Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

CLASSE D VAI À UNIVERSIDADE E ESTOURA A BOLHA DA MÍRIAM LEITÃO

O rei da Inglaterra: além de gago é um mega-chato

A urubóloga agora deu para falar na bolha.

É a antecipação da catástrofe que nao se realizará.

É uma das artimanhas do PiG (*): o mundo vai se acabar.

Quando ?

Só o Ali Kamel sabe.

Se não acabar, cria-se outra crise (ou bolha).

A bolha atual seria a inadimplência da Classe C.

A inadimplência do brasileiro é a menor dos BRICs.

Ou seja, se o mundo se acabar vai acabar antes na China.

E, aí, é melhor fugir para Marte.

A urubóloga já se valeu  da estratégia da “antecipação do fim do mundo” com o anúncio do apagão da Dilma, quando a Presidenta era ministra das Minas e Energia.

Este ansioso blogueiro lembra a urubóloga do destino de seu colega no Bom (?) Dia Brasil, o enólogo Renato Machado.

Foi promovido a Rei da Inglaterra, porque a Classe C acha ele um chato.

A urubóloga corre o risco de ser designada para ajudar a Blá-blarina a achar o rumo de casa.

Na floresta.

Este ansioso blogueiro entrevistou Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, uma instituição de pesquisa que se especializou em perscrutar a Classe C.

Na verdade, o Data Popular e o Marcelo Neri da FGV, do Rio, descobriram uma forma de ganhar a vida sendo pagos pela elite brasileira para falar mal da elite brasileira.

Essa elite da  “antecipação do fim do mundo”.

A entrevista com o Meirelles vai ao ar nesta terca feira no Entrevista Record, da Record News – que tem o dobro da audiência da Globo News – às 22h15, logo depois do Heródoto Barbero.

Renato vai mostrar que desde 2002, com o Nunca Dantes (que, por isso a elite jamais o perdoará), houve 800 mil novos universitários da classe D.

Classe D , amigo navegante.

Hoje, 100 mil jovens da Classe D – classe D – entram por ano na universidade.

Por culpa desses malditos ProUni e Enem!

Que horror !

E, amigo navegante, agora que o Meirelles estoura a bolha da Miriam:

Para cada ano que um jovem de classe D fica na universidade, o salário dele se torna 15% maior do que o de um jovem que não foi para a faculdade.

Isso é ascensão na veia.

E nao é aquela prosperidade do Plano Real da urubóloga – da dentadura, do frango.

É prosperidade que se torna patrimônio pessoal, irremovível: educação.

Nao é uma bolha.

É conhecimento que torna a pessoa muito mais preparada para se virar numa adversidade.

Se, hoje , a economia dá uma freada de arrumação, não ha nenhum motivo para se imaginar que a bolha (bolha de quê ?) vá explodir na cara da Presidenta.

O jovem filho de cortador de cana que estuda na Escola Técnica de Suape para ser soldador num estaleiro é muito mais esperto do que a urubóloga pensa.

Cuidado, um dia a Classe D vai à forra e manda o Casal 45, com o Ali Kamel , para a Corte do Rei Artur.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Segunda-feira de fúria: bolsas desabam; ouro dispara


Balanço da OCDE divulgado nesta 2º feira indica desaceleração e perda de fôlego  das  30 maiores economias do mundo. Mesmo a solitária pujança alemã ensombreceu..O colapso fiscal de várias economias na zona do euro -a Itália é a bola da vez desta 2º feira, conforme mostra matéria nesta pag--  e as incertezas  emitidas pela medíocre condução do governo  Obama, cada vez mais emparedado entre os mercados e a direita republicana, contaminaram  os ânimos e os indicadores mundiais. Bolsas desabaram hoje na Europa. Espanha foi mais uma vez esfolada pelos credores, que exigiram juros recordes para carregar títulos de sua dívida. Fundos desencadeiam vendas maciças de papíes da Itália, agravando as incertezas sobre o país. A convulsão reflete,  no fundo,  a impossibilidade estrutural de digerir o colapso dos mercados desregulados  dentro dos seus próprios termos, politicamente ainda não superados. É dessa tensão entre o velho e o novo que avultam  manifestações mórbidas, como o enjaulamento da Grécia e a imolação de seu povo para saciar credores, num mergulho recessivo que impede ao invés de favorecer a superação dos graves desequilíbrios fiscais do país. Mas  não só. Quando a maior economia do planeta, os EUA, cria apenas 18 mil vagas de  trabalho em um mês, como aconteceu em junho, fica evidente que a receita ortodoxa não tem mais nada a oferecer, exceto recessão e instabilidade. O cenário internacional  reforça  a percepção  insistentemente repetida por diferentes analistas  nesta página, como Amir Khair, economista da FGV. Eles  evocam a necessidade de medidas mais contundentes que protejam o desenvolvimento brasileiro num horizonte de longa instabilidade externa e redobrada exasperação dos capitais especulativos. A timidez das medidas gradualistas na área cambial deve ceder lugar a um controle explícito dos fluxos parasitários. A política monetária deve liberar fundos públicos hoje sacrificados ao pagamento de juros da dívida interna para uma efetiva mobilização de investimentos em infraestrutura que redundem em maior competitividade industrial, vagas de trabalho, exportações e  demanda interna. O governo Dilma tem dispersado energias e recursos em agendas colaterais irrelevantes diante das urgências estratégicas reiteradas pela crise mundial -- caso da fusão Pão de Açúcar/Carrefour,por exemplo.  Na semana passada, operários do ABC  paralisaram as máquinas e foram às ruas exigir medidas contra a desindustrialização que desloca empregos e produção para o exterior. O governo deve fazer a leitura correta desse momento: o tempo das hesitações esgotou.
(Carta Maior; 2º feira 11/07/ 2011)

sábado, 9 de julho de 2011

Movimento separatista de SP sai do armário. Parece pouco mas não é

Escondidos devem estar o "seu" Frias e um Mesquita (foto do G1)

Saiu no G1:

Movimento separatista faz marcha em São Paulo


Movimento República de São Paulo comemorou o dia 9 de Julho.


‘É preciso resgatar o orgulho de ser paulista’, disse a presidente do MRSP.


André Luís Nery

Do G1, em São Paulo


Membros do Movimento República de São Paulo (MRSP), que defende a independência de São Paulo em relação ao restante do Brasil, realizaram neste sábado (9), data em que se comemora a Revolução Constitucionalista de 1932, uma marcha na capital paulista.


Como o grupo era pequeno, os integrantes caminharam pela calçada, saindo do Masp em direção ao Parque do Ibirapuera. A polícia escoltou os participantes da marcha.


“É um movimento separatista, mas estamos aqui hoje para lembrar os heróis de 1932″, disse Luciana Toledo, presidente do MRSP.


Ela também negou que o grupo seja racista ou xenófobo. “É uma questão de independência, mas não tem cunho racista”, acrescentou. “É preciso resgatar o orgulho de ser paulista”, ressaltou a presidente do MRSP.


Parece uma meia dúzia de gatos pingados, mas não é.
Lá dentro, no fundo da alma da elite de São Paulo, que o PiG (*) expressa com fidelidade, o sentimento xenófobo é visível a olho nu.
A elite de São Paulo, como diria o Billy Blanco – clique aqui para ler a homenagem que este blog prestou ao Gilmar -, não fala com pobre, não dá a mão a preto e não carrega embrulho.
E detesta nordestino.
O movimento vem desde o Partido Republicano Paulista, no fim do século XIX.
E embainhou a espada em 1932, com a “Revolução (sic) Constitucionalista (sic)” que queria derrubar Getúlio Vargas e re-instalar um presidente paulista.
Levou uma surra.
Ou melhor, não levou.
Correu antes de levar.
A Intentona Separatista de 32 contou, como se sabe, com a insuperável colaboração do “seu” Frias, dono da Folha (**), e dos Mesquita, que terceirizaram o Estadão.
Os dois, igualmente derrotados, até hoje
Não se iluda, amigo navegante.
Os gatos pingados são muitos.




Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

BRICS vs. G7: a Líbia é pretexto

(e O Estado de S.Paulo é ‘jornalismo’ a serviço do G7! Há provas!)
 
7/6/2011, Vijay Prashad, Counterpunchhttp://counterpunch.org/

Onde e quando se deram o trabalho de noticiar, jornais e jornalistas nos países do G7 só souberam zombar das duas visitas do presidente da Federação Mundial de Xadrez Kirsan Ilyumzhinov a Trípoli. O mote foi “Gaddafi joga xadrez, enquanto o país arde”.

Ilyumzhinov não é mestre em xadrez. De 1993 a 2010, foi presidente da Kalmykia, pequena república da Commonwealth of Independent States (CIS)
[1]. Ilyumzhinov tornou-se presidente da Federação Mundial de Xadrez em 1995, usando o posto para levar os campeonatos de xadrez para a capital da Kalmykia, Elista, várias vezes; uma vez tentou realizar o campeonato em Bagdá (1996) e uma vez realizou-o em Trípoli (2004). Seu xadrez não é da qualidade do de Viswanath Anand ou de Boris Gelfand, mas é homem tão excêntrico quando a maioria dos grandes jogadores de xadrez (acredita que o xadrez foi trazido a esse planeta por alienígenas).
Dia 12 de junho, Ilyumzhinov estava em Trípoli, jogando xadrez com Gaddafi. Quando ficou claro que venceria a partida, Ilyumzhinov declarou o empate. Depois da viagem, o enviado da Rússia à África, Mikhail Mergelov, disse que, antes da viagem, conversara com Ilyumzhinov: “Aconselhei-o a jogar com as brancas. E a deixar Gaddafi convencido de que estaria próximo de vencer a partida.”
Não é raro que a Rússia envie mensageiros pouco ortodoxos. Ilyumzhinov esteve em Bagdá pouco antes do reinício da Guerra do Golfo em 2003, onde se encontrou com Uday, filho de Saddam Hussein. Que mensagem levava então? Que mensagem levou agora?
Nos dias 3-4/7, o Conselho Rússia-OTAN reuniu-se em Sochi, balneário no Mar Negro. O principal item da agenda, para a OTAN, era tranquilizar a Rússia, acalmar-lhe as penas muito arrepiadas. O Conselho foi criado em 2002 para assegurar que as crescentes tensões entre os dois lados não levassem a Rússia a posicionar-se contra a “Guerra ao Terror”. A marcha acelerada da OTAN rumo ao leste, que atraiu para sua agenda alguns estados do bloco oriental, aconteceu imediatamente depois da guerra aérea da OTAN na Yugoslávia (1999) e depois, a partir de 2001, no Afeganistão. Todos esses movimentos deram a Moscou a impressão de que estava sendo cercada. A insistência de Bush na questão do escudo de mísseis, e o esforço dos EUA para enfiar a OTAN nos seus próprios planos de defesa agitaram Moscou. A guerra na Ossétia do Sul, em 2008, permitiu que Moscou flexionasse os músculos.
Ao longo da última década, a Rússia aproximou-se da nova formação que brotou do Movimento dos Não Alinhados, o G-15, e do grupo Índia-Brasil-África do Sul [ing. India-Brazil-South Africa (IBSA). A China reuniu-se ao IBSA para bloquear as novas regras de comércio que teriam sido aprovadas em Cancun (2003) e para formular uma agenda comum na reunião de Copenhagen (2009) sobre o clima. Essas discussões e a criação de uma plataforma comum criaram a formação conhecida como BRICS, que se reuniu em abril de 2011 em Hainan, China. A Rússia, que se desencaminhara em algum ponto, entre seu próprio passado de Guerra Fria e a subserviência de Boris Yeltin aos EUA, encontrou novo alento diplomático nas locomotivas do Sul Global.
Em Hainan, em abril, as potências BRICS criticaram muito fortemente a guerra da OTAN contra a Líbia, e formularam os princípios que apareceriam na declaração, dia 15 de junho, do Comitê Ad-Hoc de Alto Nível da União Africana sobre a Líbia [ing. African Union High Level Ad Hoc Committee on Libya] na ONU.

Os BRICS exigiram acordo negociado. Ruhakana Rugunda, de Uganda, representou a União Africana na reunião da ONU, onde disse sem meias palavras:

“Não é inteligente que alguns atores deixem-se intoxicar pela superioridade tecnológica e passem a supor que, sozinhos, conseguiriam alterar o curso da história rumo à liberdade para toda a humanidade. Com certeza, nenhuma constelação de estados deve supor que possa recriar alguma hegemonia sobre a África.”

(Rugunda era representante de Uganda à ONU. Acaba de ser transferido para gabinete burocrático, doméstico). A União Africana disse à ONU que, dada a experiência que adquirira em Burundi, estava capacitada para conduzir a negociação e a transição na Líbia.
Foi esse o contexto em que os russos envolveram-se na questão líbia, com alguma diplomacia de xadrez, ao mesmo tempo em que tentavam empurrar as muralhas da OTAN. Em Sochi, o presidente russo Medvedev convidou o presidente da África do Sul Jacob Zuma, que comandava os esforços da União Africana na Líbia, para que se juntasse às conversações.

Zuma disse aos chefes da OTAN que eles já haviam ultrapassado e desconsiderado duas Resoluções da ONU (n. 1.970 e 1.973), e que não tinham outra alternativa além de negociar. Se os chefes da OTAN pudessem pressionar o Conselho Transicional em Benghazi para que retrocedessem da posição maximalista (Gaddafi tem de sair imediatamente) – Zuma sugeriu –, abrir-se-ia uma via para conversações de paz.

Os comandantes da OTAN ouviram Zuma contar sobre o Marco Geral de Acordo Político da União Africana [ing. AU’s Framework Agreement on a Political Settlement] e assistiram aos aplausos de Medvedev, que muito elogiou a União Africana pelo trabalho e pelo “Mapa do Caminho” que haviam trazido. Rússia e União Africana ofereceram-se para convencer Gaddafi a aceitar o Mapa do Caminho. E caberia à OTAN convencer o Conselho Transicional em Benghazi a fazer o mesmo.
A OTAN deixou Sochi sem se deixar perturbar com as preocupações russas sobre os mísseis de defesa e fez promessas anódinas para a próxima reunião em Chicago. Quanto à Líbia, não houve progresso.

A Líbia é o primeiro campo de batalha de uma nova “guerra fria” – dessa vez não mais entre EUA e Rússia, mas entre o G7 (e seu braço militar, a OTAN) e os BRICS (que não têm braço militar). Os G7 comandam os céus e uma retórica cada vez mais altissonante sobre “liberdade” – mas não têm base econômica nem qualquer noção do que seja processo político democrático, dois atributos que não se adquirem com bombardeio aéreo.
Os BRICS não conseguiram organizar-se em torno de seu candidato para a presidência do FMI; assim, até aqui, ainda não conseguiram articular uma alternativa para as estratégias deflacionárias das organizações financeiras internacionais. No plano das políticas econômicas, em outras palavras, os BRICS foram menos bem-sucedidos.

Mas no campo da política internacional, sim, perturbaram profundamente o G7. Sobre a Síria, os BRICS não deixarão passar na ONU nenhum tipo de resolução mais dura. O ponto é que, na Líbia, a OTAN malversou o mandado que recebeu da Resolução n. 1.973; há risco de que repitam a mesma malversação na Síria.

A posição do G7 a favor de ataque à Síria foi exposta pelo representante francês à ONU, em artigo publicado dia 13/6, no jornal brasileiro O Estado de S.Paulo (
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110613/not_imp731547,0.php). O G7 espera seduzir os brasileiros, longe do que os franceses veem como a teimosia dos sul-africanos, que seriam ‘intratáveis’ e ‘obcecados’.

Os BRICS tentaram impedir que a Resolução n. 1.973 passasse da primeira mesa de discussão, mas, daquela vez, Zuma cedeu, depois de receber telefonema pessoal de Obama. O empenho com que se dedica hoje ao caso da Síria talvez seja tentativa de compensar a defecção de então, da África do Sul, no bloco dos BRICS.
Ilyumzhinov, agora já declarado enviado russo à Líbia, chegou a Trípoli no fim de semana. Encontrou-se com Muhammed, filho de Gaddafi, o qual, esse, sim, é bom jogador de xadrez e dirige a federação oficial de xadrez. Ilyumzhinov ouviu que Gaddafi morrerá em terra líbia, apesar de um alto funcionário russo ter dito ao jornal Kommersant que Gaddafi sugerira, em entrelinhas, que deixaria o poder se recebesse “garantias de segurança”. Mas em nenhum caso sairá de lá antes de haver negociações; e os líderes em Benghazi não iniciarão conversações antes da saída dele.

Benghazi é imagem especular das posições da OTAN. Os BRICS já não estão investindo na permanência de Gaddafi (já não se diz “irmão líder” nas reuniões da União Africana). Os BRICS querem simplesmente encontrar uma saída racional para o conflito. A guerra da Líbia já não é questão que envolva só a Líbia, nem tem qualquer coisa a ver com a Primavera Árabe.

Na Líbia se está testando uma transição, do “Século Americano” para a era das locomotivas globais do Sul. EUA, G7 [e o jornal O Estado de S.Paulo (NTs)] não aceitarão transição tranquila. A história os julgará pelo empenho reacionário.


[1] CIS é organização regional de estados formada de ex-Repúblicas Soviéticas (mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Commonwealth_of_Independent_States) [NTs].

Serra e a fraseologia do oportunismo,

 por Lena Lavinas


Paternidade impossível”
LENA LAVINAS - professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, governador José Serra, publicou nesta página do GLOBO dias atrás um artigo pretensamente analítico sobre as perspectivas de sucesso do Programa de Erradicação da Miséria, recém-lançado pelo governo federal. As imprecisões são tantas que demanda esclarecimentos, pois desinformar é um ato de desutilidade pública. Geralmente é o que acontece quando a fraseologia de oportunidade prevalece sobre os fatos e o bom senso.”
(...)

Paternidade impossível

Publicada em 08/07/2011 às 16h45m
LENA LAVINAS

O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, governador José Serra, publicou nesta página do GLOBO dias atrás um artigo pretensamente analítico sobre as perspectivas de sucesso do Programa de Erradicação da Miséria, recém-lançado pelo governo federal. As imprecisões são tantas que demanda esclarecimentos, pois desinformar é um ato de desutilidade pública. Geralmente é o que acontece quando a fraseologia de oportunidade prevalece sobre os fatos e o bom senso.
Olhar para o passado recente implica reconhecer que as ações compensatórias no Brasil deixaram para trás um status menor e desvalorizado, marcado pela inoperância e pela inefetividade, para tornar-se uma verdadeira política pública, fundada em direitos e regras estabelecidas e transparentes, que podem, inclusive, ser monitoradas. Vamos recordar que o maior programa de combate à miséria da primeira gestão FHC foi a doação de alimentos - mais de 27 milhões de cestas em 1998 -, cujos resultados foram inócuos. Ademais, custava caro, gerava inúmeras ineficiências (desperdícios alarmantes na estocagem e na distribuição, por exemplo) e acabou sendo abandonado pelo próprio governo diante das evidências irrefutáveis de que era melhor ampliar programas de transferência de renda monetária direta.
Durante o segundo mandato FHC, o Comunidade Solidária consolidou-se como o grande programa de enfrentamento da pobreza, mas pecou pelas debilidades inerentes ao seu desenho: iniciativas altamente pulverizadas no território e nos objetivos, pontuais, que jamais permitiram uma avaliação rigorosa do que logrou realizar de fato o programa, tamanha a fragmentação de boas ações, que, por melhores que possam ter sido, jamais se configuraram em política. O Comunidade Solidária não mudou a cara da pobreza no Brasil. Essa é uma obviedade incontestável qualquer que seja o ângulo - conservador ou progressista - da mirada!
É verdade que, ao final do segundo mandato FHC, o MEC resolveu adotar em nível nacional o Programa Bolsa Escola, cujas iniciativas bem-sucedidas se multiplicavam em vários municípios. Porém, o teto de cobertura do Bolsa Escola federal não passou do milhão de famílias, e o valor do benefício por criança era de R$ 15, o que não lhe assegurava a escala necessária, nem a eficácia requerida para ter um impacto na magnitude do problema a sanar. A política econômica do governo FHC tornava impeditiva uma política social eficaz nos seus propósitos.
Ao contrário do que afirma, em seu artigo, o candidato à Presidência derrotado, o Bolsa Família não é a mera unificação dos vários cadastros de programas que existiam antes, dispersos em muitos ministérios e todos, igual e inequivocadamente, inexpressivos em termos de resultados. O Bolsa Família constitui-se numa ruptura com as iniciativas pretéritas no campo dos programas assistenciais porque ele vai garantir uniformidade no atendimento, escala na cobertura e institucionalidade da política pública de assistência social, nos marcos da regulação existente e não à margem e na contramão, como o fez por oito anos o governo FHC.
Entretanto, dado que o Bolsa Família não é um direito, acabou por excluir alguns milhões de famílias dentre as mais destituídas embora cumprissem os critérios de elegibilidade para tornarem-se beneficiárias. O novo Plano de Erradicação da Miséria vem talhado para reparar essa falha grave e introduzir algumas inovações, a mais promissora delas o intento de associar satisfação de necessidades com promoção de oportunidades.
Há quem julgue que mantras produzem os efeitos esperados, pois seriam portadores de um poder específico. Deve ser essa a crença dos que repetem incessantemente que a novidade do crescimento com um pouco menos de desigualdade e um pouquinho mais de redistribuição, ampliação das camadas médias, mais crédito e a volta das políticas de infraestrutura social estavam nos genes do que precedeu o Bolsa Família. Não há exame de DNA possível para comprovar essa hipótese. Uma certeza temos, no entanto: a de que as urnas deram a vitória a quem soube, para além da garantia da estabilização, trazer segurança e prosperidade para que sonhos e projetos possam novamente alavancar o futuro da nação.
LENA LAVINAS é professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/07/08/paternidade-impossivel-924864940.asp#ixzz1Rbo8vnSc
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Dirceu aguarda julgamento do STF

Por José Dirceu, em seu blog:

Muitos de vocês leram hoje as manchetes de vários jornais informando que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao Supremo Tribunal Federal as alegações finais da Procuradoria com pedido de condenação de 36 dos 38 da ação penal 447, chamada pela mídia de “mensalão”. Suas acusações contra mim não trazem qualquer prova material ou testemunhal. São meras ilações extraídas de sua interpretação peculiar sobre minha biografia.



A vocês que acompanham minha trajetória de 46 anos dedicados à construção de um Brasil mais justo, democrático e forte, gostaria de dizer que estou tranquilo. Continuarei me defendendo, ainda com mais ânimo e dedicação. Não o faço apenas para demonstrar minha inocência, submetido à agressão constitucional de inversão do ônus da prova, graças à fusão de interesses conservadores. Lutarei com ainda mais energia, porque o que está em jogo, acima da minha honra e liberdade, é a imagem do Partido dos Trabalhadores e do projeto de transformação social que representa.

Este momento não difere de outros em minha vida. Já fui banido pela ditadura militar, quando perdi minha nacionalidade, fui cassado e tive os meus direitos políticos suspensos por 10 anos em 1969. Em 2005, a Câmara dos Deputados me cassou o mandato de deputado federal, que obtive com o voto de mais de 556 mil paulistas. A decisão foi tomada sem provas, num fato inédito na história do país.

Sou inocente das acusações que me fazem e vou prová-lo no STF, corte que, confio, julgará a ação com base nos autos e nas provas, na Constituição e na lei. Vou aguardar o julgamento com serenidade, pois sei que, ao final desse doloroso processo, se imporá a justiça e cairá por terra a farsa montada contra mim.

Aproveito para agradecer as manifestações de apoio que tenho diariamente recebido de amigos, militantes, apoiadores ou, simplesmente, de brasileiros que não concordam com o achincalhamento público que tenho sofrido nos últimos seis anos.

Marina Silva deixa o PV para ser revendedora da Natura

Sensacionalista

A ex-senadora Marina Silva anunciou hoje seu desligamento do Partido Verde. Marina deixa o partido para se dedicar a profissão de revendedora da Natura. A saída da política para o mundo dos cosméticos é fruto de uma dívida que a ex-ministra contraiu com o seu vice nas últimas eleições, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura.
Marina Silva também teria sido sondada para se filiar ao programa de revendas da Avon e da Jequiti, mas assessoria nega qualquer contato das concorrentes. Questionada por repórteres sobre a decisão de deixar o PV, Marina brincou com o ex-partido: “É PV ou pá comê?”

Leonardo Lanna e Marcelo Z.


Leia mais em: O Esquerdopata
Under Creative Commons License: Attribution

Didico " Abanca do distinto " ao Gilmar

Amiga navegante do Ministério Público, apaixonada pela MPB, sugeriu fazer como naqueles programas de madrugada nas rádios AM:

- A quem a senhora vai dedicar a música, Procuradora ?

- Quero dedicar a minha música ao Gilmar.

E o locutor faz a pergunta decisiva:

- E qual a música a senhora vai dedicar ao Gilmar, Procuradora?
- A Banca do Distinto.



A Banca do Distinto

Composição: Billy Blanco

Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal


Clique aqui para ver a notícia da morte deste grande brasileiro.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Internet nunca substituirá o jornal

O jornal impresso, como sempre o conhecemos,
realmente não poderá ser substituído pela internet.
A seguir alguns dos importantes usos do jornal:
Uso doméstico:
Amadurecer banana, abacate...
Recolher lixo.
Limpar vidros.
Dobradinho, serve para alinhar os pés da mesa.
Embrulhar louças na mudança.
Recolher a sujeira do cachorro.
Forrar a gaiola do passarinho.
Cobrir os móveis e o piso antes de pintar a casa.
Evitar que entre água por baixo da porta.
Proteger o piso da garagem quando o carro está vazando óleo.
Matar moscas, baratas e demais insetos.
Na época da crise econômica, usá-lo como papel higiênico, mesmo que seja um pouco duro.
Uso educativo:
Bater no focinho do cachorro quando faz xixi dentro de casa.
Fazer barquinhos de papel.
Arrancar um pedacinho em branco para anotar número de telefone.
Usos comerciais:
Alargar o sapato.
Rechear bolsas para conservar a forma.
Embrulhar peixes.
Embrulhar pregos na loja de produtos para construção.
Fazer um chapéuzinho para o pintor ou para o pedreiro.
Cortar moldes para o alfaiate ou para a costureira.
Embrulhar quadros.
Embrulhar flores.
Uso festivo:
Acender a churrasqueira.
Rechear a caixa de presente-surpresa.
Outros Usos:
Para os sequestradores usarem suas letras nas cartas.
Fazer bolinhas para jogar nos companheiros de classe.
Fazer uma capinha para o machado ou foice.
Fazer proteção na cabeça para não estragar a chapinha quando estiver garoando.
Nos filmes, para os bandidos esconderem o revólver.
Para esconder-se atrás dele quando não quiser que te vejam.
Ah!!!!!!
E por último:
para ler as notícias.
Agora responda, você consegue fazer
tudo isso com o computador?
Vi no TãoGomes

A máfia midiática e os militontos

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A grande imprensa brasileira lembra a máfia italiana. Comandada com mão de ferro pelas famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita, presta serviços a gangsters travestidos de políticos que se abrigam sob uma sigla partidária, o PSDB, e seus aliados DEM e PPS.

Lendo ou assistindo os veículos de comunicação que essas “famiglias” controlam, a impressão que se tem é a de que, para acabar com a corrupção no Brasil, basta colocar o Partido dos Trabalhadores na ilegalidade, pois só ele e aliados são alvo de denúncias.

Dia após dia, essas organizações criminosas financiadas com o dinheiro dos contribuintes paulistas, mais do que de quaisquer outros, só se ocupam de alguma denúncia se ela envolver o PT ou algum de seus aliados na base de apoio do governo federal.

Devido a essa situação esdrúxula, quem não quer que o governo do país ou de qualquer nível da administração pública faça o que bem entender sem questionamento só pode votar em um partido, no PT, pois é o único que a imprensa fiscaliza.

Se você vota no PT, é porque sabe que ele estará sempre sob rédea curta, seja no Executivo, seja no Legislativo. Aqui em São Paulo, por exemplo, só dois governos foram fiscalizados de verdade, o de Marta Suplicy e o de Luiza Erundina.

Governos municipais e estaduais só são fiscalizados pela imprensa quando são do PT ou de seus aliados, em São Paulo.

Se dermos uma olhada no que acontece em Estados como São Paulo ou Minas Gerais, perceberemos o que aconteceria se o PSDB tivesse recuperado o poder central no ano passado. Nesses Estados, a corrupção corre solta e a imprensa se nega a noticiar.

Estive em Belo Horizonte recentemente, em encontro com outros blogueiros locais, e fiquei espantado com o pavor que as pessoas dedicam ao coronel mineiro, Aécio Neves, que, com o apoio do imprensa local, promove toda sorte de abusos, roubalheiras e intimidações.

Em São Paulo, a situação não é tão escandalosa. Aqui, o PSDB pode apenas roubar à vontade sem ser incomodado pela imprensa. Não há intimidação física dos adversários, como em Minas, onde há relatos de violência contra quem conteste a família Neves.

Obras como o Rodoanel ou de desassoreamento do rio Tietê, por exemplo, transtornam a vida do paulista devido à exorbitância da corrupção que encerram. O complexo viário já é chamado abertamente de “roubanel” e o desvio de recursos para desassorear o rio, matou dezenas.

Onde está a imprensa? Não diz um A. Nada, absolutamente nada. Às vezes, sai uma notinha escondida num pé de página, uma vez só, no máximo duas, sem aquele martelar incessante que a máfia midiática faz quando o caso envolve o PT ou seus aliados.

Mais de uma centena de CPIs hiberna na Assembléia Legislativa paulista. Deputados de oposição aos governos Alckmin, Serra e agora Alckmin de novo sempre dizem que as investigações só seriam abertas com pressão da imprensa.

A cada vez que explode um novo escândalo contra um governo do PT, sobretudo contra o governo federal, e vejo esses militontos que se dizem de esquerda, mas que não passam de massa de manobra da direita, fazerem o jogo da máfia midiática, sinto engulhos.

Enquanto escândalos reais e inventados contra o PT ocupam cem por cento do grande noticiário, em regiões como São Paulo ou Minas Gerais os governos locais fazem o que bem entendem sem qualquer questionamento. E cadê os militontos? Ajudando a direita, claro.

Alguém acredita que esses critérios sobre evolução patrimonial poupariam o secretariado desses governos estaduais mafiosos? Se houvesse interesse igual da imprensa sobre o governo paulista, por exemplo, não sobraria um.

Na antiga Daslu, organização criminosa que se dedicava a contrabando de artigos de luxo na capital paulista antes de ser desbaratada pela Polícia Federal, a filha do então governador Geraldo Alckmin fez uma carreira meteórica. Em meses, passou de vendedora a “diretora”.

A imprensa local jamais disse nada, pois estava ocupada acusando os filhos de Lula.

A perda de importância de São Paulo, com queda na renda média e na participação do Estado no PIB, deve-se à corrupção exacerbada que flagela o povo paulista, que, alegre e tranqüilo, fica bradando contra o governo federal enquanto é roubado pelo estadual.

Tenho lá minhas críticas a fazer ao governo federal. Nesse caso do Ministério dos Transportes, é evidente que havia negociatas. Todavia, não me ocupo disso porque estaria fazendo o jogo dos que denunciam alguns crimes e ocultam outros.

Enquanto as denúncias na grande imprensa tiverem foco partidário, execrando os corruptos adversários e protegendo os amigos, esta página se dedicará exclusivamente a denunciar essa situação. Um país sério não pode ter licença para roubar.

PS: apropriei-me da expressão “militontos”, criação da amiga, blogueira e historiadora Conceição Oliveira.
Na foto, os fracassos da Marina

Ao sair do PV, clique aqui para ver a notícia no UOL, Blá-blarina informou:

Ela vai “metabolizar uma nova forma de fazer política”.

A perplexidade é universal:

De A a Z, da Áustria à Zâmbia.

O que será “metabolizar” ?

Segundo ela, “o mundo inteiro não sabe como a nova política é (…) eu também estou em uma expectativa”.

Este ansioso blogueiro também está em “uma expectativa”.

Especialmente depois que a Blá-blarina informou:

Tudo o que o homem pretendeu planejar com começo meio e fim “foi um tremendo fracasso”.

Sem dúvida.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Torre Eiffel.

Com a Brooklin Bridge e com a Divina Comédia, de Dante.

Essas obras, irrelevantes, foram construídas com começo, meio e fim.

E foram um retumbante fracasso.

É o caso, por exemplo, da eficientíssima empresa brasileira Natura que, por coincidência, cedeu a vice-presidência à Blablárina.

Na verdade, a Blá-blarina sabe muito bem, como sempre soube, o resultado dessa “metabolização”:

Ela foi, desde sempre, linha auxiliar do Cerra.

O resto é blá blá blá.

Clique aqui para ler: “Verdismo, o último reduto dos neoliberais”.


Paulo Henrique Amorim

MÁQUINAS PARADAS NO ABC PAULISTA:

Clique aqui para ver o especial Fome e Desordem Financeira Mundial

Metalúrgicos das cinco maiores montadoras do ABC paulista cruzaram os braços nesta 6º feira e cerca de 10 mil ocuparam a rodovia Anchieta, em São Bernardo, próximo à Mercedes Benz, em passeata. A mobilização organizada discretamente nos últimos dias não reivindica salários. Berço dos grandes levantes operários dos anos 70/80, que mudaram o quadro político  brasileiro, o sindicalismo do ABC inicia hoje uma luta pela própria sobrevivência: os trabalhadores cruzam os braços em protesto contra a desindustrialização em marcha no país. A concorrência das importações imposta pela competitividade chinesa, mas sobretudo incentivada pelo desequilíbrio cambial decorrente de uma política de juros  rentista disparou o sinal de alarme na consciência política dos sindicalistas. Sérgio Nobre, presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, resume a questão, em entrevista ao jornal Valor: "(se continuar assim) não sobrará sequer parafusos para a gente apertar. O embate é um dos mais difíceis já assumidos pelos operários brasileiros. Trata-se de afrontar a lógica da livre mobilidade dos capitais e suas interações globais com um novo projeto de desenvolvimento. Trata-se de uma ação essencialmente política, que exige um elevado grau de consciência e organização dos trabalhadores. Ao  Mesmo tempo, a politização desse debate é a única forma de desmontar a blindagem esférica do arcabouço rentista, que mesmo os governos do PT hesitam encarar.
Ontem, por exemplo, os 'agentes' financeiros já pressionavam por mais duas altas na taxa de juro sideral do país, uma vez que o IPCA em 12 meses ultrapassou o teto da meta de inflação fixado pelo BC. Hoje a taxa de juro no Brasil é de 12,25%; o rentismo quer jogá-la para 12,75% até dezembro (um juro real da ordem de 6%). Como no resto do mundo a taxa real é zero, ou negativa, compreende-se a avalanche de capitais especulativos que vem engordar no pasto viçoso da ortodoxia nativa.  Tornar-se a grande fazenda de engorda rentista do planeta, como alertaram os metalúrgicos com a greve desta 6º feira, custa caro à sociedade: o dólar barato gerado por esse afluxo de capitais transfere demanda e empregos para o exterior via importações. Nesta 5º feira, o dólar foi cotado a R$ 1,558, um dos níveis mais baixos desde 1999.
(Carta Maior; 6º feira, 08/07/ 2011)

BUEMBA, BUEMBA! O BRASIL NÃO FOI "INVENTADO" POR LULA

 do ANAIS POLÍTICOS


A mídia brasileira é curiosa. De forma geral, ela não percebe o que está por vir e se preocupa com as coisas comezinhas de sempre. A analogia é inafastável. Parece com as lavadeiras que vivem de fofoca na beira do rio.

Dito isso, impossível não se surpreender com o que aconteceu com o tablóide inglês News of the World, do trilionário Rupert Murdoch, e não fazer comparação com a situação brasileira. O jornal de lá resolveu fechar as portas porque os anunciantes pularam fora após ficar comprovado que o jornal grampeou ilegalmente dezenas de pessoas, de celebridades a políticos. Aqui, como já dito outras vezes, o quarteto fantástico composto de Grupo Abril, Grupo Estado, Grupo Folha e Grupo Globo, distorcem, inventam notícias, 'fabricam' grampos nunca encontrados, jogam a reputação das mais diversas pessoas na lama, e nada acontece.

E no cotidiano, esta mídia fanfarrona continua tratando o cidadão como imbecil de pai e mãe.

Esta notícia da Gazeta do Povo mostrada no destaque dá bem a mostra disso. 'Dilma ADMITE que o avanço social veio antes de Lula'. Ué, e por acaso alguém já disse o contrário? Por acaso algum petista disse que o Brasil foi inventado depois de Lula? Ora, todos sabemos que só a corrupção foi inventada no governo petista. Como bem vemos pela mídia, antes ninguém roubava nada. A privataria que entregou a Vale por um centésimo de seu valor aos amigos, não passou de uma benfeitoria para o povo brasileiro. Coisas assim.

Veja você que pouco tempo atrás o tucanato e a mídia ficaram muito felizes quando Dilma falou bem de FHC e sobre o combate à inflação. É um comportamento vassalo demais, como é normal vindo da mídia e da direita brasileira. Eles sempre se contentam com os tapinhas nas costas dedos pelos poderosos. Foi assim durante toda a vida em relação aos estrangeiros. E agora, que não estão mais no poder no Brasil, também querem ser afagados pela Presidenta. Como não ouviram isso de Lula, querem muito a complacência de Dilma.

Óbvio que independente disso, não deixarão de sabotá-la. Melhor do que ser reconhecido por Dilma, é ter Dilma fora do Planalto, para que voltem ao status quo anterior. Em outras palavras, retomem a entrega da prataria brasileira aos mandões de fora, no melhor estilo peessedebesta de ser.

E o coreto segue tocando. O trololó do Ministério dos Transportes é a bola da vez. Até mês passado era o Palocci, que sem nenhuma ilegalidade comprovada aumentou o patrimônio em 20 vezes. Malan, Arida, Fraga e FHC também, com suas consultorias. Mas claro que não convém falar deles, só do povo do Governo Federal. As obras superfaturadas do Ministro chamam a atenção, o que faz com que o "povo" (ou será, só a mídia?) se esqueça completamente das obras superfaturadas dos governos tucanos ao redor do Brasil. Especialmente o de São Paulo e sua fábrica de caixa dois de campanha.

Dilma 'admite' que o Brasil começou a avançar antes de Lula. Verdade. Começou a avançar desde que foi inventado, notadamente quando no governo do falecido Itamar Franco, alguns notáveis inventaram o Plano Real, do qual FHC tomou posse e chama como se fosse dele. Mas esse tipo de verdade, claro, ninguém vai dizer.

Para os EUA, talvez já seja tarde demais. O Estado de Segurança Nacional e o poder das corporações já são tão extensivos que até a Constituição dos EUA já está derrotada. Há nos EUA 2 milhões de norte-americanos encarcerados...



10 ideias para que as novas democracias árabes nascentes
consigam evitar os erros dos EUA

O Prof. Juan Cole publicou hoje em seu blog “Informed Comment”, uma carta aberta aos árabes: “10 ideias para que as novas democracias árabes nascentes consigam evitar os erros dos EUA”
(em http://www.juancole.com/2011/07/10-ways-arab-democracies-can-avoid-american-mistakes.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+juancole/ymbn+(Informed+Comment )
Várias daquelas ideias não são novidade no Brasil (o voto obrigatório, por exemplo, geraria melhor democracia que o voto facultativo; marcar eleições aos domingos ou tornar feriados os dias de eleições, também (“nos EUA, os ‘barões ladrões’ marcavam eleições em dias de trabalho, para que os trabalhadores não votassem”); separar estado e religião, idem; alistamento eleitoral obrigatório, idem; manter exércitos de defesa, mais que de ataque, idem. Algumas são mais fáceis de dizer, que de fazer (“não permitam que os judiciários se politizem”, “cuidem de garantir todo o poder aos sindicatos de trabalhadores” e “criem leis que impeçam os monopólios”, por exemplo).

Mas uma delas – não por acaso a primeira da lista – essa, sim, é receita garantida para democracia MUITO melhor que a dos EUA e do Brasil:

“1. As campanhas políticas contemporâneas nos EUA dependem pesadamente de tempo comprado às redes comerciais de televisão. Na Grã-Bretanha os anúncios de candidatos por televisão são controlados; na Noruega são completamente proibidos. Considerem a possibilidade de proibi-los completamente. Mas, decidam o que decidiram, proíbam, por lei, que os canais privados de televisão sejam pagos para exibir anúncios de campanhas eleitorais. Os custos dos anúncios eleitorais por televisão correspondem a 80-90% dos custos de uma campanha presidencial nos EUA. A próxima campanha eleitoral custará, a cada candidato, 1 bilhão de dólares.

O único modo pelo qual alguém pode aspirar a ser eleito é arrendando-se aos bilionários e às grandes empresas e corporações. O povo não tem poder algum para eleger seja quem for, vitimizado pelos ultra-ricos que, nos EUA, já capturaram toda a ‘mídia’, e acaba por eleger o candidato menor pior. Considerem a possibilidade de proibir anúncios pagos a redes comerciais de televisão nas campanhas eleitorais; imponham regras e sanções pesadas, porque, se a coisa ficar só na lei, os muito ricos sempre comprarão, para seu uso exclusivo, além das campanhas e candidatos, também os presidentes, deputados, senadores etc.”

E o Prof. Cole conclui:

“Se aplicarem a regra n. 1, acima, para manter o ‘big money’ longe das campanhas eleitorais, terão boa chance de combater as práticas monopolistas, Hoje, os EUA são governados por um pequeno número de semimonopólios, e o Departamento de Justiça quase nada pode fazer contra eles, porque, de fato, os monopólios elegem, pela televisão e pelos jornais, os candidatos que devem regular os monopólios....
Para os EUA, talvez já seja tarde demais. O Estado de Segurança Nacional e o poder das corporações já são tão extensivos que até a Constituição dos EUA já está derrotada. Há nos EUA 2 milhões de norte-americanos encarcerados, como num gigantesco gulag, muitos por crimes pequenos, ou pela cor da pele. Ultimamente, não fazemos outra coisa além de guerrear em terras distantes, nossos jovens mandados para morrer (e matar) longe, por ação de um ou outro interesse econômico jamais expresso com clareza. Somos revistados nos aeroportos, onde policiais nos veem nus. Nossos telefones são grampeados. A internet é censurada. Os trabalhadores dos EUA já praticamente não têm nenhum direito democrático significativo e perderam, recentemente, até o direito ao atendimento público de saúde. A luta contra os interesses da indústria da saúde privada enfureceu os bilionários, e os levou a inventar ‘movimentos’ apalhaçados como o “Tea Party”, que nada mais são que a fachada que se vê de gente como os irmãos Koch. Nunca ouviram falar dos irmãos Kock? Pois se não tomarem as medidas que sugiro, vocês logo conhecerão versões árabes daqueles dois.” Sobre os irmãos Kock, ver “Os irmãos bilionários que comandam a guerra contra Obama”, 30/8/2010, Jane Mayer, The New Yorker (em português, em http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/09/os-irmaos-bilionarios-que-comandam.html)
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Os EUA têm de pôr fim à guerra ilegal contra a Líbia

6/7/2011, Dennis Kucinich, Guardian, UK
http://www.guardian.co.uk/profile/dennis-kucinich
Dennis Kucinich é deputado pelo Partido Democrata dos EUA,
representante do 10º distrito eleitoral de Ohio. Está no oitavo mandato.
Essa semana, apresento projeto de lei ao Congresso dos EUA, que porá fim ao envolvimento militar dos EUA na Líbia, pelas seguintes razões:

Primeiro, porque a guerra contra a Líbia é ilegal pelos termos da Constituição dos EUA e de nossa lei “War Powers Act”, porque só o Congresso dos EUA tem competência para declarar guerra e o presidente não conseguiu demonstrar que a Líbia representasse qualquer risco iminente aos EUA. O presidente ignorou inclusive a opinião de seus principais conselheiros legais no Pentágono e o Departamento de Justiça, que lhe demonstraram que a aprovação pelo Congresso era indispensável antes de os EUA bombardearem a Líbia.

Segundo, porque a guerra chegou a um impasse. Não é guerra que possa ser vencida, sem que a Líbia seja ocupada por terra por soldados da OTAN, o que configurará invasão da Líbia.

Toda a operação foi terrivelmente mal pensada desde o início. A OTAN apóia uma oposição baseada em Benghazi (cidade localizada no nordeste do país, região rica em petróleo), mas não há nenhuma prova de que aquela oposição tenha o apoio da maioria dos líbios.

O grupo de oposição Frente Nacional para a Salvação da Líbia (e que se suspeita que tenha sido apoiado pela CIA nos anos 1980), jamais teria iniciado uma guerra civil contra um governo líbio que sabia que jamais poderia derrotar, se não contasse com o apoio de massiva campanha aérea da OTAN e, agora, dado que isso não bastou, espera contar soldados da OTAN que invadam o país, por terra.

As ações levianas daquela oposição, encorajadas por interesses políticos, militares e da inteligência ocidentais, criaram a grave crise humanitária que, então, passou a ser usada como justificativa para a campanha de guerra da OTAN, contra a Líbia.

Terceiro, os EUA não têm dinheiro para sustentar aquela guerra. O custo da missão, para os EUA, deverá, em breve, superar a casa do 1 bilhão de dólares – e dentro do país enfrentamos cortes brutais nos serviços públicos devidos aos cidadãos norte-americanos.

Não surpreende que a maioria dos Republicanos, Democratas e independentes dessa Casa tenham a mesma opinião: que os EUA não podem continuar envolvidos na guerra da Líbia.

Essa guerra tem destino trágico. Invadir a Líbia seria completar o desastre. A OTAN já está fora de controle e serve-se de uma Resolução da ONU que visaria a proteger civis, como frágil pretexto para prosseguir em missão não autorizada de derrubada de um governo mediante emprego massivo de violência.

Numa palavra, o comandante da OTAN deve ser responsabilizado por inúmeras violações da lei internacional. Na tentativa injustificável de manter a guerra civil, a França, que é membro da OTAN, e o Qatar, aliado da coalizão, já admitiram que enviaram armas à Líbia – o que configura confessada violação do embargo de armas, que a ONU impôs àquele país.

No final, a principal vítima desse jogo entre nações será a legitimidade da ONU, de suas resoluções e mandados, e a lei internacional. Essa situação é insustentável. A proibição de que se forneçam armas à Líbia tem de ser aplicada, não desrespeitada pelos países membros da OTAN.

O apoio ilegal e contraproducente dos EUA a essas ações militares deve cessar imediatamente.

O Congresso dos EUA tem o dever de cortar todos os fundos que sustentam essa guerra, porque não há solução militar possível na Líbia. É indispensável iniciar negociações sérias em busca de uma solução política que ponha fim à violência e crie ambiente favorável para negociações de paz que visem a apoiar as aspirações legítimas e democráticas do povo. Uma solução política só será viável quando a oposição líbia entender que pôr e tirar governos do poder é privilégio do povo líbio, não da OTAN.
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Lula no Egito pós-Mubarak

Lula fará palestra no Egito

O ex-presidente estará no país árabe na próxima terça-feira. Ele vai participar de um fórum sobre oportunidades abertas após a queda do ditador Hosni Mubarak.
Alexandre Rocha alexandre.rocha@anba.com.br
São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ao Egito dar uma palestra na próxima terça-feira (12). Segundo sua assessoria, ele participará de um evento chamado Jobs.Now: Employment in Post-Revolution Egypt (Empregos.Agora: Trabalho no Egito Pós Revolucionário, em tradução livre), que será realizado na Biblioteca de Alexandria.

O tema da apresentação do ex-presidente, de acordo com sua assessoria, será "Transformando a sociedade: uma visão de desenvolvimento econômico e social equilibrado (o caso do Brasil)". O fórum é organizado pela Fundação Nebny, que, segundo seu site na internet, é formada por jovens que participaram dos protestos que culminaram com a queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, em fevereiro.

O objetivo do encontro, de acordo com o site da Biblioteca de Alexandria, é reunir personalidades das áreas política, econômica e social para discutir o futuro do Egito pós-Mubarak. O fórum na cidade mediterrânea terá duração de dois dias e vai contar também com a participação do economista norte-americano Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel.

Além do fórum, outros eventos vão ocorrer no Egito até o dia 18, como parte do festival Egypt Now. A programação inclui shows de música, feira de artesanato, turismo e negócios e encontro de organizações não governamentais. Além de dar destaque às oportunidades abertas com a mudança de regime, as atividades têm por objetivo incentivar o turismo, setor que sofreu com os protestos.

Depois do Egito, Lula deve ir à Tunísia, país que passa também por um momento de transição política. O ex-presidente tem tido uma agenda internacional cheia. Ele esteve na África na semana passada, na Cúpula da União Africana, na Guiné Equatorial, e em Angola. Esta semana ele visitou o Chile, onde se encontrou com o presidente Sebastián Piñera

http://www.anba.com.br/noticia_diplomacia.kmf?cod=12085051