Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

domingo, 15 de janeiro de 2012

Não seria melhor voltar a escravatura?

 

Com a escravatura, sem salário, quantos empregos mais poderíamos ter?
A Folha publica hoje matéria sobre o acréscimo de renda provocado pelo aumento do salário mínimo, mostrando que a classe C – mais do que as D e E – é a grande beneficiária dos R$ 63,98 bilhões que serão injetados na economia, ficando com R$ 48 bilhões, contra R$ 12,5 bi apropriados pelas classes D/E.
Corretamente, o diretor do Datapopular explica que o vínculo formal de remuneração da classe C faz este impacto ser mais diretamente absorvido na renda, embora não se mencione que esta diferença, na verdade, é apenas metade do que parece ser, pois a classe C tem hoje quase o dobro do número de integrantes do grupo D/E.
Mas a Folha, claro, não pode deixar de ouvir “o outro lado”. Ou seja, aqueles que sempre arranjam uma “boa razão” para que não se eleve o valor do trabalho do nosso povão. E o escalado é o economista José Márcio Camargo, integrante do núcleo do grupo que migrou de um vago esquerdismo para formar o “bunker” do pensamento neoliberal da PUC do Rio de Janeiro.
Não é preciso comentar, basta transcrever:
“O economista José Márcio Camargo, da Opus Investimentos, é crítico desse incremento econômico (o do aumento do salário-mínino).
“Esse dinheiro tem que sair de algum lugar. As empresas vão ter que deixar de comprar, de investir, para arcar com esses custos adicionais.”
O resultado, diz, é que a renda total -e o consumo-não deverá aumentar tanto quanto se prevê com o aumento do salário.
“Com um lucro menor, as empresas poderão gerar menos empregos”, afirma.
Estamos, atenção, no século 21 e ainda há quem deite doutrina para afirmar que salário-mínimo – e ainda um dos menores do mundo – é empecilho para o emprego e o progresso econômico.
Quem sabe se com a escravatura iríamos ter mais progresso que tivemos com a sólida – embora ainda modesta – elevação dos salários? Afinal, pobre está ficando muito caro, não é?

Churrascão no Vestíbulo do Inferno

 



O “Vestíbulo do Inferno” aparece na primeira parte da Divina Comédia, obra monumental do escritor, poeta e político italiano Dante Aligheri (Florença, 1265 — Ravenna, 1321). As outras duas partes são “Purgatório” e “Paraíso”.
Divina Comédia versa sobre odisséia do Poeta no inferno conceitual da Idade Média. O périplo de Dante Aligheri pelos nove círculos infernais é guiado pelo poeta romano Virgílio, que vivera quase dois mil anos antes.
Tive uma edição italiana do Inferno de Dante de capa dura (revestida de couro entalhado a mão), primorosamente ilustrada por Gustave Doré. Presente da mãe. Durante anos, vez após outra, degustava cada sílaba do verso do Poeta e cada traço da imaginação do artista.
Lembrei-me da obra medieval ao participar do “churrascão” que ONGs e movimentos sociais promoveram ontem na esquina da rua Helvétia com a alameda Dino Bueno, no olho do furacão, na Cracolândia de São Paulo.
O “Vestíbulo” é para onde vão as almas dos que não são aceitos no céu, mas que não merecem ir para o inferno. Exatamente como aqueles farrapos humanos prisioneiros de seus infernos particulares aos quais se pretendeu mostrar que nem todos os esqueceram.

Mas não foi só aos condenados que a iniciativa se deveu. Pretendeu-se mostrar ao governo do Estado (policial) de São Paulo e às suas forças de repressão que há quem não aceite os métodos que estão empregando contra aqueles que continuam sendo seres humanos.
Quem esteve lá sabe o que viu e ouviu. E eu sei. Os raros relatos de prisioneiros do crack desconfiados de que aquilo que ali acontecia não poderia ser em seu benefício – pois nada jamais é – tratam de supostos crimes cometidos por seus algozes.
Relatam que apanham até quando estão dormindo. Um deles disse que a polícia espancou alguém de seu grupo, jogou a pessoa no meio da rua e atropelou. E quando perguntados sobre o que gostariam de dizer à sociedade, dizem que apenas gostariam de parar de apanhar.
A presença da polícia, pois, era ameaçadoramente ostensiva. Entendo que até deveria estar lá para proteger os manifestantes, pessoas de classe média, a grande maioria jovem. Mas se o objetivo fosse proteger não deveria ter ficado tão longe – a uns cem metros de distância.
Então percebo que do teto de uma das bases móveis da polícia estão filmando tudo. Decido ir até lá perguntar a razão.
– Boa tarde, policial.
– O que você quer?
– O senhor poderia me informar a razão da filmagem?
– Não posso. Só o capitão (…).
– Onde ele está?
– Atrás do furgão.
Contorno a base móvel da PM.
– O sr. é o Capitão (…)?
– Eu mesmo.
– Gostaria de saber por que os senhores estão filmando o ato público.
– Em primeiro lugar, quem é você?
– Sou do Blog da Cidadania. Vim cobrir a manifestação.
– Não podemos falar.
– Por que não?
– Ordens.
– De quem?
– Não posso dar informações.

Distancio-me alguns metros do furgão e, naquele momento, sucede uma cena no mínimo curiosa: enquanto fotografo o equipamento de filmagem e o aparato policial em seu entorno, sou fotografado. Travei uma guerra de câmeras com a PM.
A atitude pouco amistosa dos policiais, o interesse inexistente ou proibido de dar satisfações à sociedade sobre seus métodos de atuação, tudo isso deixa ver uma paranóia contra não se sabe o que. Era como se temessem um atentado terrorista.
A quem filmavam? Será que alguém iria traficar drogas em um local que tinha tantas câmeras e tanta polícia? Para que filmariam aqueles farrapos humanos que tão bem conhecem, pois de lá não saem?
Quem foi filmado, portanto, foram aqueles que levaram alento e comida a esfaimados. Mas por que? Que crime poderíamos cometer ao levar um sopro de humanidade ao inferno?


Refleti, naquele momento, que o Estado está completamente divorciado da sociedade, em São Paulo. O cidadão que diverge das autoridades locais é visto como inimigo. Por isso a polícia paulista é tão grosseira, autoritária e violenta.
As constatações deprimentes que aquela descida ao inferno causou, porém, não parariam por ali. Os zumbis do crack e os visitantes solidários pouco se misturavam. Os receptivos eram moradores de rua, mas não necessariamente usuários daquele veneno.
Alguns usuários de fato atravessavam a multidão dando encontrões de raspão, aparentemente contrariados. Fiquei imaginando se não temiam que tudo aquilo lhes fosse cobrado pelos opressores quando fôssemos embora.
Aqueles filhos de Deus rescendendo a morte, a excrementos, a álcool, com bocas desdentadas, feridas espalhadas e olhares mortiços… Como ir embora e deixá-los lá? Como sair dali sem ter feito nada? E o que é mais: como purgar a culpa por fazê-lo?
Moças e rapazes tentavam puxar canções, instilar alguma alegria no entorno – como se fosse possível –, mas não repercutia. Não havia espaço para outro sentimento além da perplexidade. E a separação tácita entre visitantes e anfitriões, mesmo estando misturados, tornava tudo pior.
Após resistir por cerca de uma hora, não suportei mais. Despedi-me de amigos que lá encontrei e saí em fuga daquele inferno. E sem olhar para trás.
Perdi a noção de tempo e espaço. Caminhei debaixo de chuva por quilômetros. Só então parei um táxi. Chegando em casa, tomei uma dose de cachaça. E mais outra. Lá pela terceira percebi o que estivera fazendo: tentara, sem sucesso, redimir-me da culpa.

Por que só Eliana Calmon enxergou os R$ 283 milhões no Tribunal do primo de Marco Aurélio?


O Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) identificou 3.426 magistrados e servidores do Judiciário que fizeram movimentações fora do normal no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010.

O auge foi em 2002, quando uma única pessoa movimentou R$ 282,9 milhões. O nome sob sigilo está ligado ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª região, no Rio de Janeiro ( TRT-RJ), segundo o COAF.

Esse Tribunal ocupou as páginas policiais durante a CPI do Judiciário, no Senado, em 1999, assim como aconteceu com o Tribunal equivalente paulista, onde presidiu o juiz Nicolau dos Santos Neto.



http://goo.gl/AQoZf e http://goo.gl/MEqz2 e http://goo.gl/QZYm9

Sobre o TRT-RJ pesou graves denúncias, desde licitações fraudadas, passando por venda de sentenças e venda de nomeações, nepotismo, tráfico de influência, uso da máquina para campanha eleitoral do governador tucano, abuso de autoridade, quando o Juiz José Maria de Mello Porto o presidiu, entre 1993 e 1994. Há gravações envolvendo outros membros do Tribunal e onde ele era citado.

Em 2007, o TRT/RJ aparece em denúncias envolvendo o irmão de outro magistrado do STJ (Paulo Medida).

Mello Porto era primo do ministro do STF Marco Aurélio de Mello e do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Morreu assassinado durante um suposto assalto em 2006, como desembargador deste Tribunal, sem qualquer condenação (que se saiba). Processou diversos jornais e jornalistas e até procuradores da República que fizeram denúncias contra ele, e ganhou indenização em muitos casos, pelo menos nos tribunais cariocas (não sei o que aconteceu nos recursos).

Agora, coincidentemente, aparece a notícia da movimentação atípica de R$ 283 milhões por uma única pessoa neste tribunal em 2002. Não cabe fazer ilações sobre nomes, sem provas, como costuma fazer a revista Veja. Mas alguém movimentou essa fortuna de forma atípica lá, onde choveram denúncias de irregularidades pelo menos desde 1994.

E a pergunta que fica ao Dr. Gurgel, Procurador Geral da República é: por que o Ministério Público Federal não fez o dever de casa, e não investigou desde 2002 um alerta do COAF deste tamanho?

Será que é porque não saiu na revista Veja?

Não fosse a resistência e coragem da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, a impunidade estaria garantida.

Detalhe: Durante a CPI do Judiciário, Mello Porto era corregedor do TRT/RJ.
O fato recomenda ao Dr. Peluso (presidente do STF) repensar sobre sua insistência em deixar as investigações sobre malfeitos para as corregedorias dos próprios tribunais.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O CUSTO ALTO DA AMBIGUIDADE POLÍTICA

** Cracolândia: fiasco da operação 'Dor e Sofrimento' deixa coalizão kassabi-tucana num beco sem saída (leia a coluna desta semana da editora de Política de Carta Maior, Maria Inês Nassif)**SEXTA-FEIRA NEGRA NA EUROPA: fracassa negociação entre os bancos credores e a Grécia** agencia de risco rebaixa notas da França, Espanha, Portugal, Itália  e Áustria**Sarkozy ferido em pleno vôo eleitoral convoca gabinete de crise**na próxima 4ª feira reúne-se o Copom** em pauta, o primeiro ajuste da taxa de juro brasileira em 2012** Selic de 11% tornou-se excrescência ortodoxa num mundo de  incerteza crescente  e super liquidez sem alternativa de investimento ** Brasil reúne segurança, boas opções  e rentabilidade** juro real da ordem de 5,5%  é anomalia desnecessária e ideológica** distorce o câmbio; corrói a indústria; asfixia o  investimento.

 
 
95% dos pesquisados pela CNI/IBOPE afirmam que o ponto catalítico da insatisfação com o SUS, a demora nas filas, requer mais investimentos em médicos e equipamentos. Mas 96% são contra aumentar impostos para suprir as deficiências do setor e  82% consideram que recursos adicionais poderiam ser obtidos 'se o governo acabasse com a corrupção'. Em resumo, a sociedade comprou a lenga-lenga que pavimentou a extinção da CPMF em 2007, quando R$ 40 bi anuais foram subtraídos do orçamento federal, em operação lubrificada pelo jogral midiático da redução do ‘custo Brasil'. O tema voltaria ao debate no final de 2011 com a discussão da emenda 29. Inútil. Cristalizou-se a vitória da narrativa conservadora no imaginário brasileiro. Não por seu mérito. A esquerda --e como ela o governo da Presidenta Dilma, todo ele--  contribuiu para esse desfecho.(LEIA MAIS AQUI)


Desastres das chuvas são municipais, estaduais e federais

Deveria ser a pior época do ano para os políticos, mas não é. Eles deram um jeito de anular as suas responsabilidades. E o que lhes permite fazê-lo é empurrá-las para o governo federal, o qual, em um país tão grande, fica difícil culpar pelo deslizamento de uma encosta, pela enchente de uma rua ou por aquele cidadão que caiu em um córrego e se afogou.
Como os políticos fizeram essa mágica? Através de dois instrumentos. Um é o bom e velho presidencialismo de coalizão que obriga o governo federal a assumir esse ônus em prol de suas alianças políticas, e também para não parecer que quer se omitir. E o outro instrumento é a mídia, que, sob evidentes motivações políticas, cobra de quem deve menos.
Exemplo disso está em um vídeo que passou a circular na internet e no qual a apresentadora de um telejornal do SBT explode em indignação contra o governo Dilma pela enchente em um bairro qualquer de alguma parte do país, como se fosse possível ao governo federal mapear riscos desse tipo em cada rua, cada bairro, cada cidade, cada Estado.
Veja o vídeo e depois continue lendo.




Esse é apenas um dos muitos exemplos de noticiário opinativo que protege os grandes culpados, que são o prefeito e o governador, e que se repete em praticamente toda a mídia.
As acusações recentes contra o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, por ter destinado mais recursos contra enchentes ao seu Estado natal mostram como a imprensa protege culpados e desinforma os cidadãos. O Estado do ministro ficou com quase todos os recursos porque foi o único que apresentou projetos ao governo federal e que lhe pediu verbas para executá-los.
Quem primeiro deve apurar onde há que fazer obras contra os problemas que as chuvas geram são os municípios. Se não houver recursos para fazer projetos, a prefeitura deve recorrer ao governo estadual. No caso do ministro, as verbas federais existiam para todos, mas os projetos não. E muito menos pedido de recursos para projetos.
O nível da administração pública que tem menor responsabilidade na atual conjuntura, portanto, é o federal. E a defesa do ministro às acusações que recebeu no âmbito da guerra da mídia contra o ministério de Dilma expôs o descaso de prefeitos e governadores que não gostam de enterrar recursos em obras que poucos eleitores percebem, pois costumam ser subterrâneas.
Até o ano passado – e durante alguns anos –, quando São Paulo inundava, a mídia dizia que a culpa era de São Pedro. Quem tiver curiosidade, pesquise neste blog o que foi publicado no período das chuvas de 2011 e verá reprodução de matérias que afirmavam que aquela enchente naquele bairro da capital paulista se devera à maior chuva em sabe-se lá quantos anos.
Este ano promete ser diferente. Até pelo link que a mídia quer fazer entre as tragédias das chuvas e o ministério que tem relação com obras contra elas, São Pedro deverá ser poupado. 2012 promete ser o ano em que o governo federal mais irá apanhar por conta dessas tragédias. Sobretudo pelas que devem expor a má administração de São Paulo.
Nas capitais, sobretudo nas do Sul e do Sudeste, é indesculpável que não tenham sido pedidos recursos. É evidente que uma cidade como São Paulo, por exemplo, não teria dificuldade em executar projetos para pleitear verbas estaduais e federais. E se o prefeito fosse (sic) irresponsável, caberia ao governador fazer esses projetos e pedir verbas.
A situação se agrava em lugares como São Paulo, onde o mesmo grupo político vem sendo mantido no poder há quase duas décadas. A falta de alternância no poder diminui ainda mais o empenho das autoridades em se preocupar com problemas que afetam sempre os mesmos bairros pobres, nos quais os cidadãos são induzidos a responsabilizar o governo federal.
Essa apresentadora prestou um desserviço à sociedade. Teria sido corajosa se cobrasse o prefeito de Luziânia e o governador de Goiás em vez do governo Dilma. De que adianta cobrar “o ministério”? Aliás, quem deu a resposta idiota foi um funcionário da prefeitura, mas quem pagou o pato foi o governo federal.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Standard & Poor's reduz nota da França para "AA+"

Brasil Econômico  


A S&P havia advertido em meados de dezembro que poderia rebaixar rapidamente a nota de vários países europeus, incluindo França
A S&P havia advertido em meados de dezembro que poderia rebaixar rapidamente a nota de vários países europeus, incluindo França

A agência de classificação financeira Standard & Poors (S&P's) reduziu a nota da França, a segunda economia da Zona do Euro, em um grau, de "AAA" para "AA+", informou uma fonte governamental.
Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo, no entanto, mantiveram sua classificação.
"A França perdeu seu triplo A", disse a fonte, que pediu anonimato.
A S&P havia advertido em meados de dezembro que poderia rebaixar rapidamente a nota de vários países europeus, incluindo França, que teria sua nota reduzida em dois escalões, a partir de seu atual "AAA", a máxima nota de solvência.
"Outros países (que também possuem essa classificação) podem ter a mesma sorte", disse, sem detalhar quais.
Segundo a fonte, o governo francês já foi informado pela agência. Após o anúncio, a Bolsa de Paris perdia 1,05%.
A agência classificadora se negou a comentar sobre a nota francesa e dos demais países europeus.
Segundo especialistas, a mudança da nota francesa pode ter um efeito dominó na Zona do Euro e afetar inclusive seu mecanismo de resgate, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), cujo "AAA" é sustentado pela nota de seis países da União Monetária.
O euro acelerou sua queda ante o dólar, chegando ao seu valor mínimo em 16 meses. Nesta tarde, o euro recuou para US$ 1,2624, sua mínima desde agosto de 2010.
Em meados de dezembro, a agência Moody's reduziu em dois níveis a nota da dívida da Bélgica, para "Aa3", sendo que este país manteve sua classificação "AA" da Standard and Poor's e de "AA+" da Fitch.

Aécio é decepção.

Aécio Neves deixou de ser o "queridinho". Ao menos é isto que parte da imprensa paulista está disseminando na última semana. Lembremos que o queridinho de parte da imprensa paulista é José Serra. Mas, mesmo assim, Aécio tem enfrentado dificuldades reais. Destaco 4 obstáculos:

1) É mineiro, de fato e direito. Uma barreira para a grande imprensa paulista, a mais nacional do país. E também o faz muito "tímido" para os padrões da política nacional. Aécio tem dificuldades para aparecer publicamente com arma em punho, criticando, sendo agressivo. Quase sempre, aparece com pauta positiva. E conversa em demasia nos bastidores, o que o faz mais invisível ainda;
2) Esteve, nos últimos oito anos, sob a guarda de Lula, o político mais popular do país. Lula o blindou dos ataques petistas, o que vale dizer, de muitas ongs, redes sociais e movimento sindical. Agora, o cenário é outro e está apanhando para valer;
3) Não entra no nordeste. Este é principal obstáculo territorial. E o nordeste é o segundo colégio eleitoral regional do país. Sem nordeste, seu fôlego é curto. Para piorar, o DEM deve se fundir com o PMDB em 2013. Ou o PSDB faz uma proposta melhor ao DEM (com todos problemas advindos da disputa Serra-Aécio) ou...
4) Discurso anacrônico. Choque de gestão e privatização não dá mais. Foi agenda pré-crise 2008. Agora, alguma pitada de Keynes é ordem do dia. E Aécio nem sabe quem foi Keynes.

Rudá Ricci 

Autor de pedido de CPI da Privataria diz que Serra está desesperado

Para Protógenes Queiroz, Serra desrespeita o Congresso e deve explicações por "expedientes criminosos". Deputado diz que Aécio Neves o parabenizou pelo pedido de investigação

Autor de pedido de CPI da Privataria diz que Serra está desesperado
Delegado Protógenes disse que FHC se surpreendeu com atividades sombrias de Serra (Foto: Brizza Cavalcante / Ag. Câmara)
São Paulo – O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) disse nesta quarta (11) que é gesto de “desespero” a crítica de José Serra (PSDB) à CPI da Privataria. Na véspera, o ex-governador paulista Serra classificou de “palhaçada” a eventual instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito, pedida por Protógenes, para investigar privatizações de estatais durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
O deputado lembrou que as assinaturas colhidas para a abertura da comissão foram protocoladas em dezembro, com o apoio de 185 parlamentares – 14 a mais do que o mínimo exigido pela Constituição. “Na primeira semana de fevereiro vamos saber a tramitação que o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), dará ao pedido. Mas será instalada”, acredita. Ele antecipou que logo após o carnaval os trabalhos da CPI já devem se iniciar.
A investigação decorre do livro A Privataria Tucana, do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Jr., que apresenta documentos e indícios de um esquema bilionário de fraudes no processo de privatização de estatais na década de 1990. Serra era o ministro do Planejamento, gestor do processo. Com documentos, o jornalista acusa o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira de ter atuado como "artesão" da construção de consórcios de privatização em troca de propinas.
Questionado sobre as acusações contidas no livro, Serra primeiro chamou o conteúdo de “lixo”, depois chegou a desqualificar a CPI: "Isso é tudo uma palhaçada, porque eu tenho cara de palhaço, nariz de palhaço, só pode ser palhaço".

Protógenes viu na atitude de Serra um desrespeito ao trabalho parlamentar de investigação. “Ele está se referindo à CPI de uma forma jocosa, em um tom de brincadeira. Eu considero que essa reação dele é um grito de desespero, bastante desrespeitoso.”
Para o parlamentar, o trabalho obscuro de pessoas próximas a Serra, desvendado por Ribeiro causou estranhamento nos próprios integrantes de seu partido, o PSDB. “Causou uma guerra interna. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala, sem externar publicamente, que também se surpreendeu”, afirmou. Ele ainda relatou que o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) o parabenizou pela iniciativa da CPI.
Confira a entrevista:
Rede Brasil Atual: Como está a tramitação da CPI?
Protógenes Queiroz:
A CPI ja foi protocolada e agora segue um rito regimental. Logo na primeira semana de fevereiro vamos saber a tramitação que o presidente da Casa, Marco Maia, deu. Mas será instalada – logo depois do carnaval.
Qual foi a sua impressão do livro A Privataria Tucana?O livro traz vários fatos inéditos, não é uma reedição de fatos que já haviam sido publicados, pelo contrário. Ele se tornou mais que um livro, um documento que cruza com investigações da Polícia Federal, inclusive algumas que eu mesmo coordenei. O fato é que para o próprio PSDB tudo isso também foi uma surpresa, por isso que também houve a assinatura de vários parlamentares tucanos. É como aquela história do marido traído, que é sempre o último a saber e por terceiros.
Isso produziu alguma crise no PSDB?Causou uma guerra interna. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala, sem externar publicamente, que também se surpreendeu, quer dizer, já colocando a posição de surpresa e neutralidade naquilo que o Serra liderou, nas privatizações.
Algum outro tucano falou alguma coisa?No dia em que entreguei a CPI, o Aécio Neves me abraçou, me dando os parabéns.
Qual deveria ser a posição do Serra neste momento?O Serra deve explicações ao Brasil. Não somente ele, mas também quem estiver ligado a ele, como o Ricardo Sérgio, o grande operador do PSDB. Será que ele foi o operador de todo o PSDB ou só do grupo e da família Serra? Mas é o Serra que deve dar as explicações mais detalhadas, ele é o sujeito que se servia de expedientes criminosos.
Ele chegou a classificar a CPI da Privataria de palhaçada.Ele foi um governador, como ele pode se expressar dessa forma? Ele está desrespeitando o Congresso Nacional e a vontade popular. Mas essa é uma expressão pela qual ele está acostumado, do próprio meio dele. Não é a expressão conveniente para um instrumento sério de investigação do Parlamento brasileiro, nem a expressão dos parlamentares que assinaram a CPI.
Por que acha que ele falou isso?Ele está se referindo à CPI de uma forma jocosa, em um tom de brincadeira. Eu considero que essa reação dele é um grito de desespero, bastante desrespeitoso.
Como você enxerga que será o trabalho da CPI?Nós vamos ter de ver se aqueles documentos do Amaury são verdadeiros ou não, e caso se confirmem vamos encontrar um foco de investigação e aprofundar.
O Serra será um dos convocados?Com certeza.
A CPI poderia comprometer o futuro do Serra?Em política tudo é possível. Depois que eu prendi o Paulo Maluf por 40 dias e ele foi eleito deputado federal, então tudo é possível. (Antes de seguir carreira política, Protógenes foi delegado da Polícia Federal e atuou em investigações de crimes de colarinho branco.)

Sobre a classe média e os intelectuais


Ontem, a presidenta Dilma Rousseff disse, na solenidade do lançamento de um programa de construção de 100 mil moradias em São Paulo – para pessoas com renda de até R$ 1,6 mil, com 75% de recursos da União e 25% do Estado – que “não queremos um país de milionários e de pobres e miseráveis, como existe em  muitas grandes nações. Queremos, sobretudo, um país de classe média”.
Também ontem, o principal assessor econômico de Barack Obama, Alan Krueger, afirmou que, nos EUA, a classe média “encolheu” e  que isso está “causando uma divisão negativa das oportunidades e é uma ameaça ao nosso crescimento econômico”.
Um pesquisa do Pew Research Center, reproduzida pela coluna Radar Econômico do Estadão, mostra que se acentuou ”o conflito entre ricos e pobres na sociedade” norte-americana, que seria percebido como “forte ou muito forte”. Na sociedade do “mérito e esforço pessoal”, cada vez mais pessoas acreditam que a riqueza é feita pela origem, não pelo trabalho.
“Segundo a pesquisa, 46% da população acredita que, nos EUA, a maior parte dos ricos o são “porque conhece as pessoas certas ou nasceu em família rica”; já 43% avaliam que as pessoas enriquecem “por causa de trabalho duro, ambição e educação”. O restante dos entrevistados acredita que a ascensão social ocorre pelos dois motivos ou por nenhum deles”.
Nós, brasileiros, sabemos quanto custa, depois de fixada, esta visão da “esperteza” como única alternativa para a “herança”. E como isso é um veneno para a formação intelectual de gerações que passam a ver nos “truques”, na exposição física-sensualidade-sexualidade a forma de reconhecimento, a enxergar na própria educação apenas um valor mercantil para sua capacidade de “vender-se” ao (ou no) mercado.
O grande processo de inclusão social vivido pelo Brasil a partir dos anos 30, com a urbanização da população, o reconhecimento do trabalho como fato gerador de direitos, a expansão dos meios de comunicação (o rádio, depois a TV e a massificação dos jornais impressos) .
Hoje, vivemos um momento parecido àquele, com a expansão de nossa classe média e, portanto, do contingente com padrões de sobrevivência minimamente necessários para a aquisição de bens não apenas materiais, mas também culturais.
Desafortunadamente, porém, não temos contado com uma elite cultural atenta a este processo de inclusão. E, ausente ela, não dá para esperar coisa alguma da mídia que não seja a mediocridade que assistimos.
Não se pode culpar o povo pelas novelas e pelos BBB. Consomem o que “o mercado” fornece, sob a complacência de uma intelectualidade preguiçosa e rendida à “realidade do mercado”, que considera “moderno” esquecer que é deste processo que pode emergir uma nova camada de pensamento humano, generosa e prolífica, como a que, flor brotada daquele processo de inclusão, emergiu no Brasil dos anos 50 aos 70. Tão forte, tão lúcida, tão generosa que uma ditadura não a venceu, senão depois de tanto tempo que a fez cansada e estéril  na democracia.



Placa em piscina que proíbe presença de negros causa polêmica nos EUA


Uma mulher foi acusada de racismo depois de colocar uma placa que proibia negros de usar a piscina de um condomínio em Cincinnati, nos Estados Unidos.
De acordo com uma comissão de direitos civis de Ohio, Jamie Hince foi acusada de violação dos direitos civis e racismo por Michael Gunn, ex-morador do prédio, que afirmou que a proprietária proibiu sua filha de usar a piscina pois usava produtos no cabelo que "deixavam a água turva" disse.
A proprietária negou as acusações e afirmou que a placa, datada de 1931, é uma relíquia e foi usada apenas como objeto de decoração. Jamie afirmou que é colecionadora de antiguidades.
A placa que proíbe o uso da piscina por negros em Cincinnati, EUA.
A placa que proíbe o uso da piscina por negros em Cincinnati, EUA.
A família de Gunn prestou queixa em Junho, quando se mudou do local para "não expor sua filha a humilhação contida na mensagem" afirmou.
A comissão do estado condenou Hince por violar os direitos civis, mas a acusada pediu que reavaliassem a decisão. O veredicto final deve ser divulgado no dia 12 de Janeiro.

Covardia político-midiática veta única solução real para o crack


O desastre que a operação policial na Cracolândia de São Paulo encerra transtorna a vida da capital paulista e envergonha a cidade, o Estado e até o país, pois revela a mentalidade atrasada da sociedade brasileira e a covardia da nossa classe política e até da imprensa, que sabem que existe uma solução para o problema das drogas, mas a ignoram e escondem.
No mundo inteiro, a drogadição é uma tragédia. Contudo, alguns países – os mais avançados em termos sócio-econômicos – conseguiram reduzir drasticamente essas chagas sociais com políticas públicas realistas, dentre as quais sobressai a Política de Redução de Danos, representada pelas “narcossalas” ou “salas de uso seguro”.
A XXI Conferência Internacional de Redução de Danos, realizada no ano passado em Liverpool, na Inglaterra, expôs os avanços que as nações mais civilizadas do planeta alcançaram na questão das drogas através do uso das narcossalas, e se debruçou sobre a imperiosidade de expandir essa política pública para regiões menos desenvolvidas como a América Latina, nas quais sociedades conservadoras obrigam a classe política a adotar repressão e violência contra usuários de drogas.
O baixo nível cultural e educacional dos povos latino-americanos, entre outros, não se restringe às classes populares. As elites econômicas vibram com operações policiais truculentas por confundirem políticas de segurança publica reais e efetivas com vingança contra criminosos e até contra as principais vítimas do tráfico, os usuários.
A incompetência desumana da ação policial em São Paulo, na Cracolândia, onde o governo do Estado e a prefeitura da capital decidiram pela técnica de “sufoco, dor e sofrimento” contra pessoas mentalmente doentes e que não têm mais nada a perder na vida, exibe o assustador despreparo das autoridades locais e até da grande imprensa.
A conferência sobre redução de danos que teve lugar na Europa, ano passado, contabilizou o extremo sucesso dessa política pública que consiste na implantação de centros para viciados nos quais recebem drogas –  ou substâncias alternativas que produzem os mesmos efeitos da droga convencional, mas fazem menos mal – para consumo controlado e assistido e podem recorrer a tratamento de desintoxicação, se quiserem.
Vejam só o que ocorre na Cracolândia paulistana. Nem sob ameaça de uma polícia truculenta, mal-paga, inculta, despreparada e corrupta os viciados se intimidam. A “fissura” pela droga já se tornou a razão da existência desses seres humanos, de forma que não há nada mais assustador para o viciado em crack do que não ter como se drogar. Violência policial não intimida essas pessoas.
Por isso, na abertura da 21ª edição da conferência sobre Redução de Danos o sociólogo especializado em saúde pública Gerry Stimson, atual diretor da International Harm Reduction Association (IHRA), que organiza a conferência, considerou que o grande desafio hoje é conscientizar sociedades conservadoras do Terceiro Mundo.
Ano passado, a Conferência relatou que há hoje 93 países e territórios no mundo que adotaram a Redução de Danos. No entanto, em certos países em que o conceito foi adotado os resultados não foram tão bons porque os recursos investidos foram insuficientes. Esse é o grande erro, pois economizam recursos de um lado (na estrutura da Redução de Danos) e gastam em outro (no combate ao tráfico e na assistência médica aos viciados em estado terminal).
Vemos como os usuários de crack em São Paulo não se deixam intimidar ou convencer. Apanham, são escorraçados, humilhados, ameaçados e mesmo assim não cedem e nem cogitam fazê-lo simplesmente porque não podem, pois não há tortura maior para seus corpos e mentes do que ficar sem droga para consumir.
O mais trágico que a covardia da classe política gera pode ser visto nas meninas, algumas pré-adolescentes que parecem mais velhas pelos seus rostos envelhecidos e que carregam filhos na barriga que fatalmente engrossarão os contingentes de criminosos, drogados etc. Essas gestantes tão jovens sabem disso, mas o instinto maternal é suplantado pela “fissura” pela droga.
Entretanto, o vício poderia ser usado contra si mesmo, pois se os viciados fazem tudo pelo crack, por exemplo, basta lhes oferecer um local para consumi-lo sem terem que roubar, se prostituir etc. Nesse local, concomitantemente ao fornecimento de drogas haveria todo um trabalho psicológico e químico de desintoxicação, além de capacitação profissional. E que seria estendido a quem quisesse.
As experiências nesses países mais desenvolvidos como Alemanha, Holanda, Austrália e tantos outros mostram que, aos poucos, os viciados vão se deixando seduzir pela possibilidade de se reinserirem na sociedade. Nos países em que a política de Redução de Danos foi implantada de forma séria, com recursos suficientes, os gastos com saúde pública e com segurança diminuíram e, mais importante, o contingente de viciados também diminuiu consistentemente.
Por que não se faz isso no Brasil? Porque ninguém quer enfrentar uma sociedade atrasada, ignorante e preconceituosa que acha que a solução para esse drama é espancar ou até matar traficantes e suas vítimas – ou, na melhor das hipóteses, confiná-las em celas superlotadas ou guetos para não terem que olhar para o que a ignorância produz.
Então, leitor, saiba que solução existe. Ironicamente, no médio prazo seria mais barata do que essas dispendiosas operações policiais como a que está em curso na Cracolândia de São Paulo ou do que cuidar dos problemas gravíssimos de saúde que sobrecarregam o SUS quando os piores efeitos do consumo de drogas já se fazem sentir.
Há dinheiro para adotar essa solução e ela funciona, mas o país não a adota. Por que? Política, meu caro leitor. É a mesma coisa com o aborto. Todos sabem que é uma hipocrisia proibi-lo porque é praticado  à larga em todo território nacional, mas a lei funciona como uma espécie de venda social para a realidade.
Devido à covardia dos políticos e da imprensa, o debate sobre Redução de Danos jamais prosperou. Temem a escandalização que a proposta geraria entre os setores conservadores, que são maioria. Então nem tentam explicar. Uma campanha bem feita, porém, mostraria as vantagens dessa política pública. Mas quem terá coragem de empreendê-la?

Humberto Costa nem parece do PT. O NE é um problema para o PiG

Saiu no Globo, na página 10, mais escondido do que notícia sobre a Privataria Tucana – clique aqui para ler “O Cerra ainda pode ser presidente?”:

“A defesa mais enfática (e por isso mais escondida pelo Globo – PHA ) de Fernando Bezerra (no Senado, em depoimento nesta quinta-feira – PHA) foi feita pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), que falou em preconceito contra “ministro nordestino”. ”

Humberto Costa, como se sabe, foi o único líder do PT no Congresso que subiu à tribuna para exigir que seu colega (será ?) de Partido, o Ministro da Justiça, Zé – clique aqui para saber por que os amigos de Dantas o chamam de ”Zé” – investigue as denuncias contidas no livro “Privataria Tucana”, de Amaury Robeiro Junior:

http://www.senadorhumberto.com.br/

Agora, Costa enfia o dedo na ferida: o preconceito contra nordestino  sustentou a campanha para destabilizar a presidenta Dilma Rousseff, através do enfraquecimento de Fernando Bezerra Coelho, Ministro da Integração.

Foi o Estadão, o órgão do PiG (*) que melhor expressou esse preconceito, em “reportagem” sobre a predominância de nordestinos na pasta da Integração.

(O que dizer da predominância de paulistas no Ministério da Fazenda e Banco Central ?)

Na mesma “reportagem”, o Estadão chamou o melhor governador do Brasil – segundo avaliação de instututos de pesquisa que o Estadão consulta -, Eduardo Campos, de Pernambuco, de “coronel moderno”…

E o Alckmin, o Cerra e os que coronelizam São Paulo há 17 anos – são coronéis medievais ?

Convém chamar o proconceito pelo que é: preconceito.

A elite de São Paulo não gosta de nordestino e, se pudesse,  concretizava a aspiração contida na Guerra da Secessão de 1932 – e se descolava do Brasil para ser um grande Porto Rico.

O outro ponto sinistro desse preconceito é que ele se agravará.

Se agravará quando ficar mais claro que o centro da economia brasileira se “desconcentra” aceleradamente – foi o “plano secreto” do Nunca Dantes.

São Paulo não é mais a única locomotiva e, se bobear, será uma grande plantação de açúcar, com um monte de bancos no meio.

Dezessete anos de tucanato em São Paulo ofuscaram qualquer visão estratégica, porque Montoro, Covas, Cerra e Alckmin não pensavam o papel de São Paulo dentro do Brasil, ou quiseram fazer de São Paulo, apenas, um trampolim para governar o Brasil.

A fruto mais exuberante dessa “descentralização” é  que a elite de São Paulo saiu do centro da política brasileira há muito tempo.

Só sobrevive no PiG (*) e, sem ele, não passaria de Resende.

Esse rebaixamento político de São Paulo tem desdobramentos fora de São Paulo.

O PIG (*) é São Paulo-dependente.

Porque o Globope mede São Paulo e porque as agencias de publicidade ficam em São Paulo e não sabem distinguir Caruaru de Cabuçu.

Assim como os neolibelês (**) perderam o Norte, com o desmoramento da ideologia do Consenso de Washington, a Globo e seus colonistas perdem a referência quando o sol que brilha não nasce mais no Palácio dos Bandeirantes nem na Avenida Paulista.

(E muito menos na Casa das Garças, onde habita o novo jenio tucano.)

O Brasil tem que encarar de frente essa questão do preconceito.

Aleluia, Humberto Costa !

Ele nem parece do PT, não é isso, Zé Cardozo ?


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

Calmon cala a boca de Peluso e (Collor de) Melo




Saiu no UOL:


Coaf aponta operações atípicas de R$ 855 mi de juízes e servidores

Um relatório do Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) revela que 3.426 magistrados e servidores do Judiciário fizeram movimentações consideradas “atípicas” no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010.

O documento ressaltou algumas situações consideradas suspeitas, como o fato de três pessoas, duas delas vinculadas ao Tribunal da Justiça Militar de São Paulo e uma do Tribunal de Justiça da Bahia, terem movimentado R$ 116,5 milhões em um único ano, 2008.

Segundo o relatório, 81,7% das comunicações consideradas atípicas estão concentradas no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), Tribunal de Justiça da Bahia e o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

Sem apontar nomes ou separar entre servidores e juízes, os dados também mostram que ocorreram depósitos, em espécie, no total de R$ 77,1 milhões realizados nas contas dessas pessoas.

O documento de 13 páginas, ao qual a Folha teve acesso, foi encaminhado na tarde desta quinta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon. Ela disse ao STF não ter havido quebra de sigilo para se chegar às informações.

“Atipicidade” nas movimentações não significa crime ou irregularidade, mas apenas que aquela operação financeira fugiu aos padrões da norma bancária e do sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro.

O Coaf apurou uma relação de 216 mil servidores do Poder Judiciário. Deste universo, 5.160 pessoas figuraram em 18.437 comunicações de operações financeiras encaminhadas ao Coaf por diversos setores econômicos, como bancos e cartórios de registro de imóveis.

As comunicações representaram R$ 9,48 bilhões, entre 2000 e novembro de 2010. O Coaf considerou que a maioria deste valor tem explicação plausível, como empréstimos efetuados ou pagos.

Dos R$ 855 milhões considerados “atípicos” pelo Coaf, o ápice ocorreu em 2002, quando “uma pessoa relacionada ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região”, no Rio de Janeiro, movimentou R$ 282,9 milhões.

Em 2010, R$ 34,2 milhões integraram operações consideradas suspeitas.



Quer dizer, então que as Corregedorias dos tribunais estaduais são as instituições apropriadas para investigar essas minúsculas, irrelevantes “irregularidades”, que chegam a R$ 1 bilhão …
Quer dizer que a Dra. Calmon não entende de Constituição…
O Ministro Peluso e o Ministro (Collor de) Melo ainda não perceberam o que o Cerra e o FHC ainda não perceberam também: que a Casa Grande começou a pegar fogo.
Paulo Henrique Amorim

Dívidas caem mas calote aumenta? O “milagre” do jornalismo brasileiro

 
 
 
 
Os jornais de hoje alardeiam: “Calote do consumidor cresce 21,5%, a maior alta desde 2002″.
Pronto, temos uma crise de inadimplência gravíssima, as pessoas, endividadas, não conseguem pagar suas contas, as empresas, sem receber, perdem seu fluxo de caixa, a economia caminha para a crise.
Verdade?
Bem, a notícia toma como base os indicadores do Serasa Experian, uma empresa de cadastro de crédito que, como poucas, sabe explorar a mídia espontânea que seus indicadores lhe dão.
Olhemos, então, o que dizem estes dados,  na tabela  que acompanha a divulgação do índicee a gente reproduz aí em cima.
E o que aconteceu, segundo o próprio Serasa?
 ”Em 2011, o valor médio das dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água), foi de R$ 320,63, o que representou uma queda de 17,3% na comparação com 2010.
Quanto às dívidas com bancos, o valor médio verificado ao longo dos doze meses de 2011 foi de R$ 1.302,12, com redução de 0,7% ante o mesmo acumulado de 2010.
Os títulos protestados, por sua vez, registraram em 2011 um valor médio de R$ 1.372,86, ocasionando um crescimento de 16,0% quando comparado com 2010.
Por fim, os cheques sem fundos tiveram, em 2011, um valor médio de R$ 1.359,19, representando um aumento de 8,4% sobre 2010.”

Bem, aí você vai olhar qual é o peso de cada modalidade de inadimplência no índice. As dívidas não-bancárias respondem por 39,8% do indicador; as com os bancos, por 48,2%. Já os cheques sem fundo, 10,5% e os títulos protestados, apenas 1,5%.
Portanto, se você aplicar a ponderação que o próprio Serasa define, o resultado é que o valor médio das dívidas decresceu 6,04%, se comparado os anos de 2011 e 2010.
Mas aí você descobre que o indicador mede, na verdade, ” as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos e dívidas não bancárias (lojas em geral, cartões de crédito, financeiras, prestadoras de serviços como fornecimento de energia elétrica, água, telefonia etc.)
O que, claro, não mede nada, porque você não pode considerar aumento da inadimplência em números absolutos, porque senão três carnês de R$ 20 em atraso representam uma inadimplência maior do que uma prestação vencida de 500 reais. Principalmente porque você tem, com a bancarização da população e o crescimento do crédito uma base cada vez maior de operações de crédito.
O próprio Serasa sabe e diz que não há qualquer bolha de cre´dito no Brasil e muito menos seu estouro. O próprio Serasa já advertiu que a tendência de inadimplência é decrescente.
Essa é uma das  história do catastrofismo nosso da cada dia na mídia.
O mesmo Serasa, em press- release distribuído dois dias antes, registra que o número de falências decretadas no ano de 2011 caiu 30% (de 908 para 641) e o de falência requeridas baixou 27%, de 2.371 para 1.737.
Obviamente, isso não é manchete.
Mas é assim que se constrói boa parte do noticiário econômico no Brasil.
Ano passado, o mundo ia de vento em pôpa, crescendo. E este otimismo era medido aqui: o indicador FGV/Banco Central de confiança do comércio dizia que, de 1244 empresas pesquisadas, 755 delas previam um aumento nas vendas.
Agora, com o mundo mergulhado na crise e a incerteza por toda a parte, 711  – 56,2% - continuam achando que vão vender mais.
E isso é apresentado como um clima de pessimismo.

E aí a gente continua naquele clima de que nada do que fazemos dá certo e o melhor é que alguém tome conta de nós, como incapazes.
Por: Fernando Brito

Significado para a democracia, das manifestações populares

ATENÇÃO:
O artigo abaixo não é nenhuma Brastemp, mas, pelo menos, o pessoal da Universidade lááááá, em Port Elizabeth, láááááá na África do Sul, ESTÁ TRABALHANDO na internet, distribuindo pensamento aproveitável, né-não?!

Bert Olivier é professor de filosofia na Universidade Metropolitana Nelson Mandela, em Port Elizabeth, África do Sul

Há alguma justiça histórica em a revista TIME ter escolhido, como “Pessoa do Ano de 2011: O Que Protesta (com subtítulo: “da Primavera Árabe a Atenas, de Occupy Wall Street a Moscou”). O que o editor Richard Stengel escreve, à página 7 da edição de 26/12/2011-2/1/2012), faz eco ao que disse Albert Camus (para todos há um ponto, a partir do qual alguém se rebela e começa a resistir). Stengel escreveu:
“Em todo o mundo, houve protestos em países onde, se se somam as populações, vivem 3 bilhões de pessoas; e a palavra “protesto” apareceu com frequência jamais vista, impressa e online, mais lida em 2011 do que jamais antes em qualquer tempo da história. Haverá um ponto extremo da frustração global? Em todos os cantos, parece, as pessoas dizem “Basta!”. Em todas as reuniões e manifestações estava presente a palavra “democracia”. “Democracia” é palavra derivada de “povo”. Na democracia, o povo governa. E não há dúvidas de que, nas manifestações populares, o povo governou: não pelas urnas, mas diretamente das ruas. Os EUA somos nação que nasceu, que foi concebida, em movimentos de protesto. E os movimentos de protesto são, em vários sentidos, o código fonte da democracia – tanto quanto são prova de que as democracias podem falhar” [TIMES, 14/12/2011, em http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,2101745_2102139_2102380,00.html].
Se se lembra o que Hardt e Negri escreveram em Multidão (2005, Rio de Janeiro: Editora Record), pode-se dizer que os protestos que irromperam em 2011 já estavam em formação há algum tempo. Naquele livro, Hardt e Negri listaram e discutiram várias “demandas globais por democracia” no mundo contemporâneo.

Para aqueles autores, as queixas e reclamações que já naqueles anos estavam crescendo e começando a tornar-se visíveis, eram dirigidas às autoridades dos governos e às corporações transnacionais, na tentativa de comunicar várias demandas, todas aplicadas a pontos em que a democracia mostrava-se emperrada – o que, por estranha via, a revista TIME também destaca, mais de dez anos depois da reflexão de Negri e Hardt.

Para Negri e Hardt, em 2005, os protestos que já então se viam em todo o mundo, contra o sistema político e econômico global, podiam ser entendidos como um sinal de que “a democracia não pode ser feita nem imposta de cima para baixo”.

Hardt e Negri listaram três principais queixas e as correspondentes demandas que, para eles estariam mais diretamente relacionadas à democracia e que já em 2005 apareciam recorrentes no quadro das queixas e correspondentes demandas globais em todo o mundo: “queixas contra as formas existentes de representação; queixas contra a miséria; e queixas contra a guerra.” O que aconteceu em 2011 e continua a acontecer parece continuar muito próximo dessas queixas, posições e demandas (mais das duas primeiras).

Deve-se ter em mente também que os tropeços da democracia, para Hardt e Negri, estão inseparavelmente conectados ao que aqueles autores apresentam como conceitos e vocabulário políticos cada dia mais obsoletos, forjados no nascimento da modernidade, e que se tornaram insuficientes para manifestar ou dar forma às novas exigências democráticas no mundo pós-moderno globalizado.
Traçando um paralelo entre o significado social e político dos mais de 40 mil cahiers de doléances (listas de queixas) compilados por todo o território da França e entregues a Luis 14 pouco antes da Revolução Francesa de 1789, e as listas acumuladas de queixas repetidas por muitos – das mais locais às mais “elevadas”, dirigidas aos mais altos níveis do governo, Hardt e Negri observam, em 2005:
“Talvez se possam ver àquela mesma luz os atuais protestos contra a atual forma da globalização; e talvez se possa ler nesses protestos a figura potencial de uma nova sociedade global.”
Creio que a mais recente série de protestos – que sacudiram o mundo em 2011 e envolvem questões políticas e questões econômicas –, confirmam as observações de Hardt e Negri publicadas em 2005 e o acerto daquele insight profundo e certeiro: faz falta ainda um novo vocabulário para os conceitos das lutas políticas hoje renovadas. Esse novo vocabulário é necessário para dar conta das novas queixas e demandas, em tempos que já não falam a língua da modernidade.
O novo livro daqueles autores, Commonwealth (2009), parece antecipar ainda mais claramente e mais diretamente os grandes movimentos populares de protesto iniciados em todo o mundo em 2011 – movimentos que já evidenciam muito claramente a necessidade de um novo vocabulário político, de que Hardt e Negri falavam em 2005.

Para Hardt e Negri em Commonwealth, a noção de que qualquer revolução tenha de ser entendida a partir das forças imanentes da própria revolução, sem que se tenha de ‘ancorar’ as revoluções em princípios transcendentes, já aparecia bem clara nos trabalhos de Adorno e Horkheimer; mas esses teóricos da teoria crítica não conseguiram romper o plano “escolástico” e não extraíram de sua reflexão a conclusão mais radical: não há revolução sem ativismo e ação militantes, propriamente, nas ruas. Para Hardt e Negri, essa teorização radicalmente orientada pela prática apareceria, sim, mas no pensamento de Mario Tronti e de Cornelius Castoriades.

O “novo vocabulário político” que dê conta dos conceitos das lutas políticas hoje renovadas só pode surgir, portanto, no exato ponto no qual se encontrem e se cruzem as teorias revolucionárias e a ação dos movimentos – exatamente o que o mundo viu na Praça Tahrir, no início de 2011.

Em 2009, Hardt e Negri escreveram em Commonwealth:
“A análise tem de mergulhar nas lutas dos humilhados e explorados, porque as lutas são a matriz de todo e qualquer relacionamento institucional e de qualquer figura da organização social (...). A reflexão e a pesquisa revolucionárias têm de seguir as novas formas dos movimentos sociais; a reflexão e a pesquisa revolucionárias têm de ser redefinidas pelas novas formas dos movimentos sociais.”
Todos temos portanto pleno direito de esperar que teóricos e pensadores da filosofia política comecem a deixar-se penetrar pelas lições que nos chegam das revoluções populares em curso em todo o mundo, em todos os pontos onde multidões protestam contra a miséria política e econômica.

Creio firmemente que se pode alcançar compreensão tanto melhor de como a democracia deve ser e deve funcionar no mundo global transformado de hoje, quanto mais sejamos capazes de ver e de analisar o modo como as pessoas estão pessoalmente e individualmente envolvidas nos movimentos de protestos que continuam a alastrar-se pelo mundo.

“A Privataria Tucana” em debate no Rio


Assim como fez com o lançamento no Paraná, a gente divulga aqui o lançamento do “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr, aqui no Rio de Janeiro. Será na terça-feira, na Livraria da Travessa, no Leblon (o endereço está no convite que estendo a todos).
Agradeço o convite generoso do Luiz Fernando Emediato para o evento e acho que vai ser útil a gente não apenas debater os fatos como, sobretudo, os caminhos qwue temos a seguir para que, ainda que tardiamente, jogar mais luz sobre este período em que, como nos versos do Chico, “a pátria-mãe era subtraída em tenebrosas transações”
Porque, lamentavelmente os fatos o provam, sem ativismo isso não acontecerá. As respostas que as denúncias têm são o silêncio da mídia e, vez por outra, a desfaçatez tucana.
Como a que Mauro Santayana aponta, hoje, no Conversa Afiada, quando tentam empurrar para cima do falecido Itamar Franco a privatização da Vale, mesmo depois da entrevista gravada de FHC em que ele diz que nem mesmo ele foi o seu artífice, mas José Serra.
Ou a que faz Serra, hoje, no Estadão, afirmando que, entre outras coisas, é o alto preço da energia um dos maiores fatores de perda de competitividade. Que cara-de-pau, porque foi ele próprio, como ministro do Planejamento do primeiro governo FHC quem pilotou o processo de aumento de tarifas que precedeu e sucedeu a privatização das empresas de eletricidade.
Quem quiser saber mais sobre isso, acesse o estudo do BNDES intitulado “Por Que as Tarifas Foram para os Céus?”, onde se mostra a perversidade em que resultou o poder das empresas privatizadas de obterem reajustes de acordo com os custos que elas mesmas engendravam, e que só a muito custo será possível reverter com a renovação das concessões elétricas pelo princípio da modicidade tarifária, que já está fazendo as distribuidoras privadas ameaçarem com o sucateamento de suas redes.