com outros fatos que serão abordados, sugerem que os interesses comerciais, financeiros e políticos que seriam feridos com uma lei da mídia similar às que vigem nos países mais desenvolvidos deixariam os que se sentiriam prejudicados dispostos a tudo para impedir que isso ocorra.
É sempre penoso ler uma simples frase desse homem, dessa caricatura de si mesmo que ele construiu para fazer jus às recompensas do patrão pela fúria teleguiada que despeja diariamente em sua página hospedada no portal da revista Veja na internet. Todavia, não há remédio. Teremos que mergulhar no esgoto.
Afinal, Azevedo não diz um A sem autorização do patrão e este não deixa dizer se o que tiver que ser dito não for discutido antes com o resto desse organismo midiático, militar, empresarial e político que tem antecedentes bem conhecidos neste país. Quem viu a foto do José Dirceu demoníaco que ilustrou boa parte do noticiário do fim de semana sobre o 4º Congresso do PT, não tem dúvida disso. Publicaram em uníssono aquela manipulação vergonhosa.
Reproduzo a seguir, portanto, parágrafo por parágrafo dessa peça alucinada, tecendo comentários do blog logo após cada um deles. Peço que tenham paciência até chegarem ao ponto do texto que considero grave e sobre o qual acredito que o PT deve pedir explicações públicas.
—–
04/09/2011
Os fascistas saem da toca!
Reinaldo Azevedo
É sob pressão que pessoas, partidos e até instituições revelam a sua real natureza. Os cemitérios tendem a ser iguais nas ditaduras e nas democracias. A grande diferença se dá mesmo no mundo dos vivos. O 4º Congresso do PT, que começou ontem e termina hoje, está prestando um grande serviço ao país e à política. Os petistas revelam que não aprenderam nada nem esqueceram nada depois de nove anos de poder. Continuam os autoritários de sempre, decididos a substituir a sociedade pelo partido, conforme seu projeto original. Quem presta um pouco de atenção à história das idéias não está surpreso.
A que autoritarismo de petistas esse homem se refere? Lula apanhou da imprensa a cada dia de seu mandato a partir de 2005 depois de apanhar de 1989 a 2002, quando era oposição. Mesmo tendo chegado ao poder, não houve reação a insultos, ridicularizações, desqualificações de toda sorte. Ele e seu partido são chamados há anos de criminosos impunemente, sem qualquer comprovação de nada, com base apenas na retórica dos adversários político-partidários e midiáticos.
O petismo é um descendente do bolchevismo no que concerne à organização da sociedade, entendendo que a nação deva ser conduzida por um ente que decide em lugar dos cidadãos, porém adaptado — e como! — aos tempos modernos. Para o modelo, que ainda está em construção, pouco importa se os petistas estão ou não oficialmente no poder: eles sempre estarão por intermédio dos fundos de pensão, dos sindicatos, do aparelhamento das estatais. O petismo é um fascismo de esquerda.
O “petismo”, segundo esse indivíduo, é um mal a ser erradicado, uma organização criminosa. E a quem ele representa, quando diz isso? A ele mesmo e àqueles que lhe pagam os salários, e mais meia dúzia de barões da mídia e políticos que vêm perdendo eleição após eleição para “o petismo”. Provavelmente porque ninguém são, neste país, considera o PT uma doença, para ser chamado de “petismo” – o sufixo do substantivo indica anomalia doentia.
No que concerne à ordem econômica, tudo vai muito bem para os companheiros, até porque têm como seu principal aliado o capital financeiro, que não quer saber a cor dos gatos desde que eles cacem ratos. O curioso embate que se dá no Brasil é entre a esquerda financeira, financista e rentista, com a qual os petistas compuseram, e a direita assalariada, que trabalha. Chamo de “direita” aqui, para deixar claro, as pessoas que ainda se ocupam de alguns dos velhos (!) e bons fundamentos das sociedades liberais: liberdade individual, igualdade perante a lei, incentivo ao empreendedorismo, estado enxuto, tudo o que parece hoje fora de moda. Os petistas não querem mexer no “sistema”. Ao contrário: pretendem reforçá-lo por meio, por exemplo, de uma reforma política estúpida, que extrema todos os males do modelo vigente.
De onde ele tirou que a direita é “assalariada” e o PT é “financista e rentista”? Basta ver os setores que mais votam nos partidos preferidos e defendidos pelo blogueiro da Veja – que dispensam apresentações – e os que votam no Partido dos Trabalhadores. A tese saiu da cachola do cara, portanto. Quem tiver dúvida sobre o assunto, basta consultar as pesquisas de opinião estratificadas para saber quem é o eleitorado primordial de quem, apesar de que a imprensa vive confirmando o que digo de forma a tachar o eleitorado do PT de “inculto”, “desinformado” e, portanto, “pobre”.
Só uma coisa incomoda o PT: o regime de liberdades públicas que se respira no país. Isso eles não podem suportar. Então um partido ganha uma eleição — ou três… ou dez —, e ainda há gente na imprensa que se atreve a criticá-lo, que não concorda com suas ilegalidades, que resiste às suas tentações e práticas totalitárias, que não se submete a seus desejos e Vontades? “Mas a gente não conquistou nas urnas o direito de fazer o que bem entende?”, eles se perguntam espantados. E a resposta, evidentemente, é “Não!” Eles conquistaram nas urnas A OBRIGAÇÃO de seguir as regras do estado de direito, de se submeter à lei, de nos servir por intermédio de um mandato, que pode ser revogado numa nova eleição ou mesmo num processo de impedimento.
Ahá! Impedimento, é? Um impeachment de Dilma, suponho… Sob que motivo? É uma ameaça. Azevedo propõe impedir Dilma se ela enviar ao Congresso um projeto de lei que obrigue seu patrão a se desfazer de parte de seu império, por exemplo. Mas como isso seria feito? Afinal, se o projeto for enviado seria legal, obviamente. E quem decidiria sobre ele seria o Congresso. Como propor o impeachment de uma presidente por enviar uma medida inquestionavelmente legal ao Legislativo para que sobre ela delibere?
O delirante blogueiro da Veja afirma que o PT não quer a democracia, apesar de reconhecer que ganha eleições sem uma única evidência de um único ato do partido que afronte a democracia ou qualquer tipo de liberdade individual. E ainda atribui “ilegalidades” ao partido. Que ilegalidade o PT cometeu, enquanto instituição? Quer dizer que quando petistas são acusados de corrupção a culpa é do partido, mas quando tucanos como Eduardo Azeredo ou demos como José Roberto Arruda são acusados, aí a culpa é das pessoas e não das instituições?
Com a reportagem que revelou as lambanças de José Dirceu em Brasília, VEJA denunciou mais do que as lambanças do “consultor de empresas privadas” — poderoso chefão de um “governo paralelo” e sua mímica asquerosa de chefe de máfia —; a revista denunciou um método. E os petistas estão infelizes. Em outros tempos, eles mandariam empastelar a publicação, fariam quebra-quebra, perseguiriam os profissionais, exigiriam a demissão desse ou daquele, lotariam os porões do regime com essa gente recalcitrante… Hoje eles se civilizaram; pretendem perseguir seus desafetos por meio de instrumentos legais.
Os petistas lotariam os porões do regime com seus adversários?!! Que regime os petistas já implantaram no Brasil que tivesse “porões” e que cometesse violências de qualquer sorte? Quem tinha porões eram os militares que integraram a ditadura e os quais Azevedo vive exaltando e defendendo, e aos quais serve, frequentemente, de porta-voz ao repudiar propostas como a da Comissão da Verdade. Está tudo lá no blog dele. Não é preciso acreditar em mim.
O texto do PT que volta a pregar o controle da “mídia” expõe como nunca a natureza do jogo. Eles até se mostravam dispostos a condescender com a democracia desde que nós não fizéssemos uso efetivo dela. Era como se dissessem: “Nós garantimos a sua liberdade, mas a condição é que não nos incomodem”. Tanto é assim que, não faz tempo, a Executiva Nacional do partido aprovou um documento em que abandonava essa estupidez. Mudou radicalmente de idéia. VEJA decidiu demonstrar que liberdade de imprensa não é uma licença que se pede no cartório partidário, mas um direito garantido pela Constituição, um fundamento das sociedades livres. Nos limites da lei, não pede licença nem pede desculpas.
Azevedo considera que é liberdade de imprensa mandar um garoto recém-saído da faculdade de jornalismo tentar invadir o quarto de um adversário político em um hotel e ali colocar escutas ou câmeras de vido sem autorização da Justiça e em flagrante violação do código penal, o que fez as polícias civil e federal aceitarem a denúncia contra ele? Acho que não…
Aí não dá! Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem a “regulamentação da mídia”. Não custa notar que, durante a campanha — e mesmo depois de eleita —, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle. Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente. Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.
Esse homem não joga palavras fora. Sabe muito bem o que escreve. Como é que ele sugere “enquadrar” os ministros? Posso pensar em várias hipóteses, vindo essa conversa de alguém que vive tomando partido de chefes militares que defendem a ditadura militar. E como seria estelionato se a proposta de regulamentar a Comunicação é bandeira antiga do PT?
Os fascistas de esquerda descobriram o gosto pelo capitalismo, mas não viram graça nenhuma na liberdade, que será sempre a liberdade de quem discorda de nós. Mas vão perder.
Será que ele quer dizer que os petistas perderão nas urnas ou está pensando em derrotá-los de outra forma, já que através de eleições os políticos que apóia não têm conseguido?
É crescente o número das pessoas que lhes dizem: “Não, vocês não podem. Não podem porque estamos aqui”.
Crescente? Onde está esse dado? Em que pesquisa? Por que método ele chegou a essa conclusão? E quem são “eles”? A quem ele representa, para falar na terceira pessoa do plural? Dirá que o leitorado do seu blog ou o da Veja irão impedir “o petismo”?
—–
Você acha que Azevedo é um bobão, um boquirroto que escreve coisas assim só por estar de cabeça quente? Esqueça. O que ele escreve são recados. São ameaças. E o PT não pode aceitar que tais palavras sejam ditas assim, sem explicação. Até porque, esse sujeito não as diria sem o seu patrão aprovar e este não aprovaria se os seus bons companheiros que consigo controlam a Comunicação no Brasil não estivessem de acordo.
Espero que me levem a sério. Tudo isso se coaduna com propostas de manifestações públicas “contra a corrupção” que nada mais são do que uma reedição do Cansei que pode vir vitaminada por sindicatos e até participantes pagos. Essas manifestações se somarão ao noticiário que derrama relatos de “corrupção” no governo Dilma todos os dias. No domingo, por exemplo, a Folha publicou um caderno só sobre corrupção onde o PSDB não figura e o PT aparece em destaque.
A campanha moralista que serviria para retaliar uma proposta que faça os barões da mídia perderem dinheiro e poder vem aí e não me surpreenderia se os militares boquirrotos que vivem insultando Lula, Dilma e o PT não estivessem dispostos a pôr as caras para fora da caserna “em defesa da liberdade e contra a corrupção do petismo”. Anotem, pois, o que digo, petistas. Quem avisa amigo é.
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FHC e Cerra iam dar o Brasil à ALCA. Amorim e Lula não deixaram
Por insistência do Mauricio Dias, responsável pela imperdível seção “Rosa dos Ventos” na Carta Capital, o ansioso blogueiro leu algumas das aulas de Celso Amorim, em “Conversas com jovens diplomatas”, editado pela Benvirá.
Mauricio já chamou a atenção para a mudança que Amorim fez nas prioridades do Itamaraty: passou a tratar embaixadas na África com a prioridade de embaixadas em outros pontos do planeta.
Passou a faxina, digamos assim, em alguns vestígios do Itamaraty colonizado, da época da “Diplomacia da Dependência”.
Por falar em “Diplomacia da Dependência”, recomenda-se a conversa de Amorim de 24 de novembro de 2010, “Da maneira como estava concebida, a ALCA é História”, sobre “O Brasil e a ALCA”, na pág. 499 do livro.
Como se trata de um diplomata e, antes de tudo, um cavalheiro (características que, como sabe o Gilmar Dantas (*), não definem este blogueiro), o grande chanceler Celso Amorim não diz assim, na lata.
Mas, ficou claro para os jovens diplomatas que o Governo Cerra/Fernando Henrique montou a arapuca para o sucessor cair na rede da ALCA, vale dizer, cair na rede do interesse nacional americano.
O Governo do Farol de Alexandria deixou tudo pronto para o Brasil jogar o Mercosul na lata de lixo da História e cair nos braços de Titio Sam.
Qual o “atrativo” para aderir à ALCA, assim, de joelhos ?
Primeiro, explica Amorim, o princípio do “lock in”.
A política econômica e, por extensão, a política externa, ficariam locked, amarradas, presas, in, dentro do interesse nacional americano.
Como diz Amorim: “essas políticas econômicas estariam locked in – quer dizer, estariam congeladas, estabelecidas, gravadas na pedra”.
Mais ou menos como fez o México com o Tratado do Nafta, que assinou com o Canadá e os Estados Unidos no Governo Clinton (muy amigo do FHC).
O México abdicou de uma política econômica autônoma.
Os Estados Unidos caíram no precipício em 2008, o México foi junto e lá permanece – como mostra reportagem da Carta Capital desta semana, na pág. 72.
O outro princípio da “lógica” de Cerra/FHC era obter um “selo de qualidade” – se o Brasil era tão bonzinho que podia ser aceito na ALCA, isso significaria a certificação da “qualidade” de todas as suas ações.
Muitos países da América do Sul se encantaram com a sereia da ALCA.
Especialmente a Argentina do Carlos Menem, o FHC deles.
(Ou que será que o FHC é o nosso Menem ?)
O que tiveram que fazer o Nunca Dantes e o grande chanceler Celso Amorim ?
Primeiro, enfrentar o front interno.
Como se sabe, o Tony Palocci e o Nelson Johnbim conspiraram com o embaixador americano para reverter a política externa do Governo a que serviam.
Especialmente, rever o que chamavam de “anti-americanismo”, como Johnbim qualificou a diplomacia brasileira, na conversinha com o embaixador americano.
(Por falar em conversinha com o embaixador americano, não perca a última do “agente ‘dólar furado’”.)
Depois, foi preciso salvar o Mercosul.
Porque a batalha era tão simples quanto isso: Mercosul x ALCA.
O Brasil ao lado do Mercosul.
Os Estados Unidos (e o Cerra/FHC e o Menem) ao lado da ALCA.
Amorim e Lula insistiam que só tratariam da ALCA se, primeiro, se negociassem os direitos dos produtos agrícolas brasileiros.
E os americanos arrepiaram carreira, porque, pau a pau, a agricultura brasileira fecha a agricultura americana.
(O Amorim, é obvio, não emprega essa linguagem de botequim que caracteriza o ansioso blogueiro, não é isso, Ministro Gilmar ?)
O trabalho de Amorim e Nunca Dantes prosperou.
Aos poucos, o Mercosul se impôs ao interesse dos países da América do Sul.
E perceberam que o lock in era uma fria.
Era, como se vê agora (essa é uma observação minha, PHA), um dos últimos suspiros do Império.
A leitura da aula de Amorim dá nexo a um dos tópicos sinistros da campanha de Cerra em 2010.
Nela, o Padim Pade Cerra anunciou que ia fechar o Mercosul.
O que era a senha para dizer: vou cair nos braços da ALCA.
A propósito, amigo navegante.
Sabe quem trabalhava para a Chevron, aquela empresa petrolífera americana a quem o Cerra ia entregar, segundo o WikiLeaks, o pré-sal ?
A Condoleezza Rice, Secretária de Estado americano.
A Chevron chegou a dar o nome dela a um super-petroleiro.
(A Rice está para a Chevron assim como a Luiza Erundina para a Petrobrás, já que deu o nome a uma plataforma da Petrobrás.)
Pois é a essa turma que o Cerra e o FHC iam entregar o Brasil, amigo navegante.
E ainda querem …
Em tempo: cabe lembrar, amigo navegante, daquele vídeo que vai entrar para a História do Brasil: Clinton espinafra FHC em público e FHC não defende o Brasil nem a si próprio.
Não fosse o PiG (**), esses tucanos não passavam de Resende.
Paulo Henrique Amorim
Mauricio já chamou a atenção para a mudança que Amorim fez nas prioridades do Itamaraty: passou a tratar embaixadas na África com a prioridade de embaixadas em outros pontos do planeta.
Passou a faxina, digamos assim, em alguns vestígios do Itamaraty colonizado, da época da “Diplomacia da Dependência”.
Por falar em “Diplomacia da Dependência”, recomenda-se a conversa de Amorim de 24 de novembro de 2010, “Da maneira como estava concebida, a ALCA é História”, sobre “O Brasil e a ALCA”, na pág. 499 do livro.
Como se trata de um diplomata e, antes de tudo, um cavalheiro (características que, como sabe o Gilmar Dantas (*), não definem este blogueiro), o grande chanceler Celso Amorim não diz assim, na lata.
Mas, ficou claro para os jovens diplomatas que o Governo Cerra/Fernando Henrique montou a arapuca para o sucessor cair na rede da ALCA, vale dizer, cair na rede do interesse nacional americano.
O Governo do Farol de Alexandria deixou tudo pronto para o Brasil jogar o Mercosul na lata de lixo da História e cair nos braços de Titio Sam.
Qual o “atrativo” para aderir à ALCA, assim, de joelhos ?
Primeiro, explica Amorim, o princípio do “lock in”.
A política econômica e, por extensão, a política externa, ficariam locked, amarradas, presas, in, dentro do interesse nacional americano.
Como diz Amorim: “essas políticas econômicas estariam locked in – quer dizer, estariam congeladas, estabelecidas, gravadas na pedra”.
Mais ou menos como fez o México com o Tratado do Nafta, que assinou com o Canadá e os Estados Unidos no Governo Clinton (muy amigo do FHC).
O México abdicou de uma política econômica autônoma.
Os Estados Unidos caíram no precipício em 2008, o México foi junto e lá permanece – como mostra reportagem da Carta Capital desta semana, na pág. 72.
O outro princípio da “lógica” de Cerra/FHC era obter um “selo de qualidade” – se o Brasil era tão bonzinho que podia ser aceito na ALCA, isso significaria a certificação da “qualidade” de todas as suas ações.
Muitos países da América do Sul se encantaram com a sereia da ALCA.
Especialmente a Argentina do Carlos Menem, o FHC deles.
(Ou que será que o FHC é o nosso Menem ?)
O que tiveram que fazer o Nunca Dantes e o grande chanceler Celso Amorim ?
Primeiro, enfrentar o front interno.
Como se sabe, o Tony Palocci e o Nelson Johnbim conspiraram com o embaixador americano para reverter a política externa do Governo a que serviam.
Especialmente, rever o que chamavam de “anti-americanismo”, como Johnbim qualificou a diplomacia brasileira, na conversinha com o embaixador americano.
(Por falar em conversinha com o embaixador americano, não perca a última do “agente ‘dólar furado’”.)
Depois, foi preciso salvar o Mercosul.
Porque a batalha era tão simples quanto isso: Mercosul x ALCA.
O Brasil ao lado do Mercosul.
Os Estados Unidos (e o Cerra/FHC e o Menem) ao lado da ALCA.
Amorim e Lula insistiam que só tratariam da ALCA se, primeiro, se negociassem os direitos dos produtos agrícolas brasileiros.
E os americanos arrepiaram carreira, porque, pau a pau, a agricultura brasileira fecha a agricultura americana.
(O Amorim, é obvio, não emprega essa linguagem de botequim que caracteriza o ansioso blogueiro, não é isso, Ministro Gilmar ?)
O trabalho de Amorim e Nunca Dantes prosperou.
Aos poucos, o Mercosul se impôs ao interesse dos países da América do Sul.
E perceberam que o lock in era uma fria.
Era, como se vê agora (essa é uma observação minha, PHA), um dos últimos suspiros do Império.
A leitura da aula de Amorim dá nexo a um dos tópicos sinistros da campanha de Cerra em 2010.
Nela, o Padim Pade Cerra anunciou que ia fechar o Mercosul.
O que era a senha para dizer: vou cair nos braços da ALCA.
A propósito, amigo navegante.
Sabe quem trabalhava para a Chevron, aquela empresa petrolífera americana a quem o Cerra ia entregar, segundo o WikiLeaks, o pré-sal ?
A Condoleezza Rice, Secretária de Estado americano.
A Chevron chegou a dar o nome dela a um super-petroleiro.
(A Rice está para a Chevron assim como a Luiza Erundina para a Petrobrás, já que deu o nome a uma plataforma da Petrobrás.)
Pois é a essa turma que o Cerra e o FHC iam entregar o Brasil, amigo navegante.
E ainda querem …
Em tempo: cabe lembrar, amigo navegante, daquele vídeo que vai entrar para a História do Brasil: Clinton espinafra FHC em público e FHC não defende o Brasil nem a si próprio.
Não fosse o PiG (**), esses tucanos não passavam de Resende.
Paulo Henrique Amorim
A bordo, a política externa do Cerra/FHC
(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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EUA mandam e Cerra e FHC congelam a “Lei do Abate”
Engraçado, muito engraçado !
Os repórteres Rubens Valente e Fernanda Odilla, na Folha (*), pág. A20, traçam um dos mais humilhantes capítulos da “Diplomacia da Dependência” do Governo Cerra/FHC.
(Não deixe de ler sobre o que Cerra e FHC pretendiam fazer com a ALCA (entrar nela) e o Mercosul (sepultá-lo).
Trata-se da reportagem “Brasil sofreu pressão dos EUA contra ‘Lei do Abate’.”
Na verdade, mais do que “pressão”, os Estados Unidos mandaram e FHC fez: congelou a Lei.
(A Lei do Abate permite abater aviões sobre o território BRASILEIRO, desde haja suspeitas de que se trate de um avião a serviço do tráfico de drogas.)
O Congresso Nacional, onde têm assento os representantes do povo brasileiro, aprovou a Lei do Abate em 1998.
O Presidente da República do Brasil, eleito pelo povo brasileiro pela segunda vez, no mesmo ano sancionou a Lei.
Em janeiro de 1997, o Governo americano começa a pressionar o Executivo e o Legislativo brasileiros.
O Legislativo resistiu e aprovou o projeto de Lei.
E o Governo Cerra/FGHC se sentou em cima de Lei que ele mesmo tinha assinado.
Em abril de 1999, o chanceler de FHC, Luiz Felipe Lampreia mandou um telegrama à Secretaria de Estado americano, Madeleine Albright, que é um exemplo vergonhoso da Diplomacia da Dependência.
Diz o grande chanceler Dependente:
Em face da conversa que tivemos antes, eu formalmente confirmo que congelamos a implementação (sic, “implementation”) da política do abate e não daremos prosseguimento a ela !
Quer dizer, amigo navegante: o Congresso aprova, o Presidente sanciona e o Presidente, em carta secreta, se compromete a não dar “prosseguimento” e muito menos “implementar (sic)” a Lei.
Ou seja, para atender a uma exigência do Governo Clinton.
(Clique aqui para ver a cena histórica em que Clinton espinafra FHC em publico e FHC não defende o Brasil nem a si próprio.)
FHC transgride a Lei, em nome da Dependência.
Quer dizer, entre 1998, quando a lei foi sancionada, e 2004, quando, finalmente, o Nunca Dantes a regulamentou e a “implementou”, os aviões do tráfico nadaram de braçada sobre o território BRASILEIRO !
(Não deixe de ler sobre o que Cerra e FHC pretendiam fazer com a ALCA (entrar nela) e o Mercosul (sepultá-lo).
Trata-se da reportagem “Brasil sofreu pressão dos EUA contra ‘Lei do Abate’.”
Na verdade, mais do que “pressão”, os Estados Unidos mandaram e FHC fez: congelou a Lei.
(A Lei do Abate permite abater aviões sobre o território BRASILEIRO, desde haja suspeitas de que se trate de um avião a serviço do tráfico de drogas.)
O Congresso Nacional, onde têm assento os representantes do povo brasileiro, aprovou a Lei do Abate em 1998.
O Presidente da República do Brasil, eleito pelo povo brasileiro pela segunda vez, no mesmo ano sancionou a Lei.
Em janeiro de 1997, o Governo americano começa a pressionar o Executivo e o Legislativo brasileiros.
O Legislativo resistiu e aprovou o projeto de Lei.
E o Governo Cerra/FGHC se sentou em cima de Lei que ele mesmo tinha assinado.
Em abril de 1999, o chanceler de FHC, Luiz Felipe Lampreia mandou um telegrama à Secretaria de Estado americano, Madeleine Albright, que é um exemplo vergonhoso da Diplomacia da Dependência.
Diz o grande chanceler Dependente:
Em face da conversa que tivemos antes, eu formalmente confirmo que congelamos a implementação (sic, “implementation”) da política do abate e não daremos prosseguimento a ela !
Quer dizer, amigo navegante: o Congresso aprova, o Presidente sanciona e o Presidente, em carta secreta, se compromete a não dar “prosseguimento” e muito menos “implementar (sic)” a Lei.
Ou seja, para atender a uma exigência do Governo Clinton.
(Clique aqui para ver a cena histórica em que Clinton espinafra FHC em publico e FHC não defende o Brasil nem a si próprio.)
FHC transgride a Lei, em nome da Dependência.
Quer dizer, entre 1998, quando a lei foi sancionada, e 2004, quando, finalmente, o Nunca Dantes a regulamentou e a “implementou”, os aviões do tráfico nadaram de braçada sobre o território BRASILEIRO !
Duas palavrinhas sobre o chanceler Lampreia.
Lampreia faz parte daquilo que Tirésias, o profeta, uma vez chamou “embaixadores de pijama”.São aqueles que vão para a CBN defender o interesse nacional americano e espinafrar a política externa independente de Lula e Celso Amorim, o grande chanceler.
Lampreia também é responsável por um ato sem precedentes na História da Diplomacia Ocidental.
Ele era chanceler da Diplomacia da Dependência, quando renunciou ao cargo POR FAX, para ir trabalhar com Daniel Dantas, aquele que, mais tarde, se tornou o banqueiro condenado.
Daniel Dantas é aquele a quem o Fernando Henrique chamou de “ brilhante”.
A irmã de Dantas é sócia (ou foi) da filha de Cerra numa empresa em Miami (em Miami !).
Não se sabe se a empresa ainda é “implementada” !
Viva o Brasil !
Em tempo: o amigo navegante há de se lembrar que outro ponto culminante da Diplomacia da Dependência foi quando o chanceler Celso Lafer tirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos.
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
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A TRANSPARÊNCIA DOS DIAS QUE CORREM
A semana começa iluminada pela alarmante transparência que as crises irradiam quando atingem seu domínio sobre a economia e a sociedade. Em entrevista neste domingo à revista alemã Der Spiegel, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde,voltou a advertir: um novo ciclo de recessão está a caminho. Sinal dos tempos, convocou Estados a redobrarem esforços de investimento e salvaguarda bancária para evitar o pior. As advertências dramáticas de Lagarde legitimam a decisão tomada pelo BC brasileiro que na semana passada desgostou os mercados. Consultores da banca e seus ventríloquos na mídia demotucana receberam mal a redução de meio ponto na taxa de juro mais alta do mundo. Menos de 24 horas depois vinha dos EUA uma ratificação do diagnóstico embutido no corte da Selic: em agosto, a maior economia capitalista da Terra não gerou nenhuma vaga de emprego. Na próxima 5ª feira será a vez de Obama desagradar a lógica do extremismo ortodoxo que na sua versão nativa ou forânea prescreve o arrocho fiscal como maravilha curativa para a maior crise do capitalismo desde 29. Obama abre a sua campanha pela reeleição anunciando um programa de geração de empregos a contrapelo do suicídio fiscal imposto pela Tea Party contra sua administração. Num certo sentido, a eleição de 2012 nos EUA confrontará duas grandes vertentes que se enfrentam nas respostas à crise mundial. De um lado, um neoliberalismo cego que resolveu dobrar a aposta na desregulação financeira, responsável pelo colapso em curso no planeta. De outro, a ainda tíbia mas correta tentativa esboçada em diferentes países -- inclusive no Brasil, para suprir R$ 30 bilhões que faltam à saúde pública-- de taxar os ricos para financiar o investimento público travado pela crise. Durante décadas a hegemonia neoliberal aprisionou o debate econômico numa espécie de escolha de Sofia: as opções de desenvolvimento estariam restritas ao endividamento insustentável dos Estados, capturados pelo rentismo como usinas de juros, ou o arrocho salazarista, vendido pela mídia como a dolorosa purgação rumo ao paraíso. Protegida por esse falso dilema, a riqueza engordou despudoramente isenta ou sub-taxada por sistemas tributários amigáveis (no Brasil, assalariados pagam 4,5 vezes mais IR que os bancos). A crise implodiu essa fraude ao exaurir os Tesouros no socorro à desordem financeira. O déficit fiscal das sete maiores economias do mundo ultrapassa atualmente U$ 41 trilhões: 70% do PIB mundial. O Estado brasileiro gasta mais com juros do que com a saúde pública ou a educação. O Chile com um a carga fiscal de apenas 17% do PIB --a média européia é de 48%-- não tem respostas a dar aos estudantes que exigem educaçao pública de qualidade. Obama não conseguirá ressuscitar o emprego sem políticas públicas para as quais falta-lhe o mesmo do que se ressente Dilma para acudir a saúde, Piñera para democratizar a educação ou Zapatero para atender aos indignados: receita fiscal originária da taxação da riqueza e não mais do endividamento imobilizante. A ver. |
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Dirceu e Veja apressam a Ley de Medios. Que é de “óbvio interesse público”
O PT simancou
No espaço do Clóvis Rossi na pág. 2 da Folha (*), lê-se que a “reportagem” da Veja sobre José Dirceu merecia ser publicada por ser de “óbvio interesse público”.
Como quem define o “interesse público” é o notável colonista (**) que ocupa o lugar do Rossi, fica assim combinado:
Tudo o que o News of the Veja World publicou era de “interesse público”, segundo o News of the Veja World.
Inclusive as gravações da família da menina morta.
De óbvio interesse público – segundo o Murdoch.
Nesta semana, a Veja reincide e publica as mesmas fotos da semana passada com Sérgio Gabrielli e Fernando Pimentel.
Na verdade, ao “voltar ao local do crime”, a Veja pesa a mão no Sergio Gabrielli, já que a Petrobrás é um dos alvos preferidos do PiG (***), desde Assis Chateaubriand, Roberto Marinho e Bob Fields.
Na abertura do Congresso do PT em Brasília – está na Folha (*), pág. A14 -, todas as correntes – e são muitas – do Partido apoiaram Dirceu.
Lula e Dilma também.
Dirceu foi ovacionado.
O Nunca Dantes e a Dilma (o que é raro) espinafraram o PiG (***).
E, na pág. A8 do Estadão, o presidente do partido, Rui Falcão, volta a pregar uma Ley de Medios e insiste numa tese que o Ministro Bernardo – aquele que tem medo da Globo – parece ter guardado na mesma pilha em que repousa, adormecida, a Ley de Medios que o Franklin Martins lhe entregou.
É a tese de que político não pode ser dono de emissora de tevê.
Caiu a ficha do PT.
Finalmente, com a “reportagem” da Veja sobre Dirceu, o PT simancou: “sem uma Ley de Medios, o Berlusconi ganha a eleição de 2014”.
Ou simancou ou percebeu que o ambiente político, agora, com a ajuda da Veja, é favorável.
(Não há um único órgão de imprensa – com exceção “óbvia” da Folha – que tenha defendido o “método” Veja.)
José Dirceu vai processar a Veja, assim que ficar mais clara a natureza do crime cometido.
O líder do PT na Câmara, Candido Vacarezza, se viu na obrigação de notificar a Polícia Federal, já que o Zé, o Zé, o Ministro da Justiça, não se coçou.
É provável que Dirceu não queira misturar Ley de Medios com Veja.
A Veja é um caso de polícia.
Sem dúvida.
E a Ley de Medios é um caso da Democracia.
(E não apenas do PT ou da Dilma.)
Mas, não tem alternativa: a Veja apressou a Ley de Medios.
Expôs o cadáver na sala.
O fedor começa a se espalhar.
(Quando o Eugenio Bucci e o Fabio Barbosa começarão a “reverter seus valores” ?)
E a D. Judith Brito, ganhadora do Prêmio Barão de Itararé do ano retrasado (ela não foi buscar) ?
A verdadeira líder da oposição na campanha de 2010 ?
Cadê a D. Judith ?
Vai ficar quieta ?
Ou acha também que a Veja fez muito bem, porque aquelas imagens são de “óbvio interesse público” ?
D Judith, a senhora se hospeda no Naoum ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
Como quem define o “interesse público” é o notável colonista (**) que ocupa o lugar do Rossi, fica assim combinado:
Tudo o que o News of the Veja World publicou era de “interesse público”, segundo o News of the Veja World.
Inclusive as gravações da família da menina morta.
De óbvio interesse público – segundo o Murdoch.
Nesta semana, a Veja reincide e publica as mesmas fotos da semana passada com Sérgio Gabrielli e Fernando Pimentel.
Na verdade, ao “voltar ao local do crime”, a Veja pesa a mão no Sergio Gabrielli, já que a Petrobrás é um dos alvos preferidos do PiG (***), desde Assis Chateaubriand, Roberto Marinho e Bob Fields.
Na abertura do Congresso do PT em Brasília – está na Folha (*), pág. A14 -, todas as correntes – e são muitas – do Partido apoiaram Dirceu.
Lula e Dilma também.
Dirceu foi ovacionado.
O Nunca Dantes e a Dilma (o que é raro) espinafraram o PiG (***).
E, na pág. A8 do Estadão, o presidente do partido, Rui Falcão, volta a pregar uma Ley de Medios e insiste numa tese que o Ministro Bernardo – aquele que tem medo da Globo – parece ter guardado na mesma pilha em que repousa, adormecida, a Ley de Medios que o Franklin Martins lhe entregou.
É a tese de que político não pode ser dono de emissora de tevê.
Caiu a ficha do PT.
Finalmente, com a “reportagem” da Veja sobre Dirceu, o PT simancou: “sem uma Ley de Medios, o Berlusconi ganha a eleição de 2014”.
Ou simancou ou percebeu que o ambiente político, agora, com a ajuda da Veja, é favorável.
(Não há um único órgão de imprensa – com exceção “óbvia” da Folha – que tenha defendido o “método” Veja.)
José Dirceu vai processar a Veja, assim que ficar mais clara a natureza do crime cometido.
O líder do PT na Câmara, Candido Vacarezza, se viu na obrigação de notificar a Polícia Federal, já que o Zé, o Zé, o Ministro da Justiça, não se coçou.
É provável que Dirceu não queira misturar Ley de Medios com Veja.
A Veja é um caso de polícia.
Sem dúvida.
E a Ley de Medios é um caso da Democracia.
(E não apenas do PT ou da Dilma.)
Mas, não tem alternativa: a Veja apressou a Ley de Medios.
Expôs o cadáver na sala.
O fedor começa a se espalhar.
(Quando o Eugenio Bucci e o Fabio Barbosa começarão a “reverter seus valores” ?)
E a D. Judith Brito, ganhadora do Prêmio Barão de Itararé do ano retrasado (ela não foi buscar) ?
A verdadeira líder da oposição na campanha de 2010 ?
Cadê a D. Judith ?
Vai ficar quieta ?
Ou acha também que a Veja fez muito bem, porque aquelas imagens são de “óbvio interesse público” ?
D Judith, a senhora se hospeda no Naoum ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O “Calunista” que é a "cara da VEJA" ...
REINALDO AZEVEDO
Por Luís Nassif
Azevedo foi um jornalista apagado até os 40 anos de idade. Depois, entrou para a revista “Primeira Leitura”, que cerrou as portas quando foi denunciado o esquema de patrocínios políticos absurdos que a mantinha e que envolveu a NOSSA CAIXA do governo tucano de São Paulo. Patrocínio desfeito, a ira do “Rei” com seus ex-amigos do PT, partido a que ele era filiado, virou um caso patológico.
Foi, então, contratado por Mario Sabino para se tornar o blogueiro da Veja, incumbido dos ataques aos adversários e da bajulação aos aliados e à empresa. Pratica ambos com notável desenvoltura.
Dedica a Sabino temor reverencial. Quando não recebe ordens diretas da direção, procura se antecipar ao que considera ser a opinião da revista.
Às vezes erra e entra em pânico.
Quando Barack Obama despontou nas pesquisas, escreveu comentário preconceituoso contra ele. No final de semana a edição da revista elogiava o candidato. Sua reação foi um e-mail temeroso a Sabino, perguntando das conseqüências do escorregão.
Acalmou-se quando recebeu o “nihil obstat”. Passou recibo no Blog, divulgando o e-mail súplice e a absolvição generosa.
Tenta reproduzir o ideal “yuppie” do grupo, como apregoar que sempre foi bem sucedido (até os 40 anos era jornalista apagado e desempregado), gostar de uísque escocês e separar parte de suas cinco horas de sono para “fazer amor”. Aprecia quando comentários supostamente assinados por leitores (grande parte dos comentários é de "anônimos", que tanto podem ser leitores quanto o próprio blogueiro) realçam sua inteligência e charme.
Gosta de ser chamado de "meu Rei" e "tio Rei" pelos leitores. Esbanja preconceito contra negros, mulheres, abusa de um linguajar chulo, não tem limites para caluniar ou difamar críticos da revista.
Seu blog participa do circuito de blogs que fazem eco às "denúncias" lançadas pelo lobby de Daniel Dantas.
É reconhecidamente pessoa desequilibrada, com pendores homofóbicos. Tem obsessão por insinuações sexuais contra adversários e é especialmente agressivo com mulheres. Consegue saltar, sem nenhum filtro, da agressão mais escatológica contra os "inimigos" à bajulação mais rasteira às chefias.
Em qualquer publicação, independentemente do porte, seu desequilíbrio seria contido dentro de limites editoriais. Na Veja de Eurípedes-Sabino não só tem autorização para fazer o que quiser-até sugerir "boquetes" ao presidente - como é estimulado a isso.
Graças à falta de discernimento de Eurípedes e Sabino e à pouca importância que ambos - mais a Abril - dedicam ao trabalho de preservação da imagem da revista, Azevedo representa uma espécie de caricatura, a parte mais grotesca do processo de degradação editorial da revista. É um esgoto sem filtro. Todo o seu desequilíbrio é despejado diariamente no Blog e sua atuação festejada por Sabino.
Hoje em dia, junto ao universo crescente dos freqüentadores da Internet, a imagem de Veja tornou-se irremediavelmente ligada à de Azevedo, o "tio Rei".
É o exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.
Blog JENIPAPONEWS também está no PORTAL DO NASSIF
É o exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.
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"Nova Cara" da VEJA...
(clique na capa)
Por Luís Nassif
Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.
O primeiro conjunto são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.
O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década..
A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.
De um lado há fenômenos gerais que modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem ofensiva, chula, herança dos “neocons” americanos, foi adotada por parte da imprensa brasileira como se fosse a última moda.
Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte.
Um segundo fenômeno desse período foi a identificação de uma profunda antipatia da chamada classe média mídiatica em relação ao governo Lula, fruto dos escândalos do “mensalão” que nunca foi provado, do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse proporcionada pelo estilo “neocon”. Outros colunistas utilizaram com “talento” – como Arnaldo Jabor -, nenhum com a fúria grosseira com que Veja enveredou pelos novos caminhos jornalísticos.
Outro fenômeno recorrente – esse ainda nos anos 90 -- foi o da terceirização das denúncias e o uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jurídicas.
A marketinização da notícia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram muitos jornalistas meros receptadores de dossiês preparados por lobistas.
Ao longo de toda a década, esse tipo de jogo criou uma promiscuidade perigosa entre jornalistas e lobistas. Havia um círculo férreo, que afetou em muitos as revistas semanais. E um personagem que passou a cumprir, nas redações, o papel sujo antes desempenhado pelos repórteres policiais: os chamados repórteres de dossiês.
Consistia no seguinte:
O lobista procurava o repórter com um dossiê que interessava para seus negócios.
O jornalista levava a matéria à direção, e, com a repercussão da denúncia ganhava status profissional.
Com esse status ele ganhava liberdade para novas denúncias. E aí passava a entrar no mundo de interesses do lobista.
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